Confrades da Poesia100

 

Embed or link this publication

Description

Poesia Lusófona

Popular Pages


p. 1

Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano X | Boletim Mensal Nº 100 | Agosto 2018 CONFRADES DA POESIA www.confradesdapoesia.pt - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO/UNIVERSAL» SUMÁRIO EDITORIAL Capa: 1 A Voz do Poeta: 2 Ecos Poéticos: 3 / Bocage: 4,11,15,16,17,18 / Rota Poética: 5 / Cantinho dos Poetas: 7,8 / Tribuna do Vate: 9 / 10ª Aniversário: 10 / Faísca de Versos: 12 / Contos e Poemas: 13,14 / Rádio: 19 / Ponto Final: 20 O BOLETIM Mensal Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono e outros países “; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona, no acréscimo da Poesia Universal e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Para nós não existe concorrência. Existem parceiros de actividade! Tribuna do Vate …. página 9 Ofertas de Livros Pág. 15 Rádio Confrades da Poesia Nesta edição colaboraram 62 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Revisão: Conceição Tomé A Direção: Pinhal Dias - Fundador Colaboradores: Adelina Velho Palma | Albertino Galvão | Albino Moura | Alfredo Mendes | Amália Faustino | Ana Pereira | Ana Santos | Anna Paes | António Barroso | António Boavida Pinheiro | António Martins | Arlete Piedade | Arménio Correia | Artur Gomes | Carla Carvalho | Carlos Alberto S Varela | Carlos Fragata | Conceição Tomé | Damásia Pestana | Daniel Costa | David Lopes | Filipe Papança | Filomena Camacho | Graça Maria Costa | Helena Fragoso | Ivanildo Gonçalves | João Coelho dos Santos | João Furtado | José Caldeira | José Chilra | José Jacinto | José Maria Gonçalves | Luis Fernandes | Maria Alexandre | Maria Fonseca | Maria Fraqueza | Maria Margarida Moreira | Maria Rita Parada dos Reis | Maria Vit. Afonso | Miraldino Carvalho | Paco Bandeira | Pedro Valdoy | Rita Celorico | Rogério Pires | Rosa Branco | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Teresa Primo | Tito Olívio | Vitalino Pinhal | Vó Fia | Zzcouto | … Ver restantes no site.

[close]

p. 2

2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 100 - Agosto 2018 «A Voz do Poeta» Quero abraçar-te ( meu Portugal ) INGRATIDÃO SER CRIANÇA A alvorada rompia Em Portugal era dia Ia tudo labutar Também eu labuto O meu contributo É para ti cantar És o meu país Minha jóia querida Quero-te cantar Seria feliz O resto da vida Em ti eu passar Viste-me nascer Ver-me-ás morrer Se Deus quizer Mas vivo a sonhar Que hei-de voltar Um dia qualquer Refrão Bom dia Portugal Bom dia, bom dia Com muita alegria Canto-te afinal Porque estou ausente Quero-te lembrar Toda a nossa gente Eu quero abraçar Contigo estar Que bom seria Contigo cantar Bom dia, bom dia. Chico Bento - Suíça Vamos falar de amor Sublime esperança erguida Pelo mundo a compor A dar sentido à vida. O amor é o produto Fraternidade em flor A raiz o caule o fruto Não há maior esplendor. Mas plo mundo outras correntes A guerra o ódio... O amor Enfrenta várias frentes. Enorme seja o valor Infelizmente é incapaz De acudir a tanta dor. Aires Plácido - Amadora Quando o raio cortou a noite escura, Desflorando a dor de tantos medos, Girava a minha luz em vã procura Para afugentar os barcos dos rochedos. A tua barca branca, solitária, Zurzida pelas vagas da procela, Trazia rota a proa mercenária Do vento da desgraça e solta a vela. A luz do meu farol foi um aviso E fosse só por sorte ou por mestria Guinaste para a praia, duro piso, E ali ficaste, exausta, até ser dia. Beijei os teus cabelos noite fora, Irmão da tua dor, tua desdita, Sentindo que acalmavas, hora a hora, E te dava o que a mágoa necessita. Veio a manhã radiosa, resplendente, Na bonança que segue a tempestade. Olhaste então o céu... E no silente Mar voltaste a sonhar a liberdade. Rumaste ao horizonte indefinido A bússola nos olhos, pachorrenta, O lindo rosto aberto, em sal curtido, Em busca de um ocaso de magenta. Foste-te embora assim, aura de sonho, Nas dobras do desdém, na dor agreste Que vestiu o farol, triste, bisonho... Partiste assim... e nem adeus disseste!... Tito Olivio - Faro PECADO Nesse dia, que amanheceu Cheio de promessas, Só encontrou tédio por chão e céu. Perguntou amargurado: - Qual terá sido o meu pecado? Enquanto por ironia, A luz se afogava no mar a cumprir pena Por crime não cometido, Assim, também se sentiu ferido Por não saber como fugir Ao seu pecado. Triste fado! Altruísta e indulgente tantas vezes, Com o pensamento em tumulto Ou ferido por estigma ignominioso De pequenas covardias, Excluiu-se, pôs-se de lado. Chorou lágrimas amargas, Engoliu palavras ferinas E, assim, adormeceu o seu pecado. João Coelho dos Santos - Lisboa Ser criança É ter vida na mão Vive-la sempre com um sorriso Faze-la girar como um pião E toca-la como um guizo Ser criança É beber sol em cada dia Pintar de verde a lua Chorar de alegria E acariciar cada pedra da rua Ser criança É guardar no bolso o mar E ter no peito mil corações É ter um castelo para guardar E esconder nele as ilusões Ser criança É ser homem e menino É sonhar acordado todo o dia É fazer o universo pequenino É banha-lo de alegria David Lopes - Massamá TRISTEZA Mote "Sinto hoje a alma cheia de tristeza! Um sino dobra em mim, Ave Marias! Lá fora, a chuva, brancas mãos esguias, Faz na vidraça rendas de Veneza... (Florbela Espanca) Glosa Sinto hoje a alma cheia de tristeza! Cai chuva dos meus olhos lentamente Como se o céu se abrisse de repente Num esgar de nuvens prenhes de estranheza Um sino dobra em mim, Ave Marias! E eu rezo com a voz de quem não sente A saudade daquele amor ausente Na loucura que invade estes meus dias Lá fora, a chuva, brancas mãos esguias, Afaga a face, canta melodias E subtilmente, a sombra do luar Faz na vidraça rendas de Veneza... Tricotando gotas d'água sem notar Que chove em mim como em toda natureza. Maria Graça Melo - Lisboa

