Revista Mineração & Sustentabilidade - Edição 34 Especial

 

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mineracão sustentabilidade Entrevista Camilo Farace projeta futuro da AngloGold Ashanti revistamineracao.com.br Julho a DeEzdeiçmãbor3o4d.eA2n0o177 Política Mineral Setor avalia impacto das MPs da Mineração Internacional Brasil e China mineram juntos Meio Ambiente O que foi feito após o desastre de Fundão Um horizonte para a mineração Maior evento do setor na América Latina, Exposibram apresenta boas práticas, tendências e tecnologias para impulsionar a atividade minerária

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CLIQUE DESCOBERTA NAS ÁGUAS A Inia araguaiaensis é uma das 381 novas espécies, dentre animais e vegetais, catalogadas na região amazônica de 2014 a 2015. O relatório do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) foi divulgado no fim de agosto. A Amazônia tem a maior biodiversidade dentre as florestas tropicais do planeta. Gabriel Melo Santos / WWF EXPEDIENTE Diretor-Geral Wilian Leles diretor@revistamineracao.com.br Editor-Geral André Martins Lucas Alvarenga MTB. 17.557/MG edicao@revistamineracao.com.br Redação Ana Cláudia Vieira Bruna Nogueira redacao@revistamineracao.com.br Projeto gráfico e diagramação Daniel Felipe Anúncios / Comercial + 55 (31) 3544 . 0040 comercial@revistamineracao.com.br Distribuição e assinaturas + 55 (31) 3544 . 0045 atendimento@revistamineracao.com.br Assessoria Jurídica Dias Oliveira Advogados Tiragem 15 mil exemplares Circulação Esta publicação é dirigida aos setores minerário, siderúrgico e ambiental, além de governos, fornecedores, entidades de classe, consultorias, instituições acadêmicas e assinantes. Foto da capa Can Stock Photo Novo Portal www.revistamineracao.com.br Conselho Editorial Eduardo Costa Jornalista Rádio Itatiaia / Rede Record José Mendo Mizael de Souza Engenheiro de Minas e Metalurgista J. Mendo Consultoria Marcelo Mendo de Souza Advogado Mendo de Souza Advogados Associados Contato: revista@revistamineracao.com.br Rua Cônego Domingos Martins, 26 Centro . Betim . MG - 32.600.202 + 55 (31) 3544 . 0040 | 3544 . 0045 Acompanhe Não são de responsabilidade da revista os artigos de opinião e conteúdos de informes publicitários. 4 Revista Mineração & Sustentabilidade | JMualhrçooa. DAebzrielmdebr2o01d7e 2017 /RevistaMineracao @RevMineracao

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ESTANTE Lavra de Minas Adilson Cury Oficina de Textos Mineração e Meio Ambiente Romeu Thomé Lumen Juris Advances in Coal Mine Ground Control Syd S. Peng Woodhead Publishing O material apresenta de maneira didática os fundamentos das lavras de minas a céu aberto e subterrâneas. A obra leva o leitor a compreender os conceitos básicos, os detalhes técnicos sobre os métodos de lavra e a aplicação de novas tecnologias nas operações. O livro traz aos leitores as principais questões divergentes entre as legislações minerária e ambiental. A obra expõe as normas regulamentadoras da atividade em relação à preservação ambiental e aborda de forma sistêmica os mais relevantes aspectos jurídicos. A obra destaca os avanços recentes no controle do solo das minas de carvão americanas. O texto de Syd Peng explica a subsistência da mineração de carvão, operações de longa distância e o controle terrestre em minas subterrâneas. • Ano: 2017 • 462 páginas • R$ 120 • 23 x 16 cm • Brochura • ISBN: 978-857975-250-6 • Ano: 2017 • 332 páginas • R$ 120 • 22,6 x 15,4 cm • Brochura • ISBN: 978-858440-889-4 • Ano: 2017 • 462 páginas • R$ 612 • Ebook Kindle • Brochura • ISBN: B071SLZW4K • Livro em inglês Revista Mineração & Sustentabilidade | Março . Abril de 2017 5

