Doroteias, nº132

 

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Boletim Informativo da Provincia Portuguesa das Irmãs Doroteias

Popular Pages


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Al. Linhas de Torres, 2  1750-146 LISBOA  doroteiasnoticias@gmail.com Encontro Internacional de Jovens em Fátima Bodas de Prata da Irmã São Rodrigues Vigias no Linhó Tendas na Praia Missão Brasil Faróis em Viseu Serviço a um Povo em Atouguia Freixos no Linhó Vigias no Linhó

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Encontro de Coordenadoras em Fátima Fim de Agosto… uma reunião de Coordenadoras… antecipando o “costume” de iniciar o ano só com a Assembleia de Província. Algumas de nós ficámos surpresas. Assim, nos dias 30, 31 de agosto e 1 setembro, aí estávamos nós para acolher tudo o que Deus nos poderia querer dizer pela voz do Governo Provincial… Para viver juntas, “escolher estar e caminhar no meio do Povo” que é cada uma das nossas comunidades, com as Irmãs que a cada uma são confiadas. E não é que o nosso Deus é a surpresa… é a presença… é o “Acompanhante”… é o “Mestre” de toda a nossa missão? Sentimo-Lo desde o início do encontro. O grupo das Coordenadoras tem muitas caras novas; Irmãs que pela primeira vez assumiam esta missão e outras que a retomavam... Todas fomos convocadas, provocadas a viver a nossa missão na Fé, e de Fé viva – como Santa Paula nos desafia a viver. Todas fomos chamadas a ajudar a construir Comunidades de Fé: - reunidas no Senhor, onde se partilha a vida e a oração, a “Palavra / palavra” e a missão, com as nossas diferenças e as de cada uma das Irmãs que nos são confiadas. - reunidas em grupo para a construção do Reino, é uma Comunidade de Fé para a missão… Comunidade apostólica… com a dinâmica dos grupos humanos, das relações interpessoais, mas que nas dificuldades e nas tensões tem no Senhor a “Força da sua Unidade”… Todas fomos desafiadas a refletir, a tomar consciência do que somos, do modo como funcionamos humanamente e temperamentalmente, da forma como nos relacionamos com as diferentes pessoas e em diferentes situações. A estas formas de relação chamamos “jogos e papeis”. Tivemos, também, oportunidade de refletir sobre os nossos próprios “mecanismos de defesa” que muitas vezes não nos deixam livres para escolher, em liberdade evangélica, o melhor para cada uma, para todas e para a missão. Foi um tempo de confronto connosco mesmas que nos ajudou a ter mais consciência das nossas formas de ser, para melhor entender e acolher as diferentes formas de ser de cada uma, de todos, em ordem a uma melhor resposta à missão na construção do Reino. No final, todas partilhávamos o bom que foi iniciar o novo ano “acompanhadas” pelo Governo Provincial e umas pelas outras. Agradecemos a possibilidade deste tempo que nos animou e situou a nossa missão na Fé, desafiando-nos a enraizarmo-nos, cada vez mais, na relação com o Senhor Jesus que nos une e reúne. Fica-nos o compromisso de rezarmos umas pelas outras, e por todas, e de nos sentirmos a partilhar das alegrias e das preocupações umas das outras, como Irmãs – dom de Deus para nós… para todos. Sim, valeu a pena estes três dias de paragem… de encontro… no Senhor e entre nós. Gratas ao Senhor pedimos, para todas, o dom da Fé e da Oração… único sustento da nossa vida-missão. M. R. Viver esta reunião de Coordenadoras foi algo de completamente novo na minha vida e também para outras Irmãs a quem este ano foi pedido tal serviço. Tanta mudança, na Província, fazia prever vida nova e é isso mesmo que está a acontecer! A mudança é uma constante da vida e quando bem vivida é oportunidade de crescimento. Acreditamos nesta hora nova em que o Senhor pega no simples, no pobre, no humilde e com ele quer fazer maravilhas, na terra portuguesa onde nos encontramos a querer ser Dom de Deus para todos; presença trinitária, tornando novas todas as Comunidades. Viver esta reunião de Coordenadoras foi importantíssimo para perceber a nobre missão que Deus nos confia de vivermos e fazermos caminho, em primeiro lugar, com as nossas Irmãs de Comunidade. Este encontro foi fundamental para nos conhecermos e crescermos como corpo, para aprofundarmos temas importantes em ordem à missão que nos é confiada, para partilharmos a Palavra e colocarmos cada Irmã da Província diante do Santíssimo. Queremos servir ao jeito de Jesus, com o carisma de Paula Frassinetti. É hora de gratidão a Deus que nos surpreende com as escolhas que faz. É hora de fazer nascer e crescer a vida, agora, nas realidades onde somos enviadas. É hora de estar e construir Comunidade, onde e com quem o Senhor quer, certas de que Ele é o centro da nossa vida e que cada Comunidade é uma Comunidade de Fé. Este encontro tornou presente, na Cova da Iria, toda a Província que sob o manto de Maria aprende, em cada dia, a seguir sempre melhor o seu Filho. Testemunho da Irmã Alice Simões 2

