Revista Secovi Rio 108

 

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Revista Secovi Rio 108

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SETEMBRO•OUTUBRO 2017 / nº 108 SUMÁRIO CURTINHAS JURÍDICO ENTREVISTA CONDOMÍNIOS VERDES 48 CONSULTAS JURÍDICAS CAPA 19 22 26 30 MATÉRIA ESPECIAL NOSSOS LUGARES INDICADORES HABITACIONAIS 36 48 58 INSTITUCIONAL OUTROS OLHARES SERVIÇOS E PRODUTOS 67 92 94 Nosso pequeno zeitgeist Quando a revista que você tem em mãos começou a ganhar sentido em nossas mentes, a grande preocupação de nossa equipe era construir uma edição especial de fato. Era preciso conciliar um olhar sobre uma data icônica para o Secovi Rio com a tão almejada relevância para o leitor. O primeiro desafio foi condensar 75 anos em uma publicação. Que tal uma linha do tempo, uma retrospectiva histórica ou entrevistas com personalidades que fizeram parte desse período? Por entendermos que uma história tão longeva e plural jamais caberia nas páginas de um periódico, desistimos dessa missão de cara e resolvemos simplesmente falar do hoje. Assim, sem renegarmos o que foi feito, mas deixando claro aquilo que nos move no agora e os lugares aos quais aspiramos, procuramos tirar uma fotografia singela e despretensiosa que pudesse capturar de alguma maneira o espírito do nosso tempo. Esta, portanto, não é uma edição especial por documentar sete décadas e meia, e sim por convidar o leitor a conversar conosco e entender como está esse jovem veterano ao completar seus 75. “Nada do que fiz, por mais feliz, está à altura do que há por fazer”, declara a baiana Gal Costa nos versos iniciais da canção de Arthur Nogueira e Antonio Cícero que abre seu mais recente álbum, marco de 50 anos de carreira. De algum modo, é isso que almejamos. Talvez não haja maneira mais generosa de reverenciar as conquistas do passado que utilizando cada uma delas como ponto de partida para as do futuro. Aprendemos muito, mas nos cabe seguir e continuar aprendendo. Aí vamos nós! EQUIPE SECOVI RIO

