Revista Nova Família Edição 1

 

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Revista Nova Família Edição 1

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informaçÃO | DiÁlogo | Aprendizado Compreensão | Amor | A ADOçÃO no brasil O Papel dos Avós Gentileza é questão de Educação # 00 Guarda compartilhada Sou solteiro e vou bem, obrigado! O novo jeito de casar Entrevista: Como conciliar carreira e família? R$ 10,00 pé naFÉeriasstcrheagadnado!, Crônica do mês: A vida como ela não é! Tecnologia: Da Galinha Pintadinha ao WhatsApp www.revistanovafamilia.com.br ISSN 1809-676

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} PPEERRFIFSISEECCOOMMPPOORRTATAMMEENNTOTOSS DDAANNOOVVAAFAFAMMÍLÍILAIAPAPASSASAMM SSEEMMPPRREEPPOORRPPEEDDIAIATTRRAASS, P, PSSI-ICCÓÓLOLOGGOOSSEETTEERRAAPPEEUUTATASS. . }AARREEVVISITSATANNOOVVAAFAFAMMÍLÍILAIADDÁÁ AARREECCEEITIATA! ! 2 Nova Família www.revistanovafamilia.com.br NNoovvaa FFaammíílliiaa 3

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Papo de Família A família: alicerce da vida! É com imenso prazer que apresentamos a você, caro leitor, um nicho de informação presente na vida de todos. Você já ouviu aquela frase, “Essa é a família que escolhi pra mim”!?!? Pois bem, ela se aplica direitinho a nós aqui e você vai entender o motivo. A família continua sendo sem dúvida a base. A influência exercida por ela determina o estilo de uma sociedade. Aprendemos a perceber o mundo, damos início a nossa identidade e somos introduzidos no processo de socialização. Mas hoje em dia esses padrões estão mudados, novas forma de encarar a vida estão presentes, os relacionamentos já não são mais tradicionais, a criação dos filhos já não depende somente de seus pais, a mulher avança a cada dia no mercado de trabalho, a tecnologia invade nossas casas velozmente e nosso estilo de vida é uma constante mutação. Por essas e outras razões que a revista chegou pra você. Ela veio para desbravar assuntos polêmicos e desmistificar tabus impostos pela sociedade. E com grande carinho cada um da equipe abraçou esse projeto com vontade e  dedicação pensando em você! Por isso o recebemos de braços abertos: Seja bem-vindo (a) a sua Nova Família!!! Michelle Dacosta Diretora de redação Arquivo Nossa Capa: Syda Productions . shutterstock 4 Nova Família www.revistanovafamilia.com.br Expediente REVISTA NOVA FAMÍLIA Rua Francisco Alves, 487 - Vila Ipojuca CEP.: 05033-010 Lapa - São Paulo Telefone: (11) 2985-9454 www.revistanovafamilia.com.br contato@revistanovafamilia.com.br EDITORA Editora Meireles Ltda Rua Francisco Alves, 487 - Vila Ipojuca CEP.: 05033-010 Lapa - São Paulo CNPJ 10.866.096/0001-29 PUBLISHER Nido Meireles CONSELHO EDITORIAL Nido Meireles, Michele Dacosta, Fernando Bonini, Joana Mackenzie, Luciana Freitas, Lúcia Furlan DIRETORA DE REDAÇÃO Michelle Dacosta/41313-SP DIREÇÃO DE ARTE AMOAMO Telefone: (11) 947262237 ID 82*56481 DIAGRAMAÇÃO Magda Barkó CARICATURISTA   Caio Rothje REVISOR Paulo Afonso de Castro EDITORES Michele Vitor, Flávia Ferreira de Freitas, Sandhra Cabral, Sylvio Montenegro, Luciana Brunca, Thiago Assunção, Domingos Crescente COLUNISTAS Ivanir Signorini, Barbara Mackenzie, Sylvio Montenegro, Nazir Mir Junior, Cléo Francisco, Karen Sternfeld, Daniela Viek, Fernando Sousa DIRETOR DE PUBLICIDADE Maurílio Macedo  DIRETOR DE MARKETING Fernando Bonini ASSESSORIA DE IMPRENSA / COMUNICAÇÃO INTEGRADA Luciana Freitas DIRETOR DE MERCADO LEITOR / CIRCULAÇÃO Marco Antonio Geacomeli CIRCULAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO (AUDITADA) BDO Brazil Rua Major Quedinho, 90 - Consolação 01050-030 – São Paulo, SP Cel:  (11) 97541-5098 Tel:  (11) 3848-5880 IVC em processo de filiação Alameda Santos, 200 Cj. 72 - Cerqueira César – São Paulo, SP  Fone/Fax:  (11) 3287-0028 / 3287-0042 REVISTA DIGITAL ARTE NOVA WEB DESIGN LTDA Rua da Imprensa, 778, Sala 04, bairro Parque Celeste, Cep 15.070-420, São José do Rio Preto - SP Editora-Chefe - Michelle Dacosta/41313-SP COMERCIAL WWREDE GEMA BRASIL NEGÓCIOS EM COMUNICAÇÃO Negócios em Comunicação Av. Jandira 667 – Moema – São Paulo – SP. Tel: (11) 2985-9454 CONTROLADORIA A L B – Contabilidade Integrada Rua Conselho Brotero, 125 – 4ª andar Tel:  (11) 3129-8322 GERENTE ADMINISTRATIVO e FINANCEIRO Sidnei Brito Assistente  Miguel Nery DEPARTAMENTO JURÍDICO Dr. Anísio Cardoso ATENDIMENTO AO CLIENTE São Paulo - Tel: (11) 3512-9458 Rio de Janeiro - Tel: (21) 4063-9051 Segunda a Sexta Feira - 09h às 18h, exceto feriados IMPRESSÃO GRÁFICA Color System - Gráfica Digital e Offset Rua Mario Regallo Pereira - 471 - Jd. Jaguaré - São Paulo - SP Tel: (11) 3789-1900 A Revista Nova Família é uma publicação mensal da Editora Meireles Ltda que não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados. As pessoas que não constarem no expediente não têm autorização para falar em nome da Revista Nova Família. A reprodução total ou parcial de textos, artigos, imagens dessa edição somente será permitida através de expressa autorização por escrito e assinada pelo PUBLISHER. A inclusão do nome dos colaboradores e colunistas deste expediente não implica em vínculo empregatício. PRINCÍPIOS E VALORES Os princípios e valores da Revista Nova Família proporcionam aos colaboradores e leitores conceitos para pensar e agir de forma consciente, partilhando toda a informação relevante e atuando de acordo com os princípios éticos de responsabilidade social e empresarial inerentes à vida em sociedade. Tudo o que apresentamos é de forma dedicada, apaixonada e sem qualquer forma de discriminação e preconceito. Todos os dias, nos dedicamos de forma incansável para oferecer um produto e um serviço de excelência. INSTITUTO VERIFICADOR DE CIRCULAÇÃO emempprorocceessssooddeefifliialiçaãçoão } }PUBLICITÁRIOS E DESIGNERS TAMBÉM SÃO PAIS E AVÓS ANTENADOS COM AS NOVAS TENDÊNCIAS E COMPORTAMENTOS DE FAMÍLIA. A REVISTA NOVA FAMÍLIA TRILHA O CAMINHO! Nova Família 5

