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Ano X - Edição 118 - Setembro 2017 FALTA COMIDA HISTÓRIA DE OLÍVIO OU SOBRA? Os moradores de rua comeram toda sopa e todo pão avidamente. Foi quase paixão à primeira vista. Todas as manhãs ela ia para Tudo que precisavam era praia aproveitar o sol do ve- se alimentar e, então quando o pessoal da sopa rão e suas merecidas férias. Posicionava sua cadei- chegou, estampou-se entre eles o sorriso da felici- ra, se lambuzava de protetor solar e ali ficava o dia dade por poder comer. todo. Ninguém se “atropelou” para receber sua porção, Tomava sua cervejinha, saboreava petiscos houve respeito e confraternização, prioridade era para os idosos e quem tinha crianças. Depois, sorri- de camarão, mais tarde um banho de mar, depois dentes e tranquilos, os outros. uma caipirinha, pastel e todas as besteiras ... Página 3 Página 7 Distribuição Gratuita A ANHANGUERA E A VENDA DE DIPLOMAS Recentemente viralizou nas redes sociais uma propaganda da Anhanguera que induzia o leitor a complementar sua renda como professor. Página 9 A única possibilidade de nos eternizamos nessa frágil vida, é plantando boas sementes. É a melhor herança que deixamos! Amazônia em perigo Neste dia 5 de Agosto dedicado à Amazônia, temos que denunciar a liberação por este Governo de facto TEMER, da exploração mineral que coloca em risco comunidades indígenas e a fauna e a flora deste que é tido como o Pulmão do Mundo. Uma tragédia anunciada. O maior ataque à Amazônia em anos. O leilão do pulmão do planeta. Essas são algumas críticas de ambientalistas, políticos e celebridades, como a top modelo Gisele Bundchen, à abertura da Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca) à exploração privada de minérios. A medida, decretada pelo presidente Michel Temer, estabelece o fim da reserva que ocupa um território de quase 4 milhões de hectares entre o Pará e o Amapá. A imensa área tinha sido delimitada em 1984, durante a ditadura militar, para ser usada para exploração mineral estatal, e tem nova áreas protegidas de grande biodiversidade, entre elas, dois territórios indígenas das etnias Aparai, Wayana e Wajapi. A Amazônia também é rica em ouro, manganês, ferro e cobre. A exploração dos minerais era uma premissa apenas do Estado e tinha sido pouco usada até aqui, apesar de o governo garantir que o garimpo ilegal de ouro se proliferou e está degradando a região. Com o decreto, Temer pretende regulamentar e dinamizar a atividade mineira com a participação da iniciativa privada. “A medida tem um olhar inicial econômico, mas ao mesmo tempo tem outro aspecto que é o impacto que vai ter em vários pontos da questão socioambiental. Qual é o preço que vai se pagar numa área tão sensível como é a Amazônia? CULTURAonline BRASIL - Boa música Brasileira - Cultura - Educação - Cidadania - Sustentabilidade Social Agora também no seu Baixe o aplicativo IOS NO SITE www.culturaonlinebr.org Editorial Podemos ter esperança? Página 2 Referente à política no Grandes figuras da música Brasil, estou ocidental VII atordoado, tentando en- tender o que os políticos brasileiros sentem pelo ENSINE AS CRIANÇAS A DIZEREM NÃO AO CONSUMISMO Em artigos passados falamos de Verdi e Wagner, seguramente os dois compositores de ópera mais importantes no séc. XIX. Os dois foram responsáveis pelo crescimento do gênero, e influenciaram diretamente uma geração de compositores de ópera. Falaremos de alguns dos compositores que foram diretamente ou indiretamente Brasil, afinal. A proposta de Reforma Política que está sendo levada em consideração, é a de adotar o distritão, ou seja se o estado do Rio de Janeiro tem 46 deputados federais, os 46 candidatos mais votados é que vão ser eleito. Os cientistas políticos concordam que é a pior alternativa possível Nossa vida é rodeada de incentivos ao consumo e estamos tão acostumados com isso que acabamos impondo esse modo de vida às crianças. Se as crianças são o futuro do planeta, devemos nos esforçar para não passarmos esse costume a elas. A base da sustentabilidade é a ca- pacidade de uma geração promo- influenciados por esses dois gran- quanto à representatividade. ver o seu próprio bem-estar e tam- des mestres. bém o das gerações futuras. Página 6 Página 11 Página 16 www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Setembro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 2 Editorial O Direito a ter Direitos Exercer a cidadania é exercer nossos direitos, e para que esse exercício se dê plenamente é necessário que todos tenham direitos a ter direitos. Temos direito a Direitos individuais e sociais. Direito de ir e vir está diretamente relacionado como nosso direito a liberdade. Consagrado no inc. XV do art. 5º da CF, o direito de circular, de andar livremente e o direito à liberdade de locomoção que só podem ser retirado das pessoas através de um motivo justificado em lei e por autoridade competente. Direito à vida, à segurança, a viver com dignidade. Direito à proteção jurídica, à proteção do Estado aos direitos fundamentais, proporcionando uma forma de viver mais justa, garantindo também nossos direitos sociais, elencados no artº 6º da Constituição Federal. O exercício da cidadania passa pela educação. Todos devem ter acesso à educação de qualidade; é direito de todos e dever do Estado. Direito ao lazer, tendo um tempo para si mesmo, para a família e amigos; à moradia digna, a emprego, a saúde gratuita e que atenda às necessidades do indivíduo; à proteção contra a violência, a acesso a políticas públicas de qualidade. Direito a um meio ambiente preservado, à qualidade de vida, ao saneamento básico, à proteção dos recursos naturais, hídricos, à qualidade do ar que respiramos. Direito de ter preservada nossa identidade cultural, as culturas em geral, as minorias, direito a uma sociedade mais justa, mais igualitária e linear. Direito a PAZ. Ter direito a uma alimentação digna. Não passar fome é um direito do ser humano essencial à dignidade humana, ao desenvolvimento e à sobrevivência da pessoa. Passar fome é uma violação dos Direitos Humanos. Esses interesses chamados de difusos ou coletivos são de todos, e são protegidos pelo direito. Como diz Arendt “o direito a ter direitos significa viver numa estrutura onde se é julgado pelas ações e opiniões e de um direito de pertencer a algum tipo de comunidade organizada” O homem é um ser social, e é sabido que o direito só existe onde existe sociedade. O direito sendo naturalmente social deve atender as nossas necessidades básicas e individuais de natureza social, na medida em que problemas ocorrerem e essas necessidades basilares não forem atendidas, isso afeta a sociedade em geral. A vida em sociedade expõe nossas diferenças, e a máxima de que somos todos iguais perante a lei ainda está longe de se concretizar. Conquistar direitos é algo que está continuamente acontecendo, através de lutas, debates públicos e trabalho daqueles que acreditam que sempre é possível melhorar. Os direitos humanos existem por si só, independem de reconhecimento constitucional, são básicos para qualquer pessoa; já os direitos fundamentais representam as bases da nossa organização jurídica, estão positivados na constituição e são imprescindíveis para a proteção da dignidade humana. O direito a ter direitos passa pela proteção do Estado Democrático de Direito. Exercer a cidadania é a representação efetiva da democracia, e uma cidadania plena só pode existir se todos tiverem direito a ter direitos. Mariene Hildebrando e-mail: marihfreitas@hotmail.com Como você já deve ter reparado, apresentamos um novo espaço no site da Gazeta Valeparaibana. Um dos objetivos da reformulação é tornar o site ainda mais colaborativo e, assim, fazer jus ao lema de ser “o ponto de encontro da educação”. Tendo em mente essa missão, de se tornar uma verdadeira comunidade virtual que une todos os profissionais e temas relacionados à educação, cultura e sustentabilidade Social, investiu na plataforma que se propõe a veicular trabalhos científicos da área. É o ‘GV - Ciência’. Espaço 100% colaborativo e GRATUITO! A proposta surge para ser o meio em que trabalhos científicos sejam veiculados na imprensa, dano a eles o devido destaque. Todo internauta do Portal Comunique-se pode fazer uso do ‘C-SE Acadêmico’, basta seguir dois passos... 1º - ENVIAR o trabalho para: csecientifico@gazetavaleparaibana.com (em Word sem formatação com letra Arial 11). NÃO ESQUECER de enviar todos os seus dados: Nome Completo, Documento de Identidade, Nome do Curso, Faculdade. 2º - Depois de analisado, será publicado no espaço “GV - ciência” do site e na edição do mês subsequente no Jornal Digital. DIZ O DITO POPULAR O que o dinheiro não fizer neste mundo, nada mais faz. *** Bolsa vazia afugenta amigos. *** Ladrão endinheirado não morre enforcado. *** Lágrimas de herdeiro são sorrisos disfarçados. *** Dinheiro e estrume só presta espalhado. *** Dinheiro não traz felicidade. *** Adaptação: Dinheiro não traz felicidade, manda buscar. *** O dinheiro será teu senhor, se não for teu escravo. *** De janeiro a janeiro, o dinheiro é do banqueiro. *** Neste mundo, só o que se deve dar desgraça é bom dia. *** Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira cinco dedos. *** Em casa de pobre, ao meio-dia mosca faz samba debaixo da panela *** Pobre só vai pra frente quando tropeça. *** Deus é bom trabalhador, mas gosta que o ajudem. *** Quem sabe de luta, luta. Quem não sabe, labuta. *** Os artigos publicados são responsabilidade de seus autores, não refletindo necessariamente a opinião da Gazeta Valeparaibana IMPORTANTE Todas as matérias, reportagens, fotos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, podendo seus conteúdos não corresponderem à opinião deste proje- to nem deste Jornal. A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente para download na web Editor e Jornalista responsável: Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J Ajude-nos a manter este projeto por apenas R$ 2,00 mensal Email: assinaturas@gazetavaleparaibana.com Gazeta Valeparaibana e CULTURAonline BRASIL Juntas, a serviço da Educação e da divulgação da CULTURA Nacional

