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Completamos 60 anos e continuamos a fazer o futuro acontecer Executamos projetos Energia renovável - sistema fotovoltaico Agrícola – máquinas e implementos Automotivo - leve e pesado Fora de Estrada Tubos Industriais de Aço Carbono com Costura Cordão de Solda Interno Removido (RR) Cordão de Solda Interno Alto (RA) Peças e Conjuntos Processos de corte a laser, curvas, solda, estampagem, pintura, fresa, componentes e acessórios agregados Tubos Trefilados de Precisão Especiais e Redondos Perfilados Tubulares Tubos Quadrados e Retangulares Qualidade Golin BR TUV CERT, NBR ISO 9001 e ISO TS 16949 ABNT NBR 5590:2008 ABNT NBR 5580:2007 Para este aniversário temos uma surpresa. Nosso selo de 60 Anos é também um marcador de RA (Realidade Aumentada). Use o QR-Code abaixo e veja o que preparamos. Fone (11) 2147-6500 portal@golin.com.br | www.golin.com.br

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Expediente Editorial Edição 127 - ano 19 Março/Abril 2018 Siderurgia Brasil é uma publicação de propriedade da Grips Marketing e Negócios Ltda. com registro definitivo arquivado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial sob nº 823.755.339. Coordenador Geral: Henrique Isliker Pátria Diretora Executiva: Maria da Glória Bernardo Isliker TI: Vicente Bernardo Consultoria jurídica: Marcia V. Vinci - OAB/SP 132.556 mvvinci@adv.oabsp.org.br Editor e Jornalista Responsável: Henrique Isliker Pátria - MTb-SP 37.567 Repórter Especial: Marcus Frediani MTb:13.953 Projeto Editorial: Grips Editora Projeto Gráfico: Ana Carolina Ermel de Araujo Edição de Arte / DTP: Ana Carolina Ermel de Araujo Capa: Criação: André Siqueira Fotos: Montagem com foto de André Siqueira e Shutterstock Impressão: Ipsis Gráfica e Editora DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA A EMPRESAS DO SETOR E ASSINATURAS A opinião expressada em artigos técnicos ou pelos entrevistados são de sua total responsabilidade e não refletem necessariamente a opinião dos editores. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS Rua Cardeal Arcoverde 1745 – conj. 113 São Paulo/SP – CEP 05407-002 Tel.: +55 11 3811-8822 grips@grips.com.br www.siderurgiabrasil.com.br Proibida a reprodução total ou parcial de qualquer forma ou qualquer meio, sem prévia autorização. E a retomada da economia, como vai? HENRIQUE ISLIKER PÁTRIA EDITOR RESPONSÁVEL AAos trancos e barrancos, vamos encon- trando nosso caminho. Na permanente pesquisa pessoal que nossa condição de jornalistas nos impõe, estamos percebendo que o ânimo das pessoas empreendedoras e/ou responsáveis por algum negócio no Brasil deixaram quase que definitivamente o pessimismo para trás, respiram novos ares e se dedicam a novos projetos. E isso tem a sua razão de ser. Na semana passada, em mais uma das reuniões de balanço mensal da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), constatamos que, no primeiro trimestre deste ano, já houve uma alta de 14,6% na produção de veículos, somando os leves com os ônibus e caminhões, e que os licenciamentos subiram 15,6%, numa pura demonstração de que o mercado interno dá as suas caras e pode ser o grande diferencial. Já no mercado exterior o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tinha uma promessa de campanha a cumprir, quando proclamou:“A América para os americanos”. Como resultado disso, no dia 8 de março, com uma única penada, taxou o aço e o alumínio brasileiros, com aumentos de tarifas de importação, criando enormes transtornos para nossa indústria. Felizmente, após negociações iniciais (veja a reportagem