Inovação e pesquisa clínica no Brasil

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Este é o segundo volume da Edição especial saúde da Interfarma. Neste material o leitor terá a oportunidade de conhecer a opnião de especialistas, pesquisadores e líderes de opinião sobre inovações e pesquisa clínica, as oportunidades que o Brasil est

Popular Pages


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inovação e pesquisa clínica no brasil 2010 1 inovação e pesquisa clínica no brasil s Ão pau lo outubrode 2010 e d i Ç Õ esespeciaisvo lu meiisa Ú d e

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2 coordenaÇÃo-ger al octávio nunes gerente de comunicação institucional missieli rostichelli assistente de comunicação institucional tel 55 11 5180-2395 missieli.rostichelli@interfarma.org.br assessoria de comunicaÇÃo burson-marsteller selma hirai tel 55 11 3040-2403 burson-marsteller tel 55 11 5180-2305 interfarma selma.hirai@bm.com projeto editorial nebraska composição gráfica tel 55 11 5505-7043 ediÇÃo iolanda nascimento ­ mtb 20.322 revisÃo verônica rita zanatta ­ mtb 31.538 impressÃo formag s gráfica e editora ltda tiragem 63.000 exemplares fotos banco de dados interfarma sobreainter fa rmaa interfarma ­ associação da indústria farmacêutica de pesquisa ­ é a entidade que congrega as indústrias farmacêuticas instaladas no brasil responsáveis por promover e incentivar a pesquisa e o desenvolvimento de novos medicamentos fundada em 1990 a interfarma reúne 36 laboratórios que representam 57 do mercado brasileiro de medicamentos em setembro de 2010 a associação muda seu estatuto social e passa a representar empresas e pesquisadores nacionais.

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inovação e pesquisa clínica no brasil 2010 3 a saúde não é tudo mas sem ela o resto é nada fernando pessoa

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acesso e financiamento àclínica no brasil 2010 inovação e pesquisa saúde 5 apresentação um olhar mais cuidadoso e atento do mundo sobre o brasil indica que o país se destaca entre as economias emergentes ao contrário dos demais países que compõem os brics aqui temos estabilidade econômica e política crescimento sustentável e um ambiente propício para inovar para especialistas ouvidos neste caderno dedicado à inovação e pesquisa clínica no brasil o segundo volume da série sobre saúde que a interfarma está publicando a percepção externa talvez não seja percebida internamente e são unânimes em dizer que o país,ao contrário do que se poderia supor,caminha lento demais em direção à inovação os cientistas sugerem que o brasil precisa ser mais arrojado e audacioso caso queira ser realmente competitivo na área de pesquisa clínica o brasil conta com pesquisadores de renome internacional e centros de pesquisa e desenvolvimento dos mais sofisticados da mesma forma os especialistas afirmam que o país deveria ser menos intervencionista e mais ágil ter regras estáveis processos descentralizados e ser menos burocratizado para permitir os avanços tão necessários ao longo desta publicação o leitor terá a oportunidade de conhecer a opinião de especialistas pesquisadores e líderes de opinião sobre inovação e pesquisa clínica as oportunidades que o brasil está perdendo nessas áreas e quais serão os desafios para os próximos anos a interfarma considera que as barreiras somente serão superadas se brasil lançar o mesmo olhar atento e cuidadoso sobre o próprio brasil para acelerar o ritmo da inovação e será imprescindível que as partes envolvidas nessa questão estejam articuladas dispostas e comprometidas com as mudanças para fazer do brasil o país das oportunidades e transformar a inovação e a pesquisa em bens para toda a sociedade el i bosio eloi b i presidente do conselho diretor antônio britto presidente-executivo

