Tribuna do Piracicaba - A Voz do Rio

 

Embed or link this publication

Description

Bacia do Piracicaba - Agosto de 2017 - Edição 232 - Ano XXIV

Popular Pages


p. 1

Bacia do Piracicaba Agosto de 2017 Edição 232 – Ano XXIV Distribuição Dirigida Gratuita Nas Bancas - R$2,00 FOTO: Cachoeira de Sant´Ana, conhecida como Cachoeira da Santa, em Catas Altas. Há alguns anos ela deixou de ser perene, vindo a secar no inverno. Um alerta triste e trágico: “Se não souberem usar, vai faltar”. O rio na vida de Jean Monlevade Em 1817 chegava ao Brasil o engenheiro Jean Antonie Félix Dissandes Monlevade. Em 1818 o jovem e nobre francês escolhia São Miguel do Piracicaba, às margens do rio, para implantação de seu empreendimento. Em 10 anos construiu seu solar, casou-se e fez chegar, através do Rio Doce e do Piracicaba, os equipamentos para montagem das Forjas Catalãs, dando origem a siderurgia brasileira. Página 6, 7, 8 e 9 CAAA-DGEUA QUE ESTAVA AQUI? O que até pouco tempo era “papo” de ambientalista “chato”, virou realidade e a cada dia vem se agravando – a falta d´água. Cidades até então ricas em mananciais já sofrem os efeitos da crise hídrica e a tendência, caso medidas drásticas não sejam tomadas, é piorar. Página 11 Fim dos esgotos? Se depender dos incentivos dos governos federais e estaduais, do empenho dos Comitês Hidrográficos e da urgência para salvar os rios, os esgotos lançados in natura nos cursos d´água estarão com os dias contados. Agora só faltam os chefes dos executivos municipais e vereadores se empenharem em prol dessa causa. Vejam os incentivos a quem quer fazer e penalidades a quem resiste. Páginas 3 e 10

[close]

p. 2

2agosto de 2017 DOIS RIOS, DUAS CARTAS Estes textos foram publicados com um intervalo de 10 anos. Trata-se de um diálogo dos Rios Piracicaba e Rio Doce através de cartas que um escreveu ao outro. A primeira em 1997 e a segunda em 2007. Foto tirada em 2007, por Júlio Madeira, mostra o rio Piracicaba barrento encontrando com o Rio Doce, de águas claras... Expediente: Tribuna do Piracicaba a voz do rio • Diretor Responsável: Geraldo Magela Gonçalves • Diretor Geral: Rafaela Iara Pantuza Gonçalves • Comercial: dindao@bomdiaonline.com (31) 9 9965-4503 Lélio Costa e Silva, autor das Cartas CARTA DO RIO PIRACICABA PARA O RIO DOCE Lélio Costa e Silva Ipatinga, 1º de fevereiro de 1997. Prezado Rio Doce Não queria ir ao teu encontro assim: desprevenido e desmascarado às vésperas de uma comunhão que sonhei translúcida. Como todo amigo, queria te levar a pureza. Mas fiquei amortecido pela viuvez das copas das árvores e encostas ulceradas. Como você, eu também quis ser um manancial em gratuidade, porque a suprema vocação das águas é sempre levar a cura e a vida. Mas, repito, não queria ir ao teu encontro desse jeito: lacrimejante, em astenia, sem o milagre dos peixes. Aliás, tinha reservado para você uma declaração de amor mais ou menos assim: “o doce perguntou para o doce, qual era o doce que era mais doce. O doce respondeu ao doce que seria o Rio Doce...” Bem que quis enamorar das cidades por onde passei, mas elas não entenderam... No entanto, mesmo sem identidade, continuo a insistir com a minha paisagem cada vez mais resumida. Mesmo porque todas as águas são obstinadas. Mas, se um dia as matas ciliares e o encanto voltarem, juro que retirarei do penhor a esperança... Por enquanto, perdoa-me por te trair. Rio Piracicaba • Diagramação/Arte: Sérgio Henrique Braga • Impressão: Gráfica Bom Dia • Representante Comercial: Super Mídia Brasil - BH Redação e Administração Rua Lucindo Caldeira, nº 159, Sl. 301, Alvorada, CEP.: 35930-028 João Monlevade / MG / Brasil (31) 3851.3024 • A Voz do Rio Online: www.tribunadopiracicaba. com Circulação: Bacia Hidrográfica do rio Piracicaba FUNDADO EM FEVEREI- RO DE 1994 Razão Social : Rafaela Pantuza Gonçalves CNPJ: 13.970.485/0001-98 Inscrição Estadual : Isenta Inscrição Municipal 123470CNPJ.: 24538633/0001-16 Todos os Direitos Reservados dindao@bomdiaonline.com RESPOSTA DO RIO DOCE AO RIO PIRACICABA Lélio Costa e Silva Ipatinga, 4 de março de 2007. Prezado Rio Piracicaba Dez anos depois posso responder-te: Se as minhas águas não melhoraram deves continuar a acreditar na consciência das pessoas. Mesmo que elas reservem para ti o pior do humano: o escárnio, o cuspe, o excremento e a maldade. A traição não é propriamente tua. É bom que mantenhas tua esperança no penhor, ainda. Convém esperar a mudança de atitude dos cidadãos, empresas e governantes, agora unidos em comitês. No entanto, há um sinal de percepção social das águas pelos povos desta bacia através do coração e, por isso mesmo, continue tentando se enamorar das cidades - haverás de despertá-las pela ternura. Elas saberão que as águas são livres e que os rios sempre foram educados para a adversidade das corredeiras, regatos, quedas e remansos – esculpir pedras e desenhar paisagens é da nossa natureza. Mais fácil do que enfrentar a ignorância, a omissão e o preconceito. Mas haverá um tempo em que nada mais será assim. Efêmeras ações darão lugar à sinceridade. As águas negligenciam discursos áridos e vazios, depositados como lixo nas margens dos rios. E a nossa comunhão finalmente será translúcida, mesmo porque a palavra Cristo em grego significa peixe, emblema da fé. Por enquanto nosso encontro permanece adiado. Um dia eles descobrirão que a vida e o rio são os mesmos. Rio Doce Imagem do Google, recente, mostrando a inversão ... o Piracicaba mais claro e o Doce com suas águas barrentas Da redação Sugerimos ao senhor Lélio que, passados mais 10 anos, escrevesse mais uma carta - falando das mudanças de papeis, já que, tão logo a tragédia da Samarco abateu-se sobre o Doce, o Piracicaba veio imediatamente a seu socorro, continuando até então o provendo de águas não tão poluídas quanto as que a Samarco deixou para o Doce. Ele nos informou que irá providenciar uma nova carta.

