Revista Benchmarking Edição 15

 

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Conteúdos de sustentabilidade em artigos, depoimentos e matérias e cobertura XV Bench Day

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Edição 13 - Janeiro a Dezembro de 2017 REVISTA BENCHMARKING AAPPRRENDENDO COM OSSDDEETTEENNTTOORREESS DASS MELHORES PRÁTIICCAASS INTELIGÊNCIA COLETIVA EM SUSTENTABILIDADE Especialistas, Cientistas, Ativistas, Lideranças, Gestores, Jornalistas, Artistas e Estudantes 2003 ‐2017 ODS +de 400 Cases, Projetos e APPs alinhados com os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável PERFIL + de 90% com formação superior COMISSÃO TÉCNICA +de 200 Especialistas de 23 países APOIO E PARCERIA +de 15 Universidades, Escolas Técnicas, Mídias Especializadas, e Instituições Representativas e Governamentais PUBLICAÇÕES +de 40 Revistas, Livros e Vídeos BANCO DIGITAL +de 400 Cases, Projetos e APPs Certificados EMPRESAS +de 190 Organizações com Cases Certificados PAÍSES +de 20 Países de todos os continentes representados EVENTOS +de 100 Fóruns de Sustentabilidade PÚBLICO +de 80mil pessoas tiveram contato com os cases, projetos e APPs Benchmarking TRABALHANDO POR UMA NOVA CULTURA DE SUSTENTABILIDADE

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MARKING BRASIL BENCH BENCHMARKING BRASI BRASIL L BENCHMARKING Sustentabilidade 2018 Posicione-se junto a massa crítica da Sustentabilidade XV Benchmarking Brasil Ranking dos Detentores das Melhores Práticas de Sustentabilidade Selo de sustentabilidade que reconhece, certifica e compartilha as melhores práticas socioambientais aplicadas pelas organizações brasileiras. Em15 edições realizadas certificou 373 práticas de 192 instituições. Em 2015 lançou o terceiro volume da Série BenchMais com os resumos dos cases certificados nas últimas 4 edições. A comissão técnica é formada por especialistas de vários países e a metodologia de seleção dos cases Benchmarking tem o reconhecimento da ABNT. Inscrições de cases: Janeiro a Março de 2018. benchmarkingbrasil.com.br Inteligência Coletiva em sustentabilidade

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Editorial Chegamos a 13a Edição da Revista Benchmarking, e a responsabilidade pelas escolhas dos temas e convidados só aumenta. O que é muito bom. Nos faz sentir em constante diálogo com um leitor atento e ávido por olhares mais profundos em temas de sustentabilidade. Somado a isto, o compromisso com a inovação nos faz repensar e reinventar a cada edição para assegurar a relevância e atualidade dos assuntos de sustentabilidade, que é o foco principal da revista Benchmarking. Alguns destaques desta edição: Conseguimos entrevista exclusiva com a escritora, cineasta e fundadora da Local Futures, Helena Norberg-Hodge. Ela é diretora do premiado documentário Economia da Felicidade, e Local Futures é uma organização pioneira no movimento da nova economia com programas de Educação para a Ação. Helena foi homenageada com o Right Livelihood Award (ou "Alternative Nobel Prize") e recebeu o Prêmio Goi da Paz em 2012. Ela já deu palestras públicas em sete idiomas, e apareceu em transmissões da imprensa e mídia on-line em todo o mundo. E agora, está em Páginas Verdes compartilhando sua visão e experiências com o leitor da Revista Benchmarking. Fritjof Capra, físico, escritor e ambientalista participa da Galeria Vozes da Sustentabilidade com frase inédita, e, jovens empreendedores protagonizam duas histórias de sucesso em uma nova editoria Jovens em Ação. Vale a pena conhecer a onda jovem na sustentabilidade transformando realidades de pessoas e regiões. Isto sem falar dos artigos de especialistas convidados que abordam temas muito atuais: Inovações Disruptivas em Sustentabilidade, Decrescimento - Uma nova Utopia?, e, O que são e como podem ser aplicados os ODS daAgenda 2030 da ONU. Outro destaque importante é a cobertura completa do XV BENCH DAY, comemorando os 15 anos do Benchmarking Brasil - Um programa de difusão e incentivo a adoção das boas práticas nas organizações e sociedade. O Programa Benchmarking com números expressivos de certificações se tornou um legítimo movimento de inteligência coletiva em sustentabilidade. Com tudo isto, fica difícil não ler a 13a edição, não é? Marilena LinoA. Lavorato Idealizadora do Programa Benchmarking Brasil Expediente 13a edição da Revista Benchmarking, Ano 2017. Periodicidade Anual. Editora: Marilena Lino de Almeida Lavorato. Colaboradores desta edição em artigos técnicos: Diego Conti, Elimar Pinheiro do Nascimento, Nina Orlow e Fátima Franco. Capa, Miolo e Diagramação: Gustavo Trentin Prado. Fotos das matérias: Metrópole Filmes e outros. Tradução: Priscila de Queiroz. Produção Executiva: Mais Projetos. Versões: Eletrônica e Impressa. Contato: (11) 3257-9660 ou imprensa@maisprojetos.com.br A Revista Benchmarking não se responsabiliza pelos conceitos e opiniões emitidos em artigos e frases assinadas, sendo de responsabilidade exclusiva de seus autores. A reprodução, no todo ou em parte, de suas matérias só é permitida desde que citada a fonte e autor.

