eisFluências - Revista Literária e Informação

 

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eisFluências - Revista Literária e Informação eisFluências - Literary Magazine and Information Revista de Outubro de 2011 Magazine 2011 october Revista literária e informação em lingua portuguesa e eventualmente com artigos em espanhol Literar

Popular Pages


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issn 2177-5761 issn 2177-5761 9 772177 576008 revista bimestral outubro/2011 ano ii núm xiii dois anos dois anos de eisfluências por victor jerónimo dois anos onde pusemos as nossas esperanças e o nosso amor à arte da divulgação cultural dois anos em que procurámos incansavelmente oferecer ao leitor o que de melhor há em literatura pesquisando meios desconhecidos do publico leitor e enfrentando as dificuldades inerentes a qualquer revista para obtermos o prazer final da edição que vá agradar a quem nos lê podemos parecer presunçosos mas se analisarmos profundamente cada revista desde a primeira edição veremos como a cada edição fomos crescendo não só na aparência como no conteúdo foi um começar atabalhoado próprio de qualquer revista nova que se dá à estampa e somente na continuação se foram firmando os nossos quereres a direção da revista eisfluências bem como os seus autores coadjuvantes é composta por pessoas que amam a literatura amam a poesia e as artes em geral e sobretudo gostam de partilhar conhecimentos É na partilha de conhecimentos que reside o maior bem da humanidade e sem essa partilha ainda hoje dormiríamos na idade da pedra todos sabemos que a internet nos abriu perspectivas nunca antes imagináveis e que através dela tomámos vários poderes inclusive o da divulgação literária mas muitas pessoas ainda não têm acesso a este bem maior por isso a eisfluências desde o seu primeiro número preocupou-se em transmitir o conhecimento a pessoas privadas desse acesso imprimindo cem exemplares para distribuir por órgãos ligados à cultura tarefa difícil se pensarmos que a impressão desses exemplares sai do orçamento familiar de quem faz a revista e por isso em agosto a revista no seu site http eisfluencias.ecosdapoesia.org lançou a campanha doações entretanto temos tido gratas surpresas como a de chegarmos a consultórios e vermos várias revistas eisfluências expostas para quem as quiser ler enquanto espera a solução para os seus males certo dia num consultório uma pessoa que lia quase que avidamente a revista comentou connosco sem saber quem éramos a utilidade do acesso gratuito à cultura num consultório onde geralmente só se encontram revistas sem valor cultural isso levou-nos a pensar mais uma vez que as pessoas têm avidez de cultura e só não acessam a ela porque a selva da cidade não deixa nem a dispõe em locais de fácil acesso aqueles locais onde o público tem de parar obrigatoriamente e onde a maioria das vezes cochila ou vê os defeitos do teto ou aprecia intimamente o modo de vestir de cada um sem ter algo mais para percorrer com os olhos sem ter uma revista que lhe dê algo diferente isto é também caro leitor a nossa vossa revista eisfluências a eisfluências procura chegar aonde a cultura não chega e pretende ser um órgão de divulgação competente e multifacetada igualmente para estes leitores da cultura mais afastados muito mas mesmo muito há a fazer ainda assim deus o permita É com orgulho muita fé e perseverança que chegámos aqui e queremos continuar pelo menos com mais um zero à frente do dois e se a vida não nos permitir outros que o façam por nós mas com a mesma seriedade amor e competência contamos consigo estimado leitor e para o ano cá estaremos se deus quiser para comemorarmos juntos mais um aniversário para todos uma boa leitura victor jerónimo director da revista eisfluências recife/brasil lisboa/portugal

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02 eisfluências outubro 2011 carta de cabo verde para a revista eisfluências jorge carlos fonseca eleito bastidores crioulos de jogos de poder por nuno rebocho jorge carlos fonseca jcf tomou posse como quarto presidente de cabo verde o terceiro desta sua ii república e pela primeira vez o país conhece uma semi-coabitação sendo certo que o presidente da república não é da mesma cor política do governo ­ se quisermos não é da cor de qualquer bloco se bem que tenha sido eleito com o apoio dos partidos da oposição o que não faz dele objectivamente por si só uma parcela dessa oposição ao governo pela vez primeira cabo verde tem um poeta o único surrealista conhecido do país na presidência irmão de um outro poeta o falecido mário fonseca que esteve para ser presidente do instituto internacional da língua portuguesa no tempo de outro ministro da cultura o arquitecto antónio jorge delgado do mpd dir-se-á que o país conhece desde a eleição de jcf 21 de agosto último a coabitação entre o paicv ­ o partido que está no governo há três mandatos consecutivos ­ e o mpd que lidera a oposição democrática o conselho nacional dos tambarinas paicv que esteve reunido no primeiro fim-de-semana de setembro para lamber feridas próprias causadas nele durante a funesta campanha do seu candidato oficial manuel inocêncio de sousa adiou a voz da forte oposição interna por um congresso extraordinário ficou tudo em suspenso até às próximas eleições autárquicas que serão no fim do primeiro semestre de 2012 ­ será apenas a transferência para essa data do inevitável dissídio entre duas suas correntes muito personalizadas uma corrente a oficial que apoia o governo de josé maria neves jmn e o candidato claramente derrotado nas urnas o triste e por enquanto isolado inocêncio de sousa e outra corrente que aglutina uma dezena de deputados o ex-presidente da república pedro pires o ex-presidente da assembleia nacional parlamento e candidato agora derrotado na primeira volta das presidenciais com mais de 20 por cento dos votos aristides raimundo lima o coordenador da região política mais importante do paicv santiago-sul e ex-ministro felisberto vieira É uma oposição interna com muito peso no entanto há que ter em conta que não se prevê que as eleições autárquicas do próximo ano sejam propícias para o governo de jmn que tradicionalmente as perde mesmo que o paicv se apresente unificado às urnas com um programa nacional com o recurso ao empenho do estado tal como terá resultado do seu conselho nacional e o mpd como é seu hábito e apanágio desgraçadamente se mostre fragmentado e sem plano nacional cada candidato a prefeito por seu lado num concerto de chacun se arrange assim sendo perspectiva-se um combate adiado entre o partido tambarina mitificado colado a cuspo entre as suas correntes mais um conglomerado de diversos paicvs o de jmn e o de felisberto e o mpd sendo este o que sempre foi na verdade uma frente de correntes a de carlos veiga a de eurico a de jacinto santos a de jorge santos a de agostinho lopes e se se quiser a de jcf e a de ulisses correia e silva o actual prefeito da praia tudo isto com vitórias do mpd préanunciadas na praia na ribeira grande de santiago em s domingos em tarrafal de santiago no sal e em maio talvez em porto novo ribeira grande de santo antão e brava possível de recuperar o paul e pelo menos uma das câmaras senão as duas de s nicolau duvidosos santa catarina de santiago s vicente boa vista calheta de s miguel santa cruz estará dependente da capacidade do paicv aí se manter unido e mesmo assim o paicv parte com um mau handicap pode perder uma das novidades da ilha de santiago s lourenço dos Órgãos e pode ver o inimigo arremeter no seu baluarte a ilha do fogo agora que o decano eugénio veiga diz adeus às armas em s filipe desgostoso com a política depois do conselho nacional tambarina não dar guarida à sua tese fundamentalista de que era preciso e urgente afastar os ratos continua na página seguinte ficha tÉcnica director victor jerónimo portugal/brasil directora cultural carmo vasconcelos portugal responsável pela redacção mercêdes pordeus brasil design gráfico e composição victor jerónimo nosso sítio http www.eisfluencias.ecosdapoesia.org conselho de redacção abilio pacheco brasil carlos lúcio gontijo brasil humberto rodrigues neto brasil luiz gilberto de barros brasil marco bastos brasil petrônio de souza gonçalves brasil rosa pena brasil correspondentes alemanha antónio da cunha duarte justo argentina maría cristina garay andrade bielorussia oleg almeida brasil elizabeth misciasci cabo verde nuno rebocho espanha maría sánchez fernández revista de eventos actualidades notícias culturais político/sociais e outras mas sempre virada à directriz cultural nas suas várias facetas propriedade de mercêdes batista pordeus barroqueiro recife/pe/brasil tiragem 100 ex distribuição gratuíta divulgação via internet depósito legal lei do depÓsito legal lei n° 10.994 de 14 de dezembro de 2004 biblioteca nacional brasil isnn 2177-5761 contacto eisfluencias@gmail.com dois anos 2009-2011

