Bom Dia Catas Altas

 

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Catas Altas - Edição Número 124 - Maio de 2018 - Ano XI

Popular Pages


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CaBOtMaDsIAAltas Cidade Histórica e Ecológica - Maio de 2018 - Ano XI - Nº 124 - Distribuição Gratuita Dirigida Catas Altas escolherá a Princesa do Vinho 2018 Heslander A. Amaro Com muito trabalho para o júri, diante a beleza das candidatas inscritas, Catas Altas manterá a tradição com a realização do XVIII Concurso da Princesa do Vinho. Página 8 Resgatar as origens é promessa para a Festa do Vinho desse ano Saga do Caraça A Saga do Caraça continua, agora em sua 29ª parte , relatando os fatos após o incêndio, quando os alunos foram dispersos e a vida do Santuário continuava, com a Diretoria da Congregação que diversas vezes estiveram no caraça onde era mantido o fogo sagrado debaixo das cinzas, até melhor esclarecimento dos destinos da Casa. Páginas 4 e 5. Segundo os organizadores o evento de 2018 irá dar mais destaque ao vinho catas-altense fabricado há mais de 120 anos, numa tentativa de retornar com o charme e glamour da festa quando de suas primeiras edições. Página 3 Fami´lias catasaltenses Fernandes do Valle: A Saga da mais antiga família de Catas Altas em sua 5.ª parte fala sobre as posses da tricentenária família catas-altense, sobre a morte do patriarca de família do ouro, genuinamente catas-altense. Fala também sobre o testamento do Capitão Thomé Fernandes do Valle, que nele demonstra a sua devoção, fé e sua generosidade. Páginas 6 e 7.

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CaBOtMaDsIAAltas Maio de 2018 - Página 2 Registrando o presente e resgatando o passado Nos 300 anos da fundação de Catas Altas fizemos uma expedição fotográfica ao Pico de Catas Altas e expusemos durante a Festa do Vinho daquele ano 300 imagens do Pico e seus encantos No ano de 1988, quando trabalhava na Embraterr, em Alegria, ao passar pelo então distrito de Santa Bárbara, Catas Altas, ficava enamorado pelo lugar, seu núcleo praticamente abandonado, o calçamento tomado por um gramado, a Matriz e outras igrejas em péssimo estado de conservação, fato que me causava um misto de admiração pela aura que o lugar emanava e uma tristeza dilacerante pelo EXPEDIENTE CaBOtMaDsIAAltas • Diretor Geral/Responsável: Geraldo Magela Gonçalves • Comercial: (31) 99965-4503 • Diagramação: Sérgio Henrique Braga Circulação: Catas Altas e mala direta para todo Brasil Impressão: Gráfica Bom Dia Razão Social : Geraldo Magela Gonçalves MEI CNPJ 27.776.573/0001-68 Inscrição Estadual : Isenta Inscrição Municipal 123470CNPJ.: 24538633/0001-16 dindao@bomdiaonline.com O jornal não se responsabiliza por matérias assinadas e ou pagas que são identificadas fechadas em box estado em que se encontrava. Não sabia o porquê desse sentimento – exceto que sempre admirei a matéria “História” durante minha vida estudantil. Se por um lado o estado de conservação do lugarejo me causava esse aperto no coração, por outro, a serra em seu entorno, com destaque para o Pico dos Horizontes de Catas Altas, me enchia de jubilo tamanha energia que a montanha irradiava: “Vou subir lá”, cravei em minha memória. Passados 14 anos, trabalhando no jornal Bom Dia, tive o prazer de apresentar ao então prefeito Juca Hosken uma proposta de serviço que foi aceita e a partir daí o que era apenas paixão pelo lugar se confirmou em uma relação muito maior – descobri que eu era do lugar (se alguém acredita em reencarnação \ vidas passadas ou algo parecido – taí um testemunho). Cada pessoa e cada pedra do lugar, descobri, que de alguma forma, se mostrava relacionada a mim – sempre como um passe de mágica me identificava com alguém – e ainda acontece. Sem contar que no primeiro dia de trabalho já fomos, eu e o fotógrafo Serginho, agraciados com uma recepção angelical – por Meira e Cintia. Senti-me e me sinto em casa – independente da faixa etária – com crianças, jovens, adultos e