Revista Secovi Rio 112

 

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JULHO/AGOSTO/SETEMBRO 2018 - venda proibida nº112 CURTINHAS pág. 5 » 7 ENTREVISTA pág. 8 » 16 JURÍDICO pág. 20 » 26 CAPA pág. 30 » 36 www.secovirio.com.br A LUZ AZUL NO FIM DO TÚNEL Promover ações para melhoria da segurança no Rio de Janeiro passou a ser responsabilidade de todos que aqui vivem

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SUMÁRIO PALAVRA DO PRESIDENTE CURTINHAS ENTREVISTA JULHO•AGOSTO•SETEMBRO 2018 / nº 112 CONDOMÍNIOS VERDES 4 JURÍDICO 58 CONSULTAS JURÍDICAS 18 20 24 CAPA MATÉRIA ESPECIAL NOSSOS LUGARES 30 38 45 MATÉRIA ESPECIAL INDICADORES HABITACIONAIS SERVIÇOS E PRODUTOS 52 57 62 Um tom azul Uma luz pode ter vários significados. Uma ideia, um caminho, uma esperança. Independentemente da atribuição, uma luz tende a ser algo bastante positivo e transformador. Ao ler a matéria de capa desta edição da revista, o leitor será convidado a incluir mais um sentido à palavra: sensação de segurança. O status de maravilhosa, há tempos, se restringe às belezas naturais de nossa cidade, e nossa população sobrevive em meio ao caos, na esperança de dias melhores. Para o Secovi Rio, uma luz azul pode ser o início desta transformação. Não acreditamos em poções mágicas ou soluções definitivas a curto prazo para o problema da segurança no Rio de Janeiro, mas estamos comprometidos com nossa missão de gerar melhorias para a sociedade a partir do desenvolvimento dos condomínios. Quando falamos em sustentabilidade, reforçamos a importância de cada um fazer a sua parte, e é com este pensamento que o Secovi Rio arregaça as mangas e convida a população a cobrir as ruas do Centro do Rio com tons azuis. A colaboração é um dos pilares que sustentam o projeto Luz Azul e, seguindo esta pegada, vamos apresentar nesta edição algumas histórias de pessoas que elevaram o consumo consciente a outro nível e adotaram práticas colaborativas. Embora a produção de bens tangíveis para consumo seja importante para estimular a economia de uma região, o consumismo exacerbado causa prejuízos ao meio ambiente, ao gerar, por exemplo, grandes quantidades de resíduos para descarte. Com o consumo colaborativo não é preciso comprar determinado item para poder usufruí-lo. Quer saber como? Leia a matéria completa e entenda como adotar esta prática. Aproveite a revista - sem moderação (risos)! Boa leitura! Aponte a câmera do seu celular para este código e acesse um conteúdo especial EQUIPE SECOVI RIO

