Confrades da Poesia94

 

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Poesia Lusófona

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano IX | Boletim Mensal Nº 93 | Janeiro 2018 CONFRADES DA POESIA www.confradesdapoesia.pt - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO/UNIVERSAL» Neste ano 2018 vamos iniciar as edições do nosso boletim, na expectativa de que ele progrida em cada ano transformando-se num elo mais forte em prol da poesia. Nesta conformidade esperamos uma colaboração mais empenhada de todos dos nossos poetas membros que nele participem, para que o nosso boletim dignifique cada vez mais a poesia e seja um verdadeiro orgulho para a nossa organização poética. SUMÁRIO EDITORIAL Capa: 1 A Voz do Poeta: 2 Ecos Poéticos: 3 / Bocage: 4,5,6,7,8 / Contos e Poemas: 9 Confrades: 10,11,12 / Tribuna do Vate: 13 / Cantinho Poético: 14 / Rádio: 15 / Ponto Final: 16 O BOLETIM Mensal Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fr ater nal e poético. Pr etendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono e outros países “; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona, no acréscimo da Poesia Universal e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" des- te Boletim. «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Para nós não existe concorrência. Existem parceiros de actividade! Tribuna do Vate …. página 13 Rádio Confrades da Poesia Nesta edição colaboraram 56 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Revisão: Conceição Tomé A Direção: Pinhal Dias - Fundador Colaboradores: Adelina Velho Palma | Air es Plácido | Alber tino Galvão | Alfr edo Mendes | Ana Per eir a | Ana Santos | Anna Paes | António Bar r oso | António Boavida Pinheiro | António Martins | Arlete Piedade | Arménio Correia | Artur Gomes | Carla Carvalho | Carlos Alberto S Varela | Carmo Vasconcelos | Catarina Malanho | Conceição Tomé | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson Ferreira | Efigênia Coutinho | Ernesto Dabo | Euclides Cavaco | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Helena Fragoso | Henrique Lacerda | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | Ivanildo Gonçalves | João Coelho dos Santos | João Furtado | José Chilra | José Jacinto | José Maria Gonçalves | Lili Laranjo | Liliana Josué | Luís Filipe | Marco Alvarenga | Maria Alexandre | Maria Brás | Maria Fonseca | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Moreira | Maria Petronilho | Maria Vit. Afonso | Natália Vale | Paco Bandeira | Pedro Valdoy | Regina Pereira | Rita Rocha | Rogério Pires | Rosa Branco | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Teresa Primo | Tito Olívio | Vitalino Pinhal | Vó Fia | Zzcouto | … Ver restantes no site.

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2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 94 - Fevereiro 2018 «A Voz do Poeta» ONDE ESTÁS DEUS ? Sonhando com o Alentejo ESTE POVO QUE NÓS SOMOS Onde estás DEUS da terra Do mar da serra do ar Da vida e da morte Dos sonhos e das esperanças Das alegrias e da harmonia Onde estás DEUS que não consigo te enxergar Os homens vivem para a guerra E só pensam em matar Onde estás DEUS Que não me vens consolar Não me dás a tua fé Para eu não soçobrar Onde estás DEUS Do amor da esperança Orvalhando os campos Para dar beleza, vida cor para amar Onde estás DEUS Que não ouves as minhas preces As minhas súplicas o meu desesperar Que fizeste da vida nesta terra Onde só há gente a vegetar E outros tão pecadores Vivem num mundo maior Onde está aquele DEUS Que em pequena Me ensinaram a amar A socorrer os necessitados Amparar os abandonados A fortalecer o corpo e a alma Para construir um mundo melhor Onde pairam as crianças alegres e felizes Encanto das famílias, pais filhos, netos, avós Que nos ensinavam contos de encantar Onde está DEUS que não nos vens acudir Não nos ajudas na dor Não limpas as lágrimas do nosso carpir E nos deixas viver sem amor DEUS da vida humana da fauna da flora Dos ventos do céu do universo Porque não ajudas o Homem a perdoar A lutar pela e vida e vencer Encorajar nas tristezas E os animas a sentir o verbo AMAR? DEUS da vida e da morte Ensina o bom caminho Para alcançar o destino da sorte DEUS onde estás Que não ouves o meu lamento A minha dor a minha mágoa Vê que dos meus olhos escorre água Por ver este mundo ruir Desfalecer desencantado Sem fé no porvir Vem oh DEUS da eternidade Dar vida e esperança No caminho da saudade Vem oh DEUS do infinito Semear a paz e a bonança Para viver no mundo da verdade. Obrigado Deus meu DEUS da humanidade Dá-nos a tua bênção do céu Para vivermos com humildade Ai Alentejo Alentejo És a terra de meus pais Por estar longe de ti É que de ti gosto mais Ai Alentejo alentejo Terra que me viu nacer Sinto saudades d’outrora E isso faz-me dizer Ai Alentejo Alentejo Terra bela, humilde e pura Tu foste um dia o meu berço Talvez não a sepultura Refrão Numa pedra sentado O campo olhando Ao chaparro encostado Estava eu sonhando Que o Alentejo floria De novo já cultivado Foi-se a minha alegria Logo após, ter acordado. Chico Bento - Suíça Nós somos este Povo Lusitano Descendentes de heróis e heroínas Nós somos de Afonso o soberano Herdeiros da Pátria das cinco quinas. Nós somos dinastias duma história Que encerra oito séculos de epopeias Nós somos das batalhas a glória E “Homeros” de outras tantas odisseias. Nós somos oceanos e as marés Onde ousado navegou o nosso Gama Nós somos marinheiros e as galés Que deram ao Império a grande fama. Nós somos os heróis de mil facetas Descobridores do mar a majestade Nós somos inspiração dos poetas Que rimaram génio Luso com saudade. Nós somos as estrofes de Camões Orgulhosos do presente e do passado Nós somos o eco das gerações Que com alma deram vida e berço ao fado. Nós somos as memórias do Infante De Eanes, Magalhães e de Cabral Nós somos este Povo fascinante Da Pátria que se chama Portugal !… Euclides Cavaco - Canadá A mentira Eu queria ver o mundo Com uns olhos de criança Mas é tudo tão profundo Que minha visão não alcança Se todos os poetas são loucos O sonho nunca é demais Vou descobrindo aos poucos Interesses desiguais Tanta história mal contada São de mentira e engano Por gente que não vale nada E tornam o mundo profano Criam a sua verdade Para se mostrarem credíveis São amigos de falsidade Os seres mais desprezíveis Ludovina Dias - Lisboa Soneto sem utilizar a letra I Não falo às estrelas Nas voltas do tempo rodando ao sabor Dos sonhos que sonho, mesmo acordado, Procuro meu rumo nas asas do amor Com um saco de paz ao dorso agarrado Não falo às “estrelas” que olham soberbas Com olhos opados de falsos valores… Nem colho das sombras promessas ou verbas Na troca ou venda de obscuros favores Não abro meus braços àqueles que usam As mãos como armas e bocas que abusam… Mas contra o ladrão e corrupto estupor Ou todo chuleco que mama, guloso Nas tetas do estado sem qualquer pudor… Transformo meus versos em farpas... com gozo! Abgalvão – Fernão Ferro Intimidade Perdida Rosélia Martins - P.Stº Adrião Lugar intimo No respirar Em silêncio De lábios cerrados No liberto desejo E no lugar que ficou A intimidade perdida. Albino Moura - Almada

