Gazeta Valeparaibana

 

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Agosto de 2018

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Ano XI - Edição 129 - Agosto 2018 Distribuição Gratuita SEJA MAIS Rumo aos 70 anos da Declaração dos Direitos do Homem Assim como pedrinhas pequenas No dia 10 de Dezembro deste ano, completam-se 70 anos da declaração universal dos Direitos Humanos. Um marco na busca pela movimentam as águas dos lagos que seguem longe e geram ondas igualdade dos homens e uma data para nunca mais ser esquecida. que atingem o mar, cada um de nós pode mudar um cidadão, cida- Nos dias de hoje, pelo menos em princípio, todos os homens nas- dã que mudará mais duas ou três pessoas e essas outras pessoas cem iguais. Mas isso já foi muito diferente. E a casta em que se poderão mudar uma sociedade, um país e fazer desse mundo, um nascia, bem como o sobrenome que se carregava, poderia ser algo lugar melhor para se viver. que iria definir a sua sorte [boa ou má] pelo resto de sua vida Genha Auga Mariene Hildebrando Página 03 Página 04 O eclipse lunar com ‘lua de sangue’ mais longo do século aconteceu na Sexta-Feira 27 de Julho passada. E ficou conhecido mundialmente como a Lua de Sangue. CULTURAonline BRASIL - A boa música Brasileira - Cultura - Educação - Cidadania - Palestras Baixe o aplicativo www.culturaonlinebr.org Ventos de mudanças Não poucas pessoas no mundo reprovam severamente o atual regime cubano. Mas há muitos que o aprovam, por outro lado. Os defensores do Liberalismo econômico estão entre os maiores críticos ao regime. Sim, Cuba incomoda muita gente! Será que Cuba é realmente tão ruim assim como muita gente afirma? Será que há um sopro liberal na ilha de Fidel Castro? João Paulo E. Barros Página 05 "TÉCNICAS" SEGUIDAS NO BRASIL PARA SILENCIAR E ADULTERAR A VERDADEIRA HISTÓRIA DA COROA PORTUGUESA A história do Brasil e de Portugal era a MESMA história até 1822. No entanto, a historiografia brasileira tem-se norteado, regra geral desde a Independência em 1822, à contemplação de um projeto ideológico de poder e enferma de uma visão autocentrada da história do Brasil desconectada das fontes e acervos tradicionais da história e da cultura Portuguesa. Está, portanto, equivocada porquê assenta em um erro ou em uma deturpação ou em uma ocultação recusando-se a penetrar na alma autêntica Luso-Brasileira. Loryel Rocha Página 12

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Agosto de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 2 Projeção da população exige urgente reflexão Pesquisa divulgada no passado dia 25 de Julho pelo IBGE, denominada “Projeção da população”, mostra que Minas Gerais enfrentará, nos próximos anos – a exemplo do que deve ocorrer em todo o país –, um cenário social e econômico bastante complicado no que diz respeito ao perfil etário da população, caso não se tomem, desde já, medidas que possam atenuar possíveis impactos. Por um lado, a população de idosos deve dar um salto em relação à dos mais jovens, incrementando tendência de alta que já vem sendo experimentada. Em 2010, por exemplo, 22,8% dos mineiros tinham entre 0 e 14 anos e 8,10%, mais de 65 anos. Hoje, a relação é de 19,2% para os primeiros e 10,4% para o grupo dos mais velhos. ALGUMAS DATAS COMEMORATIVAS 01 - Dia Nacional do Selo 05 - Dia Nacional da Saúde 09 - Dia Internacional dos Povos Indígenas 11 - Dia da Televisão 11 - Dia Internacional da Logosofia 11 - Eclipse solar parcial de agosto 2018 12 - Dia dos Pais 12 - Dia Internacional da Juventude 12 - Dia Nacional das Artes 22 - Dia do Folclore 29 - Dia Nacional de Combate ao Fumo Reflexões do mês Em 2033, segundo a estimativa do IBGE, pela primeira vez na história, o número dos mais maduros no Estado irá superar o de crianças e adolescentes: serão 17% com idade maior que 65 anos e 16,7% com menos de 14 anos. Em 2060, cresce ainda mais tal diferença: 28,7% de idosos e 13,2% de menores. Outro aspecto preocupante da projeção, e que se relaciona ao primeiro, é a redução progressiva da fecundidade entre as mulheres. Dono, hoje, da menor taxa do país, Minas deve continuar como o Estado onde elas têm menos filhos até 2030. Como resultado, a população deverá começar a “encolher” oito anos antes que a média nacional. Hoje, o índice de fertilidade das mineiras é de 1,62 (ou seja, a média de filhos de cada uma é inferior a duas crianças). Dentro de 12 anos, esse indicador deverá cair para 1,60, enquanto, no Brasil, passará dos atuais 1,77 para 1,72. Isso significa que deve haver menor oferta de mão de obra jovem no futuro próximo. E que o horizonte pode se tornar nebuloso, caso não se façam investimentos adequados e Minas e o país encontrem maneiras de alavancar o desenvolvimento até chegar ao patamar de países europeus que já enfrentam tal situação. Dessa forma, talvez reduzíssemos a necessidade dessa força de trabalho e, paralelamente, aumentássemos a qualidade de vida da população. Outra questão crucial, diante de uma crescente população idosa, seria a implementação, o mais rápido possível, de uma reforma previdenciária justa e equilibrada, descartando distorções e privilégios a quem quer que seja. Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado. Roberto Shinyashiki Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o. Buda Podemos acreditar que tudo que a vida nos oferecerá no futuro é repetir o que fizemos ontem e ho- je. Mas, se prestarmos atenção, vamos nos dar conta de que nenhum dia é igual a outro. Cada manhã traz uma benção escondida; uma benção que só serve para esse dia e que não se pode guardar nem desaproveitar. Se não usamos este milagre hoje, ele vai se perder. Este milagre está nos detalhes do cotidiano; é preciso viver cada minuto porque ali encontramos a saída de nossas confusões, a alegria de nossos bons momentos, a pista correta para a de- cisão que tomaremos. Nunca podemos deixar que cada dia pareça igual ao anterior porque todos os dias são diferentes, porque estamos em constante processo de mudança. Paulo Coelho Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Agosto de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 3 Pensamentos e Frases Ditos Populares SEJA MAIS DAR COM OS BURROS N’ÁGUA A expressão surgiu no período do Brasil Colonial, onde Assim como pedrinhas pequenas movimentam as águas dos lagos que seguem tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e longe e geram ondas que atingem o mar, cada um de nós pode mudar um cida- café precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre dão, cidadã que mudará mais duas ou três pessoas e essas outras pessoas po- burros e mulas. O fato era que muitas vezes esses bur- derão mudar uma sociedade, um país e fazer desse mundo, um lugar melhor ros, devido à falta de estradas adequadas, passavam para se viver. por caminhos muito difíceis e regiões alagadas e muitos morriam afogados. Daí em diante o termo É necessário que, cada um, dê o melhor de si, meio bom ou meio ruim não fará passou a ser usado para se referir a alguém que faz um país crescer e sair da lama. Sem os fortes, dificilmente venceremos. um grande esforço para conseguir alguma coisa e não obtém sucesso Sim, estamos decepcionados com nossos governantes, porém não são eles que nos fazem jogar o lixo nas ruas para depois reclamar da limpeza pública, prejudicar o próximo, dar um jeitinho para se favorecer em alguma situação, vender-se por votos, e ainda chamar de lixeiro aquele que limpa a sujeira do próprio brasileiro. ENTRAR COM O PÉ DIREITO A tradição de entrar em algum lugar com o pé direito Não faça só o bem feito, não faça somente sua parte, faça melhor ainda, faça para dar sorte é de origem romana. Nas grandes cele- muito mais, podemos ser o melhor ou o pior brasileiro, pois o “mais ou menos” brações dos romanos, os donos das festas acredita- não tem dado resultado... vam que, entrando com esse pé, evitariam má sorte na ocasião da festa. A palavra “esquerda”, em latim, é Provoque quem está ao seu lado de maneira civilizada e inteligente para formar “sinistra”; daí fica evidente a crença no lado azarento um mutirão com sucesso. Não queira apenas “se dar bem” e sim procure em- dos inocentes pés esquerdos. Foi a partir daí que essa purrar seu semelhante para frente, a gerar resultados e construir o que ninguém crença se espalhou por todo o mundo. mais espera de nós. Não podemos ver os defeitos apenas nos outros como se fizéssemos tudo certo. O furador de fila pensa assim e por isso sente-se sem- pre absolvido e dessa mesma forma, os grandes saqueadores do país sentem que seus delitos são pequenos, mesmo porque, eles não caíram de paraquedas FEITO NAS COXAS no palácio do governo, nós os colocamos lá e cabe a nós tirá-los. Esta expressão surgiu na época da colonização brasi- Precisamos ser acima da média e banir os canalhas que nos impedem de cres- leira. As telhas usadas nas construções da época, feicer e, com equilíbrio, sair da zona de conforto e para isso, não podemos conti- tas de barro, eram moldadas nas coxas dos escravos. Assim, algumas vezes ficavam largas, outras vezes nuar a ser manipulados permitindo que os estúpidos continuem nos tomando finas, mas nunca num tamanho uniforme. Foi desta for- como alienados e ingênuos. Para isso é preciso unir forças e o Brasil, depende ma que surgiu a expressão, utilizada para indicar algo disso. mal feito. A maioria dos brasileiros são pessoas boas e ainda sonham, trabalham hones- tamente, mas são feitos de tolos pelos corruptos. É preciso arrastar-se para sair dessa e melhorar muito, mas muito mesmo, concentrando energias, priorizando FAZER UMA VAQUINHA nossos conteúdos, desenvolvendo através de muito esforço, a responsabilidade A expressão “fazer uma vaquinha” surgiu na década de de cada um com sua vida e mais com o rumo dessa nação que determinará co- 20 e tem sua origem relacionada com o jogo do bicho e mo todos viverão daqui pra frente. o futebol. Nas décadas de 20 e 30, já que a maioria dos jogadores de futebol não tinha salário, a torcida do Não será fácil e nem mudaremos tudo que precisamos de um dia para o outro. time se reunia e arrecadava entre si um prêmio para É como exercitar os músculos, ou fazer dieta... Leva tempo, mas, só persisten- ser dado aos jogadores. Esses prêmios eram relacio- tes conseguem bons resultados e os brasileiros precisarão ouvir mais do que nados popularmente com o jogo do bicho. Assim, dar opinião nas redes sociais, respeitar-se mais, manter o caráter, a tolerância e quando iam arrecadar cinco mil réis, chamavam a bola- força se quiserem realmente ir às urnas equilibrados e fortes. da de “cachorro”, pois o número cinco representava o cachorro no jogo do bicho. Como o prêmio máximo do Não podemos amar apenas um resultado e sim o que virá de um esforço cons- jogo do bicho era vinte e cinco mil réis, e isso repre- ciente e de uma luta inesgotável. sentava a vaca, surgiu o termo popular “fazer uma va- Genha Auga Jornalista – MTB:15320 quinha”, ou seja, tentar reunir o máximo de dinheiro possível para um determinado fim. Colaboraram nesta edição Uma radio a serviço da educação, cultura e cidadania Genha Auga Mariene