Tribuna do Piracicaba - A Voz do Rio

 

Embed or link this publication

Description

Bacia do Piracicaba - Setembro de 2017 - Edição 233 - Ano XXIV

Popular Pages


p. 1

Bacia do Piracicaba, Setembro de 2017 Edição 233 – Ano XXIV Distribuição Dirigida Gratuita Nas bancas: R$ 2,00 Como na música do mineiro de Itaobim, Tadeu Franco, “Onde eu nasci passa um rio”, o também mineiro da cidade de Nova Era, engenheiro ambiental Cláudio Bueno Guerra apresenta sua relação com o Piracicaba e fornece ricas informações sobre esse “ser vivo”. Páginas 5, 6, 7 e 8 Movimentos pelas águas Reuniões, fóruns, manifestos, congressos e seminários envolvendo o tema “recursos hídricos” marcaram esse mês de setembro. O Tribuna do Piracicaba conferiu as açôes e o que de novidades a Exposibram apresentou. Páginas 3, 9 e 11 Rio Vivo Após conhecida a empresa (Funec) que desenvolverá os projetos hidro ambientais na Bacia do Piracicaba, foi assinado o contrato com a instituição que deverá iniciar os trabalhos em meados de outubro. Página 4

[close]

p. 2

O rio Piracicaba e ao fundo o bairro Amaro Lanari. 2setembro de 2017 Joubert Senra “Vale muito mais o otimismo da ação, por menor que ela seja, do que o pessimismo do pensamento”. Expediente: Tribuna do Piracicaba a voz do rio • Diretor Responsável: Geraldo Magela Gonçalves • Diretor Geral: Rafaela Iara Pantuza Gonçalves • Comercial: dindao@bomdiaonline.com (31) 9 9965-4503 • Diagramação/Arte: Sérgio Henrique Braga • Impressão: Gráfica Bom Dia • Representante Comercial: Super Mídia Brasil - BH Redação e Administração Rua Lucindo Caldeira, nº 159, Sl. 301, Alvorada, CEP.: 35930-028 João Monlevade / MG / Brasil (31) 3851.3024 • A Voz do Rio Online: www.tribunadopiracicaba.com Circulação: Bacia Hidrográfica do rio Piracicaba FUNDADO EM FEVEREIRO DE 1994 Razão Social : Rafaela Pantuza Gonçalves CNPJ: 13.970.485/0001-98 Inscrição Estadual : Isenta Inscrição Municipal 123470CNPJ.: 24538633/0001-16 Todos os Direitos Reservados dindao@bomdiaonline.com “Pensar Global e Agir Local”: a experiência positiva da ADAS, em Coronel Fabriciano * Diego Martins Ribeiro Coronel Fabriciano - O bairro Amaro Lanari, na cidade de Coronel Fabriciano, tem um traçado que acompanha o Rio Piracicaba e, ao mesmo tempo, é margeado pela rodovia BR 381 e os trilhos da ferrovia Vitória-Minas. Este bairro, que conta hoje com uma população aproximada de 6 mil habitantes, tem uma história interessante de mobilização da comunidade, na defesa de seus interesses sócio-ambientais. Em 1997, foi criado o MOSAL – Movimento Social do Bairro Amaro Lanari, época em que a margem do rio era totalmente desprotegida e vulnerável à ação de poluidores. Dessa forma, toda sorte de lixo (doméstico, entulhos de construção, móveis velhos, animais mortos) era jogado sem nenhum constrangimento na beira do rio. A primeira luta do Movimento foi travada contra a existência de um lava-jato à margem do Piracicaba, que ocasionava o despejo de óleo e demais poluentes em seu leito. Com o apoio da população e do Poder Público, a comunidade saiu vito- riosa – o lava-jato foi desativado e o Piracicaba se livrou de um poluidor. Posteriormente, com o avanço do “Programa Mata Ciliar” da empresa Usiminas, toda a margem do Piracicaba na área residencial do bairro foi cercada, o que reduziu consideravelmente o descarte irregular de lixo no local. Paralela a essa ação da empresa, o Movimento desenvolveu um trabalho de conscientização dos moradores denominado “S.O.S. Avenida Brasília – Guilherme Giacomin”, em alusão à avenida que tangencia o Piracicaba e em homenagem a um dos pioneiros do bairro e grandes defensores do rio, com o foco na preservação das suas margens. A partir Dalí foram feitos muitos trabalhos nas escolas, praças e igrejas do bairro, com material educativo, mostras culturais, mutirões de plantio e “cata-cata” de lixo, como forma de desenvolver nos moradores, principalmente nos mais novos, um sentimento de cuidado e pertencimento ao bairro e ao meio ambiente como um todo. Além disso o Movimento atuou como canal para recebimento e encaminhamento de denúncias de agressões ambientais ocorridas no bairro. No ano de 2009, o Movimento passou por uma reestruturação do seu estatuto social e ganhou o nome de ADAS – Associação de Desenvolvimento Ambiental e Sociocultural do Amaro Lanari, que continuou nesta mesma linha de trabalho, ampliando ainda mais a interlocução com o Poder Público e com as grandes empresas da região, levando ao seu conhecimento as demandas de sua responsabilidade relacionadas ao meio ambiente local e propondo soluções. Outra batalha da qual a Associação saiu vitoriosa foi contra a construção da ETE – Estação de Tratamento de Esgoto da Copasa na área residencial do bairro. Após grande mobilização da comunidade, a ADAS juntamente com outras associações de moradores, conseguiu fazer a empresa voltar atrás neste empreendimento. Hoje, após anos de atraso, a ETE está sendo construída em área distante do núcleo urbano, situada na cidade de Timóteo e atenderá tanto a este município quanto à Coronel Fabriciano. Hoje ao fazermos uma caminhada pelo bairo Amaro Lanari, vemos muitas iniciativas de moradores que nos enchem de alegria: são belos jardins plantados em frente às casas, áreas muito bem cuidadas com balanços para crianças e inúmeros espaços de lazer, que outrora eram pontos de descarte irregular de lixo. É claro que ainda há muito trabalho a se fazer, não conseguimos conscientizar todos os moradores, mas quando vemos que a comunidade se apropriou de um espaço público e está cuidando bem dele, temos a sensação de que estamos no caminho certo. E é assim, com muitas lutas, muito empenho, às vezes com poucos resultados, que a ADAS chega aos seus vinte anos de atividade, tentando defender o meio ambiente local, simbolizado principalmente pelo rio que nos dá vida diariamente – o sofrido Piracicaba. Ainda que seja um trabalho de “formiguinha”, pelo menos nos deixa com a consciência menos pesada de que não estamos indiferentes à morte paulatina do nosso rio e do nosso planeta. E como diz a mensagem do Greenpeace: “Vale muito mais o otimismo da ação, por menor que ela seja, do que o pessimismo do pensamento”. * Presidente da ADAS Diego Martins Ribeiro ADAS durante ação local no bairro Amaro Lanari.