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eisfluências outubro 2011 03 ou seja jmn corre sérios riscos de perder na maioria das 22 câmaras ­ a situação de hoje dilatada certo e sabido que felisberto vieira aristides lima jorge correia e tutti quanti virão então pedir-lhe a cabeça no partido acontece a todos os perdedores isto quer dizer que pré-existem todas as razões para que jcf desequilibre a seu favor a balança do poder em cabo verde sem necessidade de queimar os dedos nas batatas quentes outros disso se encarregarão para jcf basta sorrisos e as palavras justas É um jurista e antigo trotzkista ex-fundador do mpd e seu ex-ministro dos negócios estrangeiros com sorte muita sorte entalado pelo mpd pela sua oposição interna pelo presidente da república que não é de nenhuma cor política jmn está condenado a fazer-lhe o jogo não se vêem resultados dos paliativos que jmn possa utilizar para conter os seus adversários internos o pôr a descoberto as realidades que ele e os seus bem conhecem de fraudes e falcatruas eleitorais em que no passado se envolveu grande parte do partido com destaque para os actuais críticos podem ser tímidas chantagens utilizadas porém as armas dos críticos terão efeitos perniciosos se forem brandidas ou seja a chuva e o bom tempo só calam as armas se estas o quiserem e enquanto estas o quiserem será então o inevitável desenlace político na mais democrática das repúblicas de África mesmo sem luz às escuras na maior parte do tempo É uma fatalidade tão grande como a morte ou os gafanhotos e as contas são fáceis de fazer nuno rebocho cidade da praia/cabo verde canÇÕes peripatÉticas introdução ao livro do mesmo nome de nuno rebocho como um ponto o infinito se esconde no rasto do para lá do resto é o lastro da linha do horizonte a alavanca que acciona o gesto a liÇÃo das dores nuno rebocho não desesperemos que sempre um tempo precede outro tempo e uma sombra oculta outra sombra os desassombros também murcham como as papoilas e podem ser tão efémeros mas a chuva os resgata servem para isso as sementes adormecidas nos torrões e as vespas que nos viços os sugaram até os silêncios servem mesmo quando são lágrimas e as noites são cansaços as trufas também se acolhem onde os sobros choram na lição das dores que são mestras e tecem os dias felizes com os fios das saudades são penélopes entretendo os calendários dos úteros envilecidos são os regatos que no seu percurso serão mares e ensinam às bocas a vontade de cantar in canÇÕes peripatÉticas mar inquietante nuno rebocho diante do mar especo-me e as andorinhas desfrutam as asas do meu silêncio o mar são as rochas invisíveis mais as turbas passadas para o outro lado está aí gente está aí gente e esta europa escorrega como uísque azedado com pedrinhas de gelo dói-nos o joelho do sentimento enquanto a europa tropeça no novelo e o mar o que faz ele está diante e é um caixote vazio que para lá do mar outra maré outro instante e a europa entretida aquece de frio in canÇÕes peripatÉticas nuno rebocho é o nosso correspondente na praia cabo verde onde reside nascido em 1945 em queluz portugal viveu em moçambique desde os três meses de idade até 1962 aí estudou no ginásio É jornalista de profissão ex-preso político escritor poeta e andarilho ­ bastou-lhe ter estado preso por cinco anos na cadeia do forte de peniche por cinco anos motivos políticos para recusar ser animal sedentário viveu a imprensa regional notícias da amadora jornal de sintra aponte a nossa terra jornal da costa do sol comércio do funchal entre outros foi redactor da grande enciclopédia portuguesa e brasileira das revistas o tempo e o modo e vida mundial em diferentes diários e semanários chefe de redacção da antena 2 da rdp colaborador de acontece em sorocaba brasil e liberal cabo verde tem vários livros publicados breviário de joão crisóstomo uagudugu memórias de paisagem invasão do corpo manifesto pulítico santo apollinaire meu santo a nau da india a arte de matar cantos cantábricos poemas do calendário manual de boas maneiras a arte das putas poesia estórias de gente crónicas o 18 de janeiro de 1934 a frente popular antifascista em portugal a companhia dos braçais do bacalhau investigação histórica estórias de gente a segunda história de djon de nha bia etc está representado em diversas antologias e colectâneas em portugal espanha e brasil tem colaborado em inúmeros catálogos para exposições de artes plásticas comissariou a bienal do mediterrâneo dubrovnik croácia em 1999 actualmente em cabo verde é assessor de uma prefeitura.

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04 eisfluências outubro 2011 a cocaÍna dos palcos iluminados por carlos lúcio gontijo dizem os advogados que a melhor forma de se perder uma causa ganha é exagerar nos argumentos e infelizmente a decantada sociedade moderna resolveu assim proceder os estados unidos país de economia hegemônica no mundo que se coloca como cão de guarda da liberdade e da democracia no planeta terra vêm nos demonstrando que justiça boa ou mais eficaz é aquela que fazemos com nossas próprias mãos ­ sem julgamento sumária e raivosamente ao feitio do antigo faroeste a exemplo do que ocorreu no desfecho do caso do terrorista bin laden o culto ao grotesco à incivilidade e à ausência de diálogo ganha cada vez mais espaço em todas as atividades e relacionamentos humanos não se salvando nem mesmo o processo cultural onde a receita de sucesso é sempre manter o público em estado de choque ligado na tomada dos rock in rio da morte de severinas e severinos sem vida e bastante sofridas como em livro do renomado escritor joão cabral de melo neto o amigo escriba Ádlei duarte de carvalho autor do romance triângulo vermelho ao qual tivemos a honra de prefaciar costuma dizer a quantos lhe chegam para falar sobre poesia que nunca leu um bom poema que apenas lhe retratasse a alma ou a vida do poeta bom poema é aquele que me faz pensar sobre mim mesmo da nossa parte estamos com Ádlei e vamos mais longe tudo o que realmente tem valor e contribui para o crescimento espiritual do ser humano advém de visão coletiva e não do individualismo exacerbado convivência em sociedade requer integração como grafamos na contracapa de nosso romance o contador de formigas no palco solidário da arte do amor e da vida em parceria não há espaço para os que optam pelo egoísmo da carreira-solo atravessamos um período em que todos andam em busca de fama e notoriedade como se não bastasse aos indivíduos a simples constatação de ser bem-sucedido ou se ver reconhecido como bom e eficiente profissional todos querem o brilho dos holofotes dos meios de comunicação e em muitos casos extrapolam os limites de suas próprias áreas de atuação É por essas e outras que atualmente instituições exponenciais como o judiciário e a ordem dos advogados do brasil oab se nos têm apresentado como uma espécie de partido político fenômeno que há muito contamina as nossas mais poderosas empresas jornalísticas provando-nos que inconfessáveis interesses particulares ou de cunho corporativista não redundam em qualquer benefício salutar para a coletividade o exercício do governo pelo governo da política pela política da justiça pela justiça da arte pela arte da cultura pela cultura e da poesia pela poesia se perdem em si mesmos e deságuam em exageros que a nada servem muito pelo contrário a tudo desservem ao tomar a decisão de proceder como agentes que ousam negar valores sociais indispensáveis menosprezar a criatividade e distorcer o conceito estético da arte então transformada em produto meramente comercial e incapaz de preencher os vazios da alma humana perdida na enganadora cocaína das vitrines e palcos iluminados expostos em meio à violência de ruas e avenidas brasil afora carlos lúcio gontijo poeta escritor e jornalista www.carlosluciogontijo.jor.br calo carlos lúcio gontijo em solidão os mortos no cemitério solitários os vivos na multidão o rosário é vão na falta de fé cada qual com o seu calvário tudo é igual em desigualdade Às vezes se vive sem vida e atormentados pela ferida aberta perdemos a chance da descoberta de que é a lágrima que irriga o caminho mais vida há no calo que aperta flor que mais prospera tem espinho conquista fácil perde a graça fruto bom é de árvore escassa pois o que vem sem esforço é breve nesta vida em que tudo passa mormaÇo de estrela carlos lúcio gontijo em tarde de outono perdida no tempo ao vento desfolhavam as árvores da vida caminhos reclamavam-me passos quando ir em frente já nem sabia e era profundamente fria a solidão de repente envolta em mormaço de estrela você instala-se em meu último pedaço de céu abre-me janelas de luzes esvoaçantes amante olhei-as nos olhos feliz diante do novo país sentimental descobri discos-voadores espiritualidade dimensões preso em liberdade em seus jardins bebendo suas resinas de esperança natural fui dobrando suas esquinas e nunca mais voltei pra mim poeta escritor e jornalista carlos lúcio gontijo reside em santo antônio do monte/mg É membro da albmariana na qual ocupa a cadeira número 15 bueno de rivera integra a entidade cultural internacional poetas del mundo é membro da avspe da acdsal e da alto premiado com o troféu carlos drummond de andrade itabira 05/06/2010 foi presidente da associação mineira de imprensa ami-belo horizonte/mg e dá nome à biblioteca do instituto maria angélica de castro imac e à biblioteca comunitária do bairro flávio de oliveira em santo antônio do monte o seu romance cabine 33 foi indicado e adotado em dois vestibulares da faculdade de administração de santo antônio do monte fasam foi contemplado com a comenda do grande oriente do brasil-rj pela academia maçônica de artes ciências e letras do rio de janeiro detém o prêmio mérito literário poeta antônio fonseca elevada e significativa honraria instituída pela academia betinense de letras abel prestigiada entidade cultural da cidade de betim/mg É cidadão honorário de contagem/mg trabalhou durante 30 anos no jornal diÁrio da tarde onde chegou às funções de supervisor de revisão articulista editorialista subeditor e editor de opinião mantém no ar o site flanelinha da palavra www.carlosluciogontijo.jor.br no qual disponibiliza toda a sua obra literária 14 livros É o novo membro do conselho de redação da revista eisfluências

