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A REVISTA DO CONDOMÍNIO Ano XXiI | nº 137 | NOV/DEZ 2017 report REFORMA TRABALHISTA Os impactos das novas regras no condomínio CONVIVÊNCIA Estratégias para integrar os condôminos QUE BOMBA! Dicas de cuidados com as bombas do prédio Porteiros:ECNoTnRhEeVçIaSTaA:pPrAimReAi-rRaAImOuSlEhaere,setmaç80ãoancoasm, npaeãchdefdiaesdceaProgratsaraitamdoosEfdéirfiíciaosEsplanada

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Índice atualidade 6 Vizinhos do barulho CAPA 10 Reforma trabalhista DESTAQUE 16 Alegria, alegria SAIBA MAIS 20 Que bomba! ENTREVISTA 22 Para-raios ações positivas 25 Plataforma para a solidariedade deu certo 26 O segredo é aprender sempre porteiros 30 A melhor coisa da vida é trabalhar de porteiro 32 CLASS REPORT 10 6 25 30 EDITORIAL Mais um ano caminha para o fim. Ver o quanto realizamos, mesmo em meio às crises, nos dá conta de que somos mais fortes. Foi turbulento e deu trabalho demais sim, mas os frutos estão aí. Esta é a realidade, a que construímos dia a dia. Agora é hora de renovar as energias. Afinal, novas lutas virão. Aliás, elas não param para degustar a ceia ou explodir os fogos. Nós é que fazemos isto. Quem sabe que a vida é o que fazemos dela dá lição de sabedoria. Às vésperas de completar 94 anos, contribuindo por mais de 50 para a coletividade em seu condomínio, o síndico Deu Certo desta edição mostra o seu sorriso de menino como prova de que, com leveza, mesmo a vida de síndico pode ser boa e as gestões condominiais mais tranquilas. E tranquilidade é o que os síndicos mais precisarão ter para realizarem de maneira prudente sua administração de pessoal, com a entrada em vigor da Reforma Trabalhista, a partir desse mês. Imersa em polêmicas, com promessas de contestações por inconstitucionalidade, suas novas regras demandam cautela. Será necessário aguardar as repercussões e o entendimento dos magistrados, é o que aconselha quem labuta na área do direito do trabalho. Paciência, então. O exercício humano mais difícil é, por isto mesmo, o mais importante. E os problemas cotidianos, como os resultantes de conflito de vizinhança, ou de queima de bombas, estão aí para nos lembrar disto. Para encarar o verão sem os transtornos comuns ao período, especialistas falam dos riscos trazidos pela maior incidência de raios, para quem não tem o para-raios em dia, ou pela falta de água, para aqueles que descuidam da manutenção regular das bombas. Fazer do condomínio um lugar bem cuidado, com paz e segurança para se viver, mas também com mais alegria, é um papel que pode e deve ser levado a sério. Síndicos que dão o mesmo peso para a gestão de eventos socioculturais e a gestão financeira colhem o fruto doce da boa convivência. Saiba o que estão fazendo para transformar os seus edifícios em polos de diversão de qualidade. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer? Então, estamos combinados. Seguimos juntos com você! Boas festas e um 2018 repleto de energias positivas para todos nós. Boa leitura! lowndes report 3