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SUMÁRIO revistamineracao.com.br Julho a Dezembro de 2017 Edição 34 . Ano 7 16 Matéria de Capa Exposibram chega à sua 17ª edição projetando caminhos para o setor 10 Entrevista Camilo Farace fala sobre a longevidade da AngloGold Ashanti 36 Meio Ambiente Dois anos após o drama de Mariana, Samarco repara danos e prepara retorno 20 Política Mineral MPs da Mineração promovem debate no setor 48 Política Mineral Definidos novos critérios para a cessão de áreas para lavra e pesquisa de minerais 28 Internacional China bate recordes de produção e sela parcerias com o Brasil Seções 7 Editorial 28 Internacional 8 Panorama 32 Tecnologia 10 Entrevista 36 Meio Ambiente 16 Matéria de Capa 42 Mercado 20 Política Mineral 46 Ceamin 26 Artigo 48 Política Mineral 6 Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho a Dezembro de 2017 52 Cetem 54 Comunidade 58 Agenda 54 32 Comunidade Projeto da Imerys trabalha conscientização ambiental por meio da cultura no Pará Tecnologia Brasil busca autossuficiência na produção de minerais essenciais

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TEMPO DE EDITORIAL Quem acompanha o cenário político e econômico do país e se interessa pela atividade mineradora, por certo tem a nítida impressão de que, em um futuro não muito distante, o setor mineral brasileiro não seja mais o mesmo. Neste sentido, a 34ª edição da Mineração & Sustentabilidade vem para dar ares de certeza a esta constatação ao contextualizar e analisar como as recentes medidas da União vão impactar diretamente a atividade mineradora. O governo acredita que elas possam ajudar a reaquecer a economia do país. Em uma dinâmica cíclica, na qual boa parte das reportagens estabelece diálogo, a edição que o leitor tem em mãos apresenta as alterações nas Medidas Provisórias da Mineração. Tais mudanças incluem o aumento da tributação às empresas por meio da reformulação da legislação referente à Compensação Financeira pela Exploração dos Recursos Minerais (Cfem); a alteração do Código da Mineração; e a extinção do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) para a criação da Agência Nacional de Mineração (ANM), esta com aspecto destacadamente técnico. Entre elogios e críticas severas estão medidas como o anúncio da reformulação das diretrizes que dão conta da cessão de áreas voltadas à pesquisa e exploração mineral, ação anunciada pelo governo, por meio do Ministério de Minas e Energia. Uma das reportagens disseca as estratégias da União para dar celeridade a esses processos e tornar o território nacional convidativo para empresas e investidores internacionais e estrangeiros. A Mineração & Sustentabilidade apresenta ainda, como grande destaque desta edição, um panorama do que poderá ser visto na maior vitrine da indústria mineral na América Latina: a Exposição Internacional de Mineração (Exposibram). Ela chega à sua 17ª feira, promovida paralelamente ao Congresso Brasileiro de Mineração. Além de trazer análises sobre o cenário político-econômico do país, a exposição apresentará soluções, tecnologias e práticas inovadoras para o setor. A expectativa é que mais de 500 expositores participem do evento, que deve atrair um público estimado em 50 mil pessoas em quatro dias. Sem se eximir do compromisso social e ambiental, a revista relembra os dois anos do maior desastre ambiental do Brasil, o rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana. Por um lado, o texto revela como a Samarco tem se articulado para retomar suas atividades, que uma vez paradas levam a Wilian Leles Diretor-Geral Com mais de 14 anos de experiência no jornalismo, é o fundador da Revista Mineração & Sustentabilidade, no mercado nacional desde 2011. Dirige também um jornal da Região Metropolitana de Belo Horizonte desde 2003. uma nova tragédia: o enfraquecimento da economia local. Por outro, a reportagem mostra como o evento tem servido de aprendizado e incentivo às boas práticas. Do cuidado com a natureza à arte, a Mineração & Sustentabilidade ainda destaca o Projeto Imerys Cultura e Sustentabilidade, ação que promove a consciência ambiental por meio da educação artística e do lazer nas comunidades de Barcarena e Ipixuna do Pará, na Região Nordeste paraense. Informe-se e aprecie cada matéria. A todos, uma boa leitura! Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho a Dezembro de 2017 7