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6 brasil país de oportunidades o brasil tem avançado em inovação mas poderia estar muitos passos adiante se empunhasse firmemente essa bandeira É relevante a excelência de alguns de seus centros de pesquisa e desenvolvimento bem como a base científica evoluída e o conhecimento que o país gera no agronegócio em biocombustíveis no setor automotivo aeronáutico na mineração e na tecnologia da informação e comunicação o país é destaque entretanto poderia ser mais e gerar novas riquezas se a inovação brasileira fosse competitiva também em outras áreas e o brasil decidisse se inserir com determinação na cadeia mundial de pesquisa e desenvolvimento o país tem inúmeros instrumentos para estar entre aqueles de ponta em inovação é a 7ª economia mundial as reservas internacionais são mantidas em bons níveis o sistema bancário tem provado sua eficiência tem estabilidade política e social e possui a mais limpa matriz energética do mundo o perfil positivo prossegue o brasil tem um dos maiores mercados internos em âmbito global é um dos principais exportadores de alimentos e conseguiu estabelecer um mercado externo totalmente diversificado some-se a esse cenário instituições e pessoal qualificados além de empresas nacionais e multinacionais em condições de apressar o processo de inovação em todos os setores o que não tem ocorrido com a rapidez e vigor de outros países mais arrojados e engajados no conceito de inovação sem listar as maiores economias alguns países como cingapura e coreia do sul fizeram da inovação uma bandeira têm uma atitude agressiva nessa área e por isso estão se destacando no cenário mundial diz antônio britto presidente-executivo da interfarma ­ associação da indústria farmacêutica de pesquisa falta ambição apesar de ter avançado o brasil ainda é tímido em relação ao seu tamanho e ao papel que teria que desempenhar se comparar o que o país fazia com o que está fazendo avançou mas essa é uma corrida que não é disputada só pelo brasil se aumentamos nossa velocidade de 20 para 50 tem gente que aumentou de 80 para 120 então estamos menos ousados e agressivos do que os outros apesar da melhora avalia britto o que pensam os cientistas pensar e fazer inovação são questões muito novas no brasil que tem evoluído e mudado bastante nesse sentido mas o processo tem sido muito lento afirma eduardo emerich presidente da fundação biominas falta iniciativa privada o processo de requisição de patente de um país está diretamente relacionado à sua capacidade de inovação apesar do cenário extremamente favorável o brasil ocupa apenas a 23ª colocação em solicitações de patentes no ranking da ompi ­ organização mundial da propriedade industrial ­ com 496 pedidos o ranking é um indicador das empresas e instituições que solicitam depósito em algum instituto internacional no brasil o inpi instituto nacional de propriedade industrial ­ tem registrado cerca de 25 mil pedidos de patentes em todas as áreas mas uma patente registrada aqui não garante proteção lá fora alguns especialistas creditam esse número pequeno de depósitos de patentes no exterior e a diferença em comparação ao registro no inpi em grande parte à timidez e à falta de cultura do empresariado o mais provável dizem especialistas da área é a incerteza e insegurança dos empresários diante de um estado que demorou a definir e garantir instrumentos para proteger as inovações o sistema de proteção às invenções industriais é um dos elementos fundamentais para estimular a pesquisa e o desenvolvimento em busca de novas tecnologias afirma gert dannemann diretor do instituto dannemann siemsen de estudos e propriedade intelectual para o diretor do instituto o sucesso de países como a alemanha que se transformou no segundo o que pensam os cientistas a conseqüência disso é o baixo investimento das empresas em pesquisa e desenvolvimento diz carlos henrique de brito cruz diretor científico da fapesp ­ fundação de amparo á pesquisa do estado de são paulo ­ e ex-reitor da unicamp ­ universidade de campinas

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inovação e pesquisa clínica no brasil 2010 7 maior exportador mundial pela qualidade e alta tecnologia de seus produtos vem da garantia dada às patentes pelas leis do país ricardo camargo mendes da consultoria prospectiva negócios internacionais e políticas públicas diz que a legislação patentária brasileira é avançada e está de acordo com tratados internacionais mas afirma que a retórica de alguns dos representantes brasileiros no exterior por vezes desqualifica qualquer direito à proteção intelectual especialmente na área de medicamentos o que acaba afastando empresas de fora É comum recebermos aqui empresários de multinacionais perguntando se o brasil tem lei de proteção industrial afirma mendes esses argumentos podem ser observados nos números segundo dados do ministério da ciência e tecnologia as empresas investiram em inovação 0,5 do pib ­ produto interno bruto ­ em 2009 em alguns países o investimento em pesquisa chega a ser quatro vezes maior que o do brasil deficiências da lei estão na sua aplicação por falta de estrutura e técnicos solicitações de patentes param na longa fila de espera do inpi para alguns especialistas se a legislação avançou sua aplicação pelo inpi ainda depende de agilidade e investimentos em recursos humanos de acordo com os analistas a lei foi muito mais abrangente e inovadora que a capacidade do órgão de colocá-la em prática o instituto conta hoje com 270 examinadores de patentes entre pessoal sênior júnior e aqueles contratados regulamente que estão em treinamento período que pode levar de dois anos e meio a três anos júlio césar castelo branco reis moreira assessor da diretoria de patentes do inpi diz que esse número de examinadores não é suficiente para dar conta da meta institucional do planejamento estratégico do governo federal que é chegar em 2014 fazendo pelo menos um exame de todos os pedidos depositados até 2010 temos áreas hoje no inpi onde estão examinando os anos de 2004 e 2005 diz reis moreira em áreas críticas como a de eletrônica onde a carência de pessoal é maior estamos examinando ainda o final de 1999 e início de 2000 segundo o instituto a área farmacêutica está caminhando no mesmo compasso que as demais embora tenha recebido mais atenção nos últimos anos hoje são 75 examinadores cuidando da área de fármacos 70 deles com doutorado imaginamos que são suficientes para dar conta dos pedidos nessa área e reduzir esse atraso diz reis moreira na média conforme o instituto o brasil está demorando quatro anos para analisar um pedido de patentes o dobro do tempo consumido pelos órgãos europeus e o norte-americano o processo que é comum ao sistema patentário da maioria dos países desenvolvidos exige que uma vez apresentado o pedido seja mantido em sigilo por 18 meses passada essa quarentena o solicitante da patente tem outros 18 meses para confirmar se quer ou não que seu pedido seja analisado isso quer dizer lembra reis moreira que quando um pedido está o olhar do pesquisador o investimento empresarial em pesquisa nos países mais desenvolvidos é três a quatro vezes maior que o do brasil diz o diretor da fapesp brito cruz na coreia do sul esse número saltou para 1,6 no japão e nos estados unidos para 2 no total o brasil investiu o equivalente a 1,1 do pib nacional em inovação sendo 0,6 por parte do governo um percentual total bastante inferior quando comparado à coreia e cingapura que investiram 2,5 e países da ocde organização para a cooperação e desenvolvimento econômico mais china e rússia com 2,3 em média esses números também explicam porque no brasil o depósito de patentes por universidades junto ao inpi e órgãos europeus e norte-americanos corresponde a 58 do total quando nos estados unidos e em países desenvolvidos 90 dos registros são feitos pelas empresas diz brito cruz.

