Gazeta Valeparaibana

 

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Setembro de 2018

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Ano XI - Edição 130 - Setembro 2018 Distribuição Gratuita SÃO PAULO DE HOJE A Falta de educação nas redes sociais. São Paulo que já foi da garoa, hoje é de tempo incerto, ora seco, Postar nas redes sociais está virando um trabalho nada fácil. Já vi ora de alagamentos, de muito trânsito, muitas mortes, de maus go- amizades acabarem e inimizades nascerem por conta de posta- vernantes e com muitos agravantes e um deles trata-se dos ambu- gens nas redes sociais. Algo que era pra ser divertido, momentos lantes. para ser compartilhado com amigos , opiniões sobre determinados Os ambulantes são tratados com truculência por estarem nas cal- temas acaba virando dor de cabeça. Tudo o que postamos é criti- çadas trabalhando, embora irregularmente, mediante a prefeitura cado, julgado e sentenciado. Se posto algo que gosto, como um por não terem a devida licença por falta de dinheiro. ditado, por exemplo, as pessoas já acham que estou com algum Genha Auga problema relacionado ao que postei. Página 06 Mariene Hildebrando Página 08 A maior floresta tropical e maior reservatório de água doce do mundo, a Amazônia é hoje uma das Grandes Regiões Naturais do planeta, tendo boa parte de sua vegetação preservada, além de uma vasta diversidade de fauna e flora. Com baixa densidade demográfica, a região é um importante laboratório natural para pesquisas, além de atrair diversas atividades extrativistas. A Amazônia é o maior bioma brasileiro em extensão, o que corresponde, segundo o IBGE, a uma ocupação de 49% (4.196.943 km2) da área total do país. Para se ter uma ideia do que isso quer dizer, essa área se equivale, aproximadamente, a 16 vezes o tamanho do estado de São Paulo. Sua abrangência territorial reúne a totalidade dos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima e ainda parte de Rondônia, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso. Os Símbolos Nacionais, implementados pela Lei n° 5.700 de 1º de setembro de 1971, representam a união nacional do nosso país. São eles: • Bandeira Nacional • Armas Nacionais • Selo Nacional • Hino Nacional Incluídos na Constituição, eles possuem um grande valor histórico e identificam a nação brasileira. Juntos, eles assinalam o sentimento de união da nação bem como a soberania do país. Lembre-se que todos os países do mundo possuem símbolos nacionais. Eles são usados em eventos (cerimônias, eventos esportivos, etc.) e documentos oficiais. Vale lembrar que o Dia dos Símbolos Nacionais é comemorado dia 18 de setembro. CULTURAonline BRASIL - Boa música Brasileira - Cultura - Educação - Cidadania - Palestras MESTIÇOFOBIA CONTRA A COROA Não é melhor prevenir? PORTUGUESA No Brasil, está ocorrendo uma guinada à direita É consabido que a Coroa Portuguesa tinha co- política, está havendo um crescimento de apoio mo política administrativa a orientação para os aos políticos conservadores quanto aos costu- nobres portugueses "cruzarem o sangue" com mes e comportamento social. Pessoas que an- outros povos. Ou seja, uma POLÍTICA DA MES- seiam por ver os criminosos serem punidos se- TIÇAGEM. veramente, pessoas que são contra que criminosos sejam tratados de forma humanitária ... Loryel Rocha Página 16 João Paulo E. Barros Página 07 Baixe o aplicativo no site www.culturaonlinebr.org Kalunga e o direito: a emergência de um direito inspirado na ética afro-brasileira “gingar é ir de encontro ao outro”! As organizações políticas, comunitárias e tradicionais no continente africano e na diáspora atestam uma forma costumeira e conciliadora de lidar com os conflitos – em relação à natureza e a sociedade – nos influenciando numa dimensão contingencial da experiência civilizatória africana no Brasil e nos dando um caminho de como articular novas bases ético-jurídicas para pensar o direito numa ótica emancipatória. Sérgio São Bernardo Página 15

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Setembro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 2 Tempo… perverso tempo. Passou rápido, não? Num instante! Agora me dando conta, são memórias, formas do que acho que foi. Fotos de minha cabeça que, por um acaso, resolvi passar um pano úmido. E enquanto limpava, via crianças correndo de um lado para o outro em risos sem compromisso com o depois. O gosto do bolo da tarde e café com leite. O céu me convidando para ver o mundo. A felicidade futura no cargo ou lugar que desejava. A casa na praia. O sonho da eternidade num anel e envelhecer cercado pela continuação minha. Foi quando, dentre tantas fotos, uma me pegou mais forte! Vi aquela festa, a reunião de tantas pessoas que correram para pousar na foto e voltaram rápido para seus voos. Hoje estão em voos tão diferentes. Alguns até em outro plano, rota. Eu estava ali também. Com os caminhos que pretendia seguir. Com a coragem de quem quer comer duas vezes. Talvez três. Me veio um aperto grande ao constatar que me deixei. Que não peguei mais forte nas mãos do que me impulsionava. Não sei bem explicar quando ou como foi, mas sei que foi e é difícil me deparar com isso. Meu corpo não tem a mesma fome de outrora. Ele come sempre no mesmo lugar. Normalmente numa poltrona. Meu corpo tem medo e de tanto medo, resolveu ficar no lugar onde se reconhecia como seguro. Tanta coisa foi passando. Só o medo que não. O medo da solidão ao tomar coragem para o adeus. O medo do julgamento, do fracasso, o medo de aceitar que não deu e buscar em outro lugar para tentar de novo. O medo de colocar novas cores na parede. De arrumar a sala de outro jeito. O medo de experimentar a coragem de não ser mais o que se é. É difícil. Existe algum retorno pra caminho sem volta? O tempo foi passando e cada vez mais me deixando longe do que quis. E passando este pano nestas fotos me veio a vontade de antes junto à certeza de não ser possível. Como ousam dizer que nada é impossível? Tem coisa que quando a gente não faz no tempo certo, perde e ponto. É o quadro que me deparo agora. Andei pela exposição inteira sem grande interesse e este resolveu me acertar. A imagem de eu me deixando escorrer pelo canto de uma rua e indo sem direção para um lugar qualquer. Para ser esquecido. Eu me esqueci! E preciso dizer que existem outras fotos que me recuso a ver. Eu sei exatamente o que elas trazem. Eu sei o que elas podem me fazer gritar. Pessoas. Pessoas que passaram, mas ao mesmo tempo ficaram. Partidas que me mudaram de tal modo que nunca mais consegui caminhar do mesmo jeito. A lembrança que ficou e foi mais um bloco no muro que fui construindo ao meu redor. Dizem que quando alguém morre, leva um pouco da gente também. Isso é verdade. As partidas levaram minha fome, meus passos. Nunca consegui me separar das pessoas. Apesar de entender que estão em outro plano, nunca as deixei e elas nunca me deixaram. Por muitas, ainda choro quase sempre numa certeza de fato não superado. Choro como no momento em que recebi as ligações. Isso também me fez ficar mais em mim e no meu mundo, em minhas certezas. A dor me fez ser assim. Qualquer coisa. ALGUMAS DATAS COMEMORATIVAS 05 - Dia da Amazônia 07 - Dia da Independência do Brasil - 7 de Setembro 08 - Dia Mundial da Alfabetização 13 - Dia Nacional da Cachaça 14 - Dia do Frevo 17 - Dia da Compreensão Mundial 18 - Dia dos Símbolos Nacionais 19 - Dia Nacional do Teatro 20 - Revolução Farroupilha (Dia do Gaúcho) 21 - Dia da Árvore 21 - Dia do Adolescente 22 - Dia da Juventude do Brasil 22 - Dia Mundial Sem Carro 22 - Início da Primavera 26 - Dia Interamericano das Relações Públicas 29 - Dia Mundial do Petróleo Reflexões do mês Apressai-vos lentamente; e sem perder o ânimo, Recomeçai a vossa obra vinte vezes: Esmerilhai-a sem cessar e esmerilhai-a novamente; Acrescentai de vez em quando e apagai frequentemente. Nicolas Boileau 22 de Setembro Novas folhas, novas flores, na infinita benção do recomeço. Chico Xavier Será que as pessoas pensam sobre isso? Sobre o caminho que estão indo e se de fato os escolheram? Gostaria de saber se a sensação é só minha ou há outras pessoas que partilham da mesma dor. Queria que os jovens pensassem sobre isso e que não caíssem nesse lugar que me encontro. Tudo isso pela foto que fui inventar de passar um pano! Talvez devesse deixar lá mesmo, sujo e guardado. Sem possibilidade de acesso. Sem contato. Deixar essas coisas em seus cantos me faz sofrer menos. Mesmo que sofra. Por que fui pegar a foto? Vai saber. Quando penso no ato de ter pego essa foto, me vem uma certeza: queria muito voltar no tempo. Só não sei se para aquele instante ou para tomar a decisão de não ter pego. Guigo Ribeiro Músico Perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes. Neste mundo que parece virado pelo avesso, precisamos fazer do fim um recomeço, precisamos fazer o bem brotar também do mal. Augusto Branco Tudo tem seu apogeu e seu declínio... É natural que seja assim, todavia, quando tudo parece convergir para o que supomos o nada, eis que a vida ressurge, triunfante e bela!... Novas folhas, novas flores, na infinita benção do recomeço! Chico Xavier Carlos Drummond de Andrade FELIZ SEJA NOSSO SETEMBRO Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Setembro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 3 Pensamentos e Frases Ditos Populares GUARDADO A SETE CHAVES No século XIII, os reis de Portugal adotavam um siste- ma de arquivamento de jóias e documentos importan- tes: um baú que possuía quatro fechaduras. Cada uma destas chaves era distribuída a um alto funcionário do reino. Portanto, eram apenas quatro chaves. Mas o nú- mero sete passou a ser utilizado em razão de seu valor místico, desde a época das religiões primitivas. Assim, Mais obscena que a desigualdade é uma elite que luta para mantê-la no Brasil. começou-se a utilizar o termo “guardar a sete chaves” para designar algo muito bem guardado. O problema não é alguém ter um apartamento de 400 metros quadrados en- quanto outro mora em um de 40. O que desconcerta é uma sociedade que acha JURAR DE PÉS JUNTOS normal um ter condições para desfrutar de um apê de 4 mil metros quadrados A expressão surgiu através das torturas executadas enquanto o outro apanha da polícia para manter seu barraco em uma ocupação pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresi- de terreno, seja em São Bernardo do Campo, Itaquera, Grajaú, Osasco, Pinhei- as tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era tor- rinho, Eldorados dos Carajás, onde for. turado até dizer a verdade. Até hoje, o termo é empre- No Brasil, os muitos ricos pagam proporcionalmente menos impostos do que a gado para expressar a veracidade de algo que uma classe média, seja porque os dividendos que recebem como sócios de empre- pessoa diz. sas não são tributados, seja por não haver progressividade real nas alíquotas LÁGRIMAS DE CROCODILO do imposto de renda e/ou por haver mais impostos sobre o consumo do que so- Quando dizemos que uma pessoa está “chorando lá- bre a riqueza e o patrimônio. grimas de crocodilo”, queremos dizer que ela está fin- Combater a desigualdade não resolve todos os problemas, mas é uma ação gindo, chorando de uma forma falsa. Tal expressão, fundamental para indicar o tipo de sociedade que gostaríamos de construir: um utilizada no mundo inteiro, veio do fato de que o croco- país que acredita na redução das distâncias entre ricos e pobres como pré- dilo, quando está devorando suas presas, faz uma condição para o desenvolvimento coletivo de um país ou um que tem um orgas- pressão muito forte sobre o céu da boca e estimula su- mo toda vez que um bilionário brasileiro sobe um degrau no ranking de bilioná- as glândulas lacrimais, dando a impressão de que rios globais. o animal está chorando. Obviamente, o animal não Combater a desigualdade não significa fazer todo mundo vestir um mesmo tipo chora e por isso surgiu a expressão popular. de roupa, comer a mesma comida, receber o mesmo salário, viver no mesmo tipo de casa. Mas garantir oportunidades iguais, pelo menos no início da cami- MOTORISTA BARBEIRO nhada de cada um, e depois atuar para que todos tenham seus direitos efetiva- No século XIX, os barbeiros faziam, não somente os dos. serviços de corte de cabelo e barba, mas também tira- vam dentes, cortavam calos, entre outras coisas. Por A desigualdade as como iguais dificulta que as e merecedoras pessoas vejam a si mesmas e as da mesma consideração. Leva à outras pessopercepção de não serem profissionais, seus serviços mal feitos even- que o poder público existe para servir aos mais abonados e controlar os mais tualmente geravam consequências. A partir daí, desde pobres. Ou seja, para usar a polícia e a política a fim de proteger os