[close]

p. 3

3agosto de 2017 CBHs do Rio Doce investirão 27 milhões em saneamento na bacia SERÃO ELABORADOS PROJETOS DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO E ABASTECIMENTO DE ÁGUA PARA MUNICÍPIOS DA BACIA. PRAZO FINAL PARA MANIFESTAÇÃO DE INTERESSE É 22 DE SETEMBRO As administrações municipais das 228 cidades que compõem a Bacia Hidrográfica do Rio Doce terão até o dia 22 de setembro para manifestar interesse na participação de ações, com foco na melhoria dos serviços de saneamento, desenvolvidas pelos Comitês da bacia. Ao todo, cerca de R$ 27 milhões serão investidos na elaboração de projetos de Sistemas de Abastecimento de Água (SAAs) e Sistemas de Esgotamento Sanitário (SESs), por meio dos programas de Saneamento da Bacia (P11) e de Universalização do Saneamento (P41). As atividades são desenvolvidas com o recurso da cobrança pelo uso da água, recolhido pelos Comitês da Bacia do Rio Doce. Os municípios terão até o dia 22 de setembro para enviar propostas, que serão avaliadas conforme critérios de hierarquização e desempate, previstos no edital de chamamento. Entre as exigências estão a comprovação de regularidade da outorga e do pagamento pelo uso da água. As demandas poderão ser de qualquer natureza, desde que sejam referentes aos sistemas municipais de abastecimento de água e aos sistemas municipais de esgotamento sanitário, localizados nas sedes ou núcleos populacionais urbanos. Será possível inscrever um projeto em cada modalidade (água e esgoto). Mais informações podem ser obtidas através do link: http://www.cbhdoce.org.br/wp-content/ uploads/2017/08/Edital-de-Chamamento-P%C3%BAblico-SAA-e-SES-v6.pdf Diretoria do CBH Piracicaba visita obras da ETE de Fabriciano/Timóteo Dindão Na foto, a diretoria do CBH Piracicaba com o representante da Copasa e conselheiro do Comitê Guilherme Saliba A Diretoria do CBH Piracicaba promoveram na última sexta-feira, 1 de setembro, uma visita às obras da construção da Estação de tratamento de Esgoto de Coronel Fabriciano e Timóteo. Estimada em mais de R$70 milhões, a ETE, que deverá entrar em operação no segundo semestre de 2018, é uma parceria do CBH Piracicaba e Copasa, através do Programa Prodes (Programa de Despoluição de Bacias Hidrográficas). O Apoio do CBH Piracicaba foi aprovado em ple- nária do Comitê destinando R$ 1.405.000,00 (um milhão e quatrocentos e cinco mil reais), oriundos da cobrança pelo uso da água na Bacia. O PRODES - Programa de Despoluição de Bacias Hidrográficas Criado pela Agência Nacional de Águas (ANA) em março de 2001, o Programa Despoluição de Bacias Hidrográficas (Prodes), também conhecidas como “programa de compra de esgoto tratado”, é uma iniciativa ino- vadora: não financia obras ou equipamentos, paga pelos resultados alcançados, ou seja, pelo esgoto efetivamente tratado. O Prodes consiste na concessão de estímulo financeiro pela União, na forma de pagamento pelo esgoto tratado, a Prestadores de Serviço de Saneamento que investirem na implantação e operação de Estações de Tratamento de Esgotos (ETE), desde que cumpridas as condições previstas em contrato. Menos de 20% do esgoto urbano recebe algum tipo de tratamento, o restante é lançado nos corpos d água “in natura”, colocando em risco a saúde do ecossistema e da população local. O incremento da carga orgânica poluidora nos corpos d’ água leva à escassez de água com boa qualidade, fato já verificado em algumas regiões do país Os municípios terão até o dia 22 de setembro para enviar propostas que incluem sistemas municipais de esgotamento sanitário

[close]

p. 4

4agosto de 2017 A Prefeitura de Catas Altas empossou, no último dia 16 de agosto, os novos membros do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS), de acordo com o Decreto 156/2017, de 8 de agosto de 2017. O evento aconteceu no Casarão Dr. Moreira e contou com participação de cerca de 40 pessoas. O Conselho tem por objetivo assegurar a participação efetiva dos segmentos promotores e beneficiários das atividades agropecuárias desenvolvidas no município. Fazem parte do CMDRS assessores do prefeito; representantes das secretarias de Agricultura e Meio Ambiente, Educação e Saúde; Câmara; Emater; Associação dos Produtores de Vinho, Agricultores Familiares e Outros Produtos Artesanais de Catas Altas (Aprovart); Associação Comunitária do Bem-Estar de Catas Altas (Acbeca); Banco do Brasil; produtores familiares das comunidades de Valéria, Paciência, Mato Grosso, Biletos, Bittencourt, e Morro D’Água Quente; e sindicato dos trabalhadores rurais de Catas Altas. Os novos conselheiros terão mandato de dois anos, podendo ser reeleito por igual período. Recuperação de áreas degradadas Na ocasião, o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Reginaldo Nascimento, aproveitou para dar recados e apresentar algumas ações que estão sendo desenvolvidas para melhoria das comunidades da zona rural, entre elas, o trabalho de recuperação e preservação de nascentes e áreas degradadas. De acordo com Nascimento, o cidadão que tiver algum espaço que precisa de intervenção deve fazer uma inscrição na Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente. O Instituto Espinhaço, por meio de uma ação em parceria com a Prefeitura, Catas Altas empossa Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável e promove curso de recuperação de nascentes e áreas degradadas irá fazer a análise e o trabalho necessário, através de um programa que vai contemplar 40 hectares dentro da área do município com a distribuição e o plantio gratuitos de 45 mil mudas. Barraginhas O secretário ainda informou sobre um curso de construção de barraginhas que será realizado no dia 5 de setembro em Sete Lagoas e voltado para os produtores. “Essa ação vai contribuir para o reabastecimento dos lençóis freáticos, com intenção de minimizar o problema de falta de água nas comunidades”, justifica Reginaldo Nascimento. Recuperação e Proteção de Nascentes Um curso de Recuperação e Proteção de Nascentes, em parceria com o Senar foi promovido em agosto. Durante três dias, os participantes tiveram aulas teóricas sobre projetos hidro ambientais, ciclo d´água, descrição do trabalho, objetivo principal da ação, lei das florestas, Cadastro Ambiental Rural (CAR), Programa de Recuperação de Nascentes (PRA), Área de Preservação Permanente (APP´s), manejo de APP´s, recomposição APP´s, e lei das águas. A parte prática foi realizada na zona rural, no sítio Córrego da Lage e na fazenda Bom Sucesso. Na ocasião, foi feito um trabalho de recuperação da nascente (nomeada como Micro bacia Córrego Lage), gerando para a família 727 litros de água por dia. Secretário de Meio Ambiente Reginaldo Nascimento fala ao Conselho recém empossado Participantes durante atividade prática em campo visando recuperação de nascente na Micro Bacia do Córrego Lage Justiça Eleitoral de olho nos vereadores Uma antiga prática dos vereadores da região, conhecida como “Política de Varejo” parece estar com os dias contados. A Justiça Eleitoral vem aumentando o cerco a essa velha “mania” dos políticos do interior e vem efetivamente processando e em muitos casos eliminando da atividade parlamentar esses maus políticos. O fato se dá quando os políticos, principalmente vereadores, atendendo os eleitores, pagam para estes contas de água, luz, ajudam em transporte, viagens e as mais variadas formas de corrupção que, aos olhos da TER, não passam de uma “compra de votos velada”. Se por um lado muitos vereadores usam dessa artimanha, o eleitor aproveita também dessa “boa vontade” do vereador e acaba participando dessa forma de corrupção, achacando todos os edis, mesmo aqueles que não são fãs da prática. Não é novidade e nem surpresa ver eleitores cercando vereadores em toda região, antes das reuniões dos legislativos, solicitando apoio financeiro para as mais diversas necessidades. Vale ressaltar que os edis precisam mudar de hábitos caso queiram continuar em suas atividades parlamentares.

