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Grips Editora – Ano 19 – Nº 129 – julho/agosto 2018 brasil A revista de negócios do aço Congresso do aço discute as alternativas A retomada da indústria

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Expediente Editorial Edição 129 - ano 19 Julho/Agosto 2018 Siderurgia Brasil é uma publicação de propriedade da Grips Marketing e Negócios Ltda. com registro definitivo arquivado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial sob nº 823.755.339. Coordenador Geral: Henrique Isliker Pátria Diretora Executiva: Maria da Glória Bernardo Isliker TI: Vicente Bernardo Consultoria jurídica: Marcia V. Vinci - OAB/SP 132.556 mvvinci@adv.oabsp.org.br Editor e Jornalista Responsável: Henrique Isliker Pátria - MTb-SP 37.567 Repórter Especial: Marcus Frediani MTb:13.953 Projeto Editorial: Grips Editora Projeto Gráfico: Ana Carolina Ermel de Araujo Edição de Arte / DTP: Ana Carolina Ermel de Araujo Capa: Criação: André Siqueira Fotos: Montagem com fotos da Shutterstock Impressão: Ipsis Gráfica e Editora DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA A EMPRESAS DO SETOR E ASSINATURAS A opinião expressada em artigos técnicos ou pelos entrevistados são de sua total responsabilidade e não refletem necessariamente a opinião dos editores. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS Rua Cardeal Arcoverde 1745 – conj. 113 São Paulo/SP – CEP 05407-002 Tel.: +55 11 3811-8822 grips@grips.com.br www.siderurgiabrasil.com.br Proibida a reprodução total ou parcial de qualquer forma ou qualquer meio, sem prévia autorização. Resultados muito promissores. Podemos acreditar? HENRIQUE ISLIKER PÁTRIA EDITOR RESPONSÁVEL DDepois de ler as várias reportagens e ar- tigos que apresentamos nesta edição da revista Siderurgia Brasil, principalmente as estatísticas divulgadas, nossos leitores, com certeza, terão a firme convicção de que podemos dividir o ano de 2018 em dois períodos distintos: o “antes”e o “depois”da greve dos caminhoneiros. Em matéria sobre a produção industrial brasileira, verifica-se que em todos os setores pesquisados – como, por exemplo, o químico, o de plásticos, o de borracha, o setor de siderurgia e metais, o automotivo e o de máquinas e implementos, entre vários outros – fica claro como tal paralisação foi penosa para o nosso país. Mas a resposta veio rapidamente, e a retomada foi mais auspiciosa do que se esperava. Em nossa especialidade, o Instituto Aço Brasil divulgou que no primeiro semestre o crescimento da produção foi de 2,9% alcançando um total de 17.192 milhões de toneladas, enquanto as vendas internas evoluíram 9,9% no período, alcançando 8.830 milhões de toneladas de aço. Em junho, o setor de distribuição registrou uma alavancagem de mais de 50%, atingindo pouco mais de 307 mil toneladas vendidas. Tal recomeço é elogiável. E esperamos continuar nesse ritmo para desmentirmos os economistas e os institutos que revisaram a previsão de crescimento do PIB para apenas 1% este ano. Até por conta disso, “recheamos” esta Edição Especial de atrativos, in- cluindo nela matérias fundamentais para quem atua no campo da siderurgia. Além das estatísticas e comentários sobre crescimento, você verá uma panorâmica perfeita de como anda a indústria siderúrgica brasileira e mundial, vista pelos olhos de vários especialistas em reportagens feitas com absoluta exclusividade para nossos leitores. Nela, também trazemos uma entrevista do novo presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil, que toma posse agora, no final do mês de agosto, durante a realização do Congresso Aço Brasil 2018, na qual ele fala dos planos gerais de sua gestão para a siderurgia nacional no contexto mundial. Outro assunto de destaque é uma reportagem sobre o atual momento da política nacional, vista sob a perspectiva do diretor de um dos maiores institutos de tecnologia do Brasil, na qual ele diz o que pensa, o que espera e o que devemos “exigir”dos novos governantes do Brasil. Tudo feito com muito carinho e muita dedicação para você, nosso leitor, que é nossa razão e o alvo principal de todos os nossos esforços e ações. Por essa razão, por favor, não deixe de manifestar seu ponto de vista sobre os temas tratados e sobre a nossa revista: seus comentários são fundamentais para aprimorarmos ainda mais o nosso conteúdo físico e pela internet, bem como a qualidade de nossas próximas edições. Boa leitura! JULHO/AGOSTO 2018 SIDERURGIA BRASIL 3

