Gêneros, diversidades, tecnologias e smart city

 

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Publicação do Grupo de Pesquisa Mídia, Cidade e Práticas Socioculturais, tem como proposta oferecer indicações das várias frentes teóricas, metodológicas e práticas com que seus integrantes tem trabalhado ao largo dos 5 anos que o grupo completou em 2017.

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Gêneros, diversidades, tecnologias e smart city Paulo Celso da Silva Mara Rovida Felipe Tavares Paes Lopes Wilton Garcia (Orgs.)

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Gêneros, diversidades, tecnologias e smart city


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Reitor Rogério Augusto Profeta Pró-Reitoria de Graduação e Assuntos Estudantis Progad Fernando de Sá Del Fiol Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Inovação - Propein José Martins de Oliveira Jr. Direção Editorial Rafael Angelo Bunhi Pinto 
 Editoras Assistentes Silmara Pereira da Silva Martins; Vilma Franzoni Conselho Editorial Adilson Rocha
 Alexandre da Silva Simões
 Daniel Bertoli Gonçalves
 Filipe Moreira Vasconcelos Guilherme Augusto Caruso Profeta José Martins de Oliveira Junior Marcos Vinicius Chaud
 Maria Ogécia Drigo
 Roberto Samuel Sanches EDUNISO
 Editora da Universidade de Sorocaba Biblioteca “Aluísio de Almeida” 
 Rodovia Raposo Tavares KM 92,5
 18023-000 - Jardim Novo Eldorado
 Sorocaba | SP | Brasil
 Fone: 15-21017018
 Site: http://uniso.br/eduniso
 E-mail: edunisoeditorauniso@gmail.com


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Paulo Celso da Silva Mara Rovida Felipe Tavares Paes Lopes Wilton Garcia (Orgs.) Gêneros, diversidades, tecnologias e smart city Sorocaba/SP 2018


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Gêneros, diversidades, tecnologias e smart city Copyright ©2018 Eduniso. Qualquer parte desta publicação pode ser reproduzida, desde que citada a fonte. Todos os direitos desta publicação reservados à Eduniso. MidCid Obra originária dos trabalhos do Grupo de Pesquisa Mídia, Cidade e Práticas socioculturais – MidCid Ficha técnica Capa: Gilberto Caserta
 Normalização: Vilma Franzoni
 Projeto gráfico e Diagramação: Gilberto Caserta Secretaria: Silmara Pereira da Silva Martins Ficha catalográfica G29 Gêneros, diversidades, tecnologias e smart city / Paulo Celso da Silva, Mara Rovida, Felipe Tavares Paes Lopes, Wilton Garcia, organizadores. – Sorocaba, SP : Eduniso, 2018.
 339p. ISBN: 978-85-61289-41-6 Obra originária dos trabalhos do Grupo de Pesquisa Mídia, Cidade e Práticas socioculturais (MidCid). Vários autores 1. Identidade de gênero. 2. Diversidade cultural. 3. Violência sexual. 4. Desigualdade social. 5. Sociedade da informação. I. Silva, Paulo Celso da. II. Rovida, Mara. III. Lopes, Felipe Tavares Paes. IV. Garcia, Wilton. Elaborada por: Vilma Franzoni (Bibliotecária CRB 8/4485). 


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Sumário Prefácio 9 O Feminino e a Literatura Matriarcado e Patriarcado n’ O Homem e n’ A Mulher do Povo: Teorias e práticas 14 Paulo Celso da Silva Das galerias parisienses à literatura brasileira: a condição feminina entre devaneios e lucidez Telma Maria Vieira 26 Relações de dominação, a cidadania em construção dentro do presídio feminino paulistano Rachel Alves de Aguiar 39 Do Gênero ao Jornalismo Narrativas periféricas: protagonismo feminino promovido pelo trabalho de mulheres jornalistas Mara Rovida 50 Alteridade de gênero: o compromisso da ciência e do jornalismo com a escrita sobre o outro 64 Gean Oliveira Gonçalves Experimentações Contemporâneas Os medos corpóreos, o cansaço físico e o corpo metafórico: Kim Joon, a body art sem body 80 Júlia Rinaldi e Tarcisio Torres Silva It’s all about that bricks: utopia performativa nas videoperformances de Saullo Berck 90 Aroldo Santos Fernandes Júnior

