Revista Secovi Rio 109

 

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Revista Secovi Rio 109

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NOVEMBRO/DEZEMBRO 2017 - venda proibida nº109 CURTINHAS pág. 5 » 7 ENTREVISTA pág. 8 » 18 JURÍDICO pág. 21 » 32 CAPA pág. 34 » 38 www.secovirio.com.br Sem abrir mão da simpatia no trabalho, porteiros viram queridinhos dos moradores

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NOVEMBRO•DEZEMBRO 2017 / nº 109 SUMÁRIO CURTINHAS ENTREVISTA CONDOMÍNIOS VERDES JURÍDICO 58 CONSULTAS JURÍDICAS CAPA 19 21 30 34 INSTITUCIONAL NOSSOS LUGARES INDICADORES HABITACIONAIS 42 46 51 MATÉRIA ESPECIAL OUTROS OLHARES SERVIÇOS E PRODUTOS 54 58 MAIS HUMOR, POR FAVOR Você conhece alguém que faz do mau humor um hábito? Encarar a rotina de trabalho com responsabilidade é fundamental para qualquer profissional, mas a verdade é que, nesse processo, muita gente acaba abrindo mão da leveza e do traquejo social. A culpa geralmente recai sobre o estresse da jornada, o que pode explicar uma parte, mas não todo o problema – afinal, nem todo mundo que trabalha muito vive com uma nuvem negra pairando sobre a cabeça. Além de prejudicar a relação com possíveis clientes e colegas de trabalho, a falta de trato pode até mesmo tirar oportunidades de crescimento profissional. Segundo um estudo feito por uma consultoria americana, na hora da contratação ou promoção de um colaborador, 98% dos gestores preferem os mais alegres aos rabugentos. É claro que ninguém precisa nem deve ser o piadista da empresa, mas um pouco de sorriso e amabilidade não custa nada (e muda tudo). Como contamos na matéria de capa desta edição, essa regra também vale para quem atua em um condomínio e precisa lidar diretamente com diferentes públicos e interesses. São histórias de porteiros que conquistaram um lugar no mercado de trabalho e no coração dos moradores. O segredo? Nada além de respeito e cordialidade. Os problemas chegam, mas são tratados com empatia. Se chegou até aqui e identificou que talvez seja você o colega mal-humorado, aproveite que um novo ciclo está chegando e proponha um novo olhar sobre seu dia a dia em 2018. Procure refletir sobre o que realmente faz com que você perca a paciência e evite agir de forma hostil diante desses gatilhos. Com o tempo, fica mais fácil e o sorriso vira hábito. Baixar a guarda abre um grande precedente para o diálogo e pode deixar a vida muito menos complicada. EQUIPE SECOVI RIO 61