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25 anos de entrada na Congregação da Irmã Maria da Conceição Rodrigues dos Santos No dia 12 de agosto – aniversário da Fundação da Congregação – foi também FESTA na Comunidade da Casa Provincial pela Celebração dos 25 anos de entrada na Congregação da Irmã Maria da Conceição Rodrigues dos Santos. Lembrámos logo de manhã aquela outra aurora em que Paula e as suas Companheiras se dirigiram a Santa Clara para iniciar uma grande aventura… E foi também neste dia que a Irmã São Rodrigues iniciou a sua aventura, entrando na Família das Irmãs Doroteias no dia 12 de agosto de 1992! Por estes dois acontecimentos foi celebrada a Eucaristia festiva de ação de graças, na Casa Provincial, ao fim da manhã, à qual se associaram muitas Irmãs de outras Comunidades. O Celebrante partilhou a sua alegria e, connosco, agradeceu o dom da vocação e entrega ao serviço do Reino da Irmã São e de outras Irmãs que ali se encontravam, e, também neste dia, se sentiam em festa: a Guida Ribeirinha e a Mila. Seguiu-se uma refeição em que o bolo, decorado a propósito, teve também o seu lugar, proporcionando momentos fraternos de felicitações, a que se juntaram “presentinhos” significativos. Foi um dia vivido em simplicidade, em que o nosso coração foi sentindo a alegria de ser pertença desta Família, à qual Paula “traçou o rumo”, numa entrega apaixonada pelo amor de Jesus Cristo e pelo serviço do seu Reino. Encontro Internacional da Juventude Doroteia da Europa De 30 de Julho a 2 de Agosto decorreu em Fátima o segundo encontro internacional de Jovens da Juventude Doroteia com a participação de 5 países: Portugal, Espanha, Itália, Malta e Albânia. O mais significativo neste encontro foi, para além da partilha das experiências de fé vividas, o facto de os jovens que não eram portugueses poderem experienciar o papel de um peregrino de Fátima. Para mim, esta foi uma das experiências de que mais gostei, pois tive a oportunidade de conhecer novas pessoas com outras vivências de fé e reencontrar amigos que partilham do espírito da família doroteia que tinha conhecido no encontro do ano passado. Uma das experiências de que mais gostei nestes dias foi a ida ao Centro João Paulo II, pois senti que nessa visita consegui tornar o dia daquelas pessoas melhor e aquelas pessoas também transformaram a minha vida e o meu modo de pensar nas coisas. E para mim foi muito importante não termos estado só em Fátima, mas também termos ido a Ourém, valorizando um pouco a parte cultural. Raquel Salvador Já com alguma bagagem do que sabia serem as atividades da Juventude Doroteia, experienciei o Encontro Internacional de 2017 que teve lugar em Fátima. Ficou claro como água, no meu coração, que nunca esperei que fosse uma experiência tão impactante na minha caminhada de fé, como realmente foi... De entre inúmeras experiências de missão, campus, peregrinação e exercícios espirituais, segui para este encontro que reuniria jovens e irmãs de inúmeros países da Europa... Uma distância rapidamente unida 3

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em tão poucos dias de vida e jogos naquilo a que podemos chamar, com todas as letras, de família. De entre as Astúrias, Galiza, Malta, Albânia, Itália e Portugal, todos marcámos presença, ora em momentos de alegria e gargalhadas, ora de silêncio e sossego. Unidos pela mesma bússola, explorámos o Santuário e, guiando-nos uns aos outros, aprendemos coisas novas, rezámos em procissão, adorámos o Santíssimo, acendemos velas de paz e quietude na noite de Fátima, vivemos a Via-Sacra de Cristo e deparámo-nos com o seu rosto de amor e misericórdia junto dos que tanto precisam no Centro João Paulo II. Unidos caminhámos e sozinhos nos deparámos com a oportunidade de entrar pelas portas abertas da Reconciliação deste Pai que nos ama. De repente, já não éramos um país e outro país, mas uma só comunidade unida em simplicidade e amizade. Deixámos conversas por terminar e relações por crescer, mas na despedida ficou a segurança de pertencermos a esta família Doroteia que nos reúne e concede a possibilidade de conhecer e encontrar amizades tão especiais. Amizades que deixaremos florescer e voar e tornarem-se algo mais do que meras relações de poucos dias. Tornam-se amizades a cuidar, amizades que ansiamos visitar... No fim, uma convicção não falta, para o ano queremos regressar, não só para um novo Encontro Internacional, mas quem sabe, para missões, campus e peregrinações partilhadas entre irmãos que, falando línguas diferentes, se compreendem inteiramente numa língua só, a linguagem de Deus. Ana Rita Barata O encontro internacional de jovens deste ano foi realizado no nosso tão adorado santuário de Fátima. Foram dias em que pessoas de diferentes lugares da Europa se encontraram e se conheceram, enquanto conheciam juntos a história da aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos. Nestes dias foi fantástica a partilha de diferentes realidades e culturas. A maioria do tempo livre foi passado a discutir as diferenças nas línguas, a aprender sobre os outros países, sobre as parecenças das nossas línguas. O que eu achei mais impressionante foi a facilidade com que nós todos, mesmo com barreira linguística, tentámos falar sempre uns com os outros, tentámos sempre estabelecer uma comunicação entre nós e o quão rapidamente nós todos aprendemos a língua uns dos outros. Nós, no final da atividade, criámos laços enormes entre nós, já rezávamos juntos seja nas nossas línguas seja em Italiano ou inglês... Aprendemos várias formas de falar com Ele, sempre com o mesmo sentimento, sempre com o objetivo de nos aproximarmos dEle e de fortalecermos a nossa oração. Paulo Pereiros No final do mês de Julho, embarquei em mais uma iniciativa das Irmãs Doroteias: o Encontro Internacional da Juventude Doroteia. Claro está, as Irmãs marcaram a sua presença de forma acolhedora e dinâmica. Organizaram muito bem as atividades para os vários dias, dando-nos a possibilidade de viver muitas experiências e acompanhando-nos em cada uma delas - convívio, oração, serviço, via-sacra, reconciliação, enriquecimento cultural, religioso e turístico, conversas cheias!... Deixou-me feliz reencontrar a Juventude Doroteia da camisola amarela. No meio de tantas línguas e caras diferentes, criou-se uma união especial e cumplicidade entre nós portugueses, que juntos dávamos a conhecer um bocadinho do nosso país, orientávamos orações antes das refeições, lavávamos a loiça e nos olhávamos como zona de conforto uns dos outros. Foi também uma grande alegria conviver com os jovens dos outros países. Gostei de ouvir falar das iniciativas e atividades das Irmãs Doroteias nos outros países, gostei de conhecer a forma como os outros jovens vivem a Fé e como orientam a sua vida, gostei de sentir amizade a criarse, à medida que nos fomos identificando uns com os outros. Pelo caminho, fomos combatendo a 4