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DIRETORIA/EXPEDIENTE DIRETORIA SECOVI RIO Efetivos Presidente: Pedro José Maria Fernandes Wähmann Vice-Presidente: Leonardo Conde Villar Schneider Vice-Presidente Administrativo e Financeiro: Ronaldo Coelho Netto Vice-Presidente de Marketing e Comunicação: João Augusto Pessôa Vice-Presidente Jurídico e de Assuntos Legislativos: Alexandre Hermes Rodrigues Corrêa Vice-Presidente de Relações do Trabalho e Gestão Imobiliária: Dennys Abdalla Muniz Teles Suplentes Aldo Fernando Villar Hecht da Fonte; Antônio Carlos Ferreira; Antônio Henrique Lopes da Cunha; Luiz Alberto Queiroz Conceição; Luís Carlos Bulhões Carvalho da Fonseca Filho; Pedro Carlos Carsalade DELEGADOS REPRESENTANTES JUNTO À FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Efetivos Pedro José Maria Fernandes Wähmann; Manoel da Silveira Maia Suplentes João Augusto Pessôa; Ronaldo Coelho Netto CONSELHO FISCAL Efetivos Marco Antônio Moreira Barbosa; Antônio José Fernandes Costa Neto; Marco Antônio Valente Tibúrcio Rodrigues Suplentes Marco Antônio Vieira de Mello; Frederico Honorato Rodrigues Moreira; Jorge Ronaldo Ferreira Santos CONSELHO DE RELAÇÕES DE TRABALHO Dennys Abdalla Muniz Teles – Presidente; Alexandre Hermes Rodrigues Corrêa; Fernando Schneider; Maria Teresa Mendonça Dias; Antônio Henrique Lopes da Cunha REGIONAIS SECOVI RIO Regional Baixada Fluminense Av. Governador Roberto Silveira, 470/sala 412, Centro, Nova Iguaçu - RJ (Edifício Top Commerce) CEP: 26210-210 Telefone: (21) 2667-3397 E-mail: baixadafluminense@secovirio.com.br Regional Lagos Avenida Júlia Kubitschek, 16/loja 19, Bloco B, Parque Rivera, Cabo Frio - RJ (Edifício Premier Center) CEP: 28905-000 Telefone: (22) 2647-6807 E-mail: lagos@secovirio.com.br Regional Litorânea Avenida Almirante Barroso, 52/9º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ CEP: 20031-918 Telefone: (21) 2272-8000 E-mail: litoranea@secovirio.com.br Noroeste Fluminense Avenida Almirante Barroso, 52/9º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ CEP: 20031-918 Telefone: (21) 2272-8000 E-mail: noroestefluminense@secovirio.com.br Regional Norte Fluminense Avenida Almirante Barroso, 52/9º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ CEP: 20031-918 Telefone: (21) 2272-8000 E-mail: nortefluminense@secovirio.com.br Regional Costa Verde Avenida Almirante Barroso, 52/9º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ CEP: 20031-918 Telefone: (21) 2272-8000 E-mail: costaverde@secovirio.com.br Regional Serra Imperial Avenida Almirante Barroso, 52/9º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ CEP: 20031-918 Telefone: (21) 2272-8000 E-mail: serraimperial@secovirio.com.br Regional Serra Norte Avenida Almirante Barroso, 52/9º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ CEP: 20031-918 Telefone: (21) 2272-8000 E-mail: serranorte@secovirio.com.br Regional Serra Verde Avenida Almirante Barroso, 52/9º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ CEP: 20031-918 Telefone: (21) 2272-8000 E-mail: serraverde@secovirio.com.br Regional Sul Fluminense Avenida Almirante Barroso, 52/9º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ CEP: 20031-918 Telefone: (21) 2272-8000 E-mail: sulfluminense@secovirio.com.br SEDE Av. Almirante Barroso, 52/9º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ CEP: 20031-918 Telefone: (21) 2272-8000 - Fax: (21) 2272-8001 E-mail: secovi@secovirio.com.br A Revista Secovi Rio é uma publicação institucional, trimestral, do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais em todo o Estado do Rio de Janeiro. EXPEDIENTE Conselho Editorial: Pedro Wähmann e João Augusto Pessôa Coordenadora de Marketing e Comunicação: Edmara Carvalho REDAÇÃO imprensa@secovirio.com.br Jornalistas responsáveis: Gustavo Monteiro (25.140 MTE/RJ) e Igor Augusto Pereira (2.629 MTE/GO) Redação: Carla Neiva, Gustavo Monteiro e Igor Augusto Pereira Projeto gráfico e diagramação: Henrique Vasconcellos Revisão: Sandra Paiva PUBLICIDADE Patricia Salles (21) 2272-8009 - (21) 99507-4574 patricia@secovirio.com.br Flavia Andrade (21) 2272-8008 - (21) 98081-4275 flavia@secovirio.com.br A revista reserva-se o direito de não aceitar publicidade sem fundamentar motivação de recusa. Os anúncios veiculados são de responsabilidade dos anunciantes. Tiragem: 25.000 exemplares. Distribuição gratuita. Auditada pela: BKR Lopes, Machado Auditors, Consultants & Business Advisers. Distribuição nacional: Treelog S.A. Logística e Distribuição. SECOVI RIO / 2018 / nº 112 / 2