completa nesta edição da Revista Siderurgia Brasil), a medida foi suspensa temporariamente e, no momento, desenvolvem-se intensos estudos visando à normalização da situação, num ambiente ainda tenso e que denota preocupação, é verdade, uma vez que cerca de um terço das exportações brasileiras são direcionadas aos Estados Unidos. Nesta edição apresentamos também uma entrevista exclusiva com Sergio Leite, o presidente executivo da Usiminas, que nos conta sobre a recuperação da usina mineira – algo, realmente, impressionante – e nos fala de seu futuro. Em nossas páginas, os leitores ainda vão encontrar um importante artigo técnico, além de um apanhado com os grandes acontecimentos do setor siderúrgico, com especial destaque para uma agenda, com detalhes sobre a realização de inúmeras feiras empresariais, que prometem não só causar frisson, como também promover grandes negócios no futuro próximo. Finalizando, temos também uma ótima notícia para todos vocês: estamos prestes a assinar contrato com um dos principais portais da internet do setor industrial, de sorte que, muito em breve, nossa revista no formato digital, além de estar em nosso site, vai figurar na banca desse novo canal, aumentando – e muito – a visibilidade de nossos artigos, reportagens, entrevistas e opiniões ao longo de toda a cadeia de nosso campo empresarial. E, claro, não deixem de expressar suas opiniões por meio de nossos canais de contato, pois elas nos ajudam bastante na elaboração de nossas publicações. Boa leitura! MARÇO/ABRIL 2018 SIDERURGIA BRASIL 3

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Índice de matérias 3 EDITORIAL E a retomada da economia, como vai? 6 POLÍTICA “Trumpadas”em série 12 ATUALIDADES A gigante renasce 16 DESENVOLVIMENTO Mercado imobiliário dá a volta por cima 20 EMPRESAS Dagan 24 ARTIGO TÉCNICO Análise experimental e analítica para previsão do alargamento de barras laminadas a quente 28 EVENTOS • Feira da Mecânica • AgroBrasília • Congresso AçoBrasil 2018 • Feimec • Mec-Show 2018 30 ENTIDADES Para os associados do Sicetel, o otimismo está de volta 32 ESTATÍSTICAS 34 VITRINE 34 ANUNCIANTES Depositphotos.com 4 SIDERURGIA BRASIL MARÇO/ABRIL 2018

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Material no Início do Processo SOLUÇÕES COMPLETAS PARA PROCESSAMENTO DE BOBINAS Antes do Estiramento AN5OS DE GARANTIA Depois do Estiramento Seu material está realmente plano? Você está confiante de que seu material vai continuar plano depois que seu cliente cortar a laser, na guilhotina ou puncionar? Só porque o material parece plano, não significa que ficará assim. Devido a tensões internas contidas no aço, uma vez que o material é cortado, pode apresentar o efeito mola (memória da bobina). O Sistema de Nivelamento por Estiramento produz o material mais plano e mais estável possível, independentemente da forma da tira que é processada. Em uma comparação de resultados, o estiramento será sempre muito superior a qualquer outro tipo de processo de nivelamento. O desafio da Red Bud – Envie-nos uma bobina que não consegue deixar plana com seu equipamento atual, e vamos nivelar de graça. Além de obter seu material plano, nós garantiremos que permanecerá plano. Material de primeira ou desclassificado, nós transformaremos práticamente qualquer material em “qualidade laser”. Venha ver e comprovar! Produto Final Contate nosso representante Red Bud Industries comercial independente no Brasil VPE Consultoria 11 -999860586 RedBudIndustries.com | 001-618-282-3801 mader@vpeconsultoria.com.br Red Bud Produzindo material plano que permanece plano.

