Revista Cais do Porto - Edição 29 - Ano X

 

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Tudo sobre portos marítimos.

Popular Pages


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Ano VII - Nº 26 • R$ 12,00 retrospectiva 2017 X perspectiva 2018 o que nos espera? ESPECIAL Portos brasileiros atingem crescimento de 6,6% na movimentação de cargas PERNAMBUCO Suape comemora 40 anos com maior crescimento entre os portos do país ÓLEO E GÁS Decal investe R$ 283 milhões e amplia pátio de armazenamento de combustíveis TECMRPUOZREAIRDOASDE Aberta a temporada de cruzeiros www.caisdo2po0r1t7o./c2o0m181

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Suape. O motor da economia de Pernambuco, mais potente a cada ano. Há tanto a ser comemorado no aniversário de Suape que Pernambuco abre, desde já, as comemorações dos 40 anos do Complexo Industrial Portuário. Afinal, caminhamos para quatro décadas de conquistas que só tendem a crescer. Cerca de 100 empresas já foram atraídas, empregando mais de 18 mil pessoas. Suape é o porto público brasileiro líder na movimentação de granéis líquidos (combustíveis, petróleo e derivados). É também o mais importante na navegação de cabotagem e o primeiro na movimentação de contêineres do Norte e Nordeste. Dois fatores que mantêm Suape à frente nessas regiões e apontam para mais crescimento: o equilíbrio fiscal do estado e a infraestrutura que oferece. Com a retomada econômica do país, Suape está pronto para continuar atraindo empresas e criar oportunidades de negócios. O motor da economia do estado faz Pernambuco avançar, cada vez mais, em direção a um grande futuro. Outras marcas de Suape: • 63 mil veículos movimentados este ano (crescimento de 55%), com expectativa de superar 80 mil unidades. • 22% de crescimento na movimentação de contêineres em 2017. • 5º lugar entre os portos brasileiros na movimentação de cargas, com 22,7 milhões de toneladas em 2016. • Maior crescimento entre os portos públicos, com taxa de 15%. • Entre os primeiros no Índice de Desempenho Ambiental (IDA), da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). • 59% dos seus 13,5 mil hectares destinados às áreas de preservação. Projetos para os 40 anos (2018): • Segundo terminal de contêineres, mais que dobrando a atual capacidade de 700 mil TEUs. • Ampliação dos parques de tancagem, aumentando a capacidade para 1 milhão de m3 nos próximos anos. • Terminal de Regaseificação de Gás Natural Liquefeito (GNL). • Arrendamento do pátio de veículos. • Pátio de triagem de caminhões. pe.gov.br 2 www.caisdoporto.com

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Secretaria de Desenvolvimento Econômico www.caisdoporto.com 3

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Capa: Brando Nascimento Retomada do crescimento econômico é a grande aposta para 2018 A virada de ano deve trazer novos e agradáveis ares para o país. Após quase três anos de uma crise sem precedentes, a economia brasileira já mostra sinais evidentes de recuperação, que devem se intensificar em 2018. Segundo projeções da Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), em 2017, o Produto Interno Bruto (PIB) deve fecha o ano com elevação acima de 1%. A inflação, medida pelo IPCA, deve atingir 2,8%, enquanto as vendas do varejo no Brasil devem fechar com índice positivo em 3%, mesma taxa de crescimento esperada para a indústria. O otimismo também deve ter respaldo nos bons resultados da produção e do faturamento de praticamente todas as atividades, mesmo diante do fato de estarmos entrando num ano eleitoral. Em 2017, a economia se recuperou de maneira consistente apesar de um período de muita instabilidade política, pós-impeachment e com a votação de duas denúncias contra o presidente, que claramente afetaram o ânimo do consumidor e a confiança do empresário e investidor. O ano chega ao fim com uma expectativa de superávit de US$ 65 bilhões na balança comercial brasileira, saldo positivo que deve se repetir em 2018, em US$ 45 bilhões. Somadas a isso, as privatizações e concessões devem continuar estimulando os investimentos e contribuindo para a geração de emprego. Mas 2018 também deverá ser um ano de muitos desafios, com controle de gastos e o ajuste fiscal, que depende da agenda de reformas e de um grande esforço político. Diante desse cenário, a Revista Caisdoporto.com chega a sua última edição do ano com uma retrospectiva com o que aconteceu nos setores portuário, logístico, óleo e gás, trazendo entrevistas com grandes nomes sobre as perspectivas para 2018. Quais investimentos estão previstos? Quais serão os principais gargalos? Onde será melhor apostar? O que nos espera em 2018? Uma boa leitura e um excelente ano novo!!! Rodrigo de Luna Diretora Geral e Comercial Ana Cláudia Matos anaclaudia@caisdoporto.com Conselho Editorial Alexandre Catão Carlos Garcia Guilherme Patury José Falcão Marcílio Cunha 4º trimestre de 2017 Editoria Executiva Ana Cláudia Matos (DRT 1069) Rodrigo de Luna (DRT 4332) Fotografia Fotoimagem Assessoria de Imprensa Diagramação Brando Nascimento brando.interface@gmail.com Editoração eletrônica Vitrine-PE www.vitrine-pe.com Site www.caisdoporto.com Publicidade e Assinatura Três por Quatro Comunicação Ltda. Av. Parnamirim, 222/51 - Recife/PE CEP: 52.060-000 Fone: (81) 3040.6870 / 99904.0347 comercial@caisdoporto.com 4 www.caisdoporto.com Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores.