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A 21ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo: opressão e resistência no contexto midiático contemporâneo 100 Débora Mestre e Paula Parra Youtubers: a busca pela identificação do público jovem por meio de estratégias hipermidiáticas Felipe Parra 111 Perspectiva Trans A democratização da mídia ao representar travestis e transexuais 123 Deborah Ramos da Silva e Paula Keiko Iwamoto Poloni Trans, ideologia da violência, criando personagens de direitos no Brasil Renan Antônio da Silva 139 Por uma política da diversidade Gênero e esporte: análise da campanha Invisible Players 147 Felipe Tavares Paes Lopes e Tarcyanie Cajueiro dos Santos Do Coletivo Vaporetto à presidência: reflexões sobre a diversidade de gênero em uma organização sindical 159 Michel Mott Machado e Darcy Mitiko Mori Hanashiro A cidade, a comunicação e as mulheres: atuação de coletivos feministas no Rio de Janeiro 176 Mariah Christine Rafael Guedes da Silva Outros Olhares Questões de gênero, mudanças sociais e adequação dos modelos de habitação das últimas décadas 190 Laís Santana Falcão, Renata Jimenez de AlmeidaScabbia e Luci Mendes de Melo Bonini

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Articulação de políticas públicas para a autonomia e o protagonismo feminino 206 Anderson Almeida da Silva, Daniel Marcelino dos Santos, Rosália Maria Netto Prados e Luci Mendes de Melo Bonini Velhice: 
 reflexões a respeito da diversidade Roger dos Santos e André Luiz Sueiro 218 Do rap ao hip-hop: Imagem e Som Mulheres em rede e a reconfiguração da cena rap porto-alegrense 231 Dulce Mazer e Paula Schwambach Moizes Era para ser sobre hip hop, mas tornou-se o espetáculo do popular: uma análise do documentário Fala Tu 247 Thífani Postali Do Gênero à Etnia/Raça Igualdade de gênero em Ruanda Domingos Sávio Gonçalves 261 Afoxé, vivência e tecnologia:um modo de viver e um modo de dançar 274 Renata Rocha Ferraz Uma leitura sobre o homem negro Jefferson Monteiro 284 Bonus Track
 Ensaio Desigualdade, diversidade e direitos humanos na pesquisa em comunicação e cultura 296 Wilton Garcia Entrevista Corrado Levi entrevista Carol Rama Sobre os Autores 309 320