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Índice Comportamento 10-13 O papel dos avós na criação dos netos 14-16 Cotidiano 26-27 Gentileza é questão de educação Estilo de vida 28-29 Sou solteiro e vou bem, obrigado! gpointstudio . shutterstock Oleg Kirillov . shutterstock 18-20 Carreira e Família O novo jeito de casar 60-61 Traição. Pode isso? Família 32-33 Parente é serpente? Não, nem sempre. Especial Educação 22-25 34-36 Educação brasileira não representa o aluno direito Em pleno século XXI Sexo ainda é tabú? 30-31 38-41 Adoção no Brasil Guarda compartilhada ou não? 6 Nova Família www.revistanovafamilia.com.br hxdbzxy . shutterstock Rock and wasp . shutterstock religião 42-44 Religião e Família trabalho Saúde 46-47 48-49 O caminho da felicidade Hábitos Saudáveis X Stress lazer & Viagem 50-53 As férias estão chegando! TEcnologia 54-55 Quando apresentar as crianças à tecnologia? Causa 56-57 Projeto Família Pipa opinião CRÔnica 58-59 62-65 Qual o limite entre prazer, religião, sentido e mercado? Um bem humorado relato sobre encontros e desencontros digitais My Good Images . shutterstock Dragon Images . shutterstock Índice 7

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} PUBLICITÁRIOS E DESIGNERS TAMBÉM SÃO PAIS E AVÓS ANTENADOS COM AS NOVAS TENDÊNCIAS E COMPORTAMENTOS DE }FAMÍLIA. A REVISTA NOVA FAMÍLIA TRILHA O CAMINHO! Nova Família 8 Nova Família www.revistanovafamilia.com.br COLunistas Babi Mackenzie, educadora desde 86, fundadora da Teaching Company. Fernando Sousa, jornalista especialista em Tecnologia e Games. Cléo Francisco, jornalista especialista em  Educação Sexual. Daniela Viek, relações públicas, consultora, coach, especialista em Comunicação & Marketing. Apaixonada por viagens, pela vida, por conhecer novas pessoas e culturas. Virginia Piti, jornalista formada pela Universidade Metodista numa época sem o santo Google, quando a notícia era o mais importante. Cronista por natureza e solteira por “detalhe do destino”, sua vida é simples e por isso merece ser compartilhada. Karen Sternfeld, nutricionista pela New York University e Health Coach pelo Integrative Nutrition. Nazir Mir Junior, advogado atuante nos ramos do Direito Civil, Direito Empresarial, Direito do Consumidor, Direito de Família e Sucessões (Área Cível), Direito Penal, Direito Administrativo, Direito Ambiental, Direito Tributário e Direito Financeiro (Direito Público). Sylvio Montenegro, jornalista e radialista. Estudioso sobre as mais diversas formas de crenças, especialista em realizações de celebrações sociais e espirituais de casamento e bodas, sem cunho religioso ou civil. Colunistas 9

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Comportamento Com a correria do dia a dia torna-se cada vez mais comum ver os avós criando os netos para que os filhos possam trabalhar. No entanto, é importante que algumas regras sejam estabelecidas para que cada um cumpra o seu papel O papel dos avós nA criação dos netos Michele Vitor Quem nunca ouviu a expressão de que ‘vó é mãe com açúcar’? Isso porque o papel dos avós sempre foi mimar, proteger e fazer as vontades dos netos. Para a maioria das crianças e adolescentes os momentos vividos ao lado dos avós sempre foram de alegria e muita diversão. E, para os adultos que tiveram essa oportunidade, sempre ficam boas lembranças e muito aprendizado. No entanto, hoje em dia, esse contato com os avós não se resume apenas a visitas, finais de semana e temporada de férias. Está cada vez mais intenso. Isso porque as mudanças sentidas na sociedade também refletiram na rotina familiar. Antes era muito comum que as mães ficassem em casa cuidando da criação dos filhos e dos afazeres domésticos. Mas, com toda a evolução da sociedade, as mulheres passaram e ter a oportunidade de escolher suas profissões e o momento de constituir a própria família. No entanto, por ter uma carreira e também ter a responsabilidade financeira sobre a família, as mulheres acabam não conseguindo dedicar tempo para a educação dos filhos. E, esse trabalho acaba ficando a cargos dos avós, que estão, cada dia mais, presentes na criação dos netos. Mas, o que é uma ajuda para os pais, pode se tornar um problema na educação das crianças se as regras não forem claras. Segundo o psicólogo e professor universitário, Walter Poltronieri, dependendo da dinâmica da família a interferência dos avós pode trazer tanto benefícios quanto problemas. Segundo o especialista, a convivência pode se tornar negativa quando os avós interferem nas decisões dos pais, fazendo com que os filhos percam a referência do que deve ou não ser feito. “Quando os pais impõem uma regra ou orientam que os filhos tenham determinada atitude, é importante que os avós respeitem a decisão e, se não concordarem, conversem com seus filhos longe das crianças. Os pais nunca devem ser questionados diante das crianças sobre as suas decisões”, afirma Poltronieri. 10 Nova Família www.revistanovafamilia.com.br Monkey Business Images . shutterstock  Colo de Vó, sensação maior de aconchego. “Os pais nunca devem ser questionados diante Ddas crianças sobre as suas decisões” e acordo com o especialista, outra situação muito comum quando os avós participam da educação dos netos é que exista um exagero nos mimos, fazendo com que a criança cresça sem ter que enfrentar limites. “Mimar as crianças é uma atitude natural, principalmente quando se trata dos avós, que gostam de agradar e de fazer as vontades dos netos. No entanto, é preciso ter limites para que essa atitude não interfira na criação e na formação. Crianças muito mimadas, que não sabem respeitar regras e têm todas as suas vontades satisfeitas acabam se tornando adultos problemáticos que não conseguem lidar com situações difíceis”, explica o especialista. A importância do diálogo Quando as diferenças de opiniões surgirem o mais indicado a fazer é dialogar de forma clara e objetiva, segundo a psicóloga Neuzeli Aparecida Nicácio, especialista em terapia familiar. “Naturalmente uma boa conversa sempre será necessária. É preciso que fique claro que quem deve estabelecer as bases, diretrizes e limites em relação a criação e educação dos filhos são os pais. O papel dos avós se resume ao cuidado, ao mimo, a cumplicidade com os netos e a parceria com os filhos”, comenta Neuzeli. Segundo a psicóloga, por mais que a situação pareça simples, quando surgir qualquer divergência sobre a educação das crianças é necessário que os avós e os pais sentem para conversar e resolver as diferenças, sempre longe das crianças. “Mesmo que os avós não concordem, é importante deixar claro que a educação dos filhos é responsabilidade dos pais e é preciso respeitar essa regra”, ressalta Neuzeli. Comportamento 11