privilégios o século XV, todo serviço ruim passou a ser atribuído do primeiro grupo, usando violência contra o segundo, se necessário for. Com o ao barbeiro, por meio da expressão “coisa de barbei- tempo, a desigualdade leva à descrença nas instituições. O que ajuda a explicar ro”. A expressão veio de Portugal. Contudo, a associa- o momento em que vivemos hoje. ção de “motorista barbeiro”, ou seja, um mau motorista, é tipicamente brasileira. O triste é que, para muitos, nada disso importa. Preferem garantir migalhas ao andar de baixo do que dividir direitos. A desigualdade social, que seria motivo de vergonha em qualquer lugar civilizado, aqui é razão de orgulho. O importante PASSAR A MÃO NA CABEÇA para uma parte da população, tanto a que está no topo quanto a que sonha em Significa perdoar, e vem do costume judaico de abenestar lá, não é reduzir a diferença, mas garantir que ela seja devidamente gla- çoar cristãos-novos, passando a mão pela cabeça e mourizada e a ascensão social, mitificada. Assim, o indivíduo passa a não de- descendo pela face, enquanto se pronuncia a bênção. sejar justiça social coletiva, mas um lugar ao sol para si mesmo. E danem-se os outros. Mês que vem... Tem mais Leonardo Sakamoto Uma radio a serviço da educação, cultura e cidadania Colaboraram nesta edição Genha Auga Mariene Hildebrando Loryel Rocha João Paulo E. Barros Filipe de Sousa Guigo Ribeiro Leonardo Sakamoto Pedro Augusto Pinho Márcia Bechara Vinício Martinez Marcos Del Roio Elissandro Santana Sérgio São Bernardo IMPORTANTE Todas as matérias, reportagens, fotos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, podendo seus conteúdos não corresponderem à opinião deste Jornal. A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente para download na web Diretor, Editor e Jornalista responsável Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Setembro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 4 ENXERGANDO ALÉM DA JANELA Parecia saído de um livro de religião. Fuku- Woods. Assim os EUA garantiram um refe- yama, estadunidense de Chicago, garantia rencial mais flexível, menos impositivo do que o liberalismo econômico, ápice da evo- que o ouro para sua moeda. lução econômica da sociedade, viria acom- E onde a banca foi detonar suas crises? No panhado da democracia e da igualdade de petróleo. oportunidade. Todos seriam livres e capazes de conquistar os seus objetivos. Por algum tempo se pensou que as crises que elevaram o preço do petróleo nos anos O mais cruel desta fantasia mística é que se 1960/1980 correspondiam ao interesse das infiltrou, de modo planejado, com recursos e grandes empresas – as majors – que havi- influência, nas questões transversais, na a- am descoberto petróleo, mais caro para pro- O filósofo e educador Mário Sergio Cortella, cademia e mesmo em ideologias políticas duzir, no Mar do Norte. em recente palestra, divulgou a origem da sedentas de paz. palavra “idiota” que, na Grécia Antiga, era atribuída à pessoa que “preenchendo as prerrogativas para participar da vida pública, abdicava de fazê-lo”. Recordamos que esta prerrogativa de cidadania, conforme Aristóteles, era exclusiva do sexo masculino, de Vamos analisar do começo. Sabemos todos que o capitalismo financeiro – dominando o mundo pela ação da Inglaterra no século XIX – foi derrotado pelo capitalismo industrial e que logo passou a combatê-lo até em sua matriz, os Estados Unidos da América Observando o preço do barril, desde início do século até 1973, temos, em moeda constante, uma linha quase reta, da ordem de US$ 1/barril. Em moeda atualizada para julho de 2018, em março de 1974 o barril passou de 14 para 58 dólares. origem familiar conhecida, adquirisse suas (EUA). Como é evidente, esta mudança criou enor- armas e tivesse recursos – propriedades, me endividamento para todos países impor- escravos, mulher – para se manter. Mas os séculos de dominação e aprendiza- tadores, que constitui a imensa maioria dos Em artigo (“A farsa da taxa de juro SELIC no Brasil”) divulgado pela internet, o professor Ricardo Bergamini, liberal convicto, seguidor do – afinal o capitalismo inglês é anterior à Companhia Britânica das Índias Orientais (1600) – ensinaram estratégias e métodos de luta ideológica utilizados pelas finanças usuários de petróleo. Os aumentar sua taxa de mais dívida pelo mundo. EUA juro, tiverem que adicionando de Roberto Campos, escreveu: “o Brasil já para tomar de volta, para os bancos e finan- No Brasil, o projeto de desenvolvimento, está operando em “Grau de Especulação” ceiras, o poder das indústrias. com produção de tecnologia de ponta desde 2016 (operação motel, alta rotativida- (aeroespacial, nuclear, tecnologias da infor- de), assim sendo para esse tipo de investi- Com a velha estratégia do mágico, colocou mação e energias renováveis), sofreu uma dores de alto risco, pouco importa o risco o capitalismo industrial para combater o so- importante e não recuperável estagnação a político. O único indicador que interessa é a cialismo industrial e, ao fim, derrotou ambos. qual se seguiram as exterminadoras privati- alta remuneração”. Como se deu esta vitória? zações, principalmente a partir dos anos A política econômica deste século XXI, em- Primeiro pela propaganda, pela informação 1990. bora elaborada desde a II Guerra Mundial, dirigida. E a executou aproveitando o imen- Temos então os passos da guerra a qual, tem especificidade única. Ela difere dos pa- so e notável sistema de comunicação de com os governos Thatcher (Reino Unido) e drões de análise usualmente adotados, em massa construído pelo capitalismo industrial: Reagan (EUA), sagrou a vitória do capital especial da polaridade capitalismo versus televisão, cinema hollywoodiano, revistas ao financeiro. comunismo, tão comum no século 20. invés de livros e muita, muitíssima informa- Tratemos, agora, das ações da banca, já A grande disputa deste início de século é a ção que embaralhasse as mais privilegiadas vitoriosa. globalização financeira versus o nacionalis- mentes. Duas são suas metas: promover a financeiri- mo cidadão. Mas, repito mais uma vez, é Segundo pela dívida e pelas crises econômi- zação de todas as atividades econômicas e uma simplificação. Há diversidades em am- cas. Foi um momento marcante desta luta, a permanente concentração de renda. bas vertentes, algumas relevantes, nas quando os EUA tiveram que romper a pari- quais não me deterei em proveito da ideia dade do dólar estadunidense com o ouro Se os prezados leitores consultarem – e há geral, totalizadora. (15/08/1971). Surge daí o câmbio flutuante sites na internet que fornecem estas infor- Não cabe, nem seria a pessoa adequada, rever a história. Uma expressão, no entanto, esteve muito em voga nos anos 1990, “o fim da história”. Foi tirada do livro “Fim da História e o Último Homem”, de Francis Fukuyama, editado em 1992. ou a especulação com moedas. Merece registro a ação do bilionário George Soros, em 1992, contra a libra inglesa, que lhe proporcionou, assim se divulgou, um bilhão de dólares nas compras e vendas daquela moeda em um único dia. mações – quem são os principais acionistas de todas as grandes empresas, seja de petróleo, seja química, petroquímica ou farmacêutica, seja de alimentos, água, bebidas, seja de fabricação de automóveis ou de qualquer outro produto comercializado em todo mundo, e, também dos bancos, encon- O que significava? Que a história humana, E veja a articulação do sistema financeiro trará sempre fundos de investimentos finan- de conflitos, de divergências, de multiplicida- (doravante chamarei “banca”) no caso se- ceiros. de de ideias tinha morrido com o fim da Uni- guinte. São os verdadeiros donos do mundo; estes ão das Repúblicas Socialistas Soviéticas Já não é surpresa que os EUA acertaram, fundos são a mais viva e real expressão da (URSS). em 1971, com a Arábia Saudita (na época banca. Doravante viveríamos um longuíssimo período com estados nacionais reduzidíssimos em seu poder – até mesmo inexistentes (Líbia, Iraque, Afeganistão) – e com capita- detentora da maior reserva de petróleo), influente na Península Arábica e no Golfo Pérsico, de onde era exportado quase todo o petróleo que movia o mundo ocidental e o Então façamos a primeira pergunta: há competitividade entre empresas de um mesmo dono? Claro que não. Há farsa e fraude. lismo de livre circulação de capitais – a glo- Japão, a fixação em dólar e a exclusividade balização – que assegurariam a democracia desta moeda para os negócios do petróleo, CONTINUA NA PÁGINA SEGUINTE universal. antes de romper com o Acordo de Bretton Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Setembro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 5 CONTINUAÇÃO DA PÁGINA ANTERIOR Entretanto a banca é insaciável. Temos, neste momento, um rastilho para no- Quando a Presidente Dilma concedeu vanta- va crise. A lira turca pode ser o sinal, bem co- gens fiscais, para a indústria automobilística mo a guerra comercial com a China. investir, o que fizeram a Fiat, a Volkswagen, a General Motors, a Ford, a Renault? Aproveitaram para melhorar seus produtos ou sua rede de concessionárias ou de manutenção? Há um excesso de liquidez, oriundo dos afrouxamentos monetários (Quantitative Easing), adotados pelo Banco Central dos EUA (Federal Reserve – FED), após a crise do Óbvio que não. Foram colocar este dinheiro “subprime”, em 2008. extra no mercado financeiro. Nas mãos de seus donos: os fundos de investimentos. Esclareço que a Renault, embora estatal francesa, tem participação dos fundos que aponto a seguir. Isto provocou aplicações/dívidas de toda ordem: em investimentos produtivos – que poderão sustentar os pagamentos –, em especulações – que tem, estatisticamente, um resultado neutro entre ganhos e perdas, mas Com participações variáveis, os grandes fun- arriscaria ser mais favorável aos ganhos, con- dos – Blackrock, Vanguard Group, State Stre- siderando os resultados das bolsas nesta dé- et Global Advisors (SsgA), Fidelity Invest- cada – e a não desprezável soma em gastos ments – todos com trilhões de dólares em supérfluos e ilícitos (corrupções para golpes). carteira, estão nestas automobilísticas e em empresas de alimentos, petróleo, comunicação, remédios, entretenimento, água etc etc etc. Assim temos a expectativa de uma nova e avassaladora crise, o instrumento de crescimento da banca. Como pode o Brasil reagir a ela? Que instrumentos usará a banca para Estes Fundos, cujos capitais tem, em expres- abocanhar mais recursos e concentrar ainda siva percentagem, residência em paraísos mais a renda? fiscais, se desdobram em centenas, milhares de instrumentos de captação. Formam verdadeira rede de pescar ingênuos, desinformados e coxinhas. Um governo nacionalista é o mínimo que podemos desejar e lutar, para que consiga salvar o País. Vejamos como funciona a economia real, neste mundo globalizado, de paz e democracia universal. Tomo o maior dos Fundos, o Blackrock, com três PIBs brasileiros de capital. Com a janela aberta, o caro leitor pode optar por ser um idiota, olhar para seu umbigo, fechar-se dentro de si mesmo, não querer saber de política, que, no grego, é o antônimo de “idiotas”, ou seja, do político, aquele que participa da vida comunitária, que tem por le- Ele se desdobra por critérios regionais e por ma um por todos, todos por um. aplicações e aplicadores. Estamos no momento de grande crise no Bra- Assim um senhor David Koch, financiador de sil. instituições para promover golpes pelo mundo, com seus US$ 31 bilhões, jamais terá seu dinheiro colocado no mesmo fundo que você, meu honesto e laborioso leitor. O golpe de 2016 apenas deu mais visibilidade, melhor percepção do conflito que se travava entre nós. Do nacionalismo, do reerguimento do Estado Nacional contra o globalis- O Fundo que você pode escolher é destes mo, a entrega de nossas riquezas e da admi- que irão desaparecer numa crise, quer de pa- nistração do Brasil aos capitais estrangeiros. gamento no Brasil, quer de inflação provocada pela disputa política, quer por um tsunami, como de 2008, nos EUA. E você só poderá lamentar o azar. E também da luta entre a cidadania, a integração, de um lado, e, de outro, a exclusão e a rejeição dos brasileiros pobres, pretos, vítimas de verdadeiro genocídio. Mas o senhor Koch conhecerá um rendimento extra, pelos azarados do mundo inteiro que contribuem/contribuíram para um fundo exclusivo de investimento mínimo de centenas de milhões de dólares, ao qual você não tem a- A mortalidade infantil, assassinatos pelas drogas, pelas organizações criminosas das milícias ou traficantes e pela polícia é uma política de extermínio de nacionais. cesso. Esta eleição é uma oportunidade de agir co- Assim, as duas metas da banca se concretizam: todos os negócios foram transformados em negócios financeiros, pela propriedade das empresas, e as financeiras, com suas mo brasileiro, com consciência cidadã, ou sucumbir a um território apátrida, governado pela especulação e pelos interesses estrangeiros. gestões diferenciadas, vão concentrando ca- Pedro Augusto Pinho da vez mais o capital disponível em todo Avô, administrador aposentado mundo. Guimarães Rosa: “Viver é rasgar-se e remendar-se” *** Guimarães Rosa: “Viver para odiar uma pessoa é o mesmo que passar uma vida inteira dedicado a ela”. *** Guimarães Rosa: “Viver é um descuido prosseguido. Mas quem é que sabe co- mo? Viver… O senhor já sabe: viver é etcétera”. *** Fernando Pessoa: “Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”. *** Leonardo da Vinci: “Quando eu pensar que aprendi a viver, terei aprendido a morrer”. *** Stanislaw Ponte Preta: “Entre as três melhores coisas desta vida, comer está em segundo e dormir em terceiro”. *** Dom Hélder Câmara: “Feliz de quem atravessa a vida inteira tendo mil razões para viver”. *** Winston Churchill: “Melhor lutar por algo do que viver para nada”. *** Denis Diderot: “Que bela comédia poderia ser a vida, se não fôssemos prota- gonistas dela”. *** Luiz Gama: “Eu tenho lances doridos em minha vida, que valem mais do que lendas sentidas da vida amargurada dos mártires”. Mês que vem tem mais. Sistema financeiro global é o quadro mundial de acordos jurídicos, instituições e agentes econômi- cos formais e informais que, em conjunto, facilitam os fluxos internacionais de capital financeiro para fins de investimento e financiamento do comércio. Desde sua criação no final do século XIX, durante a primeira onda moderna de globalização econômica, sua evolução é marcada pelo estabelecimento de bancos centrais, tratados multilaterais e organizações intergovernamentais visando melhorar a transparência, a regulamentação e a eficácia dos mercados internacionais. Karl Marx previu a globalização do sistema financeiro já no século XIX no Manifesto Comunista, sendo o primeiro a narrar a globalização no aspecto contemporâneo do termo. Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Agosto de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 6 SÃO PAULO DE HOJE tidos a isso tudo e parados no tempo não cobram nada ou nem sabem mais a quem recorrer... São Paulo está na contra mão! Calçadas quebradas, falta de ilumi- nação, “cracolândia” (uma história sem fim), hotéis fomentados pelo tráfico e pela prostituição, mas, com gente nas ruas sem ter onde morar, sem escolas, hospitais e até com falta de presídios que re- cuperem a vida do cidadão que errou. Esta cidade é um cemitério de ideias com muita disposição para reeleição, que depois de tanta São Paulo que já foi da garoa, hoje é de tempo incerto, ora seco, grandeza caiu na decadência merecidamente pelas escolhas feitas. ora de alagamentos, de muito trânsito, muitas mortes, de maus go- Cidade que deveria ser cartão postal está cheia de imóveis há a- vernantes e com muitos agravantes e um deles trata-se dos ambu- nos... Por quê? lantes. Muitas demolições em nome do progresso transformaram-se em Os ambulantes são tratados com truculência por estarem nas cal- estacionamentos e shoppings, casas históricas não foram tomba- çadas trabalhando, embora irregularmente, mediante a prefeitura das e com isso perdemos muitas memórias da nossa história como, por não terem a devida licença por falta de dinheiro. por exemplo, a “Mansão Matarazzo” na Av. Paulista, Casarão Sara- Em outros países, essas pessoas ao invés de terem seus produtos ceni em Osasco e outros. confiscados de maneira violenta, eles tem apoio financeiro para Transformaram-na em andares de prédios cada vez mais alto, ruas continuarem a trabalhar e para isso lhes são dado prazos para tira- abandonadas, cidade de gente estressada e que come “cachorro rem a documentação necessária para regularizarem a situação no quente” com purê nas ruas por falta de tempo para alimentar-se devido tempo para que paguem seus impostos contribuindo para o tranquilamente (direito que foi tirado do trabalhador) e de trânsito país que estendeu e deu oportunidade para quem precisa traba- infernal abastecida pela indústria de multas. lhar. Um lugar onde o preconceito se assola atingindo negros e nordesti- No entanto, os “camelôs” que já estão protagonizados nas calça- nos que ajudaram a construí-la. A cidade mais rica, cartão postal das, por terem suas contribuições “em dia”, não são devidamente da nação, mas de fala abreviada, de gente que não dorme, de pa- fiscalizados e, muitos vendem produtos “piratas”, produzem lixos redes pichadas de horror, com vários postos de gasolina a cada que são deixados nas calçadas para os cidadãos que pagam pelos quarteirão e com cada vez menos postos de saúde, de mulheres produtos que vendem e impostos pela limpeza. Povo que não apoi- maquiadas que escondem a violência, de gente no final de semana a os ambulantes que vivem com panos estendidos no chão e cor- corrompido pelas drogas e bebidas e que perde seus jovens a cada rendo o dia inteiro dos fiscais, mas, não reclamam do lixo que lhes dia. é deixado gratuitamente. Lugar de idosos que sobrevivem, ainda bem, pois tanto abandono Cadê os paulistanos orgulhosos da sua terra, cadê os cuidados e descaso haverá de sobreviver bravamente para cuidar por muito com a maior e mais rica cidade do país? tempo dos filhos sem futuro e dos netos que estão perdendo seus Por que aceitam passar horas num ponto de ônibus esperando pe- pais. Cidade onde mal se fala bom dia... lo precário transporte público que pagam e embaixo de sol e chu- É, parece que o Brasil não precisa mais de São Paulo! va? Idosos, mulheres com crianças, deficientes e pessoas que a- cordam duas horas mais cedo para conseguir não se atrasar nos Genha Auga compromissos, ou no final do dia quando voltam cansados do tra- Jornalista – MTB:15.320 balho querendo ir para casa descansar ficam horas calados subme- 29 - Dia Mundial do Petróleo sível gerar energia elétrica a partir da quei- "quebrar" o petróleo até as suas frações báma desses derivados em caldeiras, turbinas sicas. São alterações em âmbito físico, em O petróleo é uma mistura de moléculas de e motores de combustão interna. Os deriva- que são necessárias ações de energia carbono e de hidrogênio, conhecida como dos de petróleo normalmente usados para (modificação de temperatura ou pressão) ou hidrocarbonetos, cuja origem é a matéria essa finalidade são o óleo de combustível, o de massa (relações de solubilidade a sol- orgânica do plâncton (organismos microscó- óleo ultra-viscoso, o óleo diesel e o gás de ventes). picos presentes na água) decomposta pela refinaria. A destilação é uma etapa que sempre ocor- atividade bacteriana em ambientes com Os derivados de petróleo constituem parte re no processo de separação. Através da pouco oxigênio. Ao longo dos milhões de significativa da matriz energética em países destilação, o petróleo é vaporizado e depois anos, esse material se acumula no fundos como os Estados Unidos, Japão, México, condensado pelas ações de temperatura e dos oceanos, mares e lagos e, ao ser pres- Arábia Saudita, Itália e China. No Brasil, a pressão. Este processo visa a obtenção de sionado pelos movimentos da crosta terres- geração de energia elétrica a partir de deri- gás combustível, gás liquefeito, nafta, quero- tre, transforma-se na substância que recebe vados de petróleo não é tão expressiva devi- sene, gasóleos (atmosférico e de vácuo) e o nome de petróleo. do ao histórico de predominância de energia resíduo de vácuo. O rendimento dos produ- A exploração do petróleo foi iniciada no sé- hídrica. Contudo, há termoelétricas que pro- tos varia de acordo com o óleo cru que foi culo XIX, quando a indústria petrolífera teve duzem eletricidade a partir de derivados de processado. grande expansão, sobretudo nos Estados petróleo para atenderem ocorrências de pi- A queima dos combustíveis derivados de Unidos e na Europa e o petróleo chegou a cos no sistema elétrico, sendo usadas prin- petróleo libera uma quantidade muito grande representar 50% do consumo mundial de cipalmente para suprir a demanda de comu- de poluentes na atmosfera, dos quais se energia primária nos anos 70. Apesar do de- nidades não atendidas pelo sistema interli- destacam o monóxido de carbono, o materi- clínio que vem apresentando, segundo rela- gado de energia elétrica. al particulado e os óxidos de nitrogênio e o tório da Agência Nacional de Energia Elétri- Nas refinarias, o petróleo passa por diferen- dióxido de enxofre. A elevação da concen- ca (Aneel), ainda é responsável por 43% da tes processos até que obtenha a qualidade tração desses poluentes na atmosfera leva à geração desse tipo de energia. desejada para determinada finalidade. O re- formação de outros poluentes, como o ozô- Os derivados de petróleo costumam ser u- fino do petróleo consiste nas seguintes eta- nio, o qual tem consequências nocivas à sa- sados principalmente no setor de transpor- pas: úde humana quando encontrado em grande tes, mas também são aplicados na geração Os processos de separação visam retirar quantidade na camada atmosférica próxima de energia elétrica em termelétricas. É pos- componentes específicos do petróleo, ou à superfície. Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Setembro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 7 Não é melhor prevenir? dar a todos os criminosos e infratores. Mui- o comércio de armas é livre, e muita gente anseia tos deles vão resistir e se rebelar. A vacina e que o Brasil seja como os Estados Unidos são. Só No Brasil, está ocorrendo uma guinada à di- também o remédio para a criminalidade são que a parte desenvolvida do mundo vai bem além reita política, está havendo um crescimento a família bem estruturada e a escola de boa dos Estados Unidos. O Canadá, o vizinho do norte de apoio aos políticos conservadores quanto qualidade e realmente comprometida com a deles, é também um ótimo exemplo, há países na aos costumes e comportamento social. Pes- sua função social. Nós recebemos a primei- Europa que não são as principais potências mas soas que anseiam por ver os criminosos se- ra educação dos nossos pais, eles nos ensi- são bem sucedidos, temos a Austrália, a Coreia do rem punidos severamente, pessoas que são nam o que é certo e errado, nos fazem refle- Sul e outros, só aqueles países do primeiro mundo contra que criminosos sejam tratados de for- tir sobre nossos atos e escolhas. Um lar ins- não são absolutamente iguais entre si, cada um ma humanitária pela lei, uma vez que eles tável, cheio de atritos e hostilidade é campo tem a sua identidade, e o Brasil também pode ter a não respeitaram os direitos de suas vítimas. fértil para indivíduos problemáticos, potenci- sua própria identidade nacional, só que o Brasil não No século XVIII, existiu na Itália um homem ais futuros viciados em droga ou potenciais pode negligenciar a educação dos seus habitantes chamado Cesare Beccaria que disse a se- futuros criminosos. Se a criminalidade num como tem acontecido. guinte frase: “É melhor prevenir os crimes do país está alta, a desestruturação familiar em Pessoas enraivecidas, cheias de rancor, ansiosas que ter de puni-los. O meio mais seguro, tal país também está alta e a qualidade das por vinganças, amam ouvir frases como “bandido mas ao mesmo tempo mais difícil de tornar escolas públicas está baixa. bom é bandido morto”, “pôr vagabundo no pau de os homens menos inclinados a praticar o Em 08 de Outubro de 2017, o jornal El País arara”, “se não quer ir para a cadeia, é só não co- mal, é aperfeiçoar a educação”. E ele tem publicou uma matéria com o título “A Islândia meter crime”, “e os direitos das vítimas que esses razão. Para fazer um ser humano civilizado, sabe como acabar com as drogas entre adolescen- vagabundos prejudicaram?”, mas essas mesmas é necessário somar esforços da educação tes, mas o resto do mundo não escuta”. A Islândia pessoas de bem, pessoas direitas que anseiam por familiar mais a educação escolar. O conheci- passou a trabalhar o bem-estar psicológico dos a- justiça, não compreendem que a estrutura do Brasil mento liberta a mente humana, e o que pro- dolescentes, lá tem sido feito um trabalho na área está errada. A educação escolar nos EUA (ainda) é porciona conhecimento é justamente a edu- de esportes e artes para que os adolescentes se muito melhor que no Brasil. São realidades diferen- cação. Ninguém nasce sabendo, todos pre- sintam bem fazendo parte de um grupo, fazendo- tes. cisam passar por um processo de educação. os ocupar o tempo com atividades diversas e com O Brasil está cheio de famílias desestruturadas, o Se um bebê for abandonado numa floresta a participação