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Política 6 SIDERURGIA BRASIL MARÇO/ABRIL 2018 “Trumpadas” em série Fotos: Depositphotos.com

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Decisão temporária que isenta o aço brasileiro de sobretaxa para entrar em território norte-americano anima o setor siderúrgico brasileiro. Mas o pensamento geral é um só: “Como seria bom se ela se desse em definitivo, principalmente quando o Brasil ensaia uma retomada em sua economia, não é mesmo?” Marcus Frediani PPara a maciça maioria, uma decisão de muito bom senso. Para alguns outros poucos, mais pirracentos, uma “afinada histórica”, embora reconhecida como uma solução estratégica de alto nível. Sem dúvida, a decisão do governo norte-americano de excluir Brasil da cobrança de nova taxa sobre o aço estrangeiro que entra naquele país dá suporte a ambas as interpretações. E cabe ao leitor, tomar – ou não – partido em um dos dois lados. Vamos aos fatos. Depois de diversos vai-e-vens, ameaças veladas e outras nem tanto, pronunciamentos inflamados sobre soberania do tipo “América para os americanos” e coisas do gênero, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump, anunciou oficialmente no dia 8 de março, a resolução de estabelecer alíquota de importação de 25% para produtos siderúrgicos. Além de mexer no bolso de velhos parceiros e fornecedores das usinas do Tio Sam, a decisão, tomada no âmbito da Seção 232 – medida de segurança nacional que impõe limitações à exportação de aço para os EUA – e respaldada na ameaça à segurança dos EUA, foi considerada pela comunidade internacional uma medida extrema no sentido de proteger a indústria siderúrgica americana e seus trabalhadores. No Brasil, um desses vetustos partners, o espanto e a apreensão foi ge- ral. “Dada à complementaridade das exportações de suas associadas para os EUA, o Instituto Aço Brasil tinha a expectativa de o Brasil ser excluído da medida, o que não ocorreu”, tornou público em nota a Imprensa a entidade, na sequência do anúncio, informando ainda que, a partir do fato, estudaria com o governo brasileiro a entrada imediata de recurso junto ao governo americano. No entendimento do Aço Brasil, o bloqueio das exportações brasileiras para o mercado americano – em sua quase totalidade composta de semiacabados, que são reprocessados pelas indústrias siderúrgicas americanas – traria consequências nefastas, ocasionando“dano significativo não só para as nossas empresas, mas também para as americanas que não tem autossuficiência no seu abastecimento”, pontuou o documento distribuído aos jornalistas. Na casa dos “friends” Ato contínuo, rapidamente uma verdadeira força-tarefa tomou forma no Brasil para discutir o tema com o governo dos Estados Unidos, a fim de convencê-lo a reverter a situação. O enforcement tomou a forma de uma segunda missão da indústria brasileira do aço que seguiu imediatamente a Washington, para dar continuidade às negociações com as autoridades nor- MARÇO/ABRIL 2018 SIDERURGIA BRASIL 7

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Política te-americanas, com o objetivo claro de demovê-las da decisão e excluir o Brasil da abrangência da Seção 232. No contexto, participaram de uma série de reuniões com o Congresso americano e entidades de classe de produtores e consumidores de aço dos EUA diversos representantes pesos-pesados do governo brasileiro, da embaixada brasileira na capital dos Estados Unidos e do board do Instituto Aço Brasil. O posicionamento oficial brasileiro – legítimo e bastante consistente, como não poderia deixar de ser, diga-se – se baseava no fato de as exportações brasileiras para aquele país serem de semiacabados (80% do total), atendendo a necessidade americana de complementariedade numa longa e sólida relação comercial. Entre os argumentos, alinhavam-se ainda constatações importantes, como o fato de que os EUA são maior destino das exportações brasileiras de aço (foram 32,7% em 2017) e de que o Brasil exportou 15,4 milhões de toneladas em 2017, sendo 5 milhões de toneladas só para aquele país. Mesmo assim, nessa segunda missão, encerrada no dia 28 de fevereiro – um dia depois