Gazeta Valeparaibana

 

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Outubro 2017

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Ano X - Edição 119 - Outubro 2017 Distribuição Gratuita GOLPE E DITADURA MILITAR SERIAM ALTERNATIVA AOS PROBLEMAS DO BRASIL? Página 4 História da foto de farol mais famosa do mundo Página 6 VIOLÊNCIA CONTRA O PROFESSOR: A corda estoura sempre do lado mais fraco Página 9 A única possibilidade de nos eternizamos nessa frágil vida, é plantando boas sementes. É a melhor herança que deixamos! 31 de Outubro - Dia Nacional da Poesia no Brasil Trecho do poema “O Navio Negreiro (Tragédia no Mar)” A poesia brasileira é um dos nossos patrimônios culturais. São inúmeros os nomes reconhecidos e premiados internacionalmente. Esses autores são responsáveis por, em períodos distintos, contar a história do povo brasileiro e apresentar suas impressões sobre o mundo e os outros. Alguns nomes tiveram maiores destaques, tais como Castro Alves e Carlos Drummond de Andrade. “‘Stamos em pleno mar… Doudo no espaço Brinca o luar — dourada borboleta; E as vagas após ele correm… cansam Como turba de infantes inquieta. ‘Stamos em pleno mar… Do firmamento Os astros saltam como espumas de ouro… O mar em troca acende as ardentias, — Constelações do líquido tesouro… ‘Stamos em pleno mar… Dois infinitos Ali se estreitam num abraço insano, Azuis, dourados, plácidos, sublimes… Qual dos dous é o céu? qual o oceano?… [...] Peculiarmente distintos, são Donde vem? onde vai? Das naus errantes poetas que embelezam a literatura brasileira. Antônio Frederico de Castro Alves, Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço? Neste saara os corcéis o pó levantam, Galopam, voam, mas não deixam traço.“ baiano, lutou por causas nobres, tais como a defesa da República, Oficializada pela presidente Dilma Rousseff, a Lei 13.131/2015 e ficou conhecido como o poeta dos escravos. determina o dia do nascimento de Carlos Drummond de Andrade como o Dia Nacional da Poesia no Brasil. CULTURAonline BRASIL - Boa música Brasileira - Cultura - Educação - Cidadania - Sustentabilidade Social Agora também no seu Baixe o aplicativo IOS NO SITE www.culturaonlinebr.org Editorial Página 2 Temos um Convite O Dia da Música Popular Brasileira comemorado anualmente em 17 de outubro. Referente a atual conjuntura geo- política, o mundo está ameaçado de novamente ver armas nucleares O debate sobre como coibir o avan- serem usadas em guerra. Depois ço de discursos que fomentam o de os Estados Unidos, 24 anos de- racismo, a xenofobia, o machismo pois do fim da guerra fria, inventa- e outras formas de preconceito no ram de impor sanções à Rússia de- meio digital é urgente e fundamen- vido à crise na Ucrânia, o mundo tal. Também conhecido como o Dia Nacional da MPB, esta data celebra e home- parece ter regredido às vésperas Casos recentes de discriminação nageia o nascimento da primeira com- da Primeira Guerra Mundial. racial a pessoas conhecidas do pú- positora oficial da Música Popular Bra- Mas a Coreia é uma nação que e- blico como as atrizes Taís Araújo e sileira: Chiquinha Gonzaga, que nas- xiste desde aproximadamente 2300 Cris Vianna, a jornalista Maria Júlia ceu em 17 de outubro de 1847, no Rio de Janeiro. anos antes de Cristo... Coutinho e a miss Brasil 2017 Página 7 Página 10 Página 11 www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Outubro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 2 Editorial CONVITE Colunista da Gazeta Valeparaibana pode alcançar mais de 4 milhões leitores por mês. É com imenso prazer que comunicamos que estamos abrindo um espaço para você, educador, educadora, pesquisador ou pesquisadora, que gosta de escrever artigos relevantes sobre educação, cidadania, curiosidades de nossa história, culturas, etc. A nossa intenção é de aumentarmos consideravelmente o debate em torno de questões importantes relacionadas ao nosso Brasil e valorizarmos as culturas e tradições brasileiras. Se você gosta de musica, teatro, cinema e sempre teve o intuito de elevar os debates em torno da sua contribuição para a cultura nacional, o que se coloca nada mais é do que oferecermos a oportunidade para pessoas anônimas que gostariam de ganhar o seu espaço em conjunto com uma comunidade de pessoas atentas tão presente em nossas vidas atualmente. Os comentários dos artigos, por exemplo, são de suma importância para que a comunidade entenda ainda mais o tema em que está sendo abordado pelo redator. E, com isso, vão surgindo novas ideias de artigos, além da possibilidade de criarmos um network bacana. É importante mencionar que, inicialmente, o nome do colunista aparecerá embaixo do artigo, com o link para a sua rede social. E, posteriormente, depois de ter um bom número de artigos e com boa aceitação do público, você terá um perfil no nosso site do jornal com linkes também do site das nossas rádios. Gostou da ideia? Então mande o seu artigo até ao vigésimo dia de cada mês para o seguinte email, com o seu nome completo e a rede social em que deseja que seja linkado o seu nome dentro do artigo: redação@gazetavaleparaibana.com Critérios para aprovação do artigo: 1- Texto deve ser autoral, nada de copiar e colar; 2 - Artigo deve ter no mínimo 500 palavras; 3 - Conteúdo deve ser original e relevante; Critérios para ser aprovado como colunista da Gazeta Valeparaibana: 1 – Ter sido aprovado em no mínimo 5 artigos e todos eles publicados no Jornal Gazeta Valeparaibana; 2 – Ter o interesse de continuar colaborando e possuir tempo disponível. E então, o que acha dessa oportunidade? Como você já deve ter reparado, apresentamos um novo espaço no site da Gazeta Valeparaibana. Um dos objetivos da reformulação é tornar o site ainda mais colaborativo e, assim, fazer jus ao lema de ser “o ponto de encontro da educação”. Tendo em mente essa missão, de se tornar uma verdadeira comunidade virtual que une todos os profissionais e temas relacionados à educação, cultura e sustentabilidade Social, investiu na plataforma que se propõe a veicular trabalhos científicos da área. É o ‘GV - Ciência’. Espaço 100% colaborativo e GRATUITO! A proposta surge para ser o meio em que trabalhos científicos sejam veiculados na imprensa, dano a eles o devido destaque. Todo internauta do Portal Comunique-se pode fazer uso do ‘C-SE Acadêmico’, basta seguir dois passos... 1º - ENVIAR o trabalho para: csecientifico@gazetavaleparaibana.com (em Word sem formatação com letra Arial 11). NÃO ESQUECER de enviar todos os seus dados: Nome Completo, Documento de Identidade, Nome do Curso, Faculdade. 2º - Depois de analisado, será publicado no espaço “GV - ciência” do site e na edição do mês subsequente no Jornal Digital. Quem sabe de luta, luta. Quem não sabe, labuta. *** Marquês de Maricá: “Os homens mais respeitados não são sempre os mais respeitáveis”. *** Capistrano de Abreu: “Constituição brasileira, artigo único: todo brasileiro é obrigado a ter vergonha”. *** Heitor Moniz: “De vez em quando sopra na humanidade o vento da loucura. Há um grande entusiasmo coletivo. Os povos sublevam-se, tomam as armas, fazem a revolução”. *** Machado de Assis: “Em verdade vos digo que toda a sabedoria humana não vale um par de botas curtas”. *** Guimarães Rosa: “Trabalho não é vergonha, é só uma maldição”. *** Mark Twain: “Uma mentira é capaz de dar a volta ao mundo enquanto a verdade ainda calça os sapatos”. *** Agripino Grieco: “A sarna é uma das poucas distrações que restam aos pobres”. *** Victor Hugo: “Quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha”. *** Viana Moog: “Temos a capacidade de tornar sensacional o que em si mesmo não tem a menor importância”. *** Abraham Lincoln: “A melhor forma de destruir seu inimigo é converter-lhe em seu amigo”. *** Roquette Pinto: “Os escravos sempre serviram para carregar, entre outros fardos, a culpa dos senhores”. *** Os artigos publicados são responsabilidade de seus autores, não refletindo necessariamente a opinião da Gazeta Valeparaibana IMPORTANTE Todas as matérias, reportagens, fotos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, podendo seus conteúdos não corresponderem à opinião deste proje- to nem deste Jornal. A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente para download na web Editor e Jornalista responsável: Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J Ajude-nos a manter este projeto por apenas R$ 2,00 mensal Email: assinaturas@gazetavaleparaibana.com Gazeta Valeparaibana e CULTURAonline BRASIL Juntas, a serviço da Educação e da divulgação da CULTURA Nacional

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Outubro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 3 Crônica do mês DA FAVELA PARA O ASFALTO isso por nada, já que a quantidade de armas e drogas apreendidas nesse período foi baixa, Quando vi os tanques de guerra entrando no e não demorou muito pro tráfico recuperar a morro, não pude deixar de pensar no verão, mesma força de antes. 40º C na sombra, a gente sem água por mais Esse filme está se repetindo agora mesmo. de uma semana, tendo muitas vezes que che- Com o menino de treze anos recém chegado gar do trabalho e procurar forças pra buscar do nordeste, que teve a casa invadida por po- água no poço ou numa fonte pra tomar ba- liciais logo depois da mãe sair pro trabalho, e nho, fazer comida, lavar a louça. Nos dias não sabendo responder a tantas perguntas sem luz, aquele calor, aquele suor, o ventila- acabou com o braço quebrado. Com os mui- dor parado, o medo de estragar a comida na tos moradores que enviaram fotos para a pá- geladeira. Naquele menino de dez anos que gina Rocinha em Foco, denunciando a ação começa a flertar com o trafico enquanto a dos policiais, mostrando suas portas arromba- mãe está no trabalho. Naquele projeto de fu- das, suas casas todas reviradas. tebol, surfe, judô, teatro, música, entre tantos E em meio a tudo isso, ainda somos obrigaoutros, interrompidos pela falta de recursos. dos a ver, no espaço virtual que usamos pra Fiquei pensando. Nessas horas, onde é que nos atualizar e de certa forma, cuidarmos uns esteve o Governo do Estado do Rio de Janei- dos outros, pessoas (a grande maioria utiliro? zando um perfil fake) xingando esses morado- Uma coisa é certa, já estamos acostumados a res, dizendo que querem denunciar os polici- nos virar por conta própria. A arquitetura do ais militares mas não querem denunciar os morro, desde os becos, vielas e escadas, até traficantes. Sim, chegamos ao ponto em que as casas, igrejas, mercados, é a maior prova grande parte da população acha super natural disso. Aquele vizinho que te empresta uma comparar a segurança pública com o crime tomada pra ligar a geladeira e preservar seus organizado. Ninguém que aponta o dedo tem alimentos, aquela vizinha que te avisa que ideia de como dói ter os direitos violados, pas- está caindo água e faz questão de lembrar sar os dias ouvindo a bala cantar, carregar que não se pode esquecer de encher os bal- essa sensação de impotência, e ainda por ci- des; mostram que apesar de tudo, não esta- ma, sair como culpado. mos sozinhos. Já que comecei a falar dos comentários que Os tanques de guerra subindo, os caveirões recebemos de fora, não posso deixar passar passando, continuei pensando: o que real- batido a cobertura ostensiva da televisão, que mente motivou essa ação militar tão repenti- conseguiu passar um dia inteiro sem nos dar na? Vieram várias respostas na cabeça: o fa- nenhuma informação relevante e ainda faz to da Rocinha estar no caminho entre Gávea questão de lembrar a todo momento o quanto e São Conrado, entre São Conrado e Barra, o estavam sofrendo os cariocas que precisa- Rock in Rio, os alunos da Escola Americana, vam passar por aquele pedaço da cidade. O do Teresiano, da Escola Parque sem aula, a nosso pedaço de cidade. PUC fechada, o circo televisivo batizado pelos Nesse mesmo dia em que os tanques de próprios jornalistas de cobertura completa, guerra entraram na Rocinha, vi