Hildebrando Loryel Rocha João Paulo E. Barros Filipe de Sousa Elissandro Santana Guigo Ribeiro Wilson Ferreira Mayara Bergamo Thienne Mayrink Luís Fernando Praga Agência Brasil Lucia Helena Issa Thienne Mayrink IMPORTANTE Todas as matérias, reportagens, fotos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, podendo seus conteúdos não corresponderem à opinião deste Jornal. A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente para download na web Diretor, Editor e Jornalista responsável Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Agosto de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 4 constante entre os povos. E os documentos já mencionados, assim como uma adição de documentos que viriam [como por exemplo a “Magna Carta”] foram uma tentativa de contrabalancear o peso da injustiça que caía de uns homens sobre os outros. Mas um proble- ma recorrente era de que essas declarações eram subjetivas e va- riavam conforme os povos. A Declaração Universal dos Direitos Rumo aos 70 anos da Declaração dos Direitos do Homem Humanos tratou de universalizar os direitos, mostrando que não podiam ser tratados como assuntos particulares de cada Estado. No dia 10 de Dezembro deste ano, completam-se 70 anos da de- A Declaração surgiu após a segunda guerra mundial, numa tentati- claração universal dos Direitos Humanos. Um marco na busca pela va da ONU- Organização das Nações Unidas- de resgatar a digni- igualdade dos homens e uma data para nunca mais ser esquecida. dade humana por todos os países, um comprometimento que visa Nos dias de hoje, pelo menos em princípio, todos os homens nas- a preservação e a promoção dos direitos humanos. cem iguais. Mas isso já foi muito diferente. E a casta em que se nascia, bem como o sobrenome que se carregava, poderia ser algo É um documento internacional que pretende afirmar os di- que iria definir a sua sorte [boa ou má] pelo resto de sua vida. reitos universais do ser humano. Segundo o documento, “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Longos foram os anos em que os direitos dos homens eram Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os poucos ou inexistentes. Onde a vida humana eram até mesmo pro- outros em espírito de fraternidade.” priedade privada de outros seres humanos, cabendo a estes decidirem se eles possuiriam algum direito ou se desfrutariam apenas do A violação dos direitos humanos continua ocorrendo em todos os direito de estar vivo para servir. Punições cruéis ou trabalhos força- lugares, em vários países, infelizmente. Aqui no Brasil a secretaria dos eram comuns, e fazem parte da história de todas as civiliza- de Direitos Humanos divulgou que o número de denúncias de viola- ções onde o poder de alguns poucos prevalecia sobre a vontade de ção desses direitos aumentou 77% em 2012. muitos. E ainda que se pense que em alguns lugares do mundo em Os desafios que ainda temos são grandes. A violência gerada pelo que vivemos, estes cenários ainda existam, é inegável que houve ódio e a discriminação continuam a existir. O desrespeito à pessoa um avanço significativo no que diz respeito aos direitos humanos. humana também. Pessoas com subempregos, sem ter onde mo- Hoje é indiscutível que, mesmo o cidadão mais comum, deve ter rar, fugindo de guerras, saindo de seus países e muitas vezes não garantido os seus direitos civis e políticos, seus direitos naturais tendo acolhida e ajuda, o tráfico de pessoas, a escravidão, o trabatais como: direito à vida, à propriedade , à liberdade, à igualdade, lho infantil, a fome, a educação sucateada,são tantas as violações à segurança e tantos outros que hoje parecem tão comuns a todos, que não dá para enumerar todas. mas que já nos foram negados em um tempo não tão distante as- Direitos humanos servem para designar a mesma coisa, os direitos sim. Acontece que todos esses direitos mencionados são aquilo fundamentais do homem. Correspondem às necessidades básicas que chamamos de Direitos Humanos fundamentais ou seja, os di- do ser humano, aquelas que são iguais para todas as pessoas e reitos de todos os seres humanos, direitos naturais, que possuímos devem ser atendidas para que se possa levar uma vida digna. São desde sempre, são direitos inalienáveis. O fato é que é consenso princípios que servem para garantir nossa liberdade, nossa dignidaentre as nações que, nos dias de hoje nenhuma civilização pode de, o respeito ao ser humano para termos uma sociedade com isustentar-se sem a ideia de que sem os direitos fundamentais um gualdade para todos. povo jamais poderá ser completamente livre. É inegável que a humanidade evoluiu muito na forma como trata De forma mais detalhada, os Direitos Humanos são um con- seus semelhantes. Ainda estamos longe do ideal imaginado, muitos ceito filosófico mais antigo do que se imagina. E têm sua gênese seres humanos ainda estão desprovidos de seus direitos mais básiem um momento da história onde essas duas palavras, sequer e- cos. E por isso mesmo é tão importante ressaltar esta data que viram imaginadas. Podendo citar-se o “Cilindro de Ciro” como um rá. Pois ela marca exatamente o ponto em que estamos. Ainda que precursor dessa ideia. Neste documento, escrito por Ciro II, rei da longe do ideal, é o momento de maior igualdade e justiça que a huPérsia, já eram declarados conceitos como liberdade de religião e manidade jamais vivenciou ou experimentou. Desafios? Temos abolição da escravatura. Tendo este, chegado a ser descrito como muitos. Mas a nossa possibilidade de vencê-los é, neste momento, a primeira declaração universal dos direitos humanos já existentes. maior do que jamais foi em toda a história da humanidade. E isso é, Já na Roma Antiga, todos seus cidadãos com vida política possuí- certamente, um grande motivo para ser comemorado. am a chamada “Cidadania Romana”, e o cristianismo, na Idade Média defendia a igualdade de todos os homens. Bem, se tantos Um brinde aos direitos de TODOS os seres humanos! conceitos de liberdade e igualdade surgiram de tempos bastante antigos seria lógico perguntar-se por que demoraram tanto para Mariene Hildebrando que pudessem ser devidamente estabelecidos. A verdade é que e-mail: marihfreitas@hotmail.com em toda a história da humanidade a tirania e a opressão foram uma O assassinato da vereadora carioca como defensora dos direitos humanos ela "defendia bandidos" e Marielle Franco (PSOL) fez com que que isso poderia ter uma relação com seu assassinato. brasileiros debatessem o que signifi- Mas afinal, o que são direitos humanos? cam exatamente os direitos pelos quais ela lutava, gerando acaloradas Defender os direitos humanos é defender bandidos? discussões online. E há razões para o conceito ser comumente relacionado a determi- De um lado, aqueles que lamentavam nados grupos políticos? a perda de uma política ativa na defe- Direitos humanos são os direitos básicos de todos os seres huma- sa dos negros, dos homossexuais e nos, como, simplesmente, o direito à vida. Mas estão incluídos nedos moradores de comunidades ca- les também o direito à moradia, à saúde, à liberdade e à educação. rentes, e do outro insinuações de que Boas questões para discutir em sala de aula. Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Agosto de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 5 O mal da humanidade e a imunidade Ventos de mudanças Não será Cuba um exemplo a ser se- Não poucas pessoas no mundo repro- guido pelo Brasil? A Constituição brasi- vam severamente o atual regime cuba- leira de 1988 está completando quase no. Mas há muitos que o aprovam, por 30 anos, e outro lado. Os defensores do Liberalis- não poucas pessoas questionam a efi- mo econômico estão entre os maiores cácia dela. A Constituição atual conce- críticos ao regime. Sim, Cuba incomoda de muitos direitos sociais ao cidadão muita gente! Será que Cuba é realmen- comum, mas o Estado brasileiro é inefi- te tão ruim assim como muita gente afir- caz quanto à garantir tais direitos soci- ma? Será que há um sopro liberal na ais. Na teoria, a Constituição cidadã é ilha de Fidel Castro? uma das mais belas obras jurídicas do A nova Constituição cubana exclui o ter- mundo, mas na prática, os resultados mo Comunismo, reconhece o direto à almejados estão longe de serem alcan- propriedade privada, o casamento entre çados. Será que, tal como Cuba, o Bra- homossexuais, propõe também limitar o sil também não deveria rever concei- tempo de mandato do Presidente da tos? Mas mudar de Constituição neste República para dez anos e, criar o car- período em que estamos não é perigo- go de Primeiro-Ministro. E, apesar de so? Democracia é participação popular. Cuba não ser reconhecida como uma Se o povo puder participar da próxima democracia, ela permite a participação Assembleia Constituinte, vai ter a opor- popular, as pessoas comuns em Cuba tunidade de reivindicar direitos sociais podem opinar, podem dar sugestões, o ali mesmo na elaboração. O que é fato que é prática democrática de fato. incontestável é que o aparato estatal Cuba é um país da América Latina, foi brasileiro não funciona em favor da maicolonizada pela Espanha, tal como o oria da população, portanto, tem que Brasil, tem muita gente descendente de ser refeito. Alguém que tem a opção de africanos, os cubanos não são chineses trocar de carro vai permanecer com um e nem norte-coreanos, no aspecto cul- carro estragado que funciona mal? Altural, de costumes. Cuba é latina e cari- guém que tem a opção de trocar de cabenha. O objetivo das pessoas de bem sa, vai permanecer morando numa casa que tenham ao menos um conhecimen- caindo aos pedaços? Por que o Brasil to básico de política é a justiça social, não pode trocar de modelo de Estado? uma sociedade justa e igualitária, sem Tentativas são válidas, mas só não se grandes disparidades de renda. Pesso- mexe num time se ele estiver ganhando as bem intencionadas não sentem pra- o jogo. Se ele estiver perdendo o jogo, zer na miséria dos outros, mesmo de então vai ter que mexer no time sim! desconhecidos. Muitas das crenças Quem quer perder campeonato? O que marxistas e do Evangelho cristão tam- é mais fácil, emendar tudo o que não for bém, de amor ao próximo, de caridade, cláusula pétrea na atual Constituição solidariedade, de defesa dos trabalha- brasileira ou, promulgar uma nova dores, dos socialmente vulneráveis co- Constituição? O que vai funcionar memo moradores de rua, desempregados, lhor? Como os brasileiros vão encontrar menores abandonados, e outros, são ou descobrir o seu próprio modelo de moralmente corretas. No entanto, pos- desenvolvimento nacional? Vão ter que tas em prática através da política, não “reinventar a roda”? Vão ter que experifuncionam bem, não trazem os resulta- mentar novos modelos ainda não expedos que são desejados, impostas atra- rimentados? O que condiz com a natuvés do poder político, do aparato esta- reza do brasileiro? O que é certeza é, tal. A natureza do ser humano tem que se deixar tudo como está, a realidade ser levada em consideração, porque do país não vai mudar, é impossível! pessoas têm interesses e, quando um Mudanças são provocadas, são causaprojeto de governo colide com