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CaBOtMaDsIAAltas Cidade Histórica e Ecológica - 20 de Junho de 2018 - Ano XI - Nº 126 - Distribuição Gratuita Dirigida Eco Inverno promete agitar a cidade II Sabores com Viola bate recorde de público Sérgio Henrique Braga Arquivo Com uma programação variada que passa por shows, oficinas, brincadeiras, esportes de aventura e muita diversão, o Eco Inverno, que acontece de 22 a 29 de julho, é um evento para atender a todas as idades. Página 3 Catas Altas recebe Projeto Luthier Uma mega estrutura, muita gente bonita, segurança total, shows selecionados marcaram a segunda edição do Sabores com Viola e a qualidade de animais marcou a XVIII Cavalgada de Catas Altas. Página 5 Setur inicia projeto de sinalização turística Catas Altas acaba de receber mais um projeto que promete contribuir na formação cultural e cidadã dos jovens. Trata-se do Projeto Luthier que tem como obDindão jetivo oferecer formação musical de qualidade além de ensinar a construir instrumentos. Página 3 SAGAS CATAS-ALTENSES Foi iniciado a instalação das placas que são parte do projeto de sinalização indicativa e interpretativa da cidade. Página 8 Selo do Caraça comemorativo aos 200 anos do Santuário. P. 6 e 7

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CaBOtMaDsIAAltas Junho de 2018 - Página 2 EDITORIAL Oportunidades, oportunidades, oportunidades... vão deixar passar? Catas Altas é mesmo uma cidade abençoada por Deus e bonita por natureza. E no princípio veio os bandeirantes, emboabas, portugueses e ingleses... e “cavucaram, cavucaram, cavucaram (sic)” a terra, palmo a palmo, morro a morro, retirando todo ouro que pudessem levar. Foi um tempo verdadeiramente áureo – sendo o lugar uma das comunidades mais populosas das Minas Gerais no final do século XVIII. Sem planejamento, que não existia na época, o ouro acabou e Catas Altas entrou em seu primeiro período de trevas. Eis que chega a cidade o Monsenhor Mendes e vendo a inércia do restante da população (a maioria abandonou o lugar) que passava até fome, deu uma sacolejada no povo e apresentou a agricultura de subsistência com qualidade de vida, com o vinho como carro chefe, fazendo com que Catas Altas assumisse novamente seu Quem será, no futuro, digno de receber uma homenagem como essa da fictícia São Miguel EXPEDIENTE CaBOtMaDsIAAltas • Diretor Geral/Responsável: Geraldo Magela Gonçalves • Comercial: (31) 99965-4503 • Diagramação: Sérgio Henrique Braga • Bom Dia online: www.bomdiaonline.com Circulação: Catas Altas e mala direta para todo Brasil Impressão: Gráfica Bom Dia Razão Social : Geraldo Magela Gonçalves MEI CNPJ 27.776.573/0001-68 Inscrição Estadual : Isenta Inscrição Municipal 123470CNPJ.: 24538633/0001-16 dindao@bomdiaonline.com O jornal não se responsabiliza por matérias assinadas e ou pagas que são identificadas fechadas em box lugar de destaque. Com a morte do Monsenhor Mendes, mais uma vez Catas Altas, sem planejamento, entra em seu segundo período de escuridão. Abandonada, com seu casario e prédios históricos caindo, eis que, em meados do século XX inicia um novo ciclo, dessa vez o do minério de ferro. Entretanto, toda riqueza retirada da localidade servia apenas à cidade de Santa Bárbara, a qual Catas Altas era um sim- ples distrito. Mais uma vez um benfeitor, dessa vez, santo de casa, catas-altense, José Hosken – o Juca Hosken, percebendo ser a única salvação do distrito a sua emancipação, planejou, articulou e por fim conseguiu a liberdade e independência do lugar. Mais uma vez a cidade emerge da penumbra e volta a ocupar um lugar de destaque. De novo - Eis que, como um raio caindo pela quarta vez no mesmo lugar, aparece mais uma oportunidade para Catas Altas retornar aos seus tempos áureos, retornando como destaque no cenário nacional e sua população conquistando padrões de vida de primeiro mundo. Contra o tempo Entretanto, para conseguir alçar esse voo, a cidade tem apenas 5 meses para se organizar e agarrar mais essa oportunidade – a prefeitura tem esse prazo para colocar toda infraestrutura em Dindão ordem – limpeza pública impecável, praças e jardins floridas (a primeira coisa que o turista repara são nos jardins e na limpeza); ETE´s funcionando com perfeição, Aterro Sanitário e coleta de lixo dignos de premiação, como foi quando criados; trânsito pesado retirado do centro histórico, segurança bem coordenada, saúde pronta para atender a todos 24 horas por dia entre outros detalhes pertinentes. Por outro lado, não é só a prefeitura que é responsável pela montaria – o cavalo passará mais uma vez arriado – a população tem que aprender a se comportar com a nova realidade – e os empresários – de todos os setores, capacitarem suas respectivas empresas – sejam hotéis, pousadas, restaurantes, bares, lanchonetes, padarias, supermercados, ateliês, barbearias, salão de beleza, açougues, farmácias, lojas em geral, entre outros prestadores de serviço; prepararem seus funcionários para transformar a cidade em uma “Búzios das Montanhas”, um “Arraial D´Ajuda do Mato Dentro”, uma “Tiradentes do Caraça”; Catas Altas tem tudo e muito mais que os lugares citados. Oportunidade, oportunidade, oportunidade e mais uma oportunidade. Nas três anteriores não havia tecnologia para mudar o quadro – hoje existem todas para tal ... o mundo se transformou em uma aldeia global e ... Catas Altas poderá ser um dos point´s dessa aldeia – depende de nós. Depende dos catas-altenses. Hora de todos se unirem - Ou a cidade se prepara e abraça essa oportunidade ou fica na secular inércia e entra de vez em um novo período negro. O prazo é igual para todos – 5 meses.

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CaBOtMaDsIAAltas Junho de 2018 - Página 3 ECO INVERNO 2018 Catas Altas: suas férias com destino certo! Com o pequeno recesso escolar de julho e ainda com a atual crise econômica os pais acabam ficando perdidos e sem condições de planejar essas pequenas férias de meio de ano. Entretanto, existe um evento que pode salvar a temporada que estaria perdida para muitos – trata-se do Eco Inverno, promovido pela Secretária de Turismo, Esporte e Cultura de Catas Altas. Com uma programação variada que passa por shows, oficinas, brincadeiras, esportes de aventura e muita diversão, o Eco Inverno, que acontece de 21 a 29 de julho, é um evento para atender a todas as idades. Além do cenário magnífico da cidade histórica e ecológica, quem escolher passar o recesso de julho em Catas Altas poderá se deliciar com a gastronomia local, conhecer as inúmeras trilhas, cachoeiras, vales e ainda viajar pelo espaço através do “Planetário” na oficina de observação de astros. Tanto para as crianças quanto para os adultos, a programação atende praticamente o dia inteiro, entrando pela noite – transformando o recesso em férias inesquecíveis. No dia 21 dois eventos acontecem dentro do Eco Inverno – Catas Altas Enluarada, a partir das 20 horas, abre a programação na cidade com muita música boa e o passeio ciclístico noturno, intitulado Luau BikeZone Brasil, sai de João Monlevade às 23:59 e chega em Catas Altas em torno das 7 horas, com ciclistas de grande parte do centro leste mineiro. Para participar do Eco Inverno 2018, procure o CAT (Centro de Apoio ao Turista), ou através do telefone 38327192 ou ainda pelo e-mail cat@catasaltas.mg.gov.br e fique atento à programação. Confira a prévia da programação ● Oficina de Cerâmica ● trekking - roteiro geoturístico ● Oficina de brinquedos recicláveis ● Oficina de observação de astros ● Planetário e Experimentos de Física Fácil ● Circuito de aventura ● Slackline ● Vôo Livre ● Caminhada Orientada ● Feira Gastronômica ● Shows / Catas Altas Enluarada ● Oficina de solos ● Circuito gastronômico de Inverno Bloco 1 ● Rua de Lazer e Circuito de Aventura ● Oficina Pintura Facial ● Oficina Atletismo ● Oficina Jogos e Brincadeiras Infantis ● Oficina Desenho ● Oficina Bolhas de sabão ● Oficina de Tênis ● Oficina de pipas e papagaios ● Oficina Horta com Garrafa Pet ● Oficina