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Índice de matérias 4 SIDERURGIA BRASIL JULHO/AGOSTO 2018 Depositphotos.com

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3 EDITORIAL Resultados muito promissores. Podemos acreditar? 6 CONGRESSO DO AÇO Em busca do tempo perdido 12 FUTURO Preparado para a luta 18 AÇO NO MUNDO Otimismo controlado 26 TECNOLOGIA A inovação necessária para a indústria crescer 28 ECONOMIA Não tem mágica. Precisamos crescer! 36 MERCADO DE AÇÕES Bons sinais na Bolsa 38 INDÚSTRIA A recuperação da indústria nacional 39 ADMINISTRAÇÃO A importância dos Conselhos de Administração e Fiscais 40 ESTATÍSTICAS 42 VITRINE 42 ANUNCIANTES JULHO/AGOSTO 2018 SIDERURGIA BRASIL 5

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Em busca do tempo perdido Foto: Depositphotos.com Congresso do Aço 6 SIDERURGIA BRASIL JULHO/AGOSTO 2018

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Apesar dos números positivos registrados na atividade do primeiro semestre de 2018, a situação do mercado siderúrgico brasileiro permanece delicada e inspirando cuidados. Marcus Frediani MMelhorou, mas continua ruim. Assim, no jargão popular e de forma não muito técnica, podem ser definidos os resultados da indústria brasileira do aço no primeiro semestre de 2018. Os percentuais de crescimento do período até foram das internas. A produção brasileira do aço foi de 17,2 milhões de toneladas (+2,9%). Já as exportações positivos, mas apenas porque a base de somaram 6,9 mi- comparação em termos de desempenho lhões de toneladas, com o mesmo intervalo do ano passa- cravando um recuo do era fraca. “A base dos seis primeiros de 5,7% em rela- meses de 2017 é tremendamente depri- ção ao resultado mida, de modo que devemos relativizar obtido no primeiro este crescimento”, pontuou o presidente semestre de 2017. executivo do Instituto Aço Brasil, Marco E as importações Polo de Mello Lopes, durante a Coletiva aumentaram 5,6% de Imprensa promovida pela entidade na mesma época, no dia 25 de julho, em São Paulo. totalizando 1,3 milhões de toneladas. Em resumo, as vendas internas fo- Como não poderia deixar de ser, ram de 8,8 milhões de toneladas de aço apesar dos números positivos, a greve nos primeiros seis meses de 2018, o que dos caminhoneiros, em maio passado, representou um crescimento compara- contaminou parte do crescimento da in- do de 9,9%. O consumo aparente atin- dústria do aço em 2018 tanto no que diz giu 10,1 milhões de toneladas (+9,3%), respeito às vendas domésticas, quanto sustentado pelo crescimento das ven- às exportações, via preferencial na qual as usinas apos- tam para tentar Foto: Divulgação elevar a utiliza- ção de sua capa- cidade instalada, ainda longe da meta almejada pela indústria. “O setor opera atualmente em 68,3% da capa- cidade, sendo que o ideal se- ria 80%”, regis- trou Marco Polo. Sérgio Leite de Andrade – Vice-Presidente do Conselho Diretor do “Contudo, não Instituto Aço Brasil e Marco Polo de Mello Lopes – Presidente Executivo vemos perspec- do Instituto Aço Brasil, durante Coletiva de Imprensa tiva de cresci- mento da economia e do consumo aparente de aço que nos faça retomarmos a ocupação da indústria para esse patamar nos próximos quatro ou cinco anos”, destacou, por sua vez, o outro componente da mesa da Coletiva de Imprensa, Sergio Leite de Andrade, CEO da Usiminas e futuro presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil, a partir do final de agosto. De acordo com ambos os executivos, essa dinâmica faz parte de uma equação perversa que tem em um de seus lados o recorrente excesso de capacidade de 550 milhões de toneladas de aço no mundo, dos quais 280 milhões vêm da China. E, ainda pode não ser surpresa que esse potencial venha a ser desaguado no Brasil, caso o país mantenha seu mercado mais aberto. Já sobre os preços praticados no mercado interno, segundo o Instituto Aço Brasil, os ajustes recentes ocorreram pela grande diferença da inflação geral do país nos últimos anos e os valores praticados pela indústria. “Pela JULHO/AGOSTO 2018 SIDERURGIA BRASIL 7

