Volume 2

 

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Litoral Norte Paulista

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Litoral Norte Paulista VOLUME 2

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2 Proibida a reprodução, cópia, divulgação, por quaisquer meios ou mídeas, total ou parcial , sem autorização por escrito do EDITOR. contato: advogado@gazetavaleparaibana.com Criação, diagramação, artes gráficas e web designer. Editamos seu jornal, seu livro e seu CD interativo. visite nosso site Solidão, entrega, rotina, saia dessa... Encontre sua alma gema de forma segura e, em um site inteiramente dirigido para a “melhor idade”.. quer sabe preservar seus dados e sua identidade. EDITORAÇÃO: João Filipe Frade de Sousa DIAGRAMAÇÃO: Rede Vale Comunicações PUBLICAÇÃO: “Gazeta Valeparaibana” NUMERO DE EXEMPLARES: 3.000 (três mil) Mensagens via telefone para todas as ocasiões, festas, aniversários batizados, formaturas, convites, declarações de amor. Quer surpreender ? - Visite nosso site. EMPRESAS: Conheça nosso CD de interação entre clientes e Funcionários. Trabalhamos também com videomensagens personalizadas. Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução. Direitos Autorais redevalecomunicacoes@gmail.com Dados bibliográficos, fontes e imagens no final dos artigos ou no final da obra como complementação IMPORTANTE: Autorizada a compilação em todo ou em parte para trabalhos escolares, sendo que deverão ser indicadas suas fontes ou seja, nome do autor, site de origem e nome do compêndio.

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3 004 - Arquipélagos, Ilhas e Ilhotas do Litoral Norte 007 - Ilha de ALCATRAZES 008 - Ilha ANCHIETA 011 - Serra da Mantiqueira 012 - Serra da Mantiqueira e Estrada Real 013 - Vila de ITATINGA (Bertioga) 014 - Apresentação do Litoral Norte Paulista 015 - Página de Dados de BERTIOGA 016 - Página de Dados de CARAGUATATUBA 017 - Página de DADOS de ILHABELA 018 - Página de Dados de SÃO SEBASTIÃO 019 - Página de Dados de UBATUBA 020 - Índios GUARANIS (São Sebastião) 021 - Tupinambás, Tupiniquins e Tamoios 028 - Índios Tamoios 029 - Bertioga e a Cultura Indígena 032 - Línguas “Jê” e “Macro-Jê” 033 - História de BERTIOGA / história do Litoral Norte 041 - Capitanias Hereditárias 042 - Confederação dos Tamoios 043 - História de SÃO SEBASTIÃO 045 - História de ILHABELA 048 - História de CARAGUATATUBA 050 - História de UBATUBA 052 - Biografia de MARTIM AFONSO DE SOUSA 054 - Biografia de ESTÁCIO DE SÁ 055 - COMPANHIA DE JESUS 056 - Biografia de Padre MANOEL DA NÓBREGA 060 - Biografia de Padre JOSÉ DE ANCHIETA 068 - Biografia de Padre LEONARDO NUNES 069 - Biografia de MARQUÊS DE POMBAL 071 - LITORAL NORTE Praias, Ilhas, Ilhotas, Cachoeiras, trilhas, etc... 105 - LITORAL NORTE Tradição - Costumes - Culinária e Lendas 125 - Piratas, Corsários ou Contrabandistas... 129 - Histórias e Biografias “Piratas e Corsários” 133 - Invasões Francesas ao Brasil 134 - Thomas Cavendish 135 - Braz Cubas 136 - Francis Drake 137 - René Duguay-Trouin 138 - Naufrágios no Litoral Norte 140 - Principais Naufrágios de Ilhabela 141 - TITANIC (Uma tragédia anunciada... )

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4 INTRODUÇÃO: O Litoral Norte Paulista é uma faixa litorânea de 151 quilômetros que se estende da cidade de Bertioga até à cidade de Ubatuba. É constituído de 184 praias e muitas ilhas, ilhotas e lages ao longo de toda a sua costa. A costa do Litoral Norte Paulista é ladeada de um lado pelo Oceano Atlântico e do outro pela Serra do Mar e pela Mata Atlântica. Suas ilhas, a maioria delas preservadas, e de difícil acesso, são considerados belos cartões postais. Têm em seus anais, muita história do Brasil, lendas e, no passado, em algumas delas foram protagonistas de muito intercâmbio comercial. Arquipélagos e Ilhas do Litoral Norte Paulista: São Sebastião (Ilha Bela) Anchieta Alcatrazes Búzios Vitória Serraria Cabras Montão do Trigo Couves Gatos Toque Toque Grande Toque-Toque pequeno Cabras entre outras ilhotas e lages. Um pouco da história e de geografia das Ilhas Ilhas do Litoral Paulista: Ilha de Alcatrazes Ilha Anchieta Ilha Ariranha Ilha Bela Ilha Búzios Ilha das Cabras Ilha da Cananéia Ilha Carolina Ilha do Cardoso Ilha do Castilho Ilha Comprida (Litoral Sul) Ilha Comprida (Rio Paraná - ao Norte de São Paulo) Ilha das Couves Ilha dos Crentes Ilha do Farol ou da Moela Ilha das Gaivotas (Lago da represa Rio Paraná) Ilha Grande (Rio Paraná) Ilha Bela ou Ilhabela Ilha Grande (Rio Grande, divisa de SP e MG) Ilha Montão do Trigo Ilha das Ortigas (Rio Paraná) Município-Arquipélago marinho brasileiro, está localizado no Ilha das Palmas Litoral Norte do Estado de São Paulo, microrregião de Cara- Ilha do Paredão guatatuba. Segundo dados do IBGE pesquisa 2005 sua popula- Ilha Porchat ção está estimada em cerca de 26.000 habitantes. Possui uma Ilha do Porto das mais acidentadas paisagens da região costeira brasileira, Ilha Presidente Tibiriçá (Rio Paraná) com todas as características de relevo jovem, ou seja de for- Ilha da Queimada Grande mação geográfica recente. Ilha de Santo Amaro Com o aspeto geral de um conjunto montanhoso, formado pelo Ilha de São Sebastião (Ilha Bela) Maciço de São Sebastião e Maciço de Serraria, além da aciden- Ilha de São Vicente tada Península do Boi, a Ilha de São Sebastião se destaca co- Ilha da Sapata mo um dos acidentes geográficos mais elevados e salientes de Ilha do Sul todo o Litoral Paulista, onde se destacam os Morros do Pico de Ilha Urubuqueçaba São Sebastião, com 1379 metros de altitude; o Morro do Papa- Ilha Vitória gaio, com 1307 metros e o Morro da Serraria, com 1285 metros de altitude. Banhado pelo Oceano Atlântico, o município está localizado no Estado de São Paulo, a 205 km da cidade de São Pau- lo, capital do Estado e a 140 km da divisa com o Estado do Rio de Janeiro. Está situada pouco abaixo do trópico de capricórnio que passa sobre a cidade vizinha de Ubatuba, (um pouco mais ao norte), porém, nas partes mais baixas apresenta características de clima Tropical devido à zona de transição entre a zona temperada sul e a tropical sul. Definindo-se como Subtropical tipo CWA. Já nos picos acima de 1000 metros o clima é subtropical CWB, pois a tem- peratura diminui sensivelmente em função da altitude, das massas atlânticas e polares, além da própria posição por se encontrar abaixo do Trópico de Capricórnio. O clima tropical úmido do arquipélago está sujeito a temperaturas normalmente altas, porém não excessivas; pluvio- sidade anual entre 1.300/1.500 mm; umidade do ar elevada, sobretudo na face voltada para o mar aberto e monta- nhas; temperatura média anula entre 22 e 23 º C. Estância Balneária: Ilha Bela (Ilhabela) é um dos municípios paulistas considerados estâncias balneárias pelo governo do estado, por cumprirem determinados pré-requisitos estabelecidos por Lei Estadual. Este titulo ou esta definição de Estância Bal- neária lhe traz um maior volume de verba por parte do Governo estadual, para promover o turismo e assim o seu mai- or e melhor desenvolvimento. História: Pesquisas arqueológicas realizadas desde o final da década de 1990 mostram que pelo menos quatro das Ilhas do CONTINUA