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DIRETORIA/EXPEDIENTE DIRETORIA SECOVI RIO Efetivos Presidente: Pedro José Maria Fernandes Wähmann Vice-Presidente: Leonardo Conde Villar Schneider Vice-Presidente Financeira e de Desenvolvimento: Maria Teresa Mendonça Dias Vice-Presidente Administrativo: Ronaldo Coelho Netto Vice-Presidente de Marketing: João Augusto Pessôa Vice-Presidente Jurídico: Rômulo Cavalcante Mota Vice-Presidente de Assuntos Condominiais: Alexandre Hermes Rodrigues Corrêa Vice-Presidente de Locações: Antonio Paulo de Garcia Monnerat Vice-Presidente de Relações do Trabalho: Dennys Abdalla Muniz Teles Suplentes Aldo Fernando Villar Hecht da Fonte; Antonio Carlos Ferreira; Antonio Henrique Lopes da Cunha; Frederico Honorato Rodrigues Moreira; Germana Aragão de Mesquita Aguiar; Luiz Alberto Queiroz Conceição; Luis Carlos Bulhões Carvalho da Fonseca Filho; Pedro Carlos Carsalade CONSELHO FISCAL Efetivos Dorzila Irigon Tavares; Marco Antonio Moreira Barbosa Suplentes Antonio José Fernandes Costa Neto; Marco Antonio Valente Tibúrcio; Marco Antonio Vieira de Mello DELEGADOS REPRESENTANTES JUNTO À FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Efetivos Pedro José Maria Fernandes Wähmann; Manoel da Silveira Maia Suplentes João Augusto Pessôa; Ronaldo Coelho Netto CONSELHO DE RELAÇÕES DO TRABALHO Dennys Abdalla Muniz Teles (presidente); Alexandre Hermes Rodrigues Corrêa; Fernando Schneider; Maria Teresa Mendonça Dias REGIONAIS SECOVI RIO Regional Baixada Fluminense Av. Governador Roberto Silveira, 470, sala 412, Centro, Nova Iguaçu - RJ (Edifício Top Commerce) CEP: 26210-210 Telefone: (21) 2667-3397 E-mail: baixadafluminense@secovirio.com.br Regional Lagos Avenida Júlia Kubitschek, 16, loja 19, Bloco B, Parque Rivera, Cabo Frio - RJ (Edifício Premier Center) CEP: 28905-000 Telefone: (22) 2647-6807 E-mail: lagos@secovirio.com.br Regional Litorânea Avenida Almirante Barroso, 52, 9º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ CEP: 20031-918 Telefone: (21) 2272-8000 E-mail: litoranea@secovirio.com.br Regional Noroeste Fluminense Avenida Rui Barbosa, 1.043, sala 201, Centro, Macaé - RJ CEP: 27910-362 Telefone: (21) 2772-3714 E-mail: noroestefluminense@secovirio.com.br Regional Norte Fluminense Avenida Rui Barbosa, 1.043, sala 201, Centro, Macaé - RJ CEP: 27910-362 Telefone: (21) 2772-3714 E-mail: nortefluminense@secovirio.com.br Regional Costa Verde Avenida Almirante Barroso, 52, 9º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ CEP: 20031-918 Telefone: (21) 2272-8000 E-mail: costaverde@secovirio.com.br Regional Serra Imperial Rua Dr. Nelson de Sá Earp, 95, sala 406, Centro, Petrópolis - RJ CEP: 25680-195 Telefone: (24) 2237-5413 E-mail: serraimperial@secovirio.com.br Representante: José Roberto Bittencourt Sauer Regional Serra Norte Rua Doutor Ernesto Brasílio, 45, sala 205, Centro, Nova Friburgo - RJ CEP: 28610-120 Telefone: (22) 2523-7513 E-mail: serranorte@secovirio.com.br Representante: Gabriel de Freitas Ruiz Regional Serra Verde Av. Feliciano Sodré, 460, loja 3, Várzea, Teresópolis - RJ CEP: 25963-082 Telefone: (21) 2742-2102 E-mail: serraverde@secovirio.com.br Representante: Henrique Luiz Rodrigues Regional Sul Fluminense Rua Dezesseis, 109, sala 1.101/A3-cobertura, Vila Sta. Cecília, Volta Redonda - RJ (Edifício Vila Shopping) CEP: 27260-110 Telefone: (24) 3339-2272 E-mail: sulfluminense@secovirio.com.br Representante: Vanisi de Oliveira Ferreira SEDE Av. Almirante Barroso, 52/9º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ CEP: 20031-918 Telefone: (21) 2272-8000 - Fax: (21) 2272-8001 E-mail: secovi@secovirio.com.br A Revista Secovi Rio é uma publicação institucional, bimestral, do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais em todo o Estado do Rio de Janeiro. EXPEDIENTE Conselho Editorial: Pedro Wähmann e João Augusto Pessôa Gerente de Marketing e Comunicação: Marcos Mantovan REDAÇÃO imprensa@secovirio.com.br Jornalistas responsáveis: Gustavo Monteiro (25.140 MTE/RJ) e Igor Augusto Pereira (2.629 MTE/GO) Redação: Amanda Gama, Carla Neiva, Gustavo Monteiro e Igor Augusto Pereira Projeto gráfico e diagramação: Henrique Vasconcellos Revisão: Sandra Paiva Colaboraram nesta edição: Edmara Carvalho e Natália Fuly PUBLICIDADE Elcias Teodoro (21) 2272-8009 - (21) 99789-6454 teodoro@secovirio.com.br parcerias@secovirio.com.br Thiago Bogado (21) 2272-8007 - (21) 97226-8936 revista@secovirio.com.br thiago@secovirio.com.br A revista reserva-se o direito de não aceitar publicidade sem fundamentar motivação de recusa. Os anúncios veiculados são de responsabilidade dos anunciantes. Tiragem: 30.000 exemplares. Distribuição gratuita. Auditada pela: BKR Lopes, Machado Auditors, Consultants & Business Advisers. Distribuição nacional: Treelog S.A. Logística e Distribuição. SECOVI RIO / 2017 / nº 108 / 2