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Congresso do Aço crise recente, criou-se uma barriga entre os preços do aço e a inflação. O que há agora é uma retomada”, afirmou Marco Polo. Profusão de salvaguardas Naturalmente, esse quadro ficou ainda mais nebuloso a partir do início do mês de março, com a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump de estabelecer tarifa de 25% para o aço importado e, posteriormente, negociar cotas de exportação para o aço de alguns países, entre os quais o Brasil, no âmbito da Seção 232, sob o argumento de que as importações de aço constituem “ameaça à segurança” dos Estados Unidos. Tal medida impactou as projeções do Aço Brasil para o ano, considerando o fechamento de outros mercados na esteira da decisão americana. E tal quadro está se agravando ainda mais, porque o que os Estados Unidos fizeram acabou “puxando” uma fila. “É importante registrar que não são só norte-americanos adotaram políticas de salvaguarda para seus mercados. Estas estão ‘pipocando’ ao redor do planeta, como estão sendo os casos das barreiras e taxações à importação de aço que passaram a ser levantadas pela União Europeia, Marrocos, Turquia, Índia, Vietnã, Tailândia, Malásia, Indonésia, Filipinas, África do Sul e Costa Rica. Entre os continentes, só o Cone Sul ainda não as adotou”, ressaltou Sergio Leite. “Aliás, face à ausencia de barreiras comerciais à entrada do aço estrangeiro em nossa parte do globo, a grande pergunta é: O Brasil pode continuar a ser liberal em um mundo protecionista?”, instigou Sergio Leite. Como base para reflexão ele destacou o fato de que de janeiro a junho deste ano as exportações de aço brasileiro caíram 5,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior, chegando a 6,9 milhões de toneladas. Por outro lado, houve um aumento de 16% no valor total desses embarques em dólar, atingindo US$ 4,29 bilhões. “Por agora, as importações estão baixas em função do real depreciado, mas pode haver um surto se o câmbio mudar. O cenário está muito indefinido”, deixou o alerta. Perspectivas tímidas Embora os resultados do primeiro semestre de 2018 divulgados pelo Instituto Aço Brasil tenham sido positivos, 8 SIDERURGIA BRASIL JULHO/AGOSTO 2018

