Confrades da Poesia89

 

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Poesia Lusófona

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano IX | Boletim Mensal Nº 89 | Outubro 2017 CONFRADES DA POESIA www.confradesdapoesia.pt - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO/UNIVERSAL» Neste ano 2017 vamos iniciar as edições do nosso boletim, na expectativa de que ele progrida em cada ano transformando-se num elo mais forte em prol da poesia. Nesta conformidade esperamos uma colaboração mais empenhada de todos dos nossos poetas membros que nele participem, para que o nosso boletim dignifique cada vez mais a poesia e seja um verdadeiro orgulho para a nossa organização poética. SUMÁRIO EDITORIAL Capa: 1 A Voz do Poeta: 2 Ecos Poéticos: 3 / Bocage: 4,5,6,7,15 / Reflexões: 8 Contos e Poemas: 9 Confrades: 10,11,12 / Tribuna do Vate: 13 / Cantinho Poético: 14 / Ponto Final: 16 O BOLETIM Mensal Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono e outros países “; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona, no acréscimo da Poesia Universal e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Para nós não existe concorrência. Existem parceiros de actividade! Tribuna do Vate …. página 13 Rádio Confrades da Poesia página 16 Nesta edição colaboraram 62 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | A Direção: Pinhal Dias - Fundador Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Mendes | Ana Santos | Anna Paes | António Barroso | António Boavida Pinheiro | António Martins | Arlete Piedade | Arménio Correia | Carla Carvalho | Carlos Alberto S Varela | Carmo Vasconcelos | Catarina Malanho | Clarisse Sanches | Conceição Tomé | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Fitas | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Helena Fragoso | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | Ivanildo Gonçalves | João Coelho dos Santos | João Furtado | José Chilra | José Jacinto | José Maria Gonçalves | Lili Laranjo | Liliana Josué | Luís Filipe | Marco Alvarenga | Maria Alexandre | Maria Brás | Maria Fonseca | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Moreira | Maria Petronilho | Maria Vit. Afonso | | Natália Vale | Paco Bandeira | Pedro Valdoy | Regina Pereira | Rita Rocha | Rogério Pires | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Telmo Montenegro | Tito Olívio | Vitalino Pinhal | Vó Fia | Zzcouto | … Ver restantes no site.

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2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 89 - Outubro 2017 «A Voz do Poeta» Mea culpa MULHER...ARAUTA DA PAZ Marcas da vida Ah, se esta contrição tornasse leve As culpas de te haver ignorado Mas sabes tu, mulher, é este o fado De quem despreza o bem, e a quem o deve. Chamas-te tola porque idealizaste O que se pode querer de quem se ama; O fulgor do desejo, aquela chama Que, como é justo, tu sempre sonhaste. Mas nada foi secreto e eu senti Que perdera – imbecil - todos os créditos Ao ler no teu olhar tudo o que li. E se hoje já não ouves os meus éditos Não posso censurar-te, pois eu vi A desistência, nos teus ombros trépidos. Eugénio de Sá - Sintra Castelos de Nuvens!... Com pedras mil...com tanta saudade E tantas Infinitas cartas, em borbotões. Eu fiz mil Ligações de amizade, Levantei Castelos frágeis de ilusões... Construídos ao acaso,... em ócios de tenra idade! Todos foram destruídos pela amargura... Pelas faltas de carinhos, embora tamaninos. Por todas as coisas da vida, assim tão colorida. Dorida dos muitos golpes, tão sofrida... Fustigada pelos ventos, sem alentos. Cravados de tantos espinhos, - que de morte todos eram tão ferinos!... Tocados por mãos de ninguém, Vão caindo lentamente... Como alvo véu flutuante, Vogando ao sabor da corrente!... Mas há um momento real, E... eles caem bruscamente!... em mim, num repente. Então, eu sinto prazer enlevado, Quando os vejo lá do céu!... Imagens me veem à mente, Que longe andava ocupada (um tudo nada)... Pensando fico ao seu lado - P’ra reviver quem morreu! Silvino Potêncio – Natal/RN/BR O Anjo ( indriso) O entardecer traz em sua parca luz algo de suspense... algo de sobrenatural... Num pequeno intervalo de tempo, surge a noite! As luzes naturais se vão... acendem-se velas, lampiões, as lâmpadas, quaisquer fontes de luz, tudo isso para afastar a escuridão... mandar a solidão embora... Anjo da Guarda, acompanhante e protetor d'almas... Figura insólita que vive na imaginação! Se o mundo fosse regido Pelas mulheres cá na terra Ninguém era perseguido Nem havia tanta guerra. O jugo nunca existia Nem tanto ódio sem razões Havia mais harmonia Entre todas as nações. P’ra manter serenidade A mulher tem mais prudência Age com docilidade Sem recurso à violência. Se às mulheres soubessem dar Mais poder nas decisões Poder-se-iam evitar Mais guerras e agressões. A terra inteira teria Os seus povos mais felizes Dando às mulheres a chefia Dos governos dos países. O mundo era um primor Porque a mulher é capaz De ser com armas de amor A grande arauta da paz !... Euclides Cavaco - Canadá Marcas da vida são janelas abertas com vidros partidos ideias cobertas por sonhos perdidos... são portas fechadas destinos incertos calçadas pisadas por pés descobertos As marcas da vida são lábios pintados sem cor nem paixão são seios sugados p'lo tempo ilusão... olhares imprecisos mirando o sei lá... andares indecisos de cá para lá As marcas da vida são rostos cruzados por rugas profundas... são traumas e "fados" angústias fecundas... são braços esguios p'la dor tatuados estigmas gravados por secos estios... são folhas pintadas com tinta esbatida medalhas forjadas nas forjas da vida. As marcas da vida são marcas que o tempo nos marca e nos deixa sem tempo nenhum! Abgalvão - Fernão Ferro A MAGIA DO SONETO Tudo, num poema, como n’um romance, N’um soneto, como n’um conto; deve Concorrer para o desfecho. Um bom autor tem já em vista a sua última linha Quando escreve a primeira. (Charles Baudelaire) Adoro o soneto com culta e fina trama, Cheia de lirismo e bucolismo como é feito, Com bom anexim que d’ele se tire proveito, E, quando é d’amor vibra alto sua chama! N’ele Bocage, Petrarca, Alves, deu-lhe jeito Difícil d’imitar e que ‘inda hoje s’aclama Florbela deixou ao mundo como se ama; Camões continua a ser na escola o eleito! Não esquecer o jovem Casimiro d’Abreu, Cujo romantismo tem tudo que a gente gosta, Amor! Estro! Ideia, que tão jovem morreu!... Mas de tantos que li: Alorna! Sabugosa e Dias, Há um pouco lido, o popular Fernandes Costa, Seus sonetos são a fonte das minhas poesias! Nidia Vargas Potsh – RJ/BR Nelson Fontes Carvalho - Belverde/Amora