os inte- das. Alguém vai ter que tomar uma atiresses, há intensa resistência e reações tude diferente das costumeiras. Cuba ferozes. E quando colide com valores percebeu isso dentro de sua realidade morais, com princípios, conceitos já es- nacional e está tomando atitudes de tabelecidos de certo e de errado, tam- mudanças. E o Brasil? Os brasileiros bém há feroz resistência contra tal pro- não deviam abrir as suas mentes para jeto de governo. Quando um caminho novidades, para novas experiências ponão funciona da forma como deveria líticas? funcionar, o lógico, o obvio é adotar ou- tro caminho. João Paulo E. Barros Que poder te faz tão alucinado E faz a fé ferver teu sangue em ira? Que, parvo, bem te orgulhas do teu brado: “O cativeiro é meu, daqui ninguém me tira!” E teu viver… é vida de verdade? Ou vaza pelo ralo da torneira? Como podes saber da liberdade Se o preconceito te traz pela coleira? Servo infeliz, ser vil e acorrentado, Vigia teus irmãos, aponta, atira! Enquanto te sustentas de passado, Teu deus seva teus filhos na mentira! Por que culpar aos outros te faz bem? Não julgarás pra não seres julgado? Como podes amar sem ver a quem Se até o amor, a ti, é tão errado? Hipócrita cruel, pai do pecado, Coração da exclusão, mão da chacina! Teu cancro social foi espalhado, Mas lutas contra a cura e a vacina! Que tal amar sem ter que por na cama? Não há de ser tão duro o tolerar! Olha a transformação em quem se ama; Em quem clama por ti, só por te amar! Mas se o clamor da história não te ensina Que o paraíso deve ser aqui; Se infernizar já é tua doutrina, Não passarás! Passaremos por ti! Luís Fernando Praga Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Agosto de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 6 PAI CONFUSÃO NO ZOOLÓGICO Um dia ensolarado, que deveria ser festivo, encantador, quase acabou numa tragédia não fosse uma pessoa que na última hora, impediu de acontecer. Tainá, neta de dona Mônica, aprontou e bagunçou o armário do zoológico onde guardavam ração para amansar os leões. Também deixou caído por lá os vestidos usados e perfumes relaxantes de Jandira, a leoa preferida de todos por sua ostentação e sensacional urrar que demonstrava ser a melhor de todas daquele lugar. Jandira atacava todos e se irritava quando sua vaidade não era atendida, sem seu perfume preferido, não conseguia conter sua ansiedade antes de se apresentar ao público sem seus trajes preferidos, não se sentia bonita como uma vedete para seu show. Chamaram com urgência o domador para que a convencesse deixar de lado essas exigências tolas e acreditar que era amada pelos fãs assim mesmo. Enquanto isso, o público aguardava ansioso e impaciente pela demora. Mas, o que fez Tainá ter essa atitude tão irresponsável? Ela sabia da rotina do lugar e do temperamento de dona leoa, ninguém sabia o que acontecera e nem onde foram parar os apetrechos imprescindíveis para o tão esperado espetáculo. Mônica, conversando com a neta sobre o ocorrido, tentava refletir sobre o inesperado acontecimento sem imaginar que as pequeninas mãozinhas da garota estavam por trás de tudo aquilo. No entanto, ao chegar e ver aquele alvoroço todo, Marina que havia presenciado a garota atentando a leoa com vara curta, lembrou-se que o animal ameaçou avançar nela se continuasse a lhe importunar com suas birutices indolentes. Tainá gostava de ver a super woman estressada e sabia muito bem o que mais a provocava: mexer em sua ração ou ousar tocar em suas roupas impecáveis. A menina torcia para que ela perdesse a pose e deixasse de ser a número um do zoológico. Para a garota, a elefanta Rita, é quem deveria ter mais privilégios e oportunidades para se exibir, pois além de serem amigas ela era mais divertida, brincalhona e de porte superior e versátil e, como Tainá era neta da dona do zoológico, gostava de ameaçar a carreira de Jandira. Mediante a gravidade do problema, Marina contou a dona Mônica quem estava por trás de tudo antes que os espectadores fossem embora decepcionados ou, pior ainda, que a leoa atacasse alguém por não conter sua ira e, seus urros, na verdade, já estavam bem ameaçadores. Sabendo dos acontecimentos, Mônica chamou a neta e a fez entregar tudo que havia escondido e a repreendeu mediante o feito. Mas, para não ser injusta, assim que a leoa acalmou-se, puniu-a tirando-lhe o foco do show e, reunindo todos criticou veemente a atitude da neta e de Jandira decretando que, dali pra frente, a número um nas apresentações seria a girafa Valdirene que esticou o pescoço orgulhoso, piscou ao cuidador que com cumplicidade, respirou e retribuiu a piscadela. Pai é aquele que encoraja, Abre os braços para os primeiros passos. Ama os filhos antes de se amar, Conta histórias e esquece o cansaço. Pai repreende erros com amor, Molda o caráter do filho, muda seu destino, Pai envelhece, mas não vê que o filho cresce. Nem sempre é presente, Mas o bom filho entende. Para a mãe é um príncipe encantado, Para os filhos herói querido. O pai ora por seu filho a vida inteira, Cuida da família com preciosidade, Pai teme ficar idoso, perder as forças E nunca mais sair do anoitecer. Pai tem talento de proteger filhos, De lhe dar as mãos e os guiar Pai que é pai não se esconde, Derrama lágrimas quando seu rebanho é arrebatado Diante das mazelas da humanidade. E quem não tem mais pai encarnado Terá sempre o Pai Celestial E esse pai que tudo pode Nunca abandonará o coração do filho. Se teu pai está enfraquecido pela idade, Aposentado ou debilitado, Preso apenas por um fio do passado, Não o deixe sentir-se um fardo, Trate-o como um mestre Que aprendeu com martírios, Resistiu para lhe ver crescer. Viveu! Fez por merecer e, no final da trilha, Não poderá escolher, viverá exilado da sua mente, Ou no asilo se assim o filho quiser, Mas, se for bom filho, Mostre-lhe o Sol todos os dias Para que ele não tenha medo Do escuro levá-lo de você. Afinal, para ele, cuidar de dona girafa estaria longe de lidar com alguém com o ego como da leoa Jandira e com as safadezas de Tainá que se valia da condição de ser neta da proprietária para aprontar suas confusões saindo ilesa de tudo porque ninguém tinha coragem de delatá-la. Moral da história: “Não tem moral nenhuma, se quiser, reflita sobre uma”. Enquanto puderes e ele viver, Sinta-o, abrace-o todos os dias. Para quando você se tornar pai, Souber como vai ser... Valdirene passou a ser a grande favorita do zoológico e sempre a desfilar elegantemente aplaudida por todos enquanto Tainá e Jandira continuavam a se olhar de esguelha, mas, ambas pensando o que aprontar para acabar com o sucesso da nova estrela. Genha Auga Genha Auga Jornalista MTB:15.320 Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Agosto de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 7 A esperança não virá com as eleições… reacionárias também estão em nós, construção e projeção de décadas de educação bancária, fruto de práxis educacionais aparelhadas a serviço do Estado e de culturas teístas insustentáveis que nos atravessam em nossos afazeres sociais cotidianos, construtos e imaginários dos quais os políticos, os togados e a mídia empresarial tradicional se valem para nos manter sob a dominação e a manipulação. Quase a guisa de conclusão, externo que após o golpe pelo qual passou e vive a nação, parte dos mais desonestos e inocentes intelectualmente no que concerne ao “Fora, Dilma!”, ainda que timidamente, reconhecem o buraco/poço sem fundo no qual entramos, mas isto é pouco. Digo parte, pois a maioria ainda segue alienada sob a ótica da ilusão de que a destituição da primeira Neste exato momento em que ensaio esta reflexão, em cada rincão mulher do mais alto cargo do país, ainda que ilegal, mesmo com deste país, seja nas metrópoles ou em pequenas cidades, vilas e, nuances de legalidade e, portanto, de constitucionalidade, foi a até mesmo, em meio ao nada das ausências operadas pelo Estado melhor saída para o país. no ir e vir dos sertões, nas veredas da existência, milhões de Sinto muito em desapontá-lo/a, mas você que está aí todo/a crente brasileiros/as, mesmo diante do mal-estar na política e na de que se um candidato de esquerda vencer o jogo do trono, ou, economia desde o golpe político-jurídico-econômico-midiático dito de outro modo, conquistar o cargo presidencial, o Brasil entrará motivado pelos interesses mais tacanhos da elite colonial de nos eixos, está equivocadíssimo/a. A não ser que, capitalismo dependente, tentam sonhar, mas a esperança se concomitantemente, sejam escolhidos/as candidatos/as contorce. progressistas, revolucionários, para as cadeiras no Senado e na Ela, a esperança, a última que morre, agoniza em cada vivência, Câmara dos Deputados, que o judiciário seja todo renovado para experiência sensível-precária e na falta de perspectivas de que, desta forma, tenhamos posicionamentos jurídicos não coraçõezinhos que, desde que nascem, batem forte por esta nação personalistas e mais éticos constitucionalmente e, mais importante que escraviza até mesmo os sonhos e faz com que muitos pereçam que tudo, que a mídia seja regulamentada para a democratização no caminho. da informação, mas o quadro atual, infelizmente, nos prova que Em meio a tudo isso, queremos depositar esperança no futuro e isso é quase impossível de acontecer sem uma mudança na acreditar que as eleições de 2018, dependendo de quem seja arquitetura mental societária brasileira que, ao longo da história, eleito/a, viabilizará o projeto de Brasil como ainda sendo um país esteve subjugada aos mandos e desmandos dos poderosos branco do e de futuro. Mas, infelizmente, quem acredita nisso, precisa -racista-religioso-homofóbico-machista-patriarcais deste país que, conhecer e reconhecer, urgentemente, no mínimo, duas grandes desafortunadamente, em pleno século XXI, ainda possui fortes questões – Primeira: que o ideário de democracia se rasgou, pois a traços coloniais ao estilo séculos XVI, XVII e XVIII. mídia empresarial, o Senado, a Câmara dos Deputados e o Diante do exposto, faço questão de mencionar o seguinte: ou Judiciário, a serviço dos donos do capital interno dependente dos compreendemos que a revolução não se dará por eleição e que capitalistas estrangeiros, trabalharam (e sempre trabalharão, a não outro país só nascerá se entendermos profundamente as forças do ser que haja uma revolução, de fato!) em prol da desestabilização atraso e como elas se constituem, para combatê-las, ou da nação e do fortalecimento das forças externas, e, segundo, que, pereceremos sem escape. com o golpe, instaurou-se, de forma naturalizada nas discursividades e nas operacionalidades dos quatro poderes Por fim, Eu, como muitos, queria acreditar no poder das eleições do supracitados a cultura da destituição de qualquer candidato/a que ano em curso, mas, reitero, o golpe matou qualquer esperança no venha a ser eleito/a para a Presidência. futuro. Por enquanto, o pleito de outubro não representa, para mim, semiótica ou presciência para a mudança e bem da nação. A É oportuno pontuar que o golpe deu início a uma roda de horrores eleição, na conjuntura brasileira, é apenas mais uma ilusão para que precisa ser