Revista 38 - 2017 EPB - Salvador

 

Embed or link this publication

Description

Revista da Escola de Pais Seccional de Salvador - 2017

Popular Pages


p. 1



[close]

p. 2



[close]

p. 3

Escola de Pais do Brasil AssessoErdiitoAriaelspeciAlizAdA FORMATAÇÃO DE NOVOS NEGÓCIOS E DESENVOLVIMENTO DE SOLUÇÕES ECONÔMICAS E FINANCEIRAS ESTRUTURADAS EXPEDIENTE Endereço: Condomínio Residencial Resort Le Parc Torre 03, Ed. Soleil, Ap. 1503 e-mail: escoladepais.salvador@gmail.com Este ano de 2017 - marcado por turbulências sem fim na vida nacional, no campo social, político e familiar – para a Escola de Pais de Salvador trouxe uma esperança renovada de crescimento da nossa ação de apoio à família soteropolitana. No artigo “Escola de Pais em ação”, poderão ver que em relação a 2016 tivemos um crescimento discreto tanto na demanda como na realização de círculos de pais em Salvador, porém significativo no número de famílias atendidas. É um Presidentes Maria das Graças Oliveira Souza Clélio Oliveira de Souza indicador interessante, porque vem com todas as dificuldades por que passou nossa população com a recessão e desemprego, que somente agora no quarto final do ano começam a mostrar um certo desafogo. Apesar de todos estes Organização Nilza Carolina Suzin Cercato pesares a Família não esmoreceu, está cada vez mais atendendo ao chamado da razão por que tanto nos empenhamos na EPB, que é a EDUCAÇÃO, a tábua de salvação da nossa cidadania. E procuram a Escola de Pais, que sempre se Conselho editorial e Revisão Jane e Reinaldo Cezimbra Graça e Clélio Souza Rosilda e Marcos Medeiros apresenta disposta a ajudar. Tivemos então palestras, reunião de aprofundamento de tema, Revisões, Regional em Alagoinhas e Estadual em Salvador, Revisão Nacional além do Congresso Nacional em S. Paulo, e diversas reuniões na seccional buscando o Diretor Financeiro aprimoramento para o serviço no front desta ação em benefício da educação Rosane e Orlando Lemos na família baiana. Nesta nossa revista de número 38 abordamos o tema “FAMÍLIA, SOLO VITAL, Diagramação ESPERANÇA DE HOJE”, que tradicionalmente atende à rotina de apresentar o No ano Bamboo Editora Tel. (71) 3011-7447 de 1996, a economia brasileira vivia um tema do ano anterior do Congresso Nacional da Escola de Pais emDSir.ePtoaru: Cloar,lmos aSesrgio Falcão momqeunetoagdeorgara,npdreosvriedfoern- cialmmateançãtoe veeemlabcolraarçeãoardoe cparomjetinosheoddeesesnuvoplevirmaçenãtoo pdae reasttraatnétgaiass altamente dBmmaoeaoasncsnac,afooipaopsjiustósaslpMulitoaeceôrssusantmenriacIaambsmansieurgApCámadenrrmaiaeperdpnaorsràaseçsasesaãddasnoàees.oOpeBvcoraopiPlstmaíoltrraiuaecngnaooricadsRasiesçedtpãaeeolrmimeveaaaetfpriiicznenaatafrdçlnóaãocçlo,eeãosiodru,oerbàganeiiesddotauxtlaciaaioomsifnt,oioaqPactniinllosruauio,oaalsle.tçdedoraãrooé,aonnsusdadaoxdàieeeefsuqrasuadvrdmmeeeieescbtícdrefrnleariiejoaçnuadvõsasrnooeeãtosssosropasoçesõsereeaiNzapfmeufaierrncsdssuiascmçoevzaetasesoroadsterldqsieaopfduiudrsacraaargaeeasmamçsopdõaoíveoeédssasceissnznaaoereedaenlumtooawsoepbsccaobdt,udlilrpiv.ruejekeaaenicernmnltaxaaegmçiçs,sa.aatãaêoçtoqnsuãrocuadeoirccaeeado,imennasedehoWemeausmcdsisianomevfuniáepelsbrhnriorsrotoeoavsespsodesqirseelbeteuuacusisdelriesoeasrncnós,eatctmbepiaorsdrna,oseusitsnsisreletseearstienniartdsounttpsoeate,-ocisniaevlseipzsateircraiaamml-, vcpFooovoronelivrdsninuumJeiMltsgtiesovhneGwrittdicRoaweTeaÁendddwaFleáee:.Icr,jC(vms7oifAaoou1rgnl)rndEureg3daeççEu2sfõaãD4iaamceor2fIasTid-eam.O0eacndc4o,oRtoov0amnAronl0e..qlôLbttTuámarDrdeiiaAascu.ap. srOageriamufianaefraWocnracmidneoianrtaetaorsçsreãnEsootnrdugue-etcoasnuneisrodhrsamveaEaodorgadacisaiasisiãns.aFEoectdirogsn,oóomcaeconspmdicoleeoaestiticertdaooiadvm,edloeauasPoebems,naro,aaa-isrdsaededdosCWofiocreBiennarrEdfsançaielresãpasaribiondsalno,d,re–orocudasepsnçsSetaãiooresrsoimopadcádicserreseee;iddroapnisepnzrdodsútajiuetemlbadtedoloxjeisopc!e!ndoerSrten.toaiiamsldeevp:aaela,dmnpotaaprçretãaronqa,hzauomeapdqnlieuoaçistãosnoadeessomotsacooidreseedrvsnaieisdzutaeasção A emÉprpeesramfoitiidpalaanreejapdroadpuoçrãCoadrelos Sergio Falcão, engpeonhsesiarococinvitl,inpuósa-rgrtaedn-do a esApsseersasonrçiaafdineanpcreoirga reemssporoejetposadze infraestrutura; gcduAnLoeeaeonsmrdcauatsaoãtr,mPolotoainei-zargmeadodiSataocureodeCoisedtscaci,onnnEaicmdarnogdiOiEoemeaoúaFssnnisaecSdcioahtsloaeerrccltalnleiaãodvaraqstoianesDruda,bd,oseSejpfaeuoaiafncónlrPlitlomncisvaaatS-nonaaaidhagssônddçaroFdmacdoaapaaesodorapili/edcucrBBiBfaoãniamroArrodageeand.,es,a-scteirtifeloaceloS.,mmamradnlbovMfeéiacnimdBenamoAtngerçre,eaanoamosafssícpsGmisieocóelonoacsdatieFãoel;Gorcsdcennan,oVealsooacamépNdosmsepfnesiloeuanesagadrrrxustóazasget-ulcaatngseeoiprlenoeaçorprxcaçgseae,;õapesalnjecneeerumtasareish,sneisetedêritqonrniaensaracmgutcchaiWseiialeoeceaadninsidivnrsnorteaeieaeeos-llmcstqiompdurreneeenelnulmtAAlcAAeoozoovssssn.mssssmaagseeeeeoorssssoressssãspcsoooonoirrrrrpacasiiiiiaaaaazíusaroiepfeegcmsisman/au,eoeranadlauipnoáreerocolldsdiotuebseesjieutzdrserecetad-enoendepçisvrepãacoodorralseaév;didiIsomeni,btcroetoeenpcrntupaoçrroã;asrooaosdçbõedteeersnec,cçafuãuporsistõdoaelesspdreaeercaaauqlrueasmviosaispnçrjõcueaesnsgat;esomoaudbfeauncncudorostos; e e parceiros a ambientação adequada para o estudo dos diversos desafios, for- Treinamento e Coach. Graça e Clélio Souza Presidentes www.winners-ba.com.br winners@winners-ba.com.br Endereço: Av Tancredo Neves, 2539, CEO Salvador Shopping, salas 1001/1002, Caminho das Árvores. Salvador, Bahia. Tel: 3341-4440