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agênciaka Pioneiros em ajudar você a administrar. A Zirtaeb investe em Tecnologia, Processos e Pessoas, para tornar a Gestão do Síndico mais Tranquila, Transparente e Ágil. Com a Zirtaeb, os síndicos podem focar no dia a dia operacional, já que a digitalização de documentos feita por nossa equipe agiliza a consulta e conferência dos dados, trazendo muito mais transparência e rapidez. A partir daí, os condôminos acompanham a movimentação e a saúde financeira do condomínio sem necessitar interromper o trabalho do síndico e do conselho. Todos ganham e os processos fluem melhor. Seu condomínio online: central de mensagens entre moradores, reserva de áreas comuns, 2ª via de boleto, registro de ocorrências e demonstrativo financeiro, 24 horas por dia, através do ZirtaWeb. Fazemos questão de inovar, sem esquecer do padrão de atendimento exclusivo com gerentes personalizados para cada cliente. Ligue para a Zirtaeb e agende agora uma apresentação. Seu condomínio merece. Zirtaeb Matriz Rua da Alfândega, 108 - Centro / RJ Tel: 3233-3500 - zirtaeb@zirtaeb.com Zirtaeb Recreio Rua Amaury Monteiro, 35 GR. 201/217 Tel: 2437-9445 - recreio@zirtaeb.com Zirtaeb Barra Av. das Américas, 2901 GR. 411/412 Tel: 2439-8170 - barra@zirtaeb.com Zirtaeb Copacabana Av. N. S. Copacabana, 647 GR. 709 Tel: 2255-9893 - copacabana@zirtaeb.com www.zirtaeb.com fb.com/zirtaeb.com.br instagram @zirtaeb_adm Condomínios e Bens Imóveis

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PALAVRA DO PRESIDENTE Estamos vivendo um período bastante interessante no que diz respeito à cidadania e ao senso de comunidade. Se antes as pessoas tendiam a ser mais individualistas, agora existem movimentos em prol do bem-estar coletivo. A má fase econômica do nosso estado e da nossa cidade, que vem causando sérios transtornos à população, está contribuindo para que as pessoas se aventurem fora de suas vidas privadas e passem a olhar mais para seus vizinhos. Somar esforços para gerar benefícios virou tendência. O consumo colaborativo, por exemplo, está crescendo nos condomínios. Trocar ou emprestar objetos usados é uma atitude sustentável e, além disso, aproxima as pessoas. É algo semelhante ao que temos visto na área da segurança: a sociedade tem se organizado para dar sua contribuição ao poder público e auxiliar na redução da criminalidade. Os condomínios têm um peso bastante grande neste contexto, afinal, quase metade da população do Rio vive e trabalha nesses locais. Empresários, comerciantes, associações e entidades de classe também têm se movimentado e participado de projetos de parceria público-privada em prol de uma cidade mais segura. O Secovi Rio não ficou de fora e lançou em maio o projeto Luz Azul, que prevê a instalação de câmeras de vigilância em edifícios do Centro do Rio identificadas com uma luz na cor azul. A ideia, baseada num case de sucesso da cidade de Detroit, nos Estados Unidos, é compartilhar as imagens com as autoridades, reduzindo os índices de criminalidade. Entretanto, estamos cientes de que apenas a tecnologia não resolverá o problema. Gestores de condomínios precisam se dedicar também ao treinamento de seus funcionários porque o crime pode ser inibido, muitas vezes, com atitudes preventivas bastante simples. Por isso um dos focos da UniSecovi Rio é promover cursos para porteiros e síndicos com alguns dos melhores especialistas do setor ensinando como evitar situações de risco. A informação pode ser uma grande arma. Não deixe de usá-la! Pedro Wähmann Presidente do SECOVI RIO Sua opinião é muito importante Quer mandar um comentário sobre esta edição ou sugerir uma pauta? Envie um e-mail para imprensa@secovirio.com.br SECOVI RIO / 2018 / nº 112 / 4

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Shutterstock CURTINHAS Garagem flutuante Um escritório de arquitetura dinamarquês criou uma solução para resolver, ao mesmo tempo, os problemas de inundações, falta de vagas e pouca arborização nas grandes cidades. Trata-se de uma espécie de edifício-garagem com um jardim vertical circular pelos andares. Toda essa estrutura é flutuante e fica em cima de um enorme reservatório, que recebe e armazena a água da chuva. Isso quer dizer que, em dias secos, o topo do edifício fica no nível da rua. Quando chove, à medida que a água vai ocupando o reservatório, toda a estrutura se desloca para cima. Shutterstock Tour virtual Um aplicativo para dispositivos móveis se propõe a resgatar as histórias esquecidas da Zona Portuária do Rio de Janeiro. O Museu do Ontem, disponível para os sistemas Android e iOS, reúne episódios históricos, que vão desde a chegada da família real portuguesa ao Brasil, em 1808, a fatos mais recentes, como escândalos de corrupção investigados pela Operação Lava Jato. Todo o conteúdo pode ser explorado por um mapa atual e também por um mapa de 1830, mas é preciso estar presente na área para viver a experiência proposta pelo aplicativo. Na Justiça O síndico de um condomínio na Paraíba foi condenado em segunda instância por injúria qualificada contra uma moradora autista. Segundo a denúncia que gerou o processo, o síndico teria ofendido várias vezes a vítima, afirmando que “esse tipo de gente não deveria existir” e insinuando, ainda, que sua presença “manchava” o condomínio. Além disso, teria impedido que ela frequentasse áreas comuns como o parque. A jovem é autista com atraso global do desenvolvimento e transtorno global associado. O réu foi condenado a um ano e dois meses de reclusão em regime aberto, além de dez dias-multa, com a pena sendo substituída por duas restritivas de direito.

