Revista Agrimotor

 

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A revista do Agronegócio - edição 103 - agosto/2017

Popular Pages


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Grips Editora • Ano 13 • Nº 103 • Agosto/2017 • R$ 15,00 - www.agrimotor.com.br I S SN 2 1 7 8 - 0 6 2 5 ISSN 2178 - 0625 9 772178 062005 Investimentos na produção nacional de biocombustíveis 16º Congresso Brasileiro da ABAG Etanol Brasileiro X Etanol Americano

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ÍNDICE Edição 103 – Ano 13 Foto: Depositphotos.com Foto: Divulgação 4 Editorial Ganhando consistência 5 Opinião O milho “sem-teto” vai servir de etanol no Brasil – José Luiz Tejon 6 Cenários Retomada à vista do setor sucroalcooleiro 12 Feiras e Eventos Uma feira para ficar na história 16 Legislação Reforma trabalhista e o direito no agronegócio – Marcia V. Vinci 18 Produtividade Investimentos na produção nacional de biocombustíveis 22 Mercado Setor de implementos rodoviários ainda não apresenta recuperação 24 Eventos 16º Congresso Brasileiro do Agronegócio 26 Internacional Etanol brasileiro X etanol americano – Christian Frederico da Cunha Bundt 28 Conceito Déficits de eficiência – Coriolano Xavier 32 Business World 34 Anunciantes Agosto/2017 • Revista AgriMotor 3