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8 no inpi desde 2000 significa que ele está atrasado desde 2003 ano em que entrou na fila para a análise esse período é chamado de backlog menos doutores menor capacitação se de um lado as empresas enfrentam a burocracia e certas contradições nos processos que deveriam proporcionar incentivo à inovação as universidades poderiam ampliar seu espaço se elas próprias adotassem maior cultura patentária e aprendessem a ter patentes ainda existe uma dificuldade enorme dentro da usp universidade de são paulo e unicamp universidade de campinas por exemplo em transformar a produção científica em proteção observa luiz fernando reis diretor do instituto de ensino e pesquisa do hospital sírio-libanês uma das referências em pesquisa e assistência médica no país o fato de uma instituição ser detentora de uma patente garante a ela a correta utilização daquele invento usp e unicamp depositaram no inpi no último ano apurado 1.006 patentes mais que todas as instituições universitárias juntas outro dado lembrado pelo diretor científico da fapesp britto cruz é o pequeno número de doutores que trabalham em empresas enquanto aqui apenas 23 deles estão no setor produtivo na coreia do sul essa porcentagem sobe para 54 e nos estados unidos para 80 o brasil precisa aumentar ainda mais a capacitação para ciência básica e formação de pessoal nas universidades e acelerar a capacitação para a pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico na empresa diz brito cruz os cientistas concordam que ainda há resistência por parte das empresas em abrigar pesquisadores mas do receita versus inovação em alguns aspectos é a própria lei de propriedade industrial que dificulta a inovação em outros são os próprios órgãos do governo mas há também a desestimulante ação da receita federal no caso da lei de inovação tecnológica regulamentada por decreto em outubro de 2005 a lei foi vista como um empurrão no sentido de impulsionar e incentivar as novas tecnologias ela estabelece medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo com vistas ao alcance da autonomia tecnológica e ao desenvolvimento industrial do país um dos instrumentos criados pela lei para facilitar a pesquisa foi a dedução do imposto de renda no ano seguinte de gastos com inovação feitos no ano corrente bem regulamentada e bem desenhada a lei poderia aumentar em muito os investimentos em inovação diz ricardo mendes da prospectiva deixar de pagar impostos para desenvolver uma nova tecnologia é interessante para todos muitas outras nações fazem isso a china e cingapura por exemplo países que estão atraindo muito investimento em pesquisa no brasil no entanto do ponto de vista da receita federal quem decide o que é e o que não é inovação é o fiscal da receita não o inpi diz mendes se ele decidir que não é a empresa terá que pagar com juros e multas o que deixou de recolher muitas empresas entre elas grandes empresas multinacionais não usam a lei de inovação com medo de que o fisco tenha outra interpretação medo de que sua pesquisa não seja vista como inovação então para não abrir esse passivo acabam não arriscando diz ricardo mendes isso cria um clima de insegurança muito grande que inviabiliza o que a lei tem de bom pois inovação muitas vezes não é um produto tangível na avaliação do diretor da prospectiva o país poderia estar nos mesmos níveis dos brics se não houvesse tantos entraves e se os incentivos fossem devidamente informados e utilizados.