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Setembro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 3 Crônica do mês FALTA COMIDA OU SOBRA? nas falas em tom alto e às vezes sussurros, talvez fossem juras de amor. Dava pra sentir Os moradores de no ar... rua comeram toda sopa e todo pão Por muito tempo ali permaneceram e se avidamente. “curtiram”. Nada do que pediram foi Tudo desperdiçado, comeram tudo! que precisavam era se alimentar e, então quando Outro casal, em outra mesa: ela de cara feia, o pessoal da sopa chegou, estampou-se entre ele comendo desesperadamente e falando de eles o sorriso da felicidade por poder comer. boca cheia, ela olhando incrédula e enojada e o encarando sem sucesso porque ele nem a Ninguém se “atropelou” para receber sua olhava. Comeu e pediu mais, ela não o porção, houve respeito e confraternização, acompanha e, a comida sobrou. prioridade era para os idosos e quem tinha crianças. Depois, sorridentes e tranquilos, os Mais um casal: ela grávida toma uma Coca- outros. Cola e ele cerveja. Ela parecia incomodada, talvez com as nuances da gravidez, mas, ele Muita conversa e agradecimentos aos que sem a menor percepção ria e rosnava, pedia trouxeram a oferenda, em seguida, com seus mais cerveja, falava alto e, ela parecia cobertores e colchões nas calçadas, cansada e cada vez mais incomodada. Ele acomodaram-se para a noite de sono, pediu uma porção e não comeu quase nada. agradecidos. Ficou tudo ali, comida desperdiçada? Não, No restaurante ali perto, o homem na mesa dessa vez, a futura mamãe, pediu pra da frente comeu toda porção da carne e embrulhar e levar para casa. sobrou pão. Sem olhar para os lados, comeu Na casa da amiga, tinha comida de sobra, mais por ansiedade do que fome, mas o pão jamais comida requentada, ela nem ficou. Não lhe faltava nada, só passou para conseguia fazer atividades fora do lar porque saborear uma porção, certamente, ali era seus filhos queridos e amados queriam mais interessante e “desestressante” do que comida fresquinha todo dia. E ela fazia. em casa. Mas, desperdiçou! Quando sobrava era sugerido que desse aos O homem do lado: leu, ouviu som, comunicou moradores da calçada, porém, retrucava que -se com todos a sua volta, conectou-se pelo bem como seus filhos batalhavam pelo pão celular, beliscou o amendoim, compartilhou a de cada dia, muitos ali estavam porque nada cerveja de alguém que lhe ofereceu, não queriam da vida e assim sua comida também consumiu nada e só gastou o tempo do era jogada fora. garçom e ocupou lugar na mesa. Talvez Na casa de quem tem consciência só se faz alguém lhe esperasse em casa com uma boa comida no tanto que se come e come-se tudo refeição. e, quando sobra, lembram-se daqueles que Já o casal que em seguida chegou, comeu tem fome lá fora e compartilham. racionalmente: ela tomou um suco, acionou o Cada um tem sua história... whatsapp e ele muitas cervejas. Olhares deslocados e poucas falas. Ele limpou o Não somos salvadores do mundo, não julgue, dente com a mão e a comida no prato sobrou. mas o melhor de tudo seria, seja lá qual for a comida que sobra ela nunca deveria ser Talvez morassem juntos e para não ter que desperdiçada. cozinhar em casa, pararam para comer e nada mais porque quase não conversaram. Todas essas histórias de desperdício, não Não comeram tudo... são inventadas. Calendário Algumas datas comemorativas 05 - Dia da Amazônia 07 - Independência do Brasil 08 - Dia Mundial da Alfabetização 14 - Dia do Frevo 17 - Dia da Compreensão Mundial 18 - Dia dos Símbolos Nacionais 19 - Dia Nacional do Teatro 20 - Revolução Farroupilha 21 - Dia da Árvore 22 - Dia da Juventude do Brasil 25 - Dia Nacional do Trânsito 26 - Dia Interamericano das Relações Públicas 27 - Dia Nacional de Doação de Órgãos 29 - Dia Mundial do Petróleo Ver mais sobre na Página 12 Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos. Winston Churchill ================================= A democracia surgiu quando, devido ao fato de que todos são iguais em certo sentido, acreditou-se que todos fossem absolutamente iguais entre si. Aristóteles Um casal atrás meio que isolados, felizes Existem em cada esquina! riam muito e pareciam estar se divertindo, muitas conversas descontraídas e sem Genha Auga pressa de irem embora, havia muita alegria Jornalista MTB: 15.320 AJUDE-NOS a manter este projeto de educação - www.culturaonlinebr.org/apoiadores.htm www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Setembro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 4 Conservadorismo Passaporte para o Inferno (I) te ao Zé, na esquina da Felipe Camarão com a Osvaldo ficar paralítico (a palavra “paraplégico” foi entronizada Aranha, o Bar do Fedor. depois) pelo resto da vida. "Ficava aberto a noite inteira, e era clássico, O Bar do Fedor, na esquina da Felipe Camarão com a Neste meio tempo, eu vestira o guarda-pó para ir à es- naqueles tempos em Osvaldo Aranha, nunca fechava - simplesmente porque cola, no Colégio Paula Soares, na rua General Auto. que a gente vestia pale- não tinha portas. Mas logo ficou claro que eu não iria: as escolas fecha- tó e gravata para ir a reuniões dançantes particulares ou aos bailes na Reitoria da Universidade, encerrar lá a O Fedor nunca fechava - simplesmente porque não tinha portas. Servia de tudo: churrasco, sanduíches, cerveja, cachaça, Melhoral (naquele tempo ainda não havia Engov) pra quem precisasse. E ali, em frente ao Fedor, se passou um dos grandes dramas daquela Porto Ale- ram, pura e simplesmente, mandando crianças e professoras ou professores para casa. Outra vizinha bateu na porte e também embarafustou, aos prantos, casa adentro. O marido pusera um revólver na cintura e saíra para a rua. madrugada". gre dos anos 50, ainda antes do Passaporte abrir as Logo chegaram outras notícias. O quebra-quebra se Flávio Aguiar janelas do seu trailer. espalhara pela cidade. Nos altos do Fedor ficava a sede de um partido da oposição (não lembro qual, seria o “Mudam-se os tempo, mudam-se as vontades/ (…) E [o Como narrativa em primeira pessoa, minha vida começa PRP?). A multidão se concentrara perto, para invadir o Tempo], afora este mudar-se cada dia,/Outra mudança em 1954, no dia 24 de agosto. Bateram na campainha prédio. Do outro lado da rua ficava o Hospital do Pronto- faz de mor espanto:/Que não se muda já como soía". de nossa casa, na rua Demétrio Ribeiro, ex-rua da Var- Socorro. Talvez por isto havia ali um contingente da Bri- Luiz Vaz de Camões zinha. Como era costume, fui abrir. A vizinha, Dona gada Militar, a PM sulina. Não se sabe muito bem como, Wanda, nem me cumprimentou. Embarafustou casa o tiroteio começou. Na fuzilaria, dois civis morreram na Instado pelo Marco Aurélio e pela Katarina, passo a es- adentro, aos gritos: “Dona Elsa" (minha mãe), “acenda o hora. Um outro ficou ferido gravemente. Que me lembre, crever uma série de crônicas rememorando tempos anti- rádio. O doutor Getulio se matou!” morreu algumas semanas depois. gos de Porto Alegre. Não se trata de “sessão nostalgia”. Trata-se de evocar a vertiginosa passagem do tempo, coisa necessária hoje para se contrapor a estes arautos do “eterno retorno” às agruras do conservadorismo empedernido que faz questão de manter nosso país, nossa Corremos para o rádio, eu minha mãe, minha avó Henriqueta, a empregada, Audes Maria, e a vizinha. Rogério, meu irmão mais velho e Nilo, meu pai, estavam fora de casa. Deviam ser umas nove horas da manhã. Emocionado, o locutor do Repórter Esso (seria o Heron Domin- O dia também morreu, e na manhã seguinte os jornais sobreviventes estampavam as fotos do quebra-quebra, mais as do Rio de Janeiro, com a multidão virando e incendiando caminhonetes de O Globo. gente, mergulhados na injustiça e na condição subalter- gues?) lia a Carta Testamento: no fim, “Serenamente Depois, muito depois, criou-se a versão de que as multi- na no mundo e a suas vontades. dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio dões que saíam à rua para “comemorar” a queda de Chamei estas crônicas, presuntivamente, de da vida para entrar na História”. Como um repentino Getulio viraram a casaca ao ouvir a Carta Testamento “Passaporte para o Inferno”, evocação de cachorro- flash, me veio à mente cena do ano anterior: eu sobre lida no rádio. Uma ova. Não havia multidões comemo- quente vendido na imortal banca do “Zé do Passaporte”, os ombros de meu pai, na praça da Matriz, no meio de rando a queda do presidente mais popular que o Brasil sita num trailer na esquina da José Bonifácio com a Os- uma multidão incalculável, foguetes espoucando por já teve, depois de D. Pedro II e antes de Lula. O Povo, valdo Aranha, perto de onde ficava a entrada do todo lado, e na rua em frente a nós, passando em carro assim com maiúscula, assistia, impotente, a queda do “Parque Shangai”, um parque de diversões com monta- aberto e acenando, de terno branco, o doutor Getulio, seu presidente. A notícia do suicídio e a leitura da Carta nha russa, roda gigante e o escambau. Também por ali incólume e eterno. No banco de trás, um negro enorme: galvanizaram o descontentamento e a fúria. Que então, havia um campo de futebol amador, onde, ainda nos Gregório. de fato, saiu às ruas. O Povo, assim, com maiúscula, anos sessenta tardios, vi um combinado (!) de veteranos Reação popular ao suicídio de Getúlio Vargas, no centro para desespero dos Lacerdas, os Temers de então. do Internacional e do Grêmio (!!!!) dar um baile num time de Porto Alegre. (Foto: Revista do Globo) Muitos anos depois li a biografia de Osvaldo Aranha, e de recrutas do CPOR, com Elton e Milton Kuelle (do de como ele disse a Getulio, naquela fatídica madruga- Grêmio) jogando no meio-campo e Larry/Bodinho (do Seguimos colados ao rádio. Havia multidões derrama- da: “Manda todo mundo embora, fiquemos só nós dois Inter) no ataque, acabando com a defesa adversária. das pelas ruas de Porto Alegre, e também chegavam aqui no Palácio do Catete, e resistiremos à bala”. Getuli- O Zé do Passaporte vendia todo tipo de cachorroquente. Usava de tudo: purê de batata, ervilha, maione- notícias iguais do Rio de Janeiro. No centro da cidade, a multidão enfurecida invadia as sedes dos partidos antigetulistas e quebravam o que encontrassem pela frente. o lhe bateu no ombro, e disse: “Vai pra casa dormir, Osvaldo. Eu já pensei em tudo”. se, mostarda, ketchup, etc., e tinha um molho de pimen- Uma parte subia pelos prédios, e jogava pelas janelas O Velho (como também era chamado) ficou só e resistiu ta feroz que deu nome ao predileto do cardápio: tudo: mesas, cadeiras, armários, arquivos. Embaixo, na à bala. Uma única. E entrou pra História, tornando-se “Passaporte para o Inferno”. Ficava aberto a noite intei- rua, outra parte tocava fogo naquilo tudo. A multidão um mito. ra, e era clássico, naqueles tempos em que a gente ves- passou a atacar também os jornais e rádios da oposi- tia paletó e gravata para ir a reuniões dançantes particu- ção, sobretudo dos Diários Associados, de Assis Chate- Recentemente passei por aquele recanto da Osvaldo lares ou aos bailes na Reitoria da Universidade, encer- aubriand, o Chatô, antigo aliado de Getulio, que se vol- Aranha. De tudo, só resta o Pronto Socorro. Nem o Fe- rar lá a madrugada. tara violentamente contra o benfeitor. (Seria porque Ge- dor, nem o Zé do Passaporte, nem o Parque Shangai, Naquela Porto Alegre de então, afora as boates, alguns puteiros e os inferninhos, havia quatro recantos que tulio tivesse favorecido Samuel Wayner?). a concorrente Última Hora, de nem o campo e futebol estão lá (acho que no lugar de algum deles está o Auditório Araújo Viana). nunca fechavam, inverno e verão: além do Zé, havia o Ouvimos, no rádio, ao vivo, o locutor da Rádio Farroupi- O Fedor queimou. O Zé, o Parque e o campo viraram restaurante Mateus, no centro, uma farmácia na Borges lha, dos Diários, narrando a invasão e o incêndio do pré- fumaça. Tudo o que é sólido desmancha no ar, dizia de Medeiros, no térreo do edifício onde ficava o recém- dio, que ficava nos altos do Viaduto da Borges de Me- Marx. aberto Cinema Continente (onde vi pela primeira vez das cinquenta que se seguiram - “O Leopardo”, de Vissconti/Lampedusa, com Burt Lancaster, Claudia Cardinale, Alain Delon e grande elenco de apoio), e, em fren- deiros, esquina com a rua Duque de Caxias. No segundo piso do prédio ficava a rádio Difusora, também do grupo. Alguém ficou preso por lá, e pulou pela janela, quebrando a espinha, o que, naquele tempo, equivalia a Mas há certas coisas que não são sólidas, nem líquidas, nem mesmo gasosas. Estas não se desmancham nunca. www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Setembro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 5 Cidadania sustenta. A cláusula de barreira não fecha esse mercado, apenas o oligopoliza. Todos nós sabemos quais são os partidos, à esquerda e à direita, que apresentam um mínimo de consistência programática e que, portanto, se credenciam para o debate político - e quais não têm nada disso. O problema é que não há meio de transformar essa distinção prática numa regra legal. Quanto menor o leque de opções, mais fácil tende a ser a escolha – mas tende também a ser menos satisfatória. Se os partidos correspondem a posições políticas ou a interesses sociais, um amplo multipartidarismo daria ao eleitor a chance de fazer um ajuste fino na manifestação de REFORMA POLÍTICA suas preferências. Essa é a justificativa clássica para os sistemas de representação A comissão da reforma política aprovou a proporcional. No extremo, porém, tal cláusula de barreira. caminho levaria à multiplicação de opções É uma intervenção arbitrária na representação política, baseada na crença de que é melhor ter