A Voz dos Reformados - Edição n.º 155

 

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JORNAL DO MURPI / CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE REFORMADOS, PENSIONISTAS E IDOSOS

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a voz dos reformados Jornal dos Reformados, Pensionistas e Idosos MURPI CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE REFORMADOS, PENSIONISTAS E IDOSOS Ano XXIII • N.º 155 • Setembro/Outubro 2018 • Preço 0,70 € • Diretor: Casimiro Menezes • Distribuição nacional • murpi@murpi.pt Firmes na luta rumo ao futuro 9º Congresso do MURPI 25.11. 2018 Fórum Lisboa (antigo cinema Roma) 3 7Os Direitos dos Idosos Antioxidantes e envelhecimento 8 MURPI é parceiro social Valeu a pena lutar

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2 A Voz dos Reformados | Setembro/Outubro 2018 Em foco EDITORIAL 9º CONGRESSO DO MURPI De regresso de férias prosseguimos ativamente nos trabalhos de preparação do 9º CONGRESSO do MURPI. Retomamos com base na riqueza do debate no Seminário “Envelhecer com Direitos”, iniciado em Almada, a 24 de janeiro último. AÍ se fez tónica e defendeu que numa sociedade em progressivo envelhecimento se torna importante - e urgente- reforçar políticas sociais no Sistema de Segurança Social - pública, solidária e universal -, assim como no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Há que reafirmar o direito à saúde para todos. No primeiro semestre deste ano realizámos 12 Encontros Distritais. Esse trabalho permitiu auscultar opiniões, expressões e vontades de mais de um milhar de reformados que se circunscrevem nestes pontos: • defender o direito a uma reforma digna, justa, para quem teve uma longa carreira contributiva, com melhoria dos valores das pensões. Repor o poder de compra e o acesso a bens essenciais perdidos pela política de austeridade e empobrecimento do anterior governo; • exigir a tomada urgente de medidas que reforcem os serviços públicos das unidades de saúde do SNS , a garantia de acesso aos transportes públicos e redução de preços nos títulos de transportes para os reformados, bem como melhoria da rede pública de transportes, facilitando a mobilidade; • reivindicar o reforço do apoio financeiro do Estado ao Movimento Associativo dos reformados nas atividades sociais e culturais que desenvolvem na promoção de convívios confortáveis e bem-estar dos reformados, pensionistas e idosos. Neste ano de celebração do 40º. aniversário do MURPI realizámos, a 27 de maio, uma sessão cultural no Auditório Municipal da Amadora. Aí se reafirmou, também, a vitalidade e atualidade dos objetivos do movimento associativo dos reformados iniciado com a Revolução de Abril . É indesmentível a necessidade de dar um impulso para o seu reforço e intervenção. Continuámos a assinalar a comemoração do 40º aniversário com a realização do maior e mais significativo evento o Piquenicão Nacional. Contámos este ano com grande apoio da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo . E foi “capital dos reformados” no dia 3 de junho. Foi a 23ª edição do Piquenicão e participaram mais de 4 mil reformados, famiiares e amigos. Atuaram mais de 60 grupos de danças e cantares. Voltou a ser concretização plena do que representa a maior manifestação nacional da expressão cultural dos reformados. É sem dúvida o ponto de encontro de solidariedade, festa e alegria de todos quantos nela participam. E neste sintético “balanço” da actividade-MURPi no dia 3 de julho, a Direção da Confederação aceitou a proposta do Conselho Económico e Social de reconhecimento do MURPI como parceiro social. Foi o culminar de longa, prolongada luta que durou quatro décadas. Exigimos, vencemos obstáculos, contrariámos os que procuraram discriminar e secundarizar preconceituosamente a força representativa da Confederação MURPI na luta e na defesa dos direitos dos reformados. Voltaremos a reafirmar tudo isto no nosso 9º CONGRESSO no Fórum Lisboa a 25 de novembro. O MURPI está de parabéns ! Continuaremos firmes na luta reforçando fileiras rumo ao futuro. Casimiro Menezes 9ºCongresso Nacional do MURPI 9º CONGRESSO (25 de novembro de 2018) PROJETO DE REGULAMENTO DO CONGRESSO ARTIGO 1º (Convocação) Incumbe à Direção do MURPI a convocação do Congresso, devendo a convocatória ser enviada aos associados com a antecedência mínima de 30 dias, na qual se indicará a data, hora e local e respetiva Ordem de Trabalhos. ARTIGO 2º (Constituição) 1. O Congresso é aberto à participação de todas as Associações, Federações e Organizações de Reformados, Pensionistas e Idosos aderentes ao MURPI. 2. A participação no Congresso é feita através da representação das respetivas organizações do seguinte modo: a. Cada Federação, Associação e Organização terá direito a três delegados; b. Cada delegado tem direito a um voto. 3. Os membros dos Órgãos Sociais do MURPI participam no Congresso Nacional como Delegados de pleno direito. ARTIGO 3º (Designação) 1. As Federações, as Associações e Organizações de Reformados participantes no Congresso elegerão democraticamente os seus Delegados. 