Tribuna do Piracicaba - A Voz do Rio

 

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Bacia do Piracicaba - Outubro de 2017 - Edição 234 - Ano XXIV

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Bacia do Piracicaba, Outubro de 2017 - Edição 234 – Ano XXIV - Distribuição Dirigida Gratuita - Nas bancas: R$ 2,00 Bombeiros, logo após o rompimento da barragem de Fundão, buscam por sobreviventes em um “mar” de lama. A PRÓXIMA VÍTIMA Era uma quinta-feira, 5 de novembro, o dia que ficou marcado como o início da maior catástrofe socioambiental da história do Brasil. A barragem de Fundão – que tinha estabilidade garantida pela empresa e órgãos ambientais, levou com a enxurrada de lama, povoados, vidas, memórias e bens de milhares de pessoas. Assim como Bento Rodrigues, Rio Piracicaba, São Gonçalo do Rio Abaixo e outras comunidades se encontram abaixo de grandes barragens a mercê da própria sorte. Agora, há dois anos daquela tragédia, mais uma ameaça. O Ministério Público acabou de interditar a Barragem da Casa de Pedra em Congonhas por risco de rompimento e a CSN e Defesa Civil preparam a população. Páginas 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 12

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2outubro de 2017 PENSAR GLOBAL E AGIR LOCAL – EXPERIÊNCIAS POSITIVAS Projeto Interdisciplinar Nascentes – recuperando olhos d´água Alunos do Cesec “Martinha de Oliveira Araújo” junto a professores envolvidos no projeto Expediente: Tribuna do Piracicaba a voz do rio • Diretor Responsável: Geraldo Magela Gonçalves • Diretor Geral: Rafaela Iara Pantuza Gonçalves • Comercial: dindao@bomdiaonline.com (31) 9 9965-4503 O Cesec - Centro Estadual de Educação Continuada “Martinha de Oliveira Araújo”, de Rio Piracicaba, vem cumprindo fielmente seu papel de educação atitudinal, sempre aberto a novas ideias, decisões, habilidades ou comportamentos. Foi através desse con- ceito que a aluna Fátima Santos, diante a crise hídrica que assola não só a cidade onde reside – Rio Piracicaba, mas também a região, o estado e o país, resolveu colocar em prática uma ideia de contribuir para a recuperação de nascentes já que a cidade possui grande área territorial e rural. Segundo ela o start para o tema foi o fato de descobrir que muitos colegas nem sequer conheciam uma nascente de água. Com o apoio da diretora Maria Terezinha de Lima, sempre atenta aos comportamentos e habilidades dos alunos, o que era um pensamento foi logo tomando forma ainda em 2016. O Cesec abraçou a ideia e com o envolvimento direto de alunos, dos professores e assumindo a coordenação o pedagogo orientador Luciano Melo, o que era uma semente germinou e se transformou no “Projeto Interdisciplinar Nascentes”. Utilizando de método cientifico os alunos pesquisaram projetos, estudaram sobre o tema proposto e colocaram a mão na massa. De acordo com a idealizadora Fátima e a diretora Maria Terezinha, o mais difícil foi convencer os proprietários da necessidade de proteger as nascentes seguindo um modelo técnico comprovado. Com a participação de aproximadamente 50 pessoas, que ainda atuam no projeto, foram selecionadas duas proprieda- des cujas nascentes se encontravam moribundas. Com muito tato e persistência os proprietários foram convencidos sobre a importância da proteção e cuidado com as nascentes, como cercamento, reflorestamento da área no entorno do olho d´água entre outras atitudes preservacionista cujo resultado seria, além de manter a água em abundância na propriedade, valorizar a mesma, já que sem água terreno nenhum tem valor. O Projeto ganhou notabilidade merecendo destaque em diversas apresentações diante sua efetividade com pouco investimento. Os próximos passos, segundo Fátima Santos é multiplicar a ideia: “Já estamos procurando outras nascentes para iniciarmos um trabalho de recuperação”, informou. • Diagramação/Arte: Sérgio Henrique Braga • Impressão: Gráfica Bom Dia • Representante Comercial: Super Mídia Brasil - BH Redação e Administração Rua Lucindo Caldeira, nº 159, Sl. 301, Alvorada, CEP.: 35930-028 João Monlevade / MG / Brasil (31) 3851.3024 • A Voz do Rio Online: www.tribunadopiracicaba.com Imagens mostram a situação das nascentes antes - Setembro de 2016 e em abrilk de 2017. Recuperação com uma “mãozinha” do projeto Circulação: Bacia Hidrográfica do rio Piracicaba FUNDADO EM FEVEREIRO DE 1994 Razão Social : Rafaela Pantuza Gonçalves CNPJ: 13.970.485/0001-98 Inscrição Estadual : Isenta Inscrição Municipal 123470CNPJ.: 24538633/0001-16 Todos os Direitos Reservados dindao@bomdiaonline.com

