Confrades da Poesia101

 

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Poesia Lusófona

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano X | Boletim Mensal Nº 101 | Setembro 2018 CONFRADES DA POESIA www.confradesdapoesia.pt - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO/UNIVERSAL» SUMÁRIO EDITORIAL Capa: 1 A Voz do Poeta: 2 / Ecos Poéticos: 3 / Bocage: 4,11,12,13 / Rota Poética: 5 Cantinho dos Poetas 6 / Luz Poética: 7 / Faísca de Versos: 8 Tribuna do Vate: 9 / Contos e Poemas: 10 / Visões Poéticas: 14 / Rádio: 15 / Ponto Final: 16 O BOLETIM Mensal Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono e outros países “; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona, no acréscimo da Poesia Universal e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Para nós não existe concorrência. Existem parceiros de actividade! Tribuna do Vate …. página 9 Rádio Confrades da Poesia Nesta edição colaboraram 58 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Revisão: Conceição Tomé A Direção: Pinhal Dias - Fundador Colaboradores: Ademar Macedo | Albertino Galvão | Albino Moura | Alfredo Mendes | Amália Faustino | Anna Paes | António Barroso | Arménio Correia | Artur Gomes | Cândido Pinheiro | Carlos Alberto S Varela | Carlos Fernandes | Carlos Fragata | Chico Bento | Carmindo de Carvalho | Conceição Tomé | David Lopes | Filipe Papança | Filomena Camacho | Hermilo Grave | João Coelho dos Santos | Joaquim Evónio | Joaquim Sustelo | José Caldeira | José Jacinto | José Maria Gonçalves | Jota Cris | Lili Laranjo | Luís Fernandes | Magui ! Maria Fraqueza | Maria Petronilho | Maria Vit. Afonso | Mário Pinheiro ! Paco Bandeira | Paulo Bicho | Pinhal Dias | Poeta Silvais | Regina Pereira | Rita Celorico | Rogério Pires | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Simone Pinheiro ! Teolinda Marreiro | Teresa Primo | Tito Olívio | Vitalino Pinhal | … Ver restantes no site.

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2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 101 - Setembro 2018 «A Voz do Poeta» PENSAMENTOS Está tudo tal e qual A pensar no teu mal Sonho que é lindo D’arte exigindo Ver lindos olhos verdes Que d’amor têm sede… Aqui estou neste ninho De ti tão pertinho Com receio d’amargura Que tanto dura… Apresso-me a escrever O que não sei dizer Da Vida estou atrasado Teu riso me é dado Neste Mundo de liquidação É que tudo morre de feição Sem interrupção Sem a nossa união… CASV – Paços de Brandão Porque sou rico? Pobreza é não ter cavalo Ou ter e não saber montá-lo Ter muito dinheiro E não querer usá-lo Mulher meiga e bela E não gostar dela Irmãos verdadeiros E endeusar forasteiros Ter nascido Mário E viver ao contrário por aqui me fico Eis porque sou rico ! Paco Bandeira Montemor-o-Novo Retrato Leiloou-se o último recanto... Choro em suave pranto.. Destino fadado meu... Também o fado já desapareceu... Não é meu nem teu... É património... Português..? Só a Sopa do Sidónio... Filipe Papança - Lisboa SAUDADES PERDIDAS As saudades que perdeste, Por acaso, as encontrei. Molhadas do vento leste, Com seu pranto me encharquei. Cheiravam a rosmaninho E tinham uma cor forte, Que lhes mudava o caminho, Não encontrando o seu Norte. Falavam todas de ti Com carinho e emoção E nas palavras senti Que te davam a razão. Me abraçaram e pediram Para tas trazer de volta, Sem dizer por que partiram E porque andavam à solta. Trouxe-as comigo e, agora, Por desprezar as cautelas, Não as vejo ir embora E vivo amarrado a elas. Tito Olívio – Faro FOGO POSTO Soneto sem as vogais A, I e U Defender nosso verde dos obscenos, Dos desse fogo posto pelos montes, É nosso esse dever, e pelo menos Em vez de termos fogo, temos pontes... ... Pontes e fortes elos entre todos Pró globo ser melhor, com menos dor; Sem ter os gestos grossos, esses modos, Bem longe desse belo... do esplendor O tempo, ele é bem longo, este onde espero. Por vezes 'té me vejo em desespero E penso "pobre gente, gente reles! Sempre... sempre eles tontos nesses gestos Sem verem nem de longe nem de lestos Onde eles metem fogo, o monte é deles.” Joaquim Sustelo - Lisboa OS MARES O mar, sempre o mar na minha vida, A cor, o som, a cambraia da espuma, A miragem da sereia adormecida, O beijo das gaivotas uma a uma. O mar, sempre o mistério que me abraça E me tortura e me mata e faz viver E me protege e me beija e me ameaça E nas noites de luar me faz sofrer. O mar, lembra-me o mar da minha infância, O mar dos trigais, alentejano, Das moças a mondar a elegância, Das papoilas da cor do sangue humano. Aquele enorme mar da primavera Que ondeava ao vento fresco e brando, Aquele mar sem água, só quimera, Onde apenas em sonho vou nadando. São mesmo dois os mares que aqui vos canto, Diferentes mas iguais em quem os sente, Em quem sabe viver o seu encanto Em quem, afinal, sabe ser gente. Anoiteceu, na penumbra do meu quarto Aonde escrevo os versos que vos dou Nos sonhos que só sonho quando parto Nas asas do poeta que não sou. ABRAÇOS VIRTUAIS alô está alguém no outro lado do teclado que me veja que me sinta neste mundo inventado?, sim ! dizem do outro lado do virtual é uma voz querida que á minha dá vida neste painel já tido como usual ei amigos está na hora de conversar não nos vemos mas não causa embaraços temos o mesmo sonho ao mundo dar abraços Rosélia M G Martins P.Stº. Adrião Nogueira Pardal – Verdizela

