Revista O Campo - 25ª edição

 

Embed or link this publication

Description

Revista produzida pelo departamento de comunicação da Coopermota - informação agrícola e curiosidades rurais.

Popular Pages


p. 1

Edição 25 • maio | junho • 2018 Mala Direta Básica Contrato: 2017 CNPJ 46844338/0001-20 / SE/SPI Coopermota Cooperativa Agroindustrial clima alterado, safra reduzida Criação de Lambari: alternativa como isca para pesca esportiva Variedade de mandioca produz 81 toneladas por hectare maio | junho 2018 o campo 1

[close]

p. 2



[close]

p. 3

maio | junho 2018 o campo 3

[close]

p. 4

Produtividade & rentabilidade Maio foi um mês marcante no cenário nacional brasileiro, não só pelas manifestações que afetaram todos os setores da economia, mas também pela longa estiagem seguida de ventos fortes que resultaram em acamamento de lavouras e até quebra de colmo, em alguns casos. A incidência de danos variou muito de uma localidade para outra, considerando época de plantio e a consequente fase do milho afetado, condição de solo e características do híbrido cultivado. No início da cultura do milho de segunda safra, a qualidade vegetativa das plantações empolgava muitos agricultores, porém a longa estiagem deixou muitos deles temerosos pelos resultados que poderão obter ao final do ciclo. Embora a quebra de produtividade seja visível em alguns casos, somente após a colheita poderemos ter um quadro conclusivo do cenário agrícola da região para esta safra de inverno, tendo em vista que também existem casos de estimativa de produtividade que poderão ser consideradas razoáveis. A revista O Campo fez um levantamento das condições climáticas no que se refere às chuvas registradas nos últimos 10 anos na região de Assis, com análise sobre igual período do milho de segunda safra deste ano, entre fevereiro e maio de 2008 a 2018. O período é responsável por quase toda a formação dos grãos e a definição de produtividade da lavoura. A situação pluviométrica deste ano é semelhante ao que ocorreu em 2010, com médias mensais de abril e maio muito semelhantes. A situação atual fica mais alarmante ao produtor diante da memória dos dados registrados em 2017, ano em que a precipitação de chuva e temperaturas foram consideradas ideais para a cultura. Isso porque o valor pago pelo saco de 60 quilos neste ano valorizou quase 70% sobre as cotações do ano passado. Contudo, ainda há boas expectativas quando o assunto é rentabilidade, ao considerar o preço atual do grão. Acompanhe, nesta edição, estas e outras informações sobre o tema. Veja ainda na revista, informações sobre o cultivo de Lambari, utilizado como isca para pescas esportivas. A nossa reportagem foi até Teodoro Sampaio para conhecer a realidade do piscicultor Wanderlei di Nardi, que faz uma análise da realidade atual para a cultura. Além disso, você também poderá acompanhar os resultados dos ensaios realizados pela Apta para a cultura da soja na região. Cerca de 20 materiais foram analisados quanto ao seu desempenho em solos variados, em cultivos distribuídos em três ensaios distintos nos municípios de Assis, Cândido Mota e Palmital. Uma série de outros assuntos também estão presentes nesta edição. Não deixe de ler os artigos na coluna fixa de opinião da O Campo, além de se agendar para as nossas festas juninas em diversas unidades da cooperativa. Tenha uma boa leitura. Vanessa Zandonade Editora Expediente 4 o campo maio | junho 2018

