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REFORMA PROTESTANTE COMEMORA 500 ANOS POR CARLOS SILVA Olá Querido leitor, é com muita satisfação que estamos lhe oferecendo esta segunda edição da revista O Cristão Erudito. E Hoje falaremos de um dos maiores acontecimentos históricos e religiosos da humanidade, a (Reforma Protestante). Iniciada por volta do século XVI e aperfeiçoada ao longo dos anos, a Reforma foi, e continua sendo um manifesto real e puro dos verdadeiros cristãos, que buscam por um cristianismo mais puro e ortodoxo longe de heresias e tradições humanas. 500 anos depois de muita luta, debates e conquistas, se faz mais que necessário refletirmos sobre este grandioso acontecimento e respondermos a nós mesmos se ainda estamos imersos no espírito da Reforma ou se já estamos impregnados de modismos e do pensamento desviado deste século. E Para esta questão, é preciso lembrarmos o que foi a reforma, seu legado histórico no mundo e porque ainda devemos buscar viver nela.

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O Que Foi, e qual o legado da Reforma Protestante? POR JORGE A. FERREIRA Dia 31 de Outubro deste ano (2017) é comemorado o 500º Aniversário da Reforma Protestante. Falaremos um pouco sobre este movimento que mudou consideravelmente não só a história da Igreja Cristã, como o Mundo em geral. É Conhecido por todos, que de alguma forma estuda sobre esses acontecimentos, que a data estipulada como sendo o início da Reforma Protestante é dia 31 de Outubro de 1517, após o monge agostiniano Martinho Lutero fixar na porta da catedral de Wittemberg, na Alemanha 95 teses, que mostrava os erros e incoerência da Igreja Católica. Porém é preciso salientar que cristãos do mundo todo já haviam expressados sinais de insatisfação e ansiavam por uma mudança dentro da cristandade. Grandes nomes como: Jhon Wyclif, Jhon Huss, Jerônimo Savonarola e anteriormente grupos como: Os Albigenses (Puritanos) e os Valdenses (Seguidores de Pedro Valdo) em meados do ano 1170 DC. Já ecoavam uma mudança radical dentro da Igreja, que vivia tempos de luxúria e desvios doutrinários significantes. Mas o grande estopim que culminou nesta reforma foi sem dúvida, algumas posturas adotadas pela Igreja Católica como as indulgências e aspectos relacionados com a salvação. Desta forma, é possível afirmar que a reforma iniciada por Lutero, foi na verdade um movimento inevitável que aconteceria mais cedo ou mais tarde. Já que neste período a sociedade em geral influenciada pelo pensamento Renascentista, havia tomado consideravelmente um sentimento de mudança e reforma. Lutero influenciado por esses sentimentos e sem sombra de dúvidas, por um espírito cristão genuíno, foi certamente a pessoa mais indicada a realizar tal tarefa. Após concluir o seu doutorado em teologia, começou a escrever sermões em salmos, romanos, gálatas e hebreus. Foi após estes trabalhos que passou cada vez mais a se desprender do catolicismo. ''No decorrer destes estudos o papado soltou-se de mim'' (Martinho Lutero) E Finalmente em 1517, após calorosos debates com um outro monge dominicano representante do papa, que estava na Alemanha cobrando indulgências, resolveu reagir afixando na porta do castelo de Wittemberg as 95 teses que condenavam tais abusos. Outro fato significativo, nesta época que não pode ser esquecido e certamente ajudou a difundir as ideias do protestantismo, foi a criação da Imprensa por Gutemberg. Que certamente ajudou muito na divulgação destas ideias por toda a Alemanha e países próximos.