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Comportamento “Crianças muito mimadas que não sabem respeitar regras e têm todas as suas vontades satisfeitas acabam se tornando adultos problemáticos que não conseguem lidar com situações difíceis” Quando começam a surgir os problemas De acordo com Neuzeli, a presença dos avós na criação dos netos começa a apresentar proble- mas quando, de um lado, os pais terceirizam aos avós a criação e educação dos filhos, deixando toda a responsabilidade com eles. Vantagens de ter os avós por perto De acordo com o especialista Walter Poltronieri, existem muito mais vantagens do que desvanta- gens na relação de avós e netos. Para ele, alguns fatores justificam e comprovam a importância da presença dos avós. Normalmente quando isso ocorre começam os desentendimentos. De um lado os pais reclamam que os filhos não os respeitam e não querem seguir as regras impostas por eles, dando atenção somente às orientações dos avós. “É possível perceber que crianças que crescem em contato com os avós se tornam adultos mais flexíveis. Além disso, são os avós que reforçam as tradições familiares, contam histórias e ajudam a formar a memória social das crianças”. As desavenças também surgem quando, de outro lado, os avós querem assumir um papel que não é seu, ou seja, interferem nos limites e regras impostos e na educação que os pais querem para os filhos, como se eles não tivessem competência para isso. “Dessa maneira acabam tirando a autoridade dos pais e confundem a cabeça dos netos”, comenta Neuzeli. É sempre importante que seja claro, tanto para os avós quanto para os pais envolvidos, que os avós não podem ser responsabilizados pela educação dos netos. Esse trabalho é intrasferível e cabe aos pais quando esses apresentam boa saúde física e mental. Mas, nenhuma dessas situações quer dizer que a convivência constante entre avós e netos não é saudável. Os avós podem sempre ser considerados como ‘um colo amigo’. Agem como apoio quando os netos se sentem sozinhos e têm alguma divergência com os pais. São eles que consolam, orientam e ajudam os netos a enxergar que mesmo uma atitude mais rígida dos pais é apenas um sinal do amor e do bem-estar que querem assegurar aos filhos. “Muitas vezes os avós costumam ser considerados um modelo a ser seguido e uma fonte de segurança emocional”, comenta Poltronieri. O papel dos avós no desenvolvimento das crianças é tão importante que ajuda a formar a personalidade do cidadão. Essa relação acontece em todos os lugares do mundo. Uma pesquisa elaborada pela Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, com mais de 1,5 mil crianças e adolescentes de 11 a 16 anos, comprovou que crianças que tiveram os avós por perto cresceram mais felizes. “É possível perceber que crianças que crescem em contato com os avós se tornam adultos mais flexíveis” Principalmente nos dias atuais que os pais trabalham fora de casa em período integral, a proximidade com os avós é ainda mais benéfica e necessária. O estudo mostrou também que os avós desempenham um papel extremamente importante em fases turbulentas como a separação dos pais, proporcionando conforto e estabilidade emocional. 12 Nova Família www.revistanovafamilia.com.br Como fazer as crianças voltarem à rotina da casa dos pais Depois de longos períodos na casa dos avós, como em temporada de férias, pode ser mais complicado fazer as crianças e adolescentes se adaptarem as rotinas e regras impostas pelos pais. Segundo a psicóloga Kareislla Medeiros, é preciso que as crianças aprendam aos poucos o que é permitido em cada lugar para que saibam distinguir sua rotina no período de férias com os avós e o restante do tempo em que passam cumprindo outras tarefas, ainda que menos prazerosas. “Os pais precisam compreender que, se souberem dosar, a convivência com os avós pode ser muito construtiva para seus filhos. A chave é sempre o diálogo, pois é por meio dele que cada um consegue entender seu papel sem invadir o espaço do outro”, comenta a psicóloga. “A convivência entre os netos é essencial e saudável. Quem não concorda que vó é mãe com açúcar, não sabe quanto a doçura dessa relação pode contribuir na formação de um cidadão”, conclui Kareislla. O outro lado da moeda: benefícios para os avós A convivência com os netos é uma troca de benefícios para muitos idosos. Algumas pesquisas apontam que os avós que tomam conta de seus netos apresentam uma maior probabilidade de manterem-se fisicamente ativos nos anos seguintes. Para a psicanalista infantil da comunidade médica online Saluspot, Nedia Regina Prando, conviver com os netos é extremamente importante para os avós. É como se eles tivessem uma segunda chance para criar, educar e curtir a geração seguinte. “Quando nos tornamos avós podemos aproveitar com maior liberdade e sem tantos medos o relacionamento com as crianças, ou seja, as dificuldades e preocupações que tivemos ao cuidar dos filhos passam a ser responsabilidade de outros”, comenta a psicóloga, que afirma ser nessa fase que os avós podem curtir e fazer com os netos tudo aquilo que gostariam de ter feito com os filhos, mas não puderam. MJTH . shutterstock Cuidado, mimo e cumplicidade resumem bem o papel de avós com seus netos. Comportamento 13

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Solominviktor . shutterstock Casamento tradicional perde espaço para modelos irreverentes de união. O novo jeito de casar Cresce o número de casais que optam por morar juntos informalmente Michele Vitor Apesar de todas as mudanças da sociedade, muitas pessoas ainda carregam um ar romântico e sonham em construir uma família ao lado de alguém especial. Muitas mulheres ainda desejam realizar toda a tradição da cerimônia de casamento, o que inclui, entrar na igreja, no sítio ou em um salão de festa toda vestida de branco e de braços dados com o pai. Mas, as tradições nem sempre andam lado a lado com a modernidade. Hoje em dia, a hora do ‘sim, eu aceito’ pode acontecer de uma maneira bem mais informal e simples. Atualmente, muitos casais optam apenas por morar juntos. E, entre os motivos, ganha destaque fugir da burocracia na hora de casar e de se separar, caso isso aconteça. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os casamentos duram em média 15 anos no país atualmente. E, de acordo com o psicólogo e terapeuta cognitivo-comportamental, Anderson Martiniano de Souza, essa instabilidade nos relacionamentos leva as pessoas a optarem por casamentos informais na tentativa de gerar menos expectativa 14 Nova Família www.revistanovafamilia.com.br sobre os familiares e, muitas vezes, sobre si mesmo. “Hoje, boa parte das relações são uniões consensuais sem registro em cartório ou bênçãos religiosas”, comenta o psicólogo. Para ele, a situação econômica do país também contribui para essa diminuição da escolha pelo casamento tradicional. “Isso ocorre na tentativa de evitar despesas consideradas altas”, comenta. Além disso, segundo o especialista, é possível observar uma mudança no comportamento da população que considera o afeto mais importante do que as tradições e costumes. “No passado, os casamentos tradicionais estavam associados, também, a garantias econômicas entre as famílias mais abastadas e eram fundamentados na dependência financeira da mulher”, explica. Com as mudanças dos dias atuais, que incluem a inserção da mulher no mercado de trabalho, os vínculos de dependência foram substituídos por um modelo mais pautado no afeto do que na dependência. E, nesse caso, para algumas pessoas, a qualidade da relação tornou-se mais importante do que a instituição casamento. “Nesse caso, para algumas pessoas, a qualidade da relação tornou-se mais importante do que a instituição casamento” Além das vantagens financeiras e a redução da burocracia associada ao casamento formal, as pessoas que optam por uma união estável ou decidem morar juntas garantem que esse modelo de relacionamento está associado a partilha de sentimentos, ideais e projetos de vida comuns entre as duas pessoas. De acordo com Anderson, os modelos familiares atuais apresentam grande influência no comportamento dos jovens – o que favorece essa escolha. “Nos últimos anos, pudemos observar grandes mudanças nas estruturas das famílias, como casos de separação, divórcio, união estável e homoafetiva. Todos esses fatores refletem nas decisões e na percepção que o indivíduo possui sobre os relacionamentos. As experiências familiares que adquiriu, bem como as afetivas que viveu moldam essas escolhas”, afirma o especialista. A importância de cumprir o acordo quando a decisão for morar junto, mas sem abrir mão do casamento tradicional Outro exemplo muito comum nos dias de hoje, é que existem casais que decidem morar junto, mas não abrem mão de planejar o casamento de forma tradicional. É uma maneira de ‘testar’ a convivência diária na mesma casa. Muitos casais optam por essa experiência para testar o respeito a individualidade dentro do relacionamento, a cumplicidade, o companheirismo e a rotina de casal. No entanto, mesmo que a decisão seja juntar as escovas de dentes e somente depois planejar o casamento é importante que nenhum dos dois se permita cair em uma zona de conforto protelando esse objetivo. Segundo Anderson, a acomodação é um processo natural e adaptativo do individuo. “É comum que as pessoas sempre procurem ações facilitadoras que garantam a sobrevivência e o bem-estar. Acomodar-se é uma condição evolutiva. O adiamento produz um alívio temporário porque nesse caso a pessoa acredita que tudo dará certo no final. Quando se trata de uma relação, os casais passam a aceitar uma condição de acomodação por conta da informalidade na tentativa de evitar esforços financeiros ou burocráticos”, explica. Mas, problemas no relacionamento podem surgir quando apenas um dos envolvidos entra nessa sintonia da acomodação. Para o especialista, ao analisar os casais utilizando a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) é possível perceber que fatores emocionais e comportamentais são capazes de intervir negativamente na qualidade das relações, porém muitas vezes as ideias e expectativas sobre os parceiros estão entre os principais motivos de conflitos entre o casal. “Esses pensamentos não são racionalmente avaliados pelos parceiros e tendem a ser aceitos como algo razoável, influenciando o equilíbrio emocional e refletindo diretamente no relacionamento. Dessa forma, os dois passam a interpretar de maneira equivocada seus sentimentos e o real significado daquilo que querem comunicar um ao outro. Seus sentimentos e expectativas se tornam vagos. O resultado disso é o afastamento e o sentimento de frustração”, afirma o psicólogo. Comportamento 15

