Confrades da Poesia95

 
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Poesia Lusófona

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano IX | Boletim Mensal Nº 95 | Março 2018 CONFRADES DA POESIA www.confradesdapoesia.pt - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO/UNIVERSAL» Neste ano 2018 vamos iniciar as edições do nosso boletim, na expectativa de que ele progrida em cada ano transformando-se num elo mais forte em prol da poesia. Nesta conformidade esperamos uma colaboração mais empenhada de todos dos nossos poetas membros que nele participem, para que o nosso boletim dignifique cada vez mais a poesia e seja um verdadeiro orgulho para a nossa organização poética. SUMÁRIO EDITORIAL Capa: 1 A Voz do Poeta: 2 Ecos Poéticos: 3 / Bocage: 4,5,6,7 / Reflexões: 8 Contos e Poemas: 9 Confrades: 10,11,12 / Tribuna do Vate: 13 / Cantinho Poético: 14 / Rádio: 15 / Ponto Final: 16 O BOLETIM Mensal Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono e outros países “; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona, no acréscimo da Poesia Universal e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Para nós não existe concorrência. Existem parceiros de actividade! Tribuna do Vate …. página 13 Rádio Confrades da Poesia Nesta edição colaboraram 56 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Revisão: Conceição Tomé e Ana Pereira A Direção: Pinhal Dias - Fundador Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Mendes | Amália Faustino | Ana Pereira | Ana Santos | Anna Paes | António Barroso | António Boavida Pinheiro | António Martins | Arlete Piedade | Arménio Correia | Artur Gomes | Carla Carvalho | Carlos Alberto S Varela | Carmo Vasconcelos | Catarina Malanho | Conceição Tomé | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson Ferreira | Efigênia Coutinho | Ernesto Dabo | Euclides Cavaco | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Helena Fragoso | Henrique Lacerda | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | Ivanildo Gonçalves | João Coelho dos Santos | João Furtado | José Chilra | José Jacinto | José Maria Gonçalves | Lili Laranjo | Liliana Josué | Marco Alvarenga | Maria Alexandre | Maria Fonseca | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Moreira | Maria Petronilho | Maria Rita Parada dos Reis | Maria Vit. Afonso | Natália Vale | Paco Bandeira | Pedro Valdoy | Rita Rocha | Rogério Pires | Rosa Branco | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Teresa Primo | Tito Olívio | Vitalino Pinhal | Vó Fia | Zzcouto | … Ver restantes no site.

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2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 95 - Março 2018 «A Voz do Poeta» O QUE SE SABE DA VIDA O SOL E EU INTERNET Hei de inventar a melhor maneira de morrer por ti, Quando tenho tanto amor para te dar, tantas palavras para te dizer e que ficam no mais íntimo do meu ser. Um fracasso que carrego comigo, como se o tempo deixasse de ser uma medida para passar a ser apenas uma forma de sentir. Morro por ti, pelo teu corpo que desejo, pelas inúmeras vezes que impedi que os nossos caminhos se cruzassem, mesmo sabendo que as diferenças existiam e que não éramos da linhagem de um mesmo tronco. Cansei-me da minha fixação por ti, dos amores por alimentar, das minhas esperanças desgastadas. Corro sem destino, repleto de cansaço. O desfecho, aflige-me. Continuo na busca de ti, a braços com um passado Que me deixa prostrado, porque não estás. O sol e eu Quase iguais porem O sol um dia nasceu E eu nasci também No mundo da internet Há coisas boas e más Quem por bem nela se mete Muita ajuda a todos traz. Isto não são manias E afirmo com altivez Ele nasce todos os dias E eu só nasci uma vez .. refrão Maravilhosa invenção Que veio o mundo mudar Veloz comunicação De utilidade sem par. Tantas vezes penso eu Ao ver a noite chegar O sol, lá foi morreu E amanhã vai ressuscitar Podemos através dela Fazer novas amizades É como que uma janela Espreitando as novidades. Penso isto quando me deito Mas que grande confusão Isto assim não tem jeito O sol volta e eu não .. refrão Faz-se nela transacções Reencontra conhecidos Concretizam-se uniões Entre esposas e maridos. Morrerei por ti, numa ânsia que é objetiva, Mas suficientemente subjetiva para completar o meu destino: Tu, apenas tu, me tornas cego e ridículo. Pões-me a alma em frangalhos, reduzes-me a um estado de inércia, apenas ultrapassável quando morrermos juntos, pelos desejos que nos devoram e queimam, ecoando nos nossos peitos ofegantes pela paixão ardente que nos consome. Natália Vale - Porto Refrão Nasce o sol atrás da serra E morre atrás do mar Também eu quando nasci Foi apenas para te amar Mas para te encontrar Eu saí da minha terra Morrendo atrás do mar Nasce o sol atrás da serra. Chico Bento - Suíça SOLUÇO Nas zonas do vício … Meio de consulta e ciência Ensino e mais benefícios Mas por gente sem prudência Para fins menos propícios. O valor lhe seja dado Com mérito mais profundo Por ter tão aproximado Os povos de todo o mundo. Euclides Cavaco - Euclides VIDA Ao cair da noite Fecho-me, espero-te Sei que chegas Em forma de suspiro Quase sinto o teu calor E o beijo que queima. Como todas as noites Soluço baixinho Digo-te, amo-te Quando devia gritar, odeio-te. Sempre estive só Mas todos os minutos te aguardo E quando a lágrima cai Desperto, aperto o coração. E uma sombra vazia Desliza no meu olhar Outra vez tu no meu sonho Espero-te amanhã amor E fica até eu acordar Seringas conspurcam as velhas calçadas… Um carro suspeito vasculha a colina… Catarro e gemidos copulam na esquina Com cio de vícios nas veias furadas Submete-se ao chicote a essência do ser… Se implantam raízes num chão sem futuro… Valores se empenham num jogo imaturo Sem trunfos nem ases para o jogo vencer Loucuras perfilam-se em olhos sem luz… Vomitam-se sonhos p’la droga azedados… Engolem-se medos p’lo chão arrastados E p’la lama se arrasta o peso da cruz Os ventos da morte desfolham a esperança Deixando o vazio e levando o amor… Se incinera o ego num fogo estupor Reduzindo a cinza… o sorriso criança! “A droga não é só um vício de merda! É uma auto estrada sem portagem para a morte prematura! “ É sentir o cheiro da noite é sentir o cheiro do dia é ver no outro bondade: esse sinônimo de alegria É ter paz de noite e de dia é querer ajudar alguém! Sem desprezar ninguém, para ver o sol e a lua.... É ver um sorriso do filho para ser dois a confirmar: é preciso saber amar, com carinho e beijinho. Para que a natureza transmita sempre a paz... Mas o homem não é capaz: de respeitar com firmeza.... Luís Fernandes - Amora Sara da Costa - Corroios Abgalvão - Fernão Ferro