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Coordenação Geral Henrique Isliker Pátria Diretora Executiva Maria da Glória Bernardo Isliker TI Vicente Bernardo Consultoria jurídica: Marcia V. Vinci - OAB/SP 132.556 mvvinci@adv.oabsp.org.br Editor e Jornalista Responsável Henrique Isliker Pátria (MTb-SP 37.567) henrique@grips.com.br Reportagens e Entrevistas Marcus Frediani (MTb13.953) redacao@agrimotor.com.br Edição de Arte Ana Carolina Ermel de Araujo Publicidade grips@grips.com.br henrique@grips.com.br Colaboradores Coriolano Xavier • Christian Frederico da Cunha Bundt José Luiz Tejon • Marcia V. Vinci Impressão e Acabamento Ipsis Gráfica e Editora REVISTA AGRIMOTOR É uma publicação de propriedade da Grips Marketing e Negócios Ltda. com registro no INPI sob no 826584527 Rua Cardeal Arcoverde, 1745 - cj. 113 Pinheiros - São Paulo/SP - CEP: 05407-002 Tel/Fax: (11) 3811-8822 grips@grips.com.br www.agrimotor.com.br As matérias assinadas são de responsabilidade dos autores. Reproduções de artigos e matérias estão autorizadas desde que citada a fonte. I S SN 2 1 7 8 - 0 6 2 5 ISSN 2178 - 0625 9 772178 062005 Grips Editora • Ano 13 • Nº 103 • Agosto/2017 • R$ 15,00 - www.agrimotor.com.br Investimentos na produção nacional de biocombustíveis Edição 103 - Ano 13 Agosto de 2017 Capa: Imagem: Depositphotos.com Criação: Ana Carolina Ermel de Araujo 16º Congresso Brasileiro da ABAG Etanol Brasileiro X Etanol Americano Este veículo apoia: EDITORIAL GANHANDO CONSISTÊNCIA Enquanto na política continuamos com a nossa democracia“Made In Brazil”, na qual os avanços acontecem em um ritmo extremamente mais lento de que nossas necessidades emergenciais, o agronegócio continua se consolidando como a grande locomotiva que move o Brasil, carregando toda a nação a reboque. No recente Congresso Brasileiro do Agronegócio (Veja matéria nesta edição), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, exaltou as reformas já conseguidas como a definição do teto para as despesas públicas e a reforma Trabalhista, mas disse também que o Brasil precisa imediatamente avançar nas reformas da Previdência, na Fiscal e na Política, sob pena de o país não se inserir na realidade planetária do século 21. Acerca do tema, no mesmo evento, realizado em São Paulo, no dia 7 de agosto, o jornalista Carlos Alberto Sardenberg postulou que, em 2018, o Brasil deveria promover uma genuína reformulação em sua esfera política, e sugeriu que seguíssemos o exemplo da França, que elegeu Emmanuel Macron, dono de uma agenda francamente impopular, que defende a reforma Trabalhista com aumento de jornada, além de uma reforma da Previdenciária com o aumento da idade mínima para a aposentadoria. Além disso, o profissional de Imprensa do Grupo Globo também asseverou no encontro que o Brasil precisa criar condições para a expansão contínua também do agronegócio, dada à evidente constatação de que existe um mercado potencial tanto no país quanto no exterior. Um pouco “chover no molhado”, mas a grande pergunta é: por que raios ninguém começa a fazer isso? E com urgência? Sem dúvida alguma, a realização da 25ª edição da FENASUCRO & AGROCANA, de 22 a 25 de agosto, em Sertãozinho, jogará mais lenha nessa discussão e, pelo menos se espera, produzindo mais luz do que calor na busca dessas e de tantas outras respostas que o setor sucroalcooleiro também necessita, como se diz no jargão popular,“pra ontem”. Como uma das media partners desse importante evento, a Revista Agrimotor traz nesta sua edição, que irá circular na feira, reportagens alusivas que merecem especial atenção em sua leitura, chamando atenção para algumas atividades que terão lugar no desenrolar do evento, entre elas a promoção do Fórum de Produtores de Agroenergia, realizado pela Organização de Plantadores de Cana (ORPLANA), pela Datagro e pela Reed Exhibitions Alcantara Machado. A relevância desse Fórum é, realmente, enorme, uma vez que promoverá debates e reflexões entre os mais de 500 produtores de cana, beterraba açucareira e milho de 40 países presentes no encontro – entre eles, África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Bélgica, França, Colômbia, Inglaterra, Guatemala, Turquia, Marrocos, Honduras –, com o objetivo de discutir os obstáculos da cogeração no Brasil e levantar caminhos para que as usinas possam aproveitar melhor seus subprodutos. Com proposta idêntica, trazemos nas páginas desta edição também uma entrevista exclusiva com o coordenador-geral de Cana de Açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com foco nas possibilidades renováveis e, portanto, virtualmente infinitas, da produção de biocombustíveis no país, e dando detalhes do desenvolvimento do programa e das modernas tecnologias que seguramente garantirão ao Brasil um papel de protagonista entre os maiores produtores mundiais de bioenergia. Sem dúvida alguma, o potencial para a geração de energia a partir da cana-de-açúcar é imenso. Atualmente, a fonte biomassa representa 9% da potência outorgada pela Agência Nacional de Energia (ANEEL) na matriz elétrica do Brasil. E, nos próximos sete anos, se as usinas conseguirem aproveitá-la de maneira adequada, poderão fornecer energia elétrica equivalente a até duas usinas do porte de Itaipu por ano, preenchendo a expressiva quota de 24% de todo o consumo na rede nacional. Finalmente, convidamos nossos leitores a se atualizarem nas pá- ginas desta Agrimotor sobre a situação e perspectivas do mercado de sucroalcooleiro no Brasil, bem como do setor de implementos rodoviários e, ainda, tomar nota e conhecer todos os principais acontecimentos que movimentam o setor do agronegócio brasileiro. Boa leitura! Henrique Isliker Pátria Editor Responsável

