Revista On Dezembro 2017

 

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Revista On Cruz Azul SP - Dezembro 2017

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Ano II | N° 8 | Dezembro/2017 Distribuição gratuita Expansão em SP Mais Unidades de Educação desembarcam no interior paulista Humanização no atendimento Equipe multidisciplinar acolhe pacientes com câncer Vacinando os adultos Imunização para todas as faixas etárias - e não só para crianças Youtubers no Colégio PM página 20

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4 Revista Cruz Azul Sumário 5 Editorial Mais um ano de conquistas 12 Esporte Postura e saúde 24 Saúde da Criança Diabetes na infância 36 Saúde na Melhor Idade Os riscos da automedicação 6 Mensagem União para o bem público 14 Saúde Jovem A ditadura da imagem 26 Psicologia Dependência digital 38 Sustentabilidade Educação Ambiental na Escola 7 Eventos Excelência em gestão 16 Conexão Estudantil Mundo geek no Colégio PM 28 Radar da Saúde Vacinação de adultos 8 Educação em Foco Respeito nota dez 18 Saúde da Mulher 30 Saúde do Homem Álcool não combina com gestação A andropausa realmente existe? 10 Saúde Humanizada Acolhimento multidisciplinar 20 Capa Youtubers premiados 32 Tecnologia Estudos hemodinâmicos Expediente Revista Cruz Azul é uma publicação trimestral da Associação Cruz Azul de São Paulo - Corpo Diretivo: Cel PM Julio Antonio de Freitas Gonçalves (Superintendente) - Cel PM Renato Aldarvis (Coordenador de Saúde) - Dra. Joyce Mari Stocco (Coordenadora Clínica) - Cel PM Renato Penteado Perrenoud (Coordenador de Educação) - Cel PM Marcos Roberto Chaves da Silva (Coordenador de Logística) - Cel PM Maximiano Cássio Soares (Coordenador de Finanças) - Cel PM Daniel César Simões Teixeira (Coordenador de Sustentabilidade) - Cel PM Edson Teixeira Costa (Chefe de Gabinete) - Publicação desenvolvida pela equipe da Comunicação Corporativa: Carla Cunha, Elisabeth Diniz, Fernanda Bigliatto, Mário Dias e Rosana Nóbrega. Diagramação e arte: Ísis Leandro. Jornalista responsável: Bárbara Moraes - MTb.: 50.258/SP - Banco de imagens: Acervo Cruz Azul e Shutterstock. Tiragem: 30.000 exemplares - Dezembro/2017. comunicacao@craz.com.br - www.cruzazulsp.com.br - www.facebook.com.br/cruzazuldesaopaulo Certificações SISTEMA DE GESTÃO CERTIFICADO HOSPITAL SANTA MARIA NBR ISO 14001:2004 CERTIFICADO nº 0309/003/079 VALIDADE: 23/06/2019

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Revista Cruz Azul - Editorial 5 Mais um ano de conquistas Ações estratégicas fortalecem o equilíbrio financeiro da Cruz Azul e preservam o patrimônio da família policial-militar s vésperas das tradicionais festas de fim de ano, além de desejar nossos mais sinceros votos de paz e prosperidade, aproveitamos o ensejo para agradecer àqueles que se ombrearam conosco e contribuíram para as expressivas conquistas que, juntos, temos empreendido na Associação Cruz Azul de São Paulo nestes 92 anos de história. Com um amplo rol de iniciativas no decorrer do exercício 2017, na área de Saúde, nos destacamos entre as melhores empresas do país no Anuário da Revista Época Negócios (Editora Globo), instalamos o Ambulatório Bauru nas dependências da Policlínica do CPI-4 e lançamos os inovadores Programas “Prevenção” e “Orientação ao Cuidador”. Já na área de Educação, levamos nossa qualidade de ensino para Sorocaba e estamos promovendo mais inaugurações do Colégio PM no interior paulista. Tais resultados exitosos refletem uma gestão focada na excelência na prestação de serviços, na sustentabilidade organizacional e na satisfação das necessidades das partes interessadas, consoante ao Planejamento Estratégico atualizado para o próximo biênio, com vistas para otimizar a competitividade, fortalecer a imagem institucional, racionalizar as despesas e expandir a rede de atendimento. A filosofia gerencial da nossa entidade filantrópica está alicerçada nas seguintes perspectivas: financeira, clientes, processos internos, competitividade, crescimento e aprendizado, mediante ações estratégicas delimitadas com base em metodologias consagradas na ciência administrativa, como, por exemplo, a aplicação do Balanced Scorecard (BSC), a análise de ambientes da matriz SWOT (acrônimo em inglês para identificar as forças, fraquezas, ameaças e oportunidades), a avaliação das tendências de mercado e a comparação evolutiva dos indicadores de qualidade. Por fim, é importante ressaltar que a Cruz Azul trabalha arduamente para promover o bem-estar da família policial-militar e da sociedade, tendo em vista os ideais altruístas que nos unem desde 1925. Corpo Diretivo

