BENCHMAIS 2 - As Melhores Práticas em Gestão Socioambiental do Brasil

 

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Artigos e cases Benchmarking certificados no período 2007 a 2010 - 198 cases

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2BENMCAHIS BENCHMAIS 2 Este livro é um registro das primeiras oito edições do Programa Benchmarking Ambiental Brasileiro, realizadas no período 2003 a 2010 pela Mais Projetos, empresa detentora da metodologia Benchmarking Brasil e realizadora do Programa Benchmarking nos últimos 8 anos. Primeira edição com 1.000 exemplares publicada em julho de 2011. Editores: Aurelio Gonçalves Filho e Marilena Lino de Almeida Lavorato Coordenação: Marilena Lino de Almeida Lavorato Este livro está sendo impresso com o patrocínio exclusivo da Mais Projetos, empresa especializada em pesquisa, gestão e capacitação socioambiental

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BENCHMAIS 2. AS 198 MELHORES PRÁTICAS EM GESTÃO SOCIOAMBIENTAL DO BRASIL Editores: Aurelio Gonçalves e Marilena Lino de Almeida Lavorato Coordenação: Marilena Lino de Almeida Lavorato Capa, concepção gráfica e diagramação: Rafael Boni Ruschel Revisão: Aurélio Gonçalves Filho Organização: Marilena Lino de Almeida Lavorato Pesquisa: Banco de Dados e Equipe Mais Projetos Editoração eletrônica: Rafael Boni Ruschel Fotolito e impressão: Clube do Autor Ilustração: Shutterstock Image Bank Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) BenchMais 2 : As 198 melhores práticas em gestão sociambiental do Brasil/ Organizado por Marilena Lino de Almeida Lavorato 1a. edição / São Paulo / Mais Projetos Gestão e Capacitação Socioambiental, 2011.. Vários colaboradores. “A memória dos 8 anos de história do Programa Benchmarking Ambiental Brasileiro” 1. Benchmarking (Administração) 2. Gestão ambiental 3. Programa Benchmarking Ambiental Brasileiro - História I. Lavorato, Marilena Lino de Almeida. 07-7424 CDD-658.4080981 Índices para catálogo sistemático 1. Brasil : Benchmarking : Gestão socioambiental : Administração de empresas 658.4080981 ISBN 978-85-907 455-0-1 Primeira edição publicada em julho de 2011 por Mais Projetos Gestão e Capacitação Socioambiental Copyright 2011 by Mais Projetos É permitida a reprodução parcial desta obra, desde que citada a fonte e enviado exemplar para os editores. Contatos: e-mail: benchmais@maisprojetos.com.br site: www.maisprojetos.com.br e www.benchmarkingbrasil.com.br

