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CARTA DO EDITOR Pela terceira vez consecutiva o tema central da revista são as eleições gerais agendadas para 23 de Agosto. Neste mês o tom da disputa política subiu e as grandes actividades de massa aumentaram. Nesta edição acompanhamos mais uma vez a dinâmica dos partidos políticos na caça ao voto. Nesta altura a análise começa a ser também sobre o pós-eleições pelo que ouvimos o economista José Bucassa que falou do momento actual da economia angolana, de como as questões económicas foram enquadradas na campanha eleitoral e sobre aspectos que deverão merecer atenção do futuro governo. Na sua análise o referido econo- mista realça que o processo eleitoral não deve desviar o foco da cruzada contra a falta de emprego, luta contra a miséria e pela estabilidade cambial. Para o mesmo, é importante ter em conta que é tempo para mais transparência nas finanças públicas e melhor definição das prioridades. Outro destaque no que toca a economia do país foi a realização da FILDA, com menos expositores mas que atraiu a atenção de inúmeros empresários e visitantes mantendo, assim, a sua posição de maior feira de negócios do país. No plano social procuramos entender como os angolanos se estão a adaptar em função da crise económica, uma reportagem que mostra a resiliência dos cidadãos e a vontade de continuar apesar das dificuldades. O facto da cidade de Mbanza Con- go ter sido reconhecida como Património Mundial da Humanidade também é destaque, uma confirmação que só peca por atraso e que eleva a cidade e o país para um importante patamar no plano internacional bem como vai ajudar a canalizar fundos para a preservação da mesma é também abordado. Sobre o continente africano publicamos uma reportagem sobre as iniciativas da SADC que têm impulsionado o comércio entre os estados membros e os outros pontos do globo, uma tendência que deve continuar com foco na industrialização regional. A equipa que trabalhou nesta edição deseja-lhe boa leitura. Figuras&Negócios - Nº 187 - JULHO 2017 5

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3. CARTA DO EDITOR 14. LEITORES 17. MUNDO REAL 20. POLÍTICA ENFIM, JOÃO LOURENÇO PRESIDENTE! 24. FIGURAS DE CÁ 29. NA ESPUMA DOS DIAS 30. PAÍS 35. (PRÉ)TEXTOS 38. CULTURA 42. ECONOMIA & NEGÓCIOS 56. SOCIEDADE 66. MUNDO NEGOCIAÇÕES DO BREXIT SEM AVANÇO 78. DESPORTO 08. PÁGINA ABERTA ECONOMISTA JOSÉ BUCASSA: "NOVO GOVERNO TEM 5 ANOS PARA ACELERAR COMBATE À POBREZA" 81. FIGURAS DE JOGO 82. ESPECIAL DESPORTO 88. SAÚDE & BEM-ESTAR 92. MODA & BELEZA 48. DOSSIER-ELEIÇÕES MULHERES DÃO CARTAS NA LUTA POLÍTICA 6 Figuras&Negócios - Nº 187 - JULHO 2017

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62. ÁFRICA FORTALECER O COMÉRCIO 96. VIDA SOCIAL 100. FIGURAS DE LÁ 104. RECADO SOCIAL Figuras&Negócios - Nº 187 - JULHO 2017 Publicação mensal de economia, negócios e sociedade Ano 18- n. º 187, Julho – 2017 N. º de registo 13/B/97 Director Geral: Victor Aleixo Redacção: Carlos Miranda, Júlia Mbumba, Sebastião Félix, Suzana Mendes e Venceslau Mateus Fotografia: George Nsimba e Adão Tenda Colaboradores: Édio Martins, Domingos Fragoso, Juliana Evangelista, João Marcos, João Barbosa (Portugal), Manuel Muanza, Rita Simões, Ana Kavungu, D.Dondo, Wallace Nunes (Brasil), Alírio Pina e Olavo Correia (Cabo-Verde), Óscar Medeiros (S.Tomé), Crisa Santos (Moda) e Conceição Cachimbombo (Tradutora). Design e Paginação: Humberto Zage e Sebastião Miguel Capa: Bruno Senna Publicidade: Paulo Medina (chefe) Assinaturas (geral): Katila Garcia Revisão: Baptista Neto Tel: (+244) 937 465 000 Brasil: Wallace Nunes Móvel: (55 11) 9522-1373 e-mail: nunewallace@gmail.com Inglaterra (Londres): Diogo Júnior 12 - Ashburton Road Royal Docks - London E16 1PD U.K Portugal: Rita Simões Rua Rosas do Pombal Nº15 2dto 2805-239 Cova da Piedade Almada Telefone: (00351) 934265454 Produção Gráfica: Imprimarte (Angola) Cor Acabada, Lda (Portugal) Tiragem: 10.000 exemplares Direcção e Redacção: Edifício Mutamba-Luanda 2º andar - Porta S. Tel: 222 397 185/ 222 335 866 Fax: 222 393 020 Caixa Postal - 6375 E-mails: figurasnegocios@hotmail.com artimagem@snet.co.ao Site: www. figurasenegocios.co.ao Facebook: Revista Figuras&Negócios Angola 7