[close]

p. 3

3setembro de 2017 CBH PIPRAACRICAAMBAOCNRIIATOGRRUAPRO DOE RTRIOABALHO João Monlevade - Após inúmeras denúncias repercutidas pela imprensa, (Tribuna do Piracicaba – A Voz do Rio – Edições 228, 229 e 231 \ Bom Dia – O Diário do Médio Piracicaba) feitas por moradores ribeirinhos ao longo do Piracicaba e pela Cenibra, que culminou com uma ação do MPMG, o CBH Piracicaba resolveu, durante plenária da 72ª Reunião Ordinária do órgão, instituir e instalar um Grupo de Trabalho para análise e proposição de ações para o controle de turbidez no Rio Piracicaba. O Grupo de Trabalho, denominado Grupo Qualidade, foi composto pelos seguintes membros: Fundação Relictos de Apoio ao Parque Florestal Estadual do Rio Doce \ José Ângelo Paganini; Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Itabira \ Jorge Martins Borges; Samarco Mineração S.A. \ Paulo Sergio Machado Ribeiro Filho; Vale S .A . \ Luiz Claudio de Castro Figueiredo; Celulose Nipo Brasileira S.A. \ Jacinto Moreira de Lana; Ministério Publico do Estado de Minas Gerais \ Leonardo de Castro Maia; Instituto Mineiro de Gestão das Águas \ Regina Pimenta Assunção; Fundação Estadual do Meio Ambiente e Subsecretaria de Fiscalização Ambiental da SE- Rio agora será monitorado. Na foto o Piracicaba enlameado passando pela cidade homônima MAD. Entre suas funções, O GT Qualidade deverá elaborar um Plano de Trabalho e apresentá-lo à Plenária do Comitê visando conhecer e analisar a situação real da qualidade da água no Alto Piracicaba e propor ações corretivas para sua adequação ao enquadramento definido na Bacia. Ao final dos seus traba- lhos, o GT deverá apresentar Relatório conclusivo à plenária do CBH Piracicaba-MG que será encaminhado aos órgão ambientais responsáveis, com o seguinte conteúdo mínimo: Diagnóstico da atual situação da qualidade da água e do seu monitoramento no alto rio Piracicaba, com destaque para o parâmetro da tur- bidez e pro-posta de ações corretivas e preventivas visando a melhoria da situação da qualidade da água evidenciada no alto rio Piracicaba, em especial com relação ao parâmetro da turbi-dez tendo como referencia a Deliberação Normativa COPAM nº 09, de 19 de abril de 1994. O grupo, que terá prazo de seis meses para apre- Dindão sentação dos seus trabalhos, contados a partir de sua primeira reunião, podendo ser prorrogado, terá como .canal de comunicação o CBH Piracicaba, onde a comunidade poderá acionar e ou interagir com o GT. Para tanto, basta enviar mensagem através do e-mail contato@cbhpiracicabamg.org.br Representantes do Fórum Mineiro de Comitês fazem manifesto pela gestão das águas no estado Belo Horizonte - Preocupados com a forte escassez hídrica e a crise na gestão dos recursos hídricos no estado, representantes do Fórum Mineiro de Comitês de Bacias Hidrográficas (FMCBH) se reuniram no dia 20, na sede da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), para 52º reunião extraordinária do fórum e no dia 21, em frente à sede da Assembleia Legislativa de Minas Gerais para um manifesto. Os temas que pautaram a manifestação foram: o repasse dos recursos da cobrança de valores já arrecadados pelo estado; o não contingenciamento dos recursos do Fundo de Recuperação, Proteção e Desenvolvimento Sustentável das Bacias Hidrográficas do Estado de Minas Gerais (Fhidro) e o repasse imediato para manutenção dos CBHs; o envio para Assembleia da nova lei do Fhidro; o fortalecimento do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM); a integração da politica de recursos hídricos com a gestão ambiental; a consolidação de uma política de revitalização de rios no estado de Minas Gerias aos mol- des do que já está sendo tação é que o Governo feito no Rio das Velhas; e os Comitês de Bacia, O objetivo da manifes- enquanto órgãos de esta- Reunião aconteceu na sede da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) do, cumpram seus papeis institucionais contribuindo para manter os rios de Minas Gerais vivos, com água em quantidade e qualidade adequadas. Ohana Pacília

[close]

p. 4

4setembro de 2017 Contrato para implantação do Rio Vivo é assinado Fabiana Conrado Rio Vivo – CBH-Piracicaba Rio Vivo - é o nome dado à implementação conjunta de três programas previstos no Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia do Rio Doce (PIRH-Doce), que contemplam ações de recuperação ambiental com recursos da cobrança pelo uso da água. • Programa de Controle de Atividades Geradoras de Sedimentos (P12) • Programa de Expansão do Saneamento Rural (P42) • Programa de Recomposição de APPs e nascentes (P52) POR QUE PÔR EM PRÁTICA O RIO VIVO? • Revitalização dos corpos d’água • Aumento da quantidade de água • Melhoria da qualidade da água Presidente do CBH Piracicaba Flamínio Guerra e o Professor Antônio Fonseca da Silva, Reitor da Unec, durante a cerimônia de assinatura do contrato do Projeto Rio Vivo Governador Valadares - Os Comitês das Bacias Hidrográficas dos Rios Piranga, Piracicaba/MG e Santo Antônio estão investindo recursos da cobrança pelo uso da água na recuperação de nascentes, promoção de melhorias no saneamento rural e redução da geração de sedimentos. Através de ato convocatório promovido pelo IBIO – foram contratadas duas empresas especializadas na elaboração de diagnósticos e projetos em imóveis rurais de municípios priorizados, conforme critérios de vulnerabilidade ambiental. Rio Vivo é a denominação do projeto de execução conjunta de três programas: Controle de Atividades Geradoras de Sedimentos (P12), Expansão do Saneamento Rural (P42) e Recomposição de APPs e Nascentes (P52) na Bacia do Rio Doce. Nessa primeira fase, onde serão executados os pro- jetos, serão investidos aproximadamente R$ 3,1 milhões, pelo CBH-Piranga; R$ 3,6 milhões, pelo CBH-Piracicaba e R$ 2,7 milhões pelo CBH-Santo Antônio. O contrato foi assinado no dia 15 de setembro, em Governador Valadares e a cerimônia contou com a presença do presidente do CBH-Piracicaba, Flamínio Guerra e o Reitor da Unec, Professor Antônio Fonseca da Silva. Rio Vivo: ações integradas em prol do Rio Doce A fim de potencializar os resultados ambientais e promover a utilização eficiente dos recursos da cobrança pelo uso da água, os Comitês que compõem a Bacia Hidrográfica do Rio Doce optaram por trabalhar, de forma integrada, o Rio Vivo, que prevê ações de recuperação de olhos d’água e de áreas de recarga; promoção do saneamento rural, por meio da implantação de sistemas de tratamento de esgoto; e redução da geração de sedimentos, através da construção de barraginhas. As intervenções serão aliadas a ações de educação ambiental para que, além da transformação do meio ambiente, também haja mudança de hábitos das comunidades envolvidas. Na Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba/MG, participarão das intervenções imóveis rurais dos municípios de Catas Altas, Santa Bárbara, Barão de Cocais, Bom Jesus do Amparo, São Gonçalo do Rio Abaixo, Rio Piracicaba, João Monlevade, São Domingos do Prata, Bela Vista de Minas, Nova Era, Itabira, Alvinópolis, Antônio Dias, Jaguaraçu, Marliéria, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipatinga, Santana do Paraíso e parte do município de Mariana. COMO • Aumento da infiltração das águas de chuva no solo • Controle do carreamento de sedimentos para corpos d’água • Tratamento de esgotos domésticos para que não sejam lançados diretamente nos solos e rios • Tratamento de água para abastecimento Etapas do Rio Vivo 1ºetapa (já concluída) Por meio de edital de chamamento público, realizado em 2016, foi feita a seleção dos municípios a serem contemplados, seguido do levantamento de pontos de captação de água para abastecimento público e dos limites das microbacias de contribuição. 2ª ETAPA: (ETAPA ATUAL) Contratação de empresas para planejamento: • Ato Convocatório publicado em 2017 • Atividades contempladas: • Mobilização e educação ambiental • Cadastro Ambiental Rural (CAR) • Diagnóstico dos imóveis rurais • Projetos de adequação ambiental 3ª ETAPA: (AÇÕES FUTURAS) Contração de empresas para execução: • Prevista para 2018 • Atividades a serem contratadas: Execução dos projetos de recuperação de nascentes, de barraginhas e caixas secas, e de sistema de tratamento de esgoto e água • Monitoramento QUAIS OS BENEFÍCIOS PARA O MUNICIPIO? • Levantamento de informações sobre os pontos de captação de água • Levantamento de informações sobre projetos já existentes e ações que poderão dar apoio ao Programa Rio Vivo • Recuperação de áreas degradadas em microbacias dos pontos de captação de água para abastecimento público • População mais consciente BENEFÍCIOS PARA O IMÓVEL RURAL • Identificação de ações necessárias para recuperação ambiental • Projetos • Recuperação de nascentes • Sistema de tratamento de esgoto • Barraginhas e caixas secas • Sistema de tratamento de água • Imóveis rurais adequados ao Código Florestal (Lei Federal nº 12.651/2012) quando inscritos no CAR • Produtores rurais envolvidos em atividades de Educação Ambiental COMO SUA INSTITUIÇÃO PODE AJUDAR O RIO VIVO? • Participar como membro da Unidade Gestora de Projeto (UGP) de seu município • Participar das reuniões e eventos • Ajudar a mobilizar o público alvo a ser beneficiado com o Programa • Apoiar nas visitas de campo • Fornecer dados e estudos já existentes na área Mapa áreas prioritárias dos municípios + Bom Jesus Amparo