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Congresso do Aço todos foram revisados para baixo em relação às expectativas no início do ano, diante da não retomada do crescimento econômico como esperado. As previsões da entidade para indústria brasileira do aço em 2018 são de aumento das vendas internas de aço em 5% em 2018, totalizando volume de 17,7 milhões de toneladas, enquanto o consumo aparente de aço deve subir 4,9% este ano. Para a produção de aço, a projeção de crescimento foi cortada pela metade: se antes era de 8,6%, atualmente é de 4,3%, para 35,8 milhões de toneladas. Contudo, o efeito deletério deverá ser mais sentido nas exportações. A expectativa anterior, divulgada em abril, era de crescimento de 10,7%. Agora, a estimativa da entidade é de queda de 0,6%, para 15,3 milhões de toneladas. Complementarmente, os dados do Instituto Aço Brasil demonstram que os principais mercados consumidores do aço no país ainda registram queda em relação a 2013, ano considerado recorde da indústria nacional. A construção civil, responsável por 38,1% do consumo aparente no País, está com retração de 29,7% na sua produção de janeiro a maio de 2018 na comparação com 2013. Mesmo o setor automotivo, que apresentou números fortes de crescimento até a greve dos caminhoneiros, ainda está 32,5% atrás de 2013 nos volumes do período.“A crise afetou todos os segmentos, com queda do PIB e aumento do custo Brasil. Construção civil, automotivo e máquinas e equipamentos já reduziram as suas projeções para este ano, então não vamos ter uma retomada como a esperada”, lamentou Marco Polo de Mello Lopes. Cenário pós-eleições Cabe destacar que todos os países que alcançaram bom nível de desenvolvimento econômico e social, tiveram a indústria como mola propulsora do seu crescimento. No Brasil, vem ocorrendo exatamente o oposto: a indústria de transformação vem perdendo, de forma significativa, ao longo dos anos, partici- pação no PIB. “A indústria brasileira do aço espera que, estando a três meses das eleições para a Presidência da República, este seja um tema prioritário na agenda de todos os candidatos”, registrou o presidente do Aço Brasil. Na verdade, de uma forma geral, os executivos do setor siderúrgico deixam claramente transparecer um acentuado nível de decepção quanto às políticas liberais adotadas pelo governo atual, muitas delas marcadas muito mais pelo viés ideológico do que pelo eminentemente técnico. Com isso, crescem naturalmente as expectativas dos empresários em torno do cenário eleitoral, assim como as esperanças de que o ambiente de negócios se torne mais propício para a atividade da indústria. Objetivamente, na leitura de Marco Polo e Sergio Leite, os candidatos à Presidência que apresentam plataformas mais alvissareiras nesse sentido são Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB) e Álvaro Dias (Pode), na contramão das resistências já postuladas nos programas de governo de Ciro Gomes (PDT) e de Marina Silva (Rede). Com relação às políticas para proteger a indústria nacional, Marco Polo citou nominalmente Alckmin e Bolsonaro como aqueles em que o setor mais deposita expectativas. “O Alckmin tem preparo pelas gestões no governo de São Paulo. E, apesar do apoio de economistas que defendem uma abertura como a atual, ele tem uma equipe preocupada com a correção das assimetrias. Já o Bolsonaro tem uma postura mais nacionalista, buscando a preservação do mercado interno”, finalizou. 10 SIDERURGIA BRASIL JULHO/AGOSTO 2018

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Futuro 12 SIDERURGIA BRASIL JULHO/AGOSTO 2018 Preparado para a luta Foto: Divulgação Usiminas - Marcelo Coelho