2. Os Delegados de cada organização representada no Congresso devem ser associados no uso dos seus plenos direitos e na situação de reformados ou pensionistas. ARTIGO 4º (Inscrição) 1. As inscrições das organizações para a participação no Congresso deverão ser feitas com ante- AVISO sApLrMddAeeeiBogosalUuabRsDlci,sioRzIoniPLaar9Pmtee,/e.In3çEn,Aoã0oNsqoviuaohdVerdennoitEaairiiosdgLa2tCo9saHa5,ºso2EdsCdne3oeCefoºbeIEnRdddnoRgoooeorrsmsvlCeaoeeEsçamOsmsãs,o-tMoab1aNMrt4«NuoDaMUtaPcodIc,iURRsoei1oEPnRd20nIIaaP00Tala1I0CldOv8-Fdooi2,SsOen6aM»n5f,R,RoeUedÇdeLFefceRAioóosraPrbramcmDuIçooãmsaEaaroe,-- OR321D--- AE2EB0Mlpae1lria8oçDn/ãv2çoEa0oçdT2ãdo1oRosAemÓBvraoAgntãLadoçHaãstOooSoSd2co0i1aP5irs/o22g00r11a88m/2a0d2e1Ação me8aOmpudsrreoLRpvmiieas.pgbdautioooloasa,udmeeemnep2anA0ots1odes8ssdee,meEmr.elsebaeillteiroziacaraodGlnaesenuraodltloaaEduxCodtsoirtanónogrorirdoesisídntsiooáorSifwaoT,wrAeawmLm., A PDrierseidçeãnoCteaddsaiamCCioornonffMeeddeeernraeaçzãçeoãsoMMURUPRIPI cedência de pelo menos 15 (quinze) dias da data fixada da sua realização. 2. O pedido de inscrição deverá ser feito em ficha própria a enviar ao MURPI- Confederação Nacional de Reformados Pensionistas e Idosos, sito na Rua de Ovar, Lote 548 – 1ºC, 1950-214 Lisboa, com a identificação de cada delegado, bem assim da organização a que pertence e representa. 3. A Direção do MURPI emitirá um cartão para cada Delegado ao Congresso, que legitimará a representação de cada organização com a consequente participação efetiva nos trabalhos e respetivo direito a voto. 4. Poderão participar no Congresso, como convidados, representantes de entidades e organizações expressamente convidadas pela Direção do MURPI. Aprovado na Assembleia-Geral realizada em 8 de maio de 2018. A Direção Nacional do MURPI Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos a voz dos reformados Jornal dos Reformados, Pensionistas e Idosos BOLETIM DE ASSINATURA NOME: MORADA: LOCALIDADE TEL./ TELM.: E-MAIL*: CÓD. POSTAL: Jornal 1 ano 3,5 € / 2 anos 7€ Novo Renovação Donativo € Data // O assinante * Facultativo O pagamento no ato da assinatura, pode ser feito por vale de correio ou cheque, emitido ao MURPI, para o endereço: RUA OVAR Pode, ainda, LT ser 548, 1 C, 1950-214 LISBOA. efectuado por transferência bancária para o NIB 0035 2177 0000 9361 7305 9 , devendo neste caso avisar por e-mail para murpi@murpi.pt. a voz dos reformados Jornal dos Reformados, Pensionistas e Idosos Diretor: Casimiro Menezes • Conselho Editorial: António Valverde, Casimiro Menezes, Joaquim Gonçalves, Jorge Figueiredo, Manuel Passos, Manuel Pinto André, Maria Amélia Vicente, Vitor Lopes • Colaboradores: Anita Vilar, António Bernardo Colaço, Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), Coutinho Duarte, Isabel Quintas, José Manuel Sampaio, Luciano Caetano Rosa, Manuel Cruz, Zillah Branco • Coordenação e Chefia de Redação: Maria Leonor • Fotos de: Pedro Soares e Miguel Quaresma • Design Gráfico: Fernando Martins • Propriedade, Administração e Redação: Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos/MURPI (70.000 sócios) • Rua de Ovar, Lote 548 - 1.º C, 1950-214 Lisboa • Telf.: 218596081 • Email: murpi@murpi.pt • Site: http://www.murpi.pt • Impressão: MX3, artes gráficas - Pq. Ind. Alto da Bela Vista - Sulim Parque, 2735-340 Agualva Cacém - 219 171 088 • Assinatura anual: 3,50€ € • Periodicidade: Bimestral. Isento de registo no ICS ao abrigo do Decreto Regulamentar 8/99 de 9 de Junho, 12.º, n.º 1 a) • NIF: 500816794 • Depósito Legal n.º 67124

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Em foco 3Setembro/Outubro 2018 | A Voz dos Reformados Os Direitos dos Idosos O compromisso do MURPI é defender Joaquim Gonçalves os direitos das pessoas idosas, inscrevendo-os nas reivindicações deste movimento associativo, contribuindo com ações que os concretizem H na intervenção política e pública. oje vivemos mais anos do que no passado. O aumento médio de esperança de vida é uma conquista civilizacional que tem de ser rever- de proteção social e de garantia do direito a envelhecer com dignidade. Desenvolvemos ações que visam, não só assegurar tido a favor do envelhecimento com direitos e um no presente a defesa dos direitos dos reformados, envelhecimento com dignidade. como também com estas ações defendemos uma Ao aumento da esperança de vida associado ao ele- Segurança Social universal, pública e solidária que vado grau de envelhecimento da sociedade devem garanta aos nossos filhos e netos o direito à reforma corresponder políticas públicas efetivas que promo- digna e justa. Mas falta muito caminho a percorrer. vam, de forma ágil e eficaz, mais e melhores recur- Torna-se necessária e urgente a luta pela revaloriza- sos estruturais de apoio social aos mais vulneráveis e ção e atualização de todas as pensões e muito em es- previnam situações de sofrimento social e humano. pecial as pensões baixas. As pessoas idosas, a natureza dos seus problemas es- Temos que assegurar que o acesso aos cuidados de pecíficos relacionados com o envelhecimento com saúde se faça em termos equitativos em todo o ter- direitos mereceu no MURPI um debate profundo no ritório nacional e que os mais idosos e dependentes, excelente Seminário realizado em Almada, em que entre nós, tenham acesso aos cuidados continuados. se reafirmou a necessidade urgente de uma política Continuaremos a defender uma rede pública de equipamentos que assegure de forma equitativa e justa o direito à proteção social. Continuaremos a exigir uma boa mobilidade, com acesso assegurado a uma rede pública de transportes adequada às necessidades básicas dos utentes. Continuaremos a exigir o apoio financeiro às