ou os melhores – da melhor idade. Daí pra frente é muita história – criei o Bom Dia Catas Altas e viemos, até então, registrando o presente e resgatando o passado – um dos mais ricos das Minas Gerais. Durante essa caminhada que já vai para 16 anos, muita água passou sob a Ponte dos Perdões. O jornal chegou a levar Catas Altas para todo o Brasil (não havia ainda facebook e a intenet não era ainda popular) onde fornecíamos à prefeitura cerca de 500 exemplares que eram postados para catasaltenses ausentes e amigos de Catas Altas por todo país e até no exterior. Alguns percalços causaram falhas em sua periodicidade, mas o propósito se manteve sempre firme e a relação com a cidade nunca foi deixada de lado – e assim como a chuva – nesses tempos de crise hídrica, sempre é esperada e sempre retorna – levando vida à quem espera vida. Estamos de volta Ah – em 2003 subimos ao Pico – eu, Dudu, Cosme e Jackson - e registramos 300 imagens em homenagem aos 300 anos de fundação de Catas Altas, imagens apresentadas em telão durante a abertura da Festa do Vinho daquele ano. Dindão Educação Patrimonial ‘Garimpando Nosso Patrimônio” O trabalho de Educação Patrimonial em Catas Altas, que foi lançado em 1999, por Eder Ayres Siqueira, Chefe de Departamento de Cultura e Patrimônio Cultural, da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura, e passou a ser obrigatório, a partir de 2005, pelo IEPHA/MG, para todas as cidades do estado de Minas Gerais, neste ano de 2018, está a todo vapor nas escolas e comunidade, contando com a boa vontade de diretores, coordenadores e professores das escolas da cidade. O trabalho, conforme Eder Ayres Siqueira, teve início nas escolas da rede municipal com o tema História da Escola Municipal Agnes Pereira Machado, que é inventariada e está inserida nos tombamentos do Núcleo Histórico em níveis estadual e municipal, para três turmas, e prosseguindo, terão destaque para os bens tombados e registrados: a igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição com seus ‘toques dos sinos’; o Solar dos Emery – Centro Cultural Tenente-coronel João Emery que é o único sobrado que restou do século XVIII; o Solar João Vieira da Silva – Sede da Prefeitura, que um casarão térreo, com porão, sendo o mais antigo desse estilo, do final do século XVIII; o Mundéu do distrito de Morro D’Água Quente, que é um marco da mineração aurífera, também do século XVIII, e o modo de fazer artesanal do vinho de uvas e do fermentado de jabuticabas, e a Festa do Vinho. Também terá destaque para as quitandas típicas. A importância do trabalho não se aplica somente Eder Ayres Siqueira, Chefe de Departamento de Cultura e Patrimônio Cultural, da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura em conhecer a história do bem em questão, mas vai desde a história, seus materiais construtivos, suas utilizações ao longo do tempo, suas reformas ou restaurações, enfim, é um trabalho que educa para a preservação do Patrimônio Cultural. É um trabalho que vai além, pois na oportunidade se ensina a valorização e preservação de uma cultura sadia, de como manter a cidade limpa, de como receber um turista, de como ajudar a preservar o patrimônio do município, afirma Eder Ayres Siqueira. Concernente aos locais de Memória Coletiva, que é para a comunidade, serão trabalhados a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, o Centro Cultural Tenente-coronel João Emery, a Praça Monsenhor Mendes, a Biblioteca Pública Municipal Maria Auxiliadora Pereira do Centro Cultural Tenente-coronel João Emery e o Museu do Caraça. Dentre as diversas atividades do SEMPAC – Setor Municipal de Patrimônio Cultural/ Departamento de Cultura, este ano haverá um trabalho com diversos alunos e comunidade, sobre res- tauração, aproveitando o trabalho de restauro dos elementos artísticos móveis da capela de Santa Quitéria, com visitas guiadas e orientadas pelo restaurador/conservador Roberto Cláudio Miranda e o Chefe de Departamento de Cultura. Também