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inovação e pesquisa clínica no brasil 2010 9 outro lado na bancada das universidades ainda há uma falta importante de doutores e pós-doutores justamente os que estão no topo do conhecimento o brasil formou cerca de 11 mil doutores em 2008 e quer chegar a 16 mil em 2011 em números absolutos o resultado é expressivo e o país está em patamar semelhante ao de nações como a inglaterra Índia e coreia do sul no entanto em números relativos a situação é bastante diferente o brasil forma cinco doutores por grupo de 100 mil habitantes diante de índices de 12,1 do japão 13,6 da coreia do sul 14 dos estados unidos 24 do reino unido e 30 da alemanha vide figura 1 figura 1 número de doutores formados por ano por 100 mil habitantes país brasil japão coreia do sul estados unidos reino unido alemanha 5,0 12,1 13,6 14,0 24,0 30,0 porcentagem de doutores trabalhando na indústria país brasil 23,0 54,0 80,0 o que dizem os especialistas o brasil nesse momento tem três problemas fundamentais pela frente o primeiro é a formação de massa crítica o segundo é o tempo pois não se faz transformações de uma hora para outra e o terceiro -que precisa ser iniciado ­ é desenhar políticas indutivas e colocá-las em operação ressalta o médico sanitarista gonçalo vecina neto superintendente corporativo do hospital sírio-libanês vecina também foi diretor do instituto central do hospital das clínicas de são paulo o maior centro médico da américa latina e presidente da anvisa ­ agência nacional de vigilância sanitária paulo hoff diretor de estratégias do centro de oncologia do hospital sírio-libanês diz que não é mais possível trabalhar isoladamente sem trocar informações e experiência não se deve reinventar a roda afirma hoff também diretor clínico do instituto do câncer de são paulo octávio frias de oliveira da faculdade de medicina da usp os grandes desenvolvimentos humanos aconteceram com uma somatória de esforços nós queremos fazer parte dessa somatória hoje já temos áreas de excelências onde estamos em níveis de países desenvolvidos estamos melhorando e a diferença está ficando cada vez menor mas acho que é um processo que ainda levará algumas décadas para que tenhamos o nosso todo equivalente ao todo dos países mais desenvolvidos completa o médico oncologista coreia do sul estados unidos fonte fapesp capes ocde publicações um indicador que mostra evolução do brasil na inovação é o número de publicações científicas divulgadas pelo país cerca de 30 mil artigos em aproximadamente 10 mil revistas indexadas ocupando a 15ª posição no ranking mundial ou 2,6 do total global em 1981 essa participação não alcançava 0,5 a china por exemplo tem 8,4 dos artigos publicados e sua produção saltou 64 vezes entre 1981 e 2008 fonte prospectiva consultoria

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10 o modelo sírio-libanês de inventar um dos hospitais de ponta no país o sírio-libanês está entre as instituições referência escolhidas pelo sus ­ sistema Único de saúde ­ para investir na capacitação de profissionais e na pesquisa esse fato que dá ao hospital o status de filantrópico com os respectivos benefícios fiscais vem permitindo a aplicação de r 10 milhões anuais em pesquisa além de um orçamento próprio de r 5 milhões nessa área o hospital mantém um instituto de ensino e pesquisa iep e tem no seu portfólio pelo menos meia dúzia de invenções em fases de patenteamento a instituição acaba de proteger internacionalmente na comunidade européia um endoscópio já patenteou também um pectídio biomolécula e vai testar um laser de baixa frequência para a esterilização de infecções da cavidade oral bastante comuns em pacientes que passam por quimioterapia por trás desse espírito inovador luiz fernando reis diretor do iep cita o diferencial do sírio libanês uma política de proteção intelectual aprovada pelo conselho do hospital o pesquisador assume o compromisso de que para todo e qualquer invento realizado dentro da instituição o titular é o hospital nós estabelecemos regras de remuneração e nós temos uma coisa que é muito pouco difundida no brasil não se consegue uma proteção adequada de um produto se não tiver uma documentação adequada de como se chegou a ele anotações laboratoriais de todas as fases e de todos os registros são extremamente rígidas e rigorosas para o invento não ser contestado depois reis diz que a opção e o investimento em pesquisa e ensino é o que permitem manter grandes talentos e médicos de ponta porque essas pessoas estão em constante atualização envolvidas em pesquisa a grande maioria dos profissionais do hospital tem um forte vínculo acadêmico e esse ambiente proporciona a excelência sem um ambiente acadêmico um hospital passa a ser apenas um reprodutor de tecnologia com esse ambiente ele é gerador de conhecimento temos hoje 46 estudos clínicos acontecendo dentro do hospital brasil avança sem comemorações mesmo com a evolução das solicitações de patentes no exterior o total brasileiro mal ultrapassa 1 em relação aos pedidos norte-americanos o brasil avançou 5,1 no registro de patentes internacionais com 496 em 2009 ante as 472 de 2008 o resultado é mais expressivo se comparado ao ano de 2005 quando o brasil teve 270 pedidos entre 2005 e 2009 o registro internacional de patentes feito por instituições brasileiras aumentou quase 84 de acordo com a ompi ­ organização mundial da propriedade intelectual nossa defasagem é tão grande que qualquer aumento parece maior do que realmente é mesmo considerando os avanços é muito pouco avalia o presidente da biominas eduardo soares apesar de quase ter dobrado o número os depósitos do brasil representaram apenas 1,08 do total norte-americano por exemplo não podemos comparar com os estados unidos lá se aprende na escola a ser empreendedor a transformar tecnologia e inovação em produto o brasil está caminhando para isso mas ainda não tem essa aprendizagem estabelecida explica soares o país precisaria investir muito mais em inovação para se aproximar dos que estão na dianteira dessa área ou apostando para ficar próximos na china por exemplo e sempre na china a expansão foi de mais de 215 entre 2005 e 2009 para 7.906 em 2009 e de 29,1 comparativamente a 2008 vide figura 2 nos últimos anos o governo tem investido muito para transformar a china em um país de alta tecnologia eles têm muito dinheiro e poder político quando o governo