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Sumário MARKING BRASIL Páginas Verdes Entrevista exclusiva com especialistas e lideranças em temas atuais e relevantes da sustentabilidade 5 Legitimos da Sustentabilidade Cases Certificados pelo Programa Benchmarking Brasil. pela excelência das práticas adotadas Benchmarking Inspira 11 L BENCHMARKING BENCHMARKING BRASI Quem é quem da Sustentabilidade. Os melhores da gestão socioambiental brasileira Ranking Benchmarking 187 BRASIL BENCH Vozes da Sustentabilidade Visão e pensamento de Lideranças da Sustentabilidade 22 Jovens em Ação Vivências e Ações Transformadoras. A onda jovem da sustentabilidade que está fazendo a diferença 242 Ar tigos Técnicos Especialistas e lideranças da sustentabilidade compartilham suas visões e soluções 27 Agenda Eventos e ações que formam massa crítica em sustentabilidade 42 Edição 13 – Janeiro a Dezembro de 2017

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Páginas Verdes Helena Norberg-Hodge A autora e cineasta Helena Norberg-Hodge é a fundadora e diretora da organização sem fins lucrativos Local Futures. Pioneira do movimento da "nova economia", ela vem promovendo uma economia de bem-estar pessoal, social e ecológico por quase 40 anos. Ela é produtora e co-diretora do premiado documentário “The Economics of Happiness”, e autora de “Ancient Futures: Learning from Ladakh”, descrito como "um clássico inspirador" sobre o impacto do desenvolvimento ocidental na região de Ladakh, no norte da Índia. Ela já deu palestras públicas em sete idiomas, e apareceu em transmissões da imprensa e mídia on-line em todo o mundo. Ela foi homenageada com o Right Livelihood Award (ou "Alternative Nobel Prize") por seu trabalho inovador em Ladakh e recebeu o Prêmio Goi da Paz em 2012 por contribuir para "a revitalização da diversidade cultural e biológica e o fortalecimento das comunidades e economias locais no mundo todo." Em Páginas Verdes, Helena fala sobre sua visão de mundo e em especial, sobre programas de sustentabilidade que estão transformando realidades locais ao redor do mundo. Local Futures é uma organização pioneira no movimento da nova economia, dedicada à renovação da comunidade, saúde ecológica e economias locais. Local Futures defende uma mudança sistêmica da globalização econômica para economias locais como um "multiplicador de soluções" que pode resolver muitas das nossas crises globais interligadas ao mesmo tempo. Os seus programas de "educação para a ação" - incluindo filmes, livros, relatórios, workshops, conferências internacionais e recursos on-line - fornecem ferramentas para catalisar a colaboração para mudanças estratégicas nos níveis de base e política. Qual foi a motivação inicial para a criação do Local Futures? Como tudo começou? Local Futures (ou, como era conhecido, a Sociedade Internacional de Ecologia e Cultura) tem suas raízes na região de Ladakh, no norte da Índia, onde começou na década de 1970 como um projeto para explorar alternativas ao desenvolvimento convencional. Eu tinha visitado Ladakh como parte de uma equipe de filmagem alguns anos atrás, e fiquei impressionada com o quanto as pessoas pareciam ser felizes lá, e o quão estáveis e resilientes eram suas vidas e meios de subsistência. Mas, ao mesmo tempo, com a abertura de Ladakh ao turismo e a cultura de consumo com a qual, no Ocidente, somos tão familiares, Ladakh começou a enfrentar desafios que não eram conhecidos há cinco ou dez anos atrás desemprego, pobreza, decadência cultural e ambiental. Assim, Local Futures começou como uma tentativa de apoiar os valores ecológicos, comunitários e espirituais de Ladakh, já que a região foi bombardeada por uma cultura de consumo ocidental. Ao mesmo tempo, procuramos tirar lições de Ladakh que poderiam ser aplicadas em outras partes do mundo que enfrentavam desafios semelhantes - seja em lugares como a Índia ou em países mais "desenvolvidos" como os Estados Unidos. Das minhas conversas e de coisas que escrevi, houve um grande retorno de todo o mundo (meu livro Ancient Futures e um filme que tem o mesmo nome foram traduzidos para mais de 40 idiomas). Mais de uma vez, ouvimos as pessoas dizerem: "a história de Ladakh também é nossa história". O nosso escopo hoje é internacional, mas começou com a seguinte pergunta: como Ladakh pode voltar a ter o controle de seu próprio destino e como nós podemos aprender com o que está acontecendo lá? Páginas Verdes Helena Norberg-Hodge, fundadora e diretora da organização Local Futures 5

