O Penitenciarista Set/Out

 

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O MPP lança mais um de seus informativos, confira.

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ano 1 ­ nº 03 distribuição interna tiragem bimestral setembro outubro 2011 s ap secretaria de administração penitenciária editorial em 2009 o secretário da administração penitenciária lourival gomes determinou o mais recente processo de reorganização do museu penitenciário paulista mpp o primeiro passo para esse trabalho foi refletir sobre qual o papel desse museu para a sociedade procurando por meio de sua própria história apreender quais foram suas intenções e quais são suas perspectivas estudando a história do mpp foi possível encontrar valorosos servidores públicos que em meio as suas ações profissionais contribuíram para a salvaguarda da história do sistema penitenciário paulista dentre eles destacamos os trabalhos de accácio nogueira de josé moraes mello de flamínio fávero de hildebrando de paula monteiro de coriolano silveira da motta de fernando salla de maria do carmo bracco carramenha de esmael martins da silva de mariana noemi pina de branger de inayê Ângela guaranha e de luiz camargo wolfmann museu penitenciário paulista em ação mulheres no cárcere no dia 24 de agosto de 2011 foi realizado no auditório da sede da administração penitenciária mais uma palestra produzida pela equipe do museu penitenciário paulista o evento intitulado mulheres no cárcere um panorama sobre as características do aprisionamento de mulheres no estado de são paulo e no brasil fez parte da programação oficial do instituto brasileiro de museus ­ ibran através da 5ª primavera dos museus com seu tema mulheres museus e memórias proposto como um espaço de indagação sobre como o gênero a mulher e o feminino estão sendo pensados na contemporaneidade palestraram bruna angotti ­ criminóloga advogada e mestranda em antropologia social pela universidade de são paulo onde realiza pesquisa sobre a criação dos presídios femininos no brasil nas décadas de 1930 e 1940 e Ângela artur ­ historiadora e mestranda em história social pela universidade de são paulo onde realiza pesquisa sobre as origens dos presídios femininos durante o século xix e meados do xx de olho no acervo difusão cultural do sistema penitenciário por meio de palestras o mpp 019 ­ título da obra a mulher artista p guedes data 1922 museu penitenciário paulista vem realizando nas faculdades de direito e agora também nas unidades prisionais a palestra intitulada o bonde ­ a história do sistema penitenciário sob o olhar interdisciplinar no último mês as palestras foram realizadas na unibam o evento fez parte da semana de direito da uniban-unidade maria cândida já na penitenciária nilton silva de franco da rocha o evento fez parte da programação da 1ª sipat o penitenciarista · 1

