A Voz dos Reformados - Edição n.º 154

 

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JORNAL DO MURPI / CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE REFORMADOS, PENSIONISTAS E IDOSOS

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a voz dos reformados Jornal dos Reformados, Pensionistas e Idosos MURPI CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE REFORMADOS, PENSIONISTAS E IDOSOS Ano XXIII • N.º 154 • Julho/Agosto 2018 • Preço 0,70 € • Diretor: Casimiro Menezes • Distribuição nacional • murpi@murpi.pt 23 PiquenicãoºA maior Festa dos Reformados – Montemor-o-Novo Que certa Comunicação Social não quis ver... Págs. 4 e 5 2 3/ Encontros distritais – continuamos em frente preparando o 9º Congresso do MURPI 3 Festa do MURPI – Reafirmada a vitalidade do projeto associativo do MURPI 8 MURPI a parceiro social Contra o preconceito e a discriminação – a luta continua

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2 A Voz dos Reformados | Julho/Agosto 2018 Em foco EDITORIAL MURPI mais forte Celebramos quatro décadas de uma organização de que nos orgulhamos todos. Nascemos da força forjada pelos ideais de Abril e celebramos porque nos mantemos íntegros aos mesmos ideais; celebramos porque cumprimos e fomos, todos juntos, capazes de fazer cumprir. Hoje somos milhares de reformados libertados pela força da luta constante e firme contra as carências básicas que o “antes-de-Abril” não contemplou; mas outras carências nos fragilizaram. Os tempos mudaram. As lutas tem hoje novas frentes e “poderosos” adversários que é preciso derrubar. A verdade histórica dos 40 anos do MURPI é, sem dúvida, uma bandeira erguida pela vitória. Mas as carências são gritantes e estamos longe, nós os reformados, pensionistas, idosos, do nosso merecido envelhecer com direitos. Merecemos, todos, uma vida digna, de bem-estar, de reforma justa. Ao longo de quatro décadas o MURPI honrou o compromisso deste movimento reivindicativo, feito de homens e mulheres, fazendo alvo em melhores condições de vida. Todos juntos soubemos fazer frente para derrubar barreiras que impediam a luta por melhores condições de vida. São fortes e duras as ameaças que pairam no horizonte. São movidas por forças que, a pretexto do envelhecimento das sociedades, procuram capitalizar, através de fundos das pensões as poupanças de milhares de trabalhadores. Cinicamente “emolduram” a astúcia acenando a miragem de uma pensão melhor. No intento visam destruir, e descapitalizar, o atual sistema da Segurança Social para o privatizar. E em tal “princípio” condenam milhares de reformados a um retrocesso social. Mas reforçaremos a luta ! A luta pela garantia de uma Segurança Social pública, universal e solidária. Essa é a melhor resposta que os trabalhadores e reformados têm para assegurar o seu futuro e o direito a envelhecer com dignidade. O direito à saúde é uma conquista de Abril que garantiu a todos o acesso aos cuidados de saúde, e direito a ser tratado em quaisquer circunstâncias. Acrescentou assim mais anos de vida. Porém a má política, de desastrosos governos (de direita) que desonraram leis e compromissos, tem vindo paulatinamente a cercear aquilo que a Constituição consagrou; criaram taxas moderadoras; permitiram o aumento do custo dos medicamentos; reduziram os quadros de profissionais de saúde, em centros clinicos, em hospitais públicos. E ficaram aos abandono, entregues à sua “sorte”, milhares de pessoas em vastas áreas do território nacional, principalmente no Portugal profundo. Lutar e defender pelo atual Serviço Nacional de Saúde é “passar a salto a fronteira” que separa dos justos direitos os mais desfavorecidos, e os outros. É urgente destruir as desigualdades sociais. É preciso derrubar a “muralha”, que transformou o direito à saúde num negócio próspero. Combatamos o isolamento. É preciso facilitar a mobilidade dos reformados, promover e defender o seu associativismo e com apoio financeiro do Estado para todas as atividades sócio culturais. As Associações de Reformados são parceiros de excelência. Desenvolvem ações essenciais. Fortalecer o movimento associativo, em que todos devemos estar empenhados, é contribuir para um MURPI mais forte. Casimiro Menezes 9º Congresso Nacional do MURPI já em preparação Vem aí o 9º Congresso do MURPI previsto para 25 de novembro de 2018 a realizar no fórum Lisboa. No momento que afirmámos que o MURPI foi criado há 40 anos com a força dos ideais libertadores de Abril, reconhecemos a força e a necessidade do reforço da sua organização com o objetivo de sempre – a defesa dos direitos dos reformados, constituindo estes os objetivos do Congresso. Acontecimento regular na vida de uma instituição que respeita a vida democrática no funcionamento dos seus órgãos sociais; já foram aprovados em assembleia geral os regulamentos do Congresso e Eleitoral. O ano de 2018 tem sido de grande importância. Porque ao mesmo tempo que se comemora o 40º aniversário da criação da Confederação MURPI, realizou-se um Seminário em janeiro, em Almada, onde se discutiram as Políticas Sociais para Envelhecer com Direitos. Festejouse o 40º aniversário, na Amadora, no dia 27 de maio, comemoraram-se os 40 anos da vida do MURPI também com a realização do 23º Piquenicão Nacional, em Montemor-o-Novo a 3 de junho; todas estas iniciativas se desenvolveram a par da realização de 11 Encontros Distritais, onde se debateram os problemas essenciais dos reformados e pensionistas e foram