[close]

p. 5

5setembro de 2017 Rio Piracicaba, muito obrigado! • O Rio na minha infância * Eng. Claudio B.Guerra Nasci em Nova Era, às margens do rio Piracicaba, que marcou minha infância e adolescência. Desde cedo, me sentia fascinado por ele, a começar com o som de suas águas. Era a voz do rio. Porém, ao mesmo tempo, tinha medo dele por causa de suas enchentes, quando cobria as ruas, quase passava por cima da ponte e invadia o pátio da minha escola. Nesses dias, não podíamos brincar na hora do recreio, pois “o rio estava bravo”. O medo vinha também quando surgia a notícia de que alguém havia morrido afogado no rio Quando ia para a escola, parava sobre a ponte dos Arcos e fitava o rio, demoradamente. O movimento de suas águas me fazia deslocar como se estivesse num navio. “Viajava” pelo rio, era uma coisa mágica. Ao freqüentar o Rio, conheci personagens interessantes e que tinham contato estreito, diário com ele: as lavadeiras, que trabalhavam sorrindo, falando alto, algumas cantando. Aos sete anos de idade aprendi a respeitar, admirar e amar o rio Piracicaba. Mas isto era segredo, não tinha coragem de falar para ninguém, pois tinha receio de me chamarem de doido. Hoje, depois de ter “rodado o mundo” e de ter ido para a Holanda justamente para estudá-lo, o rio da minha infância continua dentro de mim. Fotos: Dindão O conceito de Rio O rio é a casa das águas, uma casa sempre em movimento. Há centenas de milhares de anos o rio lava e leva as coisas boas ou ruins que estão nas suas margens, que caem ou são jogadas no seu leito. O rio é também sinônimo de força, beleza, magia, mistério, energia, biodiversidade, fertilidade e temporalidade. No rio, tudo acontece de uma forma equilibrada e perfeita, pois ele mantém uma estreita e harmoniosa relação com os solos, a vegetação e os seres vivos (entre eles o homem). Suas curvas, seu leito, suas margens com (ou sem) florestas e planícies de alagação, sua velocidade, seu fundo misterioso onde vivem milhões de seres vivos, funcionam dentro da lógica da natureza. Assim, ele dá suporte à vida e a transporta. “O útero do rio são as planícies de alagação. É aí que se dá o casamento do mato com a água que agasalha, alimenta e rejuvenesce os cardumes” (CERRI, C.) Embora os rios sejam vitais para nossa economia, desenvolvimento e qualidade de vida, poucos percebem sua importância histórica, econômica, social e ambiental. O professor Sérgio Buarque de Holanda foi o primeiro historiador brasileiro a expressar a ideia de que um rio tem uma dimensão e um significado cultural. Ele publicou dois livros importantes sobre este tema: Monções, em 1945, e Caminhos e Fronteiras, em 1957. Neles, ficou estabelecido o conceito de que os rios são natureza e cultura e não apenas águas correndo num leito. Assim, ele chamou a atenção para os usos desses cursos d’água, para as relações homem-natureza, para as interferências humanas no rio e o cotidiano que se desdobrava ao seu redor. A partir daí, passou-se a perceber que os rios não eram apenas as estradas das águas, eles eram um caudal de cultura, pois viajam também no meio das populações locais e de suas estórias. Passamos a entender que os rios e os homens compõem na cidade um sistema bio-cultural único, traduzido em belas e variadas manifestações culturais do povo ribeirinho, desde as festas populares, o folclore, a música, os costumes, o artesanato, até uma tradição secular de culinária. O rio não fornece somente a água e o peixe, ele está presente em tudo, todo dia. Os rios brasileiros são, portanto, um patrimônio natural, histórico e cultural de nosso país. Eles são testemunhas vivas da nossa história e desempenharam papel fundamental no processo de ocupação do território brasileiro, pois ajudaram a desenhar e ampliar nossas fronteiras. Na prática, ajudaram a romper o Tratado de Tordesilhas, pois a linha imaginária foi desrespeitada pelo movimento das águas e dos pioneiros. Os bandeirantes não só extraíam deles o precioso ouro, mas os tinham como referência nos seus deslocamentos e na fundação de povoados. Milhares de cidades brasileiras cresceram acompanhando o rio, seguiram seu trajeto. Na prática, o rio acolhe a cidade, marca o seu dia a dia e embeleza sua paisagem. Portanto, o conceito moderno de rio abrange a interação dinâmica entre terra, gente, trabalho, memória desenvolvimento e cultura. Ele não é apenas um elemento físico: é um elo de integração social e cultural. Depois de domados e de receberem um nome, os rios brasileiros deixaram de ser elementos brutos da natureza e se incorporaram a um contexto cultural. Assim, eles contribuíram para a construção de uma identidade regional, rica de significados e valores. O caso do Rio São Francisco parece ser o mais emblemático, sendo ele chamado, carinhosamente, ora de “Velho Chico” ora de “rio da integração nacional”. Por outro lado, é curioso observar como cada segmento social tem uma visão particular do rio e elabora representações e significados próprios em relação a ele. O rio, então, pode ser ignorado ou visto como importante, bonito, útil, poluído ou perigoso. Historiadores, empresários, gestores públicos, agricultores, pescadores, artistas, escritores, engenheiros, população ribeirinha, cada um tem uma percepção do rio e a emprega na afirmação de seus interesses e valores. Dá para concluir, portanto, que existe um Rio real, mas também um rio ignorado, imaginado e aquele idealizado. “O rio nasce – doce – na gorda barriga da montanha e vai morrer na praia. todo dia o rio nasce, todo dia o rio morre, todo dia o rio parte, Chega o rio, todo dia, Ao seu destino de sal ”. (Ziraldo)