[close]

p. 5

olhar cooperativo Contagem regressiva para seis décadas O pontapé inicial para a comemoração das nossas seis décadas já foi dado. Isso porque desde o dia 17 de maio, quando comemoramos os nossos 59 anos, estamos nos preparando para este momento em que olhamos para nossas conquistas, celebramos as vitórias obtidas e projetamos nosso futuro. Nas últimas duas décadas experimentamos um crescimento importante para a cooperativa e todos os agricultores a ela vinculados. Tais mudanças verificadas buscam solidificar ainda mais a nossa gestão baseada nos princípios cooperativistas, prezando sempre por inovações que garantam a sustentabilidade econômica e ambiental deste nosso empreendimento coletivo e, portanto, de todos nós. Este pontapé de positividade segue também as expectativas e comemorações que experimentamos em todo o Brasil com a proximidade da Copa do Mundo, representados por nossos jogadores na disputa mundial por mais um título. Em um bom momento de vitórias conquistadas nos jogos amistosos, os competidores iniciam em breve esta competição e, nesta onda, aliamos estas boas vibrações do futebol para nossa caminhada interna. Tivemos neste início de ano um período difícil, de incertezas no campo e na vida econômica do país. Passamos por tempos preocupantes de longa estiagem, situação há muito não vivida nestas proporções e neste período de desenvolvimento das lavouras. No aspecto macroeconômico, as dificuldades políticas trouxeram reflexos ao nosso dia a dia, haja vista a greve dos caminhoneiros e todas as implicações causadas por esta medida com abrangência nacional, entre outros. No entanto, os números que obtivemos em nossa memória recente nos colocam com olhar bastante positivo no que se refere ao desenvolvimento do cooperados, da região em que atuamos e, consequentemente, da Coopermota. Vamos, aos poucos, remando contra esta maré de baixas do país para navegarmos por mares menos revoltosos, sustentado em grande maioria pelo sucesso que o agronegócio vem apresentando frente às oscilações de outros setores da economia. Olhar sempre adiante, bons rendimentos e sucesso a todos! A Coopermota sumário 06 CAPA - 2ª SAFRA: Produtores lamentam clima, mas alguns ainda comemoram preços 10 12 CampoCooper em Campos Novos Paulista atrai homens e mulheres em demonstração técnica Produtor destaca benefícios e dificuldades do cultivo do Lambari para a pesca esportiva 16 Uso de drones na agricultura aumenta precisão no manejo 22 Agricultor se empolga com resultados do manejo biológico na goiaba 25 Resultados da produção de mandioca anima produtor 28 Apta analisa resultados de ensaios de materiais de soja na região 32 36 49 Plano de saúde oferece carência reduzida para agricultores e funcionários Produtividade de soja é premiada em concurso regional Artigo: Embrapa alerta para perdas de grãos nas colheitas de soja 42 Artigo CSSA: Integração Lavoura-pecuária-floresta compõe programa de sustentabilidade maio | junho 2018 o campo 5

[close]

p. 6

2ª SAFRA Clima ruim, preços bons As perspectivas de comercialização do produto estão melhores ao produtor nesta safra. Pelo menos até meados de maio e início de junho o saco de 60 quilos do milho era negociado a R$ 37,00 Capa N o céu, o sol não apresentava indícios de que daria espaço para a chuva necessária para molhar a terra e trazer umidade ao clima. Enquanto isso, as plantações de milho demonstravam que o tempo de espera pela chuva já estaria muito longo e os indícios de redução de produtividade começavam a surgir. A estiagem nas regiões do Médio e Pontal do Paranapanema, bem como na Alta Paulista e sudoeste do estado, se estendeu por mais de 40 dias entre abril e maio. Situação semelhante só teria ocorrido nesta mesma fase da safra nos anos de 2016, quando houve uma estiagem em abril de 30 dias, e em 2013, quando entre abril e maio ficou sem chover por 40 dias. Porém, nestes dois casos, houve compensações de volume pluviométrico frente aos dias de estiagem. Nos meses do outono e do inverno, a região normalmente registra poucas chuvas. O tempo seco, no entanto, ocorre em períodos variados de desenvolvimento da lavoura. Em 2018, a situação foi agravada no final do período de estiagem dos meses de abril e maio, quando algumas lavouras foram afetadas com uma chuva seguida de rajadas de vento que resultaram no acamamento e quebra de colmo das plantas de milho. A abrangência destas interferências climáticas variou conforme o material utilizado pelo produtor, a fase de plantio e desenvolvimento do milho no momento da chuva e as condições de solo. A situação de quebra de produtividade, contudo, ainda segue sem um posicionamento definitivo, tendo em vista que a colheita deve ocorrer somente entre julho e agosto, quando será avaliada a real condição produtiva desta safra. Conforme explica o engenheiro agrônomo da Coopermota, unidade de Cândido Mota, José Roberto Gonçales Massud, o que vem se registrando nos últimos três anos na região é que em 2016 houve um período longo de estiagem, cerca de 30 dias, com dias quentes e noites com temperaturas elevadas também. “Nesta condição climática a planta ‘respirou’ muito à noite e perdeu produtividade. Em seu ciclo normal de desenvolvimento, a planta faz fotossíntese durante o dia e respira durante a noite”, comenta. Já em 2017, as condições climáticas foram perfeitas para o desenvolvimento do milho de segunda 6 o campo maio | junho 2018 Plantação com evidência de dano causado pelas fortes rajadas de vento registradas em maio