de o titular da pasta do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) Marcos Jorge de Lima se encontrar em Washington com Wilbur Ross, secretário de Comércio americano para tratar do assunto –, o Brasil foi surpreendido pela possibilidade de ser enquadrado no grupo de 12 países que teriam as 8 SIDERURGIA BRASIL MARÇO/ABRIL 2018 maiores restrições a serem impostas pelos EUA, com tarifas de importação de até 53%. Nem mesmo o anúncio feito naquela data de que o Brasil seria enquadrado na tarifa de importação de aço de 25% corrigia essa distorção, não atendendo o que o Aço Brasil e o governo brasileiro entendiam ser uma relação comercial justa. E, aí, confor- me pontuou outro comunicado assinado pelo Instituto, no dia 7 de março – portanto, um dia antes do anúncio oficial de Trump –, o Brasil iria recorrer. “Mãozinha” caída do CEO Continuando a história, no dia 10 de março, três dias depois da manifestação da “Nota à Imprensa” do Instituto Aço Brasil e dois na sequência do anúncio da decisão do governo norte-americano sobre o caso, uma reportagem pelo jornal O Estado de S. Paulo, feita a partir de uma entrevista com o CEO da California Steel, o brasileiro Marcelo Botelho Rodrigues, colocou ainda mais lenha na fogueira, contudo, dando uma “mãozinha” e mais força às argumentações e aspirações verde e amarelas na luta contra a sobretaxa. Logo no primeiro parágrafo abaixo do bombástico título da matéria – “Sem aço brasileiro, siderúrgica nos Estados Unidos fica inviável” –, Botelho deixou claro e colocou a nu a questão embasbacante de que as siderúrgicas integradas americanas não fabricavam aço semiacabado em volume suficiente para atender à demanda da própria California Steel. Para justificar e dar força à afirmação, ele, de saída, explicou que as tais usinas, localizadas em estados da região leste dos EUA, usam quase toda a produção em sua própria fabricação de aços laminados. E mais: registrou que ainda que existisse oferta, o custo de transporte das placas de aço até a sede da California Steel seria cinco vezes superior ao de trazê-las do Brasil pelo mar.

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Política Em outras palavras, segundo Rodrigues, a imposição da tarifa de 25% sobre a importação de produtos semiacabados iria fatalmente tirar a capacidade de sua companhia de competir com siderúrgicas que adotam outros modelos de negócio, já que nenhuma delas teria de pagar mais pela matéria-prima que utiliza. Nesse ponto, dando continuidade à argumentação, a reportagem do Estadão abriu espaço para explicar que as grandes siderúrgicas integradas da região leste dos Estados Unidos fazem o aço a partir de minério de ferro e carvão, que não seriam afetados pela barreira. Além disso, revelou que um número crescente de outras usinas usa sucata processada em fornos elétricos. “Intensas usuárias de energia, essas indústrias respondem por dois terços do aço fabricado nos EUA”, pontuou o CEO da California Steel. Para reforçar seu posicionamento, Marcelo Rodrigues informou ao jornal que, em razão de regulações ambientais, a Califórnia e a costa oeste dos EUA não têm siderúrgicas integradas (que usam altos-fornos) nem as baseadas em fornos elétricos. Assim, deixou claro que transportar por terra o aço que está a cerca de 2.000 km de distância seria economicamente inviável. Complementarmente, isso significaria que a tarifa teria um efeito dominó em setores como construção e infraestrutura daquela região do país, que usam as bobinas de aço da California Steel para fabricar seus produtos finais. Somados à questão da inevitável perda de empregos locais desencadeada indiretamente pela decisão de Trump, esses seriam alguns dos argumentos que Rodrigues iria apresentar mais tarde ao governo americano para pedir a não aplicação da tarifa sobre as importações de aço brasileiro. Pausa temporária E, ao que parece, felizmente, todas essas reações surtiram efeito positivo para que a cobrança da taxa adicional fosse, no mínimo, repensada. No dia 22 de março, o representante de Comércio dos Estados Unidos Robert Lighthizer afirmou, em audiência no Comitê de Finanças do Senado norte-americano, que o