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Visto essas coisas, é mais que justo dizer que a Reforma não foi apenas um movimento produzido por homens e sim um ato do próprio Deus dos céus. Que a seu tempo age na história em favor de seu povo. A Reforma Protestante foi um movimento de reforma que englobou a política, religião e cultura e certamente influenciou grandemente a história da humanidade, transformando o mundo e a Igreja de Cristo. O Movimento liderado por Lutero, tinha como chave mestra a doutrina da Justificação pela fé e um retorno radical as escrituras e as origens do cristianismo. Movidos por esses princípios, a reforma se espalhou rapidamente por toda a Alemanha e consequentemente a diversos outros países da Europa encontrando eco anos posteriores no mundo todo. Ao longo desse processo, grandes homens surgiram no cenário reformado e de forma brilhante contribuíram para o fortalecimento e expansão do movimento. Grandes contribuições foram feitas, não somente à reforma, mas ao povo em geral. Enquanto na Alemanha a reforma foi iniciada e liderada por Lutero, na frança e na Suíça contou com Jhon Calvino, Guilherme Farel, Teodoro de Beza, Jhon Knox e Ulrico Zuínglio. Princípios Fundamentais da Reforma No processo da Reforma Protestante foi sintetizado alguns princípios fundamentais ou credos teológicos básicos, então chamados de (05 Solas). A Palavra Sola, vem do latim e em português significa ''Somente'', e implicitamente rejeitam e contrapõe os ensinamentos da então religião dominante (Igreja Católica). Sendo assim, ficou definido esses 05 pontos como sendo essenciais para a vida e prática cristã. Sendo eles: Sola Scriptura (Somente a Escritura), Sola Gratia (Somente a Graça), Sola Fide (Somente a Fé), Solus Christus (Somente Cristo) e Soli Deo gloria ( Glória somente a Deus). Falaremos resumidamente, sobre estes princípios fundamentais da fé reformada a seguir. Sola Scriptura: (Somente a Escritura) É preciso relembrar, que a reforma do século XVI, foi acima de tudo, uma tentativa de volta as origens do cristianismo e estabelecer um retorno as escrituras como sendo a autoridade máxima do crente em oposição a autoridade ''infalível'' do clero. Portanto com o conceito de somente a escritura, os reformadores estavam afirmando que a bíblia era a única fonte de revelação divina escrita por qual o cristão deve ser avaliado e nela contém tudo que o homem necessita para a salvação. A Sola Scriptura é um princípio fundamental da Reforma e sustenta que as Sagradas Escrituras possuem primazia sobre a tradição e o magistério da Igreja. “Um simples leigo armado com as Escrituras é maior que o mais poderoso papa sem elas.” (Martinho Lutero). Sola Gratia: ( Somente a Graça) Este princípio é o ensinamento de que a salvação vem por meio da graça divina ou ´´favor imerecido´´e não por meio de obras, indulgências ou qualquer coisa externa a ela. Sola Gratia é o favor de Deus ao pecador mediante a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Efésios 2:8,9

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Sola Fide: (Somente a Fé) Este é o ensinamento de que a Justificação ou seja (o ato de ser declarado Justo, apenas por Deus) é recebida somente pela fé sem necessidade das boas obras em contraste com a doutrina católica de que o homem é justificado por obras e fé. Sola Fide é o entendimento de que o homem não pode ser justificado por seus méritos e sim somente pelos de Cristo. "fé produz justificação e boas obras" Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei. Romanos 3:28 Solus Christus: (Somente Cristo) É o ensinamento de que Cristo é o único mediador entre Deus e os homens , e não existe salvação em nenhum outro. Solus Christus é o princípio que revela o senhorio de Cristo em contrário aquilo que se entendia na época, de que o papa era o vigário de Cristo e Maria a mediadora dos homens. Somente Cristo salva e conduz o homem a Deus. Soli Deo Gloria: (Glória somente a Deus) Este é o ensinamento de que a glória é devida somente a Deus, pois a salvação é realizada unicamente por sua