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 89 - Outubro 2017 «Ecos Poéticos» 3 ESPERANÇA Transpus um arco argentino E caí num nada. Um nada abstrato, Um nada incomum. Acontece tantas com o homem... Hesse aceitou o desafio do lobo Vencendo a si próprio. Kardek venceu as religiões Esquivando-se de todas. Titov venceu o desafio do Vostok Dando dezessete voltas em órbita da terra. Gagárin venceu o desafio das religiões: “Fui ao céu e não vi Deus” Os japoneses venceram o desafio da bomba A. Provaram que os EUA não ganharam a guerra. Quem consertaria o mundo? Eu? Você? Nós? Eles? Talvez a educação, Talvez os filósofos, Talvez ninguém. E se o tempo consertar? Mas o tempo não existe. Vamos tentar? É uma esperança... E se esperarmos e nada vier? Que fazer? Vamos lutar? Gilberto Nogueira de Oliveira Salvador da Baía / BR (do livro Lá Fora) FALTA DE ESPAÇO Tu nunca me leste, não sabes quem sou. Nem tentas saber os anseios que trago no livro, onde cito carências de afago que o tempo de chuva, jamais saciou. Da folha perfeita, o teu peito apagou a prosa escrita num dia tão mago. Fiquei a chorar, reparando que és vago, por nunca subires degraus onde estou. Agora desisto. Já nada me espera na vida, onde foste madrasta severa, deixando os atilhos, levando-me o laço. A chama dos sonhos, agora não arde. Não tragas o livro, repara que é tarde, e nele não entras por falta de espaço! Glória Marreiros - Portimão Intempérie Fui à janela fechada, Não vi noite nem vi dia, Não vi tarde, não vi nada, Olhei p’ra fora, chovia. Andava na rua, molhado, Vendo a janela vazia, Senti-me desamparado, Olhei p’ra dentro, chovia. Nem o guarda chuva aberto, Da tormenta, protegia, Quis ir longe, fiquei perto, Olhei p’ro lado, chovia. Vendo o céu tão pardacento, Perguntei o que haveria, Nem me respondeu o vento, Olhei p’ra cima, chovia. Fiquei parado, na rua, Sem me importar se queria Ter o sol ou ter a lua, Olhei p’ra baixo, chovia. Ilusões e sonhos meus Já não me dão alegria, Sejam nobres ou plebeus, Por todo o lado chovia. Terminou tanto aguaceiro Que culminou, por inteiro, No sol quente que chegou. Agora, veio a acalmia, Olhei tudo, não chovia, E a minha alma já secou. António Barroso - Parede As flores Que petulantes! Vaidosas. Deslumbrantes, Graciosas, Orgulhosas da beleza! Desafiam nos caminhos os olhos dos peregrinos dos jardins da Natureza... E eu não vi nada mais lindo ao longo da caminhada, que esse chão florido, que encantou os meus sentidos, e me deixou... Deslumbrada! Felismina mealha - Lisboa VINHO DO PORTO O nosso Vinho do Porto Já tem dia assinalado Que nestes versos reporto Com orgulho e com agrado. Nosso vinho generoso Desde o Marquês de Pombal Tornou-se muito famoso À escala mundial. É dia dez de Setembro Dia deste nobre vinho A todos vós aqui lembro P´ra tomarem um copinho. É pelo seu exotismo Orgulho nacional Por dar grande brilhantismo Aos vinhos de Portugal. Euclides Cavaco - Canadá NESTA ÉPOCA É ASSIM Na época das eleições e com os tachos nas miras ouvem-se falsos pregões e chorrilhos de mentiras Querem matar os desejos ter no bolso fáceis tostões até nas velhas dão beijos na época das eleições Tudo aquilo que prometem sãos papéis feitos em tiras sabemos bem que só nos metem e com os tachos nas miras Fazem lembrar uma alcateia a uivar aos serões e de aldeia em aldeia ouvem-se falsos pregões Quando tudo terminar de não os veres te admiras ficam promessas no ar e chorrilhos de mentiras. Chico Bento - Suíça

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4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 89 - Outubro 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» BOCAGE em português Clássico. Virtuoso a improvisar, Idílios, odes, elegias, Cantatas, cantos e canções, Ipicédios, endechas, alegorias, Nos outeiros, tabernas e salões. A quadra, a sátira, o epigrama, O apólogo, a glosa e a cançoneta E os sonetos, que te deram esta grande fama de poeta, que ainda faz parte das lições das actuais gerações. Nem sempre disposto a aceitar A sua condição de ser e de viver, de amar e de sofrer, Mas que se soube arrepender Antes de morrer, Do mal que só a si soube fazer. E ao outro…no fim, Pediu perdão no altar Da sua mesa de cabeceira E despediu-se a poetar, Pedindo que a mocidade Não seguisse a sua esteira, E até rezou pela humanidade inteira, Que nem sempre esteve á sua beira. Quando devia estar, E tratar como deve ser Mas a Santidade acabou por o aceitar Antes de morrer. Manel, és para recordar! Bocage não és para esquecer! Rei das Anedotas, Das sátiras, das cambalhotas, Príncipe dos Poetas. José Vaz jacinto - Casal do Marco / PT Resignação Vesti a minha dor, só de brocado, E ao vê-la assim vestida qual sereia, Ajoelhei a seus pés meio tresloucado Ergui-lhe um trono de oiro, e adorei-a. Fiquei de mãos erguidas lá prostrado Moendo meus joelhos sobre a areia. Subiam multidões do povoado Cantando a minha dor, em melopeia. Rufam longe as asas do agoiro Num silêncio gelado nunca visto. Ergo minhas mãos ao Santo Cristo. Fecho os meus olhos, quase não resisto Há dor que em mim se ergue sem desdoiro Desfazendo em cinza o trono de oiro. Arménio Correia - Seixal Alentejo terra do sol queimado. A MULHER PORTUGUESA Alentejo! Ceifam trabalhadores! Pela noite o javali que assombra No romper da aurora vês caçadores E fazes do sobreiro a tua sombra És Alentejo no Alto e no Baixo E de Évora a cidade global Rio Tejo, Alentejo mais abaixo Torrão matriculado em Setúbal Alqueva com margens fertilizantes Turismo, com muitos simpatizantes Alentejo…grande potencial Alentejo terra do sol queimado A terra é lavrada no seu fado Vês na cortiça o teu manancial Tricana, bela tricana, Do Mondego e do Choupal, És a estudante lusitana; É o fado de Portugal! Cachopa de Guimarães Desde o nosso primeiro rei, A grande beleza que tens, És a certeza da nossa grei! Rapariga lá do Porto, Lá do Senhor de Matosinhos, Na ribeira, és o conforto, A vender rosas e carinhos! Peixeira lá d’Alfama, Ou pelas ruas de Lisboa, Teu pregão já tem fama, No Bairro Alto à Madragoa! Pinhal Dias (Lahnip) PT Camponesa em Santarém, Do campo és a alegria, Tratas do arroz, também Batatas, melão e melancia! Misteriosa Canção Pastora na serra do Marão, Percorres todas as montanhas, Aproveitas toda região Pra negociar as castanhas! Refém é esse vento que sustem o manto amante do canto e dança que nesse templo do esquecimento nos fez a ambos amados entes. Mas foi transposta a sombra e o monte, deixando que a tarde se desse ao alarde do Sol a pôr-se - bom nome com som que pelo tom diz que a dor aguarde... O Sol a pôr-se e veio a noite para amarmos aqui e além no entendimento desse unguento que nos trouxe o encantamento. Até chegar a madrugada que é o enigma e paradigma do chão salgado p´lo nosso amor - grande segredo, assim selado. Efigênia Coutinho Balneário Camboriú/BR A linda saloia de Caneças, Não of’rece seus frangos, Que negoceia sem pressas, Nas estradas os bons morangos! A moça do sul vive do mar, Não é como dizem, boba E canta a bom cantar, A vender figo e alfarroba! Aquela mulher de Resende, Desdobra-se, Deus a proteja No seu trabalho que vende, Em Portugal a melhor cereja! Toda mulher portuguesa, É um cartaz na sua região, Além d’alegoria é, a certeza Das mulheres desta Nação! Monte S. Michel No combate entre a luz e as trevas, Sempre foste fiel! Em tua honra ergueram a Abadia, No monte de Saint-Michel. Qual Jerusalém que desce do Céu! Eterna luta entre o Bem e o Mal, Melhor testemunho não há, Da era Medieval. Nelson Carvalho - Belverde/Amora Impulsos Matinais Impulsos matinais, Nos olhares que se cruzam...! Rajadas de vento, Correntes sem retorno...! Amarrados sentimentos, Indeléveis sorrisos, Nos seres desprendidos.....! Momentos inertes Com passagem marcada No advir que se avizinha....! Filipe Papança - Lisboa Manuel G. Silva - Fogueteiro