na internet u- enfim, muitas coisas, mas em momento al- ma matéria de um jornal português sobre a gum, cheguei a pensar que pudesse ser em Cia Marginal, grupo de teatro formado no defesa do morador. Complexo da Maré, onde destacavam a se- Até porque, qualquer um com um pouco de guinte frase: A violência está no mundo. Não boa vontade, pode perceber que uma ação nas favelas. Nada pode ser mais simples: é militar convocada assim, de uma hora pra ou- impossível separar as favelas do mundo, es- tra, sem nenhuma estratégia desenvolvida, e quecer que elas fazem parte de uma cidade, que usa como braço armado soldados que estado, país, é impossível ignorar seus con- não conhecem a geografia do lugar e tampou- textos e tudo o que aconteceu até chegar co a dimensão do conflito em que estão se nesse momento. No entanto, lembrando de metendo, pode servir pra tudo, menos pra tudo o que disse o governador, o chefe de se- proteger o morador. gurança pública, os jornalistas na televisão, Nessas horas, é impossível não lembrar da os fakes com fotos de militares, concluí que é UPP ocupando o morro. No BOPE metendo o exatamente isso o que estão tentando fazer pé na nossa porta, revirando tudo, perguntan- desde sempre. Separar a favela do mundo. do onde é que arrumamos dinheiro pra com- GEOVANI MARTINS, 26, morador da Roci- prar nossas coisas, exigindo nota fiscal. Tudo nha, é escritor Calendário Algumas datas comemorativas 01 - Dia Internacional da Música 01 - Dia Internacional das Pessoas Idosas 03 - Dia das Abelhas 04 - Dia dos Animais 04 - Dia da Natureza 12 - Dia das Crianças 15 - Dia do Professor 17 - Dia Internacional Erradicação Pobreza 17 - Dia da Música Popular Brasileira 22 - Dia da Praça 29 - Dia Nacional do Livro 31 - Dia Nacional da Poesia 31 - Dia do Saci Ver mais sobre na Página 12 A maior parte da violência é movida pelo dinheiro. O mal de todos os males. A cédula é a isca no anzol. O materialismo tomou con- ta!!! O sentimentalismo é visto como fraqueza. Uma fraqueza que Deus aprova!!!! Henrique Rodrigues de Oliveira ================================= O grande perigo de violência para uma sociedade são as mentes desocupadas;essas são as que mais despesas dão para o Estado e in- tranquilidade para o cidadão. Adelmar Marques Marinho AJUDE-NOS a manter este projeto de educação - www.culturaonlinebr.org/apoiadores.htm www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Outubro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 4 O Brasil! GOLPE E DITADURA MILITAR SERIAM mineração e a quebra de monopólio das altas ção eram privilégio de 5% da população. Re- ALTERNATIVA AOS PROBLEMAS DO BRASIL? finanças como fonte de recursos externos, o colhiam-se tributos para pagar a dívida públi- banco dos BRICS. ca e distribuir privilégios. Por tudo isto, veio o golpe de maio de 2016 e Se alguém acredita que estes senhores per- a enxurrada de projetos antinacionais e anti- mitirão eleições limpas em 2018, renunciando populares que jamais seriam aprovados sem à ditadura constitucional ganha sem luta e a quebra dos limites democráticos. Voltamos, sem sangue, engana-se redondamente. Eles em 2016, à ditadura constitucional do Império vieram para ficar no poder por um século. e da República Destroem a cidadania brasileira para nos ofe- Velha, estamos sendo esmagados por um go- recer uma cidadania global. Como já fizeram verno ilegítimo que concentrou esforços, e sa- na Ásia e na África. be-se lá o quê, na destruição dos direitos ins- As Forças Armadas serão sucateadas. Parce- critos no Pacto de 1988 e na dilapidação do la significativa já foi transformada em Força Certamente não, diz a quase unanimidade patrimônio nacional. Chegamos ao fim da Era Nacional, isto é, a guarda nacional do antigo dos intelectuais e cientistas sociais do Brasil. Vargas, projeto explicitado claramente por coronelismo. Mesmo na ocorrência de uma E eu me incluo neste grupo, com a convicção Fernando Henrique Cardoso nos anos 1990. guerra serão desprezadas, pois a guerra entre de quem sempre lutou nas hostes democráticas. Mas ainda, amparada no conhecimento O projeto futuro dos senhores do poder nações é feita hoje com poucos homens, aviões não pilotados, muito dinheiro e mísseis de de nossa história e na vivência e resistência a O golpe liquidou a democracia e nos colocou longo alcance. dois golpes de Estado, 1964 e 2016, eu me sob comando dos poderes imperiais, em esta- pergunto: golpe? Para quê? Para quem? do de submissão aos objetivos dos conglome- E o povo? Ora, o povo que se dane. Cachaça rados industriais e financeiros mundiais. O go- e muito samba, rock e algo mais, pensam os Não há mais democracia. verno brasileiro obedece a estes senhores, que defendem a liberação das drogas. Na O golpe já ocorreu, em 2016, destruiu o em- China foi assim. Porque seria diferente no brião democrático que minha geração pensou Brasil? estar nutrindo, resultado da fertilização de quatro décadas em que: Para chefiar este projeto já foram designados o futuro presidente, qualquer que seja a refor- a) organizamos os movimentos sociais pródemocracia,b) inserimos na Constituição de 1988 os tão sonhados direitos universais e os ma política e o regime eleitoral adotados. Mas também os governadores dos principais estados do Brasil. direitos trabalhistas e sociais,c) obtivemos avanços qualitativos nos setores da Cultura, Educação e Saúde,d) enfrentamos as desigualdades de renda e de oportunidades características do subdesenvolvimento. Não há razão alguma para ter receio de outra ditadura. Ela já chegou. Voz mansa pregando a bíblia. Distribuindo balas e migalhas. E balas de fuzis. Trocando a educação pública pelo mecenato dos rentistas. E fazendo do direi- Com Lula e Dilma o governo brasileiro deu to à saúde um privilégio dos endinheirados. passos de gigante em direção à afirmação da Mais é desnecessário. Não caberia no orça- soberania nacional, projeto nascido do traba- mento de um país submisso, subjugado, sem lhismo gaúcho e encaminhado por Getúlio e como era costume no Império e na República militares à altura da Pátria, sem tribunais que por Geisel. Velha aspiração dos brasileiros, o Velha, do café-com-leite, quando o estado- respeitem os princípios universais da Justiça, desejo de soberania nutriu, por sua vez, a re- maior do governo ficava em São Paulo e Mi- sem políticos que honrem a Nação e seu po- tomada do controle sobre o petróleo e o pré- nas Gerais. vo. sal e a retomada da indústria naval, cujas sementes haviam sido plantadas por Mauá (1846), por Juscelino e pelos governos militares. Dilma esboçou também novo código de Exportava-se café e os minérios e metais preciosos eram contrabandeados. Em lugar de impostos, o governo era financiado por divida. Autor: Ceci Juruá, economista, pesquisadora independente, doutora em políticas públicas. RJ, setembro de 2017. Para regozijo dos rentistas. Saúde e educa- FONTE: jornalggn.com.br DITADURA MILITAR no BRASIL Ocorrências de greves e manifestações políticas e sociais; - Repressão aos movimentos sociais e manifestações de - Alto custo de vida enfrentado pela população; oposição; Podemos definir a Ditadura Militar como sendo o período da - Promessa de João Goulart em fazer a Reforma de Base - Censura aos meios de comunicação;- Censura aos artistas política brasileira em que os militares governaram o Brasil. Esta época vai de 1964 a 1985. Caracterizou-se pela falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, censura, perseguição política e repressão aos que eram contra o regime militar. Fatores que influenciaram (contexto histórico antes do Golpe): - Instabilidade política durante o governo de João Goulart;- (mudanças radicais na agricultura, economia e educação); - Medo da classe média de que o socialismo fosse implantado no Brasil; - apoio da Igreja Católica, setores conservadores, classe média e até dos Estados Unidos aos militares brasileiros; Principais características do regime militar no Brasil: - Cassação de direitos políticos de opositores; (músicos, atores, artistas plásticos); - Aproximação dos Estados Unidos;- Controle dos sindicatos; - Implantação do bipartidarismo: ARENA (governo) e MDB (oposição controlada); - Enfrentamento militar dos movimentos de guerrilha contrários ao regime militar; www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Setembro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 5 Pátria amada Brasil! que muita gente não trata com a devida se- riedade, não procura se informar mais, se atentar mais ao mundo, muitos, mas muitos cidadãos parecem ser “crianças em corpos Já ficou claro para mim que, para mudar o de adultos”, ou seja, não têm senso de res- Brasil para melhor, vai ser necessário mu- ponsabilidade com a nação. dar a forma de agir e maioria da população. pensar da grande Outro deles, é o desperdício de tencial cultural da nação brasileira. No poas- Primeiramente, o problema da maio- pecto cultural, o Brasil também tem enorme ria da população é “não pensar”. “Não pen- potencial, a língua portuguesa está entre as sar”, aqui é no sentido de não ser formado- seis línguas mais faladas no mundo, o Bra- ra de opinião própria sobre temas relevan- sil tem a segunda maior emissora de televi- tes para a existência humana em comuni- são do planeta, a Globo e a nação brasilei- dade, para a sociedade civil. Por exemplo, ra não sabe se projetar globalmente quanto uma determinada pessoa tratar o seu parti- à cultura. A Globo tem capacidade de fazer do político como se fosse o seu time de fu- superproduções “tipicamente hollywoodia- tebol, se comporta como um torcedor faná- nas” para o Brasil e o mundo e, faz teleno- tico e não tem senso crítico, não admite os velas porcarias, produções de qualidade erros cometidos e não se dispõe a corrigi- ruim para o Brasil e exterior. E a maioria da los. E também, aquele tipo de pessoa que população não se toca que já faz 195 anos se comporta de forma boçal, reagindo con- que os colonizadores portugueses já foram tra aquilo que não lhe faz sentido, não pro- embora do Brasil, e ficam se remoendo em cura compreender as razões das outras mágoas por causa do colonialismo no pas- pessoas. Aquela pessoa que se permite ser sado, com ódio de Portugal, em vez de virar manipulada pela mídia, que aceita tudo o a página, superar isso e aproveitar a língua que a televisão, a internet, os jornais e as portuguesa como ativo e se projetar no revistas publicam como se fosse verdade mundo lá fora. E também é útil para os bra- incontestável. É claro que não é um fenô- sileiros aprender mais idiomas estrangeiros meno exclusivamente brasileiro, mas é um do que somente o inglês e o espanhol. Ob- aspecto que está atrapalhando e muito a viamente, ninguém tem a obrigação de a- evolução da sociedade civil brasileira. prender um idioma que não quer, mas se Quem pensa diferente, ao menos “pensa”. houvesse interesse, mais portas seriam a- As pessoas têm históricos de vida distintos, bertas no mundo profissional e financeiro experiências próprias no cotidiano, contex- para muita gente. No Brasil, está defasado tos diferentes, é óbvio que formarão opini- o interesse por erudição. ões diferentes entre si. Mas quem não pensa por conta própria, vai pela cabeça dos outros, se permite ser manipulado, é a típica pessoa que une o inútil ao desagradável. É parecido com aquilo que Bertolt Brecht disse sobre o analfabeto político. Quando eu analiso um país, eu olho para os resultados que tal país apresenta. Eu sei que o problema está na maioria da população é por causa dos resultados que a nação brasileira apresenta. Os políticos tão condenados pela opinião pública saíram Outro deles é o desinteresse da mai- da própria sociedade civil brasileira. Por oria das pessoas em aprender, em ampliar mais desinformado e leigo que seja um elei- o seu conhecimento. A maioria da popula- tor, ele vota no candidato com quem ele se ção não gosta de ler, não gosta de livros identifica mais, no candidato com