[close]

p. 5

5agosto de 2017 João Monlevade tem pelo menos dois focos de incêndio por dia Nos últimos 30 dias, pelo menos dois focos de incêndio são registrados diariamente em João Monlevade. O fogo atinge principalmente a área urbana e adjacente. Nesta semana, parte do Parque do Areão foi consumida pelas chamas e o fogo só foi controlado depois que moradores da redondeza usaram mangueiras para conter o avanço do incêndio. O tempo seco favorece a propagação das chamas e para minimizar os danos causados pelas queimadas, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) vem desenvolvendo ações de prevenção e conscientização nas escolas do município e junto à sociedade como um todo. Os dados são da Assessoria de Comunicação da Prefeitura que informou também que está em curso uma parceria com o Setor da Previncêndio de Belo Horizonte para capacitar equipes de voluntariados para se tornarem brigadistas em João Monlevade. Broto da Vida Parceria com os estagiários do Projeto Broto da Vida, que realizam abordagens quanto a prevenção e combate às queimadas e focos de pequenos incêndios, também tem contribuído para conscientização dos problemas causados pe- Monlevade há quase 80 dias e não há previsão de chuva para os próximos 15 dias. A secura con- tinua e o alerta é para a umidade do ar, que tem ficado entre 20% e 12%, muito abaixo do reco- mendado pela Organi- zação Mundial de Saúde (OMS) que é de 60%. Por conta do tempo seco, a Secretaria Municipal de Saúde recomenda a ingestão de líquidos e a hidratação das vias res- piratórias com soro fisio- lógico. “Quando chega a noite, a concentração Durante o mês de agosto foram registrados mais de 60 focos de incêndio em Monlevade da poluição aumenta e quem tem problemas las queimadas. ou floresta: reclusão, de janeiro a março 66 pa- atendimentos das mes- respiratórios sente. Uti- dois a quatro anos, e mul- cientes foram atendidos mas doenças foram de lizar um umidificador Crime ta. Se o crime é culposo com diagnósticos de 108 pacientes e, nos últi- de ar no quarto ou co- (sem intenção), a pena é asma, bronquites, rini- mos dois meses os casos locar uma toalha úmida O artigo 250 do Código de detenção de seis meses tes, pneumonia, traquei- já chegam a 41. na cabeceira da cama Penal estabelece, para a um ano, e multa. tes, otites e faringites, pode ajudar”, orientou a quem provocar incên- Denúncias podem ser todas essas relacionadas Secura continua secretária de Saúde, An- dio, expondo perigo à feitas à Secretaria de ao clima seco. De mar- dréa Peixoto, por meio vida, à integridade físi- Meio Ambiente (3852- ço a junho, o número de Não chove em João de sua assessoria. ca ou ao patrimônio de 3151) ou Polícia Mili- outras pessoas, possi- tar de Meio Ambiente bilidade de reclusão de (3859-2661). três a seis anos e multa. As penas aumentam em Atendimentos na um terço, em situações saúde aumentam como a de o crime ser cometido para obter van- A inalação da fumaça, tagem pecuniária; ou se juntamente com o tem- o incêndio é em locais po seco, acaba causando como casa habitada ou principalmente doenças destinada a habitação, respiratórias e conse- lavoura, pastagem, mata quentemente a procura ou floresta, por exemplo. por atendimento médico Na lei dos crimes ambien- aumenta. tais (lei nº 9.605/1998), Para se ter uma ideia, também há previsão es- dados repassados pela pecífica de penalidade, no Assessoria de Comuni- artigo 41, para quem pro- cação do Hospital Marvocar incêndio em mata garida, apontam que de A inalação da fumaça, juntamente com o tempo seco, acaba causando principalmente doenças respiratórias. Bebês e idosos são os que mais sofrem SH