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O amor dela aflora em mim Minha sagrada devoção por ti É assim Depois de uma noite De amor infinda Acordo recoberto Pelo orvalho matinal Que se se evapora Com os raios do astro rei *** Minha sagrada devoção por ti Renasce com o raiar De um novo dia Cheio de infinitas Possibilidades *** Depois ergo me por inteiro Levanto me do chão Corro livremente Pela pradaria Para colher flores vagas Na charneca em flor Para a minha sacrossanta E vaporosa musa ideal *** Ao fim da tarde Quando o arrebol avizinha E o negro horizonte avisa Que ao cair Da abissal noite eviterna Implora para Amaterasu Para que o dia não acabe Que o meu sonho não finde Que o meu sagrado amor por ti Não evanesça Samuel da Costa Santa Catarina./ BR Adoro viver em Amora Eu gosto de viver em Amora Pela beleza que a cidade tem! Com a brisa que desperta aurora Sinto uma grande inspiração Por tudo que Amora tem: - Parques e jardins E também muitos festins… Que me dão grande satisfação. Por isso me sinto feliz De viver nesta cidade, Com certeza porém Que tudo +e mais que verdade1 Porque Deus assim quis: Que mesmo longe sinto saudade A cada momento, a cada hora Eu adoro a cidade de Amora Luis Fernandes - Amora Confrades da Poesia - Boletim Nr 89 - Outubro 2017 5 «Bocage - O Nosso Patrono» E se Assim repentinamente Adeus Facebook. Quem é que podia passar sem ele. Eu não!! Eu também não! Eu morria de tédio! Eu fazia greve de fome. Eu era para o lado que dormia melhor!! Ó senhor Ambrósio! O Senhor não se importava? - Nada nada nada! Nunca tive essas porrinhas de facebook A vida é curta O tempo é pouco Para estar nos braços da minha Leopoldina. Aires Plácido - Amadora Setembro (aniv. Mafalda 21SET16) Vai o Sol para sul descendo. Vão as férias acabar. Se tu te esqueces eu lembro, Que começas em Setembro Tua tarefa escolar. E lembro aos descuidados, Que também, de modo algum, Não deixem de ver os dados, No face book guardados Para o dia vinte e um. Quinze anos Mafalda faz. Depois fará vinte, trinta… Com seu semblante de paz, Que muito alguém satisfaz, É senhoril e distinta. SOPRO DE VENTO Nessa imensa tristeza Encontrarás de certeza Algum laivo de alegria Não vale a pena chorar Por quem já não vai voltar Mas te fez feliz um dia // Nesta enorme solidão Existe um nobre coração Que vive à mercê da sorte Viveu grande felicidade Hoje só resta a saudade Mas sua moral é forte // É nessa cidade enorme Há um silêncio disforme Tão amargo e tão cruel Vagueio p' la noite errante A amargura já distante Ainda tem um travo a fel // Vou vivendo o dia-adia Com mais ou menos alegria Sem nenhum deslumbramento O meu olhar é tristonho O que foi esperança ou sonho Desfez-se em sopro de vento. /// Maria de Lurdes Brás Almada No seu escalão campeã Na área das marciais, É do Taykondo que é fã. À noite, ou pela manhã, Treina seus golpes legais. Meus netos já são famosos Na TV e nas gazetas. Nos fazem avós babosos, Vaidosos e orgulhosos E ridículos nas tretas. Casimiro Soares - Amora PERDÃO Quem vai trazer de volta essa alegria Que fui perdendo ao longo destes anos? Tentando compreender a cada dia Tua instabilidade de arianos. A cada dia faço um propósito, Cuidar de ti tal qual tua mãe fazia; Mas, mesmo as mães, coitadas, são depósito Às vezes de tristeza, outra, alegria. Mas, tal qual ela sublimei a dor De te saber assim tão desligado... E só pensar em ti pra ser amado. Mas como mãe também eu te perdôo O fato de assim teres me encontrado, Pois eu já bem previa o resultado. Benedita Azevedo – RJ/BR