Brasil, junto com a Argentina, Austrália, Coreia do Sul, México, Canadá e a Europa, estariam isentos da sobretaxa de 25% no aço, que entraria em vigor no dia seguinte, 23 de março, até que fosse estabelecido um acordo comercial com cada um dos países. Ou seja, a rigor trata-se, ainda, de uma medida temporária. Lighthizer explicou que o presidente americano Donald Trump entende que alguns países 10 SIDERURGIA BRASIL MARÇO/ABRIL 2018 mereciam ser excluídos da cobrança e que a taxa seria “pausada” durante as negociações bilaterais. “A ideia que o presidente tem é baseada no critério, de que alguns países devem ser excluídos. Há países com os quais estamos negociando. O que ele decidiu é pausar a imposição das tarifas com relação a estes países”, declarou ele na ocasião.Vale lembrar que na véspera do anúncio benfazejo, Lighthizer já havia afirmado que os EUA deveriam iniciar conversas com o Brasil em breve sobre a possível isenção das sobretaxas. Face à ausência de uma decisão oficial sobre o tema, a reação imediata do MDIC foi divulgar uma nota informando que as autoridades norte-americanas estavam “avaliando” a não aplicação das sobretaxas ao Brasil, contrariando a afirmação de Michel Temer na véspera, dando como certa a suspensão da sobretaxa. Mas o documento fez uma ressalva, dizendo que gesto podia ser interpretado como “um sinal positivo por parte governo norte-americano no sentido de evitar a imposição de sobretaxas.” Por sua vez, ainda no dia 22 de março, mesma data do anúncio de Robert Lighthizer no Senado norte-americano, o Instituto Aço Brasil também se manifestou, considerando a notícia de certa forma auspiciosa, reforçando, entretanto, o fato de ser essa uma exclusão temporária. Ou seja, o país ganhou um mês de isenção, enquanto negocia sua exclusão permanente. “Neste momento, conseguimos um waiver de 30 dias, mas o país continua as negociações com os EUA para exclusão permanente. O presidente Michel Temer, em conjunto com os ministros Marcos Jorge de Lima (MDIC) e Aloysio Nunes Ferreira (MRE), tem nos apoiado intensamente nas conversas com o governo norte americano”, pontuou no comunicado Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil. Agora, é esperar (e torcer) para ver o que acontece até o dia 23 de abril.

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Atualidades A gigante renasce Amplamente revitalizada e de volta à cena das maiores empresas do setor siderúrgico do Brasil, a Usiminas comemora os resultados de 2017 – os melhores nos últimos sete anos de operação – e faz planos para o futuro. Marcus Frediani DDepois de um passado recente convul- sionado, a Usiminas, líder no mercado brasileiro de aços planos e no abastecimento do setor automotivo, surfa uma boa onda. Em 2015, quase entrando em falência, a empresa amargou uma série de prejuízos e passou a ter geração negativa de caixa, gerando dívidas astronômicas, o que levantou o risco de entrar em recuperação judicial. Ao mesmo tempo, ficou no centro do furacão de uma briga societária do tipo “cachorro grande”, entre o grupo ítalo-argentino Ternium/Techint (TT) e a japonesa Nippon Steel & Sumitomo (NSSMC), finalmente apaziguada no início de 2018, por meio de um novo acordo de gestão. A assinatura do termo de compromisso estabeleceu novas regras para pôr fim às divergências de ambas no que diz respeito à direção da empresa, que estabeleceu até um programa de alternância delas em sua gestão. Agora, o objetivo dos sócios é fortalecer a companhia. Por conta disso, enquanto a discussão de um plano plurianual – prevendo a injeção de maciços investimentos para ela crescer já se encontra em pleno andamento –, a Usiminas religou seu alto-forno em Ipatinga – que estava em modo off desde 2015 – e, ainda, voltou a ativar, nos últimos meses do ano passado, duas unidades de tratamento de minério da Mineração Usiminas (Musa). Revitalizada e de volta ao posto de uma das preferidas do setor siderúrgico nacional, a empresa ainda comemora os resultados de 2017 – os melhores nos últimos sete anos de operação. “O pior já passou. Agora, é bola pra frente!”, anima-se Sergio Leite, confirmado no cargo de diretor-presidente da siderúrgica pela TT e pela NSSMC para o período de abril/maio de 2018 até 2020. Assistindo à volta da companhia à sua produtiva normalidade, nesta entrevista exclusiva à Revista Siderurgia Brasil, ele comenta a virada de 180 graus da Usi- Foto: Divulgação Usiminas/Marcelo Coelho 12 SIDERURGIA BRASIL MARÇO/ABRIL 2018

