Planta Brasil

 

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Ecologia e Sustentabilidade Social

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PÁGINA ASSUNTO 03 Plantar, cuidar e educar 04 A música na formação do caráter e na educação 05 Beabá da ecologia 06 Projeto “Educação Ambiental” Planta Brasil 10 Águas urbanas 11 Reflexos sobre nossas águas 12 Introdução 13 Alterações Hidrológicas e Ecossistema Aquático 13-1 - Mananciais 14 Águas subterrâneas 15 Aqüífero Guarani 16 Doenças causadas pela falta de saneamento 17 Impactos sobre as águas 18 A importância do DBO 19 Poluição Orgânica 19-14 - Poluição Física 20 Poluição Química 22 Administração das Águas 22-1 - Eutrofização 22-2 - Assoreamento 23 Legislação Brasileira sobre Poluição Hídrica 24 Extração de Areia de Rios, Lagos e Alagadiços 25 Pragas Urbanas 45 Prevenção e combate a “Roedores” 49 Uso de Defensivos Naturais 50 Defensivos Naturais 51 Calda de Fumo 52 Faça sua horta caseira 53 Como plantar uma árvore 54 Espécies certas para cada local 54-1 - As fases da planta no viveiro 55 Como implantar um viveiro 56 Semeando e cuidando da mudinha 57 Usando “Estacas” em vez de “Sementes” 58 Sobre Matas Ciliares 59 Tabela de Drenagens e Enchentes 59-1 - Como degradar um ecossistema 60 Técnicas de recuperação de Matas Ciliares 61 Tabelas de árvores nativas do Brasil 62 Espécies indicadas para plantio 66 Regeneração Natural 66-1 - Banco de Sementes 67 Produção de Serapilheira e Chuva de Sementes 67-1 - Abertura do Dossel 68 Reflorestando e Repovoando nossa Fauna 69 Para atrair Beija-Flores e Cambacicas 70 Fornecendo frutos de polpa comestível 71 Oferecendo sementes que as aves gostam 72 Referências, créditos e normas de uso do compên-

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REFLORESTANDO E REPLANTANDO PRESERVAREMOS OS ECOSSISTEMAS COMO UM TODO Plantar, cuidar e educar. O viveiro de mudas de espécies nativas do Projeto PLANTA BRASIL, localizado no município de São José dos Campos, no Cone Leste Paulista, no Estado de São Paulo, Brasil, pretende repassar mudas de plantas de nativas e frutíferas para reflorestamento de áreas degradadas em matas ciliares e remanescentes de mata atlântica. Numa área de 4,5 mil metros quadrados, o Projeto Planta Brasil está multiplicando mais de 66 espécies diferentes de árvores de grande porte e arbustivas nativas. O coordenador do viveiro, Filipe de Sousa, lembra que os patrocinadores podem retirar até 500 mudas, desde que comprovada a necessidade da área a ser reflorestadas. Para que isso ocorra, o produtor solicita do Projeto as mudas e um técnico irá ao local verificar o número de espécies, tipos adequados e variedade, necessárias para o plantio. O coordenador afirma ainda que os patrocinadores; indústrias e comunidades de todo o Cone Leste Paulista receberão informações sobre o plantio de mudas e as variedades que estão sendo utilizadas para reflorestamento, bem como orientações de acompanhamento e cuidados. Hoje, as espécies mais produzidas no viveiro são: jatobá, cumbaru, ipê (roxo, amarelo, rosa e branco), angico, tarumã entre outras. De acordo com o responsável pela multiplicação das mudas, Filipe de Sousa, além de atender às necessidades de reflorestamento, o projeto, pretende, também, formar alunos das escolas da rede municipal e estadual, que são orientados sobre as variedades existentes, forma correta de plantio e os cuidados com o meio ambiente. "A aula prática mostra desde a qualificação da semente até a evolução da planta, dando uma noção básica aos alunos sobre o crescimento das variedades, sua evolução de crescimento, necessidades básicas, preparação dos insumos, técnicas de plantio no local definitivo, cuidados e acompanhamento de sua evolução nas áreas reflorestada. Pretende-se também formar Monitores Ambiententalistas que terão como função fazer a multiplicação dos conhecimentos adquiridos, em suas Escolas de origem e Comunidades.