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eisfluências outubro 2011 05 notÍcias a revista eisfluências parabeniza o seu prezado membro do conselho de redacção poeta e escritor carlos lÚcio gontijo que por indicação da academia de letras do brasil-mariana alb-mariana recebeu a outorga da comenda grande oriente do brasil-rj pela academia maçônica de artes ciências e letras do rio de janeiro mariana/mg 24/09/2011 mÉrito carlos lúcio gontijo não há magia na luz do acontecer revolucionário não se perde em mágoa todo amanhecer tem seu preparar pois deus somente salga a água após seu encontro com o mar www.carlosluciogontijo.jor.br fliporto/2011 a segunda melhor festa literária do brasil está quase aí a vii edição da festa literária internacional de pernambuco fliporto de 11 a 15 de novembro de 2011 o fliporto nasceu em 2005 em porto de galinhas e atualmente a festa é em olinda na sua primeira edição foi dedicada a ascenso ferreira e este ano é dedicada a gilberto freyre grandes nomes da literatura internacional vão estar como convidados nas festas do fliporto e este ano temos a abrir a festa o indiano deepak chopra prossegue com a participação de derek walcott prêmio nobel de literatura de 1992 e o venezuelano fernando baéz entre os brasileiros confirmados destaque para fernando morais marcos vilaça e ryoki inoue considerado por alexandre garcia rede globo como o pelé da literatura com mais de mil livros publicados um recorde do guiness book este ano chega também a fliporto nova geração dedicada aos jovens e a ecofliporto com o tema pernambuco jardim dos baobás com um investimento de cerca de r 3,5 milhões os organizadores esperam reunir um público de 80 mil pessoas nos cinco dias de festa encerra dia 15 no feriado da proclamação da república a fliporto é atualmente a segunda feira literária do brasil perdendo apenas para a de paraty fliporto de 11 a 15 de novembro em olinda pernambuco brasil victor jerónimo fontes consultadas http www.pernambuco.com e http fliporto.net veja as reportagens dedicadas aos poetas e escritores pernambucanos em http ecosdapoesia.org/reportagem/index.htm

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06 eisfluências outubro 2011 felicidades rosa por rosa pena o fogo esse fogo remoto infinito um vento vindo do acaso é o suficiente para reavivar a chama para reacender o pavio É como se as mãos de um guri se tornassem as sábias mãos do pai É nesse instante que tudo que sempre existiu na vida se transforma em novidade no coração É o renascimento das emoções herdadas de shakespeare de drummond de vinicius que chegaram até a mim e me fazem seguir sempre ainda que agora um pouco mais devagar meus passos atualmente não são tão sôfregos como dantes mas sigo bolos de aniversários É claro que a chama inúmeras vezes chamuscou meus dedos parabéns parabéns parabéns mesmo que em vários bolos tenham tido fatias de dor assim como algumas das velas que assoprei estavam acesas de saudades apesar dos lugares vagos nas ceias de natal do aumento da azia das lágrimas derramadas em mil situações até em propagandas de celular dos momentos de total escassez lírica eu segui quantas vezes eu busquei nas fotos amareladas de meus pais ou no rosto de minha filha o tema e a rima para dar um sorriso poema se eu disser mais um ano se passou vai parecer música mas passou sim e meu aniversário está ai novamente e eu até ainda pouco insistia em dar volta no tempo descobri com o zíper do meu vestido preto tudo de bom que o meu quadril é de mulher em total climatério do tamanho da entrada do cais do porto e resolvi parar de brigar com o tempo estou menos inocente com risadas mais escassas com medo do sol agora uso filtro solar com obrigação de queimar calorias e parar de queimar neurônios agora já sei que o pileque é mais leve o beijinho mais suave o cafuné é o substituto a tv fica mais tempo ligada o som é bem mais baixo o frio e o calor são mais intensos e o fecho do vestidinho não vai subir nem que a vaca tussa agora é estação de espera mas daquela que vira esperança sim virão os rostinhos ansiosos as risadas límpidas que pegarão a tocha pois o fogo jamais acaba disse no início É infinito só muda de mãos ah que vontade imensa de fazer castelinhos na areia contar que a bela furou o dedo mais acordou com um beijo que o patinho não era tão feio ah que vontade incomensurável de ouvir -vovooooooooooooooooooooó o fecho do vestidinho fechará direitinho na dona dessa voz tem muita coisa bonita pela frente para viver ela chegou felicidades rosa rosa pena www.rosapena.com desabafo por rosana jatobá na fila do supermercado o caixa diz uma senhora idosa a senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras uma vez que sacos de plástico não são amigáveis ao meio ambiente a senhora pediu desculpas e disse não havia essa onda verde no meu tempo o empregado respondeu esse é exatamente o nosso problema hoje minha senhora sua geração não se preocupou o suficiente com nosso meio ambiente você está certo responde a velha senhora nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente naquela época as garrafas de leite garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja a loja mandava de volta para a fábrica onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso e eles os fabricantes de bebidas usavam as garrafas umas tantas outras vezes realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo subíamos as escadas porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios caminhamos até o comércio ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões mas você está certo nós não nos preocupávamos com o meio ambiente até então as fraldas de bebês eram lavadas porque não havia fraldas descartáveis roupas secas a secagem era feita por nós mesmos não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts a energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos e não roupas sempre novas mas é verdade não havia preocupação com o meio ambiente naqueles dias naquela época só tínhamos somente uma tv ou rádio em casa e não uma tv em cada quarto e a tv tinha uma tela do tamanho de um lenço não um telão do tamanho de um estádio que depois será descartado como na cozinha tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas que fazem tudo por nós quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio usamos jornal amassado para protegê-lo não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama era utilizado um cortador de grama que exigia músculos o exercício era extraordinário e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade mas você tem razão não havia naquela época preocupação com o meio ambiente bebíamos diretamente da fonte quando estávamos com sede em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos canetas recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra abandonamos as navalhas ao invés de jogar fora todos os aparelhos descartáveis e poluentes só porque a lámina ficou sem corte na verdade tivemos uma onda verde naquela época naqueles dias as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas tínhamos só uma tomada em cada quarto e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos e nós não precisávamos de um gps para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço só para encontrar a pizzaria mais próxima então não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época sobre a autora rosana jatobá :de salvador é uma jornalista brasileira graduada em direito pela universidade católica do salvador ucsal e jornalismo pela universidade federal da bahia já foi analista processual da procuradoria regional do trabalho na bahia divulgação de rosa pena