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Amora e o Amor Vi-te passar, Trouxa à cabeça, para o rio, Segui teus passos E quedei-me ali escondido, vi-te lavar roupa três horas à fio, não tinha calor nem frio pois estava todo entretido. Puseste a roupa a secar, E descuidada, Foste andando Em direcção ao silvado, Saí da toca, Como se não fosse nada, Ficaste tão assustada, E eu de coração parado. Estribilho Porque será Que a Amora e o amor, Não tendo o mesmo valor São parecidas no manchar, Porque será Que a Amora e o amor, Crescem no tempo a rigor, São difíceis de apanhar. Ficaste presa Ao passar junto junto ao silvado, A tua saia Cheia de nódoas de amora, Eu fiquei preso Quando passei ao teu lado, Tenho o coração manchado. A nódoa sai, mas demora. Dei-te o meu lenço Recusaste envergonhada, Nem aceitaste A hortelã da ribeira, Baixaste os olhos, Coraste sem dizer nada, Soube então que eras casada, Mas para mim foste a primeira. Estribilho Música e letra: Jota Mendes Canta: Grupo Sol do Torrão Ondas vestidas de azul Que desfilam na maré cheia Partiram de longe, do sul Rebolam agora na areia, Mário Juvénio - Amora Confrades da Poesia - Boletim Nr 101 - Setembro 2018 3 «Ecos Poéticos» A razão porque canto Heróis SÓ PARA BEIJAR O MAR A razão do meu cantar Neste fado meu encanto É viver p’ra recordar Para minha mãe lembrar Em cada fado que canto Neste fado que me enlaça Num sentimento profundo Assim no tempo que passa Posso esquecer a desgraça E as agruras deste mundo A Deus quero agradecer Por me dar este condão Sou feliz neste viver Antes cantar e sofrer Que viver na solidão Este fado, meu cantinho Que o destino me ofertou Hoje guardo com carinho Este fado onde me aninho Que minha mãe me ensinou José Camacho - Almada TERÁ VALIDO APENA Terá valido Apena? Abraçar uma causa Tão cedo perdida Vender tão barato O valor de uma vida Terá valido Apena? Entregar um sentimento Ofertar um ser A troco de sofrimento Mesmo antes de nascer Os gestos e as palavras Criaram um vazio As ideias são agora Como velas sem pavio O mundo que querias Ver num só Desfez-se Dessa imagem Hoje, só há pó David Lopes - Massamá Mário Juvénio - Sesimbra As cabeças Pensantes Das pessoas Conscientes Pensam E os medos emergem. As cabeças Pensantes Das pessoas Conscientes Nunca gerarão Heróis voluntários. Assim sendo E bem vendo Todos são e serão Heróis ocasionais. E nunca serão Heróis intencionais. Carmindo Carvalho - Suíça Desde que foste só á praia Noto algo no teu beijar Quero perguntar-te catraia O que fizeste com o mar O sal que tens nos beijos Vão os meus lábios salgar E diminui os desejos Que tenho de te beijar Respondes-me que te deitas Na areia macia e quente Apenas o mar espreitas E ele beija-te de repente Dizes só gostar de mim Fazes juras e afinal Os teus beijos mesmo assim Meu amor sabem a sal Refrão Vi Ouve bem minha sereia Encanta-me o teu olhar Vi através da janela O que lá fora havia… Não é deitada na areia Que vais teus beijos salgar Olhei, mas sem ver, O que havia ficou por ver. Na minha caneta está Tudo quanto podia querer… Sim! O que lá fora está Teus beijos sabem a sal O que me leva a pensar Que vais á praia afinal Para dar beijos ao mar. É um projecto bem estranho, Algo irreal… Chico Bento - Suíça Nada tem de ser humano. Há uma frieza tamanha, Amarras Um desapego cego, Uma loucura estranha… Aquilo que vejo, não nego! Amarras… Soldadas… Apertadas… Damásia Pestana E que doem… Fernão Ferro Vou… Esticar os braços… A verdade do sorriso Com força… E cortá-las… A verdade infinita do sorriso está Na capacidade do sorriso de cada um! Existe o sorriso de serenidade, Quero ser livre… Saber quem sou… E o que quero… O da plenitude, O da alegria de viver O sorriso selvagem, e o de escárnio O do insulto, de ódio e o imbecil O sorriso cínico, e o da timidez, Não quero… Sonhar por sonhar… Esperar… E nada ter… Depois o sorriso de piedade e o de desprezo Além do estúpido E o sorriso inteligente Ao fim e ao cabo E com força… Arranco… As amarras… O sorriso não tem olhos nem face Mas está na linha do céu E no brilho esplendoroso do mar E mesmo doendo… É dor de momento… Esta é a verdade por vezes oculta De um simples sorriso! E não voltarei… A deixar pôr amarras… Porque quero… Regina Pereira - Amora Ser eu novamente!... Lili Laranjo - Aveiro

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4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 101 - Setembro 2018 «BOCAGE» DRAGÃO VIVA O SPORTING BENFICA É terrível e com razão, O Dragão Que querem exterminar. Todo o Dragão põe fogo No jogo e no amor E a espécie cresce, Cresce, Cresce, Não para de aumentar E domina outros menores, Búfalos, tigres, condores, Crocodilos e tubarões, Águias, panteras, leões; Pequena bicharada, Pequena bicharada… João Coelho dos Santos - Lisboa NÃO TEM MAL Que mal tem o que não tem mal? Tudo fala de futebol, Do português ou espanhol No topo um “JESUS” “Milagreiro” com glória, Que agora reluz, Vitória sobre “Vitória” Será alguma luz, Nos LEÕES não há memoria, Ó Jesus! Ó Jesus! Não ponhas na cruz São quinze anos passados, Os Leões andam esfomeados, De só comer "agriões", Desta, vamos ser campeões, Que descanse lá o Porto, Lá por serem Dragões, Esse já está morto, Pode ter safanões, Que se afaste do conforto, Com Jesus e seus sermões, Desta vez não há aborto, Viva os Leões. CAMPEÕES. Nelson Fontes – Belverde/Amora (2017) Mote: Se o Benfica não existisse, Tinha de ser inventado. Para que a gente assistisse, Ao futebol mais amado! Glosas: Se o Benfica não existisse, Lá ia ser procurado! Talvez que mais ninguém visse Futebol tão bem jogado! Ou então, outro igual… Tinha de ser inventado. Para que em Portugal, Um fosse tão bem achado. Achado com garridice… Vê-lo jogar, é um gozo… Para que a gente assistisse, Sempre a um Glorioso! Assim, temos o Benfica O maior, está provado! O que muito dignifica Ao futebol, mais amado! João da Palma – Portimão Mal terá sempre todo aquele que põe mal aonde mal não existe! E se mal não existe que mal tem então? Mal há quando existe algo que se teima em esconder e que mais tarde se desnuda num simples e virar de olhos! Mal existe quando se mente a torto e a direito mesmo quando se nega descaradamente! Mal é quando alguém põe defeitos em tudo que fazemos mesmo não havendo nada mal feito! Mal é quando escarnecem de nós sem que estejamos por perto para lhe dizermos na cara o mal que eles nos fazem! Mal fará todo aquele que pratica o mal em nome de um mal. Mas não tem mal quando dás liberdade ao teu pensamento e pintas o teu Céu nas mais variadas cores. Não tem mal nenhum! Joellira - Amora GOSTAVA DE SER... Gostava de ser… pomba que voando Leva aquela mensagem p'ró além! Nas asas do meu sonho… até quando? Neste meu sonho lindo sou alguém! Sou alguém que ama o Mundo e vou amando Neste mistério donde o amor provem Sou ave que se solta do seu bando... Com penas das penas que o Mundo tem! Tão branca como branca é a pureza Como pomba de paz, à Natureza... Levarei… mensagem do sentimento! Regressarei um dia, de novo à vida... Numa mensagem bela, renascida... Tal leve… eu serei… tal como o Vento! Maria José Fraqueza - Fuzeta