[close]

p. 3

Confrades da Poesia - Boletim Nr 100 - Agosto 2018 «Ecos Poéticos» 3 EXISTO POR TI És a força vital que me conduz, O motivo primeiro p'ra viver, A pintura mais digna de se ver, És poema maior, és riso e luz! Os sublimes momentos de prazer, Numa loucura sã que me seduz, São o meu paraíso e minha cruz, Minha doce vitória e meu perder... És a essência, cor, sal e sentido, A base, o alicerce em minha vida; Antes de ti, não lembro ter vivido! Terei sido, talvez, ave ferida Que pelo fogo tenha perecido E regressou, das cinzas renascida!! Carlos Fragata - Sesimbra São Tomé Que o Sol apareça e brilhe Neste dia especial Que a paisagem maravilhe Esta “menina” sem igual Que a poesia perfilhe Autora tão excepcional E que ela connosco partilhe Seu amor ambiental. Relatando a Natureza Sempre com a maior beleza Esta poeta é um encanto. Já de si és boa e bela Tua alma, grande estrela Meus parabéns, eu te canto. MariaVitória Afonso - Cruz de Pau Régio ser É a consciência de nada ter Que nos transfigura em régio* ser; Porque nos faz tudo n’Ele ver, Confirmando tudo n’Ele haver. Então nossa alma vive o prazer Que deriva de Deus conhecer. Olhos que estas letras estás a ler, Isto é o que Deus te quer conceder. * Próprio de rei. C.M.O. Educados Filhos da Escola. (Armada Portuguesa) Eram tempos de esmola, de barriga magrinha rapazes alistados na Marinha educados, filhos da escola… Da recruta à especialidade ITE e primeiro grau, com alunos de moralidade. Com as sortes do ultramar Lá iam os homens do mar… No Geba patrulhas na Guiné-Bissau, onde o coco era tombado por pau… O Comando da Defesa Marítima da Guiné por um desafio de novas listas com sinaleiros e telegrafistas… Uma Província de psico e não de guerra por lá havia festa, num ronco que encerra. Ao terminar a comissão o comandante era a favor de assinar a caderneta com um louvor… Pinhal Dias (Lahnip) PT AMIGO Amizade pura, é rara; E muito querida também; Palavra que sai bem cara, Porque muito amor contém. Amigo é aquele braço, Que está estendido p'ra nós; Que ampara o nosso fracasso Quando ele se torna atroz. Amigo é o beijo dado, Sem esperar retribuição, Com carinho povoado, No jardim do coração. Amigo, aquele que atura Nossa injustiça á toa. E mesmo assim não censura, E mesmo assim só perdoa. Amigo é o respeito, Do homem, p'lo semelhante, E todos têm direito, A um respeito constante. Amigo, é não deixar, Que um pé nos sobreponha, Para nos poder chutar, Lá, p'ró mundo da vergonha. O amor não grita... Um quarto, calado, com cortinas cegas... Janelas fechadas à rua indiscreta... Estores passivos à luz indireta Certezas crescendo abafando negas... A roupa atirada para os pés da cama Desejos acesos, a luz apagada, As horas batendo na noite apressada... Dois corpos submissos à paixão em chama... E o tempo não pára quando a noite morre E o sonho se embrulha na manhã que acorda Com silêncios velhos que a culpa recorda... Mas o amor não grita porque a vida corre Por caminhos novos, novas aventuras, Conquistando espaço vencendo amarguras É aquele que pressente Nossa dor e sofrimento; O que está sempre presente, Ao mais pequeno lamento. Mesmo se tem outro amigo, Não deixa de nos querer bem: Amigo, não vai contar, A nossa vida a ninguém. Amigo se entristece, Se passamos mau momento; Amigo se regozija, Se há em nós contentamento. Um amigo não desdenha, Na amizade põe zelo; Não critica, não maldiz, Não tem dor de cotovelo. Sou teu amigo, não esqueças! Diz Jesus: "Eu estou aqui!" E que tenho os meus braços, Sempre estendidos p'ra ti. Abgalvão - Fernão Ferro Anabela Dias - Paivas

[close]

p. 4

4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 100 - Agosto 2018 «BOCAGE» MIUDO DA RUA É um jovem, ainda uma criança Mas queria ser homem de verdade, Não enfrentar a dura realidade Dos jovens sem família e sem esperança. Do pai existe apenas a lembrança Dum homem que morreu na mocidade, Da mãe-amor-carinho, só saudade, Saudade que é um fardo que não cansa. Ficou só, na cidade que o rejeita E rouba o pão que a vida lhe roubou, Já que esmola não quer em sua mão. Nos bancos de jardim é que se deita... E o poeta que um dia o encontrou Outro dia, irá vê-lo na prisão! Pelo mundo viajei por ser marinheiro bem sei mas de consciência tranquila era um marujo reguila mas sem ter nenhuma maldade nunca roubei propriedade e os meus camaradas amei, mas foi com muita amizade não cometendo crueldade que pelo mundo viajei Vitalino Pinhal - Sesimbra Confissão Tinhas razão em partir, Porque eu não te merecia, Passei o tempo a traír, Esse amor que me sorria. PASSEI PELO SONO Passei pelo sono e sem pestanejar, fechei os olhos, e vi-te abraçar-me como se fosse a última vez que o fazias. Deixei-me ir…. Entreguei-me de corpo e alma, e voei naquele abraço que me pareceu totalmente real. Ainda tenho comigo o sabor dos teus beijos, e odor do teu corpo entrou neste bailado onde deslizei de alto abaixo as minhas mãos! Ouvindo a minha voz na delicia do meu sorriso, foi preciso continuar a permanecer naquele voo , de olhos fechados, para sentir o êxtase duma realidade irreal! Nogueira Pardal - Verdizela A FLOR SECA Andei a remexer no meu quintal E estão lá flores secas do passado, Com nomes num cartão nelas pregado, Mas sei que quando os leio fico mal. Mostraste sempre ternura, Aos meus falsos juramentos, Com teu amor e alma pura, De elevados sentimentos. Quis esquecer-te por vingança, Roguei-te pragas sem fim, E agora resta-me a’sp’rança, Que não te ‘squeças de mim. De olhos semi abertos, De pernas esticadas, com as mãos no peito, voltei o corpo para o outro lado, para o lado onde não estava ninguém, e disse de baixinho para mim: Que pena não ter sido verdade! Que pena. Que pena… Tivesse esta manhã lido, deitado, As tristes novidades do jornal, Que nunca ficaria em estado igual Ao deste, tão amargo e transtornado. Nesta minha confissão, Rogo a Deus p’ra seres feliz, Quero pedir-te perdão, Por todo o mal que te fiz. Cavei a terra à roda dum pé alto E logo uma saudade, num só salto, Pegou-se à minha mão. Salto certeiro. Estava num buraco de amargura, E trouxe à minha alma uma secura, Que andou colada a mim o dia inteiro. Tito Olívio - Faro Aceito seja o que fôr, P’ra te mostrar que mudei, Quero pagar-te com amor, Os desgostos que te dei. Francisco Manuel Neves Jordão Luxemburgo 21-12-2002 (fado pechicha) Oliveira Do Cordel esse grande poeta que é uma pessoa correta e cordelista fiel. Esse grande Menestrel hoje faz aniversário. Eu vi no seu calendário muito amor à poesia. Essa concreta fantasia do nosso meio literário. (excerto do poema glosado “O Cacilheiro” Do Inolvidável José Viana) Quando eu era rapazote, Eu emigrei lá do Norte, P’ra esta “Lisbia” tão Garrida! - E logo que aqui “xiguei”, - por ela me apaixonei... P’ró resto da minha vida. Gilberto Nogueira de Oliveira Bahia/BR Silvino Potêncio Transmontano/Natal/BR Joellira - Amora O silêncio O silêncio escapou por entre os meus dedos, O vento cumpriu os desejos da montanha Estrela, Enfeitiçou o meu sossego. Agora, desde o mais alto cume Só as palavras sibilantes me acompanham Num ritmo de tambores frenéticos. Transformo-me em pássaro Preparo-me para voar para o infinito, Para o vazio… Não esqueço o silêncio fortalecedor. Em cada gesto um novo alento, Em cada mão novos mundos. Voo agora em palavras que sufocam. O silêncio ficou perdido no tempo. O silêncio (na montanha Estrela) Surge nos rebanhos que pastam em sintonia Por entre os vales de urze. Anabela Gaspar Silvestre - Covilhã