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Anos

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CURTINHAS Eu quero é botar minha bike na rua Sabe aquelas bicicletas que ficam abandonadas em um canto da casa ou em uma área comum do condomínio? Elas podem transformar a vida de muita gente e até mesmo ajudar no processo de revitalização urbana. É que uma iniciativa do Secovi Rio em parceria com a ONG Bike Anjo, que empunha a bandeira do cicloativismo e ensina as pessoas a pedalar em atividades gratuitas, está estimulando as doações dessas bicicletas para o projeto. O equipamento é recolhido por um voluntário da Bike Anjo, recuperado (se for necessário algum reparo) e utilizado nas ações do grupo em todo o Rio de Janeiro. O Sindicato participou, em julho, de uma feira aberta, levando essa campanha ao público e divulgando, junto a síndicos e moradores interessados na causa, sobre a forma mais adequada de proceder. Posso doar o que estiver abandonado no bicicletário? Calma, não é assim tão simples. Se a bike não é sua, você vai precisar da autorização do proprietário – ainda que ela pareça estar abandonada. Se não conseguir localizá-lo, é imprescindível conseguir a aprovação da assembleia geral. Também é preciso emitir uma circular, que deve ser afixada nas áreas comuns, informando um prazo razoável (deliberado em assembleia) para a retirada ou para o recadastramento das magrelas. Ainda assim, não há garantia de que a simples deliberação validará a retirada. Se alguém se sentir prejudicado com a doação de sua bicicleta, poderá recorrer à Justiça. Por isso, antes de tudo, vale a pena uma boa conversa. Shutterstock

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Shutterstock Aliança à mesa Uma tendência surgida na Ásia está proporcionando a união entre viajantes e cidadãos locais por meio de refeições compartilhadas. Em alta em países como Tailândia, Malásia, Vietnã e Cingapura, o site PlateCulture (cultura do prato, em tradução livre) conecta turistas e anfitriões. Por lá, é possível conferir o menu, o cozinheiro amador e até mesmo as avaliações de usuários que já foram recebidos por ele. O serviço já está disponível no Brasil. Vovó é a mãe! Foi-se o tempo em que, ao se aposentar, a maioria das pessoas resolvia “pendurar as chuteiras” e deixava de fazer planos. Com a ajuda da internet, muita gente tem aproveitado a “melhor idade” para curtir experiências diferentes e fazer novos laços. Com mais de 60 mil membros, o grupo do Facebook “Envelhecendo em Comunidade” tem oferecido uma programação para quem está interessado em se divertir. Regularmente, os participantes promovem piqueniques, passeios guiados e excursões, entre outras atividades. Além de romper o estigma da solidão do idoso, a iniciativa ainda estimula o uso da tecnologia como recurso para integrar pessoas. Shutterstock Só digital Pelo menos 19 cidades do Rio de Janeiro vão ter o sinal de TV analógico desligado em 25 de outubro. Para captar o sinal digital e não ficar sem a transmissão, é importante verificar a antena coletiva. Ela precisa ser UHF e estar apontada para a torre de transmissão. Os aparelhos de TV também devem estar preparados para receber o sinal. “Televisores de tubo ou de tela plana fabricados até 2010 só recebem o sinal analógico e precisam de um conversor, que deve ser adquirido em lojas de eletrônicos. Se houver dúvidas, o ideal é consultar o fabricante”, explica a gerente regional da Seja Digital, Vivian Bilhim. SECOVI RIO / 2017 / nº 108 / 5