está sendo retomada uma campanha que era intitulada ‘Ler para melhor Viver’, que foi lançada em 2013 por Eder Ayres Siqueira e agora está reformulada e intitulada “Aprendendo mais e mais… com o nosso Patrimônio Cultural”, com panfletos que serão distribuídos quinzenalmente, tanto para alunos, quanto para a comunidade, com informações sobre o Patrimônio Cultural do município, sendo essas, aliadas ao português de cada dia. Ainda para a difusão do trabalho de preservação e conscientização do Patrimônio Cultural foi elaborada pelo Departamento de Cultura uma cartilha intitulada PATRIMÔNIO CULTURAL, que está sendo distribuída para escolas e comunidade, para facilitar o trabalho das professoras e servir de base para pesquisas dos alunos, e também para pesquisas de pessoas da comunidade, estando esses panfleto, cartilha, e ainda, encadernações, com diversas pesquisas de Eder Ayres Siqueira, expostas no Centro Cultural Tenente-coronel João Emery, que funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 11h, e das 13h às 17h, e no local, há exposição de objetos antigos e sobre a história da produção do vinho de Catas Altas, o que vale uma visita para uma viagem no tempo. Eder Ayres Siqueira

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CaBOtMaDsIAAltas Maio de 2018 - Página 3 pFreosmteatedoreVsignahtoadresCuaatsaos rAilgteanss Catas Altas – “A 18ª edição da Festa do Vinho de Catas Altas vai resgatar as suas origens”, isso é o que promete os responsáveis pela organização do evento – Prefeitura e Aprovart . “O evento de 2018 vai dar mais destaque ao vinho catas-altense fabricado há mais de 120 anos”, informa em texto enviado pela assessoria de comunicação do executivo. Segundo a assessoria, o resgate e a valorização da produção artesanal que foi passada de geração a geração era uma das maiores reivindicações em relação a festa. O Bom Dia Catas Altas aponta outras reivindicações, sempre cobradas pela comunidade, principalmente pelos moradores no entorno da Praça Monsenhor Mendes onde acontece a festa, dentre elas destaca-se: - Mais segurança; - Mais fiscalização contra os “mijões” que não respeitavam as portas de casas, muros, becos, onde buscavam fazer suas necessidades; e o principal – Mais cultura e menos comercial (em relação a atrações nacionais que em nada contribuía com o objetivo cultural da festa – ficando o Vinho e a histó- ria de Catas Altas sempre em segundo plano). Ainda de acordo com os organizadores, com foco maior no vinho, o evento deste ano vai sofrer algumas alterações com uma programação diferenciada, porém, mantendo a qualidade. “A festa será mais charmosa e confortável. Nossos visitantes terão oportunidade de experimentar a verdadeira Catas Altas, com toda sua história, sua cultura e sua arquitetura. Além disso, será um momento para, realmente, podermos apreciar nosso produto que é tão conhecido”, destaca o secretário de Turismo e Cultura Lucas Nishimoto. Conforme a Prefeitura, a decisão em resgatar o conceito da festa criada em 2001 pela administração Juca Hosken, foi tomada em uma reunião entre os realizadores do evento: a Prefeitura de Catas Altas e a Associação dos Produtores de Vinho, Agricultores Familiares e Outros Produtos Artesanais de Catas Altas (Aprovart), além disso a reportagem do Bom Dia Catas Altas apurou que o Ministério Público havia notificado o município sobre o impacto que o evento, da forma como estava sendo realizado, vinha causando danos ao patrimônio histórico da cidade, fato confirmado pelo Iepha. A assessoria informou que durante reunião entre os organizadores – prefeitura e Aprovart - foram discutidas as argumentações do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), que indeferiu o projeto apresentado para a festa deste ano. “Os realizadores, então, tiveram que decidir entre manter a festa na praça, mas com uma estrutura menor, sem shows com artistas de renome nacional, de modo que não influencie no conjunto arquitetônico, ou manter o que vinha