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 95 - Março 2018 «Ecos Poéticos» 3 “ O NOSSO AMOR MEU AMOR “ Já gostei quando cantei e do palco te vi Vi ternura em teus olhos e cantei para ti Vesti as minhas canções com o melhor p´ra te dar E despi as emoções em troca do teu olhar Nosso amor meu amor não é uma miragem É uma longa viagem sem fim Nosso amor meu amor faz-nos sempre sonhar E é tão fácil gostar assim Gostei de ti quando te vi no palco a cantar Gostei de ti e senti tanto amor p´ra te dar Gostei de ti e pensei em seguir os teus passos E a sonhar te beijei e acordei nos teus braços Nosso amor meu amor não é uma miragem É uma longa viagem sem fim Nosso amor meu amor faz-nos sempre sonhar E é tão fácil gostar assim. Carlos Macedo – Foros de Amora UM ADEUS MAGOADO (morreu a nossa cadelinha Matilde) Os dias trazem tristes momentos Ferozes registos da nossa história Feitos de vis acontecimentos Que não mais sairão da memória. Batem as horas instantes de alegria Que passam por nós esperançosos Mas depois cai-se um tanto na magia Dos luares perenes, buliçosos. Hoje registámos um adeus magoado A nossa cadelinha, velha e doente, morreu Amiga, companheira, um Ser amado Sentiremos a tua falta e tua dedicação O nosso mundo, num abalo estremeceu Ao parar de bater teu coração. Mário Matta e Silva - Lisboa 6 de Fevereiro de 2018 Onde Estás? Em sonhos, Caminhas a meu lado De mãos entrelaçadas… Avançamos no tempo. Procuramos construir O meu, o nosso mundo. Mas pensas nos outros. Vives mais para os outros… Para ti, Só existem outros. E é por isso Que ofereço apenas A minha amizade. Por isso sou tua irmã. Por isso, a ti, te basta… Irmã por natureza. Irmã que te respeita Irmã que se orgulha de ti, Mas que continua a perguntar: - Onde está o companheiro? João Ferreira – Qta. do Conde DESPI-ME DE MIM! Em devaneio, despi-me de pudores e preconceitos. Despi-me de mim… Anda, despe-te comigo. seremos um só numa perfeita simbiose de corpos nus, perfeitos, numa entrega total. Anda… completa esta sã loucura, este desejo que tenho de te ter em mim. Só assim poderei alcançar a felicidade, Inexistente quando não sinto os teus braços apertarem o meu corpo febril de paixão de ti. Tinjo de purpúreas cores os lençóis da nossa cama, para poder dizer-te: anda. Usufrui deste selvático deleite que apenas o nosso amor, a nossa união, te conseguirá comprazer. Devaneios salutares, são os que quero para nós. Natália Vale - Porto Voar sobre o tempo Somei aos sonhos alegrias, E às esperanças um desejo. Distribuí o amor pelos dias, Com um abraço e um beijo! Adicionei vales aos montes, Troquei searas por carinhos, Ofereci as nuvens às fontes, E subtraí às árvores ninhos! Misturei água com a tristeza, E encaminhei-as para o mar... Juntei aos caminhos a beleza, E prendi à felicidade o olhar! Grata esta bucólica sensação, De amar a natureza onde vivi, Põe a felicidade no coração, Que ao vê-la, feliz lhe sorri! José Maria Caldeira – Fernão Ferro Mulher da minha terra, carrega mundo nas costas Penúria no ombro E mesmo com dificuldades nas pernas Leva na cabeça a esperança ... e um amor imensurável no coração! Amália Faustino - Praia/Cabo Verde NOITE FRIA É noite escura de breu, Fria e de solidão, Mas no teu peito e no meu, Há o calor da paixão. Na noite triste e agreste Com sonhos por desvendar, O nosso amor se reveste, De ilusões para sonhar. Enquanto a noite arrefece E gela as pedras do chão, O nosso amor nos aquece A alma e o coração. Se o frio aperta lá fora, Tornando triste o caminho, Sempre a paixão revigora O nosso amor e carinho. Sinto que o frio tropeça Nas ilusões e desejos; Mas não há frio que arrefeça, O calor dos nossos beijos. Isidoro Cavaco - Loulé

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4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 95 - Março 2018 «Bocage - O Nosso Patrono» A Mulher É Como Um Livro Nostalgia Dor de Amor A mulher é como um livro Antes de se folhear Tem beleza, tem doçura Que mistério tem no olhar Mas depois do livro lido O livro não presta mais A não ser que haja um motivo Que faça voltar atrás A não ser que haja um motivo Que faça voltar atrás Eu tive um livro tão lindo Um livro que li tanta vez Um livro que me roubaram Um livro chamado Inês E as páginas desse livro Já não voltarei a ler Porque esse livro que adoro Tem por dono um outro ser Porque esse livro que adoro Tem por dono um outro ser Li tantos livros na vida Cada livro é uma lição São livros que não me importam Livros em segunda mão Mas esse livro que eu amo E a outro ser faz feliz Que não se esqueça jamais Fui o primeiro que eu li Que não se esqueça jamais Fui o primeiro que eu li Paco Bandeira - Estremoz Ter nostalgia ... É sentir Na alma profundamente A saudade de quem parte Para sempre , ou está ausente. Ter nostalgia... É viver Os instantes que passaram Cujas memórias não morrem E que connosco ficaram. Ter nostalgia... É sonhar De poder voltar atrás E reviver do passado O prazer que foi fugaz. Ter nostalgia ... É lembrar A mocidade perdida E os momentos mais belos Que existiram na vida. Ter nostalgia... É cantar Um fado por melodia Que ao cantá-lo acorda em nós Uma eterna nostalgia !… Euclides Cavaco - Canadá Os girassóis de Van Gogh PRIMAVERA Colhi meus girassóis... Se olhavam tristes. E os coloquei no vaso dos guardados, Onde, só, a beleza nunca existe, Pra sempre poder vê-los abraçados. As plantas começam a romper! Sinal de Primavera!!! A Vida a Renascer!!! A Ressurreição a Acontecer!!! Pintei-os, um a um... Eu quis assim. E dei-lhes por moldura a poesia, Do pólen espargido de um jasmim. E o pincel quis dar forma ao que sentia. Ó natureza morta sem anseios! A dor seca a vida dos teus veios, Não chorem, girassóis ao meu olhar! Dia dos Namorados! O Amor a Renascer! A VIDA renasce das cinzas! A Quaresma a Acontecer! A POESIA a NASCER! - Alegrem-se! Feliz os mostro ao mundo E no vaso me assino: um moribundo Que, enfim, os pode imortalizar! Filipe Papança - Lisboa Naquele tempo, andando a teu lado, Dos rapazes, eu era o mais feliz! Por todos eles era invejado A cada um deles… fiz infeliz. Muitos te queriam… que eu sabia… Mas… sem culpa alguma… pois te amava, Era feliz quanto queria, quanto podia, E em meus versos, alegre te cantava. P’ra sempre esse tempo lembrarei! Por nosso amor, então, muito cantei! Fui feliz, como ninguém, minh’amada. Hoje, estamos longe, meu Amor! Razão maior, em mim, de tanta dor! Dor d’amor hoje ainda tão cantada. JGRBranquinho - “J. Little White” Quinta da Piedade, 3 de fevereiro de 2018 Ecos da Primavera Gosto de escutar os ecos da Primavera, Da chuva a tamborilar na janela, Do calor do sol, do cabelo ao vento, De ficar a sós com o meu pensamento. Do renascer da vida, nas formas e cores, Da exuberância e perfume das flores, Das águas errantes, galgando o desfiladeiro, Do canto do Cuco, da Primavera mensageiro. De sentir o pulsar inaudível da Terra, De aspirar o ar leve e resinoso da serra, De inalar o cheiro da terra molhada, E da relva que acabou de ser cortada. Contemplar o infinito, onde o mar se esbateu E se fundiu com o azul anilado do céu, De seguir o voo das aves, riscando o espaço, De sentir o calor amigo de um forte abraço. De perscrutar as cintilantes estrelas, E, saber, que tanto eu, como elas, (Mesmo que me digam o inverso) Fazemos parte do mesmo universo! Eliane Triska - Porto Alegre / BR São Tomé - Corroios