[close]

p. 5

Amora Cidade Amiga I Amora cidade amiga Do Seixal está confirmado É uma amizade antiga Que nunca se desliga No presente e no passado II Mesmo de frente à baía Amora tem um moinho Quando a maré está vazia A reserva se enchia Nunca parava sozinha III Amora tem casas modestas Como quem lá vivia Muitas são como estas Ali se fazem as festas Mesmo à frente da baía IV Tinha quintas da nobreza Eram de gente de bem Ali trabalhava a pobreza Que lhes davam a riqueza Hoje parecem de ninguém V No estaleiro do talaminho Muitas reparações se fazia Hoje está ali sozinho De terra é o caminho Mesmo de frente à baía VI Para uma caminhada O que antes não havia É uma obra que agrada Mesmo ao lado da estrada Frente há sua baía VII Parabéns à freguesia Pela obra que tem feito Depois daquele dia É obra de mais-valia Merece o nosso respeito Miraldino Carvalho - Corroios Eu aprendi a comer o peixe assado com os dedos para mim não tem segredos sejam sardinhas ou carapaus agora não consigo aprender nem mesmo gosto de ver a comer peixes com paus Vitalino Pinhal - Sesimbra Confrades da Poesia - Boletim Nr 100 - Agosto 2018 5 «Rota Poética» FADO DO MEU FADO. (Dedicado à ilustre fadista D. LINA ALMEIDA) Quando o fado se canta, Da raiz do nosso peito, Logo a saudade se levanta, N’um clamor vivo sem jeito! Quem canta o fado assume Co’a voz que o orienta, Pra ocultar o ciúme, Que dentro de si rebenta! É triste o nosso fado, Qu’ecoa dentro de nós, Por vezes tão delicado, Que não nos sentimos sós! Cantei a pensar em ti O fado triste do meu fado, Nem imaginas o que senti, De não te ver a meu lado! Banalidades Tudo na vida se tornou banal As amizades As relações familiares ou sociais Os problemas de cada um em geral A educação e a informação Os discursos dos políticos As discussões no parlamento Os casos complicados na saúde, E o deboche nos hospitais, O aproveitamento de tudo para fazer greve A exigência de ter de cumprir em pouco tempo O que outros poderes levaram mais tempo a destruir, Tudo, mas mesmo tudo se tornou Inexplicavelmente banal Menos uma ou outra coisinha Futebol, seleção, Ronaldo, Ronaldo, Ronaldo O resto é tão banal Que eu acredito já nem merecer atenção Seja de quem for, Acordem todos, a vida não é só isso E mal damos pela coisa pode ser tarde demais! Dizem que o fado nasceu N’uma taberna em Alfama, O Marceneiro que ali viveu, O consagrou, deu-lhe fama! A guitarra nasceu pró fado, Com todos seus segredos, Pra que seja dedilhado, Por quem tenha finos dedos! É assim que o fado rola, Desde os tempos da Severa, Co’a guitarra e viola, Tem outra atmosfera! Fado é das descantes, Que o povo tem apego, Nasceram co’os estudantes, No Choupal do Mondego! A lenda do nosso fado, Tem tanta, tanta história, Por Amália elevado, Aos píncaros da glória! Nelson Fontes - Belverde Regina Pereira - Amora Parabéns Confrades Parabéns, Confrades Foram muitos os Poetas Gente de sãs veleidades Atingindo suas metas Com tais invulgaridades. Dez anos servindo a poesia Em Portugal de lés alés E também no Brasil Divulgado em terras mil Com toda a sua magia- Que continues a encantar Com toda a própria euforia Dos poetas a levedar Pão do espírito romântico A transpor o Atlântico. Dez anos pré-adolescente Confrades, maturidade É sempre muito premente E encanta muita gente Saudade, tenho saudades Dos dias que já vivi Saudades, duras verdades Por vos ter longe de mim! Amargos dias Que hoje vai festejar Conjugando o verbo amar E vai cantar A POESIA Neste dia de alegria Felismina mealha - Lisboa Maria Vitória Afonso - Cruz de Pau

[close]

p. 6

6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 100 - Agosto 2018 «BOCAGE» No Monte do Couto a Fonte do Padre “Antonho” À meia encosta do monte, Por entre juncos e silvados, Brotava água da fonte!.... A vida p'ra homens e gados! Paradisíaca paisagem... Eden dos sonhos, em embrião, Onde o vulto da imagem, Nos penetrava o coração! As aves canoras felizes, De lindas cores e matizes, Neste Jardim das Delícias, Eram um ornamento maior, Quando entre árvores em flor, Partilhavam doces carícias!... José Caldeira – Fernão Ferro Tem gente Tem gente que me amou e eu não amei... Tem gente que eu amei e não me amou; Tem gente que não sabe o que eu sei, Tem gente que nem sabe quem eu sou. Tem gente que partiu ou que ficou, Tem gente que ficou... mas já partiu, Tem gente que não viu o que olhou, Tem gente que olhou o que nem viu. Tem tanta gente vendo o que não vê, Ou crendo no que pensa que não crê, Que eu vou reconstruindo o que eu sonhar, Meu pé sempre pisando o mesmo chão Que faz do meu momento, um coração Que pulsa na emoção do meu olhar. Luiz Poeta- Luiz Gilberto de Barros RJ/BR MINHA FLOR, MEU AMOR Como é triste em claras noites de luar Estar aqui no meu Monte amado! Estou só - Amor - mas bem recordado Dos dias d'amor neste nosso lar. São saudade infinda tais momentos Jamais esquecidos por tanto amor! Éramos dois jovens (vidas em flor) Comungando os mesmos sentimentos. Tão breves anos hoje recordados Por quem te amou tanto nesta vida Boa parte neste rincão sagrado. Aqui te conheci, fomos namorados. Foste tu a minha Flor mais querida Neste jardim de amor por nós criado. JGRBranquinho - “Zé do Monte” Monte Carvalho - Ribeira de Nisa Amor falso Se tiveres amor à vida Não ames a falsidade Porque fazem-te a partida De te amar sem ser verdade Poeta Selvagem – Alentejo O MEU FIM... Batem as ondas agrestes... No rochedo da minha alma! Dias de solidão!... Da maresia mais salgada... Sinto o mar do infinito que me leva... Que vence treva... E rompe a manhã! Faço do infinito o finito Sinto a lágrima de cristal No fundo da nuvem!... Agarro o sal da vida... O mar da solidão.. Visto-me de algas... Quando o mar abrir... Eu serei onda que regressa... Sem receio de partir!... Nos meus versos, beijos de gaivota Que hão-de flutuar na Barca da Vida! Traços firmes da rota... Que percorre horizontes sem limites De barcos perdidos... Em marés de cetim… que me transmites Que navegam dentro de mim Vendavais vencidos... Nos corpos trazidos na maresia... Com as Rosas de Santa Maria... Na Rota da Agonia... Eu sou o Fim! Maria Fraqueza - Fuzeta Monte alentejano Nasci num monte pequeno Bem pertinho do montado Onde havia pasto e feno Azinheiras e sobrado No concelho mais bonito Que o baixo Alentejo tem O mais belo, eu acredito Santiago do Cacém Passei lá tempos felizes Em casa de meus padrinhos Ouvindo o cantar dos búzios E das velas dos moinhos Moendo os cereais na mó Fazendo a fina farinha Abençoado seja aquele pó Que delícias faz na cozinha Papas, bolos, massas e pão Que satisfazem toda a gente Dão calor e alimento ao coração No inverno frio, e no tempo quente! Regina Pereira - Amora Preciso de ti agora penso em ti a cada momento não sabes o meu sofrimento por de mim estares ausente vem e fica presente mesmo por escassos momentos para saberes dos meus sofrimentos e deles tu ficares crente sabes que estou doente com uma dor que me atormenta mas o que mais me violenta é de mim estares ausente... Vitalino Pinhal - Sesimbra A Carantonha da Correnteza Quinta da Maria Pires lá atrás Bem na frente o nosso Rio Á esquerda a Tia Perpétua E á direita o meu tio Quem vinha do Correr d´água Trabalhar no Pampolim Trazia sempre lembrança Que deixava para mim. Na minha memória arquivo. A vida na Correnteza Fosse o Raul Vindima vivo E essa carantonha feia Vinha pro chão de certeza Artur Gomes - Amora