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6 Revista Cruz Azul - Mensagem União para o bem público Mensagem do Comandante Geral da PMESP, Cel PM Nivaldo Cesar Restivo, aos policiais militares e seus familiares Cel PM Nivaldo Cesar Restivo Comandante Geral da PMESP enho a honra de me dirigir a vocês, por meio da nossa Cruz Azul, para comemorar e dividir com as senhoras e senhores a alegria de chegarmos ao mês de dezembro à frente da gloriosa Polícia Militar do Estado de São Paulo na companhia de tão valoroso efetivo. O mês de dezembro é de reflexão e congraçamento. É mês de agradecermos ao nosso Criador pela dádiva da vida e pela oportunidade de termos abraçado a honrosa e distinta carreira de policial militar. Cada salvamento realizado, cada vida salva, cada socorro oferecido e cada mão estendida por um policial militar significou a diferença para nossos cidadãos brasileiros e paulistas. Dezembro é o mês em que contabilizamos, em estatísticas, cada uma das ações, mas é muito mais importante para o cidadão o ato específico de cada um dos senhores do que números e gráficos. Que nunca nos esqueçamos o que nos motiva todos os dias para sairmos às ruas, avenidas, estradas desse maravilhoso estado e ajudar o próximo: nosso comprometimento. E, falando em comprometimento, minha singela palavra é para a família policial-militar da Cruz Azul. Que o espírito de cooperação resulte em frutos àqueles que se unem para o bem público. Com certeza a força dessa entidade é a união de seus integrantes e, nesse quesito, a Cruz Azul está de parabéns pelas iniciativas e avanços na busca pelas melhorias nos setores de saúde e educação. Por fim, quero trazer uma mensagem de esperança e otimismo. Que esse final de ano seja especial a todos nós, policiais militares, e que 2018 seja um ano promissor a toda sociedade paulista que poderá, sempre, contar com sua força policial. 

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Excelência em gestão Revista Cruz Azul - Eventos 7 Qualidade gerencial e aperfeiçoamento contínuo no tradicional Colégio PM Por Cel PM Renato Aldarvis Presidente da Secretaria Executiva do Prêmio de Qualidade do Colégio PM o dia 5 de dezembro, a Associação Cruz Azul de São Paulo realizou a cerimônia de encerramento do 2º Prêmio de Qualidade do Colégio PM, destinado a reconhecer os méritos na gestão de suas Unidades de Educação, conforme os critérios da Fundação Nacional da Qualidade: liderança; estratégias e planos; clientes; sociedade; informações e conhecimento; pessoas; processos e resultados. O propósito é a criação de um movimento que permita a melhoria contínua das práticas de gestão e, assim, obtenha resultados capazes de traduzir a satisfação de todas as suas partes interessadas, utilizando critérios mundialmente empregados na construção de organizações geridas com excelência. O processo de avaliação parte da construção de um relatório descritivo do conjunto de práticas que sustentam as atividades diárias das Unidades, das estratégias utilizadas e dos resultados obtidos ao longo do ciclo em análise. Depois disso, uma banca de examinadores, composta por técnicos preparados para tal, analisa tais elementos e atribui graus de aderência ao modelo de excelência que embasa as premiações. Importante dizer que tais examinadores trabalham de forma voluntária e são diversificados, sendo profissionais de gestão, de escolas, da nossa Polícia Militar e de outras procedências, dando ao processo riqueza na diversidade de concepções de uma instituição de ensino excelente. Com isso, produzem sugestões de aprimoramento que, ano após ano, têm contribuído para a melhoria contínua das escolas nos aspectos de qualidade, produtividade, competitividade e sustentabilidade. É a Cruz Azul buscando o melhor de suas possibilidades.  Acesse www.cruzazulsp.com.br para conferir a classificação na edição 2017 do Prêmio de Qualidade do Colégio PM, nas categorias: Gestão (graus Prata e Bronze, conforme o desempenho), Destaque em Gestão (maior pontuação entre as Unidades), Melhor Prática de Gestão (iniciativas inovadoras) e Rendimento Acadêmico (evolução nas notas nas avaliações do sistema de ensino entre os anos de 2016 e 2017).