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DIRETORIA/EXPEDIENTE DIRETORIA SECOVI RIO Efetivos Presidente: Pedro José Maria Fernandes Wähmann Vice-Presidente: Leonardo Conde Villar Schneider Vice-Presidente Financeira e de Desenvolvimento: Maria Teresa Mendonça Dias Vice-Presidente Administrativo: Ronaldo Coelho Netto Vice-Presidente de Marketing: João Augusto Pessôa Vice-Presidente Jurídico: Rômulo Cavalcante Mota Vice-Presidente de Assuntos Condominiais: Alexandre Hermes Rodrigues Corrêa Vice-Presidente de Locações: Antonio Paulo de Garcia Monnerat Vice-Presidente de Relações do Trabalho: Dennys Abdalla Muniz Teles Suplentes Aldo Fernando Villar Hecht da Fonte; Antonio Carlos Ferreira; Antonio Henrique Lopes da Cunha; Frederico Honorato Rodrigues Moreira; Germana Aragão de Mesquita Aguiar; Luiz Alberto Queiroz Conceição; Luis Carlos Bulhões Carvalho da Fonseca Filho; Pedro Carlos Carsalade CONSELHO FISCAL Efetivos Dorzila Irigon Tavares; Marco Antonio Moreira Barbosa Suplentes Antonio José Fernandes Costa Neto; Marco Antonio Valente Tibúrcio; Marco Antonio Vieira de Mello DELEGADOS REPRESENTANTES JUNTO À FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Efetivos Pedro José Maria Fernandes Wähmann; Manoel da Silveira Maia Suplentes João Augusto Pessôa; Ronaldo Coelho Netto CONSELHO DE RELAÇÕES DO TRABALHO Dennys Abdalla Muniz Teles (presidente); Alexandre Hermes Rodrigues Corrêa; Fernando Schneider; Maria Teresa Mendonça Dias REGIONAIS SECOVI RIO Regional Baixada Fluminense Av. Governador Roberto Silveira, 470, sala 412, Centro, Nova Iguaçu - RJ (Edifício Top Commerce) CEP: 26210-210 Telefone: (21) 2667-3397 E-mail: baixadafluminense@secovirio.com.br Regional Lagos Avenida Júlia Kubitschek, 16, loja 19, Bloco B, Parque Rivera, Cabo Frio - RJ (Edifício Premier Center) CEP: 28905-000 Telefone: (22) 2647-6807 E-mail: lagos@secovirio.com.br Regional Litorânea Avenida Almirante Barroso, 52, 9º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ CEP: 20031-918 Telefone: (21) 2272-8000 E-mail: litoranea@secovirio.com.br Regional Noroeste Fluminense Avenida Rui Barbosa, 1.043, sala 201, Centro, Macaé - RJ CEP: 27910-362 Telefone: (22) 2772-3714 E-mail: noroestefluminense@secovirio.com.br Regional Norte Fluminense Avenida Rui Barbosa, 1.043, sala 201, Centro, Macaé - RJ CEP: 27910-362 Telefone: (22) 2772-3714 E-mail: nortefluminense@secovirio.com.br Regional Costa Verde Avenida Almirante Barroso, 52, 9º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ CEP: 20031-918 Telefone: (21) 2272-8000 E-mail: costaverde@secovirio.com.br Regional Serra Imperial Rua Dr. Nelson de Sá Earp, 95, sala 406, Centro, Petrópolis - RJ CEP: 25680-195 Telefone: (24) 2237-5413 E-mail: serraimperial@secovirio.com.br Representante: José Roberto Bittencourt Sauer Regional Serra Norte Rua Doutor Ernesto Brasílio, 45, sala 205, Centro, Nova Friburgo - RJ CEP: 28610-120 Telefone: (22) 2523-7513 E-mail: serranorte@secovirio.com.br Representante: Gabriel de Freitas Ruiz Regional Serra Verde Av. Feliciano Sodré, 460, loja 3, Várzea, Teresópolis - RJ CEP: 25963-082 Telefone: (21) 2742-2102 E-mail: serraverde@secovirio.com.br Representante: Henrique Luiz Rodrigues Regional Sul Fluminense Avenida Almirante Barroso, 52, 9º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ CEP: 20031-918 Telefone: (21) 2272-8000 E-mail: sulfluminense@secovirio.com.br SEDE Av. Almirante Barroso, 52/9º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ CEP: 20031-918 Telefone: (21) 2272-8000 - Fax: (21) 2272-8001 E-mail: secovi@secovirio.com.br A Revista Secovi Rio é uma publicação institucional, bimestral, do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais em todo o Estado do Rio de Janeiro. EXPEDIENTE Conselho Editorial: Pedro Wähmann e João Augusto Pessôa Gerente de Marketing e Comunicação: Marcos Mantovan REDAÇÃO imprensa@secovirio.com.br Jornalistas responsáveis: Gustavo Monteiro (25.140 MTE/RJ) e Igor Augusto Pereira (2.629 MTE/GO) Redação: Amanda Gama, Carla Neiva, Gustavo Monteiro e Igor Augusto Pereira Projeto gráfico e diagramação: Henrique Vasconcellos Revisão: Sandra Paiva Colaborou nesta edição: Daniel Santos de Abreu PUBLICIDADE Elcias Teodoro (21) 2272-8009 - (21) 99789-6454 teodoro@secovirio.com.br parcerias@secovirio.com.br Thiago Bogado (21) 2272-8007 - (21) 97226-8936 revista@secovirio.com.br thiago@secovirio.com.br A revista reserva-se o direito de não aceitar publicidade sem fundamentar motivação de recusa. Os anúncios veiculados são de responsabilidade dos anunciantes. Tiragem: 25.000 exemplares. Distribuição gratuita. Auditada pela: BKR Lopes, Machado Auditors, Consultants & Business Advisers. Distribuição nacional: Treelog S.A. Logística e Distribuição. SECOVI RIO / 2017 / nº 109 / 2