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entrega do troféu do concurso penitenciarismo e cultura de paz a secretaria da administração penitenciária premiou no dia 26 de agosto em seu auditório os vencedores do concurso cultural penitenciarismo e cultura de paz a idéia da realização do concurso relacionado com a cultura de paz na secretaria da administração penitenciária surgiu de uma reunião entre a equipe do museu penitenciário paulista e a associação comercial de são paulo ­ acsp os autores vencedores das cinco melhores frases receberam um troféu na forma de réplica do marco da paz monumento idealizado por gaetano brancati luigi que também proferiu uma palestra sobre o marco da paz a cerimônia contou ainda com as presenças do secretário lourival gomes de roberto mateus ordine vice-presidente da associação comercial de são paulo de walter erwin hoffgen secretário adjunto e de lúcia maria casali de oliveira diretora executiva da funap a cultura de paz foi definida lourival trombim recebeu o prêmio do sr ordine pela onu como o a justiça mostra o conjunto de valores caminho a paz dá continuidade atitudes tradições comportamentos e estilos de vida associados à paz reunidas na declaração e programa de ação sobre uma cultura de paz foi divulgada em 13 de setembro de 1999 diversas instituições em todo o mundo aderiram a esta declaração e se empenham na concretização desses ideais o penitenciarismo prega que o encarceramento somente se justifica quando ligado a uma atividade laboral visando transformar o preso em um cidadão socialmente útil o marco da paz é um monumento idealizado por gaetano brancati luigi nascido na itália durante a 2ª guerra mundial sofreu os horrores da guerra porém já com oito anos escutou os sinos que ecoaram por toda a europa anunciando o seu fim na mesma hora saiu correndo e se juntou às milhares de vozes nas praças gritando de alegria paz paz paz nesse dia histórico nascia na mente do menino a ideia de criar algo que cativasse os povos e os levassem para o caminho da paz em 2000 nasce o marco da paz criado em forma de arco com uma pomba e um sino a associação comercial de são paulo pelas mãos do seu idealizador homenageia pessoas e instituições que se destacam por sua atuação no trabalho social e pela divulgação e construção de um mundo em paz fabiano mazzoni do nascimento recebeu o prêmio do dr walter paz nas penitenciárias a recuperação começa com esta ideia josÉ ferreira da silva recebeu o prêmio do sr luigi cerceia-se a liberdade a cultura de paz permanece fideles hellmann recebeu o prêmio da dra lúcia casali a paz vale a pena juarez ferraz de oliveira recebeu o prêmio do dr lourival cultura de paz princípio para reintegração social dr javert de andrade por luiz camargo wolfmann em 1955 fui trabalhar no instituto penal agrícola ipa de são josé do rio preto essa unidade prisional havia entrado em funcionamento em 18 de julho daquele ano conjuntamente com os institutos penais agrícolas de bauru e de itapetininga não demorou muito para que se desse início a uma campanha política contra os institutos penais agrícolas tanto é assim que o localizado em itapetininga foi desativado depois de um período para dirigir o instituto penal agrícola de são josé do rio preto foi escolhido o dr javert de andrade à ocasião promotor de justiça ele era um homem muito simpático falante e logo conquistou todo mundo na cidade com isso as pessoas desistiram de fazer pressão para que a unidade prisional fosse desativada e ainda passaram a ajudá-la tínhamos muita dificuldade com recursos e assim muita coisa era feita na base da camaradagem e especialmente da amizade que ele havia estabelecido com todos desta forma a unidade prisional foi se desenvolvendo havia de tudo era uma beleza uma fartura dava orgulho de mostrar aos amigos como era o trabalho que se desenvolvia por lá porém joão pereira lima um dos líderes do motim que ocorreu no presídio da ilha anchieta encontrava-se em cumprimento de pena no ipa de são josé do rio preto certo dia dr javert retornando do centro da cidade onde chegou em frente à casa dele onde o tal pereira lima disparou 4 quatro tiros em sua direção quando cheguei javert se encontrava caído no chão e acreditando que ele ainda estivesse vivo o levei imediatamente para o hospital mas infelizmente conforme nos esclareceu o médico responsável ele morreu imediatamente porque os tiros atingiram o coração fiz tudo o que era possível mas até hoje tenho a incômoda sensação de não ter podido salvá-lo governador jânio quadros dr javert de andrade e seu algoz pereira lima 2 · o penitenciarista