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Shutterstock Shutterstock Minimalismo na prática Consegue imaginar como seria reduzir seu guarda-roupa a quase 1/4 das peças que ele tem hoje? Esse foi o resultado de um desafio realizado pela apresentadora e ativista ambiental Fe Cortez. A ideia, conhecida como armário-cápsula, vem sendo difundida nas redes sociais por influenciadores ligados à moda sustentável e ao consumo consciente. No caso de Fe, ela reduziu o número de peças de roupa de 300 para apenas 72. Em uma websérie que documentou esse processo, Fe conta que um dos aspectos mais importantes da construção do armário-cápsula foi priorizar apenas peças adequadas ao seu estilo de vida, dispensando modelos que são tendências sazonais e eliminando totalmente roupas que comprou e usou pouco. O passo a passo está disponível no site www.menos1lixo.com.br. Boa ação Moradora de Belford Roxo, a educadora ambiental Antônia Portela encontrou uma forma de contribuir com o meio ambiente e com a vida de crianças carentes. De tempos em tempos, ela sai às ruas de seu bairro em busca de bonecas jogadas no lixo. Tudo que encontra vai para o ateliê que ela montou em casa, onde as bonecas passam por uma transformação, com direito à troca de partes com defeito, além de roupas e cabelos novos. Depois de prontas, as bonecas são doadas. A inspiração da educadora veio de seus pais, uma catadora de lixo e um gari, que traziam para a filha brinquedos ainda em bom estado encontrados no lixo. SECOVI RIO / 2018 / nº 112 / 6

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Reprodução Poupança recuperada Poupadores que tiveram perdas da poupança relacionadas aos Planos Bresser (1987), Verão (1989) e Collor 2 (1991) já podem se cadastrar para receber indenização relacionada a esses valores. Pelo site pagamentodapoupanca.com.br, é possível se cadastrar para aderir a um acordo. Podem receber a indenização todas as pessoas que entraram com ações individuais contra os bancos até 20 anos após a edição desses três planos. Não há indenização prevista no acordo para o Plano Collor 1 (1990). Também têm direito as pessoas que participaram de ações coletivas ajuizadas até cinco anos do trânsito em julgado da sentença coletiva ou que tenham iniciado a execução da sentença coletiva em 2016, desde que respeitado o prazo de cinco anos após o trânsito em julgado da decisão favorável que permitiu a execução. Herdeiros também podem aderir ao acordo, desde que exista uma ação judicial em nome do falecido. Shutterstock Apesar da crise Risco virtual Na contramão da crise econômica, a agenda de eventos turísticos no Rio de Janeiro movimentou, só no primeiro quadrimestre de 2018, cerca de R$ 6 bilhões, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas. O Carnaval representou sozinho metade dessa receita, seguido do Réveillon (R$ 1,94 bilhão). Pelo menos 700 mil links maliciosos, criados para invadir seu computador ou dispositivo móvel, são acessados no Brasil a cada dia. É o que demonstrou um relatório da empresa de segurança virtual PSafe. Segundo a pesquisa, a principal tática dos hackers é focar na falha humana, prometendo ao usuário vantagens como prêmios ou cupons de desconto. Para se proteger dos ataques, é importante verificar a grafia do endereço de e-mail de quem enviou e os eventuais links que possam estar no corpo do texto. Ao receber um link no WhatsApp, vale confirmar com o remetente se aquele texto foi realmente enviado por ele. No caso de links que prometem produtos grátis, por exemplo, deve-se consultar o site oficial da marca para saber se a suposta oferta está realmente disponível. SECOVI RIO / 2018 / nº 112 / 7 Shutterstock