sendo realizado, mas em outro local, como a área de eventos e após discussão e votação, a maioria absoluta dos associados preferiu manter a festa na praça.” Neste ano a festa que conta com shows, feira gastronômica e concurso para eleger a melhor bebida da cidade, será realizada nos dias 18, 19 e 20 de maio, mantida na Praça Monsenhor Mendes, buscará retornar com seu charme e sua referência – que é o aconchego simples do interior que só Minas oferece. Nereu de Souza, produtor de vinho em Catas Altas. Profissão herdada do pai e do avô Patrimônio sofria impácto com evento que se transformou em comercial, deixando de lado as tradições locais Programação Sexta-feira (18/05) 20h - Abertura oficial 21h30 - Orquestra Ouro Preto - Concerto “The Beatles” 23h45 - Show com Zé Geraldo Sábado (19/05) 20h - Intervenção artística 21h - Show com Lili Band 23h - Intervenção artística 23h45 - Roberta Campos - Show “Todo Caminho é Sorte” Domingo (20/05) 12h - Show com Glaucio Barbosa e banda 16h30 - Fractal Orchestra - Concerto “Música de Grandes Brasileiros” 17h50 - Rockin’ Strings - Concerto “Clássicos do Rock” 19h – Encerramento

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CaBOtMaDsIAAltas Maio de 2018 - Página 4 Saga do Caraça – 29.ª parte ApO´s o incE^ndio do colE´gio a vida continua... por Eder Ayres Siqueira Reprodução Nessa imagem lateral mostra a Catedral Neo Gótica e o dormitório antes do incêndio que pôs fim ao Colégio do Caraça “Apagado o incêndio, dispersos os alunos, a Diretoria da Congregação esteve diversas vezes no caraça onde mantinha, juntamente com os irmãos leigos, um ou outro sacerdote: Pe. Joaquim Sales, Pe. Clóvis Passos, Pe. Egídio Aquino. Deviam manter o fogo sagrado debaixo das cinzas, até melhor esclarecimento dos destinos da Casa.” Processo de usucapião do Caraça Em 1971, esteve no Ca- raça, o 20.º Superior Geral da Congregação, o Rev.mo Pe. James Richardson, que refletiu com os coirmãos sobre a restauração do Caraça. No dia 9 de dezembro, às 14h30 deu-se o processo de posse segura e tranquila de toda a área territorial do Parque Natural do Caraça, conforme lavratura da sentença de USUCAPIÃO, seguindo o mapa feito em 1906. Enfim, se colocou um ‘visto e aprovado’ sobre tantos documentos de posse, existente no arquivo do Santuário. A sentença definitiva foi dada pela autoridade competente para a posse mais que centenária, e nunca objeto de contestação. Estiveram presentes ao ato, a escrivã do Cartório, Da. Isméria Lirio Brant Moreira, o MM. Juiz de Direito da Comarca de Santa Bárbara Dr. Edelberto Lellis Santiago, do advogado da causa Dr. Antônio Ayres, do Senhor Promotor de Justiça Luiz Gomes da Silva, do Padre Provincial Pe. José Elias Chaves, do Prefeito de Santa Bárbara Ma- jor Walter José de Noronha e outras pessoas. O processo de USUCAPIÃO do Caraça teve início em 1956, conforme o Pe. José Tobias Zico. Ele dividiu em quatro partes, ‘as terras do Caraça’ para melhor entendimento, ficando assim: A primeira parte era a da bacia do Caraça, que pertenceu ao Irmão Lourenço e foi doada à Congregação da Missão por Dom João VI, no dia 31 de janeiro de 1820; a segunda parte foi a da Chácara de Santa Rita, adquirida pelo Pe. Leandro Rebelo Peixoto e Castro, denominado “O SANTO DE MINAS”, em 1823; a terceira parte foi a Fazenda do Engenho, região mais fértil do “O processo de USUCAPIÃO do Caraça teve início em 1956, conforme o Pe. José Tobias Zico. Ele dividiu em quatro partes, ‘as terras do Caraça’” Caraça, comprada pelo Pe. Domingos Musci em 1858, e a quarta parte foram as terras do Capivari (Capivary (palavra tupi que significa “rio das capivaras”), que foram doadas pelo capitão Manuel Pedro Cotta. O Capitão Manuel Pedro Cotta foi o filho mais novo do fazendeiro e minerador português Guarda-mor João Pedro Cotta e Da. Tereza Teixeira Sobreira Cotta, primeiros proprietários da conhecida ‘Fazenda de Alegria’ em Mariana/MG (penta, hexa, e hepta avós, respectivamente, de Eder Ayres Siqueira).