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espaço lowndes A PROTEÇÃO QUE FALTAVA Desde março de 2016, com o novo Código de Processo Civil, o morador que deixa de pagar a cota condominial corre sérios riscos de ter o seu imóvel penhorado em menos tempo e com maior facilidade. E sequer pode alegar que o imóvel é o único bem da família, pois este benefício não é estendido aos imóveis penhorados em razão de débitos condominiais. Além disto, é certo que pagará multas e juros sobre a dívida. Não bastassem estes temores, agora, com o crescente sentimento de insegurança em que as famílias se encontram diante das incertezas do momento político e econômico do país, e da realidade do aumento do desemprego, este medo tornou-se ainda maior. Um quadro que tem sido cada vez mais associado a um aumento de problemas de saúde em razão do estresse, como a depressão e a síndrome do pânico, que, atualmente, estão entre os principais responsáveis por afastamentos prolongados do trabalho. 12 meses e o imóvel seja exclusivamente residencial, o produto desenhado pela Lowndes ainda atende pessoas com idade superior a 65 anos, normalmente não cobertas. Um diferencial importante para estes tempos, em que a permanência de pessoas da terceira idade no mercado de trabalho é estendida. É a Lowndes, mais uma vez, atendendo a uma demanda da sociedade, visando a proteção das famílias e garantindo a segurança de poder honrar compromissos fundamentais. Este seguro oferece uma efetiva solução para a tranquilidade do proprietário de imóvel. Pensando nisto, a Lowndes, que desde sempre dedica seus serviços e produtos à proteção do bem maior das famílias, que é o seu imóvel, criou, em parceria com a AGZ, o seguro Garantia Cota Condominial. Com ele, em caso de demissão ou afastamento por doença incapacitante, ou mesmo por morte ou invalidez, o titular da unidade residencial tem o pagamento integral das cotas de condomínio e do IPTU por até seis meses, limitado ao valor de R$ 1.200,00 por mês, por um valor de R$ 8,78 mensal. Com pouca ou nenhuma restrição, a não ser de que a pessoa esteja empregada há, pelo menos, 4 lowndes report

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ATUALIDADE Vizinhos do barulho Condomínios residenciais com lojas no térreo e suas lutas para minimizar conflitos, mesmo sem o apoio da convenção N o condomínio Terra e Mar, no Flamengo, são 11 lojas no térreo, independentes e livres de cobrança de cota condominial pela convenção, que também é omissa quanto à restrição do tipo de negócio que pode ser realizado ali. Barulho, ocupação irregular das calçadas, cheiro de churrasco e um som tão alto que trepidam as janelas do segundo andar. Já a partir das 17 horas, a calçada se enche de mesas e gente que deixam a obrigação de, na manhã seguinte, lavar tudo e cuidar das plantas das jardineiras, sempre danificadas. O condomínio foi obrigado a colocar câmeras, pois os moradores jogavam objetos da janela e até um saco de gelo já foi lançado. Se pegasse em alguém poderia matar. Os gastos são mais altos, inclusive o seguro do prédio é mais caro por causa das lojas, e os aborrecimentos enormes e em grande número. E essa é uma situação que se repete em muitos edifícios da cidade com as mesmas características. Foram construídos com lojas no térreo e entregues com uma convenção que as isenta, deixando ao condomínio e, especialmente, ao síndico, as dores de cabeça por abusos diversos. No caso do Terra e Mar, são lanchonete, hamburgueria, pizzaria, loja de material de construção e até oficina mecânica. E as tubulações de esgoto do prédio se encontram com a de algumas lojas antes de chegarem às da rua. As lojas aumentam exponencialmente o volume de descarte, o que obriga o condomínio a contratar os serviços de uma desentupidora com mais frequência do que a normal para um edifício residencial. As instalações contra incêndio e as de gás também são problema. “O prédio tem 60 anos e precisa de manutenção. O projeto da nova instalação de gás por parte dos apartamentos já foi aprovado em A.G.E. e está na CEG para aprovação da concessionária. Às lojas que utilizam gás, o condomínio encaminhou correspondência com AR solicitando ART/RRT do profissional, informando que as tubulações estão em condições de uso, mas até agora não houve resposta. Se houver uma explosão em qualquer uma delas afetará o prédio”, alega o síndico Nelson Pereira, que já contratou uma empresa para ter um laudo que resguarde o condomínio, em caso de necessidade. “Aqui em cima está tudo correto e lá embaixo esta situação sem controle”, completa. 6 lowndes report