[close]

p. 7

safra. Se houve estiagens, estas não passaram de 15 dias, tendo, portanto, a umidade, a luminosidade e a temperatura adequadas para uma boa formação das espigas. “Foi o ano em que os produtores da região alcançaram produtividades mais próximas do teto estimado”, enfatiza. No entanto, o produtor teve problemas de preços no momento de venda de sua produção. Neste ano, contudo, Massud destaca que o que seregistrou foi uma longa estiagem, superior a 40 dias, com dias quentes e madrugadas frias. “Mesmo com o tempo seco, a temperatura mínima estava boa”, diz. Se por um lado há quedas de produtividade com diferentes percentuais de danos de acordo com a localidade, situação que ainda será avaliada, por outro, as perspectivas de comercialização do produto estão melhores ao produtor nesta safra, com o saco de 60 quilos do milho sendo negociado a R$ 37,00, pelo menos até meados de maio e início de junho. Nestas circunstâncias entre produtividade e preço de mercado, conforme comparativo realizado por Massud, se o produtor obtiver um volume de grãos até 40% inferior a 2017, alcançará a mesma rentabilidade que obteve na safra anterior. “Temos algumas plantações que estão com o milho em condições muito boas. Os dados finais das lavouras devem varia muito entre uma região e outra”, afirma. O mês de fevereiro registrou o que os consultores avaliam como uma espetacular alta nas cotações do milho. Em 30 dias, o valor de mercado sofreu uma alta de quase 18%. Contudo, esta variação positiva na cotação tem sido influenciada, segundo dados de consultorias do setor, pela retração de venda dos produtores, que estariam à espera de melhoras no preço pago pelo saco de 60 quilos. Entretanto, mesmo com a valorização nas cotações do milho, nas localidades da região em que os danos registrados nas lavouras foram mais agressivos, esta situação de compensação econômica não será verificada. ACOMPANHAMENTO PLUVIOMÉTRIO 2008-2018 - CIDADE DE REFERÊNCIA: ASSIS 201 200.5 231.8 196.8 228 213.6 215.1 175.8 181.2 187.2 176.1 139.4 128.7 125.5 146.3 143.1 154 151.7 160 157.2 122.7 105.6 104 126.6 118.3 127.2 120.5 VOLUME REGISTRADO EM MILÍMETROS 98 99.3 56.7 76.2 72.5 58.2 73.5 54.6 30.7 31.3 42.3 48.8 35.2 43.1 35.3 39 7.2 2008 2009 FONTE: CIIAGRO 2010 2011 2012 2013 2014 MESES POR ANO DE REGISTRO fevereiro março abril maio 2015 2016 2017 2018 PERÍODOS DE ESTIAGEM F E V. A MA I O - 2 0 0 8 - 2 0 1 8 - C I DA D E D E RE F E RÊ N C I A : A SSI S 10 3 27 15 3 6 28 9 15 7 8 28 14 16 22 1 7 7 28 17 19 17 15 8 7 9 13 13 PERÍODO SEM CHUVA EM DIAS 5 7 7 14 5 7 11 7 12 11 10 11 7 9 4 2 2008 2009 2010 2011 PERÍODO QUE EXTRAPOLA O LIMITE DO MÊS 2012 2013 2014 ANO DO REGISTRO FEV MARÇO ABRIL MAIO 2015 2016 2017 2018 FONTE: CIIAGRO Quadros de acompanhamento de volume pluviométrico e períodos de estiagem da última década. maio | junho 2018 o campo 7