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barreira das línguas diferentes. Queríamos todos entender-nos e, por isso, acabámos por arranjar maneira de o fazer. Nem que fosse por olhares, sorrisos, expressões... Entre as atividades que fizemos, tocou-me particularmente a ida ao Centro de Apoio a Deficientes João Paulo II. Estivemos juntos no desafio de ser presença para as pessoas e de encarar uma realidade bem diferente, impressionante. Durante a visita, questionei-me, impressionada, como era possível o ser humano chegar a tal deformação física e mental. Conclui, então, quando saí do centro, quem sou eu para dizer isso? Quem sou eu para achar que tenho mais "sorte" por ser "normal"? Quem sou eu para assumir que eles não são felizes à sua maneira? Os funcionários disseram-nos que muitos utentes eram felizes lá. É uma conceção de felicidade diferente (talvez mais pura mesmo). Cada circunstância de vida tem os seus desafios. Pessoas com deficiências tornam-se mais dependentes. Pessoas sem deficiências tornam-se por vezes demasiado independentes. Marcou-me a gratuidade com que os funcionários da casa trabalhavam, o amor que tinham pelos utentes e a boa disposição, tratando-os dignamente, como pessoas que são. De igual modo, também a forma como vi as Irmãs e alguns membros da Juventude interagir com os meninos tocou-me de forma especial, com grande simplicidade e naturalidade, e com um olhar muito cheio. A diferença é marcada pelo cuidado com que as pessoas são acompanhadas. Isto foi, de facto, um ensinamento grande que retirei destes dias, com as Irmãs. Ir ao encontro de todas as realidades com este amor e entrega, desprendendome de medos, desconfortos e preconceitos. Fiquei com vontade de servir! Teresa Andrade – Lisboa, Grupo de Jovens X'Amas As Missões de Verão na voz dos jovens… Vigias no Linhó O tema deste ano para os Vígias era: AMIZADE CLIKITOC Ao longo da semana viveram-se momentos muito interessantes: de oração, de descoberta de si próprio, dos outros, de Jesus, do Mundo e da nossa Santa Paula, sempre numa atitude de descobrir como a amizade é importante ao longo da vida... Mas é preciso saber parar, para escutar... Toda a semana se foi vivendo a partir do Evangelho da Pesca milagrosa e chamamento dos discípulos (Lc 5 1-11), porque também nós todos fomos chamados a deixar tudo e a seguir Jesus... Houve, alguns momentos em que todos puderam dar asas à sua imaginação e apresentar os ricos talentos que o nosso Bom Deus nos concedeu, assim como momentos de grande diversão... No último dia encerrámos com a Eucaristia com todos os pais presentes, seguindo-se um almoço de convívio entre todos. No dia em que fomos à praia, construímos o coração dos amigos de JESUS... Na Equipa éramos 4 doroteias - Alcina, Francisca, Orlanda, Paula Susana - e 7 jovens. Ao todo eram 34 adolescentes de vários locais. Irmã Orlanda 5

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Vigias no Sardão – Testemunho dos animadores mais novos O Campus: Uma experiência diferente Embora fôssemos três a embarcar nesta aventura, apenas um de nós tinha uma pequena ideia de como poderia ser esta semana na perspetiva de animador. Como de costume, os animadores chegaram um dia mais cedo para reunir e acertar os últimos pormenores, e foi aí que nos sentimos mais inseguros, também pelo facto de sermos os animadores mais novos. No entanto, quando distribuímos tarefas e vimos uma equipa a trabalhar, a sensação que tivemos foi que, apesar do que nós poderíamos pensar, as coisas estavam bem encaminhadas. Sensação essa que se tornou ainda maior quando vimos os miúdos a chegar e a transbordar de alegria e entusiasmo. No decorrer da semana, momento após momento, ambientámo-nos e começámos a perceber a dinâmica dos Campus que não correria tão bem sem a equipa incrível de animadores e animados. Foi uma semana que nos ensinou imenso, que nos ajudou a ver as coisas de outra forma e a estar do outro lado, do lado de quem coordena e organiza as atividades. Ser animador de um campus recompensanos, por cada sorriso, por cada gesto de carinho deles para connosco, por cada gargalhada e porque no final da semana não há nada melhor que os abraços de despedida e um “Obrigado” sorridente de quem nos quer voltar a ver no próximo ano. Por fim, se no início existia um receio, agora existe uma vontade enorme de repetir esta semana, que embora tenha tido os seus momentos menos bons, é lembrada pelos melhores! “O Campus é uma aventura, que ninguém deve perder, então olhem, para o ano voltamo-nos a ver!” Ana Rita, Gonçalo e Inês (Vigias, Sardão 2017) Freixos do Linhó Do dia 16 de julho até ao dia 22, vários alunos do sétimo e do oitavo ano, de diversas regiões do país (Lisboa, Porto e Estoril), passaram uma semana no Linhó, nos Campus Frassinetti. Realizaram diversas atividades tais como: um passeio a Sintra, uma manhã de praia, uma visita às Irmãs velhinhas, uma homenagem aos bombeiros de S. Pedro de Sintra, uma noite de terror preparada pelos Monitores, um concurso “Os Freixos têm Talento” e uma noite de Karaoke. Ainda receberam a visita da G.N.R e das crianças das aldeias S.O.S. Para terminar a semana em grande a noite de Gala, onde todas as atividades foram preparadas pelos Freixos; uma fantástica noite passada no átrio principal ao som de histórias de terror. “Adorámos esta experiência que ficará para sempre guardada nas nossas memórias.” – Conclusão dos Freixos e dos Monitores, após esta inesquecível semana. Teresa Nunes e Mariana Teixeira Faróis em Viseu Os campusfrassi.net são uma das atividades promovidas pelas Irmãs Doroteias para os meses de verão. Trata-se de uma semana na qual é proposto aos jovens um conjunto de experiências de contacto com o mundo que os rodeia. Desde visitas ao um lar a passeios mais turísticos pela cidade, sempre com muita diversão à mistura! São realizados em cidades onde as Irmãs Doroteias têm casa, como o Linhó, Viseu, Vila do Conde, etc… É uma semana inesquecível, sem dúvida, na qual se valorizam os laços da amizade, 6