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Momentos de Prazer Momentos de prazer na vida para aquele e para àquela que souber brincar, a vida é mais bela em qualquer lugar. Para se poder divertir sem se prejudicar com uma brincadeira que dê para rir e que dê para amar, a vida é mais bela em qualquer lugar!... Luís Fernandes - Amora Ser Amigo de Jesus Sei que já vão muitos anos, Mais de dois mil reza a história. Nasceu um santo menino A quem hoje se dá glória. Sofreu, pelo mal humano. P’ra perdoar seu pecado. Crê-se que subiu ao céu E ainda hoje é lembrado. Quando o menino faz anos, Está frio no meu país, Há pobres sem terem casa E eu sinto-me infeliz. Creio que podes ouvir-me, E todos os dias peço: Faz-me ajudar cá na terra Quem conheço ou não conheço. Não querendo abusar, Peço-te também por mim. Peço estabilidade, Saúde e boa vontade, Enquanto andar por aqui. Espero um dia poder ver-te, Ser teu amigo e falar-te. Que me deixes estar contigo, E se quiseres; ajudar-te. Paulo Jorge Bicho Fernão Ferro Confrades da Poesia - Boletim Nr 101 - Setembro 2018 «Rota Poética» 5 BRINDO À SORTE Tragam-me a taça verde de cristal Com rubro vinho tinto especial! Quero brindar à sorte que não vem, Me fez promessas vãs, inda em criança, Quando o sorriso tinha a confiança, Que a vida fez perder neste vaivém. A sorte me enganou de forma vil. Encheu-me de ilusões, mas era ardil. Bem cedo me deu auras de riqueza, A mim, que sempre fui ambicioso E muito trabalhei pra ser famoso, Saltar fora das asas da pobreza. Falhou no prometido? Ai, isso não. Por certo uma varinha de condão Encheu a minha vida de alto tom E nos degraus da escada fui subindo. Ora em paragem, ora regredindo, A rota nunca foi doce bombom. Podia ser melhor. Para outros foi E, porque me esforcei, demais me dói. Mas isso, agora, já pouco interessa. Brindo à sorte por tudo que me deu E peço que, se nunca me esqueceu, De livrar-se de mim, não tenha pressa. CAMINHOS Dois são os caminhos: O da crença serena, Contemplação de Deus Feito Homem, O Ressuscitado No combate ao pecado Subindo ao céu. Na terra ficou a cruz; E o da busca Dinâmica, Inteligente, Inquieta, Interpelativa, Agitada. A desbravar e a sondar O mistério do Senhor. Tarefa de uma vida. Um deles deve ser O caminho João Coelho dos Santos Lisboa Tito Olívio - Faro Voar sobre o tempo UM NOVO CÂNTICO Um novo cântico de amor ao meu AMOR (Justo cântico de glória, minha paixão) Quero escrever por razão do mesmo amor Que há muito brotou em meu coração Um novo cântico de amor ao meu AMOR Por seu real valor e minha inspiração Cântico maior cantado em seu louvor Bem merecido por quem é minha paixão. Não acaba aqui o meu intento - AMOR! Tentarei sempre encontrar inspiração Para cantar-te cada dia desta vida. Não desesperes, não, meu único AMOR! Enquanto bater meu pobre coração Será p'ra ti a melhor canção, Flor querida. JGRBranquinho - "J. Little White" - Lisboa Somei aos sonhos alegrias, E às esperanças um desejo. Distribuí o amor pelos dias, Com um abraço e um beijo! Adicionei vales aos montes, Troquei searas por carinhos, Ofereci as nuvens às fontes, E subtraí às árvores ninhos! Misturei água com a tristeza, E encaminhei-as para o mar... Juntei aos caminhos a beleza, E prendi à felicidade o olhar! Grata esta bucólica sensação, De amar a natureza onde vivi, Põe a felicidade no coração, Que ao vê-la, feliz lhe sorri! José Maria Caldeira Fernão Ferro

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6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 101 - Setembro 2018 «Cantinho dos Poetas» PELA NOITE DENTRO Pela noite dentro O pensamento vagueia !... Não que eu o queira ... Fica Incontrolável ... Acontece no momento ! Acordo ... num despertar ... De te ter ... sem te ver ... Sinto a distância De tão curto sentimento ... O mesmo céu nos une ... As estrelas nos iluminam . Tudo tão igual E tão nosso ... Em tão curto espaço E momento !... As minhas estrelas ... Enviam mensagem Trazem de volta ... Todo o teu sossego !... E Pela Noite Dentro ... Neste acordar em sobressalto Abraço o teu silêncio Imagino o teu olhar... Sinto o teu carinho Neste doce despertar ... Pela Noite Dentro ... Passou uma leve brisa ... Com ela vieste junto ... Teu perfume no ar !... Como é bom ...imaginar !... Sonhar contigo !... Neste meu terno despertar !... MAGUI - Sesimbra Mas, Sempre que batem forte os corações Em momentos de entrega dedicada, Dorme Deus uma sesta descansada Porque não se perderam as emoções. Mas, assim que Deus caíu no sono, O desejo pôde acordar sem ver dono. Quim d’Abreu - Almada Hoje vou a um evento onde brilha a fina flor vai também o meu amor e ao meu lado ter assento. só vai gente de talento na arte e na cultura vou ficar muito contente enquadrado nessa moldura. Vitalino Pinhal - Sesimbra Corações distantes Ouço o teu chamar Mas não consigo caminhar Pela esteira de prata Que a lua deixa no mar. Mas estou sempre atento Ao segredar do vento E ouço o teu murmurar Que num doce lamento. Me conta do teu penar Vou buscar o meu bote Envergar o meu capote E remar, remar, remar. Até te conseguir achar Espera por mim numa penha E acena-me com o teu lenço Não há mar que me detenha. Porque é a ti que pertenço Se houver um contratempo E na tempestade naufragar Tens de pedir um desejo. E um beijo ao vento ofertar Porque só a força de um beijo Molhado em lágrimas de sal Consegue vencer o temporal. Rogério Pires - Seixal Dia Feliz Hoje e Amanhã Também. Se não fosse Ela, Se não fossem Elas, Não seríamos. Este dia só devia anoitecer no infinito. E mesmo assim…só Ela não ia desistir. Porque sim, só Elas Nos fazem correr tanto… E às vezes, em troca, não Lhes damos alegria, mas pranto... E resistem e…que maravilhosas sois, com vosso eterno encanto, Mulheres da minha Vida de quem gosto tanto. Um beijinho. José Jacinto – Casal do Marco ESTRELA - SEREIA Repousa na areia trazida pela maré cheia suave e tão linda e ali me espera ainda a minha estrela-sereia! joaquim evónio – Lisboa (Saudoso) Quisera Eu Ter Asas Quisera eu ter asas e poder voar. Voar…voar… sem destino, ou direcção, Porque o mundo visto das alturas, Tem outra beleza, tem outra dimensão, Livre de conflitos e de amarguras. Poder voar sobre a terra, sobre o mar, Rasgar a imensidão dos oceanos, Onde o verde e o azul se fundem na bruma, Sem montanhas de lixo a flutuar, Cobertas por espessa e negra espuma. Sobrevoar os vales e as montanhas, Com ventos a sibilar doce estribilho. Rasar planícies cobertas de girassóis, Onde o esplendor do seu brilho, Só se compara ao brilho de mil sóis. Ver manadas de cavalos a correr em liberdade E rios saltando de cachoeira em cachoeira, Sem querer saber da sua nacionalidade, De bandeiras ou fronteiras, - que a natureza olvidou E, a insensatez do homem, teimosamente criou! São Tomé - Corroios Amigo Ser amigo é ser alguém que nos abriga dá carinho nos fala e sente connosco aquilo que sente sozinho! Ser amigo é estar presente sem olhar dia ou hora chegar no momento certo depressa sem demora! Ser amigo é saber ouvir não recriminar depois deixar bem guardado o falado a dois. Ser amigo é ser leal verdadeiro e desapegado dar tudo o que tem estar quando for chamado! Ser amigo é quem nos sente quem nos ama e dá conselhos nos ensina e repreende aceita o ser diferente! Teresa Primo – Lisboa

