Tribuna do Piracicaba - A Voz do Rio

 

Embed or link this publication

Description

Bacia do Piracicaba - Agosto de 2018 - Edição 242 - Ano XXV

Popular Pages


p. 1

Bacia do Piracicaba, Agosto de 2018 / Edição 242 – Ano XXV / Distribuição Dirigida Gratuita / Nas bancas: R$ 2,00 PRESERVAÇÃO NA LAGOA DO TEOBALDO Encontro Anual das Águas confirma uma parceria que deu certo. Página 3 AVES DO PIRACICABA Nesta edição estreamos a coluna que dará foco a rica fauna alada da bacia Páginas 7 e 8 MEIO AMBIENTE PREMIADO O editor da “Voz do Rio” é indicado para o Mérito Legislativo Página 5

[close]

p. 2

2Agosto de 2018 Maninho, Camarão, Brother Por Tobias Almeida Estávamos dentro do baú de uma Fiorino rumo a Guarapari. Naqueles tempos, entre o final dos anos 80 e início dos 90, a fiscalização do trânsito era mais ausente, se assim podemos dizer. Colchões espalhados, estávamos deitados eu, meu irmão e Maninho Camarão. Meu pai e minha mãe na cabine. Apenas uma grade dividia os espaços. Maninho, já pensando em animar a viagem, levou várias fitas K-7 e era nosso DJ. E foi ali que eu ouvi pela primeira vez Raul Seixas. Escrever sobre pessoas queridas que nos deixam é uma armadilha: acabamos escrevendo sobre nós mesmos. Foi o que fiz no primeiro parágrafo. E sabem por que isso acontece? Porque um pedacinho da gente morre junto com quem teve um papel ímpar em nossa existência. Relembrar experiências compartilhadas é uma forma de lidar com o luto. Traz conforto ter a certeza de que desfrutamos da companhia daquele ser da melhor forma possível. No entanto, Maninho merece que se fale dele. Toda cidade guarda seus marcos, que podem ser geológicos (um pico), urbanísticos (uma ponte), temporais (a data de um acontecimento), dentre outros. E há os marcos humanos. Do menor povoado à maior metrópole, qualquer ajuntamento de gente tem o orgulho de celebrar os mais iluminados representantes. Eu tenho orgulho de dizer que Maninho era um tipo de Rio Piracicaba que conhecia como poucos os pormenores e a história da nossa terra. Sujeito da rua, sistemático gozador, tinha uma palavra (certa ou errada) para cada situação. Às vezes a situação pede apenas isso, uma palavra para que- E um dos principais guardiões do Piracicaba foi promovido, irá monitorar o rio em outros planos brar o silêncio. Maninho e suas costas recurvadas eram identificados por qualquer piracicabense a 20 léguas de distância. O cabelo claro refletindo ao sol, o andar pulsado, mas que, contraditoriamente, transmitia mais calma do que afobamento. A pele sempre vermelha que lhe rendeu o Camarão como apelido. Aliás, cabe aqui uma divagação: qual teria sido o primeiro apelido dado a José Saturnino, Maninho ou Camarão? Ou teriam nascido juntos, como se gêmeos fossem? Uma coisa é certa: quando a pessoa é chamada por dois apelidos é porque é muito, mas muito popular. Estão aí Martinho da Vila e Zeca Pagodinho para confirmarem minha teoria. E olha que Maninho tinha eram três, é ou não é, Brother? O prazer de parar e conversar com fulanos, ciclanos e quantos fossem os demandantes era incrustado em sua personalidade. A todo momento, a qualquer hora. E nessas conversas, na maioria das vezes, o interlocutor estava pedindo um conselho, um atalho para a solução, uma dica para vencer a buro- cracia, uma ajuda para superar uma contenda. Maninho era um espécime que reunia predicados de despachante, juiz, advogado e conselheiro cujo expediente era dado na esquina do Tuvito (eu não sei se o popular sobrenome se escreve assim, mas Maninho sabia, com certeza). Amigos, espero que tenhamos a clareza sobre a importância dessa postura, alguém que reserva tempo para as causas alheias em tempos tão fechados. Em uma cidade pequena como a nossa essa atitude se faz ainda mais necessária. É coisa que