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6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 89 - Outubro 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» CIDADE DE PAPELÃO Estátuas, cheias de verdete, invadem as esquinas de meus olhos e as rosas, que morrem cerces, por entre jardins descuidados, ardendo instantaneamente. Abundam os arbustos e árvores mortas, petrificadas pelo tempo, e, a poluição, desce as escadas da cidade, na humidade, corrompendo o papelão e a inanição diária. Meu pássaro de papel, argonauta de meus sonhos, ficou-se a meio do caminho, entre pinheiros bêbados de azul, rios putrefactos, onde descem impunes, águas de esgoto. Sem sonho algum, que lhes alimente a face, é aí, que vivem as pessoas, que subsistem, a toda a ignominia, debaixo de velhas pontes, a meio da sujidade, no alastrar das doenças. Algumas pombas vão depenicando o chão, e, há uma certa normalidade, nisto tudo, menos as ratazanas, que roem os pés das pessoas, desprevenidas, enquanto dormem. E prédios crescem, ao lado, indiferentes ao que se passa ao seu redor. Já lá vai o tempo da alvenaria, pois tudo é de cimento armado, ilustrado por imensas janelas, sem brio algum. Virilhas esverdeadas, erupções cutâneas e outras enfermidades, marcam o compasso da cidade assimétrica, e, rostos amarelos, morrem todas as noites, ao piar da coruja. Regresso ao mar, minha origem, e, é então, que me transmuto, qual cavalo ou galgo, em ondas, onde abunda a liberdade, e, aí, sou de novo a pureza das coisas, sua verdade. Açoitado pelo vento, faço-me espuma e areia, e, solto meus cabelos, que vagam ao sabor do mar, misturando-se com as abundantes algas, salpicando todos quantos se acercam de mim. Jorge Humberto P. Stº Adrião Até Quando? Há no teu olhar Andorinhas longe do bando; Desde quando meu amor, Desde quando? Há no teu olhar Enigmas em lume brando; Até quando meu amor, Até quando? In “Um amor azul” Quim d’Abreu Nas ruas p'lo S. João, Até p'ra quem pouco resta, Há sardinhas, vinho e pão P'ra razão da sua festa. Com o cheiro a manjerico E a sardinha na brasa, Vem tudo p'ro bailarico Não fica ninguém em casa. Nos versos dos papelinhos Que há presos aos manjericos, Vão sempre alguns recadinhos Das moças p'ros namoricos. Enquanto alguns namorados Vão trocando o coração, Há muitos beijos roubados Na noite de S. João. Vim à festa neste dia Para arranjar quem me queira, Não quero ficar p'ra tia, Nem tenho jeito p'ra freira. Vêm moças de calção, Com decotes atrevidos, P'ra pedir ao S. João Namorados e maridos. Fiquei louca e presa a ti Quando comigo dançaste, E nunca mais esqueci O beijo que me roubaste. Depois do baile acabar Aquilo que a gente fez, Estou louca por voltar A faze-lo outra vez. A S. João mas com medo Toda a verdade contou. Quando lhe disse o segredo Até o santo corou. Se estamos a namorar, Tua mãe daqui não sai, Deve ser por se lembrar O que fez com o teu pai. O S. João já não tem Para todas um marido, Pois há homens que também Lhe fazem esse pedido. Quando a fogueira saltaste Houve grande burburinho, Eu não sei o que queimaste, Mas pelo cheiro adivinho. Isidoro Cavaco - Loulé O Dinheiro É um Deus p'ra alguma gente Que lhe presta reverência P'ra outros é evidente Razão da sua existência... Das três coisas que há na vida Saúde, dinheiro e amor Dinheiro é a preferida Por muitos como a maior. Há muita gente no mundo Que o venera e diviniza Com um vigor tão profundo Que se vende e hostiliza. Por ele há quem faça a guerra E crie até desavenças Mate os irmãos cá na terra Ganhe fama e mude crenças ! Ganham-se e perdem-se amigos Muita injustiça se faz Sem meditar nos perigos Que o dinheiro ao mundo traz. Qual senhor dos depravados Que me deixam furibundo Por serem grandes culpados Dos males do nosso mundo !... Euclides Cavaco - Canadá Amar é tudo Não há sentir maior que nos preencha Nem há na vida nada que se iguale A esta sensação de bem querença De só de amor viver logo se instale E se sabemos que ao contentamento Corresponde outro tanto em desencanto Cremos também ser do amor sustento Depois de um beijo ver brotar um pranto É pois feito de grandes controvérsias Este amar tão declarado humano Vencedor de procelas e inércias E se este sentimento for de engano E transformar em mágoa o que era festa Nunca é irreparável esse dano Eugénio de Sá - Sintra

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 89 - Outubro 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» 7 ESPELHO Ao encontrar a palavra FIM Fechei maquinalmente o livro E pensei em tudo o que lera. Notei certas analogias Entre o herói E alguém que conhecia. Olhei uma vez mais o título E li pausadamente: “D. Quixote de la Mancha”, Pois é, esse D. Quixote, Fisicamente, lembrava-me Não sei quem... Aquela figura esguia, De faces mirradas De gestos teatrais, De olhos encovados, Era-me familiar. Mas quem seria? Não, não me lembrava... Era desnecessário esforçar-me. Tentei esquecer o livro E, todavia, não o consegui. Aparecia-me constantemente Na memória essa figura Quase irreal. Disse para mim próprio: O sujeito era doido. Fui lavar as mãos E, ao olhar o espelho, Descobri, finalmente, Quem tanto se assemelhava A esse D. Quixote. Era eu...Um pouco mais novo, De camisa à sport, É verdade, mas um sósia Quase perfeito. Os ossos, (que em todos nós são iguais) Espreitavam pela camisa Para se verem ao espelho. As faces encovadas Eram iguaizinhas; Só com uma diferença: D. Quixote tinha uma barba longa E o espelho reflectia Uma mancha castanha Provocada por sardas Que só dificilmente deixavam Perceber a cor natural De quem reflectia. Até então vivera sem espelho. Já fui homem; Passarei a irracional, Talvez a cavalo... Cavalo, é isso, serei cavalo... Mas não, o cavalo tem categoria. Baixarei humildemente De condição. Limitar-me-ei a ser o burro Pensativo e melancólico, Triste companheiro De Sancho Pança. João Coelho dos Santos - Lisboa OS HERÓIS DO ULTRAMAR (Ten. Coronel Marcelino da Mata) Ten. Coronel Marcelino da Mata Foi o maior herói nacional Nunca na guerra disse basta Foi voluntário na guerra afinal. É o militar mais condecorado Uma medalha da Torre Espada Cinco cruzes de guerra ao lado Muito corajoso na emboscada. Da Guiné e de Portugal natural No Batalhão de comandos integrado Grande herói na Guerra Colonial Esteve sempre do nosso lado. Começou a tropa como soldado Mas a Ten. Coronel foi promovido Foi das Forças Armadas aliado Na tropa não teve qualquer castigo. Em 2.412 operações participou Um impressionante testemunho Sempre com coragem actuou Homem duro como um punho. Na célebre operação Mar Verde O Tem. Cor. Marcelino tomou parte Sem medo, mas muita fome e sede Nunca pensou pedir resgate. O seu grupo muito aventureiro Conhecido por “Os vingadores” Golpes de mão sempre certeiro Tudo por Portugal fez sem favores. Deodato António Paias – Lagoa Bocage Seu nome: Manuel Maria, Em seu apelido: Bocage. A tão grande e boa poesia... Meu Deus... quem não reage? Não brilhaste quanto quiseste, Na sombra de Luis de Camões. Mas... em tudo o que escreveste, Fazes despertar... as emoções. Anedotas de tua autoria... Se continuam a contar. Bocage: tua linda poesia, É algo grande, de encantar. Viajaste no mar inspirador, A marinha te contemplou. Escreveste versos de amor... E tudo o que o talento ditou. Grande Elmano Sadino! Continuas intemporal. Na tua obra: teu destino... No mundo poético: imortal. Maria De Jesus Procópio Seixal Outono Outono chegado Sopra o vento, Varre o alegre prado Sem cultura e sedento… De chuva vens carregado. Escureces as estrelas Ficando o céu toldado… Searas de palha seca, Vendo tudo assim trajado Varrendo as folhas caídas É um Outono arrojado, Vais adubando o terreno Para o ano ser cultivado. O ribombar dos trovões Rebenta o mar já alterado, Todos os anos maltratas Um qualquer pobre distratado! Damásia Pestana – F. Ferro