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CaBOtMaDsIAAltas Maio de 2018 - Página 5 Saga do Caraça – 29.ª parte Novo Padre Superior do Cara´ca por Eder Ayres Siqueira Chegamos ao ano de 1972, e no dia 2 de março foi nomeado o Superior do Caraça, o Pe. Sebastião Mendes Gonçalves, que meses depois, prestou contas, começando assim o seu relatório: “Vim para o Caraça com a incumbência de recuperar a biblioteca, reorganizar o museu, zelar pela limpeza e conservação da Casa, manter a vida comunitária, dar atendimento aos visitantes, cuidar da assistência religiosa das Sampaias e empregados, resguardar o Patrimônio e reaver o que lhe pertence...” O Padre Sebastião era jovem, trabalhador… chegou com toda a força, para trabalhar em prol do Caraça, “desde o arranjar pessoalmente uma grande sala para abrigar, em prateleiras, os 14 mil volumes, salvos do incêndio e guardados nos diversos quartos, até o subir lá em cima da torre e, com ‘engenho e arte’ e muita coragem, arrancar uma aroeira de dois metros de altura, cujas raízes já estavam deslocando as pedras: desde as viagens a Belo Horizonte para resolver os problemas do caraça e saber das autoridades competentes quando era que a ceia de Ataíde havia de voltar, até o encontrar entre os entulhos da Sacristia e colocar no mesmo lugar os dois pedacinhos do vitral do meio, que, há 70 anos, que haviam caído, por ocasião das dinamites arrebentadas atrás da igreja em 1904; desde o receber os 2.200 visitantes em 1972, os 5.000 em 1973 e os 7.000 em 1974 e atendê-los com hospedagem e assistência religiosa, até frequentar um Curso de Enfermagem, de um mês, para melhor socorrer as velhas Sampaias doentes e os turistas que chegam precisando de algum remédio ou injeção, ou voltam de algum longo passeio com as mãos feridas nas pedras, ou picadas por insetos.” O Caraça fica longe de Catas Altas, sendo 28 km de distância, e longe de outras cidades, precisava de alguém para tudo fazer, ou de uma pessoa certa, na hora certa e no lugar certo como dizia o Pe. Tobias Zico, mas, por mais que o Pe. Sebastião o quisesse, não o poderia fazê-lo sozinho, então, reorganizou a Comissão pró-Caraça, constituída dos seguintes membros: Pe. Sebastião Mendes – presidente, e demais padres sendo o Pe. Lauro Palu, Pe. José Tobias Zico, e Pe. Alfeu Custódio Ferreira, assessorados por alguns leigos. Já na primeira reunião tratou-se da organização do Bicentenário do Santuário Nossa Senhora Mãe dos Homens, construído pelo Irmão Lourenço em 1774, e em 1974 completaria os 200 anos de vida cheia de amor, lutas, tristezas, alegrias… Ficou decidido que os festejos começariam em 12 de agosto de 1973 indo até 11 de outubro de 1974, o que veremos na próxima edição. Nota do autor O Santuário do Caraça e a Serra da Caraça é uma das pupilas de Catas Altas, além de ser uma das sete maravilhas da Estrada Real. O Caraça foi tombado em nível Federal em 27 de janeiro de 1955, conforme processo 407-T-49, e em nível Estadual sob Decreto n.º 98.914 de 30 de janeiro de 1990. A Saga do Caraça é de vital importância para o trabalho de Educação Patrimonial “Garimpando Nosso Patrimônio”, porque ajuda a mostrar a história de Catas Altas para todas as pessoas de todas as idades, isto é, faz com que todos leem, pesquisem, conheçam e passem a gostar, e ajudem a preservar todos os patrimônios culturais catas-altenses, pois “o conhecimento crítico e a apropriação consciente pelas comunidades do seu patrimônio são fatores indispensáveis no processo de preservação sustentável desses bens, assim como no fortalecimento dos sentimentos de identidade e cidadania.” Reprodução Já nessa outra imagem, frontal, mostra o complexo do Santuário do Caraça com as ruínas do dormitório ao fundo

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CaBOtMaDsIAAltas Maio de 2018 - Página 6 Saga da mais antiga família de Catas Altas – 5.ª parte Fernandes do Valle por Eder Ayres Siqueira Conforme a Revista do Arquivo Público Mineiro, o fazendeiro e minerador português Capitão Thomé Fernandes do Valle recebe uma carta de sesmaria em 1745 (“A Lei das Sesmarias trazia a finalidade de obrigar os proprietários a cultivarem e semearem as terras; e não o fazendo cederem parte a um agricultor para que realize a lavoura. A sesmaria foi a propriedade que se destinou à ocupação do território, num sentido de extensão; destinava-se à grande lavoura, no caso a da cana-de-açúcar, em parte, a do algodão, e à criação de gado, e, posteriormente, alongou-se ao extrativismo vegetal, ao cacau e ao café. Traduzia a exploração econômica da terra de maneira rápida; e fundamentou a organização social e de trabalho implantada no Brasil, com a fazenda, isto é, a grande propriedade latifundiária, monocultora e escravagista. As sesmarias eram destinadas a premiar serviços relevantes prestados à coroa. Do outro lado, porém, exigia o emprego de capitais, fosse para o desbravamento da terra, fosse para a aquisição de escravos, de modo que se transformava num