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3outubro de 2017 Crise hídrica coloca região em alerta TODAS AS CIDADES DA BACIA DO PIRACICABA, DE ALGUMA FORMA, VEM SOFRENDO COM A REDUÇÃO DE VAZÃO DOS MANANCIAIS Apesar da entrada da temporada das chuvas, as cidades da Bacia do Piracicaba permanecem em alerta e, mesmo que a população ainda não tenha atentado para o fato, o risco para o desabastecimento de água é grande. As poucas chuvas que caíram na última semana foi suficiente apenas para auxiliar no combate aos focos de incêndios florestais. As cidades que contam com sistema próprio de abastecimento vêm tentando driblar a falta de água e a diminuição do nível de água dos reservatórios, vazão de rios e de mananciais com investimentos diversos no setor. Em Itabira, o SAE (Serviço de Água e Esgoto) enfrenta grave crise há alguns anos e na tentativa de amenizar o problema a administração está promovendo investimentos de dezenas de milhões de reais buscando novas alternativas. Catas Altas também busca ampliar e modernizar o sistema de abastecimento já que esse ano foi necessário a racionalização do uso da água fornecida pela prefeitura. João Monlevade, através do DAE (Departamento de Água e Esgoto), vem mantendo investimentos ao longo dos últimos anos para evitar o desabastecimento e recentemente promoveu uma obra objetivando aumentar a área de captação no A represa do Talho Aberto, há mais de 50 anos vem atendendo a população piracicabense, mas sofre com ação de mineradoras na região – assunto para próxima edição rio Santa Bárbara. Já a Copasa, responsável pelo serviço de água em pelo menos 12 cidades na bacia, informou que mantêm o abastecimento, mas com alguns problemas pontuais e muita atenção para a situação hídrica e esclareceu: “A Copasa informa que o abastecimento em Alvinópolis, Antônio Dias, Barão de cocais, Bela Vista de Minas, Bom Jesus do Amparo, Coronel Fabriciano, Dionísio, Ipatinga, Rio Piracicaba, Santa Bárbara e São Domingos do Prata, está sendo feito normalmente mas em algumas dessas cidades ocorreram situações especificas que prejudicaram, temporariamente, o fornecimento de água” e pontuou: Em Barão de Cocais ocorreu o rompimento de uma adutora na captação Castro. A manutenção da tubulação já foi concluída e o abastecimento na cidade já está normalizado. Na cidade de Bom Jesus do Amparo o aumento do consumo nos finais de semana tem prejudi- cado o abastecimento. Para garantir o fornecimento de água a toda a população nesse período, a Companhia realiza manobras operacionais no sistema quando necessário. Em Coronel Fabriciano, em decorrência do forte calor na região, o abastecimento nas partes mais altas do bairro São Domingos foi prejudicado pelo aumento do consumo de água. Para atendimento ao bairro, a empresa tem feito manobras operacionais no sistema. Em Dionísio, o fornecimento de água está normal apesar da queda da vazão dos córregos Serrinha e Laranjeiras, mananciais responsáveis pelo abastecimento da cidade. Caso não chova nos próximos dias, será necessária a adoção do rodízio na cidade. Se houver essa necessidade, a população será amplamente avisada, antecipadamente, por meio dos veículos de comunicação. O forte calor na região de Ipatinga, aliado à redução da vazão do sistema produtor, tem causado intermitência no abastecimento das partes altas da região do bairro Bethânia. Para evitar o desabastecimento na região, está sendo necessária a realização de manobras operacionais no sistema. Em Rio Piracicaba, ocorreu intermitência no abastecimento nas partes altas dos bairros Conjunto Habitacional Padre Levi e COHAB. Nessa região, também foi necessária a realização de manobras para atendimento à população. Em Santa Bárbara, em decorrência de picos de energia durante o final de semana, o abastecimento ficou prejudicado. A situação na cidade, no entanto, já foi normalizada.

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4outubro de 2017 TRAGÉDIA: SINAIS DE DESTRUIÇÃO AINDA SÃO NÍTIDOS Pescadores continuam sem poder garantir o sustento de suas famílias No rio que já foi sinônimo de abundância, as cercas afastam animais com sede. No rio que já foi sinônimo de esperança, comunidades inteiras sofrem com as marcas do minério e a água imprópria para qualquer atividade. No rio que já foi sinônimo de subsistência, barcos de pescadores apodrecem pela falta de uso. Tomado pelos rejeitos da Samarco, o curso d’água que era Doce agoniza e pede socorro. E os sinais de destruição ainda são nítidos. Já os de recuperação, quase impossíveis de se notar. Na reportagem sobre os dois anos do rompimento da barragem de Fundão em Mariana (MG), um panorama sobre a situação da bacia. “Um dia esse rio vai chorar sangue”, profetizava o pai de Shirley Krenak, preocupado com o impacto ambiental causado pelas indústrias e a mineração próximas ao leito sagrado. Na região que já deu nome a uma das maiores empresas do setor no mundo, a sensação é de abandono e falta de justiça. “A essência do rio foi morta. O que deixava ele vivo eram as criaturas que dele sobreviviam. É impróprio para tudo. As nossas caças desapareceram, os poucos peixes que restaram estão com feridas por toda a parte”, contou a índia, que desde a tragédia não consegue ir até lá. “Não é fácil, foi nesse rio que aprendi a nadar e sobreviver”, conta. Em Governador Valadares, maior cidade da bacia, a água que chega às torneiras ainda é vista com desconfiança pela população. “É uma tristeza. Nunca mais usei. Tenho que comprar água mineral para beber e cozinhar. Para os comerciantes, virou o carro chefe das vendas”, comentou Celina Araújo. Os prejuízos não são apenas financeiros: até manchas vermelhas começaram a aparecer na pele da estudante Mariana Xavier. “Elas coçavam muito, mas não tem outro jeito. É a água que temos”. O diretor-geral da companhia de abastecimento do município, Alcyr Nascimento Júnior, garante que a água é boa. “Ela é monitorada e testada todos os dias. Utilizamos um produto que já era usado no período chuvoso para estabilizar a água. Todos os funcionários daqui fazem uso dela”, explicou. Mas para “tranquilizar” a população, a prefeitura vai inaugurar uma nova fonte de captação. ‘Tudo que se planta, não dá’ Mandioca, feijão, milho e até abóbora. Em sua pequena propriedade em Ipaba, no Vale do Aço, Sebastião Nascimento, conhecido na região como Tiãozinho, vendia nas feiras os alimentos que cultivava perto do Rio Doce. Mas há dois anos, na terra “onde tudo que se plantava, dava”, nem um grão nasce mais. “Ela é dura, perdeu todo o adubo. Não tem mais água para plantar e com essa seca a situação está pior. Os caminhões só abastecem duas vezes por semana”. Para o ambientalista Ernesto Galiotto, a recuperação do leito pode levar séculos. “O rio já vinha sofrendo agressões há muitos anos e os peixes estavam contaminados com mercúrio. Esse crime ambiental foi o fim. Aquele resíduo que se depositou no fundo vai ser uma praga que levará talvez séculos para sumir”, explicou. E o desmatamento das margens também pesa nessa balança. “Praticamente não existem grandes áreas verdes. Ainda tem a poluição das indústrias. É cada água densa que cai diretamente”, disse. A diretora da Fundação Renova, Andrea Azevedo, enfatizou que um plano de manejo do Rio Doce foi aprovado recentemente pelo Ibama e deve ser executado em até três anos. Informou ainda investimentos de R$ 32 milhões no abastecimento de Governador Valadares. Questionada sobre os efeitos da seca prolongada para os produtores rurais, disse que a Renova fornece 140 mil litros de água por dia para as propriedades, por meio de caminhão-pipa. Pescadores sofrem sem os peixes Os barcos de Regência, em Linhares, não saem mais para o mar para garantir o sustento de quem passou décadas vivendo da pesca. Desde o desastre do Rio Doce, a atividade está proibida, o que impactou diretamente na vida dos moradores. Um dos pescadores mais experientes de Regência, José de Sabino, 53, tinha renda mensal de R$ 6 mil, o que o permitia manter dois filhos na universidade. Agora, recebendo apenas o auxílio da Samarco, de R$ 1,3 mil, não pode mais pagar os cursos. “Tinha o maior orgulho em ter meus filhos na faculdade. Agora não consigo mais pagar e eles tiveram de interromper os estudos”, afirma. Segundo a Associação Comercial de Regência, mais de 30% dos pescadores, comerciantes e donos de pousadas que tiveram suas atividades prejudicadas pelo desastre não estão recebendo o benefício porque não conseguiram atender as exigências do cadastro. No Espírito Santo, água muda cidades Duas semanas depois do rompimento da barragem da Samarco, foram as águas do rio Doce no Espírito Santo que começaram a mudar de cor. Logo em seguida, o mar de Regência, norte de Linhares, estava contaminado pelos rejeitos da barragem. Um caminho que mudou a realidade de moradores de Colatina, Fundão, Regência e Marilândia. Em Colatina, até hoje os moradores sentem um certo receio de consumir a água captada do rio Doce. Situação agravada pela seca, que afeta o município. Estudo feito por pesquisadores da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo), durante sete expedições realizadas à foz do rio a partir da chegada da lama no litoral capixaba, aponta que ainda existe muito material oriundo da queda das barragens na calha do rio, o que significa que em épocas de chuva deve ocorrer o aumento da presença desses materiais nas análises. Segundo a Fundação Renova, a presença de metais nas análises da água bruta está de acordo com o padrão dos resultados que eram obtidos na bacia antes da passagem dos rejeitos. Isso significa que a água pode ser retirada do rio para que seja devidamente tratada antes da distribuição pela rede de abastecimento. Em agosto foi iniciado um monitoramento automático por meio de 22 novas estações. Os dados são coletados também em 56 pontos ao longo do rio Doce e em 36 da zona costeira. Ernesto Galiotto/ Divulgação Nas cidades litorâneas atingidas, o turismo, que era fonte de renda, foi a zero.