atividades culturais desenvolvidas pelas Associações de Reformados que irá dar força e estímulo à criatividade e fruição cultural dos reformados. Defendemos que os reformados tenham o direito ao acesso gratuito aos museus e instituições de cultura. Estas reivindicações são algumas pelas quais temos de continuar a lutar e a defender se quisermos garantir um envelhecimento com direitos e com dignidade. Envelhecimento – Igualdade não tem idade Portugal é o 4º país da União Europeia, com maior percentagem de idosos, sendo que, o seu crescente número exige respostas mais rápidas para a má qualidade de vida das pessoas idosas como são, a falta de transportes públicos, o aumento da insegurança, os preços das rendas e a inade- e com melhores resultados sobretudo dos sistemas quação da habitação e a violência que atinge parti- públicos de suporte, como são o caso da saúde, se- cularmente as mulheres. gurança social, educação, justiça e transportes. Para o Movimento Democrático de Mulheres - No nosso país as políticas de direita dos vários go- MDM, as mulheres mais velhas merecem todo o vernos têm impedido as pessoas idosas a serem res- respeito porque já contribuíram muito para a socie- peitadas, protegidas e não discriminadas. dade e para o progresso do país, e podem continuar As mulheres vivem mais tempo mas com menos a ser valiosas para a comunidade. Têm direito a vi- qualidade de vida necessitando pois de mais apoios. ver com dignidade e segurança. Os homens vivem, após os 65 anos de idade, em mé- O MDM vai realizar o seu X Congresso, onde cente- dia, 7 anos saudáveis, as mulheres, vivem apenas 5,4 nas de mulheres vão estar a reflectir sobre as causas anos, sem que haja resposta eficaz do SNS e da pro- das desigualdades e discriminações que as atingem tecção social. e reivindicar novas políticas que combatam essas As idosas vão acumulando desvantagens, relaciona- injustiças. das com o percurso de vida, fruto das desigualdades As mulheres vão continuar a lutar, ficando aqui o no trabalho e da escolaridade. apelo para que adiram ao MDM e participem no Mas há outros problemas que contribuem também seu Congresso. “As nossas Sementes” DManuel Passos izem os sábios povos que quando “um povo perde as suas sementes, está condenado a morrer de fome”. Naturalmente que, perdermos as nossas sementes é muito perigoso. Este é um aviso que foi lançado, após as manobras das grandes Multinacionais das sementes transgénicas, que prometeram melhores qualidades de sementes e depois as impuseram a muitos povos que perderam as suas sementes. Só que essas sementes fornecidas não se podem reproduzir. O MURPI dia 25 de novembro vai realizar o seu 9º Congresso, no ano em que comemoramos o 40º aniversário da sua existência. Vamos avaliar a saúde das nossas SEMENTES e FORTALECÊ-LAS. Durante estes 40 anos as nossas sementes que nasceram com Abril, formaram fortes núcleos transfor- mados em Comissões e Associações de reformados e pensionistas, assim como as nossas Federações e a Confederação Nacional, deste importante Movimento Unitário de Reformados, Pensionistas e Idosos “MURPI”. Trabalharam muito os seus dirigentes e associados e criaram um ambiente solidário, o movimento reivindicativo e social, desenvolveram a cultura popular, o convívio e o apoio solidário aos mais debilitados. Nos últimos oito anos, fomos alvo de vários ataques que infernizaram as nossas vidas. Congelaram e cortaram as pensões aumentaram de forma brutal a carga fiscal. Aumentaram as despesas com a saúde e cortaram serviços, cortaram-nos os apoios sociais, aumentaram as rendas das casas e quase destruíram a nossa mobilidade. Mas nós demos resposta, combatemos com todas as nossas forças, demos a resposta necessária e “vencemos” – conseguimos o descongelamento das pensões e aumentos extraordinários, melhoramos no campo da saúde, combatemos a fome através das nossas associações. Mas é necessário ir mais longe. Durante este período, fomos assediados pelos vendedores de transgénicos sociais, instigados a desistir da nossa luta, e a mudarmos de objectivos. NÃO CONSEGUIRAM – Mantivemo-nos firmes, defendendo a dignidade contra a caridade. Hoje temos posição no Conselho Económico e Social – C.E.S., em igual circunstância com outros. Fomos reconhecidos como parceiros na Segurança Social para apoio dos reformados em geral. Ajudámos a melhorar as condições na A.D.S.E. Estas sim, são as nossas novas sementes. Verdadeiras, originárias das sementes que nasceram com Abril, se fortaleceram e maturaram na luta e no trabalho e hão-de perdurar para o futuro. O nosso 9º Congresso a 25 de novembro assim o dirá. As nossas sementes, sem transgénicos perdurarão como símbolo na nossa bandeira, as sementes do cravo vermelho de Abril! TODOS AO 9º CONGRESSO – PARA IRMOS MAIS LONGE