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} Comportamento O ‘casamento moderno’ aos olhos da lei Com o casamento tradicional os dois envolvidos têm de forma clara quais são seus direitos em caso de separação. Mas, o que muitas pessoas ainda têm dúvidas é quando esse relacionamento não apresenta contratos. Segundo a advogada, Xenia Gonçalves Santos, a união informal de casais passou a ser protegida por lei com a Constituição de 1988, que garante os mesmos direitos do casamento civil, com regime de comunhão parcial de bens. “Bens como imóveis e automóveis adquiridos durante o relacionamento passam a ser considerados objetos de colaboração mútua, podendo ser partilhados igualmente entre os dois”, explica. Mesmo assim, especialistas aconselham que esses casais façam um contrato com dados concretos e seguros para evitar problemas no futuro, principalmente em casos de partilha de bens. Curiosidade Segundo Censo 2010, realizado pelo IBGE, a proporção de pessoas divorciadas passou de 1,8% no ano 2000 para 3,1% em 2010. Os estados que mais se destacaram em número de divórcios são Mato Grosso, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Já as uniões consensuais passaram de 28,6% em 2000 para 36,4% em 2010, com crescimento mais significativo no Norte e Nordeste. O que importa é a felicidade do casal. }PUBLICITÁRIOS E DESIGNERS TAMBÉM SÃO PAIS E AVÓS ANTENADOS COM AS NOVAS TENDÊNCIAS E COMPORTAMENTOS DE FAMÍLIA. A REVISTA NOVA FAMÍLIA TRILHA O CAMINHO! Rawpixel . shutterstock 16 Nova Família www.revistanovafamilia.com.br Nova Família 17

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IIya Andriyanov . shutterstock Manter uma boa comunicação em casa e no trabalho é o diferencial para conciliar carreira e maternidade. Carreira & Familia A arte de conciliar o dia a dia Michele Vitor Todas as mulheres têm momentos de dúvidas sobre como conseguir manter de forma saudável a vida pessoal e profissional. Apesar de trabalhoso, é possível sim ter sucesso nas duas áreas. Especialista explica como Uma das mais evidentes mudanças na sociedade nos últimos anos foi a entrada da mulher no mercado de trabalho. As mulheres, que antes só podiam se dedicar a casa, aos maridos e aos filhos, ganharam o mundo e passaram a ser respeitadas como profissionais. Muitas, hoje em dia, assumem a liderança de empresas de todos os tamanhos e também em cargos que chamam a atenção de todo o mundo, como a presidenta do país, Dilma Roussef, e a presidente da Petrobrás, Graças Foster, por exemplo. Mas, nem todas têm facilidade em lidar com o sucesso profissional, que muitas vezes exige muita dedicação, horas fora de casa e até adiamento de planos pessoais como a maternidade – fator que pesa muito para a maioria das mulheres. Além da cobrança muitas vezes indireta da sociedade, existe uma cobrança interna que as mulheres acabam exercendo sobre si mesmas. Isso ocorre muito quando estão em relacionamentos sérios e decidem casar ou quando o relógio biológico começa a bater indicando o momento de se tornar mãe. 18 Nova Família www.revistanovafamilia.com.br Costuma ser nessa hora que surge a dúvida entre se manter como profissional de sucesso ou abrir mão de toda a independência conquistada para se tornar mãe. Nenhuma das escolhas é errada, desde que seja realmente o que a mulher deseja. Adiar o sonho da maternidade para garantir o sucesso profissional pode ser bom, desde que a escolha seja feita com certeza. Bem, como quando a decisão é colocar a maternidade em primeiro lugar, se ausentando de todo o cenário profissional. Essa opção pode ser benéfica, desde que o desejo seja verdadeiro. Pois, normalmente, mulheres que optam por essa alternativa, mesmo sentindo que a profissão é importante, passam a ser vulneráveis a vários problemas, inclusive de saúde como a depressão. Mas, é importante saber que não há caminho sem volta. Mesmo que no momento a decisão seja lar- gar a profissão para cuidar do filho ou adiar a maternidade e se ausentar um pouco do dia a dia das crianças para investir na carreira, sempre é possível mudar.Além disso, é possível sim aliar a vida pessoal com a profissional de uma forma que não cause traumas à própria mulher e à sua família, principalmente nos filhos que ainda são crianças. A empresária e executiva de carreira, Madalena Feliciano é um dos exemplos a serem seguidos pelas mulheres que não desejam abrir mão nem da carreira, nem da maternidade. Diretora de projetos da empresa Outliers Careers e presidente do Instituto Profissional de Coaching, a executiva é mãe de cinco filhos. Especialista no assunto, Madalena conta a Nova Família como conseguir obter sucesso na vida pessoal e profissional. Nova Família: Qual o papel da mulher hoje em dia no mercado de trabalho? Madalena: As mulheres passaram a ocupar cargos que antigamente eram considerados masculinos. No setor público, por exemplo, as mulheres são a maioria e ocupam quase 60% das vagas. Elas chegaram a 2,9 milhões no mercado formal, que inclui indústrias, construção civil, comércio, serviços e agropecuária. Nova Família: O que leva as mulheres a se sentirem culpadas e divididas entre o trabalho e a família? Madalena: Querendo ou não, crescemos em uma geração a qual nos acostumamos a ver as mulheres cuidando apenas da casa. Nossos pais foram frutos de uma geração pós guerra, totalmente diferente da nossa. E, a inserção da mulher no mercado de trabalho é algo relativamente novo. E, como tudo o que é novo vem acompanhado de insegurança, é normal que a mulher se sinta assim no começo, mas com o passar do tempo ela começa a entender que pode sim ser uma ótima mãe sem deixar de conquistar bons cargos e se dedicar a carreira. Nova Família: Ainda existe uma pressão da sociedade (e dos maridos) para que as mulheres deixem suas profissões de lado para se dedicar a família? Madalena: Existe sim, mas é uma pressão cada vez menor. Tanto as mulheres quanto suas famílias (pai, mãe, marido e filhos) percebem que não é preciso deixar o trabalho de lado para se dedicarem para a família. Hoje é muito mais comum encontrarmos maridos que apoiam as suas mulheres do que aqueles que as desencorajam. Nova Família: O que as mulheres precisam fazer para conciliar a carreira com a maternidade? Madalena: Não existe uma receita de bolo para isso. Cada mulher encontra uma melhor forma de conciliar as suas responsabilidades de mãe com as profissionais. Para que essa decisão não se torne um dilema o ideal é programar o momento ideal. Um bom planejamento, com certeza, irá ajudar e muito. Alguns exemplos importantes que podem fazer toda a diferença na arte de conciliar carreira com maternidade incluem: a escolha da babá e uma escola mais próxima, assim será possível ter mais tempo com o filho e mais qualidade de vida. Além disso, é indispensável aproveitar o tempo com o filho da melhor maneira possível, lembrando sempre que quantidade não significa qualidade. Nova Família: E os filhos? Eles compreendem quando a mãe precisa se ausentar ou não pode estar presente em ‘reuniões escolares’, por exemplo? Madalena: Os filhos sempre cobram. Isso faz parte. Obviamente que é importante para eles que nós estejamos presentes, porém é necessário que saibam que isso nem sempre é possível. Portanto, o que vale nesse caso é a sinceridade. É preciso dizer aos filhos o motivo pelo qual estará ausente, ressaltando a importância deles em sua vida e reforçando que sempre que possível estará presente. Nova família: E o relacionamento com o marido como fica quando a agenda profissional está cheia? Madalena: Assim como os filhos, os maridos precisam e merecem atenção, por isso é importante aproveitar ao máximo os momentos a dois. Vale fazer programas diferentes e reservar um tempo para namorar, isso fará com que o marido se sinta seguro e amado. Comportamento 19