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O poder da música e o papel que ela pode desempenhar na vida dos seres humanos são conhecidos, desde a antiguidade, onde há registros em papiros médicos egípcios do século 1500 a.C., sobre a influência da música na fertilidade das mulheres; ao seu uso na atualidade, em aplicações lúdicas, terapêuticas e educacionais. O tema música e educação tem sido alvo de pesquisas de profissionais de diversos ramos de atividade, tais como psicólogos, neurologistas, educadores e músicos. Como resultado de uma longa experiência de trabalho como musico, educador e pesquisador, Paulo Roberto da Silva (CLUBECA), considera necessário o uso da música como ferramenta auxiliar do processo educacional escolar, compreendido de forma ampla, para além da sala de aula. Na educação não-formal, a música também tem sido freqüentemente empregada como recurso de aprendizagem, recreação ou simples reflexão. Com este propósito, O Clubeca tem elaborado dinâmicas utilizando este recurso como ferramenta para a sensibilização sobre questões ambientais aplicando-as em atividades de educação ambiental, utilizando músicas de artistas da região Leste da cidade de São José dos Campos - SP - Brasil.. A reflexão a partir de canções de temática regional é uma atividade que aproxima as áreas de comunicação e educação e leva em consideração o contexto no qual estão inseridos os participantes do ato educativo. As canções com, forte temática tradicional, desde os clássicos de raiz caipira, às toadas de bois, moçambiques, fandangos, etc., retratam a região de forma simples e direta, embora sempre impregnadas de poesia. Mas não fica nisso a contribuição dos artistas da região, embora alguns recusem o rótulo de "música regional", canções de vários artistas nacionais e internacionais têm possibilitado seu uso para a prática educativa. Em evento envolvendo alunos assistidos pelo CLUBECA ), será promovido a audição de canções, cuja temática não se restringe ao espaço regional da Zona Leste desta cidade , mas à dimensão planetária das questões ambientais. A atividade proposta decorre das ações do projeto Planta Brasil, popularização da necessidade da preservação ambiental, por meio da elaboração de mensagens lúdicas que levem ao entendimento do público leigo do projeto e a aplicabilidade das ações no dia-a-dia das comunidades abrangidas. Nessa ocasião serão tiradas fotos e feitos vídeos de algumas das atividades dos alunos assistidos pelo CLUBECA e pelo Projeto Planta Brasil, onde será levado a efeito o envolvimento das Escolas Locais na elaboração e produção coletiva de recursos didáticos e audiovisuais. Esta é uma das estratégias adotadas para que os videoclipes sejam produzidos numa linguagem adequada ao público a que se dirige. Depois de finalizados, os videoclipes serão inseridos em um DVD multimídia e distribuídos para bibliotecas de escolas visando sua utilização em atividades educativas que contribuam para a sensibilização quanto às questões ambientais e a importância da pesquisa florestal.

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PROJETO EDUCAÇÃO AMBIENTAL “planta brasil” Beabá da Ecologia (Pedagógico) Ecologia não é uma palavra complicada. Vem do dicionário Grego e significa “estudo da casa”. No entanto, ela não trata somente ou propriamente da nossa casa, de nosso quintal. O sentido dado à palavra é muito mais abrangente; “cuidar do planeta” cuidar da casa de todos. E quando se fala em todos se fala em todos os seres vivos, do reino animal, vegetal, da água, da atmosfera, etc... Assim, vamos ter como “Ecologia”, o ESTUDO DO MUNDO. Porque Estudo do Mundo? Porque tudo o que fazemos ou aquilo com que mexemos tem de ser estudado, pesquisado, e por fim respeitado. Pesquisar ou estudar é a mesma coisa que investigar. Assim, o estudo do mundo compreende a investigação, ou seja, a verificação de como anda o mundo, como ele se formou e como está se comportando, nos dias atuais. O que entendemos como mundo? É a nossa casa, a casa dos vizinhos, a casa de nossos parentes, perto ou distante. É também a casa dos amigos, outros países e continente; Estados Unidos, Europa, África, Japão, etc... O mundo conhecido por nós é o planeta Terra, onde vivem homens, mulheres e animais de todas as raças, além de insetos, flores, árvores, etc... A Ecologia se preocupa com o mundo todo, não só com a nossa casa e a casa de nossos amigos e vizinhos. Por que? Porque todos vivemos dependendo uns dos outros. O patrão é importante, pois dá emprego aos operários, mas os operários são também muito importantes porque sem eles não há produção. O respeito e a maneira de viver, dentro da sociedade, são estudados pela ecologia também. Ecologia estuda, ainda, tudo o que acontece com o clima dos países, produção, trabalho, moradia, qualidade de vida, etc. Porque Ecologia estuda tudo isto? Porque Ecologia é uma ciência, ou seja, uma forma de investigar tudo. O papel da ciência é investigar, achar os erros e apontar o caminho para consertar tudo. Ecologia quer que o mundo seja consertado, para que não se derrubem as florestas, não se acabem os animais, os pássaros, as baleias, etc... Para que não se estraguem os rios e os mares... Para que todos os seres, inclusive os homens, sejam respeitados, juntamente com a natureza. O homem ( todos nós ), desde pequenos, seja menino ou menina, precisa aprender a respeitar a natureza e os seres que estão nela, mas precisa aprender também que outros homens e mulheres são nossos irmãos e não podem viver sem emprego, sem casa, sem educação, sem a possibilidade de chegar a um ponto de progresso. A Terra não pode ser utilizada de qualquer maneira, mesmo que seja para plantar; é preciso, é necessário bastante estudo e pesquisa sobre o que fazer e como conservar a terra. Nós dependemos dela para viver ! Isto quer dizer que podemos plantar, tirar algumas árvores para essa prática, mas temos que ter muito cuidado com o que fazemos, pois se tiramos muitas árvores dos campos vamos deixar a terra sem vida e sem proteção contra as pragas (bichinhos que atacam as plantações). Não se deve tirar árvores das margens dos rios, pois isso é prejudicial aos próprios rios... Não se pode plantar de qualquer maneira, sem verificar o estado do terreno. Existe estudo para cuidar do solo (terreno), assim devemos tomar cuidado para não plantar algo que vá desnutrir a terra. Desnutrir é o mesmo que enfraquecer a terra, deixá-la fraca, sem vida. Isso exigiria, depois, a aplicação de adubo concentrado. O adubo concentrado devolve a nutrição à terra, mas pode também prejudicá-la, especialmente se for adubo químico. Todo o produto químico (adubo ou inseticida) acaba indo para os rios, por força das chuvas, especialmente das enxurradas, e acaba envenenando os rios, matando o peixes e estragando a água, que é bebida por homens e animais. Os inseticidas (produtos químicos utilizados para matar insetos) podem ajudar a humanidade a controlar as pragas das lavouras, mas podem também envenenar o ambiente, ou seja, o ar que nós respiramos. Por isso é necessário muito cuidado, ao utilizá-los, porque podem matar os pássaros, os agricultores (quem planta) e, por fim, entrar em nossa alimentação, causando muitas doenças. Se os pássaros morrem, por causa dos inseticidas, quem cuidará de “limpar” as lavouras? Os pássaros são amigos dos homens. Eles comem os bichinhos que atacam as plantações, e ajudam, ainda, a plantar. Você sabia que a gralha azul planta os pinheiros ? Ela transporta o pinhão no bico e o deixa em qualquer lugar, fazendo assim o plantio. Outro dano que os inseticidas fazem é com relação ás abelhas. Quando as abelhas procuram flores de cereais plantadas, para fazer a polinização, acabam ingerindo inseticida e morrem. Ai a polinização fica prejudicada, isto é, não há o “casamento” das flores, o que impede que o cereal produza satisfatoriamente. Então, você já sabe: é preciso cuidar da terra, das matas, das plantações, dos rios... Todos os rios vão acabar nos oceanos e se esses rios estiverem poluídos vão, seguramente sujar os mares. Nos mares é que existe uma plantinha que fabrica o oxigênio, que é o ar que respiramos. CONTINUA