quebrada. Como e de que forma isto ocorrerá, esta que, assim, sigamos todos alienados acreditando ser viável, por é, talvez, a grande questão em torno da qual o Brasil, com rapidez meio dela, a transformação da grande pátria pelas urnas. O que e eficiência, precisa refletir para encontrar respostas sustentáveis está para acontecer em outubro é nada mais, nada menos, que o livres do romantismo analítico imediatista que paira nas Estado nos alienando ao limite, brincando com nossa memória e virtualidades e nas territorialidades ilusórias do exercício da nos violentando, mostrando-nos que a eleição é a nossa arma para cidadania, pois somente a partir da ruptura desse círculo será mudar o Brasil, para o nascer do país que queremos para o futuro, possível acreditar que quem sair vitorioso/a na batalha ou jogo do discurso deveras alinhado com a carga ideológica partidária de trono verde-amarelo seguirá na gestão da nação. panfletagem informativa política de certa emissora, que não direi o Ademais, no limbo político, ou explicitado de outra maneira, no nome para não dar ibope, ao serviço das oligarquias do poder, por estado de indecisão, de incerteza e de indefinição no qual estamos meio de uma espécie de lavagem documental-gráfico-imagéticoestacionados, as forças reacionárias no/do Senado, na/da Câmara discursiva em todos os seus telejornais, através de um quadro de dos Deputados, no/do próprio executivo a partir da coalisão com os vídeos de eleitores/as que chegam do Contamana, à Ponta do vampiros da nação de partidos diversos, fator sob o qual se arvorou Seixas, do Caburai ao Chuí, em uma espécie de osmose midiáticoo PT e todos os demais partidos que chegaram ao poder, politiqueira, fazendo com que a sociedade, historicamente historicamente, para a tal governabilidade, base na qual se assenta idiotizada, sem pestanejar, vislumbre a revolução numa eleição, a política brasileira desde os primeiros momentos de construção da mesmo que o nosso voto seja rasgado depois em golpes com o política e da nacionalidade, sempre encontrarão forças para a judiciário e com tudo, nos grandes acordos nacionais orquestrados projeção dos espectros da opressão e entrega do país aos anseios pela elite político-empresarial-colonial. das potências capital-belicistas. Cabe destacar que estas forcinhas Elissandro Santana Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Agosto de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 8 os interesses econômicos do sistema financeiro. Ele ressaltou, em entrevista ao jornal Brasil de Fato, que o foco na dívida e nas con- tas públicas, pós-golpe, foi para fazer caixa, para fazer o superávit primário, para o pagamento dos bancos. “Isto levou àquela emenda constitucional, a chamada PEC do Fim do Mundo, que congelou por 20 anos os gastos públicos, limitada apenas à inflação do ano anterior.” Então, isto inviabiliza o Plano Nacional de Educação (PNE) porque as metas do plano estão vinculadas aos recursos financeiros. Uma das metas principais, a meta 20, que determinava atingir 7% do PIB [para o investimento na educação] nos primeiros cinco anos, chegando a 10% ao final do período de dez anos. Como o plano foi aprovado em 2014, então a meta de 10% do PIB, deveria ser atingida até 2024″, disse. Para Saviani, que é considerado o criador da chamada Pedagogia Histórico-Crítica e já recebeu o prêmio Jabuti, a aprovação da e- menda constitucional por 20 anos, impedindo investimentos públi- Pesquisa do BID mostra que quase ninguém quer ser professor no cos, e iniciando-se a partir de 2017, conduz a limitação do Plano Brasil Nacional de Educação até 2037. “Como o plano vence em 2024, as metas ficaram inviabilizadas; algumas delas que deveriam ser atin- O estudo ‘Profissão Professor na América Latina – Por que a do- gidas no prazo de 2 anos, portanto em 2016, já venceram e não fo- cência perdeu prestígio e como recuperá-lo?’, divulgado hoje (27) ram atingidas, e aquelas cujo vencimento se estende até 2024, pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostra o também estão inviabilizadas por conta dessa PEC”, afirmou. Brasil em um projeto suicida, que desvaloriza a profissão de profes- sor. Segundo o professor, a reforma do ensino médio proposto pelo go- verno Temer (com o apoio dos partidos evangélicos e do PSDB), Apenas 5% dos jovens de 15 desejam ser professores de educação implica um retrocesso para a década de 1940, quando estava deli- básica. Um dos maiores ataques à educação foi feita após o golpe mitada a formação profissional de um lado e a formação das elites parlamentar de 2015, quando o governo Temer aprovou o congela- de outro. mento dos investimentos em educação por 20 anos “Em 1942, o decreto que é conhecido como Lei Orgânica do Ensino Já em países onde a profissão é mais valorizada, o interesse tende Secundário, determinava que o ensino secundário se destinava às a ser maior, como na Coreia do Sul, onde 25% dos jovens têm a elites condutoras, e nesse mesmo ano de 1942, foi baixado um ou- intenção de lecionar, e na Espanha, onde o índice chega a quase tro decreto, conhecido como Lei Orgânica do Ensino Industrial, re- 20%. gulando o ensino industrial, com o mesmo período de duração do Entre as razões para o desinteresse para atuar na educação básica ensino médio, quatro anos de primeiro ciclo, chamado ginásio, e estão, segundo a pesquisa, os baixos salários. “Mesmo nos últimos três anos do segundo ciclo, o colegial, para formar os chamados anos, após uma década de incrementos nos salários dos professo- técnicos de nível médio. Se o ensino secundário era destinado às res, eles continuam a ganhar consideravelmente menos do que ou- elites condutoras, infere-se que o ensino profissional era destinado tros profissionais”, enfatiza o texto. ao povo conduzido. Em 1942 foi a Lei Orgânica do Ensino Industri- A partir dos dados das pesquisas domiciliares, o estudo do BID al, e em 1943 a do Ensino Comercial, depois em 1946 saiu a do mostra que os educadores ganham cerca da metade da remunera- Ensino Agrícola”, contextualizou. ção de profissionais com formação equivalente. No Equador, a dife- Para ele, a reforma atual comete um absurdo ao atribuir aos ado- rença é menor, mas os professores ainda recebem 77% da remu- lescentes de 15 anos, a responsabilidade de definir o seu percurso, neração de outras áreas. No México, os vencimentos dos trabalha- os seus projetos de vida. dores da educação é de 83% dos de outros ramos. “Como é que um adolescente de 15 anos vai ter um projeto de vida Além da questão financeira, o estudo aponta para as condições de para poder escolher entre os cinco itinerários, àquele que corres- trabalho como razão do desinteresse dos jovens pela docência. ponde ao que ele pretende desenvolver na sociedade?” Nós sabe- “Muitas vezes a infraestrutura das escolas latino-americanas é defi- mos que os jovens de 18, 20 anos que ingressam no ensino superi- ciente em relação a equipamentos e laboratórios e até mesmo em or não têm clareza ainda da opção (…). termos de serviços básicos”, ressalta o documento. Por detrás disto está o entendimento de que a grande maioria vai O estudo menciona as informações levantadas pelo Laboratório La- para aquelas profissões de caráter não intelectual, que implica mai- tino-americano de Avaliação da Qualidade da Educação em 2013 or precariedade e salários mais baixos. Então, a diferença entre as sobre escolas de 15 países latino-americanos, incluindo o Brasil. elites condutoras e a população trabalhadora de modo geral, pro- Na ocasião, foi constatado que 20% dos estabelecimentos de ensi- clamada lá na reforma de 1942, tende a se acentuar com uma pro- no não tinham banheiros adequados, 54% não tinham sala para os posta como essa”, afirmou. (Veja no Brasil de Fato a entrevista) professores e 74% não contavam com laboratório de ciências. Coincidentemente, a reforma trabalhista também retrocede para O professor emérito da Unicamp, filósofo e educador, Dermeval Sa- 1942, quando foi criada a Consolidação das Leis Trabalhistas e há viani, de 73 anos, afirmou que a PEC (Proposta de Emenda Consti- também tentativas de criminalizar a mulher em casos de aborto que tucional) que congelou os gastos em saúde e educação não inviabi- remontam ao código civil anterior à década de 40. lizou somente a educação brasileira, mas o país como um todo. Agência Brasil Para Saviani, um dos pontos chaves que provocou o golpe foram Ser professor é muito mais que exercer uma profissão, dar aulas, aplicar e corrigir provas. Ser professor é uma profissão que exige muito esforço, preparo, conhecimento, pesquisa, tempo e dedicação, mais ainda, que requer compromisso e comprometimento. Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Agosto de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 9 Porque Deus quis ir prender vagabundo. Que com os meninos dali ninguém mexia. Era como uma santa na rua. Foi embora de besteira. Tava com uma tal de dor de cabeça fazia dias, mas ia que ia subindo as ladeiras da vida. Quando a dor tava no nível máximo, ainda fez ques- tão de dar de comer e pôr pra dormir seu neto caçula pra depois partir no sofá vendo notícia. Cê vê? É coisa maior. Coisa da vida que a gente não controla, só aceita e se- gue. Não tem muito o que fazer. Sabe que Clarice Lispector: “O que importa afinal, essa é mesmo minha maior impressão? viver ou saber que se está vivendo?”. Que a gente não tem muito o que fazer! Se *** vai na delegacia, depende do humor do de- Clarice Lispector: “Eu sou mansa, mas mi- Foi bem ali. Naquela esquina, perto da palegado. Advogado é caro e as leis são para nha função de viver é feroz”. daria. Só deu pra ouvir o barulho e o correquem tem dinheiro pra pagar advogado. A *** corre das pessoas desesperadas tentando gente fica com as mãos presas mesmo. Sêneca: “Dedica-se a esperar o futuro ape- entender. Veio resgate, helicóptero, mas Sem qualquer opção. Mesmo quando é es- nas quem não sabe viver o presente”. não deu. 3 vidas assim. Fico pensando que cancarado, ainda dá um trabalho lascado *** a ideia deles era tomar um sorvete e jogar para ter qualquer coisa que é de direito. Wilson Mizner: “A vida é dura e os primeiros conversa fora. Não partir. O moço quando Sim! Um trabalhão pra se ter o que é de di- cem anos são os piores”. saiu do carro mau parava em pé. Cheio de reito, o que o governo tem que garantir. *** sangue na cabeça e cachaça na alma. NunCansa! Jonathan Swift: “São poucos os que vivem ca mais ninguém soube nada. Mas foi preso Quando penso nessas coisas, me ocorre o presente; a maioria aguarda para viver não. Parece que é influente, filho sabe lá de algo interessante. Não sei se você concorda mais tarde”. quem. Para os outros ficou foi a dor e a comigo, mas me ouça antes de dizer qual- *** saudade. 