reforça o sentimento de pertencimento, de viver em comunidade, de ter uma retaguarda. O desamparo, o não ter com quem contar, é um vale frio demais. Maninho, à sua maneira, jogava um pouco de luz sobre esse vale. Não tenho a intenção de transformar Camarão em santo. Ele carregava seus defeitos e pecados, como eu carrego os meus e você, os seus. Mas a morte de alguém nos assenta na mente, forçosamente, a lucidez de julgamento. Sim, por mais que finjamos o contrário, nós julgamos os outros. E o julgamento tendo a morte como jurada se torna mais justo. Isso porque damos o verdadeiro valor aos atos que engrandecem e colocamos na conta certa os erros, que muitas vezes são deslizes insignificantes. Não sei explicar por que cargas d’água Maninho se foi no dia do meu aniversário, 4 de agosto. João Sérgio, sobrinho de Camarão, me disse no velório que as coisas assim aconteceram por motivos superiores. Ele, muito mais esclarecido do que eu nesses assuntos de fé, deve ter razão. Compartilhávamos uma mesma energia e eu sentia que nossas frequências eram pareadas (de novo me pego falando de mim). E, para acrescentar um pormenor, 4 de agosto é Dia do Padre. Não é preciso render conversa. Averdade é que Maninho Camarão morreu, mas há mortos que teimosamente avançam com a vida. Ele seguirá na esquina da loteria; manterá o hábito de se sentar na cadeira de rodas de Geraldo para ler jornal; buscará seis Brahmas no Nelinho para quebrar a ficha; continuará rumo à padaria de Dimas no final da tarde; persistirá na subida do morro do hospital rumo ao asilo. Sabem por quê? Porque é assim que nós nos lembraremos dele. E é nossa memória que sempre renderá o reconhecimento merecido a uma pessoa que não precisava de muito, apenas de outras pessoas ao redor. Maninho, das letras que você dizia tanto gostar, deixo aqui a única homenagem que eu poderia prestar. Um abraço, meu velho amigo Dom Camaras! PS: Maninho era um dos atleticanos mais enjoados e fiéis que conheci. Ele teve papel fundamental em minha paixão alvinegra e para isso não há agradecimento que chegue. Saudações alvinegras, sempre! Nota do editor Solicitei ao amigo Thobias que escrevesse uma homenagem ao nosso “Brother”, sabendo que não teria ninguém melhor para fazê-lo. Mas também não podia deixar de lembrar um episódio marcante envolvendo o primo na his- tória do Tribuna de Rio Piracicaba. Quando da fundação desse periódico, em primeira mão comuniquei ao ‘brother” a novidade – no mesmo instante ele manifestou apoio e disse: “peraí que tenho uma contribuição a fazer” – foi até sua casa e retornou com um mini gravador GE – equipamento muito útil ao jornalismo naquela época – há 24 anos. Mas a contribuição de Maninho não parou por ai e ao longo dos anos inúmeras participações enriqueceram o Tribuna – sendo uma delas a mais hilária de tudo que foi publicado até hoje – mas isso é outra história que iremos reprisar em alguma oportunidade. Guardião do rio – Maninho era o porta-voz ambiental do Piracicaba, reportando quaisquer mudanças de suas águas à nossa reportagem. O Piracicaba também perdeu. Expediente: • Diretor Responsável: Geraldo Magela Gonçalves • Comercial: dindao@bomdiaonline.com (31) 9 9965-4503 • Diagramação/Arte: Sérgio Henrique Braga • Impressão: Gráfica Bom Dia • Representante Comercial: Super Mídia Brasil - BH Redação e Administração Rua Lucindo Caldeira, nº 159, Sl. 301, Alvorada, CEP.: 35930-028 João Monlevade / MG / Brasil (31) 3851.3024 • A Voz do Rio Online: www.tribunadopiracicaba.com Circulação: Bacia Hidrográfica do rio Piracicaba FUNDADO EM FEVEREIRO DE 1994 Razão Social : Geraldo Magela Gonçalves MEI CNPJ 27.776.573/0001-68 Inscrição Estadual : Isenta Inscrição Municipal 123470CNPJ.: 24538633/0001-16 Todos os Direitos Reservados dindao@bomdiaonline.com