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eisfluências outubro 2011 07 hitchcock somos maus por humberto rodrigues neto alfred hitchcock famoso cineasta anglo-americano arte em que se especializou na produção de grandes filmes de suspense foi certa vez entrevistado num programa norte-americano de televisão no qual além de ser criticado por produzir filmes de tensão nervosa quando a própria vida real já nos traz em constante tensão foi também asperamente verberado pelo fato de suas produções apresentarem cenas de violência e não nos oferecerem quaisquer ensinamentos ou lições de fundo moral como seria justo exigir de toda obra escrita televisiva ou cinematográfica em resposta disse à entrevistadora que colocava no mercado aquilo que o público gostava de ver ou seja violência intriga envenenamentos mistério proporcionando assim uma forma de entretenimento foi então contestado pela jornalista a qual asseverou estar ele generalizando ao classificar todas as pessoas como inclinadas à violência à intriga às ações desonestas etc não só lhe afirmo isto respondeu ele como provo à senhora que quase todos nós por força de nossa falha constituição humana somos imperfeitos e ainda trazemos dentro de nós aquela propensão de indiferença e até mesmo de prazer pelo sofrimento do próximo como houvesse contestação hitchcock desfiou uma série de argumentações em defesa de seus pontos de vista qual a reação que temos ao ver alguém tropeçar na via pública e ir ao chão principalmente em se tratando de uma pessoa jovem o riso não é mesmo ora isso demonstra menosprezo pela sorte do próximo nossa reação já não é a mesma diante da queda de um animal atrelado a uma carroça provando que temos mais apreço por um irracional do que por um semelhante que acontece conosco ao ver um incêndio corremos para lá maravilhados por ver o fogo destruindo propriedades particulares É estranho o fascínio que o fogo exerce sobre nossos sentimentos inferiores e sentimos até um gostinho de frustração quando vemos o fogo começar a ceder ante a luta dos bombeiros roubando-nos a expectativa de assistirmos a um grande espetáculo veja-se por exemplo com que satisfação presenciamos uma briga na via pública ou uma turba de pessoas enfurecidas depredando prédios ou veículos se a polícia surge torcemos não para que ela consiga serenar os ânimos mas para que leve a pior na pancadaria embora haja pessoas que já conseguiram sofrear tais sentimentos a verdade é que elas constituem uma minoria insignificante pois quase todos ainda trazemos dentro de nós aquela inclinação inata para apreciar o que é mau ora nos meus filmes eu procuro exibir aquilo que o público já traz dentro de si e que gosta de ver reproduzido na tela usando do mesmo argumento de que se utilizou o autor da história infantil joãozinho e mariazinha pois toda criança por tenra que seja a sua idade e por mais bem formado que possa ser o seu caráter adora ver a horrível bruxa manter duas crianças presas numa gaiola excita-se ao ver a terrível megera polir o enorme caldeirão onde deverá assá-las goza intimamente ao vê-la destacar dia a dia a folhinha do calendário na aproximação do dia fatal sente aquela satisfação interior de vê-la alimentá-las dia a dia e beliscá-las de quando em vez para verificar se já estão gordinhas para o sacrifício e vai por aí afora desnecessário se torna enfatizar a repercussão de tal entrevista nos meios televisivos americanos humberto rodrigues neto s.p/brasil cÂntaro humberto rodrigues neto com que amor a campônia vai cedinho com o jarro à fonte a enchê-lo de água pura e volta e a distribui toda candura aos seus na paz tranqüila de um ranchinho faz do exemplo trivial dessa figura um rumo a palmilhar no teu caminho em ânfora de amor não de água ou vinho converte essa tua alma hoje insegura nos vácuos desse cântaro hoje frios despeja o bem que possas e vê quanto é lindo o amor sem pompas e atavios que o amor que dele vertas seja tanto que dê pra encher mil cálices vazios de amargos corações em desencanto sp/brasil contra-senso humberto rodrigues neto quem dera oh deus o ser humano fosse mais fraternal e mais cristão de sorte que não herdasse o instinto de mavorte contrário à vida que é tão bela e doce quanta alma pura fez de ti o suporte e ao mal que nos judia contrapôs-se quanta alma vil de ti distante pôs-se a criar engenhos de tortura e morte estranha grei de gênios e estafermos num conúbio de crentes com pagãos eis o que é o homem nos exatos termos sujeito a instintos nobres ou malsãos concebe a ciência pra salvar enfermos e inventa a guerra pra matar os sãos sp/brasil cartaz para uma feira do livro os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem mário quintana

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08 eisfluências outubro 2011 encerramento do vice-consulado de frankfurt e do posto de osnabrueck um escândalo por antónio da cunha duarte justo os gastos com os nossos ricos das embaixadas e dos ministérios são tabus o ministério dos negócios estrangeiros de portugal determinou encerrar o vice-consulado de frankfurt e o posto de osnabrueck já no próximo mês de dezembro o posto de frankfurt tem uma basta área geográfica que abrange três estados federados da alemanha há dois anos o consulado-geral de frankfurt foi reduzido a vice-consulado para se possibilitar o posto de osnabrueck o argumento agora apresentado para extinguir o posto de frankfurt é a poupança também a poupança requer ser feita com inteligência e eficiência ou segue-se o princípio de extinguir os locais onde se espera menos resistência política deparamos com uma poupança atabalhoada que não contempla um programa racional de poupança eficaz nem pondera a possibilidade dum serviço à comunidade com menos custos delibera-se autoritariamente sem um plano eficiente de poupança racional a efectuar e sem uma estratégia como atingir os objectivos da poupança determinada mantendo o máximo de serviço à comunidade com a verba reduzida facto é que não pode despedir o pessoal e a sua transferência vai criar grandes dificuldades às comunidades de portuguesas por ele servidas em frankfurt tal como noutras representações diplomáticas poder-se-ia diminuir drasticamente os pesados encargos com aluguer de instalações e talvez com outras poupanças a nível interno de maneira a os funcionários continuarem a manter o serviço aos utentes podiam manter-se locais de serviço fazendo funcionários deslocar-se a outros postos carentes de pessoal frankfurt é uma zona rica e o centro das finanças da eu enquanto outros países procuram manter o contacto com este centro europeu portugal despede-se dele porque não se diminuem as repartições onde moram os ricos começando pelas embaixadas e serviços altos do estado almeida garrett constatava já e eu pergunto aos economistas políticos aos moralistas se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria ao trabalho desproporcionado à desmoralização à infância à ignorância crapulosa à desgraça invencível à penúria absoluta para produzir um rico portugal poupa mal e nos lugares falsos portugal paga 60.000 mensais pelo aluguer do alojamento em berlim portugal pretende manter o brilho da embaixada à custa de serviços consulares embora possuindo um terreno em berlim no estado português paga 29.894,93 euros de aluguer pelas instalações da embaixada e 12.782,30 euros pela residência do embaixador num total mensal de 42.677,23 euros como referia já o portugal post em 2008 agora com a repartição de turismo a conta subiu pelo que consta para a 60.000 mensais não se refira já os gastos com mensalidades a dignitários da embaixada com ordenados mastodônticos e carros ao serviço cujo trabalho poderia ser garantido com despesas módicas de consciência embaçada vivem bem nos seus guetos discretos e imperceptíveis à comunidade e à sociedade alemã gastando o dinheiro que a nação não tem portugal para ser humano e moderno terá de racionalizar os gastos com a sua vaidade com os que vivem para lá da barreira do povo e não apenas com os que trabalham directamente com ele o povo já é demasiado pobre a crise não se resolverá porque o problema está em manter os nossos ricos da sociedade e do estado se em tempos de guerra não se limpam armas porque se não reduzem também os consulados de hamburgo düsseldorf e estugarda a vice-consulados mantinham-se os serviços sem nenhum prejuízo para a produtividade com o dinheiro poupado nestes cargos honoríficos improdutivos tapar-se-iam buracos sem abrir outros se um vice-cônsul é um trabalhador um cônsul é um senhor estes justificam-se só a nível excepcional o único critério da sua sustentabilidade deveria ser o que conseguem em cifras obter para portugal também não se conhece nada do que terão feito os cônsules de estugarda de dusseldorf e de hamburgo o que a seguir a mesma lógica também estes deveriam ser reduzidos a vice-consulados destinando-se as centenas de milhares de euros anualmente poupados na promoção das actividades associativas e cívicas em torno do consulado ou para os fins da poupança fazer dos consulados e das embaixadas casas da porta aberta de portugal uma política de reestruturação consular e das embaixadas destas ninguém fala terá que assentar em dados científicos e numa política prospectiva que tenha em conta uma acção programática portuguesa a curto prazo para os próximos 10 ­ 20 anos os vice-consulados terão de se tornar em centros da porta aberta em casas de portugal onde se realizam as mais diferentes actividades os funcionários dos postos deveriam ter competência para estabelecerem ligações comerciais e industriais com empresas alemãs de modo a cativar investimento para portugal para isso o estado português teria de saber o que quer não se podendo limitar a medidas cosméticas reagindo a interesses parciais instalados a economia e a cultura serão os determinantes do futuro as casas de portugal terão de se tornar biótopos viveiros de toda a vida das regiões onde se encontram os portugueses portugal não se torna caro com os funcionários que servem directamente o povo portugal é pobre pelos custos que tem com uma alta burocracia parasitária improdutiva não chega criar condições para responder às solicitações dos utentes é preciso antecipar-se a elas e aos instalados no sistema precisase dum novo perfil de pessoal das embaixadas e de postos consulares verdadeiras casas de portugal apesar da revolução as embaixadas resistiram aos ventos da mudança uma democracia se de facto o é deverá pedir contas aos seus representantes os embaixadores os conselheiros de embaixada os cônsules vice-cônsules deveriam tornar público um plano bienal que mostre o programa a realizar concretamente por eles naturalmente que de dois em dois anos deveria ser apresentado um relatório do que fizeram ou deixaram de fazer e porquê assim a comunidade adulta poderia controlar o que os seus servidores fazem e intervir no sentido de se promover portugal em vez de viver à custa dele continua na página seguinte