vontade e ação, através de Jesus Cristo e o Espírito Santo. Soli Deo Gloria é o reconhecimento de que tudo pertence a ele, inclusive o crente que deve glorificá-lo em todas as áreas da vida, seja religiosa ou não. Estamos partindo para o fim deste artigo, já vimos um pouco da história (Ainda que resumida) da Reforma, seus principais princípios teológicos e agora é preciso lembrarmos do legado deste grandioso empreendimento de Deus. O Legado da Reforma para a Igreja e o Mundo Não podemos negar que o maior legado produzido pela Reforma para a Igreja de Cristo foi certamente o retorno e apreço pelas escrituras, levando Lutero a traduzir as escrituras para o idioma alemão e produzindo gradativamente o acesso do povo comum à bíblia, permitindo assim que pessoas simples pudessem conhecer a Deus. Porta do Castelo de Wittemberg A Doutrina da Justificação pela fé e a do sacerdócio dos santos, defendida pelos reformadores mudou a maneira dos cristãos de se relacionarem com Deus, retirando aquele fardo imposto pela religião dominante e trazendo aquilo que Paulo fala em uma de suas epístolas ´´Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; ´´ Romanos 5:1 Além desses importantes avanços e mudança de paradigmas para a Igreja é preciso lembrarmos, que o legado da reforma ultrapassa os arraiais cristãos expandindo-se ao mundo todo, proporcionando o acesso a educação ao povo, com criações de diversas universidades ainda no século XVI, e posteriormente diversas outras que contribuíram sem sombra de dúvida para o progresso do mundo. Entre elas, estão as mais renomadas: Harvard (1643) e Princeton (1746), a Universidade Livre de Amsterdam (1881) e Yale fundada em (1640). Além da área educacional, a Reforma certamente abriu caminho para diversas outras áreas, como a ciência e até mesmo na economia. Jorge A. Ferreira É Presbítero da Igreja Assembléia de Deus, Bacharel em Teologia, Articulista e Palestrante do Seminário À Luz da Bíblia.

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As 95 Teses fixadas por Lutero no castelo de wittemberg “Por amor à verdade e no empenho de elucidá-la, discutir-se-á o seguinte em Wittenberg, sob a presidência do reverendo padre Martinho Lutero, mestre de Artes e de Santa Teologia e professor catedrático desta última, naquela localidade. Por esta razão, ele solicita que os que não puderem estar presentes e debater conosco oralmente o façam por escrito, mesmo que ausentes. Em nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Amém” 1. Ao dizer: “Fazei penitência”, etc. [Mt 4.17], o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência. 2. Esta penitência não pode ser entendida como penitência sacramental (isto é, da confissão e satisfação celebrada pelo ministério dos sacerdotes). 3. No entanto, ela não se refere apenas a uma penitência interior; sim, a penitência interior seria nula se, externamente, não produzisse toda sorte de mortificação da carne. 4. Por consequência, a pena perdura enquanto persiste o ódio de si mesmo (isto é a verdadeira penitência interior), ou seja, até a entrada do reino dos céus. 5. O papa não quer nem pode dispensar de quaisquer penas senão daquelas que impôs por decisão própria ou dos cânones. 6. O papa não tem o poder de perdoar culpa a não ser declarando ou confirmando que ela foi perdoada por Deus; ou, certamente, perdoados os casos que lhe são reservados. Se ele deixasse de observar essas limitações, a culpa permaneceria. 7. Deus não perdoa a culpa de qualquer pessoa sem, ao mesmo tempo, sujeitá-la, em tudo humilhada, ao sacerdote, seu vigário. 8. Os cânones penitenciais são impostos apenas aos vivos; segundo os mesmos cânones, nada deve ser imposto aos moribundos. 9. Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do papa quando este, em seus decretos, sempre exclui a circunstância da morte e da necessidade. 10. Agem mal e sem conhecimento de causa aqueles sacerdotes que reservam aos moribundos penitências canônicas para o purgatório. 11. Essa cizânia de transformar a pena canônica em pena do purgatório parece ter sido semeada enquanto os bispos certamente dormiam. 12. Antigamente se impunham as penas canônicas não depois, mas antes da absolvição, como verificação da verdadeira contrição. 13. Através da morte, os moribundos pagam tudo e já estão mortos para as leis canônica