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 95 - Março 2018 «Bocage - O Nosso Patrono» 5 Violência Terras do meu país ALI PARADA!!! De olhar triste de quem não esquece Está uma mulher amedrontada e infeliz Porque alguém que a não merece Fez dela tudo o que quis! Trabalhou, estudou e teve filhos, Que não percebiam o que passava Algumas vezes lhe ouviram os gemidos Mas nunca questionaram porque chorava Levou pancada, passou fome Foi humilhada e anulada Mas no seu corpo adormecido Foi muita vez violada! Violência sexual, psicológica, o que for Ou tudo a que isso se resume Ela foi corpo usado feito amor Que não foi paixão nem lume! Regina Pereira - Amora Sonho mais que perfeito Já não sou mais o que fui Mas ainda sou quem era Meu coração não exclui A paixão de uma quimera… Lisboa inspirou Camões Serás tema de mil canções Porto e ponte D. Luís Coimbra dos trovadores És cidade dos doutores É do turista chamariz Beira baixa na montanha Cova da Beira Idanha Beira alta eu destaco Chaves águas bebidas Que são da mais conhecidas A Gralheira e Buçaco Guimarães berço da nação Com esse nobre brasão Caldas cheias de primor Afonso Henriques breve Nos campos de São Mamede P’la rainha Leonor Madeira não há igual Presépio de Portugal Outras que aqui não estão Beira Litoral também Algarve, Faro, Santarém São terras da mesma nação. José de Frias Almeida Mulher parada na esquina Com um olhar vazio e triste Será que ela se acha divina? Porque esse olhar em riste? Quem sabe o que pensa a mulher Será bôa pessoa ou uma assassina? Talvez uma mulher qualquer Parada atoa na esquina. Toda vestida de preto Pensando na vida ruim Na vida que é sem jeito Não é bom viver assim. Lá está a mulher parada Não faz nem bem e nem mal Apenas olha a rua empoeirada Está entediada ou é anormal? As pessoas passam caladas Olham a mulher e pensam mal Com ela não falam não são ousadas. Imóvel lá está a mulher E lá ficará até o infinito Ninguém saberá o que ela quer. Maria Aparecida Felicori {Vó Fia} Nepomuceno Minas Gerais Brasil Na longa estrada da vida Com intempérie ou bonança Nos percalços da subida, Redobrei sempre a esperança… PERCURSO Carrego ainda no peito Um sonho mais que perfeito De ver seguir a humanidade Pelos trilhos da felicidade! Depois de ter naufragado por mares não navegados, tenha emergido da tempestade que criei a mim próprio, quando a confusão sentimental se instalou ao ter tocado no meu olhar um outro olhar! São Tomé - Corroios Penso que foi isso mesmo que originou o naufrágio da minha embarcação que, quase sem remos e com o casco muito mal tratado, deu à costa da vida! Hora Convertida Mergulhos e sonhos Na réstia de vida Caminhos tristonhos Hora convertida Mário Juvénio Pinheiro Amora Fiz uma travessia inimaginável, pois, nunca suporia que as estrelas perdessem o brilho dos sonhos e que o porto de abrigo que ali parecia real, viesse a transformar-se num daqueles filmes de faca-e-alguidar, e desse lugar à hecatombe de um percurso acidentado a que eu dei por terminado, quando me apercebi que navegava sobre as minhas próprias salgadas lágrimas! A vida só nos mostra o que nada mais tem para nos mostrar. E quando assim é, percursos destes, serão sempre plurais para quem sonha como eu sonhei! Joellira - Amora