ouvidas as suas expetativas para o futuro. Os Encontros distritais já realizados vão permitir elaborar as propostas para serem discutidas e aprovadas pelo 9º Congresso do MURPI. Contamos comemorar o mês do Idoso procurando reafirmar o conteúdo das nossas propostas reivindicativas para um Envelhecimento com Direitos. Simultaneamente a luta pela conquista do reconhecimento do MURPI como parceiro social e com representação permanente no Conselho Económico e Social (CES). Também com a preparação da candidatura e a reafirmação do protesto contra a tentativa de desvirtuação do objetivo por parte do CES como este pretendia desvirtuar o objetivo da candidatura. Esta imensa força que é o movimento associativo dos reformados, pensionistas e idosos, criado e mantido pela força, determinação, abnegação e luta de milhares de homens e mulheres que tornaram o MURPI como um movimento ímpar e pioneiro em Portugal que pelo património de luta e de conquista de direitos ao longo destes 40 anos, com a sua dispersão geográfica e a sua representatividade traduzida em mais de 70 mil associados abarca as reivindicações maioritárias deste grupo social que reconhece no MURPI a força indispensável e coerente. Vamos prosseguir e contribuir para enriquecer o debate e a preparação do 9º Congresso do MURPI com propostas que vão ao encontro das expetativas dos reformados, pensionistas e idosos que defendem a melhoria das suas condições de vida dignas. a voz dos reformados Jornal dos Reformados, Pensionistas e Idosos BOLETIM DE ASSINATURA NOME: MORADA: LOCALIDADE TEL./ TELM.: E-MAIL*: CÓD. POSTAL: Jornal 1 ano 3,5 € / 2 anos 7€ Novo Renovação Donativo € Data // O assinante * Facultativo O pagamento no ato da assinatura, pode ser feito por vale de correio ou cheque, emitido ao MURPI, para o endereço: RUA OVAR - LT 548, 1 C, 1950-214 LISBOA. Pode, ainda, ser efectuado por transferência bancária para o NIB 0035 2177 0000 9361 7305 9 , devendo neste caso avisar por e-mail para murpi@murpi.pt. a voz dos reformados Jornal dos Reformados, Pensionistas e Idosos Diretor: Casimiro Menezes • Conselho Editorial: António Valverde, Casimiro Menezes, Joaquim Gonçalves, Jorge Figueiredo, Manuel Passos, Manuel Pinto André, Maria Amélia Vicente, Vitor Lopes • Colaboradores: Anita Vilar, António Bernardo Colaço, Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), Coutinho Duarte, Isabel Quintas, José Manuel Sampaio, Luciano Caetano Rosa, Manuel Cruz, Zillah Branco • Coordenação e Chefia de Redação: Maria Leonor • Fotos de: Pedro Soares e Miguel Quaresma • Design Gráfico: Fernando Martins • Propriedade, Administração e Redação: Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos/MURPI (70.000 sócios) • Rua de Ovar, Lote 548 - 1.º C, 1950-214 Lisboa • Telf.: 218596081 • Email: murpi@murpi.pt • Site: http://www.murpi.pt • Impressão: MX3, artes gráficas - Pq. Ind. Alto da Bela Vista - Sulim Parque, 2735-340 Agualva Cacém - 219 171 088 • Assinatura anual: 3,50€ € • Periodicidade: Bimestral. Isento de registo no ICS ao abrigo do Decreto Regulamentar 8/99 de 9 de Junho, 12.º, n.º 1 a) • NIF: 500816794 • Depósito Legal n.º 67124

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Em foco 3Julho/Agosto 2018 | A Voz dos Reformados 27 de Maio Festa 40 anos do MURPI Maria Leonor Quaresma (*) Jornalista O MURPI organizou um convívio cultural na Amadora, que teve lugar no Auditório Municipal. Fernanda Lapa e Marina Albuquerque participaram na festa que assinalou as comemorações do 40ª.aniversário do MURPI e que terminou com bolo de aniversário e Porto de honra aos convidados. Fernanda Lapa, actriz e encenadora, proferiu, no início, uma breve saudação. “Eu e a Marina apoiamos os objetivos do MURPI e queremos partilhar convosco a alegria desta festa de aniversário”. Politicamente actualizada a actriz lembrou: “Há 40 anos, ao Concelho da Amadora, convergiram mais de cinco mil reformados, pensionistas e idosos, mobilizados por centenas de Comissões de Reformados de todo o país, para reafirmarem a necessidade urgente da criação de um órgão nacional de coordenação”. E continuou recordando que “a Revolução de Abril foi o motor para a tomada de consciência de muitas centenas de dirigentes que tomaram nas suas mãos a luta por melhores condições de vida para os reformados, uma vida digna vivida com direitos”. Condições que a Constituição Portuguesa consagra, direito à reforma justa, a ter saúde, a viver condignamente. Direito à mobilidade, ao lazer e à fruição cultural. “Essa luta nunca mais parou, e reforçou-se com a intervenção de centenas de Comissões de Reformados, mais tarde Associações Unitárias, hoje mais de 140”. Ao longo de quatro décadas brotaram Grupos de Cantares, Grupos de Teatro, de música e outros, enriquecendo a cultura através do cancioneiro popular, incontestável património nacional. Eu quero, tu queres, nós queremos / O direito à cultura e ao lazer Foi esta a tónica que inspirou o guião do evento valorizado com agradáveis momentos culturais todo o convívio que começou com o canto e a música do Grupo Musical Arcos da Damaia, composto por 20 elementos, criado em 2013 na Associação de Reformados da Damaia. Nas intervenções foi relevante a importância dos convivios solidários do movimento associativo como laços de luta comum pela defesa dos direitos dos reformados e que no espaço público deram mais força às reivindicações junto do Poder. Também por aí foram conquistados direitos. Seguiu-se o Grupo Coral e Musical da