quem tal didáticos. Muita gente gosta de assistir jo- eleitor concorda. A Câmara dos Vereadores gos de futebol, novelas na TV, filmes, dese- é o reflexo da população do Município. A nhos animados, gosta de ir ao boteco beber Assembleia Legislativa é o reflexo do povo cerveja e jogar sinuca ou baralho... cada do Estado. E o Congresso Nacional é o re- um tem a sua forma de lazer e de entreteni- flexo do povo do País. O Brasil atual é o mento, o ser humano necessita relaxar, se resultado da mentalidade da maioria dos divertir. Mas a vida não é só diversão. Infe- seus habitantes. Logo, para mudar o Brasil lizmente há negligência à assuntos relevan- é necessário mudar a mentalidade da maio- tes à comunidade, assuntos como economi- ria dos brasileiros. a, ecologia, política, saúde e saneamento, João Paulo E. Barros FRASES SOBRE POVO Benito Mussolini: “Somente um país inferior, ordinário, insignificante, pode ser democrático. Um povo forte e heroico tende para a aristocracia”. *** João Baptista Figueiredo: “Prefiro o cheiro de cavalo do que o cheiro de povo”. *** Figueiredo, de novo: “Todo povo é uma besta que se deixa levar pelo cabresto”. *** Ditado taoísta: “Quanto mais instruído o povo, tanto mais difícil de governar”. *** Tom Zé: “Um povo que lê, um povo alfabetizado, que sabe escrever, não tem medo de perder sua cultura. Escreve livros, bota nas bibliotecas e vai ver novelas”. *** Millôr Fernandes: “Quando os eruditos descobriam a língua, ela já estava completamente pronta pelo povo. Os eruditos tiveram apenas que proibir o povo de falar errado”. *** Papa Francisco: “Deus não pertence a nenhum povo”. *** Joãozinho Trinta: “O povo gosta de luxo; quem gosta de miséria é intelectual”. *** Georg Wilhelm Friedrich Hegel: “Povo é a parte da nação que não sabe o que quer”. *** Madame de Staël: “Uma Constituição que faça entrar nos seus elementos a humilhação do so- berano ou do povo, deve, precisamente, ser derrubada por um deles”. *** Chico Buarque: “Ao povo nossas carícias / Ao povo nossas carências / Ao povo nossas delí- cias / E nossas doenças”. *** Ortega y Gasset: “Eis ao que leva o intervencionismo do Estado: o povo converte-se em carne e massa que alimenta o simples artefato e máquina que é o Estado”. *** Octavio Paz: “Poeta é aquele que sabe ouvir seu povo e transformar o que ouviu em imagens, ritmos e metáforas. O poeta é a memória de seu povo”. *** Mês que vem tem mais... Por uma Reforma Política democrática com participação popular Porque precisamos fazer a Reforma nistrar o país, toda a sociedade precisa colaborar para que eles possam nascer e Política Popular no Brasil? terem sucesso. É preciso um sistema eleitoral moderno para melhorar a qualidade da política. Os Seus impostos merecem boa administração. Bons políticos políticos "tradicionais" tem horror à reforma política, porque ela pode mudar a situa- não vem do nada. Para que existam bons políticos para admi- ção atual onde eles usam e manipulam o eleitor e são pouco cobrados ! www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Outubro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 6 Curiosidades História da foto de farol mais famosa ava de helicóptero La Jument em um dia de as próximas a ele me contam que ficou muito do mundo forte temporal buscando a foto perfeita das gi- irritado naquele momento pois o colocaram em gantescas ondas do Atlântico golpeando a es- perigo mortal de maneira irresponsável e além trutura do farol. Dentro, o faroleiro Theophile disso por um motivo comercial; ele saiu para Malgorn, que na época tinha por volta de 30 ver o que estava acontecendo por profissiona- anos, escutou as repetidas passagens do heli- lismo e quase perdeu a vida. Mas pouco tem- cóptero e pensou que algo anormal estaria a- po depois Guichard o visitou em sua casa, lhe contecendo; talvez o piloto estivesse tentando presenteou com uma foto autografada daquele contatá-lo para avisar de algum naufrágio ou “momento decisivo” – como diria Cartier Bres- acidente. E em uma ação disparatada abriu a son – e ficaram muito amigos. porta para ver o que estava acontecendo. O último faroleiro abandonou La Jument em 26 A ação completa durou apenas alguns segun- de julho de 1991. Desde então é um farol auto- JEAN GUICHARD dos. Guichard viu aquele homem na porta e mático. Theophile agora é controlador do farol seu instinto de fotógrafo lhe disse que ali esta- de Creac´h, também em Ouessant. Os mora- Como essa foto foi feita? O faroleiro morreu va a composição perfeita: o homem e a força dores costumam vê-lo passar com seus ca- arrastado pela onda? Eu me fiz essas pergun- da natureza. Começou a disparar repetida- chorros pelo caminho que segue a costa da tas na primeira vez em que vi essa impactante mente sua câmera quase no momento em que ilha, com o olhar perdido no mar bravio que imagem em tamanho gigante em um cartaz uma nova onda gigante começava a abraçar choca-se contra essas escarpas, observando não sei em qual lugar. Depois voltei a vê-la com toneladas de água enraivecida a estrutura a silhueta escura dos faróis nos quais quando centenas de vezes em centenas de lugares do farol. Nesse mesmo instante, o faroleiro jovem passou longos tempos de solidão em diferentes, da mesma forma que certamente Malgorn – na soleira da porta – escutou um um quarto úmido e escuro. vocês a viram: é um dos postais mais vendidos em lojas de decoração e lembranças. trovejar seco, como um estampido brutal (o impacto da onda contra a frente do farol) e soube que havia cometido um tremendo erro. Os faroleiros são (ou eram) pessoas muito especiais. Seres solitários e de poucas palavras, E olhe onde fui tropeçar sem querer na história Tão rápido como abriu voltou a fechar a porta, artistas com todo o tempo do mundo para es- dessa foto e a do faroleiro que a protagoniza, um milésimo de segundo antes que a onda a- crever, pintar ou esculpir. Filósofos de uma vi- na ilha francesa de Ouessant, no Finisterre da cabasse com ele. Estava vivo por um milagre. da que poucos foram capazes de suportar. Bretanha. Nove imagens ficaram impressas no filme de Por isso eles têm dificuldade em adaptar-se a O farol se chama La Jument e é uma das lanternas de mar mais espetaculares da costa francesa. Está a dois quilômetros da ilha de Ouessant e foi construído entre 1904 e 1911 para sinalizar perigosíssimos escolhos que produziram inumeráveis naufrágios. Guichard – as que o motor da câmera lhe deu tempo de disparar – que o tornariam famoso para toda a vida e com as quais em 1990 obteria o segundo lugar no World Press Photo (o primeiro foi para a célebre foto de um manifestante chinês parando sozinho uma coluna de tanques na praça Tianammen). uma vida sedentária, controlando um farol sentados diante de um computador em uma sala asséptica com calefação depois de terem sido os últimos românticos do mar; filósofos solitários que a cada noite acendiam luzes com as quais salvavam vidas de navegantes anônimos que nunca os conheceriam ou teriam oca- A história da foto se passa em 21 de dezem- O faroleiro Theophile Malgorn continua vivo na sião de agradecer-lhes. bro em de 1989. O fotógrafo francês especializado imagens de faróis Jean Guichard sobrevo- ilha de Ouessant e não quer que ninguém volte a lhe perguntar sobre a maldita foto. Pesso- Como Theophile Malgorn. AJUDE-NOS a manter estes projetos de educação - www.culturaonlinebr.org/apoiadores.htm Rádio web CULTURAonline Brasil NOVOS HORÁRIOS e NOVOS PROGRAMAS Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós ! A Rádio web CULTURAonline Brasil, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Professor , Família e Sociedade. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, onde a Educação se discute num debate aberto, crítico e livre. Mas com responsabilidade! Acessível no link: www.culturaonlinebrasil.net

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Outubro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 7 Musica Popular Brasileira começou a ser chamado de “choro”. o lugar do rádio nas casas das classes sociais mais al- O Choro nascera mais precisamente como uma forma tas, na década de 50 um novo movimento nascia no Rio musical (utilizava-se frequentemente a forma de Rondó) de Janeiro. O pontapé inicial da Bossa Nova foi dado do que como um gênero de fato. O virtuosismo e o reco- por Elizeth Cardoso, ao gravar o LP intitulado "Canção nhecimento dos músicos eruditos na época eram notá- do Amor Demais". Logo artistas como João Gilberto, veis, tanto que os músicos brasileiros também queriam Vinicius de Moraes e Tom Jobim surgiram, inovando a executar tais obras, mas da sua maneira. O jeitinho bra- música brasileira. Eram músicas inovadoras, pois suas sileiro de se fazer música foi criando forma, a versatili- composições tratavam sobre assuntos com caráter adade, a improvisação e a habilidade dos músicos se preciativo, exaltação da beleza, criadas a partir de assotornaram características do "choro". Reuniam-se músi- ciações entre palavras esteticamente semelhantes, e cos próximos, geralmente violonistas, flautistas e cava- sua elaboração harmônica era muito desenvolvida, abuquistas, e atuavam como "orquestras portáteis", se a- sando de escalas e sonoridades não usadas nos outros presentando em estabelecimentos comerciais. Um no- estilos brasileiros. me importante do início do Choro, responsável pela for- A Bossa Nova se tornou uma referência da música na- mação de vários conjuntos de músicos, foi o do flautista cional. Em 1962 um show intitulado "New Brazilian Jazz Joaquim Antônio da Silva Calado, ou simplesmente, Music" aconteceu em Nova York, colocando os grandes Calado. nomes do gênero em evidência em outros países. Tom O Dia da Música Popular Brasileira As primeiras gravações musicais no país datam do iní- Jobim foi um dos artistas que foi profundamente beneficio de 1900 e acabaram impulsionando a música como ciado com esse show, vendeu muitas de suas músicas negócio e como objeto de consumo e lazer. Os primei- para fazer versões em inglês e acabou vivendo nos Esros encontros sociais para apreciação de música acon- tados Unidos por bastante tempo. é comemorado anualmente em 17 de outu- teciam nas confeitarias, onde a alta sociedade se reunia Paralelo ao sucesso da Bossa Nova, um novo gênero bro. Também conhecido como o Dia Nacio- para tomar chá enquanto ouvia grandes músicos da vindo de fora do país começava a interessar jovens no nal da MPB, esta data celebra e época. Também dentre as décadas de 10 e 20 era forte país. O rock de Elvis Presley e dos Beatles influenciava homenageia o nascimento da primeira a presença de uma música feita longe dos grandes cen- jovens que também queriam formar suas bandas em compositora oficial da Música Popular Bra- tros brasileiros: a música sertaneja. Como exemplo des- casa. Também interessada nesse sucesso e na reper- sileira: Chiquinha Gonzaga, que nasceu ta música sertaneja podemos citar a canção Luar do cussão que o rock causava entre os jovens, um dos ca- em 17 de outubro de 1847, no Rio de Sertão, composta por Catulo da Paixão Cearense e Jo- nais de televisão da época criou a "Jovem Guarda". O Janeiro. ão Pernambuco, muito diferente da música sertaneja programa conquistou fãs de todas as idades, tornando- Tem muita gente reclamando dos gostos musicais que que conhecemos nos dias de hoje. se popular e literalmente ditando moda, já que era pos- caíram nas graças do povo brasileiro. Mas antes de criti- O entrudo, como era originalmente chamado o carnaval sível encontrar muitos jovens nas ruas com roupas se- car que isso é bom e aquilo é ruim, que tal conhecer um de rua, foi trazido pelos europeus para o Brasil no final melhantes aos ídolos da televisão. Nomes muito impor- pouco da história da música brasileira? Entendendo co- do século XVIII. Enquanto as classes média e alta fazi- tantes do movimento eram Roberto Carlos, Wanderléa, mo chegamos até aqui, entendemos que não é apenas am sua folia