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Entardecer Tarde nasceste amigo! Cantas sociedades, Vivências antigas, Mundos desaparecidos… Sonhos, nostalgias, Réstias de esperança, Fantasias… Recriações, Restos de vida, Lisboa desaparecida, Velhas canções!!! Vozes, Tradições, Encantamentos, Emoções!!! Nasceste tarde amigo! Filipe Papança - Lisboa TALENTOS E AMOR Nossa vida tem dois modos De que pode ser vivida: Posta ao serviço de todos Ou vazia e deprimida. Pode ser alegre e calma Ou um grande vendaval, Se for vivida com alma – Evita-se o temporal! A vida termina um dia… Fica o que fizemos nela! Mas se ela for vazia Nada cá ficará dela. Se não quisermos morrer Assim tão, completamente: Temos que pôr a render, Os talentos. – É urgente! Deste modo não morremos Mesmo que um dia partamos, Pois aquilo que fizemos, Tudo no mundo deixamos. Não falo aqui da riqueza, Dos valores materiais; Os talentos com certeza, Valem muito, muito mais! Os talentos e o amor Fazem uma vida rica. É tudo o que tem valor! Que levamos e que fica. Teolinda Marreiro - Monchique Confrades da Poesia - Boletim Nr 101 - Setembro 2018 «Luz Poética» 7 Oro por nossos anciãos Oro por nossos anciãos Que põem diante os irmãos E muitas vezes levam “nãos” Destes que se chamam cristãos. Oro pelos que são fiéis, Que não confundem os papéis, Que não são reféns de cartéis. Rogo-vos que por eles oreis. Oro pelos pioneiros, Pelos que são verdadeiros, Sendo fiéis despenseiros, Não servindo por dinheiros. Oro pelos mal-amados, Pelos que são maltratados, Tantas vezes desprezados, Mas sendo sempre abnegados. Oro p’ra que não desistam, P’ra que vençam a tentação, Que até ao sangue resistam Em santa determinação. Oro para que o Bom Pastor Seja seu “fio condutor”, Pois como Ele serão amor E o amor será benfeitor. Oro para que sejam bons, Honrando Quem lhes deu seus dons. Louvores se alteiem com sons, Irrompendo em todos os tons. C.M.O. - Qtª do Conde LANÇA A REDE Espelho é luz Ao reflectir a fonte Catedral do espírito Cruz erguida no Calvário. Pecador, limite visível, Que não desiste E persiste Em labiríntica estrada, Destino do Nada. Na dissemelhança com Deus Testemunho de amor Contemplará Seu rosto Se o fim não for amargo. Amigo onde estás? Eu sei. Tu não sabes. “Lança a rede, Faz-te ao largo”. QUANTO TEMPO TENS? Não é fácil de gerir Nosso tempo controlar! E em relação à espera, Ninguém gosta de esperar. Diz-se que tempo é dinheiro! E deve de ser usado! Ele pode ser investido, Mas também desperdiçado. Na vida há tempo para tudo! De plantar e de colher! E tudo tem o seu tempo, Desde o nascer ao morrer. Tempo, tem preço, valor! E deve de ser remido! Como é que o transformamos? Em que é que é convertido? Ele não volta p'ra trás, Não vai ser recuperado! E um dia daremos contas Do tempo que foi esbanjado. Nós damos muito valor, Ao tempo que temos livre! Mas ninguém sabe ao certo, O tempo que por cá vive. Quanto tempo é que tu tens? As tragédias acontecem! Trabalho, saúde acabam.. Todas as coisas perecem. "Não vai dar tempo," dizemos! Devíamos agradecer Todo o tempo que nós temos, E as desculpas combater. Pensai nas coisas de cima... Digo eu, com amor fraterno! Não deixeis o passageiro Superar o que é eterno. O tempo é importante... Pois ele é a nossa vida! Por vezes sem dar por ela Já estamos de partida. Anabela Dias - Paivas Proveito da oração Mais do que mudar os outros, A oração muda-nos a nós. Com Deus venham mais encontros, Que nos trarão somente prós. João Coelho dos Santos - Lisboa CMO . Qtª do Conde

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8 Confrades da Poesia - Boletim Nr 101 - Setembro 2018 «Faísca de Versos» O Político e o Poeta. A cobiça mata o homem AMIGOS: Dizem p’r’aí que sou poeta, fraco com manias… --Sei, todos poetas têm termos depreciativos--Mas não prometo mundos e fundos, utopias, Como “alguém” faz sem bases ou objectivos!... Promete?...Pra ser eleito logo e prometeu… --Verve de políticos é só falsa verborreia--A este bom povo que sincero o elegeu, Qu’agora fala de cátedra de barriga cheia! Alheio,surdo ao desemprego, de sul a norte, Qu’está “atolado” co’o Portucale e Freeport, Um rolo que vai prescrever por ele a sorrir… O poeta é, sim tolo, mas fala com sinceridade, Da melhor maneira, d’amor e amizade, E não com “coisas” negras que valia mais fugir! (2) Há em tudo um rasto confuso, “sinistro” “cabala” como dizem que nunca se vais saber, Vamos lá esta democracia compreender, Se as artes-mágicas são de Senhor ministro?... Papeis assinados à pressa! Falsas assinaturas! Pactos secretos! E, mais, “luvas” chorudas, E pelo que dizem, aos amigalhaços ajudas, E outra coisa mais de tão “nobres” criaturas És jardim pequenino Foste berço da Nação Queimado de Norte a Sul Negro como carvão Muitos interesses imperam Fregueses de oportunidade Nada muda de figura Enquanto houver impunidade O que é preciso não se faz Devagar se vai fazendo Enquanto o sacho enche Muitos pobres vão morrendo Quando aparece o infortúnio Ai jesus! Calamidade Tudo gira em seu redor Com grande afinidade Gasta-se tanto dinheiro Nas horas de aflição Até parece mentira Para quem está sem tostão É tanto o ganho gasto Que causa até dissabor Perdeste o fruto maduro Não provas o seu licor A cobiça mata o homem Destrói o afamado Por muitas voltas que dês Na terra serás julgado. Teresa Primo - Lisboa Eis a dif’rença d’um politico, d’um poeta, --Politico fala falso; poeta tem fala directa; Um engana o povo; outro adoça qualquer alma… Pra quem o lê, como refrigério ou subtilezas, O outro?...”tá-se nas tintas que fechem empresas, Um vive de sonhos; outro a reforma é a palma! Nelson Fontes – Belverde/Amora Pensamento – Limpo de consciência Deixou de estar preocupado com o país… O país tem os seus governantes, mal ou bem lá vão governando! Deixou de estar preocupado com a sua terra… A sua terra tem autarcas, mal ou bem lá vão governando!? A questão que gere questão… Como pode alguém se preocupar com o seu país e a sua terra se quando acorda, já acorda maldisposto!? São birras e birrinhas, que no fundo estão fomentando as preocupações, dos que andam abanados(as) e acorrentados (as) enganados(as) pelo protagonismo, corrente do egoísmo e de maledicência… Em suma: Ninguém poderá ajudar outros, se não estiver limpo de consciência… (Lahnip) Raios os partam os partidos e toda essa escumalha que o nosso cérebro baralha e nos entopem os ouvidos só se ouvem os gemidos do povo a gritar desgraças nos adormecem os sentidos com todas as suas falaças eu não lhes acho graças por serem oportunistas sejam eles do c.d.s. ou sejam comunistas, porém existem artistas que muito bem sabem enganar tal como a Assunção Cristas uma versão do Salazar. Vitalino Pinhal - Sesimbra Vita..agora e sempre Mãos cruéis do destino A vida escreve-me enredos com finais que eu abomino. Meus sonhos viram brinquedos nas mãos cruéis do destino... Ademar Macedo – RN/BR (Saudoso) “RAIOS T’A PARTA” * Mote: Raios t’a parta PPD Raios t’a parta CDS Raios t’a parta PCP E Raios t’a parta o PS * Raios t’a parta ó Rui Rio E os seus oportunistas, Raios t’a parta vigaristas Como o Passos, que mentiu. Raios t’a parta quem fugiu, Roubando o pão desta Grei Raios t’a parta quem eu sei Informadores da PIDE, Raios t’a parta esta lide… Raios t’a parta PPD. * Raios t’a parta Assunção Cristas E o Paulo dos submarinos, Raios t’a parta estes cretinos Da direita e golpistas. Raios t’a parta saudosistas Que o povo jamais esquece, Raios parta quem não merece Governar, ser ditador Raios t’a parta ó estupor Raios t’a parta CDS * Gerónimo, Raios t’a parta, Não governas nunca mais Protestas em gritos tais… E a malta vai estando farta Tudo o que dizes se aparta Melhorias, não se vê Raios parta quem não sei Que não mostra o que diz, Vem lá mostrar ao país Raios t’a parta ó PCP * Raios t’a parta António Costa Mais a tua Geringonça, És o amigo da onça… Raios t’a parta é a resposta Raios t’a parta quem só gosta De explorar, e amolece Tanta gente que padece Raios t’a parta desgoverno Neste desmazelo eterno, E Raios t’a parta PS. * João da Palma - Portimão DESABAFOS Eu vi o dono do templo sentado com sua serva estavam ambos a fumar erva e aos mortais dar mau exemplo gritei-lhe vai para o inferno acompanhar os que lá estão dai a essas almas o inverno, mas dai-nos a nós o Verão Vitalino Pinhal - Sesimbra