empreendimento que reclamasse, dos que a recebiam, posse de recursos pecuniários: “Junto com o Sr. Tomé Monteiro de Oliveira, parente de sua esposa Da. Thereza da Fonseca Magalhães Maldonado do Valle. - Carta de Cesmaria, 16 de julho de 1745, Capitão Thomé Fernandes do Vale e Tomé Monteiro de Oliveira - Gomes Freire de Andrada etc. Faço saber aos que esta minha Carta de Sesmaria virem... por sua petição o capitão Thomé Fernan- des do Valle e Thomé Monteiro de Oliveira, moradores nas Cattas Altas do Mato Dentro, que elles suplicantes se acham com bastantes escravos, de que pagavão a S. Magestade os reaes quintos e como não tinhão terras aonde podecem plantar mantimentos para a sustentação dos mesmos, e na paragem chamada o ribeirão da chapada, freguesia de Santa Bárbara. Termo de Vila Nova da Raynha, havião matos devolutos; me pediam fosse servido mandar lhes passar sua carta de Cesmaria de meya legoa de terra em quadra na referida paragem...” FONTE: Revista do Arquivo Público Mineiro, Belo Horizonte, ano 1906, volume 11, páginas 447-580. Pesquisa feita na Biblioteca do Caraça, conforme História das Catas Altas e História do Povoado de Valéria por Eder Ayres Siqueira Catas Altas.... No mesmo ano, Capitão Thomé Fernandes do Valle aparece na carta de sesmaria do Sr. Manoel de Oliveira Leme, parente de sua esposa Da. Thereza da Fonseca Magalhães Maldonado do Valle: “... , e na paragem chamada o Ribeirão da Chapada, Freguesia de Santa Bárbara. Termo de Vila Nova da Raynha, havia matos virgens que partiam com as terras do Capitão Thomé Fernandes do Valle e seu sócio...” (o sócio aqui era o Sr. Thomé Monteiro de Oliveira, irmão do Sr. Manoel de Oliveira leme, supracitado), conforme História das Catas Altas e História do Povoado de Valéria por Eder Ayres Siqueira Catas Altas.... Em 1745, aparece referência sobre suas terras conforme pesquisa do historiador José Araújo de Souza, e no site: http:// www.joberto.xpg.com. br/inferior_files/documentos/sesmaria_Luiz_ de_souza_lima_1745. htm - “Carta de Sesmaria concedida a Luiz de Souza Lima, 18 de outubro de 1745, na região de Catas Altas. Trecho: Gomes Ferreira de Andrade etc. - Faço saber (...) por sua petição Luís de Souza Lima, morador nas Cattas Altas de Matto Dentro (...) na paragem chamada o Ribeirão da Chapada, freguesia de Santa Bárbara, termo da Villa Nova da Raynha (...) havia mattos virgens que partião com terras do Capitão Thomé Fernandes do Valle, Manoel de Oliveira Leme e de João de Oliveira Leme; me pedia (...) mandei passar esta Carta de sesmaria por duas vias (...) Dada em a Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro a 18 de Outubro de 1745. Fonte: APM. Cartas de Sesmarias. Vol. Ano: 1906 - Fascículos: 1, 2, 3, 4. Carta de Sesmaria, 18 out. 1745, Luís de Sousa Lima, sesmeiro.” Morre o Capitão Thomé Fernandes do Valle No ano bissexto, de 1748, do calendário gregoriano, com 366 dias e as suas letras dominicais foram G e F, que teve início numa segunda-feira e terminou numa terça-feira, Lisboa e grande parte do resto de Portugal são atingidas por LITOGRAFIA DE Johann-moritz-rugendas-catas-altas-1835 um terremoto de grande intensidade, de que existem referências escritas da época a mencionar grandes estragos; tivemos a primeira versão portuguesa da Bíblia a partir da Vulgata Latina, traduzida por João Ferreira de Almeida, e na freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Catas Altas, no dia 24 de janeiro, faleceu o capitão Thomé Fernandes do Valle deixando viúva Da. Thereza da Fonseca Magalhães Maldonado do Valle e dois filhos: o mais velho Tenente João de Magalhães do Valle Maldonado, e Da. Anna da Fonseca Magalhães Campello apenas com 6 (seis) anos de idade. O Capitão Thomé pertencia à Irmandade do Santíssimo Sacramento, e com todos os sacramentos foi sepultado na mesma sepultura onde em 1742, sepultou a sua sogra Da. Helena do Prado Cabral Magalhães, sendo a terceira sepultura do lado do Evangelho, no Arco Cruzeiro, perto da grade, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Catas Altas. Poderia ele ter sido sepultado na Capela-mor da Igreja Matriz, pois dinheiro é o que não lhe faltava, sendo que no testamento podemos comprovar a sua riqueza e também a sua religiosidade, e ainda, a sua grande contribuição para com todas as irmandades religiosas do Arraial, pois seu testamento foi o mais rico entre os demais, dos moradores da freguesia, mas tudo indica que por ser uma pessoa humilde, não quis estar em sepultura separada, preferindo estar na mesma de sua sogra onde ele a sepultou havia 6 (seis) anos, num local também privilegiado, que é o Arco Cruzeiro ou Arco triunfal no transepto da igreja que fica entre os retábulos de “São Miguel e Almas” e de “Nossa Senhora do Rosário dos Brancos” – lugar reservado para as famílias consideradas nobres, na época, conforme História do Povoado de Valéria, e História da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Catas Altas, por Eder Ayres Siqueira Catas Altas....

