A Voz dos Reformados - Edição n.º 152

 

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JORNAL DO MURPI / CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE REFORMADOS, PENSIONISTAS E IDOSOS

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a voz dos reformados Jornal dos Reformados, Pensionistas e Idosos MURPI CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE REFORMADOS, PENSIONISTAS E IDOSOS Ano XXIII • N.º 152 • Março/Abril 2018 • Preço 0,70 € • Diretor: Casimiro Menezes • Distribuição nacional • murpi@murpi.pt ENVELHECER COM DIREITOS DIREITO À PROTEÇÃO SOCIAL E À SAÚDE 6 23.º PIQUENICÃO já mexe… e volta ao Alentejo Montemor - 3 de Junho 3 Bernardo Loff (médico) SNS: “Prioridade na luta e na defesa” Fotos de MIGUEL QUARESMA

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2 A Voz dos Reformados |Março/Abril 2018 Em foco EDITORIAL Vamos Continuar Saudamos as mulheres portuguesas pelo Dia Internacional da Mulher, neste mês de Março. Saudamo-las pela conquista de direitos que Abril lhes consagrou. Deveriam enraizar-se à memória coletiva as lutas de tantas mulheres, hoje reformadas, pela determinação posta no seu ideário para a luta pela libertação da segregação. Para a luta pela conquista de direitos; nada as demovia, nem parava. Continuavam firmes rumo à concretização dos ideais, das leis que só Abril permitiu aprovar. As reformadas, e os reformados, podem hoje congratular-se por tais conquistas consolidadas e continuar reforçando as fileiras deste nosso MURPI, – 40 anos, quase sénior como todos nós –, nas comemorações iniciadas em 2018. Poderemos considerar que o ponto alto das comemorações foi, sem dúvida, o Seminário “Envelhecer com Direitos”, realizado em Almada. Ponto alto pelo interesse manifestado nos convidados que encheram a sala; pelo valioso contributo dos participantes dos painéis que fortaleceram os saberes de todos nós. Ponto alto ainda, porque, os valores de conteúdo de cada intervenção souberam agarrar as atenções dos presentes até final. Os temas desenvolvidos fizeram tónica na defesa de um sistema de Segurança Social público, universal e solidário, direito à saúde, reforço e defesa do Serviço Nacional de Saúde, questões que se ligam, e afetam, em Portugal um “horizonte” de mais de três milhões. E seguiu-se um Debate aceso, crítico, solidário para a luta, porque “Vamos Continuar”. O MURPI, organização representativa de todos os reformados, reafirmou-se nestas comemorações. De imediato, por urgente, vamos continuar a exigir reconhecimento como Parceiro Social. Com representação permanente no Conselho Económico e Social (CES). O MURPI foi arbitrariamente discriminado pelo presidente do CES. Mas a nossa indignação, o nosso protesto, reforçado pelas organizações associadas elevaram o eco da nossa indignação, também reforçada em forma escrita nas mensagens de revolta enviadas ao CES. Vamos continuar – afirmamos determinadamente –, a luta por todos os meios ao nosso alcance. Lembramos que é a Confederação MURPI que tem empunhado a bandeira pela defesa dos nossos direitos. Tem sido o MURPI nos momentos difíceis a organizar a luta contra a ofensiva aos reformados. Têm sido as estruturas organizativas da Confederação MURPI a promover ações culturais de valorização dos saberes incentivando o envelhecimento ativo. As associações têm sido fiéis parceiros na resposta aos inúmeros problemas sociais, sentidos pelos reformados idosos, sem cujo apoio estariam votados ao abandono. E é a este MURPI e às 140 organizações a ele aliadas, que o presidente do CES pretende desvalorizar, descartar, ignorar… Esta luta de quarenta anos, – que em 2018 comemoramos –, traduzem o empenhamento, de milhares de dirigentes e ativistas vindos dos alvores de Abril; deram-se a esta causa. Empenharam-se na luta. Elevaram mais alto a bandeira das causas do MURPI. E vamos continuar, – pois é justo –, a convocar no presente todos os dirigentes e ativistas para a luta. E continuando enriqueceremos o nosso património de conquistas e direitos. Daremos realce, e grandeza, às realizações comemorativas – encontros Distritais; 23º Piquenicão (dia 3 de Junho em Montemor-o-Novo); 9º Congresso do MURPI (dia 25 de Novembro em Lisboa). Vamos continuar para manter acesa a luta, a defesa da dignidade de todos nós. E nisso usaremos todos os meios ao nosso alcance. Casimiro Menezes Direção do MURPI prossegue e caminha para a afirmação “O esforço resultou no êxito” era a opinião unânime no balanço final do esforço envolvido pelo colectivo do MURPI na realização do Seminário “Envelhecer com Direitos”. A iniciativa, concretizada no dia 24 de Janeiro, no Fórum Romeu Correia, em Almada Iniciou o programa da comemoração dos 40º Anos do MURPI . Sala cheia, de princípio ao fim, foi prova incontestável do interesse que despertou aos associados do norte do sul e do centro que estiveram presentes e a participar no debate. A fragilidade e inoperância do Serviço Nacional de Saúde foi ali denunciado, criticado. Os oradores que abordaram os temas, -Segurança Social, Saúde Mental-, deixaram o “recado” de incentivo à luta para alterar e melhorar aqueles sistemas e serviços como tarefa de alta prioridade e urgente. E as matérias, aliciantes viriam a proporcionar um vivo debate que em parte trouxemos a esta edição para reflexão. E uma componente cultural – mostra de pintura de artistas plásticos reformados e foto- grafia documental de actividades do MURPIvalorizaram o Seminário. A situação surgida da audiência do MURPI com o CES (Correia de Campos)levou à leitura de moções de repúdio e aquela entidade viria a ser vaiada pelos presentes (ler pag 8). Em causa está o lugar de representação do MURPI perante o CES. Moções e mensagens de Associações e Federações de Reformados incentivam a continuar. Na reunião de Direcção do MURPI, – em 27 de Fevereiro–, foram analisadas as propostas de mobilização dos associados para o reforço da exigência do reconhecimento do MURPI, com representação permanente no CES. Outras iniciativas assinalam as comemorações: Dia do MURPI em 27 de maio; 23º Piquenicão Nacional 3 de junho; 10 Encontros Distritais, a agendar, para preparação do 9º Congresso Nacionala 25 de novembro. O MURPI na unidade e força combativa continuará a afirmar a importância deste grande movimento associativo dos reformados. a voz dos reformados Jornal dos Reformados, Pensionistas e Idosos BOLETIM DE