dos pais. Muita gente no Brasil ficou mercado interno brasileiro insiste em não valorizar a entre animais e plantas, longe de qualquer maravilhada ao ver torcedores japoneses de futebol mão de obra, em pagar salários muito baixos, e a contato humano, e conseguir sobreviver na- recolherem o lixo eles mesmos, mas possivelmente burocracia mais a alta tributação também dificultam quele ambiente, ao crescer, ele nem sequer não sabem que nas escolas japonesas são os pró- o empreendedorismo, o próprio sistema dificulta a vai saber falar, vai se comportar como se prios alunos que revezam no serviço de limpeza. valorização moral do trabalho. Se as pessoas en- fosse um animal selvagem. Na liberal e laica Suécia, a prostituição foi criminali- tenderem a importância social do trabalho, porque é Naturalmente, ninguém em sã consciência zada, pagar por relações sexuais agora é crime. E preferível trabalhar, ninguém vai querer manchar a está feliz com a criminalidade, com os rou- não foi nenhuma religião que motivou tal atitude, foi própria história pessoal com crimes e infrações, bos e furtos, com os assassinatos, com os vontade de combater o tráfico de pessoas. quem tem esclarecimento vai querer zelar pelo pró- estupros, com exceção dos próprios crimino- É compreensível que haja tantos brasileiros que prio nome. Não é melhor prevenir a criminalidade sos e pessoas de má fé, ninguém é a favor vejam os Estados Unidos da América como exem- com ótima educação em vez de deixar “a deriva” e de crime. Todo mundo quer paz, prosperida- plo a ser seguido pelo Brasil, um país desenvolvido, querer remediar com leis penais muito severas de- de, saúde, felicidade. Mas criminalidade alta tem tecnologia de ponta, a forte influência dos fil- pois que o estrago está feito? Não é melhor atacar é consequência de educação baixa. Repres- mes de Hollywood, lá a lei penal é muito mais seve- o problema pela raiz? são policial e lei penal severa não vão intimi- ra do que aqui, alguns estados têm pena de morte, João Paulo E. Barros O círculo perfeito: áulico de clarou nas redes sociais que não venderia uma só das suas ações Eike Batista se declara por ter crença infindável nos projetos do filho mais ilustre de Eliezer eleitor de Bolsonaro Batista. Uma das belezas da internet é, em O tempo passou e nós acabamos não sabendo que fim levaram as se mantendo os registros e a me- ações que aquele áulico de Eike Batista detinha (ou pelo menos mória aguçados, poder ver como dizia deter). Eis que agora, em plena ebulição da campanha eleitose dá a evolução de determinados ral para presidente do Brasil, o antes adorador de Eike Batista, se personagens que vivem há década sugando nas tetas da viúva, declara um resoluto eleitor de Jair Bolsonaro, supostamente em no- mas se apresentam como defensores do estado mínimo neoliberal me de uma mão de ferro que colocará o nosso país nos eixos, pre- (só para os pobres, é claro!). parando o caminho para que daqui a 4 anos o banqueiro João A- Eis que hoje li a declaração de voto de um personagem (misto de profissional neoliberal e eterno ocupante de cargos de confiança moedo possa terminar o serviço de privatizar tudo o que vel, inclusive, quem sabe, o ar que o brasileiro respira. for possí- em prefeituras da região e alhures) que anos atrás se apresentava Ao ver a declaração e ao lembrar da ficha pregressa do agora elei- como defensor do negócios do ex-bilionário Eike Batista em São tor de Bolsonaro, eu só posso dizer que estamos diante do fecha- João Barra. Esse personagem era tão Eike, mas tão Eike, que ao mento de um círculo perfeito: de áulico de Eike Batista a eleitor de mesmo após o mundo presenciar o afundamento do conglomerado Jair Bolsonaro, tudo a ver. de empresas pré-operacionais do Grupo EBX, o personagem de- Marcos Pedlowski PARTIDOS POLÍTICOS Até 1837, não se pode falar, a rigor, em partidos políticos no Brasil. Nesse ano, formaram-se as duas agremiações que caracterizaram o Segundo Reinado, a dos Conservadores, chamado Partido Conservador (saquaremas) e a dos Liberais, chamado Partido Liberal (luzias). Atualmente, a legislação eleitoral brasileira e a Constituição, promulgada em 1988, permitem a existência de várias agremiações políticas no Brasil. Com o fim da ditadura militar (1964-1985), vários partidos políticos foram criados e outros, que estavam na clandestinidade voltaram a funcionar. Hoje temos registrados 35 Partidos Políticos. Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Setembro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 8 A Falta de educação nas redes cepções internas, devemos tomar alguns visão de mundo, seus valores e sua ética sociais. cuidados. Nossa liberdade seja ela qual for, Qualquer pessoa pode escrever o que quitem que envolver o respeito ao próximo ser, verdades e inverdades, mas as conse- sempre. quências do que se diz virão, cedo ou tarde. Postar nas redes sociais está virando um trabalho nada fácil. Já vi amizades acaba- Cada um com sua maneira de pensar e ver . A educação, o respeito e a nossa conduta, rem e inimizades nascerem por conta de o mundo. O que pensamos ou sentimos em devem ser os mesmos independente do lu- postagens nas redes sociais. Algo que era relação a qualquer assunto, não deve servir gar, e, na internet estamos interagindo o pra ser divertido, momentos para ser com- de munição para as pessoas se acharem no tempo todo, só que a abrangência do que partilhado com amigos , opiniões sobre de- direito de serem mal educadas. Repito: Ca- fazemos e dizemos é muito maior. Alcança- terminados temas acaba virando dor de ca- da um na sua. Quem está certo ou errado? mos muito mais pessoas do que normalmen- beça. Tudo o que postamos é criticado, jul- Não sei, até porque não acredito que as coi- te faríamos se a nossa conversa aconteces- gado e sentenciado. Se posto algo que gos- sas sejam assim tão óbvias. Postar um co- se pessoalmente. Existe uma falsa noção to, como um ditado, por exemplo, as pesso- mentário sobre algo requer educação e res- de segurança. Estamos atrás de um compu- as já acham que estou com algum problema peito no falar, no escrever, na maneira como tador, então nada nos ameaça. Ledo enga- relacionado ao que postei. Se falo sobre de- me posiciono. Sempre vão existir os que são no. A lei brasileira proíbe o anonimato. Algu- terminado tema, já vem um monte de gente a favor e os que são contra, mas não preci- mas pessoas perdem a noção do bom sen- criticando, dando opinião e querendo briga. samos brigar por conta disso nos indispor- so, não se preocupam com o que dizem e Ora, é claro que sei que o que posto vai re- mos e criarmos situações de conflito. O bate acabam tornando-se mal educados por que- percutir. Vai ter gente querendo opinar sem- boca não leva a nada. Vamos serenar a rer fazer valer sua opinião. Uma visão dife- pre. Mas daí isso virar quase uma guerra, mente e os corações. É isso. Podemos opi- rente não deveria gerar polêmica. com pessoas que se pudessem partiam para nar sim, sem, no entanto achar que somos A educação continua sendo a chave de tu- a agressão física, é outra coisa. Tenho me os donos da verdade. Cada um com suas do. Temos o direito de nos manifestar, mas policiado para não postar minha opinião so- crenças, seu ponto de vista, sua convicção. sem cometer ofensas, sem agredir, sem vi- bre qualquer assunto. Tenho me limitado a Não preciso expor minhas ideias querendo rar juiz. O radicalismo seja em que área for postar um “Bom Dia”. Acho que um simples impor meu pensamento e achar que quem nunca é bom. Nossas opiniões atingem mui- bom dia não causará polêmica nenhuma. As não concorda comigo está contra mim. tas pessoas, a abrangência se torna imensa pessoas têm que entender que podem se Quando expressamos nossos pensamentos, através da internet, tenho que agir com res- posicionar sobre os temas que lhe interes- estamos exercendo nosso direito de comuni- ponsabilidade, respeitar as diferenças. A sam sem ser agressivas, sem querer impor cação, e precisamos saber que para tudo sensação de estar impune é o que leva mui- sua opinião, assim como os que respondem que externamos haverá sempre alguém a- ta gente a destilar seu ódio na internet. Mas as postagens devem fazê-lo de modo não tento, disposto a opinar também, testando é apenas sensação. O crime cometido na grosseiro e ofensivo. Sim, existem regras nossa tolerância e nossa capacidade de ou- internet recebe a mesma punição que um para que a boa convivência com outros usu- vir e entender o que o outro tem a nos dizer. crime cometido fora da internet. Antes de ários do mundo virtual aconteça de maneira Devemos estar conscientes das consequên- postar algo, pense no impacto que aquilo irá correta, para que o outro possa nos enten- cias de nossas ações. Afinal, toda ação gera causar, e se vale a pena mesmo assim. der. sempre reação. Mas nem por isso preciso E nunca é demais lembrar: A liberdade de se expressar faz parte de so- ler grosserias de quem não respeita a opini- Respeito e limite é a palavra de ordem! cializar e expor nossas ideias e opiniões pe- ão alheia. É preciso ter ética na internet tam- Na internet ou fora dela. rante o mundo e os outros. O problema co- bém. meça quando resolvemos exteriorizar nos- Tudo que dizemos ( escrevemos) nas redes Mariene Hildebrando sos pensamentos. No momento em que tor- sociais fica documentado. É bom pensar so- e-mail: marihfreitas@hotmail.com namos público nossos sentimentos e per- bre o que se vai postar, cada um tem sua Referendo Revogatório de Mandatos putado federal e um deputado estadual. O obrigações como mandatário eleito, e jamais deputado federal em questão se envolveu por divergências ideológicas. É necessário em um escândalo e o deputado estadual tra- senso democrático! Esse mecanismo é para No Brasil, a sociedade civil tem tido muitos iu a confiança dos seus eleitores votando permitir à sociedade civil regular melhor os problemas graves com os seus políticos. Há contra a vontade destes, propôs uma coisa políticos, conter os abusos e excessos que quem afirma que é a própria sociedade nas eleições, porém está fazendo o oposto têm ocorrido nos poderes estatais. O recall é quem cria os políticos que o Brasil tem, que agora que tem o mandato. Os eleitores fa- mais justo ou menos injusto que o impeacha classe política é um reflexo da sociedade zem um abaixo-assinado, apresentam à ment, porque no recall é o eleitorado quem civil. Mas é notório que a ampla maioria dos Justiça Eleitoral, e os dois mandatários em decide diretamente, e não há risco de agre- políticos brasileiros estão “de costas” para a questão são notificados pela Justiça Eleito- dir a democracia enquanto vontade popular sociedade brasileira, a ampla maioria está ral sobre a vontade dos eleitores de fazerem expressa. O mandatário eleito que desem“se lixando” para a opinião pública, embora outra disputa eleitoral para os cargos de am- penhar corretamente as suas funções inde- declarem o oposto publicamente. Para sa- bos especificamente, mesmo que tenham pendentemente de ideologia, não tem o que bermos se isso é verdade ou não, é só ob- sido eleitos a seis meses, ou a um ano ou temer. É necessário que a República brasi- servarmos o resultado de tudo. dois anos, e os próprios mandatários podem leira tenha espírito realmente republicano, o Assim como não existe cadeado sem chave, concorrer nessa nova disputa, e se forem eleito está lá para servir os eleitores, e com também não existe problema sem solução. reeleitos nessa eleição de recall, cumprem bom senso, com responsabilidade. O que existe é má vontade de solucionar os seus mandatos até as próximas eleições Os eleitores não têm como adivinhar o que o problemas, más intenções. Existe um meca- normais. Se não forem reeleitos, os que fo- eleito vai fazer durante o mandato, errar é nismo que é chamado de recall político, ou rem eleitos no lugar deles, cumprem o res- humano. Agora, não é justo com o eleitor a de recall eleitoral, ou direito de destituição tante do mandato no lugar deles. lei não lhe dar meios para corrigir o erro que de mandato, ou direito de revogação de Entretanto, a eleição de revogação de man- cometeu ao votar em quem não é digno do mandato, ou voto destituinte, as denomina- dato tem que ter justificativas plausíveis, co- mandato. A legislação tem que mudar. A re- ções são diversas, mas o objetivo é conce- mo algum crime, infração à alguma lei, com- forma política tem que acontecer. A sociedader ao eleitor o direito de revogar o mandato provadamente e irrefutavelmente ter menti- de civil necessita de ter mecanismos de con- do eleito. Um exemplo hipotético de como do aos eleitores durante as eleições de for- trole do meio político. Se o sistema não for funcionaria, os eleitores