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minas e dá algumas pistas dos passos que ela vai trilhar nos próximos anos. Siderurgia Brasil: Como você avalia os sinais relativamente alvissareiros de recuperação da economia brasileira e de retomada dos negócios ao longo de 2018? Eles são consistentes? Sergio Leite: O ano de 2018 começou com a perspectiva de crescimento econômico em patamares mais relevantes do que tivemos no ano passado. E há sinais, em diversos setores, da retomada de investimentos e das atividades produtivas. De acordo com os últimos Boletins Focus, a estimativa é de um crescimento do PIB em torno de 3% este ano, um número consideravelmente maior do que o do ano passado, que atingiu 1%. Estamos constatando, desde 2017, um descolamento entre política e economia, com bons resultados desta num cenário político adverso. Contudo, sem a reforma da Previdência, a crise fis- cal deve se acentuar, a dívida pública continuará caminhando para uma trajetória insustentável e novos rebaixamentos da nota de crédito do país podem ocorrer. Por outro lado, há uma expectativa de que a taxa de desemprego continuará em queda, com elevação do consumo, o que pode levar a indústria a registrar um crescimento acima da taxa do PIB neste ano. E a indústria e, particularmente, a Usiminas: como ficam nesse cenário? Foto: Divulgação Usiminas/Marcelo Coelho

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Atualidades Foto: Divulgação Nossa expectativa é que o ambiente de negócios em 2018 seja marcado por um crescimento generalizado em todos os setores, em maior ou menor intensidade Sergio Leite, diretor-presidente da Usiminas Esperamos um crescimento econômico maior neste ano. E alguns setores importantes para a Usiminas, como o automobilístico, também têm expectativas de evolução nos negócios. Em 2017, o setor automotivo foi o grande destaque da indústria, com crescimento da produção de veículos de 25%, impulsionando o resultado do PIB Industrial, que registrou aumento de 2,5%, depois de três anos de quedas consecutivas. A expectativa é que, em 2018, os resultados também sejam positivos, com crescimento de dois dígitos, o que, seguramente, terá impacto na siderurgia nacional e também na operação da Usiminas, que é líder no mercado brasileiro de aços planos e no abastecimento do setor automotivo, que representa um terço de nossos negócios no Brasil. Mas é importante destacar que, apesar do cenário positivo, o crescimento econômico esperado, assim como seu impacto na indústria do aço, ainda estão longe de recuperar as perdas acumuladas ao longo dos anos de crise. Ainda há fornos parados e linhas operando abaixo da capacidade. O esforço, agora, é para ocupar as linhas de produção já instaladas. Sem dúvida, o forte passo de recuperação das vendas domésticas do setor automobilístico vai continuar a delinear um impacto positivo nas perspectivas desta para 2018. Mas de que forma os outros setores – tais como a construção civil, as obras de infraestrutura, o de máquinas e equipamentos e o de bens de consumo – alimentam essa expectativa? Nossa expectativa é que o ambiente de negócios em 2018 seja marcado por um crescimento generalizado em todos os setores, em maior ou menor intensidade, destacando um patamar entre 1% e 3% no setor de construção civil, entre 5% e 8% na área de máquinas e equipamentos e cerca de 13% para veículos automotores. Ano de eleição, contudo, é sempre turbulento e nebuloso para o mercado e para os negócios. Qual a sua avaliação sobre o atual quadro político e daqui para o final do ano? O país passa por um momento político delicado, com enormes desafios e muitas incertezas no horizonte. Como já disse, observamos, de forma nítida que a economia vem se descolando do cenário político, o que tem permitido a melhora dos indicadores macroeconômicos, mesmo com a