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 101 - Setembro 2018 9 «Tribuna do Vate» Um Poema p’ra Minha Mãe! Oh Minha Nossa Senhora da Hora, Da Guia e Da Apresentação!... Ajudai-me a suportar tanta dor, tanta aflição. Alivia a minha dor, e acalma o meu coração. Nas plantações de Café, Eu trabalhei de sol a sol... Plantar, Colher, Secar e até, Torrar, Moer, e Beber devagar... Cada cheiro, cada Gole! Nossa Senhora D’Assunção!... Em tuas mãos eu a vejo, A minha Mãe já te pertence, E por ela te mando um beijo... Silvino Dos Santos Potêncio Transmontano/Natal/BR Beijos de amor deste filho Que de tão longe sentiu, Uma dor de muita saudade, Em Ti, daquela que já partiu. So Resta a Saudade Dorabela Plena de mocidade, Agilidade e vigor, Era duas vezes bela, E não tinha, em toda a cidade, Quem sambasse melhor. Mas tinha contra ela Morar na favela E ter tido a desdita De se perder de amores por um traficante Da erva maldita, Um grande meliante Que, todavia, com ela, Fora sempre galante ! ADEUS MINHA MÃE!!! até sempre... Silvino Potêncio Emigrante Transmontano Natal/Brasil Mirandela Por aqueles que do amor foram escravos!. Por aqueles que do amor foram escravos, Chorarei uma lágrima sentida, Marcada com o meu sangue da vida, Pois em mim tenho presentes tais agravos... Não sei porquê mas faz mágoa!, Nem se espera nem se adivinha... É alimento puro que nos definha, É sentir o naufragar, sem gota d’água!!! Lampejos de vida que aos poucos, Se vai acabando em mil sonhos, Tremendo fico em suores medonhos... Na solidão que nos faz mais loucos!, Pelo muito que a alguém desejamos, A quem só vemos, e a tanto AMAMOS!!!... Silvino Potêncio – ( Luanda – Anos 70) Cada poeta é um MUNDO, Cada Leitor um visitante. - A nossa passagem pela Vida é apenas uma fase Mutante! Silvino Potêncio – Natal/BR Paivas / Amora A IDADE TEM CLASSE! Eu estou na 3ª. Idade, Mas a vida não me enfarta. Gostaria, na verdade, De chegar até à 4ª.! Mesmo agora me lembrei, Não sei o que me passou... À 4ª. eu já cheguei, Já sou até bisavô. Devagar ando, sem pressa, Bem controlada a pressão, Está boa minha cabeça E bom o meu coração. De pertencer aos decanos Eu muito contente estou. Quero chegar aos 100 anos E vir a ser tetravô! Hermilo Grave - Paivas Quantas vezes não foi Dorabela Rainha do Carnaval ! Mas o destino quis com ela, Um dia, ser fatal... Num bar, no morro da Portela, Quando estava ela acompanhada Pelo seu amante, Num rapido instante, O drama aconteceu... Não sendo ela a visada, Foi ela a mais metralhada. E ai ela deu O suspiro derradeiro. A pobre inocente Pagou apenas por ter sido imprevidente. Hoje, em toda a cidade Do Rio de Janeiro, Onde ouver samba, seu espirito esta presente, E ela é recordada com saudade ! Hermilo Grave - Rio de Janeiro, MIL PARABÉNS! Que a pequenina Inês Se acalme, não tenha pressa De se tornar em mulher E pra sempre, duma vez, Tire isso da cabeça; Que dê ao avô a bonança, O doce, o grande prazer De ficar sempre criança! Hermilo Grave - Amora

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10 Confrades da Poesia - Boletim Nr 101 - Setembro 2018 «Contos e Poemas» De entre todas as virtudes De entre todas as virtudes, que ao homem são atribuídas, como gestos de boa vontade, reveladoras de fino trato - que se predispõem para praticar o bem, - uma há, que de longe é das mais cobiçadas - falo claro na virtuosidade do altruísmo, sem pejo nem rodeios. Engraçado porém é verificar-se que essa virtude, é também uma das mentiras mais bem concebidas e aceites pela sociedade, medindo seus passos por uma cultura de medo, entre o ir-se para o céu , ou para os confins dos infernos. A quem assim pratica o bem, a mais não é obrigado – haja quem diga –, é escuteiro verossímil, praticando o bem sem olhar a quem,: quer sirva ou não sirva a sabedoria, e a quem dela precisou um dia, num dado momento de sua vida – acrescento eu. Ainda assim não renegues tu a quem te julgou, querer-te bem, ( na pior das “hipóteses”). Onde tu serás o por maior na gentileza dos teus próprios porquês – porque a dor é ainda contigo, que o preconceito foi por te mostrares autêntico, quando achaste teu espaço. Jorge Humberto - Santa-Iria-da-Azóia O CÉU Ir na palma da mão De besta a bestial. É de ouro puro, a praça da cidade! As portas, doze pérolas preciosas! As almas que a habitam, são ditosas... Louvando o Deus do amor e da bondade. Não há choro, nem dor, nem falsidades! Doença, morte, angústias tenebrosas! Alegria e paz, são bênçãos maviosas... P'ra quem aceita o Deus da eternidade. Graça inaudita, é este futuro! Da água da vida, sai um rio puro Do trono de Deus e do Cordeiro. Ao andar neste carreiro, irei possuir Ecos dum casamento de odores, Em danças com flores de laranjeiras, No voo fértil de incansáveis obreiras, Semeadas no ar do sol de Maio, Ensaiando canto doce, pujante e belo. Mais do que só percorrendo memórias, Ao caminhar pela minha aldeia, Sinto-me ir na palma da mão de Deus. Quim d’Abreu - Almada A vida social é vista de vários ângulos: Poesia, fado, canção, desporto, política, religião, com a família mal-amada… E? Reina sempre um clima de insatisfação… À solta anda a besta… Vamos falar a mesma língua; quando o trabalho é bem feito a turma aplaude, de certo jeito… Com o palhaço divertido, assento no seu devido respeito… A Sua Glória, a todos ilumina! Ele é Luz, Verdadeira, Genuína, Aquele, que amou o mundo inteiro. Anabela Dias - Paivas/Amora “O Cristo não ensinou A fazer mal a alguém Morro “pobre” porque sou Mais “rico” do que ninguém” Silvais – Alentejo O Reencontro da Alegria o momento da solidão antecipadamente se sofre o reencontro da alegria é permanente certeza existe o fim da angústia pois que se nada persiste também a dor não subsiste mesmo que nos acompanhe até ao extremo momento de sermos Nós por inteiro. A besta anda á solta e muito desenfreada, sem rédeas, para ser conduzida, na molenga…chicoteada… O povo que entra ao desafio nesse terreno que vai pisar, tem a vida por um fio, faça vento, faça chuva ou até mesmo vendaval logo passa de besta a bestial… Pinhal Dias (Lahnip) PT Maria Petronilho - Almada "Hoje apeteceu-me, e pronto" Vesti-me de fantasia para percorrer e tentar entender o mundo da realidade. Tudo é diferente! Vi sonhos de todas as cores, uns negros, outros cinzentos e também os coloridos. As pessoas carregavam no semblante esses sonhos que esperavam transformarem realidade. Constatei que uns sorriam de felicidade, outros com uma tristeza imensa no rosto. No mundo do sonho e da fantasia não conseguimos perceber onde começa e acaba o sonho, tudo são emoções e sensações disformes, apenas esboços que esse estado de graça não permite discernir a realidade. Mas nesse mundo real, onde os sonhos e fantasias acabam por padecer pelo caminho, movidos pelo medo da exposição dos nossos sentimentos, nossas vontades e expressar o que nos é evidenciado através d'eles. No mundo da fantasia tudo é vivido de forma diferente. Não há medos, receios, tabús ou mesmo barreiras a transpor, já que estamos completamente sós sem receio do que possa acontecer, sem o medo de julgamentos, errar ou magoar. Por toda a experiência já passada, há em mim um lado que me chama a viver no mundo do sonho, onde tudo é só meu, onde posso divagar, onde posso sonhar sem medo de magoar, e fazer até da pintura mais abstracta o quadro mais belo que alguém jamais pintou. A realidade é tudo o que vivemos no nosso dia a dia, é tudo aquilo que existe fora da mente ou dentro dela, e só o próprio sabe qual a sua realidade. No mundo do sonho, isso não se passa, já que na maioria das vezes não queremos acordar desse estado inconsciente que normalmente é gerado na busca de realizações de desejos reprimidos e forças naturais que auxiliam o ser humano no processo da sua individualização. Nunca deixarei os meus sonhos para trás, irei correr atrás de cada um, pois são pedaços de futuro que deixam de existir. Por isso não deixemos de sonhar......... Rita Celorico - Amora