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OPINIÃO O MILHO “SEM-TETO” VAI SERVIR DE ETANOL NO BRASIL Com a impossibilidade de armazenar o excedente da safra uma das saídas viáveis será partir para a produção de etanol a partir do milho. José Luiz Tejon Megido* H á milho sempre em fartura no Brasil. Ele não vai somente para as galinhas, suínos, ração, química ou doces. O milho será usado, sem dúvida, na fabricação do etanol brasileiro. A Super Safra de 237 milhões de toneladas de grãos terá nesse cereal de elevadíssimo potencial de produtividade uma colheita de 96 milhões de toneladas (quase 100!). Aí vive o drama do Brasil. Produzimos bem e muito dentro das porteiras das fazendas. Mas, onde guardar e armazenar? Não temos armazéns no Brasil para mais do que 168 milhões de toneladas de grãos. Provavelmente ficará no relento, armazenado a céu aberto. Ou seja, o nosso milho brasileiro ficará “sem-teto”. O Brasil enquanto ceva um governo gordo, perdulário e ineficiente, com aumento dos impostos implantados pelo presidente para manter as contas estouradas do déficit fiscal, só pode armazenar cerca de 60% do total produzido, e tudo isso sem seguro-rural. Como o Brasil sempre é maior do que o buraco – relembrando o saudoso Joelmir Beting, jornalista e sociólogo brasileiro – a fabricação de etanol a partir do milho será uma das saídas criativas do brasileiro. Henrique Amorim, presidente da empresa de biotecnologia Fermentec, disse: “Já temos no Brasil cerca de três a quatro usinas fabricantes de etanol de milho”. Nos dias 6 e 7 de novembro, a Datagro realizará a 17ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol em São Paulo, na qual será tratado sobre formas de superar os desafios e aproveitar as oportunidades do mercado brasileiro e internacional. O ex-ministro da Agricultura, Alysson Paulinelli, atual presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho – Abramilho, também acredita que o milho será cada vez mais usado para etanol, e isso deverá acontecer principalmente no centrooeste brasileiro. O milho permite produtividades de 12 até 16 mil quilos por hectare, como os campeões de produtividade no Brasil têm demonstrado. Com a revolução da 1a e 2a Safra, e mesmo com a integração lavoura e pecuária, o milho irá ser o grande responsável por dobrarmos nos próximos 10 anos o total das Safras do Brasil, quando então deveremos atingir mais de 400 milhões de toneladas. Mas, enquanto isso, espero que o Brasil possa investir em silos e armazéns, pois agricultura sem armazenagem seria igual a banco sem cofre. *José Luiz Tejon Megido – Conselheiro Fiscal do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e dirige o Núcleo de Agronegócio da ESPM. Agosto/2017 • Revista AgriMotor 5 Foto: Divulgação www.pixabay.com

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CENÁRIOS RETOMADA À VISTA DO SETOR SUCROALCOOLEIRO Após amargar período difícil, o atual cenário da cana-de-açúcar e seus derivados traz melhores expectativas. Marcus Frediani Osetor sucroenergético passou, nos últimos anos, por uma de suas piores crises, agravada pela conjuntura econômica mundial, afetando todos os elos da cadeia produtiva da cana-de-açúcar. Mais recentemente, a con- corrência internacional do preço do açúcar, com uma queda abrupta em relação ao ano passado, de 21 centavos de dólares por libra-peso para 12 centavos de dólares por libra-peso, e o retorno do PIS/COFINS no etanol – R$ 0,12 por litro do hidratado, a partir de janeiro deste ano e, em julho, de R$ 0,1309 –, refletem a baixa dos investimentos no setor, decorrente de entraves mercadológicos e políticos. “No entanto, de modo geral, o atual cenário traz melhores expectativas. Na última entressafra – ou safra da indús- www.depositphotos.com 6 Revista AgriMotor • Agosto/2017

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CENÁRIOS tria de base –, por exem- ampliação da produção Foto: Alberto Gonzaga plo, ainda que longe do e sistematização da re- ideal, pudemos observar muneração dos biocom- uma modesta melhora bustíveis, entre outras nos pedidos de reformas estratégias, visando ao pelas usinas, o que não cumprimento das metas vinha ocorrendo pela fal- de redução de gases de ta de capital para investi- efeito estufa, assinadas mentos. Dessa maneira, no Acordo do Clima de as unidades vêm operan- Paris. “Com a definição do no limite de sua capacidade, o que pode gerar demandas de retrofit e até aquisição de novos equipamentos, visando maior Aparecido Luiz, presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (CEISE Br) do papel dos biocombustíveis na matriz energética brasileira, o Brasil poderá, efetivamente, se desenvolver sustentavel- eficiência e produtividade. Nossa in- mente, nos três pilares que o conceito dústria possui tecnologia e mão-de- agrega: econômico, social e ambien- -obra suficientes para atender, pronta- tal, gerando empregos e renda”, pon- mente a retomada”, explica Aparecido tua Aparecido. Luiz, presidente do Centro Nacional Enquanto a recuperação, do se- das Indústrias do Setor Sucroenergéti- tor e da economia, é processada, as co e Biocombustíveis (CEISE Br). indústrias têm investido em outros O setor ainda aguarda, ansiosa- mercados, simultaneamente. Uma mente, pela implantação do Reno- pesquisa realizada, em 2016, com as vaBio, programa do governo federal empresas associadas ao CEISE Br, por que pode devolver a competitividade exemplo, apontou que quase 30% do de que ele tanto necessita. O projeto, faturamento delas advém de outros por meio de políticas públicas, prevê segmentos, como o Papel e Celulose, Óleo & Gás, Energia Eólica, Alimentos, Siderurgia, Mineração, Automobilística, Naval, e Transportes. De modo geral, há uma maior conscientização das pessoas em relação ao meio ambiente, principalmente sobre os efeitos indesejáveis da utilização de combustíveis fósseis no balanço de carbono na atmosfera e seus efeitos desastrosos do aquecimento global. Nesse contexto, a agroindústria sucroalcooleira mostra-se muito favorável devido ao esgotamento das jazidas petrolíferas e ao elevado preço do petróleo, além disso, o álcool é um combustível ecologicamente correto, não afeta a camada de ozônio e é obtido de fonte renovável. A diferença começa na sua queima, ela emite menos gases poluentes na atmosfera, pelo fato do álcool ser derivado da cana-de-açúcar e não do petróleo. Atualmente, a cana-de-açúcar é considerada uma das grandes alternativas para o setor de biocombustíveis devido ao grande potencial na produção de etanol e aos respectivos subprodutos. Além da produção Agosto/2017 • Revista AgriMotor 7