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PALAVRA DO PRESIDENTE O ano que está perto de acabar não foi como o que passou. Foi aquele em que o Secovi Rio completou 75 anos de sua fundação. Num país em que as oscilações políticas e econômicas deixaram de ser exceção, podemos considerar uma vitória o fato de uma instituição – seja ela um sindicato, uma empresa privada ou pública – alcançar mais de sete décadas de vida. O caminho nem sempre é cheio de flores, tem muitas pedras também. Mas temos a sorte de poder contar com diretores e funcionários que ao longo do tempo têm participado do processo de desenvolvimento do Sindicato, sendo dois dos mais importantes Guilherme Dale e Georges Masset, presidentes que me antecederam e com os quais tive a honra de conviver. Foram esses personagens que nos fizeram chegar ao patamar de representatividade que temos hoje, culminando com a homenagem que recebemos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em 26 de setembro, dia do aniversário do Secovi Rio: o título de Benemérito do Estado do Rio pelo reconhecimento da nossa atuação histórica em prol da habitação, proposto pelo deputado Luiz Paulo. É fruto de muito trabalho, de pessoas e setores que durante todo esse tempo fizeram com que o Sindicato se tornasse referência para assuntos relacionados à administração imobiliária e à vida condominial. Desde que iniciei minha gestão, há 15 anos, zelamos para que a aproximação com o Poder Legislativo seja produtiva e respeitosa. E, com essa postura proativa, vencemos muitas batalhas ao longo do tempo, cuidando para que projetos de leis prejudiciais ao nosso mercado fossem reformulados ou vetados e nos empenhando para propor novas legislações que pudessem gerar benefícios para o ambiente de negócios imobiliários, para a vida mais harmônica dos condomínios e, consequentemente, para o desenvolvimento do nosso estado e da cidade. Com a missão de dever cumprido – e o orgulho pelo reconhecimento público! –, encerramos mais um ano de trabalho. Desejamos a todos um final de ano feliz e um ano novo de muita paz. Pedro Wähmann Presidente do SECOVI RIO Sua opinião é muito importante Quer mandar um comentário sobre esta edição ou sugerir uma pauta? Envie um e-mail para imprensa@secovirio.com.br SECOVI RIO / 2017 / nº 109 / 4

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Shutterstock CURTINHAS Atenção ao livro de registros do condomínio Imagine a situação: você compra seu ingresso para o maior festival de música do país por R$ 130 (mais os R$ 19 da taxa de entrega) e fica meses na ansiedade, esperando que ele chegue. Termina o prazo de entrega e nada. Você liga para a empresa responsável pelas vendas, e ela informa que o ingresso já tinha sido entregue. Em seguida, vai até os Correios, que confirmam a entrega com a cópia do Aviso de Recebimento. Você pede então para verificar o livro de registro de correspondências do condomínio e... descobre que não havia sido registrado protocolo algum. Seu ingresso simplesmente desapareceu. Parece uma história de ficção (terror!), mas aconteceu com a moradora de um condomínio na Freguesia, no Rio, na edição de 2013 do festival. Em 2015, ela ajuizou uma ação contra o condomínio, que perdeu a causa em maio de 2017, sendo condenado a pagar R$ 149 de danos materiais e R$ 5 mil de indenização por danos morais, com juros de 1% ao mês a contar da citação (danos materiais) e da sentença (danos morais), além de correção monetária. Não cabe mais recurso. A decisão alerta para a importância de os condomínios terem um livro de protocolo na portaria. Segundo especialistas, toda correspondência registrada recebida pelo porteiro deve ser repassada ao morador após a assinatura dele no livro de protocolo. Assim, é possível afastar a responsabilidade do condomínio no caso de extravio. Embora essa já seja uma prática comum em prédios comerciais, muitos edifícios residenciais não adotam esse sistema. Vale lembrar, ainda, que o novo Código de Processo Civil estabelece que em processos de execução a citação pelos Correios é obrigatória. Dessa forma, a implantação do livro de protocolo é mais importante do que nunca. Google Maps/Divulgação Para ver e andar Que calçadão de Copacabana, que nada! A Rua da Candelária, no Centro do Rio de Janeiro, foi eleita em agosto a via com a calçada mais bonita da capital fluminense. Ela foi aclamada por voto popular no concurso Miss Calçada Rio, uma iniciativa do movimento Caminha Rio. Com uma pavimentação regular e boa iluminação, a rua, que tem um trecho exclusivo para pedestres, ganhou a preferência dos internautas.