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da partilha, do serviço e do encontro do próprio. Sempre fiz campus, desde que estudo no colégio da Paz, no Porto. Como animada, sempre considerei uma experiência incrivelmente enriquecedora, na qual fiz amizades de uma vida e, principalmente, cresci. Como pessoa que se enquadra no mundo e também na fé. Decidi há dois anos iniciar a experiência como animadora, dado que não queria perder esta semana do meu verão. Sem dúvida que é uma situação completamente diferente, onde o objetivo deixa de passar por me divertir, mas antes procurar que se divirtam os jovens que aderem a esta atividade. Também me ajudou a crescer, ganhar responsabilidade e maturidade. É, claramente, uma semana que todos os anos marco na agenda e não tenciono deixar de o fazer. Tanto sendo animada como animadora é algo que me faz mesmo feliz e completa! Aconselho a todos os jovens que experimentem, que não se deixem levar pelo que os outros dizem, afinal todos somos diferentes! Os campus são como uma família que acolhe rápido e depois nunca dá vontade de abandonar! Inês Carlota Olá, eu sou a Catarina e tenho 15 anos. Estou a escrever este testemunho com o objetivo de relatar a minha primeira experiência no Campus Frassinetti e, talvez, de convencer os mais tímidos e indecisos a aventurarem-se nesta experiência que, na minha opinião, tanto me enriqueceu. No entanto, a verdade é que, assim que cheguei ao colégio e vi tantas pessoas, empalideci de tão nervosa que estava! Pouco depois percebi que não havia aparente razão para tal: já nada ali me parecia estranho, muito pelo contrário, parecia que já pertencia ao grupo há muito tempo. A partir daí posso desvendar uma das palavras que, para mim, melhor descreveu esta experiência-integração, algo que, ao longo dos dias, me apercebi que fazia parte do espírito do Campus, bem como o espírito de entreajuda e de diversão. Mas, tudo isto não seria possível sem as atividades, que nos ajudavam a criar e a fortalecer laços, cada uma à sua maneira. Houve tempo para tudo: visitar Viseu, ir ao encontro de idosos, visitar o centro de pessoas com paralisia cerebral, ir à piscina, aprender a fazer um terço e a rezá-lo, aprender um pouco sobre a história da cidade onde nos encontrávamos, mas sobretudo aprender que Deus está sempre connosco e, para tal, existiam também os momentos de oração. Para concluir, acho que o Campus Frassinetti não é uma experiência que se possa exprimir por palavras, aliás, é por isso que quando saí de lá e me perguntaram pela primeira vez se tinha gostado me desvaneci em lágrimas. Saí de lá com a certeza de que quero voltar e de que fiz amigos dos quais nunca me vou esquecer. Catarina Fernandes, Covilhã Serviço a um Povo em Atouguia (Fátima) - Diocese de Leiria-Fátima “Amas Aquele que verdadeiramente te escuta?”. Foi com esta interpelação que demos início à Missão Serviço a um Povo, este ano em Atouguia. O grupo uniu-se em Fátima onde nos conhecemos e reencontrámos com alegria. No Santuário pudemos entregar a missão a Maria e refletir sobre “o que nos trouxe até aqui”. 7

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Seguimos para Atouguia. A viagem foi pequena, 10 minutos bastaram para chegar ao local onde se realizaria a nossa Missão – O Centro Social e Paroquial de Atouguia, onde fomos recebidos com muito carinho. Após conhecer também o espaço onde iríamos pernoitar – A.R.C.A. - fomos à Missa que o Sr. Padre Fernando Varela celebra semanalmente no Centro de Dia. No domingo fomos apresentados a toda a comunidade, na Missa da Igreja da Atouguia e na Missa da Igreja das Fontainhas. Preparámos em conjunto esta missão que já se adivinhava intensa e com muita entrega. À noite havia festa na aldeia do Vale da Perra! A festa foi tão boa que no dia seguinte lá voltámos, mas desta vez com os idosos do centro de dia após o almoço. Logo aqui percebemos que toda a logística de deslocação dos idosos fora do centro de dia seria uma tarefa muito difícil sem o nosso apoio. Assim durante a semana apoiámos com alegria mais algumas saídas: passeio à praia fluvial do Agroal com piquenique em Caxarias, ida às compras a Ourém e visita ao Santuário de Fátima. Foram momentos de convívio únicos e cheios de afetos. Acompanhámos a equipa do CSPA nas visitas domiciliárias, onde conhecemos pessoas com histórias de vida fascinantes e comoventes. Escutando os mais frágeis e sós, espalhámos gestos de amor: conversámos alegremente, tratámos de hortas, espreitámos fotografias... Na pequena capela do Centro de Dia “pedimos o terço” quase todos os dias da semana, dinamizando este momento de forma simples mas diferente. Todos os idosos faziam questão de lá estar e, de pequena, a capela fez-se enorme para os/nos acolher. Para além destas atividades com os utentes do Lar e Centro de Dia também estivemos presentes no Jardim de Infância onde toda a equipa e crianças nos receberam com sorrisos de alegria. Juntos brincámos, desenhámos, pulámos, cantámos... Conhecemos também os jovens do ATL que, cheios de energia, nos levaram numa caminhada às Fontes onde os jogos de água fizeram as delícias de todos. Na quarta-feira fomos também com eles à praia de S. Martinho do Porto. Foram dias de grande entusiasmo. Esta foi, sem dúvida, uma Missão de Afetos, Entrega, Simplicidade e Gratidão para com todos os que nos acolheram de braços abertos. Obrigada! Em reflexão final reconhecemos que fomos ao encontro da mensagem de Santa Paula: “Sejamos fachos ardentes que iluminem e aqueçam quantos de nós se aproximarem.” Assim continuemos... Carina Bárbara "O serviço é uma experiência diferente todos os anos." Isto foi-me dito por um "veterano" desta missão. Todos os serviços têm os seus aspetos mais positivos e negativos. Assim, como a necessidade de cada população varia de terra para terra, não é possível comparar este tipo de experiências. Mas uma coisa é possível afirmar: este serviço foi especial. Ao todo éramos 12, como as Irmãs diziam, 12 eram os apóstolos e logo aí havia um pressentimento de que a missão iria ser memorável. Quando chegámos, fomos recebidos de forma carinhosa e notava-se uma certa expectativa em relação ao trabalho que iríamos desenvolver. Era, também, percetível que precisavam de um grupo como o nosso para quebrarem a rotina daquele povo, desde logo pelo planeamento prévio de atividades extraordinárias, que apenas foram possíveis por estarmos lá. As várias atividades estavam repartidas por três grupos: Infantário, ATL (crianças do 1º ano ao 7º) e Centro de Dia dos idosos. Toda esta diversidade permitiu que a missão não se tornasse monótona, enquanto num dia estávamos na praia com o ATL, noutro dia estávamos a levar os idosos à Igreja da Santíssima Trindade em Fátima. Além disso, acredito que cada faixa etária nos enriqueceu à sua maneira. Sendo a minha primeira 8