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 94 - Fevereiro 2018 «Ecos Poéticos» 3 Felismina Mealha; Júlia Pereira; Carlos Cardoso Luís; Aline Rocha; Joaquim Marques LIBERDADE Aqui movimento das forças Armadas! Mantenham a tranquilidade, o sorriso. A ditadura está agonizante, A Democracia desponta no horizonte, Nas espingardas nascem cravos vermelhos. O Marcelo, o Tomaz, estão velhos. No largo do Carmo a rendição, O Povo grita euforia, liberdade. A censura, a Pide, o Aljube, Abriram as portas terminou a tortura. Aproxima-se o 1º de Maio, Povo vibra, canta loucura. Posso dizer tudo o que vai no pensamento, 25 de Abril anos do meu Pai, Cravos vermelhos, Grândola vila morena. Para trás fica o inferno, Para a frente: luta, amor, lealdade. Um sentimento eterno, Bandeira desfraldada, 25 de Abril Liberdade. Carlos Cardoso Luís - Lisboa IRONIA DO TEMPO Que ironia tem o tempo misterioso Que diz que passa velozmente sempre andando Mas afinal esse tempo é mentiroso Porque ele fica e a gente é que vai passando. Dizem que é velho, mas o tempo é sempre novo Não tem idade, pois ninguém o viu nascer Tal como o enigma da galinha e do ovo Não sabe ao certo se existia antes de o ser. Comanda tudo sem ter dó nem piedade E eu perplexo fico olhando sem o ver Imutável e sempre em celeridade. Rendo-me enfim, pois não sei compreender Apenas sinto com toda a fragilidade Que o tempo é rei e, de rei tem o poder !... Euclides Cavaco - Canadá A Vontade de Sofrer Parti p´ra longe um dia e quis sofrer, P´lo amor da aventura que sentia, Sofrendo para assim compreender, A força deste fado que nos guia! Fui um barco sem norte e sem ter cais, Em mar de tempestade sem bonança! O fado, nos meus dias infernais, Sempre alimentou a minha esperança! Andei ao sabor da indiferença, Numa terra distante, sem abrigo! Mas nunca perdi a minha crença, Guiado neste fado sempre amigo! Aqui, a minha voz tem mais sabor! Voltei a Portugal e sou feliz P´lo fado que ao meu povo dá valor, Esta canção que honra o meu país! José Camacho - Almada Volta Minha Poesia Abraça-me os sentidos, minha poesia. Faz-me recordar neste meu presente toda essa saudade que em mim ausente deu-me sonhos, desejos e alegria. E com tal esmero que sinto, antedigo em versos puros enlevados pelo vento, que viver sem ti é tanto o sofrimento, que a poesia, sem amor é um castigo. Reparas bem a lua cheia e bela, Deusa pura e cintilante da paixão o amor em cada verso nos revela. Anna Müller - RR - BR

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4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 94 - Fevereiro 2018 Ladram os cães e as cadelas Ladram os cães e as cadelas O rebanho vai atrás à frente o maioral com cara de capataz! «Bocage - O Nosso Patrono» Ladram os cães e as cadelas O rebanho vai atrás não importa qual a ordem mudou o capataz! Teresa Primo - Lisboa Inventário de Vida Eu pouco fiz na estrada percorrida, Distribui sonhos, semeei estrelas! E todas as pessoas que encontrei na vida, Eu sempre soube amar e compreendê-las. O rebanho acomodado Segue o rumo a direito Sem nunca fazer desvios Levam tudo a preceito! Escondesse a matilha Prás presas agarrar não se desviam do caminho já não conseguem andar! O rebanho está vencido de tanto caminho percorrer faminto e sem agasalhos a esperança a desaparecer! Heis que de repente uma ovelha tresmalhada sai do rebanho bulindo já não aguento mais nada! De repente o rebanho a seguiu desafiando toda a matilha estavam fartas de tanta promessa já não queriam estar na fila! Depressa os cães e as cadelas mais os lobos foragidos perceberam que aquilo era a sério seria melhor ficarem escondidos! O rebanho já avisado bloqueou-lhes o caminho agora todos juntos não lutavam sozinhos! Os lobos assustados quiseram logo negociar mas o rebanho não deixou não se deixariam levar! Cercaram todos os lados lá por bandas do covil amarraram todos os lobos foram todos para o canil. Ficaram a pão e água triste sina, murmuravam não estavam habituados à forma como os tratavam. Não conheciam o que era passar fome frio ou poucas comodidades Iludiam todo o rebanho para viverem à vontade. Capital do amor Lisboa, companheira, meu fado maior, Mulher sem idade, sempre menina! Refúgio do poeta, teu cantor. Cidade amiga, donairosa e bela, Castiça varina. Lisboa encantada dos recantos em flor, Do luar que no Tejo se mira vaidoso! Dos mármores e granitos com amor talhados, Eterno afago de artista zeloso. Cidade maior, capital de amor! Teus bairros de encanto por igual importantes, São filhos queridos no colo materno! Lisboa querida, amante mais bela, Vivo tão feliz sob a tua tutela! Dormirei em teu seio o sono eterno. JGRBranquinho - Lisboa Da minha esposa não fui companheiro, Aos meus filhos e netos pouco dei. Mais algo restou e ficará inteiro. Este coração que lhe entreguei. Da cigarra vivi toda alegria, Da formiga, só previsão e prudência. Embora dando asas à fantasia, Busquei a honestidade, a decência! A vida toda, dia a cada dia, Cantei a eternidade do carvalho, Que na fé dos simples eu oferecia Na oração constante do trabalho! E agora, quando se aproxima o fim, Uma grande lição ficou, bem sei: - Se não fui o que esperavam de mim, Fui muito mais do que sempre sonhei… Marcus Vinicius de Moraes Poços de Caldas – Minas Gerais / Brasil O homem e o seu cão Passeia com ele de trela na mão Devagarinho, e cheio de paciência Há uma ternura entre ele e o cão Que o deixa tristonho pela sua ausência Sou Lutadora Sou lutadora por natureza Nada tenho a temer Por mais que me testem Nunca vou ceder A vida tem destas coisas Quando penso que tudo está bem Aparece sempre algo para me testar Mas sou lutadora Há mais marés que marinheiros Pois não cedo Sou lutadora até morrer! São dois seres de uma seiva Que num choupal abrolhou Sementes nascidas á solta Onde o vento as deixou O homem é poeta, musico, radialista Tem alma grande e bom coração Sensível, inquieto e humanista De grande ternura, sonho e paixão Não há ternura humana que se meça Serão gerais os atributos que lhe dão Nem na força que o habita ele confessa O grande carinho que tem pelo seu cão Ana Pereira - Amora Regina Pereira - Amora