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AGRADECIMENTOS A publicação deste livro somente foi possível graças as empresas e gestores, numa atitude responsável e competitiva, inscreveram seus casos e modelos gerenciais para participar do Programa Benchmarking. Ao compartilhar seus conhecimentos e modus operandi, permitiram a organização deste rico acervo de práticas de sustentabilidade nesta obra que servirá de fonte de pesquisa e consulta, incentivando outras organizações e gestores a também adotarem práticas semelhantes em seus negócios. Nestes últimos 8 anos, mais de 70 mil pessoas tiveram de alguma forma, contato estas práticas de sustentabilidade certificadas pelo Programa, proporcionando atualização e capacitação em tão importante e estratégica área gerencial. Foi possível criar um circulo virtuoso, onde mais e mais profissionais se alimentam e inspiram nestas práticas, desenvolvem ou aprimoram modelos em suas organizações e submetem a certificação Benchmarking, que valida, reconhece e devolve a sociedade para a retroalimentação deste processo, onde todos ganham. Agradecemos também aos autores dos artigos e depoimentos publicados nesta obra, que gentilmente cederam os direitos de reprodução: Alcir Vilela Junior, Consuelo Yatsuda Moromizato Yoshida, Eduardo Athayde, João Amato Neto, Alberto Jose Niituma Ogata, Alberto Augusto Perazzo , Arnaldo Jardim, António Victor Carreira de Oliveira, Eliane Belfort, Alberto Augusto Perazzo, Elimar Nascimento, Haroldo Mattos de Lemos, Maria Cecilia Coutinho de Arruda, Paulo Nogueira Neto Nosso agradecimento especial a Izabella Teixeira, Ministra do Meio Ambiente do Brasil, que mesmo assoberbada em compromissos inerentes a sua posição, se dispôs a escrever o prefácio deste livro, por considerar de grande relevância a difusão de práticas ambientais sustentáveis por parte de empresas, governos e organizações não-governamentais. Igual agradecimento ao Pensador Internacional Lester Brown, descrito pelo jornal Washington Post como “um dos mais influentes pensadores do mundo” que entre suas constantes viagens pelo mundo, escreveu breve depoimento sobre a contribuição do Programa Benchmarking a sociedade brasileira. Não podemos deixar de agradecer às universidades e escolas técnicas que se dispuseram a adotar este livro em seus programas de informação e capacitação, distribuindo-o para professores, disponibilizando-o em bibliotecas ou recomendando sua leitura para suas redes de formadores de opinião ou associados. Agradecemos também aos integrantes da comissão técnica do Programa Benchmarking que com suas contribuições e participações voluntárias aprimoraram a cada edição a metodologia Benchmarking adotada para seleção dos casos. Igual agradecimento aos apoiadores que ajudaram na divulgação do programa junto aos seus públicos de relacionamento, dando abrangência e credibilidade ao Programa. E, em especial aos apoiadores internacionais que com suas contribuições permitiram que gestores de outros países conhecessem as boas práticas de sustentabilidade das organizações e instituições brasileiras. Marilena Lino de Almeida Lavorato Organizadora do Programa Benchmarking Ambiental Brasileiro (Benchmarking Brasil)

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BENCHMARKING BRASIL – UMA PLATAFORMA DE CONHECIMENTO APLICADO EM GESTÃO SOCIOAMBIENTAL CORPORATIVA Durante os últimos oito anos, o Programa Benchmarking selecionou e certificou aproximadamente 200 casos de sustentabilidade com potencial de replicabilidade pela excelência de suas práticas adotadas. A nova configuração global entende como sustentabilidade, a excelência nos pilares econômico, social e ambiental. Também é consenso que os resultados são alcançados com adoção de Práticas que asseguram níveis de excelência nestes 03 fundamentos e que consolidam a imagem das empresas adotantes. Práticas que asseguram sustentabilidade são reconhecidas como boas práticas Uma boa prática é uma atitude que resulta em algo positivo para si e para a coletividade. É uma idéia aplicada que deu certo e que se adotada por outra pessoa ou organização, sempre levando em conta as adaptações necessárias para cada caso, proporcionará resultados semelhantes aos seus adotantes. Os casos Benchmarking são prova viva deste fundamento. Uma forma eficiente para identificar, reconhecer e compartilhar boas práticas empresariais é uma ferramenta de gestão chamada Benchmarking. Esta ferramenta tem por premissa aprender com os melhores, e como metodologia reunir e compartilhar experiências bem sucedidas que promoveram melhorias e avanços nos processos organizacionais. Faz-se Benchmarking nas mais variadas competências organizacionais, entre as quais, a competência socioambiental, onde se seleciona práticas que apresentaram benefícios reais ao meio ambiente natural, a comunidade e a empresa adotante, ou seja, resultados positivos nos 03 pilares da sustentabilidade. A contribuição Benchmarking para a Gestão da Sustentabilidade O Benchmarking ao promover a melhoria contínua é por si só uma prática de sustentabilidade. Mas, para entender sua contribuição a gestão da sustentabilidade, vamos antes entender o que é e como funciona. Benchmarking em sua essência se configura como das mais antigas ferramentas da gestão corporativa. O termo benchmarking surgiu em 1979 quando a Xerox discutia sobre uma deficiência que havia identificado em seus processos com relação a seus concorrentes, Hoje, Benchmarking é reconhecido no meio empresarial como um método essencial para a melhoria contínua e não necessariamente realizado com a concorrência, mas com as instituições reconhecidas como detentoras das melhores práticas. A pesquisa Management Tools & Trends 2005, feita pela Bain & Company, apontou o Benchmarking como a terceira ferramenta de gestão mais usada pelas empresas. Qualquer organização, pública ou privada, com ou sem fins lucrativos, de qualquer setor ou porte, pode utilizar Benchmarking para entender e melhorar os seus processos 7

