Revista Raios de Luz

 

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Ediçao especial

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Volume 3 |Dezembro 2017 Raios de Luz INSTITUTO GNÓSTICO DE ANTROPOLOGIA DE PORTUGAL Edição Especial CENTENÁRIO DO VENERÁVEL MESTRE SAMAEL AUM WEOR Ciência | Filosofia | Arte | Religião Esoterismo | Medicina oculta | Astrologia Antropologia | Meditação | Alquimia

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Raios de Luz A Revista do Instituto Gnóstico de Antropologia de Portugal Iga.gnose.pt

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Colaboradores: Artigos escritos por estudantes e instrutores do IGA Portugal, assim como textos de Livros Sagrados e autores relacionados ao ensinamento gnóstico. Capa: James Peacock_Unsplash e V. M. Samael Aun Weor Contracapa: Sacro Santa Igreja Catedral Primada Basílica Metropolitana da Imaculada Conceição de Maria, Bogotá Colômbia Sumário 5 EDITORIAL Por: Ricardo Amanciio 9 A GRANDE OBRA Por: Jaime Ruela 19 CENTENÁRIO DO V.M. SAMAEL, O 5º DOS 7 Por: Ricardo Amancio 25 SIMBOLISMO GNÓSTICO TEMPLÁRIO Por: Fernando Simões 29 CRONOLOGIA V.M. Samael Por: Instrutor gnóstico 33 MAITREYA SAMAEL:100 ANOS DE OBRA ÍGNEA Por: Ricardo Nairo 37 COMPREENSÃO E CONFRONTAÇÃO LÓGICA NA VIVÊNCIA DA GNOSE Por: Pedro Conde Perez 43 ASTROLOGIA HERMÉTICA Por: V.M Samael Aun Weor

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A prática da não-violência 4 | Raio de Luz, Número 3, Dezembro de 2017

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Editorial 1º Encontro Gnóstico Regional Por: Ricardo Amancio Presidente do IGA Portugal e Diretor do IGA Lisboa Tema principal: 1º Encontro Gnóstico Regional de Portugal Realizado nos dias: 27 e 28/10/2017 Local: Sede do IGA-Lisboa - Rua Rodrigues Sampaio, 30 - 3º Esquerdo. Homenagem: “Ao Centenário de Nascimento do V.M. Samael Aun Weor e à Grande Obra do Pai”. O 1º Encontro Gnóstico Regional de Portugal foi exitoso, em todos os sentidos, pois fluiu com muita naturalidade, harmonia e com conferências e práticas de excelente qualidade. Tivemos a participação de 17 pessoas, entre elas oito Missionários, descritos a seguir: - Ricardo Amancio, Jussara Theodoro e Laura Cardoso do IGA-Lisboa, Portugal; - Jaime Ruela e Carolina Ruela do IGA-Aveiro, Portugal; - Pedro Conde e Isabel Conde do Instituto Gnóstico de Antropología Samael y Litelantes (IGASL) de Vigo, Espanha; - Ricardo Nairo do IGA-Brasil, que estava de férias em Portugal e aceitou, de muito boa vontade, nosso convite para uma conferência. Destaco também à participação dos Missionários Pedro e Isabel do IGASL de Vigo, os quais viajaram mais de cinco horas para chegar a Lisboa e, desde o primeiro instante em que formalizamos o convite tiveram muito boa vontade em participar e proferir uma conferência. Os Missionários ministraram conferencias e praticas que fortaleceram os três temas fundamentais da Grande Obra Solar dos V. Mestres Samael e Litelantes: Antropologia, Psicologia e Alquimia. O objetivo principal deste Encontro foi fortalecer o IGA-Portugal, reunindo os irmãos gnósticos da região, para uma bela homenagem ao Centenário de Raio de Luz, Número 3, Dezembro de 2017 | 5

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7 | Raio de Luz, Número 3, Dezembro de 2017