dentro de salões, com passeios e bailes de Nalva Aguiar, entre outros. moda, é cultura. Espero que gostem! máscaras que imitavam os grandes bailes de Paris, a Os canais de televisão faziam grandes festivais em tea- A música brasileira tem como sua maior influência a classe baixa organizava "cordões carnavalescos" nas tros, onde apresentavam muitos artistas ao público a música africana, trazida pelos escravos, com seus rit- ruas, fazendo marchas pelas ruas e criando, conse- cada edição. A MPB (música popular brasileira) estava mos frenéticos e instrumentos rudimentares. Mas esta quentemente, o samba. Diferente do samba que conhe- se formando, tanto como movimento cultural como pro- não foi a única influência que desembarcou nos portos cemos hoje, o samba das marchinhas de carnaval era testante contra a ditadura militar no país, e apresentou brasileiros na época da colonização. Os colonizadores chamado de "marcha rancho" e inicialmente era tocado ao público nomes como Chico Buarque, Geraldo Vandré europeus trouxeram o erudito, a dança de salão, os sa- com instrumentos de sopro. Ainda com a abolição da e Edu Lobo. A transição para a década de 1970 foi mar- raus e a música religiosa, totalmente contrastante com escravatura, muitos negros saíram da Bahia para viver cada pela consolidação da MPB, termo que sugeria um os cantos geralmente uníssonos e responsórios dos no Rio de Janeiro. Esse movimento foi fundamental pa- tipo de música mais sofisticada do que a feita em outras índios. Enquanto, na opinião de alguns historiadores, a ra a criação do samba por volta dos anos 1910, e teve tendências também populares dentro da música brasilei- mestiçagem dos povos foi uma desgraça para o Brasil, como figura importante o músico, compositor e violonis- ra. Com o passar dos anos mais artistas despontavam, ela foi elementar para a formação cultural do país, e só ta Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o Donga, que como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Elis Re- teve seu início oficial após a abolição da escravatura em gravou o primeiro samba: Pelo Telefone. O samba che- gina e Maria Bethânia., 1888. A mistura dessas culturas diversas se tornou res- gou ao seu auge com a época de ouro do rádio brasilei- Logo após a MPB, outros dois movimentos tomavam ponsável pelo que conhecemos como música brasileira ro, na década de 30. espaço: a Tropicália e o Iê-Iê-Iê. O movimento tropicalis- hoje. Com o crescimento do rádio e da gravação elétrica no ta caracterizou-se por associar numa mistura de ele- O primeiro ritmo musical originalmente brasileiro foi o final dos anos 20, ser musico se tornava oficialmente mentos da cultura pop, os baianos Caetano Veloso e maxixe, formado a partir de uma mistura entre o uma profissão. As grandes rádios possuíam orquestras Gilberto Gil foram os principais expoentes desse movi- "lundu" (este termo significa umbigada e é uma espécie que tocavam ao vivo durante os programas, que eram mento. Já o Iê Iê Iê ligava-se basicamente ao rock ge- de samba muito sensual praticado nas rodas dos escra- apresentados em teatros e vistos por plateias. Havia nuinamente produzido no exterior, embora no Brasil te- vos) e a "modinha" portuguesa (composição suave, concursos que elegiam as melhores e mais charmosas nha suavizado adotando uma temática romântica em geralmente romântica, tocada na viola e dançada em cantoras e acabaram criando verdadeiros deuses e deu- uma abordagem geralmente mais ingênua que a música salões). Com a umbigada do lundu e a poesia da modi- sas da música brasileira. Como primeiro meio de comu- internacional. Teve como grandes nomes Roberto Car- nha a identidade musical brasileira tomava forma. Por nicação midiático do país, o rádio se tornou uma fonte los, Erasmo Carlos, Tim Maia, Wanderléa, José Ricar- volta dos anos 1880 surgia um novo jeito de se fazer universal de informações e entretenimento. do, Wanderley Cardoso e conjuntos como Renato e música no Brasil, no subúrbio da então capital Rio de Nomes como Carmem Miranda, Ary Barroso e Pixingui- Seus Blue Caps, Golden Boys, The Fevers. Janeiro. Era uma forma mais charmosa e chorosa de se nha surgiram. tocar as canções populares vindas da Europa, o que Logo a televisão chegou ao país, enquanto ia tomando Fonte: discotecaria.blogspot.com.br/ www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Outubro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 8 Liberdade de Expressão É certo punir as pessoas por su- pinião, eles estão certos de não querer as opiniões? se envolver. O general Villas Boas já ex- pressou com clareza, o emprego deles Eu, sinceramente, não desejo que o será só por iniciativa de um dos três po- Brasil tenha um segundo regime militar. deres. Porque desejar outro regime militar significa reconhecer que a população do O povo brasileiro necessita apren- Brasil não tem competência para lidar der a lidar com as adversidades da decom o regime democrático. Significa ad- mocracia com tolerância, nem sempre mitir que o povo brasileiro ainda não é as pessoas vão ter opiniões agradáveis capaz de ser civilizado. Porque quem aos nossos egos. E nem sempre o eleito precisa de um “pai” e uma “mãe” com a é a pessoa ideal para estar lá. A demo- finalidade de lhe impor limites e lhe cas- cracia tem semelhanças com a loteria. O tigar é pessoa que não sabe se compor- eleitor “faz uma aposta” num candidato tar de forma adequada, que é rude, e, está correndo o risco de “perder a agrosseira, mal-educada. Pessoas edu- posta”, mesmo que o candidato em cadas, civilizadas, sabem se moderar quem o eleitor votou vença. Acontece de por conta própria, discernir o certo e o candidatos parecerem preparados nas errado. Um povo que necessita de go- eleições e, quando chegam lá, têm deverno autoritário e repressor não é um sempenho medíocre. No meu modo de povo civilizado. Então, não defendo um entender, o presidencialismo puro é mui- novo regime militar no Brasil. to rígido quanto a estabilidade dos car- gos políticos eletivos, é por isso que eu O general Mourão, do exército, de- teimo em preferir o semipresidencialis- monstra ser a favor de uma intervenção mo ou o parlamentarismo. Quero escla- militar na atual conjuntura política brasi- recer que o tipo de parlamentarismo que leira. Ele não propôs a volta do regime eu defendo não é o mesmo que o atual militar, e sim uma intervenção para solu- presidente da república e outros políti- cionar o problema político do Brasil en- cos por aí defendem. Eles querem am- quanto democracia, eu entendi isso. Ele pliar os poderes deles, e eu apoio ampli- discursou fardado numa palestra numa ar os poderes dos eleitores e reduzir a loja maçônica em Brasília, e sei que pe- concentração de poderes dos políticos ga mal para a imagem do exército en- lá. Não defendo a mesma coisa que eles quanto instituição, mas o general em defendem, apesar de parecer. O proble- questão é um cidadão brasileiro e tem o ma com o presidencialismo é que, se o direito natural de estar insatisfeito com a governante for uma ameaça à economia atual situação política no Brasil e tam- do país, ou qualquer pretexto que se cri- bém, tem o direito de desejar que o pro- e para tirá-lo, ou vão fazer um traumáti- blema seja corrigido. É a minha opinião, co processo de impeachment ou, inter- eu não acho certo, num regime suposta- venção militar para pôr ordem na casa. mente democrático, quererem puni-lo só E na história do Brasil no período repu- porque o autor da fala é um general, um blicano, há reincidência disso. Hoje em militar. Sei que há respaldo em lei para dia, eu tenho a crença de que o mare- punição. Mas eu tenho a opinião que, a chal Deodoro da Fonseca prejudicou o legislação vedar aos oficiais opinar so- Brasil, devia ter deixado a família real de bre o quadro político-partidário, não dei- Orleans e Bragança no trono, o Brasil xa de ser uma forma de censura. Eu, provavelmente seria mais estável politi- sinceramente, não gosto dessa postura camente. Mas depois de mais de cem de autoritarismo na política, quem está anos de república, o povo se acostumou no governo não aceitar críticas e nem com o hábito de eleger o chefe de Esta- reclamações por parte de quem é gover- do, então acho que o semipresidencia- nado mesmo que o crítico seja um mili- lismo é a melhor ou a menos pior opção tar na ativa. Discordar das críticas é u- possível para esta época nossa, no Bra- ma coisa. Não admitir críticas e retaliar sil. contra quem critica, é outra coisa. Mas é certo punir o general Mou- Eu sou um que não concorda com rão devido a opinião pessoal dele? Ele o atual sistema político-eleitorial- não tentou fazer nada, apenas expres- partidário e que deseja uma reforma po- sou o que pensa. Mesmo que ele seja lítica-eleitoral-partidária que seja séria. um militar, eu entendo que ele tem o di- Eu não acredito que haverá intervenção reito de liberdade de expressão e de o- militar no Brasil, os militares não querem pinião sem ser punido por isso. se responsabilizar pelas turbulências políticas do país, e na minha sincera o- João Paulo E. Barros www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// LIBERDADE DE EXPRESSÃO Um direito humano 1. A liberdade de expressão, em todas as suas formas e manifestações, é um direito fundamental e inalienável, inerente a todas as pessoas. É, ademais, um requisito indispensável para a própria existência de uma sociedade democrática. 2. Toda pessoa tem o direito de buscar, receber e divulgar informação e opiniões livremente, nos termos estipulados no Artigo 13 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. Todas as pessoas devem contar com igualdade de oportunidades para receber, buscar e divulgar informação por qualquer meio de comunicação, sem discriminação por nenhum motivo, inclusive os de raça, cor, religião, sexo, idioma, opiniões políticas ou de qualquer outra índole, origem nacional ou social, posição econômica, nascimento ou qualquer outra condição social. 3. Toda pessoa tem o direito de acesso à informação sobre si própria ou sobre seus bens, de forma expedita e não onerosa, esteja a informação contida em bancos de dados, registros públicos ou privados e, se for necessário, de atualizá-la, retificá-la e/ou emendá-la. 4. O acesso à informação em poder do Estado é um direito fundamental do indivíduo. Os Estados estão obrigados a garantir o exercício desse direito. Este princípio só admite limitações excepcionais que devem estar previamente estabelecidas em lei para o caso de existência de perigo real e iminente que ameace a segurança nacional em sociedades democráticas. 5. A censura prévia, a interferência ou pressão direta ou indireta sobre qualquer expressão, opinião ou informação através de qualquer meio de comunicação oral, escrita, artística, visual ou eletrônica, deve ser proibida por lei. As restrições à livre circulação de ideias e opiniões, assim como a imposição arbitrária de informação e a criação de obstáculos ao livre fluxo de informação, violam o direito à liberdade de expressão. 6. Toda pessoa tem o direito de externar suas opiniões por qualquer meio e forma. A associação obrigatória ou a exigência de títulos para o exercício da atividade jornalística constituem uma restrição ilegítima à liberdade de expressão. A atividade jornalística deve reger-se por condutas éticas, as quais, em nenhum caso, podem ser impostas pelos Estados. 7. Condicionamentos prévios, tais como de veracidade, oportunidade ou imparcialidade por parte dos Estados, são incompatíveis com o direito à liberdade de expressão reconhecido nos instrumentos internacionais. 8. Todo comunicador social tem o direito de reserva de suas fontes de informação, anotações, arquivos pessoais e profissionais. 9. O assassinato, o sequestro, a intimidação e a ameaça aos comunicadores sociais, assim como a destruição material dos meios de comunicação, viola os direitos fundamentais das pessoas e limitam severamente a liberdade de expressão. É dever dos Estados prevenir e investigar essas ocorrências, sancionar seus autores e assegurar reparação adequada às vítimas. 