[close]

p. 8

} BALANÇO DA CONAB Conforme boletim da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), publicado em 12 de junho, o milho de segunda safra teve redução de área plantada sobre 2017, o que representou uma queda de 4,4% no comparativo entre uma safra e outra. O documento evidencia que essa situação seria inédita para os últimos nove anos. No que se refere aos investimentos dos produtores, a Companhia constata que houve redução na utilização do pacote tecnológico, o que também reduziu a perspectiva de produtividade para a safra de milho inverno. Nestas condições, já esperava-se uma redução de produtividade de aproximadamente 5 mil quilos por hectare. Com isso, a quantidade total do milho estimada para esta segunda safra é de 58,2 milhões de toneladas. Segundo dados da Conab, o maior avanço de produtividade do milho de segunda safra ocorreu no ano passado. Tal fato também foi percebido na região de abrangência da Coopermota, com um aumento de 38,5% na produção total do grão, entre os invernos de 2016 e 2017. } Safrinha - cultura de inverno O plantio do milho de segunda safra se estendeu até março de 2018. Isso porque as chuvas atrasaram a colheita da soja. Conforme dados da consultoria AgRural, no início de março, São Paulo registrava um total de 43% de área plantada sobre a estimativa total de extensão do grão no estado. Mesmo com o atraso no plantio, a perspectiva de produtividade para o milho safrinha era recorde, dada a qualidade visual das plantas na sua fase vegetativa. Mesmo assim, os números esperados para a produtividade já contavam com ajustes para baixo em relação a 2017, tendo em vista que o clima na segunda safra do ano anterior teria estado próximo do ideal e já havia atraso no plantio para este ano. Segundo projeções publicadas pela FCStone ainda em fevereiro deste ano, o rendimento do milho de segunda safra seria pelo menos 3,4% menor que o obtido na safra 2016/2017. Além disso, os analistas desta agência de consultoria, parceira da Coopermota, já previam a primeira quinzena de abril com recuo no volume de chuva. “O fim da influência da La Niña neste primeiro trimestre pode ser negativo para a safrinha de milho, com o regime de precipitações podendo se encerrar mais cedo”, já destacava o analista da FCStone, João Macedo, em entrevista publicada no início de fevereiro. 8 o campo maio | junho 2018

[close]