[close]

p. 3

3Agosto de 2018 Lagoa do Teobaldo “Experiência positiva de mobilização para cuidar de nossas águas” Antônio Dias - Loca- de no dia do Encontro lizada no município de Anual visitar e conhe- Antônio Dias a uma al- cer a Lagoa, como tam- titude de 1000 metros e bém participar do evento ocupando uma área em com apresentação dos torno de 10 hectares, a trabalhos de pesquisa, bela Lagoa do Teobaldo números musicais, tea- é um lugar privilegiado tros, declamação de poe- pela natureza. sias, brincadeiras, jogos, Ela se situa numa região brindes, tudo com muita montanhosa, próxima à alegria e limpeza. Serra do Cocais, a apenas Portanto, no período 40 Km do Vale do Aço e 1999-2017, o Encontro se constitui no maior lago Anual das Águas foi rea- natural de toda a Bacia lizado ininterruptamente, do Rio Piracicaba. às margens da Lagoa, e Mas a Lagoa do Teo- se consolidou, a cada ano, baldo não é apenas um como uma referência re- lugar especial para os gional, onde a conscienti- amantes da natureza, ela zação sobre a importância tem grande importân- da água, a valorização da cia econômica, social e identidade cultural regio- ambiental, sendo vital para a sobrevivência de Mais que beleza cênica a Lagoa do Teobaldo tem grande importância econômica, social e ambiental nal e a confraternização se estabelecem com vigor dezenas de famílias que res de seres vivos da fau- cisco Barros (Sr.Xéo) e criada a Associação dos pessoas e a boa vontade e com grande potencial de vivem “lá embaixo”, ao na e flora aquáticas e seu seus filhos, o deputado Amigos da Lagoa do de uma grande empresa. multiplicação. longo dos Córregos San- entorno serve de refúgio estadual Ivo José, profes- Teobaldo ( AALT) para A partir de 2005, evento Assim, a convergência tana e Severo e também para centenas de aves, sor Francisco Barbosa (da divulgar e preservar a passou a priorizar a par- de esforços e trabalhos para suas atividades de pássaros, mamíferos, an- UFMG), a educadora Eli- beleza cênica, as rique- ticipação das crianças de pessoas de bem e de agricultura, pecuária, fíbios e répteis. sângela Oliveira, o radia- zas naturais e as poten- das escolas rurais do en- uma empresa criou uma serviços, entre outros. O primeiro estudo cien- lista Aloisio Castro foram cialidades turísticas da torno da Lagoa. sinergia que contribuiu Por sua originalidade e tífico na Lagoa foi re- alguns dos pioneiros no tra- micro-região da Lagoa Um acordo firmado com significativamente para características específi- alizado pelo Instituto balho de divulgar, estudar, do Teobaldo. as três escolas públicas a preservação de um pa- cas ela possui um valor de Ciências Biológicas valorizar e apoiar as inicia- Neste período se iniciou locais permitiu às crian- trimônio natural da bacia ambiental inestimável, da UFMG, no período tivas para a preservação da o diálogo entre a comu- ças trabalharem o tema do Piracicaba, que é a pois é um verdadeiro 1996-1998. Lagoa. nidade local e a empresa “Água” na sala de aula Lagoa do Teobaldo. santuário natural, que de- A partir de 1999 a Lagoa Desta forma, o Encon- Cenibra para a retirada e terem a oportunida- *Eng. Claudio B.Guerra sempenha funções eco- passou a ser palco de en- tro Anual das Águas da dos plantios de eucalip- lógicas importantes na- contros para a comemo- Lagoa do Teobaldo se tos que circundavam pra- quela região, como fonte ração do Dia Mundial da tornou um evento social ticamente toda a lagoa e produtora e armazena- Água, sempre reunindo importante para as co- ameaçavam sua biodi- dora de água, reserva de muitas pessoas. munidades daquela mi- versidade, segundo o es- XIX ENCONTRO ANUAL DAS ÁGUAS DA LAGOA DO TEOBALDO nossa biodiversidade, ou O engenheiro Cláudio crorregião. tudo técnico da UFMG. seja, é morada de milha- Guerra, o fazendeiro Fran- Em maio de 2002, foi Depois de vários encon- 15 SETEMBRO tros e discussões, em outubro de 2003 a Cenibra começou a implementar SÁBADO 13 HORAS o Projeto de Recuperação NA ÁREA DO CRUZEIRO, Ambiental da Lagoa do JUNTO À LAGOA Teobaldo, com a retirada do eucalipto de seu entor- no e o plantio de milhares de espécies nativas. É curioso observar que desde do início do movi- mento o mote era “gente se unindo para cuidar de nossas águas” e que o processo de negociação não envolveu nenhum órgão público, sendo A partir de 2003 teve início as ações diretas de recuperação da lagoa, tendo como principal ação a retirada dos eucaliptos de seu entorno tratado diretamente pelo comprometimento das