3 vidas. Que que vai fazer? Deus quer coisa. Acho que Deus deve ter um pro- Vinícius de Moraes: “A vida é a arte do en- quis eles para um chamado maior no céu. jeto maior pra nós pobres! Vai ver que ele contro, embora haja tanto desencontro pela Porque perder a vida assim só pode ser plaodeia gente rica e quer mais é que eles fi- vida”. no de Deus. Igual o menino da época da quem aqui mesmo na terra, com suas fres- *** escola. Tava na festa, feliz e arrumou briga. curas. A gente ele quer perto. Talvez Deus Simone de Beauvoir: “Viver é envelhecer, Ou arrumaram. O ruim é que nunca contam goste do cheiro do feijão que a gente faz, nada mais”. direito o que aconteceu. Mas e daí? Muda o como nossos meninos correm despreocu- *** fim da história? Quem socou ou foi socado pados na rua. Não ligam de sujar roupa ou Dante Alighieri: “Do viver que é uma corrida ajuda, leva a dor? Não! Dizem que tava na ralar pé. Talvez Deus queira nossa festa lá para a morte”. festa e teve um problema. Discussão, gente no quintal Dele e com ele. Por isso a gente *** exaltada, foi formando um bolo de gente e vai tão mais rápido pra perto Dele. Só pode. José Saramago: “A vida é breve, mas cabe deram uma paulada. Foi quando o resto das A gente morre em fila de hospital, de fome, nela muito mais do que somos capazes de pessoas começaram bater. Tem vídeo na de bala e cachaça. Porrada, faca. Não vejo viver”. internet. Até a mãe dele viu. Eu nunca quis gente rica morrendo assim. Gente rica pode ver, mas diz que é bem feio. Também ficou *** Gonçalves Dias: “A vida é combate / que os tratar as doenças mais sérias em países por isso mesmo. Virou entretenimento para fracos abate / que os fortes, os bravos / só que tem o tratamento mais caro e melhor. A as pessoas. Resolver mesmo, nunca resol- pode exaltar”. gente pra aposentar, quando consegue porveram. Nem sequer foram atrás. Fica aque- *** que agora ficou impossível com esse nojenle zumzum, papo furado. “que não devia tá Sigmund Freud: “Somos feitos de carne, to fingindo ser presidente, tem que ralar coem festa”, “que coisa boa não devia tá fa- mas temos de viver como se fôssemos de mo se tivesse ainda em trem lotado. Por iszendo”. Gente besta! Com essa mania de ferro”. so acho que é um projeto maior. Acho que a ficar falando da vida dos outros e arruman- *** gente nem passa no julgamento final. Entra do forma de assuntar sobre. Dona Zé foi Leila Diniz: “Nem de amores eu morreria direto, se alimenta direito e pega a chave do igual. Vivia sorrindo, cantando. Forte igual porque eu gosto mesmo é de viver deles”. quarto que vai ficar. Lá sim a gente deve ter um toro, subia e descia sabe lá quantas ve- *** tratamento vip. Coisa que burguês tem aqui, zes a ladeira. Pra buscar os netos, pra com- Arthur Schopenhauer: “Como somos obri- a gente tem lá para toda eternidade. Vai ver pras no mercado. Ajudava seu Tião, Juarez. gados a viver, devemos sofrer o menos pos- que é isso. Essa loucura toda é por isso. Cansou de livrar os meninos da rua das sível”. Porque Deus quis. mãos da polícia, viu? Cansou! Certo ou er- *** rado, ia lá e metia o dedo na cara. Mandava Guigo Ribeiro Viana Moog: “Pensar é fácil, agir é difícil; O Judiciário brasileiro trata mal os pobres – especialmente os negros – e tem resistência em cumprir a função que a Constituição Federal lhe atribuiu. Vários estudos demonstram que o acesso à Justiça no Brasil não é igual para todos e que a raça e o nível social podem influenciar nos resultados dos processos judiciais, criando dificuldades para que práticas racistas sejam exem- mas a vida só pertence aos que sabem unir o pensamento à ação”. *** Humberto de Campos: “A vida do homem plarmente punidas. O Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, elaborado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – que analisou o andamento de vários casos de racismo e discriminação racial no Tribunal de Justiça do Maranhão e em outras doze Cortes Estaduais – aponta que 40% dos processos de acusação por prática racista tiveram os méritos considerados improcedentes não será a repetição, na Terra, da evolução da pimenta-do-reino?”. *** Mês que vem... Tem mais! pelos juízes na primeira instância. Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Agosto de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 10 A GUERRA HÍBRIDA NA NICARÁGUA cou a embaixadora da Nicarágua para dar explicações, enquanto o embaixador brasileiro naquele país foi chamado de volta a Brasília. O fato é que desde 18 de abril desse ano começou aquilo que a grande mídia vem descrevendo como "um amplo e popular levante" contra o presidente do país centro-americano Daniel Ortega. A crise começou de uma forma inesperada: pequenos grupos pro- testavam contra a reforma do sistema previdenciário quando foram violentamente atacados por supostos grupos pró-governo. Os ví- deos da repressão foram amplamente divulgados nas redes sociais – foi o rastilho de pólvora aceso para acabar gerando mais protes- "O assassinato da estudante brasileira de medicina na Nicarágua, tos e a espiral da violência e mortes nas ruas. em meio à violência nas manifestações contra o governo Daniel Or- Desde então a crise nicaraguense segue o mesmo script da crise tega, é mais uma evidência de que a crise naquele país segue o brasileira a partir das chamadas "jornada de junho" de 2013, marco roteiro já visto das guerras híbridas no Brasil e no mundo. Timing da guerra híbrida brasileira que culminou com o impeachment de perfeito", aponta o jornalista Wilson Ferreira, editor do blog Cineg- 2016. nose Financiamento de grupos capazes de articular protestos nas ruas; Velhas guerras, novas estratégias. Se pela Convenção de Genebra pequenos grupos promovendo ações extremamente violentas para (tratado de 1949 que define direito e deveres de pessoas e comba- repercussão midiática, provocando levantes dos setores médios da tentes em tempos de guerra) mulheres e crianças, como de resto a população civil, são protegidos por diversos artigos e protocolos a- sociedade. E o pano de fundo diário é a mídia corporativa, articulada em um discurso unitário de denúncia de "corrupção", críticas ao dicionais, com as modernas táticas de guerra híbrida elas se tor- afastamento do país em relação aos EUA e promoção do ideário nam as principais vítimas. neoliberal. E, principalmente, articulação de agentes internos no A questão é que a Guerra Híbrida não é uma guerra convencional: próprio Estado – judiciário, polícias etc. É um roteiro já assistido é a uma guerra semiótica: uma combinação de operações secretas, nas diversas primaveras que correram o mundo. pressão diplomática, coerção econômica, ciberataques e muita de- Não são mais necessárias bombas e mariners: a Guerra Híbrida sinformação – sempre procurando apresentar a ideia de uma con- encontra aqueles que façam o trabalho internamente em um país. frontação entre um corpo policial repressivo do governo-alvo do momento contra "protestos pacíficos". O elemento feminino de propaganda na Guerra Híbrida Seguindo o roteiro do cientista político Gene Sharp, da chamada Mas o assassinato brutal da estudante brasileira coloca em evidên"luta não-violenta" implementada pelos manuais de intervenção hí- cia um elemento importante na receita de uma Revolução Popular brida dos EUA, "protestos pacíficos" se transformam rapidamente Híbrida (RPH): a vítima feminina como importante peça de propaem incêndios, saques, bloqueios, nos quais manifestantes se con- ganda. fundem com milícias armadas. Sempre visando criar eventos para O momento certo da vítima feminina aparecer é quando a grande repercutirem midiaticamente como bombas semióticas para opinião mídia internacional já está retratando a RPH como "popular", pública. E mulheres e crianças são as vítimas exemplares. "espontânea" e como "o novo" na velha política carcomida pela cor- A morte da estudante brasileira de medicina Raynéia Lima em Ma- rupção. nágua, capital da Nicarágua, soma-se à estatística de centenas de Há quatro maneiras de produzir essa vítima: encenação (ex: a irani- mortos desde que os protestos explodiram no país em outubro. Ela ana Neda Agha-Soltan, o "anjo da liberdade", olhando para a câme- voltava para casa quando seu carro foi alvejado supostamente por ra enquanto aplicava sangue falso em si mesma); glamorização paramilitares que tomaram o Campus da Universidade Nacional (Caetano Veloso tecendo elogios a mulheres black blocs como "os Autônoma. olhos amendoados do anarquismo); dar ampla repercussão midiáti- O sintomático nesse trágico episódio foi a consonância da narrativa ca e em mídias sociais de mulheres vítimas de ações repressivas; da grande mídia e do governo brasileiro: a condenação imediata do encontrar uma fanática suicida; ou criar uma execução real. "aprofundamento da repressão" aos protestos na Nicarágua, antes E a RPH nicaraguense optou pela última alternativa. de qualquer investigação ou de declarações "do outro lado". De ca- ra, a execução da estudante brasileira foi colocada na conta do go- No caso da RPH brasileira não faltaram bombas semióticas da víti- verno Daniel Ortega. ma feminina: É como se o assassinato fosse uma espécie de "deixa" para colo- (a) Sob a rubrica diária de "País em Protesto" na grande mídia, foi car no ar uma narrativa já pronta. dado grande destaque a duas manifestantes femininas atropeladas em protestos na cidade de Ribeirão Preto quando a Land Rover de Crise "inesperada" um empresário. Vídeo circulou em redes sociais, dando mais um E nem é necessário se aprofundar na diferença de tratamento dada empurrão simbólico às "jornadas" de junho de 2013. pelo governo do desinterino Temer: enquanto o episódio das 51 cri- (b) O episódio de mulheres salvando cães beagles cobaias em um anças brasileiras presas separadas dos pais (imigrantes brasileiros Instituto farmacêutico em São Roque/SP em 2013: mulheres de nos EUA sem documentos) foi tratado de forma burocrática e proto- classe média salvando animaizinhos em meio a fogo e quebradeira colar, no assassinato de Raynéia a diplomacia do governo brasilei- de black blocs. Claro, para jogar a culpa no Governo e Anvisa ro mostrou uma indignação poucas vezes vista: o Itamaraty convo- (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) Wilson Ferreira GUERRAS HIDBRIDAS Guerra Híbrida é uma estratégia militar que mescla táticas de guerra política, guerra convencional, guerra irregular, e ciberguerra com outro métodos de influência, tais como fake news, diplomacia e intervenção eleitoral externa. Uma responsabilidade primordial dos Governos é proteger seus cidadãos das ameaças que coloquem em risco sua segurança, liberdades, bem-estar e a estabilidade de suas instituições de governo. Um elemento essencial da guerra híbrida é a dissimulação, o que dificulta a atribuição desse novo tipo de ataque. De modo que as autoridades espanholas, como as europeias e também nossos aliados na OTAN, estão investindo cada vez mais recursos humanos e materiais para combater esse tipo de ameaça. Essa estratégia de segurança nacional é um primeiro passo, imprescindível, para tomar consciência sobre a importância dessa ameaça e a necessidade de se responder coordenadamente. Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Agosto de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 11 A SEMELHANÇA ASSUSTADORA ENTRE O MBL E AS MILICIAS FASCISTAS ITALIANAS DOS ANOS 30 E A REAÇAO TARDIA AO FASCISMO ligas camponesas e qualquer grupo que pensasse de forma diferente dos fascistas. Poucas pessoas sabem que bem antes da II Guerra, os “fascios” foram responsáveis pelo assassinato de 600 italianos, enquanto a polícia italiana se omitia ou se recusava a fazer algo.Essas milícias, no início, usavam porretes e chicotes ao invés de armas, pois seu objetivo era humilhar seus inimigos e não matá-los. As milícias atacavam em bandos os partiggiani, ( hoje reverenciados como heróis na Itália), que muitos brasileiros desconhecem e que lutavam contra Mussolini e contra o fascistas, formando a maior força de resistência interna durante toda a década de 40. As milícias atacavam caravanas a cavalo, exatamente como grupos próximos ao MBL atacaram mulheres e homens que estavam participando de uma caravana política no sul do Brasil. Os Camicie Nere tentavam impedir que os jovens de esquerda e Há alguns dias, contei a dois amigos romanos, dois jornalistas que qualquer um que eles considerassem comunistas circulassem livre- vivem em Roma, onde morei por seis anos, que o movimento fas- mente pelo território italiano e lutassem pelos direitos civis. Assim cista MBL havia tido mais de cem páginas ligadas a ele deletadas como no MBL, havia entre seus membros uma massa heterogênea, pelo Facebook. desde odiadores contumazes e agressivos, passando por filhos de A reação imediata dos dois foi exatamente a pergunta que povoa militares, até oportunistas em busca de dinheiro ou de uma forma minha mente há dias. mais fácil de fazer uma carreira política. Ma perché solo adesso? ( Por que somente agora?) Os Camicie Nere odiavam os sindicatos de trabalhadores e protegi- am os latifúndios italianos. Tinham uma clara adoração pelos nazis- O fato é que na Itália centenas de páginas neofascistas, irmãs sia- tas alemães , que haviam escolhido as camisas pardas para as SA, mesas do MBL tupiniquim estão sendo deletadas desde 2013, sem com uma atuação muito similar aos Camicie Nere, e chegaram a possibilidade de retorno , por alimentarem o ódio aos imigrantes, a inspirar vários grupos fascistas na Europa, sem grande sucesso, misoginia mais primitiva, o machismo que mata, o falso moralismo como o grupo fundado por Oswald Musley , na Inglaterra, a União e o ódio aos muçulmanos ou a qualquer grupo religioso que não o Britânica de Fascistas, a Falange Espanhola, que recebeu o nome falso cristianismo dos neofascistas. de Camisas Azuis, o Parti Franciste, na França e até mesmo os In- Os jovens líderes desses grupos italianos, um dos quais entrevistei tegralistas de Plínio Salgado no Brasil, que foram chamados de Ca- em Roma há alguns anos, quando esses movimentos começavam misas Verdes. a surgir e eram vistos como excêntricos ou bizarros na península, Os milicianos fascistas italianos foram, como sabemos hoje, o gru- começaram a ganhar mais e mais adeptos nos últimos dez anos, po mais longevo e mais coeso porque tiveram o apoio de policiais e na mesma medida em que partidos como a Lega Nord , a Liga Nor- de líderes políticos italianos. te, na época liderada por Umberto Bossi, um dos mais agressivos, boçais e xenófobos políticos italianos ( um homem que se inspirava Os fascistas brasileiros, que vem agindo, sobretudo, em São Paulo nas milícias fascistas dos anos 30 e 40) começaram a ganhar força e no sul do Brasil contam com o amplo apoio de policiais, ex polici- no parlamento italiano. ais e até de uma senadora da República. A semelhança entre os líderes do MBL e as milícias italianas fascis- Vivendo em Roma, pude entrevistar pessoas que perderam seus tas, que deram origem ao histórico Fascismo italiano, é assustado- pais durante o Fascismo e centenas de mulheres que lutam para ra. Assim que surgiram, as milícias fascistas da década de 30 fo- que a história jamais se repita e o ódio não seja adubado. Recente- ram chamadas de “fascio”, uma espécie de feixe com vários grave- mente, um grupo de mulheres italianas conseguiu que o Facebook tos de madeira que, juntos, podem fazer uma fogueira, segundo u- fechasse mais uma página italiana, uma página chamada “Giovani ma das metáforas usadas na época. fascisti italini” (Jovens Fascistas Italianos), que tinha como objetivo alimentar o ódio e como membros jovens de extrema direita e dois O movimento dos “fascio” passou a ganhar força quando a Milizia senadores que os apoiavam. Volontaria per La Sicurezza passou a agredir os jovens de esquer- da, chamados por eles de ' comunistas' em passeatas perto do Co- Há alguns dias, depois de milhares de fake news, de anos alimen- liseu e na região da Piazza Navona . tando um ódio galopante e assustador , depois de milhares de men- tiras e agressões até mesmo a uma ativista como Marielle Franco, Os agressores eram chamados de Camicie Nere, Camisas Negras, assassinada no Rio há quatro meses, o Facebook brasileiro deletou porque que usavam camisas negras fechadas até o pescoço e agi- mais de cem páginas ligadas ao MBL . am em nome do anticomunismo, do antipacifismo e do ” nacionalis- mo”. Os Camisas Negras atacavam mulheres ( como as mulheres A pergunta que ainda me faço é: Ma perché solo adesso? atacadas em uma passeata no sul do Brasil recentemente) , espan- Lucia Helena Issa cavam jornalistas e intelectuais críticos ao fascismo, agrediam as FASCISMO O movimento fascista se desenvolveu na Itália no início da década de 1920 e acabou servindo como modelo para outros regimes políticos europeus de viés totalitário, com os da Alemanha, da Espanha e de Portugal, bem como para o “Estado Novo”, implantado no Brasil por Getúlio Vargas em 1937. O Fascismo surgiu no contexto do fim da Primeira Guerra Mundial, quando vários problemas, principalmente de ordem econômica, avolumaram-se no governo do rei Vítor Emanuel III. Apesar de ter sido um dos países que ganharam a guerra, a Itália, assim como os demais países envolvidos no conflito mundial, sofreu bruscos danos em sua estrutura econômica, o que gerou problemas de ordem social, sobretudo com relação aos trabalhadores do setor industrial. O anarco-sindicalismo era muito forte neste período, na Itália, e o Partido Comunista Italiano também havia se organizado neste país e tinha, por sua vez, fortes ligações com o comunismo da Revolução Bolchevique de 1917. Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Agosto de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 12 "TÉCNICAS" SEGUIDAS NO BRASIL PARA SILENCIAR E ADULTERAR A VERDADEIRA HISTÓRIA DA COROA PORTUGUESA 6) a adoção de autores e obras não portugueses, notadamente ingleses, franceses, alemães para falar da história da Coroa Portuguesa, desprezando as fontes primárias da própria Coroa; 7) A adoção da leitura histórica da Semana de Arte Moderna de 1922: a afirmação da não existência de documentos primários da Coroa Portuguesa; 8) A incorporação plena do discurso liberal-maçônico do século XIX de que Portugal era o país mais atrasado e subdesenvolvido da Europa; A história do Brasil e de Portugal era a MESMA história até 1822. 9) A partir da década de 1930 uma geração de historiadores vão No entanto, a historiografia brasileira tem-se norteado, regra geral construindo "teses" baseadas em "achismos interpretativos" sem desde a Independência em 1822, à contemplação de um projeto base documental. Exemplo clássico a tese dos "semeadores e la- ideológico de poder e enferma de uma visão autocentrada da histó- drilheiros" de Sérgio Buarque de Holanda; ria do Brasil desconectada das fontes e acervos tradicionais da his- 10) A consolidação da negação de que o Brasil antes mesmo da tória e da cultura Portuguesa. Está, portanto, equivocada porquê Independência, fizesse parte integrante de uma Coroa unida e coe- assenta em um erro ou em uma deturpação ou em uma ocultação sa em torno de um centro político. Por trás desta tese, está a defe- recusando-se a penetrar na alma autêntica Luso-Brasileira. sa da tese de José Bonifácio de que não existia a ideia de um Bra- A historiografia nacional, desde 1822, adotou alguns "caminhos" de sil unido e coeso em torno de um centro político. Bonifácio defende cariz revolucionário para tratar da questão relativa à história luso- seu projeto de uma pátria imaginada à revelia da VERDADE da Co- brasílica que cobre o período de 1500-1822. Cito, de modo resumi- roa Portuguesa; do: 11) A teoria da Espiral do Silêncio: o documento existe? Se sim, 1) A criação da tese do "Brasil colónia de Portugal" de José Bonifá- não se fala nele; cio com o beneplácito do Príncipe Regente D. Pedro; 12) A não aplicação da STATUS QUAESTIONES no estudo da his- 2) a criação do IHGB; toriografia da Coroa Portuguesa; 3) a criação de "como se deve produzir a história do Brasil" emba- 13) Uso do ARGUMENTUM EX SILENTIO. sada na historiografia alemã; Diante desses FATOS urge, portanto, adotar novos rumos, reabili- 4) a adoção do materialismo histórico e dialético na "leitura da his- tando Autores, Obras e Documentos no âmbito da lusofonia ostraci- tória", com destaque para Marx, Engles, Comte; zados, marginalizados, adulterados e silenciados pela norma domi- 5) a re-edição de obras com o "português atualizado", inserindo ter- nante, mas, imprescindíveis para entender a Alta Cultura luso-afromos, palavras e conceitos que jamais existiram nos documentos brasileira, contraponto indispensável à cultura de massa em voga. coevos da época em que foram primeiramente lançados; Loryel Rocha Professor e palestrante Fake News: do acordei foi uma barbaridade que me fez abandonar essa pregui- a praga da ça e me envolver em uma discussão sobre o tema. De acordo com vida pessoal o vídeo, que até parecia bem produzido, a esquerda brasileira e os que se alas- militantes LGBTQI tinham um plano secreto e cruel para legalizar a trou na socie- pedofilia no país, com a ajuda da Rede Globo. Não aguentei. Iniciei dade uma discussão que durou três dias e não levou a lugar algum. Ali- Essa semana ás, as pessoas que compartilharam e acreditaram no vídeo, pareo Facebook ceram confiar ainda mais nele após esse episódio. retirou do ar Nesses momentos, uma mistura de cansaço, preguiça, incapacida- 196 páginas e 87 contas vinculadas ao Movimento Brasil Livre – de, desolação e tristeza – por não poder dialogar sobre o contradi- MBL, pela disseminação de fake news. Juntas, essas páginas ti- tório com o outro, mantendo o respeito – me invadem e me fazem nham mais de meio milhão de seguidores. lembrar dos outros braços das fake news: a fofoca, a boataria e a “Antes tarde do que nunca” é a primeira coisa que me vem à men- difamação. te. A segunda coisa é uma preguiça enorme. Em meio a todos os Não serei hipócrita e não farei a pregação da moral de cuecas aqui, problemas que nos rodeiam como sociedade, nem era para perder- afinal, é muito provável que, em algum momento da vida, nos veja- mos tempo em discussões como essa. O falso é falso, pronto. Não mos como alvo, produtores ou reprodutores de alguma “fake news deveria causar comoção, não deveria ser passado adiante, não de- da vida privada”. Sabemos como pode ser difícil romper o ciclo de veria sequer, ser fabricado. E é justamente aí que reside o proble- invenção de histórias, afinal, a fofoca também pode ser uma manei- ma: ele é fabricado, é patrocinado e gera