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feliz aniversário luizão por guilherme silveira rodrigues intimou quero você juntamente com o siqueira o Álvaro e o chiquinho compondo minha equipe para encararmos este que será um grande desafio não lhe prometo nada somente trabalho como gostava de desafios e tendo aquele chamado como ordem não regateei aceitei de pronto lá fui eu ficamos ali por seis anos muito trabalho enfrentamentos dos mais diversos situações de perigo mas um período de muito aprendizado e maturação o dia a dia me ensinou ou melhor me levou a reconhecer naquele homem honestidade coragem companheirismo qualidades que fazem parte de sua vida até os dias de hoje luizão iniciou sua carreira na polícia marítima e posteriormente prestou trabalhos em algumas unidades do sistema como ipa de são josé do rio preto penitenciária de presidente wenceslau penitenciária do estado onde o conheci casa de detenção tendo até sido coordenador da extinta coespe hoje é diretor de produção da funap recentemente recebeu com muita justiça o reconhecimento por sua dedicação ao sistema penitenciário seu nome foi dado à escola da administração penitenciária como ocorrem todos os anos o dia 28 de agosto faz parte da agenda de um considerável grupo de pessoas que já incorporou em seu calendário a comemoração do aniversário do luizão reunião que ocorre sempre em sua residência neste ano não foi diferente lá estavam todos comemorando seus oitenta anos com grandes momentos de lealdade e companheirismo foi um dos meus maiores mestres sinto orgulho em ser hoje considerado seu amigo resgate da memória do sistema penitenciário paulista o conceito memória enquanto fenômeno social se apresenta como um processo histórico e tradicional que observa e analisa as características culturais de um determinado povo a sociedade como produtora de conhecimento deve sem dúvida preservar sua história e sua cultura pois entende-se que delas provém a identidade do povo preservar significa um conjunto de procedimentos e medidas que proporcionam a segurança física dos objetos que resgatam a memória de um grupo a partir desse conceito pensou-se na construção de uma sede para o museu penitenciário paulista já que para realizar os procedimentos de preservação conservação e difusão da memória faz-se necessário uma sede que possa resgatar e salvarguardar a história do sistema penitenciario paulista além de contribuir para a criação do sentimento de pertinência a um grupo de passado comum que compartilha de memórias e lembranças valoriza e potencializa um sentimento de pertencimento de um individuo em relação a um grupo ao qual se identifica grg ainda desconhecia o motivo porém a realidade era que não conseguia sentir simpatia por aquele homem que quando ingressei no sistema penitenciário foi meu primeiro chefe o chefe da seção penal da penitenciária do estado era eu na época encarregado do choque interno da penitenciária então chamado serviço de vigilância especial não foram poucas as vezes que discordamos de fatos inerentes à rotina da penitenciária onde zelávamos pela segurança e disciplina nisto se passaram alguns anos a vida seguia seu curso e um determinado dia estando em minha folga ouvi pelo rádio que deixava a direção da casa de detenção coronel guedes e assumia em seu lugar luiz camargo wolfmann luizão vibrei com a notícia pois iria ficar distante do homem que aparentemente também não me via com bons olhos ledo engano ao chegar em casa fui avisado que um telefonema urgente exigia minha presença na penitenciária do estado como era noite no outro dia pela manhã lá fui eu para a penitenciária do estado ver por qual motivo estavam me procurando qual foi minha surpresa logo na entrada quando na portaria me alertaram o luizão assumiu a casa de detenção e está procurando você com urgência lá fui eu não podia apesar de contrariado me furtar em atender aquilo que não era um pedido era uma ordem e não poderia ser recusada chegando à casa de detenção fui logo atendido e luizão com aquela delicadeza que era sua marca registrada me centro de progressão penitenciária cpp por jorge carmo de souza · capacidade varia de acordo com a estrutura do prédio · regime semiaberto · mais facilidade de ressocialização · oficinas de trabalho · salas de aula · o preso trabalha dentro e fora do cpp o penitenciarista · 3