de uma cidade co- ma a lhes trair a confiança (improbidade), mudado, os resultados não mudarão. mo São José dos Campos elegeram um de- ele não desempenhar devidamente as suas João Paulo E. Barros Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Setembro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 9 SEBASTIAN – O MENINO PEIXE Lívia muito preocupada com seu amigo Mau Genha Auga – Jornalista – MTB: 15320 -Mau que sumiu enquanto brincavam e determinada, subiu até a beira do mar para tentar achar o amigo antes que fosse tarde demais. Embora Rano tentasse convencê -la de procurar Sebastian para essa missão, não controlou seu desespero e ela nem o ouviu e seguiu destemida. Bem! Com essas pistas, o meni- Sebastian, filho de Nereu – o ve- no-peixe transformou-se novamente no sal- lho do mar - era um menino peixe, ninguém va vidas e foi por terra em busca da peixi- sabia, mas era. Passava o dia pelas praias, nha Lívia seguindo para onde se reuniam nas piscinas e por longas horas na banhei- os pescadores e tentar achar esses aventu- ra. Recebeu a missão de salvar vidas, quer reiros. dos humanos ou dos seres marítimos e a- Como ele já era conhecido pelas quáticos. praias foi logo chegando e cumprimentando Foi transformado por Nereu – a todos e brincando, observando os peixes Deus do Mar acordado com Nereida, sua recém-capturados logo viu os amiguinhos esposa, de dar a ele o poder da metamorfo- agonizando em uma rede de pescadores. se possibilitando o menino de transformar- Ufa! Pelo menos não abocanharam um an- se em peixe ou humano de acordo com a zol, caíram na rede. Rapidamente, Sebasti- missão que deveria cumprir e, assim o fize- an inventou ao pescador responsável pela ram. Sebastian atuava como peixe no fundo captura que estava montando um aquário do mar e rios e fora das águas como um de água salgada e que ficou encantado por rapaz que salvava humanos, disfarçado de aqueles peixes propondo um valor em troca salva vidas. deles. O pescador coçou a cabeça, pensou Um dia, estava ele no seu barco no trabalho que teve com a pescaria e ima- em pleno alto mar quando surgiu das pro- ginando eles numa bela frigideira bem tem- fundezas das águas o Senhor Túlio, mensa- peradinhos que até deu lhe água na boca, geiro das águas lhe trazendo um recado do ficou hesitante... Peixe Rei, Senhor Arthur, para que desco- Porém, Sebastian era um querido brisse o paradeiro de sua sobrinha Lívia pela região e levando em consideração o que resolveu aventurar-se à tona das águas quanto ele dedicava-se em salvar vidas hu- do mar e não voltou, deixando sua pobre manas pondo em risco sua própria vida, ce- mãe desesperada. deu e logo tratou de colocar os peixes numa Sebastian sabia bem como Lívia caixa de isopor para que os peixes não era arteira e procurou logo resolver o as- morressem e os entregou ao rapaz. sunto... Ufa! Lívia e Mau-Mau já quase Lívia sempre conversava com as sem respiração arregalaram os olhos e ba- Algas Marinhas sobre sua vontade de sair tendo a cauda em desespero salvaram-se. das águas para travar uma batalha contra Rapidamente voltou ao seu esta- os homens que atiravam “ganchos seques- do peixe e rumo ao fundo do mar, entregou tradores” que levavam seus amigos peixes a menina à sua mãe, já sem esperança, in- que nunca mais voltavam. formando aos amigos que o ajudaram para De início, com essa preciosa in- que a missão fosse cumprida que todos es- formação, o rapaz iniciou seu trabalho. U- tavam sãos e salvos. sou o poder que lhe fora concedido, trans- O Peixe Rei organizou uma festa formou-se num peixe azul iniciando sua in- no fundo do mar em agradecimento à Se- vestigação entre os amigos marinhos da bastian juntamente com a pequena peixinha menina. Dona Alga Marinha, logo confirmou que além de aliviada por ter sido salva, foi esse desejo de Lívia e estava aflita demais alertada para não se meter em aventuras e com o que poderia ter acontecido. sempre que precisasse consultar sua mãe e Sebastian reuniu os peixes, as o conselho do fundo do mar que, certamen- algas, tartarugas e corais para montar es- te, teriam sempre o menino peixe com seu tratégias que os levariam a rastrear por on- poder de salvar vidas. de ela andou. Espalhou uma “espécie de Todos ficaram felizes e Mau- luminol” que se compondo com o rastro dos Mau, comovido pela atitude da amiga ficou nados dos peixinhos e dessa arteira, conse- muito grato pela amizade que ficou mais guiu traçar um caminho que saiu da rota de fortalecida nessa aventura quase mortal todos e mostrou que a danadinha tinha su- que com o empenho dela e dos amigos teve bido das profundezas atraída por um anzol. um final feliz. Será que ela mordeu a isca e foi Sebastian entendeu mais uma capturada? Oh! Meu Deus! Ou conseguiu vez a importância do seu atributo e agrade- seguir o anzol para tentar achar algum ami- cido voltou para o solo terrestre para relaxar guinho? em sua banheira, pois, no dia seguinte, sua Pelo caminho marítimo foi rece- missão seria salvar crianças humanas e ar- bendo informações dos peixinhos amigos teiras que gostavam de se aventurar para por onde viram a peixinha passar até que tentar conhecer o fundo do mar... Rano, um peixe elétrico, tinha encontrado NOSSO POVO Genha Auga Gente de paciência e silenciosa, Tanto ao vento, como ao sol, Povo esperançoso e deslumbrante Pela pátria que tanto amou. Hoje vive nela, Retendo o grito Encolhido pela dor, Pela violência que se assolou. País outrora de Desejos e vontades Sonhos antes abençoados, Um povo dedicado Hoje segue sem rumo Sem luta e sem causa, Sem teto, sem chão, Sem saúde e educação. Povo gentil com sua pátria! Mas quem os governa, Só é gentil na eleição. Brasil que vive na labuta De gente forte, com disposição, Não merece essa sorte, Esse legado! Fome, miséria e descaso. 13 - Dia Nacional da Cachaça A cachaça é uma verdadeira musa inspiradora! A bebida, além de ser tema de músicas, também é assunto para a poesia. A relação entre os poetas e a cachaça é mais forte do que se imagina. Afinal, muitos poetas que conhecemos se inspiraram principalmente sentados em mesas de bar, nos quais, a cachaça está presente. Mário Quintana, Vinícius de Moraes, Toquinho, Chico Buarque, Carlos Drummond de Andrade são poetas brasileiros conhecidos que dedicaram seu tempo em fazer versos e apreciar uma boa cachaça. “Meu verso é minha consolação. Meu verso é minha cachaça. Todo mundo tem sua, cachaça.Para beber, copo de cristal, canequinha de folha-de-flandres, folha de taioba, pouco importa: tudo serve...” Carlos Drummond de Andrade Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Setembro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 10 Ex-moradora de rua é primeira brasileira a ganhar medalha de ouro no Gay Games. ma a atleta. Se ela já se considera uma ven- Ana Luiza no Fantástico, Fausto Camunha cedora? “Sim, mas não por ganhar meda- decidiu tirá-la da rua. “Eu tinha muito medo lhas, mas por ter saído das drogas, da rua. na hora de dormir. Andava com cabelo lonTem que ter muita disciplina”, diz Garcez. go, trançado, usava minissaia, depois de du- Para realizar seu sonho, a antiga Tia Punk as tentativas de estupro a gente pega medo. distribuiu na época uma “missão” aos cole- Resolvi raspar meu cabelo, não queria mais gas da rua: “você vai roubar shorts, você ca- andar como mulher. Eu decidi andar como misa, você meias, vou provar para vocês homem para não ser molestada por nin- que consigo”, lembra. “Corri, levei seis ho- guém”, revela. ras, era uma maratona, eu não sabia, quase Quando desembarcou na Praça da Repúbli- morri, mas fui até o fim, ganhei a medalha”, ca, no centro de São Paulo, Ana lembra que conta. já foi “chorando”. “Eu sabia que ia passar A corredora Ana exibe as duas medalhas de “Cheirei cocaína, heroína, benzina, tudo que fome, que eu ia sofrer”, conta. “Morei 20 a- ouro na varanda de seu quarto de hotel, no tem ‘ina’. Fumei maconha, me piquei na vei- nos na rua e a primeira droga que usei foi 12° distrito de Paris a. Éter. Quase que fui para o buraco, já não cola”, afirma a ex-moradora de rua, que con- Com duas medalhas de ouro no Gay Games estava aguentando mais. Depois de uma ta que passava os dias entre a Sé, o Anhan- de Paris e em busca de uma terceira na mei- paralisia parcial do lado esquerdo, que a- gabaú, o Pátio do Colégio. “Tinha muita rixa. a maratona, a ex-moradora de rua Ana Lui- conteceu durante uma crise de abstinência, Roubando, assaltando. E não me arrependo za dos Anjos Garcez já fez história no atle- decidi que não queria mais saber disso”, re- do que fiz, não dava para voltar atrás”, diz. tismo brasileiro. Aos 55 anos, ela se tornou lata Garcez, sentada na varanda de seu “Se não fosse o esporte, eu não estaria aqui a primeira atleta do Brasil a subir no lugar quarto de hotel, no 12° distrito de Paris. “A conversando com você. A corrida me sal- mais alto do pódio da competição. assistente social me levou para o hospital, vou”, diz Ana Luiza, fundista que hoje acor- Recém-nascida, ela foi abandonada numa em São Paulo. Eu não queria sair de lá, por- da diariamente às 4h da manhã para treinar caixa de sapatos, ao lado da irmã gêmea. que dormia, tomava banho, comia. Vi muita com o técnico Wanderley de Oliveira, da eRecuperada por desconhecidos, cresceu morte na minha frente, dívidas de droga. quipe Pão de Açúcar. num convento em São Paulo, antes de ser Corria muito da polícia”, lembra “Animal”. Respeitada por moradores de rua que a coencaminhada para trabalhar como domésti- Em Paris, no entanto, o passado triste e tu- nheceram do centro de São Paulo, Ana Lui- ca. Aos 16 anos, e ainda sem receber salá- multuado não parece ter pesado sobre os za Garcez conta que gostaria de “poder ajurio, fugiu levando três malas com pertences ombros de Ana Luiza: ela foi a primeira atle- dar mais”, mas que “com pedra [de crack] da patroa, que distribuiu a desconhecidos na ta brasileira a conquistar a medalha de ouro não dá”. Campeã dos 800m, 1500m, 5km e Praça da República, com medo de ser des- em duas provas do Gay Games 2018: a de 10km no Grand Prix Mercosur – Master de coberta. Na rua, passou 20 anos, onde rou- 5km e a de 10km. Falta a meia maratona Atletismo, disputado no Paraguai; 1ª colocabou e experimentou quase todas as drogas. neste sábado (11), de 21 km, prova que ela da na Nat Geo Run; campeã dos 10km do Mas, acima de tudo, Ana Luiza dos Anjos “gosta mais do que todas”. Graacc, Campeã categoria 52-60 anos New Garcez correu. Correu tanto, que descobriu, E a maratona, de 42 km? “Não gosto de jeito Balance Mile Challenge; campeã dos 5km e ao correr da polícia, que poderia correr para nenhum, é um desgaste, nunca gostei”, diz 10km do Gay Games de Paris – os títulos se sempre, em melhores condições. Ana, que mora no Ginásio do Ibirapuera, de- acumulam na carreira de Garcez. A revelação veio assistindo ao filme Carrua- pois de um convite feito pelo secretário de “Por pouco não vinha para o Mundial do Gay gens de Fogo, cheirando cola, com um co- Esportes do estado de São Paulo, Fausto Games. Fiz de tudo para vir, se não viesse bertor, no chão de uma galeria, em São Camunha. A atleta brasileira conta que parti- ia me jogar do Viaduto do Chá”, diverte-se a Paulo. “Vendo aquelas pessoas correndo cipa da 10ª edição dos Gay Games de Paris, atleta. “Era o que eu mais queria”, conta Ana vestidas de branco na praia, com aquela embora não seja lésbica. “Sou simpatizante. Luiza, que não tem patrocínio de nenhuma música, fiquei pensando que eu também po- Alguns de meus melhores amigos com marca ou órgão brasileiro, mas que recebeu deria correr”, lembra Ana Luiza dos Anjos quem morei na rua são gays, e vejo bastan- o apoio institucional da Confederação Brasi- Garcez, também conhecida como “Animal”. te a discriminação contra eles”, diz. leira de Atletismo com uniformes da seleção “Eu morava no [viaduto do] Minhocão. Esta- “Trabalhava na [casa noturna gay] Nostro brasileira para competir e uma mala. va deitada, e de repente essa música come- Mundo, em São Paulo, eu amo esse mun- Roqueira com tendências metaleiras, a ex- çou a vir na minha cabeça”, lembra. Nesta do”, afirma Ana Luiza. “Quem fala mal dos “Tia Punk” gosta de ouvir Black Sabbath, época, a “Tia Punk”, como era conhecida gays é pior do que eles, é enrustido”, pontu- ACDC, Judas Priest, Motorhead, Janis Jo- dos mendigos, viciados e moradores de rua a. plin e Raul Seixas. Ela conta que ouve sem- do Centro de São Paulo, nem sonhava que “Duas tentativas de estupro, a gente pega pre, mas nunca treinando: “tira a concentra- seria uma atleta respeitada. “A gente ia com- medo de andar de saia” ção”. Para a meia maratona deste sábado, prar saquinho de cola no Brás, não havia onde pode conseguir a terceira medalha de pedra [de crack] nessa época”, relata. Correndo, ela já esteve na Inglaterra, no Ja- ouro, Ana Luiza dos Anjos Garcez lavou o “Tia Punk, você não vai conseguir nunca” pão, Estados Unidos, Argentina, Cuba, Chi- uniforme azul que ganhou da delegação brale, Colômbia e Uruguai. “Sempre competin- sileira. “Eu gosto de representar o Brasil. “Eu estava com o Dracolino, um outro mora- do, nunca para passear”, lembra. Mas o a- Gosto de correr com o uniforme brasileiro, dor de rua que era meu amigo e já morreu, e prendizado da corrida como fundista ainda senão não me sinto feliz”, diz a corredora disse que ia começar a correr. Ele disse, era desconhecido de Ana Luiza, que afirma brasileira, que se prepara agora para os ‘imagina Tia Punk, você nunca vai que “para mim, correr era correr rápido, e 5km, uma das categorias da maratona de conseguir’. Dracolino morreu, como todos os só. Não sabia que existia essa coisa de ma- Nova York. daquela época. Eu continuo correndo”, afir- ratonista”. Ao assistir uma entrevista com Márcia Bechara RESSOCIALIZAR É PRECISO! As notícias de detentos voltando a estudar, tendo pena remida por leitura ou ingresso em instituição de ensino formal, ou ainda a obtenção de vagas de trabalho por indivíduos apenados, bem como a progressão de regime de cumprimento de pena, pelo regular desempenho dessas atividades, indignam o “cidadão de bem”, que não se conformam com o tratamento humanizante no cárcere, vez que a cultura de ostentação do suplício instaurada na nossa sociedade estabelece que o cárcere deva ser sinônimo de barbárie, insalubridade, degradação e desrespeito às garantias mínimas do apenado. Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Setembro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 11 Política e Cidadania Mas, o que isso tem que ver com a morte do os magistrados ou membros do Ministério reitor de Santa Catarina? Combina em dois Público que concordassem com a soltura. Por que tanta gente está estudando tendo o fascismo no Brasil? e deba- motes: 1) saber se a ação policial desfechou o golpe de morte, ao condenar à morte sim- O próprio magistrado que relaxou a prisão do reitor, retirando-o do calabouço da segu- 2018 não terminará porque é o ano da men- bólica no calabouço da Polícia Federal; 2) rança máxima, deveria ser autuado pela Po- tira. Como Pinóquio, quanto mais avança apurar porque os críticos desta ação fatal lícia Federal. Pois, o magistrado assim agiu mais cresce seu legado de engôdos, menti- são agora fustigados pela mesma Polícia por entender que a prisão era demasiada, ras, trapaças, solta e prende, estica e puxa. Federal sob a acusação de calúnia. indevida. Ordenou prisão domiciliar – mas, É o próprio ano fake news. É meio espantoso para quem não dá devida inicialmente, sem direito a receber visitas de Como parte do fake news, docentes que a- atenção ao que ocorre no país, mas é objeto amigos e de familiares. Segundo depoimen- cusaram o abuso de poder na morte do rei- contínuo de análise para quem investiga o tos, este “ver o mundo pela janela”, depois tor da Universidade Federal de Santa Catari- arbítrio crescente no pós-2016. Como dito de o ver pelas grades, acirrou a compulsão na (UFSC) foram intimados pela Polícia Fe- anteriormente, primeiro se interpreta a lei pela morte. deral. Ao invés de se investigar as causas contra seu espírito; depois os seguidores Em todo caso, a morte trágica do reitor da morte (suicídio projetado) prefere-se a podem eleger presidente, congressistas e (primeiro simbólica, depois física) reavivou o acusação de prática de calúnia. daí mudar o Estado de Direito por completo. ensinamento acerca das implicações da O caso do reitor levado ao suicídio, depois É o que diz a história e a nossa realidade “Morte do Direito”. Sem o direito – como ca- de passar pela solitária em prisão de segu- prosaica. minho da democracia: universalidade, teleo- rança máxima – e sem que respondesse por Em verdade mesmo, os detratores instiga- logia, perfectibilidade, previsibilidade – não qualquer ato de desvio ou corrupção –, ati- dos pela Polícia Federal – após a morte do vige o animal político. É o momento em que rando-se de um shopping em Florianópolis, reitor – nem falaram abertamente sobre o a Polis (a Política) se desliga, enquanto vida é o puro emblema. abuso de poder que levou à tragédia com- pública, da vida privada. No fundo, não é Situações semelhantes, historicamente fa- pleta. Em vídeo de três minutos, professores exatamente que não haja direito, há sim um lando, foram apelidadas nos manuais de Ci- de Santa Catarina saudaram (com pêsames) direito interpelado pelo fascismo. Daí a se- ência Política e de Direito Constitucional de os 57 anos da Universidade Federal. Nas gregação entre público e privado, ou de do- Estado Policial. É um tipo especial de fascis- imagens, há cartazes e faixas que acusam o mínio total de um “certo” público sobre o pri- mo, e se tornou mais conhecido com o ad- abuso de poder atrás dos agora depoentes. vado – até o ponto em que se privam tragi- vento nazista. Seu “ideal” baseia-se na ca- Falam em homenagem ao reitor, prestam camente as condições de sociabilidade, com pacidade de o Poder Público gerir a cultura, solidariedade, comovem-se com a perda, o advento da morte como regularidade. No as ações e os destinos dos “homens de requerem dias melhores. Só isso. fascismo, a vida é póstuma – o que recai na bem”. Enquanto as forças armadas tradicio- No entanto, no ideal do Estado Policial – à “pena de morte”. nais ocupam-se das fronteiras externas, as frente das faixas ácidas de denúncias –, os Em termos semelhantes, este modelo de Es- polícias subalternizadas fecham as lacunas policiais federais veem “fortes indícios” de tado Policial foi ainda chamado de Estado do direito sob a ação de uma “nova” herme- cometimento e de instigação de outros cri- Ideal ou de Estado Ético. No sentido de que nêutica do Império da Lei. mes. Devem ser apurados, punidos no rigor uma “ética superior, total, uniforme, sem ré- Como se deu isso? Primeiro, interpelando e da lei. Bom, basta dizer que todo e qualquer plicas”, viria diretamente do Estado para re- interpretando a lei contra seu espírito inau- advogado, na defesa de seu cliente, que a- gular a vida dos pobres mortais. Como máxi- gural; depois, outorgando-se “novas” leis. E, legar abuso de poder da autoridade – impe- ma invenção da Humanidade, o Estado não assim, padronizando-se seus seguidores e trando Habeas Corpus, por exemplo – deve- poderia falhar. Não falhou mesmo, o reitor aplicadores cerceiam a democracia real. ria ser autuado com imediata produção de da UFSC que o diga. provas contra si mesmo. Tanto quanto todos Vinício Martinez e Marcos Del Roio Mistério do Triângulo das Bermudas teria sido solucionado? Essa teoria é reforçada por marinheiros que, segundo um novo documentário do Channel 5, afirmam que os poderes ameaçadores do Triângulo das Bermudas emanam de rochas debaixo de água. Hutchings explica que a geologia das Bermudas é incomum. Segundo o geólogo, as Bermudas são basicamente uma montanha no mar – um vulcão submarino. "Há 30 milhões de anos, [as Bermudas] estavam acima do nível do mar. Elas agora sofreram erosão e ficamos com o topo de um vulcão", acrescentou. Ele fez um experimento: pegou um punhado de rocha e uma bús- sola. Colocou a rocha em uma superfície e, então, os ponteiros do aparelho se moveram. Em seguida, os ponteiros da bússola come- çaram a ficar desorientados devido à magnetita contida na rocha. Hutchings esclareceu que a magnetita é o material natural mais magnético da Terra. O Triângulo das Bermudas está situado em uma vasta área entre as ilhas das Bermudas, Porto Rico, Flórida e as Bahamas. Há anos Por sua vez, ondas traiçoeiras poderiam ser o motivo de tantos naque essa área, também conhecida como Triângulo do Diabo, tem vios terem desaparecido no Triângulo das Bermudas. sido associada a diversos acidentes e eventos inexplicáveis. O cientista Simon Boxall disse que essa área "amaldiçoada" do A- O geólogo Nick Hutchings sustenta a teoria de que o mistério do tlântico pode ser atingida por três intensas tempestades se aproxi- Triângulo das Bermudas está relacionado com as rochas existentes mando de direções opostas – uma condição perfeita para ondas no fundo do oceano Atlântico, relata o The Daily Star. terríveis. Fonte: sputniknews.com Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Setembro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 12 O que o Brasil espera de você para trechos culturais de nossa sede de vanta- da suposta abertura de espaço para que vo- o futuro? gem, de nossas condutas sociais inviabiliza- cê expresse qual o país que você deseja pa- doras de esperanças e do riso desestabiliza- ra o futuro. Não se iluda. Este quarto poder, Esqueça o que você quer e faça o que o dor das diferenças, de nosso fanatismo em isto é, esta mesma mídia (dentre outras) Brasil quer de você para o futuro. Confusa campos amplos (engessados nos valores da que, supostamente, te dá voz, foi a que aju- esta assertiva? Para entendê-la e dissecá- elite colonial de capitalismo dependente), da dou a destituir uma presidenta eleita demo- la, pense no seguinte – esperamos em de- inércia diante da opressão e até em coisa craticamente e contribuiu para o golpe políti- masia de nossa Mátria e nos esquecemos bem mais nociva. co-jurídico-legislativo que se deu no Brasil de que, muitas vezes, fazemos pouco, muito pouco, quase nada ou absolutamente nada por nossa Nação. Um Brasil melhor que nos permita alegria no futuro, para início de conversa, passa por sua, por nossa mudança de design mental. por meio de discursos editoriais disfarçados de informação. Com isso, tem-se que a mesma mídia apoiadora de golpes, agora Vociferamos muito que queremos políticos Nesse sentido, é oportuno mencionar que quer que você acredite que a transformação não corruptos, mas, pleito após pleito, sem precisamos, com urgência, de uma arquite- do Brasil passa pelo voto, mesmo que futu- muito compromisso com a vida pregressa tura racional sensível que nos oportunize ramente ela o rasgue apoiando novos gol- dos/as candidatos/as, os/as elegemos a par- compreender todas as estruturas podres de pes, caso não seja eleito/a um/a candidato/a tir de nossos desejos umbilicais disfarçados poder que nos acompanham desde os pri- neoliberal a serviço das elites. de coletivos sem nos importarmos, respon- meiros momentos de formação, de constru- Por último, sinalizo que o país que você al- savelmente e eticamente, com toda a tessi- ção e de constituição de nossa nacionalida- meja tem relação direta com o que o Brasil tura político-social. Em outras ocasiões, pe- de que se alicerçou e se alicerça na opres- quer de você para o futuro. Pare de desejar dimos educação de qualidade, mas sempre são. e vá para a práxis da ação. Faça algo novo, que há alguma greve docente, a maior parte da sociedade se coloca contra os/as educadores/as, ainda que as pautas do movimento grevista sejam em prol da melhoria da estrutura das instituições escolares e de justiça salarial para, desta forma, ocorrerem mudanças significativas na educação. Neste ponto, instaura-se um enorme paradoxo, que nunca consegui digerir, entre o discurso do querer educação de qualidade e o que se pensa sobre o docente em momentos como o narrado. Tudo isso, além de outras narrativas sociais que poderiam ser abordadas aqui, forma um grande novelo emaranhado ao extremo que nos impede de encontrar a ponta para que desatemos os nós que emperram o nosso desenvolvimento e nos aprisionam a uma estrutura colonial de pensar e agir. A discussão que ensaio aqui me faz lembrar, criticamente, que, nos últimos meses, certa emissora que não ouso nomear, para evitar ibope, recebeu vídeos de eleitores e eleitoras de grande parte do Brasil, dos quatro pontos geográficos, ou seja, dos extremos Caburai ao Chuí, da Serra da Contamana ao Seixas, com discursivas sobre que Brasil o/a interlocutor/a, opa, eleitor/a, queria para o futuro. A tal emissora, a partir da campanha, aparentemente despretensiosa, em minha opinião, se coloca na posição de cabo eleitoral de algo que ela pretende projetar, ainda que muitos não percebam esse fenômeno. Independente da falta de percepção de muitos, a história está aí para nos provar as verdadeiras intenções da referida emissora inominável, basta que investiguemos a fundo a atuação dessa mídia empre- de fato, por seu país. Olvide as mídias golpistas, verdadeiros cabos eleitoreiros da exploração, busque ampliar as fontes de informação, leia muito, informe-se a partir de fontes internas e externas (para contrapontos), não eleja candidatos/as do atraso, fuja de discursos políticos conservadores que se valem da necedade do povo para se promoverem