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Cases Benchmarking – Um banco de práticas, idéias e soluções Se Benchmarking significa aprender com os detentores das melhores práticas, surge o desafio de identificar estes detentores. Em se tratando de práticas ambientais ou socioambientais, o desafio é maior, pois as organizações em sua grande maioria afirmam serem detentoras de boas práticas de sustentabilidade. No Brasil temos o Programa Benchmarking Ambiental Brasileiro criado há 09 anos para selecionar as melhores práticas socioambientais corporativas, aquelas que proporcionaram benefícios reais ao meio ambiente natural e a comunidade, além de competitividade a organização adotante. Ou seja, uma prática que interferiu positivamente nas dimensões: social, ambiental e econômica. Este Programa desenvolveu uma forma estruturada e fundamentada para identificar e compartilhar práticas de sustentabilidade, beneficiando as organizações e gestores que querem se atualizar, e o consumidor/cidadão que quer fazer escolhas conscientes. Como resultado, o programa construiu e detém o maior banco digital de boas práticas socioambientais do país com livre acesso na internet. O Banco de Boas Práticas é uma grande contribuição a gestão da sustentabilidade na medida em que disponibiliza conhecimento aplicado a especialistas e gestores. Seu rico acervo está a disposição da micro e pequena empresa e dos profissionais atuantes na área. É também um canal de comunicação com grande credibilidade pelo formato de seleção e transparência das informações. O consumidor tem acesso ao modus operandi e indicadores de sustentabilidade de determinada organização, quer seja ela de capital aberto ou não. O Banco de Boas Práticas é fonte de pesquisa para especialistas, pesquisadores, estudantes e mídia especializada. Seu conteúdo é compartilhado na internet através do Banco Digital, nos plantões Benchmarking que se realizam dentro de eventos técnicos como a FIBoPS - Feira e Congresso Internacional para o Intercâmbio das Boas Práticas), em Fóruns e Encontros regionais, e em publicações técnicas como esta obra. Em 2007, o programa Benchmarking lançou BenchMais1, o primeiro volume desta série reunindo os cases selecionados no período 2003 à 2006. O livro BenchMais, as 85 melhores práticas em gestão socioambiental do Brasil , com tiragem de 5 mil exemplares, foi distribuído gratuitamente nas universidades brasileiras e portuguesas, além das entidades representativas nacionais. Em 2011, estamos lançando BenchMais2, esta obra, com igual objetivo, compartilhar conhecimento socioambiental aplicado para acelerar o desenvolvimento técnico gerencial dos profissionais e lideranças atuantes em tão importante e estratégica temática, a sustentabilidade. Coerência e legitimidade O tema sustentabilidade exerce fascínio e encanto nas pessoas e empresas, porém entre o discurso e a prática há muito que fazer. Tanto do lado da empresa quanto do lado do individuo. Na medida em que se conhecem as práticas e atributos de sustentabilidade de uma organização, em um canal com seriedade e imparcialidade, que é o caso do banco de boas práticas, as desconfianças tendem a desaparecer e um ambiente harmonioso e amistoso aparecer. Esta ação impulsiona adesões de outras organizações e cria um circulo virtuoso que beneficia consumidores e empresas com práticas e discursos consistentes, fortalecendo vínculos com seus públicos de interesse. 8