Associação de Reformados da Freguesia de Santo Antão do Tojal, sedeado no concelho de Loures e fundado em 1980 pelo saudoso maestro José Chapita. Na oportunidade usou da palavra o presidente da Federação das Associações e Organizações de Reformados, Pensionistas e Idosos de Lisboa (FARPIL/ MURPI), José Núncio, para saudar a iniciativa. E a música voltou com o Grupo de Animação Girassol – Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos da Freguesia do Sobralinho –, criado em 2016 e constituído por 26 elementos entre os 63 e os 83 anos de idade. O repertório faz tónica no Cancioneiro Popular. Foi a vez de ouvir o Coro da Associação Unitária de Reformados, Pensionistas e Idosos da Reboleira dirigido pela maestrina Isabel Falé. O grupo tem 23 elementos e fundou-se há mais de 20 anos. Mais música tradicional portuguesa desta vez com o Coro UNISBEN – Universidade Senior de Benfica – fundado em 2009, então dirigido pela maestrina Olga Pachenko e a partir de 2013 pelo maestro Ivo de Castro. É um coro de vozes mistas, integrado por 50 elementos, com um repertório eclético e abrangente, do qual consta além da música tradicional portuguesa música étnica e erudita. Foi tempo de referir o jornal oficial do MURPI que é levado a todo o território nacional e regiões autónomas. “Criámos uma publicação regular, primeiro em boletim,para manter informados, e consciencializar, os reformados” –disse um dirigente”. Em 1983 passou a Jornal do MURPI até que, em 1991, passou a editar-se como “A Voz dos Reformados”. É publicado de dois em dois meses muito temas do interesse geral e alertando para situações que afetam a vida dos reformados. Precisa ser mais acarinhado. Tem de chegar mais longe. É a voz do MURPI, A Voz dos Reformados. Cada leitor, cada assinante formará uma corrente inquebrantável para reforço do MURPI” – referiu outro dos dirigentes. Já a terminar, Casimiro Menezes – médico-, presidente do MURPI lembrava: “A validade do projeto do MURPI está alicerçada em muitas centenas de iniciativas desenvolvidas pelas nossas Associações traduzidas na valorização dos saberes e da cultura, na criação da arte, no fortalecimento do associativismo, pela solidariedade no apoio social e em numerosas iniciativas norteadas para garantir uma vida digna e de bem-estar, pela defesa de plena integração e participação dos reformados na vida da sociedade.”. E a festa terminou com bolo de aniversário e um Porto de honra servido aos convidados. (*) escrito no antigo grafismo Encontros Distritais preparando o 9º Congresso O MURPI realiza Encontros Distritais de dirigentes e activistas das Associações de Reformados, Pensionistas e Idosos e prepara o seu 9º CONGRESSOMais de 400 participantes assumem a necessidade de reforçar a ação do MURPI e a sua participação no CES – Conselho Económico e Social de pleno direito para dar voz aos interesses dos reformados, dos pensionistas e dos idosos. Após os Encontros Distritais de Castelo Branco e Évora, já noticiados no “A Voz dos Reformados”, foram realizados os Encontros Distritais de Braga, Porto, Leiria, Santarém, Lisboa, Setúbal, Beja, Litoral Alentejano, Faro e Região Autónoma da Madeira. Fruto do desenvolvimento, há um aumento significativo do número de idosos, reformados e pensionistas com mais longevidade pelo aumento da “esperança de vida” o que obriga novas políticas sociais que garantam um envelhecimento com saúde e com direitos. Desde logo o direito à reforma e a uma pensão condigna, que garanta a sua independência económica de acordo com a Constituição da República Portuguesa o que significa a revogação do fator de sustentabilidade e o aumento anual do valor das pensões, nomeadamente as mais baixas (como foi feito em 2017 e 2018) e resultantes de longas carreiras contributivas. O direito de acesso aos apoios sociais de acordo com as necessidades através de uma rede pública de equipamentos, não desresponsabilizando o Estado no apoio social, entregando este às Misericórdias e IPSS, com apoios financeiros insuficientes e exigências burocráticas injustificadas pela boa utilização de dinheiros públicos. Melhores condições de saúde através do reforço dos serviços de saúde de proximidade; melhorar a mobilidade e acabar com o isolamento das pessoas idosas; facilitar o acesso aos serviços públicos e a atividades socioculturais, de formação e de lazer. A sustentabilidade da Segurança Social que depende do aumento do emprego, de salários condignos e da diversificação das suas fontes de financiamento, Manuel Pinto André é outra das preocupações presentes nos Encontros Distritais. As melhorias verificadas nos últimos anos, como o aumento das pensões com maior incidência nas pensões mais baixas e a redução de impostos sobre os salários e as pensões, devem-se ao papel decisivo da luta dos reformados, pensionistas e idosos e do papel combativo do MURPI como força agregadora e mobilizadora da ação. O MURPI é a organização dos reformados, pensionistas e idosos a nível nacional e a sua ação assenta em Associações e Federações com intervenção e influência ao nível local e regional. O MURPI afirma-se como uma força insubstituível na defesa dos direitos dos reformados, pensionistas e idosos e exige estar presente e ser ouvido quando estiverem em causa os seus direitos. Por isso, não aceita ser discriminado de acordo com critérios subjetivos e preconceituosos. O MURPI deve ter assento no CES como Parceiro Social por direito próprio, com base numa avaliação justa.