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06 Especial: Retrospectiva 2017 e Perspectivas 2018 15 Investimentos para dragagem. Seções 25 Depoimentos 26 Artigo: REFIS agora para débitos do Simples Nacional - PERT-SN 40 Artigo: Um mundo novo e admirável 41 Diário de Bordo 42 Navegando Empresarial 44 Artigo: Infraestrutura de transportes e as graves dificuldades do setor 18 Especial Suape O sucesso do quarentão pernambucano. 28 Óleo e gás Decal será o maior terminal de combustíveis da América do Sul. 32 Temporada de cruzeiros Turismo em alto mar. www.caisdoporto.com 5

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ESPECIAL RETROSPECT X PERSPECTI PORTOS ATINGEM RECORDES E TRAZEM N FÔLEGO PARA ECONOMIA Em Santos, só até outubro, movimentação de cargas superou em 9,1% o até então melhor desempenho histórico do Complexo Omaior Complexo Portuário do Brasil, em São Paulo, deve fechar 2017 com um novo recorde de movimentação de cargas. As projeções feitas pela Companhia Docas de São Paulo, que administra Santos, estimam que o Porto atingirá a marca de 126,8 milhões de toneladas de cargas, chegando ou saindo em navios. Se os números se confirmarem, Santos vai ultrapassar em 5,8% o total anual, obtido em 2015, e em 11,5% o total de 2016, alcançando um novo recorde de movimentação de cargas. O otimismo tomou como base os registros até o último mês de outubro, quando a movimentação de cargas em Santos registrou o maior acumulado de sua história ao atingir a marca de 109,052 milhões de toneladas e o maior movimento mensal para os meses de outubro, com 11,368 milhões de toneladas. A marca superou em 9,1% o até então melhor 6 www.caisdoporto.com