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Comportamento Nova Família: E quando o trabalho inclui viagens constantes ou longas? Como fica o relacionamento com os filhos? Madalena: Deixar claro a importância do trabalho e o quanto faz com que se sinta realizada ajuda muito nesses períodos de ausência. A boa comunicação é o grande diferencial nessa jornada. Nova Família: O que fazer quando esses compromissos profissionais acabam resultando em desentendimentos com o marido? Madalena: A melhor arma é a conversa. Ainda que haja acordo é importante não abrir mão dos próprios sonhos. Um diálogo aberto e sincero beneficiará o entendimento e a compreensão dos dois. Nova Família: Quando chega a hora de escolher entre vida profissional e pessoal: Isso é saudável? Madalena: Não, uma escolha desse porte nunca será saudável. Se a mulher opta apenas pela vida familiar ela corre grande chance de se arrepender depois. O mesmo pode acontecer quando a escolha for pelo trabalho. É preciso deixar que as coisas ocorram naturalmente, sem forçar uma escolha. Nova Família: Algumas mulheres decidem abrir mão da vida profissional para dedicar todo o tempo para o marido e os filhos. Essa é uma boa escolha? Madalena: Sempre digo que não existe certo e errado, mas sim o que é melhor para cada um. Existem mulheres que depois do casamento e maternidade decidem dedicar-se inteiramente a isso, assim como existem aquelas que dividem o seu tempo entre as duas prioridades. Não cabe julgar o que é certo ou errado. Se a mulher se sente completa apenas com tarefas domésticas e cuidando da família, é preciso respeitar sua escolha. O importante é se sentir plena e feliz. Nova Família: E quando essa escolha acaba gerando um desequilíbrio ainda maior entre o casal? O que fazer? Madalena: Optar por uma ajuda que venha de fora pode ser uma boa ideia (terapia de casal, coaching etc). Vale mostrar que existem outros casais que passaram por isso, superaram e estão felizes. Nova Família: Quais são os principais problemas que podem surgir após a mulher decidir abrir mão da carreira? Madalena: Segundo uma pesquisa publicada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), após o nascimento dos seus filhos, algumas mães começam a se sentir sozinhas e sobrecarregadas com as tarefas domésticas. Isso pode acarretar uma piora na autoestima, com sentimentos de desvalorização, culpa, dependência financeira e emocional, solidão e, em casos mais sérios, depressão. Nova Família: E a sua experiência? Quantos filhos você tem? Qual a idade deles? Madalena: Felizmente fui presenteada com cinco lindos filhos. São duas meninas, uma de 23 anos e uma de oito anos de idade, e mais três meninos de dez, 13 e 18 anos. Além deles, tenho uma netinha de cinco anos. Nova Família: O que vocês fez para conseguir consolidar sua carreira sem abrir mão de ser mãe? Madalena: Decidi desde muito nova que queria ser mãe e não abriria mão da minha carreira. Por isso me organizei para receber meus filhos e investir nos meus estudos. Planejamento, foco, motivação e a certeza de que chegaria lá nunca me faltaram. Essas características foram essenciais para que eu pudesse obter o sucesso de hoje. Posso afirmar com propriedade que com amor, dedicação, garra, energia e com um bom planejamento essa tarefa será realizada com sucesso e trará benefícios para todos os envolvidos. Nova Família: Como você fez para conseguir isso? Quais dicas você dá para as profissionais que também são mães? Madalena: Primeiro tive a sorte de ter um marido que me apoiou em todos os momentos. Além disso, ele sempre foi meu braço direito. Para estar motivada todos os dias para o trabalho escolhi a área que sempre fui apaixonada. Organizei minha agenda pessoal e profissional e sempre fui criteriosa em manter minha rotina de trabalho. Minhas dicas são: trabalhe no que você ama, planeje, tenha foco, mas acima de tudo, tenha atitude. Não leve trabalho para casa. Aproveite sempre o tempo no lar para cuidar da família e mostre o quanto são importantes em sua vida! UMA NOVA REVISTA. UMA NOVA FAMÍLIA 20 Nova Família www.revistanovafamilia.com.br Frank Gaertner . shutterstock HARMONIA EM FAMÍLIA PROJETA BONS MÉDICOS E PROFISSIONAIS LIBERAIS. A REVISTA NOVA FAMÍLIA É O HORIZONTE DE FORMAÇÃO! 21