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Prefácio Prefácio Esta edição do e-book do Grupo de Pesquisa Mídia, Cidade e Práticas Socioculturais (GPMidCid) tem como tema GÊNEROS, DIVERSIDADES, TECNOLOGIAS E SMART CITY , com a proposta de oferecer indicações das várias frentes teóricas, metodológicas e práticas com que seus integrantes tem trabalhado ao largo dos 5 anos que o grupo completa em 2017. Conscientes de que nos últimos anos na realidade, que se apresenta como o concreto da sociedade brasileira e sua participação no contexto global, parece haver mais embate que debates, quando analisadas as notícias, agora com possibilidade de serem fakes e no-fakes; das redes sociais serem ambientes de socialização e antisocialização, em que, algumas vezes, muitos querem falar com e por todos e argumentos são trocados por verdades dogmáticas, doutrinárias. Assim, propor um tema que apresenta, em seu título, o conceito de diversidade abre caminhos para que os pesquisadores possam expor suas propostas e trabalhos, confrontando convenções e posições hegemonias, sejam elas acadêmicas, religiosas, sociais. Os pesquisadores de várias temáticas e universidades responderam positivamente à chamada. Ao todo são 25 artigos, distribuídos em 8 secções que se complementam: O feminino e a Literatura, Do Gênero ao Jornalismo, Experimentações Contemporâneas, Perspectiva Trans, Por uma política da diversidade, Outros Olhares, Do rap ao hip-hop: Imagem e Som, Do Gênero à Etnia/Raça. A reforçar, ainda mais, a necessidade do debate consistente e aberto, que marca posições, mas está aberto para outras formas de exprimir os temas. De início, O Feminino e a literatura, Paulo Celso da Silva oferece uma possibilidade de pensar o Matriarcado e Patriarcado n’ O Homem e n’ A Mulher do Povo: Teorias e práticas’ acompanhados de Oswald de Andrade e Patrícia Galvão nos anos 1930. Telma Maria Vieira trata ‘Das galerias parisienses à literatura brasileira: o tempo do agora’, comparando narrativas de Clarice Lispector e Walter Benjamin acerca das transformações na cidade luz. O tema das ‘Relações de dominação, a cidadania em construção dentro do presídio feminino paulistano’ é tratado por Rachel Alves Aguiar provocado pela obra Prisioneiras (2017). Do Gênero ao Jornalismo traz os artigos da pesquisadora Mara Rovida e Gean Oliveira Gonçalves. A primeira, ‘Narrativas periféricas: protagonismo feminino promovido pelo trabalho de mulheres jornalistas’. discute a identidade feminina apresentando ao leitor o coletivo Nós, mulheres da periferia e a luta das participantes para se fazer ouvir em uma mídia hegemônica que não reconhece essas protagonistas como sujeito de suas histórias. O segundo trabalho da secção, ‘Alteridade de gênero: o compromisso da ciência e do jornalismo com a escrita sobre !9

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Prefácio o outro’ é um ensaio no qual ciência e jornalismo tentam encontrar uma maneira de representar o tema do gênero. A secção Experimentações Contemporâneas oferece quatro temáticas, em que, de alguma forma, o corpo aparece como protagonista das experimentações. A dupla Júlia Rinaldi e Tarcisio Torres Silva analisam ‘Os medos corpóreos, o cansaço físico e o corpo metafórico: Kim Joon, a body art sem body’ no qual o corpo é humanizado pelas suas “limitações” físicas (fome, frio, calor etc.) e, ao mesmo tempo, elevado ao status de arte pela body art. Os tijolos do gênero e a utopia são visualizados e analisados por Aroldo Santos Fernandes Júnior em It’s all about that bricks: utopia performativa nas videoperformances de Saullo Berck. Outra dupla, Débora Mestre e Paula Parra militam nas ruas de São Paulo em plena ‘21ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo: opressão e resistência no contexto midiático contemporâneo’ para questionar o além-festa da parada e a contradição entre a invisilidade do movimento e a capitalização da Parada como megaevento turístico. O público jovem é investigado por Felipe Parra no universo ‘Youtubers: a busca pela identificação do público jovem por meio de estratégias hipermidiáticas’, tendo como base os estudos contemporâneos. Em Perspectiva Trans, a comunicação política é posta em cheque em dois temas que se imbricam na reflexão global contemporânea: ‘A democratização da mídia ao representar travestis e transexuais’ da parceira Deborah Ramos da Silva e Paula Keiko Iwamoto Poloni; e ‘ Trans, ideologia da violência, criando personagens de direitos no Brasil’, de Renan Antônio da Silva. O primeira título, cobra socialmente as mídias hegemônicas a dar voz e imagem adequadas aos grupos e pessoas travestis e transexuais e, o segundo título propõe pensar desde a subjetividade Transexual até um mapa cultural da sexualidade e gênero. As pesquisadoras e pesquisadores de Por uma política da diversidade oferecem visões heterogêneas em suas temáticas. Felipe Tavares Paes Lopes, Tarcyanie Cajueiro dos Santos tratam da invisibilidade do esporte feminino em ‘Gênero e esporte: análise da campanha Invisible Players’. Michel Mott Machado e Darcy Mitiko Mori Hanashiro, com base na trajetória de vida de Rosa L. discute ‘Do Coletivo Vaporetto à presidência: reflexões sobre a diversidade de gênero em uma organização sindical’. A anormalidade que parte da sociedade encara os que estão fora do padrão heteronormativo é tratada por Rafael Bazo Junior no trabalho ‘A violência cultural presente no discurso heteronormativo que se desdobra em violência estrutural direta’. Como a propaganda urbana trata o devir mulher na sociedade capitalista é a questão que Mariah Christine Rafael Guedes da Silva nos oferece em ‘A cidade, a comunicação e as mulheres: atuação de coletivos feministas contra violência simbólica sobre corpos femininos no Rio de Janeiro’. Os necessários Outros Olhares nos trazem quatro artigos em que mudanças sociais e autonomia indicam os caminhos para pensar a diversidade proposta. ‘Questões de 1! 0