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TIVA 2017 X IVA 2018 NOVO desempenho de janeiro a outubro, verificado em 2015, e em 11,6%, o total apurado em igual período do ano passado. O resultado do mês cresceu 0,5% acima da segunda melhor performance, também ocorrida em 2015, e 24,3% sobre outubro do ano anterior. O movimento mensal apresentou elevado crescimento de 35,2% das exportações, resultado verificado principalmente em razão do aumento de 190,1% nos embarques de milho, que se tornou a carga mais operada em outubro, com 2,193 milhões de toneladas carregadas. No ano, o cereal acumulou alta de 49,9%, chegando a 10,632 milhões de tonelada. Também houve um aumento de 66,3% do chamado complexo soja, chegando a 448,535 mil toneladas movimentadas no mês e de 13,3% até outubro, atingindo 20,680 milhões de toneladas. Apesar do ligeiro crescimento de 2,3% apresentado em outubro, as importações acumularam alta de 12% no ano, impulsionada pelo aumento de 20,5% dos adubos, carga de maior participação nesse fluxo, com o total de 3,240 milhões de toneladas e de 40,4% de óleo diesel/gasóleo, com 2,135 milhões de toneladas. As operações com contêineres registraram alta de 14% no número de TEU’s (unidades equivalentes a 20 pés) e de 7,2% no total acumulado, atingindo 3,176 milhões TEU’s. Quanto à tonelagem, o total até outubro, chegou a 36,887 milhões de toneladas, 33,83% da movimentação geral de Santos. Na corrente de comércio, Santos registrou participação de 28,2% sobre o total brasileiro, chegando a US$ 86,9 bilhões, 12,13% a mais que em igual período do ano passado. As exportações participaram com 27,3% sobre o total nacional, atingindo US$ 50,1 bilhões, com alta de 14,9%. As importações representaram 29,4% do total do país, respondendo por US$ 36,7 bilhões, com incremento de 8,25% sobre 2016. Na pauta de exportações, soja, açúcar e café despontaram como as cargas mais movimentadas quanto ao valor comercial. A China permanece como principal importador das mercadorias embarcadas em Santos, representando o total de US$ 7,993 bilhões, 15,8% das exportações efetuadas pelo complexo santista. Dentre as cargas importadas, os destaques quanto ao valor comercial foram gasóleo, caixas de marchas e inseticidas. Também na importação a China figura como o principal parceiro nas trocas com o porto santista, com US$ 8,089 bilhões, 22% do total importado. E o otimismo no cais do porto não tem sido exclusividade dos santistas. Em todo o Brasil, o Sistema Portuário (portos organizados e os Terminais de Uso Privado - TUP) teve um crescimento de 6,6% na movimentação de cargas no terceiro trimestre de 2017, no comparativo com 2016. Foram mais de 279 milhões de toneladas em operações nos meses de julho a setembro desse ano, de acordo com os dados do último Boletim Informativo Aquaviário da Agência www.caisdoporto.com 7

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Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Ao se levar em conta o perfil das cargas, os granéis sólidos responderam por quase 65% da tonelagem de cargas movimentadas no Brasil no terceiro trimestre, representando 181,4 milhões de toneladas e crescimento de 9% em comparação a igual período de 2016. Foram movimentados, ainda nesse trimestre, 57 milhões de toneladas de granéis líquidos, número 0,5% superior ao montante movimentado em igual período do ano passado. BAHIA – Os portos da Bahia registraram um crescimento de 5% na movimentação no comparativo com 2016 quando foram movimentadas 9,4 milhões em mercadorias. Salvador, Aratu-Candeias e Ilhéus fecharam o acumulado do ano até outubro com quase 10 milhões de toneladas em movimentação. Um fato inédito em toda história da Companhia Docas da Bahia (Codeba) é a manutenção por seis meses consecutivos da taxa mínima de 1 milhão de toneladas movimentadas por mês. Em outubro, a marca foi superada, com 1,078 mil toneladas, via modal portuário. E um dos responsáveis por esse sucesso foi a celulose. É que a Bahia se destaca na economia nacional como um dos mais importantes Estados nessa produção, que encontra nos armazéns do Porto de Salvador as condições ideais para acondicionamento até o embarque final rumo ao exterior. No acumulado do ano até outubro, mais de 369 mil toneladas de celulose foram movimentadas no Porto. Dados da Superintendência de Estudos Econômicos (SEI) revelam que o segmento de papel e celulose foi o segundo mais importante nas exportações baianas, de janeiro a abril, com participação de quase 17%. Os municípios de Eunápolis e Mucuri, no Sul da Bahia, se destacam na produção, e o mercado chinês continua na posição de maior comprador da produção brasileira. No cenário nacional, a fabricação aumentou em 2,7%, no acumulado dos nove primeiros meses do ano, chegando a pouco mais de 14 milhões de toneladas. Cerca de 70% de todo esse montante se destina ao mercado externo. Este ano, Salvador também ganhou uma forma de fiscalização diferenciada para garantir melhores resultados num segmento em que o Porto 8 www.caisdoporto.com Cabotagem é destaque no Tecon Salvador O Tecon Salvador, terminal de contêineres o em novembro crescimento de 42,5% na c 2016. No acumulado de 2017, o aumento f eficaz e importante para desafogar os ga segurança para a carga, uma vez que o risco comercial do Tecon Salvador, Patrícia Igl foram Polímeros (+169%), Químicos e Petro oferecer maior segurança, esse tipo de tran custos entre 15% a 30% nas rotas de longa