[close]

p. 7

Confrades da Poesia - Boletim Nr 100 - Agosto 2018 «Cantinho dos Poetas» 7 HORA DE DAR AS MÃOS Imaginando Com(passo) É hora de parar e ao redor, Deitarmos um olhar bem complacente, Para se constatar que muita gente, Mergulha num constante mar de dor. Velhinhos que se encontram sem amor, Abandonados á sorte intransigente! Crianças sem lar! muito inocente, Naufragando em ondas de amargor. É hora de parar e dar as mãos! E sermos mais amigos, mais irmãos, Plantar amor, onde a dor causa danos. Abracemos a lei da igualdade Haja que raça houver, o que é verdade, É que todos nós, somos, seres humanos. Anabela Dias - Paivas ATÉ SEMPRE Desde ontem, Malanje conta mais uma Lágrima de Filho Dela que partiu. Tem junto, igual, outra lágrima de Pombal, onde Filho Dela viveu e ensinou a valer. Subindo lentamente pelas rimas, fecho os olhos… vejo-a linda, de sorriso cativante. De olhos fechados chamo-a, procurando o seu sorriso. Em minhas mãos abertas sinto o aveludado da sua pele como uma chuva de pétalas. Tateio em sua boca o hálito perfumado das palavras no silêncio da noite, em gemidos de ditongos por decifrar, famintos dos seus beijos. Lentamente abro os olhos, mas nada vejo, fico triste, mas continuo imaginando. Arménio Correia - Seixal Quem dera ter... No delicado encanto deste amor que tenho, sem te ter!... Quem dera ter asas fortes, soltar-me, ser Condor e aninhar no teu colo de mulher Escrevo Enquadro Apago Abr)o( com(passo) )lento( Giro Num esquadro 90 graus Encho o espaço Traço Desisto Não é isto. Apago Recomeço Num com(passo) aberto 360 graus Revejo... Que traçado indecente! Não apago! Giro (É a vida... Em círculos... sem fim!) Anna Paes . Brasilia/BR Na África e no Mundo, sua dádiva foi de diamante. Hoje, as gerações de Lá e Cá estão tristes, mas Vítor Duarte, apenas se mudou. Mano que estava junto foi na frente, mas não está distante. Descansa em Paz, Nosso Amigo. Zé p’ra ter-te só p’ra mim e em ti compor canções p’ra te cantar e te dizer que aqui, longe de ti, a minha dor... é nela, na almofada, podes crer que algum consolo busco, normalmente, e que me beija as faces, docemente, quando me entrego a ela já cansado e sereno adormeço, lentamente, para emprenhar uns versos, mentalmente, e em sonhos possuir-te... relaxado José Jacinto “Django”! Casal do Marco Prepassa o gesto do vento Como a asa do sol Que no mar imenso Num repente ficou parado Na palma da minha mão Albino Moura - Almada Abgalvão - Fernão Ferro Pintura - Fernando Pessoa Autor: Mário Juvénio Pinheiro Fernando teu nome Pessoa Pelas Arcadas do Martinho ecoa Poemas, prosas, lamentos Castigas teu corpo ao vento Cai o verde do teu absinto, Sobre os corpos da tua batalha E choros sobre a tua mortalha. Mário Juvénio Pinheiro – Amora Sem amarras Não sou cativa de nada, Nem sequer de mim o sou. Sigo o meu pensamento, A todo o lado que vou. Sonhei com a terra inteira Para me elevar às alturas. Sou minha própria bandeira, Tripudiei as amarguras. Não sou cativa de nada Nem sequer de mim o sou Ando livre pela estrada Que a vida já me traçou. Os meus sonhos? que ideia, No mar alto naufragaram. Os meus castelos de areia, As ondas também levaram! São Tomé - Corroios

[close]

p. 8

8 Confrades da Poesia - Boletim Nr 100 - Agosto 2018 «Cantinho dos Poetas» Sonho meu I Na calada da noite… Linda mulher me apareceu!!! Visão? Aparição? Sonho meu!!! II Tarde vieste ao meu encontro… Ò Beleza tão antiga e tão nova Tarde Te encontrei! Tarde sonhei … Pequena réstia de Sol de Outono … Será que ainda é possível sonhar? Não será o sonho uma ilusão? Haverá ainda Luz na estrela que se apaga? Dolorosa espera … Suave brisa matinal… Leve crepitar da Esperança. Confiança Renascida. Sorriso de criança!!! Como este amor me fascina Tão puro e profundo Olhas-me sem me olhar Beijas-me sem me beijar Estendes o braço sem mão Deslumbro-me sem saber Se respiro para te ver És a sombra sem sombra Que me vem proteger A onda que me enrola Em algodão de espuma Para não quebrar o encanto Desse abraço de pluma Levas-me fantasiada Ao sabor do vento Em voo lento Com doçura perfumada Damásia Pestana – F. Ferro Filipe Papança - Lisboa Humanos tão desumanos! Toureiro É carniceiro, Que exerce sua profissão A cavalo ou com os pés no chão, No meio dum redondel, Face a grande multidão, Que se excede em gritaria. Como é triste este papel, Com tanta velhacaria! Toureiro Ou carniceiro São para mim profissões Iguais, de pouca valia. Nem que eu ganhasse milhões, Eu jamais praticaria!... Hermilo Grave - Paivas Sonho Hoje sonhei com ela, estava linda! Deitada sobre um manto de nuvens brancas banhada pelo luar. Era luz que refulgia como estrela a brilhar. Ouvi seu doce cantar angelical sinfonia duma beleza sem par, e eu ali tão perto dela sem a poder alcançar, misto de dor e alegria, era a pura nostalgia Que me fazia sonhar. Quebrei as grades do tempo só para poder ficar, junto de ti meu amor Para em ti me enlaçar. Arménio Correia - Seixal D. ANA Lembrei-me de D. Ana. como a recordo tantas vezes, mas hoje manifesto a saudade. Um “General de mais de 1000000 de estrelas brilhantes de bondade, continuante pela vida fora, aqui e no Céu está lá, de verdade. D. Ana, a Ama das minhas filhas, das 5 e meia da Sofia que ia de Vale de Milhaços a Corroios embrulhadinha num cobertor e de autocarro e dormia só até a Centro de Saúde…. Depois, a pé, no bolso, no abraço, no andar ao colo, outra vez adormecia até À Quinta de S. Nicolau.... E D. Ana, 6 horas da manhã, nos recebia… Paz e Amor na entrada, e embora, sossegado, eu ia. Ama da minha Claudinha, “pintinha” depois da varicela, com Ela esteve protegida, depois E só não foi “Pimentinho Bravo: Belinha, D. Ana estava cansada, mesmo. Queria ficar sossegadinha. Mas tal qual Mãe, Avó, especial D. Ana dava-me sermões inesquecíveis, com carinho excecional, conhecedora das minhas vadiagens repetíveis se chateava e quando me apanhava a jeito, com a santidade anulando qualquer meu argumento, dava a ordem de General: Zé, , não se esqueça, ande por onde andar, mesmo que não dê importância, vem cá passar o Natal. Se não…. quando cá aparecer “Já lhe dou o arroz”! E pronto. Obediente, a Ela de surpresa, lá aparecia. E aquela porta com grades, e alarmes se abria e Ela sem abraço porque uma bondade tão grande não cabe dentro dos braços, me dizia: Já acabou a encharia (Vadiagem)? e sorria e ...senta-te! Tenho saudade desses dias. Da nossa Ana. Descansa em Paz “General”. Zé José Jacinto “Django”! Casal do Marco