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5 CONTINUAÇÃO arquipélago de Ilhabela foram habitadas muito antes da chegada dos europeus ao Brasil. Isso foi possível graças á descoberta de sítios arqueológicos pré-coloniais denominados “concheiros”, “abrigos sob rochas” e “aldeias indí- genas”. Os “concheiros” permitiram aos arqueólogos concluírem que os primeiros habitantes do arquipélago fo- ram os chamados “homens pescadores-coletores do litoral”, indígenas que não dominavam a agricultura e nem a produção cerâmica, sobrevivendo apenas do que encontravam na natureza, especialmente animais marinhos. Não existe ainda a datação de nenhum desses “concheiros”. Também foi encontrada na Ilha de São Sebastião grande quantidade de cerâmica indígena de tradição Itararé, possivelmente produzida por indígenas do tronco lingüístico macro-jê. Não há até ao momento, nenhuma evidência arqueológica de que tenha existido no arquipélago alguma aldeia do tronco lingüístico tupi. (ver também págs.: Etnias Indígenas) Em 20 de Janeiro de 1502 a primeira expedição exploradora enviada ao Brasil pelos portugueses, comandada pelo navegador português Gonçalo Coelho (ver biografia), trazendo a bordo o cosmógrafo italiano Américo Vespúcio (ver biografia), encontrou uma grande Ilha que, segundo o aventureiro alemão Hans Staden (ver biografia), era chamada pelos tupis de Maembipe (“lugar de troca de mercadorias e resgate de prisioneiros”). Essa Ilha, assim como fora feito em outros acidentes geográficos importantes, foi batizada pelos membros da expedição com o nome do santo do dia, que nesse dia pertencia a São Sebastião. Com a chegada do português Francisco Escobar Ortiz que se tornaria o primeiro povoador da Ilha de São Sebastião, este recebeu de Pero Lopes de Sousa, donatário da capitania, cem léguas de terra “para si e sua nobre geração e de sua mulher Ignez de Oliveira Cotrim, que ambos vieram da capitania do Espírito Santo para a Ilha de São Sebastião”. Ignez de Oliveira Cotrim era bisavó do Capitão Bartolomeu Pais de Abreu, de João leite da Silva Ortiz e de sua neta neta de mesmo nome Ignez de Oliveira Cotrim casada com António de Faria Sodré irmão do Padre João de Faria Fialho. Segundo escreveu Pedro Taques (ver biografia), foi Francisco Escobar Ortiz senhor de dois engenhos de açúcar, os primeiros da Ilha. No ano de 1608, outros sesmeiros chegaram à Ilha, que viriam a se estabelecer no canal de São Sebastião. Em 16 de Março de 1636 seria criada a Vila de São Sebastião, se desmembrando assim da Vila do Porto de Santos, da qual dependia político-administrativamente. Esta nova Vila abrageria também o território da Ilha de São Sebastião. No começo do século XIX, quando a Ilha de São Sebastião contava com cerca de 3.000 habitantes e seu principal povoado chamava-se Capela de Nossa Senhora D’Ajuda e Bom Sucesso, foi iniciado um movimento separatista pela emancipação da Ilha de São Sebastião, da Vila de São Sebastião, liderado pelo Capitão Julião de Moura Negrão, pelo Alferes José Garcia Veiga e pelo senhor do engenho Carlos Gomes Pereira. Sensibilizado, o capitãogeneral (Governador) António José da Franca e Horta baixou, em 3 de setembro de 1805 a portaria elevando a antiga Capela de Nossa Senhora da Ajuda e Bom Sucesso à condição de Vila. Por indicação do próprio CapitãoGeneral (Governador) Franca e Horta, a nova Vila deveria se denominar “Vila Bela da Princesa”, em homenagem à Princesa da Beira, a Infanta Doma Maria Teresa Francisca de Assis Carlota Joana Josefa Xavier de Paula Micaela Rafaela Isabel Gonzaga de Bragança, filha mais velha de D. João VI e de D. Carlota Joaquina, irmão de D. Pedro I. Vila Bela da Princesa foi oficialmente instalada em 23 de janeiro de 1806. Em 21 de maio de 1934, o Governo Paulista realizou, em meio a uma grave crise econômica pela qual atravessava o país , uma reestruturação na divisão territorial do Estado, quando foram extintos 18 pequenos municípios, entre eles o de Vila Bela da Princesa (Cujo nome já havia mudado para Vila Bela), que, assim, voltou a integrar o território da Vila de São Sebastião. A extinção do município foi revogada em 5 de dezembro de 1934. Por imposição do Governo Ditatorial de Getúlio Vargas, o mesmo baixou o decreto federal nº. 2.140, o nome de Vila Bela mudou, a partir de 1º de janeiro de 1939 para “Formosa”. Inconformados, os moradores iniciaram um movimento popular contra o novo nome até que, em 30 de novembro de 1944, o Governo estadual baixou o decreto nº. 13.334, mudando o nome do Município para ”Ilhabela”, a vigorar a partir de 1º. de janeiro de 1945. Geografia: O município-arquipélago de “Ilhabela” possui um território de 348.300 km2, segundo dados do IBGE e suas principais Ilhas são, pela ordem em termo de área: São Sebastião, Búzios, Vitória e Pescadores, estas todas habitadas. Fazem parte ainda do arquipélago as Ilhotas: Cabras, Sumítica, Serraria, Castelhanos, lagoa, Figueira e Enchovas. A Ilha de São Sebastião é a segunda maior Ilha marítima do Brasil, superada apenas pela Ilha de Santa Catarina, que abriga a maior parte do município de Florianópolis, em Santa Catarina. Em sua orla , com cerca de 130 km de extensão, o relevo desenha reentrâncias e mergulhos, com 45 praias principais e outra dezena de pequenas praias situadas irregularmente, ao sopé das escarpas. A Ilha de São Sebastião está separada do continente pelo Canal do Toque-Toque, que possui cerca de 18 km de extensão e largura variável de dois a cinco quilômetros. A Ilha de São Sebastião possui um relevo bem acentuado, com montanhas com mais de 1.000 metros de altura. Essas montanhas, funcionam como uma barreira para os ventos fortes que vêm do mar aberto. Uma das características marcantes de Ilhabela é a predominância da Mata Atlântica, sendo a Serra de Ilhabela CONTINUA