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8 Revista Cruz Azul - Educação em Foco Respeito nota dez Psicóloga Escolar fala sobre a importância de incentivar a boa conduta em benefício da comunidade escolar Por Fernanda Souza Rabelo Psicóloga Escolar do Colégio PM Unidade São Vicente o Colégio PM, buscamos promover um ambiente seguro e solidário, capaz de formar cidadãos conscientes no que se refere ao respeito às pessoas e às suas diferenças. Nesse sentido, uma das responsabilidades da Psicologia Escolar envolve oportunizar vivências que contribuam para o desenvolvimento integral dos alunos, em consonância com o programa Valores e o projeto Neutralizando o Bullying. Visando desenvolver competências e habilidades para estabelecer relações sociais mais saudáveis, desde 2016, a Unidade São Vicente implantou a iniciativa “Turma Respeito Dez – Ocorrência Zero”, que consiste em uma recompensa, um gesto de reconhecimento às turmas que se comportam adequadamente, tendo como base os preceitos do Regimento Escolar. Ou seja, aqueles que apresentam bom comportamento são premiados com uma aula recreativa na piscina, proporcionando assim o incentivo à boa conduta. É importante ressaltar que não se trata de uma competição, sendo que todos podem ganhar simul- taneamente. Considerando os quatro bimestres, no ano passado, nove turmas se destacaram. Já em 2017, foi perceptível um engajamento ainda maior, representando 21 premiações relativas ao período do 1º ao 3º bimestre, visto que os dados do último ciclo ainda estão em fase de apuração. O aumento dos prêmios refletiu positivamente na diminuição das ocorrências e também apontou para outro dado interessante: a melhora no rendimento acadêmico, além das questões disciplinares. O grande “lance” é estimular os estudantes a compreender que as ações individuais refletem no bem-estar coletivo, o que contribui para que eles façam escolhas mais conscientes e responsáveis, tendo em vista que suas próprias ações podem beneficiar ou prejudicar o grupo. Durante o processo de amadurecimento dos nossos alunos, saber lidar com as adversidades também é um aprendizado importante para a vida adulta.  Atividades recreativas na piscina do Colégio

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Revista Cruz Azul - Mensagem 9 Publicidade

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10 Revista Cruz Azul - Saúde Humanizada Acolhimento multidisciplinar Grupo de Apoio ao Paciente Oncológico da Cruz Azul presta assistência humanizada no tratamento de câncer Da esquerda para direita e de cima para baixo: Rafael Lopes (Enfermagem), Dr. Saulo Silva (Chefia da Oncologia), Ronise Vicente (Gestão da Enfermagem), Joyce Macedo (Serviço Social), Michele Ledesma (Psicologia), Rosimeire Sartório (Assessoria ao Paciente), Priscila Cruz (Fonoaudiologia), Alessandra Miranda (Nutrição), Naires Freitas (Enfermagem), Luciana Fukamichi (Enfermagem) e Ângela Souza (Enfermagem) âncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células, as quais invadem tecidos e órgãos. Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores malignos, que podem espalhar-se para outras regiões do corpo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), por ano, cerca de 8,2 milhões de pessoas morrem de câncer no mundo. As causas da doença são variadas, mas podem estar inter-relacionadas, podendo ser: “externas”, que referem-se ao meio ambiente e aos hábitos ou costumes próprios de uma sociedade, ou ainda “internas”, que são, na maioria das vezes, geneticamente pré-determinadas e estão ligadas à capacidade do organis- mo de se defender das agressões exteriores. Considerando o câncer uma doença grave, que necessita de diagnóstico precoce, bem como um atendimento individualizado, humanizado e com alto padrão de qualidade, a Cruz Azul de São Paulo criou o Grupo de Apoio ao Paciente Oncológico para melhor atender a família policialmilitar e a sociedade.