p. 9

MUITO MAIS proTECAOPARA SUA LAVOURA Híbridos marca Pioneer® com a tecnologia Leptra® de proteção contra insetos A melhor opção para auxiliar no controle das principais lagartas que atacam a cultura do milho Lagarta-do-cartucho Lagarta-elasmo Spodoptera frugiperda Elasmopalpus lignosellus Lagarta-do-trigo Pseudaletia sequax Broca-da-canade-açúcar Diatraea saccharalis Lagarta-eridania Lagarta-da-espiga Spodoptera eridania Helicoverpa zea Lagarta-rosca Agrotis ipsilon Programa de Boas Práticas Agrícolas: A utilização das tecnologias aqui contidas requer a adoção de boas práticas agrícolas para manter a suscetibilidade das pragas controladas, prolongando a eficácia das tecnologias. Como boas práticas gerais recomenda-se a adoção de práticas de manejo de resistência e manejo integrado de pragas, como a utilização de sementes certificadas, dessecação antecipada, tratamento de sementes, plantio de refúgio estruturado efetivo, controle de plantas daninhas e voluntárias e, se necessário, aplicação complementar de inseticidas. Para mais informações acesse www.boaspraticasagronomicas.com.br e veja o Guia de Uso de Produtos em www.pioneersementes.com.br. Os híbridos com a tecnologia Leptra® são a melhor opção para auxiliar no controle das principais lagartas que atacam a cultura do milho. Além disso, com o Tratamento de Sementes Industrial com Dermacor® e Poncho® oferecem ao agricultor um pacote ainda mais completo no controle de insetos e longevidade da tecnologia. Ao escolher os híbridos de milho marca Pioneer® você contará ainda com um atendimento exclusivo e personalizado de uma equipe de representantes altamente qualificada e pronta para lhe atender no campo. Siga sempre as Boas Práticas de Manejo. www.pioneersementes.com.br Híbridos marca Pioneer® com tecnologia Leptra® de proteção contra insetos - disponível também em versão tolerante ao herbicida glifosato. Agrisure Viptera® é marca registrada e utilizada sob licença da Syngenta Group Company. A tecnologia Agrisure® incorporada nessas sementes é comercializada sob licença da Syngenta Crop Protection AG. YieldGard® e o logotipo YieldGard são marcas registradas utilizadas sob a licença da Monsanto Co. Tecnologia de proteção contra insetos Herculex® I desenvolvida pela Dow AgroSciences e Pioneer Hi-Bred. Herculex® e o logo HX são marcas registradas da Dow AgroSciences LLC. LibertyLink® e o logotipo da gota de água são marcas da BAYER S.A. o campo 9®, TM, SMsão marcas registradas e marcas de serviço da DuPont, Dow AgroSciences ou Pioneer e de suas companhias afiliadas omu daeiose|usjurenshpeoct2iv0os18titulares. © 2018 PHII

[close]

p. 10

10 o campo maio | junho 2018

[close]

p. 11

maio | junho 2018 o campo 11

[close]

p. 12

Teodoro Sampaio CRIAÇÃO DE LAMBARI Atração nos anzóis para a pesca esportiva Com menor custo de produção e especificidades de manejo, o lambari criado para isca vem sendo uma boa alternativa para piscicultores de diferentes regiões Q uem nunca teve alguma história para contar em aventuras de pescador?! É bem fácil encontrar pessoas que pelo uma vez se manteve à margem de algum rio munido de vara de pescar, muita dedicação e paciência para trazer para fora d’água algum peixe apetitoso, mesmo que seja os tão conhecidos lambaris, comuns nos rios da região. Eles costumam ser o peixe de maior volume em represas e lagos e também a isca principal para a pesca do Tucunaré. Sabendo desta prática e considerando a necessidade do lambari para pescas esportivas, o piscicultor Wanderlei di Nardi começou a atuar na criação desta espécie em tanques escavados, no município de Teodoro Sampaio, Estância Renascer, há pelo menos 10 anos. A criação do lambari, ainda menos abrangente em comparação com a Tilápia, vem ganhando espaço entre os piscicultores. Conforme afirma o pesquisador doutor em Qualidade e Produtividade Animal pela USP e membro da Apta, Fábio Sussel, o lambari é “pequeno no tamanho, mas gigante no potencial”. Segundo ele, o custo de produção deste tipo de peixe é de aproximadamente R$ 60,00 o milheiro, tendo o preço de venda próximo a R$ 160,00, na mesma medida. Da mesma forma, o piscicultor também destaca 12 o campo jmanaeioiro| ju| fnehvoer2e0ir1o82017