[close]

p. 6

6setembro de 2017 A importância do Rio Ao longo de seu percurso, o rio e seus afluentes vão oferecendo suas águas para os mais variados usos: consumo humano, agricultura e pecuária, produção industrial, matar a sede dos animais, geração de energia elétrica, pesca, lazer e turismo, etc, beneficiando milhares de produtores rurais, pescadores, empresários, cidadãos urbanos, animais, usinas hidroelétricas, etc. Entretanto, poucos se lembram que a maior parte da água consumida pela população brasileira vem dos rios e que neles estamos lançando, “in natura”, quase todos os nossos esgotos domésticos e rejeitos industriais. Além disso, as intervenções e agressões a seu leito e a suas águas são as mais diversas e estapafúrdias. O respeito, o amor, a gra- Fotos: Dindão tidão e o forte vínculo que os indígenas brasileiros têm pelos rios são comoventes. Na verdade, isto evidencia a grande dependência dos nativos com os rios. Quando aqui chegaram tudo que os pioneiros portugueses aprenderam sobre os rios veio do conhecimento dos indígenas, desde o nome até a construção das embarcações leves, a navegação e suas rotas, os riscos nas viagens, os peixes e outros alimentos, as doenças e as plantas medicinais para sua cura, as lendas etc. Desta forma, o que ocorreu aqui foi o surgimento de uma rica cultura material, fruto da união de crenças, valores e práticas de diferentes grupos étnicos: brancos (portugueses), indígenas e negros. Os indígenas nos mostraram que todo rio tem um nome e suas peculiaridades, que é como sua carteira de identidade. Vale observar que a maioria de nossos rios tem nome de origem indígena e uma outra parte significativa tem nomes dos santos, geralmente aquele do dia em que os pioneiros se encontraram com o rio pela primeira vez. (Por exemplo, existem dezenas de rios com o nome de Santo Antônio, em vários estados brasileiros). “O rio Doce é pai e mãe de nosso povo. É ele que nos dá alimento e a cura para nossos espíritos. Portanto, os malefícios que a sociedade faz ao Doce, faz ao meu povo também”. ( Líder indígena Krenak Douglas Thã, da aldeia às margens do rio Doce, em Resplendor, in revista Águas do Rio Doce, 2007 ) • Conhecendo o nosso Piracicaba : NOME: A versão que parece mais correta para o nome Piracicaba vem da língua Tupi Guarani e significa “lugar onde os peixes param” ou são barrados, numa referência às diversas corredeiras e cachoeiras que interrompiam o movimento deles de subir o rio para a desova ( pira – peixe, cica- pegar, ba – lugar) NASCENTES: As nascentes do Piracicaba se localizam nos contrafortes da Serra do Caraça, numa região de grandes altitudes (de 1.800 a 2000 metros) e de paisagem exuberante, com lindas montanhas e cachoeiras. Para se chegar às nascentes, temos 2 alternativas : Por Santa Bárbara, passando pelas vilas de Conceição de Rio Acima e Vigário da Vara, seguindo na direção do curso do Rio Conceição. Após caminhada de quase 3 horas, conseguimos visualizar as nascentes. Por Mariana, passando por dentro das instalações da SAMARCO. Depois de uma caminhada de cerca de 2h, chega-se á área das nascentes. Próximo ás nascentes do Piracicaba estão localizados a Floresta Estadual do Uaimii, o Complexo Industrial da Samarco e também as nascentes do Rio das Velhas RECURSOS NATURAIS: Os recur- sos naturais foram e continuam sendo elementos chaves no processo de crescimento econômico e desenvolvimento social da Bacia do Rio Piracicaba. Assim é que as águas, os minerais, as florestas e os recursos humanos desta região desempenham papel fundamental na economia mineira e nas exportações brasileiras de minério de ferro, celulose e aços. Nesta bacia se localiza, o maior com- plexo minero-siderúrgico da América Latina e um dos mais importantes polos da economia mineira. Como consequência, num espaço geográfico relativamente pequeno, se concentraram inúmeros e diversificados problemas socioambientais. Vale lembrar que estes gigantes da mineração e da siderurgia são grandes consumidores de água e geradores de resíduos líquidos (hoje tratados) e que todos têm outorgas fornecidas pelo IGAM/ ANA. POPULAÇÃO: A população da bacia do Rio Piracicaba é estimada em 750 mil habitantes, dos quais 50 mil hoje residem no meio rural, em cerca de 10 mil propriedades rurais. (Cerca de 80% delas ocupam áreas menores que 50 ha). Portanto, são milhares de pequenos proprietários rurais que estão em contacto diário com as nascentes do sistema hídrico do Rio Piracicaba. (cuidando delas ou não). A grande maioria das cidades da bacia está localizada às margens de cursos d’água, principalmente do Rio Piracicaba. Aqui merece destaque a iniciativa da cidade de Nova Era, que deveria servir de exemplo para outras cidades ribeirinhas. A Prefeitura Municipal promoveu um projeto de inclusão social e de busca da integração rio-cidade-pessoas: às margens do Piracicaba foram construídos 6 km de pistas para caminhadas, ciclismo e outras atividades públicas. Este espaço de lazer conta com playground para crianças, bancos para as pessoas, lixeiras, iluminação e também arborização em várias partes ao longo da faixa ribeirinha. ENERGIA: A bacia não é auto suficiente em energia elétrica, mas ao longo do Rio Piracicaba estão localizadas várias usinas hidroelétricas como Ponte Torta (Jacui), Guilman Amorim, Sá Carvalho, Peti, além de várias outras PCH´s (pequena central hidroelétrica). FOZ : A foz do Rio Piracicaba está localizada no bairro Carirú, em Ipatinga, junto ao Parque Estadual do Rio Doce, que com 36 mil hectares é a maior área contínua de Mata Atlântica de Minas Gerais.