ASSINATURA NOME: MORADA: LOCALIDADE TEL./ TELM.: E-MAIL*: CÓD. POSTAL: Jornal 1 ano 3,5 € / 2 anos 7€ Novo Renovação Donativo € Data // O assinante * Facultativo O pagamento no ato da assinatura, pode ser feito por vale de correio ou cheque, emitido ao MURPI, para o endereço: RUA OVAR - LT 548, 1 C, 1950-214 LISBOA. Pode, ainda, ser efectuado por transferência bancária para o NIB 0035 2177 0000 9361 7305 9 , devendo neste caso avisar por e-mail para murpi@murpi.pt. a voz dos reformados Jornal dos Reformados, Pensionistas e Idosos Diretor: Casimiro Menezes • Conselho Editorial: António Valverde, Casimiro Menezes, Joaquim Gonçalves, Jorge Figueiredo, Manuel Passos, Manuel Pinto André, Maria Amélia Vicente, Vitor Lopes • Colaboradores: Anita Vilar, An- tónio Bernardo Colaço, Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), Isabel Quintas, José Manuel Sampaio, Luciano Caetano Rosa, Manuel Cruz, Zillah Branco • Coordenação e Chefia de Redação: Maria Leonor • Fotos de: Pedro Soares e Miguel Quaresma • Design Gráfico: Fernando Martins • Propriedade, Administração e Redação: Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos/MURPI (70.000 sócios) • Rua de Ovar, Lote 548 - 1.º C, 1950-214 Lisboa • Telf.: 218596081 • Email: murpi@murpi.pt • Site: http://www.murpi.pt • Impressão: MX3, artes gráficas - Pq. Ind. Alto da Bela Vista - Sulim Parque, 2735-340 Agualva Cacém - 219 171 088 • Assinatura anual: 3,50€ € • Periodicidade: Bimestral. Isento de registo no ICS ao abrigo do Decreto Regulamentar 8/99 de 9 de Junho, 12.º, n.º 1 a) • NIF: 500816794 • Depósito Legal n.º 67124

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Em foco 3Março/Abril 2018 | A Voz dos Reformados Os Reformados e o SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE – PRIORIDADES NA LUTA E DEFESA Bernardo Loff A prioridade é a Saúde e o acesso aos Cuidados de Saúde. Numa breve referência à sua história, verificamos que em Abril de 1974 não havia cuidados de Saúde. Quem se sentia doente ia à consulta da Caixa, das Casas do Povo ou das Misericórdias. Quem tivesse mais posses recorria ao consultório privado. Os resultados não eram bons em termos globais. Não havia medicina preventiva nem havia acompanhamento aos doentes crónicos. Em Junho de 1975, pouco depois da Revolução de Abril/74 foi criado o Serviço Médico à Periferia . E lançaram as bases do Serviço Nacional de Saúde bem como da carreira de Medicina Geral e Familiar. Para o interior do país foram recrutados jovens médicos para junto das populações que nunca tinham consultado um médico. E os mais desafogados, perante a doença, recorriam ao médico particular. As conquistas de Abril, na área da Saúde, permitiram abrir oportunidades a todas as pessoas para que tivessem acesso ao médico. E foram organizados cuidados de prevenção e de diagnóstico precoce das doenças crónicas, para melhor as controlar. Este tipo de organização de cuidados teve efeitos positivos na Saúde de todos os portugueses. Como exemplo dessa conquista, está a prestação de Cuidados de Saúde a grávidas e a crianças. Em consequência reduzir a taxa de mortalidade infantil que em 1970 por cada mil crianças nascidas registava 85 óbitos, baixando em 2015 para 3 por mil. Em Março de 2017 uma jornalista inglesa de referência, (saúde) escrevia: “Portugal é um dos países do mundo onde é mais seguro nascer e o que mais melhorou em assistência nesta área”. Outro exemplo: a prevenção, o diagnóstico precoce e o bom controlo das doenças crónicas, hipertensão, diabetes, obesidade, doenças do coração, gorduras elevadas no sangue, combate ao sedentarismo, não só físico mas também mental, não fumar, não abusar das bebidas alcoólicas, proporcionaram um aumento significativo da esperança média de vida, que passou de 67,1 anos em 1970 para 81,3 anos em 2017, superior ao da EU, que é de 80,6 anos. Isto só foi possível com o SNS, organização e trabalho integrado dos profissionais de saúde, médicos, enfermeiros, técnicos de saúde, assistentes operacionais. Tudo isto se deve ao SNS e por isso devemos defendê-lo. Mas o SNS não foi bem aceite por todos. Sofreu ataques logo de início e mais acentuados nos anos 90. E por acção das políticas dos sucessivos governos do PS, do PSD e do CDS bem como de imposições de ingerências estrangeiras. Também declarações de gente dos governos das últimas décadas, proferiram declarações Hipócritas. As medidas tomadas tornaram-se desarticuladas, ineficazes. Constituíram constantes ataques aos profissionais de Saúde. Encerramento de camas e serviços hospitalares, atendimento permanente. E até foram encerrados postos locais de Saúde que eram tão úteis no prestar cuidados de proximidade nas zonas do interior. O objectivo era destruir o SNS público e de qualidade. Os cortes salariais impostos em 2012 nas remunerações dos trabalhadores do SNS que são inferiores às do sector privado. Por isso, médicos e enfermeiros estão a sair e muitos emigram. Entre 2014 e 2016 emigraram 1.225 médicos e cerca de 10% ponderam abandonar o SNS. Faltam cerca de 4.000 médicos em Portugal, no SNS estão 2,7 médicos por mil habitantes, contra 3,3 nos países da OCDE. Em 2014 emigraram 2.500 enfermeiros formados e mais 10 por cento dos técnicos de saúde, formados na Escola Superior de Tecnologias de Saúde. É necessário pôr um travão a este triste e preocupante panorama. Há 700.000 utentes sem médico de família, muitos utentes sem enfermeiro de família, longas esperas para obter consultas de rotina nos centros de saúde, consultas de especialidade, exames complementares. A ameaça da privatização de prestação de cuidados de saúde está iminente. O ministro Adalberto Fernandes foi gestor de interesses privados: em Janeiro de 2018 uma regulamentação “muito severa, muito determinada” – as palavras são do ministro; incentiva a um atendimento mais rápido, pago pelo Estado, numa instituição privada. Melhor exemplo não é possível para desviar dinheiros públicos para o privado. Uma das bandeiras do SNS é o aumento da esperança média de vida ao nascer. Mas há outro indicador de que o nosso SNS se deve orgulhar: grande parte do aumento da esperança média de vida ocorreu nas pessoas com mais de 65 anos de idade: hoje em dia, uma mulher de 65 anos vive em média mais 21,7 anos e um homem mais 19,1 anos, o que constitui um aumento de 3,3 anos em relação a 1970. Só que aqui surge um problema: apesar destes aumentos, aos 