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Saída é recorrer ao Direito de Vizinhança O integrante da Comissão do Direi- to Imobiliário da OAB, Antônio Ricardo Corrêa, diz que o condomínio é uma entidade única e que, estando as lojas dentro da estrutura da edificação, não se pode falar de independência absoluta. “É comum se confundir independência com autonomia. As lojas podem ter as entradas independentes das do prédio, podem ter as tubulações e instalações independentes, mas não têm a autonomia para fazer o que quiserem. Alguma subordinação deve existir”, afirma. Corrêa aconselha recorrer ao direito de vizinhança, mas pensando previamente no homem médio, sem preconceito de gênero ou credo, ou quaisquer outros. O incômodo deve ser sempre averiguado com uma base no coletivo para não expor o condomínio. “O Direito de Vizinhança diz que ninguém pode usar o seu bem causando prejuízo aos outros. Os lojistas terão sempre que usar sua unidade de acordo com a lei”, destaca. O uso do recuo frontal por quaisquer atividades comerciais que causem transtornos para os moradores, como dificuldade de acesso devido à obstru- ção da passagem por mesas e cadeiras, ou outros, tem regra específica no Código de Posturas do Município. “E, ainda assim, a loja tem direito de utilizar o espaço de uma área comum somente com prévia estipulação na convenção ou autorização da assembleia. As posturas municipais, nesse caso, não prevalecem sobre a convenção, que se baseia no Código Civil”, esclarece o advogado Antônio Ricardo Corrêa. No Condomínio Terra e Mar, as tubulações passam da garagem para as lojas e só depois alcançam a rua, uma preocupação a mais para o síndico Nelson Pereira Por fazer parte da edificação, cabe à loja pagar pelas despesas de reforma da fachada, do passeio e do telhado, pois essas partes são comuns à toda a edificação, bem como o seguro contra incêndio. Mas não é fácil para quem é síndico. “As lojas atendem à prefeitura, as leis, mas quem toma conta?”, questiona José Carvalho, síndico do Condomínio Ribeiro Moreira, em Copacabana, ressaltando que é difícil para os moradores entenderem que ele não tem autonomia para gerir. “Não parece aceitável que não tenha gerência sobre a ação de um condômino. E os moradores não reclamam com os órgãos públicos, mas diretamente com o síndico”, completa. Ele já brigou por quatro anos, sem tréguas, para manter alguma ordem e minimizar os transtornos para os moradores. O Ribeiro Moreira tem nada menos do que três boates no térreo, sendo duas delas já fechadas. “É preciso persistência. Se não temos uma convenção que nos ampare, temos que recorrer ao direito de vizinhança, às posturas municipais. O que não podemos é deixar o patrimônio ser desvalorizado e o direito ao sono dos moradores ser perdido”, destaca Carvalho. lowndes report 7

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ATUALIDADE O síndico cobra do Corpo de Bombeiros para saber se os lojistas estão cumprindo com as obrigações de segurança e, da mesma forma, com cada órgão público, de acordo com regras do código de posturas da cidade. Não é que falte diálogo, estas medidas são as últimas. Antes disso, ele faz todas as tentativas. “Mas é que a maioria das lojas está com o locador, o que dificulta até conversar diretamente com o proprietário. E quem está alugando quer ganhar dinheiro. Assim, resta ao condomínio o poder público, que funciona mal”, conta o síndico, que acabou sendo processado por difamação pelo locador de uma das boates, um americano que, no final, desistiu e saiu do país. Melhor para toda a região que sofria com a deterioração com o tipo de público que o empreendimento atraía. “Invertem-se as coisas. A gente é que tem que brigar para a lei ser cumprida. Ficamos com todos os ônus e eles não têm nenhuma obrigação com o condomínio”, reclama. Participação maior pode ajudar Para o síndico, as pessoas precisam entender que todos devem participar. “Os prejuízos não são só para os moradores do prédio, mas para todo o entorno. A Prefeitura diz que tem que ligar para o 1746 para reclamar. Aí dizem que se ligarem não vai acontecer nada. Mas se tiver 20 reclamações ali terão, pelo menos, uma estatística do problema”, defende. Ele faz a parte dele. Já até decorou parte de Decreto 29881, de 2008 (o Código de Posturas Municipais), fazendo O síndico Rodrigo Fernandes recorre a diálogos e à conscientização para facilitar as relações com os 14 lojistas da galeria que ocupa o térreo do edifício dele o seu livro de cabeceira. E também pesquisa as jurisprudências sobre os assuntos. Carvalho destaca que há legislação específica para mesas na calçada, para barulho, horário de funcionamento, aconselhando que se questione caso a caso com o órgão responsável. “É preciso reclamar, cobrar, verificar se a regra está sendo cumprida. Quando reclamar, já coloque que está em desacordo com a lei X, o artigo tal etc.,” detalha o síndico, que chegou a entregar pessoalmente uma petição ao então prefeito Eduardo Paes. Mas ele aconselha a procurar, também, a subprefeitura da região. “De um modo geral, eles têm interesse pela comunidade local”, completa. No condomínio Conde Cândido Mendes, no Flamengo, o síndico Rodrigo Fernandes resolveu demonstrar para os lojistas a injusta relação entre estes e os demais condôminos. “O que pagam representa 12% da arrecadação, sendo que os custos da galeria pesam aproximadamente 30% das despesas, e é razoável que entendam os custos gerados para toda a coletividade”, conta. Lá funciona uma galeria com 14 lojas, inclusive um salão de beleza, mais uma oficina mecânica. “Procuro dar conhecimento sobre a arrecadação e as despesas do condomínio porque são subsídios para um diálogo pautado em situações reais. O fato é que sem as lojas nossas despesas seriam menores, e qualquer coisa que aconteça ali é de responsabilidade do condomínio, o que aumenta também o peso sobre a gestão condominial”, diz. Ele reclama não haver uma legislação a que os síndicos possam recorrer sobre diversos aspectos deste tipo de administração. “E não existe solução que atenda a todos igualmente, porque são usos distintos em um único espaço. Há o desejo, mas não os recursos, para fazermos a individualização de hidrômetros, por exemplo. O projeto do prédio não ajuda. Já tivemos que quebrar três lojas porque a tubulação de esgoto desce por lá. E uma das lojas teve que ficar três meses fechada. Toda a logística para fazer qualquer obra é complicada”, destaca. O condomínio estuda há anos modernizar instalações elétricas, mas tem loja que a parede inteira é passagem para fiação elétrica. O síndico considera o desenho dos quadros novos, que são armários e ocupam mais espaço, e pensa por 8 lowndes report