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A sustentabilidade em sua essência é o desejo de consumo da humanidade, não resta dúvida. O que se renova constantemente é o entendimento e interpretação do individuo e sociedade em relação ao seu significado e a sua importância. O princípio da lógica e coerência, e do discurso a prática, é, portanto vital. Todos nós devemos nos lembrar desta premissa quando o assunto for sustentabilidade. Temos neste livro mais que práticas de excelência. Temos empresas e gestores comprometidos com os princípios e diretrizes da sustentabilidade que diariamente tomam decisões em suas salas e fábricas provando que é possível adotar padrões produtivos e de serviços que respeitem o meio ambiente natural, as pessoas e a sociedade. São lideranças legítimas da sustentabilidade apontando caminhos e soluções para um futuro mais verde e limpo. Marilena Lino A. Lavorato, Publicitária (PUC) com especialização em Marketing (ESPM), Gestão de Negócios (FGV e USP), Sociologia (FESP-SP) e Gestão Ambiental (IETEC). Presidente do Comitê de Sustentabilidade do Instituto Mais, Diretora Executiva na Mais Projetos, Organizadora do Programa Benchmarking, Professora e Conferencista, Co-Editora da Série BenchMais e Editora da Revista Benchmarking. Aurélio Gonçalves Filho - Licenciado em Física (USP). Atuou em diversos projetos de ensino e cursos de formação de professores. Co-autor em diversas publicações didáticas. Foi editor e gerente Editorial na Editora Scipione por mais de uma década, e Diretor Editorial do Grupo Abril Educação de 2004 a 2010. 9

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SUMÁRIO 0. PREFÁCIO •• Izabella Teixeira – Ministra do Meio Ambiente do Brasil 13 1. A CONTRIBUIÇÃO DO PROGRAMA BENCHMARKING •• Lester Brown Fundador do Worldwatch Institute e Presidente da Earth Policy Institute •• M arilena Lino de Almeida Lavorato Presidente do Comitê de Sustentabilidade do Instituto Mais e Organizadora do Programa Benchmarking 19 21 2. ARTIGOS TÉCNICOS •• Incorporação do Valor Sustentabilidade à Gestão das Empresas Alcir Vilela •• R umo à sustentabilidade: contextualização do benchmarking no novo ambientalismo Consuelo Yatsuda Moromizato Yoshida •• Descarbonizando o mercado financeiro Eduardo Athayde •• Sustentabilidade e tecnologia: os desafios profissionais no mundo contemporâneo novos papéis, nova formação Francisco Paletta •• Redes de cooperação produtiva para a sustentabilidade João Amato Neto 25 28 33 36 40 3. DEPOIMENTOS DA COMISSÃO TÉCNICA •• Alberto Jose Niituma Ogata – Comissão Técnica, edição 2006 •• Alberto Augusto Perazzo - Comissão Técnica, edição 2008 •• Arnaldo Jardim – Comissão Técnica, edições 2004 e 2005 •• António Victor Carreira de Oliveira – Comissão Técnica, edição 2008 •• Eliane Belfort - Comissão Técnica, edição 2007 •• Elimar Nascimento – Comissão Técnica, edição 2009 •• Francisco Paletta – Comissão Técnica, edição 2008 •• Haroldo Mattos de Lemos – Comissão Técnica, edição 2006 •• Maria Cecilia Coutinho de Arruda – Comissão Técnica, edição 2009 •• Paulo Nogueira Neto – Comissão Técnica, edição 2008 47 48 49 50 51 52 54 55 56 57