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 94 - Fevereiro 2018 «Bocage - O Nosso Patrono» 5 BOCAGE ELEGIA Bocage, Quando cá andaste, Alguns, primeiro, Porque a pena ao sair do teu tinteiro lhes pintava a verdade dos corações e distorcia as feições, Chamaram-te traste, chocarreiro, um perigo para as novas gerações, e aplaudiram o carcereiro que te guardava nas prisões. Eras o herético, o perigoso dissoluto de costumes, um famoso arruaceiro, Mas tu só acendias paixões, chamavas os bois pelos nomes, e devolvias-lhe os estrumes que espalhavam nas sessões. Para outros, o desejado, o ousado, admirado companheiro Dos outeiros, copos, e noitadas, Que, quase sempre sem dinheiro… Pagava com sonetos as rodadas. Alegrava um bar inteiro. Um gajo porreiro. Belas madrugadas. Quando cá andaste, Muito sofreste Com as namoradas: Jertrudes (Jertrúria), Marília, (Ritália) Maria Cecília (Armia) Ana Perpétua (Anália) Maria Vicência (Márcia), Até ao último dia. E no intervalo, Até ao cantar do Galo, ofereceste a haste Às casadas e às solteiras Às Virtuosas e às rameiras, Quem sabe, também a freiras, Mas só boas, não estragadas. E ainda a Nise, A Olinda e a Alzira. Apaixonadas. Mas por ti sempre foram bem cuidadas E tu, solteiro, Femeeiro, Feio, De carnes magras, Avesso a fardas e a batinas, Ao trabalho e à Medicina. E sempre sem dinheiro, No íntimo, eras religioso, em Público, profano, Julgavam-te muito perigoso, Mas apenas, eras humano José jacinto - Casal do Marco - Fui ver o mar latejar, E as ondas no seu vai e vem Escutei o mar a chorar, Fiquei eu triste também!?... A Nossa Caldeirada Por sinal domingo era Num dia de primavera Ainda de manhã cedinho Sem querer arranjar chatice Para o meu amor disse Hoje sou eu que cozinho O meu amor concordou Logo a seguir me beijou Gostei da atitude dela Estando a mim agarrada Disse-me faz caldeirada Aqui na minha panela ... refrão Querendo vê-la feliz Logo a vontade lhe fiz E queria ir ao mercado Ela desatou logo a rir Ao frigorifico tive que ir Pois estava bem recheado O frigorifico cheio estava Pois sardinha não faltava E disse-me ela descarada Não é uma ideia tola Só com sardinha e cebola Fazes tu a caldeirada ... refrão Para a nossa caldeirada Tinha a minha amada Uma panela limpinha Disse, vá não sejas tola Vai descascando a cebola Que eu já meto a sardinha. Zé Bento Dällikon-Zurique-Suíça Meu sol da manhã Hoje comecei o dia desassossegada, O meu espírito atordoado por nada Que eu possa explicar a alguém Que não sejas tu, meu Zé ninguém! Só tu tens competência e ciência E saber construído de experiência Para compreender minha insuficiência Que precisas superar com inteligência. Só tu sabes o que vale a turbulência Que a tua presença refeita de ausência Imprimiu à minha vida feita de inércia, Que o teu império marcou em essência! E tu só precisas ter vontade e persistência, Para despoletar com um pouco de paciência, Adotar uma linguagem eivada de evidência Proficiência amistosa, sentimentos e sapiência. De contrário, meu desassossego eventual Deixará de ser um mal-estar pontual Que apenas perdure neste tempo atual Para formar uma situação factual. Desde sempre alimento a esperança De um dia encontrar em ti o ser humano Que me ampare e me recolha, sem dano Para um coração fofo, sem punhal, sem lança! Dum ser humano calibrado e trovador, Capaz de amainar meu calor abrasador, Com abraço e amaço doce que me devolve A frescura ao corpo que só o amor desenvolve! Procurei por um corpo com espírito santo, Semelhante ao que Deus produziu Que se uniria a mim por bem querer e amor E sentiria saudades de mim na ausência . Queria alguém que fosse meu sol da manhã, Que olhasse para mim sorridente, sem sanha, Sem confusão da treva carrancuda da noite Que ofusca quaisquer tardes de lestada. Se poeta quis ser (procurei escrever) Se poeta quis ser, foi pra escrever, não foi pra sofrer. Não foi pra cair, foi pra voar, pra saber rimar, pra poder sonhar. Se poeta quis ser, não foi pra sofrer, foi pra escrever. Foi pra abraçar a poesia, pra ter asas, e no coração alegria. Tenta ser alguém e o meu sol da manhã Que olhe para mim sorridente, sem manha, Que ilumine a treva carrancuda da noite E sopre a fumaça das tardes de lestada. Desisto de quem promove profusão perversa Desisto de quem transporta arma emersa Escavando em mim, com picareta adversa, Abrupto desfiladeiro que remédio não dispersa. Amália Faustino Mendes - Praia/Cabo Verde Se poeta quis ser, foi pra escrever, não foi pra sofrer. Não foi pra ler, foi pra rimar, pra saber sonhar, pra poder amar. Se poeta quis ser, não foi pra sofrer, foi pra escrever. Foi pra abraçar a paixão, pra ter asas, e acalmar o coração. Flores do meu jardim Perfeitas e tão belas. Deixo e ganho em mim, Quando estou entre elas. (Se procurei escrever, poeta quis ser) Maria de Jesus Procópio – Seixal Silvino Potêncio Luanda 1972 Miguel Guerreiro - Lisboa