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6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 95 - Março 2018 Retalhos de Infância «Bocage - O Nosso Patrono» A Morte do Poeta GRITO POÉTICO I Viajei até ao sul Ao meu berço ideal Onde o céu é tão azul Que embelece Portugal II Fui ali p´ra recordar O jardim onde brinquei Um cenário d’encantar, Mas que tão cedo deixei III Minh ’infância colorida Com sabor a felicidade Por não saber que na vida Havia desigualdade IV Nesse jardim não se somem Os meus passos libertinos Ao ver os filhos dos homens Que nunca foram meninos José Camacho - Almada (Música Menor do Porto Autor: José Cavaleiro Júnior Letra: José Camacho) Uma mensagem de dor encerra Negro silêncio, denso e profundo. Em sua marcha envolvendo a Terra O seu frio manto amortalha o mundo. Morreu o poeta, um ser risonho. Em sua vida de amor e alegria, Distribuiu risos, plantou sonhos. Hoje morre só…na noite fria! Triste, sobe ao céu e, à porta bate, Humildemente, a pedir perdão. E São Pedro diz ao pobre vate: - “Entra, o céu é teu…sem restrição!...” Marcus Vinicius de Moraes Poços de Caldas - Brasil SACADAS DE LISBOA Sacadas de Lisboa, século passado, Em cada uma, gosto bem presente, Encantam, hoje em dia, toda a gente Canta-te o poeta, deslumbrado. Expoentes maiores de tal realeza: Avenida D. Carlos, Rua de S. Bento. Ali me detenho, ou passo lento, Preso de encanto por tal beleza. Louvemos tão nobres antepassados. Que eternamente sejam recordados! Tornaram mais bela a nossa Capital. MODOS DE SENTIR E VER Homens de bom gosto! O meu obrigado! Em vossa honra, meu canto d’agrado. Aqui vos deixo, gratidão sem igual. Modos de sentir e ver Verdade que somos todos iguais, Podemos subscrever Mentes diferentes até aos Urais O que não será de comover, Subverter jamais O mundo roda, é de bem - querer, Com seres especiais, Modos de sentir e ver, Sentimentos naturais Na vida a lutar com prazer Vidas de caracteres leais Descreve quem nela viver Em prazeres de trabalhos reais Eternamente, o amor precaver, Somos todos iguais, Com diferente modo de ver… Daniel Costa - Lisboa JGRBranquinho - “J. Little White” Quinta da Piedade, 19 de janeiro de 2018 Um conselho Quando estiveres entre o sonho e a realidade Aceita um conselho sábio: Escolhe a realidade, Ela não será tão linda Como o sonho, Mas terá a vantagem De ser totalmente real. Os sonhos São fantasias de momento e Embora lindos, Nunca serão reais! Regina Pereira - Amora Ai se eu pudesse um dia Ao poder ganhar acesso Os corruptos mandaria P’ró Inferno sem regresso. Mandaria direitinho Sem jamais tempo perder Directos ao pelourinho Os que abusam do poder. Ai se eu pudesse mandar Punia com toda a ira Quem nos anda a enganar Com falsidade e mentira. Se eu pudesse obrigaria Esses d’altos honorários A viver o dia a dia Com os mais comuns salários. Ai se eu pudesse ordenar Aos vigaristas do mundo Mandava-os p’ro alto mar Mas num barco sem ter fundo. Pedófilos e burlões Assassinos e traidores Lançava-os aos tubarões Pois todos são predadores. Ai se eu pudesse fazia Do bem uma só doutrina E deste mundo bania Todo o mal que o domina. Se eu tivesse esse condão Tudo o qu’ em vão se consome Transformaria em pão Para dar a quem tem fome. Euclides Cavaco - Canadá Ferida Aberta No fastio de eternidades há sangue solto no meu corpo a ferida apoquenta-me o pensamento na sua fragilidade de coisa viva em movimento. A marca vinca-se avermelhada na pele branca e suada do esforço por não senti-la. A esperança cativa de medos busca seu porto. Longe, de mãos tentaculares, sem dedos A teia descolorida e baça das minhas palavras procura asilo na vontade que foge. É quando ergo a rubra taça da minha verdade e saúdo os enganados como eu. Liliana Josué - Lisboa

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 95 - Março 2018 7 «Bocage - O Nosso Patrono» Ave Sonhadora DE FACTO, O FATO. ave sonhadora que moras no meu peito divagas para lá do azul do céu entre as nuvens enoveladas que deixam vislumbrar o arco-íris levas a esperança a teu jeito sobre as árvores que a natureza deu buscas o alimento nas flores coradas no campo florido em tom perfeito ave sonhadora voando nas alturas no teu enlevo procuras abrigo desvias-te das torrentes de amarguras buscas na tua calma um amigo eu sonho contigo nesse espaço vou contigo num sonho irreal sobre as tuas asas atravesso o deserto rumo ao destino onde te enlaço Rosélia M G Martins – P.S. Adrião Debates, comícios... Debates, comícios e arruadas, São cenas importantes, De participações ordenadas, Dos políticos e apoiantes, Se acompanhados da honestidade!... * De facto, gosto do fato Que tenho ali, no roupeiro De facto o seu aparato É de um fato verdadeiro! * De facto eu só vesti Esse fato, poucas vezes De facto, anos ali Como se tivesse meses! * O fato, eu fui prova-lo Gostei dele, está novato… Quando calhar, vou usá-lo De facto esse meu fato! * Para dizer que de facto Não é fato, não é roupa E por isso eu me bato Na escrita, como na boca… * Tal como o facto retrato Este fato em questão! Que de facto, é um fato Facto é facto, mas fato não! João da Palma - Portimão Quantas almas desfeitas, Quantos valores recusados, Por acções de forças eleitas E de políticos mal fornados, Adoro viver em Amora Esquecidos da honestidade!... Os seus contraditórios São novelos emaranhados, Para entreter os simplórios... Ativamente empenhados, Numa ansiedade louca Procuram a cenoura, Com que encherão a boca Quando sentados à manjedoura! Já terão então perdido a honestidade! José Maria C. Gonçalves – Fernão Ferro Eu gosto de viver em Amora Pela beleza que a cidade tem! Com a brisa que desperta aurora Sinto uma grande inspiração Por tudo que Amora tem: - Parques e jardins E também muitos festins… Que me dão grande satisfação. Por isso me sinto feliz De viver nesta cidade, Com certeza porém Que tudo e mais que verdade! Porque Deus assim quis: Que mesmo longe sinto saudade A cada momento, a cada hora Eu adoro a cidade de Amora Luis Fernandes - Amora Mote: Pensando na mocidade Estou a entrar na velhice. Sou idoso, sem idade, Para ter tanta chatice. (Arménio Correia) Glosa: Cabelos da cor do linho Indicam menos frescura, Refletem toda a alvura Que ilumina o caminho, Deste caminhar sozinho Onde impera a saudade, Deixei pra traz a vontade De viver em correria, Vivo o meu dia-a-dia Pensando na mocidade. Seguirei sempre em frente Como é meu apanágio Confiante no presságio Que trago em minha mente, Farei por viver contente Sem desdizer o que disse Nem fazer muita burrice Pra não me chamarem cota, Direi com meu ar janota Estou a entrar na velhice. Caminho em passo lento De olhos postos no futuro. Procuro um porto seguro Sem um ai sem um lamento. Tento fugir com o vento À mentira à falsidade Em defesa da verdade Dou tudo o que há em mim, Antes que chegue o meu fim Sou idoso sem idade. Vou sonhando acordado Com coisas boas e más, Num mundo que nada faz Para ser mais moderado. Por vezes fico chocado Ao ver tanta vigarice Tanto dizer que não disse Só pra enganar o povo E penso…sou muito novo Para ter tanta chatice. Arménio Correia – Seixal