65 anos de idade, as mulheres portuguesas podem esperar viver apenas um quarto dos anos que lhes restam sem incapacidades, enquanto os homens podem esperar viver um pouco mais de um terço desses anos com boa saúde, indicadores inferiores aos de outros países da UE. Ora é precisamente acima desta faixa etária dos 65 anos a que os Reformados, os Pensionistas e os Idosos pertencem, que as necessidades de cuidados de saúde são maiores e que não são satisfeitas. É nesta faixa etária que incidem mais as doenças crónicas que há pouco referi, e que necessitam de acompanhamento adequado e frequente por parte do médico de família. Recordo que ainda há cerca de 700.000 utentes sem médico, e, dos que o têm, a sua acessibilidade nem sempre é fácil em tempo útil; existem grandes diferenças geográficas na prestação dos serviços, o que dificulta o acesso devido à distância para pessoas que vivem no interior, sem transportes públicos e com custos acrescidos nos transportes, grandes tempos de espera para consultas em determinadas especialidades; atendimento nos SU em condições desumanas, sem privacidade, com numerosos doentes em macas, nos corredores e com longos períodos de espera. Refira-se também a degradação das instalações em muitos centros de saúde e hospitais, equipamentos obsoletos frequentemente avariados, não tendo havido o cuidado de ir substituindo os mais antigos, por falta de investimento devido aos cortes orçamentais, tudo para cumprir o défice, e de que são responsáveis os sucessivos governos do PSD, do CDS e do PS, cumpridores zelosos das imposições estrangeiras. FEDERAÇÕES DO MURPI FARPIBE/MURPI NO DISTRITO DE BEJA R: DOS AÇOUTADOS 18 7800-493 BEJA FARPIE/MURPI NO DISTRITO DE ÉVORA FARPIP/MURPI NO DISTRITO DO PORTO R DE MACHEDE 53 R DE CONTUMIL BL 1 ENTRADA 724 CV 18 7000-864 ÉVORA 4350-130 PORTO FARPIL/MURPI NO DISTRITO DE LISBOA FARPILE/MURPI NO DISTRITO DE LEIRIA R OVAR 548 1 C R 18 DE JANEIRO 13 1950-214 LISBOA 2430-256 MARINHA GRANDE FARPIS/MURPI NO DIST. DE SETÚBAL AV 25 DE ABRIL - EDF MONTE SIÃO TORRE DA MARINHA • 2840-443 SEIXAL FARPIR/MURPI NO DIST. DE SANTARÉM R DR BERNARDINO MACHADO 17 2090-051 ALPIARÇA MURPI • Confederação Nacional de Reformados Pensionistas e Idosos RUA OVAR, 548, 1.º C – 1950-214 LISBOA | Telef. 218 586 081 | murpi@murpi.pt | www.murpi.pt www-facebook.com/MURPI-Confederação-Nacional-de-Reformados-Pensionistas-e-Idosos O dr. Loff no segundo Painel aludiu ao Serviço Nacional de Saúde e reportou a sua origem, junho de 1975, a uma conquista de Abril. Alertou para a necessidade de contrariar hoje eventuais vontades políticas ou de concertação que visem alternativas a serviços privados de Saúde como recurso por debilidades do Serviço público. Informou ao pormenor sobre dados estatísticos e técnico-profissionais de fundamental interesse. A falta de espaço impede-nos de aqui transcrever na íntegra a sua intervenção, pelo que a Redacção do VR pede desculpa.

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4 A Voz dos Reformados |Março/Abril 2018 Actual Envelhecer c Direito à proteção O Seminário/MURPI, em Painel I: “A Segurança Social pública, universal e solidária como direito a envelhecer” João Araújo No painel “A Segurança Social pública, universal e solidária como direito a envelhecer”, que teve como moderador Manuel Pinto André e oradores Isabel Maria Quintas e João Araújo, as questões que foram tratadas tiveram a ver, no essencial, com as razões porque em Portugal as pensões são baixas, o aumento da esperança média de vida e a sustentabilidade financeira da Segurança Social. As intervenções dos oradores e do público presente, destacara assuntos de relevo. Do que ficou dito ressaltaram motivos para reflexão e debate. Ali se referiras as políticas de salários baixos, salários não declarados ou declarados por valores mínimos – critério negativo para o cálculo das pensões. A desastrosa política do Governo anterior (PSD/CDS) não foi poupada a críticas pois aí residiu o gigantesco prejuízo nos interesses pensionistas. Isabel Quintas – do executivo do MURPI e aposentada de um cargo superior da Segurança Social-, referiu-se ao envelhecimento individual/cronológico, e biopsicológico, vividos de forma diferente por cada pessoa e em diferentes fases da vida de cada um. Referiu-se ao envelhecimento colectivo/demográfico, que independentemente dos atributos pessoais de cada um, os classificados como idosos. Reconheceu-se como útil mudar a mentalidade, quase generalizadas na sociedade portuguesa, sem se cair no pessimismo de caracterizar o idoso por traços negativos. Existem aspectos que devem ser realçados: experiências de vida que contribuem para alargar o número de factores para tomadas de decisões. A população idosa é, socialmente, e heterogénea. O envelhecimento toca a todos e a todas as camadas sociais. No Seminário referiram-se motivos que conduziram aos problemas de carên- cias socioeconómicas que comprometem a autonomia e empurram para o isolamento social em que vivem muitos idosos. Até ao 25 de Abril foram negligenciados os acessos aos cuidados de saúde, a uma habitação condigna, à higiene e segurança no trabalho. Os salários eram baixos e em inúmeros casos declarados por valores mínimos ou nem declarados. E nesse errado critério se reflectem hoje os cálculos das pensões que não cobrem a carestia de vida. O Seminário rejeitou que as pessoas idosas sejam vistas como “incompetentes” e “doentes”. Mas este é o “retrato” que a sociedade em que vivemos guarda dos idosos, em vários contextos: trabalho; relações sociais; comunicação social; acesso a serviços, etc.. A longevidade não é a causa de males sociais, políticos, financeiros, culturais. Mas já houve quem se referisse à população idosa em termos de “peste” grave para a sobrevivência das sociedades, identificando-a como a “peste grisalha”. O aumento da esperança de vida é progresso científico e social. O sentido alarmista dos receios do envelhecimento demográfico admite ser esse facto “beco sem saída”. Mas não estamos no fim da História. Há caminhos para continuar os progressos civilizacionais, adequados ao processo natural do envelhecimento.A revolução científica e tecnológica proporcionou aumentos de produtividade. 