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onde passar os eletrodutos, visto que os caminhos alternativos, como o prisma de ventilação, já não suportam. “São 58 unidades passando por ali. Todas as alternativas estão sendo pensadas para resolver o problema sem maiores transtornos para as lojas, mas nem sempre é possível”, afirma, contando que toda oportunidade é utilizada para conscientizá-los sobre as dificuldades e não é incomum que os chamem para as assembleias cujos temas digam respeito a eles. “Todos querem obras na portaria que melhorem também a galeria, mas são muitas as demandas e para cada uma um universo de dificuldades para os dois lados. O morador, por sua vez, também precisa entender que a galeria já estava ali quando comprou seu imóvel”, completa. Opção difícil, mas definitiva, é alterar a convenção “Havendo previsão expressa na convenção do condomínio de que todos os condôminos estão sujeitos ao pagamento das despesas comuns, não pode o proprietário de lojas térreas furtar-se ao pagamento das taxas com o argumen- to de que suas lojas possuem entrada independente e não usufruem os serviços condominiais”. O texto está no corpo de muitas decisões da Justiça sobre celeumas em casos semelhantes, onde também está escrito que, na omissão da convenção, a loja só deve participar do rateio se for beneficiada com os gastos do condomínio. Diante desta equação, a solução só seria possível com mudanças na convenção que incluíssem rateio das despesas, uso do recuo, determinação de atividades possíveis nas lojas, participação nas obras de reforma, dentre outros que, sem meios para gerir, podem levar a conflitos e à desvalorização das unidades, sejam elas residenciais ou comerciais. “Para isto é necessário contratar um advogado para elaborar um parecer jurídico e um texto que atualize a convenção. Um custo, sim, mas que precisa ser pesado caso a caso, pois, em alguns deles, pode sair mais barato e menos desgastante do que abrir um processo judicial, envolvendo peritos e custas judiciais, para resolvê-los”, conclui Antônio Ricardo Corrêa. tome nota BARULHO EXCESSIVO Um botequim, do Recreio dos Bandeirantes, foi condenado pela 17ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro a realizar reformas em seu estabelecimento a fim de diminuir os ruídos produzidos no local. O autor da ação comprovou que o barulho superava em muito o limite de 85 decibéis estipulado pela Lei Estadual 126/77. Também foi relatado que o barulho intenso produzido pelo botequim, que fica em uma área residencial, atenta contra a saúde e o sossego público; ferindo, assim, o artigo 1.277 do Código Civil. Vale destacar que, em casos de poluição sonora, é a Guarda Municipal a autoridade competente para fiscalizar a ocorrência, segundo a Lei de Combate à Poluição Sonora, nº 6.179/2017, que poderá render multa de R$ 5 mil para bares e restaurantes que insistirem em fazer “barulho excessivo” na cidade do Rio. Em caso de reincidência, o valor poderá ser sucessivamente dobrado. Já as pessoas físicas que infringirem as novas regras poderão ser notificadas e multadas em R$ 500, “independentemente da obrigação de cessar a transgressão”. No caso do desrespeito ao sossego público ser constante, pode-se recorrer a Polícia, frente à caracterização da conduta vedada pelo artigo 42 da Lei das Contravenções Penais - Perturbar alguém, o trabalho ou o sossego alheios, que tem pena prevista de prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa. lowndes report 9