[close]

p. 9

Confrades da Poesia - Boletim Nr 100 - Agosto 2018 «Tribuna do Vate» 9 Vivo por ti Preso à maré, olho o mar, Com a lua e o sol a brilhar, Na tua praia dourada, Trago no coração a nostalgia. Cego de paixão deixa-me andar Sereno e sempre a sonhar Contigo minha terra querida Numa outra vida caída. Baloiça na alma uma saudade… No chão que piso, sem vaidade, Minha voz tem ar adormecida Ao meio da vida já cansada. Sou um poeta que tenho bondade, Vivo por ti nesta ansiedade, Como emigrante distante Rogo a Deus por ti, docemente. Luís Filipe N. Fernandes - Amora Sonhos de Outrora A noite estava serena, O Céu estava estrelado, E eu? Por uma estrela Fiquei encantado… Pois ela era aquela Estrela, que eu vi brilhar, Nessa noite de luar! Adormeci a cantar para mim, Uma melodia suave e leve. Frágil como uma ave, Que a gente até não sabe: O que a sonhar senti… No canto da minha amada, Flor do meu amor, Em que nós festejamos, Os beijos que trocamos… Sob o Céu que ainda alumia, Onde o mar ondeia, Os sinais que fizemos! Ai despertei e verifiquei Que também estava dormindo! E nesse sonho sonhado Realizei que era um sonho lindo!... Luís Fernandes - Amora A terra desejada Desperta na minha mente O meu sonho de paixão quente. Existe para lá do horizonte Sob o sol na ilha, por achar. Eu, murmuro o céu e o ar Esse ar que ninguém vê, Esse ar que ninguém sente. Deixo aqui o meu pranto!... Vejo a terra poluída cruelmente, Vítima quantas vezes tens tragado? Por ti, sinto-me magoado, Pelo mundo estou comovido, Não sei onde está a luz da vida… O tempo avança e não agrada Ao futuro da criança Meu riso é eco mudo. A indicar o descontentamento De quem está caído no mundo Todas as dores passam… Pela terra degenerada! Luís Fernandes - Amora Bagatela do negrume. São esses grupinhos que são acrescentados de fofoquices por más línguas de tolices… Quando a língua entra em acção dá xeque mate ao coração… Heroísmo!? Tombou nesse protagonismo… Palavras malditas que caem no chão, mais tarde serão choradas nas quatro tábuas de um caixão… Essa bagatela do negrume com palavras soltas ao lixo, onde a madeira é ruída pelo bicho… E falem agora, do certo ou errado este poema será o seu fado que já nasceu malfadado… Lágrimas de sangue. O amigo do amigo enxuga a lágrima, mas o verdadeiro amigo é aquele que vai segurando essa lágrima… Deus criou as mães para enxugar as nossas lágrimas… Pinhal Dias Amora Por danças e festas lá vão bebendo uns copinhos a falsa turma dos grupinhos… Sob o Sol Sob o Sol da Graça Divina… Deus do homem espera mudança, Onde floresce a compreensão. Em qualquer dia de cada estação Nos olhos de uma criança… Existe cada vez mais esperança, De o homem dar atenção À vida da nova geração. Luís Neves Rádio Confrades da Poesia Romper com esse mundo da explosão os iluminados filhos da luz, que abafam essa escuridão… E se o mar está calmo!? … Canta-lhe um salmo… Pinhal Dias - Amora Um rio de poesia. Poesia…tu és um rio de boa nascente Fonte de água pura e cristalina… Entram os peixes, de maré crescente Pescadores pescam, com disciplina Rio de Judeu no seu posto e reposto Pla voz timbrada do declamador Veia poética no devido posto Amora com um rio de esplendor Rádio Confrades da Poesia P’la locução de Pinhal Dias Que nos dá muita primazia Ouvir músicas de alegrias. Luís Fernandes – Amora Fortes correntes: - enchente e vazante Da nascente à foz és mais hilariante Braço do mar, com vida e cortesia Flui as margens banhadas de cultura Com vozes poéticas de postura Deixa o rio satisfeito de poesia Pinhal Dias (Lahnip) PT

[close]

p. 10

10 Confrades da Poesia - Boletim Nr 100 - Agosto 2018 «X Aniversário» 1/8/2008/1/8/2018 10º Aniversário 1/8/2008 1/8/2018 Aos Confrades que fizeram a sua história nos Confrades é essa história que preservamos na Biblioteca dos Confrades... Pioneiros do 1º Aniversário dos Confrades da Poesia A.Pinto de Almeida - Agostinho Moncarcho – Alfredo Louro - Américo Lourenço - Ana Cristina Videira – Ana Rita - Ana Santos – António Bicho – António Mestre – Berta Rodrigues - Carlos Leite Ribeiro - Carmindo Carvalho - Cecília Rodrigues - Celeste Vieira - Clarisse Barata Sanches - Conceição Tomé - Efigênia Coutinho - Elvira Santos - Fernanda Lúcia - Fernando Reis Costa - Filomena Camacho – Francisco Rosário - Isidoro Cavaco - Ivanildo Gonçalves - João da Palma - Joaquim Evónio - Joaquim Sustelo - Jorge Vicente - José Jacinto - José Manangão – Luís Fernandes - Luís Vieira (Foreval) - Manuel Silva - Manuela Silva Neves – Maria de Lurdes Brás – Maria de Lurdes Vieira – Maria Petronilho – Maria Sesimbra - Maria Vairinho - Maria Vitória Afonso - Miraldino de Carvalho - Natália Vale – Nelson Fontes Carvalho - Nogueira Pardal – Piedade Vaz - Pinhal Dias – Pinto da Rocha - Preciosa Gamito - Quim D’Abreu – Rogério Miranda - Rosélia Martins – Sara da Costa Um dos Confrades não relatado aqui… Deu o seu silêncio... Dia do cão:Cão o melhor amigo Neste mundo tão cheio de ilusões, De sórdidas, perfídias, de perigo, Quem dera que entre tantos mil varões, Eu encontrasse um verdadeiro amigo. É duro declarar, porém, mal digo, Para sempre essas más ocasiões, Eu que matei a sede e dei abrigo, A certos tipos, todos canalhões! No entanto , eu agradeço a tais senhores, Porque dando-me paga aos meus favores, A aspirar sempre os sais da ingratidão, Me ensinaram a estimar um perdigueiro, Que tem sabido ser meu companheiro, Embora tenha a condição de cão! Nelson Fontes - Belverde SAUDADE. Saudade é um passarinho que esqueceu o gorjeio e vem pousar no telhado do nosso coração. Filomena Gomes Camacho - Londres LÁGRIMA é só uma lágrima não é mais que uma lágrima tem a cor de quem a chora é translúcida ametista é arte só não sei se é de rir se é de morte pouco tempo tem de vida nasce e morre na vertigem do espaço que ocupa Carlos Bondoso - Alcochete Ser amigo de verdade é um bem adquirido é um ser que nos é querido e nos faz muito feliz mas o velho ditado diz não há amigos de verdade e se nele houver falsidade corta o mal pela raiz Vitalino Pinhal - Sesimbra Douro Vinhedos circundam cada monte, Que elevam arredondadas cristas, Até tocarem a linha do horizonte, Deixando extasiadas nossas vistas. Longos socalcos, mapa de muitas rotas, Feitos de xisto (inspiração divina), Suportam as ingremes encostas, Cobertas por diáfana neblina, Onde homens de rostos tisnados, Recolhem o néctar dos divinizados. Vales profundos abrem caminho E vencem obstáculos sem parar, Para o Douro passar de mansinho, Na longa caminhada até ao mar. Acompanhando o curso do rio E a roçar a superfície molhada, Uma serpente de ferro, em desafio Sibila, ao passar em disparada! São Tomé - Corroios