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Nascimento do Mestre Samael e à Grande Obra do Pai. O V.M. Samael nasceu em 06 de Março de 1917, em Bogotá, Colômbia, tendo mais tarde que ir para o México, onde se estabeleceu e expandiu o Instituo Gnóstico para o mundo. Neste ano de 2017, completa 100 de seu nascimento no mundo físico, através de seu Bodhisatwa: Victor Manuel Gómez Rodríguez. Durante o Encontro foram realizadas duas conferências em homenagem ao Mestre Samael e sua Grande Obra Solar, as quais estarão presentes nesta edição da Revista Raios de Luz. Tivemos também importantes conferências sobre Psicologia e a Grande Obra, a qual todos teremos que realizar, se realmente quisermos o Despertar total da Consciência e a Autorrealização Íntima do Ser, que deverá ser com base na Alquimia e na Psicologia de Transformação Interior. Nosso Encontro Regional foi agraciado com quitutes deliciosos, trazidos pelos participantes, permitindo, durante os intervalos, momentos de convívio social, o que aconteceu também no almoço de confraternização, num shopping bem próximo. O resultado geral do 1º Encontro Gnóstico Regional de Portugal foi muito bom! Confirmado através dos relatos realizados, pelos participantes, ao final do encontro. Foi possível perceber que todos saíram muito satisfeitos! Aproveito para agradecer aos Conferencistas por nos brindar belíssimas conferências e práticas e, a participação ativa de todos os presentes. Um agradecimento especial aos alunos do IGA-Lisboa, que somaram ao todo, nos dois dias, nove pessoas. Agradeço a todos que nos ajudaram a realizar este Encontro, à minha querida esposa Jussara Theodoro, à nossa filha Ingrhid Theodoro e aos alunos do IGA-Lisboa. Este Encontro foi realizado a várias mãos, visíveis e invisíveis, principalmente, às dos nossos queridos Gurus: V.M. Samael e a V.M. Litelantes, aos quais dedico o sucesso deste 1º Encontro Gnóstico Regional de Portugal. O Próximo Encontro Gnóstico Regional deverá ser realizado em Março de 2018. O Local ainda está sendo decidido, mas deverá ser no IGA-Aveiro ou no IGASL-Vigo. Jussara Theodoro, Ricardo Amancio, Fernando e Fernanda Simões, Jaime e Carolina Ruela, Laura Cardoso, Ricardo Nairo, Isabel e Pedro Conde. 8 | Raio de Luz, Número 3, Dezembro de 2017

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A Grande Obra Por: Samael Aun Weor Selecionado por Jaime Ruela—Diretor do IGA Aveiro Photo by 童 彤 on Unsplash “...é a Grande Obra que nos importa realizar e afirmo-o com toda a segurança, a única coisa por que vale a pena viver; o resto não tem a menor importância.” V.M. SAW Estamos aqui reunidos com o propósito de investigarmos, estudarmos e definirmos o caminho que nos há-de conduzir à libertação. Os antigos alquimistas medievais falavam da Grande Obra e isto é muito importante. No solo das antigas catedrais góticas via-se um grande número de círculos concêntricos formando um verdadeiro labirinto que ia do centro até à periferia e da periferia até ao centro. Muito se disse já sobre os labirintos. A tradição fala -nos do labirinto de Creta e do famoso minotauro cretense. Em Creta encontrou-se recentemente um labirinto; chamavam-lhe "absolim", "absolum", que é, como quem diz, Absoluto. Absoluto é o termo que utilizavam os alquimistas medievais para designarem a Pedra Filosofa!. Há aqui, pois, um grande mistério. Nós precisamos, tal como Teseu, do fio de Ariadne para sairmos daquele labirinto. No centro, encontrava-se sempre o minotauro. Teseu conseguiu vencê-lo. É a tradição grega. Nós também precisamos de vencê-lo, precisamos de destruir o "ego" animal. Para chegarmos ao centro do labirinto, há que lutar muitíssimo. Há numerosas teorias, escolas de toda a espécie, organizações variadas; umas dizem que o caminho é por ali, outras por aqui, outras por além, e nós temos de nos orientarmos no meio desse grande labirinto de teorias e de conceitos antitéticos, se quisermos, de verdade, chegar ao centro vivente do mesmo, porque é precisamente no centro que podemos encontrar o minotauro. Raio de Luz, Número 3, Dezembro de 2017 | 9