e depois continuarem explorando a ignorância, tente renovar as bancadas no Legislativo, votando em deputados/as e senadores/as que apresentem projetos sustentáveis de respeito à diferença e de compromisso com o desenvolvimento para todos e não somente para segmentos sociais privilegiados historicamente, vote em mais mulheres para aumentar a participação feminina na política, em candidatos/as que dialoguem com todas as minorias, em políticos/as que Além das questões levantadas no parágrafo sarial como porta-voz para a vitória das for- não sejam apologistas da dependência do anterior, é importante destacar que, no coti- ças neoliberais conservadoras no decorrer capital estrangeiro e, por fim, apoie candi- diano, em algum limite, na atuação cível, de nossos processos eleitorais, por isso, se datos/as que consigam ver o Brasil como muitos, para não dizer todos, pois seria um você quer mesmo fazer algo pelo Brasil, não irmão de uma comunidade latino-americana exagero e um pesadelo, já se valeram e se saia por aí dizendo à mídia tradicional o Bra- de nações para que possamos crescer de valem de alguma atitude insustentável, seja sil que você quer para o futuro, mas faça o forma sustentável em bloco nestes tempos no âmbito da corrupção propriamente dita, a Brasil que você quer para o futuro, come- de globalização da exclusão. Enfim, é che- partir das margens que levam à corrupção çando por aniquilar de sua vida esses meios gada a hora de uma revolução mental para ou em outra vertente imoral em nosso tem- tradicionais de desinformação que sempre que outras mudanças sejam possíveis e, fi- po. E se acha que estes exemplos não se estiveram na contramão do desenvolvimento que esperto/a, isto a mídia tradicional brasi- sustentam, sugiro a auto-observação em ca- nacional. Não se deixe enganar pela apa- leira não quer em nenhuma hipótese. da atuação no dia-a-dia em torno dos ape- rente democratização da informação a partir Elissandro Santana O Conchavo Utópicas promessas na Mídia Uns com espada em punho Quem é de direita é destro Outros só com a Bíblia Quem é de esquerda é canhoto Tentando vender a ideia Uns querem o Estado magrelo De que têm a panaceia Outros querem o Estado gordo Para salvar o País E quem fica no meio-termo Enquanto um preso político Se afastando dos extremos Passa os dias num cubículo Se diz adepto do centro Só por ter feito o Brasil feliz. Enquanto segue a briga Permanece vazia a barriga A perseguição dos imorais De quem só quer alimento. É reconhecida pelo Vaticano Bonitos discursos nos púlpitos Pelas Mídias internacionais E até mesmo pela ONU Mas aqui no Brasil Ficamos reféns do vil Conchavo no jornalismo Que tenta esconder Lula Mas quanto mais o anula Mais fortalece o lulismo. Eduardo de Paula Barreto. 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Setembro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 13 07 - Dia da Independência do Brasil A primeira forma de teatro surgiu no Oriente, apesar de ser um conceito de teatro relacionado com rituais religiosos. O teatro como for- O Dia da Independência do Brasil se comemora no dia 7 de setem- ma de arte surgiu na Grécia Antiga. bro de 1822, data que ficou conhecida pelo episódio do "Grito do Ipiranga". 20 - Revolução Farroupilha (Dia do Gaúcho) A Independência do Brasil deu os primeiros passos às margens do riacho Ipiranga, hoje atual cidade de São Paulo. O Príncipe Regen- A Revolução Farroupilha foi uma revolta regional contra o Governo te Dom Pedro ordenou aos soldados que o acompanhavam que Imperial do Brasil na qual os revoltosos queriam separar-se do Im- jogassem fora os símbolos portugueses que levavam nos unifor- pério do Brasil. Durou aproximadamente 10 anos e recebeu este mes. nome por conta dos farrapos que seus participantes vestiam. A re- volução chegou ao fim após ser feito um acordo de paz entre as Em seguida, gritou "independência ou morte" e a partir desse mo- partes envolvidas. mento, simbolicamente, o Brasil não era mais uma colônia de Por- tugal. O Dia do Gaúcho consiste numa homenagem a um dos episódios históricos mais importantes para a comunidade gaúcha: a Revolu- Logo após a Independência, o Brasil continuou a ser uma monar- ção Farroupilha ou Guerra dos Farrapos, que teve início em 20 de quia, forma de governo onde os poderes são exercidos por um rei setembro de 1835 e terminou em 1º de maio de 1845, período que ou Imperador. passou a história deste estado como o "Decênio Heroico". A primeira nação que reconheceu a independência do Brasil foi os Estados Unidos. Portugal apenas admitiu a independência em 21 - Dia da Árvore 1825, após o pagamento de uma indenização de aproximadamente 2 milhões de libras. Esta data foi escolhida por anteceder o início da Primavera no he- misfério sul, que dependendo do ano pode ocorrer entre os dias 22 08 - Dia Mundial da Alfabetização e 23 de setembro. Apesar de ainda ser comemorado nos dias de hoje, o Dia da Árvore Com o propósito de fomentar a alfabetização nos vários países, a foi substituído pela Festa Anual das Árvores, instituída pelo decreto Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização das Na- federal 55.795 de 24 de Fevereiro de 1965. ções Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) instituíram esta data em 1967. Mesmo com esta mudança, o Dia da Árvore, em setembro, ainda é lembrado nas escolas e na mídia. O processo da aprendizagem de ler e escrever (alfabetização) está diretamente relacionado com o desenvolvimento de um país, con- 22 - Dia da Juventude do Brasil forme indicam pesquisas na área. Quanto mais pessoas analfabe- tas, menor é o índice de desenvolvimento. A juventude brasileira tem um histórico de grandes lutas e precur- Por esse motivo, nas últimas décadas vários países têm assumido soras de importantes mudanças políticas no cenário nacional. O o compromisso de combater o analfabetismo. Atualmente, a alfabe- Dia da Juventude do Brasil visa justamente homenagear toda essa tização atinge cerca de 85% da população mundial, de acordo com história. dados da ONU. Esta data, impulsionada pelo Dia Internacional da Juventude, 14 - Dia do Frevo em 12 de agosto, serve para homenagear e conscientizar as pessoas sobre a importância desta classe, que deve ser educada com responsabilidade, pois representa o futuro da nação. Esta data é uma homenagem ao principal marco cultural e artístico do estado de Pernambuco: o frevo! Saiba mais sobre o Dia Internacional da Juventude. O frevo é um ritmo musical e uma dança tradicional com origem em Originalmente, o Dia da Juventude foi criado por iniciativa da ONU Pernambuco e que combina elementos da marcha, maxixe e movi- (Organização das Nações Unidas), em 1985, que foi considerado o mentos da capoeira. Em dezembro de 2012, o frevo foi instituí- Ano Internacional da Juventude. do Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO. No Brasil, o Dia da Juventude foi oficialmente decretado com a Lei nº 10.515, de 11 de julho de 2002, instituindo o dia 12 de agosto 17 - Dia da Compreensão Mundial como o Dia Nacional da Juventude. A data tem o objetivo de conscientizar as pessoas sobre uma das 22 - Dia Mundial Sem Carro principais características que a humanidade deve ter para que haja o máximo de paz no planeta: a compreensão. O Dia Mundial Sem Carro, ou World Car Free Day, é comemorado Compreensão não significa se anular como pessoa, afinal todos os anualmente em 22 de setembro. A data foicriada com o objetivo de indivíduos, assim como esteticamente, são diferentes também em incentivar as pessoas a refletirem sobre os enormes problemas que relação aos ideais de vida ou comportamento social. Essas diferen- o uso excessivo dos veículos, nas grandes cidades, pode causar ças são formadas por vários fatores, como faixa etária, geração, ao meio ambiente e ao bem-estar da sociedade. cultura, religião, educação e etc. 26 - Dia Interamericano Relações Públicas A grande questão proposta no Dia da Compreensão Mundial é jus- tamente saber lidar com tantas diferenças, respeitando e procuran- Um Relações Públicas pode trabalhar em diversas áreas, como na do entender os sentimentos do próximo. gestão de comunicação de determinada organização, na assessori- A ideia é fazer com que todos os líderes de governo e sociedade a de imprensa, na organização de eventos, e etc. em geral pensem e equilibrem os seus julgamentos com paciência Esta data é uma homenagem a iniciativa que culminou na criação e respeito ao próximo. da FIARP (Federação Interamericana de Relações Públicas). Em A compreensão abrange os inúmeros tipos de preconceitos e atu- 26 de setembro de 1960, Dom Federico Sánchez Fogartyreuniu di- ais conflitos que existem em todas as sociedades, sejam étnicas, versas associações de profissionais de Relações Públicas, com a religiosos, sexuais ou socioeconômicos. proposta de dar uma resposta efetiva aos novos desafios de comu- nicação da época, naquilo que ficou conhecido como a 1ª Confe- 19 - Dia Nacional do Teatro rência Interamericana de Relações Públicas. Em 1985, a FIARP se transformou na Confederação InteramericaEsta data é destinada a homenagear uma das manifestações artís- na de Relações Públicas – CONFIARP, após decisão tomada em ticas mais antigas da humanidade, em especial os artistas brasilei- reunião feita em Assunção, no Paraguai. ros desta área. Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Setembro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 14 Lula, Getúlio Vargas e o governo Geisel, às descobertas da Bacia de Campos, que viabiliza- petróleo que não querem riam a autossuficiência do Brasil em petróleo e abririam caminho, que seja nosso. Joaquim do ponto de vista da tecnologia, para o pré-sal.” de Carvalho José Augusto Ribeiro conta que o segundo grande salto da Petro- Getúlio Vargas, Lula e o pe- bras se deu em 2006, com a descoberta do pré-sal. E o que o go- tróleo que não querem que verno Lula fez? Protegeu a empresa e os interesses brasileiros. seja nosso “O governo Lula, finalmente, levou a Petrobras ao pré-sal em 2006 Com a perseguição judicial- e o protegeu, substituindo o regime de concessões petrolíferas ado- midiática ao ex-presidente tado pelo governo Fernando Henrique Cardoso pelo regime do Lula, muitos se perguntam: Por que tanta fúria? Por que tanto medo compartilhamento. Pela lei de Lula, era permitida a participação de de que Lula volte a presidir o Brasil? empresas estrangeiras no pré-sal, mas sempre em associação com Como podem as instituições se unirem para condenar em tempo a Petrobras, para impedir a exploração predatória desse petróleo e recorde, num processo sem prova e sem descrição de conduta cri- manter seus lucros no Brasil, num fundo que destinaria 75% de minosa, e impedir que se candidate um político que terminou o se- seus recursos à educação e à saúde”, lembrou o jornalista. gundo mandato com 87% dos brasileiros considerando seu governo “Com o impeachment de Dilma Rousseff — prossegue José Augus- ótimo ou bom? to Ribeiro —, o governo Temer mudou a lei de Lula, e deu facilida- Talvez não haja uma única resposta, mas uma boa pista é dada pe- des milionárias às empresas estrangeiras no pré-sal, descoberto lo jornalista José Augusto Ribeiro, que acaba de publicar o livro sem qualquer colaboração dessas empresas, graças à coragem e à “Lula na Lava Jato – e outras história ainda mal contadas” (Kotter competência do geólogo Guilherme Estrela, diretor de Exploração e Editorial). Produção da Petrobras. O autor traça um paralelo entre a perseguição a Getúlio Vargas e a Com o apoio de Lula e Dilma, Estrela ousou, investiu tudo que podi- perseguição a Lula, separadas por mais de 50 anos. a de seu orçamento e produziu um milagre. De 13 furos que a Pe- “A Petrobras era um denominador comum entre a história de Getú- trobras fez no pré-sal, tão profundos que a tecnologia disponível se lio e a história de Lula — e não era o único. Também o eram a luta esgotava e era preciso aguardar o completo desenvolvimento de de Getúlio pelos direitos trabalhistas e a luta de Lula pelo avanço uma nova tecnologia, bastaria que dois ou três furos apresentassocial e o esforço de ambos pelo desenvolvimento da economia sem evidências de petróleo para os 13 serem um sucesso. Pois a brasileira e pela melhor distribuição de renda no país. Nada mais Petrobras teve sucesso nos 13, o que não foi obra do acaso ou de natural, portanto, que a Petrobras seja uma das razões para a der- Deus: foi obra de sua competência e de sua capacitação científica rubada de Getúlio em 1954 e para impedir a volta de Lula ao gover- e tecnológica. no em 2018”, escreveu. Na entrevista, Estrela acrescentou um dado que, em sua fúria pri- Não se trata apenas de um palpite do experiente jornalista, que foi vatista, o