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Prefácio gênero, mudanças sociais e adequação dos modelos de habitação das últimas décadas’ do trio de pesquisadoras Laís Santana Falcão, Renata Jimenez de AlmeidaScabbia e Luci Mendes de Melo Bonini percorrem as habitações da cidade de São Paulo para demonstrar a mudança dos lugares das mulheres nesses espaços. A mulher como protagonista social é a proposta do quarteto Anderson Almeida da Silva, Daniel Marcelino dos Santos, Rosália Maria Netto Prados e Luci Mendes de Melo Bonini quando fazem a ‘Articulação de políticas públicas para a autonomia e o protagonismo feminino’. Territórios inteligentes mas reprodutor da ideologia de gênero é o que a pesquisa de Diego Santos Vieira de Jesus revela em ‘A generificação do empreendedor criativo em territórios inteligentes’. Encerrando esta secção Roger dos Santos e André Luiz Sueiro percorrem de Platão a Simone de Beauvoir e Heidegger para pensar a velhice, com base em suas experiências docentes na Universidade da Terceira idade oferecida pela Universidade de Sorocaba, em ‘Velhice: reflexões a respeito da diversidade’. A diversidade também foi abordada na arte com Do rap ao hip-hop: Imagem e Som. Dulce Mazer e Paula S. Moizes, utilizando da etnografia na música nos apresentam as práticas e estratégias de resistência das rapeiras do sul do Brasil. Na mesma trilha, Thífani Postali sugestiona que !Era para ser sobre hip hop, mas tornou-se o espetáculo do popular: uma análise do documentário Fala Tu! utilizando bases dos Estudos Culturais para mostrar a espetacularização do gênero musical. A última secção oferece a temática que abarca Do Gênero à Etnia/Raça. De volta ao continente originário da espécie humana, Domingos S. Gonçalves reflete acerca da ‘Igualdade de Gênero em Ruanda” que mostra, ao mundo globalizado e eurocêntrico a construção e reconstrução de uma sociedade, por longo período, representada pela imagem do genocídio. Da Mama África aos descendentes brasileiros, ‘Afoxé, vivência e tecnologia: um modo de viver e um modo de dançar’ de Renata Rocha Ferraz apresenta os aspectos originários, tendo como locus os terreiros na cidade de Sorocaba. A música 8 ,do rapper Emicida, dá o tom para Jefferson Monteiro fazer ‘Uma leitura sobre o homem negro’ e questionar a identidade em um país com graves problemas de exclusão social e desigualdades. No ritmo de Emicida, o ensaio ‘Desigualdade, diversidade e direitos humanos na pesquisa em comunicação e cultura’, Wilton Garcia dialoga com a música Boa Esperança, construindo uma poética – que é sempre reflexiva – das ações afirmativas que devem levar à diversidade em constructo. Ao final do e-book, o bonus track da diversidade é a Entrevista com a artista italiana Carol Rama (1918-2015) concedida para o crítico de arte Filippo Fossati, (Impresa per l’Arte Contemporanea, Torino and Esso Gallery, New York, 1996) e ilustrada por uma fotografia de Pino Dell’Aquila e do Archivio Carol Rama, Torino, os quais agradecemos a gentileza de permitirem a reprodução da fotografia e a tradução da entrevista da Artista. Alertamos que a vida-obra obra-vida de Carol Rama exige que !11