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eisfluências outubro 2011 09 a comunidade civil tem o direito de saber o que os seus mais altos funcionários fazem a um professor que ganha um quarto ou até menos dum quinto do que muitos destes senhores recebem exigem-se relatórios irracionais e àqueles deixa-se andar à vontade com relatórios internos feitos para contentar a administração e sem um mínimo de controlo de eficácia como poderá portugal permitir que pessoas ocupem cargos administrativos improdutivos e recebam do erário público mais de dois mil contos por mês sem apresentarem contas do que fazem à comunidade civil n É pena que a grande maioria suje a veste de alguns poucos /nisto escandaliza e torna ridículas as medidas que o mne toma a reestruturação dos consulados terá de ser mais radical a nível de concepção de estratégias de perfil do pessoal e de excussão antes porém deveria começar-se pelas embaixadas verdadeiros absorvedores dos dinheiros públicos senhor ministro dos negócios estrangeiros não se deixe atemorizar pelos boys da sua casa grande não actuar é beneficiar a praga dos gafanhotos eles comem tudo e não deixam nada todos estamos dispostos a contribuir para restabelecer a honra enxovalhada da nação queremos porém que os que nos conduziram a esta situação não sejam indulgenciados como continuam a ser envio este texto também ao senhor primeiro ministro e ao senhor ministro dos negócios estrangeiros em 27/setº/2011 antónio da cunha duarte justo conselheiro consultivo do vice-consulado de frankfurt http antonio-justo.eu cheiro de cafÉ por abílio pacheco não há nada que mais me pareça com a crônica que o cheiro do café É uma metáfora olfativa sinestésica não deveria explicá-la fico tentado a encerrar o texto por aqui continuo afinal posso até escrever contos curtos mas ainda não optei por treinar as crônicas curtas embora elas pareçam correr no meu dia a dia quem sabe eu tente ainda escrevê-las o cheiro do café matutino fresco suave de leve amargor caminhando pelo condomínio pela manhã fazendo academia assistindo ao noticiário matutino ou tentando se fechar do mundo num escritório/gabinete é sempre esse gostinho que chega às narinas trazendo um novo dia as novidades do dia mesmo os barulhos da cidade chegam com o café e antes dele o seu cheiro a crônica seria esse agradável sabor de fragrância noviça e breve relativamente pontual e tão ligada ao presente logo surgindo e logo esvaecendo mas sempre retomada a crônica a despeito de ser chamada gênero menor tem seu mistério mesmo quem não gosta de café gosta de seu cheiro mesmo quem não aprecia literatura ou não tenha hábito de ler curte uma crônica se bem usada a crônica traz para literatura o leitor iniciante como o cheiro do café chama para a mesa convida para uma boa conversa e mesmo não o bebericando a mesa fica rodeada e o diálogo flui a crônica atrativa logo o leitor prova de toda literatura haicais sonetos poemas mais longos contos romances prioridade ­ prioridades por abílio pacheco esta é uma crônica inútil do tipo chover no molhado mas quem disse que a crônica precisa ter utilidade ou que ela precisa trazer novidades crônica já disse o que penso sobre ela no meu cheiro de café vem de cronos tempo É portanto ligada ao presente ao hodierno mesmo que se considere inútil e redundante ela é deveras necessária as leis que determinam o atendimento preferencial representam um avanço no pensamento brasileiro e um progresso jurídico em relação ao respeito às parcelas da sociedade contemplada com as prioridades mas tem algum leitor por aí que não tenha uma umazinha sequer história de desrespeito ao atendimento prioritário ou mesmo falta de lógica no que se refere à prioridade disse que era chover no molhado lá vai água já vi caixa dizer para idoso que a prioridade é no subsolo estando o cliente no terceiro andar já vi pessoas dizerem isto foi num aeroporto que não cederiam a vez no auto-atendimento bancário à mãe com a criança no colo pois já estavam esperando há muito tempo já vi pessoa reclamar que gorda não tem prioridade duvidando da gestação de uma cliente preferencial o campeão de desrespeito talvez seja mesmo o transporte urbano não vou dar nenhum exemplo senão esta crônica vai virar uma ficha corrida a coisa é feia tanto nos pontos de ônibus como dentro dos veículos e piora se for um transporte alternativo advogar a favor da pessoa que tem direito então é coisa que não se faz nestes espaços públicos afinal você o que que você com isso não para por aí não tem uns locais de atendimento ao público em belém que ­ atendendo a lei ­ reserva algumas atendentes para as prioridades entretanto se o cliente chegar e tirar uma senha de prioridade e uma senha para atendimento comum no mesmo instante a senha comum é na maioria das vezes chamada antes não entendi para quê prioridade neste caso aliás tem outra coisa que ainda não entendi nos tais caixas preferenciais para atender às prioridades eles servem para quê mesmo seria perfeitamente justificável se houve um atendimento diferenciado se esses caixas tivessem um treinamento que os distinguisse dos demais se eles tivessem melhor preparo para atender por exemplo um idoso que chega atrapalhadinho com cartão senha opções de crédito ou débito uma curiosidade é que ­ não sei por aí nesses outros brasis mas nestas plagas ­ os atendentes desses caixas em geral são mais estressados mais aborrecidos mais impacientes deve ser isso mesmo são escolhidos a dedo para punir o cidadão que conquistou esse direito ­ pelo visto ­ inaceitável aos demais podemos ter avançado nas leis que se referem ao atendimento mas ainda tem muito brasileiro estagnado por aí belém br abilio pacheco professor escritor www.abiliopacheco.com.br

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10 eisfluências outubro 2011 visita del papa a españa por maría sánchez fernández es hermoso ver en estos tiempos tan conflictivos que vivimos cómo la juventud también sabe dar un ejemplo de paz de concordia y hermandad uniéndose en un abrazo de solidaridad y amor en nombre de jesús de nazaret el pasado mes de agosto se vivió en madrid un acontecimiento memorable ya celebrado con anterioridad en varias ciudades del mundo se vivieron con intensidad bajo el abrazo siempre abierto de s.s el papa benedicto xvi unas jornadas de fraternidad y alegría bajo un sol abrasador que no dejó empañar el gran entusiasmo e ímpetu juvenil de todos lo allí congregados madrid era un hervidero de jóvenes de todas las razas y culturas cuyo objetivo era la unión de los pueblos por el lazo del amor seguí por televisión todos los actos pero el que más me emocionó hasta hacerme llorar fue el gran vía crucis nunca vi más devoción entrega y amor en unas personas que apenas asomaban a la vida y que querían seguir paso a paso el camino del calvario el camino que cristo recorrió hasta llegar al gólgota grupos de diez o doce jóvenes de ambos sexos se turnaban en cada estación con una disciplina ejemplar pasándose la gran cruz que llevaban alzada sobre sus hombros iban austeros conmovidos sabiendo el gran ejemplo de unión que en esos momentos estaban dando al mundo entero cada estación del via crucis estaba representada por valiosas imágenes de varios puntos de españa Úbeda fue elegida y representó con orgullo en la vi estación una joya de nuestra imaginería nuestro padre jesús de la caída del escultor valenciano mariano benlliure para mi fue muy emocionante ver como se estacionaban los muchachos ante la imagen que todos los años vemos procesionar en nuestra semana santa y cómo se rezaba y se cantaba por una gran coral y orquesta la vi estación del via crucis las jornadas terminaron con alegría y recogimiento con la esperanza de que por siempre sigan adelante y nuestros jóvenes del mundo nos den ejemplo a los mayores con su altruismo y deseos de paz jesús en sus tres caídas ¡cómo debe pesarte ese madero ¡cómo deben punzarte esas espinas ¡ay dios así caminas y caminas derramando tu vida en el sendero de dolor y vergüenza y por entero en actitud humilde tú te inclinas te derrumbas te yergues te iluminas cumpliendo tu destino verdadero ¡ay señor ¡esa cruz que te lacera y te abate y te priva los sentidos ya has caído tres veces agotado yo quisiera jesús en mi sincera piedad ser cireneo los latidos de mi ser darte a ti ser tu cayado maría sánchez fernández ­ Úbeda españa septiembre de 2011 soneto de mi libro júbilo pasión y gloria maría sánchez fernández é correspondente da revista eisfluências em espanha a humanidade necessita imperiosamente o testemunho de jovens livres e valentes que se atrevam a caminhar contra a corrente e a proclamar com força e entusiasmo a própria fé em deus senhor e salvador mensagem do papa joao paulo ii para a xvii jornada mundial da juventude 25 de julho de 2002