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Shutterstock Prédio futurista Um empreendimento que será entregue no fim de 2018 na Zona Sul de São Paulo deve proporcionar aos moradores o controle de serviços, visitas e recursos da casa por um aplicativo para smartphone. Com a ferramenta, será possível solicitar um reparo, limpeza e até mesmo visita de um personal trainer. Todas as áreas comuns do prédio serão equipadas com sinal de wi-fi, já antecipando novas integrações que poderão ocorrer. Toda essa tecnologia, porém, terá um custo: estima-se que as taxas condominiais serão até 25% mais caras que a média da região. Futuro na tela Para pensar: uma criança aprende a utilizar um smartphone antes mesmo de conseguir amarrar os próprios sapatos. É o que mostrou uma pesquisa da empresa de tecnologia AVG com meninos e meninas de 2 a 5 anos. De acordo com o estudo, 19% dos pequenos já brincam sozinhos com o aparelho, enquanto apenas 9% conseguem amarrar os cadarços. Ratatouille da vida real Se você acompanha as nossas edições, deve se lembrar da história de um cat café na cidade de Teresópolis, que saiu em nossas páginas há algum tempo. O estabelecimento permite que o cliente faça sua refeição bem pertinho dos felinos. Agora, um outro café, na cidade de São Francisco (EUA), foi ainda mais longe ao oferecer uma experiência relativamente polêmica: convidou os usuários a fazer suas refeições ao lado de... ratinhos. Para entrar, é preciso pagar um ingresso de cerca de US$ 50. Os donos garantem que os roedores são bons animais de estimação e que toda a comida será preparada em um ambiente completamente livre de ratos. Shutterstock Shutterstock

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Povo sangue bom Na hora de salvar o dia, cada herói tem sua arma. Com esse conceito, o Secovi Rio convidou, em julho, síndicos, profissionais do mercado imobiliário e parceiros para uma grande campanha de doação de sangue. Durante o dia inteiro, a sede do Sindicato recebeu pessoas que atenderam a esse chamado e se uniram para “salvar o dia”. Foram 44 bolsas de sangue coletadas, além de 53 cadastros de doadores. A coleta foi realizada pelo Hemorio, que também está aberto para outros heróis que queiram apoiar a causa. O local funciona todos os dias da semana, das 7h às 18h, na Rua Frei Caneca, 8, Centro, Rio de Janeiro. Rodrigo_Soldon/Flickr Azulejo inteligente Um grupo de pesquisadores da Universidade de Pavia, na Itália, desenvolveu um tipo de azulejo inteligente, capaz de reproduzir qualquer material. Feito de vidro, ele pode reproduzir vídeos, imitar materiais e até dar a ilusão de que o prédio inteiro ficou invisível. A tecnologia, chamada Lumentille, deve estar disponível no mercado em 2020. No interior Mudanças nos escritórios do Secovi Rio no interior do estado: os serviços prestados nas Regionais Litorânea (Niterói) e Noroeste Fluminense (Campos dos Goytacazes) passarão a ser realizados em novos locais. Representados do Sindicato nas cidades de Itaboraí, Rio Bonito, Maricá, Silva Jardim, São Gonçalo, Saquarema e Tanguá, além de Niterói, serão atendidos na sede, no Rio de Janeiro. Já os representados em Campos, Bom Jesus de Itabapoana, Cambuci, Cardoso Moreira, Italva, Itaperuna, Laje do Muriaé, Natividade, Porciúncula, São Fidélis, São Francisco do Itabapoana, São João da Barra, São José de Ubá e Varre-Sai poderão usufruir dos serviços no escritório da Regional Norte Fluminense, em Macaé. Box brilhando O vidro do box do seu banheiro costuma acumular manchas e resíduos? Os principais agentes dessa sujeira são gordura, sabonete e mofo. Mas algumas soluções caseiras podem reduzir o problema. Nas manchas brancas, quando a superfície estiver completamente seca, passe uma palha de aço com movimentos delicados. Depois, a cada 15 dias, borrife uma mistura de 200ml de álcool, 100ml de removedor e duas colheres de lustra-móveis. Outra opção é passar cera automotiva. Os produtos criam uma película que evita que a sujeira grude no vidro. Shutterstock SECOVI RIO / 2017 / nº 108 / 7