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tendo, por direito, isenção das mesmas. 14. Saúde ou amor imperfeito no moribundo necessariamente traz consigo grande temor, e tanto mais quanto menor for o amor. 15. Este temor e horror por si sós já bastam (para não falar de outras coisas) para produzir a pena do purgatório, uma vez que estão próximos do horror do desespero. 16. Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma forma que o desespero, o semidesespero e a segurança. 17. Parece necessário, para as almas no purgatório, que o horror devesse diminuir à medida que o amor crescesse. 18. Parece não ter sido provado, nem por meio de argumentos racionais nem da Escritura, que elas se encontrem fora do estado de mérito ou de crescimento no amor. 19. Também parece não ter sido provado que as almas no purgatório estejam certas de sua bem-aventurança, ao menos não todas, mesmo que nós, de nossa parte, tenhamos plena certeza disso. 20. Portanto, por remissão plena de todas as penas, o papa não entende simplesmente todas, mas somente aquelas que ele mesmo impôs. 21. Erram, portanto, os pregadores de indulgências que afirmam que a pessoa é absolvida de toda pena e salva pelas indulgências do papa. 22. Com efeito, ele não dispensa as almas no purgatório de uma única pena que, segundo os cânones, elas deveriam ter pago nesta vida. 23. Se é que se pode dar algum perdão de todas as penas a alguém, ele, certamente, só é dado aos mais perfeitos, isto é, pouquíssimos 24. Por isso, a maior parte do povo está sendo necessariamente ludibriada por essa magnífica e indistinta promessa de absolvição da pena. 25. O mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório de modo geral, qualquer bispo e cura tem em sua diocese e paróquia em particular. 26. O papa faz muito bem ao dar remissão às almas não pelo poder das chaves (que ele não tem), mas por meio de intercessão. 27. Pregam doutrina mundana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada na caixa, a alma sairá voando [do purgatório para o céu]. 28. Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa, pode aumentar o lucro e a cobiça; a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus. 29. E quem é que sabe se todas as almas no purgatório querem ser resgatadas, como na história contada a respeito de São Severino e São Pascoal? 30. Ninguém tem certeza da veracidade de sua contrição, muito menos de haver conseguido plena remissão. 31. Tão raro como quem é penitente de verdade é quem adquire autenticamente as indulgências, ou seja, é raríssimo. 32. Serão condenados em eternidade, juntamente com seus mestres, aqueles que se julgam seguros de sua salvação através de carta de indulgência. 33. Deve-se ter muita cautela com aqueles que dizem serem as indulgências do papa aquela inestimável dádiva de Deus através da qual a pessoa é reconciliada com Ele. 34. Pois aquelas graças das indulgências se referem somente às penas de satisfação sacramental, determinadas por seres humanos. 35. Os que ensinam que a contrição não é necessária para obter redenção ou indulgência, estão pregando doutrinas incompatíveis com o cristão 36. Qualquer cristão que está verdadeiramente contrito tem remissão plena tanto da pena como da culpa, que são suas dívidas, mesmo sem uma carta de indulgência. 37. Qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, participa de todos os benefícios de Cristo e da Igreja, que são dons de Deus, mesmo sem carta de indulgência. 38. Contudo, o perdão distribuído pelo papa não deve ser desprezado, pois – como disse – é uma declaração da remissão divina. 39. Até mesmo para os mais doutos teólogos é dificílimo exaltar simultaneamente perante o povo a liberalidade de indulgências e a verdadeira contrição. 40. A verdadeira contrição procura e ama as penas, ao passo que a abundância das ...