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4. CASOS BENCHMARKING: UM BANCO DE PRÁTICAS, IDÉIAS E SOLUÇÕES •• Casos organizados por Edição »» R esumo dos Casos selecionados pelo Programa Benchmarking Brasil no período 2007 a 2010 »» C itação dos Casos selecionados pelo Programa Benchmarking Brasil no período 2003 a 2006 (estes casos já tiveram publicados seus resumos no Livro BenchMais1, em 2007) •• Casos Organizados por temáticas Gerenciais »» R esumo dos Casos selecionados pelo Programa Benchmarking Brasil no período 2007 a 2010 e organizados em 10 diferentes temáticas gerenciais »» C itação dos Casos selecionados pelo Programa Benchmarking Brasil no período 2003 a 2006 e organizados em 10 diferentes temáticas gerenciais (estes casos já tiveram publicados seus resumos no Livro BenchMais1, em 2007) 61 64 177 202 205 323 5. PERFIL E HISTÓRICO DO PROGRAMA BENCHMARKING •• Perfil, Histórico e Resultados •• Comissão Técnica 2003 a 2010 •• Empresas Benchmarking 2003 a 2010 •• Lista de Cases Certificados 2003 a 2010 357 369 391 394 6. PERFIL E HISTÓRICO DA MAIS PROJETOS, REALIZADOR DO PROGRAMA BENCHMARKING • Mais Projetos 417

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PREFÁCIO MINISTRA IZABELLA TEIXEIRA ABRIL DE 2011 Falar sobre as “melhores práticas”, como é a proposta da publicação BenchMais 2 que me coube aqui prefaciar, é falar da parte boa da maçã, do lado claro da Força, enfim dos valores éticos que desejamos sejam predominantes em nossa sociedade. É per se verificar quanta energia boa está sendo gasta na construção coletiva da sustentabilidade possível no campo empresarial. Minha longa experiência no campo da gestão ambiental e da sustentabilidade mostra que o desenvolvimento sustentável – ainda que pese a polissemia do conceito já cantada e decantada por Hermann Daly no seu nascedouro nos anos 80’ , se resume num complexo equilíbrio entre crenças, regulação e mecanismos de mercado (induzidos ou voluntários) que vão “esverdeando” todas as práticas sociais neste tempo histórico que ousamos chamar carinhosamente de século XXI. Não vou repetir aqui uma densa e desafiadora literatura que vem mostrando a constituição de uma nova base ética do capitalismo, e da sua modernização “ecológica”, incorporando definitivamente o fator meio ambiente não como externalidade negativa, mas como centralidade seja nas estratégias de expansão ou renovação de negócios desenhados para atender necessidades de cem anos atrás, seja para a emergência dos novos empreendimentos que, é lícito supor, serão a base da economia verde (ou a economia da sociedade orientada pelos valores da sustentabilidade. Competitividade, administração de risco, prestação de contas aos acionistas, a conversa mudou e muito. Como diz um mote muito em voga entre as empresas, trata-se de PPP (People, Planet and Profit). Para apenas aceitar algumas provocações intelectuais, citamos aqui a tese de Stuart Hart de que o velho capitalismo está numa encruzilhada: ou se adapta à onda de destruição criativa e vê nela uma grande oportunidade para cumprir suas promessas de bem estar e de responsabilidade, apostando em estratégias de médio e longo prazo, ou perece. E perecerá no altar do novo, da visão antecipatória dos bioneers (para usar essa curiosa expressão inglesa que denomina os pioneiros), dos sustentabilistas que pagaram o preço de transformar antigas práticas produtivas e de consumo, inspirando milhões de seguidores e de novos líderes. E o resultado está aí, aqui e agora. Não mais como “projetos-piloto”, mas como experiência social das boas, exigindo escala. O recente Relatório da UNEP Towards to Green Economy traz sugestões de como acelerar o processo e transitar para a nova economia. Muitas mãos são necessárias à obra. No caso do Brasil, tivemos uma tremenda sorte. Fomos anfitriões da Rio-92 e esta conferência que até hoje arranca suspiros de todos aqueles que dela participaram – pelo otimismo das iniciativas e pela ousadia da proposta de “ desenvolver sem destruir” – inaugura e fase do engajamento empresarial na sustentabilidade, tornando o setor produtivo um parceiro estratégico e definitivamente alinhado com a responsabilidade por mitigar e prevenir a deterioração ambiental. Olhando como gestora pública para o que se passou nestes quase 20 anos, depende de como se olha o copo (meio vazio ou meio cheio), é bastante razoável ser otimista no que se refere às estratégias de engajamento empresarial nas questões da sustentabilidade. 13