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ENTREVISTA PEDRO WÄHMANN Igor Augusto Pereira Por cima dos muros Amanda Gama Q uando o nome de Pedro Wähmann (lê-se: Vêman) começou a ser sondado como o eventual entrevistado desta edição, um leve clima de tensão começou a pairar por nossa equipe. Ainda que o presidente do Secovi Rio fosse a personalidade mais natural para ocupar as “páginas amarelas” do número comemorativo, o modo discreto e absolutamente low-profile de Wähmann deixava uma dúvida: ele iria topar? Mesmo habituado a falar em público em conferências pelo Brasil (e também fora dele), assinar artigos e conceder entrevistas, o empresário e dirigente sindical carioca costuma passar a bola para um de seus colegas – o que gerou, inclusive nas pessoas que trabalham diretamente com Wähmann, a ideia de que o “não” era uma possibilidade concreta e que precisávamos dar a largada já com um plano B na manga. Dias depois de aceitar o convite, ele me recebe em seu escritório, um ambiente modestamente decorado, embora localizado em um classudo edifício comercial na Avenida Presidente Wilson, Centro do Rio. Por ali funcionam uma universidade, escritórios de advocacia, agências, entre outras empresas. “Diga ao pessoal da revista que fiquei muito feliz que vocês tenham pensado em mim”, diz de cara, contrariando as previsões gerais. De algum modo, o mosaico de palavras e sentimentos a seguir constitui uma quebra de pequenos tabus corporativos e convenções. Mais do que uma entrevista propriamente dita, ele representa um diálogo aberto – com o jornalista e, acima de tudo, com o leitor. Durante a conversa, Wähmann não desviou de nenhuma pergunta, nem recorreu ao “prefiro que você não coloque isso” – um recurso relativamente comum em entrevistas longas e presenciais, quando o entrevistado se sente à vontade para falar de questões mais polêmicas, mas não a ponto de permitir que suas respostas sejam publicadas. Temas caros para a atividade sindical, como a reforma trabalhista, as leis que interferem no cotidiano do setor e a necessidade de mudanças na condução política da nação, foram abordados com serenidade por Wähmann. Ao mesmo tempo, o homem por trás do cargo também falou de suas motivações, do sentimento de desesperança que assola uma parte dos brasileiros, do desejo de deixar um legado para a família e da inspiração no pai, o fundador da administradora Quatro Marias. SECOVI RIO / 2017 / nº 108 / 8

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Pedro Pedro Não posso iniciar esta entrevista sem satisfazer uma curiosidade antiga: afinal, quem são as Quatro Marias que dão nome à sua empresa? (risos) A administradora começou como uma empresa familiar. Meu pai (Pedro Leão Veloso Wähmann) criou esse nome em homenagem aos quatro filhos: eu sou Pedro José Maria, meu irmão era José Luiz Maria, e minhas irmãs são Zélia Maria e Ana Maria. O nome ficou. Naquela ocasião, não havia uma preocupação muito grande em criar um nome que desse tanto impacto, até porque era uma empresa familiar. A gente começou a prestar serviços para terceiros, aumentar a carteira, mas achamos que, dentro do nicho de mercado a que a gente se propôs, o nome marcava bem. E assim foi ficando... Que tipo de influência esse patriarca teve sobre o seu trabalho? Comecei a trabalhar em 1965, sempre ligado ao meu pai. Ele tinha uma financeira e, na década de 1970, foi eleito presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Com o tempo, começou a me levar para lá, para assistir a algumas reuniões. Isso despertou em mim a importância de dispor parte do tempo para participar da representação de classe. Então, quando criamos a administradora, procurei atuar no segmento que representasse a nossa categoria. Na ocasião, o então presidente do Secovi Rio, Guilherme Dale, me convidou para entrar na Diretoria. Foi um caminho que meu pai traçou para mim, uma herança muito valiosa. Dessa época ficou também alguma lição sobre como dirigir uma entidade sindical? A minha primeira visão, que trouxe da Associação Comercial, era que precisávamos de uma participação mais intensa. Quando assumi como presidente do Secovi Rio, tínhamos um quadro clássico da estrutura sindical: um presidente, dois vices, dois diretores-secretários e dois tesoureiros. Era uma estrutura um tanto antiga, mesmo para 1999. Aí adotamos uma estrutura mais empresarial, com vice-presidências setoriais. Além disso, gerentes e coordenadores técnicos com treinamento e capacidade de trabalhar em suas funções. PUBLICIDADE Av. Presidente Vargas, 583 / Sala 401 - Centro / RJ - CEP: 20.071-003 SECOVI RIO / 2017 / nº 108 / 9 Pedro Shutterstock