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8 Confrades da Poesia - Boletim Nr 89 - Outubro 2017 > Bíblia Online < «REFLEXÕES» Livrai-nos deles, Senhor Oh Deus do mundo, Senhor do universo Desce os Teus olhos aos míseros terrenos Mostra de Ti o sacrossanto anverso Às ímpias almas que em Ti crêem menos; Aqueles pra quem só conta o que é perecível Os que condenam débeis e indefesos Ao despotismo vil, à fúria incrível Que lhes servem interesses sempre acesos. Piores pecados que a Teus olhem fulgem Sem expiação possível, sem perdão, Nem o indulto pio da própria Virgem. Molda essas almas, Deus, e só então Merecerão retornar à sua origem Mas deste mundo não tenham fruição. Eugénio de Sá - Sintra Meu Senhor e Meu Deus Ensina-me uma simples oração Na tristeza do meu pensamento Quando sinto o choro do meu irmão Na angústia do seu sofrimento. Ensina-me a saber escutar Um coração triste e atribulado Ensina-me a entender Amar O Jovem que caminha no trilho errado. Ensina-me a saber perdoar Quem me prejudica quando quero ajudar E, não entende que dou sem nada querer receber. Ensina-me a crescer e a partilhar O Amor capaz de acolher e transformar Um filho que ao Teu lado tudo pode Vencer. Ana Santos - Vilar de Andorinho QUERIDO AMIGO se tu soubesses amigo quanto preciso do teu amparo da tua voz sussurrando teus ouvidos me escutando teu sorriso sorrisos ofertando se soubesses como és precioso amigo! do teu carinho teu afecto tua compreensão da tua amizade nas horas da minha solidão amigo és folha de ouro bordada em filigrana és o diamante o rubi és a jóia mais valiosa que eu jamais vi tu amigo és meu conselheiro nas horas amargas és uma flor no meio do meu jardim és a pomba branca que esvoaça és o todo que eu preciso junto de mim quando a tristeza em mim não passa amigo és a mão que me ajuda a subir a íngreme estrada és o rosto o coração que me escuta e sempre uma verdadeira bênção Rosélia M G Martins - Póvoa Stº Adrião Em Memória Se eu fosse o Todo-Poderoso… Erguia o mais majestoso monumento, Em memória dos humanos, Que tanto amaram; E que nunca foram amados. Luís Filipe da Mota Anços - Montelavar - Sintra Quantos procuram sinais Da sua imaginação! Não sabem esses, os tais, Que isso é mera superstição. Os Judeus pedem sinal O crente hoje anda por fé, Não causes tu, tanto mal Ao que ainda descrente é. Oh, estuda a Palavra, É dela que vem a fé. * Este verso tu grava: É pelo ouvir". Não é? ** CMO – Qtª do Conde * "De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus" (Romanos 10:17). Não é por vista. ** O crente hoje anda pelo que ouve - a fé advinda do estudo da Palavra bem manejada (2 Timóteo 2:15) não pelo que vê (sinais). (1 Coríntios 1:22; 2 Coríntios 5:7; Romanos 10:17).

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 89 - Outubro 2017 «Contos / Poemas» 9 A constelação familiar e o fluxo de transformação da humanidade A constelação familiar é uma terapia capaz de promover a regeneração moral da humanidade. Participante de uma constelação, fui escolhido como representante, e mesmo saindo do papel eu posso dizer com segurança que eu sou uma pessoa diferente. Na memória tenho fragmentos de uma história isolada, que “não” faz parte dos meus acontecimentos. Analisando os fatos, posso dizer que a eleição dos representantes não ocorre por acaso, existe uma afinização inconsciente entre os participantes. A constelação familiar é uma terapia que perpassa o campo da física quântica e da perspectiva de que todos nós somos um, por isso podemos dizer que é possível ocorrer uma simbiose, no conectar da energia do constelado com os seus representantes. A pessoa constelada depara-se com as causas do seu problema, os efeitos e as soluções, podendo ressignificar a sua maneira de ver a vida a partir da compreensão dos fatos apresentados. A constelação familiar já é utilizada como uma resolução de instrumento de conflitos físicos, psicológicos, sociais e legais. No futuro saberemos quais são os efeitos positivos e negativos dessa prática. A constelação familiar desperta a macro atmosfera e o micro olhar para a unidade familiar. Seu efeito consciente no constelado diante dos conflitos pode ser capaz de dirigir a sua atenção para a transcendência de uma realidade cósmica universal. Dhiogo J. Caetano – Professor, jornalista, ator.- Uruana- Go /BR Vida A vida é uma linda poesia! Você acha que é o poeta? O poeta não assina... Não faz questão de aparecer... Ele não nasceu e nem vai morrer... Está imortalizado sem princípio e sem fim. Não somos autores, somos pequeninos poemas não finalizados, em algumas das infinitas páginas, do magnífico poema Universal !!! Ivanildo Gonçalves – Volta Redonda - Brasil NA TRINCHEIRA É (foi) exactamente assim: As horas não passam, olha-se o relógio quase de instante a instante porque o tempo se arrasta de longo segundo ao seguinte segundo longo... Quando chegará a hora de passar ao turno seguinte? O medo faz suar na friagem da noite, cada sombra parece um inimigo, a cada sombra os olhos se estreitam, lacrimejantes, esperando qualquer movimento. Os dedos crispam-se na arma pronta a fogo, a garganta seca, a língua intumesce na boca, recua-se dentro da própria sombra. Recordações são puxadas à lembrança para não sentir a lentidão do tempo, revivem-se situações e as probabilida-des se tivessem tido outras as resoluções, a dúvida se instala: estará a arma pronta a fazer fogo?... A tentação de puxar a culatra atrás a ver se salta o cartucho e introduz um novo...mas, e o barulho?... Desisto. A patilha é apalpada: estará em segurança, tiro a tiro ou em rajada?... A mão instintivamente procura nos bolsos o maço de tabaco na necessidade de um trago tranquilizante, além da sensação de companhia. Porém, denunciante o cheiro e a brasa, impedem a concretização da intenção. O tempo não passa, será que o relógio parou? Sacode-se e encosta-se no ouvido. Sobressalto: além um baru-lho...será animal, homem ou imaginação? Será de acordar todos por precaução e sofrer os insultos e piadas se nada existir?... O suor escorre pela face, pinga, ardente nos olhos, concentra-se na ponta do nariz, desliza no rosto, encharca a nuca. Se eu fosse os outros, como faria? De onde viria? Esperaria o amanhecer? Aproveitaria a escuridão? Usaria a fa-ca?... A mão livre da arma, levanta a gola envolvendo a garganta, um arrepio estremece o corpo numa pré-sensação do frio da lâmina cortante, na pré-visão do esguichar sanguíneo intermitente... E o tempo não passa na m (..) do relógio... F.d.p. do relojoeiro que me convenceu com esta m (...)! O cérebro intoxica-se com palavras soezes buscando o culpado dos lentos segundos...Tira-se o relógio do pulso e, dobrado na mão, os olhos acompanham o ritmo: 210...211...212...213... Parece que, afinal, os segundos são segundos... E o corpo espalma-se ainda mais no solo, na procura, na mãe-terra salvadora, da minha escondida silhueta... Lisboa, Portugal (tempos passados) Cel. Henrique Lacerda Ramalho