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4 A Voz dos Reformados | Julho/Agosto 2018 Actual 23º PIQUENICÃO NAC – uma festa den Pelos três palcos passaram mais de 60 grupos de cantares e de música das Associações de Reformados com mais de 1500 artistas! Nesta grande festa cultural dos reformados, a maior no país, realizada com o apoio da autarquia e dos seus trabalhadores, mas também com o contributo de dirigentes e ativistas da ARPI de Montemor-o-Novo e de dirigentes do MURPI, sobressaiu a necessidade de continuar a lutar pelos direitos dos reformados e defender a fruição cultural com o apoio do Estado. Montemor-o-Novo foi a capital que acolheu mais de 4 mil reformados e as suas famílias para o encontro anual, uma festa de alegria e de solidariedade. Neste ano, comemorou-se o 40º aniversário no 23º Piquenicão Nacional do MURPI que se realizou a 3 de junho no Parque de exposições e Feiras em Montemor-o-Novo. Em todos os palcos, as reivindicações do MURPI estavam expressas em grandes faixas exigindo melhores pensões, melhores cuidados de saúde e a exigência do reconhecimento do MURPI como parceiro social.Na sua intervenção, Casimiro Menezes, presidente do MURPI referiu que o aumento médio da esperança de vida é uma conquista civilizacional que tem de ser revertida a favor do envelhecimento com direitos. Mais adiante, alertou que “não admitimos que a pretexto do envelhecimento da sociedade portuguesa se venha a retirar direitos conquistados com muita luta ao longo dos 40 anos da existência do MURPI. Entre outras propostas, o presidente do MURPI exigiu que o Governo ponha travão à degradação e definhamento do Serviço Nacional de saúde e reclamou uma rede pública de equipamentos que assegure de forma equitativa e justa o direito à proteção social e de transportes públicos acessíveis para garantir a mobilidade dos reformados, pensionistas e idosos. Este evento contou com a presença e a solidariedade de muitas individualidades representantes das organizações unitárias, InterReformados Nacional/ CGTP-IN, MDM, MUSP, Confederação nacional das Colectividades da cultura, Desporto e Recreio e membros da Comissão política do PCP. “No MURPI o sucesso é garantido...” Maria Leonor Quaresma (*) Jornalista Edmundo Coelho é um dos homens do MURPI, na Associação de Montemor e vive para os objectivos do MURPI através daquela comunidade alentejana. Durante um dos convívios das comemorações dos 40 anos do MURPI, e durante alguns minutos, conversámos a propósito do percurso de Edmundo Coelho. “Estou em Montemor há muitos anos. Na minha juventude saí para fazer a tropa. Voltei e tornei a sair para trabalhar em Lisboa. Em 2010 reformei-me e voltei”. E voltou para quê ? – perguntámos – ”Bem, precisamente para ajudar e como voluntário. Lutamos por uma boa causa, a dos reformados e idosos”. Edmundo está na Associação há quase vinte anos. − “Mas olhe vale a pena, sabe ?... Se nos mexermos, se estivermos activos teremos mais saúde”. − Edmundo mexe-se e de que maneira... “Organizamos muitos eventos. Eu tomo parte em iniciativas. Gosto disto, sabe? – Estou no grupo de cantares, na ginástica…· o que é preciso é não parar”. Do Plano da Actividades da Associação consta um grupo de senhoras que se aplica em Trabalhos Manuais. Rendas, costura, bordados, crochets. E realizam mostras para expor as suas habilidades. Edmundo, por seu lado, faz parte de uma equipa que organiza jogos populares para os tempos de lazer onde até nem falta o animado bailarico. O projecto cultural da Associação de Montemor é o “menino bonito” da população que adere em massa e que se mantém ao longo do ano. São já mais de 600 os sócios. E falámos da longevidade do MURPI que lhe mereceu o comentário: “Sem dúvida que este movimento é reconhecido como pioneiro na defesa dos dos direitos dos reformados. O MURPI está de parabéns pela dignidade da organização, destas comemorações do 40º. Aniversário e pela Festa do Piquenicão, realizado aqui em Montemor, e que encheu de alegria todos nós. O MURPI é o grande movimento de reformados pensionistas e idosos a nível nacional. O sucesso é garantido”.(*) (*) escrito no antigo grafismo Sessão Comemorativa do 40º Aniversário do MURPI Joaquim Gonçalves Foi no dia 27 de Maio de 1978, no concelho da Amadora, território de fortes tradições democráticas e com um forte movimento associativo, que dirigentes associativos, representantes de milhares de reformados, pensionistas e idosos decidiram criar a Confederação MURPI. No passado dia 27 de Maio, pelas 14 horas e 30 minutos, que a Confederação Nacional do MURPI e a FARPIL, Federação Distrital de Lisboa organizaram a sessão comemorativa do 40º Aniversário do Movimento Unitário dos Reformados, Pensionistas e Idosos no Auditório Municipal da Amadora. A sessão foi apresentada pelas atrizes Fernanda Lapa e Marina Albuquerque e atuaram cinco grupos musicais e culturais de associações federadas no MURPI, que demonstraram a sua meritória atividade, o Grupo Coral e Musical Arcos da Damaia, o Grupo Coral Girassol da ARPIFS do Sobralinho, o Grupo de Cantares ARPI de Santo Antão do Tojal, o Grupo de Cantares da Associação de Reformados da Reboleira e o Coro da Universidade Sénior de Benfica. Intervieram o Presidente da Federação Distrital de Lisboa José Núncio e o Presidente da Confederação Casimiro Menezes, saudando os presentes e os pioneiros que constituíram o MURPI com uma visão e um espirito progressista e de luta por melhores condições de vida dos reformados, pensionistas e idosos definidos pelas suas primeiras palavras de ordem: - Ninguém pode vencer um Povo que resiste; - Só o Portugal de Abril defenderá o Outono da vida. No final da sessão houve um momento de convívio, com a oferta de um Porto de honra conjuntamente com um bolo que simbolizou a passagem do 40º Aniversário do MURPI.