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vez a trabalhar com crianças do infantário, aprendi como é reconfortante fazer rir uma criança com as coisas mais simples. No ATL redescobri como a imaginação torna a vida muito mais interessante, e como dos objetos mais modestos podem sair coisas fantásticas. Por fim, com os idosos aprendemos lições de vida, o dom da aceitação e do agradecimento, que inspiram os jovens. No fim da missão o sentimento de gratidão era mútuo, eles estavam gratos pela nossa presença atenciosa e carinhosa, e nós estávamos gratos pelo seu acolhimento único, dando o que tinham. A prova disso mesmo foi a festa de despedida que organizaram para nós, havendo troca de presentes de ambas as partes. Sendo um aspeto que tocou muito ao grupo, os presentes que os idosos fizeram para nos dar, mesmo sabendo que já íamos receber lembranças dos responsáveis do lar. Também eram notáveis os laços fortes que se estabeleceram desde os funcionários/professores/crianças/idosos/... Aquele clima de amor só podia ter uma explicação: Deus. Sem Ele nada daquilo seria possível. Gratidão, Alegria, Amor e Simplicidade - as grandes lições que levamos para as nossas vidas... José Saraiva Ao longo da Missão deste ano vivenciei de perto a generosidade do povo e da instituição que nos acolheu, uma vez que fomos sempre recebidos de portas e braços abertos e com sorrisos francos e sinceros. Vivenciei a partilha do grupo que viveu comigo esta experiência e com o qual se foi formando uma verdadeira família, com tudo aquilo que as famílias têm de bom e de menos bom também. No final da missão fica-me o sentimento de missão cumprida, por saber que proporcionámos uma semana diferente a todas as pessoas (velhinhos, crianças, funcionárias e pessoas em geral) e da alegria com que nos transmitiram isso mesmo, e de gratidão ao nosso bom Deus, por continuar a desinstalar jovens em prol do Reino. Denise Cunha Tendas na Praia em Quarteira – Diocese do Algarve Durante os dias 6 a 14 de Agosto, um grupo de jovens de vários sítios do país (Porto, Pinhel, Moura, Lisboa e Loulé) de várias idades (desde os 17 anos até aos 25 anos) ficou alojado no centro Paroquial em Quarteira. Estes jovens foram acompanhados por 4 Irmãs Doroteias (Irmãs Ida, Francisca, Arminda e Alcina), e com elas se realizou uma missão com nome de Tendas na Praia. “Eu inscrevi-me por curiosidade e porque a minha mãe insistiu, confesso que ia um pouco receosa, pensava que não ia gostar porque não pratico muito a nossa religião, mas com o passar dos dias dei por mim a sentir-me bem a cada passo e nova actividade. Parece estranho, mas é verdade…” 9