menos partidos - facilita idiossincráticas, dificilmente discerníveis entre si, o que complicaria, sem ganhos adicionais, a opção eleitoral. O sistema a decisão dos eleitores, facilita composição de maiorias parlamentares. a ideal faria com que posições substantivamente diversas aparecessem separadas, mas posições suficientemente Será? Temos muitos partidos, é ruim.E se a próximas estivessem unidas. O problema é gente ficar só com três, mas que sejam três que não há uma medida objetiva que se PMDB's, melhora em alguma coisa? possa aplicar para verificar o cumprimento Partidos sem coerência, sem programa, deste critério. que não significam nada para o eleitor e que precisam ser comprados aos nacos para dar sustentação ao governo... Qual a A saída passa ampliação política, com democratização da educação da informação vantagem? e mais espaços de participação, o que permitiria ao eleitorado depurar o sistema A questão não é apenas simplificar partidário com escolhas mais esclarecidas. escolhas. O eleitorado precisa dispor de Não existe atalho. alternativas reais, que indiquem diferentes projetos de país, e representantes que A cláusula de barreira é uma medida que falem em nome de seus interesses e visões gera arbitrariamente um sistemas partidário de mundo. A que muitas apresentem. cláusula de barreira impede dessas alternativas se Ela empobrece a disputa mais enxuto, sem promover nenhum valor político positivo. E, no caminho, pode impedir a manifestação de posições política e o debate parlamentar. políticas relevantes. O argumento subsidiário, de barrar as legendas de aluguel, também não se Luis Felipe Miguel FRASES SOBRE POVO Heitor (um amigo meu, depois de repetidas cutucadas de barbatanas no rosto, durante um chuvisqueiro): “O povo brasileiro não está preparado para andar de guarda- chuva”. *** Eu: “Se a voz do povo é a voz de Deus, Deus anda muito reclamão” *** Renato Russo: “Já me falaram muitas vezes que a voz do povo é a voz de Deus. Será que Deus é mudo?”. *** Carlos Drummond de Andrade: “É fácil falar em nome do povo, ele não tem voz”. .* * * Drummond, de novo: “Democracia é a forma de governo em que o povo imagina estar no po- der”. *** Oscar Wilde: “Democracia quer simplesmente dizer o desencanto do povo, pelo povo, para o povo”. *** Napoleão Bonaparte: “Não tenhais, sobretudo, medo do povo, ele é mais conservador do que vós”. *** Confúcio: “O mestre disse: pode-se induzir o povo a seguir uma causa, mas não a compreendê-la *** Maquiavel: “Como é perigoso libertar um povo que prefere a escravidão!”. *** Maquiavel, de novo: “Um povo corrompido que atinge a liberdade tem maior dificuldade em mantê-la”. *** Stalin: “Líderes vão e vêm, mas o povo permanece. Apenas o povo é imortal”. *** Stalin, de novo: “O povo deve ser educado com o mesmo cuidado e ternura com que um jardineiro cultiva uma árvore *** Benito Mussolini: “Somente um país inferior, ordinário, insignificante, pode ser democrático. Um povo forte e heroico tende para a aristocracia”. • ** • Mês que vem tem mais... Por uma Reforma Política democrática com participação popular Porque precisamos fazer a Reforma Política Popular no Brasil? Seus impostos merecem boa administração. Bons políticos não vem do nada. Para que existam bons políticos para administrar o país, toda a sociedade precisa colaborar para que eles possam nascer e terem sucesso. É preciso um sistema eleitoral moderno para melhorar a qualidade da política. Os políticos "tradicionais" tem horror à reforma política, porque ela pode mudar a situação atual onde eles usam e manipulam o eleitor e são pouco cobrados ! www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Setembro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 6 Cidadania II NO CAMINHO DA MANADA NÃO HÁ ESPAÇO PARA REFLEXÃO Por trás dos golpistas está um poder colossal, Voltando à estratégia da banca. A forma mais mas não invencível: o sistema financeiro inter- fácil de conduzir uma multidão é colocando-a nacional, que denomino “banca”. numa situação de dualidade: ou isso ou aquilo, Como age a banca para neutralizar reações e ou preto ou branco, ou comunista ou democraobter um apoio suicida de parte do povo? Há ta e assim, sem outra resposta, você vira um várias técnicas no domínio das corrupções, boi no estouro da boiada. Não pode ficar atrás afinal é a banca a maior corruptora de todos da árvore ou correr em outra direção, segue a os tempos, também no domínio das estraté- boiada ou a enfrenta. gias de administração e no campo da comuni- O caminho para o golpe de 2016 foi a corrup- cação de massa. ção. Nunca tantos corruptos se apresentaram Neste último, o Brasil talvez tenha sido o mais contra uma única corrupção, a do Partido dos fácil país para a banca exercer sua ação. En- Trabalhadores. Dia e noite as redes de televicontrou um sistema quase totalmente privado, são e a imprensa martelavam: corruptos, cordominado por meia dúzia de famílias, mas ruptos, corruptos. sendo um monopólio efetivo de uma delas: a E, os próprios tribunais de exceção, constituí- proprietária do Sistema Globo. dos por agentes da banca e corrompidos di- A leitura a seguir lança luz sobre um pano de fundo da crise, que é a crise de identidade do povo brasileiro. Está presente também nessa crise a carência do livre pensar, por falta do subsídio cultural crônico. Assim o brasileiro segue, com as crises, impedido da reflexão e pouco disposto a um posicionamento a margem do rebanho. A banca não tem argumento. Como defender o propósito de criar uma dívida permanente, de preferência crescente, que escravize o devedor? Afinal a banca só faz, rigorosamente, isso: promover a dívida. Tenho a convicção – expressão tão em voga – que esta face da banca se originou com a Revolução Francesa e o “passeio” de Napoleão pelas terras aristocráticas do continente europeu. Deve ter sido versos, para condenar os “petralhas”, chegaram aos denunciantes, aos golpistas de todos os poderes. Era, então, necessário mudar a tônica. Como por milagre, a corrupção sai das manchetes. Entra a violência. Sim, você deve ser a favor do uso policial das forças armadas ou então é um terrorista, um amigo dos marginais. Exceto se for um magistrado conhecido por conceder noturnos habeas corpus. É um motivo de perplexidade e inquietação o um susto, para quem sempre teve na proprie- Assim, a banca prepara a repressão, que um desplante com que o governo golpista de 2016 dade fundiária seu poder e riqueza, se encon- governo provocador, inimigo da Nação terá, vem atuando. Retira direitos consagrados há trar, subitamente, despojado de ambos. mais dia menos dia, que enfrentar. E a pauta quase cem anos, doa a estrangeiros bens e riquezas naturais brasileiras, provoca a humilhação da nossa nacionalidade no exterior, enfim, é um verdadeiro provocador que não encontra quem o revide com efetividade. Os financistas ingleses, que já haviam se apropriado da revolução industrial, viram um modo de responder a esta inquietante situação da aristocracia e seus apaniguados: a geração de dívida. E, a partir daí, pela dívida, a Ingla- da violência, do desastre substitui a da corrupção. Nem importa se é o assalto com vítima no seu bairro ou uma avalanche na Suíça. Você precisa ter medo, como antes tinha revolta. Já prepara, pelo medo, uma grande arma, as pri- Aqui e ali, um discurso, um artigo, mais ou me- terra criou um império colonial. Você, por aca- sões e torturas dos opositores. Há até um pré- nos veemente, uma denúncia, muitas vezes so, está pensando que as ferrovias na Índia candidato a qualquer coisa que tem no discur- cheia de ressalvas, parece que a ameaça de objetivavam o progresso daquele país? Triste so da agressão seu mote político. Aécio Neves, gravada pelo corruptor, de matar e ledo engano. Além de facilitar a comerciali- E a banca vai destruindo, dentro de seu plano, o denunciante, intimidou todo mundo. zação das companhias inglesas (precursoras, mais um país, como o fez com o Iraque, a Lí- Tenho plena consciência que não são os arro- com as holandesas faça-se justiça, da simbio- bia, tentou na Síria e insiste na Venezuela. É gantes e imbecis parlamentares, os magistra- se público-privada: o público arca com os in- um projeto nefasto de poder, cujo enfrentados, nem mesmo os ruralistas, exportadores, vestimentos e os prejuízos; o privado com os mento exige a consciência e a reflexão de banqueiros e outros sanguessugas da nação, lucros) gerava a dívida da Índia com os ban- quem não se ilude com dicotomias e sofismas. desde o período colonial, quem está mantendo cos ingleses. Aqui, no Brasil, a independência Pense e salve sua Pátria, saia do rebanho ou este governo. Também não são os Estados carregou uma enorme dívida com a Inglaterra, se tornará um pária. Unidos da América (EUA) ou qualquer outro que o Império multiplicou, e somos apenas um império de algum estado nacional. exemplo entre tantos outros. Nenhuma jabuti- Pedro Augusto Pinho caba. AJUDE-NOS a manter este projeto de educação - www.culturaonlinebr.org/apoiadores.htm Rádio web CULTURAonline Brasil NOVOS HORÁRIOS e NOVOS PROGRAMAS Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós ! A Rádio web CULTURAonline Brasil, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Professor , Família e Sociedade. Uma rádio onde o professor é valorizado e tem voz e, onde a Educação se discute num debate aberto, crítico e livre. Mas com responsabilidade! Acessível no link: www.culturaonlinebrasil.net

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Setembro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 7 Crônicas, Contos e Poesia Para o amor não há distância, Tudo parece perto. O amor acalma a alma, as aventuras são errantes. A lembrança nos aproxima sempre de quem amamos A saudade é uma distância perto todos os dias. A lembrança é eterna e não sai da mente. Como as estrelas parecem próximas, Quem amamos está sempre presente Acordado em nossos sonhos. No amor, eternizamos um pequeno instante, Por medo que tudo fique distante, Prova nossa força quando calamos, A qualquer custo, queremos o amor por perto. Quando o coração não pode ser tocado, Vem um anjo e nos traz o olhar de quem amamos Como se prece fosse e, quanto mais longe estiver, Mais perto se quer e mais se quer amar. Perto ou longe, o amor sempre vivo está. Mesmo que rejeitados, continuamos a amar, Continua viva em nós a chama. E a vontade de estarmos juntos, Nem que seja só por mais alguns segundos. Genha Auga HISTÓRIA Terror foi o dia em que precisou levá-lo para tomar vacinas e passar por exame médico, DE OLÍVIO ele querendo fugir do médico era um desespero, pois, como tomou essa decisão e desde o início ninguém a apoiou, consequentemente, ninguém a ajudava. Foi quase paixão à primeira vista. Logo vieram as primeiras manifestações de ar- Todas as manhãs ela ia para praia apro- rependimento, pois já desacostumada de obri- veitar o sol do verão e suas merecidas férias. gações com essa “criança”, de limpar, impor Posicionava sua cadeira, se lambuzava de pro- horários, levar para atividades e já cansada não tetor solar e ali ficava o dia todo. Tomava sua via como voltar atrás e nem como alguém lhe cervejinha, saboreava petiscos de camarão, ajudar. mais tarde um banho de mar, depois uma caipi- rinha, pastel e todas as besteiras a que tinha Ele, por sua vez, acostumado a brincar pela direito. praia, comer a hora que queria, sem hora pra nada, foi se enchendo de tristeza, o olhar ficou Longe das tarefas de casa e principalmente do melancólico, não gostava de ficar dentro daque- fogão, assim passava seus dias, caminhadas, la casa que mais parecia uma caixinha, nem na cada dia um papo com alguém que conhecia e janela podia olhar, tudo que pegava para brincar só voltava à noite para sua casa de férias. To- era proibido, fora os remédios horríveis que to- mava um banho, relaxava e, só faltava mesmo mava e banhos que detestava. companhia para jogar um baralho ou