40 Anos do MURPI Projeto da Qualidade de Vida e da sua dignificação Joaquim Gonçalves Os homens e mulheres que constituíram o MURPI, que foram os seus pioneiros, fizeram-no com um espirito de missão e com uma visão progressista e de luta por melhores condições de vida dos reformados, pensionistas e idosos definidas pelas suas primeiras palavras de ordem por eles definidas que passo a citar: - Ninguém pode vencer um Povo que resiste; - Só o Portugal de Abril defenderá o Outono da vida. O seminário realizado no passado dia 24 de Janeiro no Fórum Almada teve como objetivo principal sensibilizar e discutir com os ativistas, dirigentes das Associações de Reformados, Pensionistas e Idosos e os técnicos da área social que trabalham nas Associações para a questão levantada: como viver com dignidade. A qualidade de vida do idoso tem como suporte fundamental a sua independência económica, isto é, uma pensão ou uma reforma que lhe permita enfrentar a vida sem os constrangimentos da pobreza e da miséria, mas é também fundamental que desenvolva uma atividade cognitiva e psicomotora para o bem da sua saúde física e mental. A exposição fotográfica patente no Fórum Romeu Correia, paralela ao seminário, da responsabilidade do fotógrafo Pedro Soares demostrou a atividade das Associações de Reformados Pensionistas e Idosos e as suas boas práticas na promoção da atividade salutar dos seus associados e utentes. Na exposição coletiva de pintura de pessoas reformadas e pensionistas que foi abrangente participaram pessoas sócias de associações, sendo alguns dirigentes destas e do MURPI, pessoas que produziram os seus trabalhos em Universidades Seniores e ainda outras que praticam essa atividade no seu domicílio, foi demonstrativa de parte da atividade cultural que Reformados Pensionistas e Idosos, fazem e podem fazer para a promoção de uma boa qualidade de vida. Esperamos que os dois painéis apresentados no seminário e dirigidos pelos nossos convidados e amigos preletores sejam os promotores da troca de saberes e do permanente debate que temos que desenvolver e apelamos às Federações e Associações de Reformados Pensionistas e Idosos para que durante o ano de 2018, organizem atividades formativas e ou culturais para que esta segunda geração do MURPI dê continuidade ao trabalho iniciado há 40 anos, sempre na defesa dos direitos e da qualidade de vida dos Reformados Pensionistas e Idosos. Contributo para a Só o Portugal de Abril – Respeitar Manuel Passos Após a 1ª Conferência Nacional, os então 30 dirigentes eleitos por unanimidade, que formaram a Direção de Coordenadora Nacional, tinham pela frente um gigantesco trabalho a cumprir perante os reformados portugueses. O panorama do universo dos reformados da ainda Previdência de 1977/78 era o seguinte: 622357 recebiam pensões baixíssimas, considerando os baixos salários auferidos no tempo da ditadura. Os processos pendentes a atribuir a 1ª pensão eram 158655, a marcar passo para a sua atribuição. Vigorava então o Decreto – Lei 217 de Maio de 74, que criou a pensão mínima, que antevia também o princípio constitucional do nº2 do artigo 72 da futura Constituição da República Portuguesa, a qual veio inscrever” O Estado promoverá uma política de 3ª idade, que garanta a segurança económica das pessoas idosas”.

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Actual 5Março/Abril 2018 | A Voz dos Reformados com direitos o social e à saúde m Almada, foi um êxito. Os mais velhos contribuíram para os níveis de produtividade que garantiram os progressos económicos e sociais alcançados (produtividade geral) e, por isso, têm o direito a uma vida digna de acordo com esses progressos económicos e sociais. As pensões de velhice não são “esmolas”; são um direito adquirido ao longo de carreiras contributivas, um direito de cidadania com dignidade social e de modo alguma dificultam a parte financeira do Sistema Público de Segurança Social. O princípio do direito a prestações sociais sempre que preenchidos os requisitos para a sua atribui- Casimiro Menezes – médico – presidente do MURPI com a sala lotada encerrou o Seminário ção é essencial para se ter a certeza de se está perante um efectivo direito e não apenas de uma mera expectativa sujeita a avaliações subjectivas e discricionárias. Foi graças ao 25 de Abril que temos hoje um Sistema Público de Segurança Social universal e solidário. A primeira Lei de bases da Segurança Social reafirmou o direito de todos à segurança social consagrado na Constituição da República Portuguesa. Fixou os princípios do sistema através do qual tal direito é tornado efectivo, entre os quais os da universalidade e da solidariedade. São, portanto, de rejeitar-se os proteccionismos de natureza caritativa que diminuam a capacidade dos idosos participarem e decidirem sobre as suas vidas e reduzam os seus direitos a expressões organizativas de assistencialismo caritativo. a história do MURPI rá o “Outono da Vida” 12907188 Seminário “ENVELHECER COM DIREITOS” A realização do Seminário subordinado ao tema “Envelhecer com Direitos”, abordando temas relacionados com as O Estado não tem de cumprir as funções sociais constitucionalmente definidas? Políticas Sociais e a Saúde, promovido pela Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos MURPI, que teve lugar no Fórum Romeu Correia, em Almada, no dia 24 de janeiro, constituiu uma iniciativa cultural e política de grande profundidade e rigor de análise dos temas abordados e comprovou mais uma vez o valor do saber e da experiência da organização da Confederação MURPI. Simultaneamente realizou-se uma exposição de fotografias sobre as atividades do MURPI da autoria de Pedro Soares e outra de telas de pintura de artistas reformados que expressaram uma forma nobre de envelhecer com dignidade e que valorizaram culturalmente o evento. O Seminário funcionou com dois painéis – dedicados A todas estas interrogações o Seminário lançou propostas que afirmam que a Segurança Social universal, pública e solidária não só é sustentável financeiramente como é a única forma de garantir para o futuro o direito a uma reforma condigna. Torna-se urgente e necessário valorizar as pensões como suporte da autonomia social e financeira de quem tem o direito a envelhecer. Pelo facto de estarmos perante uma sociedade em franco envelhecimento é preciso dotar o Serviço Nacional de Saúde com a sabedoria da geriatria e com meios necessários que garantam o acesso aos cuidados promocionais e de tratamento adequados e de proximidade, como concluíram os intervenientes na discussão do painel da