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Nessa semana na Quarteira, realizámos várias actividades entre as quais: uma oração cada manhã, isto é, de manhã cedo pelas 8:30h deslocávamo-nos à praia em frente ao hotel D. José para iniciarmos o dia, rezávamos, cantávamos e no final de cada oração entregávamos uma mensagem associada; acompanhamento e serviço na cantina social, que consistia em ir por equipas pequenas e acompanhados por uma Irmã, à hora do almoço por volta das 12:20h à cantina social ajudar as funcionárias a servir os sem abrigo e cada utente da cantina e no final, todo o grupo se juntava para almoçar. Também realizávamos provocações, isto é, provocações no sentido bom em que fazíamos manifestações de acordo com o tema dado. Realizávamos também as orações de Taizé, pela escuta e pela paz, à noite na praia junto do hotel D. José. E, por fim, as actividades abertas à comunidade, onde convivíamos com as pessoas, cantávamos, dançávamos entre outros. Também nos dirigimos, no penúltimo dia, ao Lar da 3ª Idade em Quarteira, onde convivemos e passámos um bom bocado com os Idosos e, claro, também estivemos no ATL onde animámos e brincámos com as crianças que ali permaneciam. “Eu gostei muito de realizar esta missão não só pelas actividades que me foram propostas, mas também pelas amizades que fiz, que foram imensas. Através desta missão, Tendas na Praia, aprendi a valorizar mais as coisas, nomeadamente a comida, também aprendi que Deus não decide as nossas férias e que Deus não é só o facto de irmos à missa é muito mais do que isso tudo, basta acreditar e acima de tudo ter FÉ.” M.ª Inês Morgado Vicente, Pinhel Esta missão, Tendas na Praia, teve algumas conquistas especiais: este ano tudo foi sonhado e criado por uma equipa que integrou irmãs e jovens que realizaram a missão. Partimos do tema: Dar vida escutando, e através deste tema se criaram todas as orações, se escolheram todas as leituras, salmos, músicas e símbolos, e ainda houve espaço para ilustrações originais a acompanhar as orações de cada dia. As mensagens e os símbolos foram pensados com base no ciclo de dar vida a uma planta, tudo o que é preciso: vaso, terra, água, adubo, sol, ar, sementes. Tudo ganhou vida pelas mãos e arte de muitas pessoas; irmãs e jovens lado a lado, sonharam e fizeram tudo com muito carinho. Sentimos que o Senhor abençoou esta equipa: Joana Santos, Marta Félix, Marta Sebastião, Marisa Rosa, Rita Barata e Sara Soares com as irmãs. Destacamos a generosidade e entrega da Sara Soares que, com espírito missionário (jovem que fez a missão Brasil em 2015), fez os símbolos de 2 dias e desejou muito estar connosco na missão, mesmo que fosse só alguns dias, mas infelizmente o trabalho como enfermeira no Hospital de S. João não lhe deu “folga”, esteve de outro modo! Além disso, tivemos ainda, uma avaliação diária em jeito de Exame de Consciência (O que mais agradeço?/ O que foi mais forte?/ Do que peço perdão?); esta partilha serviu, agarrou cada dia, ajudou a descobrir Deus e ao mesmo tempo, gerou no grupo profundidade e comunhão. Não podemos esquecer a equipa logística que desde a primeira hora nos abriu portas lá e preparou tudo antes, a culminar com a preparação da tenda. Obrigada às Irmãs Céu e Alcina em conjunto com as Jovens Beatriz, Ariana e Rita. 10

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A grande novidade sonhada para a missão foi realizar uma Missa campal junto ao mar, que pudesse encerrar a missão e ser uma “provocação” de fé para quem está de férias. A verdade é que foi uma Eucaristia muito participada, feliz, celebrada, feita na entrega de tantas e tantos no escondimento e pautada pelo encanto do silêncio que nos fez ouvir o mar... Ouvir Deus... agradecer tudo, mais ainda sendo dia de celebrar a fundação (12 de Agosto). A nossa gratidão de modo especial a toda a Paróquia da Quarteira e ao Pe. Joaquim Campôa, pelo excelente acolhimento, envolvimento da comunidade paroquial e abertura de todas as estruturas da paróquia e da Junta de Freguesia, para que a missão acontecesse pela 11ª vez! Agradecemos ainda todas e todos os que nos acompanharam na força da oração, que seguiram a missão dentro e fora! No coração transborda a alegria semeada, a fortaleza e profundidade do grupo, um povo que nos acolheu, entre orações e mensagens no calçadão, noite e dia, Confissões, Oração de Taizé, convívios, brincadeiras e “provocações” de rua e, para terminar, a primeira missa campal na praça do Mar... E, finalmente, nasceu o Hino da missão, com o esforço de todas: 12 jovens e 4 irmãs: Juventude Doroteia animar Quarteira; Cristo anunciar prá tua fé alimentar! Cristo anunciar prá tua fé alimentar! Vimos de vários sítios de norte a sul do país, De coração aberto pra te fazer feliz! De coração aberto pra te fazer feliz! Ref: Vamos todos juntos ao encontro dos irmãos; Dar Vida escutando vamos dar as mãos! (2x) Orações e mensagens P'lo calçadão noite e dia, Camisolas amarelas A espalhar a alegria! Camisolas amarelas A espalhar alegria! Missão Brasil 1ª Semana Chegámos! Foram meses de trabalho, esforço e entrega, meses repletos de generosidade, amizade e graça, que nos permitiram chegar a esta terra como missionários da família Doroteia. Desde logo fomos recebidos calorosamente pelo clima e pessoas do Recife. Fomos conduzidos pela carrinha “pão de forma” e pela amizade das Irmãs, que nos abraçaram à chegada, até àquela que viria a ser também a nossa casa. Esta primeira semana foi a semana das “estreias”, semana de… …CONHECER uma realidade diferente e de contrastes, a realidade calma e bela de Olinda contrastando com a agitação e ruído do Recife; … APRENDER palavras (“Oxenteee!”), caminhos do dia-adia e culturas tão vivas no artesanato e na alegria do frevo ou do maracatu; 11