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10 Confrades da Poesia - Boletim Nr 89 - Outubro 2017 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ FERNANDO PESSOA 30 == 11 == 1935 (Para os poetas não morreu..! Neste DIA DA POESIA É bom, é imperioso recordá-lo— Eu falo com ele todos os dias… É imperioso… Eis o princípio do seu poema TABACARIA Com o pseudónimo ALVARO DE CAMPOS. TABACARIA Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo… Outra quadra bem popular do ilustre poeta: O poeta é fingidor, Finge tao completamente, Que chega fingir que a dor, A dor que deveras sente! Os poetas! A sociedade rodeia-os de louros Como faz aos presuntos, E depois deixa-os morrer de fome (Anónimo) Eis uma data que todo Parnaso magoa, Trinta de Novembro, Mil Novecentos e Trinta e Cinco, Morre o nosso imortal Fernando Pessoa, Deixando na poesia um doloroso vinco! Apesar d’anos passados a sua Musa tão boa, Todas gerações seguintes procuram com afinco, É sempre invocada porque ela tem c’roa, De ser considerada como sublime trinco! Que tem inspirado tantos, tantos comentários, Nacionais! Mundiais, em todos meios literários, Como astro de primeira grandeza, português! PESSOA, foi pessoa, poetas d’aqueles geniais, Recordo teu rico espolio, é pra mim dos tais, Que te “desperto”, ó poeta tanta, tanta vez! Nelson Fontes Carvalho - Belverde/Amora Saudades Oh! Saudades… saudades, como eu as tenho Dos meus filhos, quando eram pequeninos. De tanta riqueza a chorar ao vento, Ao recordar os rostinhos divinos. Saudades… dos tempos que longe vão. As peraltices, quantas brincadeiras, Risos doces, vozes em profusão, Os brinquedos vários, as mamadeiras… Saudades… quando, ao meu redor, vivam Felizes, Oh, maravilhoso sonho! Sem saber eles, que um dia partiriam, Deixando para trás meu coração tristonho. Hoje resta-me apenas um consolo, Ao recordar os tempos tão dilectos, Para acalentar este velho tolo: - Vão-se os filhos… Mas nos ficam os netos… Marcus Vinicius de Moraes Poços de Caldas – Minas Gerais / Brasil QUEM SABE? Quem sabe de minhas dores e loucuras? Do amor que sempre te dediquei, Das esperas e angústias, Dos temores por tuas possíveis escolhas erradas, Das curvas perigosas que a vida apresenta? Hoje sei que ninguém sabe Nada de nenhum outro ser. De nada adianta planejar a vida alheia Ninguém pertence a outrem. Suas escolhas são responsabilidade própria, Uso constante do livre arbítrio, Mérito ou erro de percurso Que servirá para crescimento pessoal, E, cada um deve ser o responsável pelo resultado. Isabel C S Vargas Pelotas/ RS/Brasil á que é para tudo dizer não irei ficar calado irei comer peixe-espada assado nas brasas que vou fazer mas se algum amigo aparecer para me fazer companhia a mesa está vazia já que é para tudo dizer. INSPIRAÇÃO Aquela voz Aquele olhar Aquele estar Aquele sorrir Faz-me sonhar Faz-me inspirar Faz-me sentir Não é necessário acreditar em Mistérios… (porque Tudo É MISTERIOSO…) -nem chamar “velhos” (a cada “teimoso”…) Santos Zoio - Lisboa Vitalino Pinhal - Sesimbra Cremilde Cruz – Lisboa

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 89 - Outubro 2017 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ 11 PASSEI POR MIM Entre ilusões sem medida E numa esquina da vida Eu passei ontem por mim, E vi meu rosto cansado Numa rua do passado Cheia de sonhos sem fim. Procurei a mocidade Nessa rua da saudade Por onde também passei, Percorri cantos em vão, P'ra minha desilusão Eu já não a encontrei. Ao viajar no passado Há ruas que pus de lado E não as quis percorrer. Naquelas por onde andei Muitas coisas encontrei Que gostava de esquecer Entre ilusões e fracassos Vi destroços e pedaços Dos sonhos que não vivi, E ao tropeçar num espelho Eu vi meu rosto mais velho... E não me reconheci. Isidoro Cavaco - Loulé POÇO OU FONTE? De Poço, lhe ouvi chamar Mas de Fonte, nem pensar Nem Bica nem Chafariz Depois; a Fonte nasceu E a mudança aconteceu Foi o Ministro que quis!... Donde veio esta nascente Talvez andasse na mente Dalgum Homem do Estado!... Poço seria Grosseiro… E um nome mais lisonjeiro Tinha de ser inventado Esta Terra que nos conte Era Poço e hoje é Fonte Boliqueime orgulhosa… Com ou sem governante A Fonte foi por diante E ficou Terra famosa Será que o Poço secou? ... E um milagre se passou Fazendo a Fonte Nascer!... Pois seja lá como for Digam-me lá por favor Eu não consigo entender. BELMA TENHA CORAGEM ABRA A PORTINHOLA Belma tenha coragem abra a portinhola E ao pássaro dê a merecida liberdade No espaço e livre canta e diz olá Emanando para a natureza a felicidade Se o fizer, diz a Belma, ganho infelicidade Não posso sem ele a minha vida amola Maria tenha coragem abra a portinhola E ao pássaro dê a merecida liberdade Olha Belma que triste ele esta na gaiola Do raiar do sol ao toque da trindade Chora pela liberdade e pede esmola Belma veja o preço da tua felicidade Belma tenha coragem abra a portinhola João P. C. Furtado - Praia / Cabo Verde AS ONDAS DO MAR Fui contemplar o mar E nos braços da areia Vi a sereia descansar Trazida pela maré cheia No vai e vem das ondas Formam rendas de cambraia Irrequietas e turbulentas Se desfazem na praia Vêm espreguiçar-se na areia Envoltas num manto de bruma Com as ondas veio a sereia Coberta em lençol de espuma Com os sussurros do vento E as ondas a murmurar Em constante movimento No areal vêm-se beijar As ondas no seu cantar Compõem uma melodia Quando na areia vem brincar Escrevem a sua poesia Sentada na praia deserta Comtemplo o mar até ao sol-posto Ele me inspira e me encanta Com a brisa a beijar-me o rosto Perpétua Rodrigues – Olhão A MISÉRIA DA VIDA Com esta crise e austeridade Muito tem ficado por fazer Falta espírito e autoridade Cada um pense o que quiser. Existem carências sociais Porque não há investimento Falta trabalho e coisas mais Tanta gente em sofrimento. Há pobreza envergonhada Que devia ser preocupação Nesta democracia falhada Onde todos falam e têm razão. O País cada vez mais endividado Com tanta crise a reinar Infelizmente do mau resultado Que não se consegue emendar. Muitos impostos a pagar Num País com desemprego Não sei onde isto irá parar Cada vez é maior enredo. Tanta gente desempregada Que quer comer e nada tem Presentemente revoltada Pela miséria que por ai vem. Em democracia e liberdade Até faz doer o nosso coração Cada vez maior desigualdade Que desrespeito pelo cidadão. Deodato António Paias - Lagoa Ao Luar No sabor do luar deslizam nuvens na brancura eterna rasgando vales Através da bruma oscilam a ternura e o amor dissecado por dois seres esquecidos Na planície solarenga vibra a amizade no esquecimento dos tempos vertiginosos Pedro Valdoy - Lisboa João da Palma - Portimão