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CaBOtMaDsIAAltas Maio de 2018 - Página 7 Saga da mais antiga família de Catas Altas – 5.ª parte Fernandes do Valle Testamento comprova riqueza e generosidade do Capitão por Eder Ayres Siqueira Capitão Thomé Fernandes do Valle deixou um testamento de seis páginas 221 a 207, com letra legível na maior parte do documento, no livro de registros de óbitos da Freguesia de Nossa senhora da Conceição das Catas Altas, que está em posse da Cúria Arquidiocesana de Mariana, do qual extraí um pouco: “declarou que era irmão do santíssimo, deixou uma casa assobradada com quintal no arraial de Catas Altas, sobrado que ficava situado no Adro da igreja Matriz, atual Praça Monsenhor Mendes, “dois sítios, sendo um com a Capela da Senhora Sant’Ana e outro com um engenho”, “três ou quatro sesmarias de matos”, declarou que era sócio com o Sr. João Leme e seu irmão Thomé Monteiro de Oliveira, das quais sesmarias a metade era dele”, deixou mais terras e lavra onde trabalham no Rio de São Francisco os seus sócios Sr. … Gonçalves Lima e Sr. João Barbosa da Cruz; “36 datas** de terras nas a quais sou sócio com os filhos do finado Romão de Oliveira Gago, das quais 26 me pertencem”, um engenho na ribeira da prainha, deixou 95 escravos todos nominados um por um com o nome e a procedência; deixou de esmola para a Irmandade do Santíssimo Sacramento, da qual fazia parte, 80 oitavas* de ouro, para a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário da Matriz (N. Sra. do Rosário dos Brancos) 50 oitavas de ouro para a de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, a de São Miguel 80 oita- O Capitão Thomé Fernandes do Valle foi sepultado no interioro da Matriz de Nossa Senhora da Conceção vas de ouro, a de Nossa Senhora da Boa Morte 50 oitavas de ouro, a de Senhora Sant’Ana 50 oitavas de ouro, a de São Gonçalo 60 oitavas de ouro, a de Nossa Senhora da Conceição 80 oitavas de ouro, a de Santo Antônio 60 oitavas de ouro; deixou para Nossa Senhora da Abadia do Couto, Arcebispado de Braga, Portugal, 100 oitavas de ouro, para Nossa Senhora do Bom Parto do Arcebispado de Braga, Portugal, 50 oitavas de ouro, para São Gonçalo de Sabará 50 oitavas de ouro, para Nossa Senhora Aparecida de Guaratinguetá (atual Aparecida em São Paulo – conhecida como Aparecida do Norte) 100 oitavas de ouro, para Nossa Senhora da Soledade 50 oitavas de ouro; deixou 150 oitavas de ouro para a Irmandade do Santíssimo Sacramento de São Thomé de Prozelo no Arcebispado de Braga em Portugal, sua terra natal; deixou 50 oitavas de ouro para a construção da igreja do Senhor Bom Jesus de Matozinhos (não fala de onde); declarou: “me é devedor João de Oliveira Leme e seus irmãos, filhos de meu compadre Romão de Oliveira Gago, já defunto”; mandou celebrar 500 missas na nave de Braga pela alma de seu pai, e 500 pela alma de sua mãe; 3.500 missas gerais, sendo 1000 missas pela alma do mesmo; 2500 missas pelas almas de suas irmãs e seus pais, avós paternos e maternos na igreja Nossa Senhora da Guia, Portugal; 50 missas no altar da Senhora da Graça da Sé do Porto, Portugal; 2000 missas pelas almas do purgatório; 1500 missas pelas almas de seus escravos; deixou para o seu irmão Manoel Fernandes do Valle morador na Freguesia de São Thomé de Proselo, Portugal, 200.000 réis; deixou para sua afilhada Filomena, filha do seu compadre Sr. Manuel Luís 200.000 réis, e mais 400.000 réis para suas irmãs Luiza e Theodora, sendo 200.000 para cada uma, e “100.000 réis para a preta do José ...”; 200.000 réis para Maria filha do seu compadre Francisco de Faria; 200.000 réis para Josefa filha do seu compadre Domingos