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CONTINUAÇÃO As árvores ajudam a limpar o ar, tirando gases que estão circulando devido a veículos (automóveis, caminhões, tratores, motos, aviões) e ás chaminés das indústrias. Mas, as árvores também precisam de ar e se consomem gases, soltam oxigênio. Num determinado tempo elas fazem o contrário, de sorte que o trabalho delas fica balanceado. Existem plantas que consomem mais oxigênio do que fabricam , resultando em processo negativo para a gente. Não se deve desmatar (cortar árvores), a torto e direito, pois isso implica em mexer no clima e no solo (terra). As cidades com poucas árvores ficam muito quentes e as chuvas caem de forma desorganizada, causando inundações, que destroem casas e matam pessoas. Árvores são muito importantes para os pássaros, que fazem nelas os seus ninhos. Além de melhorarem o clima, as árvores ajudam a fixar a terra, dão sombra, enfeitam nossas ruas e suavizam a paisagem. São nossas amigas portanto. Os animais vivem, geralmente, dentro da mata, onde se acham quantidades apreciáveis de árvores de todos os tipos, além de vegetação rasteira, flores, gramas, capins. Qualquer animal deve ser preservado, deve viver em seu próprio lar, que é a floresta. Na floresta, o animal sabe como comer, beber e como sobreviver. Apanhar animais ou pássaros, para mantê-los em jaulas e gaiolas é um grande ato de maldade, tanto que isso é proibido por Lei. Ninguém pode dizer que é necessário caçar animais para comer, em nosso século, porque já temos criações apropriadas de espécies destinadas aos frigoríficos, onde são abatidos e vendidos para os açougues e mercados. Existem pássaros criados em cativeiro ( gaiolas ou viveiros ), que já não podem viver sem liberdade. Se fossem todos libertados, morreriam de fome, pois já não sabem procurar comida. São pássaros em extinção, isto é, pássaros que estão desaparecendo e, dessa forma, os criadores estão ajudando a defender essas espécies. Mas mesmo assim, precisam de uma licença especial da policia ambiental. A “vida natural” é a vida no campo, longe ou perto das cidades, mas distante da poluição. Isto está ficando difícil, também, pois no campo existem outras espécies de poluição, como venenos químicos, além do perigo que o homem enfrenta em contato com a natureza. O “paraíso” que todos sonham encontrar nos sítios e fazendas, ficou no passado ! A vida mudou, tem gente demais por toda a parte e os métodos de trabalho também mudaram. Máquinas trabalham nas cidades e nos campos, as dores de cabeça da civilização são as mesmas em qualquer lugar. Atualmente, vivemos um tempo diferente daquele que nossos avós viveram. Aumentou a população, nasceu gente demais e as cidades foram crescendo, crescendo... A humanidade mudou de tempo ! ... Com o aumento da população, novos inventos foram aparecendo. A pequena produção teve de sofrer modificações, para atender ao consumo. De agricultores, grande massa humana virou operária, passando a trabalhar nas indústrias, geralmente nas cidades. Assim surgiu a chamada “era industrial”. A “era industrial” transformou os costumes e fez com que as cidades crescessem demasiadamente. Começaram a aparecer máquinas, motores, veículos, telefone, eletricidade, avião, computadores... Todo esse avanço permitiu o aparecimento de grande número de aparelhos para utilização: rádio, geladeira, televisão, toca-discos, telefone, fax, brinquedos eletrônicos, computadores, filmadoras, máquinas fotográficas, fornos microondas... Tudo isso é produto da tecnologia, sem o que, nada seria possível apresentar. Todo esse avanço foi possível porque o homem fez surgir novas tecnologias, ou seja, inventos que surgiram para aumentar a produção e também o consumo. Esse mesmo consumo ao qual nos obrigamos, diariamente, cada vez que colocamos combustível nos automóveis, ou trocamos o botijão de gás em nossos fogões. Enquanto se fabricam artigos para uso nas residências, que servem para minorar (facilitar) o trabalho caseiro como, por exemplo as máquinas de lavar roupas, essa mesma tecnologia está operando máquinas e utilizando operários para fabricar revólveres, produtos químicos perigosos, canhões, tanques de guerra, latas para embalagem de alimentos e tantas e tantas coisas que cansaria repetir... A geladeira também é um desses inventos atrapalhados, pois os gases utilizados em seu equipamento (clorofluorcarbono) é que está destruindo a camada de ozônio do planeta... Muitas pessoas preferem viajar de trem, por se tratar de um meio de transporte mais econômico (mais barato) e menos barulhento que o avião. É outro processo tecnológico que exige leito para colocar os trilhos, estações, serviços em toda a parte, combinando horários com outras linhas, ônibus... O trem serve também para transportar matérias primas, mercadorias e produtos de consumo, mas tem sido desprezado, em função de outro aperfeiçoamento, o caminhão, que apanha e entrega as mercadorias de porta em porta, embora cobre mais caro pelo transporte e exija estradas asfaltadas, manutenção, policiamento, gasto com combustível... Entre as invenções mais discutidas está o automóvel de passageiros, encontrado, hoje, em todas as ruas, avenidas e estradas. O automóvel modificou completamente o hábito dos povos, encurtando distâncias e reduzindo o tempo de viagem. Em compensação, causa enorme poluição e morte, pois os desastres acontecem diariamente. Quando esses inventos apareceram, costumava-se dizer que isso é “!progresso”, uma coisa que chegou para melhorar a vida de todo o mundo, mas esse pensamento precisa ser esclarecido. CONTINUA