assistir um filme até a hora de se deitar. Ficavam na sala se olhando desolados... Tudo ótimo, delícia de férias até que apareceu Na verdade ela agora não era mais a mulher o lindo e encantador Olívio que vinha todos os encantadora e divertida da praia, estava mais dias e passou a desfrutar de sua companhia, pra madrasta e daquelas bem bravas e chata, e compartilhando seus petiscos, longos passeios, ele, deixou de ser aquele companheirinho diver- corriam até a beira da água e assim passaram tido para tornar-se uma obrigação séria e de- alguns os dias daquele verão. sastrosa na qual não pensou. Nessa convivência tão prazerosa, Maria Tere- Passaram-se os dias e tudo foi se acalmando e za, descobre que ele era solitário e sem lugar cada um levando como podia. fixo, um nômade e errante aventureiro litorâneo. Uma noite, Maria Teresa acordou para tomar Visto terem se dado tão bem, trouxe-o para São água, tropeçou no tapete, caiu e não conseguia Paulo e compartilhariam casa e comida. No car- levantar-se, Olívio não sabia o que fazer, pulava ro vieram contentes e ele, pelo visto, não tinha com força na porta e tanto barulho fez que o costume de andar de carro por isso quase a dei- vizinho, ligou para a filha dela reclamando e a- xou maluca com tanta euforia. chando que estavam com algum problema. A Chegaram e foram para o apartamento. Quan- filha chegando, encontra a mãe caída e Olívio do sua filha e os vizinhos souberam da novida- ao seu lado, desesperado. Foi socorrida e ficou de a recriminaram muito e disseram que havia em repouso por alguns dias. Qual não foi a surarrumado um problema e não seria a solução presa que teve ao ver o carinho e o olhar de pra Olívio, no entanto, entusiasmadíssima com tristeza dele vendo sua parceira, aborrecida e sua decisão, nem ligou para os comentários. doente e ela, emocionada com o carinho dele que passou a brincar e afagar seu querido ami- Os primeiros dias foram felizes embora ambos guinho arrependida de sua sempre má vontade. se adaptando nessa parceria. Ele mexia em tu- Afinal além de lhe salvar, não saia de perto dela do, pulava o tempo tudo, queria comer toda ho- nem um segundo. ra, pois com apenas três anos de idade, não estava acostumado com regras e muito menos Depois de algum tempo, já restabelecida, pasde ter que deixar de comer as besteiras que lhe sou a ter mais prazer e vontade de brincar, sair davam o tempo todo na praia. Não se conforma- com Olívio e cada um, com amor, passaram a va de ficar trancado em casa e só sair nos horá- viver melhor a nova vida e tornaram-se insepa- rios certos e, sem contar quando ela precisava ráveis e os dias ficaram cada vez mais divertisair para suas obrigações de rotina e o deixava dos. em sozinho em casa. Enfim chegaram as férias novamente e lá se Quando voltava, era só reclamação dos vizi- foram para a praia. Muita alegria entre eles e nhos porque Olívio fazia um escândalo tão aproveitaram a liberdade que o lugar permitia, grande que pensaram em denunciá-la. Com o sem horários e comendo muita besteira. passar dos dias, ele foi se acalmando, mas Assim, ficou mais uma vez comprovado que o sempre mexia no que não podia, quebrava obje- cão é, realmente, o melhor amigo do homem. tos e fez muitos xixis onde não devia. Basta que os animais sejam respeitados Precisava levá-lo para passear, tomar sol, brin- e compreendidos. car, mas ela mal aguentava tanta traquinagem. Pela janela via-se ela sendo puxada pela força dele querendo se soltar e ela o segurando e ralhando com ele, geralmente desistia e voltava para casa. Genha Auga Jornalista MTB: 15.320 www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Setembro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 8 Imoralidades Brasil Oração fúnebre para o Brasil não há líderes autênticos. Resignação e indi- ver quem se apossava mais do botim do te- ferença é a melhor maneira de enfrentar a trá- souro público, para ver quem era o melhor a- No último dia dois de agosto de 2017 assisti- gica normalidade, porque nada muda numa migo dos empresários para solicitar-lhe a pro- mos, paralisados, a morte moral do Brasil. Pe- realidade pacata, violentamente pacata, que pina em troca de favores escusos. la primeira vez na história, um presidente da sempre foi assim e sempre será assim. República foi flagrado cometendo crimes e os As gerações futuras sentirão vergonha do falsos representantes do povo decidiram dar- Os políticos de Brasília, os operadores do nosso tempo, sentirão desprezo pela nossa lhe aval para que ele siga impune no exercício mercado financeiro, os grandes capitalistas, covardia e pela nossa prostração. Serão jus- da mas alta magistratura do país sem que a os empresários da Fiesp que nunca pagam o tas se não sentirem nenhuma magnanimidade tenha recebido da vontade do povo. Pelo con- pato, não choram por este Brasil moralmente compreensiva, pois não a merecemos. Não trário, deixaram-no no cargo contra a vontade decapitado. Não choram pelos 60 mil mortos mereceremos a benevolência do perdão por- da esmagadora maioria do povo. De lá para anuais que acompanham esse corpo de um que estamos legando a elas uma herança trá- cá, o país sangra sem dignidade e o pavilhão Brasil saqueado; não choram pelas mães e gica, de um país que se arraigou à sua desi- auriverde tremula com as manchas cinzentas pelas viúvas de jovens assassinados; não gualdade, à sua incultura, à sua indignidade e da vergonha. choram pelos milhares de corpos mutilados no à sua falta de coragem. A morte moral do Brasil não foi acompanhada pelo tinir de batalhas nas ruas e nas praças, por gritos de indignação, e pelo rufar de tambores da guerra. Com exceção de uma escaramuça aqui, outra acolá, o povo assistiu cabisbaixo a morte da dignidade nacional. O que se ouviu foram lamentos de desesperança de uma sociedade fraca que se afunda em sua fraqueza, de um povo desanimado, incapaz de qualquer ato de virilidade combativa. trânsito; não choram pelo choro das crianças baleadas no ventre das mães, da meninas abatidas pelas balas perdidas; não choram pelos doentes amontoados nos corredores dos hospitais públicos; não choram pelas crianças que não têm leite, pelo trabalhador que não dorme, pela empregada doméstica humilhada e pelas famílias que não têm lar. Os políticos choram pelo teu voto, pela propina dos empresários, pelo cargo público para os apadrinhados, pelo enriquecimento privado. As gerações futuras nos condenarão a nós e a nossos inimigos. A nós porque fracassamos de livrar o Brasil de seu opróbrio; não fomos capazes de enfrentar os inimigos do povo com a astúcia virtuosa do bom combate; nos enredamos nas auto-justificativas pueris dos nossos próprios fracassos; não tivemos princípios de conduta disciplinadores; não nutrimos traços de caráter intransigentes com as injustiças e com as desigualdades; não fomos inconformados com os nossos próprios erros e O que se viu foi um povo cativeiro de sua pró- Não há sentido de grandeza nas ações dos fracassos; não tivemos a virtù guerreira para pria impotência, sequer comparável aos he- nossos políticos, nem honra em servir o bem proteger e liderar os mais fracos e arrancar breus escravizados no Egito, porque aqui não público, nem ambição de conquistar a glória dos poderosos os frutos de suas rapinas. há um Moisés libertador, capaz de conduzi-lo a uma Terra Prometida qualquer. Os nossos políticos são valentes em seus gabinetes, são combativos em sua vaidade, são espalhafatosos em suas inconsequências e são heróis de sua própria covardia. Não, aqui o povo está cativo em sua própria terra, sem um líder que o convoque para a luta, que possa servir-lhe imorredoura dos grandes feitos construídos pelo espírito heroico do desprendimento sacrificante da doação pessoal pelo país. Os nossos políticos almejam a reputação dos mesquinhos, as pequenas manobras dos espertalhões, as palavras lustrosas dos demagogos, os atos teatrais dos charlatões. Os nossos inimigos serão condenados pela encarnação histórica do mal que sempre foi feito desde que o Brasil é Brasil. São a continuação dos massacres contra os índios, dos açoites e dos grilhões contra os negros, do sangue derramado dos camponeses nos campos vastos do Brasil, do cansaço, suor e lágri- de exemplo, de inspiração. Os historiadores nos descreverão em cinza mas dos trabalhadores explorados. São a sobre cinza continuação da violência sexual, moral e labo- O assassinato moral do Brasil não deixou viúvas vingativas, filhas revoltadas, filhos, paren- Os historiadores do futuro haverão de descre- ral contra as mulheres. tes e amigos desensarilhando armas para o ver o nosso tempo em páginas cinzentas com Michel Temer e seu governo são uma síntese combate. Silêncio, fastio, recolhimento, desa- letras cinzentas, pois nada de dignificante e de toda essa perversidade criminosa que co- lento e resignação são os entes que acompa- glorioso há o que se relatar. Há que se relatar bre o Brasil de sangue, de vergonha e de in- nham o triste féretro por onde passa o corpo os andrajos morais de um país sem dignida- dignidade. Quando as forças terríveis do Ha- insepulto deste país apunhalado em sua ingló- de, uma época de covardias de gentes indis- des tragarem Temer para as profundezas dos ria trajetória, extraviada nos tempos. poníveis para a luta. Há que se relatar uma abissais, não lhes será erguida nenhuma es- tenebrosa noite de incertezas, de rostos depri- tátua para que fique na memória do país. Es- O povo bestializado que viu nascer a Repúbli- midos pela desesperança. Há que se relatar sas forças o arrastarão para os campos do ca – no dizer de Aristides Logo – proclamada um tempo de políticos que engrandeceram os esquecimento eterno. E se alguém encontrar por um marechal monarquista, sem saber o bolsos para empobrecer a pátria, de empresá- a sua sepultura em tempos remotos do futuro que estava acontecendo, é o mesmo povo rios que compraram políticos para se apode- haverá de ler: “aqui jaz um corrupto que des- bestializado de hoje que viu Temer ser salvo rar dos cofres públicos, de inconfidentes con- truiu o Brasil para salvar o seu mandato ilegíti- porque a vida é assim, porque os políticos são tra a Constituição que deveriam ser seus pró- mo”. assim, porque o Brasil é assim e porque nada prios guardiões. importa. Tanto fez, como tanto faz. Resigna- ção e indiferença parecem ser os melhores Há que se relatar um tempo em que o país foi Aldo Fornazieri remédios quando não há ânimo no espírito, quando não há virtudes cívicas, quando não há coragem e disposição para a luta, quando assaltado por políticos velhacos e quadrilheiros, cuja competição não era para inscrever nas páginas da história as vitórias triunfais na Professor da (FESPSP). Escola de Sociologia e Política construção de um país grandioso, mas para www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Setembro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 9 E agora José? A ANHANGUERA E A VENDA DE DIPLOMAS se formam em regime de “pastelaria”. O que corporações que contam com reserva financei- presenciamos são professores de Língua Por- ra, financiamento próprio, currículos flexíveis, R e c e n t e m e n t e tuguesa que não sabem fazer uso correto da utilização de EAD e uma série de outras viralizou nas re- vírgula, professores de Geografia que não “vantagens” (entre muitas aspas) que detonam des sociais uma conseguem realizar uma análise sobre o espa- com qualquer faculdade séria de pequeno ou propaganda da ço ou uma leitura de um mapa. Advogados médio porte e formam alunos (entregam diplo- Anhanguera que que não conseguem interpretar um texto ou se mas) na base da baciada. Repetimos: este induzia o leitor a expressar diante de um público, médicos que mercado só existe porque há mercado consu- c o m p l e m e n t a r esquecem o bisturi dentro do paciente, enge- midor. Na ansiedade de se obter um diploma sua renda como nheiros que erram o cálculo e o prédio cai, etc. para