[close]

p. 4

4Agosto de 2018 Memorial Vale leva recorte do museu à Rio Piracicaba Rio Piracicaba - O Memorial Minas Gerais Vale segue na estrada com o Projeto Mineiridades, uma mostra itinerante que leva cultura gratuita ao interior de Minas Gerais, ampliando o acesso das comunidades visitadas. A exposição chega agora a Rio Piracicaba e ficará na Casa Paroquial da Igreja Matriz, localizada na Praça Coronel Durval de Barros, 121, no centro. A mostra tem entrada gratuita e pode ser conferida até 15 de setembro, de terça a sexta-feira, de 8h às 11h e de 12h às 17h, e nos sábados, de 8h às 12h. A mostra reproduzirá salas do Memorial Vale como Barroco Mineiro, Fazendas, Caminhos e Descaminhos e Jequitinhonha, além da releitura de outras, levando para as cidades uma nova oportunidade de vivenciar a essência de ser mineiro. Ao adentrar o espaço, os visitantes serão envolvidos por memórias afetivas por meio de sons e imagens. A mostra poderá ser vista gratuitamente de 15 de agosto a 15 de setembro. Em cada localidade, o Mineiridades agrega parte da cidade e da história de seus moradores, como forma de valorizar as tradições locais. Os visitantes também tem a oportunidade de realizar uma visita virtual, por meio de um totem, ao acervo completo do museu . Em 2017, o Mineiridades passou por Itabira, Itabirito, Nova Lima, Congonhas, Ouro Preto e Brumadinho. A mostra recebeu um público de mais de 5 mil visitantes individuais e 30 escolas. Também foram promovidas mais de 20 atrações culturais locais e oficinas. Em 2018, antes de Rio Piracicaba, passou por Barão de Cocais, Belo O projeto Mineiridades é uma mostra itinerante que leva cultura gratuita ao interior de Minas Horizonte (Boulevard Shopping) e Mariana. Saiba mais: O Memorial Minas Gerais Vale é resultado da parceria entre a Vale, a Fundação Vale e o Governo de Minas e funciona no antigo prédio da Secretaria de Estado da Fazenda, originalmente denominada Secretaria das Finanças no século XIX. O espaço é uma iniciativa que se alinha ao propósito da Fundação Vale de fortalecer as identidades culturais regionais e valorizar a cultura, a memória e o patrimônio histórico nos territórios onde a Vale atua. Firmado acordo para liberação de mais de R$35 milhões dos CBH´s da Bacia do Rio Doce Belo Horizonte - O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o Estado de Minas Gerais e o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) firmaram no dia 17 de agosto, um acordo preliminar e parcial para o repasse de R$ 35.920.500,61 aos Comitês Estaduais da Bacia Hidrográfica do Rio Doce. O valor é referente à cobrança pelo uso de recursos hídricos arrecadados até o ano de 2017 nas bacias e que havia sido contingenciado pelo Governo Estadual. O Instituto BioAtlântica, entidade que exerce as funções de Agência de Águas na Bacia do Rio Doce, também assinou o termo como interveniente. Conforme ajustado, haverá o repasse em cinco parcelas mensais de R$ 7.184.100,12, a serem pagas até novembro deste ano. O Termo de Compromisso firmado foi protocolado nos autos de Ação Civil Pública (5028103-27.2017.8.13.0024) para homologação pela Justiça. Ainda segundo o acordo, todas as demais questões e valores relativos à cobrança pelo uso de recursos hídricos não expressamente tratados e abordados na Ação Civil Pública permanecem submetidos ao Juízo da 2ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte para julgamento. Cobrança A Lei Federal 9.433/1997 e a Lei Estadual 13.199/1999, que tratam dos recursos hídricos, estabelecem que os valores da cobrança pelo uso da água devem ser aplicados nas bacias hidrográficas em que foram gerados para o financiamento de estudos, programas, projetos e obras incluídos nos Planos de Recursos Hídricos, bem como para o pagamento de despesas de implantação e custeio administrativo dos órgãos e entidades integrantes do Sistema de Recursos Hídricos, que têm como fundamento a gestão democrática e participativa, sobretudo no âmbito dos comitês de bacia. Modelo de gestão ineficiente Apesar da considerável quantia a ser repassada ao CBH Piracicaba, cerca de R$20 milhões, que somados aos já R$25 milhões em caixa perfazem mais de R$45 milhões, o comitê tem sequer uma secretária e uma sede adequada que faça jus à importância da instituição, demonstrando que o modelo de gestão adotado, após 18 anos de criação, está longe de ser funcional. Durante uma das reuniões do CBH Piracicaba, o Tribuna do Piracicaba – A Voz do Rio ouviu inúmeros conselheiros sendo que a maioria absoluta se posicionaram contra o modelo atual de gestão. Segundo informações do presidente Flamínio Guerra, inúmeras reuniões e discussões tem acontecido em torno desse assunto – mudança de modelo de gestão.