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 101 - Setembro 2018 11 «BOCAGE» Viagem da Alma Monólogo Sulcos em tua face, marcas do passado que no presente não entendes São giros e reviravoltas de uma história que você passou É a rotina angustiante deste teu sol que nunca raiou Nebulosas dúvidas de conflitos interiores, são temores, nunca flores Noites em que a lua não aparece e de breu a esperança se veste Inquieta alma em teu peito estremece, falta coragem para alçar o vôo São vidas passadas aos olhos do agora, identidade do hoje jogada fora Mergulhas a buscar no âmago de teu ser, respostas deste atroz destino Machucas-te sem saberes os porquês, bom seria se não fosse verdade Em qualquer idade esta ferida sangra quando no espelho não vês teu rosto São desgostos de gostares muito e nem um pouco estares contigo Nestes labirintos é cansativa a caminhada, são esquinas sem chegadas É andar ao passo sem avançar, momentos perdidos aos dedos escapam Vida volátil nas mãos evapora, é o fim de um dia mais uma vez indo embora Mesmo com todos os desencontros e desencantos de outrora Não desanimes e enfrente sempre, não lamentes se em vão o dia passou Sigas tua caminhada a regar com otimismo a semente dos tempos Pois esta brota e verte de dentro da gente em cada novo amanhecer Basta regá-la para florescer e estará com você num momento crescente Em que a tua força e vontade é Deus onipotente em sua divina bondade Tente mais uma vez, não pare de lutar nem tampouco de perdoar E verás que a vitória muitas vezes é fruto da perseverança Prêmio àqueles que nunca perderam as esperanças E quando o destino relampejar nos céus, teus olhos irão te ver Podes crer no milagre dos anjos, são asas que irão te alcançar E te levarão além de todos os horizontes, onde verás a tua fronte Em frente a ti enxergarás o teu próprio retrato O de antes em preto e branco no agora em todas as cores Acredite no que verás e sentirás tuas belas formas Pois dentro de você estarão todas as respostas É a essência de teu próprio ser, tua alma sedenta de você Numa noite Serena Num silêncio Sem fi m A lua brilhando Redonda !... Numa luminosidade Constante ... Lua cheia de luz Entre paredes ... Deixo voar o pensamento Oiço a minha voz ... E ... respondo !... Numa só pessoa Duas vozes Um dilema ... Que momento este ?... Ser EU ... sem TI... Seres TU sem mim !... Qual instante ? Este aqui !... A Lua ... o Luar ... A noite ... o Serão ... Eu a recordar ... Este Amor em vão !... Ser Eu ... que fazer ?... Esquecer !... Para não Morrer !... MAGUI - Sesimbra Não o devia ter conhecido Marque encontro contigo mesma e te sentirás em teu interior E viverás em um único momento, todas as passagens Esta é a hora, o instante de fechar os olhos e teu corpo fenecer O piscar desse dia é um clarão reluzente em todas as dimensões É a viagem da alma em busca de uma nova morada É um lindo brilho alado vencendo o vento e a luz do tempo E sejam quais forem as paragens, em outro peito irá resplandecer... Cândido Pinheiro - Santa Maria - RS – Brasil Chico esperto Há aqui na minha aldeia um Chico esperto já kota que não sabe que é acção feia criar racteres numa mota É um simplório qualquer que na cabeça só tem entulho que para conquistar uma mulher não é a fazer tanto barulho Vitalino Pinhal - Sesimbra VOZ DO PENSAMENTO saídas do pensamento... Palavras lindas e belas. São como velas ao vento, Nas mais vistosas caravelas. São ondas em movimento, De um mar por navegar... Ou um terno sentimento, De um amor... a recordar. As águas do mar a bater... Ou um riacho a correr... Meu barco de papel a flutuar. Será a vida que nada diz... Ou será um coração infeliz... Que já esqueceu o verbo amar. Maria De Jesus Procópio Em tempo conheci alguém Do qual estou arrependido A todos digo também Não o devia ter conhecido Quando se conhece uma pessoa Nunca se sabe o que lá vem Digo isto e não é á toa Em tempo conheci alguém Tenho que então desabafar Estar calado não faz sentido Desta amizade tive azar Do qual estou arrependido Não porque me fizesse mal E também não me fez bem Que estou arrependido afinal A todos digo também Vou tentando sempre esquecer Esse caso mal sucedido Mas hei-de sempre dizer Não o devia ter conhecido. Chico Bento - Suíça Poema Eléctrico Ao fim de muita maçada. Pra tratar da papelada. E ter de ir ao especialista. Andei 10 anos a aprender. E lá consegui fazer. Exame para electricista. De ferramenta na mão. Fiz uma comutação. Que não se pode esquecer. Ficou tão bem ligada. Que a lâmpada desgraçada Não conseguia acender. Na minha prova teórica. Usei de grande retórica. Semântica e dialética. Que o examinador coitado. Gritou para mim zangado. Faça uma prova eléctrica. Quando cheguei aos motores. Até chamaram os doutores. Para me examinar. Ver as máquinas a rugir. Ver toda a gente a fugir. E o motor a desarvorar. Depois de um exame brilhante. Disseram-me num instante. Um resultado nunca visto. O exame foi rasgado. O Senhor está chumbado. Não tem jeitinho para isto. Quero ser electricista. Nunca do sonho eu desista. Nem que me custe milhões. Uma instalação ligar Geradores associar. E domar os electrões. Artur Gomes - Amora A açorda Se tu tivesses 100tado, numa cadeira a preceito, o 15inho a teu lado, com a mão direita no peito. E lá para o mês de 9vembro que já faz frio de rachar. 13anda o cheiro, estás vendo? 10embro está a chegar. Fazendo esta ligação, mas, a ligação não liga. Números e letras em oração, não fazem uma cantiga. Mário Pão-Mole - Sesimbra