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… SABOREAR paladares e, sendo a lista extensa, deixaremos apenas uma amostra do que tem sido a experiência culinária: paçoca, bolo de macacheira, frutas tropicais, pão de queijo, bolo de rolo, mungunzá; … VIVER momentos e encontros interculturais, na Fundação CECOSNE, com os miúdos e graúdos, e nas Jornadas Arquidiocesanas da Juventude, viver silêncios rezados e brincadeiras; … ABRAÇAR antigas amizades e a comunidade das “manas”, o projeto CECOSNE onde desejamos ser mão construtora numa rede de relação maior; … SER comunidade missionária, “amigos no Senhor”, ao jeito de Santa Paula – em simplicidade trabalhar – como aprendizes de viajante. A fazer lembrar o Sérgio Godinho, “esta é a primeira semana do resto da nossa missão”. 2ª semana A missão continua! Aqui vos deixamos novamente notícias fresquinhas (como água de côco!) directamente do Recife! Nesta segunda semana tivemos oportunidade de conhecer novos projetos, começando pelo Movimento Pró-Criança. O Sr. Eng. Sebastião Barreto Campello, pai desta instituição, apresentou-nos a identidade da iniciativa. Na sua humildade, foi uma pessoa que nos inspirou, de forma incomparável, a ser missionários mais coerentes e sonhadores. Com 89 anos, continua a desejar melhorar as oportunidades da juventude brasileira mais carenciada. O seu sonho de tirar todos os jovens das ruas do Recife tornou-se cada vez mais real após a criação deste movimento, que procura formar as crianças abandonadas através de algumas atividades que pudemos conhecer, como o grupo coral, as aulas de judo, as artes e a tecnologia. “Aquele que passa na minha frente é minha responsabilidade social” No início da semana, as aulas no CECOSNE apresentaram algumas dificuldades, pelo que foi importante estabelecermos uma estratégia de grupo mais direcionada às necessidades dos jovens e aos objetivos da missão. Aos poucos, vamos descobrindo como trabalhar de forma coesa, percebendo os dons que cada um de nós pode trazer à Missão do grupo. Durante a semana, tivemos vários convites fora do contexto do CECOSNE. Visitámos a feira de tecnologia dos Maristas, um evento no qual é ensinada a tecnologia como meio de desenvolvimento de competências dos jovens carenciados. Tivemos também a oportunidade de ir à Missa com diferentes comunidades, como foi o caso da FAFIRE, num dia em que conhecemos as instalações da faculdade, e da Fraternidade dos 12

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Irmãos do Caminho no dia de Santa Clara de Assis. Por fim, participámos na missa do Real Hospital Português no dia do pai, 13 de agosto, onde conhecemos o provedor, o senhor Alberto, Português no Brasil desde os 15 anos, que nos convidou para um generoso café da manhã. “Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa, por isso aprendemos sempre alguma coisa”. Paulo Freire Outro ponto marcante foi a visita à casa de Dom Hélder Câmara, importante arcebispo do Recife e Olinda que mudou a história do Brasil por defender os direitos dos pobres e oprimidos durante a ditadura, prestando-lhes auxílio. Entre os vários momentos da sua vida que marcaram o país encontramse a fundação do Conselho Nacional de Bispos Brasileiros, as suas quatro nomeações para prémio Nobel da Paz e a fundação de vários movimentos dentro da diocese, coerentes com os seus valores de igualdade e dignidade para os pobres. Dom Hélder foi uma voz que denunciou as injustiças apesar de várias vezes ter até posto a sua própria vida em causa para defender os “pobres de Cristo”. “Se a fé não tem um dever social, ela é vazia” Entretanto, a Festa da Família, no Cecosne, aproxima-se e cresce também a nossa vontade de tornar este dia especial (é já dia 19!). Começámos a pôr em prática projetos já idealizados, com base no tema “Diferentes mas irmãos”, decidido com as crianças e jovens. Iniciámos a pintura de um mural e estamos também a preparar outras atividades para tornar o dia memorável para todos. Sábado foi dia de festa pela data em que Santa Paula fundou a Congregação! O dia foi também muito especial pelo facto de a Irmã Goreti, que nos tem acompanhado com tanto carinho, ter celebrado a data dos seus votos perpétuos. Começámos a manhã com uma missa onde estiveram todas as Irmãs do Recife, seguida de um almoço com as Irmãs da comunidade da FAFIRE. Festejámos a alegria das irmãs, mas elas deram-nos também os parabéns, fazendonos sentir Juventude Doroteia. No final de uma semana tão preenchida, a ida à praia da Piedade no domingo permitiu-nos descansar e estar em grupo a desfrutar para restabelecer forças. O que sentimos nesta semana foi muito diferente do que vivemos na anterior. Se a primeira semana foi para conhecer e experimentar, esta serviu para nos re-situarmos na missão e percebermos o nosso papel pessoal e enquanto grupo. Damos graças por termos conseguido descobrir o que significa ser com outros! 3ª semana Começámos a segunda-feira com um dia de trabalho no CECOSNE e acabámo-la de uma forma impactante: tínhamos sido desafiados pela Nalva (grande amiga desta missão e o braço direito do Sr. Eng. Sebastião Barreto Campello, no movimento Pro Criança) a participar na Pastoral de Rua com a Fraternidade do Caminho (caracterizada pela sua espiritualidade Franciscana e entrega aos pobres). A pastoral consiste numa saída noturna pelas ruas do Recife onde, juntamente com vários jovens que têm como grande objetivo ser presença entre os 13