saúde. à Segurança Social e à Saúde, analisando e promovendo as questões dos direitos dos reformados numa sociedade em progressivo envelhecimento demográfico mas em que também acrescentar mais anos à vida representa uma grande conquista civilizacional. Será possível viver mais anos com autonomia social e financeira e com bem -estar? Será que as políticas governamentais têm de sacrificar o usufruto dos direitos de quem envelhece em nome da correção dos défices financeiros? Os cidadãos que envelhecem não têm direitos sociais? Perante uma assistência de mais de duas centenas de participantes houve oportunidade de um debate vivo e participado que enriqueceu a iniciativa. Esta primeira iniciativa de comemoração do 40º aniversário da fundação do MURPI inicia a reflexão destes temas no seio das organizações associativas dos reformados a ter lugar nos dez Encontros Distritais a realizar, como contributo para a preparação do 9º Congresso Nacional do MURPI, a realizar a 25 de novembro de 2018. A Direção da Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos MURPI Lisboa, 3 de fevereiro de 2018 Estabelecia o Decreto-Lei que nenhuma pensão seria inferior a 50% do Salário Mínimo Nacional. No entanto a Secretaria de Estado da Segurança Social publicou em fevereiro de 1977 a portaria 94/77, que reduzia o valor das pensões a atribuir e contrariava o mínimo estabelecido. Para os então dirigentes e activistas do MURPI, o caminho era a luta contra o roubo nas pensões. Nos anos seguintes foram feitas acções em todo o País, muitas centenas de reuniões, plenários, concentrações, petições, moções e comunicados, dirigidos ao Governo e aos seus departamentos, como protesto. É neste período que se consolida o 13º mês para os pensionistas e se alcança para todos os trabalhadores no ativo e reformados o 14º mês, conhecido pelo subsídio de férias. Nesse período, a inflação subiu acima dos 40%, era pois justo e necessário o aumento das pensões. Destacado pelo MURPI, estava na comissão da es- trutura da Segurança Social, o nosso amigo Pedro Cortes. Na Assembleia da República, estava eleito como deputado na bancada do Partido Comunista Português, o nosso amigo e co-fundador do MURPI, Manuel Duarte Gomes. Estes dois amigos deram um grande contributo institucional à melhoria da qualidade de vida dos reformados portugueses. Mais tarde, o Pedro assume o lugar de membro observador no Conselho Económico Social – C. E. S., em resposta à pretensão do MURPI, entregue ao Sr. Presidente da Assembleia da República. Infelizmente e vergonhosamente, não vemos da actual presidente do C. E. S., essa postura de respeito e dignidade. Em outubro de 1983, nasce a Voz dos Reformados, contributo essencial à luta reivindicativa dos reformados e seu guia geral em todo o País, na reivindicação, na vida lúdica, cultural e nos apoios sociais e habitação condigna. Criaram-se então e para o efeito, fortes comissões e associações de reformados e pensionistas, que tinham como objectivo, a construção de sedes próprias, para o saudável convívio, cultura popular, debates sociais e económicos e a solidariedade social. Nesta última vertente, a falta de apoios sociais do Estado era gritante. Muitos amigos fundadores do MURPI, dedicaram grande parte da sua vida nesta tarefa de solidariedade social. Lembro-me de alguns como o Romanário Ornelas, da Moita, o Vitor das Neves e Rafael Rodrigues em Palmela, o Fernando Alves em Setúbal, o Álvaro Brasileiro em Alpiarça e tantos outros, em Lisboa, Setúbal, Porto, Leiria, Alentejo, Ribatejo e Algarve, deitaram mãos à obra, criando condições para o conforto e saúde dos reformados.

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6 A Voz dos Reformados |Março/Abril 2018 Cultura Parabéns à “Voz do Operário”12808138 Saudação defesa dos direitos sociais da infância às pessoas idosas que sempre encontraram neste espaço a solidariedade fraterna. A Direção da Confederação Nacional de Reformados, Pen- “A Voz do Operário” foi sempre a voz solidária contra os sionistas e Idosos MURPI saúda os atuais dirigentes d’ A opressores, a voz que nunca se conformou com o regime Voz do Operário” instituição opressivo, na defesa e amplas centenária em prol da cultu- liberdades e da democracia. ra e do bem-estar de todos os “A Voz do Operário” foi sem- seus associados e da socieda- pre a voz da vanguarda do de portuguesa. Ao saudar os ensino e da educação cívica e atuais dirigentes homenagea- democrática e continua a ser mos as sucessivas gerações a referência na Educação no de dirigentes desta Institui- nosso País. ção que souberam com o seu Por todas estas razões o exemplo, dedicação e empe- MURPI congratula-se com as nho nortear os seus destinos atividades desenvolvidas por na fraternidade e na defesa esta instituição na defesa dos direitos dos reformados, pen- dos direitos dos cidadãos. sionistas e idosos, desejando um longo e auspicioso futuro “A Voz do Operário” que comemora o seu 135º aniversário a bem da sociedade portuguesa. pode orgulhar-se do património cultural, educativo e da A direção da Confederação MURPI Piquenicão já mexe… Os dias passam rápidos e no calendário viram-se os meses sem quase dar por eles. Pois é; ainda está na memória o êxito do último Piquenicão que levou ao Alentejo mais de quatro mil pessoas. A mobilização foi do MURPI e a aderência cresceu. Este ano o 23º Piquenicão volta ao Alentejo; será em Montemor e em Junho. E já mexe pois as organizações parceiras do MURPI, associações, federações, os que irão abrilhantar aquele dia com animação cultural já ensaiam para apresentar as “melhores artes”. E que mais dizer aqui ?... TODOS AO PIQUENICÃO ! – Pois claro. Era isto que faltava dizer. Encontramo-nos por lá: Montemor, junho próximo. Fique atento à informação que, não tarda, aparecerá por aí… Crianças palestinianas presas – ONU contesta O julgamento da jovem palestiniana Ahed Tamimi decorreu num tribunal israelita. O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) recorda a exigência da libertação de todos os presos políticos palestinianos, em particular de todas as crianças e jovens, das prisões israelitas. Recorde-se que mais de 300 menores palestinianos se encontram presas e são frequentes detenções e interrogatórios a que os submetem, bem como as agreções físicas, privação do sono, prisão solitária e outras formas de tortura. As crianças são obrigadas a confissões forçadas, uma inadmissível violação de elementares direitos humanos. È urgente reafirmar solidariedade para com o povo palestiniano. É urgente que estas crianças tenham uma vida livre, independente e de paz.