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inovação e pesquisa clínica no brasil 2010 11 decide que vai por algum caminho ele realmente vai explica soares para quem a política brasileira para incentivar a inovação é muito abrangente quando é muito ampla o recurso por maior que seja ­ e não é o caso é escasso ­ não dá para fazer tudo talvez devêssemos discutir áreas prioritárias muitos países como o canadá fizeram assim e tem dado certo diz o presidente da biominas que mesmo em tempos de crise proteger e preservar a propriedade intelectual no contexto internacional é importante e necessário os estados unidos ainda lideram o ranking com quase um terço dos depósitos em 2009 ou 46.079 queda de 10,8 em relação ao ano anterior entre os países em desenvolvimento o brasil fica bem atrás também da coreia do sul com 8.049 pedidos em 2009 e alta de 1,9 sobre 2008 os países do leste asiático continuaram apresentando evolução apesar da crise global o japão o segundo com maior número de registro cresceu 3,6 com 29.807 com um total de 112 de 142 países que assinaram o pct ­ tratado de cooperação de patentes ­ as nações em desenvolvimento representam 14 do total de patentes registradas com china e coreia abocanhando 10 o brasil está à frente da África do sul 376 méxico 193 polônia 174 mas atrás da Índia 835 rússia 662 os concorrentes emergentes no conjunto dos países que fazem parte da classificação da ompi o brasil está na frente de 127 outros mas atrás de todos os brics china rússia e Índia embora os dois últimos tenham apresentado queda em relação a 2008 vide figura 2 efeitos da crise considerando todos os países e todos os setores houve queda de 4,5 do depósito total de patentes de 2008 para 2009 caindo de 163.247 para 155.900 de pedidos de patente segundo a ompi entidade que não faz registros e análises de patentes mas as promovem quando uma empresa ou instituição quer ter sua invenção protegida em outros países segundo o diretor geral da ompi francis gurry a queda já era esperada por causa da crise internacional mas ainda assim foi menor que as experiências registradas anteriormente um sinal de figura 2 ranking mundial de depósitos de patentes país 2005 2006 2007 2008 2009 participação sobre o total de 2009 variação sobre 2008 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 23 estados unidos japão alemanha coreia do sul china frança grã-bretanha holanda suíça suécia itália canadá finlândia austrália israel brasil 46.857 24.870 15.987 4.689 2.512 5.756 5.095 4.504 3.294 2.887 2.349 2.320 1.893 2.001 1.461 270 136.753 51.296 27.023 16.734 5.946 3.937 6.264 5.092 4.550 3.613 3.333 2.702 2.573 1.844 2.003 1.599 334 149.669 54.037 27.748 17.824 7.065 5.465 6.570 5.539 4.422 3.814 3.658 2.948 2.847 1.994 2.053 1.747 397 159.949 51.653 28.785 18.853 7.901 6.128 7.074 5.514 4.339 3.749 4.136 2.885 2.913 2.223 1.946 1.905 472 163.247 45.790 29.827 16.736 8.066 7.946 7.166 5.320 4.471 3.688 3.667 2.718 2.572 2.173 1.800 1.578 480 155.900 29,4 19,1 10,7 5,2 5,1 4,6 3,4 2,9 2,4 2,4 1,7 1,6 1,4 1,2 1,0 0,3 -11,4 3,6 -11,2 2,1 29,7 1,3 -3,5 3,0 -1,6 -11,3 -5,8 -11,7 -2,2 -7,5 -17,2 1,7 total depósitos fonte ompi estimativa