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6 CONTINUAÇÃO coberta pela floresta lati foliada tropical úmida de encosta. Dentro de todos os Municípios abrangidos pela Mata Atlântica, Ilhabela foi aquele que mais preservou a floresta no período compreendido entre os anos de 1995/2000, graças a um programa de contenção da expansão urbana desordenada que é desenvolvido pelas administrações municipais na área de entorno do “Parque Estadual de Ilhabela”. O Parque Estadual de Ilhabela, domina 83% da área total de Ilhabela, que é de 346 km2. Essa imensa cobertura de florestas abriga toda a gama de espécies animais, vegetais e insetos que compõem o delicado ecossiste- ma da Mata Atlântica e sua rica biodiversidade reunindo mais de 800 espécies de aves, 180 anfíbios e 131 mamíferos. Uma caminhada pela trilhas da ilha pode revelar aos olhos e ouvidos mais atentos animais como lontras, caxinguelês, macacos, jaguatiricas, lagartos e gatos do mato. Uma grande variedade de aves também pode ser observada na cúpula de suas árvores mais altas. O tucano, o tiê-sangue, os beija-flores, periquitos, macucos, corujas, jacutingas costumam dar o ar de sua graça, entre muitas outras espécies. A enorme variedade de insetos, plantas e flores impressionam pela beleza multicolorida. O parque é cortado diametralmente pela Estrada dos Castelhanos, única ligação terres- tre entre os dois lados da ilha. O Parque Estadual de Ilhabela foi criado no ano de 1977 pelo Governo paulista, com o fim de proteger uma das maiores áreas conti- nuas de Mata Atlântica remanescente no estado. Originalmente estas florestas cobriri- am 12% do território brasileiro, ou seja, mais de 1,1 milhão de quilômetros quadrados. Hoje, restam no país apenas 9% da área original, ou seja, 340 mil quilômetros quadra- dos. Em Junho de 1985 todas as Ilhas do Arquipé- lago de São Sebastião foram tombadas e incorporadas ao Parque. A construção de no- vas casas só é liberada, por enquanto, na área que vai da Ponta das Canas, à Ponta da Sela, ao sul e abaixo da cota 200 (duzentos metros de altitude máxima a partir do nível do mar). O Parque Estadual de Ilhabela integra o Projeto de Preservação da Mata Atlântica (PPMA). Dados: PARQUE ESTADUAL DE ILHABELA Rua do Morro da Cruz, 600 Bairro Itaguaçu Ilhabela - SP Cep.: 11830-000 Fone/Fax.: 0 xx 12 - 472-2660 Serviços: (Para grupos organizados) Agende suas visitas monitoradas via telefone.

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7 Arquipélago dos Alcatrazes: O arquipélago dos Alcatrazes encontra-se situado no Brasil, a aproximadamente 45 km a sudeste do porto de São Sebastião, no Litoral Norte do Estado de São Paulo. Formado por cinco Ilhas maiores, sendo a principal denominada de Ilha de Alcatrazes. Possui além desta a Ilhas da Sapata, do Paredão, do Porto ou do Farol e a do Sul; além de quatro Ilhas menores (Ilhotas não denominadas) e cinco Lajes conhecidas como: Dupla, Singela, Paredão, do Farol e Negra, além de dois parcéis (Nordeste e Sudoeste). Com profundidades que podem alcançar facilmente os 50 metros, possui vida marinha privilegiada, sendo um dos melhores pontos para mergulho do Litoral de São Paulo. Uma vez que a Ilha principal era usada como local de exercício de tiro da Marinha do Brasil, o que apresentava danos materiais consideráveis, tornou-se objeto de várias demandas judiciais, inclusive de ações civis publicas que visavam impedir a continuidade daquela prática. Atualmente a pesca é terminantemente proibida, sendo que o chamado fundeio, ou seja a parada de embarcações, somente é autorizada em casos extremos de avarias mecânicas ou mau tempo. O mergulho também é proibido, somente sendo autorizado em casos especiais de pesquisas, previamente autorizadas e fundadas. Também práticas de agressão ambientais estarão sujeitas ao código inerente e podem levar até à prisão dos responsáveis em alguns casos. A beleza exuberante da paisagem merece toda a nossa atenção e respeito. CONTINUA