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PANORAMA Olon Soares - Agencia AL / Divulgação VOLTA DO CARVÃO O carvão mineral voltou a ser considerado, pelo governo federal, como opção de geração de energia elétrica depois de quase um ano escanteado. Em novembro de 2016, para atender ao Acordo de Paris, o presidente Michel Temer havia vetado o artigo 20 da Medida Provisória (MP) 735/2016, que pôs fim ao incentivo ao uso do carvão mineral para geração de energia elétrica. Contudo, diante da pressão dos estados mineradores e das empresas da área, o Ministério de Minas e Energia (MME) incluiu projetos termelétricos a carvão nos dois leilões de energia elétrica, marcados para dezembro. Os estados produtores buscam desenvolver formas de tornar o carvão menos nocivo ao meio ambiente. Em junho, o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), foi ao Japão buscar tecnologias e parcerias para criar uma usina sustentável, orçada em US$ 2 bilhões. Enquanto isso, o projeto de lei que cria o Polo Carboquímico do estado segue em discussão na Assembleia Legislativa gaúcha. No fim de agosto, o Seminário “O Futuro do Carvão” havia inaugurado o debate sobre o futuro do carvão mineral em curto a longo prazo. Já em Criciúma/SC foi inaugurado recentemente um laboratório para captura do CO2, que utilizará cinzas de carvão mineral beneficiado em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS A Thyssenkrupp tem diversificado o seu mix de serviços nos setores de mineração, cimento e energia no país. Entre as ações da companhia está a instalação de centros de serviços próximos aos polos de mineradores, iniciativa da unidade de negócios Industrial Solutions. O mais recente deles é o Centro de Serviços em Santa Luzia (MG), região conhecida pela forte presença de plantas fabris. Por lá, uma equipe de profissionais – capacitados com base nos produtos fornecidos e serviços prestados – está disponível para realizar reparos, reformas e a fabricação de conjuntos de prensa de rolos de alta pressão POLYCOM®, além de peças de reposição e de desgaste para equipamentos de mineração. A estratégia da companhia é facilitar o acesso aos serviços de reparo e às peças de reposição necessárias à indústria mineral. ANGLO AMERICAN TEM NOVO DIRETOR NO BRASIL Ivan de Araújo Simões Filho é o novo diretor de Assuntos Corporativos da Anglo American. Sob a responsabilidade do executivo estão as áreas de Comunicação, Relações Governamentais, Performance Social, Gestão Fundiária, Convênios e Direitos Minerários. Ivan é geólogo formado pela Universidade de Nancy, na França, e Ph.D. em geofísica pela Universidade da Bahia (UFBA). Em grande parte da carreira, ele trabalhou nas áreas de petróleo, relações governamentais e educação, tendo atuado também como conselheiro internacional e líder de organizações não-governamentais (ONGs). Até agosto deste ano, o executivo ocupava o cargo de vice-presidente de Comunicação e Assuntos Externos da BP Brasil, responsável pela execução de estratégias para o gerenciamento de relações com os entes federados, órgãos reguladores, comunidades, empregados, mídia, populações indígenas, descendentes de escravos, pescadores, ONGs e associações industriais e comerciais. 8 Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho a Dezembro de 2017