[close]

p. 11

Confrades da Poesia - Boletim Nr 100 - Agosto 2018 «BOCAGE» 11 Negros Caminhos A vida é um deslizar de momentos envoltos na loucura de ser turbilhões que envolvem sentimentos e os fazem cair ao amanhecer é tempo de revolta e amor princípio e fim de cada estação desordem que marca a dor mortifica e sangra o coração é tempo perdido no deserto dos sonhos que se idealizaram mãos cheias de preces sonho perto mas que no vácuo se perderam Meu canto semeado neste tempo aos poucos vai perdendo energia tombam as forças num lamento para onde corres oh alegria? passados que são os dias e os anos neste tempo que é o nosso viver apenas sinto a noite dos desenganos onde fica a esperança do alvorecer? nestes negros caminhos vamos caminhando um pouco sem fé era o ontem passaram os anos por eles sigo sem saber onde é. Rosélia M. G Martins P.StºAdrião 10º Aniversário dos Confrades da Poesia Agosto 2008 – 2018 Dez anos de vida são contados, Que dois devotados poetas, Em busca de novos horizontes, Encontraram as primeiras metas Em terras de Trás - os - Montes. Perto do céu e longe do mar, Entre rios, montes e vales, Com vestígios dos Celtiberas. E, tocados pela magia do luar, Das belas ninfas, musas e quimeras, Criaram o Boletim em certo dia, Que deu origem aos “Confrades da Poesia”! GRANDE DESAFIO * Deixa dar-te um elogio Pinhal, nesta ocasião. Pelo grande desafio Na Rádio, que tens à mão! * Pelas belas emissões, Que nos enchem de alegrias Fado e lindas canções, Recitando poesias! * Pelo grande empenhamento Na Rádio, horas sem fim! E o vasto conhecimento Como o dominas assim! * Darei o meu contributo Sempre que possa, eu aludo Mas vejo neste reduto… O Pinhal, como Escudo! * Se o Pinhal não existisse, Tinha de ser inventado Para que a gente o visse Em Amora, ou outro lado! * João da Palma - Portimão PARA SE VIVER Fogo incandescente Riqueza orgulhosa Jogo d’Alma Ardente como o Sol Quem te tem não fica no deserto Tens a virtude De te deixares envolver... Tua a glória que brilha No poder d’esta terra São carícia…são delícias Amor em que se acredite P’ra aos Deuses se oferecer... Naquele perfeito ser amado Dominado pelo desejo Ninguém se vai afastar Sem a felicidade d’Amar… Na flor desta idade O poeta vai cantar Elevar às alturas da felicidade A graça de conhecer Riqueza adornada p’ra se viver… São Tomé - Corroios Carlos Alberto S Varela (CASV) Primavera Quando a primavera se inicia Há certa ordem e obediência: Chega tempo de florir e parir, Floresce árvore, sem se vestir. E folhas novas, tementes ao frio. Espreitam do ventre tolhendo o brio Mas, a tempo, soltam a exuberância, E em obediência ao tempo, a aparência. Obedecendo a ordem da natureza, Cada planta, sua flor, cor e beleza Cumprindo a diversidade programada, Floresce variada cor, não segregada. Obedecendo a cena política sazonal As folhas velhas de Outono Se esvaem no turbilhão do abandono Assim floresce, nua, a árvore afinal. Vai de bengala a esfarrapada Idosa, Gente de cor, visivelmente amorosa… Apoio? Só de quem quer parecer na vida! Floresce, decresce e parece escurecida. Usufruto dum eventual subproduto? Oferta? Nem se for a flor de aqueduto, Que natureza tudo valoriza com primor Que até de mão de cor tem mais amor. Amália Faustino – Praia/Cabo Verde PARABÉNS Um dia, outro, o tempo vai passando, A vida entra por nós sem que vejamos Que em busca do futuro, caminhamos Umas vezes vivendo outras sonhando. P’ra chegar mais além vamos andando Em busca do futuro que almejamos, Algumas vezes sofremos e choramos Outras vamos felizes e cantando. E um dia em cada ano que vivemos Sentimos junto a nós tudo o que queremos Ao festejar um dia especial. Aquele dia certo no calendário, Que é o dia do nosso aniversário O dia que, por nós, foi de Natal. Nogueira Pardal - Verdizela

[close]