[close]

p. 4

Escola de Pais do Brasil - Seccional de Salvador Sumário Artigos de Fundo 5 Família, solo vital: desenvolvimento harmonioso entre corpo e mente 7 A esperança em tempos de crise 10 Valores e limites: vivências familiares 12 Ser mãe nos dias de hoje: desafios e vitórias 14 Diálogo, esperança de hoje e sempre Escola de Pais em Ação 19 Relação de Círculos 2017 21 Eventos Diversificando Mudar é necessário, arriscar é preciso Respeito: valor a ser resgatado. É no colo dos pais que se aprende ética e cidadania Relacionamento saudável na família: entre os pais e com os filhos Páginas Preciosas Humor Agradecimentos 24 25 27 29 31 35 38 PROGRAMA DO SEMINÁRIO FAMÍLIA , SOLO VITAL, ESPERANÇA DE HOJE Dia 24 de novembro de 2017 | Colégio Sesi, Retiro Abertura: 19:30 h. Acolhida e saudação: Maria Izabel e José Luiz Imbiriba Saudação do casal Presidente Nacional da Escola de Pais do Brasil: Terezinha e Djalma Falcão Painel: coordenação de Maria Izabel e José Luiz Imbiriba 1º tema: Família, matriz de relacionamentos Por: Nilza Carolina Suzin Cercato 2º tema: Família, solo vital para educação e cidadania Por: Cybele Amado de Oliveira Sessão de perguntas: 30 minutos Encerramento, às 21:30h: Jane e Reinaldo Cezimbra. CURRÍCULO DAS PALESTRANTES: Prof. Dra. Nilza Carolina Suzin Cercato faz parte da Escola de Pais de Salvador, organiza a revista do seminário. Juntamente com o esposo, Ivan Cercato foi fundadora da Escola de Pais do Brasil , na cidade de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Atualmente é responsável pela diretoria de Doutrina da Escola de Pais do Brasil, seccional de Salvador. A pedagoga Cybele Amado de Oliveira, professora de Língua Portuguesa, pós-graduada em Pedagogia, criou entre 1999 e 2000 o Projeto Chapada, embrião do Instituto Chapada de Educação e Pesquisa (ICEP), cuja missão é articular professores, secretarias municipais, associações locais, Secretaria de Educação e a iniciativa privada. Vencedora da 8ª edição do Prêmio Empreendedor Social, na edição de 2012. Foi nalista em vários prêmios, como Experiência em Inovação Social, da Fundação W.K. Kellog e da CEPAL/ONU (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe< em 2005; e do prêmio Ashoka-McKinsey, em 2009.