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5outubro de 2017 crime APÓS DOIS ANOS DA TRAGÉDIA DO RIO DOCE, DOSSIÊ É APRESENTADO NA ONU ORGANIZAÇÕES DEBATEM ACORDO QUE RESPONSABILIZA TRANSNACIONAIS POR VIOLAÇÕES DE DIREITOS Um dossiê audiovisual sobre a tragédia da bacia do Rio Doce, produzido por meio de uma cooperação entre movimentos populares brasileiros, foi apresentado nesta segunda-feira (23), durante a discussão de um novo Tratado Vinculante sobre Empresas Transnacionais e Direitos Humanos, no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU), em Genebra (Suíça). O rompimento da barragem de Fundão, na cidade de Mariana (MG), da mineradora Samarco (joint venture entre a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton) completa dois anos no dia 5 de novembro deste ano. O documento apresentado será utilizado como um exemplo de violação de direitos humanos e ambientais por meio de corporações. Representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), pela Articulação Internacional de Atingidos e Atingidas pela Vale, e pela Rede Católica de Organizações pelo Desenvolvimento (CIDSE), uma das organizações internacionais que financiaram a produção do dossiê, foram responsáveis por sua apresentação. De acordo com Stefan Reinhold, Secretário-Geral da CIDSE, o caso da Bacia do Rio Doce chamou a atenção da organização por ser a maior catástrofe ambiental da história brasileira. “Nós acreditamos que isso é uma tragédia, mas também exemplifica a forma como corporações mineradoras, na sua estrutura, são capazes de violar direitos ambientais e humanos”, afirmou. Segundo Reinhold, uma das principais expectativas da reunião é prevenir que crimes como o da Bacia do Rio Doce voltem a acontecer. “Nós não podemos voltar para o passado, mas o objetivo é principalmente usarmos Mariana [MG] como um exemplo da violação estrutural de direitos humanos que as companhias transnacionais, nesse caso a Samarco, a BHP Billiton, e a Vale, cometem. E então temos esperança que, nos próximos anos, esse tratado poderia ajudar vítimas de abuso de direitos humanos, e, no caso de Mariana, que as vítimas possam ir para uma corte internacional para clamar remediações pelas viola- Moradores observam, atônitos, a destruição provocada pelo mar de lama – não imaginavam o risco que corriam ções”, pontuou. Para Thomas Bauer, fotógrafo da Comissão Pastoral da Terra (CPT) que percorreu o Rio Doce no final de 2016 para produzir o dossiê, o documento ajuda a fazer com que a tragédia não caia no esquecimento. “Mostra a gravidade da situação. Até agora praticamente nada foi reparado. Os atingidos não conse- guiram melhorar sua situação diante do que acontece, e muitos perderam tudo. Mesmo com essa situação, e várias outras no mundo, não existe nenhum tratado internacio- nal que assegure a proteção dos direitos humanos dessas pessoas, diante dos crimes cometidos pelas transnacionais”, disse. Por: Júlia Dolce \ Brasil de Fato