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12 maior fatia das empresas na classificação da ompi as empresas norte-americanas têm 29,4 do total de registros de patentes seguidas pelas japonesas com 19,1 alemães com 10,7 coreanas com 5,2 e chinesas com 5,1 a organização aponta quatro empresas japonesas entre as dez com maior número de pct aplicantes em 2009 a primeira é a panasonic corporation com 1.891 em segundo lugar a chinesa huawei technologies com 1.847 só as primeiras dez empresas com maior número de registros somam 13.363 ou 8,56 do total cada uma dessas empresas sozinhas têm mais registros que 121 países individualmente incluindo o brasil as empresas ligadas às telecomunicações e equipamentos eletrônicos dominam a lista das indústrias com maior número de aplicações a única ligada a um centro de pesquisa universitário o regentes da universidade da califórnia aparece em 40º lugar com 321 e uma queda de 26 com relação a 2008 quando se soma as áreas farmacêutica 12.200 registros química orgânica fina 8.841 e de biotecnologia 7.446 contabiliza-se 28.487 aplicações ou 18,3 de todos os pedidos de registro juntas elas superaram as áreas onde há mais investimentos no mercado pior posição entre os brics brasil desaba em ranking de inovação se comparado com rússia china e Índia dizem pesquisadores o mais recente ranking mundial de inovações coloca o brasil na 68ª posição contra a 50ª posição de 2009 nessa escala islândia suécia e hong-kong são os três países mais inovadores do mundo entre os latino-americanos o brasil ficou em 7º lugar perdendo entre outros para costa rica chile e uruguai quando se compara apenas com os quatro brics brasil rússia china e Índia o país foi o terceiro classificado em 2009 mas caiu para o último lugar em 2010 as informações constam do terceiro relatório realizado pela escola mundial de negócios insead em parceria com a confederação da indústria indiana cii a edição de 2010 do Índice de inovação global contém um capítulo específico sobre o brasil que é tratado como uma história de sucesso da américa latina estimando que a partir de 2014 o país deverá se tornar a quinta maior economia do mundo ultrapassando a grã -bretanha e a frança o estudo publicado pela agência de notícias bbc brasil chama a atenção para as perspectivas do país destacando a exploração do petróleo em águas profundas a agricultura tropical e a fabricação de aeronaves regionais na visão do insead e do cii o brasil leva vantagem em relação aos demais brics apesar da pior posição ao contrário da china o brasil é uma democracia ao contrário da Índia não possui insurgentes nem conflitos étnicos e religiosos nem vizinhos hostis ao contrário da rússia exporta mais do que petróleo e armas e trata os investidores estrangeiros com respeito diz o relatório outro dado que chama a atenção um em cada oito adultos brasileiros já tentou abrir um negócio o estudo também registra os obstáculos à inovação no brasil em especial a desigualdade social a infraestrutura brasileira seria inferior à da china e da coreia do sul os analistas defendem que a inovação brasileira se beneficiaria muito se a proteção da propriedade intelectual fosse mais forte no país ainda segundo o relatório o papel do estado no estímulo à inovação e às políticas do governo nesse sentido carecem de coerência e as instituições responsáveis por administrar os processos inovadores como o inpi ­ instituto nacional de pro-