[close]

p. 5

Djalma Falcão Artigos de Fundo Família, solo vital: desenvolvimento harmonioso entre corpo e mente Foto: v.ivash / Freepik “ A família frente ao indivíduo tem a completa tarefa de harmonizar, permanentemente, a satisfação de suas necessidades biológicas, afetivas, espirituais e sociais, e de estimular constantemente suas potencialidades para alcançar o pleno desenvolvimento de todas elas” ( Maria Cristina Osório) Asugestão de família como solo vital traz-nos sempre a imagem de planta enraizada e pronta para produzir frutos. Solo que origina e alimenta a vida em desenvolvimento. A família é, pois, ventre da vida. No solo familiar, as condições naturais nutrem o desenvolvimento da aprendizagem. Princípios, valores, modelos relacionais e experiências que só são possíveis conceber nessa terra fértil. Pensamos, assim, que os pais são esse solo que, nutritivo, assume a intransferível tarefa de gerar e alimentar os filhos ao mesmo tempo em que eles próprios se desenvolvem. “ A família é o ambiente potencial do desenvolvimento humano. Ela é o cora- ção do sistema social. Isto porque reúne as condições primeiras e mais importantes para que o humano se desenvolva: o amor, o cuidado, o aprender... Desenvolver-se é um processo que abarca estabilizações e mudanças das características biopsicológicas de um ser humano , não apenas ao longo do ciclo de uma vida, mas através de gerações” ( Bronfenbrenner, 1996, 1998). Em família a pessoa aprende a ser, a conviver, a fazer a partir do conhecimento adquirido, transmitido, consolidado e em constante aperfeiçoamento. Nela a semente é plantada, cria raízes que aderem ao solo como sustento e brota para tornar-se semente nova. Ao estudar a família, do ponto de vista sociológico, constatamos que sua primeira tarefa é a de constituir um grupo social. Como tal assume a responsabilidade de um processo ao fim do qual a pessoa que nasce como ser biológico se transforma em ser social. Frente à sociedade, “a família deve contribuir para a renovação dos seus membros e à estabilização da cultura , transmitindo e internalizando em seus integrantes os valores e as ideias mais permanentes, sem descuidar do exercício da comunicação interpessoal” ( M.C.Osório). Uma segunda tarefa se encontra no que poderíamos chamar do ciclo da vida familiar, qual seja o casamento, os filhos, a partida destes com a solidão do “ninho vazio”, a experiência de uma nova vida a dois. O impacto da família sobre o desenvolvimento humano determina o que a Revista da Escola de Pais do Brasil - Seccional de Salvador - BA 5

[close]

p. 6

Artigos de Fundo Ser cuidada, amada e ter oportunidade de relação parental são requisitos importantes para a abertura de um espaço de dúvida, de perguntas e respostas que vão sendo formuladas mediante experiência relacional. pessoa aprende e sua contribuição no meio social, processo que se inicia com o nascimento e se estende até a morte. Temos a convicção de que o homem não é uma alma que tem um corpo nem, tampouco, um corpo que tem uma alma. É,integralmenteumser formadode corpo e alma. Os antigos gregos provavelmente sabiam melhor do ninguém o verdadeiro significado do equilíbrio entre corpo e mente. Eles acreditavam que a alma, por si mesma, é intrinsecamente ligada às funções físicas e às manifestações mentais do corpo humano. Eles entenderam totalmente que, quanto mais próximo o corpo está de perfeição física, mais perto a mente estaria da perfeição mental. “ O perfeito equilíbrio entre corpo e mente é aquela qualidade do homem civilizado que não apenas lhe dá superioridade em relação ao selvagem ou ao reino animal, mas também lhe fornece todos os poderes físicos e mentais que são indispensáveis para o alcance do objetivo maior que é a felicidade” ( Bia Perotti) Para alcançar as mais altas realizações dentro de nossas capacidades em todos os momentos da vida “ precisamos constantemente nos esforçar para adquirir corpos fortes e saudáveis e desenvolver nossas mentes até o limite de nossa habilidade” (Pilates). Há múltiplas maneiras de entender os princípios que regem nossa vida. As escolhas podem estar na ciência, na religião, na própria filosofia da conduta, mas todos estamos em busca do conhecimento, e algo que explique melhor nossa existência. Essa busca de equilíbrio e de verdade são caminhos pessoais. Pode ser diferente para cada um e, mesmo assim, podemos entender algo que se encaminhe para a mesma direção. O importante é que o caminho que se escolher faça sentido para cada um. Dentro dessa expectativa de crescimento, pode-se dizer que a pessoa, desde o nascer, transforma-se cotidianamente em correspondência com o ciclo da vida humana e os pais são, primariamente, aqueles que mostram aos filhos como o ambiente se revela e sofre mudanças Eles são pessoas mais próximas e mais experientes que ensinam sobre as coisas e os relacionamentos, bem como as pessoas podem agir diante da vida e do mundo que as cerca. Segundo, ainda, Bronfenbrenner “ as condições ambientais e sociais são indispensáveis para o desenvolvimento huma- no como o envolvimento delongado com adultos que cuidam e envolvem-se em atividades conjuntas com a criança”. Ser cuidada, amada e ter oportunidade de relação parental são requisitos importantes para a abertura de um espaço de dúvida, de perguntas e respostas que vão sendo formuladas mediante experiência relacional. É este interrelacionamento familiar, desde a mais tenra infância que pode proporcionar um desenvolvimento harmônico entre o corpo e a mente, condição indispensável para o pleno desabrochar da dualidade integral do ser humano. Fontes de Consulta: Bronfenbrenner, U. ECOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO:EXPERIMENTOS NATURAIS E PLANEJADOS – Porto Alegre, Ed. Artes Médicas, 1996 Corazza, S. – BELEZA INTELIGENTE – São Paulo, Ed. Medras, 2001 Osorio,M.C.L. – CICLO VITAL Y ROLES FAMILIARES, Revista de Sociolagia nº 31, 2016, Chile Perotti, B. – in http. Osachados.com.br/2015/06/ equilibrio-do-corpo-e-da-mente Djalma Falcão Geofísico, Economista, Mestre em Família na Sociedade Contemporânea pela Universidade Católica de Salvador, Membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Juntamente com Terezinha casal –Presidente Nacional da Escola de Pais do Brasil 6 Revista da Escola de Pais do Brasil - Seccional de Salvador - BA