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6outubro de 2017 CONTAMINAÇÃO: DÚVIDA ATORMENTA QUEM DEPENDE DO RIO DOCE “A água do rio já está minado para vender para limpa para nadar, lavar quem? Para você? Para roupa e tomar banho? A você depois passar mal, gente ainda não sabe”, ir no médico e o médico diz texto de jornalzinho dizer que foi o peixe que da Fundação Renova você comeu?”, diz Leo- distribuído a moradores ne Carlos, 70, presidente de Linhares (ES), onde da associação de pesca- a lama da barragem de dores de Regência, praia Fundão desaguou no mar. de Linhares onde fica a O informativo da entida- foz do rio Doce. de bancada por Samarco, O ICMBio, junto com Vale e BHP Billiton é de universidades, chegou a agosto, três meses antes pesquisar e monitorar o dos dois anos da tragédia. oceano depois do rompi- A dúvida é a mesma que mento mas faltam recur- atormenta pescadores, sos para fazer o trabalho donos de hotéis, turistas da forma adequada. e moradores da área. A Renova apresentou um Ao sair da barragem, a plano, que foi rejeitado composição da lama não pelo Comitê Interfedeera tóxica. Hoje, depende rativo, órgão criado pelo O “mar” de lama destruiu Bento Rodrigues, vidas, esperança e o futuro de milhares de pessoas ao longo do rio Doce do local. Não há estudos governo federal para tação de entidades. de uma mina que secou, Enquanto isso, os mora- da lama de Candonga. conclusivos sobre os pro- analisar os programas da A Renova diz que, desde mas agora bebo só galão dores continuam a convi- Para o Ministério Públi- blemas de saúde que ela fundação, que foi criada agosto, monitora toda a de água mineral”, diz o ver com obras. Em Barra co e o Ibama, o rejeito causou na população que com o objetivo de reparar Bacia do Rio Doce, com policial militar Marcelo Longa, parte do rejeito retirado até agora con- vive nos 650 km devas- o desastre após um acordo 92 pontos de coleta de Fernandes, 35. removido será usado para teve o risco de novos tados pelo tsunami que das três mineradoras com amostras de água. Dono de empresa de per- reconstruir um campo de vazamentos. “A situação saiu de Mariana (MG). a União e os Estados de furação de poços, Levin- futebol no parque de ex- hoje é que parte do ris- O Ibama diz que há da- Minas Gerais e Espírito Credibilidade da água do Braga diz que, após o posições -local que a Re- co de uma nova tragédia dos concretos de que Santo. O acordo não foi desastre, mais de 20 con- nova pretende reformar relacionada a um even- esse foi o maior vaza- homologado pela Justiça. Rio Doce acima, o pro- correntes abriram negó- até setembro de 2018. tual estouro de Candon- mento de rejeitos mine- Procurado, o presidente blema do pescado dá cios no município. Para isso, oito famílias ga não existe mais”, diz rais do mundo: cerca de da Renova, Roberto Wa- lugar à desconfiança so- Parte das residências que que ali vivem irregular- a presidente do Ibama, 40 bilhões de litros. ack, diz que a questão bre a qualidade da água têm poços artesianos mente serão retiradas Suely Araújo. No mar, a pesca continua foi definida. Segundo potável. Em Governador abrem as torneiras para com a promessa de po- Por esticar o prazo, a Sa- proibida. Também no rio ele, no Espírito Santo a Valadares (MG), cidade que os vizinhos se sirvam derem retornar. marco pagou uma multa Doce e afluentes, os pes- fundação prevê monito- onde a captação de água de água. Nas comunida- Ao vazar de Fundão, de R$ 6 milhões. cadores temem vender ramento marinho feito é totalmente dependente des rurais, há locais que a maior parte da lama Existem ainda duas gran- mercadoria contaminada pelas mesmas universi- do rio, embora laudos cobram por esse serviço. de rejeitos estacionou des multas contra a Sa- aos clientes. dades federais e o resul- apontem que a água está O prefeito da cidade, na usina hidrelétrica de marco, uma do Ibama “Não tiraram a análise tado deve sair no primei- pronta para consumo, a André Merlo (PSDB), Candonga. Foram mais (R$ 150 milhões) e outra do peixe para você pes- ro semestre de 2018. população suspeita. cobra da Renova uma de dez bilhões de litros do Estado de Minas Ge- car, comer e vender. Eu Em Minas, a intenção é “Na dúvida, ninguém está estrutura de captação de pressionando a barragem rais (R$ 125 milhões). A vou pescar peixe conta- abrir editais para contra- tomando. Eu pegava água água do rio Corrente, da usina e ameaçando última está sendo paga, que diz ter sido prome- uma nova tragédia. Apa- em 60 vezes. tida para 2020. A funda- receram trincas. No complexo de Germa- ção afirma que pretende A Samarco prometeu, no, conjunto de reservató- entregar em 2021. em acordo com a União, rios e barragens onde a Sa- criar barreiras e retirar a marco depositava o rejeito A lama será retirada? lama situada a até 400 da mineração e onde fica a metros de distância da barragem de Fundão, foi A resposta é “depende”. barragem até 31 de de- criado um sistema de bar- Em Barra Longa (MG), a zembro de 2016. O pra- reiras para conter o risco 172 km de Belo Horizon- zo saltou para junho de de novos vazamentos, que te, 157 milhões de litros 2017 e, agora, para ju- continuaram a acontecer foram retirados da praça nho de 2018. até ao menos cinco meses da cidade e de ruas no en- Até agora foram remo- após o rompimento. torno, mas a lama perma- vidos cerca de 900 mi- Agora, a Samarco insta- nece nas margens e leito lhões de litros para áreas lou sirenes e faz monito- do rio. Como estudos so- próximas e o trabalho foi ramento automático de bre impactos na saúde ain- paralisado. Faltam 900 qualquer movimento de da não foram concluídos, milhões no trecho. rejeitos no local, o que a Renova acha melhor dei- Não há previsão do que não existia em 5 de no- Animais convivem com água contaminada xar a lama como está. será feito com o restante vembro de 2015.