de Mountain Bike Bloco 2 ● Oficina Handebol ● Oficinas da saúde (dia 21/06 - 8h às 14h Feira de adoção de animais + Cálculo de IMC) - (Praça da Matriz) ● Oficina de Balé - (Espaço Arte em Movimento) ● Oficina de Teatro - (Espaço Arte em Movimento) ● Criação de abelhas nativas ● Oficina de fotografia ● Oficina de artesanatos com tecidos e linhas ● Oficina de dança ● Passeio Ciclístico (Pedalinas) - Luau BikeZone Brasil ● Corrida Rústica (Jucinei) Viola e violão: Catas Altas recebe Projeto Luthier Catas Altas acaba de receber mais um projeto que promete contribuir na formação cultural e cidadã de jovens e adolescentes. Trata-se do Projeto Luthier que tem como objetivo oferecer formação musical de qualidade para adolescentes, além de ensiná-los a construir o seu próprio instrumento. No projeto, que acaba de completar 12 anos de atividade, patrocinado pela Cenibra, crianças e adolescentes aprendem a arte da luteraria, que consiste em construir e restaurar instrumentos de corda, em especial a viola de 10 cordas. As aulas em Catas Altas, custeadas pela Fotos: Sérgio Henrique Braga As aulas estão acontecendo na Casa de Cultura Tenente Coronel Emery Prefeitura Municipal, são gratuitas e já estão acontecendo no Centro Cultural Tenente-coronel João Emery. No total, serão disponibilizadas 60 vagas para adolescentes entre 12 e 18 anos. As inscrições já se encontram abertas e as aulas já tiveram início. Aulas Paralelamente ao Projeto Luthier, a Prefeitura também está oferecendo o curso de violão para adultos acima de 18 anos. No total, serão 20 vagas. As aulas de viola estão acontecendo na sexta-feira (das 13:30 às 16:30 horas) e no sábado, das 09:30 às 12:30 horas. Já as de violão serão promovidas às sex- tas-feiras, das 18:30 às 19:30 horas. Durante o curso, os alunos, além de aprenderem a tocar, terão noção sobre escolha da madeira; métodos de cortes; técnicas utilizadas em máquinas e ferramentas; aprimoramento da habilidade manual; noções de física, matemática, mecânica e química; conceitos da utilização de instrumentos de medição de precisão e utilização de equipamentos de segurança.

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CaBOtMaDsIAAltas Junho de 2018 - Página 5 II Sabores com Viola bate recorde de público e qualidade de animais marca XVIII Cavalgada Catas Altas – Mais de 30 mil pessoas de toda a região do centro leste mineiro marcaram presença no II Sabores com Viola e da XVIII Cavalgada de Catas Altas que aconteceu de 08 a 10 de junho na área de eventos. Somente no sábado, no show do Gustavo Mioto, o público pode ter passado das 20 mil pessoas – Segundo a Polícia Militar foram de 14 a 15 mil pessoas. A Polícia Militar garantiu a segurança e a tranquilidade e durante três dias, sob a locução do apresentador Tangará, a cidade recebeu uma programação variada, total- Cleidiane Alves. Durante os três dias, seis shows completaram a festa. Na sexta-feira Eduardo Neto e Ronaldo e ainda Ronaldo e Rafael agitaram o público. Já no Princesas Country mente gratuita, que começou com a entrega das faixas para as “Garotas Countries” de 2018, com Anna Claudia Jardim ficando em 1º lugar; Maria Eduarda de Paula em 2º e Kauane Vieira em 3º na categoria mirim. Já na categoria adulto, o primeiríssimo lugar ficou com Dayene Cristina Silva; o 2º com Laiza Rodrigues e o 3º lugar com sábado o performático Cléver Paulo, que contou com dois artistas locais, Marciano no acordeom e Guilherme na viola, esquentou a plateia que tomou todas as dependências da área de eventos e a atração mais aguardada, Gustavo Mioto, artista recém estourado nas paradas de sucesso, de apenas 21 anos, com uma super produção, levou o Fotos: Sérgio Henrique Braga / Dindão Gonçalves Uma mega estrutura surpreendeu o público, que lotou o local público ao delírio, principalmente o feminino. Centenas de veículos de várias cidades provocaram um congestionamento no trânsito da cidade de cerca de 5 mil habi- Horizonte, Divinópolis, São Domingos do Prata, além de vans de