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CONTINUAÇÃO Progresso é uma medida que dá vantagem (traz benefícios) a muita gente, mas o que estamos assistindo, no momento, é um tipo de progresso que só dá vantagem para pouca gente, especialmente para quem vende e obtém lucros. A maioria do povo vive enganada, pensando e sonhando com o tal “progresso” ! O mesmo acontece com a palavra “desenvolvimento”, falada e comentada por todos, que se encantam com ela ... Quando se fala em “desenvolvimento” dá até pra sonhar com um mundo perfeito, equilibrado, justo, harmônico, com paz total. Desenvolvimento é uma forma de fazer as coisas acontecerem, dando mais tranqüilidade e comodidade a todos ! Infelizmente esse “desenvolvimento” só tem servido para pouca gente, que está no comando dos países ou detêm postos de comando. Para os pobres e miseráveis, o desenvolvimento ainda não chegou e poderá demorar muito tempo para chegar... A vida, nas cidades, é completamente diferente da vida no campo. As casas, nas cidades, especialmente para os pobres, são bem pequenas, quase não têm quintal, as pessoas vivem apertadas e espremidas como galinhas em gaiolas de granja. Existe gente morando em casas muito grandes, bonitas, com piscina e espaço à vontade, mas, é pequena minoria, muito rica, que foi sorteada na vida pelo “desenvolvimento” ou pelo “progresso”... As ruas, nas cidades, são, na maioria das vezes, estreitas, esburacadas, sujas, poluídas, barulhentas - em razão do tráfego de automóveis, caminhões e ônibus - verdadeiros caminhos para carroças. Entretanto, elas suportam automóveis, ônibus e caminhões pesados, por onde passam todos os tipos de veículos, levando mercadorias, desde alimentos a produtos químicos perigosos. Esses veículos, em geral, poluem as cidades, soltando fumaça e gases que acabam com a nossa saúde, deixando o ar cheio de sujeira, além do cheiro horrível. Entre os gases mais perigosos está o chumbo, que causa doenças terríveis. Cidades grandes são difíceis de administrar (governar) e causam muita atrapalhação, porque não há correta distribuição de benefícios para todo o mundo, ao mesmo tempo. Enquanto parte da população tem água, luz, escolas, transporte, hospitais, outra parte precisa de tudo isso e luta muito para conseguir... Tudo isso é estudado pela Ecologia Nas cidades, obrigatoriamente, tem que existir casas para todos morarem. Em volta ou próximo das casas deve existir padarias, farmácias, armazéns, postos médicos, dentistas e todos os serviços importantes para a população, pois todos têm que trabalhar, produzir, consumir, estudar, namorar, casar e dar continuidade á vida. O trabalho é algo que se faz com o fim de produzir alguma coisa útil. Quem trabalha na lavoura, planta, colhe, vai vender para poder comprar o que precisa. Quem trabalha em fábricas, faz o mesmo, produzindo peças, máquinas, material de construção, remédios, roupas, sapatos, óculos, ventiladores, móveis, televisores, computadores, carros, aviões, etc.. Há de tudo, em nossa sociedade, gente que trabalha e gente que estuda e se prepara para o futuro. Tem gente trabalhando em fábricas de produtos químicos, em laboratórios, hospitais, minas de carvão, frigoríficos. Tem gente pescando em alto mar, outros arrastando as redes com peixe, outros transportando-o para o mercado. Tem mil formas de trabalhar, de ser útil à família, à comunidade, ao país, ao mundo... O que precisamos é pensar seriamente nas coisas que estamos fazendo; se elas estão de fato sendo úteis para a humanidade, ou estamos apenas juntando mais lixo sobre a terra, perturbando a cabeça dos povos, ou destruindo as bases de nossa civilização. Precisamos pensar e discutir isso em família, com nossos irmãos e nossos pais; depois, com nossos amigos. Precisamos fortalecer a união de nossa gente e investigar o que anda sendo consumido por aí. Se é bom ou mau. Se dura bastante ou se estraga depressa. Se oi alimento é benéfico para nossa saúde ou se estamos apenas enchendo nossas barrigas, com produtos químicos altamente perigosos. Precisamos conhecer-nos melhor e conhecer melhor os que governam nossas cidades e nosso país. Precisamos achar a diferença entre o que é bom e o que é imprestável, e não nos ajudará em quase nada ! Precisamos trabalhar pelo estabelecimento de um modelo social (político) que cuida, ao mesmo tempo, da proteção às espécies, rios, oceanos, natureza, sem se esquecer que a principal espécie, a humana, está sendo atacada por todos os lados, feitos e formas, por grupos de pessoas que só pensam no tal “progresso” e no dinheiro... Assim, sofre a natureza, sofrem as espécies, aumenta a poluição, diminui nossa saúde, enquanto os que se juntam, normalmente, em partidos políticos, só pensam neles, seus parentes e nos grupos que os ajudaram a elegê-los, deixando depois, o povo de lado ! Precisamos de um modelo que poça nos oferecer justiça social, participação comunitária, oportunidades para todos (sem esmolas), com dignidade; educação, cultura, liberdade, moradia, trabalho, saúde. Isto tudo tem um nome: “Desenvolvimento local sustentável” CONTINUA