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ENTREVISTA • DEBORA ALBU A quem interessam as Igor Augusto Pereira ? No auge dos bloqueios nas estradas brasileiras, no primeiro semestre de 2018, o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros do Brasil emitiu um comunicado: a população deveria fazer o possível para estocar comida e combustível, afinal a previsão era de que a greve seria longa. “Avisem suas famílias”, dizia a mensagem de áudio compartilhada pelo WhatsApp. Muita gente correu ao supermercado para garantir o seu. Só que tudo não passava de uma grande mentira. Em uma breve pesquisa, era possível descobrir que o dono da voz, que alegava ser presidente da entidade, não ocupava o cargo. O motivo: o Sindicato dos Caminhoneiros do Brasil simplesmente não existe. O suposto porta-voz do movimento, que até o fechamento desta edição não havia sido identificado, era um farsante. E ele não está sozinho. Segundo o grupo de especialistas em cibercrime dfndr lab, só nos três primeiros meses de 2018, as fake news atingiram pelo menos 2,9 milhões de acessos no Brasil. Muitas vezes, elas geram apenas desencontros de informação, mas há casos em que as notícias falsas acabam manipulando a opinião pública, acentuando divergências já existentes e provocando histeria. Para contribuir com o debate público, colaborando para desmascarar as fake news, o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS-Rio) vem se dedicando ao tema. Um desses recursos foi uma ferramenta que ajuda os usuários a reconhecer perfis virtuais que possam ser gerenciados por robôs. O Pegabot (www.pegabot.com.br) é um portal que analisa os conteúdos publicados e compartilhados por um usuário, dando uma pontuação com base na probabilidade de esse perfil ser gerenciado por um robô. A pesquisadora de democracia e tecnologia do ITS-Rio Debora Albu conversou com a Revista Secovi Rio sobre essa iniciativa e sobre como as fake news podem pautar a opinião pública. SECOVI RIO / 2018 / nº 112 / 8

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Debora ENTREVISTA • DEBORA ALBU O que é exatamente o ITS-Rio? O Instituto de Tecnologia e Sociedade é um centro de pesquisa fundado em 2014 por seus três diretores – Ronaldo Lemos, Carlos Affonso Souza e Sérgio Branco –, que desenvolvem trabalhos em conjunto há mais de 15 anos na área de direito e tecnologia, principalmente. O trabalho desenvolvido pelo ITS se divide em quatro áreas: direito e tecnologia, democracia e tecnologia, inovação e educação. Cada uma dessas áreas coordena projetos específicos que, em muitos casos, unem mais de uma área em seu desenvolvimento. Como esse trabalho é mantido? Nosso financiamento vem de diversas fontes, como fundações, grandes empresas de tecnologia, governos, entre outras. Para garantir a independência do trabalho realizado, nenhuma instituição doadora pode compor mais de um quinto do nosso orçamento global. Além disso, nossa estrutura de governança é composta por um conselho deliberativo, no qual especialistas na área definem prioridades de pesquisa e de projetos. Por que o instituto decidiu ampliar o debate sobre fake news? O ITS já atua nesse debate há algum tempo, principalmente a partir do debate do Marco Civil da Internet, garantindo um ciberespaço com liberdade de expressão e segurança tanto para usuários quanto para provedores de serviço. Nesse sentido, atuamos em três frentes principais: pedagógica ou educacional, de advocacy (incidência política) e de desenvolvimento tecnológico. Na primeira frente, realizamos diversos cursos livres que abordam a temática, aprofundando conceitos dentro desse debate, desde checagem de fatos às ligações entre fake news e eleições. Além disso, produzimos constantemente conteúdos que abordam novos desenvolvimentos sobre fake news. Na frente de incidência política, frequentemente produzimos pareceres jurídicos – do tipo amicus curiae – e participamos de audiências públicas sobre esses temas, trazendo contribuições específicas sobre a discussão em seu aspecto legal. Por fim, também buscamos desenvolver ferramentas tecnológicas que possam mitigar efeitos negativos desse fenômeno, como é o caso do Pegabot. SECOVI RIO / 2018 / nº 112 / 9 Debora Debora Shutterstock

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Shutterstock Debora ENTREVISTA • DEBORA ALBU Já é possível definir quando ocorreu a gênese das fake news? Não é possível definir exatamente uma gênese, uma vez que o conceito em si do que são fake news está em constante debate e não há um consenso sobre sua definição. Muitos jornalistas e acadêmicos inclusive não utilizam o conceito “fake news” ou notícias falsas, e sim desinformação, má informação ou informação falsa. Em geral, esse tipo de conteúdo é criado para causar algum tipo de dano a uma pessoa, uma instituição ou mesmo um grupo, o que implica dizer que quem a criou o fez com algum interesse alheio ao bem público. Em geral, fake news são criadas para causar algum tipo de dano a alguém PUBLICIDADE SECOVI RIO / 2018 / nº 112 / 10