[close]

p. 6

6agosto de 2017 1817 – 2017: Jean Monlevade e o rio Piracicaba Há 200 anos chegava à região o engenheiro francês Jean Monlevade e o rio Piracicaba foi um dos principais motivos que o levaram a escolher São Miguel do Piracicaba para fincar suas forjas. O rio foi peça chave para escolha do local, portanto a usina atual e a cidade de João Monlevade devem ao Piracicaba suas existências. O rio, além de fornecer energia para fazer operar equipamentos, serviu como estrada naquela época para transporte dos equipamentos, foi fonte de alimento entre outras utilidades essenciais à atividade metalúrgica. Nesses 200 anos a relação entre o rio e a usina nem sempre foi harmoniosa. Nesse tempo, enquanto o rio oferecia insumo básico à atividade metalúrgica, além de força motriz para geração de energia, recebia em contra partida o desmate de suas margens, desmate de suas nascentes, poluição, assoreamento de seu leito, esgoto entre tantas outras formas de violência. Hoje, moribundo, o rio começa a receber especial atenção, já que, sem ele, a vida e as atividades siderúrgicas ficarão bem mais difíceis. Mudança de rumo Como parte de um amplo Programa de Proteção Ambiental, hoje a Usina de Monlevade, capitane- A usina e o rio. O rio e a usina. Inseparáveis desde a implantação da semente Catalã no século XIV. ada pela ArcelorMittal Monlevade, segundo sua assessoria, vem obtendo bons resultados na gestão dos recursos hídricos, reduzindo sensivelmente o seu consumo de água e aumentando o índice de recirculação. A implantação do Sistema de Gestão Integrada adotado pela empresa é também reconhecida. Depois de certificar-se pela norma internacional ISO 9001, a unidade certificou-se também pela ISO 17025, OHSAS 18001, ISO 14001, relativa à gestão ambiental, e no Rótulo Ecológico da ABNT. Maior recirculação e menor consumo Dentro desse programa, merece destaque especial o projeto desenvolvido para recuperar o rio Piracicaba, que corre ao lado da usina. Nesse sentido, foram implantadas 11 Estações de Tratamento de Água, que são ligadas a todos os equipamentos de produção da usina, bem como um sistema de tratamento do esgoto sanitário. Um projeto especial tem efetivado a recuperação da mata ciliar, com o plantio de espécies nativas, associada a um amplo trabalho de conscientização junto à população ribeirinha. O desassoreamento do leito do rio foi outra ação tomada por duas vezes, devolvendo ao Piracicaba a força de sua correnteza. De um patamar de 5.200 metros cúbicos por hora captados no rio no início da década de 90, hoje essa vazão caiu para menos de 280 metros cúbicos por hora, que é a vazão usada para reposição das perdas internas e por evaporação. Outro ganho significativo é que, paralelamente à redução do consumo, vem subindo substancialmente o índice de recirculação, ou seja, aquela vazão de água que, depois de captada, é tratada, usada no processo produtivo e tratada novamente para nova utilização. Isso significa a eliminação do lançamento de efluentes no rio. O índice de recirculação, que era de 57% no início dos anos 90, está hoje na casa dos 98%. Ou seja, os 280 metros cúbicos captados por hora representam em média 2% da vazão total de água recirculada na usina. Para isso, além da integração de todos os equipamentos da planta industrial, a empresa fez o fechamento físico dos canais que antigamente levavam a água usada de volta ao rio. Reserva florestal A ArcelorMittal Monlevade mantém protegida uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de acordo com a Portaria 17-N/93. A RPPN possui 518 hectares de Mata Atlântica nativa e fica no entorno da Usina e circunda os bairros Centro Industrial e Jacuí. Várias espécies da fauna e da flora fazem parte da biodiversidade da reserva. Dentro da RPPN, a ArcelorMittal Monlevade mantém o Centro de Educação Ambiental (Ceam), um espaço de 4,3 hectares. O Ceam é aberto à visita de estudantes da região, que participam de palestras sobre educação ambiental e visitas guiadas às trilhas do local com total segurança. Há que se destacar também o trabalho da Brigada de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, que atua principalmente no período de estiagem que ocorre entre julho e outubro.

[close]

p. 7

7agosto de 2017 Sem estradas, Jean de Monlevade usou os rios Museu das Forjas Catalãs, junto ao Solar de Monlevade, retrata equipamentos que chegaram transportados em canoas nos rios Doce e Piracicaba O professor e historiador Haruf buscou em registros militares o relato da epopeia do transporte dos equipamntos de Jean de Monlevade O professor Haruf Salmen Espindola, graduado em História pela Universidade Federal de Minas Gerais, mestrado em História Política pela Universidade de Brasília, doutorado em História Econômica pela Universidade de São Paulo e atualmente professor titular da Universidade Vale do Rio Doce – UNIVALE produziu uma obra acadêmica que culminou com o livro “Sertão do Rio Doce” (2005), que conta a história da ocupação da bacia do Rio Doce. Nesse livro ele narra a “Epopeia” do transporte dos equipamentos adquiridos pelo francês Jean de Monlevade para instalação das Forjas Catalãs que daria origem a Usina de Monlevade e que se tornou passagem de destaque na história do transporte no rio Doce, bem como no Piracicaba. Em entrevista exclusiva aoTribuna do Piracicaba – A Voz do Rio, o professor falou sobre suas pesquisas e registros encontrados sobre a relação do francês Monlevade e o Piracicaba. Tribuna do Piracicaba - Em suas pesquisas, há registros e relatos que comprovam e detalham esta epopeia de subida dos 2 rios ? Professor Haruf -A história envolvendo a subida pelos rios Doce e Piracicaba das máquinas e equipamentos para a fábrica de ferro de Jean-Antoine de Monlevad é uma verdadeira epopeia, cujos detalhes estão bem documentados na correspondência e despachos militares da época, como se pode ler no livro “Sertão do Rio Doce”, que publiquei em 2005. (Vide trechos nas próximas páginas). Tribuna do Piracicaba - Monlevade sabia previamente da abundância de água (rio Piracicaba), florestas(fornecendo madeira para o carvão vegetal e construções) e também do minério de ferro na região, elementos básicos para o sucesso da sua fábrica de ferro? Professor Haruf - Como observou Claude H. Corceix, na região que ia de Ouro Preto ao Serro, por onde houvesse água, mi- nério e matas, surgiam fundições de ferro. A escolha de Monlevade foi estratégica por dois motivos: primeiro colocava a fábrica junto aos três elementos citados e, ao mesmo tempo, numa posição que deixava a fábrica fora da área de incidência dos que chamavam de febres intermitentes, ou seja, das áreas onde ocorria a malária, comum na bacia do Rio Doce. Tribuna do Piracicaba - Qual a importância do pioneirismo de Jean Monlevade e da sua “fábrica de ferro” para o desenvolvimento da mineração e da siderurgia na bacia do rio Doce e no estado de Minas Gerais? Professor Haruf - Com a presença da grande fábrica, houve uma indução que fez crescer o número de fundições, mais ainda, a quantidade de tendas de ferreiro, que passaram a ter o ferro disponível para compra e assim prestavam os mais diversos serviços para as fazendas, os povoados e para as divisões militares. Em 1840, no mapa da população de São Miguel do Piracicaba aparecia o nome de Monlevade como proprietário de 151 escravos. A sua fábrica fornecia produtos para as grandes companhias inglesas que exploravam o ouro, tais como a Saint John d’El Rey (Morro Velho) e a Imperial Brasilian Mining Association (Gongo Soco), além de produzir ferramentas agrícolas e abastecer o comércio de Ouro Preto e outras vilas. Para se ter ideia, em 1853, a usina de Monlevade produzia 160 toneladas de ferro/ano, com 150 escravos movimen- tando seis fornos, três forjas, quatro tendas, um maquinário de tornear ferro, dois rolos hidráulicos, três malhos, quatro trompas, duas mãos de pilão para socar minério compacto e um grande engenho de serrar madeira. O ferro produzido era transformado em ferramentas para a mineração, bem como enxadas, machados, foices, ferraduras, bigornas, ferramentas e matéria-prima para as tendas de ferreiro, entre outros produtos.