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4 A Voz dos Reformados | Setembro/Outubro 2018 Actual Só o Portugal de Abril respe À CONVERSA COM… Felicidade Barreiros FELICIDADE BARREIROS, 80 anos, ex-operária de fábrica de plásticos, desde muito cedo interveio e participou na criação do principal núcleo de reformados na Marinha Grande; lembra-se do papel importante de apoio que tiveram dos dirigentes e trabalhadores do Sindicato dos vidreiros e da Câmara Municipal da Marinha Grande na aquisição da atual sede da Associação Sindical Unitária dos Reformados, Pensionistas e Idosos (ASURPI) na Marinha Grande. Tudo começou, segundo relato da Felicidade Barreiros, com a intervenção de alguns dirigentes que criaram este movimento de reformados para exigir melhores condições de vida aos reformados, maioritariamente ex-operários vidreiros e suas famílias que viviam com grandes dificuldades financeiras para fazerem face ao elevado custo de vida, devido aos valores baixos de proteção social. Garantir melhores pensões e defender o direito à saúde foram razões para envolvimento na organização do movimento dos reformados que acompanhou desde o início; lembra-se do dirigente carismático Barridó que fundou o MURPI, na Marinha Grande; assistiu à Conferência em outubro de 1977, em Coimbra, para a legalização do MURPI e no ano seguinte, na Amadora, participou no 1º Congresso da criação da Confederação Nacional MURPI. Participou, em 14 anos, nas primeiras direções da Confederação MURPI que juntamente com os dirigentes Amadeu Rodrigues, Duarte Gomes, Felicidade Montoito e outros dirigentes percorreram o país com o objetivo de criar e dinamizar as Comissões Unitárias de Reformados que mais tarde se constituíram em Associações de Reformados. Segundo nos relata, o MURPI foi um movimento associativo que teve muita pujança desde o início e foi a única organização de reformados existente no país que deu voz na conquista e na defesa dos direitos dos reformados; lembra-se, com entusiasmo, das muitas e muitas manifestações de reformados junto da Assembleia da República “a reivindicarem melhores condições de vida para os reformados”, acompanhou toas as sedes da Confederação até à atual sede e destaca o papel importante na organização desempenhado pela Felicidade Montoito. Muitas mulheres como ela, algumas do Movimento Democrático das Mulheres, intervieram na organização e dinamização das primeiras estruturas do MURPI UM TESTEMUNHO DA… Maria Lourenc, o Benavente MARIA LOURENÇA BENAVENTE, 81 anos de idade, reformada de operária agrícola e de empregada de escritório, residente em Montemor-o-novo, dá-nos o seu testemunho para a história deste movimento associativo MURPI do qual foi dirigente na década de 80 e por largas dezenas de anos. Recorda com muita estima o papel fundamental desempenhado por João Carvalho que criou, em 1978, o núcleo de reformados em Montemor-o-Novo e com o qual iniciou a sua participação na dinamização das atividades do MURPI como membro da Direção da Federação de Évora. O direito à saúde, uma causa mobilizadora - era um tempo de muita atividade e dinamismo na criação e consolidação de muitas Associações no distrito e lembra-se que a causa que mais unia na luta dos reformados era a defesa de mais e melhores condições de acesso aos cuidados de saúde; as pessoas sentiam-se abandonadas sem apoios, sem acesso às consultas hospitalares, sem direitos aos transportes e com grandes dificuldades financeiras na aquisição de medicamentos. A defesa de aumento das pensões – segundo Maria Lourença, mobilizou milhares de re- formados com pensões agrícolas recebiam muito baixas pensões para fazer face ao elevado custo de vida que os impedia de ter acesso a bens essenciais e na luta pela melhoria das suas condições de vida protagonizaram muitas lutas com envolvimento de milhares de reformados em concentrações e manifestações distritais e nacionais pela reivindicação da atualização dos valores das suas pensões, luta em que o MURPI teve um papel importante na dinamização, mobilização e a organização das Associações. Conta que regularmente cada dirigente das Associações promovia reuniões mensais com a Federação e esta com a Confederação Nacional MURPI cuja dirigente Felicidade Montoito se deslocava frequentemente às Associações para dinamizar a resolução dos seus principais problemas. Os eleitos das autarquias apoiaram, muito de perto, o movimento associativo dos reformados, MURPI, contou sempre, como lembra, com grande apoio dos autarcas do poder local democrático que incentivaram e criaram espaços destinados às sedes das associações com centros de convívio que permitiam não só o encontro dos reformados como também

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Actual 5Setembro/Outubro 2018 | A Voz dos Reformados eitará o Outono da Vida Através da realização de Encontro de Grupos de Cantares promovia-se o intercâmbio de experiências das diversas organizações do país, estreitavam-se laços de solidariedade que ajudou a reforçar o MURPI a nível nacional. Lembra-se com saudade Fernando Luz, dirigente com grande capacidade de comunicar que através de peças de teatro com a participação de reformados, percorreu o país promovendo a divulgação dos objetivos do MURPI. Fala com entusiasmos a realização de muitos piquenicões e lembra-se daquele que se realizou na Quinta da Bela Vista, em Lisboa, que foi o maior piquenicão realizado nessa altura. Defende que as atividades das Associações têm de privilegiar o debate sobre os problemas dos reformados, promovendo o reforço do movimento associativo a par das novas iniciativas como as universidades séniores. Quisemos saber o que pensa do futuro do MURPI ao que respondeu que é a única força organizativa de defender os direitos dos reformados, valorizando as condições de vida para garantir melhor proteção social. o desenvolvimento de muitas atividades culturais e de apoio solidário. As mulheres reformadas sempre protagonizaram ações