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12 Confrades da Poesia - Boletim Nr 101 - Setembro 2018 «BOCAGE» Sempre bela A noite vem procurar o descanso E na calmaria adormece, Ouvindo os grilos nos campos, Sentindo todos os barulhos Como se estivessem em si. A noite, sempre bela, Vestiu-se de lua nova Abriu a janela, Ofertando o seu sorriso Preso ao mais belo luar. A noite no céu estrelado É horizonte a descobrir No silêncio do tempo. A noite é uma flor abraçada ao sol, Fusão de brilhos dentro do amor, Pintura perfeita no olhar de quem a vê. Anabela Gaspar Silvestre - Covilhã Descalça não vai para a fonte Usa ténis à maneira, E em qualquer localidade Sai hoje água da torneira P’ra qualquer necessidade. Lianor, pois, em verdade, Se queres, Luís, que te conte, Descalça não vai p’rà fonte. Nem descalça nem calçada, Dito com exactidão, Que a relva foi transformada Em cimento e em betão. Não se vê, por tal razão, Andar em qualquer altura Lianor pela verdura. Agora, num desarranjo Que até choca as menos santas, É tudo menos esse anjo Que em belos versos tu cantas. Sai da discoteca às tantas C’os copos – já não tem cura –, Nem formosa nem segura. Lauro Portugal - Lisboa A Poesia I São palavras que se desfilam Numa linha muito ténue Que se agarram e acariciam De maneira que os sentimentos Não se toldem e devaneiem. II E trabalhadas com afinco Numa manhã divinal Moldando e forjando as palavras Sai poesia afinal. III E como são buliçosas Sempre num movimento constante Sem ordenação alguma Que depois manuseadas Se alinham numa perfeita razão. IV E numa parente ilusão Se alinham numa verdadeira dança Numa música divinal E agrupando-se vão versejando afinal. Menina A menina que agora eu revejo… Que guardo em minha mente… Tão feliz…ria, corria sorridente, Nos belos campos do Alentejo, Onde o sol parece mais quente. Com cordão de malmequeres… Num vestido de chita com cor… Sorrindo, desfolhava uma flor… Bem me queres, mal me queres. Lá...onde o sol tem mais calor. Queria ser sempre criança… Mas que sonho pertinente! Ser feliz e viver contente… Com alegria, amor e confiança, Naquelas terras de Chança, Onde o sol parece mais quente Maria de Jesus Procópio - Paivas Carlos Fernandes – Mem Martins PASSARINHO Qual passarinho irrequieto em seu Ninho acomodado, nunca estarei Calado. Amor meu que estás Espalhado, por todo o lado eu sei Neste tempo teimoso de tudo o que Tens belo. Foi no chão nascido após Ser semeado, embalado pelo vento Neste dia mais cinzento, após o que Já passou, embalado pelo vento, mas Que tempo só tu não tens beleza mas Também és natureza. Passarinho Irrequieto cresce e voa deixa teu ninho Estás crescido já podes voar, muda tu Podes mudar, mudar meu escrever Quando o Sol em ti brilhar, minha escrita Enaltece, mas cinzento como estás ò tempo Não me apetece, sê tu o primeiro a mudar Então não vês que já chega, estamos no Verão o que fizeste à Primavera, parte voa Sabes voar traz para nós o Sol saudável, ele Está em qualquer local encontra-o sim, voa Vai embora mostra que já sabes cantar. Jota Cris - Ourique Acordei de madrugada Acordei de madrugada, Levantei-me de mansinho. Espreitei a alvorada Ainda estava deitada Dormindo como um anjinho. Peguei na minha caneta E num caderno que havia, Dentro de uma gaveta. Fui pró sofá da saleta Escrever o que sentia. Aproveitando o momento De tão doce inspiração, O meu lesto pensamento Voou nas asas do vento, Pelo mundo em turbilhão. Fiz um poema com jeito Dedicado ao meu amor, Mas não fiquei satisfeito, Para ficar mais perfeito Coloquei-lhe uma flor. Olhei de novo a janela Nascera um novo dia, Fui ao quarto, olhei pra ela, Era a mais linda aguarela Um sol, que pra mim nascia. Arménio Correia - Seixal

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 101 - Setembro 2018 «BOCAGE» 13 Meu fado no fado no bairro alto Todos temos o nosso fado, Mas o fado, é um feitiço, Com um clima tão dado, O tempo passa n’um sumiço! Há lembranças da mocidade, Por vezes causam danos, Com constantes saudades, Nem que passem cem anos! Meu fado era, claro o fado, Em clima boémio d’assalto, Das noites longas do passado, Das adegas no Bairro Alto! Que acabavam n’um alcoice, Nos braços d’uma messalina, Mas esse belo tempo foi.se, Sim, o tempo não se domina! Sim hoje voltasse atrás, Da recordação d’essa era, Do tempo “louco” de rapaz, Quando dormia na SEVERA! Já não havia transporte Vinha a pé até ao Saldanha, Quantas vezes perdia o norte, Com uma “cadela” tamanha! Era o carrascão e petiscos, Com vinho, vinho às cegas, Nunca avaliava os riscos, De beberricar nas adegas! Por vezes era na Trindade, Com bela dama ao lado, Co’a força da mocidade, Que no tempo era o fado! Foi um tempo, tempo lindo, Que passei bem descuidado Tanta vez seu fim desavindo, Com brigas que deram brado! Ó pranto, que hoje invades, Prazer que me fazes sofrer, Com tantas, tantas saudades, Tempo que não volto a viver! O vinho n’aquelas tabernas, Era zurrapa, “bem tratada”, Mas faziam trocar as pernas, De cair ali na calçada! Por vezes dizia, simplório Não volto ao Bairro Alto, Mas fado era, obrigatório, Ouvir a AMÁLIA não falto! Nelson Carvalho – Belverde/Amora FIEL RETRATO Olho pensativo As águas deste lago E tão calmo como ele Sonho contigo. Vejo o teu corpo reflectido, Sei que é o meu sentido, Que te desenha, Assim tão perfeita, Como se fosse a realidade. E vendo-te na profundidade Daquela mansidão azul, Tão calma como o lago Dá vontade de mergulhar Para te abraçar E dizer-te Meu amor, como és linda Como eu te amo ainda, Assim sempre te amarei, Em todo o lado te encontrarei Porque tu estás e estarás sempre No meu sentido E é ele que te vê Que te deseja Que te abraça Que te beija Tudo em pensamento Porque mesmo longe Eu te afago Até mesmo na profundidade Deste lago. Mário Pão-Mole - Sesimbra A Rosa Tinha uma rosa na mão Veio uma menina E pediu-ma Eu de rosa na mão Não dei E chorei Dou Ou não dou E dei. Acorda Brasil ! Solta da garganta o grito preso de liberdade. Faz ecoar aos quatro cantos deste imenso e ensolarado país, o clamor de um povo sofrido que trabalha de sol a sol para ver sua bandeira desfraldada com orgulho no mais alto mastro, do crescimento econômico, cultural e social. Acorda Brasil! Teu país é terra fértil onde tudo o que se planta cresce. Teu povo é bravo, valoroso e espanta a miséria com trabalho e dedicação. Expulsa de teus verdes campos as pragas que se alimentam de teu suor, matam a plantação e não te permitem crescer. E no exato momento em que estiveres exercendo tua cidadania reflete um pouco, põe a mão na consciência, não joga fora a única oportunidade de dar á essa gente sofrida a perspectiva de um mundo melhor, com mais saúde, educação e muita comida na mesa. Acorda Brasil!!!! Simone Borba Pinheiro - StªMª RGS/BR Corpo de Mulher Sou luz, sou ar, sou vento, Sou voz em teu pensamento, Sou fogo em teu coração. Sou o anjo que te guia, Sou o sol da tua manhã, Sou brilho, sou a magia, Sou amuleto, teu talismã. Sou a chuva alagadiça, Sou a lua que te enfeitiça. O relâmpago que ilumina. Sou o sopro da serpente… O silvar que acalma a mente, Corpo de mulher que te domina. Albino Moura - Almada Maria de Jesus Procópio - Paivas