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operado pelo Grupo Wilson Sons, registrou cabotagem, em relação ao mesmo mês de foi de 17,5%. “A cabotagem é uma solução argalos logísticos do Brasil, oferece maior o de avaria é quase zero”, explica a diretora lesias. As principais cargas transportadas oquímicos (+80%) e Arroz (+65%). Além de nsporte também possibilita uma redução de distância. também tem se destacado. Salvador é o único da região Nordeste que conta com uma força-tarefa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para agilizar a exportação das frutas do Vale do São Francisco, reduzindo o tempo de espera até o embarque. Os auditores fiscais fazem as vistorias em todos os dias da semana, nos três turnos, para garantir que o procedimento de análise das cargas de frutas seja feito com segurança e rapidez. Com o novo processo pré-embarque das mangas e uvas do Vale, toda a cadeia dos cultivos passa a se beneficiar com a garantia do cumprimento de prazos estabelecidos, o que inclui produtores de frutas e armadores (donos de navios). O volume de contêineres embarcados para a Europa chega a ser seis vezes maior no período de safra (com pico em outubro), em relação ao período de entressafra, de janeiro a junho. A reestruturação na plataforma de fiscalização das exportações, feita pela Codeba, contribuiu para que todas as etapas sejam concluídas com mais agilidade pelo MAPA. A existência da Via Expressa Baía de Todos os Santos é outro fator positivo no trânsito das cargas que chegam ao Porto de Salvador pelo modal viário. O Porto segue pelo quinto ano consecutivo como um dos principais do Nordeste no escoamento das frutas do Vale. O volume da entressafra exportado via terminal de contêineres cresceu 112%, em relação ao ano passado. Em novembro, cerca de 4 mil toneladas de carga com chapas de aço chegaram ao Porto. A matéria-prima tem uso na fabricação de torres, contribuindo para a cadeia produtiva da indústria eólica do país. As chapas saíram do Porto de Vitória (ES), em navegação de cabotagem, e, depois de deixarem os armazéns do Porto da capital baiana, foram para a fábrica da Torrebras, subsidiária brasileira da Windair (Espanha), em Camaçari. De acordo com o Boletim Anual de Geração Eólica, da Associação Brasileira de Energia Eólica, até o final de 2016, o país abrigava 430 usinas. O Brasil ultrapassou a Itália no ranking mundial de capacidade instalada e ocupa a 9ª posição. De janeiro a setembro, quase 22 mil toneladas em chapas de aço chegaram ao Estado pelo Porto de Salvador. No comparativo, o acumulado supera o total desse tipo de operações em 2016, pouco mais de 11 mil toneladas. www.caisdoporto.com 9

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Danilo Serpa “Em Pecém não falamos em crise, nos últimos 10 anos tivemos um crescimento anual de 29% e devemos fechar 2017 com alta em torno de 50%“ presidente da CIPP S.A CEARÁ – Ainda na região nordeste, o Porto do Pecém (CE) completa 15 anos de fundação também com números a serem comemorados. Só até outubro a movimentação acumulada de 2017 cresceu 51% em relação ao mesmo período anterior. São mais de 13 milhões de toneladas movimentadas. Com base no histórico dos resultados anuais do Porto, este deve ser o melhor ano da Companhia. “Em Pecém não falamos em crise, nos últimos 10 anos tivemos um crescimento anual de 29% e devemos fechar 2017 com alta em torno de 50%”, destaca Danilo Serpa, presidente da CIPP S.A. Osresultadosforampuxadospelocrescimento de todas as atividades desenvolvidas pelo Porto. A navegação de cabotagem cresceu 71% de janeiro a outubro na comparação com o mesmo período de 2016. O destaque entre as cargas é o minério de ferro vindo do Maranhão (62%) e do Espírito Santo (38%) e totalmente destinado à Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP). O fluxo de navios e embarcações que passam pelo Pecém também apresenta elevação, a média é de crescimento de 21% a cada mês. Este ano já atracaram mais de 460 navios. Nas transações internacionais os resultados impressionam ainda mais. As exportações cresceram 125% e as importações 37% (de janeiro a outubro de 2017, em comparação com igual período do ano anterior). Estar localizado na esquina do Atlântico é, sem dúvidas, um diferencial do Porto do Pecém. Com tempo de viagem menor à Europa e aos Estados Unidos, em relação aos outros portos nacionais e sulamericanos, o equipamento cearense se destaca em competitividade e eficiência. Destaque nas exportações, as placas de aço produzidas pela CSP ocupam o primeiro lugar no ranking das cargas mais movimentadas na rota internacional. Os EUA são o principal destino, recebendo 37% desse material que sai pelo Pecém. Apesar de sazonal, a safra de frutas tem grande notoriedade pelo volume exportado, são quase 117 mil toneladas (até outubro), e pela quantidade de destinos, mais de 10 países; os que mais recebem os produtos são Holanda, EUA e Grã Bretanha. Já nas importações o carvão mineral é a carga com maior volume, mais de 4 milhões toneladas (até outubro). Com origem principalmente da Colômbia (54%), além de outros 6 países, o material é destinado à CSP e às 2 térmicas instaladas no Complexo. O Pecém é reconhecido no meio portuário pelo atendimento aos contêineres, são 7 linhas de navegação. Um único navio chega a carregar mercadorias de mais de 8 mil clientes por viagem. É uma força de equilíbrio na logística por tornar mais fácil e segura a importação e exportação, por exemplo. Nos primeiros 10 meses do ano a movimentação de contêineres cresceu 14% em comparação a 2016. A categoria dá a idéia da versatilidade do Porto, já que nessa modalidade os clientes não precisam fretar um navio inteiro para transportar suas mercadorias. Este ano, o Porto passou por mudanças e agregou a zona industrial que se instalou na área por força do equipamento. Desde o dia 10 de outubro, 10 www.caisdoporto.com