É urgente respeitar as resoluções pertinentes da ONU. O CPPC apela a todos os amantes da paz para que façam ouvir a sua exigência pela libertação de todos os presos políticos em particular de todas as crianças e jovens. Texto adaptado do Apelo da Direcção do CPPC Falar de Mulheres Neste mês de Março, em que em memória das heroicas mulheres de Chicado se consagrou o dia 8 como Internacional e a todas elas dedicado cabe aqui falar de um escritor português: Manuel Dias Duarte, um lisboeta da década de 40. Iniciouse na ficção em 1999. O seu douto saber partilha-o com os alunos da UNIESTE, universidade senior radicada no Clube Estefânia. É lá professor. Manuel Dias Duarte através de uma investigação profundissíma levou ao prelo em 2004, “Portugália Uma História de Portugal no Feminino”, que a Editora Ausência levou às bancas e logo esgotou. Trata-se de um despretencioso ensaio sobre a condição da mulher portuguesa ao longo dos tempos. Dez anos depois (2014) volta ao tema feminino e publica “Mulheres com Poder e Autoridade” igualmente esgotado. Entre 1983 e 2014 o escritor publicou mais de dez obras. Mulheres – Igualdade não tem idade Amélia Vicente na recepção do Seminário Só após o 25 de Abril as mulheres viram reconhecidos os seus direitos. A legislação trouxe às mulheres aceitação e reconhecimento em igualdade com os homens. No ano de 1974 publica-se legislação que revoga preceitos, permitindo às mulheres novos cargo. E a Constituição da República, em 1976, no artigo 13º estabelece o princípio da igualdade entre cidadãos. No entanto, ainda hoje se verificam muitas situações em que as mulheres são vítimas de discriminação. Por exemplo, as remunerações médias das mulheres são inferiores às dos homens, assistindo-se a um diferencial de 16,7% – as mulheres auferem 824,99 € € e os homens 990,05 €1. Além disso, apesar do crescimento da presença feminina no mercado de trabalho e do nível de escolaridade das mulheres ser desde há largos anos superior ao dos homens, constata-se que à medida que aumenta o nível de qualificação, maior é o diferencial salarial entre homens e mulheres, não existindo também uma alteração equivalente no acesso aos cargos de decisão das empresas. No que diz respeito à população idosa, apesar das mulheres terem uma Esperança Média de Vida à nascença superior comparativamente à dos homens, os anos de vida saudável à nascença são inferiores. Verifica-se também que as mulheres mais idosas são maioritárias no nível de escolarização mais baixo, o que não é de admirar porque no passado o acesso à formação era amplamente desencorajado, sendo-lhes incutido o papel de permanecer em casa a tratar da família e da lide doméstica. Em Maria Amélia Vicente consequência, atualmente as mulheres idosas constituem o grupo mais pobre da população porque as suas pensões são muito baixas, o que determina também menos acesso à saúde, maior isolamento e maior probabilidade de incapacidade. Pese embora esta situação, as mulheres reformadas tiveram e têm um papel muito importante no seio das Associações de Reformados na luta por melhores condições de vida e na defesa dos seus direitos. Ela são também um importante elemento dinamizador das atividades de índole social, lúdica e cultural promovidas pelo movimento associativo dos reformados. Importa valorizar o seu papel como dirigentes do movimento associativo na exigência de um aumento significativo das reformas e das pensões, na melhoria das condições de acesso ao SNS e a equipamentos de qualidade para todos os que necessitem de apoio social. Termino com um pequeno excerto do Poema “Revolução e Mulheres” de Maria Velho da Costa2: Elas são quatro milhões, o dia nasce, elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café… Elas fizeram greves de braços caídos. Elas brigaram em casa para ir ao sindicato e à junta. Elas gritaram à vizinha que era fascista. Elas souberam dizer salário igual e creches e cantinas… Elas iam e não sabiam para aonde, mas que iam. Elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café esfriado. São elas que acordam pela manhã as bestas, os homens e as crianças adormecidas. 1 Dados do Boletim Estatístico 2017 da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género. In “Cravo”, Dezembro 1975 2 In “Cravo”, Dezembro 1975

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Saúde 7Março/Abril 2018 | A Voz dos Reformados Hipertensão arterial (HTA) Margarida Lage Médica O que é a Hipertensão arterial? Considera-se que há hipertensão quando em medições consecutivas há aumento da tensão arterial. Um valor alto, isolado, não significa, hipertensão. A HTA é como todos sabem, mas nunca é demais recordar:uma das causas de doenças vasculares graves como AVC e Enfarte de Miocárdio. Então é necessário evitá-la tanto quanto possível e tratá-la quando necessário. Os limites têm sido discutidos ao longo dos anos, os critérios têm variado, mas, atualmente, considerase que o limite a não ultrapassar é de 140/90mmHg. O que se sente se se tem a TA elevada? Um dos problemas da hipertensão é o facto de não provocar sintomas. É comum as pessoas pensarem que, se têm cefaleias ou tonturas é porque estão com tensão alta ou porque estão demasiado medicadas e necessitam parar a medicação. São dois erros frequentes. A hipertensão é habitualmente assintomática e um indivíduo pode sentir-se bem e estar com valores excessivos. Por outro lado, um doente medicado para hipertensão e controlado, pode com esse controlo sentir-se mal, com tonturas, por exemplo. Não deve suspender a medicação. Consulte o seu médico ou pelo menos faça uma medição de TA. Se ela estiver bem, dentro dos valores desejáveis, não reduza a medicação. Com o tempo essa sintomatologia passa. Como evitar a Hipertensão? A primeira medida é a revisão dos hábitos de vida e alimentação do indivíduo. Quanto mais cedo começar essa atitude a ser posta em prática maior a probabilidade de obter resultados.Por isso presentemente os pediatras e clínicos gerais que seguem crianças insistem que , desde sempre, se use cautelosamente, ou não se use de todo, o sal e o açúcar. É mais fácil manter bons hábitos adquiridos na infância que alterar maus hábitos já enraizados. Para os mais