inúmeras cidades transportaram os fãs do Gustavo Mioto. No domingo, fechando a festa com estilo; Ma- e alegre, a gastronomia catas-altense encheu o estômago do público. Espaços para comidas e quitandas mineira, vinhos, cervejas artesanais e cachaças e ainda do- Concurso de Marcha: premiação em dinheiro e troféus tantes: “Nunca havia visto um movimento deste nível na cidade, disse um morador na madrugada do sábado à reportagem, apontando para dois ônibus – um de BH e outro de Divinópolis – não sabia que esse artista era tão famoso”, completou. Ônibus fretados de João Monlevade, Itabira, Barão de Cocais, Santa Bárbara, Mariana, Ouro Preto, Belo theus Xavier e Fernando e Fabrício embalaram a plateia com o melhor do sertanejo universitário. Sabores com Viola O II Sabores com Viola atingiu todos os sentidos dos participantes. Se a música encheu os ouvidos e a alma da plateia e os olhos se saciaram com tanta gente bonita ces, bombons e todo tipo de delícias completaram o evento. Sem contar o artesanato que é marca registrada da cidade e foi representado pelo artista e ceramista Vinícius. XVIII Cavalgada Sob o comando e locução do Tangará, o domingo, como sempre, foi marcado pelo tradicional concurso de marcha envolvendo 12 categorias - Égua Comum, Égua Mangalarga Marchador, Piquira (macho e fêmea), Cavalo comum, Cavalo Mangalarga Marchador, Marcha Picada (Macho e Fêmea), Categoria Mula, Categoria Burro, Mirim até 12 anos, Amazonas, Municipal Patrão e Regional Patrão. Os vencedores da competição receberam premiação em dinheiro e troféu. O primeiro lugar de cada categoria ganhou R$ 300; o segundo, R$ 200; e o terceiro, R$ 100. Reservado Campeão levou R$ 600 e Campeão dos Campeões, R$ 1.000. Enquanto os amantes dos equídeos se divertiam na pista, a criançada aproveitou o espaço dedicado a eles, com diversas modalidades de brinquedos. Apoio O evento, realizado pela prefeitura de Catas Altas, contou com o apoio da Emater, da Rádio Transamérica e de toda comunidade catas-altense. Gustavo Mioto levou o público ao delírio Prefeito Parreira durante a abertura oficial do evento Músicos locais participaram da festa

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CaBOtMaDsIAAltas Junho de 2018 - Página 6 Saga da mais antiga família de Catas Altas – 7.ª parte Fernandes do Valle Uma curiosidade em destaque é o total da riqueza possuída pelos cobradores do Quinto do Ouro, no fim de suas vidas: por Eder Ayres Siqueira A relação de todos os monte-mores possível foi colocada na tabela acima. Não temos o total da fortuna para três nomes que dispomos de inventários: João Vieira Aranha, Manoel Ferreira de Souza e Manoel Ferreira do Couto. João Vieira Aranha teve os bens sequestrados, no entanto, a relação dos bens que a viúva apresentou, sem os valores, é gigantesca e deve certamente ultrapassar os 40 contos de réis. Já o inventário de Manoel Ferreira de Souza está incompleto e acaba antes da descrição dos bens, no traslado de seu testamento há apenas a referência de que possuía uma fazenda no valor de 8000 cruzados, ou seja, 3:2000$000. E o monte-mor de Manoel Ferreira do Couto também não aparece em seu inventário. Há a descrição dos bens, mas não a sua soma e partilha, parece que os bens foram arrematados. Quanto aos monte-mores identificados na tabela, percebe-se que alguns são de fortunas muito consideráveis como as dos cobradores Francisco Ferreira de Sá, Paulo Rodrigues Durão e Tomé Fernandes do Vale, todas excedendo os 50 ou 40 contos de réis. Outros, no entanto, são de valores muito baixos como os de Antônio da Costa e João Favacho Roubão. Os últimos casos, a nosso ver, revelam indivíduos que possivelmente até o fim da vida não conseguiram manter o seu patrimônio. A esposa do cobrador Domingos Martins Guedes, por exemplo, que no seu inventário tinha uma quantia em bens de pouco mais de dois contos de réis, declarou que com o falecimento do marido lhe ficaram 17 filhos em “pobreza grande em razão dos poucos bens que há no casal e