[close]

p. 13

o menor custo de produção frente ao custo da Tilápia. “Eu não tinha dinheiro para engordar Tilápia, que era o carro chefe das pisciculturas da época. Com o Lambari eu ia gastar menos e ele sai mais rápido, entre quatro e cinco meses. Então, o giro de capital seria mais rápido. Além disso, já tinha onde entregar”, afirma ao justificar a sua adesão à criação desta espécie. Di Nardi lembra que o aparecimento do Tucunaré nos rios da região fez com que houvesse maior procura pelos Lambaris, utilizados como isca. “Desde o início eu vendi os peixes para casas de isca e pousadas. Geralmente as pousadas mais retiradas é que pegam da gente, as mais próximas da cidade ficam mesmo com as casas de isca porque há menos trabalho”, comenta. A procura pelo Lambari varia conforme a espécie de peixe que está em evidência na pesca realizada nos rios da região. “Quando a Curvina é pequena, a maior procura é pelo Lambari pequeno e assim também ocorre com o Tucunaré. Para a pesca de Curvinas e o Lambari costuma ser menor. O começo da atuação do piscicultor no setor, antes de se mudar para o assentamento onde mora atualmente, foi em Terra Rica, localiza no noroeste do Paraná. “Lá fui pioneiro na criação de peixe em tanque escavado. Criava Carpa. Quando vim para cá comecei com a Tilápia, mas como ela tem um custo de produção alto eu acabei no Lambari”, comenta. A indução da desova dos Lambaris a partir do uso de hormônios impulsionou o piscicultor à criação desta espécie. Di Nardi lembra que sua sobrinha, técnica agrícola, aprendeu esta prática e sugeriu a ele o início desta inciativa. Nesta técnica, separam-se as fêmeas e os machos e aplica-se o hormônio para que as fêmeas realizem a desova ao mesmo tempo, em até 12 horas após o manejo. “No tanque escavado, a gente seca o local em cerca de uma semana, inclusive com cal virgem para eliminar tudo o que tiver dentro. Existe muito predador do Lambari no período pós-larva. A libélula, por exemplo, povoa o tanque com suas larvas em três dias. Antes de você povoar o tanque com Lambari a libélula consegue deixar milhares de suas espécies no local. Desta forma, quando você coloca as matrizes para desovar já tem libélula suficiente para comer tudo, daí a importância de secar o tanque para não haver problemas deste tipo”, explica. Após a desova, os Lambaris são mantidos no mesmo tanque até a despesca. Di Nardi possui 15 tanques em um total de 20 mil metros de lâmina d’água. O maior deles possui metragem de 25x80. Em cerca de seis meses está concluído o ciclo de produção dos lambaris. O tamanho do Lambari a ser comercializado depende para qual tipo de peixe será destinado como isca. maio | junho 2018 o campo 13

[close]

p. 14

} Manejo Wanderlei di Nardi explica que a nutrição dos Lambaris é feita basicamente do início ao fim com ração composta por 36% de proteína e pet de três a quatro milímetros. Os peixes são alimentados uma vez por dia, exceto no período em que são alevinos. Nesta fase a alimentação é realizada de três a quatro vezes por dia. Conforme o piscicultor, o lambari é um peixe muito sensível. Entre as dificuldades de criação está a presença de muitos pássaros predadores, tendo em vista que se trata de um peixe bastante pequeno. “O problema no tanque é o predador. Garça, Iguá e Socó são os principais, mas existem mais de 10 espécies. As Garça nem sai dos arredores do tanque durante o dia, já o Socó tem hábito noturno. O Iguá, por sua vez, mergulha no tanque e quando enche o papo ele regojita para a Garça comer. O prejuízo com eles é grande”, comenta. Di Nardi enfatiza a necessidade do uso de rede sobre o tanque. Eu tinha um período que fazia média de lambari e trocava de tanque. Para você ter ideia do quanto eles comem, naquele período, coloquei 60 mil e tirei 20 mil unidades”, lembra. Outro fator são as especificidades do manejo. “Se a gente levanta lama quando estamos fazendo o manejo, o Lambari perde o limbo de suas escamas e adoece. Se adoecer e não houver o tratamento imediato ele morre no transporte. Muitas vezes pensamos em desistir desta espécie por conta da perda que tinha. Isso nos primeiros três meses. E essa dificuldade que enfrentamos foi no início, quando os tanques eram novos e não tinha muita lama no fundo. Deu problema assim mesmo”, alerta. Di Nardi enfatiza que depois de estar com os tanques cheios para a inclusão das matrizes é necessário fazer o tratamento com antibiótico para eliminar possíveis doenças que o peixe tenha tido contato durante o manuseio. Na despesca, depois que eles são tirados do tanque, vão para a caixa de depuração e permanecem em repouso por cerca de dois dias em caixas preparadas para que ele recupere o limbo que perdeu. Concluído o processo de preparo, os lambaris são embalados em sacos plásticos que abrigam cerca de 250 peixes em 15 litro d’água. O trato ocorre normalmente uma vez por dia 14 o campo maio | junho 2018