10. As leis de privacidade não devem inibir nem restringir a investigação e a difusão de informação de interesse público. A proteção à reputação deve estar garantida somente através de sanções civis, nos casos em que a pessoa ofendida seja um funcionário público ou uma pessoa pública ou particular que se tenha envolvido voluntariamente em assuntos de interesse público. Ademais, nesses casos, deve-se provar que, na divulgação de notícias, o comunicador teve intenção de infligir dano ou que estava plenamente consciente de estar divulgando notícias falsas, ou se comportou com manifesta negligência na busca da verdade ou falsidade das mesmas. 11. Os funcionários públicos estão sujeitos a maior escrutínio da sociedade. As leis que punem a expressão ofensiva contra funcionários públicos, geralmente conhecidas como “leis de desacato”, atentam contra a liberdade de expressão e o direito à informação. 12. Os monopólios ou oligopólios na propriedade e controle dos meios de comunicação devem estar sujeitos a leis anti-monopólio, uma vez que conspiram contra a democracia ao restringirem a pluralidade e a diversidade que asseguram o pleno exercício do direito dos cidadãos à informação. Em nenhum caso essas leis devem ser exclusivas para os meios de comunicação. As concessões de rádio e televisão devem considerar critérios democráticos que garantam uma igualdade de oportunidades de acesso a todos os indivíduos. 13. A utilização do poder do Estado e dos recursos da fazenda pública; a concessão de vantagens alfandegárias; a distribuição arbitrária e discriminatória de publicidade e créditos oficiais; a outorga de frequências de radio e televisão, entre outras, com o objetivo de pressionar, castigar, premiar ou privilegiar os comunicadores sociais e os meios de comunicação em função de suas linhas de informação, atentam contra a liberdade de expressão e devem estar expressamente proibidas por lei. Os meios de comunicação social têm o direito de realizar seu trabalho de forma independente. Pressões diretas ou indiretas para silenciar a atividade informativa dos comunicadores sociais são incompatíveis com a liberdade de expressão. Fonte: www.cidh.oas.org/

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Outubro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 9 E agora José? VIOLÊNCIA CONTRA O PROFESSOR: Do ponto de vista humanista, também apre- fazendo seu papel que é ensinar. Trabalhar A corda estoura sempre do lado mais fraco sentamos (Omar de Camargo e eu) nossas com ações preventivas, projetos e mediações questões acerca da violência na sociedade. e, a segunda, o processo judicial. Também é Os textos “Para onde caminha a humanidade I preciso amargar horas na delegacia, prestar e II” discutem tais ideias, também vale a leitu- depoimento e ir até o fim. Não é justo um jo- ra. vem arremessar uma cadeira sobre alguém e Recentemente o Governo do Estado de São ficar tudo bem. Não é justo um menor riscar Paulo editou a Resolução SE 41, de 22-9-2017 um carro inteiro e ficar tudo bem. Não é correque institui o Projeto Mediação Escolar e Co- to um jovem dar um soco na cara de um promunitária. O projeto do Professor Mediador fessor e ficar tudo bem. Alguma coisa precisa Comunitário foi um projeto interessante imple- ser feita, e com urgência. mentado em 2010, em que um professor seria Sem querer apresentar um discurso reacioná- A violência contra o professor vem tomando um mediador de conflito. A ideia é um desdo- rio, mas, também sem querer colocar o agres- um grande espaço na mídia, sobretudo diante bramento do projeto Justiça Restaurativa, em sor em papel de vítima. Precisamos aprender dos últimos acontecimentos. A agressão sofri- que participavam gestores escolares, profes- a analisar cada caso como um caso. Também da pela professora Márcia Friggi, em Santa sores, comunidade e alunos em torno da reso- precisamos aprender a parar de querer justifi- Catarina, ganhou repercussão nacional. Longe lução de conflitos. car os erros dos outros. Não é porque João é de ser um caso isolado, este caso só reacendeu um problema antigo nas nossas escolas, o da violência contra os professores. O fato é que casos de extrema violência (agressões físicas, destruição de patrimônio ou constantes ameaças) estão muito além do órfão, tem dislexia, é pobre, subnutrido, ou o que quer que seja que isso lhe dá o direito de socar um professor, e, portanto, está tudo Precisamos parar um pouco de discutir peda- poder de atuação dos mediadores. Aqui, esta- bem. gogia, teorias de aprendizagem, processos de mos tratando de violência extrema. Casos em Não é porque o menor é abusado pelo pai ou avaliação e pressupostos didáticos para con- que não há como a educação atuar. Neste ca- pela mãe que isso lhe dá o direito de tocar o versar sobre algo muito sério (não que esses so, precisamos agir por outro caminho, que é o terror na escola e violentar seus colegas e pro- assuntos não sejam, mas precisamos falar de judicial. fessoras. Se o convívio social com esses me- algo mais sério e urgente). Precisamos da violência contra o professor. falar A Lei 8.069/1990 é bem clara nos artigos 112 ao 124, que trata das punições ao menor infra- nores é insuportável, retirados da escola e então, que eles sejam encaminhados para al- Recentemente o jornal Folha de São Paulo es- tor. Para agir por este caminho, é preciso ter gum outro centro especializado. Escola não é creveu uma matéria enorme apontando diver- claro que o processo é longo e moroso. Talvez consultório médico, reformatório, centro de de- sos casos de violência contra professores. Ao por isso muitos colegas professores não pres- tenção, centro de reintegração social, prisão ler a reportagem aflora o sentimento de revol- tam queixas. ou hospício (ainda que quase diariamente eu ta. O sentimento de impotência, também. escute o contrário). As duas reportagens que cito neste breve arti- O que está acontecendo com a sociedade? O go citam diversos dados sobre a violência con- Precisamos discutir abertamente com a socie- que está acontecendo com as crianças e os tra os professores. Os dois jornais afirmam dade o que acontece entre os muros da esco- jovens? O que está acontecendo com seus que os dados estão muito aquém da realidade, la. Precisamos abrir as portas da escola para pais? justamente por três fatores: que todos saibam o que se passa em uma sa- Este assunto polêmico e controverso é tratado por diversos especialistas a partir de diversas análises. Porém, cabe aqui um desabafo, pou- A turma do “deixa quieto, isso lho” acaba ganhando razão. dá muito traba- la de aula, o que podemos e o que não podemos fazer. Quem sabe assim consigamos um pouco mais de paz nas nossas aulas? O que cos especialistas são ouvidos pelo poder públi- Tudo acaba em “panos quentes” para não dar você acha? co que apresenta muito mais medidas politi- trabalho à gestão. Infelizmente as pessoas esquecem rápido o queiras do que efetivas. Medo pela sua vida, já que o professor sabe que acontece e tudo voltará ao normal ama- Do ponto de vista legal já discuti um pouco so- que caminhará sozinho essa empreitada. nhã quando bater o sinal, afinal, temos que bre a expulsão de alunos. No artigo “violência Deixando bem claro que os três fatores acima atingir as metas de qualidade da educação. nas escolas não é motivo para expulsar alu- são situações verificadas na prática, em dife- Links para as reportagens citadas: nos”, publicado em 2014, juntamente com O- rentes escolas, também tenho claro que al- https://goo.gl/WG468N mar de Camargo, tratamos sobre uma notícia guns professores levam o caso até o fim. E ai https://goo.gl/WvjpoZ em que, no Rio Grande do Sul, o Conselho Es- sim, os artigos acima são cumpridos. tadual de Educação apresentou suas proposi- Se realmente quisermos acabar (ou diminuir) a Autor: Ivan Claudio Guedes ções com o objetivo de por fim à expulsão es- situação da violência nas escolas, precisare- Geógrafo e Pedagogo colar, vale a leitura. mos agir através das duas frentes. A escola ivanclaudioguedes@gmail.com www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Outubro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 10 Segurança Internacional Irresponsabilidade missionários” da democracia, os Estados Uni- absoluta de um acordo de paz, então ter der- dos, os grandes moralistas. rubado de uma vez por todas o regime de Kim A Coreia do Norte é o único país que naquela época em que a vantagem americana seguiu adiante com a rivalidade ferrenha con- era maior, teria sido melhor do que ficar imtra os Estados Unidos herdada da guerra fria. pondo sanções e deixado a situação chegar E por que? Os ressentimentos contra os Esta- até onde chegou, com risco de uma guerra dos Unidos são por causa da guerra na Corei- nuclear. Imaginem, se a Força Aérea americaa nos anos 50, o primeiro conflito armado da na destruir os reatores nucleares da Coreia do guerra fria. Segundo o que consta na reporta- Norte, e a radiação não só vai atingir a popugem no site da BBC Brasil do dia 09 de se- lação norte-coreana como provavelmente vai tembro de 2017, o ex-secretário de Estado alcançar a Coreia do Sul, a China e a Rússia americano Dean Rusk comentou sobre a também. Talvez o Japão também. Sem falar Referente a atual conjuntura geopolí- Operação Estrangular, sobre bombardear na invasão de refugiados norte-coreanos tan- tica, o mundo está ameaçado de novamente tudo que se movia na Coreia do Norte. to para a China quanto para a Rússia. Os Es- ver armas nucleares serem usadas em guer- Pouco depois do início da guerra, a China, tados Unidos estão do outro lado do Oceano ra. Depois de os Estados Unidos, 24 anos de- temendo o avanço dos Estados Unidos rumo Pacífico, mas a Rússia, a China, a Coreia do pois do fim da guerra fria, inventaram de im- às suas fronteiras, decidiu sair em defesa da Sul e o Japão são vizinhos da Coreia do Nor- por sanções à Rússia devido à crise na Ucrâ- Coreia do Norte, sua aliada. Os soldados a- te. A China e a Rússia vão ter problemas com nia, o mundo parece ter regredido às véspe- mericanos começaram a sofrer cada vez mais um bombardeio americano lá na Coreia do ras da Primeira Guerra Mundial. baixas por conta dos ataques das Forças Ar- Norte, é claro que não querem que os Esta- Mas a Coreia é uma nação que existe madas chinesas, que não eram tão bem equi- dos Unidos ataquem. Foi uma tremenda irres- desde aproximadamente 2300 anos antes de padas quanto as dos Estados Unidos, mas ponsabilidade geopolítica dos Estados Unidos Cristo, com história recheada de conflitos. Já muito mais numerosas. "Para o comando a- ficar impondo sanções à Coreia do Norte, cofoi dominada pela China durante muito tempo, mericano, era vital interromper os suprimentos mo se quisessem reserva-la para uma guerra já foi dividida em três reinos, já foi invadida enviados por chineses e soviéticos que permi- futura, quando fosse conveniente aos Estados pelos mongóis, no século 16 um exército de tiam a Coreia do Norte manter seus esforços Unidos, além de terem pretexto para manter japoneses (samurais) invadiu a Coreia com o bélicos". Foi então que o general MacArthur, soldados em território sul-coreano. Já que os objetivo de conquistar a China para o Japão, herói da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, Estados Unidos não sentem vergonha de se- e os coreanos derrotaram os japoneses no decidiu dar início a sua "tática de terra arrasa- rem aliados da Arábia Saudita e de apoiar dimar. No século 19, o Japão e a Rússia dispu- da". Foi o marco do início da guerra total con- taduras de direita, então deviam ter tentado taram a Coreia e no começo do século 20, o tra a Coreia do Norte. A partir desse momen- demonstrar boa vontade à Coreia do Norte já Japão derrotou a Rússia numa guerra pela to, todas as cidades e vilarejos