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7outubro de 2017 MEDO E DEPRESSÃO MARCAM PÓS-TRAGÉDIA EM MARIANA O distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), após rompimento da barragem da Samarco - FLÁVIO RIBEIRO / PORTAL VERTICES (15/10/2016) “Passarinho na gaiola” tem sido a expressão preferida dos moradores de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo para descrever sua nova vida em Mariana desde que esses vilarejos rurais foram destruídos pelo rompimento da barragem de Fundão, operada pela Samarco, em 5 de novembro de 2015. Dois anos após a maior tragédia ambiental do país, a mudança dos atingidos para a zona urbana do município provocou casos de depressão e abuso de remédios, hostilidade por parte da população e incerteza sobre a possibilidade de retorno ao antigo modo de vida em novas vilas previstas para serem erguidas. A inauguração da nova Bento Rodrigues é aguardada para março de 2019, mas o terreno nem sequer foi regularizado. Com 69 anos, Henrique Bretas só conseguiu realizar o sonho de voltar a Bento, que fica a 23 km da sede, quando morreu. Foi enterrado em setembro passado na igreja Nossa Senhora das Mercês, situada no alto da antiga vila rural, onde a lama da Samarco não chegou. O restante tem que con- viver com discriminação de moradores que os culpam pelo desemprego de 25% na cidade, que dependia economicamente da mineradora, cujas atividades estão suspensas e sem prazo de retomada. “Tem dia que minha menina fala: ‘Pai, eu quero voltar para o Bento’. Eu falo que não tem Bento mais. Ela responde que quer ir para outro lugar, não quer ficar aqui. Isso dói na gente”, diz Expedito da Silva, 46. “Você fica sofrendo por dentro em ver as pessoas sofrendo e não ter o que fazer”, completa. Ele, a mulher e quatro filhos vivem juntos em Mariana. Para manter a família, ele trabalha no transporte de carvão e na apicultura. “Isso é que é a tristeza. Ser tão acolhido num momento e hoje se sentir prisioneiro por estar lutando por direitos.” Famílias espalhadas Atualmente, as famílias de Bento e Paracatu vivem espalhadas por Mariana em 303 imóveis alugados pela fundação Renova, entidade bancada pela Samarco e suas donas, Vale e BHP Billiton. Também foram inaugurados escola e posto de saúde que atendem somente a população dos povoados rurais. A fundação tem direção independente, mas seus programas têm que ser aprovado por um conselho curador, formado por representantes das três mineradoras. O processo de adaptação é gradual. Ainda se acostumando com o novo ambiente, diferentes atingidos tiveram que mudar de casa dentro da cidade. Terezinha Quintão Silva, 51, por exemplo, trocou três vezes. “Os vizinhos eram muito barulhentos”, diz. Ela mora com a filha e trabalhava em Bento no bar de coxinhas da irmã, que foi destruído. Sonho de retorno “O que eu mais sinto falta é das minhas galinhas e da minha lenha. Eu queria ter um fogão a lenha”, diz Maria do Carmo, 56, ex-moradora de Paracatu. Reunida com outras senhoras atingidas, começam a especular sobre a reconstrução de suas casas: - Tem que ter fogão a lenha. - Comida de fogão de lenha é mais gostosa. Não esfria, fica quentinha. - Vera, nunca vai ser igual. - Ah, vai sim! Porque eu lutei e agora quero ela do mesmo jeito. A prosa ocorre na Casa dos Saberes durante um lanche, logo após o grupo de senhoras visitar o Museu de Arte Sacra de Mariana -tudo organizado pela Renova. A casa Moradores de Bento Rodrigues, hostilizados pela situação que vivem, aguardam por futuro incerto com diversos ambientes, cozinha ampla, quintal e fogão a lenha foi alugada pela fundação para ser um espaço de convivência e realização de atividades religiosas, como coroações e encontros de irmandades, já que a principal igreja de Bento foi completamente destruída. Vera Lúcia da Paixão, 62, gostou do passeio, mas disse não ver a hora de “ir para a casa”, referindo-se ao reassentamento. “Estou doida pra dar tchau pra vocês. Vou passar um ano sem vir a Mariana.” A percepção entre os moradores, compartilhada pelos profissionais de saúde mental, é a de que os idosos são os que mais sofrem com a nova rotina imposta a eles. Sem as interações sociais de quem trabalha ou estuda e, principalmente, sem a convivência com a terra e os vizinhos, não lhes restou muita coisa. Joaquim Zeferino Arcanjo, 73, conta que no começo da manhã já tinha tirado o leite, separado os bezerros e cortado capim. “Saía a cavalo ou de moto, juntando a criação. Agora não faço nada, só passeio pela rua afora, fazer o quê?”, questiona. “Aqui parece que é bom, a casa é muito boa, parece que eu estou bem, mas no meu pensar eu estou mal”, diz. “Porque o bom é o que é seu, nunca gostei de nada dos outros. Hoje estou dependendo.” “Tem gente que eu não vi até hoje depois da tragédia. Está tudo esparrodado, um aqui, outro ali”, diz Antônio Alves, 72, antes adepto dos encontros com os colegas no bar e na igreja. “Era sossegado. Todo dia a gente via a turma.” ‘Pé de lama’ Quando ainda tinham que conviver com outras crianças em uma escola da cidade, não eram poucos os atingidos que voltavam para casa chorando por serem chamados de “pé de lama”. Para a diretora Eliene Almeida, o conflito foi uma reação dos alunos da cidade de Mariana que, dividindo o espaço com os novatos da área rural, não recebiam a atenção, as doações e a visibilidade dadas às crianças atingidas. “No momento do rompimento, chegava muita coisa para os meninos de Bento e Paracatu: brinquedos, materiais, presentes. Um dia até desceu um Papai Noel de helicóptero. E não contemplava os meninos da outra escola que ficavam enciumados, claro, são crianças.” Os traumas fizeram a procura por tratamento aumentar. A rede de saúde mental de Mariana registra uma média de 500 atendimentos todo mês só entre a população atingida pelo rompimento. Os atingidos apresentam quadros depressivos, ansiosos, isolamento social e até abuso de medicação, álcool e drogas. A hostilização que sofrem de moradores da cidade, avalia Rossi, segue a lógica do racismo, em ações cotidianas “da fila do ban- co ao banco da igreja”. “A paralisação da Samarco gerou um impacto econômico e é preciso explicar para uma população desempregada que os atingidos não estão recebendo um benefício, mas uma reparação”, diz. “Você sai de manhã para comprar um pão, chega na padaria e escuta os comentários: ‘o pessoal de Bento é encostado, vagabundo, a Samarco paga tudo pra eles’”, conta Joelma Souza, 27. “A Samarco não paga tudo, não, eles nos dão o que é nosso direito. É obrigação deles.” Na noite em que conversou com a reportagem, ela inaugurava sua barraquinha de lanches em uma feira de rua de Mariana. Em Bento, se dividia entre um emprego pela manhã e sua lanchonete à noite - perdeu ambos. Por orientação de um psiquiatra particular, Joelma chegou a tomar antidepressivo para controlar ansiedade, crises de choro e compulsão por comida, mas resolveu parar por conta própria. “Isso não é vida, não. Eu não nasci pra tomar remédio. Nasci pra brilhar e correr atrás do que é meu.” Fonte: (Folhapress)