[close]

p. 5

5Agosto de 2018 Câmara de Rio Piracicaba promove entrega do Mérito Legislativo Editor do Tribuna é indicado diante seu trabalho em prol do Meio Ambiente ao longo dos anos A sombra produzida na rua Antonino Batista, centro de Rio Piracicaba é fruto da campanha de arborização do Tribuna Rio Piracicaba – Ao longo dos 24 anos de circulação, o Tribuna de Rio Piracicaba sempre carregou à frente de suas edições a bandeira verde, promovendo ações em defesa do meio ambiente e consequentemente da vida. Dentre as inúmeras campanhas nesse período de existência, destaca-se a luta pela recuperação da Mata Ciliar ao longo do Piracicaba, campanha de proteção do rio contra um antigo costume de jogar lixo em seu leito, arborização e limpeza urbana com o título Cidade Limpa - Cidade Linda, campanha contra os lixões e criação da Coluna A Voz do Rio, em 1995, culminando com a trans- formação do jornal local em um veículo para toda bacia, dando voz ao rio nas 21 cidades que a compõe – hoje o Tribuna do Piracicaba – A Voz do Rio. Essa nova fase do Tribuna do Piracicaba já emplaca quase dois anos, levando a toda região, ao estado, ao país e ao mundo – através da internet, os descasos, os crimes, os maus exemplos e o grito do rio que já tem até data para secar – 2030 - caso não seja feito efetivamente ações para transformar o atual quadro. Mas o Tribuna do Piracicaba não só dá voz a coisas negativas, trazemos sempre boas novas, levando um pouco de esperança ao condutor da vida. Diante o trabalho desenvolvido e que continua cada vez mais firme em seu propósito, o vereador Hugo Pessoa de Almeida, reconhecendo esse empenho, indicou o editor do Tribuna do Piracicaba, Geraldo Magela Gonçalves (Dindão) a receber a Medalha do Mérito Legislativo “José Couto de Almeida”, pelos relevantes serviços prestados a causa ambiental na cidade e na bacia do Piracicaba. A solenidade de condecoração acontecerá no dia 29 de setembro no Salão Nobre Dr. Paulo Neves de Carvalho, da Câmara Municipal de Rio Piracicaba. Conheça os agraciados no box ao lado: O Campo do Cajuca, no centro da cidade, em uma das campanhas do Tribuna, recebeu um plantio em 1995 e após 23 anos se tornou uma mata ciliar exuberante