[close]

p. 7

Maria Izabel Passos Imbiriba Artigos de Fundo Foto: pexels.com A Esperança em tempos de crise “Quem sou eu diante dessa crise? ”. “Toda crise me questiona e não posso continuar a viver como antes”. “Como vou reagir perante essa crise? ”. Tempos de crise! ... Tempo de crescente pressão psicológica, de desesperança, desolação, derrota e depressão para alguns. Para outros, tempo propício para enfrentar desafios, colocar a vida sob nova perspectiva, descobrir possibilidades, abrir a mente com pensamentos otimistas, criativos, nobres e integradores. Todo problema tem dupla face: crise x oportunidade, medo x esperança. Se o medo excessivo paralisa, a esperança dinamiza. As crises são inerentes à vida e quando surgem, nos confrontam com nossos medos, preocupações, inseguranças, podendo desequilibrar nossa estrutura pessoal. Toda crise é no fundo uma crise de identidade, seja ela pessoal, social, econômica ou da razão. As crises querem nos dizer alguma coisa e em cada uma delas, algo em nós se desagrega para que possamos reunir de uma nova forma. A crise sob diferentes óticas “Krisis”, palavra grega que significa “superação, diferenciação, triagem, seleção”. Pode ainda significar “decisão, avaliação e possibilidade de solução de conflitos”. Durante algum tempo, a palavra “crise” foi utilizada apenas nas áreas médica e militar, mas historiadores e sociólogos logo se apropriaram desse conceito. Para os historiadores, crise significa um abalo, um questionamento em diferentes níveis. Assim, a crise pode abalar e questionar uma sociedade inteira, mas sobretudo contesta o indivíduo e ameaça o seu equilíbrio interno. Heinz Häfner, psiquiatra alemão, afirma que “uma crise ocorre quando o equilíbrio psicológico é perturbado, quando os mecanismos estabilizados falham”. Hipócrates, médico grego, considerava como crise, “a fase decisiva de uma enfermidade” (Cattier, 1972:13). “Fase decisiva de uma doença na qual se efetua a mudança para melhor ou para pior, para a vida ou para a morte” (Schnurr, 1990:61). Na Epístola aos Hebreus (5,8) há uma referência à crise: “Apesar de ser o Filho, Ele aprendeu a obediência através do sofrimento”. Essa passagem bíblica encoraja o homem a não fugir da crise, mas sim enfrentá-la. Friedrich Hölderlin, poeta lírico e romancista alemão, aponta como reação à crise, a seguinte sentença: “Onde existe o perigo, cresce também a salvação”. Revista da Escola de Pais do Brasil - Seccional de Salvador - BA 7

[close]

p. 8

Artigos de Fundo Toda crise requer mudança, transformação, criatividade e crescimento pessoal, mas nenhuma crise pode ser superada sem a busca de uma força interior, a força espiritual que nos fortalece e encoraja para enfrentarmos o desconhecido. Tipos de crise A Psicologia descreve a vida humana como uma constante série de crises de amadurecimento e transformação: crise do nascimento, da puberdade, da meia-idade, da aposentadoria, do envelhecimento e do fim da vida. São as chamadas crises normativas que fazem parte do processo de crescimento da vida. Há as crises invasivas que provém do exterior e que nos chegam inesperadamente: catástrofes, guerras, acidentes, perdas, crimes, desemprego. Entre os filósofos, há as crises da razão que se referem a um raciocínio que não corresponde mais à realidade, que se tornou independente e que por isso tomou o rumo errado. Um pensamento que quer enganar os outros para satisfazer suas próprias necessidades, um raciocínio que se desprendeu da própria verdade. Existem ainda as crises catárticas que são éticas de purificação, renovação e mudança. A busca de superação A palavra alemã “kraft”, significa “força” e refere-se à “aptidão, habilidade, arte e trabalho”. Toda crise requer mudança, transformação, criatividade e crescimento pessoal, mas nenhuma crise pode ser superada sem a busca de uma força interior, a força espiritual que nos for- talece e encoraja para enfrentarmos o desconhecido. A crise pode ser encarada como uma chance de transformação e amadurecimento. Diz respeito a descobrirmos nossas possibilidades com a ajuda de Deus que nos conduz à crise, acreditando em nossa mudança. A chance na crise, expande nossa visão e nos desprende da dor, da desorientação e do abalo, surgindo a esperança de superar a crise. Recursos em tempos de crise Além da força espiritual já citada, algumas ações poderão nos fortalecer diante da crise: • Evitar pânico, ter clareza e sobriedade de pensamento; • Realizar pequenos passos, ou seja, replanejar a vida, agir e ativar a reflexão; • Orar para deixar a passividade, entregando a Deus o desamparo e a impotência; manter a esperança viva; • Buscar aconselhamento: ser orientado, ouvido e compreendido nas emoções. Outro precioso recurso, segundo a Teologia Cristã, são os 7 Dons do Espírito Santo: 1. Sabedoria – capacidade e habilidade de enxergar, perceber, julgar e discernir; ver o mundo com outros olhos. 2. Entendimento – prestar atenção, ouvir para superar, perceber a luz que ilumina nossa razão. 3. Conselho – recomendação, reflexão, perspicácia e prudência. 4. Fortaleza – virtude da coragem, a luta nos desafios, a energia produtiva. 5. Conhecimento/Ciência – dar o parecer, formar opinião e ver as coisas do jeito como são. 6. Piedade – capacidade de adorar a Deus e servi-lo; servir também a comunidade de forma altruísta; ser justo. 7. Temor a Deus – respeito à grandiosidade e alteridade divinas; submeter-se a Deus e realizar seus desígnios. Esperança para a crise Esperança, do verbo esperançar diz respeito a ir atrás, buscar e não simplesmente esperar que alguma coisa aconteça. É ocasionar ou possuir esperança, animar ou animar-se. É saber que apesar das dificuldades, o melhor ainda está por vir; é confiar e perseverar. Ter esperança é possuir a força de sorrir quando tudo à sua volta parece ruir. A esperança é o combustível da vida e corresponde à aspiração de felicidade que existe no coração de cada pessoa. A perda da esperança endurece nossos sentimentos, enfraquece os relacionamentos, deixa a vida cinza, fazendo-a perder parte do seu sabor. A responsabilidade de amadurecer na esperança é de cada pessoa e não pode ser delegada. Mas, como ter esperança diante das perspectivas frustradas, num cenário em que os sonhos parecem cada vez mais distantes, quando as perdas parecem maiores que os ganhos e os erros superiores aos acertos? Psiquiatras, médicos e estudiosos de outras áreas têm demonstrado interesse na questão “esperança” pelo potencial de cura nela contido. Sabe-se que a esperança é capaz de afetar o sistema imunológico e a saúde em geral. A esperança é fundamental para uma pessoa desempenhar bem suas atividades, cuidar melhor do seu corpo, melhorar a autoestima e envelhecer em forma, tendo mais tolerância à dor. Na década de 1990, o psicólogo norte-americano Charles R. Snyder, autor do livro “The Psychology of Hope” (“Psicologia da Esperança”) referiu-se à esperança como “ideia motivacional” que possibilita a uma pessoa acreditar em resultados positivos, elaborar metas e desenvolver estratégias. Comprovou que os indivíduos com “alta esperança” frequentemente investem em cinco ou seis metas distintas ao mesmo tempo, traçam rotas para o sucesso e também caminhos alterna- 8 Revista da Escola de Pais do Brasil - Seccional de Salvador - BA