governo Temer teve de esconder quando restabeleceu os editor-chefe do jornal O Globo, e analista político e apresentador da privilégios das multinacionais: só uma empresa estatal como a Pe- TV Globo, além de assessor de imprensa de Tancredo Neves du- trobras poderia dar certo no pré-sal; uma empresa privada seria o- rante sua campanha à presidência entre 1984 e 1985. brigada a pensar primeiro nos dividendos dos acionistas e não po- deria fazer os investimentos e correr os riscos que a Petrobras as- Na fixação da Petrobras como denominador comum, José Augusto sumiu.” Ribeiro começa por relatar o caso de Getúlio Vargas: Concluo a leitura do livro “Lula na Lava Jato – e outras histórias ain- “A verdadeira razão para derrubar o governo era outra, como con- da mal contadas” no momento em que se completam 64 anos da fessou sem a menor cerimônia o Rei da Mídia Assis Chateaubriand, morte de Getúlio Vargas, que se suicidou em 24 de agosto de ao ser procurado pelo General Mozart Dornelles, subchefe do Gabi- 1954, depois de se licenciar da presidência, pressionado por uma nete Militar da Presidência e seu amigo desde a Revolução de 30, campanha que tinha como pretexto a corrupção, o famoso mar de da qual Mozart participara como combatente e Chateaubriand como lama. jornalista. Lula e Getúlio tem diferenças marcantes, a começar pela origem. O General perguntou por que tanto ódio contra Getúlio nos pronun- Lula vem da classe popular, do sertão de Pernambuco. Já Getúlio ciamentos diários de (Carlos) Lacerda (jornalista e futuro governa- emergiu da classe média ascendente da virada do século XIX, com dor da Guanabara) e nas rádios de grande alcance e nos jornais de origem numa das regiões mais conservadoras do Brasil, São Borja, grande circulação de Chateaubriand em todos os Estados. Chate- Rio Grande do Sul. aubriand respondeu: Mas ambos se destacam pelo compromisso nacionalista. — Mozart, eu adoro o presidente, sou o maior admirador dele. Quando ele quiser, eu tiro o Lacerda da televisão e entrego para Ambos são também classificados pelos críticos como “populistas”, quem ele indicar, para a defesa dele e do governo. É só ele desistir como isso fosse um defeito. da Petrobras… Ambos foram alvos de uma campanha sórdida, que usa o discurso Esse episódio me foi contado mais de uma vez, em entrevistas pa- anticorrupção apenas como pretexto para a luta política. ra um filme e para um documentário de TV sobre o presidente Tan- O livro de José Augusto Ribeiro trata de outras distorções da Lava credo Neves, pelo filho do General Mozart, o ex-senador e e- Jato, mas é o relato sobre a Petrobras que chama a atenção. ministro Francisco Dornelles, que também o contou em depoimento Talvez porque signifique um fiapo de luz em meio à escuridão, uma para a TV Senado. tentativa de explicar esse movimento contra Lula, que parece irra- Getúlio tinha criado a Petrobras em 1953 e ela cresceu. Em segui- cional, mas, no fundo, é bem arquitetado. da à crise mundial do petróleo, em 1973, a Petrobras chegou, no Joaquim de Carvalho AS BIG OIL SÃO AS AVES DE RAPINA DO DESENVOLVIMENTO DOS ESTADOS NACIONAIS. Uma empresa petrolífera internacional é uma empresa, quase sempre transnacional e de propriedade privada, que atua nas áreas de exploração, refino e comercialização de petróleo. A ExxonMobil, a BP e a Royal Dutch Shell são algumas das maiores petrolíferas internacionais privadas. Historicamente, essas empresas muitas vezes têm se colocado em oposição a interesses nacionalistas nas disputas pelo controle das grandes reservas mundiais desse bem mineral. A partir de meados do século XX, porém, muitos países nacionalizaram suas reservas de petróleo, de modo que companhias petrolíferas controladas pelos respectivos estados nacionais, passaram a monopolizar a sua exploração. Muitas dessas empresas estatais, tais como a Petrobras, também têm aumentado significativamente a sua participação no mercado mundial do petróleo, atuando diretamente no exterior, da mesma forma que as empresas multinacionais ou transnacionais privadas. 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Setembro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 15 DIA 21 - Dia do Adolescente O congolês Kunzika dá uma elevada ampli- um direito dogmático e elitista que muito tude aos usos dos provérbios Kikongo na pouco nos diz através de seus “provérbios” e vida comunitária e institucional do Congo e “modos de fazer” ético-jurídico. Será que es- Kalunga e o direito: a emergência de ainda nos presenteia com suas possibilida- ta potencialidade resolutiva em se equacio- um direito inspirado na ética afro-brasileira des linguísticas em outras línguas, nada di- nar os conflitos no interior da comunidade e “gingar é ir de encontro ao outro”! ferindo do que sempre foi apresentado como sem responsabilizar a pessoa isoladamente As organizações políticas, comunitárias e senso comum teórico eurocêntrico respalda- nem retirá-lo do seu meio, buscando saídas tradicionais no continente africano e na diás- do numa liturgia jurisprudencial de base ger- na coletividade, não é uma tradição africana pora atestam uma forma costumeira e conci- mano-românica e, mais recentemente, refor- esquecida pelas novas gerações? liadora de lidar com os conflitos – em rela- çado com a doutrina consuetudinária do A Convenção 166 da ONU se apresenta ção à natureza e a sociedade – nos influen- Common Law do empirismo anglo-saxônico. nesse contexto o qual critérios hermenêuti- ciando numa dimensão contingencial da ex- Este sistema de referência ou repertório tó- cos mais complexos e heterogêneos tiveram periência civilizatória africana no Brasil e nos pico possui forte poder sobre os critérios de que ser adotados pelas cortes internacionais dando um caminho de como articular novas resolução dos conflitos, ainda, na contempo- e pelos países do sistema para localizar mo- bases ético-jurídicas para pensar o direito raneidade. dos de aplicabilidade de resolução de confli- numa ótica emancipatória. Observamos, lo- As expressões: “mfumu ka dianga ngulu a tos preservando-se a autonomia e os costu- go, de início, que a tentativa aqui, é tanto kutu dimosi ko”, assim traduzida para o por- mes das comunidades e povos tradicionais. mais epistemológica tanto quanto de produ- tuguês: “o chefe não ouve só por um ouvido” Nesse aspecto, a área penal foi a que mais ção cultural e, que, estas perspectivas serão tratando do direito ao contraditório e teve que se acomodar com os métodos de sempre trazidas como um discurso de ori- “mvumbi mvula tembo kina kawene kikana- mediação para o tratamento dos conflitos. gem e não de finalidade. tumunanga” – “a morte é como uma chuva- Qual lei aplicar em casos de condutas antis- Os Bacongos, aqueles povos do antigo Rei- da, ela leva o que encontra”, tratando da iso- sociais nos países colonizados, o common no do Congo que, hoje, estão localizados nomia para todos, localizam alguns dos law, o sistema latino, as medidas de legisla- nas regiões onde se encontram os países: pressupostos ético-jurídicos do costumem ção de cada localidade ou os costumes? Angola, Congo, Brazaville e Gabão, nos a- da lei e da obediência fundado em elemen- Um exemplo mais próximo da experiência presentam uma narrativa de mundo e uma tos naturais, religiosos ou tão somente con- com os indígenas originários da América La- consciência cósmica extremamente valiosa vencionais praticados há séculos naquele tina nos chama para a leitura sempre ampli- para interpretação da realidade dos africa- continente, e, em especial, no Brasil. ada das diversas cargas semiológicas que o nos e seus descendentes em todo o mundo. Como podemos entender as diversas formas conceito de etnicidade exige. No caso da Esta mandala cosmológica ou o cosmogra- de lidar com os costumes originados do pro- América Latina, os repertórios ancestraliza- ma Bakongo referencia-se na travessia do cesso civilizatório africano em confronto com dos das diversas etnias se valem de um Kalunga, como uma linha que atravessa o- o direito germano-românico, fenomenológi- “capital étnico” poderoso para a afirmação ceanos e continentes além das montanhas co, positivista e culturalista do direito brasi- de direitos em nome de uma “potência ple- do Oeste e permite o diálogo entre os mun- leiro? As comunidades tradicionais e as refe- beia” na Bolívia. O autor vaticina que “fica dos dos vivos e mortos além de outras pos- rências mais ancestralizadas das nossas ex- bastante claro que, a Bolívia é, a rigor, uma sibilidades simbólicas que delas se extraem. periências comunitárias (Candomblé, Capo- coexistência de várias nacionalidades e cul- No mundo dos espíritos Ku mpemba é onde eira, Quilombo, Comunidades Tradicionais turas regionais sobrepostas ou moderada- residem diversas forças que determinam as etc.) dão conta de que os valores e noções mente articuladas”. A existência de uma so- ações humanas. Este pode ser um pressu- de justo têm sempre acompanhado as no- ciedade multiétnica impõe que o modelo de posto para pensar o comportamento, os mo- ções de integração e comunhão com a natu- estado e de sua base jurídica seja também dos de resolução de conflitos e os mecanis- reza, uso comunitário e coletivo da proprie- pluralista. Esta possibilidade foi materializa- mos que acionamos para respondermos a dade, restituição no lugar de retribuição de da através da carta constitucional binacional muitas das nossas questões de verdade e pena, famílias extensas etc. na Bolívia que adota critérios de autonomia justiça. Esta proto-narrativa civilizatória nos Nessa travessia do Kalunga, a visão cosmo- política local, equidade, proporcionalidade, convida a pensarmos questões contemporâ- gônica e comunitária dos conceitos de lei e solidariedade etc. O reconhecimento de uma neas sobre humanidade, ética, direito e justi- crime dos Bacongos estudados por Fukiao comunidade política multinacional e multicul- ça; já que o direito hegemônico, através de deve ser revisitada à luz dessa moderna ten- tural pode caracterizar-se enquanto referên- suas lógicas e equações, não consegue res- dência de um direito que renasce preservan- cia bastante proveitosa para os nossos de- ponder as aspirações dos novos sujeitos su- do as autoridades tradicionais africanas na bates e em nome de uma pluralidade jurídi- balternizados da sociedade moderna. África e na diáspora. Na mesma trajetória, ca pode ser experimentada, também, no É possível afirmar um direito africano ou afro analisaremos, à luz de Ramose e Wiredu, os Brasil. -brasileiro? Existe um repertório comum que elementos da cosmovisão Ubuntu, as pers- O tema da diversidade étnico-racial no siste- informa e unifica este direito? Este direito pectivas de restauração e equilíbrio como ma normativo brasileiro é algo novo no de- pode ser universalizável como pressuposto comportamento ético vital e sua relação com bate sobre as juridicidades. Podemos en- de justiça a outras comunidades não africa- os processos de consensualidade exaustiva contrar fontes esparsas, nada muito elabora- nas? Estas são as indagações que propo- nessas comunidades. do ou aprofundado no repertório livresco nas nho tematizar para sugerir a possibilidade A positividade formal do direito resulta injus- livrarias e bibliotecas. Entre estas poucas de um debate nos campos da antropologia ta e iníqua. Como buscaremos novas inven- obras quero referir-me ao livro Ordem Jurídi- jurídica, da filosofia africana e da filosofia do ções originais que respondam às nossas ca e Igualdade Étnico-Racial, organizado direito. perguntas existenciais e práticas? Temos por Flávia Piovesan e Douglas Martins René David alerta que a experiência africa- produzido um sem-número de projetos de (2006), através do Instituto Pro Bono que na se assemelha ao processo assimilacio- extra judicialidade como orientadora de a- pode ser considerado um estudo inaugural nista romano quando teve que elaborar um cesso ao direito e à justiça refletida nas pro- sobre o direito à igualdade étnico-racial, o jus gentium para reconhecer as culturas e postas de mediação de conflitos e suas di- confronto a uma suposta norma jurídica neu- valores dos não-romanos. Entretanto, nos versas abordagens. Experiências, as mais tra e universal e a necessidade de uma cul- países africanos colonizados abriu-se a uma variadas, tem tomado conta da agenda dos tura jurídica pluri-normativa. conformação para um direito ocidental for- órgãos estatais (arbitragens, mediações, mal, importado, quase que, literalmente, dos mutirões conciliatórios, etc.) e das organiza- países de origem. ções sociais no Brasil afora como saída para Sérgio São Bernardo Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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