[close]

p. 8

8agosto de 2017 Da Inglaterra a São Miguel do Piracicaba A “Epopeia” das Forjas Catalãs de Jean de Monlevade subindo o rio Doce e o Piracicaba *Haruf Salmen Espindola Em São Miguel de Rio Piracicaba, se instalou o jovem nobre francês, Jean de Monlevade, em 1818. Diplomado pela Escola Politécnica de Paris, em 1812, na sua viagem à capitania das Minas Gerais conheceu a potencialidade do minério de ferro e a demanda reprimida. Na região de São Miguel do Piracicaba conheceu sua futura esposa e casou-se em 1827. Fixou residência a meio caminho para São José da Lagoa, onde encontrou condições favoráveis para instalar um grande empreendimento siderúrgico: demanda reprimida, abundância de água, matas e minério de ferro. E os rios entram em cena O empreendimento exigiu a importação de pesado equipamento da Inglaterra. Em1827, o presidente da província de Minas Gerais, recebeu um requerimento de Monlevade solicitando auxílio para o transporte das máquinas pelo rio Doce, único meio de fazê-las chegar até o local escolhido para a fábrica. Em 13 de março, o visconde de Caeté ordenou que o comandante geral Guido Tomás Marlière prestasse todo auxílio, através das Divisões Militares do Rio Doce DMRD e fizesse entrar pela barra do rio Doce e subir até o Porto de Canoas (Antônio Dias), no rio Piracicaba, acerca de nove léguas do destino final, as máquinas, “que pelo seu peso não tinham outro método de introduzir em Minas”. O Comandante Marliè- re, que se encontrava no quartel-geral de Guido- val, na Zona da Mata, enviou circular aos co- mandantes das1ª, 2ª, 4ª e 6ª DMRD, informando sobre a missão. Diante das dificuldades era necessário um “po- deroso auxílio das divi- sões”. Os serviços das di- visões foram repartidos da seguinte forma: todos os praças disponíveis e as canoas da 6ªDMRD, com os melhores pilotos e canoeiros ficariam en- carregados da condução da divisa com a provín- cia do Espírito Santo até a cachoeira do Baguari Equipamentos foram transportados nas canoas militares apoiadas pelos indios botocudos (Governador Valadares). O comandante deveria abaixo de Antônio Dias, da de um quartel a outro para que o transporte que empregasse quantas descer logo que rece- onde findaria o auxílio. sem que tivesse qualquer fosse iniciado somente canoas e gente tivesse a besse aviso de Lourenço demora em um deles, se- se não houvesse previ- fim de obter o sucesso Archilles LéNoir (sic), A “Epopeia” guindo por canoas mili- são de perigo ou cheias, completo da missão. Afi- responsável pela entrega tares ou do comércio. do contrário deveria es- nal, tanto na Corte como dos equipamentos. Um ofício de Marlière O comandante da 6ª perar tempo favorável. em Ouro Preto, todos A 1ª DMRD prossegui- dirigido ao vice-presi- DMRD, a quem caberia Uma nova instrução para estariam com os olhos ria, nos mesmos termos, dente, de 16 de dezem- o maior trecho de rio e a 6ª DMRD mandou que voltados para ver como com as suas canoas e as bro de 1827, informava a maior quantidade de fosse aguardar na barra as divisões iriam se sair. do comando geral e to- que logo que chegasse cachoeiras para baldear, do Rio Doce, no quartel “O Rio de Janeiro olha dos os seus praças, da pelo correio a notícia da estava com tudo prepa- de Regência. para nós! Unam-se todas cachoeira do Baguari saída das máquinas do rado em setembro de As chuvas estavam ape- as divisões para este in- (Governador Valadares) Rio de Janeiro manda- 1827. nas começando e, à me- teressante fim”. No final à Cachoeira do Leopol- ria o aviso. As divisões Marlière escreveu e dida que o tempo passa- conclui que o “trem” es- do (Cachoeira Escura deveriam estar prontas mandou que ele aguar- va, ficaria mais arriscado tava no rio Doce, pesa- – Belo Oriente). Nesse com gente, mantimen- dasse o sinal positivo subir o rio Doce. Mesmo va 475 arrobas (6.982,5 ponto, a 2ª e 4ª DMRD tos e canoas para a qual- do chefe da expedição assim, foram dadas or- quilos) e carecia de cin- receberiam as máqui- quer momento entrar em AchillesLe Noir (sic). dens para que as divisões co grandes canoas. nas e as conduziriam ação. O ofício ordenava Entretanto advertiu com ficassem de prontidão. Para garantir o sucesso até o Por todas Canoas, que a circular fosse leva- relação à segurança, Havia uma expectativa mandou o comandante de fazer o transporte ain- empregar todos os índios da naquele ano. que pudesse reunir, mas que se acrescentasse a Equipamentos despesa à conta que seria deixam o Porto do paga por Monlevade. Rio de Janeiro O comandante da 6ª DMRD levou consigo No início de outubro mantimentos para a ex- Marlière recebeu a no- pedição que acompanha- tícia de que os equipa- va os equipamentos. mentos deixaram o porto Marlière ordenou que do Rio de Janeiro, em 19 fossem mostradas as ins- de setembro. Determi- truções ao chefe da ex- nou que todas as canoas pedição, para que este se e gente da 4ª DMRD se inteirasse das providên- colocassem de pronti- cias ordenadas. Também dão e despachou aviso ordenou, se as canoas e Equipamentos das Forjas que vieram da Inglateera, chegaram ao Rio de Janeiro, transportado até Vitória e de lá subindo o Rio Doce e o Piracicaba até Antônio Dias para o comandante 6ª gente da 1ª e 4ª DMRD DMRD, recomendando não fossem suficientes,