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eisfluências outubro 2011 11 o bolo de arroz por antónio barroso tiago mal o dia começara a despontar os primeiros raios de sol e já o menino nos seus precoces oito anos se encontrava a pé descalço como de costume e enfiado numas velhas calças atadas à cintura com os restos duma corda de pendurar a roupa encaminhou-se devagar para a enxerga onde a avó tossia repetidamente e segurando-lhe na mão que escaldava sossegou-a com uma pequena mentira vó hoje não te preocupes comigo um amigo quer que almoce com ele na escola leva um farnel bem fornecido e sem esperar por resposta antes que a avó se apercebesse que não pegava na pequena trouxa onde guardava os cadernos da escola entreabriu levemente as tábuas unidas que serviam de porta e esgueirou-se para a rua nesse dia não pensava pôr os pés na escola onde a professora o olhava sempre com ar de recriminação e o admoestava constantemente à mais pequena infracção de que nem ele próprio se apercebia senta-te direito põe os braços em cima da carteira segura no lápis como deve ser não fizeste a cópia que te mandei tens a cara e as mãos sujas raio de rapaz que nunca se porta em condições na escola vivia num permanente estado de constrangimento entre o medo e o desinteresse o que o inibia de se mostrar como realmente era se ficava parado a ver as brincadeiras dos colegas logo a contínua o mandava andar sempre parado sempre parado isto não é normal se corria duma parede para a outra no recinto do recreio era mandado parar porque incomodava não pára quieto este danado não sossega até mesmo nas brincadeiras com os colegas era marginalizado quando se tratava da escolha para formar duas equipas de futebol ele era sempre o último ou o sobrante enquanto seguia pela rua de terra com poças de água formadas pelo despejo de água de lavagens ia congeminando em qual seria o seu destino o largo onde poderia jogar à bola com outros amigos nas mesmas condições não o seduzia que o estômago demasiado vazio reclamava pela côdea poderia saltar o muro do quintal da casa do senhor graciano e empanturrar-se de nêsperas mas contou-lhe o chico que agora havia lá um cão mau como tudo ná não podia arriscar passou pela pastelaria onde trabalhava a florinda que namorava com o seu vizinho que agora estava na tropa e mirou com olhos gulosos os bolos de arroz expostos que eram a delícia dele e da avó quando os tostões não estavam tão apertados ela por vezes comprava um e partia-o ao meio comiam-no em pedacinhos muito pequenos devagar em silêncio para prolongar o prazer daquele sabor suspirou lentamente de desânimo e virando-se quase esbarrou no guarda abel que ao contrário dos colegas sempre o tratou com amizade ei ei meu malandro porque é que não estás na escola apanhado de surpresa o menino logo engendrou uma pequena mentira para satisfazer a curiosidade do guarda a senhora professora hoje faltou porque estava doente ai sim e tu o que andas por aqui a fazer venho fazer um recado à minha avó e começou a afastar-se rapidamente não fosse continuar o interrogatório não que tivesse medo do guarda abel que sempre o tratou com amizade e carinho e até uma vez lhe deu um ovo cozido outro dos pitéus por que era guloso o menino sentia que a barriga continuava a reclamar pelo seu quinhão sem que vislumbrasse maneira de satisfazer aquele pedido tão premente podia bater à porta da casa do manel mas não a esta hora estava na escola talvez a modista amélia para quem a avó por vezes costurava mas logo pôs a ideia de parte aceitava de bom grado tudo o que lhe quisessem oferecer mas sentia-se demasiado envergonhado se tivesse de pedir diante dos olhos gulosos ainda estavam presentes todos aqueles petiscos que vira na montra da pastelaria e sem disso se aperceber fez meia volta e devagar encaminhou-se para o lugar que não lhe saía do pensamento primeiro foi uma mirada geral aos artigos expostos depois a saliva manifestou-se na contemplação gostosa dos bolos de arroz amontoados numa travessa enfeitada com papel branco todo rendilhado de boca entreaberta e com a cara quase encostada ao vidro via-se em pensamento saboreando um daqueles bolos onde até o pequeno papel que os enrolava quase de podia comer também súbito sentiu uma mão que lhe pousava na cabeça e de momento pensou ser o guarda abel que voltara ou o dono da pastelaria a mandá-lo embora no entanto a pressão era suave e afável e não a pesada e brusca com que muitas vezes o pretendiam ver longe do local virou-se lentamente e deparou com um senhor que já uma vez sem que tivesse pedido nada lhe metera uma moeda na mão agora olhava-o com meiguice e o menino sentiu uma paz reconfortante como se há muito lidasse com aquele senhor que assim lhe sorria se seu pai fosse vivo deveria ser como aquele senhor vejo que estás a cobiçar os bolos queres um o coração do menino pareceu bater com mais força e quase se recusava a acreditar no que tinha ouvido depois apercebeu-se pelo olhar amigo que acompanhava o afagar da cabeça que a pergunta era mesmo a valer mas não teve coragem de balbuciar uma palavra sequer fez um pequeno gesto de cabeça numa aquiescência muda e seguiu o senhor para o interior do estabelecimento aí à pergunta de qual pretendia apontou timidamente o bolo de arroz e num agradecimento repetido saiu com ligeireza da pastelaria escondeu o bolo de cobiças alheias no bolso largo das calças de adolescente que lhe foram dadas por uma amiga da avó e seguiu apressado em direcção a casa quando se encontrava já na rua enlameada que dava acesso à pequena barraca onde vivia divisou algumas pessoas principalmente mulheres à porta conversando entre elas em surdina o que o deixou demasiado surpreso por não ser costume aparecer alguém naquele local a não ser uma ou outra amiga da avó ao chegar junto ao grupo de pessoas que ali se encontravam quase foi contido barrado e passado de uma para outra numa total incompreensão do que estava a acontecer estava muito doente não resistiu tens de te conformar deus levou-a ao fim de muitas pequenas frases e reticências o menino compreendeu então tudo aquilo que sua avó lhe tinha dito tantas vezes um dia meu filho irei fazer uma viagem muito longa a caminho de deus e tu terás que te habituar a ficar sozinho mais tarde espero que muito mais tarde também farás a mesma viagem e então no fim encontrar-nos-emos de novo dos olhos do menino rolaram duas lágrimas de despedida que depressa limpou com as costas da mão suja devagar entrou na barraca e quase desapercebido chegou-se à pequena enxerga onde a avó jazia ajoelhou-se no chão húmido tirou do bolso o bolo de arroz que lhe tinha sido oferecido e pegando-lhe na mão agora fria nela o colocou dizendo baixinho toma vó é prá viagem antónio barroso tiago parede/portugal

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12 eisfluências outubro 2011 racionalidade animal por luiz gilberto de barros luiz poeta primeiro lugar crónicas no concurso da união brasileira de escritores prêmio recebido em 26 de agosto de 2011 o sinal toca os alunos saem numa natural algazarra vou junto com eles preciso colocar algumas cartas no correio num tempo inábil É o último dia para a postagem quase corro tenho apenas meia hora para retornar de um percurso a pé de mais ou menos novecentos metros isto feito após receber o comprovante do envio dos envelopes saio na mesma velocidade da vinda mas levo um susto tremendo deparome com um cão preto de porte médio parecendo bloquear a minha passagem o respeitável animal perscruta-me numa atitude solene não há nele nenhum tom ameaçador já não tenho medo entretanto respeito-o os olhos amendoados parecem humanos fita-me por alguns segundos eternos a língua de fora numa espécie de riso compartilhado misturado num aparentemente tênue cansaço ando devagar temendo ameaçá-lo involuntariamente ele me segue quando paro para um cumprimento eventual ou mesmo na intenção de observar um calçado em uma vitrine ele também estaca parece conhecer-me há muito tempo apresso-me o cão me segue sem o mínimo pudor atravesso o túnel que liga os dois extremos do meu bairro abaixo da linha férrea desço e subo degraus de concreto o cão sem hesitar ritma-se solidariamente a cada passada que dou estamos diante da avenida principal o sinal fecha para os pedestres temo pelo bicho alguns carros avançam ruidosamente o sinal parece demorar uma eternidade para esverdear-se continuo com pressa preciso chegar à escola antes do toque da sirene que anuncia o término do recreio os próximos veículos estão a uns cem metros de mim entendo que há tempo suficiente para a travessia mas tenho que correr contrariando as leis de trânsito avanço cautelosa e rapidamente sem perder os carros de vista lembro-me do cão esqueci-me dele todavia constato aliviado que não me acompanhou ficou do outro lado próximo a algumas pessoas atentas ao tráfego dos veículos o sinal se abre para os transeuntes a exemplo das pessoas o cão olha para ambos os lados mira o semáforo mostra-se seguro e atravessa calmamente o espaço que separa as duas calçadas sinto-me envergonhado o animal pára diante de mim numa pausa que parece criticar e ao mesmo tempo compreender o meu jeito encabulado de observá-lo e finalmente se afasta num último sorriso de língua de fora ante a perplexidade de um educador deseducado reverencio-o taciturnamente num silencioso pedido de desculpas expresso apenas por nossa última troca de olhares caninamente humana e humanamente animal rio de mim para mim questiono minha pseudo-soberania racional e constato comovido que tive uma canina aula de cidadania animal luiz gilberto de barros rio de janeiro/br www.luizpoeta.com trÔpegas lembranÇas luiz poeta 1º lugar poesia no concurso da união brasileira de escritores de 2011 estive aqui não percebeste nem podias as fantasias diluíram-se em saudades que confundiram tuas vãs ansiedades com o amor que tu disseste que sentias meus olhos tristes te miravam tu nem vias pois te envolvias em silêncios sedutores que completavam solidões com vãos amores e nem notavas que aos poucos me perdias estive aqui nas tuas trôpegas lembranças pisando o chão de um coração com esperanças que sobrevivem do amor que eu te senti porém se um dia os teus passos solitários não mais sentirem meus abraços solidários descobrirás que eu jamais estive aqui rio de janeiro/br luiz gilberto de barros www.luizpoeta.com