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8 Ainda hoje nas cartas náuticas, consta o nome do lugar como “Ilha dos Porcos”. A denominação gera muitas controvérsias pois que existem ainda aqueles que associam a criação de porcos, isso à muitos séculos, oferecendo dessa forma esse suposto à denominação do local. No entanto, pesquisadores de língua indígena revelam que esse mesmo nome, pode ser uma corruptela de “Pô Quâ” (Ilha pontuda em Tupi Guarani) , nome que os Tupinambás usavam para denominar a Ilha. A Ilha tem duas praias principais a do Sul e a do Presídio, além de dois Morros, o do Papagaio (ao Norte) e o Morro do Farol. Antigos documentos relatam que a partir de 1800 a Ilha abrigou uma unidade militar do exército português que vinha para garantir o direito de posse da nova colônia, já que os veleiros de corsários franceses viviam rodeando a Costa Brasileira. Com 828 hectares, a pequena freguesia que ganhou em 1885, a denominação de “Bom Jesus dos Porcos” é a segunda maior Ilha do Litoral Paulista e contém grande importância histórica no contexto brasileiro. Recebeu com o passar dos anos, portugueses, escravos africanos, franceses, holandeses e também os ingleses que nela instalaram por volta do ano de 1850 uma base marítima para fiscalizar navios negreiros, pois apesar de proibido, o tráfego de escravos, ainda passava por intensa atividade. Confederação dos Tamoios: Os índios estavam revoltados contra a violência empregada principalmente pelos portugueses e resolveram se unir. A crise começou após o casamento do branco português João ramalho, com a filha do cacique Tibiriçá, da nação dos Guaianazes. Unidos, Portugueses e Guaianazes passaram a atacar os Tupinambás e receberam a réplica do astuto Cunhambebe, chefe da tribo Tupinambá de Angra dos Reis. João Ramalho era o homem de confiança de Brás Cuba, um dos mais sanguinários portugueses que passaram pelo sertão paulista. Brás Cuba havia aprisionado outro chefe dos Tupinambás, Kairuçu, bem como seu filho Aimberê. Kairuçu morreu, vitima dos maus tratos dos brancos. Aimberê conseguiu fugir e foi procurar vários chefes de outras nações. Então, reunido com Pindobussu (Tupinambá do Rio de Janeiro), Koakira (Ubatuba), Agaraí (Guaianazes), Cunhambebe (Angra dos Reis), além dos chefes dos Goytacazes e Aimorés, criou-se a confederação dos Tamuyas (que os portugueses chamavam de Tamoios) e que significa “o avô, o mais antigo”. Cunhambebe ficou sendo o chefe das tribos unificadas. A presença de José de Anchieta: Desde o principio Ubatuba era estratégica para os portugueses colonizadores que tinham que defender a nova terra dos outros povos. Os Franceses que acabavam de chegar ao Rio de Janeiro, sob o comando de Villegaignon que tinha planos de ficar, uniram-se aos Tupinambás e lhes ofereceram armas para a luta contra os portugueses. Os portugueses então usaram os padres José da Nóbrega (ver biografia) e José de Anchieta (ver biografia) que partiram de São Vicente em 1563 para tentar um acordo com os índios da aldeia de Iperoig. Cunhambebe desconfiou das intenções dos brancos e aprisionou Anchieta na Ilha dos Porcos, durante vários meses, enquanto Nóbrega voltava para São Vicente com a missão de negociar a paz. Foi nesse período de aprisionamento que o Padre José de Anchieta escreveu o seu poema “Poema à Virgem” nas areias de Iperoig (Ubatuba). O célebre poema com 4.072 frases em latim. Em 28 de setembro de 1653, Iperoig foi elevada à categoria de Vila Exaltação à Santa Cruz de Ubatuba. HISTÓRIAS E CURIOSIDADES DA HISTÓRIA RECENTE DA “ILHA ANCHIETA” Em 1942 era instalado o Presídio da Ilha Anchieta. Em frente à praia, ficava, e ainda se pode ver nos dias de hoje, o frontispício do antigo presídio. Adentrando, o pátio onde os presos se reuniam. Em volta do pátio, no formato retangular, uma espécie de “vila” composta pelos pavilhões de grades onde ficavam confinados os 453 presos, todos de alta periculosidade. à esquerda de quem olha para a entrada do presídio, por uma trilha que segue rumo ao Morro do Papagaio, ficava o quartel com sua sala de armas. No pátio grupos rivais se digladiavam constantemente sendo contidos pelo pequeno efetivo de guardas (apenas cerca de 50 policiais). O Líder dos presos era o famoso e perigoso João Pereira Lima, o “Pernambuco”. Seu “Staf” era CONTINUA