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Divulgação Sem desperdício Já pensou se você pudesse ver, em tempo real, quantos litros de água está consumindo em casa? Essa é a proposta da torneira inteligente BrightTap, que vem com um visor acoplado para ajudar o usuário a ter maior controle sobre o que está gastando. A ideia é que, ao monitorar o que está sendo gasto ao lavar louças, seja possível redobrar os cuidados com o desperdício desse recurso natural. Ciclo da terra Maior risco Quase metade dos sinistros acionados por condomínios no Brasil está relacionada a danos elétricos, aponta o levantamento de uma seguradora que atua em território nacional. Esses problemas ocorrem em virtude de curtos-circuitos provocados por variação de energia e queda de raios. Para minimizar riscos, é importante estar em dia com a manutenção da rede de energia e do sistema de para-raios do prédio. Um experimento em grande escala realizado em uma área desmatada da Costa Rica mostrou o poder da compostagem orgânica. Em 1997, uma empresa de suco de laranja foi autorizada a despejar por um ano todos os restos da fruta no local – ao todo, foram 12 mil toneladas de cascas e bagaço. Anos depois, ao inspecionar a área, os pesquisadores se depararam com... uma enorme floresta! Em comparação com uma outra área, que não havia recebido a “montanha de laranja”, o local era mais fértil, com maior riqueza de espécies de árvores e uma cobertura muito superior. Vale pensar a respeito na próxima vez que pensar em jogar os “restos” fora. SECOVI RIO / 2017 / nº 109 / 6

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Apesar da crise O Brasil foi escolhido em uma enquete da rede internacional CNN como o país com o povo “mais legal” do mundo. Em reportagem, o veículo apontou alguns elementos tipicamente nacionais, como o samba, o Carnaval e o futebol, e colocou o músico Seu Jorge como ícone cool da nação. Apesar de destacar a qualidade da carne e do cacau nacionais, a CNN não deixou de fazer críticas ao desmatamento das florestas. Natal mais sustentável Provavelmente, você já conhece algumas soluções para uma decoração natalina mais barata e ecológica, com materiais alternativos e reaproveitados. Mas sabia que a ceia também pode ser mais sustentável? A noite mais especial do ano pode ter opções saborosas e com menor impacto ambiental. Segundo especialistas, o primeiro passo é substituir alimentos importados por produtos nacionais. No lugar das avelãs, cujo transporte consome muito combustível, que tal a castanha-do-pará? Também dá para encontrar versões brasileiras de vinhos de excelente qualidade, como os produzidos no Vale dos Vinhedos. E, se você não abre mão da fartura à mesa, uma dica é buscar calcular bem a quantidade de comida, evitando desperdício. Cabeça-dura Sabe aquelas discussões intermináveis na assembleia do condomínio, em que o bate-boca não dá resultado nenhum? Novos estudos no campo cognitivo têm dado evidências dos motivos pelos quais isso acontece. Segundo pesquisadores, o cérebro não é feito para mudar de ideia e vem evoluindo de forma a nos convencer de que sabemos mais do que sabemos. Investigações recentes demonstram, por exemplo, que a irracionalidade está intrinsicamente ligada à nossa forma de pensar. Assim, damos mais atenção às evidências que justifiquem nossas teorias – o chamado viés de Condomínio no zap Vale a pena ter um grupo de WhatsApp para tratar assuntos do condomínio entre os moradores? Para muita gente, o aplicativo pode facilitar a comunicação com o síndico e os demais gestores. Mas também há quem acredite que a facilidade de dizer o que pensa pode acabar atrapalhando, dando um caráter de amadorismo à gestão. E você, o que pensa sobre esse assunto? Participe da enquete no site do Secovi Rio e compartilhe sua opinião.