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FERROVIA PARAENSE O governo do Pará tem se movimentado para tirar do papel a Ferrovia Paraense, que deverá ser um importante modal na logística da mineração no estado. Uma série de audiências públicas tem sido realizadas para apresentar o projeto e aprimorar os documentos técnicos e jurídicos para licitar a concessão do empreendimento. Entre as estratégias do governo para viabilizar a ferrovia está a assinatura de termos de compromisso de uso da ferrovia por empresas e mineradoras da região. Mineração Irajá, Alloys/PA e Araguaia Níquel, além da Vale e Norsk Hydro, são algumas que já aderiram ao compromisso. A Ferrovia Paraense cortará o estado de Sul a Norte em 1.312 quilômetros. Ela irá conectar a Ferrovia Norte-Sul, levando o transporte férreo até o Porto de Barcarena, o mais próximo, no Brasil, de grandes mercados consumidores como China, Europa e Estados Unidos. Estimado em R$ 14 bilhões, considerando investimentos na construção da própria ferrovia e de entrepostos de carga, o projeto cruzará 23 municípios paraenses e terá capacidade de carga de até 170 milhões de toneladas/ano. PORTO DO PECÉM O governo cearense enviou à Assembleia Legislativa uma proposta para alterar a legislação que trata da Companhia de Integração Portuária do Ceará (Cearáportos). Caso a parceria entre o Governo do Estado e a Autoridade do Porto de Roterdã, na Holanda, seja confirmada, a gestão compartilhada do Terminal Portuário do Pecém deve abranger a administração do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp). A Companhia Administradora da Zona de Processamento de Exportação do Ceará (ZPE Ceará) também deverá ser modificada para se integrar à Cearáportos. A expectativa do Governo do Ceará é que a parceria com o Porto de Roterdã seja firmada até dezembro e a gestão compartilhada entre o estado e os holandeses seja iniciada em 2018. Um memorando está prestes a ser assinado entre representantes da Autoridade do Porto de Roterdã e da Cearáportos. O fim das obras do Porto do Pecém, antes previsto para junho, foi estendido para dezembro. Cerca de R$ 1 bilhão já foram investidos na obra. Conforme a Companhia, os principais produtos desembarcados no porto, até julho deste ano, foram minério de ferro (2.238.794 t), produtos siderúrgicos (165.408 t), arroz (111.421 t), produtos plásticos (66.499 t), farinha de trigo (74.445 t), sal (72.206 t), cimentos (34.712 t) e placas de aço (27.613 t). ATLAS DA MINERAÇÃO SUSTENTÁVEL O termo sustentabilidade deverá ser comum às atividades minerais graças ao “Atlas: Mapeando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável na Mineração”, lançado pelo MME, em agosto. O material apresenta a agenda sustentável da mineração e a atuação do setor na Agenda 2030. O acordo assinado pelos países participantes da ONU, em 2015, visa à erradicação da pobreza e ao desenvolvimento econômico, social e ambiental em escala global até 2030. Para isso, os países devem atender os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS); e o Atlas será um guia sobre como as atividades mineradoras podem ajudar a alcançá-los. “A mineração pode contribuir diretamente com o desenvolvimento sustentável, desde que haja responsabilidade e envolvimento de diversos seguimento da sociedade na gestão do setor. A política mineral brasileira pode – e deve – ser pautada pela sustentabilidade”, disse o secretário de Geologia, Mineração e Transformação do MME, Vicente Lôbo. Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho a Dezembro de 2017 9

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ENTREVISTA Camilo Farace Divulgação / ADngivlouGlgoalçdãAos/hManRtEi UMA HISTÓRIA QUE VALE OURO Diretor-presidente da AngloGold Ashanti no Brasil, Camilo Farace fala sobre o presente e o futuro de uma das mais tradicionais mineradoras no país 10 Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho a Dezembro de 2017 Ana Cláudia Vieira