angariar “umas aulinhas”, a busca por es- professor. Para isso bastaria rea- A venda de diplomas no Brasil se tornou um ses cursos é imensa. lizar o curso ofe- mercado muito prolífero. Na ansiedade de se O que se percebe é que isso se trata da legali- recido pela insti- obter uma certificação, muitos optam pelo me- zação do ilegal. Ou seja, a venda de diplomas tuição. nor esforço. Quanto menos aula, menos tare- é sumariamente proibida, porém, com um cur- fas e menos estudos, melhor (e para citar um so de seis meses ou mesmo um ano, de um Nas redes sociais, sobraram críticas à campa- colega que obviamente não iremos expor, diria curso que dura no mínimo três (e é pouco), nha publicitária. Mesmo após a retirada do a- sem o menor pudor, “quanto menos...” . Quan- eles (empresários da educação) enchem “a núncio, as críticas continuaram. A princípio a to mais rápido o diploma for expedido, melhor. burra” de dinheiro e lançam no mercado profis- frase “torne-se professor e aumente sua ren- Neste contexto se forma um exército de sionais “meia-boca”. Esses profissionais, se é da”, não caiu bem. Até porque quem é profes- “diplomados sem conteúdo”, uma massa que que podemos chamá-los assim, voltam ao sor de carreira sabe que não é bem assim que vai servir para subempregos (públicos ou pri- mercado educacional e na melhor das hipóte- funciona. vados). Uma massa que encara a profissão de ses (ou pior, não sabemos) são admitidos em Em nota a Anhanguera afirma que: “Erramos. professor como um bico. escolas públicas e privadas (de qualidade du- Nós, da Anhanguera, pedimos desculpas pela Na segunda metade do século XIX, Karl Marx vidosa) e com seus parcos conhecimentos e mensagem equivocada sobre a função e a im- cunhou o conceito de “Exército industrial de falta de empenho acabam “parindo” alunos a- portância dos professores. A campanha de reserva”. Este conceito se reflete sobre o de- nalfabetos funcionais. Percebe-se aí um ciclo marketing que causou mal-estar não represen- semprego estrutural, em que a força exceden- vicioso de má educação que as políticas edu- ta o que nós, como instituição de ensino acre- te do trabalho (os desempregados aptos ao cacionais (e partidárias) teimam em perpetuar ditamos, e foi retirada do ar. Nossa intenção emprego) é estrategicamente necessária para visando apenas e tão somente a criação de com o curso de Formação Pedagógica é in- que possa haver a inibição sobre as reivindica- um “exército industrial de reserva”, como cita- centivar que profissionais já formados possam ções trabalhistas e o rebaixamento dos salá- do acima. ter também essa habilitação e contribuir para a rios. Em tempos de crise, como o que estamos E, de quebra, ainda temos que engolir que resolução do déficit de professores que o Bra- vivendo, a crença no livre emprego e na livre Marx não deveria ser cogitado em aulas, pois sil enfrenta. Acreditamos que, promovendo a negociação trabalhista atesta o quanto o con- “trata-se de uma doutrinação marxista, leninis- docência, temos o caminho para o desenvolvi- ceito de “Exército industrial da reserva” é la- ta, stanilista, petista, venezuelana, cubana”. mento social e econômico do país. Por fim, es- tente e presente. Balela, nada mais, pois a escola é um espaço clarecemos que, esta campanha, em específico, não foi submetida à análise prévia do Luciano Huck e de sua equipe”. Cabe ressaltar que esta nota foi extraída do site https://goo.gl/ WCVKbu e que, oficialmente, não localizamos esta nota no site da instituição. Outra parte importante deste anúncio se trata da denúncia sobre a prática da venda de diplomas no Brasil. Nas últimas duas décadas a quantidade de brasileiros diplomados no Ensino Superior aumentou muito. As políticas de financiamento do Ensino Superior, abertura de reflexivo, onde se debate ideias e o conhecimento advém da dialógica, das diferenças respeitadas. Vale a pena lembrar que já foi citada em outros artigos a ideia de que nossos planos educacionais são uma verdadeira colcha de retalhos que toma um novo rumo a cada Ainda que, como já dito, não tenhamos locali- universidades e faculdades públicas e a políti- período eleitoral e por causa disso nunca che- zado a nota (de forma com que se prove a au- ca de bolsas em instituições privadas fizeram gamos ou chegaremos a um porto seguro. Ob- toria da mesma), não é preciso muito esforço com que o Brasil saltasse de 16,5% da popula- viamente, um professor mal formado vai traba- para entender a massificação dos diplomas no ção de 18 a 24 anos matriculadas no Ensino lhar pela lei do mínimo esforço. Isto é, aceitan- Brasil. Infelizmente, para muitos, vale muito Superior para 34,6% em 2015. De acordo com do que a reflexão, a análise e a crítica são coi- mais um diploma do que o conhecimento. o Plano Nacional de Educação, a meta para sas de comunistas, e o que vale mesmo é o É importante deixar bem claro que este tipo de 2024 é de 50%. Ou seja, é um fantástico mer- cumprimento de cartilhas. comércio existe porque há consumidores. Isto cado para ser explorado. No fundo, no fundo (nem tão fundo assim), a é, se a empresa oferece um produto de baixa No site do Observatório do Plano Nacional de publicidade da Anhanguera não está errada. qualidade, oferece porque há pessoas interes- Educação é possível verificar a meta 15, que Só está reproduzindo o que acontece na práti- santes e dispostas a pagar por este produto. trata da Formação de Professores. No painel ca. Neste caso, há alunos-clientes interessados. É de indicadores da meta, observamos que em a lei do mínimo esforço para obter vantagem. Nesta situação, conseguir um emprego (ou um bico). Não pretendo tratar aqui da relação qualidade x quantidade e creio que mediante as observa- 2007 68,4% dos professores da Educação Básica tinham Ensino Superior. Em 2016 a porcentagem passou para 77,5%. A meta para 2024 é atingir 100%. Sendo assim, o mercado de Ensino Superior Ivan Claudio Guedes Geógrafo e Pedagogo Omar de Camargo Professor de Química. ções de um olhar um pouco mais atento, fica apresenta um campo profícuo para as grandes evidente a falta de qualidade por aqueles que www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Setembro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 10 Cultura Musical Grandes figuras da música ocidental VII guinada da ópera italiana nas suas mãos. em uma peça de D. Belasco. Uma história de Com personalidade própria mas “antenado" amor locada no Velho Oeste americano. Su- com a grande revolução estética na música cesso também em sua estreia nos Estados como um tudo que aconteceu na virada do Unidos. Essa foi a primeira encomenda feita século XIX para o XX. Puccini ousou ao im- pelo Metropolitan Opera em sua história. Al- pregnar a tradição italiana com a música aus- guma resistência do público europeu por cau- tro-germânica, francesa, a música oriental. sa das referências americanas. Mas ainda ho- Segue um resumo de terceiro título, os dois suas óperas a partir primeiros (Edgar e do Le je é bastante tJSAB7nwQ7A encenada. https://youtu.be/ Puccini Villi) apesar de serem bem bonitos, não são La rondine - Originalmente pensada como tão característicos da sua obra, ainda muito uma operetta, um gênero mais leve de ópera, Em artigos passados falamos de Verdi e ligadas à tradição. com muitas valsas e música dita ligeira, o Wagner, seguramente os dois compositores de ópera mais importantes no séc. XIX. Os dois foram responsáveis pelo crescimento do gênero, e influenciaram diretamente uma geração de compositores de ópera. Falaremos de alguns dos compositores que foram diretamente ou indiretamente influenciados por esses dois grandes mestres. Manon Lescaut - História baseada no romance de 1731 “A história do cavaleiro Des Grieux e de Manon Lescaut” de A. Prévost. Uma história de amor, traição, ganância, luxúria, punição, e morte. Todos os ingredientes perfeitos para um sucesso. Nas mãos do jovem Puccini uma ópera eletrizante, acrescentando a paixão italiana à leveza e sensualidade da compositor acabou revisando várias vezes até o formato de ópera como a conhecemos hoje em dia. Uma história de amor linda, com a renúncia final da heroína. Como é uma história sem tintas fortes, ela acabou ficando relegada a segundo plano. Mas ainda assim encenada até hoje. https://youtu.be/NYFdijO0yTE (não encontrei uma versão encenada) O primeiro deles que escolhi foi Giacomo novela francesa. Foi sucesso imediato, e ini- Il trittico: Il tabarro, Suor Angelica e Gianni Puccini. ciou a carreira brilhante do compositor. Schicchi - A proposta foi montar um espetá- Puccini acabou se tornando um dos mais e- https://youtu.be/nfkyb2WvApE culo com três óperas de um ato com as três xecutados compositores líricos até hoje. A capacidade que ele teve de atingir diretamente o coração do público é impressionante. Tenho certeza que mesmo quem não conhece nada de ópera já ouviu algumas de suas árias (que são uma espécie de canções) de suas óperas. Citando duas delas aqui: Nessun Dorma (da ópera Turandot) https:// youtu.be/suj-2sbSFKs e O mio babbino caro (da ópera Gianni Schicchi) https:// youtu.be/JKh_m6t9ukQ La bohème - Uma das óperas mais populares de todos os tempos. Uma história trágica de amor entre jovens com todos os ingredientes da boêmia. Um escritor que se apaixona por uma florista, com encontros e desencontros, ciúmes, paixão, um pintor que se apaixona por uma cortesã, a amizade, a miséria, a fartura, e a morte prematura da heroína. Uma música linda do começo ao fim, também baseada em um romance francês, “A vida boêmia” de Henri Murger de 1851. https:// youtu.be/mrxraOXOals principais características do teatro grego: Um drama, uma tragédia e uma comédia. Il tabarro, o drama, história de um assassinato passional provocado por ciúme doentio. A tragédia, Suor Angelica, a história de uma mãe solteira que se separa do filho e vai para um convento e recebe a notícia da morte deste. Gianni Schicchi, uma comédia baseada em uma história da Divina Comédia de Dante Alighieri. Muitas vezes encenadas também em separado. A comédia é a mais executada delas hoje em dia. https://youtu.be/q_Sm5wePw-0, https://youtu.be/5L0lEPIYiY0, https:// A ópera é um gênero que desperta paixões Madama Butterfly - História comovente de youtu.be/0Go1_9Zdo9k porque ela conta uma história, é uma novela, uma peça de teatro contada através de música. Na ópera italiana, Verdi, ainda na estética do séc XIX, usava histórias baseadas em romances ou novelas já de certa maneira consagradas. As histórias em geral se passavam em períodos anteriores ao seu contemporâneo. No final do séc XIX apareceu um movimento uma jovem japonesa iludida por um oficial americano num casamento falso. Ela acaba se matando ao perceber que fora iludida. Crítica contundente à arrogância americana baseada na peça de teatro homônima de David Belasco. Uma das mais emocionantes óperas do compositor. Também uma das mais executadas até hoje. https://youtu.be/3stgof-xyN0 Turandot, sua última e mais ambiciosa obra, foi deixada inacabada pelo compositor que morreu antes de terminar. Baseada em uma peça de Carlo Gozzi, Turandot foi terminada pelo compositor Franco Alfano, baseada em rascunhos de Puccini. Uma história fantástica que se passa em um tempo fictício na antiga China. Uma história de amor, de enigmas, no mundo da ópera, que pretendia trazer os Tosca - Uma trágica história de amor com pa- fascinante. Puccini incorporou temas asiáticos textos mais próximos à realidade, ao dia-a-dia no de fundo político. Baseada em uma peça e usou uma orquestração extremamente mo- contemporâneas. Foi chamada de Verismo de V. Sardou se passa na época da derrota derna. Mesclou tudo isso com trechos de in- em italiano, que pode ser traduzido como Re- de Napoleão em Roma. Um pintor revolucio- tenso lirísmo, com arias lindíssimas que são alismo. nário é o par romântico de uma cantora ciu- extremamente populares hoje em dia. https:// Vários outros compositores iniciaram o movi- menta. O chefe de polícia usa o ciúme de youtu.be/dyZHi-yVESQ (encenada na China) mento, mas talvez o mais bem sucedido representante desse movimento seja Puccini. Puccini nasceu em Lucca. Itália dem uma família que vinha de uma “dinastia" de músicos. Por muitas gerações o ofício foi passado de pai para filho. Tosca para prender e torturar o pintor tentando descobrir o paradeiro de um companheiro deste. Num desfecho emocionante, Tosca depois do assassinato de seu amor se joga do alto de um castelo. Cena essa que ficou famosa. Uma música forte e de texturas inovadoras. Também sucesso imediato e é encenada A facilidade de criar melodias bonitas e inesquecíveis, aliados a um talento profundo para a criação de atmosferas e um conhecimento profundo da voz humana e da orquestra fez com sua obra seja quase que integralmente executada até hoje. No início como compositor suas óperas trazi- até hoje. https://youtu.be/DnO7FBS1akI am o estilo da grande ópera verdiana, porém Saudações Musicais já no seu terceiro título Manon Lescaut, sua La fanciulla del West - Uma encomenda do Mto. Luís Gustavo Petri inquietação estética já prenunciava a grande Metropolitan de N. York. Também baseada Rádio web CULTURAonline Brasil NOVOS HORÁRIOS e NOVOS PROGRAMAS Prestigie, divulgue, acesse, junte-se a nós ! A Rádio web CULTURAonline Brasil, prioriza a Educação, a boa Música Nacional e programas de interesse geral sobre sustentabilidade social, cidadania nas temáticas: Educação, Escola, Professor , Família e Sociedade. 