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inovação e pesquisa clínica no brasil 2010 13 priedade industrial ­ mantêm tendências burocráticas e ineficientes a pesquisa classificou 132 países a partir de 60 indicadores diferentes tais como patentes por milhões de habitantes investimentos em pesquisa e desenvolvimento usuários de internet banda larga e celulares e prazo médio para se abrir um negócio no país o estudo também tentou medir o impacto da inovação para o bem-estar social incluindo dados de gastos com educação pib ­ produto interno bruto ­ per capita e o índice gini de desigualdade social no brasil pouco entusiasmo no congresso nacional maioria dos parlamentares brasileiros não considera a propriedade intelectual fator fundamental para o crescimento do país uma pesquisa encomendada em 2009 ao ibope pelo movimento coalizão de inovação ­ um grupo de empresários liderado pela fiesp ­ federação das indústrias do estado de são paulo ­ mostra um quadro preocupante a maioria dos parlamentares brasileiros não considera ainda a questão da propriedade intelectual como um fator fundamental para o desenvolvimento apenas 26 dos deputados e senadores entrevistados citaram a inovação tecnológica como uma janela de oportunidade para o desenvolvimento do brasil para os parlamentares estão na frente ações na área de educação e investimentos em infraestrutura com relação à pesquisa de 2008 caiu de 30 para 19 o número de congressistas que apontam o investimento em pesquisa científica como janela de oportunidade para o desenvolvimento apenas 15 dos entrevistados disseram conhecer bem a legislação brasileira que trata da propriedade intelectual ainda assim revelaram pouco conhecimento sobre o tema apenas 3 citaram a lei de inovação tecnológica de 2004 que cria incentivos para as empresas investirem em pesquisa e novas tecnologias como um dispositivo importante para o desenvolvimento nada menos que 41 disseram desconhecer legislação sobre o tema e caiu de 54 para 44 entre 2008 e 2009 o número de parlamentares que declararam ter interesse sobre o tema e o mais preocupante 90 dos deputados e senadores entrevistados afirmaram que a questão não é muito discutida no congresso o desconhecimento e a inconsistência nas opiniões e percepções sobre propriedade intelectual apareceram como o principal resultado da pesquisa repetindo o cenário de 2008 mesmo entre os parlamentares que declararam ter interesse e conhecimento sobre o tema foram observadas às vezes percepções e opiniões incoerentes vantagem dos pequenos islândia suécia hong kong e dinamarca lideram a edição deste ano do relatório o Índice de inovação global destaca o fato de os dez primeiros colocados de seu ranking serem nações relativamente pequenas cada uma tendo menos de 0,3 da população mundial na análise do insead e do cii populações menores podem tornar mais eficazes as políticas públicas os estados unidos que lideraram a pesquisa do ano passado caíram para a 11ª posição o estudo aponta a queda do investimento em inovação e a recente crise econômica entre as principais causas da queda sétimo colocado cingapura também mereceu um capítulo especial o impressionante sucesso do país é descrito como consequência da atuação do estado o investimento público em educação pesquisa e na indústria tecnológica fizeram de cingapura o país inovador que é hoje segundo o estudo governos devem intervir para formular regras eficientes com relação a patentes direitos autorais e o problema da pirataria afirmam os analistas o relatório conclui que os líderes de hoje não serão necessariamente os líderes de amanhã portanto a inovação pode ­ e em geral deve ­ ser desobstrutiva para catalisar o processo

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14 sobre o assunto concluiu a pesquisa apesar dos resultados ou por conta deles já se nota um movimento de preocupação dentro do congresso está sendo criada uma frente parlamentar de inovação e propriedade intelectual já anunciada pelos deputados júlio semeghini psdb-sp e armando monteiro presidente da cni ­ confederação nacional da indústria robótica e a química combinatória em muitas áreas vem desatando nós e o investimento na pesquisa e inovação vem deixando de ser um contrato de risco para se transformar em política necessária e saudável para os bons negócios complexo da saúde desenvolvimento lento e carente de aprendizagem brasil investe e tem desatado alguns nós em pesquisa mas não pode repetir erros do passado aconselham os especialistas se o número de patentes cresce pouco e a política de inovação ainda não deslanchou isso se deve a políticas que até hoje ainda perduram no meio empresarial o país ficou muito tempo sem leis que garantissem a propriedade intelectual e além disso a instabilidade da economia e a abertura abrupta do mercado a partir de 1991 pouco estimularam a inovação por muitos anos os empresários não pensavam em inovação porque podiam ganhar muito dinheiro com cópias agora o que tem mudado é que se eles não inovam não vão avançar fora do brasil se não tem patente as empresas nem iniciam uma conversa de negócios se não tem patente não tem nada explica eduardo emerich presidente da biominas hoje temos uma economia aberta e estabilizada mas o envolvimento com a inovação e pesquisa por parte das empresas ainda é lento e precisa de aprendizagem diz carlos henrique de brito cruz diretor científico da fapesp ­ fundação de amparo á pesquisa do estado de são paulo especialistas consideram que o país está no caminho certo ao lançar linhas de crédito dentro do bndes ­ banco nacional de desenvolvimento econômico e social criar fundos setoriais e induzir pesquisas por meio de agências de fomento como a finep financiadora de estudos e projetos os faps fundos e fundações de amparo e apoio à pesquisa embora os horizontes ainda estejam distantes o país começa a olhar para a na área da saúde apesar dos entraves há um direcionamento o brasil realiza investimentos em biotecnologia que já resultou em vacinas hormônios do crescimento e muitas outras drogas e engenharia genética como vem ocorrendo em alguns centros de excelência o governo federal tem dedicado atenção às áreas de inovação e produção de medicamentos no brasil com programas de incentivos fiscais e financiamento criação de leis específicas e desenvolvimento de parcerias com empresas estrangeiras para transferência de tecnologia as chamadas parcerias público-privadas ou ppps da saúde dentro de um programa chamado complexo industrial da saúde estamos trabalhando na garantia de mercado para as empresas farmoquímicas nacionais no fortalecimento dos laboratórios públicos e das indústrias instaladas no brasil sejam de capital nacional ou estrangeiro diz o secretário de ciência tecnologia e insumos estratégicos do ministério da saúde reinado guimarães parte da indústria multinacional que investe em pesquisa e desenvolvimento de novas drogas considera a iniciativa acertada joão sanches diretor de assuntos corporativos da norte-americana merck sharp dohme diz que no passado as iniciativas nesse sentido eram pontuais e hoje há no brasil um ambiente regulatório e de inovação propício que permitirá ao país dar saltos quânticos no futuro na área farmacêutica para as indústrias também é bom cerca de 80 a 90 do crescimento do mercado farmacêutico mundial nos próximos anos virá dos mercados emergentes do qual o brasil faz parte e estará entre o oitavo e sexto maior mercado do mundo em poucos anos É muito importante para as empresas participar desse mercado diz sanches.