idosos e que vêm do tempo da «carne de salmoura» e das «chupetas com açúcar» é o grande desafio, mas atingível, de mudar hábitos a tempo. Obesidade e HTA O excesso de peso é um dos fatores habitualmente associados a tensão arterial alta. A alimentação deverá ser, por norma, adequada ao dia a dia do doente. Um trabalhador rural, um operário da construção civil, por exemplo, consegue gastar muitas calorias e por isso, mesmo que faça uma vez por dia uma refeição mais copiosa, não vai atingir excesso de peso. Na reforma e com o avançar da idade, quando o esforço físico já não é tão necessário ou quando passou a ter uma vida mais sedentária como ler, ver televisão ou trabalhar com o computador, é fácil começar a ganhar peso, se não houver cuidado em evitar excessos. Escolher alimentos menos calóricos, elaborados de maneira simples (cozidos, grelhados), acompanhamentos essencialmente vegetais e acima de tudo cuidar dos temperos e excluir os doces da alimentação. Uma marcha diária de 3/4h a 1 hora é sempre benéfica. Temperos e Hipertensão O tempero mais utilizado no nosso país é o sal (ou cloreto de sódio) que está diretamente relacionado com o aumento de TA. Para evitar e combater a Hipertensão há múltiplas estratégias que podem ajudar-nos: temperos como piri-piri, pimenta, sumo de limão, vinagre de vinho ou cidra, complementos como o alho e a cebola, ervas aromáticas como a salsa, coentro, manjericão, orégãos, tomilho, cominhos, alecrim, podem dar sabores variados aos alimentos, sem utilizarmos sal. Claro que algum sal é necessário no nosso organismo mas, o sal que entra na constituição dos alimentos, particularmente proteínas de origem animal é o suficiente para suprir as necessidades diárias de sódio do corpo humano. Convém lembrar que os produtos pré-cozinhados e as conservas, contêm excesso de sal, tal como os enchidos, o bacalhau e toda a salsicharia tem demasiado sal, pelo que devem ser drasticamente reduzidos e preferencialmente evitados.Até as conservas de vegetais, como ervilhas, cenouras, cogumelos, têm adição de sal, pelo que é preferível serem consumidas estes alimentos frescos e não conservados. Passar rapidamente de uma alimentação com sal adicionado para uma dieta sem sal, tem que ser feito de uma forma ponderada e imaginativa, para que os alimentos tenham sabor. Ao cabo de algum tempo e utilizando a diversidade de temperos já referida, a alimentação torna-se agradável e o doente conclui por si próprio que esses condimentos, criteriosamente utilizados conforme os alimentos, dão melhor sabor à comida. A dieta não sigifica sensaboria, pois, se assim fôr, ninguém consegue mantê-la. Chá e café e Hipertensão Tem sido comummente aceite e divulgado pelo público em geral que o café e o chá constituem causa ou agravante de Hipertensão. No entanto o consumo moderado de café (até 3 chávenas/ dia) não provoca nem agrava HTA. Pode, a seguir à ingestão de um café, haver uma ligeira subida de TA, mas não é duradoura e é segura. O chá também não tem qualquer efeito direto sobre a HTA. Ambas as bebidas são por vezes conotadas com aumentos de ansiedade, em indivíduos predispostos, chegando a acontecer que após ingestão de chá ou café não dormem. Mas isso são reações individuais. Cada um deve adaptarse, neste caso, ao que lhe der bem estar. Claro que quem não durma após beber chá ou café não deve tomá-o a partir de meio da tarde. Se não tiver qualquer sintoma pode beber até após o jantar... Então e o álcool? Esse deve ser limitado, particularmente se há excesso de peso, tão habitual nos doentes hipertensos. O álcool tem muitas calorias e portanto favorece a obesidade. Um copo de vinho ocasionalmente não é problemático, mas, num indivíduo que tome medicação para baixar a TA o álcool pode dar sintomas de cansaço e convem evitar também por isso. Fumar tem relação com a HTA? Tem e está provado que os hipertensos que fumam estão particularmente em risco. Para além de outros malefícios do tabaco que todos conhecem, o sistema vascular é afeta- FUNDAÇÃO PORTUGUESA DO PULMÃO A tuberculose é uma doença curável! José Miguel Carvalho Médico A 24 de Março comemora-se o Dia Mundial da Tuberculose, data em que Robert Koch (em 1882) apresentou a descoberta do bacilo causador desta doença, que na época provocava grande mortalidade. Desde os anos 50 do século XX passou a haver tratamento antibiótico eficaz para a tuberculose, mas ainda muitas vezes é encarada como uma doença incurável! De facto, ela ainda se mantém em largas zonas do mundo como uma grande causa de morte, mas porque aí não existe tratamento organizado, disponível para as populações. No nosso país, o tratamento existe e é gratuito. Todos os que tenham sintomas suspeitos de doença – tosse, expetoração, quebra do estado geral, suores nocturnos, e com uma evolução arrastada – devem recorrer aos serviços de saúde. Não há que ter medo e deixar arrastar a doença: se fôr tuberculose, o tratamento resolverá o problema; quanto mais precocemente se iniciar, menos risco de complicações e mais se evita a fase de risco de contágio que a tuberculose pode ter. Apesar deste risco, devemos perceber que ninguém adoece por querer e não esquecer que os nossos familiares e amigos devem ter a nossa solidariedade e apoio, para se sentirem motivados para recuperar e para cumprir rigorosamente a toma da medicação até ao fim do tratamento. Portugal tem tido uma evolução positiva, com redução progressiva do número de casos e com taxas de cura que nos permitem encarar com optimismo o futuro. www.fundacaoportuguesadopulmao.org do especialmente pela nicotina. Cada cigarro faz contrair os vasos sanguíneos, aumenta a TA e contribui para a calcificação vascular. Medicação Hoje em dia, e após tentar controlar a TA só com medidas de higiene alimentar e exercício, por vezes o médico conclui que isso não é suficiente. Há uma panóplia de medicamentos no mercado farmacêutico que o seu médico irá escolher de acordo com a sua situação clínica. Se nuns casos apenas um medicamento, noutros casos há que necessitam dois ou mesmo três em associação, para obter o efeito desejado. Deixe a escolha, dose e prioridades da medicação ao critério do seu médico e se não se sentir bem comunique com ele. Não faça alterações de dose e/ou medicamentos por sua iniciativa. Como já atrás se disse por vezes não é quando se sente pior que está melhor, e o contrário também pode ser verdadeiro.