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Uma empresa se mantém no mercado pelos valores que ela pratica. Talvez por isso a operação da AngloGold Ashanti, em Nova Lima, exista há 183 anos. A empresa, hoje sul-africana, mudou de nome, de nacionalidade, mas não abriu mão da responsabilidade social nem de desenvolver pesquisas, tecnologias e inovações capazes de garantir sua longevidade no mercado e sua adaptação aos novos tempos, onde o termo sustentabilidade se tornou um imperativo. A mineradora começou sua história em Minas em 1834, como a empresa inglesa Saint John Del Rey Mining Company. Dos trabalhos iniciais de extração de ouro em Nova Lima à transformação da companhia em Mineração Morro Velho S.A., controlada por Walter Moreira Salles e Horácio de Carvalho, 122 anos se passaram. Não tardou para que o grupo brasileiro se associasse à Anglo American Corporation, a maior empresa de mineração de ouro do mundo naquele momento. Da participação inglesa na mineração em Morro Velho à fusão entre a britânica AngloGold e a sul-africana Ashanti Goldfields mais outro salto temporal, agora de 29 anos, registrados entre 1975 a 2004. Hoje diretor-presidente da operação brasileira da AngloGold Ashanti, Camilo de Lelis Farace acompanhou de perto boa parte da história recente da mineradora. Há mais de 27 anos na empresa, ele sabe como poucos os desafios de manter operações que representam 15% da produção mundial da companhia, sem se descuidar do desenvolvimento econômico e social das comunidades envolvidas pela atividade mineradora da Anglo. Em entrevista à Revista Mineração & Sustentabilidade, Farace discorre sobre a evolução do setor mineral brasileiro mesmo em tempos de crise, defende as mudanças nas regras da mineração propostas pela União, discute a busca pela sustentabilidade, fala de tecnologia e inovação e mostra como a AngloGold Ashanti se tornou a única mineradora do Brasil a receber certificação ABNT NBR 16001 de Responsabilidade Social. Mineração & Sustentabilidade: Com 183 anos de história, a AngloGold Ashanti acompanhou de perto a evolução do setor mineral brasileiro. Nesse tempo, quais mudanças positivas e negativas mais impactaram o setor? ra global da empresa, que conta com 17 operações em nove países. M&S Para a mineradora, o que mudou no conceito de extração de ouro nesse tempo? Camilo Farace: A operação da AngloGold Ashanti no Brasil sempre se destacou pelo desenvolvimento de tecnologia e inovação em toda a sua cadeia produtiva, desde a exploração até a produção de barras de ouro. As atividades da empresa sempre envolveram as comunidades, fornecedores, prestadores de serviços, universidades, centros tecnológicos, centros de pesquisa privados e públicos, indústrias parceiras e o cliente final. Temos conquistado ganhos representativos para a empresa e avanços importantes para o setor, como a inserção de novos processos e tecnologias em médio e longo prazo, a partir da Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) Tecnológico de métodos de mineração. A principal motivação para mantermos o foco e o investimento em inovação é atender a uma prioridade: a segurança e a saúde de todos os empregados. Trabalhamos incessantemente no aprimoramento dos nossos programas de segurança e saúde ocupacional e na introdução de novas metodologias para a prevenção de acidentes a fim de eliminar, minimizar ou controlar os riscos relacionados à atividade laboral. Ao longo de mais de 183 anos de história, temos diversos exemplos de mudanças que sustentam essa capacidade e permitem tamanha longevidade. Destacamos o trabalho de mecanização das minas de subsolo, que possibilitou a prevenção de doenças ocupacionais com novos métodos e ampliou a produtividade, oferecendo também segurança para o aprofundamento das minas. Atualmente, esse processo está mais evoluído, enquanto um novo recurso de operação remota já se encontra em fase de implementação. Esse direcionamento levou a mudanças que tornaram as minas da AngloGold Ashanti no Brasil uma referência para o setor de mineração do país, além de um exemplo dentro da própria estrutu- CF A companhia acredita que a indústria da mineração passará, nos próximos anos, por uma revolução, razão pela qual investe consistentemente na busca da sustentabilidade do negócio, tendo como premissa prioritária a segurança dos seus empregados e a produtividade de suas operações. Por isso, recebemos valores expressivos de investimento de capital para melhorias em segurança e para a modernização operacional. Entretanto, como qualquer indústria, a mineração avança também para o desenvolvimento e a aplicação de novas tecnologias que possam ser efetivamente agregadoras de valor. A tendência é termos processos cada vez mais controlados por informações precisas para que, de forma eficiente, possamos obter resultados ainda mais atrativos aos nossos interesses, seja no campo econômico, social ou ambiental. M&S Hoje a AngloGold tem se posicionado em prol da sustentabilidade e em ações voltadas para as comunidades em que está inserida. Como foi construído esse valor? Quais resultados têm sido obtidos? CF Contribuir para o desenvolvimento econômico e social das comunidades na área de atuação de suas operações sempre foi um valor para a AngloGold Ashanti Brasil. É um orgulho, por exemplo, manter duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs): a Mata Samuel de Paula, em Nova Lima, onde fica o Centro de Educação Ambiental (CEA), que recebe mais de 4 mil visitantes por mês; e a AngloGold-Cuiabá, localizada em Sabará. Juntas, elas somam 873 hectares. Em 2016, a empresa acrescentou mais 500 hectares à área já protegida, enviando para o Instituto Estadual de Florestas (IEF) o projeto para criação de duas novas reservas em Santa Bárbara, onde fica a operação Córrego do Sítio: uma com 180 hectares, outra com 328 hectares. Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho a Dezembro de 2017 11