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inovação e pesquisa clínica no brasil 2010 15 pesquisa clínica exemplo de desperdício se o brasil tem potencial e as empresas globais buscam oportunidades aqui os especialistas esperam que o país ao menos deixe de repetir erros de passado recente no início desta década o brasil perdeu a chance de ter um centro de novas terapias para o tratamento de doenças consideradas negligenciadas e de alta incidência como dengue malária e tuberculose muito comuns por aqui também a suíça novartis idealizadora do centro montou o instituto novartis de pesquisa em doenças tropicais em 2003 em cingapura país cujo foco está em atrair novas tecnologias esse episódio é o exemplo do desperdício nós temos colocado para o governo que estamos diante de oportunidades que estão sendo desperdiçadas por causa da burocracia e porque apesar de o país ter melhorado a atitude brasileira ainda está aquém do que é necessário observa antônio britto presidente-executivo da interfarma o brasil tem tido êxito em ampliar a sua capacidade na produção de vacinas e de alguns medicamentos básicos isso evidentemente é importante do ponto de vista social do ponto de vista tecnológico do ponto de vista econômico mas é apenas um começo o grande desafio é como desenvolver capacidade para gerar inovação e atrair pesquisa nos medicamentos e tecnologias mais complexos este é o desafio que está posto hoje complementa o executivo excesso de regulação inviabiliza expansão apesar da capacitação centros médicos e hospitais brasileiros realizam pouco mais de 1,2 do total de pesquisas clínicas mundiais assim como a inovação é essencial para muitos setores da economia a área de pesquisa clínica é uma das portas de entrada para novas tecnologias no setor de saúde da mesma forma o brasil tem enorme potencial mas perde inúmeras oportunidades os ensaios clínicos por exemplo ganharam impulso no país no passado recente em 1996 ano em que foi definida a regulamentação ética da pesquisa de novos medicamentos em seres humanos havia apenas 30 pedidos de autorização de testes de drogas protocolados no ministério da saúde em determinado momento o brasil acelerou o ritmo para abrigar novos estudos clínicos registrando 1.822 os estudos clínicos feitos no país potenciais medicamentos contra o câncer diabetes doenças cardiovasculares e aids lideram o ranking dos ensaios o número de estudos clínicos cresceu sinalizando que o brasil passaria a conviver com uma realidade diferente e positiva em relação à atração de novos ensaios entretanto na avaliação de especialistas o brasil não evoluiu mantendo sua participação mundial em patamares inferiores em comparação a outros países de 2006 para 2009 a participação da coreia do sul em clinical trials no mundo subiu de 0,5 para 1 a Índia passou de 0,7 para 1,5 e a china de 0,7 para 0,9 enquanto que no mesmo período o brasil ficou estagnado em 1,2 segundo o pesquisador brasileiro do mit ­ massachusetts institute of technology ­ e estudioso da globalização dos ensaios clínicos estima-se que nos últimos 10 anos mais de 100 mil brasileiros participaram de estudos clínicos cerca de 550 instituições médicas e centros de pesquisa no brasil estão qualificados para fazer os testes de medicamentos essa participação contudo está muito aquém das necessidades dos pacientes e da potencialidade do país dos us 40 bilhões investidos anualmente em pesquisa clínica o brasil vem recebendo pouco mais de us 139 milhões o brasil é dotado de uma excelente rede de centros de pesquisa e dispõe de cientistas com expertise reconheci-

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