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Não só aquela estritamente ambiental, mas nas questões civilizatórias globais, como se viu na Assembléia do Milênio, em NY em 2000, quando os 8 objetivos ali traçados não eram somente objetivos de governo, mas um chamamento para que o setor produtivo e seus líderes se comprometessem com os mesmos. Como gestora pública, insisto, nem sempre é clara e transparente a lente com que enxergamos o setor produtivo e seus esforços sejam para entrar na conformidade ambiental (cumprindo a legislação) ou para ser líder na sustentabilidade, indo além e adotando uma série de práticas quer seja sob a égide da RSE (Responsabilidade Social Empresarial) quer seja na ótica mais ousada – ou visionária – de tornar ou criar uma empresa sustentável. Claro que o setor privado tem seus ritos, seus fóruns, seu modo de reconhecer e valorizar as experiências do mundo corporativo. Afinal se trata de uma cultura, como dizemos, nós do setor público bem o sabemos, pois também somos uma outra cultura, onde a razão de estado ou o chamado bem público nem sempre está totalmente alinhado a uma visão de mercado. Mas o que desejo enfatizar é esse distanciamento entre as duas culturas, e até mesmo uma incapacidade – por falta de tecnologia talvez – de estabelecer um diálogo que é cada vez mais desejado e mais premente para que o desenvolvimento sustentável aconteça de verdade e para que o Brasil que deseja ser a quarta economia do Mundo possa sê-lo, com qualidade e responsabilidade. Essa distância vem encurtando aceleradamente nos últimos anos, e deverá encurtar ainda mais no Governo da presidente Dilma. Para o Ministério do Meio Ambiente, é tempo de enterrar sem placa comemorativa o falso dilema ou falsa oposição entre desenvolvimento e conservação. O Ministério do Meio Ambiente vê o diálogo com o setor produtivo não apenas como uma política necessária e saudável, mas como essencial para que possamos realmente administrar nossos ativos ambientais, conservar nossos patrimônios e nos consolidarmos diante do Mundo como G-1 ambiental. Condições objetivas temos para isso: matriz energética limpa, ativos florestais dos maiores do mundo, biodiversidade rica, cultura mult-etnica, território privilegiado, país pacífico e criativo. Claro que os desafios são também de igual monta, mas temos caminhado com razoável celeridade, levando-se em conta que o Brasil é um país inserido na economia global e que os cenários da crise internacional de 2008 ainda não são animadores como gostaríamos. Temos também as dívidas sociais e a obrigação moral de diminuir as desigualdades que ainda abatem nossa auto-estima. Para além dos compromissos que o Brasil assumiu na COP 15 do Clima e em Nagoya, no âmbito da CDB, temos nossos ossos duros de roer internamente, e falo claramente de duas ferramentas que vão exigir de nós todo esforço enquanto nação: um novo código florestal, mais atual e afinado com a visão de desenvolvimento rural sustentável e o cumprimento da Lei Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada em dezembro do ano passado. Os prazos são curtos: erradicação dos lixões em 4 anos, trazendo tremendos benefícios para o saneamento e saúde das populações. Implantação de sistemas de logística reversa para 10 importantes cadeias produtivas do País. A idéia central aqui é criar novos de reais que são literalmente jogados no lixo anualmente pelo Brasil, segundo estimativa negócios na reciclagem, na tecnologia de gestão de resíduos e trazer para a economia cerca de 8 bilhões conservadora do IPEA. Tudo isso sem esquecer da inclusão social, reconhecendo e valorizando milhares de catadores nas grandes cidades. Segundo pesquisa recentemente conduzida por nós com o Walmart Brasil em 11 capitais, verifica-se que 60% da população reconhece que são os catadores os atuais agentes da reciclagem no país. 14