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File:Bambini, Niccolo - Ariadne and Theseus Quando se consegue chegar ao centro do labirinto, é preciso um grande engenho para sairmos dele. Teseu, mediante um fio misterioso, o fio de Ariadne, assemelha-se a Hiram, o mestre secreto de que fala a maçonaria oculta e que todos devemos ressuscitar dentro de nós, aqui e agora. Ariadne também nos indica a aranha, símbolo da Alma que tece incessantemente no tear do destino. Assim, pois, irmãos, chegou a hora de refletirmos. Mas qual é, de facto, o fio de Ariadne? Que fio é esse que salva a Alma, que lhe permite sair desse misterioso labirinto, para chegar ao seu Real Ser Interior? Muito se falou sobre esse assunto particular. Os grandes alquimistas pensavam que era a Pedra Filosofa! Nós estamos de acordo com isso, mas iremos um pouco mais longe. A Pedra Filosofal está simbolizada, na catedral de Nossa Senhora de Paris, por Lúcifer; compreendemos agora que a Pedra Filosofal está no próprio sexo. Descobrimos Lúcifer no sexo. É Lúcifer, pois, o Fio de Ariadne que há de conduzir-nos à libertação. Isto parece antitético ou paradoxal, porque todos conceituaram que Lúcifer, o Diabo, Satanás, é o Mal. Precisamos de autorreflexão se quisermos aprofundar o Grande Arcano. Esse Lúcifer que encontramos no sexo é a Viva Pedra, cabeça de ângulo, a Pedra Mestra, a Pedra do Canto da Catedral de Nossa Senhora de Paris, a Pedra da Verdade. É indispensável aprofundarmos um pouco estes mistérios quando se trata de conhecermos o Fio de Ariana. Volto a recordar-lhes os famosos santuários sagrados dos antigos rosacruzes gnósticos esotéricos da Idade Média. Quando o neófito era conduzido até ao centro do Lumisial, levava os olhos vendados; alguém lhe arrancava inesperadamente a venda, e então, atónito e perplexo, ele contemplava uma figura insólita; ali estava, na sua frente, o Bode de Mendez, figura estranha, o Diabo. Na sua frente luziam os cornos, na sua cabeça uma tocha de fogo; no entanto alguma coisa indicava que se tratava de um símbolo. No Lumisial da Iniciação, encontrava-se perante a figura de Tifão 10 | Raio de Luz, Número 3, Dezembro de 2017

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Bafometo, a tenebrosa figura do Arcano Quinze da Cabala. A tocha ardente brilhava sobre a sua cabeça, e na fronte a estrela flamejante de cinco pontas, com o ângulo superior para cima e os dois ângulos inferiores para baixo; isto indica-nos que não se tratava de uma figura tenebrosa. Ordenava-se ao neófito que beijasse a traseira do Diabo. Se o neófito desobedecia, punha-se-lhe outra vez a venda nos olhos e era conduzido a uma porta secreta. Tudo isto sucedia à meia-noite. Nunca o neófito saberia por onde havia entrado nem por onde havia saído, porque os iniciados reuniam-se sempre à meia-noite, tendo supremo cuidado para não serem vítimas da Inquisição. Mas se o neófito obedecia, então, naquele cubo sobre o qual estava sentada a figura do Bafometo, abria-se uma porta e por ali saía uma Ísis que recebia o iniciado de braços abertos, dando-lhe em seguida um ósculo santo na fronte. A partir daquele momento, o neófito era um novo irmão iniciado da Ordem. Esse bode, esse Tifão Bafometo, esse Lúcifer, é bastante interessante, pois é a energia sexual, energia que há que saber utilizar-se, se quisermos realizar a Grande Obra. Agora ficamos a saber por que motivo Tifão Bafometo, o bode de Mendez, representa a Pedra Filosofal, o sexo; é com essa força que devemos trabalhar. Recordemos que a Arca da Aliança dos antigos tempos tinha quatro cornos de bode nos quatro ângulos correspondentes aos quatro pontos cardeais da terra e, quando era transportada, era-o sempre por esses quatro cornos. Moisés, no monte Sinai, transformou-se e, quando desceu, os clarividentes viram-no com dois raios de luz na fronte, semelhantes aos do bode de Mendez. Por isso, Miguel Ângelo, ao cinzelá-lo na pedra viva, pôs-lhe na cabeça aqueles simbólicos cornos; é que o bode representa a força sexual mas também representa o Diabo, só que esse Diabo ou Lúcifer, é a própria potência de vida que, devidamente transformada, nos permite a Auto-Realização íntima do Ser; por isso se disse que Lúcifer é o Príncipe dos Céus, da Terra e dos Infernos. Nas antigas catedrais góticas, tudo estava previsto; até a planta dos templos estava organizada em forma de cruz e isto recorda-nos os termos "cruxis", "crux", "crisol", etc .. .Já sabemos que o pau vertical é masculino e o horizontal é feminino. No cruzamento de ambos encontra-se a chave de todos os mistérios, o cruzamento de ambos é o crisol dos antigos alquimistas medievais, no qual há que cozer, recozer e voltar a cozer a matériaprima da Grande Obra; essa matéria é o Esperma Sagrado que, transformado, se converte em Raio de Luz, Número 3, Dezembro de 2017 | 11