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Victor Aleixo victoraleixo12@gmail.com COMPROMISSOS DE NAÇÃO OPaís vai entrar em 2017 trabalhando para as eleições gerais que se realizarão em Agosto e que elegerão novos dirigentes. Importantes responsabilidades se colocam aos diferentes partidos políticos numa altura em que se verifica um distanciamento entre eles e a sociedade cansada de promessas e constatado falta de medidas eficazes que possam levar o País a desenvolver-se de forma sustentada eliminando-se as assimetrias gritantes entre as cidades e o interior. Do conjunto de tarefas que urge atacar sem contemplações, na mira da credibilização dos órgãos do poder para maior moralização da sociedade, o combate à corrupção generalizada que grassa pelo País tem de ser prioritário, se queremue não vejam na política um caminho seguro para o enriquecimento apenas do seu pecúlio pessoal. Que haja um ambiente de cumplicidade entre governantes e governados para se construir a Angola melhor que todos anguramos. Esses são compromissos de nação. Figuras&Negócios - Nº 187 - JULHO 2017 9

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PÁGINA ABERTA A pensar num país saudável em matéria de estabilidade política, o economista e consultor, uma das vozes conhecidas da sociedade civil de Benguela, afirma que as mudanças inerentes a processos eleitorais não devem desviar o foco da cruzada contra a falta de emprego, luta contra a miséria e estabilidade cambial. Um dos rostos da PROA, organização que se notabilizou através de fóruns económicos que avaliam o rumo de Angola, Bucassa adverte que o aperto, até pelas incertezas que só o mercado mundial pode desfazer, vai implicar mais transparência nas finanças públicas e melhor definição de prioridades Texto: João Marcos Fotos: Horácio dos Reis F&N – Qual é a expectativa do senhor em relação ao dia seguinte ao 23 de Agosto? José Bucassa (J.B): Estamos a viver um momento especial, o momento de eleições, de mudanças. Eu espero, primeiro, que o período pós-eleitoral traga um país com estabilidade política e, como não podia deixar de ser, com desafios a nível social e económico. A nível social, acredito, o novo governo tem de minimizar a pobreza nos próximos cinco anos, sendo certo que este combate é um processo, bem como diminuir a taxa de desemprego, que está em 24 por cento. Deve, para terminar, melhorar o saneamento básico, que não é o mais adequado, e olhar mais para os serviços de saúde e educação, elevando os seus níveis de oferta em todo o país. No campo económico, surge a inflação, que ronda a taxas verificadas há alguns anos, concretamente na base de um dígito. Se considerarmos que em Dezembro do ano passado era de 42 por cento e que no mês passado, Julho, a taxa situou-se em 34 por cento… Considerando que o objectivo para até finais deste ano é o de reduzir para 15 por cento, vemos que estamos muito longe. Falo também da estabilidade cambial, uma vez que, actualmente, o Kwanza perde valor face ao dólar e ao euro, as moedas comparativas, tanto a nível do Banco Nacional como no mercado paralelo. Devemos atacar a dívida pública, interna e externa, que tem um peso significativo, não na perspectiva de ser legal ou não, mas na perspectiva da sustentabilidade. Até que ponto honramos sem comprometer as finanças públicas, sem comprometer outras iniciativas em termos de investimentos públicos. F&N - Duas propostas eleitorais saltaram à vista, uma vez que abarcam números gordos. Quinhentos mil empregos, para o MPLA, o salário mínimo de USD 500. Como dar resposta a estes desafios, tendo em conta as limitações que conhecemos? JB - Neste campo, como disse, há um desafio enorme para as finanças públicas e, já agora, para os partidos que apresentam tais propostas. Eles, os partidos, entendem que são propostas razoáveis e possíveis, mas eu prefiro olhar para a situação macroeconómica e a saúde financeira. A cifra de quinhentos mil empregos pode até ser possível, é necessário que estejamos em condições financeiras para que o tecido empresarial consiga estruturas para gerar emprego. E este nível vai exigir algum investimento público, capaz de proporcionar infra-estruturas que dão ambiente para indústrias e empresas até 2022. As políticas levam a este desafio, incluindo a questão do salário mínimo de USD 500. Este partido (UNITA) apresenta-a a pensar numa maior estabilidade para as famílias, é bom, mas são precisos esforços dos sectores público e privado, já que falamos em obrigação mínima. Tem o lado positivo, repito, de dar rendi- mento às famílias, considerando o custo de vida que temos até agora. Mas também se coloca a questão da "NOVO PARA ACELERA 10 Figuras&Negócios - Nº 187 - JULHO 2017