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Páginas Verdes Helena Norberg-Hodge Como funciona aAliança Internacional para a Localização? Em que se concentram suas ações? A IAL é uma rede de pensadores, ativistas e ONGs dedicadas a explorar visões radicalmente novas de desenvolvimento e progresso. A série Planet Local está ligada à IAL, assim como uma série de webinars que fizemos com questões-chave do debate global-para-local. Também criamos um guia do-it-yourself para grupos e indivíduos que desejam organizar sua própria oficina de Economia da Felicidade, onde podem se juntar com outros membros da comunidade para tomar medidas ativas para fortalecer sua economia local. Também temos uma lista de e-mails que permite a todos os membros compartilhar informações, conversar entre si e colaborar em qualquer projeto específico que lhes seja importante. O IAL essencialmente abre as pessoas para uma nova "biblioteca" de pessoas e recursos que não teriam acesso de outra forma - e ajuda a aliviar alguns dos sentimentos de desconexão que muitas vezes podem existir - paradoxalmente – para um ativista. E ele ainda está crescendo. Atualmente, temos membros - indivíduos e organizações inteiras - de 58 países diferentes e de todos os continentes, exceto aAntártida. Na missão da organização vocês citam a promoção da mudança econômica de globalização para localização. De que forma os programas desenvolvidos por vocês auxiliam nessa transição? O coração do nosso trabalho é promover o conceito de "economia da felicidade" - um reequilíbrio da economia para que a mesma sirva as pessoas em vez de corporações - ou os governos que estão cada vez mais nas mãos dessas empresas. O termo "globalização" foi comercializado como uma forma de criar uma "aldeia global", reunindo o mundo através do aumento do comércio e da comunicação global. No entanto, isso não é o que a globalização fez. Através de tratados comerciais, subsídios e políticas que discriminam as pequenas empresas e que limitam a soberania local, a globalização econômica deu às corporações (e particularmente aos bancos) muita riqueza e poder, enquanto destroem os ecossistemas e o tecido social em todo o mundo. Apoiar o movimento da nova economia de modo pessoal, comunitário e no nível político é muito importante. Com nossos webinars (digital), workshops e conferências, bem como nossos filmes e publicações, tentamos alcançar pessoas que, de outra forma nunca teriam pensado nessas questões, para que possam se juntar ao que esperamos ser uma massa crítica de defensores de mudanças fundamentais. Alocalização - que pensamos ser a maneira mais promissora de neutralizar a globalização econômica consiste em reduzir a escala da economia, de modo que seja mais favorável à cultura e às empresas locais. Claro, o que exatamente isso implica será diferente em todos os lugares que você olha. Então, quando falamos sobre a renovação das economias locais, grande parte do nosso trabalho consiste dar às pessoas as ferramentas para que se envolvam com outras pessoas em suas próprias comunidades e possam descobrir como torná-las mais resilientes. Temos kits de ferramentas e currículos que as pessoas podem usar para conectar seus amigos, vizinhos e colegas de trabalho. Criamos uma Aliança Internacional para a Localização, que permite que pessoas de todas as partes do globo compartilhem sabedoria e busquem solidariedade umas nas outras. Nós temos a série Planet Local - um catálogo de iniciativas de localização de todo o mundo - que pode servir como modelos inspiradores para pessoas que procuram começar algo semelhante em sua própria comunidade. E ainda estamos trabalhando em campo em Ladakh, colaborando com ONGs locais e realizando oficinas para turistas e moradores locais para transmitir a mensagem da localização. Apoiamos organizações de base que estão trabalhando com temas como energia renovável descentralizada, agricultura sustentável, redistribuição de terras, ou redução de resíduos. Páginas Verdes Helena Norberg-Hodge, fundadora e diretora da organização Local Futures 6