muitas dívidas”. Enquanto nos casos dos primeiros três bem afortunados impressiona a quantidade de bens e o luxo dos mesmos, indicando o conforto e a nobreza na qual viviam suas famílias. As trajetórias se diferenciam demonstrando a capacidade de cada um em encontrar meios de conservar o patrimônio e a qualidade de suas casas. Não esqueçamos que tratamos de uma sociedade, segundo já demonstrado, que traçava destinos muito desiguais para os indivíduos que nela viviam. Afinal, essa era uma sociedade estruturada na escravidão, que certamente era o que lhe conferia a característica mais marcante. Ainda que os pré-requisitos para a obtenção da nobreza não fossem apenas materiais, e essa claramente era sua característica menos significativa, “com razão se costuma dizer, que a riqueza produz o brilhantismo da Nobreza. Outro aspecto importante a acentuar são os lugares de realização dessas missas. Guardadas as ressalvas, parecia haver uma gradação do número de pedidos por regiões, ou seja, o ponto máximo desse nível de importância através da quantidade estava nas celebrações do Reino. Entendemos que somente pessoas que estivessem entre as principais de uma localidade, e mantivessem laços com outros cantos do Império, chegavam a estender seus pedidos da Vila do Carmo ao Rio de Janeiro e sucessivamente a Portugal.” “Explicamos: as fortunas mais destacadas expostas acima, e selecionamos as superiores aos oito contos de réis, são de co- bradores dos quintos que atuaram nas regiões de mais significativa arrecadação, Catas Altas, São Caetano, São Sebastião, Vila do Carmo, etc.” Capitão Thomé foi o segundo cobrador do Quinto Real que mais mandou celebrar missas após a morte. “...a quantidade de missas por si só demonstrasse o lugar social desses ho- mens nessa localidade, ...” Ainda outro indicativo pode ser acentuado quanto à relevância do âmbito religioso na vida desses homens, conforme Tabela ao lado: Pedidos de Celebração de Missas pelos Cobradores dos Quintos Reais Essa contabilização do número de missas pedidos que se rezassem depois da morte teve por objetivo acentuar novamente o componente religioso, mas igualmente chamar a atenção para outros aspectos. Primeiramente, é evidente que a quantidade de missas por si só demonstrasse o lugar social desses homens nessa localidade, afinal o valor total que se pagava quando os pedidos de celebrações chegavam a 15.000, como é o caso do cobrador Lourenço de Amorim Costa, não era de forma alguma desprezível. O objetivo dessa prática tão disseminada, “desejando por a alma no caminho da salvação”, era, portanto, dedicar às suas almas, às almas de seus familiares e até de seus escravos, um número de celebrações dignas do estatuto ocupado. Muitas vezes, além desses pedidos em grandes quantidades, como vemos na tabela, encomendavam também que dos remanescentes da terça, depois de pagas as dívidas e cumpridos os legados, ainda se rezassem mais missas, cotidianas ou por períodos e quantias determinadas. Era comum ainda, a fim de salvarem sua alma, oferecerem esmolas a pobres, à Santa Casa de Jerusalém, à bula da Santa Cruzada, às capelas, ou repartir roupas pelos pobres, alforriar escravos, enfim, expressar bondade e grandeza no fim da vida, de forma a garantir algo depois da morte, além de expressar a magnanimidade característica de pessoas que vivem “à lei da nobreza”. Outro aspecto importante a acentuar são os lugares de realização dessas missas. Guardadas as ressalvas, parecia haver uma gradação do número de pedidos por regiões, ou seja, o ponto máximo desse nível de importância através da quantidade estava nas celebrações do Reino. Entendemos que somente pessoas que estivessem entre as principais de uma localidade, e mantivessem laços com outros cantos do Império, chegavam a estender seus pedidos da Vila do Carmo ao Rio de Janeiro e sucessivamente a Portugal.” Continuaremos na próxima edição… mais curiosidades sobre a mais antiga família catas-altense… mais curiosidades sobre as Catas Altas...