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PÁGINA ABERTA fórmula, de que maneira é que se vai conseguir dinheiro para dar oxigénio a esta iniciativa. F&N – Em momentos de aperto, surgem questionamentos, tanto em segmentos políticos como a nível da academia, sobre o factor transparência. Acha que são legítimas as críticas sobre o paradeiro de receitas fiscais vindas do petróleo? J.B.: A transparência é um assunto pertinente, deve estar no centro das atenções de todos os partidos, já que transmite segurança. Mas isto, a meu ver, está além de um mero anúncio eleitoral, atinge a maneira e o raciocínio na concepção das políticas públicas. Aliás, isto confere eficiência ao investimento público, reforçando, entre os cidadãos, uma melhor compreensão dos programas e todos os pressupostos económicos. E mais. Aumenta a credibilidade interna e externa. Uma consequência da ausência deste pressuposto (transparência) tem sido a condução da despesa pública com base no compadrio e amiguismo, factores que criam conflitos de interesse e que desembocam na corrupção. Esta, por seu turno, faz com que o investimento não seja eficiente, na medida em que, em detrimento da qualidade, colocam-se O GOVERNO TEM 5 ANOSECONOMISTA JOSÉ BUCASSA IDEALIZAAANGOLA DO PÓS-ELEIÇÕES AR COMBATE À POBREZA" Figuras&Negócios - Nº 187 - JULHO 2017 11

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PÁGINA ABERTA em primeiro lugar algumas conveniências e os produtos finais à disposição do cidadão nem sempre são os melhores, duram menos tempo. Aí o Estado investe três ou quatro vezes mais, prejudicando a colectividade. F&N – Tal como vimos durante a campanha, ainda temos políticos que não sabem a quantas andamos em matéria das reservas cambiais… J.B.: Eu devo dizer que as reservas acabam por ser o nosso cofre de segurança máxima, são como que um instrumento de soberania. A comunicação relativa ao nível da reserva internacional líquida é importante, não sei, em termos le- gais, se há componente de obriga- toriedade para em determinados períodos se actualizar este elemen- to. Isto, tanto quanto sei, é feito pelo Banco Nacional de Angola em relató- rios e contas e na abordagem sobre a situação financeira. Devo dizer que de algum tempo a esta parte perdemos alguns milhões. Quando digo perdemos, não me refiro a desaparecimento, afirmo que fizemos recurso a elas para investir em despesas do OGE e em outros programas em carteira, tudo fruto da situação em que nos encontramos. É que as receitas são insuficien- tes e não temos acesso imediato aos dólares. Andaremos, se não estiver errado, em 19 ou 20 mil milhões de dólares. F&N - Como avalia, já agora, a gestão do Fundo Soberano, muito criticada internamente, mas que acaba de receber um estímulo internacional? J.B.: É uma boa nota o facto de uma entidade internacional ter feito o reconhecimento relativo à pres- tação de contas. É algo positivo, re- força a credibilidade do nosso país, sendo certo que a instituição avalia vários fundos soberanos. Significa, portanto, que estamos a dar passos significativos. É claro que nós, cá fora, temos uma percepção diferente, muito movida pela crítica social. Mas devemos enaltecer, des- “ “ A nível social, acre- dito, o novo governo tem de minimizar a pobreza nos próximos cinco anos, sendo certo que este combate é um processo, bem como diminuir a taxa de desemprego, que está em 24 por cento. Devemos, na vertente económica, atacar a dívida pública, interna e externa, que tem um peso significativo, não na perspectiva de ser legal ou não, mas na perspectiva da sustentabilidade. Até que ponto honramos sem comprometer as finanças públicas, sem comprometer outras iniciativas em termos de investimentos públicos tacar o reconhecimento desta enti- dade especializada, o que quer dizer, julgo, que não estamos muito aquém das práticas internacionais que são aplicadas a este tipo de instituição. F&N – O petróleo, dizem as projecções, não mais voltará a cem dólares, o valor que nos deu altas taxas de crescimento. Como coabitar com esta realidade, partindo do pressuposto de que a dependência continua visível? J.B.: Parece que não importa, hoje, voltar a falar dos factores que nos trouxeram a esta realidade, mas temos de admitir que muitas políticas públicas não surtiram os efeitos desejados. Em tempo de crise, é preciso, para além de poupar, saber definir prioridades. Uma delas, que até é sustentada, leva tempo, mas é necessária. Refiro-me à industrialização, para que possamos diminuir da de- pendência das importações. Como se sabe, importando não estamos a olhar para a indústria transformadora, um segmento importante para 12 Figuras&Negócios - Nº 187 - JULHO 2017