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CONTINUAÇÃO Mas afinal o que é isso de desenvolvimento local sustentável? Desenvolvimento local sustentável é um modelo social com um tipo de avanço tecnológico que permite que se construa um “progresso” para todos, sem comprometer a natureza e as espécies, protegendo as famílias, nossas vidas, dando mesmo um sentido mais promissor em tudo quanto pensamos em relação ao mundo; pois o que fazemos em um determinado lugar vai atingir também outros lugares ! Precisamos de um humanismo completo, com Deus e a natureza sem o que será muito difícil encarar e preservar nosso mundo. DECÁLOGO DA ECOLOGIA 1 - Ame a natureza, fonte da vida, honrando-a com dignidade, em todas as suas manifestações. 2 - Defende o solo onde vives, mas também aquele das demais criaturas. 3 - Protege a vida dos animais, consentindo em seu abate somente para suprir as necessidades alimentares. 4 - Condena a produção que favorece unicamente o produtor, em detrimento da satisfação das necessidades e da saúde do consumidor. 5 - Condena a agricultura irracional, predatória, contaminante, que tanto “sustenta” como elimina vidas. 6 - Não consumas alimentos suspeitos de incluírem componentes nocivos. 7 - Não compartilhes do modismo vulgar de que “desenvolvimento e Progresso” do atual modelo sócio-econômico justificam tecnologias alienantes e destrutivas. 8 - Denúncia todos os crimes contra a Ecologia. 9 - Analisa racionalmente o comportamento humano com relação ao avanço da tecnologia, bem como os referentes aos atuais clichês políticos; indaga, pesquisa, reflete, contesta, procura esclarecer-te à luz da ciência e da ética sobre todos os atos da existência, sem escravizar-te a modismos, conceitos ou convenções. 10– Liberta tua mente e não aumentes as fileiras de acomodados mentais ou de servos da hipocrisia, pois outros podem, tom,ar proveito do teu ideal. Fonte: AME - Fundação Mundial de Ecologia World’s Ecology Foundation Adaptação: Filipe de Sousa

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1 - Boas Vidas & Introdução 2 - As águas urbanas e o crescimento das cidades 3 - Alterações hidrológicas e Ecossistema Aquático 4 - Mananciais 5 - Doenças causadas pela falta de saneamento 6 - Os impactos sobre as águas 7 - Águas Subterrâneas 8 - O aumento da poluição das águas