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Páginas Verdes Helena Norberg-Hodge Quais são os locais de atuação do Local Futures? As políticas desenvolvidas são as mesmas para todos? Neste momento, muito do nosso trabalho tem alcance internacional e estamos tentando enfatizar que os princípios da localização - tecnologias de escala humana, modelos de governança em que as pessoas têm controle sobre suas próprias vidas, a relevância e importância do mundo natural - são aplicáveis, não importa onde você esteja. A divisão entre o "Sul do globo" e o "Norte do globo" - em outras palavras, entre os chamados países "em desenvolvimento" e países "desenvolvidos" - nos mostra isto. No sul do globo, as pessoas disseram repetidas vezes que seu modo de vida é inferior ao dos americanos de classe média, por isso nos concentramos muito na construção da autoestima cultural. Em lugares como os EUA e Europa Ocidental, nosso foco é revelar os drivers sistêmicos de um sistema econômico destrutivo que a maioria das pessoas não compreende completamente. Mas em ambas as partes do mundo, apoiamos organizações de base que estão trabalhando com temas como energia renovável descentralizada, agricultura sustentável, redistribuição de terras, ou redução de resíduos. Nos últimos anos, tivemos um impacto particularmente grande na Itália, no Japão e na Coréia do Sul, onde funcionários do governo e grandes organizações estão ativamente alinhados com a perspectiva de empoderar a economia local. É muito emocionante para nós. O conceito de "economia da felicidade" é o cerne de tudo o que fazemos como uma organização. Trata‐se de mudar para um paradigma radicalmente diferente de como as economias deveriam funcionar. O público que vocês atingem é formado por mais jovens ou adultos? Onde ele se concentra? Tem alguma região em destaque, em que vocês estão mais presentes? Nosso público rompe com as divisões geracionais. Provavelmente, a maioria deles tem mais de 25 anos, mas, à medida que as injustiças da economia global se tornam cada vez mais óbvias, os jovens que estão começando a participar ativamente da vida econômica estão procurando desesperadamente por algo diferente, e nós acabamos por conseguir alcançar muitos deles. Eles são aqueles que estão olhando para a possibilidade de uma vida com dificuldades econômicas e degradação ambiental. Mas nossa mensagem ressoa para muitas pessoas mais velhas também, e, de fato, qualquer comunidade saudável deve buscar incluir A IAL é uma rede de pensadores, ativistas e ONGs dedicadas a explorar visões radicalmente novas de desenvolvimento e progresso com membros de 58 países diferentes e de todos os continentes, exceto aAntártida. diferentes gerações, de modo que o conhecimento não escrito e a sabedoria prática não se percam. Geograficamente, temos muitos seguidores nos países de língua inglesa, incluindo os EUA, o Reino Unido e a Austrália, mas também temos uma grande e crescente presença na Ásia - particularmente na Índia, no Japão e na Coréia do Sul - e na Europa continental em países como a Alemanha e a Itália. Essas são provavelmente nossas maiores regiões em termos de impacto global. Mas apenas para dar uma ideia do nosso alcance internacional: um curta-metragem animado que lançamos recentemente, chamado “Going Local”, foi traduzido para mais de 25 idiomas diferentes, incluindo russo, árabe, hindi, tagalo, basco, etc. Indo de encontro com nosso objetivo de “localizar”, tentamos não privilegiar o mundo de língua inglesa à exclusão de outros idiomas. Páginas Verdes Helena Norberg-Hodge, fundadora e diretora da organização Local Futures 7