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Actual CIONAL DO MURPI ntro da festa 5Julho/Agosto 2018 | A Voz dos Reformados d2e3fºePsaiq4du0oesAndincirãoeositNodasocdiMoons UaRleRdfooPrMImUadRoPsILdoesPApsiçdoacbsscIuseceamEOooDctedbjdoedv9munaicleMdoOsmdPSsoeonpieeímieeºnmotOletrevrfnMsoirtapiasoonveaiendadnaCovuMuiarMidgãrca.oeons2çtaçleoUiegtçqsor3leoideiprnlãeã3rçUuotdaavtrõgscveunnq,Reeoe,aoaãohdºdeilntneeueieReasfgumtnrasdPtotneopPoosmtdedalcucor/PaqpettIedctúspeirNoejeaaMualdMDldoqImuurmaàaesirbieenrGlbortoCadourceapesni--vUolaUpltoosiaEjacusosoaoaasçioeaelhaepldtcreirtidRxdfoRmi-nnricspsrtododioe-daimaooNpoioveoPeserioPicfan.tat,erodsecmcieso,suseacaIoo-aaIrdsdufaãmoa,pqd.NsiçeiteMsevqtmrceleoansaoiddniauãeãesocuoçododo,sllu,iaseeUslorete,aéivuõpveanreboeafafpo,cspdnmeoeododResaerfdçrodlrmanRaerêsitoauaiiesoslaeãParnrodseeotalexdmica,AfssmorúfoaVIaerfsatsiofaeieCdnedotesolsdacAaiNrnddrmuaoFslscioieisospeiarlciasncrroaeieeora.ormssnpcerrscedíeeaestdlietcclRemouoomeoriMeifsaoiaoiaiiatqtieraaatmecrmeroamlotlapedoddigfsusiUvao2iouçadnzledaaaosoeeàeele3eãsdaasdeêRafaçráacnvsnrdºdiotrmcnteomcxlõoootr,parPeatiçoeerndiPiomnecPdeeçseroI,taaõoMaossesnei,icoãseoseSoibdrspqcebantcmohrãornteauRoedeRsaoaeuadeioos4oefanslnseslesareoftMeiiaumm0aSdrhiosotadarsfdilonfanroºoeoRaicooaiomlcvramUooznmne2isirírrrmAdseoardcdapAav,vce5miaRM,mefalonmãsnçáeioiseiconocalrqmtçPdodoráãieraesausoaUdarrntveouiIoevoausdcómiodrsmedseosNsoziReisosNsqoneaennd,poríesea,leoaaPmnasrusntci,aatoasaçdvcdocusIávM,coIhlonelddcãmvdidioopiP,ieroeannfrmoeieoçaeaoidoemiggaqoesissçoecadnomngseseínrdrnldãnduMnesduoseaooaoipdoeatosdbaeetaretnnesotlsedoiriaeoa,lcaaromcdopsepetmdcpdeMnfoedsorseoefutopneeaapaaeesueptrensnssootdirrtUaierpnrgeda1,arnoresrtmt1vrStrrmelion5oíaticritú-Ronicdgosao2racmuaci0osossa2tidiabhçPCaoilúisastap0rds-vpnd0rqpnãóeçouaIreidâiNeeeeoi1a.at-oasouãcanircstmuedaidrozrs8oçIaroosorntoedie,delteamte-raã,ovmimaecdumnioeNimzçodgmonorsdptrsocaoihaõeastoar,EaodoermuniadpadeoaaereSsloonvsnadsMasiglafelúFtcssoetottxpiuooddiieneraidazuóbsgvMcid,mumrarraesosmdatneuiraprdeloaçotdpandiaçuUoCaeatçcCearncaam6msioaieaãla.mãieodnmossco2uoRcsçddornoçsisiadastnFeonao-sagpeedaão,--oae-flfntr-sdaode-oei-su-l-o-or4-- dAeDRierefoçãrmo dadaoCso, nPefendseiorançisãtoasNeacIdioonsaols Lisboa, 4 de junho de 2018 MURPI

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6 A Voz dos Reformados | Julho/Agosto 2018 Cultura ENCONTROS DISTRITAIS Olivais (Lisboa) Amora No dia 10 de maio, a Associação de Reformados dos Olivais promoveu uma visita à exposição promovida pelo Movimento Democrático de Mulheres (MDM) na Biblioteca Nacional sobre a luta pelos direitos das Mulheres inserida na comemoração do seu 50º aniversário. A Economia “obscuros vícios e palavras difíceis” Coutinho Duarte Almada A URPICA celebrou o seu 40 aniversário no dia 15 de maio, tendo o MURPI sido representado pelo Joaquim Gonçalves, presidente da Federação Distrital de Setúbal. Os reformados pensionistas e idosos da Amora estiveram de parabéns por se assinalar neste mês de Junho, e a 27, o 30º. Aniversário da AURPI. Sessão Solene, tarde musical e lanche foi o modo como assinalaram o dia para receber os convidados. E para entregar o abraço solidário o MURPI esteve lá. MURPI participou OUTRAS INICIATIVAS Foram milhares os trabalhadores, reformados, populares, dirigentes e ativistas do MURPI a participar na manifestação da CGTP-Intersindical que trouxe às ruas de Lisboa os quais reivindicaram melhores salários, pensões, no combate à precariedade e contra a caducidade dos Contratos Coletivos de Trabalho. O MURPI participou na iniciativa Concerto pela Paz promovido pelo Conselho Português pela Paz e Cooperação no dia 15 de maio no Fórum Lisboa. Apenas iniciados em “Artes Mágicas” lhe podem aceder e compreender aqueles obscuros raciocínios e palavras difíceis, em inglês de preferência, para enquadrar de uma pseudo-sabedoria roubos e extorsões descaradas? A resposta é NÃO. Sendo, sem dúvida, uma construção humana, deverá ser entendida por qualquer mortal. Diziam os gregos há milhares de anos que economia constituía o governo da casa. Com a Revolução Industrial iniciada na segunda metade do século XVIII ou, segundo alguns autores apenas uma industrialização, dado não assumir plenamente carácter revolucionário mas somente uma alteração, embora profunda, no fabrico de bens em massa. Decorrente dessa alteração a burguesia ascende ao poder político, à governação dos povos, e as teorias económicas vão-se criando constituindo a Economia Política a qual vem, desde aí, procurando legitimar os moldes onde as relações sociais emergem de toda a actividade económica (trocas, compra e venda de bens e serviços, a PROPRIEDADE – sacralizada - dos meios de produção, a divisão entre patrões e trabalhadores) se processa e instala. Por outro lado, ou como consequência, o dinheiro está sempre presente