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energia. É com essa subtilíssima energia que podemos abrir um "chacra", despertar todos os poderes mágicos ocultos, criar os Corpos Existenciais Superiores do Ser, etc.. Isto é bastante importante, bastante interessante. A cruz em si mesma é um símbolo sexual. Na cruz está o "Lingam-Yoni" do Grande Arcano. Nos dois madeiros atravessados da cruz estão as marcas dos três cravos; são esses três cravos que permitem abrir os estigmas do Iniciado, ou seja, os "chacras" das palmas das mãos e dos pés. Também simbolizam as três purificações de Cristo em substância, e aqui está outro mistério transcendental. Meus caros irmãos, realizar a Grande Obra é a única coisa pela qual vale a pena viver. Pedro, o amado discípulo de Nosso Senhor Jesus Cristo, tem como Evangelho o Grande Arcano, os mistérios do sexo; por isso é que Jesus lhe chamou Petrus, Pedro, "Tu és Pedra e sobre essa Pedra edificarei a minha Igreja". O sexo é, pois, a Pedra Básica, a Pedra Cúbica, a Pedra Filosofal que nós devemos trabalhar à base de cinzel e de martelo para a transformarmos numa Pedra Cúbica perfeita. Essa Pedra sem cinzelar, a Pedra Bruta em si mesma, é Lúcifer. Já cinzelada, é o nosso "Logo i" interior, o "Arché" dos gregos. O importante é, pois, cinzelá-la, trabalhar com ela, elaborá-Ia, dar-lhe a forma cúbica perfeita. Entre os discípulos de Cristo há verdadeiros prodígios e maravilhas. Recordemos por um momento Santiago, esse grande Mestre. Dizem que é aquele que mais se parecia com o grande "Kabir" Jesus. Chamavam-lhe o irmão do Senhor e é óbvio que dispunha de grandes poderes psíquicos, mágicos. Santiago foi o primeiro que, depois da morte do 12 | Raio de Luz, Número 3, Dezembro de 2017 grande "Kabir", oficiou a missa gnóstica em Jerusalém. Contam as tradições que teve de enfrentar o mago negro Hermógenes, na Judeia. Santiago, conhecedor da alta magia, combatia sabiamente o tenebroso. Quando este usava um sudário de maravilhas, aquele usava-o para se lhe opor. Se Hermógenes usava o bastão mágico, Santiago usava outro semelhante e, por fim, derrotou o tenebroso nas terras da Judeia. No entanto, foi considerado mago (e era-o, fora de toda a dúvida) e foi condenado à pena de morte. Mas algo de insólito acontece, segundo contam as lendas; dá-se o caso de que o sarcófago de Santiago se suspendeu no ar e foi transportado até à antiga Espanha. O certo é que ali se fala de Santiago de Compostela e dizem do mesmo que ressuscitou de entre os mortos e que naquela terra foi atacado pelos demónios em figura de touro, por fogo vivo, enfim, dizem-se muitas coisas sobre Santiago. Nicolas Flamel, o grande alquimista medieval, teve