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6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 94 - Fevereiro 2018 «Bocage - O Nosso Patrono» LIBERDADE! G E N T E ( Rosélia Martins ) GENTE Ouve o ruído que há no teu interior Ouve o ruído que há em teu redor GENTE Ouve o som rouco ta terra em erupção Ouve o estalar do medonho do vulcão GENTE Ouve o gotejar da chuva nos beirais E nos seus ninhos o cântico dos pardais GENTE Ouve o ruído do vento nas árvores zumbindo E o ruído das flores na primavera se abrindo GENTE Ouve o ruído das tempestades do trovão Das nuvens se chocando em violento trovão GENTE Ouve o tumulto da guerra e da revolução E ouve o silêncio da paz no coração Gente que passa impávida Rude indiferente Gente que passa gente Gente que sente Ouve Ouve os sons maviosos da natureza Escuta Como ela te chama Aquela árvore Aquela flor Elas pronunciam o amor Mas tu GENTE Vais apressada em correria louca Para o amanhã Esse amanhã ignoto de ruídos metálicos Que já se antevê Tu gente Vais correndo loucamente Perdidamente Para essa manhã sem certezas Para esse amanhã de sons mecânicos Do robot Da serra Da tevê O estertor da guerra GENTE Olha para dentro de ti Onde um coração vibra De amor de alegria de tristeza De Saudades, um coração que canta e chora Um coração que sonha se enamora Se prende à vida em breves futilidades Que dão vida à vida Ouve esse som dentro de ti Aí no teu peito pulsa um coração Batendo forte como o vento Agitando-se como um vulcão Tremendo como uma tempestade Suspirando com muita emoção Ouve GENTE A vida não é só guerra Não é só campo de batalha É ser-se ouvido na Terra Lutando por algo que nos valha E tu lutas com ardor Com tenacidade Defendes o teu sentir E a tua família e o seu bem estar A sociedade e o porvir Tu GENTE Constantemente Nas ruas da cidade e da povoação Gritas incessantemente Que fizeste uma revolução E lutas pela paz E lutas pelo amor E lutas pelo amanhã E lutas por uma vida melhor Ouve GENTE Eu ouço o som dos teus passos Ouço os teus desejos Ouço os teus embaraços E ouço que nesta confusão Eu misturei o meu sentir O meu sofrer o meu penar Contigo gente Que gritaste Um dia bem alto Como se na escuridão surgisse claridade ouvimos o som da palavra : LIBERDADE Rosélia M G Martins FERIDA ABERTA No fastio de eternidades há sangue solto no meu corpo a ferida apoquenta-me o pensamento na sua fragilidade de coisa viva em movimento. A marca vinca-se avermelhada na pele branca e suada do esforço por não senti-la. A esperança cativa de medos busca seu porto. Longe, de mãos tentaculares, sem dedos A teia descolorida e baça das minhas palavras procura asilo na vontade que foge. É quando ergo a rubra taça da minha verdade e saúdo os enganados como eu. Liliana Josué - Lisboa Com o João D' Ourique de férias A Amora perde alegria Ainda bem que já acabou Hoje é o 1° dia. A Ana já está farta Das férias e de não fazer nada Saí uma dose de Bacalhau E duas ou três douradas. Dá alegria passar ali E ver a esplanada com gente Mais um ano que começa Vamos lá malta..... é seguir em frente. O bom tempo vai começar E com ele muito trabalho Vai ser a grande correria Entre a peixaria e o talho. Paula Cascalho - Amora DOUTRINA DA AMIZADE A amizade deveria Ser no mundo uma doutrina Praticada em cada dia Como uma prece divina. P'ra todos os seres humanos Ser uma prioridade Para que os quotidianos Fossem feitos de amizade. A amizade é sentimento Mais nobre que pode haver É quase como um fomento Que alimenta a alma e ser. A amizade é qual riqueza Que existe dentro de nós Na vida magna certeza De não nos sentirmos sós. Reside em nós tal verdade Basta só dar-lhe guarida E cultivar a amizade Como doutrina da vida. Nosso mundo era perfeito Se a amizade genuína Fosse entre nós um preceito De a seguir como doutrina. Euclides Cavaco - Canadá Cantiga Canta coração Tua cantiga d' amor Grita bem alto ! Com clamor Não tenhas medo Fala de esperança De confiança Vem meu amigo Cantar comigo Vamos compor Nossa sinfonia E com a nossa Orquestra Viver este dia de festa !!!! Maria Rita Parada Dos Reis Lisboa

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 94 - Fevereiro 2018 7 «Bocage - O Nosso Patrono» Ingratidão Nesta ânsia de cantar Meus sentimentos vividos Hoje canto p´ra lembrar Os poetas esquecidos A um poeta quando morre Todos lhe deitam flores E em vida ninguém acorre A acalmar as suas dores Ingratidões me consomem Por não poder entender Porque dão a fama ao homem, Mas só depois de morrer Hei-de levar confiança Quando chegar o meu fim Em vez de flores uma esperança E um fado dentro de mim José Camacho - Almada Capital do amor Lisboa, companheira, meu fado maior, Mulher sem idade, sempre menina! Refúgio do poeta, teu cantor. Cidade amiga, donairosa e bela, Castiça varina. Lisboa encantada dos recantos em flor, Do luar que no Tejo se mira vaidoso! Dos mármores e granitos com amor talhados, Eterno afago de artista zeloso. Cidade maior, capital de amor! Teus bairros de encanto por igual importantes, São filhos queridos no colo materno! Lisboa querida, amante mais bela, Vivo tão feliz sob a tua tutela! Dormirei em teu seio o sono eterno. JGRBranquinho - Lisboa É tão pouco Eu tenho uma viola velha amiga que nunca aconselha um beijo à minha disposição o pouco que tenho é tão pouco mas que vale um milhão. Tenho o ar que respiro o mar todo para mim e se alguém diz "não" eu digo "sim" o pouco que tenho é tão pouco que ainda sobra para mim. Três falsas pinturas numa risada à Primavera embora o tempo seja fatal o pouco que tenho é tão pouco mas é essencial… A fortuna está longe um sonho que faz festa na estrada, logo ali o pouco que tenho é tão pouco que me deixa feliz. Joaquim Maneta Alhinho Inesquecíveis Passagens da Vida Relembro sempre…querida! Quando de perto via, O que sentia nos teus braços: Satisfeito na doçura dos teus beijos, Estremecia de desejos, Que perdidamente fiquei Encantado, com o maravilhoso sol Vindo do céu Que deslumbrou e aqueceu Os nossos corpos carinhosos, Dedicados e amorosos Só de boas intenções, Confortavam os nossos corações Luís Fernandes - Amora Não sou poeta, tampouco erudito Não sou poeta, tampouco erudito. Sou um sonhador que por vezes escreve... Com alma, sobre o que julga bonito, Com coração sobre o que se atreve! Canto a minha aldeia e o amor, Bem como o que ela me ofereceu, Vida, sonhos, saudade e, sem favor A pureza de quem por aqui padeceu! A humildade da sua alma nobre, Tão natural como o era ser pobre, Ao desbravar montados e olivedos!... E em negação, canto o egoísmo Como se fosse prece de exorcismo, Tendente a expulsar todos os medos!... José Maria Gonçalves – Fernão Ferro Canção no mar de liberdade Partir é morrer um pouco Cavalgar as ondas do mar Viver a vida de um louco Até o navio atracar Vais com a corrente do vento Sempre atrás da quimera, Mas não tiras do pensamento O amor que em casa espera Mar, horizonte aberto de liberdade Quebrando grilhetas de ansiedade Onde revelas tudo o que anseias E de qualquer som se faz uma canção Que as ondas cantam com emoção A mais linda canção para as sereias Artur Gomes - Amora Onde andas... Onde andas lua mágica que me confortas com a tua luz cintilante... Onde guardas o teu feitiço que destinaste à minha nascença? Já te contemplei muitas vezes e só te vejo descoberta do teu olhar, alheia ao caminho da luz... Levanta o teu olhar e dá-me um pouco do teu aconchego, dá-me um pouco da tua magia e transforma-me no teu imaginário quente e doce.... Sem te querer importunar... abraça-me e ama-me! Helena Pombo - Seixal