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a Cearáportos tornou-se Complexo Industrial e Portuário do Pecém S.A. (CIPP), responsável por administrar o Porto, a zona industrial adjacente e a Zona de Processamento de Exportação do Ceará (ZPE). Ao se tornar S.A., o CIPP tem autonomia maior e a gestão unificada facilita a atração de novos investimentos. “As mudanças são necessárias para promover de maneira mais efetiva o desenvolvimento econômico e social do Estado, tornando o CIPP um centro de conexão de cargas marítimas e atração de empresas para atuação em sua área industrial e ZPE“, destacou o governador Camilo Santana. Pecém também garantiu uma parceria com o Porto de Roterdã, que deverá trazer ainda mais possibilidades comerciais e de desenvolvimento. O equipamento holandês possui expertise de mais de 600 anos, é parceiro em diversos portos internacionais, o maior da Europa e considerado um dos principais do mundo em movimentação de cargas. A associação com o CIPP tem o objetivo de gerar mais crescimento ao complexo cearense por meio de uma maior sinergia, aumentando a eficiência operacional e econômica, além de assessorar na captação de novos investidores para o Ceará. “Roterdã participará do negócio porém os ativos continuarão sendo do Governo do Ceará, mas a partir do momento em que eles integrarem a gestão do CIPP isso vai acelerar a atração de novos negócios e espertar o interesse de outras empresas mundiais além de contribuir com a experiência de décadas em operações integradas entre porto, área industrial e freezone”, conta Danilo. Ter a única ZPE operando no Brasil destaca o CIPP em relação a outros portos do País. Atualmente a Zona abriga quatro indústrias ao todo, com destaque para a CSP, do setor siderúrgico. Há previsão de crescimento a partir da instalação de duas novas empresas, uma do setor termoelétrico e outra de rochas ornamentais. A variedade de segmentos estimula as movimentações internacionais de cargas, dando ainda mais notoriedade ao Ceará em diferentes cenários internacionais. Hoje, o Porto tem capacidade para receber até 8 navios simultaneamente. Para operação das cargas há os descarregadores de carvão e minério, cada um com capacidade de descarga de 2.400 toneladas por hora e ambos acoplados às Correias Transportadoras, que saem do Porto e seguem até as áreas da CSP e Térmicas. Outro diferencial são os 9 guindastes do tipo MHC (Móveis) com capacidade de içar 100 toneladas a cada movimento e 2 STS (guindastes específicos para transporte de contêineres), tecnologia de última geração, com capacidade de movimentar simultaneamente dois contêineres com 65 toneladas. Mas a rotina portuária não se limita à chegada e saída das embarcações. Além dos equipamentos de carga e descarga, a operação necessita de todo um aparato para dar suporte a essa dinâmica. O www.caisdoporto.com 11