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indulgências as afrouxa e faz odiá-las, ou pelo menos dá ocasião para tanto. 41. Deve-se pregar com muita cautela sobre as indulgências apostólicas, para que o povo não as julgue erroneamente como preferíveis às demais boas obras do amor. 42. Deve-se ensinar aos cristãos que não é pensamento do papa que a compra de indulgências possa, de alguma forma, ser comparada com as obras de misericórdia. 43. Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou emprestando ao necessitado, procedem melhor do que se comprassem indulgências. 44. Ocorre que através da obra de amor cresce o amor e a pessoa se torna melhor, ao passo que com as indulgências ela não se torna melhor, mas apenas mais livre da pena. 45. Deve-se ensinar aos cristãos que quem vê um carente e o negligencia para gastar com indulgências obtém para si não as indulgências do papa, mas a ira de Deus. 46. Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem bens em abundância, devem conservar o que é necessário para sua casa e de forma alguma desperdiçar dinheiro com indulgência. 47. Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de indulgências é livre e não constitui obrigação. 48. Deve ensinar-se aos cristãos que, ao conceder perdões, o papa tem mais desejo (assim como tem mais necessidade) de oração devota em seu favor do que do dinheiro que se está pronto a pagar. 49. Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências do papa são úteis se não depositam sua confiança nelas, porém, extremamente prejudiciais se perdem o temor de Deus por causa delas. 50. Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas. 51. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto – como é seu dever – a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de indulgências extorquem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse necessário vender a Basílica de S. Pedro. 52. Vã é a confiança na salvação por meio de cartas de indulgências, mesmo que o comissário ou até mesmo o próprio papa desse sua alma como garantia pelas mesmas. 53. São inimigos de Cristo e do Papa aqueles que, por causa da pregação de indulgências, fazem calar por inteiro a palavra de Deus nas demais igrejas. 54. Ofende-se a palavra de Deus quando, em um mesmo sermão, se dedica tanto ou mais tempo às indulgências do que a ela. 55. A atitude do Papa necessariamente é: se as indulgências (que são o menos importante) são celebradas com um toque de sino, uma procissão e uma cerimônia, o Evangelho (que é o mais importante) deve ser anunciado com uma centena de sinos, procissões e cerimônias. 56. Os tesouros da Igreja, a partir dos quais o papa concede as indulgências, não são suficientemente mencionados nem conhecidos entre o povo de Cristo. 57. É evidente que eles, certamente, não são de natureza temporal, visto que muitos pregadores não os distribuem tão facilmente, mas apenas os ajuntam. 58. Eles tampouco são os méritos de Cristo e dos santos, pois estes sempre operam, sem o papa, a graça do ser humano interior e a cruz, a morte e o inferno do ser humano exterior. 59. S. Lourenço disse que os pobres da Igreja são os tesouros da mesma, empregando, no entanto, a palavra como era usada em sua época. 60. É sem temeridade que dizemos que as chaves da Igreja, que foram proporcionadas pelo mérito de Cristo, constituem estes tesouros. 61. Pois está claro que, para a remissão das penas e dos casos especiais, o poder do papa por si só é suficiente. 62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus. 63. Mas este tesouro é certamente o mais odiado, pois faz com que os primeiros sejam os últimos. 64. Em contrapartida, o tesouro das indulgências é certamente o mais benquisto, pois faz dos últimos os primeiros. 65. Portanto, os tesouros do Evangelho são as redes com que outrora se pescavam

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homens possuidores de riquezas. 66. Os tesouros das indulgências, por sua vez, são as redes com que hoje se pesca a riqueza dos homens. 67. As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como as maiores graças realmente podem ser entendidas como tais, na medida em que dão boa renda. 68. Entretanto, na verdade, elas são as graças mais ínfimas em comparação com a graça de Deus e a piedade da cruz. 69. Os bispos e curas têm a obrigação de admitir com toda a reverência os comissários de indulgências apostólicas. 70. Têm, porém, a obrigação ainda maior de observar com os dois olhos e atentar com ambos os ouvidos para que esses comissários não preguem os seus próprios sonhos em lugar do que lhes foi incumbidos pelo papa. 71. Seja excomungado e amaldiçoado quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas. 72. Seja bendito, porém, quem ficar alerta contra a devassidão e licenciosidade das palavras de um pregador de indulgências. 