[close]

p. 7

7setembro de 2017 Fotos: Dindão • O Rio, o território e o sentimento de pertencimento : “ Eu sou do Piracicaba” O geógrafo e professor Milton Santos afirmava que um território não é apenas uma mancha colorida num mapa, assim como um rio não é somente um traço azul nele. O Rio é um ser vivo complexo, que não só faz ligação entre as várias regiões e as pessoas dentro da sua bacia hidrográfica, de seu território. Ele é uma referência e fonte de matéria-prima e de vida para produtores rurais, o comércio, as grandes indústrias, as usinas hidroelétricas, os governos, a população ribeirinha, os cidadãos comuns no meio urbano. O Rio ajuda a vida fluir. “O território é o chão e as pessoas; a identidade e os fatos, o sentimento de pertencimento” (SANTOS, 2000). Esse sentido de territorialidade descrito por Santos é importante, pois liga o passado ao presente e ao futuro das pessoas. Ele chama atenção para a força da identidade coletiva, que envolve e forma vínculos com gerações que antecederam e que sucederão uma comunidade específica. Aqui é importante lembrar que o rio é um ator muito importante na história das “gentes” de um lugar. Dentro dessa mesma visão, o professor americano John Friedmann afirma: “A afetividade ao território onde vivemos é um dos mais importantes vínculos do ser humano. O território liga o presente ao passado, com uma base de memórias comuns e também ao futuro com um destino comum” (FRIEDMANN,1992,) A sobreposição harmoniosa dos conceitos de bacia hidrográfica e de território coloca o tema rio, dentro de uma base realista: o rio está presente na história das pessoas e das comunidades, na economia, nas tradições culturais, no seu dia a dia. Estes conceitos enfatizam também a visão de conjunto de que um rio são vários e eles se mantêm vivos pelo princípio da solidariedade, o qual abrange também as pessoas e suas preocupações com o futuro. Assim, ao olharmos o mapa veremos que um rio tem, sempre, várias nascentes. O que seria do Rio Doce hoje se ele não tivesse a “solidariedade hídrica” do Piranga, Piracicaba, Santo Antônio, Suaçui Grande, Caratinga, Manhuaçu e dos rios menores lá no Espírito Santo? “As águas são como as pessoas. Crescem porque se encontram” ( Claudio Guerra ) É curioso observar como as pessoas têm orgulho em dizer, por exemplo, “Eu sou do Vale do Aço”, pela sua pujança econômica e desenvolvimento social em apenas 4 décadas, mas não fazem o mesmo quando se referem ao Rio Doce ou ao Rio Piracicaba. Portanto, quando o Projeto Águas do Rio Doce criou o slogan “Eu sou do Doce” não foi por poesia, arroubo filosófico ou peça de marketing. Era a tentativa de resgatar um profundo sentimento de pertencimento. • O Rio hoje Hoje, nossos rios refletem a imagem de nossa sociedade: imediatismo, descaso e falta de compromisso com as próximas gerações. Os grandes empreendimentos agroindustriais se vêm não apenas como vetores do crescimento econômico e do progresso, mas também se julgam no direito de fazer, sem limitações, todas as intervenções físicas que julgarem necessárias. Um exemplo disso é a apropriação dos rios pelos grandes projetos de irrigação, minerações e aproveitamentos hidrolétricos (barragens), etc. Assim, nossos rios passaram a ter “donos” e a sofrer enorme pressão, em nome da necessidade de se produzir energia elétrica, grãos, minerais, para manter um determinado nível de exportações e crescimento econômico. Os rios ficaram à mercê das variações e instabilidades do “Deus” mercado e das ameaças de “apagões”. Além disso, não só usamos e extraímos a água de nossos rios. Neles também jogamos quase todos nossos rejeitos e esgotos domésticos e industriais, sem maiores cuidados. Como consequência, suas águas já não servem para o abastecimento humano (a menos que sejam submetidas a um caro processo de tratamento químico), para a natação e nem para serem utilizadas na horta. O rio ficou doente. Um bom indicador da saúde do rio e da qualidade de suas águas no tempo do ontem era a presença das lavadeiras em suas margens. Elas eram as guardiãs da turbidez e transparência de nossas águas. Principalmente nas cidades de médio e grande porte no Brasil, as questões cruciais hoje são a escassez de água, falta de saneamento básico, inundações, drenagem urbana caótica, mas também a falta de garantia da segurança hídrica . Ninguém sabe o que vai acontecer daqui a 10 anos nessa área. Enquanto isto, nós, cidadãos urbanos, orgulhosos de um mundo supostamente moderno, continuamos indiferentes e omissos quanto a questão da água e dos rios. A grande maioria silenciosa acha que isto é mais um “problema dos governos”. Na moderna cidade de Belo Horizonte, os cursos d’água foram “encaixotados” e tampados, como se fossem feras perigosas: ninguém consegue vê-los.

[close]