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Prefácio padrões e valores sejam relativizados ao máximo. Por isso, leitora/leitor, muito cuidado intelectual nessa hora. Esperamos que os leitores dessa obra coletiva, de múltiplas temáticas e facetas, sejam levados à observar, refletir, questionar, teimar acerca da diversidade. Boas leituras. Os Organizadores
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O FEMININO e a Literatura


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O FEMININO e a Literatura Matriarcado e Patriarcado n’ O Homem e n’ A Mulher do Povo: Teorias e práticas Paulo Celso da Silva O Matriarcado, enquanto organização social mais igualitária em oposição ao patriarcado, em que o poder é dominado pelos homens, é uma construção permanente. Aqui tratamos esses processos relacionados com o patrimonialismo e tendo como personagens Patrícia Galvão e Oswald de Andrade nos anos 1930. Ao abordarmos o patriarcado ainda dominante, temos ciência de que, o fazemos inseridos nesse contexto construído socialmente, no Brasil, desde, pelo menos, o século XIX, na escravidão indígena e negra para, finalmente, adentrar ao modo de produção capitalista urbano. !14

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OSWALD DE ANDRADE O FEMININO e a Literatura Dom Quixote de la Macha permanece um marco na história do homem. É a epopeia do equívoco. Oswald de Andrade (1970, p. 172). No início do modernismo brasileiro, considerando as contribuições do grupo paulista, no qual Oswald de Andrade é um dos expoentes, o tema do Patriarcado aparece em seus escritos, mesclado ao humor, à crítica e à rapidez dos Manifestos, principalmente no Manifesto Antropófago (1928), no qual o autor indica o “Matriarcado de Pindorama” (ANDRADE, 1970, p. 18) e, em 1950, é retomado n’A Crise da filosofia Messiânica, em que a cultura e sociedade ocidentais são analisadas no binômio Matriarcado e Patriarcado, este último locus do messianismo. Ainda que não seja considerada como uma obra do Matriarcado e da Antropofagia, o jornal panfletário O Homem do Povo oferece indicações desses dois recortes. “A ruptura histórica com o mundo matriarcal produziu-se quando o homem deixou de devorar o homem para fazê-lo seu escravo” (ANDRADE, 1970, p. 81). Assim, anteriormente, o mundo do matriarcado estava organizado sem classes, a herança para os filhos era a de sangue de suas mães e não de bens, a terra pertencia a todos, era de uso coletivo e comum, e o Estado inexistia. No desenvolvimento do Estado, a organização passa às mãos de quem alcança o maior poder e sobrepõe-se às demais classes, conforme Oswald de Andrade, essa foi a classe predominante foi a Sacerdotal: “a um mundo sem compromissos com Deus, sucedeu um mundo dependente de um Ser supremo... Sem a ideia de uma vida futura, seria difícil ao homem suportar a sua condição de escravo” (ANDRADE, 1970, p. 81). Esse fato justificaria o messianismo na base do patriarcado. O modernista faz previsões para uma sociedade na qual a tecnologia suplantaria o cotidiano. Em tal sociedade, o patriarcado teria acabado: No mundo supertecnizado que se anuncia, quando caírem as barreiras finais do Patriarcado, o homem poderá cevar a sua preguiça inata, mãe da fantasia, da invenção e do amor. E restituir a si mesmo, no fim do seu longo estado de negatividade, na síntese, enfim, da técnica que é civilização e da vida natural que é a cultura, o seu instinto lúdico. Sobre a Faber, o Viator e o Sapiens, prevalecerá então o Homo Ludens. A espera serena da devoração do planeta pelo imperativo de seu destino cósmico (ANDRADE, 1970, p. 83). !15

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