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Pedro Shutterstock Pedro Além do cargo no Secovi Rio e das atividades em sua empresa, o senhor participa da Confederação Nacional do Comércio e da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Como equilibra tudo isso? Talvez você tenha encontrado o termo certo: equilibrar. A pessoa é cercada de suas circunstâncias. Tenho a minha empresa, que propicia o sustento da minha família e de outras pessoas. Mas também acho importante encontrar tempo para participar das entidades, não só na defesa dos interesses da categoria, como também na construção de uma sociedade melhor. Isso, claro, impõe alguns sacrifícios e furta algumas horas, principalmente no convívio da família. E sua família compreende esses sacrifícios? Penso que (minhas atividades) também são uma boa formação para minhas filhas, que compreendem que a vida tem que ser muito maior do que (o que acontece) dentro do escritório. É preciso compreender de que maneira você pode se inserir no contexto socioeconômico do país e participar da discussão dos problemas. O empresário, hoje em dia, não pode ter só a visão de lucro. Ele precisa ter uma visão de responsabilidade social e se posicionar sobre os temas comuns de sua atividade. No caso do Secovi Rio, a gente até ultrapassa e discute problemas da nossa cidade, do nosso estado. PUBLICIDADE AGORA, ATUANDO NO VAREJO, com preço de atacado. CONFIRA NOSSOS PREÇOS! Tubos e conexões de PVC,ferro galvanizado e cobre; Metais; Materiais elétricos; Louças; Ferramentas em geral; Bombas; Telhas em geral; Dutos Corrugados; Mangueiras. (21) 3889-7900 v e n d a s @ f o r t i l i d e r. c o m . b r Rua do Alho, 1065. Penha - RJ SECOVI RIO / 2017 / nº 108 / 10

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Pedro Empresário, hoje em dia, não pode ter só a visão de lucro Como essa discussão sobre o meio urbano se traduz na prática? No passado, nós fizemos uma grande campanha de segurança pública, que, dadas as circunstâncias, talvez até deva ser retomada. Hoje, estamos participando da discussão latente do aumento do IPTU. O prefeito (do Rio de Janeiro) alega que o município não tem recurso, mas ninguém, nesta situação econômica atual, pode encaixar em seu orçamento um aumento de despesa de 65%, como ele diz. E a gente já viu que tem casos em que vai muito além disso. Isso aí precisa ser organizado a médio e longo prazo, e o governante precisa mostrar claramente onde vai aplicar isso. Essa interlocução com o poder público tem sido um movimento nacional, certo? Tal qual o Rio, outros 17 estados do Brasil contam com um Secovi. Alguns bem antigos, outros com menos de 10 anos de vida, mas que lidam com problemas iguais. A legislação federal que nos regula é a mesma, então pensamos: por que não buscar uma instituição que pudesse nos reunir, identificar problemas comuns oriundos das leis federais e até estaduais, convergir experiências e atuar em bloco perante o Congresso Nacional? Foi aí que, estando filiado à CNC, que é o órgão maior da nossa organização sindical, conseguimos organizar a Câmara Brasileira de Comércio e Serviços Imobiliários, que periodicamente reúne os Secovis dos estados, além de algumas instituições reconhecidamente atuantes no setor. Juntos, temos foco nos problemas nacionais. É uma troca de experiências muito valiosa. Como esse diálogo colabora para uma melhor prestação de serviços para o representado? Existem alguns exemplos bem claros disso. Nós trabalhamos muito, por exemplo, no aperfeiçoamento da Lei das Locações. Recentemente conseguimos uma mudança no instituto dos terrenos de marinha, que foram criados para financiar a família real no Brasil. Talvez tenha sido o primeiro imposto criado aqui. O que acontece? Os ocupantes de todos os terrenos em uma faixa litorânea no Brasil têm que pagar uma taxa à União... Pedro Pedro Shutterstock