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Setembro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 11 Política III Por que? não derrubam regimes de governo? Talvez o cente da Segunda Guerra Mundial, o Japão real interesse dos governos americanos não é invadiu a Coreia, a Manchúria e a China por- A Coreia derrubar os regimes de governo que eles re- que quis. Atacou Pearl Harbor porque quis, do Norte é a provem, e sim manter inimigos de reserva pa- mas os americanos extrapolaram jogando as “bola vez”. da ra guerras no futuro, de forma que a indústria bombas atômicas, o Japão já estava derrota- bélica tenha os seus clientes garantidos. do em agosto de 1945, bastava invadir o ar- Eu pessoalmente não gostaria de ter que viver em um país que tenha o regime de governo que a Coreia do Norte tem, é a minha opinião sincera. Então, eu não sou a favor do tipo de regime vigente na Coreia do Norte. Respeito a opinião de quem é a favor, mas eu não sou. Porém, não considero os Estados Unidos como os “mocinhos” da história não. Eu sou a favor da proposta teórica da democracia, de governo do povo, pelo povo e para o povo, mas ficou evidente que a democracia representativa é uma “máscara”, é um sistema oligárquico na prática. O lobby das armas é muito influente no Congresso dos Estados Unidos, e o cidadão comum, a média dos ameri- Os governos americanos fizeram e mantém aliança com países como Arábia Saudita que é uma monarquia absoluta totalitária e vem com o discurso hipócrita de acusar o Irã, a Coreia do Norte, Cuba e a Venezuela. A Rússia também não concorda que a Coreia do Norte tenha armas nucleares e está certa, eu mesmo também concordo que não só a Coreia do Norte, mas todo e qualquer país do mundo não deve ter armas nucleares. Esse tipo de arma é útil no espaço sideral para defender o planeta de asteroides que vierem em rota de colisão. Mas não na superfície da Terra. Nenhum país deve ter armas nucleares para ameaçar outros. A realidade é que nenhum país que já tem armas nucleares vai aceitar que os que ainda não têm venham a ter. Isso é lógico, é obvio! quipélago, não havia necessidade das bombas. Não, o Japão não é inocente quanto ao passado. Entretanto, não importa o quanto os governos dos países tenham errado no passado, eu vou ficar muito chateado se o Japão, a Coreia do Sul, Taiwan, Austrália, Filipinas e outros países naquela região forem destruídos por causa da briga entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos. Também não desejo ver nações da Europa, Oriente Médio e da América do Norte serem destruídas por causa da briga dos Estados Unidos com a Rússia e China. A princípio, me parece que a retórica entre Trump e Kim vai ficar só nisso mesmo, assim como a “queda de braço” entre Estados Unidos e a Rússia não vai passar de troca de acusações e ameaças. Mas essa rivalidade geopolítica recente entre as potências mundiais me faz sentir incomodado. Eu acredito canos também não é muito politizada, lá tam- Mas não é certo os Estados Unidos terem que, se os Estados Unidos tomarem a iniciati- bém há manipulação da opinião pública. uma diplomacia tão descaradamente hipócrita va de demonstrar boa vontade, a Rússia e a Por que os políticos, os governos america- e sem coerência ética, se Washington D.C. China também vão responder demonstrando nos e britânicos fazem tanta questão de ter consegue ser tolerante com os regimes de boa vontade, e o perigo da Terceira Guerra diplomacia autoritária? Por que os governos Riad e Pequim, então consegue ser tolerante Mundial começar vai ser afastado. Não sou dos Estados Unidos acreditam tanto que san- também com os regimes de Havana, Teerã, contra o Estados Unidos da América em si, ções comerciais e econômicas funcionam Damasco e Pyongyang. Se é contra ditadu- gosto daquele país. Entretanto, o governo a- contra outros países? Faz quase 60 anos que ras, então não apoie nenhum regime não de- mericano está ameaçando a segurança do o regime de Fidel Castro está em vigor em mocrático, fale abertamente contra todos, im- mundo, com o apoio de governos europeus, Cuba, até hoje não caiu. Faz quase 40 anos ponha sanções a todos, incluindo os seus ali- com esse joguinho de medir forças com a que o regime islâmico instituído pelo aiatolá ados. Se os Estados Unidos são defensores Rússia e a China. Eu queria que os cidadãos Khomeini está em vigor no Irã, até hoje não de direitos humanos, então não façam vistas americanos acordassem e reagissem. Espero caiu. Faz quase 70 anos que o regime marxis- grossas a nenhum grupo da humanidade, co- que essa troca de ameaças entre os países ta de Pyongyang está em vigor, até hoje não mo fazem aos curdos e tibetanos, por exem- não passe disso, eu realmente não quero que caiu. Vai funcionar contra a Rússia? Por que plo. Agora, a ânsia por lucro compensa tanto a Terceira Guerra Mundial aconteça. os governantes dos Estados Unidos não percebem que sanções comerciais e econômicas a ponto de se correr o risco da Terceira Guerra Mundial começar? Da guerra nuclear acon- João Paulo E. Barros tecer? Não considero o Japão uma vítima ino- Podemos ter esperança? viável. Votar em lista fechada, em legenda partidária, também não funciona, o eleitor tem que ter o controle das pessoas que vão entrar Referente à política no Brasil, estou atordoado, tentando entender o no Parlamento. Para representar os estados da Federação, já existe o que os políticos brasileiros sentem pelo Brasil, afinal. A proposta de Senado. Reforma Política que está sendo levada em consideração, é a de a- dotar o distritão, ou seja se o estado do Rio de Janeiro tem 46 depu- Não sou futurólogo e nem esotérico, mas eu não consigo acredi- tados federais, os 46 candidatos mais votados é que vão ser eleito. tar na possibilidade de um futuro bom para o Brasil nas próximas dé- Os cientistas políticos concordam que é a pior alternativa possível cadas. E dou razão para quem optar por emigrar, desde que seja por quanto à representatividade. Nós precisamos de um sistema eleitoral meios legais. Tenho pena de quem deseja ir embora do país, mas que aproxime o vereador e o deputado do eleitor, que torne as cam- não tem essa opção por falta de recursos. É claro que pode haver u- panhas eleitorais mais baratas, que facilite a renovação das casas ma reviravolta na política brasileira nos próximos anos, não se sabe o legislativas. O modelo atual, sistema de voto proporcional, também que o futuro reserva. Essas reformas que acontecem agora podem não é bom. não ser definitivas, não sabemos com exatidão quem vai governar o Brasil a partir de 2019, apenas imaginamos e especulamos quem se- O modelo menos desvantajoso ao eleitor no Brasil é o de voto distri- rá o próximo. Assim como os legisladores representantes. Mas, será tal, é dividir os estados em pequenos distritos eleitorais para eleição que podemos ter esperança? de deputados e, dividir os municípios também em distritos eleitorais para eleição de vereadores. Para o contexto do Brasil, é a opção mais João Paulo E. Barros www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Setembro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 12 Datas comemorativas 05 - Dia da Amazônia 21 - Dia da Árvore Esta data foi criada com o intuito de conscientizar as pessoas sobre a Neste dia decorrem várias ações de arborização e reflorestação, em importância da maior floresta tropical do mundo e da sua biodiversida- diversos locais do mundo. de para o planeta. O objetivo da comemoração do Dia Mundial da Árvore é sensibilizar a A data escolhida faz referência ao dia 5 de setembro de 1850, quando população para a importância da preservação das árvores, quer ao o Príncipe D. Pedro II decretou a criação da Província do Amazo- nível do equilíbrio ambiental e ecológico, como da própria qualidade nas (atual Estado do Amazonas). de vida dos cidadãos. Estima-se que 1000 árvores adultas absorvem Não há muitos motivos para comemoração e sim para preocupação. A cerca de 6000 kg de CO2 (dióxido de carbono). floresta amazônica atualmente está ameaçada pelos constantes des- 30% da superfície terrestre está coberta por florestas, sendo nestas matamentos ilegais, afetando diretamente a fauna e a flora da região, que se realiza a fotossíntese - produção de oxigénio a partir de dióxi- causando desequilíbrios e crises ambientais a nível global do de carbono. As florestas são apelidadas dos pulmões do mundo, não apenas pela sua função de manutenção e renovação dos ecos- 08 - Dia Mundial da Alfabetização sistemas, como também pela sua importância em áreas estratégicas como a economia e a produção de bens e alimentos. Com o propósito de fomentar a alfabetização nos vários países, a Or- Origem do Dia ganização das Nações Unidas (ONU) e a Organização das Nações A celebração do Dia Mundial da Árvore ou da Floresta começou a 10 Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) instituíram de abril de 1872, no estado norte-americano do Nebraska (EUA). O esta data em 1967. seu mentor foi o jornalista e político Julius Sterling Morton, que incen- O processo da aprendizagem de ler e escrever (alfabetização) está tivou a plantação ordenada de árvores no Nebraska, promovendo o diretamente relacionado com o desenvolvimento de um país, confor- "Arbor Day". me indicam pesquisas na área. Quanto mais pessoas analfabetas, menor é o índice de desenvolvimento. 25 - Dia Nacional do Trânsito Por esse motivo, nas últimas décadas vários países têm assumido o compromisso de combater o analfabetismo. Atualmente, a alfabetiza- Esta data está inserida na Semana Nacional do Trânsito, que ocorre ção atinge cerca de 85% da população mundial, de acordo com dados anualmente entre 18 e 25 de setembro. da ONU. O principal objetivo desta data é o desenvolvimento da conscientiza- No entanto, estima-se que ainda existem quase 800 milhões de adul- ção social sobre os cuidados básicos que todo o motorista e pedestre tos no mundo que não sabem ler, escrever ou contar, e aproximada- deve ter no trânsito. mente 250 milhões de crianças consideradas analfabetas funcionais O Dia Nacional do Trânsito foi instituído a partir da criação do Código (não conseguem interpretar os textos). de Trânsito Brasileiro, em setembro de 1997. Todos os anos um tema O objetivo não é apenas alfabetizar, mas fazer com que os jovens e específico é debatido ao longo de toda a Semana do Trânsito. Os te- adultos saibam interpretar um texto criticamente e que desenvolvam mas abordados são escolhidos pelo Contran (Conselho Nacional de prazer com a leitura. Trânsito). 