[close]

p. 15

Di Nardi mostra imagem aérea de seu empreendimento } Manejo A isca de Lambari é utilizada basicamente para a pesca de turismo. Contudo, conforme afirma o piscicultor de Teodoro Sampaio, em dois anos ele passou a ter mais dificuldades de inserção dos Lambaris no mercado. “Depois que falaram que o pais está em crise, as vendas vêm caindo. Antes eu vendia para empreendimentos localizados nas proximidades de Presidente Epitácio para cá. Agora estou indo mais longe, chegando a Três lagoas, Pereira Barreto... lá em cima, para poder vender e ainda não consegui escoar a produção do ano passado”, lamenta. Em 2017, o piscicultor produziu 1,2 milhão de Lambari, o que, segundo ele, deveria ter acabado em outubro. A distância para o escoamento da produção costuma ser um problema, conforme avaliação do piscicultor. “O peixe é sensível, morre fácil. Precisa ser mais perto. Estou levando a mais de 300 quilômetros, isso dificulta um pouco”, diz. Ele comenta que o auge das vendas ocorre na véspera de quando se fecha a pesca nos rios e represas da região, a partir de novembro. A maioria da produção acaba em outubro, quando se inicia nova desova. “Em 2018, não vendi em novembro. Estou trabalhando sem lucro, já que o peixe ficou pronto em cinco meses e já estou com Lambari com um ano de ciclo de produção. O lucro que tinha me dado ele já comeu”, avalia. Di Nardi comenta que em 2017 produziu o mesmo volume dos anos anteriores, mas a venda foi bastante fraca. Ele cre- dita essa queda nas vendas à redução de práticas de turismo e procura nas casas de iscas e pousadas. Com a demora na venda do lambari, o percentual de lucro sobre o custo de produção do produtor tem caido consideravelmente. Ele afirma que no início, quando produzia com seis meses e vendia toda a produção ao final do ciclo de engorda do peixe, chegava a ter 50% de lucro. Como agora não está vendendo e já está há cerca de um ano com parte da produção para ser comercializada, avalia que o seu meu lucro está em torno de 10 a 15%. “O Lambari é muito bom de se produzir, só que a gente enfrenta o problema de encaixe no mercado. Quem é cliente não vai comprar só uma vez por ano. Se você tiver poucos tanques não consegue produzir o suficiente para o comprador que vai querer peixe o ano todo. Tem que ter vários tanques para poder escalonar a produção”, afirma. Embora liste as dificuldades do mercado, afirma que possui cinco clientes que absorvem grande parte de sua produção, cerca de 80% do total. Entretanto, afirma que trabalha abaixo de sua capacidade total, podendo até dobrar a produção. “Minha sobrinha fez um curso e comprou uma máquina para limpar o Lambari, mas até agora não conseguiu resultado. É preciso ter uma margem de lucro bastante baixa e produzir muito para compensar porque em menor escala o lambari chega a ser mais caro que o filé de Tilápia, o que não o torna competitivo”, afirma. maio | junho 2018 o campo 15

[close]

Comments

no comments yet