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Pátio de estocagem possui área útil de 380 mil m2 e tem potencial de armazenar 16 mil contêineres, 888 contêineres refrigerados e 250 mil toneladas de cargas não conteinerizadas, além de dois armazéns, um com 6,2 mil m2 e outro de 10 mil m2. Para dar suporte aos avanços, nos últimos 4 anos foram investidos mais de 400 milhões de reais em equipamentos e infraestrutura que resultaram no crescimento de 84,86% no faturamento para o mesmo período. Para o presidente do CIPP, o bom momento é fruto de um esforço conjunto da equipe do Complexo e do Governo do Ceará. “Os profissionais que fazem o Porto do Pecém têm se empenhado com destaque em suas atividades, seja comercial, operacional ou administrativa, para a obtenção desses resultados. Ao mesmo tempo em que o governador Camilo Santana tem trabalhado a imagem e as potencialidades do Porto nos cenários nacionais e internacionais”, afirma. As cargas não têm o Porto como destino final, por isso a importância da integração com outros modais. O CIPP reúne também rodovias e uma ferrovia, criando uma facilidade operacional que permite maior acessibilidade das cargas e facilidade no transporte, reduzindo avarias e, principalmente, os custos na movimentação. O ramal ferroviário de 22km de extensão interliga o Porto ao Maranhão e ao Piauí. Por ele são transportados principalmente as bobinas de aço importadas da Ásia. Com a conclusão das obras da Transnordestina, o Pecém estará interligado também ao Porto de Suape (PE), passando pelo interior do Ceará e também do Piauí. Pelas rodovias são escoadas muitas das cargas. A CE 155 tem 22 km de extensão e passa por obras de duplicação para dar mais agilidade ao trânsito já que interliga o Terminal à BR 222, principal via de acesso ao Complexo. Também para agilizar o trânsito interno e externo da área portuária está em fase de construção a Rodovia de Placas, uma via expressa destinada exclusivamente ao transporte de placas de aço produzidas pela CSP, ligando a siderúrgica ao Terminal. O Porto também passa por um momento de expansão com a construção de mais um berço, aumentando a capacidade para até 9 navios simultaneamente, além de uma segunda ponte de acesso, maior que a primeira, proporcionando mais agilidade à operação. PARANÁ – Da região sul do país, também vieram recordes para garantir o bom resultado no anuário portuário brasileiro. O Porto de Paranaguá (PR) atingiu no fim de novembro a marca de 48 milhões de toneladas de produtos exportados. É a maior movimentação de cargas do porto paranaense. Até então o recorde era de 2013, quando foram movimentadas 46 milhões de toneladas. Em novembro, em um registro inédito, 5.530 veículos foram contabilizados na faixa portuária e nos pátios de automóveis simultaneamente. Os carros das marcas Renault, Volkswagen e BMW foram exportados para a Argentina, o México e os Estados Unidos. Somente em 2017, já foram exportados 92.469 veículos. A expectativa da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) é a de fechar o ano com a exportação de mais de 100 mil unidades, uma marca jamais alcançada antes. O diretor-presidente da Appa, Luiz Henrique Dividino, atribui o recorde de movimentação ao mercado, à capacidade de resposta dos operadores portuários de Paranaguá e ao novo layout operacional do cais do porto – que tem permitido uma movimentação nunca vista. “Com o novo layout, aumentamos em 36% a área para movimentação de cargas especiais, utilizada para o armazenamento de veículos. Com isso, em 2017, teremos o maior volume de automóveis já exportados e em 2018 a responsabilidade será ainda maior”, diz Dividino. Além do aumento da capacidade de armazenamento de cargas especiais, incluindo veículos, Paranaguá cumpre as exigências dos fabricantes, como a existência de rampas específicas para o embarque das mercadorias. Esses aspectos contribuíram para que o porto paranaense se tornasse o segundo do país em movimentação de automóveis. “O aumento da capacidade de armazenamento já é um atrativo enorme a quem exporta ou importa. Além desse aspecto, o porto paranaense tem se destacado com as boas condições de movimentação, apresentando baixa incidência de avarias. Isso tudo faz diferença e justifica o excelente desempenho”, enfatizou o secretário de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho. A crescente movimentação de veículos aponta para a diversificação de cargas operadas no Porto e vem batendo sucessivos recordes. De acordo 12 www.caisdoporto.com