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9 CONTINUAÇÃO ILHA ANCHIETA - Presídio (continuação) formado por outros não menos perigosos elementos tais como “Mocoroa”, “Daziza”, “China Show” e “Diabo Loiro”. Pelos nomes já dá para entender o clima existente. Portuga era o cérebro: Tudo começou a mudar com a chegada de Álvaro da Conceição Carvalho Farto, o “Portuga”, sujeito inteligente, formado em engenharia, que aos poucos foi contornando os conflitos e se firmando como liderança, no ambiente do presídio. Um certo dia (sem perceber um plano a longo prazo de rebelião), o dire- tor do presídio, Fausto Sady Ferreira, transferiu “Portuga” para uma Sela Solitária. O Portuga alegava que estava correndo risco de vida entre os demais presos. Era já o início do esquema para elaborar um projeto completo de todo o presídio sem que ninguém atrapalhasse. Todos os detentos, a partir de então, receberam funções específicas. A princípio, sob as ordens de pe- reira Lima, os presos passaram a buscar amizade com os policiais e familiares. Brincavam com as crianças da ilha, corriam, cumprimentavam respeitosamente as senhoras, enfim, ficaram, de uma hora para a outra “gentis”. Um projeto ardiloso: Cada um tinha que ter um posto, dessa forma o preso que era o barbeiro, chamado por todos “Mão Francesa” teria que dar um jeito de transferir seu atendimento para a barbearia dos praças, onde poderia ver o interior do destaca- mento. “Mão Francesa” que era homossexual passivo, ganhou a confiança dos militares, enquanto ia copiando as escalas de serviço e os pormenores, ou seja, a intimidade do destacamento. O presidiário “Leitão” ficou incumbido de fazer o diretor Sady praticar tiros. O Diretor era ótimo atirador, mas a ilha era silenciosa já que não se usavam mais as armas. O armamento ficava guardado Em uma sala do quartel, que fica- va na trilha do Morro do Papagaio, cerca de 300 metros acima do pátio. Por isso “Leitão” passou a bajular o Diretor Sady para que o mesmo mostrasse sua perícia com armas, certamente, os estampidos passariam a ser corriqueiros e assim ninguém viria a estranhar qualquer barulho de tiros. Estratégias de “Portuga”, que também incumbiu os presos que cortavam lenha no Morro do Papagaio, a ganharem a confiança dos soldados; apenas dois guardas faziam a escolta de doze presos. Assim, harmonia total na ilha; acabaram as brigas entre grupos, os presos sorriam, acendiam suas bitas de cigarros nas bitas de cigarro dos soldados que nem sequer andavam armados. Também passaram a fazer tarefas nas casas dos policiais e dos funcionários civis, uma confiança total. Chegou o dia: O clima estava preparado. Outro preso “O Fumaça”, que trabalhava no almoxarifado, ficou incumbido de descobrir o dia exato em que a lancha “ubatubinha” vinha de Santos trazendo (como era habitual uma vez por mês) mantimentos para a Ilha. A lancha era uma grande embarcação e serviria perfeitamente para o plano de fuga. Descobriram então o dia; ela viria dia 20 de junho. O plano teve então prosseguimento na véspera, dia 19, quando foi assassinado o preso “dedo-duro” Flores, vulgo “Dentinho”. Os detentos o enterraram bem fundo na praia do bananal, depois espalharam o boato que “Dentinho” vinha comentando sobre a vontade de fugir. Mataram “dois coelhos com uma paulada só” eliminaram um perigo ao plano de fuga enquanto fariam com que o efe- tivo no presídio fosse diminuído, dado que os policiais teriam que organizar uma busca ao desaparecido. Dito e feito; após a contagem, seis soldados mais o funcionário “Escoteiro” saíram em busca do suposto fugitivo. Plano em execução: Rumo ao Morro do Papagaio, a primeira comitiva de doze presos, sendo escoltada pelo sargento Theodósio Rodri- gues dos Santos mais o soldado Geraldo Braga, foi em busca de lenha. Outro grupo maior com 110 presos, seguiu para Ponta da Cruz onde recolheria a lenha cortada no dia anterior, com a escolta de apenas dois soldados, Hilário rosa e Manuel França Ayres e dois guardas civis desarmados, Higino Perez e Helio Barros. Ao lado do soldado Ayres, o chefão João Pereira Lima, de repente, retira-lhe o fuzil sem qual- quer resistência pois o soldado pensou que fosse brincadeira. Ayres e os dois funcionários foram amarrados em uma árvore. Um dos presos foi chamar o soldado Hilário que seguia à frente do grupo. Ao se aproximar, Hilário foi morto friamente por Pereira Lima com um tiro de fuzil no rosto. Esse estampido também estava no plano de fuga, pois sinalizava ao outro grupo para que os outros doze também imobilizassem Theodoro e Braga enquanto preparava o desfecho lá em baixo, nos pavilhões. Afinal o tiro agora era normal para quem estava lá no destacamento. Poderia ser o Diretor Sady praticando o seu rotineiro “tiro ao Urubu”. Os “doze” então atacaram os policiais com golpes de machado, matando-os e tomando mais duas armas de fogo. O Massacre: Descendo atacaram de surpresa o quartel, começando com o tiro deferido por Pereira Lima que matou pelas costas o soldado armeiro Otávio dos Santos. Em seguida, foram mortos outros policiais que lutaram bravamente, mas não conseguiram chegar até à sala de armas, já que outro bandido, o sanguinário China Show, mantinha todos afastados através de uma janela lateral. os bandidos, assim, armados até aos dentes, desceram até ao presídio e atacaram a casa do diretor do presídio, Fausto Sady e do destacamento, Tenente Odvaldo Silva. O bandido China Show, após ferir o Diretor Sady, foi até à sala do chefe de disciplina, Portugal de Sousa Pacheco e o matou diante da esposa e dos filhos. Foi o maior massacre que se teve notícia até então e a maior rebelião na história dos presídios em todo o mundo. Erro no projeto: CONTINUA

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10 10 CONTINUAÇÃO ILHA ANCHIETA - Presídio (continuação) Para completar a carnificina, os bandidos libertaram todos os presidiários, enquanto “Daziza” e “China Show” eram os que mais se divertiam. Pereira Lima, o chefão, ordenou que ninguém tocasse as mulheres e as crianças, e assim foi feito. Segundo o policial do presídio, ainda vivo e atualmente trabalhando, como monitor na Ilha, PM José Salomão das Chagas, a lancha “ubatubinha” passava pelo “boqueirão” (trecho entre as escarpas da Ilha e do Continente), quando percebeu uma fumaça preta que surgia da ilha. Imediatamente a lancha fez a volta e retornou ao continente. O que o inteligente “Portuga” não previa é que os detentos, na sanha da destruição fossem atear fogo aos pavilhões. Dessa forma o plano foi por “água abaixo”. Pereira Lima determinou então efetuar a fuga em uma embarcação menor, a lancha do presídio de nome “Carneiro da Fonte”, conhecida no presídio por “bailarina”, devido ao seu movimento parecido a uma dança nos dias de mar revolto. Todavia uma embarcação que comportava apenas 50 pessoas não poderia levar os 90 que tentavam a fuga; vários detentos, principalmente os de maior peso, foram jogados ao mar para deleite dos tubarões. Com a falta de experiência do piloto improvisado, o bandido “Timoshenko”, a lancha “Carneiro da Fonte” encalhou na praia rasa de Ubatumirim. Na Ilha, outros que não embarcaram na lancha, fugiram em canoas improvisadas. 129 fugitivos foram recapturados, entre eles o chefão “Pereira Lima” e mais tarde julgados; o “Portuga” que sofria de problemas cardíacos foi encontrado morto, à sombra de uma árvore. HOJE: Localizado no município de Ubatuba, o “Parque Estadual da Ilha de Anchieta” é uma área de proteção ambiental criada através do decreto lei nº. 9.629 de 29 de março de 1977 do Estado de São Paulo, administrado pelo Instituto Florestal, órgão vinculado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente. É uma das áreas protegidas no estado de maior im- portância dada sua riqueza histórica e natural que nos oferece. Com uma área de 828 hectares, ilha abriga a rica fauna da Mata Atlântica onde se podem encontrar capivaras, pacas, macacos-prego, sagüis, quatis, gambás, lagartos, preguiças, tatus, cotias e outros. Levantamentos científicos constataram a presença de 50 espécies de aves, entre as quais: sabiá, juriti, tangará, tiêsangue, coleirinha, saíra, bem-te-vi, atobá, gaivotas e beija-flor. Nas águas cristalinas que cercam a ilha são encontrados cardumes de tainhas, robalos, carapaus, sardinhas, peixes voadores e tartarugas marinhas, protegidos por um polígono de interdição de pesca de qualquer natureza. No Parque Estadual é proibido acampar, pescar, retirar do mar ou dos cestões, qualquer espécie de flora ou fauna marinha, colher mudas, cortar plantas, adentrar com animais domésticos e abrir caminho na mata.