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PÁGINA ABERTA “A província pode atrair indústrias com custos mais baixos do que os praticados noutras partes, nomeadamente Luanda. Tem o corredor do Lobito, onde estão infra-estruturas de logística e transporte. Refiro-me ao CFB, ao Porto do Lobito e a outras plataformas integradas que podemos usufruir qualquer economia, e acabamos, contrariamente ao que se quer, por canalizar mais divisas para fora. Este desafio pode ser beliscado se consideramos os prognósticos para a economia, ainda hoje, como disse, muito dependente do petróleo. Analisando o que disse o Fundo Monetário Internacional em Fevereiro, as previsões indicam que o “ preço do barril não se situe acima de 60 por cento, ficando em 51% a média, sendo que a economia mun- dial não cresce mais de 3 por cento. Há um abrandamento generalizado, mas não estamos tão mal assim na medida em que o OGE foi delineado com o preço do barril em USD 40 e a cotação tem estado na casa dos 50 dólares, acima do perspectivado, portanto. Temos um diferencial positivo, mas é insuficiente para a estabilidade das finanças públicas. Estamos reféns do que o merca- do mundial nos coloca, havendo uma teia que nos amarra, nomeadamente o facto de termos um acordo com a OPEP, ao abrigo do qual deveremos reduzir a produção petrolífera. A única maneira para que obtenhamos mais receitas será ou seria manter a produção e esperar que au- mente o preço. Mas estamos atados por causa do acordo e, como se não bastasse, sabemos que não temos capacidade para influenciar os preços. Será a conjuntura internacional a ditar a nossa sorte em matéria de receitas. Na segunda parte da entrevista, José Bucassa falou do potencial de Benguela, o segundo pólo de desenvolvimento do país, tendo destacado a sua posição como factor de integração regional F&N – O que o senhor pensa que Benguela pode oferecer ao país, tendo como paradigma as suas potencialidades? J.B.: Benguela pode oferecer ao país uma óptima posição estratégica, pode oferecer vantagens comparativas e a possibilidade de deslocalização de indústrias. A província pode atrair indústrias com custos mais baixos do que os praticados 14 Figuras&Negócios - Nº 187 - JULHO 2017

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PÁGINA ABERTA "BENGUELA PODE LEVAR O PAÍS À ZONA DE COMÉRCIO LIVRE DA SADC" noutras partes, nomeadamente Lu- anda. Tem o corredor do Lobito, onde estão infra-estruturas de logística e transporte. Refiro-me ao CFB, ao Porto do Lobito e a outras plataformas integradas que podemos usufruir. Há a destacar também a sua posição geográfica, bastante importante comparativamente a outras que es- tão mais ao centro, numa perspectiva de integração de Angola na Zona de Comércio Livre da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Mas para isso é necessário transformar as potencialidades em ganhos concretos, é necessário que a agricultura, pesca, indústria e outros sectores estejam à altura das exigên- cias. Falo, ainda, do capital humano, das tecnologias e as infra-estruturas. F&N – Está a falar, presumo, do ambiente de negócios J.B.: É extremamente importante, pois claro, na medida em que não é dos melhores, porque estamos na posição nº 182 em termos de ranking, uma das mais baixas do mundo. A percepção que o exterior tem sobre a nossa economia não é a melhor, precisamos de melhorar a imagem, trabalhar para o fim da burocracia que enferma os processos internos, obstruindo o fluxo empresarial. Somos obrigados, já agora, a olhar, como disse, para a transparência e para a protecção do investimento externo. Tudo isto, portanto, em nome da competitividade, um factor que pode fazer com que não sejamos ‘engolidos’ por outras economias, mais robustas. É importante que tenhamos a consciência de que esta integração pode vir a ser uma grande vantagem para Angola. F&N – O que dizer do projecto para a refinaria, que já absorveu, segundo números oficiais, 800 milhões de dólares só em infra- -estruturas de apoio? Este valor correspondente, se olharmos para o lado formal, a pelo menos 10 orçamentos da província J.B.: No que diz respeito à refinaria, começo por dizer que é uma boa nota o reconhecimento de que preci- samos dela, considerando os custos elevados do processo de importação dos derivados do petróleo que nós exportamos para a refinação. São recursos que podem ficar entre nós se acautelarmos esta situação. São vantagens para o Lobito, para Benguela e, numa perspectiva geral, para o país. O pro- jecto foi suspenso, acredito, porque a Sonangol entende não ser o melhor momento para dar sequência, tendo em conta as limitações financeiras. O mais importante, repito, é o facto de compreendermos qual será o melhor momento para aplicar o investimento sem comprometer a gestão operacional da entidade financiadora. Figuras&Negócios - Nº 187 - JULHO 2017 15

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