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CENÁRIOS de etanol e açúcar, as unidades de produção têm buscado operar com maior eficiência, inclusive com geração de energia elétrica, auxiliando na redução dos custos e contribuindo para a sustentabilidade da atividade. O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, tendo grande importância para o agronegócio brasileiro. O aumento da demanda mundial por etanol, oriundo de fontes renováveis, aliado às grandes áreas cultiváveis e condições edafoclimáticas (em especial clima, relevo, litologia do solo, temperatura, umidade do ar, radiação solar, tipo de solo, vento, composição atmosférica e precipitação pluvial) favoráveis à cana-de-açúcar, tornam o Brasil um país promissor para a exportação dessa commodity. tório Agrícola da Companhia Nacional do Abastecimento (CONAB) – empresa pública, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) –, realizado em abril de 2017, a área colhida no Brasil de cana-de-açúcar destinada à atividade sucroalcooleira na safra 2017/18, deverá atingir 8.838,5 mil hectares, representando uma redução de 2,3% em relação ao exercício anterior. A menor área plantada derivou do desempenho da Região Centro-Sul (-2,8%), particularmente de São Paulo (-4,5%), maior produtor nacional, agravado pelo grande número de empresas em recuperação judicial, adicionalmente afetadas pelas oscilações observadas nas cotações do açúcar, baixa competitividade dos preços internos do etanol, além dos períodos climáticos adversos, observados nas safras anteriores. Já a produtividade estimada para a temporada 2017/18 é de 73.273 kg/ ha. O leve incremento, observado em relação à safra passada (0,9%), é em decorrência da expectativa de recuperação das lavouras na Região Norte-Nordeste (9,1%) e em menor escala na Região Centro-Sul, principal produtora nacional (0,4%), em comparação com o observado na safra passada. As causas estão relacionadas à melhoria esperada das condições climáticas. Segundo a CONAB, no que diz respeito à produção de cana-de-açúcar, na safra 2017/18, esta deverá apresentar um decréscimo de 1,5% em relação à safra passada. Em números absolutos estima-se uma produção de 647,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, ante aos 657,1 milhões da safra 2016/17. Mesmo com a expectativa de melhoria das condições climáticas para esta safra, a Foto: Rodrigo Leal/APPA PERSPECTIVAS DA SAFRA 2017/18 Segundo o primeiro levantamento do Acompanhamento da Safra Brasileira de Cana-de-açúcar do Observa- 8 Revista AgriMotor • Agosto/2017

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CENÁRIOS Foto: Divulgação APPA intensidade na redução de área, observada nos principais estados produtores da Região Centro-Sul, será responsável pela expectativa de menor produção, quando se compara com o período anterior. AÇÚCAR E ETANOL Em seu levantamento de abril de 2017, o Observatório Agrícola da CONAB registra com destaque que as unidades sucroalcooleiras, particularmente as situadas em São Paulo, lis- tadas entre as maiores do setor, estão voltando gradativamente a elevar seus investimentos em projetos ligados à melhoria da produtividade e maximização na produção de açúcar, no aumento da disponibilidade de cana e produção de biogás e em novos projetos de logística e infraestrutura para açúcar e etanol, buscando aproveitar o bom momento dos preços no mercado internacional de açúcar e numa menor escala para o etanol anidro no mercado interno, objetivando minimizar a forte alavancagem existente no setor. De acordo com o documento, o preço do açúcar no mercado externo continuará elevando a representatividade do produto no setor sucroalcooleiro nacional para esta safra. A expectativa para o período 2017/18 é de crescimento percentual do açúcar total recuperado (ATR), destinado à produção