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CAPA Reforma trabalhista Saiba o que muda na gestão de pessoal no condomínio E m 11 de novembro, começam a vigorar as novas regras aprovadas pela reforma das leis trabalhistas. Comemorada pelo empresariado por adequar a legislação às novas relações de trabalho, tem como um de seus objetivos reduzir o número de ações trabalhistas. Isto porque, entre as muitas novidades, está a de que o trabalhador, caso perca a ação, deverá pa- gar os honorários do advogado e ainda os honorários da perícia, se esta resultar desfavorável ao seu pedido, ainda que tenha se beneficiado de justiça gratuita. Mas esta é apenas uma dentre as novidades que estão mexendo com a rotina de quem atua no direito do trabalho e também de quem emprega. Férias, jornada de trabalho, remuneração, demis- 10 lowndes report

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CAPA 12 lowndes report Sidney Barbalho Júnior é advogado trabalhista É facultado a empregados e empregadores firmar o termo de quitação anual de obrigações trabalhistas perante o sindicato dos empregados da categoria, mas oriento que sigam guardando seus comprovantes” Sidney Barbalho Pinto Júnior, advogado especializado em Direito e Processo do Trabalho são. Para quase todos os itens da relação de trabalho há alguma mudança. No que diz respeito aos condomínios, será fundamental ser muito bem assessorado para atender às novas regras e, assim, evitar problemas. E, neste primeiro momento, saber que as novas regras já valem para os funcionários contratados. “Depois de 11 de novembro todos estarão enquadrados”, afirma Sidney Barbalho Pinto Júnior, advogado especializado em Direito e Processo do Trabalho, Consultor Jurídico e Professor de Relações Trabalhistas e Sindicais da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis – ABADI, e Membro Efetivo da Comissão Especial de Direito Sindical da OAB/RJ. O advogado acrescenta que é importante estar atento ao que tem impacto imediato, como é o caso das férias já agendadas. Readequação de férias já marcadas Pela nova regra é vedado o início das férias no período de dois dias que antecedem feriado ou dia de repouso semanal remunerado. Ou seja, dia 11 é um sábado e logo em seguida vem um feriado. Para cumprir a nova regra, o empregado deveria sair na quinta-feira anterior, logo, antes da entrada em vigor da lei. “Essa alteração é a que exigirá muito cuidado dos gestores e responsáveis pelos departamentos de pessoal e de recursos humanos. Para os que já estavam com férias marcadas, a solução é readequar o período das férias”, completa.