p. 8

8setembro de 2017 Conclusão : O Rio e o futuro Em 2007 a UNESCO lançou o Projeto Água e Diversidade Cultural, que tinha como um dos objetivos fazer uma re-conexão com o Rio, redescobrir o valor da cultura dos rios e, assim, garantir um futuro sustentável para as próximas gerações. Em 2012 foi publicado o livro Água e Diversidade Cultural, lançado na Conferência Rio +20, no Rio de Janeiro. Nele são relatadas experiências exitosas e de conflitos em 42 países, onde 77 autores participam com seus diferentes olhares e percepções sobre a questão da água e da cultura, com um enfoque inovador sobre a “cultura dos rios”. O que a realidade nos mostra hoje é que precisamos avaliar nossas posturas, reinventar e criar novos vínculos com nossos rios. É um processo de redescoberta desses elementos naturais, que são vitais para qualquer sociedade. Nos países desenvolvidos já existe esta nova visão e, sobretudo postura/atitude entre a cidade, os cidadãos e os rios. O planejamento urbano moderno cria novos espaços de lazer para as pessoas, com uma tendência irreversível de aproximação do homem com a natureza, com ênfase para as áreas verdes. Isto está levando, e certamente continuará a levar, a uma maior interação entre as pessoas e os rios. É a chamada integração rio-cidade-pessoas. Um exemplo é a utilização das margens para parques lineares com áreas verdes para o lazer da população, conforme experiências exitosas em vários capitais no mundo como Londres, Paris, Seul, etc Em 2008 e 2010, Belo Horizonte sediou 2 seminários internacionais sobre a revitalização de rios em grandes metrópoles do planeta, numa iniciativa do Projeto Manuelzão da UFMG e com o apoio do Governo de Minas e da PBH. Inúmeras experiências positivas de Dindão revitalização nas Américas, Europa e Ásia foram descritas nestes seminários numa clara demonstração de que “dá para resolver”. Para isto, é preciso vontade política, comprometimento, capacitação técnica, e também recursos financeiro. Em outras palavras, depende de uma nova postura dos gestores públicos, do setor privado e também da população, em geral. Como começar um processo de revitalização de um rio? Tudo se inicia com um processo de sensibilização, de convencimento e de articulação de parcerias: esta soma de esforços possibilita a criação e desenvolvimento de um projeto para se conquistar um “novo rio”. Foi o que aconteceu junto à foz do Rio Mississipe, na cidade de Nova Orleans, nos Estados Unidos, num Projeto Piloto chamado River Sphere. Capitaneado pela Universidade Tulane, cujo campus se localiza próximo ás margens do rio, mas contando com o apoio dos 3 níveis de governos, o Projeto combina ação, interação, diversidade, circulação, participação e transformação... a exemplo da dinâmica de um rio! Utilizando um enorme espaço abandonado das docas do porto de Nova Orleans, foram construídos laboratórios, teatros, salas multimídias, videotecas, espaços ao ar livre, formando um Centro de Pesquisa Bioambiental onde cientistas trabalham com artistas, historiadores interagem com biólogos, antropólogos com engenheiros. Os visitantes são recebidos por pesquisadores, crianças desenvolvem inúmeras atividades socioam- bientais, são realizados shows musicais, exposições, palestras, mini-cursos, etc. É importante lembrar que o Mississipe é o rio do blues, mas na sua bacia hidrográfica está instalado metade de todo o parque industrial do império econômico dos Estados Unidos. O caso de Nova Orleans mostra que precisamos continuar com a troca de experiências e a divulgação de novos conceitos e paradigmas a respeito da “cultura dos rios”, através de encontros e intercâmbios presenciais ou via internet, publicações de artigos e livros, além de mobilização de pessoas e instituições pelas redes sociais. Redescobrir e criar novos vínculos com nossos rios é o futuro. “O futuro vai ter a cara do que for feito agora” Voltando ao Rio Piracicaba, ele mereceu uma frase emblemática do jornalista Mário Carvalho Neto, morador de suas margens, em Coronel Fabriciano: “O Rio Piracicaba é barrado, invadido, explorado, sugado, poluído, assoreado, minerado, desviado, garimpado, alterado, cercado, agredido, despejado, pisado, envenenado, bebido, pescado, pesquisado, usado e ninguém diz obrigado!!! “ Portanto, ao final deste texto é preciso gritar aos 4 cantos do mundo : Rio Piracicaba, muito obrigado!!! • O Rio e o CBH Piracicaba Lá se vão 20 anos da Lei Federal das Águas. Apesar de nossa moderna legislação ambiental e do novo modelo de gerenciamento dos recursos hídricos não estamos ainda conseguindo praticar a gestão descentralizada, compartilhada e participativa das águas. O processo parece ser propositadamente lento e sinuoso, para não ferir os interesses econômicos e políticos de atores sociais importantes como as grandes empresas e os órgãos governamentais (dos municípios, estados e União). O Comitê da Bacia do Rio Piracicaba é um bom exemplo: aos 18 anos de idade, nunca fez nada, nem um único benefício ao rio. No início, se alegava que não havia recursos financeiros, porém desde 2013 o dinheiro chegou e continua, vagarosamente, chegando. Centenas de reuniões foram realizadas, muitas viagens aconteceram, (regadas a boas diárias), mas as ações não acontecem !!! Uma verdade incontestável e irrefutável surge à nossa frente : para amar ou respeitar ou valorizar um rio é preciso, primeiro, conhecê-lo. Como vamos trabalhar na revitalização de um rio se sequer conseguimos enxergá-lo? O que se conclui é que falta aos gestores públicos, empresários, produtores rurais, cidadãos comuns e até mesmo aos membros dos comitês de bacias hidrográficas uma compreensão mais abrangente dos significados, valores e importância de um rio, num país riquíssimo em águas e rios como o Brasil. Os vários planos de ações de recursos hídricos da Bacia do Rio Piracicaba (documentos importantíssimos e caríssimos) continuam dentro das gavetas. Parece mesmo faltar comprometimento, vontade política e vontade de trabalhar. Depois de 18 anos, as ações simplesmente não acontecem!! Em meados desse mês de setembro foi assinado contrato para elaboração de projetos hidro ambientais a serem desenvolvidos na bacia do Piracicaba, entretanto, nada de concreto foi ainda realizado. * Claudio B. Guerra é engenheiro graduado pela UFMG, com mestrado no UNESCO-IHE: Institute for Water Education, na Holanda. Trabalhou como consultor na formação dos CBH´s dos rios Caratinga, Piracicaba, Santo Antônio e Doce. Foi o coordenador técnico da Expedição Piracicaba 300 anos depois, cujo principal resultado foi a formação do CBH Piracicaba. Foi Secretário Adjunto de Meio Ambiente do Governo de MG. (administração Itamar Franco). Atua como professor, consultor e auditor certificado pelas normas internacionais ISO 9001, ISO14001, OSHAS 18000 e SA8000. Referências bibliográficas : • Sertão do Rio Doce, Haruf Espindola, Governador Valadares, EDUSC/UNIVALE, 2005 • Expedição Piracicaba 300 anos depois, Claudio Guerra (organizador) Belo Horizonte. Editora SEGRAC, 2000 • Dicionário de palavras brasileiras de origem indígena, Clóvis Chiaradia, São Paulo, Editora Limiar, 2008, • Water and Cultural Diversity, Global Environmental Change : Doordretch, Editora SPRINGER/UNESCO, 2012

[close]