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Especial Educação brasileira NÃO representa o aluno “e Flávia Ferreira de Freitas nsinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção “ A frase proferida por Paulo Freire, ícone da educação no Brasil, ainda é utilizada para designar o ensino dos sonhos, que constrói sua base nas potencialidades que os alunos trazem do mundo externo, encarando a escola como um espaço de troca desses aprendizados e não apenas de uma instrução engessada. Mesmo lutando por um ensino de qualidade, professores ainda se deparam com problemas antigos, como a permanência na escola. Como fazer com que o garoto e a garota fiquem na escola e se interessem por ela? A pergunta suscita inúmeros questionamentos e levam os profissionais e pesquisadores a se perguntarem quais caminhos seguir. Pesquisador e doutor em Antropologia Cultural, Fabiano Monteiro, fez uma imersão nessa questão durante a pesquisa de doutorado, quando lançou um olhar sobre os discursos raciais presentes nos livros didáticos da década de 1950 comparados aos lançados hoje. “Em linhas gerais posso dizer que os professores acham que a educação brasileira está em crise. Isso não é um fato novo. Desde sempre a ação de educar no Brasil foi feita tendo como espelho a Europa. A educação pública e de massa é um fenômeno relativamente novo em nossa História”, explicou Fabiano. Para o pesquisador, a política educacional remete a Era Vargas e, por conseguinte, a um exercício de forjar um povo e uma nação. “A preocupação de Vargas nesse sentido não era apenas administrar o Brasil, mas, sobretudo, produzir um Brasil. Assim dá-se início uma série de intervenções de padronização dos livros e conteúdos e o desafio de como levar a educação para todos e com que qualidade esse processo educacional se daria é imposto”. Anísio Teixeira e Fernando Azevedo ao pensar a “Escola Nova” tinham esse desafio em mente, questão que Fabiano eleva ao patamar das segregações. “Os limites e melindres dos investimentos em educação, penso eu, começam com o problema da suspeita em relação às capacidades morais e intelectuais do brasileiro, por parte de nossos governantes e, principalmente, nossas elites ditas eruditas”.  O pesquisador destaca que: “Enquanto a educação nos países desenvolvidos era uma questão de reprodução do sistema capitalista e de desenvol- 22 Nova Família www.revistanovafamilia.com.br goodluz . shutterstock A educação independe exclusivamente do professor. vimento social, educar as massas no Brasil era (e talvez ainda seja) uma ação tida como “desperdício” e esse é um ponto nevrálgico comparado a outros países”.  Com o ímpeto democrático pós-ditadura militar definiu-se que era necessário prover educação para todos, dentre os defensores desse ideal estava Paulo Freire, Darcy Ribeiro, Brizola, Cristóvão Buarque e D. Ruth Cardoso. O acesso à educação, além de ponto pacífico, se transformou em uma espécie de magia. Era comum pensar que, se todos estudassem, o Brasil e o mundo seriam lugares melhores.  A suspeita em relação ao “povo” e sua aptidão à escola ainda não desapareceu. O estudo realizado por Fabiano mostrou que os diretores e professores filtram os alunos que julgam “menos piores” e investem neles, na expectativa que os demais, simplesmente saiam da escola. O problema é que da era Fernando Henrique Cardoso pra cá isso não ocorre mais, porque os programas sociais são vinculados à permanência escolar e isso incomoda muito os professores e diretores que têm uma visão de mundo mais conservadora. “Eles se queixam, ficam esperando e não buscam saída para incluir todo mundo num projeto educacional que possa ser exitoso. Não contam com essas pessoas (alunos) para melhorar ou desenvolver a sociedade. Gostariam, na verdade, de deixá-las à margem”, conta. “No Brasil vige ainda a lógica de que a escola deveria ser um espaço reservado aos meninos estudiosos. A escola é um lugar de todos, a despeito do desempenho. É um direito. É uma experiência pesadíssima na cultura ocidental moderna. Nossos gostos musicais, nossos valores, nossos primeiros romances acontecem na escola”. Ao longo dos anos, as tecnologias avançaram, mas as políticas educacionais ficaram estagnadas. O ensino é quase principesco, erudito e nada atraente. “É impressionante o glamour que a cultura de massa exerce sobre os alunos. Quan- Especial 23