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8outubro de 2017 Mais uma barragem corre risco de romper Barragem de rejeito Casa de Pedra em Congonhas coloca autoridades em alerta Mais uma barragem de rejeitos corre o risco de romper e já colocou autoridades em alerta. A estrutura da Mineradora CSN, denominada Barragem Casa de Pedra, fica na cidade de Congonhas, há cerca de 300 metros de área populosa. Diante da situação a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Minas Gerais (SRET) manteve a interdição da operação e das obras de drenagem que estavam sendo executadas no dique de sela da Barragem. As intervenções foram paralisadas em 11 de outubro pelo Ministério do Trabalho, que determinou a suspensão das atividades por causa “da situação de grave e iminente risco”. O documento é assinado por dois auditores fiscais do trabalho ligados à Superintendência. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informou que não garantiu a estabilidade da Barragem Casa de Pedra. No dia 14 de outubro a mineradora CSN, responsável pelo local, divulgou uma nota “reafirmando a estabilidade garantida e fiscalizada pelo DNPM, Ministério Público de Minas Gerais e órgãos ambientais”, mas o Ministério Público desmentiu a mineradora. Por meio de nota a CSN afirma que esclareceu os pontos solicitados e se comprometeu a encaminhar novos documentos. A Companhia reitera que as operações da mineradora continuam normalmente e reafirma que a estabilidade da barragem foi garantida por seus auditores”. Vale lembrar que a Barragem de Fundão também tinha estabilidade garantida. Mineradora prepara população para emergência A CSN Mineração informou no dia 26 que começou a recadastrar moradores no entorno da Barragem Casa de Pedra. A medida foi tomada após o Ministério Pú- blico autuar a empresa por causa de problemas identificados na barragem. Segundo a mineradora, o recadastramento faz parte da atualização do Plano de Emergência da Companhia. Ainda de acordo com a CSN, entre as informações levantadas estão o número de pessoas que residem em cada casa, a idade e as condições de saúde dos moradores, além de animais do- mésticos. A Defesa Civil também participa do processo. Simulação de desastre Durante a atividade, os moradores são treinados com noções básicas de abandono de área. A CSN informou também que irá marcar um treinamento com a população para orientar sobre o uso de sirenes e rotas de fuga. A barragem Casa de Pe- dra fica a cerca de 300 metros de bairros residenciais de Congonhas. Um parecer do Ministério Público Estadual denunciou o risco de rompimento de barragem em Congonhas. Na autuação do MP, foi determinado que empresa apresente um novo estudo de estabilidade da barragem e coloque em prática o plano de emergência para os moradores do entorno.

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9outubro de 2017 riscos das barragens Planos de Emergências na região caminham a passos lentos Enquanto o volume da barragem do Diogo, em Rio Piracicaba, aumenta, a implantação do plano de emergência segue a passos lentos Apesar da urgência que a situação pede, com as populações que vivem abaixo das barragens correndo risco, os Planos de Ações Emergenciais, obrigatórios diante a legislação, até o momento não foram implementados em sua totalidade. Esses planos devem contar com uma série de ações, como instalação de sirenes de alerta, sinalização informativa orientando a população para onde devem se dirigir caso acontece tragédia e ainda treinamento da população, simulando um desastre. Entretanto, apesar da obrigação da lei e da seriedade do assunto, a im- plantação dos mesmos segue a passos lentos. A legislação que é de 2010, até então não vinha sendo cumprida e somente veio à tona após a tragédia da Samarco, com o rompimento da barragem de Fundão que deixou um saldo de 19 mortos e um rastro de destruição, sendo considerado o maior desastre ambiental da história do Brasil e que dia 5 de novembro completa 2 anos. Empresa se manifesta O Tribuna do Piracicaba – A Voz do Rio buscou informações junto à empresa Vale, responsável por inúmeras barragens na região. Segundo a empresa os dados coletados durante inúmeras reuniões e trabalho de campo até o momento estão sendo analisados. De acordo com a assessoria o objetivo do trabalho inicial foi obter informações qualificadas que vão auxiliar na definição das melhores estratégias de comunicação e atendimento à população em caso de emergência. “Entre as definições que devem ser tomadas com base nesses dados estão os locais de instalação de alertas sonoros, rotas de fuga e pontos de encontro”, informaram. Ainda segundo a assessoria, a Vale e as Defesas Civis já estão fazendo reuniões com as comunidades desses munícipios, que serão essenciais no processo de planejamento e efetivação dos planos: “Os dados analisados do levantamento serão apresentados às comunidades de Rio Piracicaba e São Gonçalo do Rio Abaixo até o fim do ano para continuidade do processo de melhoria dos planos de atendimentos a emergência”, disseram. Equipamentos sonoros A assessoria voltou a informar que a Vale já está adquirindo os equipamentos de alertas sonoros para futura implantação e que os simulados só devem ocorrer após a conclusão das melhorias dos planos de emergência, instalação dos alertas e treinamentos para a comunidade. Alteamento da barragem do Diogo Sobre o alteamento da barragem do Diogo, no município de Rio Piracicaba, o que vem preocupando a população, a empresa informou que a mesma opera da forma atual até 2019 e que a estrutura já está licenciada pelos órgãos ambientais para alteamentos futuros mas que ainda não há detalhamento sobre início das obras e prazos de duração. Etapas para implantação dos Planos de Emergência As etapas, em maio, até então concluídas, eram: 1 - Protocolo PAEBM na Defesa Civil e Prefeitura \ 2016. 2 –Atualização do PAEBM e novo protocolo \ 2016. 3 –Reuniões com a Defesa Civil e Poder Público. 4 -Reuniões com a comunidade. A implementar, desde então, há 5 meses eram: 5 – Conhecimento a jusante – ou seja – abaixo da barragem. 6 – Elaboração de Mapa de Emergência. 7 – Validação do Mapa de Emergência. 8 – Instalação do Sistema de Alarme (sirenes). 9 – Simulados com a comunidade para evacuação.