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8 Confrades da Poesia - Boletim Nr 95 - Março 2018 «REFLEXÕES» CRÍTICA Somos flagrados pela nossa arguta consciência.... Nos rasgamos, Nos arrastamos para as colunas gélidas da solidão, Infinitas como nossas incertezas. Nos tornamos magnatas de um império Fraudado pela futilidade do narcisismo. Nos perdemos em meio a dogmas desgastados pela moral absolutista. Sentimos, Sentimos e sentimos, Mas nada percebemos. Tantos ideais, Tantos portais a serem transpostos E ficamos inertes, Sem ter tempo pra pensar no momento de sermos únicos E assumirmos o espaço do nosso infinito. E assim, a vida se esvai....... Márcia Cristina de Moraes – Poço de Caldas / Brasil O QUE SÃO AS CRIANÇAS: As crianças acham tudo em nada, Os homens não acham nada em tudo. " Giacomo Leopardi "A criança é a consagração da vida." S. Poniazem “A criança é alegria como o raio de sol e estímulo como a esperança." Coelho Neto ♥ São beija-flores que adejam Sobre os nossos corações, E com magia os transforma De gelados em vulcões! São rosas de odor suave: São jardins d’arte e primor, Aos quais zelam um jardineiro, Que tem um nome de…Amor! São gotas de puro orvalho Brotadas pelos santos céus, São arbustos delicados, Que protege a mão de Deus! É Fundamental Encontrar O Mundo do Avesso… É fundamental encontrar o mundo do avesso… podermos ver o paraíso sonhado coberto de alvas nuvens de paz, harmonia e beleza onde pudéssemos brincar, cantar e amar na mais pura singeleza. Dia após dia mergulhar nas águas calmas para renascermos na ondulação do vento, e que o Sol prometesse, ajoelhado a nossos pés, que não mais deixaria de raiar. Que toda a sua energia nos doasse até ao seu último fôlego, até ao fim do seu crepúsculo , e nos libertasse da dor, do desalento de um mundo real onde a podridão obscura que o grassa, e os dejetos que manobram os homens sem dó nem piedade, fossem, finalmente, exterminados e pudesse tornar mais leve a caminhada, liberta das feridas e chagas desta estrada, em que apenas o Amor pudesse dominar. Natália Vale - Porto Era tão bom não era? Não , não era. O Estado rico e pobre Povo. E foram embora. No consulado "Passista e da troika" a saída repetiu-se com outras cores e gente nova. A não esquecer para não se repetir depois de 2019 se a direita ganhar e tornar a andar com o Pin da Bandeira nos fatos e no começo das folhas: “Governo de Portugal" São painéis bem decorados Co’a mais graciosa matriz, E fazem que a vida humana, Seja muito menos infeliz! São astros de uro brilho Que reflectem sobre nós Têm encantos de ventura E sua argentina voz! São estrelas matutinas Que a aurora nos vem trazer, Dissipando as negras trevas, Da tristeza e do sofrer! São fadas que nos encantam Com invisível condão, E nos guardam sabiamente, As chaves do coração! São anjos que vêem à terra, Pra os mortais animar; São as crianças as que ensinam, Os nossos peitos amar! Como é triste o céu nublado, E sem flores um jardim! Pois sem crianças este mundo, Seria também assim!” Vivei entre nós anjinhos, Vivei pra nós remir: O vosso amor nos adoça, O mais amargo porvir! Nelson Fontes Carvalho Amora Portugal José Jacinto "Django" – Casal do Marco

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 95 - Março 2018 «Contos / Poemas» 9 S. VALENTIM Janela aberta para o sol entrar Num sorriso fresco, primaveril, Neste Fevereiro que mais parece Abril, Até se ouvem pássaros a cantar… Era suposto a chuva não parar, No que parecia um Inverno de águas mil Mas hoje esta alegria juvenil, Hoje sol e amor andam no ar. Hoje sinto-me assim como este dia Perdido na imensidão da alegria Como ao beijar-te amor a vez primeira. Dizem que o dia é dos namorados Mas seja ou não, estamos abraçados E assim vamos ficar a vida inteira. Zé Pardal - Verdizela Anoitecer Anoitecer da Vida, não do dia Já que quis crer na eterna juventude Porém são de tristeza e nostalgia Momentos vagos a que a mente alude. Por caminhos rotineiros eu seguia Rumo ao futuro com muita atitude Meu percurso era de sonhos e magia Impulsos com a que a vida nos ilude. Despiciendos foram inócuos intentos Arrastada por não sensatos ventos Caí em mim. Topei minha ilusão. De mãos vazias espero o meu Fim Queria mesmo tão só fugir de mim Ou dar à vida outra construção Maria Vitória Afonso – C.Pau/Amora Ainda Há Tempo LUZ Ainda há tempo de sorrir Ver uma nova alegria surgir Ainda há tempo de chorar Ver uma lágrima de alegria escorregar Ainda há tempo de sofrer Neste sofrer, com Jesus aprender Que seu jugo é leve e suave Que neste mundo não tem nada que nos entrave Assim que esse tempo seja De esperança benfazeja Com sentido de eternidade Vivendo somente para alto Sem tropeço ou sobre salto E que seja esta a nossa realidade. Angélica Gouvea - Luminaras / BR Oh vagas ! de olhar iluminado ...... Que corre parado, sempre atento. Buscam arco-íris tão sonhado !..... Num mundo, tão cruel ...... e violento !.... Sois a vasta luz, que me aquece. Tão profunda e serena , como a morte ..... Quando meu corpo e alma arrefece .... Sinto tua luz ..... torno-me forte !!!!!! SUBJETIVIDADE Maria Rita Parada dos Reis Lisboa Se fosse eu dona dos meus encantos, enfeitiçaria todos os meus delírios, e os colocaria prostrados como aliados inertes, presos a uma lógica abstrata. Passaria então, A desligá-los Pra ser mais racional Do que qualquer ser normal. Desativaria minhas correntes elétricas Magnetizadas por imãs invisíveis E que me tornaria cada vez mais e mais poética..... Cedência inteligente Ser mulher É uma cedência consciente Não é uma subjugação Pode ser um jogo Inteligente, Ou simplesmente Um jogo de sedução! Márcia Cristina de Moraes – Poço de Caldas/ Brasil Regina Pereira - Amora …e era meio-dia! Tantans de luz e sombras, Brincavam na minha janela Como se fosse batuque Alguns em África distante! Tantans! O jogo de luz e sombra Dançavam alegremente Espreitando na janela Fui ver o que assim batia Era o pinheiro alto e imponente Que braincava com a ramada Com o sol e com o vento E era meio-dia Tantans de luz e sombra Brincavam na minha janela! Foi um momento tão curto Rápido como o pensamento, Mas tão grande como é a poesia Ou quando cheiramos um fruto Tantans de luz e sombra Brincavam na minha janela Trouxeram das distâncias do tempo Mares, desertos, Indias, Àfricas Cheiros e brilhos misturados no vento Nos tantans de luz e sombra E na dança do pinheiro A passarada cantava de poleiro Com cheiros de longe, tão longe Entrei num pequeno instante, Conheci o mundo inteiro! Imaginei em batuques Com tantans de alegria Não quis pensar em tristeza Onde ouvesse, pararia! Era um momento supremo, único E era meio-dia! E os tantans de luz e sombra na minha janela batia… Helena Moleiro – Fernão Ferro O Sol. Dia de Sol Flores vivas O azul No céu O olhar Perdido em ti. Albino Moura - Almada