passaram a nos anos 90. E hoje ficam hipocritamente res- Coreia, que foi anexada ao Japão em 1910. receber a visita diária dos bombardeiros ame- ponsabilizando a China pelo problema norte- Por mais que eu simpatize com o Japão, eu ricanos B-29 e B-52 e sua carga mortal de na- coreano. O Sr. Donald Trump, com a sua i- não posso deixar de reconhecer os erros da- palm, nome dado a um conjunto de líquidos nexperiência política e diplomática, já discur- quele país no passado. O Japão foi muito cru- inflamáveis. Ainda que MacArthur tenha caído sou na tribuna da ONU ameaçando destruir el com a Coreia entre 1910 e 1945. em desgraça pouco depois, sua estratégia completamente a Coreia do Norte. Esse ho- Essa divisão da Coreia em duas, é algo dentro do contexto da guerra fria, igual ao que aconteceu com a Alemanha. Sendo os Estados Unidos e a União Soviética os dois grandes vencedores da Segunda Guerra continuou a ser aplicada. O general Curtis LeMay, chefe do Comando Aéreo Estratégico durante o conflito, declarou muito anos depois: "Aniquilamos cerca de 20% da população". mem tem atualmente 71 anos, e não tem juízo na cabeça. Ele quer ser o responsável por um genocídio? O outro megalomaníaco lá na Coreia do Norte tem atualmente 33 anos, mas dele eu não espero bom-senso, pois ele não tem nada a perder. É claro que, numa guerra Mundial, a atual Coreia do Norte foi ocupada Considerando o que está descrito na re- convencional, os americanos venceriam os por tropas soviéticas e a atual Coreia do Sul portagem no site da BBC Brasil, o rancor nor- norte-coreanos em poucas semanas, se não foi ocupadas por tropas americanas, com o te-coreano contra os Estados Unidos não é houver intervenção chinesa e/ou russa em a- objetivo de expulsar as tropas japonesas de gratuito. Independente do Regime norte- poio ao lado norte-coreano. Certamente lá. Ambos os governos na dividida Coreia se coreano instituído por Kim-Il-sung (avô do atu- Pyongyang usaria a sua primeira ogiva nucle- formaram em 1948, e ambos queriam unificar al líder Kim-Jong-un) ser moralmente errado* ar contra o Japão. E, mesmo que não use ar- o país sob o seu regime. Sendo assim, eu en- (na minha opinião), os líderes americanos mas nucleares, haveria uma enorme perda de tendo que os responsáveis pelo problema co- também não agiram de forma moralmente vidas. Se a China e a Rússia entrassem do reano são os governos americanos e russos, correta com a Coreia do Norte. Durante a ad- lado de Pyongyang, seria a Terceira Guerra mais os americanos. A Coreia do Sul também ministração Bill Clinton nos anos 90, os Esta- Mundial. Espero que fiquem só na troca de foi uma ditadura militar, de direita. Entre 1961 dos Unidos podiam muito bem ter se empe- ameaças. e 1979, Park Chung Hee foi ditador repressor nhado em tentar fazer um acordo de paz com na Coreia do Sul e apoiado pelos “fanáticos Kim Il-sung ou em caso de impossibilidade João Paulo E. Barros Rádio web CULTURAonline Brasil NOVOS HORÁRIOS e NOVOS PROGRAMAS Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós ! A Rádio web CULTURAonline Brasil, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Professor , Família e Sociedade. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, onde a Educação se discute num debate aberto, crítico e livre. Mas com responsabilidade! Acessível no link: www.culturaonlinebrasil.net

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Outubro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 11 Bem estar social Precisamos falar sobre ódio na internet entrada para um universo de outros crimes ção, estabeleceu padrões de beleza a partir que podem levar a ações de violência física, de bancos de dados com pouca diversidade como vimos recentemente em Charlottesville, étnica. Outro exemplo é o aplicativo FaceApp, nos Estados Unidos. que tinha um filtro para “deixar as pessoas Nesse sentido, costumo propor uma reflexão atraentes”, mas que, na prática, foi acusado simples: você já parou para pensar que a pes- de clarear a cor da pele e ajustar fotos ao pasoa escondida atrás do computador para es- drão fenotípico europeu. crever comentários racistas pode ser a res- Os exemplos são tantos que a preocupação ponsável pelo setor de recursos humanos de com a falta de diversidade na tecnologia levou uma empresa que, “coincidentemente”, não a estudante do MIT Joy Buolamwini a criar contrata negros? Não é por acaso que, se- uma organização para alertar a sociedade so- O debate sobre como coibir o avanço de gundo o Instituto Ethos, mulheres negras ocu- bre o tema. Em sua famosa palestra na plata- discursos que fomentam o racismo, a xe- pam menos de 1% dos cargos executivos nas forma TED, ela faz a denúncia de que um al- nofobia, o machismo e outras formas de 500 maiores empresas do Brasil. goritmo de reconhecimento facial não identifi- preconceito no meio digital é urgente e fundamental O discurso racista nas redes sociais legitima a ca seu tom de pele. No vídeo, Joy, que é nediscriminação no cotidiano da vida real. Re- gra, mostra que só consegue ser reconhecida Por: Paulo Rogério Nunes* solver o problema do racismo “on-line” passa pela câmera do computador quando, literal- Casos recentes de discriminação racial a pes- também por atacar a sua versão “off-line”. As mente, usa uma máscara branca. soas conhecidas do público como as atrizes duas dimensões estão conectadas e a ten- Seja no sistema bancário, saúde ou na segu- Taís Araújo e Cris Vianna, a jornalista Maria dência é que a fronteira entre elas seja cada rança pública, essas tecnologias estarão ain- Júlia Coutinho e a miss Brasil 2017, Monalysa vez menor. da mais presentes em nosso dia a dia. Um Alcântara, escancararam junto à sociedade Centros de pesquisas de universidades ameri- relatório do Citibank, em parceria com a Uni- brasileira um mal crescente nos dias atuais: o canas como MIT, Stanford e Harvard estão versidade de Oxford, revela que 47% dos em- discurso de ódio na internet. Os insultos racis- começando a discutir como a falta de diversi- pregos nos EUA já estão correndo risco de tas a que todas foram submetidas e as mani- dade na tecnologia pode influenciar uma es- ser substituídos por inteligência artificial. Os festações covardes de agressores, no entan- calada ainda maior do racismo. A imensa ba- números são ainda maiores em países em to, não caracterizam um problema exclusiva- se de dados com discursos de ódio que esta- desenvolvimento. Como então evitar que as mente nacional. O tema é algo tão alarmante mos produzindo diariamente já está sendo uti- máquinas “aprendam” a reproduzir o racismo e abrangente que, no mês de junho deste a- lizada por algoritmos de inteligência artificial/ do nosso cotidiano? no, a Universidade Harvard, nos Estados Uni- machine learning. No ano passado, o YouTube lançou uma série dos, por meio do Berkman Klein Center, promoveu um encontro internacional para debater os diversos aspectos envolvidos na manifestação do racismo digital. "Você já parou para pensar que a pessoa escondida atrás do computador para escrever comentários racistas pode ser a responsável pelo setor de recursos de ações para promover a diversidade de narrativas em sua plataforma, reunindo jovens negras com celebridades para impulsionar seus canais. Nos EUA, programas co- Pesquisadores de várias partes do mundo e humanos de uma empresa que, mo Black Girls Code tentamcriar uma geração representantes das empresas do Vale do Silí- ‘coincidentemente’, não contrata negros?" de profissionais para um Vale do Silício que cio discutiram sobre caminhos para coibir o tem menos de 5% de pessoas negras. No avanço de discursos que fomentam o racis- Recentemente, a ONG Desabafo Social lan- Brasil, sites como o Correio Nagô ajudam a mo, a xenofobia, o machismo e outras formas çou uma campanha intitulada “Busca pela I- ampliar vozes sub-representadas por meio do de preconceito. Cada país tem a sua legisla- gualdade” e mostrou que já existem sistemas jornalismo digital. E em Salvador, estamos ção própria, mas o sentimento comum aos de busca de imagem que não mostram pesso- criando o Vale do Dendê um ecossistema participantes no evento foio de que é preciso as negras em algumas categorias como com empreendedores de economia criativa e agir em duas frentes de urgência. Primeiro, "família" e "bebê". Há também dispositivos digital com mais diversidade. cobrar de empresas de tecnologia uma postu- com sensores que não funcionam em pele ne- Os casos de racismo digital não são isolados. ra mais proativa e, segundo, sensibilizar siste- gra e o risco de que os sistemas de big da- Eles fazem parte de um problema sistêmico, mas judiciários para que sejam rápidos em ta (grande conjunto de dados) influenciem de- com consequências graves. Precisamos, in- suas punições, quando essas violações forem cisões com base em concepções racistas. E dependentemente da cor da pele, incentivar comprovadas. existe ainda o caso de um ”robô virtual” que mais diversidade de vozes no mundo digital e O que acontece atualmente é que, em meio a interagia em uma rede social fazendo apologi- denunciar o racismo institucional que impede perfis falsos, comentários raivosos ehash- a do nazismo. a melhoria da vida de milhões de pessoas, tags discriminatórias, há grupos organizados Vale lembrar reportagem de 2016 do jor- quando não as ceifa violentamente. É necesque se aproveitam do anonimato para incitar nal The Guardian, que cita o primeiro concur- sário, portanto, agirmos rápido contra o disatos de violência. O discurso é o primeiro pas- so de beleza internacional a utilizar inteligên- curso de ódio, enquanto há tempo. so para ações mais radicais. No livro Cyber cia artificial como júri. O que era para ser abRacism: White Supremacy Online and the solutamente imparcial acabou quase que ex- *Paulo Rogério Nunes é publicitário, consultor em New Attack on Civil Rights, ainda sem tradu- cluindo pessoas de pele escura. Isso ocorreu diversidade na Casé Fala e afiliado ao Berkman Klein Center ção no Brasil, a pesquisadora Jessie Daniels porque o software Beauty.AI, usado na sele- da Universidade Harvard argumenta que o racismo digital é a porta de www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Outubro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 12 Datas comemorativas 01 - Dia Internacional da Música Animais, no Brasil. O dia 4 de outubro também é o Dia de São Francisco de Assis, o padroeiro da ecologia. Esta data tem o objetivo de homenagear uma das formas de arte mais 12 - Dia das Crianças apreciadas pelas pessoas: a música. A música exerce uma profunda influência nos seres humanos, sendo Esta data celebra os direitos das crianças e adolescentes, ajudando a capaz de emocionar, alegrar, surpreender, aterrorizar e etc. Consegue conscientizar as pessoas (os pais, em especial) sobre os cuidados despertar todos os sentimentos, até os mais profundos. necessários durante esta fase da vida. Deveria servir para isso, mas A música sempre esteve presente na história da humanidade, desde infelizmente foi adulterada pelo ‘mercado’, a tornando uma data des- as tribos mais primitivas de seres humanos, seja como uma produção virtuada de sua finalidade e a transformando em comércio. de cunho cultural e religiosa ou voltada exclusivamente para o entre- tenimento. 15 - Dia do Professor 01 - Dia Internacional das Pessoas Idosas Esta data foi oficializada nacionalmente como feriado escolar através do Decreto Federal nº 52.682, de 14 de outubro de 1963. Este dia foi instituído em 1991 pela (ONU) Organização das Nações Unidas e tem como objetivo sensibilizar a sociedade para as questões do envelhecimento e da necessidade de proteger e cuidar a popula- O Decreto define a razão do feriado: "Para comemorar condignamente o Dia dos Professores, os estabelecimentos de ensino farão promo- ção mais idosa. A mensagem do dia do idoso é passar mais carinho aos idosos, muitas vezes esquecidos pela sociedade e pela família. ver solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias". No Dia Internacional do Idoso decorrem várias iniciativas para a população idosa, nomeadamente palestras, sessões de atividade física e workshops de artes manuais. A comemoração começou em São Paulo, onde quatro professores tiveram a ideia de organizar um dia de parada para comemorar esta data, e também traçar novos rumos para o próximo ano. Em 2016, o 26º. Dia Internacional das Pessoas Idosas celebrado pela 17 - Dia Internacional Erradicação Pobreza ONU tem o tema: "Tome uma posição contra o envelhecimento". 