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A AngloGold Ashanti também vem investindo constantemente nas áreas social e cultural, por meio de recursos próprios e de leis de incentivo. Programas de empreendedorismo e de geração de trabalho e renda; ações voltadas para a promoção da saúde de crianças e idosos; apresentações teatrais, musicais e oficinas para levar cultura e diversão em praça pública são algumas das iniciativas que recebem o apoio da empresa. Um exemplo é o programa ‘‘Parcerias Sustentáveis’’, que já está na sétima edição. A iniciativa seleciona projetos sociais que recebem incentivos financeiros para a realização de suas atividades em prol da comunidade. Em seis edições, foram 168 instituições locais apoiadas e mais de R$ 6 milhões investidos, beneficiando diretamente mais de 21 mil pessoas. Além disso, a expectativa de favorecidos, em 2017, é maior: enquanto os projetos do ciclo de 2016 beneficiaram aproximadamente 2.900 pessoas de sete comunidades; neste ano, a expectativa é favorecer 3.400 pessoas. Fomos a primeira mineradora – e atualmente somos a única – a ter conquistado a certificação da norma ABNT NBR 16001 de Responsabilidade Social. A chancela indica que estamos no caminho certo. Para mantê-la, anualmente a empresa passa por uma auditoria, com um rígido controle. M&S Com 183 anos de atuação, qual a receita da mineração sustentável para a AngloGold? CF A companhia entende que a presença da empresa deve contribuir para o desenvolvimento econômico e social das comunidades, tornando-as melhores. Temos orgulho em afirmar que contribuímos de forma decisiva para o desenvolvimento regional ao estimular a criação de polos econômicos locais e ao gerar emprego e renda para as populações. Acreditamos que o desenvolvimento das cidades onde estão nossas operações – que prosperaram e evoluíram em outras áreas, extrapolando a vocação mineral – seja um legado importante sobre a susten- tabilidade dessas comunidades. A empresa também acredita que um bom relacionamento com seus stakeholders só é possível com constante diálogo. Isso significa entender a realidade local e promover qualidade de vida e indicadores positivos para os municípios. Tais premissas norteiam as ações da AngloGold Ashanti desde a adoção de modernos sistemas de extração de minério e produção de ouro até as soluções inovadoras para a mitigação de riscos ambientais, cujo objetivo é o uso eficiente dos recursos naturais. M&S Hoje a produção brasileira corresponde a 15% da produção da AngloGold Ashanti em todo o mundo. Há expectativa e margem para aumentar esse percentual? CF Atualmente, a Mina Cuiabá, no município de Sabará, em Minas Gerais, é o maior ativo da empresa no Brasil, no que se trata de volume de vendas e profundidade de produção. Ela chega a operar, hoje, a 1.300 metros abaixo da superfície. Nós planejamos chegar em níveis bem mais profundos com base nos resultados das pesquisas geológicas que realizamos. Esses estudos apresentaram informações sobre a continuidade de nossa atividade mineratória em níveis bem mais profundos, levando o potencial produtivo dessa operação até 2035. Dentro do planejamento estratégico da AngloGold Ashanti Brasil há acréscimos de produção planejados em função dos investimentos em exploração brownfields – feitos com base em um projeto já existente – e no desenvolvimento das operações de Córrego do Sítio, em Santa Bárbara, e na Serra Grande, em Crixas (GO). A empresa também trabalha com investimentos associados à abertura de novos pits nesse tipo de operação. Isso nos levará a um importante crescimento do nosso volume de produção nos próximos anos. A empresa realiza ainda investimentos estratégicos em exploração greenfields – aquela feita com base em projetos não existentes – ao buscar novas áreas com potencial minerário nos estados de Goiás e do Maranhão. M&S Quais os principais avanços tecnológicos nas operações da AngloGold? CF Para melhorar os processos e o acesso às novas tecnologias, a empresa tem estruturas específicas e profissionais que atuam com orçamentos significativos para prover o desenvolvimento das operações. Um dos destaques é o investimento na Mina Cuiabá, em Sabará (MG), aquela com o maior uso de tecnologia do grupo. A companhia busca desenvolver e preparar a mina para operar, nos próximos anos, a 1.300 metros, bem abaixo do nível de profundidade do solo atingida até então. Esse projeto pioneiro no Brasil conta com profissionais de ponta de várias nacionalidades, que estão focados em criar um novo modelo de mineração para atender à essa demanda. Atualmente, a Mina Cuiabá já é a mais profunda do país. Na operação de Crixás (GO), implantamos recentemente um sofisticado sistema de monitoramento online do maciço rochoso. Para viabilizá-lo foi instalada uma rede de fibra ótica, que permite que as movimentações dos vãos de realces monitorados sejam medidas com precisão milimétrica. Tais atividades, além de propiciar uma rápida retirada dos empregados em casos de movimentação, geram números que possibilitam a empresa ampliar ou reduzir a exploração de uma determinada área. Os dados permitirão identificar se determinada região ainda suporta atividade de extração ou se o mais aconselhável é cessar a exploração. Além de maior segurança para os envolvidos, o sistema gera ganhos de produtividade relevantes. Inédita no Brasil, a tecnologia deverá ser expandida para outras unidades da empresa nos próximos anos. Na unidade de Córrego do Sítio, em Santa Bárbara (MG), uma das principais novidades é o equipamento Ore Sorting para mineração de ouro. Com o auxílio dele, a empresa busca pré-concentrar o minério logo nos estágios iniciais do 12 Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho a Dezembro de 2017