importantes, porque elas conheciam de experiência os problemas relacionados com o cuidar da velhice, das suas necessidades, dos seus apoios e encontraram neste movimento associativo formas criativas de intervenção pela música, através da constituição de grupos de cantares, da participação e convívio nos piquenicões que eram importantes encontros de intercâmbio das experiências das associações do país e que montava um pavilhão de artesanato destinado á venda de produtos, como lembra Maria Lourença com muita saudade. O futuro - o MURPI é a única força organizada dos reformados que tem neste momento de aumentar a sua influência através do trabalho junto das Associações, pelo prestígio que tem, mas que necessita intervir com as Federações junto das Associações com todos os meios, Jornal, debates sobre a Segurança social e a Saúde, que têm sido desenvolvidos, afirmou, como remate do seu depoimento para a história do MURPI. “Contributos sobre a História do MURPI” ArNonfpgnÉmbzifrEsMfiPtaadarrSu4sDoçaeeeOnCe1ooMtmOtreoesecooFenettoD0sdntaUpdéNide3PsosCFqaOvsimanousbtegogojmeUfmºoat1mromoaddR6EursOmooa3sie,rursniuesrnúenMus9eioaReemranR1eoitRnPCiepsp.téRaiiDostloonaadg,9noandutu.uPosttAop1oInrooUçiUrÁoosndotqrolimtoird3i,aa-trmesIgã,nr9peéimsvososdRaMueRidasald,odoe2dc.ssAenarosorase9oeeormrheenucnePiomIaeaoçr5ptnecesom1udunrd4iaNOdeocaoeu”ãrstuagIoseerlis9goedCetqum,dareh.ie,ijszadaaoeumemmtntá1eóddsseron9onuotRnleeauuol,ncceedenrLtntah.oºsie”istn4nieaameçoifoaucbrezesiçnpaVgineFotiieooCIormõsf/dlodiirs.roaarareordoeerucbnsdii9aii,FdeoadsbLooaçlesivdsi,mevaorõoPuedtiiamn6snneamvoaãcdtlitozerMêosamdesesleets,eladros,aagcrioeeeosrnseAoasomqeibgdgfnduternoíel.ariob,3sguoucsscdpu,aaoaotarsgooadsret1qnatbaort.6o-ioo2lrooisaelumarjaosstsaer9uRaratoiuOcmás3edAgr.3nzesroçaitanonVc9mçíoRuceisNemvaâseiaoacãpºbimgoodõoreorarn2laf2zdeoberniaçsoeaomopePesbdmeeqsoleDooa,r1fmaeaeãcivncslrmsscsollsousdoilcársçhlduueeeiooqeeMmooç2scrdshioae1eeseãddmgiooMesmnairuraãem0deaolnaso9qto9asaUauvadseBremaoeuoep1alouoUpaºoedGctaatieieipRndnVescs,e8adrmtactzleeoauoRdloC,CetajomeoicutiocaPrioi,omprdasspcanatsoezGaorormePosoazmfseiIuium.aoãatacasaohandiç,nnmdmboIspus-nrbdoSat,-nl-d,ãdooa-té-tame,aoua-rooa-doáso-oemroroan.e.o--als-AtdqnpDc.ccmJçaeCmaPsseuTiàdisareaFetaodpepárrçFFoóoBoNflSrUartseosfedrfi nioacumoireeãerocvsnrooennceouoabedgaftomitviztiArfineoorirsuirrdriopghtacjeçoienntrioaaedaeúisatsdvmeaósdsuneirôãnmqNrasaacsactmarirmtaaliimreiseardsasaruoaedirçttmatoíeldbaaçicsorciaspe,ois-aesaáoprãevaomnzrçmcasdõPd.ofeoscz.lçsposisédrtooomaaa ãceieidoetEooncoioNraõi,,comsiaoidaraçomnoegecssooesdrsrosearqlitentamodçnomlosaeadelsntCad.eaeossdtueeendc,chaõtseo,vltl,rasoAg,,smioeisaaoeiecio,itonlepCdas.çaoazr,orcarcuintedsdrocasdtõoropooaeoldstaaelrneoonsdipfmuaoiausFaaleiov fsursmefitfmçdmeuaiiqsàeoonesltaotssruseognr1aãcátMlFomaursasLordteiebndebêf.auptarsoaiºnrsmsreteuamsfámceaoçnsliNededsriUrarsaaaaesedadnoliniradotsrcácasaeoõuaoramdmRsdeelioraírcdu2cdoaeietcaldseeiiottvsdaere,asaeiPigçarsseausMiroiºuasosoaceaaptascrvesnõimas,gmISNss,es,sroraCcasliãeeçosamd.eáaaéçetses.emeaediuaçdipoõaoibrasarãnsoan.nnatmdPvtsfbopãcaiaeanese.inaoaoúçdusteiaeoioiCspeoesssfsrrdgctenrsoõttcbeifetdmeonltaoaucoleorsiemt,rnsdeprodaaliouasecsnomiaushs,teamiesdaraaniltLPttraeitoaaamr1oscf,ad.aaoadrslisoaoleiarsudcs,vasÉLppºidleesvdddisáadsgseotcorloetdaberrsipovoosi,oeausrrueasitois-ssoeseoceasvogsesaeona-ra,çmat--aauerr,meaaasaãdlsalan,a.s,e,-ooo--es

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6 A Voz dos Reformados | Setembro/Outubro 2018 Cultura 17º Piquenicão Distrital de Setúbal do MURPI No passado dia 8 de Julho de 2018 realizou-se o 17º Piquenicão Distrital de Setúbal do MURPI, uma organização da Federação de Setúbal, das Associações em parceria com a Camara Municipal de Setúbal, a União de Juntas de Freguesia da Cidade de Setúbal, a Junta de Freguesia de S. Sebastião e a Junta de Freguesia da Gambia, Pontes e Alto da Guerra, no jardim do Bonfim em Setúbal. O evento decorreu das 10 às 19 horas, tendo sido uma demonstração da atividade cultural das 26 Associações que passaram pelo palco estimando-se a presença de cerca de mil reformados, pensionistas e Idosos. Às 15 horas foi feito um período de intervenções políticas do Presidente da Federação, Joaquim Gonçalves, do Presidente da União de Juntas de Freguesia da Cidade de Setúbal, Rui Canas, do vereador da Câmara Municipal de Setúbal, Pedro Pina e pelo Presidente da Confederação do MURPI, Casimiro Meneses. Nesse período de intervenções foi valorizada a contribuição das Associações de Reformados, com a sua atividade cultural, para o aprofundamento da cultura de raízes populares, para uma boa convivência e reforço da solidariedade, da amizade e da elevação cultural individual e coletiva. Foi realçado os 40 anos do MURPI na luta pela defesa dos direitos dos reformados. Foi valorizada a vitória da luta do MURPI por finalmente ser reconhecido como parceiro social e pela sua entrada no CES. Afirmou-se que a luta para que os reformados, pensionistas e idosos, promovidas pelo MURPI devem continuar, porque temos direito a viver com dignidade. OUTRAS INICIATIVAS Alcórrego Alcanena Associação de Reformados Pensionistas e Idosos do Concelho de Alcanena comemorou, no dia 15 de julho, o 22º aniversário com a presença de José Manuel Bento Sampaio, presidente da FARPIR e membro da