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Páginas Verdes Helena Norberg-Hodge Vocês desenvolveram um documentário chamado “Economia da felicidade”. Como se deu a escolha do tema? E quanto às conferências da “Economia da felicidade”, qual a importância das mesmas e quais os legados que elas deixam? O conceito de "economia da felicidade" é o cerne de tudo o que fazemos como uma organização. Trata-se de mudar para um paradigma radicalmente diferente de como as economias deveriam funcionar. Acreditamos que as economias devem basear-se na ideia de que o bemestar humano - não apenas a riqueza material, mas o bem-estar mais profundo, vem da conexão com o planeta e com outras pessoas – essa deve ser a principal prioridade. O filme “The Economics of Happiness” trás esse argumento, primeiro mostrando os muitos problemas e "verdades inconvenientes" que acompanham a globalização e, em seguida, destacando como a localização pode nos tirar desses dilemas. As conferências da Economia da Felicidade, que mantemos desde 2012, são uma maneira de ancorar as ideais e catalisar a ação. Como apresentamos uma perspectiva do "grande retrato" que une o bem-estar humano e ecológico, as conferências são uma oportunidade para reunir ativistas preocupados com toda uma série de questões únicas como pobreza, desemprego, mudanças climáticas e biodiversidade para a ecologia profunda, e espiritualidade. Eles fornecem um antídoto contra a raiva e o desespero, bem como ferramentas práticas para a ação. Além disso, eles conectam pessoas de todo o mundo. As conferências nos permitem formar relacionamentos duradouros com organizações locais que fazem um trabalho de base incrível. E esses relacionamentos levam a uma colaboração contínua. Nossa conferência na Itália no ano passado, que atraiu 1200 pessoas e teve a cobertura da televisão italiana e dos jornais, será seguida por uma segunda conferência em 2018. Enquanto isso, nossas conferências na Coréia do Sul estão em colaboração com uma aliança de 35 prefeitos e o governo da cidade de Jeonju. Neste outono, vamos voltar para Jeonju, assim como para os EUA e o Japão, para uma série de conferências organizadas em colaboração com algumas organizações que vem se destacando a nível nacional e local. As conferências são provavelmente o nosso projeto de maior impacto no momento. Vocês recebem algum incentivo governamental? Participam da formulação de políticas públicas? Durante muitos anos, nosso trabalho em Ladakh, para promover um caminho de desenvolvimento ambiental, foi financiado por várias agências governamentais da Escandinávia, Alemanha e Canadá. No entanto, ao longo das últimas três décadas, não tivemos nenhum apoio direto dos governos, com exceção da nossa colaboração com a cidade de Jeonju na Coréia do Sul. A globalização é muitas vezes retratada como um processo "inevitável" ou "evolutivo", mas nunca teria avançado até agora sem o apoio das políticas governamentais. A maioria dos governos continua a implementar políticas amigáveis às empresas, porque os tratados de "livre comércio" permitem que corporações e bancos globais pressionem os governos ameaçando romper participações e se mudarem para outro país ou estado, levando empregos e a vitalidade econômica com eles. Portanto, a política pública hoje está quase em todos os lugares nos empurrando na direção errada: as empresas locais são fortemente tributadas, enquanto as empresas e bancos globais pagam pouco ou nenhum imposto e recebem subsídios consideráveis. Ao mesmo tempo, os governos estão desregulamentando as empresas globais, embora muitas vezes regulem excessivamente empresas locais. A fim de trazer mudanças fundamentais, é necessária uma aliança ampla das bases, que possa desafiar o poder corporativo. Isso pode parecer impossível, mas porque nossas sugestões são baseadas no senso comum e vão para além da esquerda e da direita, mais e mais pessoas estão saindo em apoio desta agenda. Páginas Verdes Helena Norberg-Hodge, fundadora e diretora da organização Local Futures 8