[close]

p. 9

Artigos de Fundo A esperança é o combustível da vida e corresponde à aspiração de felicidade que existe no coração de cada pessoa. tivos na eventualidade de encontrarem obstáculos. A esperança é uma habilidade que pode ser adquirida. Se autoperpetua porque as pessoas esperançosas revelam-se propensas a serem mais resilientes, confiantes, abertas e motivadas. Tendem a receber mais do mundo, o qual lhes dá motivos para ficarem mais otimistas. O poeta Carlos Drummond de Andrade em sua obra “Os Ombros Suportam o Mundo” faz uma referência à vida sem encanto e sem mistificação, como se as pessoas suportassem o peso do mundo e da vida em seus próprios ombros. Essa vida sem mistificação faz com que as pessoas só esperem da vida e nunca se perguntam o que a vida espera delas. Anthony Scioli, psicólogo norte-americano vê na esperança uma forte dimensão espiritual e a associa às virtudes da paciência, da gratidão, da caridade e da fé. Afirma que “viver com esperança é a base para conquistar o verdadeiro sucesso, construir relacionamentos amorosos e obter uma genuína sensação de paz”. “A esperança é para nós uma âncora firme e segura da nossa existência” (Hb 6,18-19). É a parte de nós a contrariar o pessimismo, a tristeza, o desânimo, a crise que grita fora de nós e à nossa volta. Infunde motivos para continuarmos a viver apesar de tudo. Diz o provérbio: “Todas as flores do futuro estão nas sementes de hoje”. “Do terreno que fez germinar a crise, irrompem sementes de esperança”. Referências GRÜN, Anselm. “Confia em tua força: Os sete Dons do Espírito Santo”. Petrópolis, RJ. Editora Vozes, 2015. Artigo: “O que significa Esperança” - https://www. significados.com.br/esperança/ - Artigo: “Entenda por que a esperança é o combustível da vida” - https://formacao.cancao. com/espiritualidade/entenda-o-porque-aesperanca-e-o-combustivel da vida/ - Artigo: “Como ter esperança diante das perspectivas frustradas? ”https://formacao. cancaonova.com/atualidade/comportamento/ como-posso-ter-esperanca-de-que-o-futuro-seramelhor/ Artigo: “Viver com Esperança” http://www.fundacao-betania.org/biblioteca/ cadernos/pdf/Caderno_23_Viver_com_Esperanca_ Armindo_Vaz.pdf Artigo: “Crise e Esperança” - http://www2.ifrn.edu. br/ojs/index.php/HOLOS/article/view/3399/1608 Maria Izabel Passos Imbiriba Pedagoga. Há 15 anos associada da EPB/ Salvador e DR-Bahia1. Revista da Escola de Pais do Brasil - Seccional de Salvador - BA 9