[close]

p. 6

6Agosto de 2018 Secretaria de Meio Ambiente alerta sobre poda drástica de árvores João Monlevade - A Secretaria de Meio Ambiente alerta à população quanto à poda drástica e irregular de árvores existentes nos passeios públicos que estão acontecendo na cidade. A ação preocupa a administração municipal, uma vez que a arborização urbana deve ser respeitada pela população. “Muitas pessoas não tem consciência da importância da preservação das espécies, com a poda drástica e sem orientação muitas árvores cortadas acabam morrendo. Além de causar prejuízo á natureza, a poda irregular pode provocar danos até mesmo para aqueles que a realizam, oferecendo riscos de acidentes”, alerta a secretária municipal Fer- Pode drástica sem autorização da Secretaria de Meio Ambiente pode gerar multa nanda Ávila. A poda drástica consiste no rebaixamento radical de copa de árvores, sem qualquer critério técni- co, sendo que, em alguns casos nem os troncos são poupados. Ações como estas contribuem para o aumento do chamado “passivo ambiental” do município. A poda drástica de árvores localizadas no passeio público (na calçada ou fora dos lotes), é crime previsto pela Lei de Crimes Ambientais (n° 9.605/98) e a pessoa que infringir esta lei será notificada e até mesmo autuada. Ainda existe a legislação municipal, pelo Código Ambiental do Município, (projeto de lei que está sendo elaborado pela equipe técnica do meio ambiente) a relocação, derrubada, corte ou poda de árvores, fica sujeito á autorização prévia da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. O responsável pela derrubada corte ou poda não autorizada, bem como a morte provocada ou queima de árvores fica sujeito ás penalidades prevista na lei, na obrigatoriedade de replantio de outras plantas, estando sujeito ao in- deferimento de pedido de alvará de construção ou a cassação do mesmo já concedido. COMO PROCEDER Quando há necessidade de se cortar uma árvore, o correto é acionar a Secretaria Municipal de Meio Ambiente que vistoriará a árvore a que se refere a solicitação, para avaliar a real necessidade da derrubada, corte ou poda. Para solicitar esse serviço, a população pode entrar em contato pelo telefone 31 3852-3151 ou comparecer pessoalmente a secretaria localizada a Avenida Getúlio Vargas, nº 4798, 3° andar, Carneirinhos (em frente ao Ponto Frio). Centro Oncológico e universidade federal fazem parte dos planos de Ester Sanches para o Médio Piracicaba Replicar o projeto ‘A casa da mulher brasileira’, que oferece suporte para as mulheres que sofrem qualquer tipo de violência são outras metas da candidata a deputada federal A empresária Ester Sanches segue com a campanha de candidata a deputada federal visitando várias cidades mineiras. Nas muitas reuniões que participa, ela ouve as reivindicações das pessoas, fala de sua trajetória como filantropa há cerca de 20 anos e também aproveita para anunciar algumas de suas metas de trabalho, caso seja eleita. Com suas bases principais no Médio Piracicaba onde exerce grande trabalho social há quase três décadas, com ajudas a creches, hospitais, asilos e diversas entidades, Ester disse que se compromete em abrir Ester Sanches (ao centro) em reunião com representantes do Sistema Prisional de Minas Gerais, quando descutia assuntos relativos a Segurança Pública discussões para aumentar os salários dos policiais e carcereiros e dar melhores condições para que os mesmos possam exercer seu trabalho de maneira mais eficiente. Ainda para a segurança, Ester também pretende criar um projeto para que as prisões abram espaço para visitações de crianças e adolescentes, para que eles vejam de perto a rotina de um detento, ou seja, os transtornos nas celas superlotadas, a falta de conforto para dormir e a realidade de terem que tomar banho em água fria, as brigas e agressões sofridas constantemente e tantos outros inconvenientes. “O objetivo é dar um choque de realidade. Isso já realizado nos Estados Unidos e tem tirado muitos jovens do mundo do crime. E aqueles que têm intenções de entrar, não entram! Além disso, esse projeto tem proporcionado uma melhoria muito grande no comportamento das crianças e dos adolescentes em suas casas”, explicou a líder social. Ester também se compromete em abrir discussões visando o corte nos salários dos deputados e o fim do Foro Privilegiado. “Deputado tem que ser tratado como todo ser humano, porque ele não é melhor que ninguém. É por isso que quero acabar com alguns de seus privilégios. E vejo o salário de deputado como muito alto. Eles têm que tirar sua subsistência de suas profissões e não de seus cargos políticos. É um absurdo o salário deles”, afirmou a empresária. Também está nos planos de Ester, caso se eleja deputada federal, apresentar propostas para a reforma tributária para que o empresariado brasileiro tenha incentivos para crescer e gerar mais empregos e renda. Viabilizar mais auxílio para as escolinhas de futebol, artes marciais, capoeira e atletismo. Isso ela pretende fazer através da viabilização de recursos do Governo Federal, empresas e até mesmo de outros países. “Temos que nos esforçar para conseguir esses recursos para mantermos as escolinhas funcionando em várias cidades”, comentou a candidata. Outros planos de Ester são: lutar pelo aumento do número de creches públicas e melhoria do salário dos professores; reunir com motoristas de aplicativos, com o objetivo de melhorar a qualidade do serviço prestado pela classe e instalação de um Centro Oncológico para o Médio Piracicaba. “São dezenas de projetos que pretendemos implantar. Todos com viabilidade e certeza de que trarão melhoria para todos os mineiros, em especial para os moradores das cidades dos Médio Piracicaba”, garante Ester.