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Páginas Verdes Helena Norberg-Hodge Qual modelo de governança vocês seguem? Desenvolveram alguma metodologia específica? Uma vez que somos uma organização pequena, não temos uma hierarquia definida de forma rígida. Minha função é a de diretora, então eu tento estar envolvida com um pouco de tudo, especialmente quando se trata de elaborar a mensagem que apresentamos ao público. Somos uma organização sem fins lucrativos, com tudo o que isso implica - um conselho de administração, a dependência de financiamento de doadores e fundações, etc. No que diz respeito ao dia a dia da Local Futures, nossas decisões são muitas vezes feitas através de chamadas de grupo pelo skype, já que nossa equipe está espalhada pelo mundo! Nosso público rompe com as divisões geracionais. Qualquer comunidade saudável deve buscar incluir diferentes gerações, de modo que o conhecimento não escrito e a sabedoria prática não se percam. Qual o envolvimento do segundo setor com os programas desenvolvidos por vocês? Nós temos nossa série Planet Local ‐ um catálogo de iniciativas de localização de todo o mundo ‐ que pode servir como modelos inspiradores para pessoas que procuram começar algo semelhante em sua própria comunidade. Quando falamos de empresas privadas, acreditamos que é extremamente importante distinguir entre as multinacionais globais gigantes e os milhões de empresas de médio e pequeno porte que são mais responsáveis e que contribuem com a sociedade através da tributação. Como mencionado anteriormente, estamos tentando conscientizar sobre a necessidade de regular e taxar as gigantes globais. Como consequência disso, não tivemos colaboração das empresas transnacionais. N o entanto, recentemente as coisas estão realmente começando a mudar. Para o nosso fórum de Economia da Felicidade em Tóquio, neste outono, estamos nos associando com algumas empresas bem engajadas. Dentre elas se incluem a empresa multinacional Muji (que na verdade significa “sem marca”), que está comprometida com produtos de longa duração e resíduos zero; Um dos maiores bancos cooperativos da área de Tóquio; E uma empresa de investimento que investe em pequenas empresas domésticas focadas no meio ambiente. As empresas de pequeno porte de todos os segmentos têm um grande papel a desempenhar no futuro localizado que promovemos. Portanto, temos muitas relações colaborativas com esses tipos de empresas privadas. Também com alianças de pequenas empresas como a BALLE (BusinessAlliance for Living Local Economies). Páginas Verdes Helena Norberg-Hodge, fundadora e diretora da organização Local Futures 9

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Páginas Verdes Helena Norberg-Hodge Muitas das iniciativas desenvolvidas por vocês se utilizam da comunicação, seja ela audiovisual ou escrita, para divulgar o conhecimento, promover reflexões e ações. O quanto ela representa no atingimento dos objetivos do Local Futures? Alcançar as pessoas através de múltiplos canais é definitivamente importante, pois nosso objetivo de longo prazo é ajudar a construir os movimentos das pessoas para uma mudança fundamental - longe da hegemonia de corporações e credores internacionais e para economias e comunidades altamente diversificadas e prósperas. Para atrair o interesse de pessoas que possam não estar envolvidas em assuntos como resiliência econômica e segurança ecológica, é importante apresentar essas ideias em múltiplos formatos - blogs, podcasts, webinars, conferências, workshops, filmes animados, até mesmo com quadrinhos. E uma vez que nossa filosofia da localização une diferentes formas de ativismo em diferentes locais, comunicando-se a diferentes grupos de pessoas e fazendo com que se comuniquem entre si, é um nicho em que nos encaixamos de forma bastante natural. Ao longo dos anos, realmente tivemos um impacto significativo. Por exemplo, estávamos entre os primeiros a promover a ideia da comida local, e nosso livro “Bringing the Food Economy Home” continua sendo um dos únicos livros para promover a comida local globalmente. O livro fazia parte do nosso Multi-media Local Food Toolkit, que forneceu aos ativistas um arsenal de materiais para usar na promoção da comida local. O Toolkit ganhou um prêmio pela campanha de alimentos da UK Guild of Food Writers. A comida e a agricultura sempre foram fundamentais para o nosso trabalho em Ladakh. Quando começamos a trabalhar lá em meados da década de 1970, o governo estava apoiando fortemente o uso de agrotóxicos na agricultura. Depois de muitos anos de compartilhamento de informações e colaboração com ONGs locais, as coisas mudaram completamente: hoje há planos para tornar toda a região orgânica, e até mesmo o governo promove a agricultura orgânica agora.  Encontramos através dos filmes um dos meios mais eficazes de fazer com que as pessoas olhem criticamente para as forças da globalização e visem um futuro mais saudável e mais localizado. Como o filme baseado em meu livro, "Ancient Futures", nosso filme mais recente, "The Economics of Happiness", ganhou inúmeros prêmios do festival de cinema e está sendo usado por pessoas, grupos comunitários, ONGs, instituições educacionais, movimentos sociais, comunidades religiosas e grupos espirituais nos cinco continentes.  O filme - descrito pelo site ativista Films for Action como "um dos filmes mais importantes e úteis para a mudança inspiradora que foi feita em uma geração" - é muitas vezes o trampolim para uma discussão mais aprofundada, ajudando assim a catalisar alternativas locais para a economia global liderada por empresas. Páginas Verdes Helena Norberg-Hodge, fundadora e diretora da organização Local Futures 10