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CaBOtMaDsIAAltas Junho de 2018 - Página 7 Saga do Caraça – 31.ª parte ´ Apos o^ incendio... Caraca e a festa do Bicen´ tenario... por Eder Ayres Siqueira O Santuário do Caraça, a Serra da Caraça é uma das pupilas de Catas Altas, além de ser uma das sete maravilhas da Estrada Real. O Caraça foi tombado em nível Federal em 27 de janeiro de 1955, conforme processo 407T-49, e em nível Estadual sob Decreto n.º 98 914 de 30 de janeiro de 1990. ASaga do Caraça é de vital importância para o trabalho de Educação Patrimonial “Garimpando Nosso Patrimônio”, porque ajuda a mostrar a história de Catas Altas para todas as pessoas de todas as idades, isto é, faz com que todos leem, pesquisem, conheçam e passem a gostar, e ajudem a preservar todos os patrimônios culturais catas-altenses, pois “O conhecimento crítico e a apropriação consciente pelas comunidades do seu patrimônio são fatores indispensáveis no processo de preservação sustentável desses bens, assim como no fortalecimento dos sentimentos de identidade e cidadania.” Caraça e a festa do Bicentenário Chegamos ao ano de 1973, no dia 12 de agosto, dois dias após a Celebração Litúrgica do Diácono Romano, São Lourenço, Mártir, que segundo o Pe. José Tobias Zico, o Irmão Lourenço de Nossa senhora era devoto. Aí começaram os preparativos para as comemorações dos 200 anos do Santuário do Caraça. Devoção a São Lourenço O Irmão Lourenço teve um bom motivo para ser devoto de São Lourenço, pois este santo Lourenço de Huesca ou São Lourenço, que nasceu em Huesca ou Valência, Espanha, no ano de 225, morto em Roma no dia 10 de agosto de 258, foi um mártir católico e um dos sete primeiros diáconos (guardiões do tesouro da Igreja) da Igreja Cristã, sediada em Roma. Ele foi um ótimo exemplo de perseverança na fé em Cristo Jesus. O cargo de diácono era de grande responsabilidade, pois consistia no cuidado dos bens da Igreja e a distribuição de esmolas aos pobres. No ano 257, o imperador romano Valeriano decretou a perseguição aos cristãos e, no ano seguinte, foi detido e decapitado o Papa Sisto II. Segundo as tradições, quando o Papa São Sisto se dirigia ao local da execução, São Lourenço ia junto a ele e chorava. “aonde vai sem seu diácono, meu pai?”, perguntava-lhe. O Pontífice respondeu: “Não pense que te abandono, meu filho, pois dentro de três dias me seguirá”. O imperador, após a execução do Papa Sisto II, ameaçou a Igreja para entregar as suas riquezas no prazo de 3 dias. Passados três dias, São Lourenço levou as pessoas que foram auxiliadas pela Igreja e os fiéis cristãos diante do imperador. Depois, exclamou a seguinte frase que lhe valeu a morte: “Estes são o patrimônio (riquezas) da Igreja”. O imperador, furioso e indignado, mandou prendê-lo para ser queimado vivo sobre um braseiro ardente, por cima de uma grelha. A tradição católica diz que o santo conservou seu bom humor mesmo enquanto era executado, dizendo aos que o queimavam: “podem me virar agora, pois este lado já está bem assado”. Os festejos são abertos Para comemorar os 200 anos do Santuário, apesar da estrada do Caraça estar em construção, mesmo diante a dificuldades, quatro ônibus e mais de trinta carros subiram a Serra vindos de Santa Bárbara, Barão de Cocais, Itabira, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Petrópolis, Aparecida entre outras cidades. Estiveram presentes, entre umas trezentas pessoas, os arcebispos de Mariana e de Belo Horizonte, Dom Oscar de Oliveira e Dom João Resende Costa, grande número de Padres Lazaristas, um representante do Cardeal D. Carlos Carmelo Mota, de Aparecida, vários religiosos e padres Seculares (Por sua vez, os clérigos seculares (diocesanos) não fazem votos. Podem, portanto, ter propriedade, salário, não vivem em comunidade, e dependem