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eisfluências outubro 2011 13 o sol da poesia russa por oleg almeida todo o mundo conhece aleksandr púchkin foi o maior poeta russo do século xix e não falta quem o afirme de todos os tempos foi o autor das obras mais lidas naquelas paragens peçam a qualquer russo nem que seja um menino de oito anos para recitar algum verso de púchkin e ele fará isso sem gaguejar foi o criador do vernáculo russo moderno já que a norma culta da língua usada na rússia de hoje remonta ao vocabulário dele gênio perfeito iluminado ­ todos estes epítetos se aplicam merecidamente ao escritor púchkin poucos sabem no entanto como era o púchkin-homem aquele indivíduo que os amigos e fãs chamavam de vate e os desafetos de vagabundo que por acaso tinha escrito lá umas bagatelas para começar era mulato pois sim não estou delirando seu bisavô materno aníbal etíope foi trazido à rússia como escravo presenteado ao imperador pedro o grande ganhou alforria estudou ciências exatas na frança e fez uma respeitável carreira de engenheiro militar o bisneto se parecia singularmente com ele quem duvidar disso consulte o antológico quadro de orest kiprênski figura i retrato de púchkin por orest kiprênski 1827 filho de uma família abastada púchkin passou seis anos no famoso lycée de tsárskoie seló vila czarina colégio interno que formava a elite do império russo datam daquele tempo suas primeiras experiências poéticas inclusive um brilhante poema em francês idioma que dominava como o nativo no qual esboça seu perfil carismático ­ vrai démon pour l espièglerie a vocação literária de púchkin se consolidou muito cedo garoto de quinze anos declamou suas memórias de tsárskoie seló num exame colegial e o convidado de honra derjávin astro da poesia russa veio abraçá-lo com lágrimas de emoção outro renomado poeta jukóvski mandou para ele seu retrato com a dedicatória ao discípulo vencedor do mestre vencido a vida de púchkin se dividiu entre duas paixões avassaladoras com igual veemência ele compunha versos e cortejava mulheres tinha namorado diversas aristocratas e camponesas casando-se afinal com natália gontcharóva considerada a primeira beldade da rússia que lhe daria quatro filhos herdeiros de carne e produziu inúmeras obras herdeiras de espírito que consagrariam seu nome deixou para a posteridade evguény onêguin romance lírico em que sua abrangente visão do caráter russo fica eternizada e boris godunov drama monumental sobre o poderio que corrompe a alma dos poderosos pequenas tragédias sentença irrefutável à avareza inveja e outros pecados humanos a filha do capitão novela de cunho histórico sobre a rebelião popular contra a tirania dos czares e claro poemas dos mais variados estilos e gêneros com especial destaque para os de amor amei-vos meu amor talvez subsista no fundo de minha alma bem ou mal contudo não temais que eu nele insista não quero que vos aflijais com tal amei desesperado de ciúme com toda a timidez que um homem tem mas tão sincero como queira o nume que vós sejais amada por outrem É pena os leitores lusófonos desconhecerem a maioria dessas pérolas de inspiração as barreiras linguísticas são muitas vezes insuperáveis por um lado a poesia proporcionou a púchkin louros imorredouros por outro lado rendeu-lhe quando satírica e subversiva uma legião de inimigos por causa das epigramas que escarneciam as altas-rodas de são petersburgo o poeta chegou a ser expulso da capital e morou alguns anos no sul da rússia ao longo de sua vida envolveu-se sem sombra de exagero em vinte e um duelos dezessete dos quais terminaram em pazes e quatro foram levados a cabo versado em meia dúzia de línguas ocidentais púchkin lia horácio e goethe adorava byron traduzia ariosto e andré chénier poeta por excelência destacava-se pela amplitude da sua erudição tanto a filosofia dos iluministas quanto o folclore dos sérvios despertavam a mais viva curiosidade dele parece inacreditável mas é também a púchkin tradutor de uma das comoventes liras de tomás antônio gonzaga que os russos devem seu precoce conhecimento da poesia brasileira a morte de púchkin foi trágica corriam rumores de que sua esposa tivesse um caso com georges d anthès cavalheiro francês que viera caçar aventuras na rússia e o poeta decidiu lavar a desonra com sangue o último duelo aconteceu em pleno inverno num bosque coberto de neve tendo desfecho fatal púchkin foi baleado no abdômen e faleceu dois dias depois e seu assassino voltou impune para a frança e viveu mais quase sessenta anos dizem que quis almoçar já ancião num restaurante parisiense visitado pelos imigrantes russos e vendo-o entrar estes lhe viraram unânime e ostensivamente as costas o demônio se meteu nisso ­ contava d anthès sobre seu duelo com púchkin por certo o mesmo demônio que torna a mediocridade longeva a existência física do poeta acabou mas sua glória ficou para sempre apelidado pelos contemporâneos de sol da poesia russa e venerado na época soviética a par dos líderes do país púchkin chegou aos nossos dias como integrante do currículo escolar e herói das lendas urbanas protagonista das teses e anedotas personagem dos filmes e grafites juvenis figura ii grafite da rua púchkin na cidade ucraniana de khárkov 2008 portanto não se surpreendam se perguntado quem vai comprar pão ou pagar contas do mês seu interlocutor russo responder com risadas ­ púchkin esse é um dos modos de prestar homenagem ao ídolo nacional oleg almeida www.olegalmeida.com oleg almeida é o nosso correspondente bielorússia/brasília

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14 eisfluências outubro 2011 hebe uhart por maria cristina garay andrade hebe uhart lleva casi cincuenta años escribiendo y diecisiete libros publicados fogwill la ha reconocido como la mejor cuentista argentina contemporánea piglia la ubica en la mejor tradición de la literatura argentina relatos reunidos editado por alfaguara mereció el premio a la creación literaria 2010 y puso al alcance de la mano muchos de sus relatos inconseguibles descreída de los reconocimientos uhart sigue escribiendo cuentos y crónicas dando talleres y formando a escritores la escritora hebe uhart recibió el premio al mejor libro argentino de creación literaria editado en 2010 otorgado por la fundación el libro por relatos reunidos y su emoción fue tal que agradeció nombre por nombre a cada una de las personas que la acompañaron con cadencia literaria en la sala roberto arlt de la feria del libro de buenos aires nelly espiño presidenta de la comisión de actividades culturales explicó que el premio busca que los autores lleguen a más público mientras que el presidente del jurado mario goloboff sostuvo que es más que merecido para una incansable trabajadora de la literatura por su parte silvina friera periodista de página 12 y miembro del jurado comentó que antes de este libro la única manera de conseguirla era en librerías de viejo y agregó hebe no es una narradora convencional tiene una manera original de mirar franca simpática cálida y distante no hay oreja como la de ella para captar la manera en que hablan las personas nos muestra con un microscopio algo de lo doméstico que nos está vedado al resto finalmente juana la rosa reemplazando a la emocionada hebe leyó el cuento guardo la hiedra para dejar lugar a la editora julia saltzmann quien también fue reconocida por su trabajo para mí es muy importante que podamos haber reunido un montón de obra dispersa era un desafío darle equilibrio a las nouvelles y los cuentos donde está lo más esencial de hebe una literatura de mucha verdad honda y cercana lÉon rozitchner su familia amigos y discípulos lo despidieron en la biblioteca nacional falleció en la madrugada de 04/09/2011 león rozitchner gran filósofo y hombre público había nacido en chivilcoy una ciudad a la vera de la ruta 5 vivió entre los muebles del negocio familiar acompañó a su padre a vender aceite y estudió en parís huía del autoritarismo conservador en la argentina y volvió para enfrentarlo en europa estudió con maurice merleau-ponty y con claude lévistrauss escribió su tesis sobre max scheler pero lo suyo no fue la filosofía académica ni la especialización abstracta sino el compromiso vital y político cada una de las líneas que escribió tiene como horizonte la pregunta por las lógicas profundas de la opresión del hombre porque se despliega sobre el fondo de la apuesta por la emancipación lo suyo fue el riesgo el amor y la belleza la escritura hecha de afectividad la paternidad arrojada la extrema atención a la política y el compromiso con los modos polémicos de la amistad entre sus libros están moral burguesa y revolución 1963 freud y los límites del individualismo burguês 1972 perón entre la sangre y el tiempo 1985 las malvinas de la guerra sucia a la guerra limpia 1985 la cosa y la cruz 1997 maría cristina garay andrade monte grande ­ buenos aires argentina http mariacristinadesdemissilencios.blogspot.com vuelo de ilusiones maría cristina garay andrade por ese amor que en mi forjaste con toda tu experiencia en mi inconciencia en vuelo de ilusiones te apoderaste sutilmente de mi inocencia en mi corazón se instalaron tus latidos palpitando tiernamente de ternura embebidos se entrelazaron sensiblemente conmovidos naciendo horas de goce al sentirlo junto al mío sin buscarlo sin pensarlo y sin llamarlo reposó la flor en el sol para alumbrarlo y mis brazos se brindaron para cobijarlo cautivado por el imán de tus ojos vive latiente en feliz concordancia siempre sonriente así se me despertó el amor inexplicablemente desde un tiempo de nostalgias maría cristina garay andrade desde un tiempo de nostalgias amalgamadas entrelazado el recuerdo del ayer con el presente contemplo fijamente lo que marcó horas coronadas en el amor que tu alma declaró en forma permanente hoy te pienso percibiendo tu convivencia en este tiempo en que me angustia tu ausencia miro el retrato que me dejaste como un trato en tu breve paso por mi vida sin contrato sentir tus brazos creando indisolubles lazos ofrenda de amor de inolvidables remplazos te fuiste con dios dejando inmortal recuerdo infancia apenada por tus besos que aun me acuerdo yo contemplo en mi adentro hecho pedazos la nostalgia que siento necesitando tus abrazos maria cristina garay andrade é a nossa correspondente na argentina