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Legitimos da Sustentabilidade Benchmarking Inspira Bench Day, um dia pelo avanço da sustentabilidade no Brasil Cecilia Marcondes, Presidente do Tribunal Regional Federal da 3a Região Em 29 de de Junho de 2017, estiveram reunidos especialistas, gestores, pesquisadores, ativistas, autoridades e estudantes que atuam com e pela sustentabilidade nas suas organizações, instituições de ensino e comunidades. Aproximadamente 400 pessoas participaram do XV BENCH DAY – o dia dos legítimos da sustentabilidade. O dia de ver a sustentabilidade na prática. De ver a sustentabilidade que deu certo. OS MELHORES TIMES DA SUSTENTABILIDADE Gilberto Natalini, Secretário do Verde e Meio Ambiente de São Paulo Com uma programação intensa e simultânea, organizações de 10 diferentes estados apresentaram seus cases certificados pelo Programa Benchmarking em 2017. Instituições representativas, movimentos socioambientais, universidades e escolas técnicas fizeram plantões para demonstração de suas atividades e inovações. Benchmarking na veia, e em tempo real proporcionando a rara oportunidade de ver a sustentabilidade interagir e desenhar cenários futuros. Nomes importantes da sustentabilidade prestigiaram o XV Bench Day que contou com apoios importantes. Apoio Institucional do TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) e do IAPMEI – Parcerias para o crescimento do ministério de economia do governo de Portugal. E também o apoio de divulgação de diversas mídias especializadas. O XV BENCH DAY se realizou no Hall Nobre do Tribunal Regional Federal da 3a Região (TRF3) –Av. Paulista, 1842 – 25o andar, em São Paulo/SP. Consuelo Yoshida, Desembargadora do Tribunal Regional Federal da 3a Região Marilena Lavorato, Idealizadora do Programa Benchmarking BENCHMARKING Os legítimos da sustentabilidade em 2017 11

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Legitimos da Sustentabilidade Benchmarking Inspira Bench Day, um dia pelo avanço da sustentabilidade no País Em 15 edições já realizadas, o Programa Benchmarking se consolidou como um dos mais respeitados Selos de Sustentabilidade do país. Com uma metodologia estruturada e participação de especialistas de vários países, o programa certifica cases Benchmarking pela excelência das práticas adotadas, e também projetos de inovações verdes. O Programa Benchmarking tem 5 modalidades. A modalidade Senior, já certificou 373 práticas de 190 instituições de 27 diferentes ramos de atividades. Com mais de 200 especialistas de 23 diferentes países participando da comissão técnica, o programa se tornou uma plataforma de inteligência coletiva em sustentabilidade trabalhando com diferentes públicos para fortalecer o movimento das boas práticas junto a sociedade brasileira. Todo este conhecimento aplicado produzido por times de especialistas é compartilhado em publicações especializadas e eventos técnicos. Além do Banco Digital de boas práticas disponível na internet e com grande visitação, aproximadamente mais de 100 fóruns de sustentabilidade já foram realizados. 03 livros publicados (BenchMais 1, 2 e 3) e 13 edições da Revista Benchmarking (versões eletrônica e impressa) distribuídas gratuitamente para público atuante e interessado nesta temática. Em 2013, Benchmarking Brasil foi o grande vencedor (1° colocado) na categoria Humanidades do Prêmio von Martius de Sustentabilidade da Câmara BrasilAlemanha. BENCHMARKING Os legítimos da sustentabilidade em 2017 12

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Legitimos da Sustentabilidade Benchmarking Inspira BenchmarkingemNúmeros O Programa Benchmarking Brasil divulga anualmente seu relatório com informações consolidadas . Os números impressionam e mostram porque o Programa é considerado a fotografia da gestão socioambiental brasileira, e plataforma da inteligência coletiva em sustentabilidade. Veja os números da modalidade Senior (Empresas e Instituições): 15 edições realizadas 373 cases Benchmarking certificados e organizados em 10 categorias gerenciais 192 organizações dos 03 setores da economia e de 27 ramos de atividades, localizados em 17 diferentes estados da federação 205 especialistas de 23 diferentes países na comissão técnica 01 série com 3 volumes publicados: BenchMais1, BenchMais2 e BenchMais3 01 revista, 13 edições publicadas 01 Banco Digital com livre acesso na internet BENCHMARKING Os legítimos da sustentabilidade em 2017 13

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