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10 Confrades da Poesia - Boletim Nr 95 - Março 2018 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ MOTE: A Moda é imitação, Falha em personalidade, Que faz perder a razão. Tudo em nome da vaidade! (Hermilo Grave) GLOSA: Quem não gostará de andar Com bonita fatiota, A rigor, todo janota E, pra mais inda brilhar, Sapatos novos calçar? Mas andar todo pimpão, Como anda a multidão, Isso nunca foi comigo E, com franqueza, aqui digo A Moda é imitação, Seja ao pobre ou seja ao rico, Gritando, ordena a Moda: "Vai de roda, vai de roda... No peito, rabo de mico E na cabeça um penico!". E toda a comunidade, Da aldeia ou da cidade, Obedece, com banzé, Mostrando o que ela é, Falha em personalidade. E de muito ela se priva, Prá vida ficar cativa Da Moda, que é ditadora, E por todo o lado mora. A Moda é um filão, Para muito espertalhão, E tem ela tanta argúcia, Tanto poder, tanta astúcia, Que faz perder a razão. Sendo uma coisa banal, É mesmo atitude louca. Ela tira o pão da boca A muitos e, afinal, Mesmo o que é essencial. Esta é a grande verdade: Tanta, tanta veleidade; Tanta, tanta submissão; Tanta, tanta privação. Tudo em nome da vaidade! Hermilo Grave – Paivas “O Cristo não ensinou A fazer mal a alguém Morro “pobre” porque sou Mais “rico” do que ninguém” Silvais – Alentejo Mão que escreve a história da vida. Quem nasceu e viu o mundo a brilhar? A criança angelical, por todos admirada, brincava a partilhar no rio pescava, com vários engodos Apraz-lhe a terra, com sua sementeira nos trigais cantava, ceifando o trigo à noite mugia vacas para a leiteira, de manhã o leite era vendido Na escola aluno presunçoso! Como trabalhador: Pobre e zeloso! Tempos idos, com vida bem vivida A mão que aperta é mão que desperta! À solta…a raposa por ser esperta! Mão que escreve a história da vida. Pinhal Dias (Lahnip) PT AMOR SEM HORA P’la vidraça do quarto, a madrugada Veio espreitar-nos, viu-nos acordados, Envoltos em ternura, abraçados E ficou observando, fascinada... Trouxe o tempo com ela e, enleados, Não demos p’la manhã já avançada E a vida parou, desnorteada, Sob nossos olhares apaixonados! Sorrimos, sem ligar aos sons da rua, Apenas por saber que merecemos Esta felicidade, minha e tua... É assim o amor que nós fazemos, Desorganiza o tempo... e a lua Só se retira quando adormecemos! Carlos Fragata - Sesimbra Os aniversários não são iguais. São vários. E geracionais. Mas quando as velas são apagadas pelos filhos(as) As lágrimas de contentamento são divinais. Vale a pena a Vida transmitida. E não há Quem seja mais feliz que as Mães e os Pais. José Jacinto “Django” - Casal do Marco Sempre lhe achei tanta graça Sempre lhe achei tanta graça Á minha terra de Amora Quanto mais o tempo passa Menos gosto de ti agora De tanto te porem bela Talvez com boa intenção Estão a dar cabo dela E a esconder a tradição Estragaram a praça toda De arvores e bancos pacatos Quiseram ficar na moda E esconderam os “lobatos” O coreto e o seu jardim Não me sai do pensamento Por haver gente assim Hoje és “jardim de cimento” Eu tenho muitas saudades Da amora dos trabalhadores Que me ensinavam mais verdades Que agora alguns douctores De tantos versos que escrevi Sem dizer nada de jeito Escrevi sempre o que senti Sem nunca lhe achar defeito Quem te viu rio judeu Com tanto peixe a saltar Onde jovens como eu Aprenderam a nadar Aparece dinheiro para tudo Do imposto ou da derrama Mas só o rio fica mudo E morre afogado em lama São estes versos sem graça Do meu coração agora Quanto mais o tempo passa Mais eu choro pela Amora Artur Gomes - Amora Alentejo Qualquer dia de repente A mãe natureza acaba Com o esperto e o demente E todos morrem sem nada Manuel Carvalhal - Évora

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 95 - Março 2018 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ 11 Pensamentos Emoldurados ARGOLAS SOLTAS Por mais memória que se tenha, é impossível reter tudo e por isso eu costumo afirmar: quando morre um homem velho, enterramos não só um livro e sim uma enciclopédia completa - um relato de tudo o que cada um viveu. Memorizei isto em verso há muitos anos: Quem parte leva saudades, Quem fica saudades tem. Quando eu partir de verdade, Eu não direi nada a ninguém!!! Por hoje deixo-vos aqui apenas algumas dessas molduras paridas do meu próprio pensamento, depois de mais de 60 anos desde que aprendi a ler, para depois me julgar em condição para escrever. Obrigado pela vossa visita. Nota: quando o livro estiver editado eu divulgarei aqui na página aos interessados na leitura. Bem hajam... Na arena sufocante da noite A espuma da vida explode e some, Deixando por viajar algo Que abrasa, enrola e consome. Perversões estranhas Brotam segredo de anos. Punhal fiado de demência Encrava pinto nas entranhas Argolas duma corrente Em laço estrangulante Vão e vem, ainda soltas, Entre o habito e o vicio. Amália Faustino Praia/Cabo Verde Silvino Dos Santos Potêncio Emigrante Transmontano em Natal/Brasil O Baile das Palavras Homenagem (Para ti Isabel) Ficou na minha recordação o teu gesto de carinho Que ninguém me pode tirar Todos os afetos dados Que para mim irei guardar Sem ti por perto Sinto um vazio dentro de mim, Mas sei que no aperto Irás acompanhar-me até ao fim Fiz o que tinha de fazer Com todo o prazer e dedicação Pois tu mereces este prazer Que não tem explicação Irás estar sempre no meu coração Nesta vida e no após Pois nesta geração Nada resta senão a recordação! Ana Pereira - Amora Viva a Língua Portuguesa - Luso...Brasil - Tu me navegas, Portugal, se te imagino Com tuas velas enfunadas, desbravando O meu silêncio de poeta e de menino Que rumo às terras do Brasil e te viu chegando. E nessa lírica e sutil sinestesia Que se dilui na minha sensibilidade, Sinto o contato desta mesma escuma fria Que os teus sentiram ao tocar-nos de verdade... Cerro meus olhos, tuas naus trazem, primeiro, Além de cada tripulante aventureiro, A tua língua emocional... filha do fado... E o meu canto... português... e brasileiro Passa a fluir, guiado por um timoneiro: Nosso idioma derradeiro... e apaixonado. Luiz Poeta - Luiz Gilberto de Barros RJ/BR Escrevo palavras Que juntas Formam frases ... Das frases saem ideias E as palavras... Bailam nas frases! ... Assim se forma ... A festa da Poesia ... Com a dança das Palavras !... E o baile continua !... Palavras dançarinas Formando citações Ditas ... declamas ... Feitas poesias ... Não Orações ... Nesta mistura !... De palavras ... Frases ditas em Poesia ... Fica o mar o Sol !... A lua e o luar ... Fica o amor !... Que chegará um dia ... Ficará para Bailar ... Junto das palavras ... Que nascem do teu olhar !.. MAGUI - Sesimbra