direção do MURPI que saudou os associados e valorizou o papel associativo do MURPI. A Associação Solidariedade de Reformados, Pensionistas e Idosos da Freguesia de Alcórrego comemorou o seu 10º aniversário com a presença de muitos associados e do Diretor da segurança Social, do Presidente da Câmara Municipal de Avis e do Presidente do MURPI que teve a oportunidade, na sequência de outras intervenções, saudando os associados, afirmar o projeto associativo do MURPI , as suas lutas e as suas conquistas, o aumento extraordinário das pensões e o estatuto de parceiro social FARPIBE/MURPI NO DISTRITO DE BEJA R: DOS AÇOUTADOS 18 7800-493 BEJA FARPIE/MURPI NO DISTRITO DE ÉVORA R DE MACHEDE 53 7000-864 ÉVORA FARPIL/MURPI NO DISTRITO DE LISBOA R OVAR 548 1 C 1950-214 LISBOA FARPIS/MURPI NO DIST. DE SETÚBAL AV 25 DE ABRIL - EDF MONTE SIÃO TORRE DA MARINHA • 2840-443 SEIXAL FARPIP/MURPI NO DISTRITO DO PORTO R DE CONTUMIL BL 1 ENTRADA 724 CV 18 4350-130 PORTO FARPILE/MURPI NO DISTRITO DE LEIRIA R 18 DE JANEIRO 13 2430-256 MARINHA GRANDE FARPIR/MURPI NO DIST. DE SANTARÉM R DR BERNARDINO MACHADO 17 2090-051 ALPIARÇA MURPI • Confederação Nacional de Reformados Pensionistas e Idosos RUA OVAR, 548, 1.º C – 1950-214 LISBOA | Telef. 218 586 081 | murpi@murpi.pt | www.murpi.pt www-facebook.com/MURPI-Confederação-Nacional-de-Reformados-Pensionistas-e-Idosos Chuchu Miguel Boieiro Foram principalmente os Portugueses que, no século XVI, iniciaram uma verdadeira globalização da botânica, mormente das espécies de valor alimentar e terapêutico, ao transferirem plantas e sementes de Oriente para Ocidente e vice-versa, espalhando-as pelos cinco continentes. Lembrou-me um amigo goês que os nossos compatriotas levaram da Índia o café para o Brasil, onde era desconhecido. Hoje, o Brasil é o maior produtor mundial de café. Em contrapartida, trouxeram o caju, do Brasil para o subcontinente indiano e eis que atualmente a Índia é o maior produtor de caju. As navegações marítimas, “dando novos mundos ao mundo”, incrementaram e expandiram o intercâmbio das espécies. É exercício quase surrealista imaginar que na Idade Média os europeus sobreviviam sem batatas, tomates, feijões, abóboras, açúcar, café, chocolates … Seguidamente, as alterações climáticas, o comércio livre e os fenómenos da hibridação alargaram a proliferação das espécies pelas diversas regiões do planeta. Ainda me lembro dos tempos em que as bananas eram caríssimas e não chegavam à província. Foi há três dezenas de anos, se tanto, que provei, pela primeira vez um kiwi, fruta rara, diziam-me, que tinha trinta vezes mais vitamina C do que a laranja (!). Desta feita, vamos abordar o chuchu, fruto-hortaliça, hoje vulgaríssimo, mas cujo cultivo era raro em Portugal até à primeira metade do século XX. O chuchu, cuja nomenclatura científica é Sechium edule pertence à família botânica das Cucurbitaceae, como a abóbora, o pepino, a melancia ou o melão. É nativo do sul do México e dos países caribenhos onde se designa popularmente por chayote que, em língua indígena, significa “cabaça espinhosa”. Trata-se de uma herbácea trepadeira perene e monoica, que gosta de solos húmidos e azotados e medra favoravelmente entre os 13 e os 28 graus centígrados. Não resiste a geadas nem a grandes ventanias. Possui caules híspidos que podem atingir mais de 10 metros de comprimento, dotados de gavinhas fendidas que surgem nos respetivos nós e se agarram a qualquer suporte. As folhas são inteiras, cordiformes, alternas, ásperas e pecioladas com nervações de três a cinco lóbulos. As flores, de amarelo suave ou esverdeado, são pequenas e aparecem nas axilas das folhas. Como a espécie é monoica, a mesma planta reúne flores masculinas aos cachos e flores femininas isoladas. Os frutos são indeiscentes. Consoante as variedades, ficam redondos ou piriformes, verdes escuros, verdes-suaves ou amarelos. Pesam em média 500 g, mas alguns chegam a atingir 2 Kg. A casca pode ser lisa ou rugosa com frágeis espinhos. Cada planta produz, em média, cerca de 80 frutos. Só existe uma semente por fruto, ao contrário das outras cucurbitáceas. A semente é achatada, oblonga, lisa e envolvida em polpa sucosa, germinando através de dois grandes cotilédones. É muito difícil extirpá-la. As raízes são fibrosas. Nos climas quentes geram tubérculos ricos em amido. É na gastronomia que o chuchu tem a sua maior utilidade e não só os frutos. Também as folhas tenras, os rebentos jovens e os tubérculos podem ser consumidos. Os frutos têm sabor suave e característico, substituindo, quando cozidos, a batata, a curgete e o nabo. Há também quem, com eles, confecione deliciosas compotas. Os chuchus são ricos em fibras, aminoácidos, vitamina C, provitamina A, cálcio, magnésio, fósforo e sobretudo potássio. Desprovidos de gordura, integram plenamente as dietas de emagrecimento. Possuem propriedades diuréticas, anti-inflamatórias, cardiovasculares e estimulantes do apetite. Dizem que favorecem a lactação e ajudam a debelar as constipações. Em cataplasmas, limpam e amaciam a cútis e o couro cabeludo. Com as folhas pode-se fazer uma tisana que é boa para a arteriosclerose, a hipertensão e a dissolução dos cálculos renais. Para terminar, acrescente-se mais uma curiosa utilidade conferida a esta planta: os habitantes dos países tropicais esfiapam os caules secos para, artesanalmente, fabricarem apreciados chapéus de palha.