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Bem vindo á reflexão sobre nossas águas. O sistema de colonização do Brasil, com a implantação da maioria de suas cidades à beira de rios, córregos e nascentes, de forma desordenada, levou á eliminação de agentes protetores, importantes para a proteção de nossas nascentes, riachos, rios, lagos e córregos. O desenvolvimento desses iniciais povoamentos, hoje cidades, sem um correto planejamento (urbanização) ambiental resulta em significativos prejuízos para a biodiversidade e para o homem. Uma das conseqüências do crescimento urbano foi e é o acréscimo da poluição doméstica e industrial, que sem uma adequada rede de tratamento de esgotos e resíduos, trouxe para suas populações o desenvolvimento de muitas novas e antigas doenças, poluição do ar, poluição sonora, aumento da temperatura (aquecimento global), contaminação das águas subterrâneas (nossa maior reserva e riqueza), entre outros problemas correlacionados. O desenvolvimento humano brasileiro concentra-se em regiões metropolitanas, nas capitais do Estado e nas cidades consideradas pólos urbanos e industriais. O efeito destas realidades e ações humanas fazem-se sentir sobre todo o sistema urbano de recursos hídricos, ao abastecimento de água urbano e rural (poços contaminados), ao transporte e tratamento de esgotos, cloacal (fossas, rede de esgotos) ou pluvial. No entanto, atualmente muitos fatores interferem nesse ciclo, comprometendo a qualidade de nossa águas urbanas. O desenvolvimento industrial e tecnológico, aliados ao conseqüente aumento populacional, com o característico inchaço das cidades, geralmente sobre a forma de agrupamentos urbanos clandestinos, motivados pela baixa renda dessas populações, que se vêm desprovidas de recursos para uma residência digna e bem planejada, vem propiciando o aumento de sedimentos e material sólido, bem como a contaminação de mananciais e das águas subterrâneas. Este artigo pode contribuir para a Educação de nossas crianças, seus familiares e de cada comunidade abrangida, com o conhecimento, formando assim uma ampliação da luta, na busca de uma qualidade de vida humana mais salutar nos dias de hoje e um futuro bem mais limpo, para as novas gerações. Fonte: Ambiente Brasil Adaptação: Filipe de Sousa CONTINUAÇÃO

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Introdução O sistema urbano típico do uso da água, apresenta hoje um ciclo imperfeito. A água é bombeada de uma fonte local, é tratada, utilizada e, depois retorna para os rios ou lagos, para ser bombeada novamente. Mas, a água que é devolvida raramente apresenta as mesmas qualidades que a água recebida (ou a água original, como foi extraída da natureza). Sais, matéria orgânica, calor e outros resíduos que caracterizam a poluição da água, são agora encontrados. O desenvolvimento das cidades sem um correto planejamento ambiental resulta em prejuízos significativos para as comunidades e para a sociedade como um todo. Uma das conseqüências do crescimento urbano foi o acréscimo da poluição doméstica e industrial, criando condições ambientais inadequadas e propiciando com isso o aparecimento de velhas e novas moléstias no ser humano e na vida animal como um todo. Além deste fator já demais preocupante, acrescem-se fatores como, a poluição sonora, aumento da temperatura regional e global, contaminação das águas subterrâneas e de nossos mananciais, entre outros problemas, que se não forem corrigidos, certamente nos levarão a um caos ambiental. O desenvolvimento urbano brasileiro encontra-se em regiões metropolitanas, nas capitais de Estado e nas cidades caracterizadas como pólos de desenvolvimento regional. Os efeitos desta preocupante realidade, fazem-se sentir sobre todo o aparelhamento urbano relativo a recursos hídricos, ao abastecimento de água, ao tratamento e transporte de esgotos cloacal (fossas e encanamentos de esgotos) e pluvial. Á medida que a cidade se urbaniza, de uma forma geral vão aparecendo e ocorrendo os seguintes impactos: · Aumento das vazões máximas. · Aumento da produção de sedimentos devido à desproteção das superfícies e à produção de resíduos sólidos (lixo). · Deterioração da qualidade da água, devido à lavagem das ruas, ao transporte de material sólido e a ligações clandestinas de esgoto cloacal e pluvial. Além destes impactos, ainda existem os problemas causados pela forma desorganizada da implantação da infra-estrutura urbana; pontes e taludes de estradas que obstruem os escoamentos, deposição e obstrução de rios, canais e condutos de lixos e sedimentos e, projetos e obras de drenagem inadequados. As enchentes em áreas urbanas são causadas por dois processos (isolados ou de forma integrada): · Enchentes causadas pela urbanização ( o solo é ocupado com superfícies impermeáveis (concreto e asfalto) interligado à rede de condutos de escamento (bueiros); · Enchentes em áreas ribeirinhas (naturais) (o Rio ocupa seu leito maior, de acordo com eventos extremos ‘tempestades e grandes precipitações pluviométricas’ com tempo de retorno, em média, de 2 anos. As medidas de controle de inundações podem ser consideradas em estruturais, quando o homem modifica o Rio; obras hidráulicas, como barragens, diques e canalização; e em não estruturais; quando o homem convive com o Rio; zoneamento de áreas de inundação, sistema de alerta ligado à Defesa Civil e seguros. No Brasil, não existe nenhum programa sistemático de controle de enchentes que envolva seus diferentes aspectos. O que se observa são ações isoladas por parte de alguns Municípios. As figuras ao lado, nos dão uma noção de como a interferência humana pode prejudicar, nossas águas e nossos recursos hídricos. Com a interferência errada ou abusiva do homem nos diferentes ecossistemas, a poluição se faz presente no ambiente e, com a precipitação das chuvas, arrasta esses resíduos sólidos ou, gases presentes na atmosfera, para nossos riachos, rios e águas subterrâneas (através da infiltração natural ou não) interferindo assim na estrutura química natural das águas. Fonte: Ambiente Brasil Adaptação: Filipe de Sousa