lucro para alguém. ra de socializar, de criar laços. A pergunta que deve ser feita nesse A disseminação é outra coisa. Indivíduos que têm a escolha e o pri- momento, talvez seja: qual a qualidade dos laços criados dessa vilégio de investir em educação, cultura e informação e ainda assim maneira? Tanto os pessoais quanto os que usamos para nos infornão o fazem, especialmente quando inseridos em uma sociedade mar, para interpretar a realidade? que congela esses mesmos recursos fundamentais por 20 anos Celebremos a iniciativa (tardia) do Facebook. Mas não nos conten- sem parecer se importar, não têm como interpretar narrativas. Não temos apenas com o desmantelamento da rede de fake news dos tem como interpretar a realidade, seja a própria ou a alheia. outros. Em um dos dias da semana passada, a primeira coisa que vi quan- Mayara Bergamo Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Agosto de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 13 + ALGUMAS DATAS COMEMORATIVAS DE AGOSTO 09 - Dia Internacional dos Povos Indígenas O princi- 01 - Dia Nacional do Selo pal propósito desta data é conscientizar sobre a inclusão dos povos indígenas na sociedade, alertando sobre seus direitos, pois muitas Esta data homenageia a emissão do primeiro selo postal pelos Cor- vezes são marginalizados ou excluídos da cidadania. reios brasileiros, em 1º de agosto de 1843. Outra finalidade é garantir a preservação da cultura tradicional de O Dia do Selo é celebrado principalmente entre os funcionários dos cada um dos povos indígenas, como fonte primordial de sua identi- Correios e os filatelistas – pessoas que colecionam selos – que, dade. normalmente, promovem exposições ou produzem selos especiais O Dia Internacional dos Povos Indígenas ainda presta homenagem comemorativos. a todas ascontribuições culturais e sabedorias milenares que esses O Brasil é conhecido como o segundo país do mundo a aprovar o povos transmitiram para as mais diversas civilizações no mundo. uso de selos postais nas correspondências, em 1843, sendo ante- De acordo com o senso demográfico de 2010, no Brasil existem cedido apenas pela Inglaterra (criadora do sistema de selos pos- mais de 800 mil indígenas, repartidos aproximadamente 305 etnias tais). diferentes, com cerca de 274 idiomas. Esses dados mostram que Os selos postais foram criados numa tentativa de evitar prejuí- no Brasil ainda existe uma população indígena expressiva e que zos com a devolução das correspondências. Antigamente, o paga- deve ser preservada. mento das cartas era feito pelos destinatários, caso este não acei- Origem do Dia Internacional dos Povos Indígenas tasse a correspondência, o correio ficava no prejuízo. O Dia Internacional dos Povos Indígenas foi instituído pela Organi- O diretor do sistema de correios de Londres, Rowland Hill desco- zação das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura briu que as pessoas utilizavam códigos secretos nos envelopes pa- – UNESCO, em 23 de dezembro de 1994, através da resolução 49- ra se comunicar com outras pessoas, sem a necessidade de rece- /214. ber a carta e, consequentemente, sem precisar pagar por ela. O primeiro Dia Internacional dos Povos Indígenas foi comemorado Com a chamada “reforma postal”, em 3 de dezembro de 1839, a em 9 de agosto de 1995, marcando o início da primeira década in- Inglaterra emitiu o primeiro selo postal, fazendo com que o reme- ternacional dos indígenas (1995 a 2004). tente tivesse que pagar o envio da carta antecipadamente, evitando Em 2007, comemorando a segunda década internacional dos indí- prejuízos para o sistema de correios. genas, foi aprovada a Declaração das Nações Unidas sobre os Di- O primeiro selo inglês se chamava “Penny Black”, enquanto que os reitos dos Povos Indígenas. ´ brasileiros ficaram conhecidos por “Olho-de-boi”, pois os valores de Entre alguns dos principais pontos da Declaração sobre os Direitos 30, 60 e 90 réis estavam inscritos numa esfera que lembrava a se- dos Povos Indígenas, destaca-se: mente de mesmo nome. A inserção dos indígenas na Declaração Internacional dos Direitos Atualmente, os selos 'Olho-de-boi' são as estampas brasileiras Humanos; mais disputadas pelos colecionadores. Direito à autodeterminação, de caráter legítimo perante todas as 05 - Dia Nacional da Saúde entidades internacionais; Os indígenas não podem ser removidos de seus territórios de modo A data tem o objetivo de conscientizar a sociedade brasileira sobre forçado; a importância da educação sanitária, despertando na população o Direito à utilização, educação e divulgação dos seus idiomas pró- valor da saúde e dos cuidados para com ela. prios; O Dia da Saúde também serve para homenagear erecordar a vida Direito de exercer suas crenças espirituais com liberdade; e o trabalho de Oswaldo Cruz, um dos principais responsáveis pe- las erradicações de perigosas epidemias que acometiam o Brasil Garantia e preservação da integridade física e cultural dos povos no final do século XIX e começo do século XX. indígenas; O Brasil ainda comemora o Dia Nacional da Saúde e Nutrição, 05 - Dia Nacional da Saúde em 31 de março. Origem do Dia Nacional da Saúde O principal objetivo desta data é ajudar a reforçar ações nacionais que sensibilizem a sociedade sobre os prejuízos que o tabaco pode O Dia Nacional da Saúde foi oficializado e inserido no calendário acarretar, seja socialmente, economicamente, ambientalmente e à oficial brasileiro através do Decreto de Lei nº 5.352, de 8 de novem- saúde das pessoas, principalmente. bro 1967, do Ministério da Saúde e da Educação e Cultura. Esta é uma preocupação grande no país, visto que ocâncer de pul- O dia 5 de agosto foi escolhido para celebrar o Dia Nacional da Sa- mão é dos tipos de tumores que mais mata no Brasil. Além disso, o úde por ser a data de nascimento do sanitarista Oswaldo da Cruz, tabaco também é responsável por outros males, como a infertilida- um importante personagem na história do combate e erradicação de masculina, a impotência sexual, derrame cerebral, enfisema, das epidemias da peste, febre amarela e varíola no Brasil, no co- bronquite, doenças do coração, etc. meço do século XX. O Dia Nacional de Combate ao Fumo foi criado através da Lei Fe- Oswaldo da Cruz nasceu em 5 de agosto de 1872 e foi responsável deral nº 7.488, de 11 de junho de 1986, que tem como proposta a- pela criação do Instituto Soroterápico Federal (atualmente conheci- lertar a população sobre os malefícios advindos do uso do fumo do como Fundação Oswaldo Cruz - FIOCRUZ) e da fundação da (cigarros, charutos, etc). Academia Brasileira de Ciências. Fonte: Calendar DROGA É UMA DROGA - Não peça para regulamentar, fuja dela. Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Agosto de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 14 22 - Dia do Folclore incorporadas ao modo de vida e ao repertório coletivo da cultura de uma fração específica do povo. O QUE É FOLCLORE? O QUE É CULTURA POPULAR? Existem correntes de pensamento que Cultura popular é um conceito originado da junção do termo francês acham que folclore é tudo aquilo que o civilization, que remete ao material, e do termo alemão kultur, que homem do povo faz e reproduz como remete ao imaterial, ao subjetivo. Por sua vez, popular é algo do tradição. Para outras, é só uma peque- povo. Desta forma, cultura popular diz respeito ao material e ao na parte das tradições populares. Para uns, o domínio do que é folclore é tão subjetivo do povo. grande quanto o do que é cultura. Para Porém, até na atualidade, ela ainda não foi muito bem definida, outros, folclore é a mesma coisa que nem mesmo pela antropologia social que dedica grande atenção ao cultura popular. De fato para algumas estudo da cultura. Seu significado e aquilo sobre o qual ele diz res- pessoas as duas palavras são sinôni- peito ainda são fontes de discordância, não caracterizam um con- mas. senso. Os pontos de vista sobre esse tema variam desde aquele em que fica claro, implícita ou explicitamente, que cultura popular O famoso folclorista Luís da Câmara Cascudo define folclore como não é absolutamente uma forma de saber, baseada na máxima “o “a cultura do popular tomada normativa pela tradição”. Para outros povo não tem cultura” como base de idealização romântica das tra- pesquisadores do e cultura popular. assunto há importantes diferenças entre folclore A maioria das pessoas acredita que os dois no- dições. Essa primeira concepção se relaciona com o contexto das sociedades capitalistas onde o trabalho intelectual diretamente rela- mes são a mesma coisa, sendo o folclore o nome mais conservador daquilo de que cultura popular é o mais progressista. As pessoas cionada com as elites assume o papel de destaque e superioridade em relação ao trabalho manual que diz respeito a uma maioria, do povo, ou seja, os criadores do popular e o do seu utilizam a primeira palavra e não conhecem a segunda. folclore não chamada povo. É a paradoxal oposição saber x fazer que além de possuir demons- Antes da proposição do nome “folklore”, havia muitos especialistas trações práticas, como a diferença de salários e desprestígio entre, estudando os costumes e tradições populares. Mais tarde, a esse por exemplo, um arquiteto e um mestre-de-obras, se estende a estudo se deu o nome de folclore, que é a fusão de dois outros ter- questões ideológicas mais profundas; o fazer popular como sendo mos: folk e lore. Eles têm origem anglo-saxônica e juntos significam o saber tradicional do povo. A palavra “Folklore” não foi aceita logo desprovido de saber, o povo não tendo cultura. As teorias a respeito de cultura popular têm a tendência de suprimir toda sua hetero- de saída, e quase que vira folclore. Três décadas depois desta preposição, foi fundada a Sociedade do Folclore, em Londres. Posteri- geneidade, colocando-as num mesmo bloco de “coisas” consideradas simplórias, rudimentares, deselegantes e anacrônicas. ormente, alguns estudiosos do assunto sugeriram que folclore, com letra minúscula, significasse modos de saber do povo, enquanto Um outro ponto de vista muito comum entre pesquisadores, sobre- Folclore, com letra maiúscula, o saber erudito que estudava aquele tudo folcloristas, é a questão da cultura popular constituindo apenas saber popular. Esse grupo considerava como seu objeto de estu- o lugar social onde as tradições são preservadas. Afirmar cultura dos: popular como sinônimo de tradições é encará-lo como uma outra cultura, cujo apogeu se deu no passado, e hoje em dia tentamos - As narrativas tradicionais: lendas e estórias. como os contos populares, os mitos, reproduzir. Nesse processo, no entanto, acabamos por agregar novos significados e conotações a essa cultura tirando-lhe a originali- - Costumes tradicionais: preservados e transmitidos oralmente de dade e desenvolvendo apenas a visão dela temos. uma geração à outra, os códigos sociais de conduta, a celebrações Faz-se necessário diante dessas insustentações nos questionar- cerimoniais populares. mos sobre o sentido mais profundo dessa expressão e se sua apli- - Os sistemas populares de crenças e superstições: ligados à vida e cação se tornará