[close]

p. 9

9agosto de 2017 que a 6ª Divisão continuasse o auxílio até o fim, pois mais importante era o cumprimento da missão. Honra haveria de resultar para esta divisão. A1ª DMRD se colocou de prontidão na cachoeira do Baguari com bastante gente, mantimento e todos os índios que conseguiu reunir. Os equipamentos para a fábrica de ferro de Monlevade haviam deixado o porto do Rio de Janeiro numa sumaca (barco pequeno de dois mastros) comboiada por duas pequenas embarcações de guerra, porém, até àquele momento, não havia qualquer notícia. Os tripulantes de duas canoas de comércio que haviam chegado há pouco em Antônio Dias Abaixo, vindas da beira-mar, informaram que não avistaram qualquer expedição ao longo do rio. Iniciou a estação de chuvas e as divisões recolheram-se aos quartéis. As preocupações de Marlière aumentaram e, em 13 de novembro expediu ordem circular às divisões para ficarem aguardando, porém em estado de prontidão e, logo que aparecesse na barra, o comandante da 6ª DMRD deveria acionar a todos, por meio de canoas militares ligeiras. Caso de não se poder realizar o transporte por causa da cheia do rio, mandaria avisar de novo, para que elas se recolhessem aos quartéis, pois não convinha expor a saúde de tanta gente inutilmente. Chuvas e incertezas Com a chegada das chuvas, não havia mais nada a fazer nas imediações do rio Doce. Marlière deixou o quartel central do Retiro e dirigiu-se para Guidoval, onde ficava sua família e propriedades. Deixou o sargento-quartel mestre no comando, com ordens para que lhe comunicar o sucesso ou “não sucesso”, se possível por rela- Os indios botocudos participaram no auxílio aos militares para transportar os equipamentos de Jean de Monlevade tório do próprio Lourenço Achilles Le Noir (sic). Em meados de dezembro, escreveu ao governo Provincial, porque sua presença era desnecessária no rio Doce e, ao mesmo tempo, precisava acompanhar a obra de construção da estrada carroçável para Campos e abertura de outros caminhos. Marlière estava apreensivo e suspeitava ter acontecido alguma coisa, pois era para ela ter chegado à barra há bastante tempo. As ordens, em caso “de não sucesso ou de inundação excessiva”, era deixar o transporte para a próxima estação da seca, “se os corsários não nos pouparam já este trabalho”. Em fevereiro do ano seguinte, Marlière recebeu notícia do Sr. Lourenço Achilles Le Noir (sic), escrita da cidade de Vitória, em 12 de novembro de 1827. Ele supôs que a carga já estava no rio Doce, mas mesmo assim mandou por um divisio- nário resposta até a vila de Itapemirim, de onde seria levada ao Achilles Le Noir (sic), informando que no lugar das cinco canoas, mandou doze canoas, guarnecidas homens e víveres, além daqueles mantimentos que ele havia pedido. Todas as despesas deveriam ser calculadas para que pudessem ser cobradas de Monlevade, não devendo ficar qualquer gasto para ser coberto pela Fazenda Pública. Índios botocudos e canoas militares Como ele imaginou, em 2 de março de 1828, Marlière recebeu a informação da tripulação de uma canoa de comércio, que havia visto a carga sendo transferida para as canoas militares da 6ª Divisão, com a ajuda da escolta das canoas de carga e de muitos índios botocudos que os acompanhavam a missão, entre a vila de Linhares e as cachoeiras das Escadinhas (Aimorés). A 6º DMRD, ao chegar à cachoeira do Baguari, decidiu continuar o transporte até o destino, sendo acompanhados pelos divisionários e índios que aguardavam nos lugares marcados para a 1ª e 4ª DMRD. Chegada em Antônio Dias Em 18 de abril de 1828, chegavam ao destino os equipamentos cilíndricos vindas da Inglaterra para a fábrica de ferro de Monlevade, apesar do período das chuvas. Segundo Marlière, a operação foi um sucesso e nada custou ao governo, pois as despesas correram todas por conta de Monlevade. Forjas Catalãs entram em operação Em 1840, no mapa da população de São Miguel do Piracicaba aparecia o nome de Monlevade como proprietário de 151 escravos. A sua fábrica fornecia produtos para as grandes companhias inglesas que exploravam o ouro, tais como a Saint John d’El Rey (Morro Velho) e a Imperial Brasilian Mining Association (Gongo Soco), além de produzir ferramentas agrícolas e abastecer o comércio de Ouro Preto e outras vilas. Impulsionado pelas forjas de Monlevade, o número de fundições cresceu significativamente nas décadas seguintes e, mais ainda, a quantidade de tendas de ferreiro. São Miguel do Piracicaba lidera produção de ferro Em 1853, a usina de Monlevade produzia 160 toneladas de ferro/ano, com 150escravos movimentando seis fornos, três forjas, quatro tendas, um maquinário de tornear ferro, dois rolos hidráulicos, três malhos, quatro trompas, duas mãos de pilão para socar minério compacto e um grande engenho de serrar madeira. O ferro produzido era transformado em ferramentas para a mineração, bem como enxadas, machados, foices, ferraduras, bigornas, ferramentas e matéria-prima para as tendas de ferreiro, entre outros produtos. Em 1882, a produção de ferro localizava-se próximo às fontes de matéria prima e consumo, com São Miguel do Piracicaba Em 1818 Jean de Monlevade inicia a construção de seu Solar e Santa Bárbara concentrando 40% da produção. Ironia do destino – Queda de Monlevade Monlevade, aspirando a um mercado mais amplo, acreditava que era necessário abrir estradas que facilitassem o transporte e reduzissem a um oitavo o custo representado pelo transporte por tropas de muares. En- tretanto, o barateamento dos custos de transportes provocado pela introdução das estradas de ferro, no último quartel do século XIX, produziu um efeito contrário ao desejado pelo francês. A redução do custo dos fretes abriu o mercado mineiro para os produtos importados e fez retrair a produção interna. Produzindo um ferro de qualidade inferior e custo de produção mais elevado, por causa das técnicas rudimentares empregadas, as forjas mineiras entraram em decadência. Evolução e falência das fundições A Escola de Minas de Ouro Preto foi inaugurada em 12 de outubro de 1876, pelo cientista francês Claude Henri Gorceix a pedido do então imperador Dom Pedro II. Em 1884 foi erguido o primeiro alto-forno de Minas Gerais, em função da construção da Usina Esperança em Itabirito. Em 1891 era fundada a Usina Queiroz Junior Ltda, situada em Esperança, município de Itabira. Em 1893a Usina Wigg S.A. já operava em Ouro Preto. No final do XIX, veio as falências com o encilhamento e a concorrência do importado com a abertura das ferrovias. * Haruf Salmen Espindola, historiador graduado pela UFMG, mestre em História Política pela UnB; doutor em História Econômica pela USP, professor titular da Universidade Vale do Rio Doce, atuando no curso de Direito e no Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Gestão Integrada do Território.