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ENTREVISTA • ZECA BORGES LINHA DE FRENTE DISQUE-DENÚNCIA Igor Augusto Pereira as histórias de super-herói, o mocinho geralmente combate o crime usando um disfarce. Ao mesmo tempo em que cria uma identidade pública para si, a máscara preserva a privacidade daquele que está por trás dela. Na (menos charmosa) vida real, os heróis não usam capa, mas ainda assim podem ter o benefício de continuar anônimos enquanto salvam o dia. Pelo menos, é assim no Rio de Janeiro há mais de 20 anos, quando uma plataforma de combate à violência urbana passou a colaborar para a elucidação de inúmeros crimes. Em vez de teias de aranha geneticamente modificadas ou uma força descomunal, essas figuras sem rosto podem contar com o auxílio do Disque-Denúncia, uma central de informações de inteligência, que liga cidadãos às autoridades na busca por uma cultura de paz. Quem presencia um crime ou tem indícios sobre o paradeiro de criminosos pode, em apenas uma ligação para o (21) 2253-1177, levar a polícia ao desfecho do caso. À frente dessa iniciativa está o carioca Zeca Borges, que deixou uma carreira de quase três décadas no mercado financeiro para coordenar o serviço de atendimento telefônico. O projeto foi criado em 1995, durante uma das maiores ondas de sequestro já vistas na cidade do Rio de Janeiro. “A sociedade estava em pânico com aquilo, em especial os empresários, que eram alvo preferencial dos sequestradores”, conta. Cansados de esperar uma saída estrutural para o problema, representantes do setor privado resolveram se unir para bancar uma estratégia que pudesse amenizar essa situação. De lá para cá, foram mais de 2,3 milhões de denúncias anônimas, boa parte usada para ajudar no desfecho de casos emblemáticos na capital fluminense, como a morte do jornalista Tim Lopes. O sucesso do projeto inspirou outras cidades e até mesmo o governo federal a ampliar sua rede de cooperação com a sociedade, com a criação do 100 (para casos em que as vítimas são crianças e adolescentes) e do 180 (que recebe denúncias de violência contra a mulher). Muito além de elucidar crimes pontuais, a central vem colocando a discussão da segurança pública em pauta, tornando-a não apenas um assunto de polícia, mas sobretudo de política. SECOVI RIO / 2017 / nº 109 / 8

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Zeca Zeca ENTREVISTA • ZECA BORGES De onde veio essa ideia de disponibilizar um serviço de apoio a denúncias? Antes de ajudar a criar o Disque-Denúncia, eu trabalhava no mercado financeiro. Estava parando aos poucos, mas ainda fazendo alguns freelances, quando fui chamado por um grupo de empresários. Era janeiro de 1995 e eles estavam em pânico com a questão dos sequestros. Para você ter uma ideia, só naquele ano foram 129 – um número que assustava muito a sociedade, em especial os empresários. Preocupado com os rumos que a segurança pública tomava, esse grupo se reuniu com o governador e ofereceu ajuda. E você embarcou no projeto logo no início? Isso. Fui convocado para gerenciar o projeto por um amigo, que integrava esse grupo de empresários. Era um tempo muito mais difícil que hoje, bem mais perigoso, com índices de criminalidade muito mais altos... Quando pensamos em como agir, nossa prioridade foi não fazer nada violento, repressivo. Nossa ideia era responder com civilização àquela barbárie. Assim, mudar o campo do jogo: tirar da violência e ir para a inovação. (Quando criamos o Disque-Denúncia) queríamos responder com civilização àquela barbárie. Assim, mudar o campo do jogo: tirar da violência e ir para a inovação PUBLICIDADE SECOVI RIO / 2017 / nº 109 / 9