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Alterações hidrológicas e Ecossistema aquático O desenvolvimento urbano altera a cobertura vegetal, provocando vários efeitos que modificam os componentes do ciclo hidrológico natural. Com a urbanização, a cobertura da bacia hidrográfica é alterada para pavimentos impermeáveis e são introduzidos condutos para escoamento pluvial, gerando as seguintes alterações no referido ciclo: · Redução da infiltração do solo; · Aumento do escoamento superficial; · Redução do escoamento subterrâneo; · Redução da evapotranspiração. O impacto da urbanização é mais significativo, para precipitações de maior freqüência, onde o efeito da infiltração é mais importante. Para precipitações de baixa freqüência, a relação entre as condições naturais e a urbanização é relativamente menor. Existem vários elementos antrópicos que são introduzidos na bacia hidrográfica: Aumento da temperatura: As superfícies impermeáveis absorvem parte da energia solar, aumentando a temperatura ambiente e produzindo ilhas de calor na parte central das cidades, onde predomina o concreto e, o asfalto, que, devido à sua cor, absorvem mais energia solar do que as superfícies naturais (terra) e o concreto, que, á medida que sua superfície envelhece, tende a escurecer e assim aumentar a absorção da radiação solar; Aumento de sedimentos e material sólido: É extremamente significativo devido aos fatores; limpeza de terrenos para novos loteamentos, construção de ruas, avenidas e rodovias, entre outras causas; Contaminação dos aqüíferos: Os aterros sanitários contaminam as águas subterrâneas pelo processo natural de precipitação pluvial e infiltração no solo. Grande parte das cidades brasileiras utiliza fossa sépticas como destino final do esgoto. Este conjunto tende a contaminar uma parte superior do aqüífero (águas subterrâneas). A rede de condutos pluviais pode contaminar o solo através de perdas de volume da rede, que pressionam a água contaminada para fora do sistemas de condutos. Mananciais Mananciais, são fontes disponíveis de água, determinadas pelas condições locais, com as quais a população pode ser abastecida. Dever possuir quantidade e qualidade de água adequada ao uso e consumo humanos. A tendência do desenvolvimento urbano é de contaminar a rede de escoamento superficial do aqüífero com despejos de esgotos cloacais e pluviais, inviabilizando o manancial e exigindo novos projetos de captação de áreas disponíveis, mais distantes, não contaminadas. Característica dos mananciais: Os principais mananciais de suprimento de água de uma população são: · Águas superficiais são encontradas nos rios de determinada bacia hidrográfica, onde a população se desenvolve; · Águas subterrâneas (aqüíferos); são a maior reserva de água doce do mundo. Os aqüíferos, onde ficam os reservatórios na- turais, podem (com pressão superior á atmosférica) e têm vindo a ser contaminados, ou não (a água não está sob pressão). Poluição dos mananciais: Das águas subterrâneas; · O uso de fossa séptica contamina o lençol freático. · O lixo contamina o aqüífero pela lixiviação dos períodos chuvosos. · O vazamento da rede de esgotos cloacais e pluviais contamina o aqüífero com o despejo dos poluentes. · O uso de pesticidas e fertilizantes na agricultura convencional. · Despejo de resíduos de cargas industriais sobre áreas de recarga, para depuração de efluentes desse tipo, tende a contami- nar as águas subterrâneas. Poluição das águas superficiais: · Despejo de poluentes dos esgotos cloacais domésticos ou industriais. · Despejo de esgotos pluviais agregados com lixo urbano. · Escoamento superficial que drena áreas agrícolas tratadas com pesticidas ou outros compostos. · Frenagem da água subterrânea contaminada que chega ao rio. Fonte: Ambiente Brasil Adaptação: Filipe de Sousa