[close]

p. 10

Artigos de Fundo Valores e limites: vivências familiares Jane Cezimbra “Família é lugar de afetividade, de cuidado, de limite e de conflito. Lugar de amar, brigar, pedir desculpas, beijar e abraçar. Lugar para criar raízes e asas. Família é nosso lugar.” (Ivan Capelatto) Osentimento de pertencer desenvolve-se primeiro e principalmente na família. É também onde desenvolvemos nossas primeiras e mais profundas raízes, os sentimentos positivos fortes a respeito de nós mesmos e os laços emocionais firmes com outros que alimentarão nossa segurança e nos permitirão superar com êxito as adversidades da vida. Pessoas que crescem em ambiente acolhedor, seguro e com equilíbrio emocional, vão ter maior senso de integração social e independência. Quem tem uma boa convivência familiar pode vislumbrar melhorias e uma boa perspectiva de vida. Daniel Goleman nos presenteia com esta colocação – “A família é a nossa escola de aprendizado emocional. Nesse cadinho íntimo aprendemos como nos sentir em relação a nós mesmos e como os outros reagirão aos nossos sentimentos.” Por isso podemos afirmar que a Vivência Familiar é o berço da afetividade. A afetividade transmitida pelos laços familiares funciona como um motor da conduta humana, além de lhe proporcionar sentido, direção e significado. A afetividade dos laços familiares se expressa também pela Autoridade que deve existir na relação entre pais e filhos porque, numa relação saudável, é muito importante o estabelecimento de regras claras e limites adequados. Que tipo de herança estamos deixando para nossos filhos? Valores como obediência, honra aos pais, disciplina, respeito devem e precisam ser mantidos. Os valores são importantíssimos para a manutenção da vida em comunidade, bem como da qualidade desta vida. Os valores têm grande importância na nossa vida e o RESPEITO acima de qual- quer outro valor deve vir sempre em primeiro lugar – diante de tudo. Muitos educadores dizem que RESPEITO é bom, essencial e está na hora dos pais recuperarem sua Autoridade. Augusto Cury diz que “Educar não é repetir palavras. É criar ideias. É encantar.” Crianças que crescem sem limites serão adolescentes extremamente problemáticos. E adultos frustrados, com péssimo caráter. Mas os limites e valores devem ser colocados em doses homeopáticas e adequados às fases nas quais as crianças ou adolescentes se encontram. Os valores e limites jamais serão interiorizados de uma só vez. Bom senso é sempre a medida certa e é fundamental na educação. Içami Tiba traz no livro ‘Disciplina, limite na medida certa': "O leite alimenta o corpo. O afeto, a alma. Criança sem ali- 10 Revista da Escola de Pais do Brasil - Seccional de Salvador - BA

[close]

p. 11

Artigos de Fundo mento fica desnutrida. Criança sem afeto entra em depressão". Crianças que ficam soltas demais tendem a se perder, a ficar sem referência. Assim, muito carinho, aliado a um tratamento disciplinador, com limites claros e bem estabelecidos promove a segurança emocional que os filhos precisam. Os valores que passamos para os nossos filhos são a verdadeira trilha que eles seguirão. E os limites servem para a sintonia fina deste caminho que apresentamos para eles. Os limites ajudam a formar a estrutura da personalidade dos filhos e, por tamanha importância, devem ser aplicados com todo cuidado. Mas nisso existe outro fator relevante, os pais nunca devem se esquecer de que os filhos aprendem por imitação e, portanto, eles devem ser o exemplo desses limites que impõem. Coerência é fundamental! De acordo com Munhoz (2010), os laços familiares são fortalecidos quando a família se dispõe a criar espaços para discussões e diálogos que geram participação de todos. E a força daquilo que se prega vem dessa vivência. Na família onde o conjunto de regras e limites é vivenciado de forma coerente entre pai e mãe, a chance da educação bem sucedida dos filhos é muito maior. Desde o nascimento, inúmeras situações permitem que a pessoa experimente as possibilidades e os limites próprios ao nosso organismo na relação com o mundo exterior. A percepção do que “pode” e do que “não pode”, daquilo que é “bonito” ou “feio”, vem desde os primeiros anos de vida. Sabemos que “não mexe aí”, “olha, cuidado”, “que bonitinho!”, “muito bem!”, são expressões que fazem parte do dia a dia de todas as crianças. E essas expressões, os olhares, os gestos que orientam são absolutamente necessários à nossa formação. Todos nós ouvimos e passamos por isso, com maior ou menor rigor, com atuações mais ou menos enfáticas, e muito do que somos hoje é efeito do que nos foi transmitido. Bruner (1997), psicólogo norte-americano, fez uma pesquisa junto a uma família. Entrevistou cada integrante – colheu, com muito cuidado, o que cada um imaginava como os outros o percebiam. Percebeu que cada um “enxergava” a família de uma forma distinta, a partir dos pontos de vista que elaboravam. Será que estamos atentos às concepções que construímos sobre as pessoas de nossa família: nossos filhos, esposo, esposa, irmãos, pais? Quantas vezes dizemos: “eu sei como ele é”, será que sabemos mesmo? Será que temos consciência de como somos, quais são nossos valores e sabemos como eles localizam-se nas nossas histórias de vida, nossas referências e escolhas? Conhecemos nossos limites? Nós construímos e estabelecemos o nosso modo particular de viver, pensar e agir de acordo com a nossa história de vida. Nossos filhos também estão fazendo as suas construções. Cada um de nós viu, sentiu e viveu situações que outros nem imaginam. Precisamos reconhecer que, diante dos desafios, dúvidas e impasses, temos que inventar e reinventar novos caminhos, mais adequados às exigências do nosso tempo. É imprescindível estarmos atentos às “vidas preciosas” que nos foram concedidas para que cuidássemos. São presentes preciosos. Únicos. Irrepetíveis. Referências - Anais do 45º Congresso Nacional da Escola de Pais do Brasil Pais e filhos: prevenir ou remediar? - 2008. - Anais do 48º Congresso Nacional da Escola de Pais do Brasil A família administrando seus desafios - 2011. - Bettelheim, Bruno. – Uma vida para seu filho – Editora Campus - http://www.familia.com.br – acesso em 21 de setembro de 2017 Jane Cezimbra – é Engenheira Civil. Junto com Reinaldo, é Representante Nacional da Escola de Pais do Brasil para a Bahia. Acumulam o cargo de Casal Diretor Financeiro da Diretora Executiva Nacional (DEN). O casal faz parte da EPB desde 1989.  Revista da Escola de Pais do Brasil - Seccional de Salvador - BA 11