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Saúde 7Setembro/Outubro 2018 | A Voz dos Reformados Antioxidantes e envelhecimento Os antioxidantes são substâncias que ajudam a evitar a formação de radicais livres no nosso corpo, sendo estes responsáveis por envelhecimento precoce das nossas células. Por isso tem sido atribuida aos antioxidantes uma capacidade desintoxicante, ajudando a prevenir alguns tipos de cancro, doenças cardiovasculares, doenças neurológicas degenerativas (Alzheimer, Parkinson). Com estas características a boa notícia é que é fácil administrar antioxidantes, quer em comprimidos quer na alimentação. Muitos estudos observacionais já foram feitos desde os anos 70 do século XX e pareciam apontar para o benefício dessa administração. No entanto, os estudos observacionais não são os mais seguros cientificamente. Daí que se tenha enveredado por ensaios clínicos, um dos maiores, o SELECT, teve início em 2001. Este estudo propunha-se acompanhar 35 533 homens com 50 anos ou mais, com suplementação diária com Vitamina E durante 7 a 12 anos. O estudo foi interrompido ao cabo de 5,5 anos por não se verificar diminuição de incidência de cancro da próstata nos indivíduos a tomar vitamina E. Foi continuada a observação e verificou-se um aumento de 17% no grupo com vitamina E, comparativamente ao grupo com placebo. «No geral os estudos indicam que suplementações com grandes quantidades de antioxidantes não são benéficas. Mas uma dieta equilibrada rica em verduras e frutos pode ser de facto benéfica» segundo Fernando Antunes e Susana Marinho, professores de Química e Bioquímica da FCUL. E, já agora acrescento: já que os antioxidantes comprados na farmácia são caros e até podem ter inconvenientes, vamos mesmo optar pela alimentação. ALIMENTOS ANTIOXIDANTES • Carotenoides: cenoura, tomate, laranja, pêssego, abóbora, brócolos, ervilhas, espinafres. • Curcumine: comum na culinária indiana: açafrão. • Flavonoides: Frutos e legumes: uvas, morangos, maçãs, romã, mirtilo, framboesa, brócolos, espinafre, salsa, couve, vinho tinto, chá, café, cerveja, chocolate, mel. • Vitamina A: cenoura, espinafre, manga, mamão. • Vitamina C: melão, acerola, citrinos, kiwi, manga, espinafres, batatas, morango, tomate. • Vitamina E: óleos vegetais. • Cobre: feijão, grão, lentilhas, amendoim,passas, nozes, amêndoas. • Zinco: feijão de soja cozido, abóbora, amêndoa, amendoim. • Selénio: farinha de trigo, frango, arroz, ovo, carne de vaca, feijão, queijo. 1 fatia de queijo branco Meio mamão ou papaia com uma colher de farelo de aveia Lanche da manhã: 3 nozes ou amêndoas Almoço: Salada de folhas verdes e tomate, regados com azeite 3 colheres de sopa de arroz integral Filete de peixe grelhado Sobremesa: 1 fatia de melancia Lanche: 1 copo de leite magro Morangos 1 fatia de pão integral Jantar: Salada de folhas verdes e beringela Arroz integral Frango grelhado Brócolos refogados Sobremesa: 1 cacho de uvas Ceia: 1 copo de sumo de soja 3 biscoitos integrais Para terminar não posso deixar de dizer: não há receitas que sirvam para todos, nem mesmo regras alimentares que sejam o «elixir da longa vida». Entre em linha de conta com os seus gostos pessoais, a alimentação não pode ser um sacrifício. Aconselhe-se com o seu médico, pois pode acontecer que algum destes alimentos não seja adequado à sua situação clínica. Seja feliz e, se possível, saudável! EXEMPLO DE EMENTA RICA EM ANTIOXIDANTES Pequeno almoço: 1 copo de sumo de laranja 1 chávena de café com leite magro 2 fatias de pão integral FUNDAÇÃO PORTUGUESA DO PULMÃO A DPOC e a Pneumologia José Miguel Carvalho Médico A DPOC – doença pulmonar obstrutiva crónica – é a designação de um conjunto de doenças respiratórias que, sendo muito frequentes, foram relativamente desvalorizadas no passado. Se a tuberculose foi durante décadas “a doença pulmonar”, e esteve ligada ao surgimento da especialidade da Pneumologia, e a asma brônquica foi nos últimos 30-40 anos a doença respiratória que mais interesse suscitava, e para as quais se deram avanços importantes para o seu tratamento e controle, a DPOC só nas últimas duas décadas ganhou o protagonismo que a sua importância tem na comunidade. A DPOC engloba quadros de obstrução crónica que se designavam anteriormente por bronquite crónica obstrutiva e enfisema pulmonar. É sobretudo a bronquite crónica que, não suficientemente valorizada, se deixava avançar até estados com obstruções brônquicas graves e irreversíveis; também os doentes não valorizavam muito as queixas de bronquite (pois que, sendo na sua maioria fumadores, até não estavam com vontade de reconhecer a instalação do problema de saúde que os ia afetando). A asma é uma doença que evolui por crises reversíveis, com obstrução brônquica e a consequente pieira e falta de ar, que surgem aflitivas e depois vão passando, voltando recorrentemente; a DPOC é um conjunto de afeções respiratórias em que a obstrução dos brônquios se instala lenta e progressivamente – e portanto, menos detetável – e quando se toma consciência do problema ele já vai avançado e muitas vezes menos reversível do que na asma. Por causa da sua instalação insidiosa é importante diagnosticar a DPOC precocemente, tomar medidas preventivas – não fumar, tratar as infeções respiratórias, fazer a vacinação antigripal, etc e tratar os sintomas de obstrução logo que começam a surgir. A DPOC é hoje em dia um dos focos principais dos serviços de saúde em geral e da Pneumologia em particular; só uma intervenção regular e eficaz poderá melhorar a saúde respiratória da comunidade no futuro. www.fundacaoportuguesadopulmao.org