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Controle dos mananciais Para o controle dos mananciais existem estudos a serem considerados: · Seleção de mananciais potenciais: bacias ou aqüíferos, inseridos em bacias hidrográficas, considerando-se os custos dos aproveitamentos, a ocupação das bacias e a viabilidade de preservação. · Avaliação da disponibilidade dos mananciais, quantificados quanto ao atendimento da demanda atual e quanto a cenários futuros do desenvolvimento da comunidade. · Ocupação da bacia e potenciais poluentes: Identificação dos usos atuais e os propostos para as bacias dos mananciais, identificando-se fontes potenciais de poluentes com as cargas atuais e com os projetos para os cenários futuros. · Identificação dos usos atuais e os propostos para as bacias dos mananciais, identificando fontes potenciais de poluentes, com as cargas atuais e as projetadas para os cenários. · Quantificação atual e potencial da qualidade de água dos mananciais, no desenvolvimento urbano previsto, nos custos e na capacidade de controle da ocupação da bacia. · Controle do uso do espaço e preservação da bacia, visando preservar as condições da qualidade e quantidade da água, como fonte de manancial. · Aproveitamento da água de acordo com o desenvolvimento e uso da comunidade. · Programa sistemático de monitoramento da qualidade da água nos mananciais selecionados. · Mecanismos de controle institucionais de preservação das bacias mananciais. · Controle do espaço, quanto a invasões e loteamentos clandestinos que ocorrem com freqüência na maioria das cidades brasileiras. Legislação pertinente: Resolução nº.20 de 18 de junho de 1986 (COPNAMA), Lei nº. 8935, de 07 de Março de 1989 (Legislação e Planejamento para preservação dos Mananciais). Fonte: Ambiente Brasil Adaptação: Filipe de Sousa

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de gestão conjunta em curso. Heraldo Campos* A água que circula no Planeta Terra seja ela superficial ou subterrânea, faz parte do chamado Ciclo Hidrológico que se iniciou nos primórdios do resfriamento do magma e da consolidação das rochas da crosta terrestre há 3,5 bilhões de anos atrás. O escape destes gases e a captura de cometas (cheios de gases e água congelada) pela órbita da Terra é que deram o início a esse Ciclo e aos recursos hídricos hoje sabidamente finitos. A quantidade de água que circula é a mesma. Nós, seres humanos, interferimos é na sua qualidade, poluindo os rios e os mananciais subterrâneos. A maior parte da água que abastece os reservatórios subterrâneos provém das águas de chuva. Se tivermos uma temporada de seca geologicamente prolongada, os reservatórios não serão alimentados. O Aqüífero Guarani possui bastante água potável. Cálculos para dimensões globais apontam que daria para abastecer a população mundial por 10 anos e suas reservas giram em torno de 7,5 milhões de Estádios do Maracanã de volume armazenado. Contudo, precisamos ter o cuidado com esses números para não tê-los como o salvador da pátria, ou melhor, da humanidade. O reservatório tem muita água e dá para todos. É uma questão de gerenciamento e se existe uma diferença na capacitação tecnológica entre os quatro países de sua ocorrência (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) essa diferença tornase menor, em função da troca de experiências entre os técnicos e os usuários envolvidos ao longo de todo o processo Neste cenário, muitas vezes alguma confusão se dá com a terminologia empregada. O termo lençol freático é aplicado para dizer que a água está muito próximo da superfície do solo, um ou dois metros. Quando nos referimos a uma cisterna ou cacimba nada mais é que um poço escavado, de boca larga e revestido com alvenaria, que capta as águas subterrâneas mais próximas da superfície (lençol freático). Já um poço tubular (perfurado por máquina), que extrai a água em profundidades maiores e em zonas totalmente saturadas, é aquele que realmente atinge os aqüíferos. Porém, de um jeito ou de outro, a água subterrânea é invisível aos nossos olhos. Só conseguimos medi-la através de métodos indiretos, descendo, por exemplo, um medidor de nível pela boca do poço para sabermos a profundidade do nível d'água em relação à superfície do solo ou coletando a água na saída do poço para uma análise química ou bacteriológica. É por isso que quando as águas subterrâneas são contaminadas seu tratamento é mais complexo e mais caro dos que as águas dos rios comprometidos. Uma das principais ameaças aos aqüíferos é a referente à contaminação por agroquímicos nas áreas de recarga direta do reservatório, onde as rochas aflorantes recebem as águas de chuva para seu abastecimento. Há poucos anos a EMBRAPA detectou algumas áreas contaminadas (solos), entre elas as da região de Ribeirão Preto. O uso indiscriminado de agroquímicos na lavoura deve ser controlado nessas áreas para se evitar o arraste de elementos nocivos à saúde humana para as partes mais profundas do Aqüífero Guarani. Um dos instrumentos para proteção destas áreas é um mapa de risco à contaminação. Ele é resultado do cruzamento das informações sobre a vulnerabilidade do reservatório, ou seja, suas características naturais, como a profundidade do nível d'água, o tipo de solo etc., e a carga potencial de contaminantes, seu grau de toxidade, quantidade, mobilidade e assim por diante. Desse mapa saem os zoneamentos de áreas mais críticas que devem ser controladas ou mesmo receber restrições quanto ao seu uso. Se considerarmos que a área do Aqüífero Guarani tem 1,2 milhões de quilômetros quadrados de extensão em toda a Bacia do Paraná, 10% dessa área é área de recarga direta do reservatório, isto é, 120.000 quilômetros quadrados devem merecer especial atenção. O abastecimento público é sem dúvida um dos usos mais importantes das águas do Aqüífero Guarani. Algumas indústrias cervejeiras, por exemplo, utilizam essas águas no Estado de São Paulo na elaboração de seus produtos. No Uruguai muitos balneários para recreação são servidos nos seus complexos aquáticos pelas águas do reservatório. *Geólogo. Facilitador Local do Projeto Piloto Ribeirão Preto pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

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