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Especial do eu dava aula para o ensino médio todos os garotos queriam jogar bola, ser rapper ou traficante. As meninas queriam ser modelo, mulher de pagodeiro ou mulher de traficante. Nada disso passa pela vida escolar... Não há mais sonho com a escola”. Em acréscimo, a mestre em literatura e mestranda em educação, Isabel Navega, que tem como objeto de estudo as manifestações populares que podem ser utilizadas como forma de aprendizado, afirma que a escola deveria incluir as potencialidades no processo educacional. “A criança tem uma linguagem própria e percebi durante os meus estudos que a escola tradicional não faz uso dessas manifestações durante o processo de aprendizado. Eles ignoram o conhecimento que esse aluno traz consigo”. Ambos os pesquisadores acreditam que ainda exista ambientes propícios para o desenvolvimento completo do aluno, os quais são caros ou inacessíveis para algumas camadas da sociedade. Fabiano conta que estudou em escolas com projetos pedagógicos muito bem elaborados, sobretudo entre a 4ª e 8ª série (atual 5º e 9º ano). Era uma escola em tempo integral, na qual os alunos tinham aulas de artes cênicas, artes industriais, aprendiam a cozinhar, tinham programas de representação e participação política, participação no calendário de discussões de conteúdos, entre outras coisas. “Não era só agradável ficar ali, mas o estar ali era instrumentalizado na produção de conhecimentos práticos. Mas falo dos anos 1980, de uma escola com poucos alunos e professores arejados. Eram outros tempos... Tenho saudades da escola onde estudei, e não das escolas onde lecionei. Não falo isso com orgulho, falo com pesar”.     Dados mundiais O engessamento do ensino, de acordo com Isabel, é um dos quesitos que explica o mau desempenho do Brasil em pesquisas que traçam o ranking de educação. O Relatório de Desenvolvimento Humano, divulgado este ano pela Organização das Nações Unidas (ONU), informa que o Brasil está abaixo da média da América Latina em educação e expectativa de vida. O estudo do orgão calcula o Índice de Desenvolvimento Humano dos países com base em indicadores de educação, saúde e renda. hxdbzxy . shutterstock ImAagluenSoouprrceese: nSutepomgeamlhboaranyeoedneysaekn/voIlmveagae saorecnieodt aindcelu.ded 24 Nova Família www.revistanovafamilia.com.br De acordo com a pesquisa, o Brasil avançou uma posição no ranking mundial, passando do 80º lugar em 2012 (IDH de 0,742) para o 79º em 2013 (IDH 0,744) no ranking do desenvolvimento humano. Apesar da melhora no ranking, os dados da ONU não revelam avanço significativo em educação e expectativa de vida. A média de estudo na América Latina é de 7,9 anos e no Brasil, desde 2010, 7,2 anos. Estudos econômicos dão conta que cada ano de estudo escolar acrescenta 10% na produtividade de um trabalhador. Não é por acaso que na maioria dos países europeus, assim como nos EUA, no Japão e na Coréia do Sul há um alto nível de escolaridade, que beira 12 anos de estudo. O vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, destacou durante discurso de abertura na Primeira Iniciativa Global pela Educação, realizada no ultimo mês, que apesar dos avanços no número de crianças na escola, ainda há 58 milhões que estão fora das salas de aula em todo o mundo e 250 milhões de crianças não sabem ler. “A educação de qualidade é mais do que um ponto de entrada no mercado de trabalho, é a base para a realização pessoal, igualdade de gênero, coesão social, desenvolvimento sustentável, crescimento econômico e cidadania global responsável”, disse ele. Levantamento executado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 32 nações, no ano de 2013, em 1070 escolas, com aproximadamente de 14,3 mil professores e 1,1 mil diretores, indicou que no Brasil 20% das horas dos docentes em classe é desperdiçada com indisciplina, enquanto a média mundial é de 13%. Os docentes brasileiros gastam também mais 12% das horas em sala de aula para resolver afazeres administrativos, sobrando somente 68% da carga horária para atividades de ensino e aprendizagem. A maioria das escolas públicas é pouco equipada: 0,6% têm laboratório de ciências; 15% têm biblioteca e sala de informática; 14% têm somente uma sala de aula em sua maior parte nas regiões Norte e Nordeste; e apenas 44% têm infraestrutura básica como água e energia. Sem citar arremedos de escolas públicas que sequer possuem vagas para novos alunos e cujas salas de ensino nem ao menos têm cadeiras suficientes. Ao sentirem-se desestimulados, alunos abandonam as escolas: 24% não concluem o ensino fundamental e 49% o ensino médio. A evasão escolar entre jovens de 15 a 17 anos beira os inaceitáveis 16%. Na década de 1960 o Brasil e a Coréia do Sul eram países subdesenvolvidos. Mas em 2011 a renda per capita coreana representava o triplo da brasileira. A Coréia praticamente erradicou o analfabetismo, enquanto, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2013, mostram que 8,3% dos brasileiros com mais de 15 anos, uma multidão de 13 milhões de pessoas, ainda não sabe ler nem escrever. Em artigo, o mestre em liderança e administrador Rodnei Vecchia justifica que o estupendo desenvolvimento coreano ocorreu, principalmente, devido a investimentos e incentivos maciços do Estado em sistemas educacionais públicos de ensino fundamental e médio (carga horária de mais de 40 horas semanais). “As salas de aula são adequadas ao ensino, equipadas com o que há de mais avançado em tecnologia, os professores são muito bem preparados e remunerados. Mais de 66% dos gastos com pesquisas são financiados pelo setor privado, por meio de incentivos fiscais. A gestão dos recursos é eficiente, ou seja, criou-se um ciclo virtuoso que produz continuamente resultados auspiciosos”. Foi esse processo de gestão na área educacional, entre outras medidas tomadas pelo poder público, que transformou a paupérrima Coréia do Sul da década de 60 em um país rico 50 anos depois. Nesse mesmo período, o ora subdesenvolvido Brasil da década de 1950 surge em 2010 como um país ainda em desenvolvimento. 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cotidiano Gentileza é questão de Educação Sandhra Cabral As boas maneiras, delicadeza e atenção para com outro, além de garantirem o bom convívio em sociedade, deixam claro o grau de educação de um povo. S egurar a porta aberta para alguém, dar passagem a outros veículos no trânsito, ceder lugar aos idosos ou gestantes em transportes públicos. Estas são algumas regras básicas de convivência em grupo, das quais todos gostam, mas que estão desaparecendo rapidamente das nossas vidas. Para especialistas, o sumiço paulatino dos gestos gentis para com o próximo transforma as relações humanas em contatos frios, hostis e, por vezes, agressivos. “A gentileza é a prática de bom convívio social, portanto, sem gentileza as relações se deterioram e os conflitos se multiplicam, podendo mesmo chegar a processos violentos. É preciso que se entenda que a prática da gentileza, além de educação, é uma forma de organização da sociedade”, adverte Suely Buriasco, Mediadora de Conflitos, Educadora e Escritora. A carência dessa virtude preocupa psicólogos e educadores há tempos: em 1996, a gentileza ganhou um dia mundial, instituído em Tokyo, no Japão, comemorado sempre em 13 de novembro. Aqui no Brasil, o movimento pela gentileza  é representado, desde então, pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV). “O objetivo da ABQV é motivar e inspirar as pessoas para que elas possam transformar nossa sociedade em um lugar melhor para se viver, através da prática diária da gentileza nos diferentes ambientes sociais como família, empresas, comunidades e sociedade em geral. A ideia é a de se discutir e estimular a importância de um retorno a valores universais como amabilidades e gentilezas”, revela Samia Aguiar Brandão Simurro, Vice-Presidente da Entidade. Identificar as causas da perda da gentileza em um mundo globalizado, que prega por mais educação, não é tarefa fácil. “Há um conjunto de fatores que contribuem para a desvalorização da gentileza. Um deles é a objetificação do Homem e seu paralelo: a humanização dos objetos. Como exemplo, basta ver os comerciais de TV valorizando o “ter” em detrimento do “ser”. Outro fator é a velocidade, a pressa, o excesso de tarefas que as pessoas precisam dar conta no dia a dia. Parar para cumprimentar, dar a vez, ajudar a carregar pacotes, tudo isso toma tempo, um tempo que não temos, por isso a tendência é não investir esse tempo nessas gentilezas que poderiam nos atrasar. Só que não percebemos que o atraso passa a ser na qualidade das relações”, explica Marcos Méier, Mestre em Educação, Psicólogo, Escritor e Palestrante. Não há, contudo, como falar de gentileza sem falar do ambiente familiar. Segundo Gabriela Cosendey, Psicóloga Clínica, o comportamento do indivíduo revela muito sobre suas origens e a forma como foi criado. “A gentileza é um exemplo dos valores que são transmitidos desde cedo pelos pais e que se espera que sigam com as pessoas ao longo de suas vidas”, enfatiza Cosendey. 26 Nova Família www.revistanovafamilia.com.br Como diz o ditado, “gentileza gera gentileza”. Samia Aguiar Brandão Simurro, Vice-Presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida, acredita que o grande problema da sociedade atual é a falta de solidariedade. “Enquanto sociedade, temos cada vez mais problemas que são globais e de todos. Temos os desafios ambientais, a falta de recursos que exigem soluções conjuntas e solidárias para a sustentabilidade do homem e do planeta. É preciso repensar posturas individualistas para que possamos criar um mundo genuinamente hospitaleiro para as próximas gerações onde os valores essenciais possam ser respeitados e os fracos possam ser apoiados e a civilidade seja preservada”, sentencia. Gentileza de pais para filhos Ser gentil é, sim, questão de educação e não apenas daquela que se aprende na escola, mas principalmente daquela que recebemos em casa, dos nossos pais e parentes mais próximos. A redução da gentileza entre as pessoas, de acordo com Marcos Méier, Mestre em Educação, pode estar centrada no que ele chama de endeusamento da infância, provocado pelos genitores da criança. Segundo ele, as crianças são excessivamente valorizadas, pelos pais, quanto aos seus desejos egoístas e passam a ser umbigocentradas. “Elas querem comidas especiais, querem ser imediatamente atendidas, não sabem ouvir “nãos” e tudo isso as faz se sentir tão importantes que as outras pessoas, incluindo adultos e idosos, nada valem. Assim, esse clima de “tudo pra mim” se opõe a qualquer ato de gentileza, pois a gentileza é a manifestação visível do quando reconheço o valor do outro e o quanto reconhecemos isso”, avalia Méier. Para reverter o processo e resgatar a gentileza é preciso começar cedo, ensinando a criança a brincar sozinha, a fim de que ela saiba o que fazer quando alguém lhe pedir que aguarde pela satisfação de seu desejo. “Isso é o início da valorização do outro”, acrescenta o especialista. Neste processo, é importantíssimo frisar que o mais importante no ensinamento da gentileza a uma criança é o exemplo. Pais gentis estão sempre ensinando a criança a ser também gentis, mas infelizmente o contrário também acontece. Além da educação essencial e insubstituível que se oferece em casa, também o Estado tem sua parcela na reforma urgente em prol da gentileza, a começar pela valorização do professor com ações reais. Na avaliação de Méier, de nada adianta afirmar que a Educação é prioridade e deixar o professor sem apoio, sem salário digno e esperar que ele faça o que a família não está fazendo. Antigamente as crianças já chegavam à escola com os bons modos afiados, já que esta é tarefa dos pais. Contudo, atualmente, se o professor não lhes ensinar essas virtudes, as crianças terão dificuldades nas relações sociais por não compreenderem os mecanismos de respeito ao outro. A gentileza, que seria a complementação disso, fica ainda mais rara. Por esse e outros motivos, os professores precisam de formação continuada de qualidade. A psicologia que aprenderam em seus cursos de licenciatura ou no curso de pedagogia, não foi suficiente. “Ou se investe na educação de forma séria ou vamos perceber, talvez tarde demais, que será quase impossível viver num país que não respeita os idosos, as pessoas com deficiência ou qualquer outra pessoa considerada diferente. Além disso, a lei do umbigocentrismo vai continuar criando pessoas que não respeitam regras de trânsito, normas de atendimento ao público, ou regras sociais. A falta de gentileza é só a ponta do iceberg”, destaca o educador. A falha é multifatorial e a sociedade precisa acordar para agir antes que seja tarde. E Marcos Méier adverte: “Os sintomas de uma sociedade doente já estão surgindo: bullying, bater em professor, matar para roubar, violência gratuita e tantas outras”. Cotidiano 27 MNStudio . shutterstock