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a Santiago por patrono da Grande Obra. No caminho de Santiago de Compostela, há uma rua a que chamam de Santiago e uma caverna a que chamam de Cova da Saúde. Pela época das peregrinações a Santiago de Compostela, os Alquimistas reúnem-se em tal cova, aqueles que estão a trabalhar na Grande Obra, aqueles que admiram não só a Santiago de Compostela, que têm por patrono bendito, mas também a Jacobo de Morai. Assim, pois, enquanto as pessoas rendem um culto, por assim dizer, exotérico a Santiago de Compostela, os alquimistas e cabalistas estão reunidos em assembleia mística para estudarem a cabala, a alquimia e todos os mistérios da Grande Obra. Vejam os dois aspetos, exotérico e esotérico, do Cristianismo; indubitavelmente, tudo isso convidanos à reflexão. Jacobo de Morai, que foi queimado vivo durante a Inquisição, é considerado, entre aqueles alquimistas e cabalistas que se reúnem na Cova da Saúde, da mesma forma que Hiram Abif, o mestre secreto que há de ressuscitar em cada um de nós, e Santiago é o verdadeiro patrono da Grande Obra. Isto é bastante interessante pois é a Grande Obra que nos importa realizar e afirmo-o com toda a segurança, a única coisa por que vale a pena viver; o resto não tem a menor importância. Nicolas Flamel, indubitavelmente, conseguiu a Autorrealização íntima do Ser. Dizem que o patrono Santiago de Compostela aparece aos peregrinos de chapéu para cima, com um bastão no qual luz o caduceu de mercúrio, uma concha de tartaruga para simbolizar a estrela flamejante. Aconselha-os a que estudem a Epístola Universal de Santiago, na Bíblia, que é, sem dúvida, maravilhosa, e é dirigida a todos aqueles que trabalham na Grande Obra. Diz Santiago que a fé sem as obras nada vale. Vocês podem escutar aqui, dos meus lábios, toda a doutrina do Grande Arcano, todas as explicações que damos sobre os alquimistas e sobre a Grande Obra. Se não trabalharem na Grande Obra, se só tiverem fé e não trabalharem, parecer-se-ão, diz Santiago e eu repito, "com o homem que olha para um espelho, vê o seu rosto, vira as costas e vai embora", esquecendo-se do incidente. Se escutarem todas as informações que damos e não trabalharem na Forja dos Ciclopes, não fabricarem os Corpos Existenciais Superiores do Ser, parecerse-ão com esse homem que se vê ao espelho, dá meia volta e se vai embora. Porque a fé sem as obras nada vale; é necessário que a obra vá lado a lado com a fé, a fé deve falar pelas obras. Disse Santiago que precisamos de ser misericordiosos, porque se o formos, os Senhores do "Karrna" julgar-nos-ão com misericórdia; mas se formos impiedosos, os Senhores do "Karma" julgar-nos-ão de uma forma impiedosa, e como a misericórdia tem mais poder do que a justiça, é certo que, se formos misericordiosos, poderemos eliminar muito "Karma". Tudo isto convida-nos à reflexão. Diz Santiago que temos de aprender a refrear a língua, aquele que sabe refrear a língua pode refrear todo o corpo; dá-nos como exemplo o caso Raio de Luz, Número 3, Dezembro de 2017 | 13

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do cavalo: ao cavalo põe-se-lhe o freio na boca e é assim que conseguimos dominá-lo, manejá-lo. O mesmo sucede se conseguirmos refrear a língua, tornamo-nos donos de todo o nosso corpo. Diz Santiago: "Vejamos como os barcos são grandes, e, no entanto, aquilo que os governa, o timão, é verdadeiramente pequeno em comparação com o enorme tamanho do barco. A língua é muito pequena mas, que grandes incêndios não provoca! Ele ensina-nos, nessa Epístola, a nunca nos jactarmos de nada; aquele que é jactancioso em relação a si próprio ou às suas obras, é sem dúvida, soberbo, pedante, e fracassa na Grande Obra. Precisamos de nos humilharmos ante a Divindade, de sermos cada dia mais e mais humildes, se é que queremos trabalhar com êxito na Grande Obra; nunca presumirmos de nada, sermos simples; isto é vital quando se pretende triunfar na Grande Obra, o "Magnus Opus". Quanto à fé, todo o cabalista deve ter fé, mas a fé não é algo de empírico, algo que nos seja dado de bandeja, não, a fé há que fabricá-la, não podemos exigir a ninguém que tenha fé, há que fabricá-la, elaborá-la. Como se fabrica ela? À base de estudo e de experiência. Poderá alguém ter fé a respeito daquilo que estamos aqui a dizer se não estudar e experimentar por si próprio? Obviamente que não, não é verdade? Mas, conforme vamos estudando e experimentando, vamos compreendendo, e, dessa compreensão criadora, surge a fé verdadeira. Assim, pois, a fé não é algo de empírico, precisamos de a fabricar. Mais tarde, sim, muito mais tarde, o Espírito Santo, o Terceiro Logos, poderá consolidá -la em nós, fortificar-nos e robustecer-nos, mas nós devemos fabricá-la. Outro apóstolo bastante interessante para nós, neste caminho estreito, é André. Diz-se que em Niceia conjurou sete demónios perversos e fê-los aparecer ante as multidões sob a forma de sete cães que fugiram espavoridos. Muito se falou sobre André e não há dúvida de que ele foi extraordinário. Estava carregado de um grande poder. A realidade é que André, o grande mestre, discípulo de Cristo, foi condenado à morte e torturado. A cruz de Santo André convida-nos à reflexão; é um "X", com os seus dois braços estendidos à direita e à esquerda, e as suas duas pernas abertas de lado a lado formam um "X" e, sobre esse "X", foi crucificado. Esse "X" é muito simbólico; em grego equivale a um "K" que nos recorda Krestos. O drama de André foi simbolizado pelo grande monge iniciado Bacon. Este, no livro mais extraordinário que escreveu, o "Azud", apresenta uma gravura na qual se vê claramente um homem morto. No entanto, tenta levantar a cabeça, ressuscitar, enquanto dois corvos negros lhe vão arrancando a carne, e a Alma e o Espírito se levantam do cadáver. Isto recorda-nos a frase de todos os iniciados: "A carne abandona os ossos". Santo André, que morre numa cruz em "X", falanos, precisamente, da desintegração do "ego"; há que reduzi-lo a poeira cósmica, há que esquartejáIo. "A carne abandona os ossos". Só assim é possível que o mestre secreto Hiram Abif, ressuscite dentro de nós, aqui e agora, de contrário, seria completamente impossível. Na Grande Obra, devemos morrer de instante a instante, de momento a momento. E que diríamos de João? É, fora de toda a dúvida, o patrono dos Fabricantes de Ouro. Haverá alguém que faça ouro? Sim, recordemos Raimundo Lúlio, ele fê-lo, encheu as arcas de Filipe 14 | Raio de Luz, Número 3, Dezembro de 2017