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Temos ainda o Plano de Produção e Consumo (PPCS) que será peça fundamental para provocar a mudanças de comportamento tanto do setor produtivo quanto dos consumidores. O PPCS, que esteve em consulta pública e agora em redação final, já começa a mostrar seu efeito prático com o recém assinado PACTO ABRAS MMA, onde o setor supermercadista se compromete a reduzir até 2015 40% de sacolas plásticas. O setor varejista vem demonstrando um extraordinário dinamismo e sua agenda de sustentabilidade é um campo fértil para novos arranjos de parcerias estratégicas. A publicação que ora prefaciamos com grata satisfação – BenchMais 2 – foi por mim examinada cuidadosamente, e as quase duas centenas de cases apresentados impressiona pela qualidade das intervenções. É uma coletânea vasta, e até mesmo surpreendente, pois aqui estão muitas empresas que antes eram conhecidas pela área ambiental apenas pelos seus passivos ambientais, e não pelas ações pró-ativas que os projetos relatados apresentam. Como a coleção vai de 2004 a 2011, com referências extremamente interessantes, e diferentes entre si, notamos claramente que muitas delas são mais específicas, de gestão ambiental corporativa, enquanto outras adotam o marco do tripple bottom line, buscando evidenciar benefícios sócio ambientais mais amplos. Notadamente, algumas empresas tem no portfolio projetos sócio-ambientais, outras tem estratégias de sustentabilidade consistentes, e outras ainda são líderes de sustentabilidade. Mas vamos deixar essas diferentes conotações para os competentes jurados que selecionaram esta rica coletânea e para os artigos de fundo que a publicação traz. Voltando ao meu lugar e ao meu olhar, que é o de gestora pública, quero com as minhas reflexões e palavras parabenizar a iniciativa, convidar os leitores, pesquisadores e lideranças do mundo empresarial, e também os demais gestores públicos, para aproveitar o ensejo da Rio + 20 em 2012 (Conferência que novamente será no Brasil) e dar, junto com o governo o segundo e importante passo nesta extraordinária caminhada de 20 anos em direção a práticas mais sustentáveis: o engajamento desafiador, mas também apaixonante, pela extensão dos efeitos, das pequenas empresas e dos consumidores. Já demos um passo de gigante, incorporando os chamados stakeholders, agora necessitamos conversar com as massas. Atenção, não falei converter, mas conversar. Ouvir, por exemplo, quais as expectativas da nova classe média que expande em grande velocidade seu apetite consumidor. Fala-se que este segmento gastará R$ 1 trilhão nos próximos dois anos em bens e serviços. Ouvir os jovens, os futuros transformadores, ouvir as mulheres que já são maioria na decisão de compra e que em breve não serão mais somente maioria física em nosso país, mas poderoso grupo na tomada de decisão política. A sustentabilidade precisa chegar à base da pirâmide e aos milhões de lares do nosso país. Acho que os exemplos aqui citados e operosamente selecionados pelos organizadores, são inspiradores. Tem gente que está com a mão na massa. Empresas que estão adotando transparência e se dispondo a compartilhar. Tem uma impaciência maravilhosa que emerge das experiências relatadas neste BenchMais 2 – é o futuro que vai se tornando presente, boas novas, esperança se materializando. Muito aprendizado, esforço de sistematização, enfim uma base importante de conhecimento que se torna disponível aos mais variados públicos interessados em sustentabilidade. É um cesto das boas maçãs. Vamos a elas! Izabella Teixeira Ministra do Meio Ambiente 15

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