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12 Confrades da Poesia - Boletim Nr 95 - Março 2018 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ Findava Janeiro Janeiro finda com céu azul e de pequenas brancas nuvens decorado! O chão, verdeja e por entre as pedras da calçada. A semente exalta-se... Germina! Há uma ligeira brisa, vinda de Sudoeste, que faz as nuvens moverem-se e dividirem-se em pedaços que se voltam a unir e aparecer com nova configuração, um pouco mais a Sul. O Horizonte, breve, desenha-se para lá das fábricas, por caminhos que vão ter ao mar. As gaivotas vão e voltam e bailam, acalmando com o seu voo suave, a minha ansiedade. Relaxo, olhando o seu bailado, seu desenho doce e belo, seu perfeito visual, cinza e branco, branco e negro, ou todo branco, que exibem, decorando o meu lugar. Breves, muito breves, até fugazes, são muitas vezes as suas visitas, que me encantam. O arvoredo da encosta, desenha sombras que descem, se enlaçam e se confundem numa sombra única, que só a manhã desfaz. Ao lado, os prédios altos, hirtos e assimétricos, quebram seguros o vento de Noroeste, e eu, que mal respiro, mal me oiço, escuto os sons confusos da cidade, neste maravilhoso fim de tarde... É sol-posto! Felismina mealha - Lisboa ALÉM DE MIM... Existe uma maçã verde caída no telhado. Um cachorro magro tentando viver neste espaço. Existe uma lagartixa comendo um lagarto. Grupos formados entre drogas, maçãs e abandonados. Existe um sonho de fera, fúria e fantasia. Um bolo sem festa caído na esquina. Um menino entre grades, poeiras e amigos. Sem sobrevivência. Sem referência... Quantas vidas perdidas, quanta gente sofrida, entre tantos animais que pastam no pascigo-planeta muitos... Além de mim... Maria Inês Simões - Bauru/SP/BR Dia dos Poetas “A Verdade e a Vida” 1º Ser poeta ou ser artista É dever de qualquer louco Porque é um ser altruísta Dá sempre muito e tem pouco 2º O meu cérebro não é oco Também não é pedra dura Nem salinas do Samouco Porque tem uma veia pura 3º Existe em mim a lisura E também a honradez Mas vivo com amargura Por ver tanta mesquinhez 4º Vou vivendo e tu não vês Que luto pela verdade Tu passas com altivez Distribuindo a maldade 5º Eu tenho a Dignidade E tu a pouca Vergonha De não teres a humildade És uma ovelha com ronha! DOIS IRMÃOS, DUAS IDEIAS! Conheci dois irmãos; um ignaro, outro inteligente, O ignorante eu tipo Cresus, dos tais…tácticos, O letrado, comprava só livros didácticos, Enfim, cada qual tinha seu caminho dif’rente! O “bronco” só pensava na mesa, no excelente, Jantares principescos eram sintomáticos; O sábio, devorava… livros e livros socráticos, Seu desejo de saber era surpreendente! Entre ambos havia sempre “brigas” constantes, Por vezes com consequências, graves, bastantes, A mostrar entre si, qual era afinal mais homem!... Tu irmão: Porque não compras livros d’ensino?... Ah! Ah! Irmão, hoje tudo isso é cretino, Vê, se compreendes, os livros não se comem! Nelson Fontes de Carvalho – Belverde/Amora Manuel Carvalhal – Évora

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 95 - Março 2018 13 «Tribuna do Vate» MEMÓRIA DO POETA Na memória dos acontecimentos Tudo o poeta domina É vida que sol ilumina São nobres e velhos sentimentos Cantares, em Paz, nesta cidade Na memória de minha idade!... Não vou perder tempo a mentir Na curva do tempo, que há de vir A Poesia é luz que dominará Pelos sons dos Anjos virá Alegria de se conhecer Da injustiça, é para esquecer É procurar-se a aventura Sonhos com ternura O canto que perdoa Amor, a quem me odeia Procurar ter-se a veia Em letras de canto que falo, Canto livre, de que me não calo… E tudo soa com conta e medida Porque a Poesia, neste canto, é Vida!... Carlos Varela - Paços de Brandão PARA UMA ROMEIRA Que tão bem sabe viver E muito conhecer De festas, é a primeira… Com tão belo despertar, É bela esta caminheira, Esbelta no seu andar… D’esta Terra da Feira, Romarias vai conhecer, É esse o seu amar… A Nossa Senhora da Livração, Entrega seu coração; A Nossa Senhora d’Agonia, Lá vai por um dia; Ao Senhor dos Desamparados, Votos, Lhe são dados: «P’ra se afastar a dor, Com muita Paz e Amor»!... Carlos Varela - Paços de Brandão Meio século de vida a um quarto da partida! Aprende-se a cada momento neste curto espaço de tempo! Aprende-se o bem e o mal a dizer sou capaz! Avançar sem medo desbravar novos caminhos enfrentar desafios! Chorar quando é preciso amar e ser verdadeiro darmo-nos de corpo inteiro fazer o bem sem olhar a quem dizer não também! Saber que não somos eternos todos viemos do mesmo! Ser hipócrita ou malvado de nada ou pouco serve, porque no dia da partida todos vão na medida, para o mesmo lugar! Sejam ricos ou pobres, ali não há distinções todos vão no carrilhão pela mão do cangalheiro quer tenham pouco ou muito dinheiro! Tudo fica nada resta! Por isso, neste meio século de vida vi montanhas a cair, telhados a desabar caras velhas mal lavadas invejas cheias de nada, mundo de desilusão Caricias na minha mão, amargura sofrimento e no fim de cada tormento, alvorada de um novo dia por isso, até me arrepia este mundo de ilusão hipocrisia, ingratidão, falsas amizades e, sentir na verdade que nada da terra levamos por isso, passar cada dia com imensa alegria sem maldade era o melhor, mas se não for possível pensar que falta um quarto de vida para o dia da partida. Teresa Primo - Lisboa “Meu amor quando me olhas É tão doce o teu olhar Meus olhos são os teus olhos É tão doce o teu olhar Abraças-me devagarinho Num suave navegar Na areia quente do linho Já perdi o teu olhar Tua boca me aconchega Nesse teu doce beijar Meus olhos são os teus olhos É tão doce o teu olhar. Teu corpo nu me aquece No leito da praia mar Meus olhos são os teus olhos É tão doce o teu olhar.” Teresa Primo - Lisboa