como indispensável para que essa actividade prossiga, dentro dos quadros jurídicos impostos, gerando lucros e apenas pagando, a quem produz a riqueza, parte das horas que qualquer bem ou serviço leva para ser concluído e posto à venda. Não existe alternativa? Claro que existe. Hoje este modelo já não consegue responder às necessidades humanas. Está esgotado e para perdurar há que recorrer de novo ao fascismo, ao terrorismo, à guerra como recurso de sobrevivência. “Mais depressa nos levantemos e menos sofreremos” (versos populares afixados na igreja de Kent em Inglaterra no ano de 1630- citado em A economia moral da multidão na Inglaterra do Século XVIII, por E. P. Thompson) FARPIBE/MURPI NO DISTRITO DE BEJA R: DOS AÇOUTADOS 18 7800-493 BEJA FARPIE/MURPI NO DISTRITO DE ÉVORA R DE MACHEDE 53 7000-864 ÉVORA FARPIL/MURPI NO DISTRITO DE LISBOA R OVAR 548 1 C 1950-214 LISBOA FARPIS/MURPI NO DIST. DE SETÚBAL AV 25 DE ABRIL - EDF MONTE SIÃO TORRE DA MARINHA • 2840-443 SEIXAL FARPIP/MURPI NO DISTRITO DO PORTO R DE CONTUMIL BL 1 ENTRADA 724 CV 18 4350-130 PORTO MURPI • Confederação Nacional de Reformados Pensionistas e Idosos RUA OVAR, 548, 1.º C – 1950-214 LISBOA | Telef. 218 586 081 | murpi@murpi.pt | www.murpi.pt www-facebook.com/MURPI-Confederação-Nacional-de-Reformados-Pensionistas-e-Idosos FARPILE/MURPI NO DISTRITO DE LEIRIA R 18 DE JANEIRO 13 2430-256 MARINHA GRANDE FARPIR/MURPI NO DIST. DE SANTARÉM R DR BERNARDINO MACHADO 17 2090-051 ALPIARÇA

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Saúde 7Julho/Agosto 2018 | A Voz dos Reformados Perda de sentidos Margarida Lage Médica Durante o exercício ou deitada ECG alterado Palpitações súbitas antes da síncope ECG com arritmias ALTERAÇÕES METABÓLICA Hipoglicémia (por jejum prolongado ou por diabetes descompensada) Desequilíbrio iónico (por exemplo por diarreia marcada) Anemia intensa Hemorragias Desidratação A perda de sentidos, lipotimia e síncope, são termos usados em geral para significar a mesma situação clínica: queda súbita, não causada por traumatismo mas sim por falta de tónus muscular (força muscular que nos faz manter de pé) coexistindo com perda de consciência transitória. Geralmente o doente ao cair «acorda». A queda, ao remeter o indivíduo à posição horizontal permite que o fluxo sanguíneo cerebral que tinha sido escasso, volte a níveis normais. O problema é em geral mais a consequência do que a causa, pois da queda pode dar origem a traumatismo ou fratura. Assim sendo é necessário que quem já sofreu algum episódio esteja ciente de que ao surgirem os sintomas deve deitar-se ou, na impossibilidade de fazê -lo sentar-se, fletindo a cabeça sobre os joelhos. Os sintomas prévios são em geral: tonturas, suores, náuseas. Como causas de lipotimia há-as de vários géneros e de diferentes gravidades, sendo a mais frequente : HIPOTENSÃO ORTOSTÁTICA Esta verifica-se quando a pessoa que estava deitada ou sentada se levanta subitamente. A queda brusca da pressão arterial pode levar ao desmaio Nos idosos a hipotensão pode acontecer por efeito secundário a alguns medicamentos, nomeadamente hipotensores e diuréticos, sendo necessário que o seu médico avalie a situação e eventualmente corrija as doses prescritas. Estar de pé muito tempo (filas), exposição prolongada ao calor, são fatores coadjuvantes que podem levar ao desmaio. DOENÇAS CARDIOVASCULARES Presença de doença cardíaca prévia História familiar de morte súbita DOENÇAS NEUROGÉNICAS Ausência de doença cardíaca estrutural História longa de síncope recorrente Após dôr, som ou cheiro, súbitos e desagradáveis Náuseas e vómitos associados Durante a refeição ou pós-prandial Com a rotação da cabeça Após o exercício Epilepsia Independentemente da causa da perda de sentidos é importante que tenhamos uma atitude prática imediata com o doente que está a ser vítima de lipotimia ou com sintomas prévios (palidez, tonturas, suores, como se disse anteriormente) • Deitar o doente com as pernas mais elevadas que o corpo • Dar-lhe água com açúcar, chá ou sumo colocando a cabeça lateralmente • Nunca ingerir álcool nestas situações! • Quando ele quiser levantar-se deixá-lo fazer isso de forma faseada. Primeiro sentado, e após sentado alguns minutos, então pode levantar-se. É necessário promover uma avaliação médica com brevidade, particularmente se alguns sintomas persistem ou se houve alteração recente da medicação. Pode ser necessário um reajustamento de doses. Acima de tudo é necessário manter a calma, perante uma situação de lipotimia: saber que a maior parte destas situações não trazem consequências nem são sinal de doença grave, mas são motivo para consultar o médico para esclarecimento do assunto. As senhoras comadres auto-medicam-se A solicitude de algumas portuguesas, induz a er- “…pois é; faça o que lhe ros de difícil correcção. Em tarde amena, à hora digo: tome lá os meus com- do chá ouvi um fim uma conversa. São