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CENÁRIOS de açúcar, saindo de 45,9 no exercício 2016/17, para 47,1% estimado para esta safra, conforme observado nesse primeiro levantamento. No entanto, a despeito desse aumento previsto, a produção de açúcar deverá atingir 38.701,9 mil toneladas, praticamente o mesmo número alcançado no período 2016/17, 38.691,1 mil toneladas. Isso decorre do fato da previsão da ocorrência de uma menor produção de cana-de-açúcar nesta temporada – 647.625,6 mil toneladas, contra 667.184 mil do ano anterior. São Paulo será responsável pela maior redução absoluta, 17.711,1 mil toneladas, uma vez que é o maior estado produtor. Enquanto isso, a expectativa da produção brasileira para o etanol total, no primeiro levantamento da safra 2017/18 da CONAB, é de 26,45 bilhões de litros, inferior em 4,9% em relação à safra passada, que atingiu 27,81 bilhões de litros. Esse decréscimo está relacionado ao aumento observado no consumo da gasolina em 2016, que respalda os preços do álcool anidro 10 Revista AgriMotor • Agosto/2017 nas misturas de combustível, além dos preços favoráveis do açúcar que incentivaram a produção dessa commodity em detrimento do etanol. Nesse sentido, e acompanhando o desempenho observado no aumento do consumo da gasolina durante a safra 2016/17, que ficou em torno de 5%, comparativamente ao exercício anterior, a estimativa realizada para a produção do etanol anidro para o próximo exercício, contempla aumento na oferta de 2,8% em relação à safra passada, saindo de 11,07 bilhões de litros para 11,38 bilhões de litros, nesta safra. Para o etanol hidratado, em razão do desequilíbrio estrutural acima mencionado, foi estimada forte redução na produção para o período 2017/18. A estimativa inicial colhida no levantamento da CONAB, em abril de 2017, contempla uma produção de 15,07 bilhões de litros, contra 16,73 bilhões de litros, representando uma redução de 10% em relação ao período anterior. O preço do açúcar cristal no atacado em 2016 e no início de 2017 se- guiu tendência mundial de alta. O que pode ser explicado, em grande parte, devido ao elevado preço da commodity no mercado internacional. A queda no início de 2017 coincide com o início da safra no Centro-Sul. Os preços do álcool anidro e hidratado em São Paulo seguiram em alta após valores recordes atingidos em dezembro e outubro de 2016, respectivamente, porém começa um decréscimo no início de 2017, coincidindo com o início da safra no estado. EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES O complexo sucroalcooleiro foi o terceiro maior item exportado pelo agronegócio brasileiro em 2016. As vendas somaram US$ 11,34 bilhões, crescimento de 32,9% em relação aos US$ 8,5 bilhões alcançados em 2015 e 9,4% superior aos US$ 10,37 bilhões alcançados em 2014. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Na safra 2016/17 as exportações de açúcar chegaram a US$ 8,7 bilhões, um incremento de 49% na comparação com o período anterior, quando atingiu US$ 5,8 bi. Os embarques cresceram principalmente em virtude do aumento do preço médio da cotação internacional de açúcar. Os dados da Secex indicam que a importação de etanol do Brasil totalizou 887,2 milhões de litros na safra 2016/17, encerrada dia 31 de março de 2017. Descontando-se esse montante da exportação total, de 869,7 milhões de litros, o país apresentou na temporada um saldo negativo de 17,5 milhões de litros. Esses dados são bem diferentes da safra 2015/16, onde a importação de etanol do Brasil totalizou 271,1 milhões de litros, enquanto a exportação total foi de 1,36 bilhão de litros, ou seja, saldo positivo de 1,09 bilhão de litros.