[close]

p. 12

Artigos de Fundo Artigos de Fundo Nicole Chagas Cezimbra Ser mãe nos dias de hoje: desafios e vitórias “O amor de mãe é o combustível que capacita um ser humano comum a fazer o impossível.” (Marion C. Garretty) 12 Revista da Escola de Pais do Brasil - Seccional de Salvador - BA Diferente do que muitos pensam, a maternidade é um sentimento, um desejo e uma atitude, e dura toda uma vida. Algo que pode começar bem antes de ter um filho. Inicia-se com a sua concepção e mesmo quando ele vira um adulto, ainda se vive plenamente essa maternidade. Mesmo que haja diferenças sociais entre as mulheres, o significado da maternidade não muda muito com o passar dos anos, mas as responsabilidades femininas e a participação da mulher na sociedade, isso sim mudou. Lugar de mulher é em todo lugar. Qualquer mulher tem o direito de ser quem é, seja a recatada e do lar, seja a profissional de destaque no seu segmento, seja como mãe, ou optando em não ser mãe. Aquelas que optam pela maternidade muitas vezes precisam conciliar esta responsabilidade com tantas outras que vem exercendo em sua vida – trabalhar, estudar, liderar, cuidar da casa, pagar as contas, ser esposa, ser amiga, ser filha. Mas o importante é que, mesmo que a situação seja difícil de conciliar, uma coisa não determina ou exclui a outra: mãe sempre continua sendo mãe. Hoje em dia, muitas mulheres criam sozinhas os seus filhos, dividindo o tempo entre a jornada de trabalho, os afazeres domésticos e, claro, desempenhar o papel de mãe, amiga e educadora. Outras mulheres, embora casadas, também precisam ou desejam trabalhar fora, seja para auxiliar nas despesas da casa ou para sua realização pessoal. Provavelmente a única diferença é que, algumas destas têm a sorte de possuir um companheiro que as auxilie na orientação aos filhos. A realidade é que vivemos em uma

[close]

p. 13

Artigos de Fundo Foto: pexels.com época conturbada, em que os riscos para a juventude são enormes. Além da degradação moral, da inversão de valores, da promiscuidade dos relacionamentos, temos ainda de lidar diariamente com a violência e o constante risco do assédio das drogas. Junto a isso há o apelo da mídia ao constante consumismo, quer seja de produtos ou de serviços, podendo causar danos à saúde física, mental e emocional de qualquer pessoa. Em meio a essa problemática toda, as mulheres/mães tem que desenvolver quase que superpoderes para darem conta de tantas tarefas diferentes, tornado-se assim multifacetadas e multifuncionais. As soluções que as mães encontram para lidar com essa realidade são tão diversas quanto são as suas personalidades e a disponibilidade de recursos, sejam estes, financeiros, emocionais ou educacionais. Sejam quais forem as maneiras que encontram para lidar com a situação, não podemos esquecer que são seres humanos, e, como tal, sujeitas a erros e acertos. Sem contar com a pressão que carregam sobre si de que as mães não podem errar. Assim sendo, resta às mulheres/mães se transformarem em super-heroínas, fazendo o que é possível, com o sacrifício de seus próprios interesses, utilizando, da melhor forma, o tempo disponível para ficar com os filhos, o que, infelizmente nem sempre é garantia de sucesso. A todas as mães, de todas as idades, raças, credos e condição social, fica aqui a minha sincera homenagem a vocês, que são as heroínas de nossos dias, fazendo esforços incríveis para dar a seus filhos o melhor alicerce que podem. Nicole Chagas Rangel Cezimbra – é Relações Públicas, pós graduada em Marketing. Trabalhou nos últimos dez anos como Gerente Comercial da Ponto 4 Imobiliária e no Setor Corporativo da Tim como Senior Account. Casada com Bruno Cezimbra e mãe de Nathália e Eduarda, gêmeas de 1 ano e 7 meses. Revista da Escola de Pais do Brasil - Seccional de Salvador - BA 13

[close]