[close]

p. 10

10agosto de 2017 Apenas 30% das cidades do Brasil têm planos municipais de saneamento EXISTÊNCIA DO PLANO SERÁ REQUISITO PARA QUE CIDADE TENHA ACESSO A RECURSOS FEDERAIS A PARTIR DE 2018; SEGUNDO ESPECIALISTAS, FALTA DE INTERESSE POLÍTICO NO SETOR ESTÁ ENTRE MOTIVOS PARA BAIXO PERCENTUAL Os recursos investidos em saneamento, retornam em dobro com redução de gastos com a saúde Apenas 30,4% das cidades brasileiras têm planos municipais de saneamento básico. É o que aponta um estudo do Instituto Trata Brasil divulgado na segunda-feira, 21 de agosto, feito com base em dados do governo federal. Segundo o levantamento da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, ligada ao Ministério das Cidades, das 5.570 cidades brasileiras, apenas 1.692 (30,4%) declararam ter feito seus planos municipais. Outras 37,5% das cidades estão com os planos em andamento. Além disso, 2% das cidades apresentaram inconsistências nos dados, e não há informações sobre 29,9%. Os planos estão previstos na Lei 11.445 de 2007, conhecida como a Lei do Saneamento Básico. A legislação prevê a universalização dos serviços de abastecimento de água e de trata- mento da rede de esgoto no país, sendo que um dos principais pilares é a elaboração de um plano municipal do setor para cada cidade. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), divulgados em janeiro deste ano e referentes a 2015, mostram que cerca de 34 milhões de brasileiros não possuem acesso à água potável. Além disso, apenas 50,3% dos brasileiros têm acesso à coleta de esgoto, o que significa que mais de 100 milhões de pessoas utilizam medidas alternativas para lidar com os dejetos – seja através de uma fossa, seja jogando o esgoto diretamente em rios. Além da importância de estabelecer metas e diretrizes para o saneamento local, o plano municipal é importante porque a sua existência será condição para o acesso da cidade a recursos federais na área de saneamento. Por conta das dificuldades, os prazos estabelecidos para as prefeituras elaborarem os planos foram prorrogados, passando de 2013 para 2015 e, posteriormente, para 31 de dezembro de 2017. Isso quer dizer que, caso este prazo não seja prorrogado novamente, ter o plano será condição de acesso aos recursos federais de saneamento a partir de 2018. “As postergações que ocorreram foram muito prejudiciais, pois não privilegiaram quem tinha feito o plano e não puniram quem não fez. Passou uma imagem muito ruim de pouca seriedade nesses prazos e de que, perto da data, ele vai ser prorrogado novamente”, afirma Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil. “A gente devia estar cobrando a revisão dos planos, mas estamos cobrando a elaboração. Estamos bem atrasados.” Funec vence licitação e desenvolverá projetos hidro ambientais nos três lotes da bacia do Piracicaba A Fundação Educacional de Caratinga – Funec venceu os três lotes da licitação destinada à elaboração de diagnósticos e projetos em imóveis rurais, em atendimento aos programas de Controle de Atividades Geradoras de Sedimentos, de Recomposição de APPs e Nascentes e de Expansão do Saneamento Rural na Bacia do Piracicaba. No total, nove empresas participaram do certame e a empresa vencedora estará desenvolvendo apenas os projetos, já que para execução dos mesmos haverá outra concorrência. Os trabalhos deverão ser iniciados em outubro. A Funec A Fundação Educacional de Caratinga – FUNEC é uma instituição de direito privado, de caráter comunitário e sem fins lucrativos criada em 7 de fevereiro de 1963 pela Lei Estadual n°2.825. Com 54 anos de atuação a Funec é mantenedora da Escola Professor Jairo Grossi e do Centro Universitário de Caratinga – UNEC, oferecendo 28 cursos de graduação. Área a ser trabalhada Os projetos a serem executados serão apenas nas propriedades rurais dos seguintes municípios pertencentes à Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba: Mariana, Catas Altas, Santa Bárbara, Barão de Cocais, Bom Jesus do Amparo, São Gonçalo do Rio Abaixo, Rio Piracicaba, João Monlevade, São Domingos do Prata, Bela Vista de Minas, Nova Era, Itabira, Alvinópolis, Antônio Dias, Jaguaraçu, Marliéria, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipatinga e Santana do Paraíso. A Funec desenvolvrá os projetos hidro ambintais na bacia do Piracicaba