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CENÁRIOS RADIOGRAFIA DA SAFRA 2017/18 DA CANA-DE-AÇÚCAR Aprodução de cana-de-açúcar, estimada para a safra 2017/18, é de 647,6 milhões de toneladas. Redução de 1,5% em relação à safra anterior. A área a ser colhida está estimada em 8,84 milhões de hectares, queda de 2,3%, se comparada com a safra 2016/17. A produção de açúcar deverá atingir 38,70 milhões de toneladas, semelhante ao produzido na safra 2016/17, continuando favorecida pela conjuntura favorável. A produção de etanol ser de 26,45 bilhões de litros, redução de apenas 4,9% em razão da preferência pela produção de açúcar. A produção de etanol anidro, utilizada na mistura com a gasolina, deverá ter aumento de 2,8%, alcançando 11,38 bilhões de litros, influenciada pelo aumento do consumo de gasolina em detrimento ao etanol hidratado. Para a produção de etanol hidratado o total foi de 15,07 bilhões de litros, redução de 10% ou 1,67 bilhão de litros, resultado do menor consumo desse combustível. Fonte: CONAB

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FEIRAS E EVENTOS UMA FEIRA PARA FICAR NA HISTÓRIA Os organizadores da Fenasucro & Agrocana esperam movimentar mais de R$ 3 bilhões nesta edição comemorativa aos 25 anos de evento. Marcus Frediani S ertãozinho – município brasileiro da Região Metropolitana de Ribeirão Preto, no interior do estado de São Paulo e um dos principais polos produtores de cana-de-açúcar no Brasil – se prepara para receber a FENASUCRO & AGROCANA – Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética, que, em 2017, completa 25 anos de realização. O evento acontece de 22 a 25 de agosto, no Centro de Eventos Zanini, numa área de 70 mil metros quadrados, com realização do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (CEISE Br), organização da Reed Exhibitions Alcantara Machado e apoio/parceira de 37 associações ligadas aos setores agrícola e industrial. Nesta edição comemorativa, Elizabeth Farina, presidente da UNICA, é a presidente de honra FENASUCRO, representando a área industrial do evento e sendo a primeira mulher a receber esta homenagem. Já Antonio Eduardo Tonielo, presidente da Copercana, é o presidente de honra da AGROCANA, o setor agrícola da feira. Plataforma de tecnologias, revelando alternativas e soluções para toda cadeia produtiva açucareira, o evento concentrará mais de mil marcas em exposição. Este ano, a expectativa de que ela vá receber mais de 35 mil visitantes, entre compradores brasileiros e de outros 43 países. Com o aquecimento do mercado sucroalcooleiro, que já está acontecendo, a perspectiva de negócios iniciados durante a feira também se ampliou: deveremos sair dos R$ 2,8 bilhões do ano passado para R$ 3,1 bilhões. “Mesmo com todas as adversidades, crises econômica e setorial, a FENASUCRO & AGROCANA chega à sua 25ª edição como o maior evento de tecnologia sucroenergética do mun- www.stockfresh.com 12 Revista AgriMotor • Agosto/2017