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10outubro de 2017 Sem Bombeiros, sem brigadas e sem combate, queimadas destroem matas na região A região ficou totalmente envolvida por incêndios florestais nesse fim de outubro revelando um problema que a cada ano vem se tornando crônico. A falta de comprometimento dos poderes públicos que não investem em formação de brigadistas, a falta de unidades do Corpo de Bombeiros na região e a falta de compromisso de empresas detentoras de grandes áreas florestais, como Vale e ArcelorMittal, que não intensificam ações e nem se preparam para o período, somado a falta de conscientização da população, criam um quadro preocupante para a preservação da vida. Em Rio Piracicaba um incêndio na área da Vale queimava desde o dia 11, ficando mais de 10 dias sem nenhum controle aparente por parte da empresa. Moradores criticam e dizem que a empresa não faz nada porque o local é justamente onde a mesma pretende minerar, o que facilita o trabalho de limpeza. Já João Monlevade ficou envolta em uma grande cortina de fumaça no terceiro fim de semana de outubro devido a focos de incêndio que se alastraram por vários pontos do município. Foi possível ver o fogo engolindo a mata nos bairros Pedreira, Mangabeiras, na Serra do Seara e também às margens da BR-381, bem próximo ao posto da Polícia Rodoviária Federal. Também houve queimada em área verde próximo à ArcelorMittal Monlevade, no bairro Centro Industrial. Conforme informações da Assessoria de Comunicação da usina, ainda não há como mensurar a área atingida e nem o local exato e as causas da queimada. Segundo a assessoria, a Brigada de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais da empresa atuou no combate ao fogo, principalmente no intuito de minimizar os danos. “Há que se considerar que depois de iniciado, o combate às chamas é muito difícil, por conta do tempo seco, vegetação rasteira seca e terreno irregular, com grandes encostas que impedem o acesso dos brigadistas, como no caso dessa área”, pontuou o analista de comunicação, Lucas de Barros Machado Vilela. Ainda conforme dados da Comunicação, a empresa realiza campanhas junto às comunidades próximas às áreas de mata da empresa, principalmente na época de seca, orientando sobre os cuidados para evitar queimadas, muitas vezes provocadas pela ação inadequada das pessoas. Mais de 90 focos no mês A grande quantidade de focos de incêndio na cidade tem chamado cada vez mais atenção. Segundo a secretária municipal de Meio Ambiente, Fernanda Ávila, os casos chegam a até três por dia quando o tempo está mais seco. “Considerando o período crítico das queimadas, a Secretaria de Meio Ambiente contabiliza nos últimos trinta dias a ocorrência de aproximadamente três focos de incêndio diários, as áreas urbanas e adjacentes são as áreas mais afetadas”, disse. Devido à ausência de uma unidade de Corpo de Bombeiros na cidade, muitas vezes o auxílio no combate ás chamas vem da Brigada da ArcelorMittal. A Prevenção e conscientização, de acordo com a secretária, são essenciais para evitar os focos. “É extremamente emergencial mobilizar a população na conscientização ambiental, as queimadas são oriundas de ações humanas, o prejuízo é altamente impactante, especialmente próximo ao curso d’água e as nascentes, por isso, trabalhamos fortemente a educação ambiental a fim de minimizar os impactos ambientais neste período”, frisou. Fernanda pontuou ainda que há parceria entre o município de João Monlevade e o Setor da Previncêndio de Belo Horizonte para capacitar equipes de voluntariados brigadistas, na criação de aceiros pra prevenção do foco de incêndio. Broto da Vida No quesito conscientização, a Câmara de Vereadores de João Monlevade também tem contribuído na prevenção dos focos de incêndio com a implantação do projeto Broto da Vida. Na efetivação da iniciativa, 10 estagiários realizam abordagens quanto a prevenção e combate as queimadas e focos de pequenos incêndios. Eles também promovem palestras com a temática “Queimadas, apague esta ideia”. Cerca de 5 mil alunos, de 6 a 17 anos participaram do bate-papo. Além disso, os estagiários fazem o levantamento dos pontos críticos de queimadas em João Monlevade, para o mapeamento estratégico dos pontos mais críticos. Denúncias e penalidades A ajuda da comunidade em denunciar responsáveis pelas queimadas é essencial. É preciso ficar atento aos crimes ambientais e às penalidades. As denúncias podem ser feitas nos telefones da Secretaria de Meio Ambiente (38523151), Obras e Serviços Urbanos (3852-8100) e Polícia Militar de Meio Ambiente (3859 2661). Para se ter uma ideia, um pequeno foco em um monte de papel ou de folhas no quintal, se gerar fumaça que incomoda o vizinho, é uma irregularidade prevista no artigo 34 da Lei das Contravenções. Em uma situação um pouco mais grave, uma pessoa que colocar fogo em terreno, cerca, muro, afetando terceiros, ainda que não haja vítima, já é considerada crime de incêndio. O artigo 250 do Código Penal estabelece, para quem provocar incêndio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outras pessoas, possibilidade de reclusão de três a seis anos e multa. As penas aumentam em um terço, em situações como a de o crime ser cometido para obter vantagem pecuniária; ou se o incêndio é em locais como casa habitada ou destinada a habitação, lavoura, pastagem, mata ou floresta, por exemplo. Na lei dos crimes ambientais (lei nº 9.605/1998), também há previsão específica de penalidade, no artigo 41, para quem provocar incêndio em mata ou floresta: reclusão, de dois a quatro anos, e multa. Se o crime é culposo (sem intenção), a pena é de detenção de seis meses a um ano, e multa. Atear fogo, queimar resíduos traz agressão ao meio ambiente, seja a fauna, flora, recursos naturais ou patrimônios públicos, haverá penalidade de crime ambiental. São Gonçalo sem água por causa de fogo A cidade de São Gonçalo do Rio Abaixo também tem sofrido por conta de queimadas. O município sofreu com a falta de água por conta de fogo quando as chamas danificaram as redes de transmissão da Cemig, fazendo com que a energia fosse fornecida em uma fase prejudicando a operação de bombeamento de água. Aliados a isso, raios que atingiram as bombas de poços artesianos comprometeram o abastecimento na cidade.