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8 A Voz dos Reformados |Março/Abril 2018 Última página Palavras de Paz Pelo desarmamento nuclear O Pentágono deu a conhecer, no dia 2 de Fevereiro, os eixos da revisão da política nuclear dos EUA (NPR). Trata-se de um passo particularmente perigoso na escalada militarista que marca o nosso tempo e, a não ser contrariada através de fortes iniciativas a favor da Paz mundial, poder ter catastróficas consequências para a Humanidade. Com a NPR, a Administração norte-americana assume a intenção de expandir, desenvolver e modernizar o seu arsenal de armas nucleares e diversos componentes da chamada tríade nuclear composta por mísseis balísticos intercontinentais terrestres, bombardeiros estratégicos e mísseis balísticos lançados por submarinos. Além do mais, admite a possibilidade da utilização de armas nucleares por outro tipo de vectores e a instala ção de um sistema antimíssil de âmbito global, particularmente visando a Rússia e a China, rompendo assim com acordos de desarmamento, como o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio, de 1987. Não menos preocupantes são os motivos com que se pretende justificar esta revisão da política nuclear dos EUA, reveladores de uma política externa belicista, ao apontar como alvos a China e a Rússia, em primeiro lugar, mas também a Coreia e o Irão. O novo incremento do poderio nuclear norte-americano dirige-se a ameaças convencionais, químicas, biológicas, nucleares, espaciais e cibernéticas, mas também ditos actores violentos não estatais e admite a possibilidade de um primeiro ataque nuclear pelos EUA mesmo contra adversários não possuidores de armas nucleares. Esta revisão da política nuclear norte-americana promover a corrida aos armamentos, com graves implicações no aumento dos já fabulosos gastos militares ao nível mundial e num cada vez maior risco de conflito entre potências nucleares. A propósito disto, há que não esquecer que os EUA foram o único país a usar armas nucleares e são os que mais gastam com o seu arsenal e, em geral, com armamento. Além disso, a utilização de apenas uma pequena parte das armas nucleares hoje existentes bastava para por fim à vida na terra. Face a isto, o desafio que a Humanidade tem perante si não é o da expansão, desenvolvimento e modernização dos arsenais nucleares actualmente existentes, mas, pelo contrário, a da sua redução e total eliminação. Para o CPPC, é tempo de avançar decididamente com iniciativas que tenham em vista a redução da actual tensão internacional e a promoção do desarmamento geral, simultâneo e controlado, objectivo para o qual contribui a entrada em vigor do Tratado de Proibição de Armas Nucleares. O MURPI exige do CES que cumpra a Lei O presidente do CES cometeu um grave erro ferindo a deontologia a que no cargo se obriga e o MURPI aqui o denuncia e reprova. Na sede do Conselho Económico e Social (CES) no dia 31 de Janeiro último, teve lugar uma audiência com o presidente da Direcção da Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI). Todavia e até ao dia de fecho desta edição, o MURPI não recebeu a informação oficial da decisão tomada e assumida naquela audiência. O MURPI manifesta aqui publicamente a sua estranheza. Na realidade, o propósito da referida audiência foi a confirmação do acto de imposição de uma medida anteriormente tomada na proposta do presidente do CES para a designação dos representantes das organizações representativas dos reformados, pensionistas e aposentados. A atitude do CES constitui – e é por demais evidente –, uma flagrante injustiça O MURPI é uma organização de reformados pensionista e idosos integrados num colectivo nacional de mais de três milhões de portugueses. O MURPI já se revelou, como entidade idónea através do seu passado histórico e político de luta, ao longo de quarenta anos. Por isso releva ser esta pretensão - exigência de ser parceiro social – defendida desde a realização do 1º Congresso e repetidamente aprovada em Congressos posteriores. Durante a sua existência esta Confederação protagonizou na sociedade portuguesa o único projeto mobilizador do movimento associativo na defesa dos direitos dos reformados, na defesa dos seus valores culturais e em projetos de apoio social solidário, fortificando a solidariedade intergeracional e promovendo o envelhecimento ativo. Os pensamentos facciosos, preconceituosos e arbitrários são con- trários às exigências constantes no edital de abertura das candidaturas. Tais “posturas” evidenciam uma gratuita decisão de discriminar. Atitude que terá contornos de humilhação para além de que favorecem outras candidaturas bem menos representativas da classe que há 40 anos representamos. Como exemplo – e censure-se o critério –, a MODERP com dupla representatividade no CES. Tomando por base a Lei vigente, deveria ter sido eliminada aquela sua candidatura.Trataram em pé de igualdade o que é desigual. O presidente do CES cometeu um grave erro de apreciação. Revelou nisso a sua obtusa parcialidade e um favorecimento injustificado. “Tal comportamento merece a nossa reprovação pois não respeitou a dignidade do cargo a que devia estar obrigado” disse ao VR o Dr. Casimiro Menezes, presidente do MURPI, que concluiu: “Por todas estas razões exigimos que a decisão seja anulada e que, por critérios de justiça e de direito, seja reconhecida ao MURPI - Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos um lugar de representação permanente no CES”. Morreu Varela Gomes O Capitão que afrontou Salazar em 1961 Maria Leonor Quaresma (*) Jornalista João Maria Paulo Varela Gomes (1924/2108) distinguiu-se pela sua acção revolucionária mas os mass-media não relevaram a sua história. Foi o primeiro oficial do exército (1961) em período de Guerra Colonial a tentar derrubar a ditadura. Com Humberto Delgado na retaguarda, (e clandestino em Portugal) activou um movimento para assalto ao Quartel de Beja a 31 de Dezembro e levou tropa armada. Beja na mira mas o golpe falhou. Morreram antifascistas e, curiosamente, por engano um oficial do regime morto pela tropa de Beja. No dia seguinte saía um suplemento no Diário de Notícias mas o relato era todo ele uma mentira. E a falsa versão tornou-se pública. A notícia “cozinhada por Augusto de Castro, a 1 de Janeiro de 1962, tinha uma construção longa e patética. (A edição especial do DN nº. 34.426, de 1 de Janeiro de 1962, pode ser consultada na Biblioteca Nacional, no Campo Grande em Lisboa) – Varela Gomes (em 1961 caso de Beja) afrontou Salazar. O feito do capitão Varela Gomes terá sido o “embrião” que germinou em 25 de Abril de 1974. – Os jornais estavam proibidos de “falar” diferente. O carrasco era César Moreira Baptista – lacaio do regime no SNI do lápis/Azul, impedindo aos jornalistas o direito de informar. Não foram os homens de Varela Gomes quem matou em Beja. Soubese por dois homens de Almada, António Santos Pereira e um seu primo que faziam parte do grupo que se juntou a Varela Gomes em Álcacer. “A morte do sub-secretário do Exército, tenente-coronel Jaime da Fonseca aconteceu por engano aos disparos das tropas da Unidade de Infantaria de Beja. Confundiram-no com os revolucionários. O capitão Varela Gomes foi recebido a fogo de metralha”. Tombou gravemente ferido e o golpe morreu ali. Pior foi a sorte de um antifascista (Chico do Baleizão) que tombou sem vida. – No DN a reportagem nada refere nem identifica essa morte. No DN Augusto de Castro fez Jaime da Fonseca ban- deira e vítima dos homens de Varela Gomes. – E era mentira… O grupo de Varela Gomes, tropa e civis foram presos pela PIDE. (*)Relatos recolhidos numa entrevista com António Santos Pereira e Filipe Assunção Lopes, dois dos homens que integraram o movimento de Beja em 1961.

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