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pobres, aproveitámos o momento para distribuir comida entre eles. Este foi um dos momentos em que o grupo mais viveu o sentido de missão, pois apesar de termos vivenciado diferentes sentimentos (raiva, liberdade, entrega, revolta, repugnância, gratidão, tristeza...) acabámos por perceber que o mais importante é “ir à rua para encontrar Cristo na miséria, não para ver o pobre”. Terça-feira foi outro dia de conhecer novas realidades: fomos convidados a conhecer o Sítio do Berardo, uma das ZEIS (Zona Especial de Interesse Social) vizinha do CECOSNE, que nos foi apresentada pelo coordenador geral Ângelo Felipe. Ouvimos uma pequena introdução sobre como este ZEIS surgiu e de seguida visitámos alguns locais emblemáticos como a Casa da Comunidade do Berardo, o Jokey Club Recife (do qual a comunidade nunca pode usufruir), a creche CMEI Alcides Tedesco (marcada pelo reaproveitamento da antiga Fábrica Têxtil que foi o local de trabalho de muitos residentes daquela área), entre outros. Foi impressionante ver como esta pessoa, que nada tem, dá tudo o que tem àquela comunidade e afirmava-nos: “Aqui no Brasil funciona assim: quem tem tudo não dá nada, quem não tem nada ajuda quem ainda tem menos que nada.”. Os restantes dias foram passando com as preparações para a festa das famílias e, entre correrias e suspiros, com uma pitada de desespero pelo meio, chegou o tão esperado Sábado. Enquanto os “mais pequenos” iam chegando, nós continuávamos a suspirar com as decorações e a Irmã Goreti com as horas! Visto que S. Pedro passou a noite e a manhã a tentar assustar-nos, decidimos realizar a festa na quadra (campo de futebol). A manhã passou-se com uma gincana (caça ao tesouro, futebol com os pés amarrados, bowlling com latas e corrida de balões), origamis, batismo da capoeira, show de talentos aos quais todos aderiram e realizaram com bastante alegria. Enquanto isto, as famílias tiveram uma pequena formação com a Irmã Fabiana sobre a importância da família no dia-a-dia dos Jovens. Terminámos a manhã com um momento de oração e uma grande feijoada que a direção do CECOSNE fez questão de oferecer e servir a todas as famílias presentes. Acabámos este Sábado de trabalho com uma visita à Casa da Cultura, antiga prisão da época dos Portugueses, onde transformaram as celas em lojas de artesanato, acompanhados da nossa querida amiga Raquel. Para terminar a semana em grande, convidámos a Nalva e a sua família para almoçar em nossa casa, um almoço típico português confecionado pelos melhores cozinheiros de comida Portuguesa do Recife: NÓS!!! Passámos a manhã entre tachos e panelas, tábuas e facas, bacias e batedeiras. Uns nas batatas, outros nas couves, outros no arroz e outros no bacalhau. Não foi trabalho fácil, principalmente o picar a couve miudinha, mas a coisa lá foi fluindo e aproveitámos para saber um bocadinho mais sobre a cozinha portuguesa. De entrada servimos um belo caldo verde com um toque especial de linguiça calabresa (chouriço), seguido do prato principal: Pataniscas de bacalhau. Entre conversas e mais conversas o almoço foi correndo e deixámos aqui uns verdadeiros apaixonados pela nossa gastronomia (apesar de descobrirmos que em São Paulo existe o mesmo caldo verde, mas certamente não terá o gostinho do nosso). Com algumas saudades de casa, principalmente depois destes petiscos, vamos continuando a nossa missão e aguardamos ansiosamente todas as vossas respostas de carinho. 4ª semana Este mês de Agosto é, em terras brasileiras, o mês das vocações! Não deixa de ser curioso, sendo a vida missionária também ela uma vocação, que a nossa vinda tenha coincidido com este mês. A semana sobre a qual vos escrevemos foi dedicada à Vida Consagrada. Participámos na Expo Carisma, promovida pela FAFIRE, onde marcaram 14

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presença as diversas congregações sediadas no Recife. Perdemos a hora no primeiro dia da feira, chegámos quase no fim, mas compensámos, depois, no encerramento, com a Eucaristia presidida por Dom Antônio Tourinho Neto, que abençoou os consagrados e os missionários Portugueses presentes (nós que vos escrevemos). A vida no CECOSNE foi bastante dinâmica, esta semana. Começámos com um momento improvisado, no qual, perante a necessidade de dinamizar parte da tarde dos pequenos, projetámos o filme “Circo Borboleta”. Daqui resultou um momento surpreendente em que os pequenos partilharam o que o filme os fez sentir, tal e qual gente grande. Sentíamos há já algum tempo a ansiedade de conhecer o contexto familiar dos “nossos” meninos e meninas. Esta semana, tivemos oportunidade de ir às comunidades em que eles vivem - Mangueira da Torre, sítio do Cardoso e sítio do Berardo. Conhecer as famílias, o local e o modo como vivem ajudou-nos a melhor compreender e, assim, melhor amar estas crianças. Em oração, elegemos aquele que foi, é e será o “mandamento” da nossa missão: DEIXA-TE AMAR, PARA AMARES! Foi uma semana extraordinária, uma semana de SERMOS para os outros, mas também uma semana de SERMOS para nós, semana de fortalecer laços, partilhar momentos e deixarmo-nos amar uns pelos outros. Daremos, em breve, notícias dos últimos capítulos desta nossa história de missão no Recife. Um abraço dos oito, Beatriz, Catarina, Ir. Goreti, Joana Gonçalves, Joana Oliveira, Joana Serôdio, Maria e Rafael Lisboa – Externato do Parque Neste final do ano, quisemos continuar a embelezar o nosso espaço de recreio com mais dois painéis que os nossos meninos pintaram e nos lembram episódios da vida de Santa Paula. O pré-escolar recorda-nos a cena em que Santa Paula dá água aos garibaldinos e, apesar de serem inimigos, lhes diz: "Enquanto houver água para nós, também há para vós". O outro mostra-nos a confiança que Santa Paula tinha em Deus e a força da oração. Ela vê Roma a arder bem perto do colégio e, confiando que nada vai acontecer às meninas e às Irmãs, vigia toda a noite. Santa Paula Frassinetti vai-se tornando mais presente no nosso espaço de recreio. Para o ano há mais... 26 de Julho, dia de S. Joaquim e Santa Ana, foi escolhido para a nossa Eucaristia de Ação de Graças pela vida partilhada das sete Irmãs que este ano, partem numa nova Missão ao Serviço do Reino. As Irmãs: São Reis e Silva (Coimbra), Elvira Reis (Porto ESE), Isabel Hall (Lisboa-Casa Paula), Maria de Jesus Gonçalves (Porto-Paz), Ana Loureiro (Linhó), Aldora Silva Branco (Linhó) e Rosa Oliveira (Viseu), deixamnos o seu testemunho de vida, foram sementes nas nossas vidas que queremos ver germinar para sermos mais vida e podermos continuar todo o trabalho lindo que fizeram no Colégio, com os Meninos e suas Famílias. Estiveram em Comunhão connosco a Irmã São Oliveira (Coordenadora Provincial), antigos colaboradores do colégio e os pais que fazem parte do Conselho Pedagógico. 15

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