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estilo de vida Ser um quarentão solteiro não significa abrir mão de um relacionamento. Tenho 40 anos, sou solteiro e vou bem, obrigado! Thiago Assunção Estar solteiro não é exclusividade dos mais novos. Desde que a separação deixou de ser tabu, principalmente para as mulheres, encontrar homens mais velhos solteiros, divorciados ou separados é cada vez mais comum. E há quem faz desse estado civil seu estilo de vida! Para algumas pessoas estar solteiro é uma fase, uma situação aonde ela vai encontrar-se consigo mesmo para retomar sua vida, enquanto para outras “It’s gonna be legendary... wait for it! Legendary!”. Assim como o famoso personagem Barney Stinson, do seriado norte-americano “How I Met Your Mother”, existem pessoas que adoram ficar solteiras, sem jamais comprometer-se. E não apenas viver um tempinho solteiros, mas fazerem disso um es- tilo de vida, mesmo que já tenham passado dos 40 anos. Os quarentões solteiros e convictos de seu estado civil são a prova disso! Não são necessariamente pessoas que temem construir uma família, mas que não criam tantas expectativas em relação a isso. São namoradores, pegadores e, de certo modo, muito cobiçados. Dentro deste perfil, você consegue lembrar-se de algum ator famoso de Hollywood que, apesar de ter cedido ao casamento, aproxima-se desse estilo de vida do Barney? 28 Nova Família www.revistanovafamilia.com.br Belinka . shutterstock George Clooney foi por anos um dos quarentões e solteiros mais desejados. Existem os solteiros que gostam dessa liberdade, assim como os que curtem o momento antes de se “amarrar” novamente. Solteiro, pero no mucho Cada pessoa interpreta suas experiências de forma diferente. O que já foi bom antes, pode não ser tão bom depois. Não ter obtido sucesso no casamento pode ser traumatizante para uns, enquanto que para outros pode servir como uma experiência a ser aprimorada no futuro. “Casar é bom, é a convivência que torna o relacionamento difícil. Acho que todos deveriam experimentar pelo menos uma vez na vida, já que a vida de solteiro também nem sempre é boa”, é o que diz o vendedor de 50 anos, Manoel Viana. Ele foi casado por 16 anos, teve dois filhos, mas está solteiro há um bom tempo. “Quando me casei, pensava que conviver a dois seria mais fácil, mas não é. Hoje, eu me sinto muito bem solteiro”, completa. Neste caso, estar solteiro está sendo uma opção para reavaliar sua vida, mas isso não quer dizer que ele está morto. “Saio todo final de semana, conheço muitas mulheres. Com algumas eu troco telefone, com outras fica apenas naquele encontro”. É praticamente o mesmo caso do empresário de 40 anos, Marcelo do Valle. “Eu casei em razão da gravidez. Eu tinha 24 anos e não planejava isso. Gostei bastante dela e foi bom durante um tempo, mas acho que faltou maturidade para o casal”, explica. Marcelo adora sua vida de solteiro, mas apenas se envolverá novamente caso haja um consentimento de seu espírito de liberdade. “Não acho que casar vai tirar minha liberdade, desde que eu encontre uma mulher madura que respeite isso. Ter a liberdade de trabalhar até tarde, beber com os amigos de vez em quando, etc”, finaliza. Enfim... solteiro! Mesmo que pareça que os quarentões solteiros vivenciam sua liberdade momentaneamente como todos os outros, existem os que adotam isso como estilo de vida. Mesmo! “Há uma série de passos quando se trata de esquecer uma mulher: da cama dela até a porta, PRÓXIMA!”, filosofa o personagem Barney Stinson. Seria triste saber que alguém pensa assim, mas ele é uma caricatura de um perfil de homem que aterroriza de certo modo as mulheres. Não tão cruel quanto o Barney, o comerciante Marcelo Correa, de 42 anos, é um típico solteiro convicto que até gosta de se relacionar por um período, mas prefere muito mais a sua liberdade ao casamento. “Já noivei três vezes, mas nunca oficializei a relação ‘casamento’. Não tenho nada contra, não é a toa que tentei. Acho válido quando tem realmente afeto e respeito pela pessoa. Mas nos dias atuais, a frase ‘felizes para sempre’ perde um pouco o sentido. Por que viver infeliz com uma mulher se podemos testar novas possibilidades?”, comenta. Marcelo diz que um dos fatores de estar solteiro também parte delas. “Hoje as mulheres estão independentes financeiramente, sabem o que querem. Até gosto dessa liberdade, mas gosto de namorar também. O que me incomoda é a possibilidade de conviver a dois por muito tempo”, completa. Até que encontre alguém que entenda e aceite viver dessa forma, Marcelo continuará ligado ao seu universo do solteiro. “Posso amar uma mulher e ir para casa dormir. Sem cobranças. E isso não é imaturidade, pelo contrário, é uma reinterpretação da vida a dois. Vivo minha liberdade plena, me respeito e vou até o meu limite, que no caso é até a porta da igreja!”, finaliza. O solteiro convicto de sua escolha não precisa necessariamente nunca ter experimentado um relacionamento a dois, basta ter passado por ele e decidido viver de outra forma. E como toda escolha, elas sempre têm opções. De acordo com o terapeuta comportamental, Carlos Esteves, ser um quarentão solteiro não significa abrir mão de relacionamento, pois eles conseguem equilibrar sua vida pessoal com suas relações, de curto a médio prazo. “Em termos práticos, estes relacionamentos fluem naturalmente. O casal compartilha algumas noites juntos, mas vive separado. O que governa, em geral, suas escolhas são as consequências de curto prazo: os solteirões não priorizam o longo prazo, não assumem compromissos do tipo, filhos ou a constituição de um lar único (nosso)”, explica. Ele também comenta que esse “novo” estilo de vida, ajuda a sociedade a se reorganizar. “Em 2013 o filósofo Pascal Bruckner publicou um livro (já traduzido com o título “Fracassou o casamento por amor?”) onde diz que ao contrário do que a sociedade pensa em relação ao ‘fracasso do casamento’, o que de fato está ocorrendo é a confirmação de que as pessoas ‘estão casando por amor’, visto que uma relação de longo prazo requer um constante empenho, na sustentação dos sentimentos, de sedução, carinho, compreensão, liberdade etc”. Sabemos que quem está solteiro, nem sempre está assim por opção dos outros, mas também sabemos que muitos dos solteiros vivem assim, porque assim desejam. O que importa é viver sua vida, seja como for. Esteja solteiro ou não, identifique apenas se está fechado para balanço ou se essa decisão é um estilo de vida, e assuma suas escolhas. E um recado para os solteirões: não façam como o Barney Stinson. Mesmo que ele seja um dos personagens mais engraçados da série, as tiradas de humor sobre as mulheres e o universo masculino limitam-se a ficção. Não sejam tão cruéis com os outros e muito menos com vocês. As mulheres, com certeza, agradecem! Estilo de Vida 29

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