apenas de seu Bispo. Estão a serviço exclusivo da Diocese, não de uma ordem ou congregação. Nem mesmo voto de castidade fazem, i.e., não contraem vínculo jurídico com um instituto para vivência dessa realidade: o que lhes é exigido é que não se casem (promessa de celibato), mas os já casados podem ser ordenados diáconos e, nas Igrejas Orientais Católicas (e mesmo na Igreja Latina, em alguns raríssimos casos), também sacerdotes. Evidentemente, que todos vivem a castidade (os solteiros, celibatários, pela castidade plena, os casados, pela fidelidade à esposa), mas isso decorrente da lei moral, não de um princípio canônico, (Fonte; www.veritatis. com.br/qual-a-diferenca-entre-clero-secular-e-regular/), bem como dois Provinçais: Pe. José Elias Chaves, da Província do Rio de Janeiro e o Pe. Fernando Pinto dos Reis, da Província de Portugal, ambos da Congregação da Missão e ainda o Secretário da Conferência Latino-americana de Províncias Vicentinas Pe. Luís Jenaro Rojas, da Colômbia. “A Concelebração da Missa foi presidida pelo Arcebispo de Mariana, ficando os cânticos sob a responsabilidade dos nossos Seminaristas Maiores dos Seminários de Petrópolis e Aparecida. Ao Evangelho, o Provinçial, Pe. José Elias Chaves, , fez a homilia, expondo o significado da festa, recordando a função histórica do caraça de ontem e apresentando as perspectivas para o caraça de amanhã. “Se falamos em recuperação e restauração da Caraça – concluiu o Pe. Provincial – é com a finalidade de torná-lo: a) Centro de irradiação espiritual: queremos fazer do caraça o Santuário de Minas gerais, centro de peregrinações que já começaram neste ano bicentenário, ponto de encontros religiosos e retiros espirituais. E esperamos que, num futuro não muito remoto, possam os missionários descer essas serras, nas pegadas de seus apostólicos antecessores. b) Centro de Cultura: dotado de um ambiente sem par e de recursos extraordinários de ciências, fauna e flora, esperamos transformar o caraça num centro de altos estudos, revivendo, de outra forma, sua fama de berço da cultura mineira. Entendimentos já adiantados foram entabulados com a Academia Brasileira de Ciências, cujo Presidente nos visitará no final deste mês. c) Centro de repouso e turismo: As ondas crescentes de visitantes e de pessoas que procuram repouso só esperam me- lhores acomodações e reforma da estrada, para afluírem em vagas contínuas e persistentes..” “Este é o sonho audaz que acalentamos para o futuro” completou o Pe. Elias e disse mais: Contando com o entusiasmo e a ajuda preciosa dos ex-alunos e amigos do caraça – revivendo assim o amor e a dedicação da benemérita AEALAC a esta casa, com a imprensa que sempre nos apoiou, com os auxílios do Governo que nos acena favoravelmente, com o interesse de instituições culturais que já se manifestam; e sobretudo com a ajuda todo-poderosa da senhora Mãe dos Homens; esperamos fazer deste ano bicentenário a alavanca decisiva da arrancada final e a bandeira vitoriosa que agitamos por toda parte como toque de reunir em torno e em prol do Caraça.” Após a missa, todos acompanharam a transladação das urnas com os ossos dos Padres Pedro Sarneel e Jerônimo de castro, para a cripta da igreja, trazidos de cemitério do Rio De Janeiro. Foi o momento de grande emoção. E, em seguida, o Professor Ênio Aloísio Fonda e Fonda, professor na faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, de Assis, SP., fez o lançamento do livro POESIA NOVILATINA: PE. PEDRO SARNEEL, CM., escrito em colaboração com o Pe. Lauro Palú, C.M. O evento terminou com um almoço, e antes de todos se refestelarem, o Superior do Caraça Pe. Sebastião Mendes Gonçalves os convidou a assistirem a um teste de funcionamento do ‘rádio-telefone’ a ser instalado ali, dentro de dois ou três meses. Continua n próxima edição...