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12 Confrades da Poesia - Boletim Nr 89 - Outubro 2017 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ É por isso que eu vivo O CÉU NA TERRA Saudosa Linha do Tua Eu sou a palavra lavrada e aberta Eu sou a raiz Eu sou a garganta de um homem que fala E sabe o que diz Eu sou o silêncio das trevas que penso Das coisas que digo Sou filho do tempo sou fúria do vento Sou força do trigo Ai eu sou terra sou mágoa Sou vento sou água Sou princípio e fim Ai não me afoguem o pranto Não me rasguem o canto Não me arranquem de mim Ai se eu pudesse ser tudo Ser morto ser vivo ser fogo ser linho Ai se eu pudesse se corpo ser alma E ser fruto ser pão e ser vinho Eu sou a semente que morre e se queima E não chega a nascer Eu sou o poeta que nasce na terra Com tudo a dizer Se digo e se canto se falo se mordo Se farto é por mim Eu sou a demora do tempo que espera Por dentro do fim Ai a distância que vai Do celeiro ao tear Do cantor ao ceifeiro Ai a diferença que tem o Luar quando vem Sob o céu de janeiro Por vezes olho as estrelas Dá vontade de as contar. São tantas e são tão belas Eu gosto tanto de velas Reflectidas no teu olhar. Nos teus olhos vejo o mundo Mais lindo do que ele é Vejo paz vejo alegria Olho e parece magia Quando estou contigo ao pé Momentos de prazer imenso Da tua voz musical Adivinhas o que eu penso E respondes com bom senso Do que achas bem ou mal. Nunca te vi enervada Nunca virastes as costas Nunca de voz alterada Nem com ar de já cansada Sempre tens boas respostas. Onde há amor há paz Há sossego e liberdade O amor que nos apraz O amor que agente faz Com beijos de leviandade. Mário Pão-Mole - Sesimbra Aflição Já chorei pela morte anunciada, Da obra-prima da nossa engenharia, Uma obra grandiosa e arrojada, Feita nos idos do século dezanove, Que alguém quis destruir por teimosia… E por intentos que ninguém demove! Quantos perigos e quanto frio, Bravos homens tiveram que enfrentar, Com seus corpos suspensos no ar, Desafiando as leis da gravidade, Para escavarem a pedra áspera e dura Sobre as escarpas do turbulento rio. E, assim, se construiu, a Linha do Tua! Nem protestos, nem lamentos, Daqueles que a quiseram salvar, Demoveram os torpes intentos, De quem só pensou lucrar, Com o seu desmantelamento! E essa linha de bitola estreitinha, Que foi meu enlevo de menina E tanto animou agreste paisagem, Deixou de ser um atractivo caminho, Para morrer triste e devagarinho, Submerso nas águas da barragem! São Tomé – Corroios – Portugal Defesa silente Ai como sinto vontade A lavrar o meu corpo E a secar meu pranto Ah como sinto a verdade ceifando o meu trigo Rondando o meu espanto E é por isso que eu digo Que sou forte e estou vivo E é por isso que eu sigo E é por isso que eu canto Eu sou terra sou mágoa Sou vento sou água sou Princípio e fim Paco Bandeira - Elvas Quando faz frio Eu desafio O Sol ao amanhecer Para nos aquecer... Senão, morro de frio... Quelhas - Suíça Foi um grito de aflição Que começou, mal Rompia a madrugada! Era frio o meu olhar Expectante de animal ferido, Foram trevas de agonia E de cansaço Mal disfarçado. Foram gritos Que saíram da garganta dorida, Do corpo magoado, e Espírito cansado. Foi o pedido de ajuda Que veio tarde, e Me foi negado! Regina Pereira - Amora Com a boca amordaçada Pela inépcia vigente, Escrevo… numa escrita silente Que muito tem a dizer – Sem pejo nem acrimónia, Eu versejo veemente E para me defender Tão-somente e sem glória – Escrita que denuncia Um pensar insubmisso, Absorto em crédulas incertezas – Desvendando a revolta, O desespero e a angústia De não poder desmascarar Tudo o que reprime e rói Este mundo destruído Pela perversão de valores – Por isso escrevo, Numa defesa silente Até ao infinito – E se ele não vem Não aquece ninguém Que desilusão Aquece tu meu coração. Natália Vale - Porto

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 89 - Outubro 2017 13 «Tribuna do Vate» FOLHAS DE AGOSTO As árvores bem frondosas Num domingo de calor, Em que as folhas luminosas Encantam com seu fulgor! E conforme sopra a brisa Há reflexos variados. É ideia da poetisa Sejam muito apreciados. Jogam depressa as clarinhas Por mais novas elas serem, No topo de hástias fininhas Cedem para se manterem. As mais escuras e densas Agitam-se em ramos fortes De árvores cujas presenças Sofrem boleados cortes. Vemos ainda outras folhas Em parte avermelhadas, Sinais de várias escolhas De ameixieiras frutadas. E em céu azul se projetam As árvores com seus ramos, Em arabescos completam A Natureza que amamos. Maria Fonseca - Lisboa Portugal As cores da Primavera ´Stá um dia radioso, O céu azul, o Sol brilha. Sábado com meu esposo A natureza partilha. As arves iluminadas Embelezam no momento, Fartas as suas ramadas Jogam ao sabor do vento. ´Stá presente a primavera, Orquídeas e outras flores Perfumam a atmosfera E agradam com suas cores. Na jarra são cor-de-rosa E amarelas, raiadas, Com beijinhos de amorosa Mãe, lindamente enlaçadas. Os antúrios ´stão brilhantes, Novos, lindos e rosados, Violetas em cambiantes Enfeitam todos os lados. Mais ao longe as nespereiras Fazem jus à criação, A dar fruto são primeiras Animando o coração. E as aves louvam também Com seu mavioso canto, Alegram quem vem por bem, A completar este encanto! Maria Fonseca Lisboa - Portugal Poesia do mar O mar brilhava de encanto Quando a brisa o afagava. Em busca de novo canto O Poeta o admirava. Assim nascia o efeito Quando a onda se formava, O verso a rimar perfeito Com a praia que esperava. Outros depois se seguiam Na linda tarde de V´rão, As ondas se sucediam A criar inspiração. Forte primeiro e vibrante, Das ondas, o marulhar, Logo rápida, enleante, Banhando a areia, a quebrar. O poema ia surgindo Ao sabor da ondulação, A esquivar-se fugindo Após a rebentação. E o poeta agradado Vive a emoção dos seus versos Perante um mar encantado De mil segredos imersos. Maria da Fonseca - Lisboa Amanhecer Dia a raiar no infinito, Ao longe reflexos dourados Enchem a montanha de luz. Os pássaros ocultos nas árvores Entoam cânticos melódicos, Tudo está em harmonia. É bom iniciar o dia Sentindo o encanto do amanhecer. Anabela Gaspar Silvestre - Covilhã OUTONO… Em plena noite chegou E consigo trouxe a brisa Que me acariciou a face. Outono de belas cores Que intensamente me deslumbram. Outono das castanhas, De luares tranquilos e confidentes. Outono agora, Outono durante três meses. Outono! Invadiste a minha alma Coberta de folhas douradas. Outono dos meus encantos, Que rouba os meus chapéus Para eu correr e brincar… Outono... Outono Do meu ser. Anabela Gaspar Silvestre Covilhã Colho os dias, Perfumo a essência da vida, Caminho na poesia das horas. Amo-te a cada passo do tempo. Anabela Gaspar Silvestre