18 - Dia dos Símbolos Nacionais Em 2016, o tema da Semana Nacional de Trânsito será “Década Mundial de Ações para a Segurança no Trânsito – 2011/2020: Eu sou + 1 por um trânsito + seguro”. Esta data é uma homenagem a todos os símbolos nacionais do Brasil: a Bandeira Nacional, as Armas Nacionais, o Selo Nacional e o Hino Nacional. É essencial o ensino de atitudes de respeito, precaução e responsabilidade no trânsito, para que as estatísticas alarmantes de acidentes nas estradas possam mudar. Estes símbolos são de elevada relevância, porque representam o Brasil e a identidade da nação em todo o mundo. O Brasil é um dos países com mais acidentes de morrem por ano aproximadamente 40 mil pessoas. trânsito, nos quais Bandeira Nacional: símbolo principal da nação brasileira, utilizado em diversas ocasiões para representar o país; 27 - Dia Nacional de Doação de Órgãos Armas Nacionais: um símbolo que deve estar presente em todos os órgãos e instituições públicas do Brasil, representando todas as ca- O principal objetivo desta data é conscientizar a população em geral racterísticas que compõe a República Federativa; sobre a importância de ser doador de órgãos, com o intuito de ajudar a milhares de pessoas que lutam por uma oportunidade de salvarem Selo Nacional: usado para autenticar documentos e atos oficiais do as suas vidas. Governo, assim como certificados e diplomas emitidos por entidades reconhecidas pelo governo nacional. De acordo com a legislação brasileira (lei nº 10.211, de 23 de março Hino Nacional: por norma, o hino nacional brasileiro é reproduzido durante o ritual de hasteamento da Bandeira Nacional, seja em solenida- de 2001), a retirada dos órgãos e tecidos para feita após autorização dos membros da família. doação só pode ser des e eventos oficiais do governo, eventos esportivos, culturais ou nas Para a doação, o doador deve ter sofrido de morte encefálica, pois escolas. somente assim os seus principais órgãos vitais permanecerão aptos Os símbolos nacionais brasileiros foram estabelecidos e são regula- para serem transplantados para outra pessoa. mentados através da Lei nº 5.700, de 1 de setembro de 1971. Pessoas vivas também podem ser doadoras de órgãos, mas apenas Esta lei ainda determina todas as especificações que ajudam a padronizar os símbolos nacionais, como dimensões, padrões, cores, repre- aqueles que são considerados “duplos”, ou seja, que não prejudicarão as aptidões vitais do doador após o transplante. sentações e etc. Um dos rins ou pulmões, parte do fígado, do pâncreas e da medula Por norma, nesta data, algumas instituições de ensino promovem ati- óssea são exemplos de órgãos que podem ser doados por pessoas vidades que incentivam os estudantes a reconhecerem a importância ainda em vida. que os símbolos nacionais representam para a Nação. Fonte: Callendar www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Setembro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 13 Ecossistemas ENSINE AS CRIANÇAS A DIZEREM NÃO AO CONSUMISMO portante garantir o direito das crianças de vivenciarem todas as etapas de seu crescimento (o brincar, o aprender e o dialogar) e ensiná-las valores mais humanos e menos materialistas. * Converse com seu filho quando não quiser ou não puder ou julgar desnecessário comprar algum objeto. Explique! Parece que não, mas as crianças são capazes de entenderem muito mais do que você imagina; * Proponha atividades ao ar livre - em vez de Nossa vida é rodeada de incentivos ao shoppings e outras atividades pagas - brincar consumo e estamos tão acostumados com isso no quintal, na praça ou no playground não gasque acabamos impondo esse modo de vida às ta nada e ainda incentiva a interação com o crianças. Se as crianças são o futuro do plane- meio ambiente provando que para se divertir ta, devemos nos esforçar para não passarmos não precisa consumir; esse costume a elas. * Em vez de comprar, que tal trocar? Proponha A base da sustentabilidade é a capacidade de a troca, entre amigos, familiares ou colegas trouma geração promover o seu próprio bem- que roupas, brinquedos, material escolar que estar e também o das gerações futuras. Por não lhe agrada mais por outros itens. Outra opisso é necessário consumir de forma responsá- ção bacana é combinar: para cada brinquedo vel, visando proteger os recursos naturais dis- ou roupa nova que ganhar ou comprar a crianponíveis, respeitando seus limites e períodos ça deve doar um brinquedo/roupa antiga. Asde regeneração e diminuindo a quantidade de sim, para o novo dono, tudo será novo de nolixo. Tudo isso nós já sabemos, o difícil é dizer vo. às crianças que cada uma de suas ações tem * Que tal optar por lanches e sucos naturais, impacto na nossa vida e também no meio am- além de gerar menos lixo traz mais benefícios biente. à saúde. E assim até a liga da justiça fica feliz! Atualmente as crianças são induzidas primeira- * Proponha dar vida nova ao que antes era lixo. mente a conquistar um espaço no mundo do Atualmente quase tudo que compramos vem “ter”, deixando em segundo plano dentro de embalagens. Uma boa ideia é sepaos valores essenciais à sobrevivência da hu- rar as embalagens pelo seu material e dar uma manidade, como a solidariedade, o senso de segunda oportunidade à elas reciclando-as ou responsabilidade com o bem comum, o respei- reutilizando-as. to ao outro e ao meio em que vivemos. Apesar de não estarem preparadas para lidar com as E lembre-se que ninguém nasce consumista, o complexas relações de consumo, as crianças consumo é um hábito que se forma a partir de são cada vez mais o alvo preferencial dos ape- valores materialistas preexistentes e são reslos comerciais e ações de marketing. A alta ex- ponsáveis por sérios problemas para o meio posição de crianças a essas mensagens mer- ambiente, para o bolso e também para a cabecadológicas gera problemas como o aumento ça! exacerbado do consumo; aumento da geração Podemos mudar este cenário se repensarmos de resíduos;obesidade infantil; diminuição das nossas ações, não passando às nossas crian- brincadeiras; adultização da infância e erotiza- ças nosso gosto e hábito de comprar. Dê o e- ção precoce. xemplo! Uma atitude muito simples nesse sen- Como falar com as crianças sobre consumo? tido é não levar as crianças aos shopping centers quando você for comprar alguma coisa. Desde o nascimento, as crianças são impacta- Ela terá muito tempo para fazer isso. das de alguma maneira pelo ambiente, valores e pessoas a sua volta. Seu modo de vida, sua Agora é hora de ser criança! rotina e o modo com que você enxerga o con- Gisele Moura sumo estará presente no cotidiano delas. É im- Cidades contra os turistas Ultimamente, tem ocorrido protestos contra o turismo em massa em cidades europeias como Barcelona, Veneza, Dubrovnik, Roma, Milão, Valência e outras. Muita gente pode estar pensando assim, “mas turistas dão muito lucro à essas cidades, os moradores deviam agradecer em vez de reclamar”. Eu mesmo penso que o turismo é saudável ao ser humano, eu mesmo sonho em conhecer diversos países pelo mundo e quero conhecer também outros locais do Brasil. Mas eu concordo que, para os habitantes dos locais, o turismo só compensa se lhes der lucro. Se for para os turistas poluírem o local, fazerem bagunça, causarem estragos, trazerem prejuízo aos moradores, então é lógico que não compensa para os habitantes dos locais receber turistas. O turista tem sim a obrigação moral de se comportar bem, de preservar o local que está visitando, de respeitar as pessoas ali presentes, como gostaria que os visitantes forasteiros fizessem em suas cidades. O turista é um cliente. Eu acredito que essa ideia de que “o cliente sempre tem razão” foi distorcida, acabou deixando muitos consumidores mimados. O cliente certamente é alguém muito importante, e deve-se ter sensibilidade aos anseios do cliente, é necessário esforçar-se para atender o cliente da melhor forma possível, o cliente realmente tem direitos enquanto consumidor, deve-se sim ter um cuidado caprichado com o cliente. Porque é o cliente que fornece dinheiro ao consumir. Mas o cliente, no caso aqui o turista, não está acima do bem e do mal, não é uma divindade, ele também está sujeito as regras de convivência, ele também está sujeito a limites e tem deveres. Quanto as empresas de turismo e hotéis, e o mercado mobiliário, eles não devem ter o direito de prejudicar os cidadãos comuns habitantes dos locais turísticos em nome do lucro, tanto a população quanto o meio-ambiente precisam ser protegidos dos excessos das empresas. Os que têm capital também não estão acima do bem e do mal, não estão isentos de obrigações com as demais pessoas da sociedade, também devem estar sujeitos à regras de convivência como todos os demais cidadãos. Eu sou a favor do turismo, é claro, mas tem que haver limites e respeito. Compreendo os cidadãos insatisfeitos. João Paulo E. Barros www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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Setembro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 14 Cultura simbólica O IMPÉRIO DO BRASIL E O PROJETO DA tor na e da nova história pátria e da nova i- a experiência do Arquivo Nacional e a memó- CONSTRUÇÃO DA IDEOLOGIA CULTURAL dentidade nacional. Coube ao IHGB o estabe- ria da administração pública brasileira). VIA INSTITUIÇÕES CULTURAIS lecimento do que seria uma “nação civilizada”, A condução desse projeto-missão de Há duas histórias do Brasil: uma antes de de acordo com os padrões culturais fixados “civilizar e promover o progresso do país” foi 1822, e outra depois. Resumidamente, dois durante o Oitocentos pelos movimentos revo- elaborada em diversas frentes, a intelectual fatores concorreram para isso: 1) A escrita da lucionários. Para tanto, os conceitos de foi uma delas e cujos resultados negativos o história sofre uma alteração radical no século “cultura”, de “pátria” e de “civilização” foram Brasil de hoje colhe. Desde o momento que o XVIII-XIX ajustando-se à ideologias marxistas- construídos por intelectuais em diversos seto- “Império” do Brasil foi instaurado, inaugurou- positivistas. Os historiadores passam a ser res. À frente temos Karl Friederich Von Marti- se um imprescindível processo de “produção críticos dos documentos originais da Coroa us (in: “Como se deve construir a história do bibliográfica” ajustada ao pensamento revolu- Portuguesa gravados nas Crônicas, nas Nar- Brasil”). A destruição da Alta Cultura lusobra- cionário que visava tanto à compreensão do rativas, na História Eclesiástica, sob o argu- sílica iniciou nessa fase. processo de formação da Identidade Nacional mento de falta de “credibilidade científica” “O papel do Instituto Histórico consistia na Brasileira quanto para a consolidação do Es- dos mesmos; 2) Firma-se um conjunto de elaboração da história nacional, processo por tado Nacional Brasileiro. Desde então, o Bra- textos produzidos no Brasil apresentando al- meio do qual se instituiriam mitos de origem e sil vive imerso numa fraude histórica e cultu- guns “modelos” de escrita adequados à narra- pais fundadores, realizando-se o amálgama ral. tiva revolucionária (maçônica e não só) que de acontecimentos e personagens até então Cultura e política NÃO se misturam. tomou conta do país depois da Independên- desconexos entre si, transformando-os em Quando a Cultura é subtraída pelos interes- cia. Tais demandas eram articuladas e estrei- uma totalidade lógica e coerente, que forne- ses da política estamos diante de um Estado tamente vinculadas ao projeto de afirmação cesse a identidade nacional.”