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os penitenciaristas jeremy bentham jeremy bentham 15 de fevereiro de 1748 ­ 6 de junho de 1832 foi um filósofo e jurista inglês em 1789 concebeu o panóptico pensado como um projeto de prisão modelo para a reforma dos encarcerados mas foi também um plano exemplo para todas as instituições educacionais de assistência e de trabalho uma solução econômica para os problemas do encarceramento e o esboço de uma sociedade racional ao contrário de howard bentham vê na arquitetura a principal e mais apurada técnica de punição e recuperação o próprio edifício pode ser considerado uma máquina que procura transformar a conduta dos detentos ­ deliquentes ou vagabundos ­ em cidadãos exemplares o panoptismo tem seu princípio arquitetônico marcado pela vigilância no ponto central do edifício onde instala-se o inspetor que de dentro de uma torre vê todos os prisioneiros sem ser visto benthan apropria-se da simetria rigorosa encontrada na forma circular proposta para o edifício onde tudo e cada centímetro foi cuidadosamente calculado para tentar transformar infratores em cidadãos virtuosos estes princípios assim como a multiplicação das janelas com maior disponibilidade de luz dentro das celas tratam de garantir a inspeção através da visibilidade constante e impedem a comunicação entre detentos aos mesmo tempo que preocupam-se em assegurar condições de higiene avaliadas como ideais como howard o criador do panóptico também defendia a separação dos prisioneiros por sexo classes ou grupos distintos a preocupação com o trabalho ou emprego do tempo é tida como algo fundamental e de extrema importância para a disciplinarização dos detentos o trabalho deveria ser visto como algo prazeroso e não como um castigo ou uma punição detestável bentham acreditava que só assim os detentos veriam no trabalho a produção de riquezas e a felicidade e não uma maldição também o trabalho deveria ser equilibrado era previsto que o prisioneiro trabalharia durante o dia inteiro intercalando entretanto trabalhos sedentários e laboriosos assim uma diversidade de regras vai se sobrepondo no discurso de bentham sempre com a intenção de reformar os deliquentes na interpretação de bentham a penalidade teria que ser uma ciência onde os resultados poderiam ser calculados detalhadamente através de uma meticulosa observação psicológica as punições deveriam se reguladas graduadas e adequadas proporcionalmente a cada tipo particular de delito muitas destas regras ainda são consideradas até hoje na construção de presídios este inglês teve em vista apresentar o poder das palavras das regras e dos sistemas de organização e foi através deste modelo que ele pretendia a princípio reformar o mundo a aceitação do panóptico foi ampla este princípio para construção de instituições disciplinares tem sido assiduamente encontrado em vários países inclusive em modelos mais recentes influenciando diversos projetos de penitenciárias e hospitais por todo o mundo jcgs dicas livros e filmes esta obra é um estudo científico sobre a evolução histórica da pena e respectivos métodos coercitivos e punitivos adotados pelo poder público na repressão à delinquência os métodos vão da violência física até às instituições correcionais como se vê a forma e o aparelho prisão destinados à reforma dos indivíduos agora será o cárcere a detenção como forma de separá-los do exterior e neutralizá-los vigiar e punir michel foucault adrien brody e forest whitaker protagonizam detenção um intenso thriller centrado em um grupo de homens comuns que em busca de dinheiro fácil se oferecem como voluntários em uma experiência científica confinados numa prisão abandonada eles serão divididos em dois grupos os prisioneiros e os guardas o objetivo é analisar como o ser humano lida com regras o poder e o controle sobre o próximo espécie de reality show violento uma experiência que testará todos os limites detenção diretor paul scheuring equipe sap/mpp sidney soares de oliveira joão carlos gomes da silva rogério cardoso lúcio gisele ribeiro guimarães estagiários diego prieto carabolar aline eleutéro de castro jaqueline helena jager colaboradores jorge carmo de souza guilherme silveira rodrigues rosa alice taschetti ricci luiz camargo wolfman acompanhe-nos com a palavra o servidor bom escrevo pra deixar registrado que eu gostei bastante da última versão do jornal do museu viajei pelo tempo lendo as reportagens e fiquei com uma invejinha da visita à ilha anchieta deve ter sido bárbaro uma experiência única luana p costa analista sociocultural/bibliotecária sap/eap apoio gráfico participe envie-nos fotos histórias dos estabelecimentos penais do estado para a próxima edição do o penitenciarista mande sua opinião para o informativo museupenitenciario@sap.sp.gov.br a imprensa oficial empresa do governo do estado de são paulo patrocina a impressão desta publicação 4 · o penitenciarista

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