p. 9

9setembro de 2017 EXPOSIBRAM Editor do Tribuna participa de congresso de olho nas soluções hidro ambientais Fotos: Dindão Geraldo Dindão Gonçalves, no stand da Holanda, onde o setor hídrico foi o destaque Evento que contou com a participação de 60 países e empresas de todo o mundo Belo Horizonte - O editor do Tribuna do Piracicaba – A Voz do Rio, participou no dia 20 de setembro, em Belo Horizonte, do 17º Congresso Brasileiro de Mineração e a Exposição Internacional de Mineração (Exposibram), considerado o maior evento do setor da América Latina. O Tribuna conferiu de perto o evento que contou com a participação de 60 países com suas delegações de empresas apresentando o que de mais moderno para o setor disponível no mercado. Os maiores especialistas e renomados analistas brasileiros e estrangeiros, entre os quais vários CEOs de empresas globais, estiveram presentes debatendo e apresentando caminhos para o futuro da mineração. Sob o tema “Um olhar sobre o futuro da mineração” a Exposibram reuniu representantes das maiores mineradoras do mundo e cerca de mil congressistas. Além das apresentações e debates, a Exposição Internacional, contou com 340 exposito- res e 470 estandes, distribuídos em uma área de 12 mil metros quadrados. Água: Delegação holandesa em destaque Considerados os “Senhores das Águas”, devido à situação geográfica do país, os holandeses, que ao longo dos séculos desenvolveram tecnologias para lidar com o avanço do mar sobre seu território, hoje exportam para o mundo soluções na área. Empresas holandesas estiveram na Exposibram apresentando abordagem integrada de gerenciamento nas áreas de água, infraestrutura e planejamento urbano, sendo um dos destaques do evento. As multinacionais holandesas apresentaram ao público sua expertise na área de gerenciamento de segurança de recursos hídricos. Uma das participantes, a Arcadis, é uma das empresas globais líderes na área de consultoria para ambientes naturais e construídos, principalmente na área de gerenciamento de água e prevenções de de- sastres naturais. Outra empresa destaque é a Royal HaskoningDHV. Presente em mais de 30 países, também oferece um amplo portfólio de atuação no setor hídrico, incluindo tratamento de água e resíduos, monitoramento de áreas sujeitas a inundação entre outras soluções para o tema. Barragens e Gestão de Riscos Um dos temas mais debatidos durante o congresso foi “barragens”, sendo o desastre da Samarco com o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, sempre citado, mesmo que discretamente, já que o maior patrocinador do evento, a Vale, é uma das donas da mineradora responsável pela tragédia. Uma das palestras concorridas foi do professor da universidade de Columbia, Dirk Van Zyl, que falou sobre a instabilidade das barragens no Brasil. Já a Gerente de Gestão de Riscos Geotécnicos da Vale, Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo, falou sobre o porquê a Vale se empenha em aprimorar sua gestão de riscos geotécnicos, explicando que a empresa conta hoje com 27 minas e 149 barragens no Brasil – um risco e tanto. Só no corredor sul e sudeste, com destaque para Minas Gerais, são 20 minas e 118 barragens. Mudanças após tragédia da Samarco Outros temas destacados também foram as novas normas NBR ABNT 13.028 e 13.029 e seus efeitos no setor mineral e ainda as novas regras do DNPM para a gestão de barragens, pela Portaria número 70.389\2017. Uemg Monlevade representada Estudantes do curso de Engenharia de Minas da Uemg Unidade João Monlevade participaram do congresso especificamente da palestra técnica promovida pela delegação holandesa cujo tema foi – Recursos Hídricos integrados para a Gestão de Mineração Sustentável. Soluções Nas próximas edições a “Voz do Rio” estará trazendo algumas soluções apresentadas durante o 17º Congresso Brasileiro de Mineração e a Exposibram. Estudantes da Uemg participaram do evento especificamente no estande holandês. Na foto junto ao engenheiro ambiental Cláudio Guerra, consultor ambiental para assuntos regionais da Delegação holandesa

[close]

p. 10

10setembro de 2017 DIA DA ÁRVORE Catas Altas planeja plantar “Catas Altas foi uma das poucas cidades que desenvolveu ações em comemoração ao Dia da Árvore” 45 mil novas árvores em um ano Daniela Almeida / Acom/PMCA Crianças visitaram a Vale das Borboletas dentro das atividades na Semana da Árvore Várias atividades marcam o Dia da Árvore em São Gonçalo São Gonçalo do Rio Abaixo - No dia da árvore, comemorado no dia 21 de setembro, estudantes da rede municipal de ensino e pessoas da comunidade participaram de várias atividades durante as comemorações à data, promovido pela Prefeitura de São Gonçalo do Rio Abaixo, por meio da Secretaria de Meio Ambiente. Ao longo do dia foram realizadas na Praça Central exposição de animais e de artesanato de taboa da Fazenda Preservar; oficinas de plantio em vidro; Programa Atitude Ambiental, da Vale; distribuição de mudas e de sabão ecológico produzidos no município; Túnel dos Sentidos; entre outras atividades. Presente no período da manhã, o prefeito Antônio Carlos elogiou a organização do evento e fez o plantio de uma muda de Quaresmeira às margens do rio Santa Barbara. “É gratificante participar de atividades que contribuem para a preservação do meio ambiente. Parabenizo todos os setores da administração municipal envolvidos que, de maneira integrada, trabalharam para a organização impecável dessa comemoração”, afirmou o prefeito. A data também visa despertar no cidadão a consciência a respeito do desmatamento, queimadas e os benefícios da cobertura florestal para a qualidade de vida. As ações contaram com a participação das secretarias de Agricultura e Educação, DAE, Senai, IEF, Emater e da Polícia Ambiental. Catas Altas - Para comemorar o dia da Árvore, a Prefeitura de Catas Altas, através da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, promoveu diversas atividades, de 18 a 21 de setembro, que envolveram mais de 480 pessoas, entre alunos das escolas municipais e estadual, pais, profissionais da educação, servidores municipais e representantes de empresas parceiras. Durante quatro dias, aconteceram passeios ao Vale das Borboletas; plantio de mudas na área de Eventos e no Parque Balneário no Morro D’Água Quente; e palestras de conscientização. Somente de mudas foram plantadas cerca de 200 unidades. Boa parte delas foi catalogada com coordenadas geográficas e será monitorada pelo Instituto Espinhaço, que está desenvolvendo um projeto em parceria com a Prefeitura. O programa vai contemplar 40 hectares dentro das áreas do município com a distribuição e o plantio de 45 mil mudas. Além do Instituto, a semana da árvore de Catas Altas contou com a parceria da Cenibra, Onix, Pedreira Um, Polícia Militar, Polícia Ambiental e Emater. A participação das empresas que atuam no município nestas atividades teve por objetivo abrir um espaço de diálogo com a comunidade, além de mostrar a preocupação com a questão ambiental. “Essas companhias interferem diretamente no meio ambiente da cidade. Então, nada mais justo do que envolvê-las em ações de responsabilidade com as questões ambientais. E é com isso que essa Administração tem se preocupado. Aliás, queremos que toda a população também possa se evolver nessas atividades que afetam diretamente os catas-altenses”, destaca o secretário de Agricultura e Meio Ambiente Reginaldo Nascimento. Nascimento lembra que na região, Catas Altas foi uma das poucas cidades que desenvolveu ações em comemoração ao Dia da Árvore. “É importante que as pessoas tenham esses momentos para pensar na questão ambiental com mais seriedade e também para debater com as empresas. É uma oportunidade de acesso direto. É o momento de cobrar, de questionar, mas também de se informar para poder contribuir de forma consciente com esse assunto que é tão importante para o planeta”. Câmara e Prefeitura de Monlevade comemoram Dia da Árvore Acom/CMJM Elisângela Bicalho Acom PMSGRA Prefeito Antônio Carlos realizou o plantio de uma Quaresmeira O presidente da Câmara Djalma Bastos e o vereador Toninho Eletricista prestigiaram as atividades do Dia da Árvore organizadas em conjunto com a Secretaria de Meio Ambiente João Monlevade - A Câmara Municipal de João Monlevade, por meio do projeto Broto da Vida, em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, desenvolveu várias atividades em alusão ao Dia da Árvore. Por meio de distribuição de material educativo e de mudas, os envolvidos reforçaram a importância da preservação do meio ambiente. Para o presidente da Câmara, Djalma Bastos, preservar o meio ambiente é celebrar a vida. “As calamidades que vemos mundo afora se dão também pela degradação am- biental provocada pelo homem. Quanto mais cedo despertamos essa conscientização ambiental, melhor os resultados. E isto tem que ser feito por todos. Por isto a Câmara tem o projeto Broto da Vida, que conta com o apoio de todos os vereadores”, destacou Djalma.