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8 Confrades da Poesia - Boletim Nr 94 - Fevereiro 2018 «Bocage - O Nosso Patrono» PERDÃO Venerou o sepulcro de Nosso Senhor, Orou preces que o céu reclamava, Acariciou uma criança que chorava, Colheu e distribuiu sonhos. Depois, contrito, pediu perdão. Na noite que sucedeu ao dia Abraçou improvável fantasia, Soltou sorriso lento e doce. Rápidos, selvagens, Soltaram-se relâmpagos de verão. Sentiu pavor e suplicou perdão. Agarrado à fímbria das palavras, Abraçou insanável queixume, Refugiou-se na paz da noite escura, Sem saber quanto tempo mais terá Ou se virá a merecer perdão. O sofrimento ensina, abrasa o peito. Perentório cantou elegias à lua E, no final, sentiu brilhar Uma luz de esperança e de perdão. Meu Deus Meu Deus! Por que não tenho, hoje, o que sonhei?! Por que não brilha, em mim, esse sol de vida Que em anos distantes, sonhando, idealizei?! Por que só tarde descobri minha Vénus qu'rida?! Meu Deus! Por que não tenho aqui quem mais desejo E não sinto minha essa aurora de alegrias?! Por que tão triste e tão só, hoje aqui me vejo Em noite, sem a claridade desses dias?! Meu Deus! Por ela sinto bater meu coração Por ela todo o meu ser estremece de emoção Quando, mais de perto, a encontro a sós. Transforma-se, em alegria, minha tristeza Quando contemplo e admiro sua beleza E ouço, deslumbrado, sua meiga voz. JGRBranquinho - "Little White" João Coelho dos Santos - Lisboa Mar de rimas. Poeta sonha, mergulhado nos versos Marinheiros, com hino de vitória Descobrimentos!? Foram controversos! Com as lendas a constar na história Mar…É livro aberto ao cancioneiro De vento em popa e céu estrelado No horizonte avista o faroleiro E deixa o marujo mais consolado Marinheiros embarcam na cantiga Na chegada dançam à moda antiga Madrinhas de guerra e muitas primas Por ondas sentidas, no baloiçar De partida, com vela por içar Num mar de letras, versos e rimas. Pinhal Dias (Lahnip) PT BOA NOITE COM POESIA... Um Doce Amargo Nada se perde, somente a vida, Porque nada temos, senão um corpo. Tudo se ganha, também a morte, Mesmo que possamos contar com a sorte. Nada somos, quem sabe um nome, Quem sabe um tema, quem sabe um drama, Quem sabe um sonho ou pesadelo, Uma partícula em desespero. A vida é um sopro à luz de vela, Um horizonte pela janela, Uma vontade de quero mais... É um doce, de fim amargo, Uma viagem no fim de um trago, É uma trégua a nossa paz. VERSÕES DE MIM... Eu filha Estou ao lado da mamãe, dedicando-lhe e declarando-lhe o meu amor. Eu mãe Abençôo os meus filhos, suplicando a Deus pela felicidade de cada um. Eu sogra Agradeço as gentilezas e o amor dedicado aos meus filhos. Eu avó Procuro a criança que há em mim, para falar a mesma linguagem com a minha neta. Eu amiga Declaro a minha amizade, cultuo a lealdade, e digo sempre a verdade. Eu profissional do direito Em defesa do cliente, busco a justiça, descrevendo os fatos, os fundamentos jurídicos e faço o pedido. Eu ativista cultural Crio e recrio versos, e sirvo de elo para desabrochar inspirações. Eu mulher Tento me encontrar através da poesia, que me leva ao passado, revivo o presente e sonho com o futuro. Ah ! Quantas partes há em mim! Nem eu mesma sei, porque às vezes sinto que nada sou e fico a me perguntar: Sou mesma feita de pedaços, ou me separei em fragmentos para ser eu? Socorro Lima Dantas – Recife / BR Marco A. Alvarenga /BR

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 94 - Fevereiro 2018 «Contos / Poemas» 9 A Paz de Cristo Gado Humano TIVESSE EU Cristo deixou a Paz na terra, nas mentes, nos corações, nas almas e nos Espíritos, dizendo: "A minha Paz, vos deixo, a minha Paz, vos dou!" Ele nos deixou a Paz definitiva. Não a Paz que seja a ausência de guerras entre os homens, mas, a Paz verdadeira. A Paz de espírito, a Paz interior, a certeza do amor de Deus por nós e para nós. Vendem-se gados são da raça humana Da África são com Europa sonham Fugiram de tiro e fome e catana E salvos do Mediterrâneo afogarem Se até a morte cá na Líbia trabalharem Na Europa jamais serão postos de quarentena Estiveram sim guardados em armazém Para de chuva não morrerem... Dá pena Vendem-se a quem dá mais por cada Que é 400 dólares por todo trabalho Durante a curta ou a longa vida Dependendo do comprador o talho? A vinda do Salvador que representa a própria Paz, nos leva a compreender o que Deus espera de nós. Apenas que amemos! A Paz que mede o infinito, a constelação, a emoção, a graça, o amor, a fé e a eternidade. Devemos amar incondicionalmente a Deus em primeiro lugar e depois a todas as criaturas, como amamos a nós mesmos, para que possamos ofertar ao mundo a Paz que Deus tanto almeja. João Furtado - Praia / Cabo Verde Ser mulher (Para Bruna Liro) Ser mãe Ser rainha Princesa e beldade Ser presidenta Ser feliz por fim ZzCouto – RJ/BR ****** Salve o dia 01 de Janeiro, *** Ser livre e ser mulher Ser dona Do próprio nariz *** Puder ir e voltar Para onde bem quiser Ser eu mesma dona de mim *** Ser amiga Ser a amante Puder ser até a meretriz *** Ser a irmã Ser o que eu bem quiser Ser a dona de mim O OUTRO LADO Na cama, o outro lado está vazio Do sonho que o destino me roubou. Um fumo em espiral que se evolou, Levado pelo tempo em corrupio. Agora, que é inverno, durmo frio, Lençol e manta, foi o que ficou. A dor lançou amarra e ancorou No pobre cais da vida, que é meu rio. *** Ser a solteira ou a casada Ter a infinitude ter limites Ser eu mesma por fim *** Conhecer o prazer E a recusa Ser a santa A virgem E possível ser até meretriz Saudade é desespero e solidão, Desejos que viajam em balão Em busca de horizonte mais seguro. Ou compro estreita cama, mais pequena, Ou deito do outro lado a luz serena Da arca dos meus sonhos de futuro. *** Ser a pensadora A sonhadora Professora Ser a rainha do baile Ser a dona de casa Ser mulher Ser eu mesma por fim Tito Olívio – Faro Samuel da Costa Itajaí/BR Tivesse eu asas de condor altivo E penas de aço faiscando lume; Tivesse o aroma do melhor perfume, Que se insinua e traz o amor cativo; Tivesse eu chama que passasse ao crivo E de um só salto me levasse ao cume; Pudesse amar sem padecer ciúme Reinventado em infernal motivo!... Ia pedir-te a sobra dum carinho, Como perdida ave sem ter ninho, Que cai do alto ramo a cada passo, Só para ser a flor do teu cabelo, Rico adereço ou colar singelo E ser menino de oiro em teu regaço. Tito Olívio - Faro ESSE TEU JEITO...! Com esse teu jeito de me sussurrares aos ouvidos palavras loucas, vens despertar em mim os sentidos mas não me cativas a alma! Às tuas palavras, orelhas moucas; Porque não são varinha de condão para dissipar amarguras nas horas de solidão. Quando minha tristeza chora, eu só imploro ternura. Ah.., como saboreio então a amizade! Tenta ser apenas subtil, usa a fragância das flores, para isso tens veredas mil! Serás então aconchego na idade Em que nos afrontam os temores! Virgínia Branco - Oeiras Rádio Confrades da Poesia Rádio Confrades da Poesia P’la locução de Pinhal Dias Que nos dá muita primazia Ouvir músicas de alegrias. Luís Fernandes – Amora