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FEIRAS E EVENTOS do, reunindo todos os de destacar também que Para receber um público cada Foto: Divulgação Foto: Alberto Gonzaga Foto: Fabrício Fiacadori elos da cadeia produtiva. o evento reúne em um vez maior, o número de auditórios O CEISE Br, como nesses só local as áreas agrícola passou de quatro para seis, a fim de 25 anos que vem reali- e industrial do segmen- amplificar o compartilhamento das zando um evento dessa to, pois acreditamos que novas informações e tendências, bem magnitude, espera, mais juntos somos melhores”, como o intercâmbio e a difusão de uma vez, o sucesso de pontua o executivo. conhecimentos entre profissionais e uma feira que é muito especialistas do setor sucroenergéti- mais que um ambiente FOCO NO CONTEÚDO co. “Estamos, ainda, muito confiantes de negócios – ela provo- A expectativa é de que em apresentar novas formas de fazer ca a troca de experiências, o enriquecimento profissional, o estreitamento das relações co- Aparecido Luiz, presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (CEISE Br) a movimentação financeira da FENASUCRO & AGROCANA também seja estimulada pela grade de negócio como, por exemplo, a Ilha do Conhecimento, um modelo europeu, onde dois auditórios estarão equipados, preparados e disponíveis para merciais, amplia merca- conteúdo do evento, que expositores realizarem palestras para dos, estimula as inovações e promove contará com mais de 300 pequenos grupos sobre a indústria brasileira. A expectativa é horas de conteúdo, dis- seus produtos e agilizar grande quanto à geração de negó- tribuídas em palestras, as compras e vendas já cios, diante de um cenário que vis- reuniões, workshops e durante o evento. Sem lumbra retomada”, destaca Aparecido encontros, a serem pro- dúvidas, esta edição será Luiz, presidente do CEISE Br. movidos no Espaço de histórica”, anima-se Paulo Paulo Montabone, gerente geral da Conferências, que cres- Montabone. feira e show manager da Reed, tam- ce a cada ano e recebe A seu turno, Apareci- bém expressa otimismo neste ano co- atividades de grande do Luiz, o evento poderá memorativo: “São 25 anos dedicados relevância para a cadeia ser palco da apresenta- a apresentar tecnologias, fomentar produtiva da cana se atu- ção de ideias estratégicas negócios e gerar conhecimentos para o avanço e a modernização do setor sucroenergético. Além dos visitantes alizar, ganhando compe- para um novo e promis- titividade. E isso, é claro, Paulo Montabone, gerente geral da feira e show manager da Reed sor momento do setor. “O sem falar das rodadas de governo brasileiro está internacionais, no evento, iremos re- negócios internacionais e nacionais, perto de implantar o programa Reno- ceber representantes de todas as usi- que também acontecem ao longo dos vaBio, visando ao aumento de 18% de nas brasileiras. Não podemos deixar quatro dias de programação. participação dos biocombustíveis na matriz energética até 2030. Dessa for- ma, será preciso quase que dobrar a oferta de etanol, dos atuais 28 bilhões para 50 bilhões de litros, o que vai de- mandar novas unidades produtoras e, consequentemente, reaquecer a indústria de base e serviços. Com essa expectativa, estamos confiantes que o RenovaBio vai acontecer”, ressalta o presidente do CEISE Br. FÓRUM DE AGROENERGIA O potencial para a geração de energia a partir da cana-de-açúcar é grande. Atualmente, a fonte biomassa representa 9% da potência outorgada pela ANEEL (Agência Nacional de Energia) na matriz elétrica do Brasil. E, Agosto/2017 • Revista AgriMotor 13

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FEIRAS E EVENTOS nos próximos sete anos, se as usinas conseguirem aproveitar todo seu potencial, poderão fornecer energia elétrica equivalente a até duas usinas do porte de Itaipu por ano e representar 24% do consumo na rede nacional. A estimativa da Unica (União da Indústria de Cana de Açúcar) e da ANEEL mostra que a geração de energia a partir da cana é um dos caminhos para a retomada do setor Por isso, entre as principais novidades FENASUCRO & AGROCANA em 2017 estará, também, o Fórum de Produtores de Agroenergia, realizado pela Organização de Plantadores de Cana (ORPLANA), pela Datagro e pela Reed Exhibitions Alcantara Machado, e que promoverá debates e reflexões entre os mais de 500 produtores de cana, beterraba açucareira e milho de 40 países presentes na feira – entre eles África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Bélgica, França, Colômbia, Inglaterra, Guatemala, Turquia, Marrocos, Honduras –, com o objetivo de discutir os obstáculos da cogeração no Brasil e levantar caminhos para que as usinas aproveitem melhor seus subprodutos para que a energia da cana se consolide na ma- triz energética brasileira. “A bioeletricidade promove a geração de renda e de emprego, estimula a indústria e ainda traz a possibilidade de energia mais barata para o consumidor final, principalmente em momentos de instabilidade econômica ou de baixa nos reservatórios das hidrelétricas brasileiras”, explica Aparecido Luiz. A fim de gerar produtividade nos debates, o Fórum – que acontecerá no dia 23 de agosto – será dividido em cinco painéis, com a participação de palestrantes estrangeiros. Além do melhor aproveitamento dos subprodutos, na área da cana-de-açúcar, os temas abordarão: a otimização da produção pelos sistemas de plantio MPB (muda pré-brotada) e meiosi (técnica que possibilita um planejamento rentável na implantação de um viveiro, com o desenvolvimento das mudas de cana-de-açúcar de alta qualidade para dar suporte a quem planta), novidades para os produtores brasileiros; inovações na colheita mecanizada; a gestão de custos sucroenergéticos; políticas públicas para o setor de açúcar e biocombustíveis, entre outros. Os subprodutos do milho e a geração de energia e diversidade de bio- Foto: Divulgação massas também serão apresentados durante o Fórum. O evento contará ainda com a participação da palestrante Martha Betancourt, diretora executiva da Associação Colombiana de Produtores de Cana-de-açúcar (Procaña), que falará sobre Sistema Integrado. BIOECONOMIA E INOVAÇÕES Outro destaque é a participação inédita do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), que integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). O CTBE desenvolve pesquisa e inovação de nível internacional na área de biomassa voltada à produção de energia, biocombustíveis e bioprodutos, visando à transferência de processos da bancada científica para o setor produtivo. Na FENASUCRO & AGROCANA, o Laboratório participará de duas formas. A primeira é com a realização, no dia 24 de agosto, do Workshop de Bioeconomia, e a outra é em um estande montado especialmente na área de exposições, apresentando dois equipamentos de última geração usados nos mais avançados laboratórios do mundo. Já o Estande de Inovações deve ter o mesmo sucesso do ano passado, atraindo o público para conferir as novidades em produtos e soluções procedentes da cana-de-açúcar e seus subprodutos.  14 Revista AgriMotor • Agosto/2017 SERVIÇO: 25ª FENASUCRO & AGROCANA Período: 22 a 25 de agosto de 2017 Horário da Exposição: das 13h00 às 20h00 Horário dos Eventos de Conteúdo: das 8h00 às 18h00 Local: Centro de Eventos Zanini, Marginal João Olézio Marques, 3.563 – Sertãozinho/SP Site oficial: www.fenasucro.com.br