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com o relatório divulgado pela Appa, a exportação de veículos aumentou cerca de 25% em comparação a 2016, com uma média de 8.500 unidades embarcadas por mês, contra 6.800 mensais no ano passado. Para Richa Filho, investimentos e planejamento estratégico colocaram o Porto de Paranaguá novamente no cenário mundial. “Fecharemos em 2018 um total de R$ 934,9 milhões em investimentos para modernização dos portos do Paraná. São os maiores investimentos públicos já realizados para solucionar os gargalos logísticos que existiam”, disse. Além de superar 37 recordes históricos em 30 meses, Paranaguá também garantiu o primeiro lugar em desempenho ambiental. A avaliação feita pela Antaq é composta por 38 indicadores, com base na legislação ambiental e nas boas práticas do setor portuário mundial. Em 2012 Paranaguá estava na 26ª posição, conquistando o primeiro lugar entre os 30 portos púbicos e privados do Brasil. Dividino atribui os resultados a uma soma de fatores que inclui o desempenho do campo e da indústria, a atuação dos trabalhadores e de operadores portuários e os investimentos estratégicos realizados para devolver a competitividade ao Porto. “É um fenômeno natural, já que investimos para fazer um porto maior e mais ágil. Trocamos carregadores de navios, que trabalham com uma produtividade 33% maior, colocamos balanças mais modernas que funcionam com maior precisão e velocidade, reformamos o cais fazendo com que equipamentos maiores e mais pesados pudessem operar e fizemos sucessivas campanhas de dragagem que permitem que navios maiores atraquem”, comemorou. RIO GRANDE DO SUL – Ainda no sul do Brasil, o Porto do Rio Grande conseguiu um alto índice de crescimento no ano. Até novembro, o complexo portuário já registrava aumento de 5% quando comparado ao mesmo período de 2016. A marca de mais de 37,5 milhões de toneladas também já é praticamente igual a todo o ano de 2015. Destacamse na movimentação cargas como a soja, o arroz e os contêineres. “O ano foi atípico para o complexo portuário. Vimos meses com queda de movimentação quando comparado com o mesmo mês do ano passado, mas outros com crescimento exponencial como o caso de outubro que comparado ao de 2016 teve crescimento BALANÇO Só até o mês de outubro acumulado de 2017 cresceu 51% em relação ao mesmo período em 2016. São mais de treze milhões de toneladasmovimentadas em dez meses. Este ano já atracaram mais de 460 navios no Pecém - crescimento de 71 % na navegação de cabotagem. www.caisdoporto.com 13

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de mais de 35%. Já em novembro tivemos mais de 11% quando analisamos o novembro passado”, afirma o diretor superintendente Janir Branco. O gestor explica que a movimentação portuária depende não somente da capacidade do complexo, mas também de fatores externos como câmbio e valores das commodities. “O cenário nacional e internacional são fatores preponderantes para a compra e venda de produtos. O Estado do Rio Grande do Sul é essencialmente agrícola e a variação de preços e valores cambiais favoráveis ao produtor são fatores para as movimentações portuárias”, avalia Branco. Destacaram-se até novembro produtos como o arroz (+0,72%) e os contêineres que movimentam produtos como tabaco e frango congelado com crescimento de 5,6%. O complexo soja tradicionalmente é o principal produto de movimentação do Porto do Rio Grande. O conjunto formado por óleo, farelo e grão teve crescimento de 16,8%, acumulando até o momento 13,9 milhões de toneladas. Somente o grão de soja teve crescimento de 26,5% e soma sozinho 11,8 milhões de toneladas. “Tivemos nos primeiros meses do ano uma saída atípica da safra 2016 e estamos vendo uma boa movimentação da safra 2017”, afirma Branco. As principais origens das importações ao Porto do Rio Grande são: Argentina, Estados Unidos, Marrocos, Argélia e, Rússia. Já as exportações ficam na seguinte ordem: China, Eslovênia, Irã, Coréia do Sul e, Japão. A SUPRG e o Governo do Estado avaliam que a movimentação total de 2017 deve superar o ano passado sendo assim, registrando o melhor ano da história do complexo portuário. “Estamos confiantes de que o mês de dezembro deve ser positivo e auxiliar para a aquisição do recorde. O secretário Pedro Westphalen e o secretário Fábio Branco liderado pelo Governador Sartori, buscaram ao longo desse ano a facilitação da logística gaúcha com projetos de melhorias na hidrovia e também na integração do sistema hidroportuário gaúcho o que facilita a competitividade dos nossos portos”, conclui Branco. O Tecon Rio Grande, terminal de contêineres do Grupo Wilson Sons, também registrou e, dezembro recorde histórico de produtividade em operação portuária. Foram realizados 151,96 movimentos por hora, durante a operação do navio Monte Aconcágua, da linha da Costa Leste dos Estados Unidos. O recorde foi obtido com uma utilização média de 3,26 STS (Super Post Panamax Ship to Shore), equipamentos responsáveis pela movimentação de contêineres entre o navio e o pátio. Cada STS obteve uma produtividade média de 37,54 movimentos por hora. Este foi o terceiro recorde do ano. Para a direção do Tecon, entre os principais fatores que contribuíram para o aumento da produtividade estão o treinamento constante da equipe, a aquisição de novos tratores de pátio (caminhões) e a implantação do novo sistema Navis N4. Outro ponto importante foi o início do funcionamento de três novos STS e oito RTG (Rubber Tyre Gantry Crane – pontes rolantes sobre rodas utilizadas na movimentação dos contêineres no pátio), adquiridos no começo do ano, num investimento de R$ 146 milhões. “Os números positivos são consequência do comprometimento da nossa equipe e dos nossos investimentos em treinamento, equipamentos e tecnologia. Garantimos assim maior eficiência operacional, atendendo às principais demandas dos nossos clientes armadores. Afinal, um terminal mais rápido ajuda na redução dos custos da operação”, ressalta Paulo Bertinetti, diretor presidente do terminal. 14 www.caisdoporto.com