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Revista Cruz Azul - Saúde Humanizada 11 Saúde humanizada: acolhimento no diagnóstico e no tratamento • As equipes estão atentas aos casos em potencial, sendo assim, quando o exame ou procedimento com biópsia apresenta resultado sugestivo ao câncer, o laudo é encaminhado ao setor de Saúde Humanizada, que entra em contato com o paciente para agilizar a consulta médica, de modo que o especialista possa confirmar o diagnóstico e indicar o tratamento, com a maior brevidade possível. • Mediante tal confirmação, na saída do consultório do Oncologista e/ou Hematologista, um Enfermeiro acolhe o paciente e seu acompanhante, complementando as orientações sobre os cuidados e a conduta terapêutica e, também, colocando-se à disposição para esclarecer eventuais dúvidas no decorrer do tratamento. • O Centro Oncológico do Complexo Hospitalar Cruz Azul conta com uma equipe multiprofissional que engloba as seguintes as áreas de atuação: Medicina, Enfermagem, Fisioterapia, Psicologia, Farmácia, Serviço Social e Nutrição. • Em caso de internação ou nas sessões de Quimioterapia, o paciente e os familiares são acolhidos pelos nossos profissionais de saúde, que estão de prontidão para atender às suas necessidades. • Para contribuir com os resultados terapêuticos, a Cruz Azul também proporciona diversas ações de humanização, como: oficinas de automaquiagem, aulas de artesanato em sessões de Quimioterapia, apresentações do Coral na Unidade de Internação, comemoração de aniversário do paciente internado ou em tratamento quimioterápico naquela data e ainda o serviço de Capelania, que propicia palavras de afeto e conforto.  Por Ronise Aparecida da Silva Vicente Enfermeira-chefe do Ambulatório de Oncologia da Cruz Azul Para contribuir com a elevação da autoestima e a qualidade de vida das pacientes com câncer, a Cruz Azul promove oficinas de automaquiagem*, em parceria com o Instituto ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos). No programa “De bem com você, a beleza contra o câncer”, elas aprendem técnicas que ajudam a suavizar e combater os efeitos relacionados ao tratamento. Mais informações: Serviço Social (11) 3348-4055/4056 * Oficinas gratuitas para mulheres que estejam em tratamento oncológico no Complexo Hospitalar Cambuci da Cruz Azul, mediante inscrição prévia no Serviço Social, de acordo com o limite de vagas disponibilizado para cada evento.

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12 Revista Cruz Azul - Esporte Postura e saúde Professora de Educação Física do Colégio PM aborda a postura corporal em relação à integridade física dos estudantes alar sobre “postura” remete a discussões e informações que parecem estar relacionadas ao passado, mas, ao oposto do que possa parecer, sempre será um diálogo atual. Como confirma a estatística da Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% da população apresenta dores nas costas, com grande parte dos casos provocados pela inércia aliada à má postura. No âmbito escolar, persistem os hábitos posturais incorretos e frequentemente repetidos, gerando danos físicos e também de aprendizagem. A começar pelo peso da mochila nas costas que, segundo pesquisas, seria adequado carregar apenas 10% do peso corporal. Nas salas de aula, durante o tempo que permanecem em aulas expositivas, muitos alunos sentam-se “deitando na cadeira”, recostando-se sobre a mesa ou ainda apoiando os pés na cadeira, entre outros. A fisioterapeuta Mei Wang, especialista em neurologia e ortopedia pela Universidade de São Paulo (USP), afirma que “a má postura causa a sobrecarga e desvios da coluna vertebral, o que provoca a redução da capacidade respiratória, pois se a respiração não está correta, o ar não vai chegar de forma satisfatória ao cérebro, prejudicando a aprendizagem e a capacidade de guardar informações”. Além disso, a dificuldade em manter uma postura adequada também está relacionada à insuficiência de conscientização corporal, pois com a imobilidade suprindo a mobilidade, crianças e jovens muitas vezes só percebem seu corpo quando estão diante de desafios cognitivos, motores e socioemocionais proporciona- dos nas aulas de Educação Física. Ao atravessar um percurso, por exemplo, precisam manter a concentração, têm que perceber a disposição dos materiais para poder adotar diferentes posturas (passar por cima/por baixo/ entre obstáculos, subir/descer...), devem saber onde inicia e onde termina etc. Já os jogos demandam a criação de estratégias, com organização e planejamento, mediante a interação com os membros da própria equipe e dos adversários, assim como executar as habilidades específicas da modalidade esportiva. Muitos são os benefícios físicos e de aprendizagem diante do conhecimento de si. Por essa razão, “aprender sobre o corpo deve estar no contexto do jogo e da brincadeira”, como diz André Trindade, autor do livro “Mapas do corpo”.  Por Simone Gagliardi Saldys Professora de Educação Física do Colégio PM - Unidade Centro, especialista em Psicomotricidade (Educação e Clínica) Professora Simone e alunos da Unidade Centro