p. 12

12 Confrades da Poesia - Boletim Nr 100 - Agosto 2018 «Faísca de Versos» Há sorrisos...e sorrisos! Com um sorriso, talvez, se pode alegrar alguém ou suprir-lhe a timidez que o oprime e faz refém! Sorrir não doi nem magoa se sorrimos com franqueza! Com sorrisos se perdoa e se mitiga a tristeza! Vê somente como irmão quem por ti na rua passa e sorri com afeição sem olhar ao credo e raça! Há sorrisos...e sorrisos!... Os bons de amor ou amigo e os que são reles avisos os “amarelos”... vos digo! Quando sorrimos trocamos palavras sem serem ditas sejam de amor quando amamos ou se odiamos...malditas! Com um sorriso se engana sorrindo também se trai e num sorriso se emana o que na alma nos vai! Há sorrisos que nivelam prazer, amor emoções e há sorrisos que revelam o amargo das frustrações Num sorriso nos perdemos se nos transmite paixão mas há outros que sabemos serem focos d’ilusão! Dos sorrisos vou lembrando que o mais belo sei qual é! O da mãe amamentando com enlevo o seu bebé! Abgalvão – Fernão Ferro “TEMOS OS COFRES CHEIOS” De desemprego, trabalho precário De insegurança, e muita emigração. De jovens sem futuro, servidão… De muito compadrio e corrupção. Evidentemente! Nem tudo é mal Em Portugal, há quem ufano! O filho de fulano e de beltrano… De mo cra ti ca men te! A “cunha” à frente… Aires Plácido - PT E A SAGA CONTINUA Visualizei o mundo, e então Eu tive um sonho especial. Lindo povo unido, meu irmão. Gente honesta em minha nação, Honrando o nome “PORTUGAL” Quero um povo mais feliz, Acima de tudo soberano. Do mundo não sou juiz… Só desejo para o meu país, Mais alegria no ser humano. Mas o país anda às avessas, Os “vigaros” fora da prisão. Andam por portas e travessas, Os políticos fazem promessas Ninguém acredita nelas, não. Nada muda nem pela Grei. Levam o país à falência. Temos corruptos, fora da lei São tantos que já não sei Até quando haverá paciência. Porque o Zé Povinho é que paga Grandes desfalques de alguém. Enquanto a corrupção estraga, Nunca terminará a saga: «Deixar o pobre sem vintém». Maria de Jesus Procópio - Paivas Adeus mundo cada vez pior. A poesia navega plo mundo fora… E a cultura?! Será vista com bons olhos?! Será que este mundo não melhora?!... Adeus mundo cada vez pior… A sociedade questiona: - “Será que este mundo vai melhorar”? … …corrupção…delinquência juvenil Ódios, invejas é o prato do dia Numa dança de melodia Hoje… Com os cravos murchados de abril… A educação? A ética moral? Ambas ficaram adormecidas À sombra d’um apadrinhado… A cultura ficou sentida… Afogada nas suas metas No horizonte dos poetas… Se o mundo anda a coxear!? … Como poderá um coxo ajudar outro coxo!? … Se o faminto quer trabalhar!? É o amigo que ensina a pescar! … Adeus mundo cada vez pior… Pinhal Dias (Lahnip) PT - Amora Ruas de cumplicidade As ruas da cidade são a minha fuga Delas não sei o nome, nem das casas Caminho nelas sinto a sua ajuda Sou ave livre que não perdeu as asas Conheço bem os recantos mais secretos Onde me escondo no negrume da tristeza São esconderijos de miseráveis espectros Que já viveram na opulência da riqueza Entrei nas catedrais ouvindo as preces dos perdidos Revi-me nelas e na sua sonolência Sofri na carne o silêncio dos gemidos! Nada deixou cicatrizes ou remorsos Tudo apaguei com coragem de apagar Doeu na carne, na alma, e até aos ossos Mas sei que o tempo se encarregará de apagar! Regina Pereira - Amora “MOMENTO DE CAÇAR” Vamos à caça aos “primeiros” Que são os que comem mais, Porque dos milhos rasteiros, Restos de ricos, rendeiros… São comidos p’los pardais! Vamos à caça de quem, Nesta vida não trabalha E a riqueza lhe advém Do povo, e de mais ninguém, Prenda-se essa canalha! Prenda-se a corrupção, Doces, azedos e salgados… Que sugaram a Nação E ainda há muito ladrão, Que têm de ser caçados! Vamos caçar os ladrões E, pegá-los de cernelha… Políticos e aldrabões Que nos cortaram milhões, Vamos metê-los na grelha! João da Palma - PT

[close]

p. 13

Confrades da Poesia - Boletim Nr 100 - Agosto 2018 «Contos e Poemas» 13 SAUDADE… Saudade da minha gente que, não tendo a complexidade tecnológica, se socorria de meios naturais tais como: O discernimento de se guiarem, durante o dia, pelo sol; à noite, pelas estrelas. Da mestria de fazerem a previsão do tempo olhando as nuvens, a cor do céu, escutando o canto das aves... Da habilidade de conhecer as pegadas dos animais. Saudade de possuir um rio, onde havia os peixes que, para além de alimentar e de mitigar a sede, também se oferecia límpido e cristalino para que os corpos se banhassem…corpos que tinham a destreza de correr pelo mato emaranhado e a agilidade de trepar árvores gigantescas. Corpos imunizados pelas intempéries do calor, do frio… resistentes à escassez de víveres e da água, durante a seca… Saudade de uma comunidade onde as alegrias e as tristezas eram de todos… Onde a dor da perda, a alegria de um nascimento, a captura de um animal, a abundância ou a escassez, os infortúnios das calamidades provocadas pela Natureza - ainda que atingindo apenas alguns - eram vividos, sentidos e partilhados por todos como se este fosse somente um corpo homogéneo e apenas um só espírito. Saudade daquela comunidade onde, a transparência das pessoas, não se restringia só na linguagem corporal, mas também na linguagem da alma… Filomena Gomes Camacho.- Londres A Tia Fortunata Engraçado recordar a Tia Fortunata, agora que tenho talvez a idade que ela tinha quando aconteceu o que vou contar… E é a saudade, e o facto de ser a primeira a ouvir esta história tão trivial mas que ficou no imaginário da família. Ela deu à tia uma aura de protagonismo, que recordo, ao reviver um passado, que dourou a minha infância. Rua de Relíquias, uma rua de casas baixinhas, e onde não morava nenhum rico. Era a rua onde morava a tia. A Tia Fortunata era minha tia-avó por afinidade pois era a esposa de meu tio Joaquim Algarvio. A história desta alcunha era, ao fim e ao cabo, a história da família da minha avó paterna. Minha bisavó, natural de Salir, Algarve, mãe de sete filhos, enviuvara lá e para garantir o sustento de sete filhos pequenos aceitara a proposta de viver com um rico lavrador também viúvo Como esse lavrador também possuía terras em Colos, passaram todos a viver nesta zona do Alentejo. Aí cresceram todos, se casaram e constituíram família. E sempre ouvi mencionar o primeiro nome de meus tios avós seguido do aposto linguístico – ALGARVIO – que sendo um elemento de proveniência étnica atestava a região de onde eram oriundos. Assim o tio Manuel Algarvio, cadeireiro, isto é fazedor de cadeiras de buinho, o tio António Algarvio trabalhador rural, o tio Chico Algarvio lenhador, e finalmente o tio Joaquim Algarvio, almocreve, este o marido da tia em questão. Curioso era que as manas da avó não ganharam a alcunha Eram apenas Constança e Ana. Mas vamos à tia Fortunata: É dos meus sete anos a viva recordação da minha primeira visita. A sua vivacidade e originalidade fascinaram-me desde os primeiros momentos. A tia era cheia de encantos; tinha uma voz rouca e lembrava as avozinhas dos contos de fadas que a avó me contava... Era simpática e um pouco gaga. O que me encantava pois não conhecera ninguém assim. A avó não chamava à tia Fortunata o que ela lhe era por afinidade – mana cunhada. Eu sempre lhe ouvi dizer a Comadre Fortunata pois era madrinha de seu filho. A casa da Tia Fortunata era ainda mais humilde do que a da avó. Entrava-se para “a casa de fora”, havia uma cozinha e um quarto de dormir. O quintal era extenso. A tia encontrava-se só, pois o tio saíra para um frete de alguns dias na sua vida de almocreve. E naquele dia ela tinha algo de grave para nos contar. Adivinhava-se na sua expressão fisionómica. Algo simultaneamente dramático, irónico, picaresco... E lá começou a desfiar a sua malfadada história, isto é, o acontecimento daquele dia aziago para ela... E eu que na escola aprendia as primeiras sílabas pensei logo que a tia ao falar, soletrava as palavras com que exprimia as suas ideias. E contou por monossílabos, dissílabos, trissílabos destacados pela sua gaguez a história da galinha que saída do quintal atravessara a cozinha, a casa de fora e saltara para a rua sem a tia dar por isso. Passara um automóvel, muito raros por ali, nesses tempos de carroças e carros de parelha e matara-lhe a galinha. A tia Fortunata contava que depenando a galinha a metera na panela e a cozinhara como só ela sabia, ficando deliciosa. O tio não estava para a ajudar a comer… Então dizia a Tia: – Olhe Comadre Tomásia “panhei uma ralia tam grande que com os nervos comi-a toda” A avó teve um sorriso irónico (era muito crítica em relação aos desmandos da cunhada). E ao irmos para minha casa, contou a meus pais a história que os deixou mortos de riso. Maria Vitória Afonso - Cruz de Pau/Amora