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Protecionismo global, defesa comercial, assimetrias competitivas, conteúdo local, compensação dos resíduos tributários: Sergio Leite alinha os principais tópicos do que deve ser sua gestão como novo presidente do Conselho do Aço Brasil. Marcus Frediani EEm agosto, no primeiro dia do Congres- so Aço Brasil 2018, Sergio Leite de Andrade, CEO da Usiminas, vai assumir a Presidência do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil. A expectativa, é claro, é de que ele dê continuidade ao excelente trabalho da gestão anterior, que foi capitaneada pelo vice-presidente sênior do Grupo Vallourec para a América do Sul, Alexandre de Campos Lyra, que continua a integrar o Conselho como um de seus 16 membros. Administrador brilhante, Sergio, contudo, deverá imprimir sua forte marca pessoal no novo cargo. Nesta entrevista, Sergio Leite fala com exclusividade para a revista Siderurgia Brasil a respeito de como irá conduzir esses trabalhos, dentro de uma dinâmica de planos e metas voltada ao fortalecimento da indústria e de toda a cadeia siderúrgica nacional, o que, naturalmente, deve contemplar o enfrentamento de grandes desafios, principalmente em função dos atuais desdobramentos e empecilhos que o setor atravessa não só no Brasil, como no mundo inteiro. Confira! Siderurgia Brasil: Sergio, qual a dinâmica que se deve observar no mercado siderúrgico brasileiro em 2018? Sergio Leite: Este ano, nós já vivenciamos quatro momentos. No primeiro trimestre, havia uma perspectiva concreta de um crescimento do PIB na ordem de 3% e do crescimento da demanda do consumo aparente de aço em torno de 10%. O segundo momento foi em abril, no qual começamos a perceber uma desaceleração do ritmo de crescimento do país e do consumo de aço. Aí, veio o terceiro momento, em maio e junho, com a crise dos caminhoneiros e seus impactos, no qual o caos e um pessimismo se instalou no Brasil. Agora, no momento que começamos a vivenciar em julho, registramos uma melhora do humor no campo econômico, embora já saibamos que o nosso PIB deve crescer apenas algo de 1%, e que a perspectiva do con- sumo aparente do aço foi revista e deve ficar apenas em torno de 5%. Então, vamos ter, sim, crescimento da economia e do consumo de aço, mas muito aquém daquilo que nós esperávamos e do que o Brasil precisa. Uma trajetória perversa, aliás, que vem de muito tempo, não é mesmo? Pois é. Na verdade, o país completa o quinto ano de uma situação bastante delicada, para não dizer catastrófica. Nós enfrentamos no período 2014-2016 uma recessão das maiores que o Brasil já atravessou, e, em 2017 e 2018, um crescimento pífio. Quando você olha o movimento de queda do consumo aparente de aço de 2013 a 2018, ela já está na ordem de quase 30%. O melhor ano de vendas de aço no país foi em 2013, 20 anos após do outro pico semelhante, que aconteceu em 1993. Então, precisamos que o Brasil volte a crescer, e dentro desse crescimento, a indústria tem que voltar a ter prioridade. Foto: Divulgação Usiminas Não podemos ser liberais num mundo protecionista. Precisamos agir em consonância com essa realidade. Sergio Leite de Andrade, CEO da Usiminas, futuro Presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil. JULHO/AGOSTO 2018 SIDERURGIA BRASIL 13