03 - Dia das Abelhas A data foi comemorada oficialmente pela primeira vez em 1992, com o objetivo de alertar a população para a necessidade de defender um direito básico do ser humano. A data tem o objetivo de homenagear e lembrar da importância que este pequeno inseto possui para o bem-estar dos seres humanos, Antes, a 17 de outubro de 1987, Joseph Wresinski, o fundador do Mo- sendo o único animal do planeta capaz de produzir o mel - considerada a primeira substância adocicada utilizada pelo homem na antiguidade. Não nos esquecendo também de sua importância na polinização e sua importância na produção dos alimentos. vimento Internacional ATD Quarto Mundo, convidou as pessoas a se reunirem em honra das vítimas da fome e da pobreza em Paris, no local onde tinha sido assinada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ao seu apelo responderam cem mil pessoas. Não se sabe ao certo como surgiu o Dia Nacional das Abelhas no pa- A erradicação da pobreza e da fome é um dos oito objetivos de de- ís, mas a data já faz parte do calendário vas do Ministério do Meio Ambiente. oficial de datas comemorati- senvolvimento do milênio, definidos no ano membros das Nações Unidas e por várias de 2000 por 193 países organizações internacio- nais. 04 - Dia dos Animais Neste dia se dá voz aos pobres e se unem esforços para acabar com a pobreza. O tema de 2016 é "Passando da humilhação e da excluA data destaca a importância que os animais têm na vida dos seres são para a participação: acabando com a pobreza em todas as suas humanos e do planeta Terra, ressaltando o respeito e o compromisso formas". que todos os seres humanos devem ter com o meio ambiente. O Dia dos Animais é amplamente comemorado pela Igreja Católica. 29 - Dia Nacional do Livro Em muitas paróquias são rezadas missas, onde os donos podem le- O livro pode ser uma fonte inesgotável de conhecimento, transportan- var seus animais para receberem uma bênção especial. do os leitores para os lugares mais espetaculares da imaginação hu- A educação infantil deve ser direcionada desde cedo para a conscien- mana, além de informar e ajudar a diversificar o vocabulário das pes- tização da importância de proteger e valorizar os seres que habitam o soas. nosso meio ambiente, sejam os animais domésticos (cães e gatos, Os livros surgiram há centenas de anos e, desde então, continuam por exemplo), até mesmo os selvagens (leão, tigre, elefante e etc). maravilhando as gerações com contos fantásticos e registrando os principais acontecimentos da história da humanidade. A existência de todas as espécies é deia alimentar de um ecossistema. essencial para o equilíbrio da ca- No Brasil ainda se comemora o Dia Nacional do Livro Infantil, em 18 de abril, uma homenagem ao escritor Monteiro Lobato, que nasceu 04 - Dia da Natureza nesse dia. Esta data é dedicada a conscientizar a sociedade a refletir sobre métodos sustentáveis de utilizar o meio ambiente, sem danificá-lo. Por natureza, entende-se tudo aquilo que existe no planeta Terra e que não é produzido pelo ser humano, como a terra, a água, as árvores, a atmosfera, os animais e etc. Para celebrar o Dia da Natureza, escolas e a Secretaria Especial do Meio Ambiente realizam campanhas e lançam projetos que incentivem a população a refletirem sobre a importância da natureza para o constante desenvolvimento e sobrevivência humana. No Dia da Natureza também é celebrado o Dia dos 31 - Dia do Saci A data homenageia o Saci-Pererê, figura mitológica do imaginário folclórico brasileiro. O Dia do Saci foi criado com o intuito de ajudar a valorizar o folclore nacional, ao invés do Dia das Bruxas (Halloween), que é celebrado no mesmo dia e que nada tem a ver com a cultura do Brasil. Fonte: Callendar www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Outubro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 13 Direitos Humanos Considerar e tolerar ção esteja fora de moda, acredito que talvez ela não seja tão praticada quanto deveria, mas “Consideração se refere à ação e ao efeito não perco a esperança de acreditar que as de considerar” pessoas se importam e a empatia continua e- Olhar, pesar, refletir sobre algo ou alguém, res- xistindo. peitar... enfim..Agir com consideração pode ser Levar em consideração os sentimentos dos ou- algo natural , que pode fazer parte de alguém,. tros não é algo que todos façam semPode ser racional, intencional, e até instintivo. pre.Estamos fazendo isso cada vez que pratiAgir com consideração tem a ver com o olhar camos a alteridade, “do latim alteritas, alteridaque temos do outro, com bondade, com des- de é a condição de ser outro.” Conhecendo e prendimento. Quando agimos assim estamos aprendendo com as diferenças. Existe uma nos conectando a pessoas ou situações, de vontade de compreender o outro, e essa com- maneira que acolhemos o outro através de u- preensão irá facilitar as relações e o entendi- ma ação, que fará bem não só aquele que está mento. A consideração leva também a praticar- sendo alvo desse gesto, mas a nós que estare- mos a tolerância. . A palavra chave que define mos agindo com empatia, e nossa alma agra- Tolerância é respeito. Respeito ao diverso, a dece qualquer coisa que nos faça sentir melhor posturas, crenças, ideias, modo de viver, res- e que faça o outro se sentir acolhido, importan- peito às escolhas individuais, ainda que seja te e com sua autoestima melhorada. Conside- totalmente diferente daquilo que acreditamos rar alguém é ter respeito e estima por aquela ser o certo. A tolerância é a harmonia na dife- pessoa. Considerar sobre algo, é pensar a res- rença. Não só é um dever de ordem ética; é peito. igualmente uma necessidade política e jurídica. Pensar nas necessidades do outro, se colocar A tolerância é uma virtude que torna a paz pos- no lugar, usar de sensibilidade para não mago- sível e contribui para substituir uma cultura de ar, ser gentil, saber ouvir. Estamos agindo com guerra por uma cultura de paz. Podemos afir- consideração também quando cuidamos de mar que a tolerância está ligada aos direitos nós e de nossas atitudes. Ter consideração po- fundamentais básicos, que nada mais são que de ser também por um grupo de pessoas, por os direitos universais. Sendo assim está intima- uma coletividade. Já a falta de consideração mente ligada aos direitos humanos, uma vez implica não se importar com nada nem nin- que é o que dá a base desses direitos. Ser to- guém. Tomar atitudes que são dotadas de ego- lerante não é aceitar tudo, nem concordar com ísmo, pois pensamos apenas em nós. É des- tudo simplesmente. Tolerar é ter respeito pelo considerar o que afeta o outro. Não se importar que é diferente, por outras opiniões, é entender com atitudes e desrespeito. que posso ter minhas ideias e que o outro tem essa mesma liberdade de se expressar e de Vemos a desconsideração acontecendo o tem- agir, sem que com isso eu deva me sentir ofenpo todo, principalmente quando vemos o des- dido. respeito aos Direitos Humanos, o desprezo pe- la lei e seu descumprimento. As desigualdades O mundo contemporâneo pratica o individua- e a injustiça social, são consequências da falta lismo, tratando as relações de maneira mais de consideração aos direitos básicos e funda- superficiais e com isso não prestando atenção mentais do ser humano. Quando pensamos em ao que ocorre com o outro, ou com o que se separar o nosso lixo, em economizar o uso da passa ao seu redor, tem dificuldade de olhar água, em comprar menos, usar menos o carro, além de si mesmo. Essa forma de estar e de coisas que podem fazer a diferença no planeta, ser não nos permite praticar a consideração e estamos tendo consideração com o meio ambi- a tolerância com mais empenho e com a fre- ente. Quando respeitamos os idosos, as crian- quência que deveríamos. ças, o adolescente, quando não praticamos o A consideração e a tolerância nos leva a viver preconceito e acolhemos as minorias, estamos mais harmonicamente e de forma menos desiagindo com consideração. O tempo todo esta- gual e mais solidária, levando ao êxito dos vín- mos reflexionando sobre algo e ao fazer isso culos interpessoais. uma atitude é tomada, e essa atitude pode ser de consideração ou não. Ao contrário do que Mariene Hildebrando e-mail: marihfreitas@hotmail.com muitos falam por aí, não acho que a considera- Quem vive em paz, dorme em sossego, *** Quem viver no inferno, se acostuma com o diabo. *** A vida vale mais que um punhado de moedas. *** Vida e confiança só se perde uma vez. *** Aquele que despreza sua vida é senhor da nossa. *** Quem sua vida complica, seus cuidados multiplica. *** Quem viver verá as voltas que o mundo dá. Desconheço o autor Agora frases com autoria reconhecida David Bowie: “Não sei para onde vou daqui, mas prometo que não vai ser chato.” *** David Bowie, de novo: “Aproveite cada momento. Não estamos evoluindo. Não esta- mos indo a lugar algum.” *** David Bowie: “A verdade, é claro, é que não há jornada alguma. Estamos chegando e partindo tudo ao mesmo tempo.” *** Bob Marley: “A vida é para quem topa qualquer parada. Não para quem para em qualquer topada”. *** Álvaro Moreyra: “A vida é uma lenda cheia de histórias que ninguém entende. Cada um conta do seu jeito. E o jeito de cada um é uma ilusão intransferível”. *** Adélia Prado: “O sonho extravasou a noite / Extravasou pro meu dia / Encheu minha vida / E é dele que eu vou viver / porque sonho não morre”. *** www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Outubro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 14 Cultura simbólica D. PEDRO I E A QUESTÃO geiro e, portanto, não poderia pretender ser deste golpe ao transformar o Brasil em DINÁSTICA EM PORTUGAL REI de Portugal e IMPERADOR do Brasil ao "Império" era tomar de assalto a Coroa Portu- mesmo tempo, pois, contraria frontalmente o guesa que era Reino Unido. A verdadeira his- Loryel Rocha que determina as Cortes de Lamego. tória da Independência do Brasil ainda está A Independência do Brasil foi construída pela Assim, o sucessor à coroa de D. João VI não por ser escrita. A história do Brasil é uma hismaçonaria, conforme atesta o historiador ma- poderia ser D. Pedro e sim D. Miguel, seu ir- tória panfletária porque baseada em mentiras çon José Castellani (in: História do Grande mão. Mas, após a morte de D. João VI, de e omissões vergonhosas. Oriente do Brasil- a Maçonaria na História do modo atrabilhário, D. Pedro I reivindica para si Abaixo, iconografia de D. Pedro usando os Brasil), fato que tem sido minimizado ou esca- o direito de herdar o trono português e esta- títulos de Imperador do Brasil e Rei de Portu- moteado pela historiografia nacional. Trata- belece conversações com seu irmão, D. Mi- gal e Algarves, composição artística que evi- se, portanto, de um projeto revolucionário. guel para chegar a um termo comum propon- dencia o plano revolucionário maçônico de Até o presente os reais meandros e objetivos do que este se case com sua filha, uma crian- tomar Portugal para o Brasil. desse projeto nunca foram devidamente estu- ça. D. Miguel "aceita" casar com a sobrinha e D. Pedro Imperador do Brasil e Rei de Portugal e Algarves dados. ao chegar em Portugal é reconhecido pelo po- Um deles diz respeito a questão dinástica em vo como verdadeiro rei. Diante disso, D. MiPortugal definida pelas Cortes de Lamego, guel como regente convoca Cortes e é recoconvocadas por D. Afonso Henriques em nhecido pelas Cortes como rei de Portugal. 