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Amanda Gama Pedro Uma espécie de segundo IPTU? Isso. E um segundo IPTU cobrado de forma exagerada, porque levava em conta o valor das benfeitorias. Ora, se o terreno era considerado da União por lei, a benfeitoria foi feita por um grupo. Aqui onde a gente está conversando (Centro do Rio, próximo à Cinelândia) é um terreno de marinha. Nós conseguimos uma modificação, e a partir do próximo exercício essa contribuição vai ser cobrada apenas sobre o valor do terreno, não da benfeitoria. Abrimos também a possibilidade de que as pessoas que ocupam esses terrenos há muito tempo possam adquiri-los e que isso venha a acabar com tal taxa. Além dessa taxa de ocupação, cada vez que um imóvel em um terreno de marinha é vendido, além da taxa de transmissão, é preciso pagar uma taxa chamada de laudêmio, de 5% (do valor de venda). Isso vai ser reduzido, e o nosso objetivo é que isso acabe. É um imposto que a própria União reconheceu que arrecada menos do que o que gasta com a máquina para cobrá-lo. PUBLICIDADE SECOVI RIO / 2017 / nº 108 / 12

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Pedro Pedro Para muita gente, envolver-se em temas que estão fora de sua alçada doméstica – inclusive, ser síndico – é visto como algo desagradável. O senhor, tão mergulhado na atividade sindical, pelo jeito não faz parte desse grupo. O que te move? Você usou um exemplo muito bacana, de um setor que a gente representa. Por que um morador não se conforma em chegar em casa, fechar a porta e dar adeus aos problemas de sua comunidade? Resumidamente, porque ele quer fazer daquela comunidade algo melhor, que funcione, cujos recursos sejam aplicados com mais eficiência, com uma convivência mais adequada. O síndico é o primeiro exemplo de por que motivo eu ou qualquer empresário devemos sair de nosso quadrado, olhar nosso entorno e procurar participar, ainda que modestamente, da construção da sociedade como um todo. Tem, é claro, um pouquinho de idealismo e de crença de que cada um pode colaborar para melhorar a sociedade. Me permita mudar o ângulo: por que isso é tão raro? Por que essa participação nos problemas comuns ainda esbarra em um clima de letargia? É difícil analisar. A vida empresarial, ou de qualquer atividade, por exemplo, é muito árdua. Você tem a cada dia um novo problema, de uma lei que muda, de uma forma de recolhimento de tributos que se altera... Agora, por exemplo, vamos entrar na fase do eSocial, que são as informações das empresas on-line. Isso é uma coisa tão complicada que já foi adiada três vezes. Está tudo mudando. E essas mudanças não são questão de escolha, não é? Hoje em dia, o mundo está te puxando para executar, por exemplo, serviços que antigamente o banco prestava. É preciso buscar sempre atualização e melhorar os mais simples processos, e também se envolver com o Legislativo, com o Executivo. Mas o que quero dizer é que a gente precisa, sobretudo, pensar em deixar o mundo um pouco melhor do que encontrou. Se a gente reclama tanto dos males que temos no Brasil, a maneira que temos é continuar a combater isso e melhorar, quem sabe até ocupar novos lugares, para que os bons sobrepujem os maus na condução do país. Precisamos pensar em deixar o mundo melhor do que encontramos SECOVI RIO / 2017 / nº 108 / 13 Pedro Shutterstock

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