Lopes; 130 oitavas de ouro para Eva de Da. Páscoa, 130 oitavas de ouro para Ana filha do sargento-mor Lourenço Henriques; 130 oitavas de ouro para Thereza, filha de seu compadre Domingos Pinto Porto, morador no Brumado; deixou 133 mil réis para …?, 133 mil réis para Francisca, 133 mil réis para Thereza; 133 mil réis para Manuel, e para Eustáquio crioulo seu afilhado etc. O testamento foi feito pelo Padre José de Macedo Neto, tendo como testemunhas: capitão Domingos Rodrigues dos Santos, capitão Luís Fernandes de Oliveira, Sr. Francisco da Silva de Magalhães, Sr. Antônio de … Pinto, Sr. Agostinho Ferreira Pinto, guarda-mor José da Silva Pontes e o coronel João Gonçalves Fraga, conforme História do Povoado de Valéria, e História da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Catas Altas, por Eder Ayres Siqueira Catas Altas.... Citações do Capitão Thomé Fernandes do Valle em livros e trabalhos acadêmicos O Capitão Thomé Fernandes do Valle é citado no Livro: “Dinâmica Imperial no Antigo Regime Português” de Roberto Guedes, que faz um levantamento dos 100 cobradores dos Quintos Reais da Vila do Carmo, atual Mariana, da qual Catas Altas fazia parte, entre 1718 e 1733, e o dito Capitão Thomé, está entre os 23 cobradores que possuem inventários post-mortem, isto é, ‘posterior à morte; póstumo’: “Quanto aos imóveis urbanos, presentes em oito dos 23 inventários, estavam, em geral, muito bem localizados, em lugares privilegiados da vila: ao lado da cadeia, como a de Manoel de Oliveira Cordeiro; na Rua Direita, como de Paulo Rodrigues Durão; ou junto à igreja matriz como a de Tomé Fernandes do Vale.” (O que foi confirmado em seu testamento acima). Conforme Bruno Cezar Bio Augusto, graduando em História da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, o livro “Dinâmica Imperial no Antigo Regime Português” desdobra-se em cinco partes que enfatizam: escravidão, governos, fronteiras, poderes e legados. Esses cinco conceitos nos instigam a pesquisar a América portuguesa, convidando-nos a um caminho de descobertas da história do não dito e dos pequenos feitos nesse universo da Colônia. Continuaremos na próxima edição… mais curiosidades sobre a mais antiga família catas-altense… mais curiosidades sobre as Catas Altas... Medidas citadas no texto *Sesmarias \ Sesmaria de Campo = 13.068 hectares \ Sesmaria de Mato = 1.089 hectares ** Datas de terra \ Data de Campo = 272,25 hectares \ Data de Mato = 544,50 hectares ***1 oitava = 3,5859 gramas

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CaBOtMaDsIAAltas Maio de 2018 - Página 8 XVIII concurso Princesa do Vinho abre tradicional festa catasaltense Tão tradicional quanto a festa do vinho, o concurso para eleição da Princesa do Vinho já vai para sua décima oitava edição. Organizado por Clicia Helen e Lorena Jully, o evento promete muita moção esse ano diante as beldades inscritas e o júri terá muito trabalho para apontar a vencedora. Para participar a candidata tem que ter as raízes fincadas em solo catasaltense. São 12 lindas garotas, que foram fclicadas pelo fotógrafo Heslander A. Amaro e que representam muito bem a beleza da mulher catasaltense e que concorrem ao título. O evento acontece no dia 12 de Maio, às 21 horas, no Ecuca, centro da cidade. Fotos: Heslander A. Amaro Ana Clara De Souza Dias Cleidiane Alves Santos Quintao Geisy Melissa De Souza Pereira Hillary Santos Bitencourt Karen Alves Santos Quintao Lais Souza Ferreira Luandra Aparecida Ferreira Maria Fernanda De Oliveira Magalhães Mariana Silva Goulart Monique Luize Melo Silva Paula Leonarda Da Silva Tamires La Belle Santos

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