73. Assim como o papa, com razão, fulmina aqueles que, de qualquer forma, procuram defraudar o comércio de indulgências, 74. muito mais deseja fulminar aqueles que, a pretexto das indulgências, procuram fraudar a santa caridade e verdade. 75. A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes a ponto de poderem absolver um homem mesmo que tivesse violentado a mãe de Deus, caso isso fosse possível, é loucura. 76. Afirmamos, pelo contrário, que as indulgências papais não podem anular sequer o menor dos pecados venais no que se refere à sua culpa. 77. A afirmação de que nem mesmo São Pedro, caso fosse o papa atualmente, poderia conceder maiores graças é blasfêmia contra São Pedro e o Papa. 78. Dizemos contra isto que qualquer papa, mesmo São Pedro, tem maiores graças que essas, a saber, o Evangelho, as virtudes, as graças da administração (ou da cura), etc., como está escrito em I Coríntios XII. 79. É blasfêmia dizer que a cruz com as armas do papa, insigneamente erguida, eqüivale à cruz de Cristo. 80. Terão que prestar contas os bispos, curas e teólogos que permitem que semelhantes sermões sejam difundidos entre o povo. 81. Essa licenciosa pregação de indulgências faz com que não seja fácil nem para os homens doutos defender a dignidade do papa contra calúnias ou questões, sem dúvida argutas, dos leigos. 82. Por exemplo: Por que o papa não esvazia o purgatório por causa do santíssimo amor e da extrema necessidade das almas – o que seria a mais justa de todas as causas, se redime um número infinito de almas por causa do funestíssimo dinheiro para a construção da basílica – que é uma causa tão insignificante? 83. Do mesmo modo: Por que se mantêm as exéquias e os aniversários dos falecidos e por que ele não restitui ou permite que se recebam de volta as doações efetuadas em favor deles, visto que já não é justo orar pelos redimidos? 84. Do mesmo modo: Que nova piedade de Deus e do papa é essa que, por causa do dinheiro, permite ao ímpio e inimigo redimir uma alma piedosa e amiga de Deus, mas não a redime por causa da necessidade da mesma alma piedosa e dileta por amor gratuito? 85. Do mesmo modo: Por que os cânones penitenciais – de fato e por desuso já há muito revogados e mortos – ainda assim são redimidos com dinheiro, pela concessão de indulgências, como se ainda estivessem em pleno vigor? 86. Do mesmo modo: Por que o papa, cuja fortuna hoje é maior do que a dos ricos mais crassos, não constrói com seu próprio dinheiro ao menos esta uma basílica de São Pedro, ao invés de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis? 87. Do mesmo modo: O que é que o papa perdoa e concede àqueles que, pela contrição perfeita, têm direito à plena remissão e participação? 88. Do mesmo modo: Que benefício maior se poderia proporcionar à Igreja do que se o papa, assim como agora o faz uma vez, da mesma forma concedesse essas remissões e participações cem vezes ao dia a qualquer dos fiéis? 89. Já que, com as indulgências, o papa procura mais a salvação das almas do que o

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dinheiro, por que suspende as cartas e indulgências, outrora já concedidas, se são igualmente eficazes? 90. Reprimir esses argumentos muito perspicazes dos leigos somente pela força, sem refutá-los apresentando razões, significa expor a Igreja e o papa à zombaria dos inimigos e fazer os cristãos infelizes. 91. Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido. 92. Portanto, fora com todos esses profetas que dizem ao povo de Cristo “Paz, paz!” sem que haja paz! 93. Que prosperem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo “Cruz! Cruz!” sem que haja cruz! 94. Devem-se exortar os cristãos a que se esforcem por seguir a Cristo, seu cabeça, através das penas, da morte e do inferno. 95. E que confiem entrar no céu antes passando por muitas tribulações do que por meio da confiança da paz. “foi o maior evento, ou série de eventos, desde o encerramento do Cânon das Escrituras” teólogo escocês William Cunningham Martinho Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483, em Eisleben. A pedido dos pais se inscreveu na escola de Direito na Universidade de Erfurt, mas não chegou a estudar. Isso porque durante uma forte tempestade quase foi atingido por um raio. Como escapou da morte ele entrou para a ordem dos Agostinianos, de Frankfurt, a 17 de julho de 1505.

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O Muro dos Reformadores. Da esquerda à direita, estátuas de Guilherme Farel, João Calvino, Teodoro de Beza e John Knox.

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