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CaBOtMaDsIAAltas Junho de 2018 - Página 8 Catas Altas: Setur inicia projeto de sinalização turística Fotos: Dindão placas, aprovação e conclusão do serviço – ainda em andamento. Segundo o secretário, o projeto de sinalização segue padrão Unesco e Iphan e contemplará a sede, distrito do Morro D’Água Quente e zona rural. “Todas as regiões da cidade receberão as placas com indicações turísticas e identificações de igrejas, cachoeiras, trilhas ecológicas, construções históricas e locais de lazer que facilitarão o deslocamento dos visitantes”, informou o secretário. Na primeira etapa, foram instaladas 11 placas no Complexo do Maquiné, onde estão localizadas as cachoeiras da Santa, Maquiné e do Meio e outros atrativos naturais do conjunto. Nas outras etapas, serão instaladas placas indicativas no perímetro tombado da sede, além do distrito do Morro D’Água Quente e da zona rural. A previsão é que até o final de julho o município esteja completamente sinalizado. A segunda fase, a colocação da sinalização urbana, indicando os atrativos históricos, deverá ser iniciada ainda no final do mês. Conforme o secretário, toda sinalização existente na cidade deverá ser trocada, já que se encontram fora do padrão, causando poluição visual e não atendendo as normas padrões. O trabalho é resultado de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Outras ações, em Catas Altas, voltadas para o turismo, serão implementadas ao longo de 2018. Participaram do lançamento da implantação do projeto o prefeito José Alves Parreira, o vice-prefeito Fernando Guimarães e o Secretário de Turismo, Lucas Nishimoto, que acompanhou todo o trabalho de campo nessa primeira fase. Para o prefeito é mais um passo em busca da implantação de um projeto de turismo efetivo e permanente. Já o vice-prefeito, disse estar atento às demandas da comunidade e cobrando os projetos que foram base do plano de governo – “Estou sempre atento aos anseios de nossa comunidade apesar de saber que a vida tem pressa, sei também que a coisa pública anda em ritmo lento – não podemos atropelar o processo, precisamos fazer mas fazer com respeito à legislação e aos preceitos da coisa pública, com trabalho estamos buscando o ideal”, completou. Secretário de Turismo Lucas, o vice-prefeito Fernando e o prefeito Parreira durante instalação da sinalização turística “Após a maratona burocrática exigida pelo sistema público, enfim, iniciamos o projeto de sinalização indicativa e interpretativa da cidade”, comemora o secretário de turismo de Catas Altas, Lucas Nishimoto que listou as fases do “lento” processo que demandou, até o momento, cerca de 7 meses – Levantamento em campo, criação do projeto, aprovação de recurso da prefeitura, aprovação do Compac (Conselho Municipal de Patrimônio Artístico Cultural- correções), aprovação do IEPHA (correções), licitação do serviço (abertura, publicação edital, convite, prazos recursais, publicação do vencedor do certame), confecção das Onze placas foram colocadas na primeira fase. Todo projeto deverá ser concluído até o mes de julho

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