senhoras primidos e vai ver que lhe de “falas altas” que, em redor, todos partilham… passa…” – Conheço ambas. Uma é diabética remota, con- A outra agradeceu e guardou a caixa… – Não me ca- trola a doença acompanhada por um clínico mas bia dizer fosse o que fosse, mas reconheci na hora, aceita as opiniões extra-médico. O rigor do frio que o conselho era um completo disparate. Numa pusera em desatino os cuidados para controlar as farmácia próxima busquei a certeza da minha sus- constipações. E é aqui que entra a “deixa senhoras peição. A técnica confirmou, os comprimidos não comadres”… No fim da conversa, a despedida da eram aconselhados a diabéticos. No dia seguinte “comadre conselheira” foi assim: procurei a senhora para a avisar. MLQ FUNDAÇÃO PORTUGUESA DO PULMÃO Asma brônquica (2) José Miguel Carvalho Médico Continuando a conversa sobre a asma, começamos por reforçar que é uma doença tratável e controlável, pelo que os medos com que a encaram não se justificam (como aliás, todos os medos). Referindo que muitos atletas de alta competição sofrem de asma, bem se atesta que é uma situação que se resolve e ultrapassa; os pais que têm filhos com asma devem saber que, com um acompanhamento correcto, as crianças se desenvolverão bem, podendo (e devendo) praticar exercício físico. Se a asma está a impedir a actividade, é necessário ajustar o tratamento; claro que há algumas situações de quadros graves, de difícil controlo, mas a grande maioria, com um tratamento bem dirigido, são resolúveis e não limitadoras da vida diária. Muitas das situações de evolução difícil, com crises recorrentes, preocupantes, devem-se a um uso irregular dos tratamentos propostos; para além das dificuldades económicas (pois alguns medicamentos são caros), tem que se ter presente que o tratamento deve ser feito diariamente para que, não só se aliviem as crises, mas também para que se previnam! Os medicamentos, na sua grande maioria com inaladores, têm uma eficácia grande para aliviar a pieira e a falta de ar, mas são complementados com outros que previnem as crises. Estes, de acção preventiva, são muitas vezes reduzidos antes de ser possível (quando que o doente se sente melhor…) e a instabilidade mantém-se. Tem que se usar os inaladores – os que aliviam as crises – precocemente para cortar as crises logo no início: não ficar “a ver se passa”, e a deixar a crise aumentar! No caso das crises, usar precocemente, e, se a crise não responde ao tratamento nas doses indicadas pelo médico, recorrer á urgência. E tem que se usar os inaladores que têm acção preventiva todos os dias, por períodos longos – e só se reduzirão quando o médico avaliar que a situação já é suficientemente estável. www.fundacaoportuguesadopulmao.org

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8 A Voz dos Reformados | Julho/Agosto 2018 Última página Palavras de Paz Resposta de paz às forças da guerra Nos próximos dias 9 e 12 de Julho, respectivamente em Lisboa e no Porto, têm lugar duas iniciativas públicas sob o lema «Sim à Paz! Não à NATO!», promovidas por um vasto conjunto de organizações, entre as quais o CPPC e o MURPI. Ambas têm início marcado para as 18 horas: a primeira no Largo Camões e a segunda na Rua de Santa Catarina. A realização por esses dias de uma cimeira da NATO em Bruxelas e os seus objectivos belicistas constituem o pano de fundo destas iniciativas. As organizações promotoras identificam na NATO e nos interesses que esta serve (os da política externa dos Estados Unidos da América) as principais ameaças à paz e à segurança no mundo: com quase 70 anos de existência, a chamada ‘aliança atlântica’ impulsiona a corrida aos armamentos, promove focos de tensão e de conflito, intensifica o intervencionismo militar, e prossegue guerras de agressão a estados e povos que defendem a sua soberania e não se submetem ao seu domínio. A NATO e alguns dos seus aliados (como a Arábia Saudita, o Japão, a Colômbia ou Israel), num total de 34 países, representam dois terços das despesas totais com armamento – o restante terço é assumido pelos outros 159 países. Um dos objectivos da cimeira é o aumento das despesas militares dos membros europeus da NATO, entre os quais se encontra Portugal. Além disso, a NATO partilha a doutrina de «ataque nuclear preventivo» dos EUA, que têm instaladas centenas de ogivas nucleares em bases militares e esquadras navais espalhados por todo o mundo, incluindo em países na Europa. Em foco nesta cimeira estarão ainda questões tão graves quanto o reforço da presença da NATO no Afeganistão, Iraque e Líbia (países destruídos por guerras de agressão da responsabilidade da NATO e de seus membros); o incremento da militarização no Leste da Europa, agravando ainda mais o cerco militar à Federação Russa; e reforço da União Europeia como «pilar europeu» da NATO. Em contraponto, as organizações promotoras das duas iniciativas cerram fileiras em