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Barbalho alerta ainda para o prazo de pagamento de verbas rescisórias: “Antes, elas deveriam ser pagas no dia útil subsequente. Agora, o prazo foi unificado. Em qualquer situação, com aviso prévio ou não, deverão ser pagas 10 dias após o término do contrato”, orienta. Ainda sobre as férias, o novo regramento permite o seu fracionamento, com a divisão em três períodos, um de, no mínimo, 14 dias, e os demais com, pelo menos, cinco dias. Elas devem ser comunicadas com 30 dias de antecedência e pagas dois dias antes do início das férias. Portanto, nada de deixar para decidir o início das férias em cima da hora. Jornada, intervalos e horas extras Em questões comuns aos condomí- nios, como a escala 12 x 36 e horas extras, foram muitas as mudanças. O que antes exigia um acordo com o sindicato local para que o empregado trabalhasse em escala 12 x 36, com a nova lei, um acordo por escrito entre empregado e empregador já regulamentará a prática. Já o tempo usado para colocação do uniforme, ou tomar café, estes não correm mais o risco de serem computados como horas trabalhadas. “Descanso, alimentação, higiene pessoal e troca de uniforme não são considerados dentro da jornada de trabalho”, orienta. Para o intervalo intrajornada, se antes a jornada padrão de 8 horas impunha o direito a, no mínimo, uma hora, e a, no máximo, duas horas de intervalo para repouso ou alimentação, agora, este poderá ser negociado coletivamente, desde que tenha pelo menos 30 minutos. O pagamento do descanso devido deverá ser proporcional: se o empregado descansou somente meia hora, receberá apenas os 50% do tempo que não desfrutou do seu intervalo. Contratos e demissão sem justa causa Intermitente, parcial, trabalho re- moto, autônomo. No quesito contratação, a reforma se esmerou e há um conjunto novo de possibilidades, com regras específicas para cada uma. “Só o tempo dirá quais destas novas modalidades se adequarão aos condomínios”, afirma Barbalho. Para as demissões, estas poderão ser realizadas de comum acordo, com o pagamento de multa de 20% do saldo do FGTS e o empregado só poderá sacar 80% do FGTS depositado. O empregado também não receberá o seguro-desemprego e o condomínio deverá conceder um aviso prévio de, no mínimo, 15 dias. Remuneração, prêmios e abonos A partir da nova lei trabalhista, prê- mios e abonos não mais se incorporarão ao salário do empregado. Com o novo regramento, o princípio da habitualidade deixa de ser aplicado e os abonos podem cessar a qualquer momento e também não haverá encargos trabalhistas ou previdenciários para estes extras. Se o condomínio quiser conceder um abono de Natal, por exemplo, ainda que o faça em dois anos seguidos, isto não acarretará riscos. Sobre a gratificação por função, que após 10 anos era incorporada, ainda que o empregado saísse do cargo, agora, se ele sair do cargo de chefia, independente do tempo, esta poderá ser suprimida. “Em todos os casos, destaco a importância de se estar atento ao que a convenção coletiva diz e não abusar. Na nova legislação, a convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho prevalecem sobre a lei e será preciso ir com calma, pois ainda não sabemos qual será o posicionamento dos magistrados”, alerta Barbalho. O especialista também chama a atenção para o termo de quitação anual, permitido pela reforma. “É facultado a empregados e empregadores, na vigência ou não do contrato de emprego, firmar o termo de quitação anual de obrigações trabalhistas perante o sindicato dos empregados da categoria. Mas oriento que, por garantia, sigam guardando seus comprovantes de pagamento”, completa. lowndes report 13

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CAPA Momento é de espera O advogado que atende aos condomínios da Lowndes, Roberto Flamenbaum, adverte sobre a necessária cautela diante da turbulência dos primeiros momentos em vigor da nova Lei. Isto porque a avaliação majoritária daqueles que labutam no direito do trabalho é de que estas novas regras enfrentarão ainda muita divergência. Mesmo no âmbito do Judiciário, ações de inconstitucionalidade estão previstas. “Serão precisos ainda uns cinco anos para se ter uma ideia mais clara do entendimento que os Juízes terão de cada uma destas novas regras. Serão os casos julgados que darão uma melhor visão do que prevalecerá”, avalia. “Fazer uma alteração contratual não é simples. Existe um Princípio do Direito do Trabalho no sentido da inalterabilidade do contrato lesivo ao empregado. E converter de um emprego convencional para o intermitente, por exemplo, não há questão: é ação lesiva para o empregado”, adverte Dr. Roberto Flamenbaum. Ele lembra que, após 74 anos de consolidação da CLT, uma nova legislação, de repente, com diretrizes básicas tão diferentes, dão conta de que o que está por vir não será algo fácil. “Cautela é a palavra de ordem neste primeiro momento, pois em todas as Instâncias poderá haver divergências, inclusive, no que con- cerne ao âmbito do próprio Tribunal Superior do Trabalho, que é o órgão soberano em termos trabalhistas. Hoje, sequer é possível fazer uma previsão de como se posicionarão. O momento é de espera até para quem labuta na área”, conclui. Serão precisos ainda uns cinco anos para se ter uma ideia mais clara do entendimento que os Juízes terão de cada uma destas novas regras. Os casos julgados darão uma melhor visão do que prevalecerá” Roberto Flamenbaum, advogado 14 lowndes report

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