p. 14

Artigos de Fundo Diálogo, esperança de hoje e sempre Rosilda Xavier de Medeiros Foto: pexels.com A maioria de nós concorda com essa afirmação: com diálogo, tudo se resolve... Mas, falar é fácil...difícil é colocar em prática o diálogo. Nem sempre temos a coragem de iniciar uma conversa aberta e sincera, de abrir o nosso coração e dizer ao outro o que estamos passando ou sentindo. Preferimos sofrer e nos calar, adoecer a alma e o corpo, ao invés de ter a grandeza de reconhecer um erro cometido, de falar o que nos incomoda no outro, ou modificar a vida que estamos levando. Com medo de sermos mal interpretados, de não sermos ouvidos e aceitos, julgados e ter que enfrentar uma nova realidade. O diálogo é essencial para o crescimento individual, para a integração de equipes, criação e manutenção de redes sociais, na gestão de empresas, escolas, família, na política e para a articulação entre elas. Dialogar traz melhoras significativas na comunicação familiar, organiza- cional e dos indivíduos consigo mesmos. Porém, muitas pessoas não sabem dialogar. Principalmente porque, o diálogo é sempre pautado numa conversa verdadeira entre as partes, e a verdade dói e incomoda o lado que está errado. Tem pessoas que ao invés de dialogar, preferem gritar, pensando que dessa forma, se impõem e tornam-se donos da O diálogo é a investigação conjunta na direção de mais compreensão, conexão ou possibilidades. razão. Quando uma conversa toma um rumo diferente, e as partes se alteram, é melhor não continuar, pois não existirá mais diálogo. O que permeia o diálogo é a abertura, a inclusão, o acesso ao coletivo, a aceitação da diversidade e das diferenças, o reconhecimento do outro como companheiro de convivência, de jornada, aqui e agora, neste planeta. Insere-se na busca por uma nova ordem social, econômica, individual, que seja mais criativa, mais aberta, mais justa e pacífica. Para se dialogar é necessário saber ouvir e ser ouvido. Diálogo é uma conversa sincera entre duas, ou mais pessoas, e os envolvidos tem o direito de expressar os seus sentimentos e explanar as suas razões, sem medo de julgamentos e críticas. Dialogar é também uma forma de cuidar, de tentar resolver as diferenças com o outro, para continuarem a se entender, colocando um ponto final na situação mal resolvida, dando chance as partes, de iniciarem dali para a frente, uma nova vivência. Uma nova estrutura de conversação é 14 Revista da Escola de Pais do Brasil - Seccional de Salvador - BA

[close]

p. 15

Artigos de Fundo Dialogar com os filhos, e indagá-los sobre os assuntos das suas vidas, fazem eles se acharem importantes e trazê-los para mais perto de nós. necessária para que a humanidade dê os passos que necessita na direção da sua sobrevivência e supere os grandes conflitos, tão presentes neste momento desafiador da nossa história. "O diálogo é a investigação conjunta na direção de mais compreensão, conexão ou possibilidades. Nem toda conversação é Diálogo. Qualquer comunicação que caiba nesta definição, considero Diálogo; se não cabe, não é Diálogo". (Tom Atlee (Co-Intelligence Institute). O DIÁLOGO dentro da FAMÍLIA O diálogo começa dentro da família, ainda na infância. É o primeiro lugar que treinamos essa ferramenta tão importante em nossas vidas, e se bem treinada, seguirá para sempre conosco. Se educarmos os nossos filhos, com base na conversação clara e verdadeira, dividindo e participando assuntos que acontecem na família e fora dela, eles aprenderão a lidar com os obstáculos da vida adulta, e resolver os problemas com mais facilidade. O diálogo surge espontaneamente, quando pais e filhos estão em contato direto, nas horas preciosas, em que têm essa oportunidade. Porém, devido ao trabalho e suas diversas atividades, os pais têm pouco tempo com os filhos, dificultando essa aproximação. Em casa, a televisão e o celular tomaram lugar de destaque, e o diálogo se tornou um produto fora de uso. Para compensar essa ausência, vejo pais deixarem seus filhos pequenos, entretidos, horas inteiras, em filmes e jogos infantis, para que eles se aquietem. As crianças já estão tão viciadas, que choram e esperneiam para ter acesso ao celular. E seguem aprendendo, desde muito cedo, como manusear este aparelho, que fala e nos encanta. Esse comportamento é uma repetição do que ocorre com as pessoas do mundo inteiro, sejam elas crianças, jovens ou idosos. O celular tornou-se um companheiro inseparável de cada um de nós, e não podemos mais viver sem ele. Portanto, os filhos da modernidade, estão repetindo o comportamento dos seus pais e seguindo o exemplo que vêm em casa e que nós mesmos incentivamos. Só não sabemos ainda, se isso é bom ou ruim e em que adultos se transformarão as crianças de hoje. Mas já podemos perceber, que daqui para frente, teremos que reaprender e modificar nossos conceitos, adaptando-os aos já adquiridos e mostrar as novas gerações que o diálogo ainda é a melhor forma de se relacionar, fazer novas amizades e viver em paz. Dialogar com os filhos, e indagá-los sobre os assuntos das suas vidas, fazem eles se acharem importantes e trazê-los para mais perto de nós. A vida corrida e moderna de hoje, vem modificando cada vez mais o diálogo direto, cara a cara, onde podemos ver as reações das pessoas e abraçá-las. Com as facilidades advindas da tecnologia, a forma de comunicação com os filhos mudou. O importante é que essa comunicação exista sempre, seja através de Skype, de uma mensagem de WhatsApp com vídeo ou escrita, de um telefonema, de um e-mail, do Face book ou do Instagram. Não importa a forma, o importante é usarmos o diálogo, para vivermos mais e melhor. Quem pratica o diálogo, sabe ouvir e ser ouvido e acima de tudo, respeita e se importa com o outro. Fonte de Pesquisa: A Escola de Dialogo de São Paulo. Rosilda Xavier de Medeiros Assistente Social, formada pela UFPB, João Pessoa/PB, pós-graduada em Auditoria Sistemas e Serviços de Saúde, pela UFBA, Salvador/BA, poeta, sócia fundadora da JM Gráfica e Editora Ltda., juntamente com o esposo Marcos Medeiros e casal vice-presidente da Escola de Pais do Brasil/Salvador/BA. Revista da Escola de Pais do Brasil - Seccional de Salvador - BA 15

[close]

Comments

no comments yet