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Uma história que vale ouro processo de beneficiamento, reduzindo assim o volume de massa a ser processada, bem como o rejeito depositado em barragens. Os resultados iniciais são bastante promissores. M&S Como a empresa avalia as novas regras da mineração? CF A AngloGold Ashanti tem posição favorável às alterações do setor mineral que estejam alinhadas à busca pela segurança dos investidores, da sociedade e aos ganhos de produtividade para o setor. A empresa entende que a criação da Agência Nacional de Mineração (ANM) poderá desburocratizar a obtenção de novas licenças de operação, além de trazer um ambiente regulatório ao setor mais alinhado às novas tendências de mercado. A possibilidade de realizar – pelo menos em parte – os processos administrativos de forma eletrônica é outro avanço. Precisamos lutar para tornar a cadeia mais inteligente e dinâmica, funcionando como um alicerce às operações, e não como um entrave. Apoiamos e confiamos que as novas medidas podem ampliar a participação do setor mineral no Produto Interno Bruto (PIB). Entretanto, ressaltamos que as ações ou regras que podem reduzir os riscos e ampliar as garantias relacionadas às questões ambientais foram tímidas e demandam um avanço rápido, embora significativo. Quanto ao aumento do royalty do minério, no caso do ouro, dobrado, a empresa acredita que a mudança trará impactos nos custos, reduzindo a margem de lucro da empresa e demandando uma revisão nos planos de investimento para os próximos anos, seja nas operações atuais ou em novos empreendimentos da companhia no país. Essa medida onera a cadeia da mineração e merece uma atenção maior por parte do governo para que ações que complementem um melhor funcionamento do setor possam avançar e, por consequência, minimizar esse custo imposto às empresas de mineração. M&S Em relação ao ambiente de negócios, como a empresa enfrentou os últimos três anos da economia brasileira? CF Qualquer incerteza no campo político e econômico gera impactos nos custos de produção e no investimento em novos projetos. As empresas – principalmente as multinacionais, como é o nosso caso – trabalham com horizontes de investimento de, no mínimo, cinco anos. Por isso, é vital um ambiente de estabilidade. Temos confiança no futuro do país e, por isso, mantemos nossos investimentos, não só nas atuais plantas, mas tam- bém em novos projetos e iniciativas. M&S O que se pode esperar do futuro da mineração? Como a AngloGold está se preparando para os próximos anos? CF A AngloGold Ashanti acredita que a indústria da mineração está passando por uma revolução tecnológica, razão pela qual a empresa investe consistentemente na busca pela sustentabilidade de seu negócio. Mantendo a saúde e a segurança dos seus empregados como premissa, a companhia mantém também seu foco direcionado à otimização de custos para continuar competitiva em um cenário de mercado desafiador, com as incertezas e volatilidades do preço do ouro. Pelas características de nossos ativos, prioritariamente de mineração de subsolo, nosso crescimento está aliado ao aprofundamento das minas, que nos demandam maiores atenções aos custos, à logística e à segurança. Assim, mantemos como guia a busca pela gestão baseada na Excelência Operacional, que engloba a adoção de práticas de classe mundial em nossas operações para a melhorar continuamente a performance, além de fortalecer o investimento em automação, novas tecnologias e inovação. Divulgação / AngloGold Ashanti Centro de Memória AngloGold Ashanti, em Nova Lima, que está instalado em um antigo casarão em estilo colonial inglês do século XVII. Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho a Dezembro de 2017

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