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Futuro Foto: Divulgação Usiminas Como será a sua gestão na Presidência do Conselho do Instituto Aço Brasil? Qual será a sua “pegada” pessoal no que tange à condução dos temas que hoje fazem parte da pauta da indústria siderúrgica nacional? No Instituto Aço Brasil temos um colegiado, que trabalha sempre de forma sintonizada, com um CEO, que é o Marco Polo de Mello Lopes, e um Conselho, que passarei a presidir, formado por 16 membros. Então, na minha gestão, procurarei dar continuidade ao trabalho que vem sendo realizado. No momento atual, com um cenário de excesso de capacidade instalada no mundo, de mais de meio bilhão de toneladas, convivendo com uma situação de protecionismo mundial, temos que ficar atentos a algumas questões primordiais. Veja bem, o mercado brasileiro do aço tem viés liberal, e nós somos a favor do liberalismo. Contudo, somos a favor, também, das relações de comércio equilibradas, isonômicas, portanto somos contra o protecionismo. Ou seja, não podemos ser liberais num mundo protecionista. Precisamos agir em consonância com essa realidade. E isso pode significar o quê? O levantamento de salvaguardas, como tem acontecido em vários países e regiões do planeta? O Brasil deveria seguir o exemplo do mundo inteiro e implantar salvaguardas, principalmente no sentido de reduzir ou até mesmo eliminar as assimetrias de competitividade que atrapalham a evolução do nosso mercado, que, como eu já disse, convive com uma situação delicada há cinco anos. Então, nosso posicionamento é bem claro no sentido de trabalhar para que a indústria volte a ser tratada como prioridade de governo. A indústria de transformação que, no final dos anos 1990, representava mais de 25% de participação no PIB brasileiro, hoje está apenas num patamar próximo a 10%. Então, é extremamente importante trazermos de volta essa prioridade, porque, além de fornecedora de bens de grande relevância para a sociedade, ela é forte geradora de empregos de qualidade. Nesse contexto, nós vamos trabalhar em ações de incremento das exportações e de preservação do mercado interno. Atualmente, a utilização de nossa capacidade instalada de produção está abaixo de 70%, quando o ideal seria estarmos num patamar acima de 85%. Então, esse é um ponto em que vamos trabalhar com intensidade. E a questão da compensação dos resíduos tributários, via Reintegra? Seguramente, esse será outro foco importante que vai merecer a nossa aten- ção. Embora os técnicos do Ministério da Fazenda considerem o Reintegra um subsídio, ele é, na verdade, uma compensação dos resíduos tributários que precisa ser feita ao longo de toda a cadeia produtiva. O valor ideal seria o valor do Reintegra ser de 5% a 7% do valor das exportações, ou até mais 2% acima disso. Só que com a crise dos caminhoneiros, após a desastrada negociação, o Reintegra veio para 0,1%, ou seja, praticamente nada. Infelizmente, para 2018, isso está perdido. Essa, então, é outra bandeira que nós vamos trabalhar para que, no ano que vem, possamos trazer de volta o Reintegra para um patamar mais favorável à indústria. Independentemente de quem for o vitorioso nas eleições de outubro, vamos realizar um esforço de articulação, de aproximação e de negociação com o governo brasileiro. E, pelo que vem sendo manifestado nas campanhas, como você sente o grau de sensibilidade dos principais candidatos e o clima político para a aceitação dessas propostas? No governo atual, temos um apoio muito forte do Ministério da Indústria e do Comércio Exterior e Serviços, que sempre se posicionou ao lado da indústria e, muito particularmente, ao lado da indústria do aço, o que infelizmente não se observa no Ministério da Fazenda e em outros ministérios. O MDIC nos apoiou em episódios que foram marcantes, como a questão do antidumping que nós abrimos contra a Rússia e a China. O relatório foi aprovado e foi um trabalho muito bem feito, só que a aplicação das sobretaxas foi suspensa. Então, não temos muito mais a esperar do atual governo. Claro, convivemos com uma incerteza de como tudo isso será conduzido a partir de 1º de janeiro de 2019, mas a nossa expectativa no Instituto Aço Brasil é de que o próximo governo priorize a indústria, priorize o crescimento econômico, e seja sensível ao posicionar nosso país dentro do viés que hoje impera no mundo. 14 SIDERURGIA BRASIL JULHO/AGOSTO 2018 Ou seja, vocês procurarão dar ainda mais atenção a questão das já citadas assimetrias competitivas.

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PANATLÂNTICA/AFILIADAS RUMO A NOVOS DESAFIOS MENSAGEM ÀS EMPRESAS DO SETOR Cumprimentos ao pessoal dos centros de serviços independentes de aços planos de todo o país e votos para que neste 2° semestre do ano de 2018 os objetivos e as performances comerciais sejam positivos e façam parte de um novo sopro de esperança no contexto da recuperação econômica do país! Que os bons fluidos do povo brasileiro, e em especial de sua juventude, iluminem e impulsionem a economia da nação brasileira, e tragam a todos novas realizações, novos desafios e novas etapas para o parque industrial do país - em especial para nossa heróica siderurgia brasileira de aços planos! Oxála se descortine condições de retornar os investimentos produtivos dos centros de serviços de aços planos e se deslumbre uma nova e positiva etapa na vida econômica das empresas do setor. FUTURO CENTRO DE SERVIÇO EM ÁREA DE JACAREÍ, EM FRENTE A VIA DUTRA KM 75.5 – SP WWW.PANATLANTICA.COM.BR

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