torno dos princípios inscritos na Carta das Nações Unidas e na Constituição da República Portuguesa. Exigem, designadamente: a dissolução da NATO; o fim das guerras de agressão; o desmantelamento dos sistemas antimíssil e o encerramento das bases militares em território estrangeiro; a abolição das armas nucleares; o fim da corrida aos armamentos; o apoio aos deslocados e refugiados; e a assinatura e ratificação por Portugal do Tratado de Proibição de Armas Nucleares. Neste combate não estão sós, pois em muitos países são milhões os que se batem pelos mesmos objectivos. Justa luta do MURPI por representação permanente no CES As sucessivas gerações de dirigentes que construíram o património de acção do MURPI - Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos – sempre estiveram conscientes de que à tarefa de organizar e dinamizar os reformados, pensionistas e idosos pela defesa de direitos próprios deviam associar a exigiência, junto do Governo, do direito a serem voz reconhecida na análise e discussão das decisões políticas que direta ou indiretamente lhes dizem respeito. Esta exigência, pela sua importância, tem sido defendida e apresentada no vasto conjunto de ações realizadas pela Confederação, desde a sua fundação em 1978, e expressa logo na primeira edição do jornal bimestral “A Voz do MURPI” que data de 1983, e que atualmente é denominado “A Voz dos Reformados”. A exigência de reconhecimento do MURPI como parceiro social afirma-se com maior intensidade face às políticas do Estado que agravam a situação dos reformados, pensionistas e idosos e os considera como se fossem um “fardo social”. A luta dos reformados pensionistas e idosos pressiona as instituições do Estado e os partidos políticos. Em Agosto de 2017 a Assembleia da República aprova a Lei 81/2017 que integra na composição do CES dois representantes das organizações de reformados, pensionistas e aposentados e estabelece o modo de candidatura. O MURPI, dentro do prazo estabelecido pelo Edital do Presidente do CES, segundo a Lei 81/2017, apresenta a sua candidatura devidamente fundamentada. Nesta sequência, é confrontada com a decisão do Presidente do CES que, com base em argumentação subjetiva, preconceituosa e discriminatória, a exclui de membro permanente. O MURPI não aceitou, nem aceita a exclusão. É a mais antiga organização de reformados, pensionistas e idosos com um projeto unitário firmado ao longo de 40 anos, ancorado em 140 associações filiadas, de ampla distribuição geográfica que representam mais de 70 mil sócios. O MURPI tem sido, nestes 40 anos, o intérprete das justas reivindicações dos reformados, pensionistas e ido- sos junto do poder político – Assembleia da República, Governo, Câmaras Municipais e no extinto Conselho de Segurança Social e agora no Conselho Geral e de Supervisão da ADSE-IP e do Instituto da Segurança Social onde tem assento. A comunicação social, convidada a participar nas iniciativas públicas e informada das revindicações e tomadas de posição do MURPI e das suas associações, tem ocultado, em grande parte, a diversidade desta ação. O MURPI tem razão, não aceita a discriminação. Dirigentes e ativistas reagem, protestam e no passado dia 23 de Maio concentraram-se junto ao CES e entregaram centenas de abaixo-assinados e uma carta dirigi- da ao Presidente do CES reafirmando o direito da Confederação MURPI ter assento permanente no Conselho. A resistência e luta do MURPI levou a que o Presidente do CES recuasse na sua decisão e propusesse, até ao final da legislatura, uma solução de alternância entre as 3 organizações candidatas: participação no CES como membros efetivos ou suplentes de acordo com sorteio a realizar. O MURPI aceitou a proposta e, por sorteio, passou a membro do CES com participação permanente nas reuniões deste órgão até 31 de Maio de 2019 e de 1 de Junho a 30 de Novembro de 2019 será membro suplente. Sendo, de longe, a mais antiga e representativa organização de reformados, pensionistas e idosos não aceitou ser ultrapassada, em definitivo, por uma organização escolhida pelo critério contestável da modernidade e igualada a outra de menor expressão. O MURPI reafirma a continuação da luta pelo direito a um lugar efetivo de representação permanente no Conselho Económico e Social, lugar que lhe é devido por ser uma Confederação com 40 anos de atividade permanente, com dimensão nacional e que abrange amplos sectores de reformados, pensionistas e idosos. O MURPI saúda todos os dirigentes e ativistas que nunca desistiram de lutar pelo reconhecimento desta Confederação como Parceiro Social e reafirma o seu propósito de continuar a defender junto do CES, com a sua intervenção autónoma e permanente, os direitos dos reformados, pensionistas e idosos. A Direção da Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos MURPI Lisboa, 3 de julho de 2018

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