[close]

p. 11

11agosto de 2017 Outrora rica em mananciais, Catas Altas agora sofre com período da seca CIDADES DA BACIA DO PIRACICABA VÊM SOFRENDO COM A ESCASSEZ DE ÁGUA O que há cerca de 10 anos não era sonhado pela população, mas alertado pelos especialistas, hoje virou realidade e o fantasma do desabastecimento tem atormentado boa parte da população regional e pode piorar. Apesar de contar com uma série de cachoeiras e cursos d´água, Catas Altas também vem sofrendo com essa crise hídrica. Desmatamento, mineração e ocupação urbana desordenada e a diminuição no volume das chuvas são os principais fatores que levam à escassez da água, apontam especialistas. Segundo informações da assessoria de comunicação de Catas Altas, a administração viu-se obrigada a desenvolver uma campanha de conscientização objetivando a economia de água, já que foi necessário promover manutenções e limpezas dos reservatórios de água da cidade que há 10 anos não era feita:. “foi retirada quase uma tonelada de sedimentos decantados”, informou a assessoria. Ainda segundo informações, no mês de agosto foi feita manutenção em uma das três caixas d’água da Estação de Tratamento de Água (ETA). A caixa, que é a mais antiga da cidade, apresentava trincas e estava vazando há alguns anos. A prefeitura informou também que está atenta e preocupada com a possível falta de água por questões naturais. “A falta de chuva (que inclusive secou a cachoeira da Santa, que é uma das fontes de abastecimento da cidade), somada ao consumo elevado de água (sai mais água do que entra nos reservatórios) e a falta de infraestrutura adequada, têm levado a atual Administração a realizar algumas ações práticas, além de campanhas de conscientização” relata a assessoria. Continuando a assessoria disse que o número de residências em Catas Altas cresceu, mas nos últimos oito anos quase nada foi feito para acompanhar esse crescimento. Porém, nestes primeiros meses de governo, várias medidas já foram tomadas, entre elas - manutenção e limpeza nos reservatórios de água para evitar desperdícios em vazamentos; - manutenção e limpeza na Estação de Tratamento de Esgoto - A ETE de Catas Altas tem capacidade para tratar 12 litros de esgoto por segundo. Hoje, trata 7 litros por segundo (cerca de 18 milhões de litros por mês); - melho- rias nos procedimentos de tratamento da água na ETA; - realização de cursos e capacitações para recuperação de nascentes, reativando fluxos de água nos locais. Durante o curso, por exemplo, foi feito um trabalho de recuperação da nascente nomeada Micro bacia Córrego Lage, gerando 727 litros de água por dia; - participação de produtores rurais em curso de construção de barraginhas de modo a contribuir para o reabastecimento dos lençóis freáticos, com intenção de minimizar o problema de falta de água nas comunidades; - doação de caixas d’água para comunidades da zona rural para ser utilizada como reservatório; - construção de poço artesiano na zona rural; - limpeza em trecho do Rio Maquiné; - criação de programa, em parceria com Instituto Espinhaço, para distribuição e plantio gratuitos de 45 mil mudas em 40 hectares dentro da área do município. Além disso, dois projetos relacionados a Meio Ambiente foram escolhidos pela população para fazerem parte do Plano Plurianual: modernização e ampliação das redes pluvial, água e esgoto do bairro Vista Alegre; e construção de poços artesianos na área rural. Os cursos d´água vem sofrendo com a falta de chuvas, exaustão de nascentes e poluição. População também começa sentir a falta do produto Prefeitura de Itabira alerta população para falta de água nos próximos meses Diante do período de estiagem entre os meses de junho a setembro, característico do inverno, a Prefeitura de Itabira, por meio do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), alerta a população para um possível racionamento do recurso nos próximos meses. “Todos os mananciais reduziram drasticamente a oferta de água”, afirmou Leonardo Lopes, diretor-presidente do Saae. Somente na área urbana, segundo ele, as Estações de Tratamento de Água (ETA) Pureza e Gatos produziam 383 litros de água por segundo (l/s), valor correspondente a 65% da água produzida nesta área – sendo 44% ETA Pureza (168 l/s) e 21% ETA Gatos (90l/s). “Hoje, a ETA Gatos caiu para 41 l/s e a Pureza para 82 l/s, ou seja, estão produzindo em média apenas 47% da capacidade normal”, ressaltou o diretor-presidente da autarquia. Ações emergenciais serão implantadas pelo Saae para amenizar os efeitos da estiagem. De acordo com Leonardo Lopes, a primeira medida será reforçar os reservatórios, Gatos com a captação emergencial no Jirau de 35 l/s e, Pureza, com um reforço de 50 l/s buscado na região do Candidópolis, ambos por meio de moto bombas movidas a gerador. “Assim, Gatos passará de 41 para 76 l/s e Pureza de 82 para 132 l/s. Lembrando que, mesmo com esses reforços, continuamos com valores inferiores à produção nominal”, salientou o diretor-presidente do Saae. Para a Organização das Nações Unidas (ONU), o consumo ideal de água por habitante é de 110 litros por dia. Em Itabira, segundo Leonardo Lopes, a média é de 180 litros por habitante. “É necessário que todos os itabiranos façam uso consciente da água para que o recurso não falte e que não tenhamos que decretar racionamento em nossa cidade”, alertou.

[close]

p. 12

12agosto de 2017 Legislativo piracicabense promove cultura no aniversário da cidade Há 13 anos promovendo cultura durante a semana do aniversário da cidade, esse ano a “Semana Cultural do Legislativo Municipal” trará alterações significativas. A edição 2017, a ser realizada entre os dias 18 a 23 de setembro em Rio Piracicaba, vem com uma série de mudanças idealizadas pelo presidente do Legislativo, vereador Tarcísio Bertoldo. Entre as mudanças estão a inclusão dos distritos de Conceição de Piracicaba (Jorge) e Padre Pinto (Caxambu) na programação. Pela primeira vez os distritos irão sediar, durante um dia, as apresentações. De acordo com o presidente Tarcísio Bertoldo, a mudança visa inserir estas A edição 2017, a ser realizada entre os dias 18 a 23 de setembro em Rio Piracicaba, vem com uma série de mudanças comunidades na programação da festa possibilitando a participação de um número máximo de munícipes nas festividades. Anteriormente as ações eram realizadas exclusivamente na sede do município. As apresentações noturnas serão realizadas nos dias 20 e 21 de setem- bro, respectivamente em Caxambu e Jorge, com shows de artistas locais em palco a ser montado em pontos centrais das comunidades. A mobilização para os distritos se fez possível graças ao envolvimento dos setores público e privado. A Prefeitura Municipal dará o apoio necessário e a Vale o patrocínio. Outra mudança é quanto ao local das apresentações noturnas que agora serão realizadas na Praça Maria do Rosário Caldeira. Até o ano passado, todas as edições da Semana Cultural foram realizadas em palcos montados na área externa em frente à sede do legislativo. A exposição de peças e criações de artesãos locais também foi transferida para a Praça. Para conferir a programação completa acesse o site camararp.mg.gov.br/

[close]

Comments

no comments yet