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10 Confrades da Poesia - Boletim Nr 94 - Fevereiro 2018 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ Mundo de Loucos Num mundo de loucos forte é aquele que consegue por si só sobreviver Sobreviver a pessoas que se julgam donas de si, de tudo e de todos! Onde não são mais do que qualquer um! Tento ser forte mas por vezes as forças não acompanham o andar da carruagem. Ate quando? Veremos… Ana Pereira - Amora Só Estava frio… Tinha nevado!... Pelo vidro embaciado via-se o furor do vento… Abanando o auge das árvores, que… Alguém caminhava pela rua fora!... Tentava puxar para junto do seu corpo a camisola de lã… Mas não… Não conseguia… O vento cada vez mais furioso!... Abanava tudo e todos… Não conseguia o que pretendia!... E, naquela solidão…quem seria???... Era!!!... Oh! Não… Eu… Oh!... E, no silêncio caminhava… Só… Como ninguém… Sem ter ninguém,… António Bicho Margens Margens Margens Por muitas margens Caminho Em muitas margens Vegeto. Por entre margens navego Por entre margens nado De umas Triste E desiludido Fugindo. Para outras Delirante Alegre Ansioso Tonificado Vou indo. Carmindo Carvalho - Suíça O Jardim Era um palácio com jardins cuidados, Árvores frondosas de sombra amena Vestiam, com seus ramos, namorados Que, ali, buscavam a ventura plena. Os silêncios só eram perturbados P’los sinos que chamavam à novena, Ou por outros companheiros alados, No alto dos ramos, copiando a cena. E nessa languidez de tarde quente, Soltando suspiros de amor ardente, Recordas-te, amor, de tanta emoção Quando, em longos beijos sensuais, Teu corpo me pedia sempre mais Com teu seio anichado em minha mão? António Barroso (Tiago) Parede - Portugal Destemido No mar se afoga um disco de fogo, Enquanto sobre a ponte Esperas a Barca de Caronte. Porque és destemido, Teu destino é o do vento Que, mesmo ferido, ignora O bulício descomunal do mundo E as vozes de paranoicos Que em seus próprios pastos Esgrimem e ferem Com seu ego de rastos. Poderá ser impercetível, Mas o desejo tem asas invisíveis Como não percetíveis são Os imóveis movimentos Das ilhas sem ancoradouro. Não existem maldições. Mesmo que te sintas ferido, Sê destemido! João Coelho dos Santos – Lisboa Sonho ou guitarra Eu sou sonho, Sou guitarra, Ave voando sem fim. Caminho longo ou amarra Onde espero sempre por ti. Fortaleza sem idade, Coração a palpitar, Fado triste a despontar Como navio de Saudade Que deixou de navegar Águas mansas Doces águas, Do céu ou do meu olhar, Para apagar minhas mágoas Deste sonho a naufragar No sonho fui tudo isto Fui tempestade e vulcão Soluços do coração Na vida já não existo Sou um rasto de ilusão Letra: Sara da Costa A OUVIR O SILÊNCIO Silêncio. Quero ouvir a voz do vento, Que mais parece um lamento. Não é! Ele, está cantando, Assim vai acariciando, Tanta alma em sofrimento. Eu, ouço a sua voz, Muito leve e entre nós, Me está desafiando, A percorrer o Alentejo. Minhas terras minha gente, Que canta alegremente, Para não ficar chorando. Fico eu. Por estar tão longe do meu, Meu povo, minha gente, Minha gente, minha terra, Chorando, Mas com prazer, Quando um dia te for ver, E para ti, ficar olhando. Recordando! Os versos que estou a fazer, Que toda a gente, ao ler, Ouça o vento falando. Mário Pão-Mole - Sesimbra

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 94 - Fevereiro 2018 11 “Estrada da vida” «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ Poesia Matemática SONHO A estrada que percorri Contigo em pensamento Quantas vezes os meus pés Eram mais leves que o vento Tive amigos, eu bem sei, Recordo com saudades E por onde passei Dei carinho e amizade Não tive nada para dar Ao longo do meu caminho Mas dei sempre uma palavra Cheia de amor e carinho Ao longo da estrada Cansada e doente Amei e fui amada Conheci muita gente Bastante cansada Do que tenho sofrido É longa a estrada Mas foi bom ter nascido I Num triângulo retângulo ... O que faz um cateto oposto sobre uma Hipotenusa? Um seno! II Qual a origem da palavra seno ? ... De seio ? ... E a Moralidade? A Inglesa claro! Sinus ... Seio ... III E, enfim seno e co-seno... Resolveram se casar Constituir um lar. Mais que um lar Um perpendicular. Do quociente... Nasce uma tangente!!!! IV E ... Isto é Poesia Matemática! Filipe Papança - Lisboa Meus pés cansados, Mal podem andar Mas estás a meu lado Para me ajudar Ao chegar á meta, Da longa caminhada. Há uma porta aberta No fim da estrada. Berta Rodrigues - Vale de Figueira Um virtual poeta, se existe na realidade Manifesta-se no labirinto da invisibilidade! Vem, então, para este espaço bom, Insiste em ficar neste meio maneirista Repleto de gente inteligente, com dom; Tomo aqui o João como especialista, Urdidor de acrósticos e refletidos versos, Acolhidos e apreciados como belas artes Lavando a literatura em quaisquer partes. VALE A PENA VIVER Passo na caldeira da árvore E vejo um pombo morto, abandonado. Mais uma flor perdida, Onde todas as suas penas, Lembram as penas da vida E a letra dum triste fado. Faz-se noite, faz-se dia, O pombo jaz inerte a apodrecer. Também já teve alegria. A vida tem princípio e fim, Mas vale a pena viver! Carlos Cardoso Luís - Lisboa Posta ou escreve aqui teus versos ou prosas, Orquestrando amores, demolindo desamores Errando criticas para destruir ou algo construir Trocando sensações por sentimentos! Atos reflexos serão descritos nos bons momentos! Amália Faustino - Praia / Cabo Verde Solidão Sou sombra da solidão Refresco as tuas ideias… Sou queimada pla tua mão Com o sangue das tuas veias Mário Juvénio Pinheiro - Amora O comboio agredia os carris Enquanto abrandava... No banco o mendigo indiferente, Dobrava-se sobre si mesmo... Mãos escondidas... Gestos circulares... Pensamento ausente! Escuridão... Seres distantes e solitários Alheados na multidão...! Luz que não alumia... Percurso de vida... Solavancos... Extremos pontos... M. Silva - Fogueteiro Zangado. Zangado!? Sim! De tanta conversa fiada… E dela saí fora… Burro anda à nora! Zangado!? Meu cavalo foi picado mosca veneno de alimento… Um caso complicado! Zangado!? Imagem de figura Raios solares na altura… Mar de bonança por herança! Zangado!? Vaca no seu deleite A cria por amamentar… Por falta de leite! Zangado!? Viola e guitarra num fado triplicado! Pinhal Dias (Lahnip) PT Desenho e Pintura Mário Pinheiro