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o Formoso de França, e do rei de Inglaterra. Recordam-se cartas de Raimundo Lúlio; numa delas fala de um formoso diamante com o qual obsequiara o Rei de Inglaterra. Dissolveu um cristal ante o crisol, e logo, pondo água de mercúrio naquele cristal, transformou-o num gigantesco diamante extraordinariamente fino, com o qual obsequiou o Rei de Inglaterra. Quanto à transmutação do chumbo em ouro, faziao graças ao Mercúrio Filosofal. Enriqueceu toda a Europa com suas fusões e, no entanto, permanecia pobre, viajando por todos os países do mundo. Por fim, morreu lapidado numa dessas terras. João, o apóstolo de Jesus, é o patrono dos Fabricantes de Ouro. Diz-se que, numa ocasião, encontrou no Oriente um filósofo que procurava convencer as pessoas e demonstrar-lhes o que ele podia fazer com o Verbo. Dois jovens que tinham escutado os seus ensinamentos, abandonaram as suas riquezas, venderam-nas e com elas compraram um grande diamante. Puseram o diamante na presença do público e nas mãos do filósofo. Este mandou-os embora e com uma pedra destruiu a gema. João protestou, dizendo: "Com uma tal gema poderia dar-se de comer aos pobres." Dizem que, perante as multidões, reconstruiu a gema e logo a vendeu para dar de comer ás multidões. Mas os jovens, arrependidos, protestaram, dizendo para si próprios; " Que tolos fomos em termos vendido todas as nossas riquezas para comprar um diamante que se torna em pedaços e logo é reconstruído para ser repartido entre as pessoas!" Mas João que via todas as coisas do céu e da terra e sabia transmutar o chumbo em ouro, fez trazer da beira do mar umas pedras e umas canas (a pedra, símbolo da Pedra Filosofal, o sexo, e a cana, símbolo da espinha dorsal, pois ali está o poder para se transmutar o chumbo em ouro) e, depois de transformar aquelas canas e pedras em ouro, devolveu as riquezas aos jovens, mas disse-lhes: "Haveis perdido o melhor, devolvo-vos o que destes, mas perdestes o que tínheis conseguido nos mundos superiores." Logo, aproximando-se de uma mulher que tinha morrido, ressuscitou-a. Ela, então, contou o que tinha visto fora do corpo e dirigiu-se àqueles jovens dizendo que tinha visto os seus amigos guardiões chorando e em grande amargura, porque eles tinham perdido o melhor pelas vãs coisas perecíveis. É claro que os jovens se arrependeram, devolveram o ouro a João e este voltou a transformá-lo no que era, canas e pedras. Converteram-se em seus discípulos. Raio de Luz, Número 3, Dezembro de 2017 | 15

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