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11 11 A “Serra da Mantiqueira” tem seu nome originado do “Amantikir” e, seu significado é “montanha que chora”. Trata-se de uma formação geológica datada da era Arquezônica que compreende um maciço rochoso possuindo grandes áreas de terras altas, entre mil e quase três mil metros de altitude, que se estende ao longo dos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Na “Serra da Mantiqueira” área de preservação ambiental, existem diversas unidades de conservação e preservação tais como a “Área de Preservação Ambiental Serra da Mantiqueira”, que se divide entre os três Estados; “Parque Nacional de Itatiaia”, dividido entre os Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro; e os Parques Nacionais “Serra do Brigadeiro” e “Serra do Papagaio”, respectivamente nos Estados de Minas Gerais e São Paulo. Dez por cento (10%) da Serra é circunscrita nas terras fluminenses, onde exatamente se localiza o parque, 30% da Serra está localizada no Estado de São Paulo, mais precisamente nas regiões do Vale do Paraíba Paulista, Região Serrana da Mantiqueira e Região Bragantina e, 60% está localizada no Estado de Minas Gerais. Sua formação se inicia no municípío de Barbacena (MG) e de lá inclina-se para o sudeste até chegar ao Estado do Rio de Janeiro e posteriormente ao Estado de São Paulo, onde torna-se uma divisa natural entre os Estados de Minas Gerais e São Paulo, até às imediações de Joanópolis (SP) e Extrema (MG) e, por fim esta termina na cidade de Bragança Paulista na Região Bragantina do Estado de São Paulo. A Capital mais próxima da Serra da Mantiqueira é São Paulo, justamente por estar a 90 km da primeira cidade situada na Serra da Mantiqueira, Bragança Paulista; a segunda é Belo Horizonte que dista 170 km de Barbacena, onde a Serra se inicia e por último a cidade do Rio de janeiro que se localiza a 198 km da cidade de Visconde de Mauá, distrito do município de Resende e que se situa na Serra da Mantiqueira. Localização do ponto de vista do Vale do Paraíba, e extensão: O maciço da Serra da Mantiqueira possui aproximadamente 500 km2 de extensão e se inicia próximo à cidade paulista de Bragança Paulista e segue para o leste delineando as divisas dos três Estados brasileiros até à região do “Parque Nacional de Itatiaia” onde adentra no Estado de Minas Gerais até à cidade de Barbacena. A partir daí, uma continuação pode ser considerada, pois a mesma desvia para o norte até à Serra do Brigadeiro, no leste de Minas Gerais, chegando a aproximar-se do “Parque Nacional do Caparaó”. Seu ponto culminante é a “Pedra da Mina” com seus 2.798 metros de altitude, na divisa dos Estados de Minas Gerais e São Paulo e seu ponto de transposição mais baixo é a Garganta do Embaú por onde passaram os Bandeirantes durantes suas incursões pelo interior do Brasil. Região de muitas nascentes: O nome “Mantiqueira” se origina de uma transcrição do tupi para “Montanha que chora”, devido à grande quantidade de nascentes, cachoeiras, riachos vistos em suas encostas. O nome dá uma idéia da importância da Serra como fonte de água potável, formação de rios que abastecem um grande número de cidades do sudeste do Brasil. Seus riachos formam o Rio Jaguary, responsável pelo abastecimento da região norte do Grande Rio de Janeiro, o Rio Paraíba do Sul que corta a região do Vale do Paraíba de ponta a ponta, uma das regiões mais desenvolvidas industrial e socialmente do Brasil e que se situa entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, o Rio Grande que é parte integrante do maior complexo hidroelétrico do país. Nos planaltos ao norte da Serra da Mantiqueira que adentram no território do Estado de Minas Gerais estão localizadas as fontes de águas minerais de Caxambu e São Lourenço, Passa-Quatro, Pouso Alto e Poços de Caldas. Em sua face sul temos as fontes de Água de Prata, localizadas na Serra do Cervo, em sua grande parte e Resende e Itatiaia. CONTINUA