[close]

p. 7

7Agosto de 2018 Cidade Ecológica - Catas Altas trata 80% dos resíduos coletados Além da produção de reciclados, a usina produz ainda adubo orgânico usado nos jardins da cidade 20 anos para a unidade, atendendo a 100% da população da sede. Naquele ano, somente as valas de aterramento eram utilizadas. Em 2002, foram construídos o galpão de triagem e as baias de reciclagens. Em 2003, foi implantado o pátio de compostagem e a usina recebeu a pri- meira licença de operação (LO) com validade de oito anos. Já neste ano, a unidade recebia cerca de 1,2 tonelada de lixo por dia de operação. Aterro já premiado nacionalmente vem retornando a seus tempos áureos Catas Altas - Em um período de seis meses, a Prefeitura de Catas Altas tratou 115 toneladas de resíduos coletados na cidade. O valor representa 80% de todo material enviado à Usina de Triagem e Compostagem entre janeiro e junho deste ano. Desse total, pouco mais de 71 toneladas foram recicladas e vendidas, arrecadando R$ 16.086,39. O valor obtido com a venda dos recicláveis é dividido em partes iguais entre os funcionários. Outras quase 45 toneladas foram transformadas em adubo orgânico. Somente 20% de todo o resíduo coletado nestes seis meses (em torno de 1630 m³) foram enviados para as valas por não terem condições de seguir para o processo de reciclagem ou de compostagem. “Temos que conscientizar a população a separar em casa os lixos secos e molhados e, principalmente, o lixo do banheiro, como papel higiênico, absorventes e fraldas descartáveis. Ele não pode ser reaproveitado porque contamina o solo. Se cada vez mais tivermos esse hábito da coleta seletiva, conseguiremos aumentar a vida útil da Usina e melhorar a qualidade de vida de quem mora na cidade” explica o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Reginaldo Nascimento. Usina A Usina, localizada em uma área de 38.132,75 metros quadrados, foi fundada em 2001, em uma parceria entre a Prefeitura e o Departamento de Engenharia Ambiental e Sanitária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O projeto previa vida útil de Estrutura oferece condições dignas aos funcionários A extinção das espécies Por João Sérgio Em todo mundo, os seres viventes são classificados pelo seu estado de conservação por uma organização científica internacional (IUCN). Na categoria inicial, e onde gostaríamos que todas as espécies estivessem, temos as “pouco preocupantes”. Por critérios científicos e à medida que vão surgindo ameaças à sua perpetuação, as espécies se tornam “quase ameaçadas”. Nas próximas três categorias as espécies já são consideradas ameaçadas de extinção: “vulnerável (à extinção)”, “em perigo (de extinção)” e “criticamente em perigo”. Após essa última categoria, a espécie já é considerada “extinta na natureza”.Além dessa classificação, que é a nível mundial, temos classificações locais. Uma determinada espécie, por exemplo, pode estar “vulnerável” à extinção a nível global, mas no estado de Minas pode ser considerada extinta, como é o caso do bicudo. Recentemente algumas espécies brasileiras foram consideradas extintas. Todas ocorriam no centro de endemismo (local onde há espécies que não ocorrem em mais nenhum lugar do mundo) Pernambuco, onde a destruição das florestas e a caça causaram a extinção (as espécies endêmicas que ainda sobrevivem estão em avançadas categorias de ameaça). O que a Natureza levou milhões de anos para aperfeiçoar, estamos conseguindo acabar em poucos séculos. Na próxima página você irá conhecer uma das espécies mais ameaçadas de extinção que ocorre na bacia do rio Piracicaba, o papagaio-de-peito-roxo.