1139, onde se estabeleceu as leis para regu- Isso deflagra uma guerra de D. Pedro I contra lar a sucessão dinástica de Portugal. Nessa D. Miguel, que entronizado como verdadeiro lei, as mulheres tinham direitos de sucessão rei contrariava frontalmente o projeto da maou seja, poderiam ser rainhas, mas, não po- çonaria brasileira. deriam casar com estrangeiros. Eis a razão D. Pedro I após a morte de D. João VI, contra- pela qual D. Maria I, mãe de D. João VI e avó riando a Constituição que aprovara e as Cor- de D. Pedro I foi a primeira e única rainha ver- tes de Lamego, foi para Lisboa assumir o Tro- dadeira e legítima de Portugal, pois, a filha de no de seu pai, auto-intitulando-se D. Pedro IV, D. Pedro I - D. Maria II- não poderia ter sido o 27° rei de Portugal. Essa bizarrice de acu- rainha de Portugal. Explicação abaixo. mular duas coroas o levou a "abdicar" do Tro- Desde Lamego, as regras para a sucessão no de Portugal em favor de sua filha, Maria da dinástica de Portugal são seguidas fielmente, Glória. Mas, como se abdica de um Trono que e quando existe alguma questão que impeça já não lhe pertence? Curiosamente, em 1831, a sucessão são convocadas as Cortes que, D. Pedro I "abdica" a favor de seu filho Pedro via de regra, deliberam conforme o subscrito (II). Assim, os mentores do projeto revolucio- em Lamego. Portugal teve uma instituição só- nário da Independência do Brasil, num golpe lida chamada Coroa, instituição que o Império de mestre, tem as duas Coroas nas mãos: do do Brasil NUNCA teve e sequer a elaborou, Brasil e de Portugal, ou acha que as tem. A- "D. Miguel I. : obra a mais completa e conclu- priorizando o monarca ao invés da Instituição pós a renúncia como Imperador, D Pedro I dente que tem apparecido na Europa sobre a da Coroa. retorna para Portugal, onde lutou para restituir legitimidade e inauferiveis direitos do senhor D. a D. Maria ao Trono, que, dizem os revolucio- Miguel I. ao throno de Portugal". Traduzida do Um dos gargalos mal explicados que envol- nários, havia sido tomado por D. Miguel I, que original francez by Bordigné, comte de; Mace- vem a Independência do Brasil, refere-se pre- com esse ato havia banido os revolucionários do, José Agostinho de, 1761-1831; Saraiva, cisamente à questão da sucessão dinástica de Portugal. D. Miguel é deposto. António Ribeiro, 1800-1890; São Boaventura, de Portugal. Ao declarar declarar-se Imperador do a Independência e Brasil, D. Pedro (I) A Independência do Brasil é um golpe de Es- João de, b. 1786. naturalmente se fez voluntariamente estran- tado seguido de outro golpe de Estado, a Re- ATENÇÃO: Artigo mantido no original. Portu- pública. Uma das intenções ocultas por trás guês de Portugal Numa sociedade movida à dinheiro e hipocrisia, encontramos pessoas propensas aos mais diversos rumos incluindo-se a devassidão. Cuidado com quem andas, pois tua companhia sumariza quem és. Não tenha medo de lutar pelo que acredita, apenas seja você mesmo nos mais divergentes momentos que possam surgir. Fazendo isto, certamente afetará os que estão à tua volta que não gostam do que veem. Saberão fazer a triagem do joio e do trigo. Só tome cuidado com o lado com que ficará, pois uma escolha errada pode te afetar drasticamente. Pense no seu futuro. Sua escolha hoje, será o seu futuro amanhã. Seja feliz, haja com honestidade sempre. Mas acima de tudo, cuidado com o que te tornarás! Filipe de Sousa

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Outubro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 15 EUROPA hoje e ontem (artigo continuado) Por: Michael Löwy compromissos especificados na cúpula de 12 Defesa e a legisladora Olga Gerovassili foi de julho”, declarou o grupo dos 19 ministros indicada como a nova porta-voz do governo. Sociólogo, é nascido no Brasil, formado em do bloco europeu. Pouco depois, o órgão O ministro do Interior, Nikos Voutsis, afirmou Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, e anunciou que concordava em dar início às que Grécia poderia realizar eleições vive em Paris desde 1969. Diretor emérito de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS). Homenageado, em 1994, com a medalha de prata do CNRS em Ciências Sociais, é autor de Walter Benjamin: aviso de incêndio (2005), Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade (2009), A teoria da revolução no jovem Marx (2012) e organizador de Revoluções (2009) e Capitalismo como religião (2013), de Walter Benjamin Capitalismo e democracia negociações para o terceiro programa de legislativas antecipadas em “setembro ou resgate financeiro à Grécia até 2018, com outubro”. dinheiro desembolsado pelo Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira. O presidente do BCE, Mario Draghi, anunciou um aumento até € 900 milhões do limite de empréstimos de emergência para os bancos gregos durante uma semana, afirmando: “Um alívio da dívida grega é necessário, isso é indiscutível”. Segundo os ministros da zona do euro, o governo de Atenas implementou o primeiro conjunto de medidas “a tempo e de modo satisfatório”. A remodelação governamental expressou a forte virada política do governo grego, que passou de promover o não no referendo a defender a aceitação de outro plano de resgate muito mais confiscatório para Grécia, em menos de uma semana. O governo de coalizão grego e Syriza ficaram sob uma pressão que os conduz à crise e a explosão. A passagem do parlamentarismo para um sistema de governo plebiscitário, no caminho do bonapartismo, se esgotou em pouco mais na Europa PARTE XXII Apesar de Tsipras ter conseguido apoio de de um mês. A troïka europeia sabe que não 229 deputados a favor do acordo com a existe saída econômica para a crise, por isso troïka, a votação parlamentar evidenciou um não vacilou em deflagrar uma blitzkrieg para É porque os fundos e bancos europeus estão seriamente afetados pela crise grega que os abutres concordaram com um novo resgate por valor de 85 bilhões de euros, que o FMI considera insuficiente, para pagar esses credores, em primeiro lugar os credores dos bancos gregos. O resgate do Estado e da banca da Grécia será pago pelos trabalhadores da Grécia e de toda a Eurozona. racha dentro de Syriza, pois 32 de seus deputados votaram contra. Sua juventude emitiu um pronunciamento: “A ineficácia do aparato partidário (Partido e Juventude) foi decisiva. A não convocatória do Comitê Central de Syriza antes da passagem das medidas pelo voto parlamentar transferiu todo o peso de decisão para instituições desautorizadas, como o Grupo Parlamentar [de Syriza] e a consciência e responsabilidade individual de cada representante parlamentar. tentar produzir uma mudança de regime político. Do lado do movimento popular grego, os partidos revolucionários começaram a sair da sua relativa marginalidade política e a ganhar autoridade para atuar com maior destaque e evidência nos acontecimentos futuros: a clarificação programática em torno da questão da União Europeia e do euro, o terremoto político que significou a capitulação do Syriza e o início de uma rebelião no interior do partido, são a base política objetiva para O novo plano imposto aos gregos repete A atrofia dos corpos dirigentes do Partido e as uma recomposição da esquerda grega. E não quase todas as cláusulas fracassadas dos decisões não adotadas de modo coletivo são só grega: já existe um racha na esquerda dois planos anteriores, aprovados em 2010 e dois aspectos de uma mesma relação”.[55] europeia sobre a questão grega, evidente e 2012: “Confrontada com a possibilidade de Entre as lideranças do Syriza que se público, por exemplo, no Partido Comunista sair da zona do euro em poucas horas, a posicionaram contra o acordo se encontra a Francês. Grécia de Alexis Tsipras aceitou fazer em um par de meses aquilo que não fez em cinco anos”.[53] Mas o novo acordo também inclui uma nova cláusula, criando um fundo gerido pelos credores, para administrar os 50 bilhões de euros obtidos com a venda de ativos nacionais gregos. Com essas garantias, foi acordado o empréstimo de até 86 bilhões de euros à Grécia para os próximos três anos, euros dos quais Grécia não verá a cor nem sentirá o cheiro, pois irão direito para os bancos credores do país. Como constatou Joseph Stiglitz: “A exigência (por parte dos credores) de que a Grécia chegue a um superávit fiscal de 3,5% antes de 2018 é uma garantia de que o país seguirá vivendo sob uma depressão… Não consigo pensar numa depressão, em altura alguma, que tenha sido tão deliberada e tenha tido consequências tão catastróficas. A taxa de desemprego juvenil na Grécia, por exemplo, é hoje superior a 60%”.[54] presidente do parlamento, Zoe Konstantopoulou, bem como os ministros da Segurança Social, Dimitris Stratoulis, o vice ministro da Defesa, Kostas Isijos, e o ministro da Energia e do Ambiente, Panayotis Lafazanis. A assinatura do acordo do premiê com os credores europeus gerou uma revolta da população. Na quarta feira 15 de julho os manifestantes voltaram às ruas de Atenas para protestar contra a austeridade. Com gritos de “oxi, oxi, oxi” (não, não, não), milhares de pessoas voltaram a lembrar da vitória do referendo realizado em 5 de julho. No meio da brutal crise política, Alexis Tsipras remodelou seu gabinete, em meio ao racha dentro de seu partido após a assinatura do novo acordo de austeridade, excluindo do governo os representantes que se posicionaram contra ele. O antigo ministro do Trabalho, Panos Skurtis, substituiu Panagiotis Lafazanis à frente da pasta de Energia Europa enfrenta agora a possibilidade de uma crise revolucionária no sul do continente, que poderia ser uma ponte para as crises do Oriente Médio. China e Rússia assistiram à crise grega desde a arquibancada porque não têm os recursos nem o interesse de obstaculizar o Eurogrupo. China, porém, seria a maior beneficiária da privatização dos portos da Grécia, e portanto a primeira contribuinte ao fundo de resgate que busca criar a Alemanha com as privatizações. A Rússia, por sua vez, está paralisada pelo seu declínio econômico. As fantasias sobre a mediação financeira dos BRICs duraram o tempo de um suspiro. Grécia é, atualmente, não um caso isolado, mas o centro geográfico de uma crise geopolítica internacional abrangente: Ucrânia ao norte, Síria e Iraque (já parcialmente controlados pelo Estado Islâmico) no sul este, Líbia no sul. Uma crise incrementada pela descoberta de depósitos de petróleo e gás no leste do Mediterrâneo, O Parlamento grego aprovou o novo acordo (Panagiotis foi um dos 32 deputados do que torna mais agudos os antagonismos com 229 votos a favor, incluindo o apoio dos Syriza que votou contra as reformas). locais e internacionais, com a esboçada partidos de direita que defenderam o “sim”, e 64 votos contra, incluindo 32 deputados do Syriza. Houve ainda seis abstenções. O acordo foi igualmente aprovado nos parlamentos francês e alemão. Após o Parlamento de a Grécia aprovar o acordo, o Eurogrupo liberou a 26 de julho € 7 bilhões; e o BCE aumentou os créditos de emergência para os bancos gregos: “O Eurogrupo celebra a adoção pelo parlamento grego de todos os O ministro das Reformas Administrativas, George Katrougalos, passou a ocupar a chefia do Ministério do Trabalho. Tryfon Alexiadis, especialista em impostos da União, tomou o cargo de vice-ministro das Finanças de Nadia Valavani, que pediu demissão. Euclidis Tsakalotos permaneceu no posto de Finanças, após substituir Yanis Varoufakis, que também renunciou. Christoforos Vernardakis foi nomeado vice ministro da reaproximação entre Atenas, Nicósia (Chipre), Tel-aviv e Cairo contra as ambições “neootomanas” do regime turco. Um verdadeiro barril de pólvora (inclusive nuclear) em uma região em que já existe um inferno bélico e humanitário, na Síria, Iraque, Líbia e Iêmen. CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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