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12 CONTINUAÇÃO A “Serra da Mantiqueira” e o Ouro das Minas Gerais: A Serra da Mantiqueira fecha a sua cadeia nos últimos contrafortes do Ouro Branco, no centro do Estado de Minas Gerais. Principia na Serra do Espinhaço, a chamada Serra Geral ou Serra de Minas e se estende no sentido de Sul a Norte até além da Bahia. Seu sistema assume para o norte os toponômios dos lugares por onde passa, Serra do Ouro Preto, do Batatal, da Capanema, do Ouro Fino, do Gongo Soco, do Garimpo, da Maluca, do Cipó da Pedra Redonda, ao pé da qual nasce o Rio Jequitinhonha. Um de seus contrafortes é a Serra da Caraça, em curva quase perfeita, uma das maiores eminências da Serra Geral, o ponto mais elevado de sua espinha dorsal. Os Picos do Sol e do Carapuça, freqüentemente cobertos por densa névoa, altaneiros, erguem-se a 2.100 metros de altitude, o primeiro e a 1.955 metros, o segundo. A região da Serra da Mantiqueira tem altitudes médias de 1.200 a 2.800 metros. A Serra da Mantiqueira, na época da colonização colonial, no ciclo da exploração do ouro e das pedras preciosas, foi o caminho dos desbravadores na sua busca desses minerais, cujas maiores jazidas se encontravam no território das Minas Gerais. Caminhos foram abertos, tropeiros carregando em suas mulas serra abaixo rumo a Paraty, porto de embarque do ouro e das pedras preciosas. Um desses caminhos que maior afluência de tráfego mereceu e o mais conhecido é a “Estrada Real” que liga Minas Gerais, ao Vale do Paraíba e daí a Paraty já no Litoral do Estado do Rio de Janeiro. Tem dois caminhos o velho que liga Ouro Preto (MG)a Paraty (RJ)e o novo que liga Ouro Preto ao Rio de Janeiro. A Estrada Real corta 177 municípios nos três Estados, sendo 162 no Estado de Minas gerais, Oito no Estado do Rio de Janeiro e Sete no Estado de São Paulo.

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13 A maioria dos que visitam o Litoral Norte Paulista se restringem a conhecer a parte insular. No entanto, nosso litoral esconde praias e pequenas localidades, somente acessíveis por mar, que escondem raras belezas naturais e históricas que em muito acrescentam ao conhecimento de quem as visita. Assim, provavelmente muitos pensarão que é lenda se alguém lhes contar que no Litoral Norte existe criação de búfalos, ou até mesmo que podem ser vistas baleias a poucos metros da praia. Nascendo na Serra do Mar, o Rio Itatinga, percorre 24 quilômetros em meio a densa vegetação, formando cachoeiras e piscinas, antes de desaguar no Rio Itapanhaú. Inaugurada em 10 de Outubro de 1910, a hidroelétrica construída pela administração portuária de Santos ( em área adquirida em 1903 da Fazenda Pelaes) era então uma das mais importantes do Brasil, chegando a abastecer de eletricidade a baixada santista e até algumas áreas da capital paulista. Sua queda d’água de 765 metros de altura, era a maior do País, tendo a usina sido projetada pelo Engº. Guilherme Benjamin Weinschenck. A Vila de Itatinga começou a se formar em 1910 quando a Companhia Docas de Santos resolveu manter por perto da hidroelétrica, equipes de manutenção. Há duas trilhas de acesso à Vila de Itatinga, pela rodovia RioSantos, num percurso completado por uma pequena travessia de balsa e uma viagem de 7,5 km num dos bondinhos de Itatinga; pode-se também chegar ao local após uma viagem de três horas de barco pelos canais do Estuário e de Bertioga ou pelo Rio Itapanhaú. Nesse local, várias trilhas cortam a região e podem ser exploradas pelos visitantes e aventureiros: a das Ruínas, a da Captação, a do Vale do Rio Itatinga, dos três poços e o Caminho da Pedra. A trilha das Ruínas começa nas ruínas da Igreja de Nossa Senhora dos Pilares (ou Pelaes), do século XVII e margeia o Córrego Fazenda. O caminho percorrido em cerca de 40 minutos, é cercado por Mata de Encostas preservada, com diferentes espécies de bromélias e grande quantidade de trepadeiras. Chega-se então à área de captação conhecida como Pelaes, que forma bela queda d’água. Já a Trilha da Captação, de 1,5 km entre árvores de maior porte, que formam uma cobertura densa e contínua, passa por áreas de transição de vegetação de restinga para a Mata de Encosta, atravessando pequenos regatos com rústicas pontes e margeando o Ribeirão Tachinhas. Com 6 km de extensão, o Caminho da Pedra liga a área de planície ao alto das montanhas a 730 metros de altitude. Calçado com pedras, permite já no seu primeiro trecho de 1,2 km, ver a paisagem da planície, com os Rios Itapanhaú e Itatinga, o mar e a vegetação. Após três horas de percurso, o visitante atinge um belvedere, de onde avista desde Bertioga até Alcatrazes. Eucaliptos, bromélias e orquídeas marcam a Trilha dos Três Poços, que pode ser percorrida a pé em cerca de meia hora, margeando um córrego até chegar a um poço decorado com grandes rochas, sobre as quais a água corrente forma duchas naturais. Em Itatinga juntam-se três ecossistemas; mata de encosta, manguezal e restinga. A Vila compõe-se de 70 casas, escola, posto médico, auditório, clube, padaria e a Capela de Nossa Senhora da Conceição. A área é propriedade da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), que criou a Vila para abrigar os funcionários da usina hidroelétrica, inaugurada em 1910, e que até hoje fornece 2/3 do total da energia consumida pelo Porto de Santos. Erguida em terras da antiga Fazenda Pelaes, adquirida pela CODESP quando Bertioga era distrito de Santos. Hoje Itatinga faz parte do Município de Bertioga.