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14 Confrades da Poesia - Boletim Nr 89 - Outubro 2017 «Cantinho Poético» MUITO CHOVEU A CONSCIÊNCIA MOTE: Choveu o dia todo, de seguida, E, como se fosse outra vez criança, Meti pés na valeta da avenida E, à solta, chapinhei, como uma dança De frescor, movimento e alegria. Voltei a antigamente, no recreio. Memória dos desejos de algum dia Fizeram uma roda e eu no meio. Não leva a mente o corpo para trás E a nuvem do passado é incapaz De trazer pró presente tanta luta. Milagre, nem sequer com uma vela. Pulei do colchão, fui ver da janela E vi que a rua estava toda enxuta. MOTE A Dona Consciência anda contente, Pois procura cumprir o seu dever… É correta e capaz p´ra toda a gente E sempre pendular no proceder. Adelino Azevedo Pinto GLOSA A Dona Consciência anda contente, E vê-se no olhar que está feliz; Detesta a inimizade e, tão ciente, Sabe julgar, até, como um juiz. Amiga do Direito e da Razão, Pois procura cumprir o seu dever… E se sofre qualquer ingratidão, Pensa que é preferível esquecer. Não me falem em direitos Os que andam todos tortos. Esses velhacos sujeitos Vão falar isso prós mortos! (Hermilo Grave) GLOSA: Não me falem em direitos Esses grandes figurões, Que andam todos escorreitos A coçar os seus colhões! Prometem mundos e fundos Os que andam todos tortos, Atacando, furibundos, Só no poder absortos. Tito Olívio - Faro DE ONDE NASCEU O AMOR Se os meus olhos falassem E tu estivesses ouvindo Ficavas sempre sorrindo Com o que eles te contassem Com muito amor te olhassem É assim um amor lindo É justa, verdadeira e complacente E graças ao Senhor bem sossegada. É correta e capaz p’ra toda a gente Pelo que deve ser acarinhada. Simples, sorri à boa compostura, Gosta de amenizar e enternecer; Que bom senti-la em forma, sem tortura, E sempre pendular no proceder. À mentira são atreitos, Enganando a multidão, Esses velhacos sujeitos Que não valem um tostão. Beijinhos e fala mansa Não nos dão muitos confortos. E tão-pouco confiança. Vão falar isso prós mortos! Clarisse Barata Sanches - Vila de Góis Hermilo Grave – Paivas/Amora Não tem tamanho, nosso amor É maior que todo o mundo Nesse teu olhar profundo Vejo a mais bela flor És o meu esplendor Neste amor que me confunde Baralho-me a toda a hora Sem saber como te amar Nunca te quero magoar No que faço ou fiz outrora Dizendo o que digo agora Assim quero continuar Um dia de cada vês Cada dia mais paixão Sem viver uma ilusão Este amor que é talvez O amor que agente fez Com anos de união Tivemos espinhos nas rosas Desgostos agente enfrentou O azar nos enlutou Pondo o nosso amor em prova Vencemos a vida nova Nova vida começou. Amigo vem amigo vem comigo bailar uma valsa um tango tanto me faz vem amigo teus braços me enlaçar dancemos o que mais nos apraz numa ilusão docemente sentida iremos querido amigo imaginar que eu sou o amor da tua vida vem assim amigo comigo dançar é tão breve amigo esta nossa vida para juntos a podermos comungar sem sentimentos de despedida amigo por favor deixa-me sonhar E deslizando entre os teus braços ao som desta música bela celestial amigo esqueço tantos embaraços neste espaço dentro de mim irreal. Rosélia M G Martins P Stº Adrião-Lisboa ACEITAÇÃO Nova estação de perda está se aproximando, Neste caudal de dor que enfrento pela vida, Vendo, desta árvore, ramadas se finando, E eu já sem lágrimas na fonte ressequida… Já foram tantas estações por mim passadas, De luto e dor, a marginar minhas areias, Que hoje navego amolecida nas levadas, Enrodilhada na algidez das duras teias. Mas me exercito no labor do desapego, Ao receber, de mente calma, essas marés, Premonitoras do meu próximo desterro. Que inda é difícil de aceitar a transição, Jamais o nego… Mas proclamo, pelo invés, Que o doce bálsamo provém da aceitação! *** Carmo Vasconcelos - Lisboa/Portugal Mário Pão-Mole - Sesimbra

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 89 - Outubro 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» 15 Batem forte fortemente Era ninguém Batem leve, levemente? Não duvido de que sim, Mas, Augusto, cá p’rà gente, Isso era antigamente, Que hoje ninguém bate assim. As actuais batidelas Não são, não, nenhum biscoito. Provocam, algumas delas, Tais e tamanhas mazelas, Que fica tudo num oito. As pessoas, furiosas, Batem janelas e portas Que, sob acções tão danosas, Fruto de questões nervosas, Cada vez ficam mais tortas. Bate a mulher no marido, Ele responde a preceito, Cavalheiro destemido, E com furor acrescido, Bate a torto e a direito. E filhos batem nos pais, E nos professores, a esmo, Como bons profissionais De exercícios marciais: Quando batem, batem mesmo. Há grupos que não são leigos Na batida organizada; Sendo força bem treinada Na matéria da porrada, Não são mesmo nada meigos. Batem leve, levemente? Augusto Gil, vai por mim! Batem forte, fortemente! Mas tens razão: realmente A chuva não bate assim… Lauro Portugal - Lisboa Era ninguém Ao cruzar-me contigo Hoje sou alguém Do teu convívio Talvez a noite O silêncio Porque não Sombras e mistério Desafio Verdade Mentira Até mesmo o choro da noite Essa noite que chora por ti Ou lembranças Que não têm fim Era ninguém Ao cruzar-me contigo Hoje sou alguém Do teu convívio Damásia Pestana – F. Ferro Uma flor do deserto Os meus sonhos, em cujas mágoas lavravas, Logo me pareceram premonitórios!... Tanto, quanto à utilização de palavras, Como aos medos que viraram ilusórios!... Aquelas, de novo em meu vocabulário Trouxeram, para o presente pensamento Uma certeza, a do sentido gregário, Ao usar a palavra amor, sem sofrimento! Também palavras, como querer e sonhar Me devolveram a memória, ordenada... Os medos perdi-os, tendo-te aqui por perto! Daqueles sonhos saíste com asas p'ra voar!... O medo aliado à palavra mencionada, Oferta-me a mais linda flor do deserto! José Maria Caldeira Gonçalves – F. Ferro Teu “EU PROFUNDO” é o Tesouro Único (que DEUS te deu…) -é o elo de ligação (ao MULTIUNIVERSO !) -com quem estás em Perfeita Sincronização (com Todo o Teu VERSO !) Santos Zoio - Lisboa Só é cego quem não quer ver. As lojas são fechadas! As escolas fechadas são! E os empregos!? Caem por terra… Hospitais sem capacidade de corresponder… E rebentam pelas costuras com doentes nos corredores, portas abertas, correntes de ar se o doente entra com uma doença!? Sai de lá com doenças acrescidas, numa réstia de vidas torcidas… neste mundo que asfixia que gere o fracasso nos gemidos da profilaxia A justiça que anda inflamada, por falta de sentimentos… Insegurança policial de pistolas querem fisgas evitando alguns ais dando milho aos pardais… Governantes Em vez de servirem… Servem-se! Governação de excelente emprego e com dois mandatos são promovidos e aposentados, com salários chorudos. Se a crise é mundial!? Sim! Tombou na corrupção! Solução!? Celestial! Jesus é a Salvação… Só é cego quem não quer ver… Pinhal Dias (Lahnip) PT Fez-se branco Fez-se branco O olhar Puro Do teu Corpo. Albino Moura - Almada

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