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8 A Voz dos Reformados | Setembro/Outubro 2018 Última página Palavras de Paz Hiroxima e Nagasáqui A 6 e 9 de Agosto de 1945 os Estados Unidos da América lançaram duas bombas nucleares sobre as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasáqui, arrasando-as por completo. No momento das explosões dezenas de milhares de pessoas morreram instantaneamente, imoladas pelo fogo. Até ao final desse ano outras tantas sucumbiram às queimaduras e nas décadas seguintes – até hoje – muitas outras sofreram e sofrem ainda malformações genéticas ou doenças oncológicas graças à radiação. Os bombardeamentos nucleares foram um crime que a Humanidade não pode esquecer! O estado de guerra que ainda se vivia no Pacífico não pode servir de justificação, o Japão encontrar-se já derrotado e o lançamento das bombas sobre populações civis só aumenta a gravidade deste crime. Recordar Hiroxima e Nagasáqui é, hoje, muito mais do que um mero exercício de memória ou acto solene de respeito pelas vítimas. É, acima de tudo, um grito de alerta para os riscos que as armas nucleares representam, sobretudo num momento como o que vivemos, marcado por grandes tensões militares e disputas internacionais. Pela dimensão e potência dos actuais arsenais nucleares, uma guerra nuclear não se limitaria a replicar o horror vivido em Hiroxima e Nagasáqui, antes o multiplicaria por muito. Bastaria que fosse utilizada uma pequena parte das 16 mil ogivas nucleares existentes para que a vida na Terra ficasse seriamente ameaçada. Para lá dos muitos milhões que morreriam em resultado das explosões e da radiação, uma guerra nuclear provocaria igualmente efeitos duráveis sobre o ambiente e a meteorologia: o chamado «Inverno Nuclear» levaria a maior parte dos seres humanos e outras espécies animais a sucumbir à fome. Mas a História fazem-na os homens, com a sua acção e iniciativa, e será com estas que será possível impor a proibição das armas nucleares. Ao longo dos anos, foi possível impor restrições e forçar a celebração de acordos e tratados devido às poderosas mobilizações populares, de que o Apelo de Estocolmo, contra as armas nucleares, e as grandes manifestações da década de 80 são exemplos maiores. A campanha que o CPPC tem em curso para que Portugal adira ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares mobiliza vontades e despertou energias, que importa potenciar, pela paz, pela segurança - pelo futuro da humanidade! MURPI é Parceiro Social… valeu a pena lutar Finalmente, depois de uma luta permanente contra a discriminação, o preconceito e o sectarismo, os reformados, pensionistas e idosos estão representados no Conselho Económico e Social (CES). Uma luta de 40 anos pela exigência da representação da Confederação, pelo direito a intervir em numerosas decisões respeitantes à defesa dos direitos dos reformados, expressa em centenas de manifestações e intervenções junto dos órgãos do poder, mas cujo seu reconhecimento com o estatuto de parceiro social só recentemente surgiu. O projeto MURPI foi construído ao longo de dezenas de anos e foi obra de milhares de dirigentes e ativistas que edificaram as Associações de Reformados como importantes centros cívicos de associativismo, com atividades que têm vindo a contribuir para a convivência cívica e democrática, para o fortalecimento do convívio, da solidariedade e da participação social, política, cultural e desportiva dos seus associados. Assim, estavam criadas as pedras essenciais do movimento associativo dos reformados que foi pioneiro e singelo no País. Assim se foi forjando o sentimento de unidade e de luta unitária de todos os reformados e pensionistas, sempre aliada à luta dos trabalhadores, força determinante na conquista e defesa de importantes vitórias do MURPI que continua a lutar pela melhoria das suas condições de vida de modo a permitir envelhecer com direitos. Esta luta demonstrou, não só a capacidade e a tenacidade de resistir e lutar pelo avanço de direitos que foram reconhecidos na Constituição da República Portuguesa, importante baluarte das liberdades e direitos do povo, como também projetar e reconhecer a força e a luta dos reformados e pensionistas na defesa dos seus próprios direitos. Tivemos que enfrentar facciosismo, arrogância e preconceitos de alguns órgãos do poder e alguma comunicação social que utilizam todos os meios para silenciaram a nossa intervenção pública, mas tal não nos tem demovido ou feito desistir de continuar a luta, como o provámos no passado dia 23 de maio junto ao CES, em que dezenas de associados das nossas Associações se juntaram à manifestação de dirigentes e ativistas do MURPI. Os reformados, pensionistas e idosos e a sua organização MURPI podem e devem regozijar-se por mais esta vitória que permitirá levar mais longe as nossas reivindicações e o nosso contributo para o direito a envelhecer com dignidade. DIA DO IDOSO 2018 VIVER MELHOR COM MAIS IDADE ENVELHECER COM DIREITOS A MURPI - Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos saúda todas as pessoas idosas do nosso País e reafirma o seu compromisso de continuar fiel à luta pela defesa do direito a Envelhecer com Direitos, respeitando a pessoa idosa na sua dignidade e autonomia. Um Estado moderno, interventivo, curador e defensor dos direitos fundamentais da pessoa humana deve promover na sociedade em que estamos inseridos a prevenção das vulnerabilidades da pessoa que envelhece. Um Estado moderno deve tratar as suas pessoas idosas como merecedoras de dignidade inteira, não as infantilizando e não as expondo à comiseração e ao espetáculo caritativo; bem pelo contrário, defendemos que os cuidados de que são merecedoras devem ser carinhosos, sóbrios e compreensivos, pelo valor intrínseco e pelo valor representativo das pessoas idosas no seio da família. Ao aumento da esperança de vida associado ao elevado grau envelhecimento da sociedade devem corresponder políticas públicas efetivas que promovam, de forma ágil e eficaz, mais e melhores recursos estruturais de apoio social aos mais vulneráveis e que previnam situações de sofrimento social e humano. No nosso País viver mais anos não significa viver melhor. Com efeito, sabemos que existem pessoas idosas que vivem a solidão, o isolamento, sem os recursos essenciais que respeitem a dignidade da pessoa humana, desamparadas, vítimas de violência nas suas mais diversas expressões. Defendemos o direito das pessoas idosas serem tratadas com dignidade e humanidade, valorizadas e respeitadas na sua autonomia e na sua vontade e com direito à sua identidade sem diminutivos, pois merecem o contributo solidário e o respeito da sociedade. Devem igualmente constituir desígnios do Estado de direito e democrático o combate persistente à pobreza na redução das desigualdades no acesso aos bens essenciais, ao abandono social e físico e a prevenção de todas as formas de violência. O nosso compromisso é defender os direitos das pessoas idosas, inscrevendo-os nas reivindicações deste movimento associativo, contribuindo com ações que os concretizem na intervenção política e pública. VIVER MAIS E MELHOR COM DIGNIDADE

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