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11outubro de 2017 Catas Altas trabalha para ter 100% de esgoto tratado A Prefeitura de Catas Altas vem dando um bom exemplo para as cidades da Bacia do Piracicaba. Catas Altas, que se encontra na cabeceira do Piracicaba trabalha para tratar 100% do esgoto urbano. Recentemente a administração finalizou um estudo para verificar a melhor forma de se fazer a interligação do esgoto do bairro Vista Alegre à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do município. De acordo com os resultados, não é possível fazer a ligação por gravidade, como estava sendo cogitado inicialmente. Por conta dessa constatação, no momento, a equipe da Prefeitura está discutindo e analisando uma nova solução, podendo ser necessária a construção de uma nova estação elevatória para o bombeamento dos resíduos através de tubulações ou de uma fossa A cidade de Catas Altas já conta com 75% do esgoto urbano tratado. A administração municipal trabalha para elevar a 100% o serviço séptica, dependendo da viabilidade. Para atingir as estações de tratamento, a rede de esgoto conta, em grande parte, com a força da gravidade, que age natu- ralmente levando água e resíduos. Em alguns momentos, no entanto, é necessário que haja o bombeamento desse conteúdo pela tubulação. Após a interligação, a cidade vai conseguir tratar 100% do esgoto da área urbana. Hoje, o tratamento chega a aproximadamente 75%. Isso acontece porque, nos últimos anos, foram cons- truídas moradias populares no Vista Alegre, sem planejamento algum ou cuidado de se fazer um projeto de interligação do esgoto, o que acabou gerando a dificuldade encontrada atualmente. A ETE de Catas Altas tem capacidade para tratar 12 litros de esgoto por segundo, mas trata 7 litros por segundo (cerca de 18 milhões de litros por mês). Câmara aprova projetos que permitem injeção de recursos na saúde Presidente da Câmara, Tarcísio Bertoldo, defendeu o projeto Em reunião ordinária realizada na última quarta-feira, dia 25 de outubro, a Câmara Municipal de Rio Piracicaba aprovou em turno único e redação final dois projetos de lei que beneficiam o setor da saúde em Rio Piracicaba. Os valores envolvidos somam um montante de R$ 285.000,00 (Duzentos e oitenta e cinco mil reais). Através da aprovação do Projeto de Lei 1927/2017 de autoria do Executivo Municipal, o legislativo autorizou a abertura de crédito especial para o Fundo Municipal de Saúde, permitindo assim, ainda neste exercício atual – ano 2017, cobrir custos adicionais no valor de R$ 185.000,00 (Cento e oitenta e cinco mil reais) neste setor. Outro projeto aprovado pelos vereadores e que beneficia o setor de saúde em Rio Piracicaba refere-se ao repasse de R$ 100.000,00 (Cem mil reais), a título de subvenção social, contribuições e auxílios financeiros ao Hospital Júlia Kubitschek no exercício de 2017. O valor tem como origem uma emenda parlamentar, sendo que até o momento 50% do recurso já se encontra disponível em conta bancária específica do município de Rio Piracicaba e será repassada à entidade. O Projeto de Lei 1928/2017 de autoria do executivo que versa sobre o tema, foi aprovado por unanimidade pelos vereadores.

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NÃO ESQUEÇA MARIANA Univale realiza II Seminário Integrado do Rio Doce com foco na tragédia da Samarco Divulgação Entre os dias 9 e 11 de novembro será realizado a 2ª edição do Seminário Integrado do Rio Doce, promovido pelo Programa Interdisciplinar em Gestão Integrada do Território – GIT/Univale, com o apoio do Fórum Permanente da Bacia do Rio Doce, o Centro Agroecológico Tamanduá – CAT, e a Rede de Pesquisa Terra-Água. De acordo com o professor Haruf Salmen Espindola, um dos coordenadores geral, em decorrência do rompimento da barragem de rejeitos de mineração da Samarco, em 2015, com consequências para os ecossistemas e comunidades humanas, o seminário tem os seguintes objetivos: realizar um diálogo interdisciplinar que considere de forma integrada o território; refletir sobre os desdobramentos do desastre nos dois anos que se seguiram; discutir novas 7perspectivas e conceitos para a compreensão dos fenômenos relacionados aos desastres socioambientais que considerem uma abordagem biocultural, levando em conta os habitats, os hábitos e os coabitantes; reforçar as pesquisas e ações conjuntas; e consolidar a colaboração interinstitucional. O evento terá início em Governador Valadares, e então partirá para uma expedição ao Parque Estadual do Rio Doce (PERD) e finalizado na cidade de Mariana – MG. O primeiro encontro será realizado às 16h do dia 9 de novembro, no bloco PVA do Campus Antônio Rodrigues Coelho (Campus II) da Univale. E a abertura oficial acontece às 18h45 do mesmo dia. 12outubro de 2017

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