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ENTREVISTA • DEBORA ALBU Debora Debora Shutterstock Embora seja difícil encontrar o ponto inicial das fake news, é possível dizer que as disputas políticas tenham colaborado para ampliá-las a um novo nível? As fake news ganharam as manchetes principalmente a partir das últimas eleições para a Presidência nos Estados Unidos, em que o presidente Donald Trump teria feito uso desse tipo de conteúdo para ganhar eleitores por meio das redes sociais. Isso se comprovou de certa forma com o caso do vazamento de dados da empresa Cambridge Analytica, em que tais dados pessoais serviram para criar um sistema de direcionamento de anúncios políticos para certos tipos de perfil. Além desse caso, a saída do Reino Unido da União Europeia (o “Brexit”) também foi influenciada pelo compartilhamento desses conteúdos de forma massiva. Existe um perfil específico de pessoa ou organização na criação de fake news? Não há necessariamente um perfil específico. Considerando que, na era da internet 2.0 e 3.0, todos podem ser produtores de conteúdo, qualquer pessoa pode iniciar esse tipo de produção e compartilhamento. Um caso emblemático é o do grupo conhecido como “Veles boys”. Esses jovens da cidade de Veles, na Macedônia, iniciaram algumas ondas de notícias falsas durante a campanha eleitoral presidencial nos EUA e construíram uma espécie de “fábrica de fake news”. É importante considerar o contexto de desemprego e crise econômica vividos no país, o que pode ter sido um catalisador para que o grupo crescesse e ganhasse tanta escala. Como qualquer pessoa pode produzir conteúdo, não há um perfil específico na criação de fake news PUBLICIDADE ANUNCIE NO BLOG CONDOMÍNIOS VERDES DO SECOVI RIO Condomínios Verdes O blog www.condominiosverdes.com.br 1olr-uঞѴ_-7b1-vķmoঠ1b-v;bm=oul-2ॗ;v vo0u;v†v|;m|-0bѴb7-7;ĺol12 mil acessos mensaisķo0Ѵo]7bˆ†Ѵ]-bmb1b-ঞˆ-v v†v|;m|࢙ˆ;bv;-bm7-ro7;-f†7-u-=ou|-Ѵ;1;u-l-u1-7ov-m†m1b-m|;vroul;bo7; banners ;publipostsĺ SECOVI RIO / 2018 / nº 112 / 11

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Shutterstock Debora ENTREVISTA • DEBORA ALBU Quais as possíveis vantagens para quem cria uma notícia falsa? Como mencionado, a produção desse tipo de conteúdo já faz parte de uma economia, fazendo circular grandes somas monetárias (por meio de links patrocinados). Além disso, o próprio conteúdo pode gerar ganhos políticos ou sociais para grupos de interesse envolvidos. PUBLICIDADE SECOVI RIO / 2018 / nº 112 / 12

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Debora ENTREVISTA • DEBORA ALBU Por que essa estratégia tem surtido tanto efeito? Podemos atribuir essa massificação a alguns fatores – em um viés ora mais tecnológico, ora mais político. O primeiro fator está relacionado à própria estrutura da internet, em que o compartilhamento é uma das funções mais estimuladas e facilitadas. Pense que na rede estamos mais “unidos”, mais próximos, e a facilidade de replicar conteúdo também regula essas “ciber-relações”. Para além de redes sociais mais tradicionais como o Facebook e o Twitter, aplicativos de mensagens instantâneas como o WhatsApp também apresentam uma infraestrutura que facilita a replicação de informação. Um estudo recente da USP mostrou que os grupos de família no aplicativo são grandes responsáveis pela propagação de notícias falsas. E, politicamente, por que isso tem tanto impacto? Esse fator se relaciona a uma virada política e social que estamos vivendo, com a polarização de debates políticos, a descrença na política tradicional e as crises sociais e econômicas profundas que nos afetam. Isso leva a um acirramento de ânimos que também pode explicar esse tipo de difusão expressiva. PUBLICIDADE SECOVI RIO / 2018 / nº 112 / 13 Debora Shutterstock

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