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14 Revista Cruz Azul - Saúde Jovem A ditadura da imagem Psiquiatra da Cruz Azul aborda os transtornos alimentares ligados à busca desenfreada pelo corpo ideal Por Dr. Carlos Neumann Psiquiatra da Cruz Azul, Doutor em Psicologia Clínica e Psicanalista da So- ciedade Brasileira de Psicanálise parecer em uma mídia social sorrindo, exibindo um corpo com relevo de músculos moldados por exercícios tenazes e dietas mirabolantes, repleto de tatuagens que exaltem os volumes e contornos bem delineados, complementados de adornos como piercings que provoquem a imaginação sensual no Facebook e no Instagram, no final das contas, pode ter um alto preço. Enquanto se aparece como belo ícone é “tudo de bom”, “é nóis na fita”, “linda, lindo, kkk”... A imagem vale mais do que mil palavras no nosso cotidiano da exibição da alegria. Desconfia-se que esta seja pouco verdadeira, mas o instantâneo da fama compensa o “discurso, o papo cabeça, a filosofia”. A construção de um resultado final com esta alegoria a exibir é fruto de um árduo trabalho, que profissionais da área de saúde mental tipificam como: impulso, compulsão, baixa autoestima, narcisismo ferido, obsessividade, distorção da imagem corporal, purgação, funcionamento autopunitivo, perversão, esvaziamento psíquico e desamparo, ou seja, designações que revelam o inverso do que o sorriso e a força muscular tentam disfarçar: dor psíquica, insegurança e sentimento de fraqueza. Quando se coloca a questão sobre: “o que veio a se chamar transtorno alimentar?”, é indissociável a conjunção entre imagem corporal/autoimagem, procedimentos compulsivos relacionados à dieta e atividade/inatividade física com comportamentos estereotipados e moldados por ideias obsessivas relacionadas à aparência. Pode-se colocar no mesmo tacho, na mesma panela de pressão: anorexia, bulimia, vigorexia, obesidade, alcoolismo de um lado e, de outro, o “como me vejo” e “como devo me modificar”, seja pela dieta ou ausência dela, pelo excedente a ser expelido via vômito ou atividade física excessiva e ainda pela inação e autoabandono. Os sentimentos de desamparo, fraqueza, tristeza, abandono e vazio são “tratados” na arena ou no teatro do corpo, o qual deve ser belo a todo custo, envolvendo comportamentos aditivos (comer muito e expelir, comer muito ou beber muito e se narcotizar pela saciedade como uma droga, buscar purgar/punir pela adição de exercícios para ter o tônus e a endorfina) ou restritivos (não comer, isolar-se porque se sente gordo mesmo estando esquelético, enfim, punindo-se). O que os psicanalistas chamam de “oralidade”, que é o prazer pela boca ou mesmo evitá-lo, conduz tudo. Na raiz, a noção de que, como seres no início de nossas vidas, o prazer oral teria sido o primeiro deleite, aquele que se mantém vivo como um sentido, com mais vigor do que o sexo, posto que se precisa lidar com isso constantemente, várias vezes ao dia. A sexualidade genital pode esperar, mas, a fome, não. Esta é primordial, renovável a cada pequeno período de tempo, que se faz sentir de modo impositivo a ponto de que, quando se está faminto, não se pode pensar em outra coisa que não seja alimentar-se, um fato inadiável. Portanto, as carências, insuficiências e instabilidades ganham tradução nisto que mais se sente, representando no que as pessoas cedem nesta busca por saciar/ bloquear em prol da estética. Por exemplo, as pessoas vão às academias e conversam sobre o que comeram no final de semana passado e precisam descontar nos exercícios ou citam aquilo que vão poder comer depois dos treinos. Tudo isso que foi dito sinaliza que os transtornos alimentares graves, como anorexia ou bulimia, denotam uma continuidade em grau maior das preocupações com a aparência, o apelo às dietas e a obstinação pela qual o indivíduo tende a não pensar sobre suas angústias fundamentais quanto a estar vivo, assim como ter responsabilidade sobre si e sua própria vida, deslocando tudo sobre o espelho do corpo e não o retrato da alma, neste nosso mundo que se esquiva das palavras buscando a imposição pela ditadura da imagem do belo corpo. 

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Revista Cruz Azul - Saúde Jovem 15

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