(Adjovanes Tha- Totalitário, e há três tipos de Totalitarismo de do Império do Brasil e do nova elite que o im- deu Silva de Almeida, in: Joaquim Manoel de esquerda especialistas em “produção de cul- plantou e o dirigia. Macedo e educação: um projeto de civilização tura nacional”: comunismo, fascismo e nazis- Diante disto, é evidente que passa a vigo- nos trópicos). mo. O própria política de fomento à produção rar uma corrupção da leitura dos documentos Sem sombra de dúvidas o IHGB é uma cultural do governo federal do Brasil é, em si históricos, e por conseguinte, da própria histó- instituição sólida e importante dentro da cultu- mesma, uma farsa monumental que esconde ria, seja por omissão ou interpolação. A histó- ra nacional. Mas, igualmente é o responsável atrás de si uma ideologia totalitária. ria não é mais aquilo que ela é, mas sim, a pela fabricação de uma história anômala e fa- A política é a expressão da Cultura vigen- “leitura” que certos grupos farão dela. Uma laciosa, comprometida com um projeto ideoló- te, e não o contrário. Por conseguinte, nenhu- coisa é a realidade, outra coisa são os histori- gico e revolucionário. ma lei, nenhum programa de governo pode ou adores “críticos” dos documentos. Acresce acrescentar que além do IHGB deve “incentivar” a produção de Cultura, por- Pode-se dizer que o ano 1822 é um mar- outras instituições foram criadas norteadas que a Cultura NÃO É um produto de super- co, pois, inaugura o momento em que a histó- por essa “missão” de produzir artificialmente a mercado que pode ser produzida a partir de ria do Brasil começou a ser reescrita, defor- história e a cultura brasileira- o Colégio Pedro leis. Não há historicamente nenhuma Cultura mada, tornando-se uma historiografia panfle- II e o Arquivo Nacional: produzida a partir de governos, sejam eles tária, comprometida com as ignorâncias, as “A fundação de entidades como o Instituto quais forem. Em verdade, permanece um mis- omissões e as ideologias de um grupo. Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), o Ar- tério insondável a existência da Cultura de um Como colunas institucionais desse proces- quivo Nacional e o Colégio Pedro II materiali- povo. Todas as teorias que falam sobre isso so, em 1838 é criado o Instituto Histórico e zariam este projeto, produzindo obras que são meras especulações. Geográfico Brasileiro (IHGB) por um grupo de procuravam pensar a história nacional e re- Três são as Colunas que sustentam uma integrantes da Sociedade Auxiliadora da Ind- fundar o passado, conferindo-lhe um sentido Nação: Língua, Religião e Alta Cultura. O ústria Nacional, sob a liderança do cônego em que o Estado assumiria o papel de prota- Brasil destruiu todas elas e ainda tem a ilusão Januário da Cunha Barbosa e do marechal gonista, imbuído da missão de civilizar e pro- de querer-se como país do futuro. Raymundo José da Cunha Mattos, ambos mover o progresso do país” (Dilma Cabral in: maçons. Coube ao IHGB ser o espaço produ- Fontes para uma história político-institucional: Loryel Rocha Numa sociedade movida à dinheiro e hipocrisia, encontramos pessoas propensas aos mais diversos rumos incluindo-se a devassidão. Cuidado com quem andas, pois tua companhia sumariza quem és. Não tenha medo de lutar pelo que acredita, apenas seja você mesmo nos mais divergentes momentos que possam surgir. Fazendo isto, certamente afetará os que estão à tua volta que não gostam do que veem. Saberão fazer a triagem do joio e do trigo. Só tome cuidado com o lado com que ficará, pois uma escolha errada pode te afetar drasticamente. Pense no seu futuro. Sua escolha hoje, será o seu futuro amanhã. Seja feliz, haja com honestidade sempre. Mas acima de tudo, cuidado com o que te tornarás! Filipe de Sousa

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Setembro 2017 Gazeta Valeparaibana Página 15 EUROPA hoje e ontem (artigo continuado) Por: Michael Löwy 64,59%; em Drosia, com 65,42%; e em Voula, pressões insensatas da Alemanha, mas com 63,88%”. também da França, da Comissão Europeia e Sociólogo, é nascido no Brasil, formado em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, e vive em Paris desde 1969. Diretor emérito de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS). Homenageado, em 1994, com a medalha de prata do CNRS em Ciências Sociais, é autor de Walter Benjamin: aviso de incêndio (2005), Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade (2009), A teoria da revolução no jovem Marx (2012) e organizador de Revoluções (2009) e Capitalismo como religião (2013), de Walter Benjamin CdanePpaAmitREaoTulcEirsroXampXcoIaiaeA votação foi claramente de esquerda, com um apoio ao não de 91% dos que se declaram de esquerda e de 73,6% dos que se consideram de centro-esquerda. Entre os que votaram por Syriza em 25 de janeiro, 87,3% votaram não, quase tanto quanto os eleitores do Partido Comunista, o KKE (86,9%) apesar da linha do partido de votar nulo. Em todos os distritos eleitorais do país O referendo transformou o estado de ânimo nas fábricas e nas ruas. Levantou o moral dos trabalhadores e fortaleceu sua autoestima. Manifestações de massas ocorreram antes do referendo e depois que o resultado foi divulgado. Milhares de eleitores do não inundaram a Praça Syntagma diante do Parlamento em Atenas para celebrar os resultados; quando a magnitude da vitória ficou clara, bandeiras gregas foram agitadas aos cânticos de “não, não”. O referendo mobilizou uma vaga de solidariedade por toda a Europa e além. Milhares marcharam em manifestações em Barcelona, Madri, Lisboa, Dublin, Paris, Bruxelas e outros lugares onde o referendo foi visto como um voto sobre a austeridade em toda a Europa. Particularmente notável foi a manifestação na capital irlandesa. Os manifestantes marcharam em Dublin, desde o Banco Central até o parlamento, sob a palavra de ordem de “por uma batalha contra a austeridade em ambos os países”. O centro das mobilizações foi, claro, Atenas: a repressão contra os protestos populares de quarta-feira 29 de junho contra o plano de ajuste deixara mais de 100 feridos. Houve divulgação de vídeos que mostraram a ação violenta de pessoas do Eurogrupo. Mas capitulou, não existe outra palavra para designar o acordo imposto pelo Eurogrupo e os diversos dirigentes europeus, com seu revolver – ou mais precisamente a ameaça da expulsão da Grécia da Zona Euro – apontado para a cabeça [da Grécia]”. O novo “programa de resgate” foi imposto à Grécia pela troïka dirigida pelo governo alemão CDU/SPD de Merkel/Schäuble/ Gabriel, com a cumplicidade do restante dos governos capitalistas europeus. O problema consiste em que o epicentro da crise é toda a Zona Euro, não a Grécia isoladamente; o “resgate” da Grécia pela Europa se orienta pela salvação da Eurozona, não da Grécia. Os abutres financeiros exigiram que a Grécia elevasse mais os impostos ao consumo e ampliasse a base impositiva; que reduzisse os gastos de assistência e de seguridade social; que ativasse os despejos, em um país onde centenas de milhares de famílias já foram deixadas sem moradia. Os credores declararam sua intenção de tomar posse da totalidade do patrimônio público, exceção feita (por enquanto) dos monumentos da Grécia Antiga, para transformá-la em garantia de pagamento da dívida ou para proceder à sua privatização. ganhou o não, mas esta vitória foi mais forte encapuzadas, grupos para policiais, contra os Uma política para expropriar os escassos nas zonas operárias, como o Pireu, onde manifestantes. recursos que ainda restam aos gregos e de se votaram mais de 72% pelo não, com somente 27% pelo sim. Nesse mesmo distrito, o KKE Capitulação e Crise Política apossar de milhares de casas em compensação pelo não pagamento de havia conseguido 8,19% dos votos nas Com a vitória esmagadora do não, o governo hipotecas bancárias, criando um fundo eleições de janeiro; o número de votos nulos, de Tsipras negociou um novo acordo com o financeiro para recapitalizar os bancos falidos no entanto, foi de somente 5,15%. Das 56 Eurogrupo, mas o fez sem usar a enorme da Grécia. O pacote acordado com a troïka circunscrições eleitorais do país, o não força política criada pelo referendo. Euclidis comprometeu, além disso, o governo e o ganhou em todas, e em todas, menos em Tsakalotos substituiu Yanis Varoufakis no parlamento helenos num processo de sete, a margem sobre o sim foi de mais de Ministério das Finanças na manhã de 6 de liquidação das negociações salariais coletivas dez pontos percentuais. Em trinta das julho. Ele fora coordenador da equipe grega e dos sindicatos. O governo grego circunscrições, a margem de vitória do não foi nas negociações com os credores europeus. comprometeu-se em consultar e acordar com de mais de vinte pontos percentuais. Apesar de ser membro do Comitê Central de as “instituições” toda legislação preliminar em O jornal Efymerida ton Syntakton realizou uma análise da composição de classe do voto em Atenas, mostrando claramente que o não ganhou esmagadoramente nos bairros pobres e operários, enquanto que o sim somente teve êxito nos subúrbios de classe média mais ricos: “As urnas enviaram uma forte mensagem desde os bairros operários de Atenas, onde o não ganhou com uma diferença esmagadora sobre o sim. Nos subúrbios ricos, o resultado foi exatamente o contrário. É revelador que o não tenha conseguido 79,20% no município de Agropyrgou; 77,22%, em Phyli; 76,64%, em Perama; 75,25%, em Acharnes; no município de Keratsiniou-Drapetsonas conseguiu 72,84%; em Nikaias-Agia Ioanni Renti, 72,61%; em Agia Varvara, 72,75%; em Elefsina, 71.88%; em Lafreotiki, 71,81%; em Syriza desde 2004, a indicação de Tsakalotos foi uma tentativa de agradar os credores, por ser publicamente favorável à permanência da Grécia na zona do euro. Tido como uma figura “moderada e diplomática” dentro de Syriza, Tsakalotos já havia substituído Varoufakis à frente da primeira linha de diálogo com as “instituições” em Bruxelas. Varoufakis explicou que, logo após o anúncio da vitória do “não”, ficou sabendo que alguns participantes do Eurogrupo tinham “certa preferência” pela sua ausência nas reuniões. Seu dever era, então, “facilitar” essas negociações.[49] Varoufakis tinha chegado a planejar um sistema, baseado na piratagem de dados, para relançar o dracma (sair do euro) no curso das negociações gregas com o Eurogrupo, plano que foi arquivado junto com seu mentor. áreas relevantes, em tempo adequado antes de sua apresentação para consulta pública ou parlamentar. O acordo afirma que esses são requisitos mínimos; eles invadem a administração pública, se intrometendo na soberania nacional, e atropelam os princípios da democracia: as leis gregas serão debatidas primeiro em Bruxelas e, depois de ajustadas, serão enviadas para sua aprovação no Parlamento grego. Trata-se de um operativo político extremo de resgate do capital europeu e internacional. Grécia possui uma dívida pública de 315 bilhões de euros, 180% do PIB. Seus bancos devem 180 bilhões de euros ao sistema de bancos centrais da zona euro; cerca de 100 bilhões de euros ao BCE e outros 100 bilhões aos seus clientes: no total quase 700 bilhões de euros, uma dívida impagável. Na Europa, Tafro, 71,28%; em Aigaleo, 70,68%; e em Nas negociações pós-referendo, o pacote um 90% da dívida com os bancos externos foi Peristeri, 70,31% [todas elas áreas operárias, econômico imposto à Grécia foi simplesmente transferido aos Estados, que financiaram muitas delas bastiões tradicionais do KKE]. colonial, além de economicamente inviável e 100% do resgate mediante a emissão de Nos subúrbios do norte e do sul [as zonas fomentador de uma nova explosão social. dívida pública própria. mais burguesas] triunfou o sim: em Ekali, com Jacques Sapir comentou: “Na manhã de 84,62%; em Dionyso, com 69,78%; em segunda-feira 13 de julho, o premiê grego, Vouliagmeni, com 66,2%; em Kifisia, com Alexis Tsipras, capitulou. Capitulou sob as CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO www.culturaonlinebrasil.net /// CULTURAonline BRASIL /// www.culturaonlinebr.org

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