série de escândalos e uma agenda de importantes reformas ainda indefinida. Tudo isso faz crer que o ambiente político até as eleições passará por importantes etapas, ainda imprevisíveis. Em sua opinião, qual o perfil ideal dos candidatos não só para ocupar a cadeira de Presidência da República, bem 14 SIDERURGIA BRASIL MARÇO/ABRIL 2018 como aquelas do Congresso Nacional? O país precisa de candidatos que priorizem o crescimento econômico e o bem-estar do povo, com ênfase em educação, saúde e segurança, setores altamente carentes na vida brasileira. Precisamos de um crescimento robusto na próxima década, gerando empregos e qualidade de vida. A indústria de Transformação, depois de 15 anos de queda em sua participação no PIB brasileiro, precisa voltar a ocupar uma posição de destaque e ser uma referência em nossa economia. Em outras palavras, a indústria precisa voltar a ser uma prioridade para o governo brasileiro. O ano de 2017, sem dúvida alguma, foi também de grandes desafios para a Usiminas. Em recentes entrevistas, você enfatizou que o “pior já passou” e que a empresa “está voltando à sua normalidade”, rompendo o ciclo nada virtuoso e a fase difícil iniciada com o desligamento do forno de Ipatinga, em 2015, que trouxe a reboque também a posterior desativação de duas unidades de tratamento de minério da Mineração Usiminas (Musa). Além da religação e reativação desse ferramental, quais são os argumentos que justificam essa sua afirmação? E qual a intensidade dessa retomada? Para a Usiminas, 2017 ficará marcado como o ano da retomada da empresa.

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Saímos de uma situação muito delicada, em que chegamos a correr o risco de uma recuperação judicial, em 2016, e conseguimos revitalizar a empresa com uma sequência de resultados positivos. Apresentamos, no quarto trimestre de 2017, um Ebitda de R$ 450 milhões e no ano de 2017, um Ebitda de R$ 2,2 bilhões, versus R$ 660,4 milhões em 2016. Foi o melhor resultado da Usiminas nos últimos sete anos. O ano passado foi marcado, também, por importantes conquistas. A nota de crédito da empresa foi elevada pelas três principais agências de avaliação de risco internacionais – Fitch, Moody’s e Standard and Poors. E a situação do emprego? Geramos emprego na Usiminas, na Mineração Usiminas e na Usiminas Mecânica. Retomamos, também, uma série de ações de valorização de nossos empregados, contribuindo significativamente para a melhoria do clima interno. Voltamos a nos dedicar, com intensidade, ao planejamento estratégico da Usiminas, após três anos em que o foco era a sobrevivência da empresa. Dessa forma, agora, partimos com mais intensidade ainda para a construção do presente e do futuro da Usiminas, com foco nas pessoas, clientes e resultados. Ainda no âmbito da questão anterior, de que maneira a maior disciplina financeira da Usiminas nos últimos meses – que deverá reduzir sensivelmente o nível de endividamento da companhia –, deverá ser intensificada em 2018? Iniciamos, em dezembro de 2017, com quase dois anos de antecedência ao acordado na renegociação da dívida, a amortização da dívida da empresa, que era de R$ 6,9 bilhões e passou a ser, em março de 2018, inferior a R$ 5,7 bilhões, numa redução de cerca de 18%. Em síntese, as iniciativas empreendidas e a forte mobilização da equipe Usiminas em todas as nossas cinco empresas, atuando num conjunto de frentes e um extraordinário rol de ações, permitem que nos dediquemos, cada vez mais, ao trabalho de reposicionar a empresa como uma referência na indústria do aço no Brasil e no exterior. Em outras palavras, a Usiminas está preparada para encarar os novos desafios e oportunidades do mercado? A Usiminas encontra-se no estado da arte tecnológico no portfólio de produtos para os diversos setores onde atua. Tivemos, anteriormente ao período de recessão da economia brasileira, um forte ciclo de investimento em agregação de valor, o que nos permite ofertar ao mercado nacional produtos customizados para diferentes setores, de elevado desempenho na aplicação, diferenciando a empresa frente à concorrência. s

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