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INVESTIMENTOS PARA DRAGAGEM Onovo ano deve chegar com boas notícias para movimentação portuária em todo o Brasil. Obras de dragagem em andamento ou já anunciadas vão garantir para os portos públicos brasileiros um 2018 com mais movimentação e principalmente mais segurança nas operações. O primeiro porto contemplado em 2017, que já inicia 2018 com um novo calado, é o do Rio de Janeiro. Após 14 meses, entre elaboração do projeto e obra, a dragagem por resultado para a ampliação ao acesso do complexo portuário foi concluída em novembro. Ao todo, foram investidos R$ 237 milhões para a execução da obra, assessoria à fiscalização e monitoramento ambiental. Com a conclusão, o porto poderá receber navios maiores e terá aumentada em 50% a sua capacidade instalada. Os navios poderão movimentar até 900 contêineres a mais, cada. Para o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, a conclusão dessa obra vai aumentar a capacidade operacional dos navios e atender os requisitos logísticos globais. Além disso, vai assegurar a melhoria da infraestrutura que trará reflexo positivo para a balança comercial do Brasil, gerando empregos e desenvolvimento para o Rio. “Quando assumimos, nenhuma dragagem estava em andamento, mas esse governo se comprometeu para atender a demanda do setor”, enfatizou Maurício Quintella. O trabalho aprofundou para 15 metros o canal de acesso e da bacia de evolução. Já na parte do cais norte e oeste, do Arsenal de Marinha, foram 11 e 12 metros, respectivamente. Na Escola Naval, a dragagem foi entre 7,0 e 8,5 metros. Também houve o alargamento, entre 168 e 300 metros, do canal de acesso ao Porto. Foram dragados mais de 2,9 milhões de metros cúbicos de sedimentos. O Consórcio Van Oord/Boskalis foi responsável pela execução e conclusão dos trabalhos. A obra vai proporcionar que o Porto aumente a sua segurança e trafegabilidade para a navegação. E ainda um ganho de capacidade na recepção de navios tipo Super Post Panamax, embarcações de porta-contêineres de 8000 TEUs e navios graneleiros de grande porte. Segundo o Presidente da CDRJ, Tarcísio Tomazoni, o Porto do Rio alcança, dessa forma, os padrões de competitividade exigidos pelo mercado. Para Tomazoni, a expectativa é de que a movimentação de contêineres nos dois terminais do Porto do Rio de Janeiro cresça mais de 40% em 2018. A possibilidade de que novas dragagens também possam ser realizadas a partir de investimentos da iniciativa privada deverá ser fortemente discutida em 2018. Em Santos, no último mês de novembro, começou a se reunir, na Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), um Grupo de Trabalho (GT) criado para discutir o modelo de dragagem do Porto. O grupo terá até o www.caisdoporto.com 15

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