[close]

p. 14

14 Confrades da Poesia - Boletim Nr 100 - Agosto 2018 «Contos e Poemas» [Carta a quem sofre pelos erros cometidos] ........................... Sabes? Daquela vontade de chorar que chega de repente? Daqueles momentos em que queremos estar sós mas em que tanto precisamos de um abraço? Chora-se por revolta. Por a vida não ser o que dela se pretendia. Carpem-se as mágoas mas os espinhos continuam cravados onde mais dói. Infelizes somos! julgamos. Porca de vida! lamentamos. Na realidade a nossa vida é o que é. Nem tudo o que hoje somos é fruto de escolhas pessoais. As contingências do destino são imprevisíveis e tolos são aqueles que julgam que a sua vida só foi marcada por este ou aquele erro. Se esse erro não sucedesse estaríamos disponíveis para cometer outro, porventura ainda mais gravoso. Quantas vezes optamos entre dois erros? Toda a gente, se pudesse, regressaria ao passado. Pelo menos assim o afirmam. E todos dizem que a sua vida seria outra. Que seriam mais felizes. Que mudariam muitas coisas. Quão tolos somos. Quão ingénuos somos. Valemos tão pouco assim? Por certo que as asneiras cometidas não seriam repetidas. Mas há tantas asneiras à nossa espera. Tantos obstáculos. Tantas portas hoje abertas que se iriam fechar; outras barreiras que se iriam levantar. Ah, claro que não teríamos as mesmas cicatrizes. Mas abriríamos outras feridas que doeriam tanto ou mais que as que hoje ostentamos no corpo e no espírito. Olha! Nunca te arrependas das opões que tomaste! Nem dos equívocos a que essas opções te levaram! No momento em que decidiste era exactamente aquilo que querias. Será que a outra opção era assim tão melhor? Se voltasses atrás, não cometerias os mesmos erros. Mas outros, sim. Porque erramos todos os dias e continuaremos a errar enquanto decisões tivermos de tomar. Fica a pergunta. Estaríamos melhor acompanhados se retificássemos alguns erros do passado? É tão fácil dizer que a água do regato está fria depois de molharmos o pé. Mas se saltasse-mos o regato como iriamos saber que a sua água estava assim tão fria? ………………….. Rogério Pires - Arrentela À ESPERA Hoje fui surpreendido por um rompimento de um silencio que me quebrou a rotina de tantos silêncios rotinados, habituados aos ecos sem sons, e às mesmas coisas de tantos dias. Senti os ombros quebrarem-se de alegria quase envergonhada, doce e paciente pelo toque adormecido em lilás acetinado. E a flor, fez-se mulher no jardim que ainda cresce. Ouviu-se a voz da vida, e em ritmo do passado, do presente, dançou-se palavras para um novo amanhã onde a rotina endiabrada faça gerar novos caminhos! Hoje fui surpreendido, e muito bem-sucedido num abraço entre outro abraço! E pela janela do olhar, deu-se um forte abraço familiar! Joellira - Amora

[close]

p. 15

«BOCAGE» Confrades da Poesia - Boletim Nr 100 - Agosto 2018 15 Mafarrico A vinha do verde vinho Traz a verdade ao de cima A pinha do verde pinho Só de olhá-la nos anima. Viu-se na televisão A famosa discussão Que se deu no Parlamento Provocada por conflitos Acesos nesse momento Que trouxe à baila os palitos. Protestava o deputado Invocando mil razões Contra as argumentações Do ministro que, zangado, Não gostando dos protestos, Não economizou gestos E nem deles fez segredos, Levantou sobre a cabeça Os indicadores – os dedos – Num sinal que disse tudo, Não é coisa que se esqueça. O povo, primeiro mudo, Logo fez a tradução De tal gesto estranho e raro, Desatando a rir, é claro. Resultado: a demissão. A DÉCIMA VIDA!... À minha dedicada esposa DOLORES com mais 100 vidas Tudo o que sabemos do amor o amor é tudo que existe. O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá mais se tem. (Antoine de Saint-Exupéry) DOLORES: Meu amor, que pena, que essas sete vidas, Que a lenda diz, alguns são dotados a gozar, Não tenham sido por Deus a nós of’recidas Pra que a nossa felicidade se prolongar! Isso mesmo, sete vidas em nada reduzidas, Porque fomos emigrantes, foi só trabalhar, Anos! Meses! Dias! Noites, e noites perdidas, Não houve tempo o momento certo de amar! Contigo, sempre ao lado a vida passou veloz, Apesar das apuros houve sempre entre nós, Diálogo, compreensão com justos compassos!... Por isso peço a Deus a décima vida segura, Pra morrer Matusalém, com tua ventura; Pr’assim, morrer tranquilo, feliz nos teus braços! Nelson Fontes – Belverde/Amora Das hilariantes cenas Que a Assembleia produziu, Exibir o par de antenas, Coisa que nunca se viu, Não dá muito boa imagem, Mas é acto de coragem – coragem a dois por cento, Como se pode entender, Pois coragem a valer É o que falta em São Bento. Fez lembrar um mafarrico, Porém, convencido fico De que há por lá muitos mais, Mas não querem dar sinais. Oh, que desvariação No coruto da nação! Lauro Portugal - Lisboa Amor é flor Um amor de verdade dura uma eternidade Na seca ou na umidade e permanece na idade; O amor é uma flor perene que desabrocha Em qualquer estação, com água ou na rocha. Um amor de verdade dura uma eternidade Na pobreza ou na riqueza mantém qualidade Elástico da vida e vigor da saúde em paridade A marcar passo ao ritmo da longevidade. Se sentes que podes amar-me a sério Porque chegou a tua vez no império, Sê amor da minha vida, com humildade Sacode a piedade e reforça a benignidade. Então vem, mas vem p’ra ficar só comigo Que eu prometo ficar apenas contigo E pelo resto da minha vida vou te amar Mesmo se atribulares, vou te acalmar. BRINDO À SORTE Tragam-me a taça verde de cristal Com rubro vinho tinto especial! Quero brindar à sorte que não vem, Me fez promessas vãs, inda em criança, Quando o sorriso tinha a confiança, Que a vida fez perder neste vaivém. A sorte me enganou de forma vil. Encheu-me de ilusões, mas era ardil. Bem cedo me deu auras de riqueza, A mim, que sempre fui ambicioso E muito trabalhei pra ser famoso, Saltar fora das asas da pobreza. Falhou no prometido? Ai, isso não. Por certo uma varinha de condão Encheu a minha vida de alto tom E nos degraus da escada fui subindo. Ora em paragem, ora regredindo, A rota nunca foi doce bombom. “O Cristo não ensinou A fazer mal a alguém Morro “pobre” porque sou Mais “rico” do que ninguém” Amália Faustino – Praia/Cabo Verde Silvais – Alentejo Podia ser melhor. Para outros foi E, porque me esforcei, demais me dói. Mas isso, agora, já pouco interessa. Brindo à sorte por tudo que me deu E peço que, se nunca me esqueceu, De livrar-se de mim, não tenha pressa. Tito Olívio - Faro

[close]

Comments

no comments yet