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14 LITORAL NORTE PAULISTA O Litoral Norte Paulista além de sua riqueza ecológica, de sua história e de seu povo, nos oferece espetáculos maravilhosos e a possibilidade de entender como o modo de vida caiçara se adapta perfeitamente à natureza, vivendo de uma forma harmoniosa, sem degradação ambiental, se mostrando cada cidadão um fiscal de sua história e de seu habitat. Suas praias, algumas delas ainda virgens e inexploradas se espalham por seu Litoral. Uma mais bonita e convidativa que outra, onde o Oceano Atlântico descarrega sua mansidão e por vezes até sua raiva, nos propiciando águas calmas na calmaria e águas revoltas em seus acessos de fúria. Por todo o Litoral Norte Paulista, onde se pode afirmar seja o mais preservado e limpo de todo o Litoral Paulista, encontramos pitorescas vilas de pescadores ou pequenas cidades. Comecemos por falar de Bertioga (Página 15), o primeiro Município do Litoral Norte Paulista, onde um antigo forte ainda guarda a memória de Hans Staden, aventureiro alemão seqüestrado pelos tupinambás em meados do século XVI e que, ao escapar de ser devorado pelos índios canibais, escreveu suas memórias e fez uma série de desenhos considerados as primeiras imagens existentes sobre o Brasil. O próximo município é São Sebastião (Página 18), separado de Bertioga por dezenas de praias de mar bem azul. Fundada em fins do século XVI, a região abrigou engenhos de cana-de-açúcar e fazendas de café. Hoje, sua economia está em grande parte baseada no turismo, nas indústrias de transformação de pescado e, como segundo maior porto do Estado de São Paulo e conseqüentes atividades portuárias. Cidade histórica, o centro de São Sebastião ainda preserva muitas construções antigas, resquícios do período colonial. O município abriga 78 km de paisagens e águas exuberantes. É também no Litoral Norte que fica uma de suas mais conhecidas Ilhas, a “Ilhabela”(Pág.17), a maior Ilha Marítima Brasileira, com quase 350 mil metros quadrados de extensão. Ilhabela, que possui 60 praias muitas delas inacessíveis por via terrestre e outras completamente virgens e preservadas. São 150 km de costões e praias, algumas ainda selvagens, de acesso possível apenas por barco. Quatrocentas cachoeiras cortam a vegetação formada por grande variedade de árvores e plantas do Parque Estadual de Ilhabela. Logo a seguir um pouco mais na frente de São Sebastião, iremos encontrar Caraguatatuba (Página 16), conhecida pelos índios tupis como “a enseada dos altos e baixos”. A cidade em sua formação geográfica, apresenta uma enseada com muitos recifes e pequenas ondulações de areia. Dessas formações rochosas nasceu a Pedra do Jacaré, na Prainha, e ainda a Pedra do Sapo. A beleza de Caraguatatuba é ainda maior pela passagem do Rio das Pedras, que no seu serpentar e no seu saltar rumo ao Oceano Atlântico, nos presenteia com maravilhosas quedas de água, cachoeiras e pequenas piscinas naturais. Caraguatatuba é também considerada a porta der entrada do Litoral Norte Paulista. Pois, mesmo com a abertura da Estrada Rio-Santos ainda é pela Rodovia dos Tamoios que liga o Vale do Paraíba ao Litoral Norte, que a maioria dos visitantes do Litoral Norte se desloca. A seguir a Caraguatatuba, pela Rio—Santos iremos encontrar outra maravilha do Litoral Norte Paulista, Ubatuba (Página 19). Fundada em 28 de Outubro de 1637, seu nome originou-se de duas palavras indígenas; “Ubá” e “Tuba”, que associadas significam “muitas canoas”. Foi nas areias de Ubatuba que o Padre José de Anchieta escreveu o seu célebre “Poema à Virgem Maria” com mais de quatro mil frases. Ubatuba, além de sua rica história, tem em suas belas praias um cenário de beleza e de perfeita harmonia entre o Oceano Atlântico e a Mata Atlântica.

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15 DADOS SOBRE A CIDADE: Fundação: Área total da unidade territorial: Latitude do distrito sede do município: Longitude do distrito sede do município: Altitude: Estimativa populacional ( IBGE-2006): Participação FUNDEF-2007: Fundo Part. Municípios (FPM-2007): Densidade demográfica: POPULAÇÃO RESIDENTE:: Homens: Mulheres: População Urbana: População Rural: Turismo: Atrações: DADOS COMPLEMENTARES (2007): População residente acima de 10 anos de idade: População alfabetizada: Taxa de alfabetização: 1991 101,301 km2 S W 8 metros 30.039 habitantes n/disponível n/disponível 61,09 hab./km2 15.511 14.529 29.178 861 Turismo de veraneio e histórico Praias, Cachoeiras e trilhas n/disponível n/disponível n/disponível Estabelecimentos de Ensino pré-escolar: n/disponível Estabelecimentos de ensino fundamental: n/disponível Estabelecimentos de ensino médio: n/disponível Hospitais: n/disponível Agências bancárias: n/disponível BREVE HISTÓRIA DA CIDADE: Antes da colonização portuguesa, Bertioga era habitada por índios tupiniquins que a chamavam de “Buriquioca”, que na língua tupi, é composta de duas palavras “Buriqui” que significa macaco e “oca” que significa casa, morada, ou seja “Buriquioca” significa “Morada dos macacos grandes”, pois o morro da Senhorinha era o habitat normal des- se tipo de animal. Em 1551, no exato local do encontro das águas dos canais (canal de Bertioga) da Ilha de Santo Amaro com o mar aberto ou seja o Oceano Atlântico, o Governador Geral da Costa do Brasil, Martin Afonso de Souza, aportou. Assim, ali foi fundado um povoamento, o Vilarejo de Bertioga que, desde aquela época, teve um papel preponderante na defesa das populações contra os ataques indígenas. Sua primeira fortificação foi construída em 1547, recebendo o nome de “Forte São Tiago”, também conhecido pelo nome de “Forte São João”. Os ataques, eram tão constantes e destemidos, que foi erguida outra fortaleza no local oposto do canal; o “Forte de São Felipe” ou “São Luis” como também é conhecido. Foi deste porto também que em 1665, partiu a esquadra de Estácio de Sá para combater os invasores franceses, que tentavam dominar o Estado do Rio de Janeiro, com a intenção de formar ali a “França Atlântica”. Até princípios do ano de 1991, Bertioga ainda pertencia ao Município de Santos, no Litoral Sul Paulista mas, em 19 de Maio de 1991, o povo de Bertioga foi às urnas votar no plebiscito que decidiu pela separação. No dia 31 de dezem- bro de 1991, o então Governador de São Paulo Luiz António Fleury Filho assinou o Decreto Lei nº.7664 que oficiali- zou a criação do Município de Bertioga. Bertioga é um dos municípios com a maior área verde preservada de todo o Estado de São Paulo. O Parque Estadual da Serra do Mar ocupa mais da metade de toda a área do município. A Riviera de São Lourenço é o seu mais importante centro turístico, onde convivem harmoniosamente progresso e preservação ambiental. Maiores informações: http://www.bertiogo.sp.gov.br. TELEFONES ÚTEIS: Prefeitura Municipal: n/disponível Policia Civil: n/disponível Polícia Militar: n/disponível Pronto Socorro: n/disponível

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