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14 Confrades da Poesia - Boletim Nr 95 - Março 2018 «Cantinho Poético» Maravilhoso Mundo da Fantasia Descalça, vestido roto, Fugia de casa a correr, Só parava no nateiro, De encantos o meu paradeiro! Brincava e imaginava, Tinha flores no cabelo, E logo me via uma princesa Dum palácio encantado, Com sapatos de cetim E vestido bordado de renda. Era pastora na serra, Era veado num parque, Via-me uma guerreira, Já era Joana D’Arc! Dançava, em pontas, na relva, Até cair ou voar! Apanhava malmequeres Para, com eles, me enfeitar! Namorava laranjas de ouro, Não as podia alcançar! Comia grandes banquetes De azedas e amoras silvestres, Fingindo não ter fome, Enganando, assim, as horas. Arrepiava-me de medo, Quando ouvia os gritos aflitos De afogados no rio E não os podia salvar! Tinha remédio para as feridas Que da terra tirava, E que eu sabia curar! Curiosa, espreitava (supremo entanto!), As mouras sentadas À beira dos poços, Que, em pentes de ouro, Os cabelos lindos penteavam, Enfeitadas de belos mantos, E colares de grossas pérolas! Só estas coisas eu sabia e conhecia E a ninguém eu dizia! Todo o mundo belo e puro Encerrava aquele campo. E, de contente, sorria, Quando, extasiada, ouvia Dos grilos e pássaros seu canto, Que me ensinaram a cantar E conhecer seu encanto! Quando o nevoeiro do rio Saía como fumo gelado, Era hora de partir. Guardava os sonhos nos olhos E corria para casa. Amanhã voltaria, Saltitando de alegria, E levando, nos braços, a fantasia Com malmequeres aos molhos! Helena Moleiro – Fernão Ferro VIM DO NORTE A rota que o destino me quis dar Foi vir para o Algarve e aqui ficar. A gente não escolhe onde nascer, Tão pouco com quem casa e onde morre; O rumo para a vida, que percorre, Amores, que não tem, ou que vai ter. A sorte vem connosco ou nos ignora, Uns nascem ricos, outros, pobres chegam. Saúde para alguns, os mais carregam Os genes maus que os pais trazem de outrora. Por isso, não nascemos iguais, Como uns proferem - tábua rasa. Depois, o bem e o mal se ensina em casa E a má sociedade é dos maus pais. Passei aqui metade e mais da vida E quero a bela Ria por jazida. Tito Olívio - Faro FALSO OLHAR Mote Há quem use o seu olhar, Tão sabiamente estudado… Que basta um simples piscar, P’ra que alguém, fique enganado. (Alfredo Mendes) Glosa Já que a vida é traiçoeira Sempre pregando rasteira… Disposta a atrapalhar. P’ra saber o que fazer E se poder defender, Há quem use o seu olhar. Ensinou sua retina, E deu ordens à menina. Para olhar, mas com cuidado. Faz norma, do seu conceito! Por tudo ter sido feito: Tão sabiamente estudado. Não conhece impedimento. Nem tão pouco contratempo, Quando quer alguém tramar. Tem tanta genialidade, E tanta facilidade, Que basta um simples piscar. É um ser que fez carreira. Vivendo de trapaceira, Com o olhar bem afinado. É só um pestanejar, Fingindo cumprimentar P’ra que alguém, fique enganado. Alfredo dos Santos Mendes – Lagos ÁRVORE CAÍDA... Oiço, vindo lá de longe, o grito que magoa, Da árvore envelhecida... a que o tempo não perdoa, Os anos, que pelo seu tronco, já por lá passaram... Pois hoje é só mais uma, à espera do vento que há-de passar, Que com um ligeiro sopro a vai para sempre derrubar, Sem pensar nas saudades, dos que à sua sombra descansaram. E eu, que também velho já estou, senti o seu triste lamento, Pois, tal como ela, estou esperando pelo vento, Que este meu corpo, p'rá terra mãe, irá um dia deitar... E penso... penso como será quando isso suceder, Se terei tempo e coragem, para ainda ao vento dizer, Que não leve o meu lamento... para ele na minha garganta ficar. J. Carlos – Olhão da Restauração

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 95 - Março 2018 «Rádio» Fundada: a 28/04/2017- Fundador: Pinhal Dias RÁDIO CONFRADES DA POESIA - 24 HORAS ONLINE GRELHA DE PROGRAMAÇÃO DEFINITIVA Dom. - 24 HORAS ONLINE 2ª F - 21/22h - "Ecos Musicais" 3ª F - 21/22h - "Ecos Musicais" 4ª F - 21/22h - “Ecos Musicais” 5ª F - 21/22h - “Hora Poética” 6ª F - 21/21:30h - “Poesia Para Todos” / 22/23h “Ecos Musicais” Sáb. - 21/22h - “Na Brisa da Noite” a) - 24 HORAS ONLINE b) – “Sujeita a Directos Especiais, com hora anunciar” .../... DJ - Ana Pereira DJ - Pinhal Dias Assistente Técnico - David Lopes 15 Pioneiros Contribuintes Pioneiros Colaboradores : »»» Amália Faustino - Ana Pereira - Carmindo Carvalho - Conceição Tomé - Daniel Costa Euclides Cavaco - Donzilia Fernandes - Hermilo Grave - João Furtado - Joel Lira - José Bento - José Branquinho - José Carlos Primaz - José Jacinto - José Nogueira Pardal - Luís Fernandes - Maria Rita Parada dos Reis - Maria Rosélia Martins - Natália Vale - Nelson Fontes de Carvalho - Regina Pereira - Silvino Potêncio - Tito Olívio ( ...alguns pendentes! ) Seja um dos nossos colaboradores/patrocinadores directos… Contribua para o nosso melhoramento da Rádio Confrades da Poesia 24 horas online, bem como os seis Programas em Directo semanalmente… Programas: “Ecos Musicais” – "Hora Poética" - “Na Brisa da Noite” - "Poesia Para Todos" Contribua http://www.radioconfradesdapoesia.comunidades.net/contribua Assine o nosso Livro de Visitas Links para ouvir a Rádio Confrades da Poesia Pioneiros da Rádio ...com os seus poemas em prioridade! http://www.radioconfradesdapoesia.comunidades.net/ http://tunein.com/radio/Radio-Confrades-da-Poesia-s292123/ http://www.radios.com.br/ao…/radio-confrades-da-poesia/47066 Livros Ofertados “A Essência do Olhar” - Anabela Gaspar Silvestre “ O Outro Lado da Minha Alma” - José Carlos Primaz “Poemas Nossos” - Filomena Gomes Camacho

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