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14 Confrades da Poesia - Boletim Nr 101 - Setembro 2018 «Visões Poéticas» A CAUDA DO COMETA Qual planeta, girei cortando o espaço, sedento por um beijo e um abraço, em órbitas de luz nos céus perdidas, por entre meteoritos deslizantes, mas Lua e Sol não podem ser amantes, pois Deus lhes fez as rotas desunidas. Tu, que eras bola em fogo refulgente, ficaste em pó e gelo, de repente, seguindo outro percurso, novo rumo, em busca de galáxias de outras eras, e eu, pobre astro de núcleo de quimeras, segui teu rasto de poeira e fumo... Quisera ser estrela... e ser poeta, e não passo de cauda de cometa!... Tito Olívio - Faro MENÇÃO HONROSA VI Jogos Florais da ARPIE Évora - 1997 OLHO-TE... Olho-te tão calma, adormecida, Enquanto o sol nos entra pla janela... Qual rosa que sorri tão colorida Qual fada que me toca assim tão bela... ... E me acalenta sonhos e loucuras Ao dar-me nesta vida que me resta Um mágico carinho tais ternuras Que só uma alma assim os manifesta Olho-te... a pensar no olhar lindo Que tens... lábios abertos e sorrindo Teu corpo adormecido à minha beira E penso em nosso tempo decorrido Como valeu a pena ter vivido Todo este nosso amor a vida inteira... Joaquim Sustelo - Lisboa MEMÓRIA DO POETA Na memória dos acontecimentos Tudo o poeta domina É vida que sol ilumina São nobres e velhos sentimentos Cantares, em Paz, nesta cidade Na memória de minha idade!... Não vou perder tempo a mentir Na curva do tempo, que há de vir A Poesia é luz que dominará Pelos sons dos Anjos virá Alegria de se conhecer Da injustiça, é para esquecer É procurar-se a aventura Sonhos com ternura O canto que perdoa Amor, a quem me odeia Procurar ter-se a veia Em letras de canto que falo, Canto livre, de que me não calo… E tudo soa com conta e medida Porque a Poesia, neste canto, é Vida!... Carlos Alberto Silva Varela (CASV) – Paços de Brandão A Ponte Atravessei uma ponte coberta de carinhos de amor fraterno enquanto eu sorria Ao atravessar senti a saudade que me deu os bons dias e ouvi o canto das sereias num mar tranquilo Senti a paz que me acompanhava com harmonia e dignidade sentia-me seguro era a ponte da amizade. Pedro Valdoy - Lisboa Paradoxo. Mundo de aberração Que anda a monte Com espírito de contradição Esses aglutinados do senso comum Que andam embrulhados na incoerência E salpicados de coerência… Andam arrastados por ventos contrários Disparates, gaseificados de heroísmo No seu negrume vegetativo desse ilogismo Ó santa, ignorância Tocam os sinos E ninguém lhes dá importância… Se olham para um lírio!? Logo lhe chamam trevo roxo!? Vida amargurada de um paradoxo Pinhal Dias (Lahnip) PT Aflição Foi um grito de aflição Que começou, mal Rompia a madrugada! Era frio o meu olhar Expectante de animal ferido, Foram trevas de agonia E de cansaço Mal disfarçado. Foram gritos Que saíram da garganta dorida, Do corpo magoado, e Espírito cansado. Foi o pedido de ajuda Que veio tarde, e Me foi negado! Regina Pereira - Amora Remoinhos de cinza Rodopiam tristezas em remoinhos de cinza entre troncos fantasmas e pedras cinzentas!... Perdem-se olhares em horizontes mortos despidos de verde, vestidos de negro... porque a insanidade e a estupidez humana lhes atiçou o fogo e lhes tirou a vida. Abgalvão – Fernão Ferro Gosto Gosto da música que mantenha o meu espírito elevado. De poesia que me fale ao coração e à alma. Do Sol a despontar e a transformar o orvalho em cristais cintilantes. Das noites escuras quando as estrelas estão mais brilhantes. Das noites de lua cheia, a deixar estradas prateadas à superfície das águas. Dos sons nocturnos que os insectos espalham pelos campos. Do coaxar das rãs nos rios e nos charcos. Do crepúsculo matinal, com os trinados a encher o ar de alegria. São Tomé - Corroios

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 101 - Setembro 2018 15 «Rádio» Fundada: a 28/04/2017- Fundador: Pinhal Dias RÁDIO CONFRADES DA POESIA - 24 HORAS ONLINE GRELHA DE PROGRAMAÇÃO DEFINITIVA Dom. - 24 HORAS ONLINE 2ª F - 21/22h - "Ecos Musicais" 3ª F - 21/22h - "Ecos Musicais" 4ª F - 21/22h - “Ecos Musicais” 5ª F - 21/22h - “Récitas dos Confrades” 6ª F - 22/23h “Sintonia” Sábados e Domingos - DJ Automático 24 Horas Online b) – “Sujeita a Directos Especiais, com hora anunciar” .../... Locutor - Pinhal Dias Pioneiros Colaboradores e Patrocinadores - RCP Pioneiros Colaboradores : »»» Amália Faustino - Ana Pereira - Carlos Alberto S Varela - Carmindo Carvalho - Conceição Tomé Damásia Pestana - Daniel Costa - Donzília Fernandes - Filipe Papança - Francisco Jordão - Hermilo Grave - Joel Lira - José Bento José Branquinho - José Carlos Primaz - José Jacinto - José Maria Caldeira - José Nogueira Pardal - Lúcia de Carvalho - Luís Fernandes - Margarida Moreira - Maria Rita Parada dos Reis - Maria Rosélia Martins - Miraldino de Carvalho - Nelson Fontes de Carvalho - Pinhal Dias - Regina Pereira - Silvino Potêncio - Tito Olívio - Seja um dos nossos colaboradores/patrocinadores directos… Contribua para o nosso melhoramento da Rádio Confrades da Poesia 24 horas online, bem como os cinco Programas em Directo semanalmente… Programas: “Ecos Musicais” - "Récitas dos Confrades" - “Sintonia” Contribua http://www.radioconfradesdapoesia.comunidades.net/contribua Assine o nosso Livro de Visitas http://www.radioconfradesdapoesia.comunidades.net/livro-de-visitas Links para ouvir a Rádio Confrades da Poesia http://www.radioconfradesdapoesia.comunidades.net/ http://tunein.com/radio/Radio-Confrades-da-Poesia-s292123/ http://www.radios.com.br/ao…/radio-confrades-da-poesia/47066 http://www.radioonline.com.pt/regiao/novo/… Nota Redatorial de Agradecimento A nossa Rádio ficou grata pelo empenhamento do nosso locutor Joel Lira - Terminou com a emissão Nr 30 “Poesia Para Todos”; Os mesmo programas encontram-se depositados na Youtube e fez notar o seu cansaço. Finalizamos com a nossa sincera gratidão, enquanto colaborou com a nossa Rádio Confrades da Poesia. O nosso bem-haja! … A Direcção Mais 1 livro ofertado à nossa Rádio de Filomena Gomes Camacho - ”Divagando pelas Letras”; … Poemas que vão ser lidos na RCP O Nosso Bem-Haja!

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