[close]

p. 11

11setembro de 2017 Prefeitos do Médio Espinhaço visitam o Aterro consorciado do Médio Piracicaba Fotos: Genival Carmo Acom/PMBVM Prefeitos Wilber José, presidente do CPGRS, Raimundo Menezes de Ferros, Ronaldo Sá de Passabém, Jorge Antônio de Santo Antônio do Rio Abaixo e o presidente da AMME e prefeito de Conceição do Mato Dentro, José Prefeitos Wilber José, presidente do CPG João Monlevade – Através da articulação do presidente do CBH Piracicaba, Flamínio Guerra, uma comitiva da Associação dos Municípios do Médio Espinhaço (Amme), esteve visitando em setembro a Associação dos Municípios do Médio Piracicaba (Amepi). A comitiva estava for- mada pelo presidente da entidade, José Fernando Oliveira, prefeito de Conceição do Mato Dentro, pelos prefeitos dos municípios associados, de Passabém, Ronaldo Sá, de Santo Antônio do Rio Abaixo, Jorge Antônio de Sá, de Ferros, Raimundo Menezes Carvalho Filho, pela secretária executiva da instituição, Fernanda Dias dos Santos, a assessora jurídica Hilda Cintra e a analista ambiental Letícia de Oliveira. Na Amepi, o grupo foi recebido pelo presidente da entidade, Leris Braga, prefeito de Santa Bárbara e pelo vice-prefeito de Santa Bárbara, Alcemir José, além do presidente do CBH, Flamínio Guerra. Participaram ainda do encontro a gestora ambiental, Silvâna Guerra e o presidente da Câmara de João Monlevade, Djalma Bastos. A comitiva conheceu os consórcios municipais criados pela Amepi e a implantação do Sistema de Inspeção Municipal (SIM), com destaque para o Consórcio de Saúde do Médio Piracicaba (Cismepi) e o CPGRS – Consórcio Público de Gestão dos Resíduos Sólidos. Finalizando a visita, no Aterro Sanitário, a comitiva foi recebida pelo presidente do Consórcio, Wilber José, prefeito de Bela Vista de Minas e pelo empresário Oscar de Morais, proprietário da empresa operadora do aterro. Os prefeitos visitantes se mostraram surpresas com tamanha funcionalidade do Aterro e com a manutenção do mesmo. O presidente da AMME, José Fernando elogiou o prefeito de Bela Vista, Wilber José pela condução do Consórcio informando levar o modelo para possível implantação em sua região. No XVII Congresso Brasileiro de Mineração esqueceram de Mariana O XVII Congresso Brasileiro de Mineração foi realizado, na semana passada, em BH, no EXPOMINAS, juntamente com a Feira Internacional da Mineração, o maior evento deste setor na América Latina: tudo grandioso e muito profissional, 500 stands, participação de dezenas de países, CEO´s da grandes mineradoras etc. Entretanto, nenhuma menção de maior profundidade ou reflexão ou autocrítica sobre a tragédia da SAMARCO: está tudo bem, ninguém lembra mais, por exemplo, dos erros cometidos e da morte de 20 pessoas. Está tudo bem !!!!! Depois de 2 anos do desastre, embora o inquérito da PF indiciasse 22 pessoas, ninguém foi preso, a SAMARCO não pagou nenhuma multa, as obras da RENOVA estão todas atrasadas segundo o IBAMA e 70 mil pessoas estão com ações na justiça contra a SAMARCO. Além disso, CERCA DE 4 MIL PESSOAS ESTÃO SOFRENDO DIRETAMENTE HOJE os efeitos negativos do desastre, entre eles : - Ex-moradores das vilas de Bento Rodrigues e Paracatu de baixo que foram totalmente destruídas como também o passado e a história dessas pessoas; - tribo dos indios KRENAK que continuam SEM rio, água, peixes, etc; - centenas de produtores rurais que continuam sem pastos, pontes, currais, estradas, e ÂNIMO PARA VIVER - milhares de pescadores em MG e ES, que viviam da pesca (continua proibida), o turismo no litoral capixaba está parali- sado, os rejeitos continuam no fundo do rio, a biodiversidade aquática acabou, etc. Dois anos depois da maior tragédia socioambiental do Brasil, o discurso das mineradoras continua o mesmo: “o que ocorreu foi uma fatalidade, está tudo bem, estamos fazendo o que precisa ser feito. Tudo bem !!!!!!”. O exemplo das mineradoras na bacia do Rio Doce nos enche de vergonha! Que país é este? (Claudio Guerra ) Instituto Últimos Refúgios Foto do pescador Benilde Madeira, com os olhos cheios d’água, às margens do rio Doce, quando viu a lama enterrar o rio

[close]

p. 12

12setembro de 2017 Mudanças na 13ª Semana Cultural do Legislativo proporcionaram maior participação popular Fotos: Dindão A Câmara Municipal de Rio Piracicaba realizou entre os dias 18 a 23 de setembro, mais uma edição da Semana Cultural do Legislativo, o maior evento artístico cultural da cidade. Várias mudanças marcaram a 13ª edição do evento, proporcionando ao cidadão piracicabense, nestes seis dias, horas de lazer e acesso às mais diversas formas de expressões artísticas. Durante todos os dias, no auditório Professor Paulo Neves de Carvalho, da Câmara Municipal, alunos de escolas municipais, estaduais e particulares e entidades de Rio Piracicaba realizaram apresentações para o público infanto-juvenil. Encenações teatrais, musicais, danças e recitação de poesias foram alguns dos elementos artísticos explorados nas apresentações. À noite, shows musicais com bandas e artistas da cidade e região, além de desfiles de moda, levaram grande público à Praça Maria do Rosário Caldeira, centro da cidade - mudança significativa desta 13ª Semana Cultural. Até as edições passadas os shows noturnos aconteciam na área externa em frente à Câmara Municipal. Outra mudança que marcou esta edição foi a iniciativa inédita de levar o evento até os distritos de Conceição de Piracicaba e Padre Pinto, demonstrando o compromisso do legislativo para com o piracicabense, ampliando consideravelmente sua participação. O sucesso de público e a receptividade dos moradores destas localidades foi o suficiente para demonstrar que a ação teve aprovação popular. Para o presidente da Casa, vereador Tarcísio Bertoldo, as alterações foram pautadas na ideia de sempre estar buscando evoluir e melhorar o evento ouvindo a comunidade: “Não existe nada fechado, por isso estamos sempre abertos às sugestões e à participação da população, tanto nesse evento quanto na vida política e social da cidade”, disse o edil. A 13º Semana Cultural do Legislativo é parte do calendário da Câmara Municipal de Rio Piracicaba e contou com o apoio da Prefeitura Municipal e o patrocínio da empresa Vale. O Presidente do Legislativo, vereador Tarcísio Bertoldo, durante abertura ofical Público compareceu em massa para prestigiar as atrações da Semana Cultrural

[close]

Comments

no comments yet