[close]

p. 8

8Agosto de 2018 A Voz do Rio lança a coluna: “Aves do Piracicaba” Meu nome é João Sérgio, sou um fotógrafo piracicabense de natureza com diversas fotos publicadas em livros e exposições do Brasil e de países como Argentina, Peru, EUA e França, e vou apresentar aos leitores do Tribuna do Piracicaba – A Voz do Rio, as aves que ocorrem na região da bacia do rio Piracicaba. São centenas de espécies diferentes: algumas ameaçadas de extinção, verdadeiros tesouros biológicos que ainda encontram abrigo em nossa região; outras se destacam pela beleza, verdadeiras obras de arte da Criação; há os cantores famosos que, felizmente, estão retornando graças à diminuição do costume egoísta (e atualmente ilegal) de encarcerá-los; há aquelas praticamente desconhecidas da população, apesar de já habitarem nossa região muito antes dos nossos antepassados; e temos ainda uma grande quantidade de espécies que participam do nosso cotidiano e que de uma forma ou outra fazem parte de nossas vidas. É isso pessoal, as aves estão em toda parte. E que bom que seja assim! Tentem fazer um exercício de imaginação retirando as aves do mundo... Certamente nosso planeta perderia muita graça. João Sérgio é fotógrafo piracicabense de natureza fotos publicadas em livros e exposições Papagaio-de-peito-roxo E para inaugurar a coluna vamos falar de uma das espécies mais ameaçadas de extinção que ocorre na bacia do rio Piracicaba, o papagaio-de-peito-roxo. O papagaio-de-peito-roxo está na categoria “em perigo” de extinção, sendo uma das espécies mais ameaçadas que podemos encontrar na nossa região. As causas de seu desaparecimento são mais uma vez a caça e a destruição do seu habitat. Praticamente é a única espécie de papagaio que ocorre na bacia do rio Piracicaba, pois só temos o papagaio-moleiro que na nossa região se restringe ao interior das grandes florestas do Parque Estadual do Rio Doce, em Marliéria. De acordo com o WikiAves, um dos dois maiores sites sobre aves do mundo e que funciona no sistema de ciência colaborativa (o cidadão se cadastra e publica seus registros), o papagaio-de-peito-roxo foi registrado pela primeira vez na bacia do rio Piracicaba em 2011, no município de Marliéria. No ano seguinte foi registrado em Rio Piracicaba por este que vos escreve, e no ano de 2014, em Ipatinga. Outro dado preocupante que extraímos do WikiAves é que não temos nenhum registro dessa espécie em todo o estado do Rio de Janeiro. Relevante mencionar que o papagaio-de-peito-roxo ocorre na Mata Atlântica do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul e em algumas áreas do Paraguai e da Argentina. Estima-se que a população dessa espécie gire em torno de 4 mil indivíduos. Portanto caros amigos leitores, se você tiver o privilégio de encontrar algum papagaio livre em nossa região, lembre-se de que se trata de uma raridade, de uma espécie que se for extinta na bacia do rio Piracicaba certamente perderemos uma parte de nossa identidade natural, ficaremos sem representantes desse tipo de ave que tão bem nos representa mundo afora. Afinal, quem não conhece o Zé Carioca?

[close]

p. 9

9Agosto de 2018

[close]

p. 10

10Agosto de 2018

[close]

p. 11

11Agosto de 2018

[close]

p. 12

12Agosto de 2018

[close]

Comments

no comments yet