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12 Confrades da Poesia - Boletim Nr 94 - Fevereiro 2018 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ Tu aí Tu aí! Que estás parado aí À espera que o futuro te venha buscar Para te livrar de ti Tu aí! Que andas sempre a pedir Aquilo que devias dar, a Deus Ao mundo aos outros e a ti. Ainda não viste nada e já o olhar te cansa Ainda nem sabes o universo que há em ti Sem movimento não haveria luz nem força Sem movimento nem haver havia aí Tu aí! Levante-te e sorri Olha que o futuro se faz caminhando E não ficando aí Anda lá Levanta-me esse olhar Anda a ver Gaia O Gaia que te espera, mas não espera por ti Ninguém se perde dizes tu tudo é caminho Ninguém se encontra digo eu sem caminhar O futuro não existe meu amigo Faz se futuro quando se começa a andar Paco Bandeira – Montemor-o-Novo NA HORA na hora da despedida até as aves se encolhem e a Lua se transfigura… sem cara na figura, a silhueta, deixa careta á saída,,, veja-se as arvores que se contorcem sem vento, e as flores murcham após serem regadas, enquanto os sinos das igrejas ecoam sons de adeus… o Sol da noite dorme de dia, e a luz do dia ensombra os sonhos de quem sonha,,, pesadelo ou não, na hora de despedida, não há fanfarra na praça, nem lenços a acenarem porque a partida leva a saudade com ela, e vai sem garça… sente-se um aperto da mão, e o ritmo acelerado do coração fica com a veia entupida quando a hora é de despedida… a hora está despida, solta-se uma doentia gargalhada quando chegar a hora da chegada! Ninguém diz nada! Joellira - Amora O abraço de hoje é o empurrão de amanhã. Beijinhos e abraços!? Falsos abraços e Beijinhos! Coitadinhos… Andam por aí Muitos falsos Miminhos… Na entrevista Te abraçam! Matéria que se veja Na cilada te ameaçam E cais no poço da inveja… Encheste o bolso Ao patrão!? Acordas de manhã, sem emprego E levas um empurrão… Pôr do Sol Belo! Se define o dia finito. Olho os tons do pôr-do-sol e pasmo Os matizes dourados até ao infinito Evocam o êxtase dum orgasmo Mãe Natureza tens de bem bonito Toque de sonho que tira do marasmo Pôr-do-sol, romântico a rondar o mito Predispõe para muito entusiasmo Sobre o mar o avermelhado espalha Os tons carmins qual excitante poalha Me inebria de fervor e sentimento Inquietação de momento tresmalha A insegura paz entra na calha Tranquila ouso, aí, fruir o momento Maria Vitória Afonso – Cruz de Pau “A Noite deu-me uma estrela “ Fui à praia ver chegar A onda que me trazia Notícias de quem me chama Fiquei preso à cor do mar E senti na maresia O cheiro de quem me ama Gaivotas bailam ao vento Num bailado que me diz Que o nosso amor não tem fim Pôs-se o Sol sem um lamento A noite chegou feliz E sentou-se ao pá de mim A Lua estava encoberta Mas esperei para vê-la Só p´ra ver a sua cor Deixei a praia deserta A noite deu-me uma estrela Para dar ao meu amor . Carlos Macedo – Foros de Amora Pinhal Dias (Lahnip) PT Amora/Portugal Pedra a pedra desbravei caminhos! Caminhei errante pelo vento suão. Vi amanhecer a madrugada quando a noite já dormia. Senti o cheiro do medo, a revolta do desprezo que por mim sentiam! Pedra a pedra carreguei ilusões desvanecidas pela tormenta! Pedra a pedra carreguei a dor de te ter e não ter o teu amor. Pedra a pedra tudo acaba, infinito, madrugada. Noite longa onde dou azo a desvarios desconcertantes que me atormentam até ficar extenuada deixando-me levar por aquele sono acordado. Pedra a pedra seguro as asas do sonho que teima em partir para me deixar só . Pedra a pedra tudo é pó, terra um pouco de nada! Teresa Primo - Lisboa

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 94 - Fevereiro 2018 13 «Tribuna do Vate» BUSCO-TE Busco-te pelos jardins, borboletas, andorinhas, cravos, rosas e lírios… mas nem pássaros, nem flores, aromas ou cores, me deram novas de ti. Busco-te de norte a sul, em mil lugares desconhecidos, por entre montanhas e vales. Passei rios, flutuei nos ventos e em cada olhar vejo o teu sorriso. Tento enganar-me para poder sonhar, que te posso reencontrar um dia… como te encontro aqui, no seio da minha poesia, esta que escrevo para ti, mergulhado em nostalgia. Saudades, quantas saudades permeiam as minhas lembranças: umas, bem crescidas, outras ainda crianças. Saudades dos teus traços, que vou tecendo em malha fina, vendo a tua imagem, que também é a minha, no espelho da vida. Estendo a mão, como um mendigo: espero o teu carinho. Natália Vale - Porto Poeta é aquele que… "Poeta é aquele que" com letras esculpe versos lhes dá vida e cor aos olhos de quem os lê transformando-os num jardim de mil flores dispersas que salpicam a natureza das mais belas sensações. "Poeta é aquele que" fala de amor e saudade mas também de dor e felicidade gravando da vida as emoções que embalam os corações. "Poeta é aquele que" desperta sentimentos escondidos no âmago do nosso ser e transforma a poesia em fraternidade ou liberdade para cantar e encantar e dá forma à vida até ela findar. Natália Vale - Porto Mulher Já fui Eva, a primeira Mulher que completou Adão, Expulsos do paraíso, por causa da tentação. Também fui Sara, Rebeca e Raquel, As grandes Matriarcas das tribos de Israel, Que formaram essa grande nação. Fui Cleópatra, sagaz e estrategista, Que defendeu o Egipto no tempo da romana conquista. Mais tarde fui Maria, a escolhida para ser mãe de Jesus Cristo, Dando ao mundo o Redentor, que nos trouxe a salvação Em nome da Paz e do Amor. Também fui Joana D’Arc, mártir e guerreira, Queimada na fogueira, mas que à França deu nova história. E fui as rainhas Isabel e Vitória, Que trouxeram à Inglaterra mais riquezas e glória. Na Rússia, foi Catarina, a grande e implacável czarina. Também fui Maria da Fonte, Padeira de Aljubarrota, E tantas, tantas outras mulheres, que lutaram pelo seu povo E engrandeceram a História. Só que nunca me deram o devido valor, Então, para ser mais reconhecida, mudei minha forma de vida E procurei abranger todas as profissões: Assim, tornei-me: Piloto de aviões, Condutora de comboios, de autocarros, de camiões, Engenheira de construção, Mecânica de automóveis, Doutora de leis, doutora de medicina, Arquitecta, Oficial de marinha, Gestora de empresas, Policial feminina, E outras mais. Mas, acima de tudo, Sou mãe, esposa, filha, amiga, companheira, E pilar da família inteira, Gerando e criando os filhos Transmitindo-lhe os valores De uma sociedade menos corrompida. O mundo deve-me esse reconhecimento: Pela minha competência, pela minha dedicação E pela sublime missão de deusa da concepção. Porque afinal eu sou Mulher! São Tomé – Corroios, Portugal Confrades da Poesia Os “Confrades da Poesia” Com asas de mensageiro, Levam o símbolo da paz, Numa fraterna harmonia, P’ra unir o mundo inteiro. São Tomé - Corroios