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ENTREVISTA • ZECA BORGES A inspiração veio do próprio 190 (número da Polícia Militar)? Na verdade, usamos o modelo Crime Stoppers, que já era adotado em várias cidades do Canadá e foi criado em Albuquerque, nos Estados Unidos. Estudamos a tecnologia e adaptamos para o Brasil, considerando o tipo de violência, o número de crimes e a maneira de nossas polícias trabalharem. É importante lembrar que nós não somos um serviço de emergência e não concorremos com o 190. Qualquer emergência deve ser remetida ao 190. Na verdade, o que nós queremos são informações de inteligência para ajudar a polícia. Zeca Shutterstock PUBLICIDADE Biometria ETasgtadceionamento Catraca Atenção: Acesso Restrito! Proteção e monitoramento do ambiente que você quiser. SerTelRJ http://ser-tel.com.br 21 2102-4000 / 21 2501-4000 AutomPoárttiãcoo EstacCioannacmeleandtoe ProCxaimrtiãdoaddee SECOVI RIO / 2017 / nº 109 / 10 Torniquete

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Zeca Zeca ENTREVISTA • ZECA BORGES E como foi a recepção? Houve muita resistência no início. É importante lembrar que em 1995 nós não estávamos muito longe da ditadura, então a sociedade via aquilo como duvidoso. O próprio termo “denúncia” poderia gerar desconfiança. Mas aí a gente fez uma pesquisa e viu que o que a sociedade queria era, sim, denunciar. Que o termo era esse, não “passar informações” ou algo do tipo. Quanto tempo durou até a ideia pegar? A ideia surgiu em janeiro, começamos a operar em testes a partir de maio ou junho, e lançamos a central oficialmente em agosto, com uma campanha do movimento das mães da Cinelândia, para ajudar a elucidar casos de desaparecimento e possíveis mortes de crianças. Aí começamos aquele trabalho, que focava na garantia de anonimato. E quando as pessoas passaram a confiar mais no serviço? Começamos com razoável descrédito, então o que ampliou nosso trabalho foram os casos de sequestro elucidados rapidamente. No ano seguinte à criação do Disque-Denúncia, as ocorrências de sequestros caíram pela metade e em maio de 1998 chegaram a zero – contando, inclusive, com o número de pessoas em cativeiro. Continuaram ocorrendo alguns casos, mas a gente sabe que o sequestro deixou de ser uma “indústria”, como hoje acontece com o roubo de cargas no Rio de Janeiro. A central colaborou para que crimes de sequestro deixassem de ser uma ‘indústria’ no Rio de Janeiro Zeca Shutterstock

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Shutterstock Zeca ENTREVISTA • ZECA BORGES Por que a ideia de oferecer dinheiro para quem repassar informações sobre o paradeiro de um criminoso? Em 1996, surgiu essa ideia de oferecer recompensas financeiras por informações que levassem aos bandidos, o que era muito comum nos Estados Unidos e no Canadá, mas ainda não existia no Brasil. Tínhamos um certo temor de fazer essa associação ao faroeste, mas o fato é que deu certo. Quando o Michael Jackson veio gravar um clipe no Morro Dona Marta, o traficante Marcinho VP, que controlava o território, declarou que o artista só gravaria com autorização dele. Aí achamos que era um desafio e deveríamos reagir. Foi a primeira vez que nós fizemos essa campanha, e aí recebemos várias informações. PUBLICIDADE SECOVI RIO / 2017 / nº 109 / 12

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Zeca Zeca ENTREVISTA • ZECA BORGES Mas vale a pena misturar dinheiro e combate ao crime? Quando criamos uma campanha dessas, fazemos para chamar a atenção sobre o crime, para que a busca por aquele criminoso vire notícia. As pessoas não denunciam pela recompensa. Elas denunciam pela indignação. Na verdade, em todos esses anos, o que a gente vê é que poucas vêm de fato receber a recompensa. Poucas? Anos atrás, houve o caso de um capitão de polícia que havia matado o filho do prefeito de uma cidade da Região Serrana e estava foragido. Na época, difundiu-se um boato de que o pai do menino pagaria uma recompensa de R$ 300 mil por ele morto. Aí resolvemos lançar uma recompensa – que eu não me lembro de quanto era, mas obviamente era menor – pela prisão dele. E conseguimos uma denúncia certeira, dando o endereço de onde ele estava refugiado. A equipe da PM foi até o Nordeste e encontrou o criminoso. O cidadão não denuncia pela recompensa, mas pela indignação. Poucos vêm de fato receber PUBLICIDADE SECOVI RIO / 2017 / nº 109 / 13 Shutterstock

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