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eisfluências outubro 2011 15 vozes da natureza por laurentino sabrosa esta noite tive um sonho tão estranho e maravilhoso como nunca até hoje tinha tido estava numa grande herdade que tinha a norte uma verdadeira selva e a poente ali perto o mar que se me afigurou ser um imenso espelho em milhões de pedaços estilhaçado tão manso e amigo do vento que este só o balançava no berço que deus lhe deu pela janela sob a qual eu estava ouviu-se um vagido de bebé que tinha nascido meia hora antes era manhã cedo havia festa no quarto do neófito com a risada de um seu irmãozito e de uma mulher que era a sua mãe ou possivelmente a assistente da sua mãe a essa festa se associava a festa da capoeira e do curral cantava altaneiro o galo cacarejavam as galinhas e piavam os pintainhos na estrebaria relinchava um cavalo mas não longe um asinino não compreendendo aquela festa zurrava antipaticamente como se estivesse zangado com ela era manhã cedo mas já estava uma manhã esplendorosa uma ligeira brisa arrastava suavemente folhas e penas fazendo-as mover num frou-frou de sedas com as perninhas que ela lhes emprestava o sol dardejava os seus raios como que querendo participar envolvendo toda a atmosfera de luz e calor sua maneira de cantar em saudação ao neófito da vida em união com patos que grasnavam e abelhas que zumbiam os pardais e as aves livres do céu umas em pipilos outras em gorjeios feitas aves canoras de lírica inspiração pareciam dar também o seu contributo para toda a sinfonia de alegria em que não faltavam pombas e rolas a arrulhar mas as pessoas daquela família com a animação e alegria do nascimento mal se davam conta de toda a beleza do ambiente para elas a mais importante das vozes era a do seu coração um bater que se lhes afigurava ser repique festivo de sino de aldeia longe de se lembrarem de que esse mesmo sino sem deixar de ser augusto bronze um dia um dia iria iria muito possivelmente dobrar plangentemente parece mesmo que se tinham esquecido dos animais faltando-lhes com a ração habitual e por isso uns vitelos berravam e alguns porcos grunhiam porém na cozinha um gato enroscado no seu cesto perfeito filósofo alheio a tudo ronronava consoladamente coincidência ou não o próprio trânsito da rua para qual dava a fachada principal daquela mansão parecia querer comemorar festivamente e estava mais animado que era habitual até que dois carros passaram lentamente e a buzinar com bandeiras desfraldadas como se fossem em propaganda política logo a seguir dois automobilistas em correria de quem sofregamente quer devorar a estrada acabaram por estragar tudo de repente um resvalar de pneus e um chiar de travões que não puderam evitar a tempo o estrondo duma colisão por alguns segundos silêncio sepulcral finalmente dois homens saíram cada qual do seu carro que só por graça especial espargida pelo bebé ali perto a dormir docemente não ficou reduzido a uma esmagada lata de conservas apalparam-se como a contarem os seus ossos verificaram que estavam ilesos na sua pele e nos seus fatos mas não reconheceram que estavam lesionados no ânimo e na razão entraram em briga verbal resfolegando injúrias bramindo como possessos blasfemando como ímpios ­ num minuto envolveram-se em briga física transformaram-se não sei se cães a rosnar se lobos a uivar se leões engalfinhados a rugir e então eu distante e qual cordeiro que mal sabe balir comecei a ficar atrozmente aflito e tão aflito que de súbito ouvi um formidável estampido tão forte tão forte e assustador que acordei eis que tinha passado das realidades oníricas para as realidades telúricas levantei-me ainda abalado pelos segundos de pesadelo consegui ouvir o tic-tac do relógio da sala contígua assomei à janela e pude ver o contraste entre o ambiente do sonho e o ambiente de grande e impiedoso inverno que reinava lá fora mais um trovão estrugiu como medonho gargarejo de um qualquer grande gigante da montanha seguido de cavalgada de pégaso em chão de cascalho do céu plúmbeo caía uma torrente de chuva que certamente em homenagem ao neófito do meu sonho dentro em pouco abrandou passando então eu a ouvir mais distintamente o seu tamborilar num telhado de zinco que variedade de sons que eu tinha ouvido no meu sonho e continuava a ouvir agora na realidade vindas das pessoas e das coisas vindas do céu ou do mar o ribombar do trovão e os corvos a crocitar as pegas a palrar e os cães a latir o zéfiro a sussurrar e as fontes a rumorejar uma boca a ciciar e uma cratera a explodir bebés a rir e rãs a coaxar doentes a gemer e moribundos a estertorar o gluglulejar do peru e os pássaros a chilrear o crepitar das silvas e o marulhar do mar o fragor das cataratas os bois a mugir e foguetes a estalar o estrépito de uma cavalgada uma raposa a regougar e multidões a ulular ­ tudo são vozes da natureza que se hão-de aperfeiçoar ao serem afinadas por diapasão divino nessa hora não haverá plangor de crianças apenas clangor de trombetas nada há-de faltar e nada há-de sobrar não haverá gebos nem górgonas apenas efebos e sílfides a louvar o rato deixará de ter medo do gato e vai com ele brincar tentando-lhe as vibrissas roer nessa hora o mar deixará de fustigar as praias e os ventos deixarão de fustigar o mar nessa hora na plenitude da plenitude dos tempos todos os sons e todas as vozes serão apenas um em união com tudo e todos imersos na trindade santa com quem toda a criação vai cantar em uníssono um canto de som inconfundível ­ trinado nunca ouvido mavioso maravilhoso divino melodioso inefável majestoso excelso solene celestial glorioso eterno sublime laurindofernandes barbosa agora com 82 anos é ex-funcionário bancário com um bacharelato mas não em letras vive como hóspede vitalício num lar de terceira idade nos arredores do porto muito feliz e bem instalado segundo o autor tem o vício de escrever há mais de 40 anos e desde sempre tem usado o pseudónimo laurentino sabrosa que pretende manter desde há 4 anos colabora no jornal do porto a ordem com artigos sobre língua portuguesa e há cerca de 2 anos colabora no jornal electrónico suíço friluso segundo o autor os seus escritos são pretendem ser mensagens de ordem espiritual de fraternidade de poesia explanada em prosa prÉmio nobel da paz 2011 comité norueguês distingue duas liberianas e uma iemenita com o nobel da paz 2011 a presidente da libéria ellen johnson-sirleaf a ativista liberiana leymah gbowee e a iemenita tawakkul karman o comité nobel norueguês distinguiu as três mulheres «pela luta pacífica em defesa da segurança das mulheres e dos direitos das mulheres na participação total no trabalho de construção da paz» in msn notícias oslo 07 out lusa

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