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14 Confrades da Poesia - Boletim Nr 94 - Fevereiro 2018 «Cantinho Poético» DELÍRIOS Acima de qualquer suspeita, Está minha razão. Acima de qualquer pedestal Encontra-se escondida minha transmutação Metódica transmutação De peixe em pavão, Que se embaraça nas cores E solta raios com auras multiformes. Um tédio se esconde nas sombras Em que as tonalidades inexistem... E fico então, opaca, Sombria, Nefasta por pura proposição Com a cor de quem não conhece o branco.... Em um insondável rochedo, Encontra-se deteriorado Meu ego demiurgo Fustigado por bombardeios de granizo Um granizo pegajoso Que mergulha em minhas veias, Até me deixar embriagada De uma estúpida covardia. Márcia Cristina de Moraes Mãe galinha Mãe , teu ventre me gerou E o berço me embalou. Teu doce falar Ao acarinhar, Teu saber grandioso, Para a vida me soube preparar, Fazendo de mim trabalhador lutador E não ocioso preguiçoso. No ventre me transportaste, Imagino quanto peso carregaste! Quantos sacrifícios passaste! Tantos filhos criaste! Mãe , sei que meu silêncio te faz sofrer. Olha , não é palavra vã, Mesmo , mesmo amanhã te vou escrever. E para alegrar teu coração, Sem mais demora Que já é hora, A carta mando de avião. Carmindo de Carvalho - Suíça ARTE DE VIVER Meu Poema Desejo que este texto que ora finda Venha servir para algum alento. Leia e releia sempre, com talento. E redescobrirá muita verdade ainda. Contudo é preciso haurir atento Porque não se vive duas vezes a vida. Procure fazer desta vida a mais linda Permanecendo dia e noite muito atento. É importante viver plena solidariedade Que nos trazem alegrias e felicidade Para vivermos dentro da comunidade. Ao teu irmão, faça tudo com lealdade. Meu poema de amor ausente Perdido solto ao vento Sonho mágico permanente Noites passadas ao relento Cobre - te a luz da lua Em cama sem palha nem esteira Sombra que no ar flutua Numa aragem traiçoeira A sombra esconde a magia Torna a noite surreal Num misto de poesia Dum amor intemporal Ludovina Dias - Lisboa Fraternidade, é uma virtude que persiste Sentir amor por seu irmão que existe, É assim que vais colher muitas benesses. Na vida segue o curso, a vitória nos aquece. Efigênia Coutinho ESPERANÇA Ja foste companheira inseparável, Em minha juventude eras minha riqueza. Acompanhaste meus passos, Meus tropeços, saltos no espaço E quedas inesperadas. Mesmo nos momentos difíceis, Sempre te tive por perto, à espreita. Eu sentia que estavas ali. Bastava estender minha mão A tomavas e eu seguia em frente. Hoje, não sei porque , A idade, talvez, o cansaço, as preocupações, A minha sensação é que distante estás. Será que retornaras para meu coração fazendo-me ver um caminho a percorrer? Isabel C S Vargas A INOVAÇÃO Eu olho para o teclado Não sei onde mexer. Mexo sempre em todo o lado, E fica muito por escrever Não sei do que falar, De tanto que há para dizer. Falar do que dá prazer? Nada se está a passar. Ou ficas ai a olhar, Ou viras a cara para o lado, Ficas triste e embaraçado, Por tudo o que estás a ver. Continuas sem entender, A olhar pro teclado. Escrevo, quase distraído, Digo o que vem à mente. Alerto assim toda a gente, Que nunca fico ofendido. De tudo que têm lido, E mais, que ainda vão ler, Publico com prazer, É pena ser pouco de bem, De todo o mais que ai vem, Eu não sei onde mexer. Coisa bonita e boa, São poucas mas ainda temos. As coisas que nós fizemos, São coisas feitas à toa. A vida não nos perdoa, Tudo quer ser perdoado, Este povo já cansado, A desilusão perdura, Para melhor vida futura, Mexo sempre em todo o lado. Do que estou eu a falar? A dar sermões aos peixes? Mesmo que não me deixes, Eu te vou aconselhar. E tu ficas a olhar, Sem ter nada para dizer, Parece que estou a ver, O que vais pensar de mim, Porque isto não tem fim, Fica muito por escrever. Mário Pão-Mole - Sesimbra

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 94 - Fevereiro 2018 «Rádio» Fundada: a 28/04/2017- Fundador: Pinhal Dias RÁDIO CONFRADES DA POESIA - 24 HORAS ONLINE GRELHA DE PROGRAMAÇÃO DEFINITIVA 2ª F - 21/22h - "Ecos Musicais" - Pinhal Dias 3ª F - 21/22h - "Ecos Musicais" - Pinhal Dias 4ª F - 21/22h - “Ecos Musicais” - Pinhal Dias 5ª F - 21/22h - “Hora Poética” - Pinhal Dias 6ª F - 21/21:30h - “Poesia Para Todos” Joel Lira - 22/23h - “Ecos Musicais” Pinhal Dias Sáb. - 21/22h - “Na Brisa da Noite” Ana Pereira Dom. - 11/11:30h - Repetição - “Poesia Para Todos” Joel Lira 15 a) - 24 HORAS ONLINE b) – “Sujeita a Directos Especiais, com hora anunciar” .../... DJ - Pinhal Dias DJ - Ana Pereira Assistente Técnico - David Lopes Pioneiros Contribuintes Pioneiros Colaboradores : »»» Ana Pereira - Carmindo Carvalho - Conceição Tomé - Daniel Costa - Euclides Cavaco - Donzilia Fernandes - Hermilo Grave - Joel Lira - José Bento - José Carlos Primaz - José Jacinto - José Nogueira Pardal - Luís Fernandes - Maria Rita Parada dos Reis - Maria Rosélia Martins - Natália Vale - Nelson Fontes de Carvalho - Regina Pereira - Silvino Potêncio - Tito Olívio… (Ainda faltam bastantes ! ? ...) Seja um dos nossos colaboradores/patrocinadores directos… Contribua para o nosso melhoramento da Rádio Confrades da Poesia 24 horas online, bem como os cinco Programas em Directo semanalmente… Programas: “A Voz do Cancioneiro” – "SOS Musical" - “Onda Cristã” - "Poesia no Horizonte" Graças aos Confrades que estão colaborando a nível: - Servidor; Alojamento; manutenção; microfones; gravador mp3 … Pendente: Mesa de mistura (brevemente) Contribua http://www.radioconfradesdapoesia.comunidades.net/contribua Assine o nosso Livro de Visitas http://www.radioconfradesdapoesia.comunidades.net/livro-de-visitas Links para ouvir a Rádio Confrades da Poesia http://www.radioconfradesdapoesia.comunidades.net/ http://tunein.com/radio/Radio-Confrades-da-Poesia-s292123/ http://www.radios.com.br/ao…/radio-confrades-da-poesia/47066

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