convincente. Em sociedades complexas e diferen- ao trabalho. ciadas alguns valores e concepções do interesse das classes, são - Os sistemas e formas de linguagem: seus dialetos, ditos e frases oficiais e até por mecanismos sociais bastante sólidos, como por feitas. exemplo, a família, como se fossem se tornar o modo de agir e de Entre o final do século XIX e o começo do passado, muitas formas pensar de todos. É uma tentativa de homogeneizar aquilo que é di- de definir o folclore como “equipamento mental” de um povo torna- ferenciado, uma ilusão de unidade. No entanto essa sociedade de ram-se habituais. Paul Sebillot o via como “uma espécie de enciclo- classes possui por si só uma heterogeneidade que já faz resistir a pédia das tradições crenças e costumes das classes populares ou esse processo. das nações pouco avançadas”. Já o antropólogo alemão Franz Bo- É possível a demonstração da existência de interpretações diferenas, diz que folclore é “um aspecto da etnologia que estuda a litera- tes daqueles que tentam se impor. Seria como se a sociedade tura tradicional dos povos de qualquer cultura”. transformasse essa unidade ilusória e recuperasse o múltiplo, o di- Essa compreensão do termo em questão também estabelece dois verso. As peculiaridades das culturas populares podem ser inseri- pontos: um que estende o folclore à cultura primitiva, e o outro que das nesse contexto como um conjunto de criações que emanam de considera o folclore como uma disciplina diferenciada de uma ciên- uma comunidade cultural, expressas por um grupo ou por indiví- cia, a Antropologia, e não como uma ciência autônoma. Já Arthur duos que respondem reconhecidamente às expectativas da comu- Ramos determina esse conceito como “uma divisão da Antropologi- nidade enquanto expressão de sua identidade cultural e social. In- a cultural que estuda os aspectos da cultura de qualquer povo que cluem-se nesse processo as normas e os valores, como a língua, a dizem respeito à literatura tradicional”.Aos poucos, a ideia de folclo- literatura, a música, a dança, os jogos e brincadeiras, os ritos, os re como apenas a tradição popular estendeu-se a outras dimen- costumes, o artesanato a arquitetura e outras artes. sões mais atuais. A Cultura popular e a Cultura de Massa O folclore vive a coletivação anônima do que se cria, conhece e re- Atualmente, a cultura de massa é utilizada de forma generalizada, produz, ainda que, durante algum tempo, os autores possam ser englobando toda e qualquer manifestação de atividades ditas popuconhecidos. Isto se dá com o herói, o mito, e com o rito até com a lares. Acaba que tudo pode ser inserido no cômodo e amplo con- própria vida cotidiana. ceito de cultura de massa. Porém, quando é questionada a real a- De um ponto de vista rigoroso, são propriamente folclóricas toadas, brangência do termo em questão, os que o usam indiscriminada- cantos, lendas, mitos, sabores, tecnologias que, durante a sua re- mente se vêem em situação difícil. produção através de cada indivíduo, de geração a geração foram CONTINUA NA PÁGINA SEGUINTE A DROGA superlota nossas cadeias.E só existe um o culpado, o consumidor! Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Agosto de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 15 CONTINUAÇÃO través de produtos de massa, fica-se muito bem definido de quem é Pensar o povo como massa é subestimar o primeiro, uma vez que determinado produto. Todo mundo sabe quem é Tom Jobim, mas massa é uma soma de indivíduos, é inerte e instável. Ela é sempre são poucos os que sabem quem compôs a letra de “Cai, cai balão”. passiva, sendo manipulada por influências instáveis da maioria, das A ampliação do domínio do folclore e da cultura popular se dá de modas e dos caprichos passageiros. Já o povo é movido por princí- formas distintas. Aquela história de “quem conta um conto aumenta pios individuais. um ponto” é análoga e pertinente ao caso do primeiro. Uma festa Temendo ser diferente do conjunto, os indivíduos que compõem a que nasceu no interior de Minas fica diferente a cada nova cidade e massa jamais discordam da maioria. Se alguém perguntar a uma estado onde ela passa também a ser festejada. Há uma adaptação pessoa se ela já viu determinado programa da moda, provavelmen- de acordo com cada região. É tanto que para fazer um simples bolo te ela irá assisti-lo, mesmo que não seja do seu gosto, para sentir- de fubá há várias receitas diferentes. se parte do todo, será “como todo mundo”. Assim sendo, a inserção Já a cultura popular não. Dá azar passar por debaixo da escada e nesse aglomerado de indivíduos impõe um padrão, todos se ves- ponto final, as únicas duas opções são acreditar nisso ou não. Não tem da mesma forma, gostam da mesma coisa, agradando sempre há pessoas no Sul do Brasil que acreditem que só dá azar se a es- ao outro. Então, há uma renuncia da individualidade. cada for verde ou no Norte que é sinal de má sorte apenas se pas- Desta forma, cultura popular jamais pode ser confundida com cultu- sar rolando por debaixo dela. ra de massa, tendo em vista que essa, na verdade não existe. Isto Uma última questão a ser levantada é que ambos os termos em es- se dá pelo fato de que a massa, por ser apática, jamais opina, não tudo são produtos da História, porém a influência dela em cada um é consciente. E a cultura, para realmente existir, precisa da inter- é diferente. O folclore, assim como na ampliação de seu domínio, venção individual. sofre mudanças estruturais de acordo com o contexto histórico. A A cultura popular é algo totalmente diverso. Ela tem movimento pró- Folia de Santos Reis foi alterada devido ao processo de urbaniza- prio, movendo-se de acordo com os seus princípios. Cabe ao povo ção que acarretou no êxodo rural. Desta forma, como a festa era formar a sua cultura peculiar, responsável por o diferenciar dos de- inicialmente uma peculariedade de cidades interioranas, ela foi jun- mais. tamente com os trabalhadores para as grandes cidades. Como os centros urbanos são diferentes das condições rurais, muitas altera- Já a falsa cultura de massa é simplesmente a manipulação dada ções foram introduzidas neste rito. pelos meios de comunicação. Não é por outro motivo que Britney Spears e o Mc Donald´s são apreciados e consumidos por pessoas Por sua vez, a cultura popular é encaixada a um contexto histórico, de diversos países. Também não é por outra razão que a cultura uma vez que há um certo tipo de produção em cada época, sendo popular e o folclore de cada povo vem sendo engolidos pelo desejo assim, datável. O que foi produzido nos anos 60, 70, em meio a Di- da maioria, pela massificação mundial. Sem se preocuparem com tadura Militar, só é o que foi devido ao momento. Não há nada an- as diversidades culturais, todos recebem a mesma falsa e estereoti- tecessor o sucessor que se pareça com a Tropicália. Desta forma pada “cultura”. não há transformação da cultura popular, mas um surgimento de novos elementos a serem somados. Diferenças entre Cultura Popular e Folclore Tendo em vista tudo o que foi discutido anteriormente, não há como As diferenças visíveis entre folclore e cultura popular não são no se pensar em folclore e cultura popular como sinônimos. Embora âmbito linguístico ou conceitual, mas sim social. O primeiro é visto não tenham o mesmo significado, no fim, estes representam uma como algo maior, um elo entre as pessoas de uma mesma nação, única coisa: a criatividade humana. uma interseção entre ricos e pobres. Porém ele é duplo, ao mesmo tempo em que ele é nacional é também particular de cada região. Semelhanças entre folclore e cultura popular Por isso, às vezes, pessoas do Rio de Janeiro não conhecem uma A semelhança entre folclore e cultura popular é tamanha que mui- música folclórica de Minas Gerais, apesar de serem estados vizi- tos acreditam que é melhor chamar o folclore de cultura popular. nhos. Isto se dá uma vez que na há apenas um folclore brasileiro, Tanto que no meio dos festejos somente um ato de cirurgia teórica mas sim uma soma de conjuntos folclóricos regionais. Os america- poderia separar de um todo significativo para os seus praticantes e nos se reconhecem como tais e não como tailandeses (e vice- consumidores populares o que é erudito, popular ou folclórico, a versa) através desta soma. Contudo nova-iorquinos e texanos, ape- festa é o conjunto de tudo. sar de ambos serem do mesmo país, também se diferenciam entre Porém, como já vimos anteriormente há algumas diferenças notá- si devido ao folclore de cada estado/cidade. Desta forma ele é co- veis, mas as congruências realmente são muitas já que ambos pro- mum às pessoas de um determinado local, embora também faça curam ler a memória de um povo nos pequenos sinais da vida coti- parte de um conjunto maior, o patrimônio nacional. diana, como costumes, objetos símbolos populares, enfim, os ritos Em contrapartida, a cultura popular é encarada com preconceito, ocultos presentes no cotidiano que ninguém sabe ao certo da auto- como sendo apenas pertencente ao plebeu. Todavia, ela é mais ria, mas que são repetidos de pessoa para pessoa, transmitidos de abrangente do que o folclore, uma vez que é compartilhada por geração em geração, de forma codificada, mas não escrita, oral- pessoas de todo país, e em alguns casos até em todo mundo. O mente, por imitação direta e sem a organização de situações for- material cultural do povo típico de um país é internacionalizado com mais e eruditas de ensino e aprendizagem.Ambos fluem através o seu uso, tornando-se patrimônio mundial. Desta forma, ele não das relações interpessoais. afirma uma identidade nacional. Não é porque um italiano usa catu- Outro importante ponto em comum é a valorização da tradição, tan- aba para impotência que ele vai se tornar um índio brasileiro. Mas to que esta palavra é mencionada incontáveis vezes nas definições italiano sabe que essa receita é característica do Brasil. tanto de um quanto de outro. Luis de Câmara Cascudo mistura as Esta diferença entre os dois conceitos em questão fica muito claro duas noções e define o folclore como a cultura popular tornada nor- quando se pensa em governos populistas. Para controlarem um pa- mativa através da tradição, tradição esta que é estendida por al- ís, estas figuras autoritárias usam a cultura popular e não o folclore, guns teóricos até a cultura primitiva.Pode se afirmar que a cultura já que não é conhecido por todos. popular também é formada por resíduos da cultura culta de épocas, Uma outra diferença é a propriedade intelectual. O folclore possuí às vezes até de lugares, como é o caso de países que sofreram a elementos com autores conhecidos e reconhecidos, porém a maio- influência da imigração, filtrada através do tempo pela estratificação ria destes são incorporados pelas pessoas sem haver qualquer pre- social. ocupação de se saber de quem é a autoria. A cultura popular, por CONTINUA NA PÁGINA SEGUINTE sua vez, quando pensamos no termo popular por atingir a todos a- Educar para o desenvolvimento e para o Bem Estar Social Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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