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FEIRAS E EVENTOS NETWORKING INSTANTÂNEO A25ª edição da FENASUCRO & AGROCANA aposta na tecnologia para fomentar negócios. Já está disponível nos sistemas Android e iOS o aplicativo mobile que permite tanto relacionamento quanto as negociações entre compradores e expositores antes, durante e depois do evento. “Com este app, os visitantes e expositores iniciam networking e fecham negócios mesmo antes da feira começar. É disponibilizado para todos antes, durante e após o evento e vem se fortalecendo como forte ferra- menta de negócios a cada ano”, explica Tatiana Rassini, gerente de Planejamento de Marketing do Portfólio de ENERGIA da Reed Exhibitions Alcantara Machado. Na prática, o aplicativo permite que o usuário encontre os produtos e expositores de seu interesse com mais facilidade e os favorite, tendo a oportunidade de marcar reuniões, consultar a lista das empresas expositoras, conferir atrações especiais e traçar a rota da visita antecipadamente. Além disso, é possível ver todas as informações sobre a grade dos Eventos de Conteúdo e seus palestrantes e ser alertado sobre o início de cada palestra e debate. “O aplicativo foi disponibilizado com mais de um mês de antecedência e já é possível que o usuário favorite e indique seus principais produtos e expositores, escolha quais os eventos de conteúdo que irá participar, agende reuniões e, desta forma, aumente suas chances de obter melhores resultados com o evento”, acrescenta Tatiana. Em 2017, a expectativa é de que o aplicativo seja baixado por mais de 50% dos visitantes. Quando você pensa em... Off-road Perfis Especiais Implemento Agrícola Conjuntos Tubulares Tubos para chassi Tubos para eixo fixo lidade Indústria Agrícola Tubos quadrados Tubos Rops Perfilados tubulares especiais Tubos especiais Flecha maior e flecha menor Tratores Automotivo Pesado Conjuntos Tubulares Tubos travessa para chassi Tubos para Cockpit Equipam Caminhões Automóveis mentos Parceria e Serviços Você pensa Departamento de engenharia Desenvolvimento de produtos em Golin!Serviços Energias Renováveis Estruturas para suportar painéis fotovotaicos Tubos redondos, retangulares e quadrados erfis C, U, I, W e H Solar envolvimento de produtos de acordo requisitos e normas do cliente. Ônibus Indústria Automotiva Conjuntos Tubulares Tubos para coluna de direção Tubos para pedal de freio indros de direção hidráulica as coxim de câmbio e motor (anti vibratório) para alavanca de câmbio as de suspensão raços de suspensão Automotivo Pesado Conjuntos Tubulares para chassi os para escapamento suporte do paralama tubulação de água para painel Metalúrgica Golin S/A 11 2147 -6500 www.golin.com.br

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