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Veja na internet Informativo do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica | CEA/CSP-CONLUTAS | Agosto/2017 | Edição nº 07 Entrevistas exclusivas e 31º CONSINASEFE OInformativo 7 do SINASEFE está dedicado a propagar as vozes de vários sindicalizados por meio de diversas entrevistas, além de trazer a posição do sindicato a respeito do ataque mais recente aos direitos dos trabalhadores do serviço público (que prevê inclusive a demissão voluntária). A publicação apresenta a grave situação que o Sindscope-RJ e os trabalhadores do Colégio Pedro II enfrentam há meses, com processos movidos por um procurador fiel aos preceitos do Movimento Escola Sem Partido. Outro destaque é o resumo das principais modificações estatutárias aprovadas no 31º CONSINASEFE, realizado de 18 a 21 de maio, em Salvador-BA. Ataques recentes SINASEFE se posiciona contra ataques aos servidores públicos: "Nossa luta continua a ser pela flexibilização da jornada de trabalho dos técnicoadministrativos, pelo fim do ponto docente e contra o ponto eletrônico, contra a precarização, pelo estímulo à pesquisa e contra o arrocho salarial.". Leia nas páginas 2 e 3 Mordaça nos educadores Perseguições e ataques construídos sob subterfúgios frágeis de um procurador defensor do Escola Sem Partido ameaçam a liberdade de expressão e do movimento sindical no Colégio Pedro II. Leia nas páginas 4 a 10 31º CONSINASEFE Um resumo do fórum deliberativo e as expectativas diante de alterações estatutárias aprovadas no evento (como por exemplo a paridade de gênero e as novas coordenações da DN - de mulheres e de combate às opressões). Leia nas páginas 11 a 23

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Análise de Conjuntura 2 | Agosto/2017 | Informativo Sinasefe Não ao PDV e aos demais ataques do governo Temer, em defesa do serviço público! OSINASEFE NACIONAL vem se posicionar sobre algumas das mais recentes medidas do governo Temer: o Plano de Demissão Voluntária (PDV), a redução da jornada de trabalho com diminuição de salário e o estímulo à licença não remunerada. Em primeiro lugar, alertar a todos os servidores sobre o canto da Sereia da demissão voluntária. São muitos os trabalhadores e trabalhadoras que em épocas anteriores se deixaram iludir por este discurso, aderiram ao programa, perderam seus cargos públicos e muitos nem sequer receberam do governo a contrapartida prometida à época. Vários e várias tentam hoje, sem sucesso, reverter na justiça o erro que cometeram, e ninguém até agora conseguiu. Quanto ao afastamento sem remuneração, cabe lembrar aqui que essa possibilidade já existe na legislação. O que a proposta de Temer traz de novo é a promessa de uma contrapartida de três meses de salário a quem aderir. Mas que ninguém se iluda, esse pequeno estímulo financeiro vem acompanhado da proibição de que o servidor ou servidora possa retornar de seu afastamento antes do prazo total da licença – que é de três anos. Pior ainda: a proposta prevê que a licença pode ser prorrogada por interesse do serviço público, ou seja, o servidor pode ser impedido pela administração ou por alguma medida governamental de retornar ao seu trabalho por seis anos. É isso o que pode custar o prêmio de três meses de salário: um afastamento compulsório de até seis anos! Todavia, as ressalvas feitas acima não constituem a questão central. O que pauta todas essas medidas e as anteriores é o contínuo ataque ao funcionalismo público e à qualidade dos serviços sociais oferecidos à parte mais carente da população. Temos visto nas últimas semanas uma intensificação do discurso da demonização dos servidores públicos nos meios de comunicação. Enquanto Temer e seus iguais insistem que temos muito a ganhar indo embora e tornando-nos “empreendedores”, números manipulados são insistentemente apresentados visando nos apresentar como os culpados pela crise no Expediente Esta é uma publicação do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica – SINASEFE. A gestão 2016-2018 da Direção Nacional do SINASEFE é responsável pelo conteúdo deste informativo. Confira a nominata em nosso site: Jornalistas profissionais: Mário Júnior (MTE-AL 1374) Monalisa Resende (MTE-DF 8938) Diagramação: Ronaldo Alves (RP 5103/DRT-DF) Fotos: Ascom SINASEFE, Empresa Brasil de Comunicação, João Moura, Pirula, Sindscope-RJ e arquivo pessoal dos entrevistados Ilustração: Vini Oliveira Contatos: (61) 2192-4050 | imprensa@sinasefe.org.br

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Análise de Conjuntura 3 | Agosto/2017 | Informativo Sinasefe país. Nada se fala sobre a sangria de dinheiro público para o pagamento da suposta dívida com os banqueiros que jamais foi auditada e chega hoje a quase 50% de tudo que arrecadamos. Nada se fala das abundantes vantagens que têm as empresas e a parte mais rica da população, que se beneficia continuamente daquela que é pior distribuição de renda do mundo. Mas na mesma semana que consórcios privados entregaram o aeroporto de Viracopos porque supostamente não dá lucro, exaltam a lógica da privatização e da perseguição ao funcionalismo público. Onde está o “bem-aventurado” capital privado nas redes especializadas de combate ao câncer? No oferecimento de educação gratuita e de qualidade? Onde está investido esse capital em pesquisas que visem sanar os problemas sociais da maioria da população? A classe trabalhadora brasileira, de uma forma geral, e os trabalhadores e trabalhadoras públicos, de forma mais particular, estão a viver um dos momentos mais tenebrosos de sua história. À investida dos órgãos de controle em diminuir o direito às 30 horas semanais e instituir o ponto eletrônico, se articula a proposta de redução da jornada de trabalho com redução de salário. Enquanto o funcionalismo público e os aposentados e aposentadas do país são apresentados como culpados de todo o tipo de déficit, o governo Temer e seus apoiadores promovem campanha pelo desmantelamento definitivo previdência e da demissão de servidores públicos. No exato momento em que o governo de Temer bate todos os recordes de rejeição, atua de forma cínica nos bastidores do Congresso para comprar com emendas parlamentares votos de deputados contra a apuração das graves denúncias que pairam sobre ele. Pelo exposto acima, o SINASEFE faz um chamado à toda a sua base: que ninguém se deixe enganar por esses cavalos de Tróia. Nossa luta continua a ser pela flexibilização da jornada de trabalho dos técnico-administrativos, pelo fim do ponto docente e contra o ponto eletrônico, contra a precarização, pelo estímulo à pesquisa e contra o arrocho salarial. Defendemos a impessoalidade do funcionalismo público, a realização de mais concursos públicos e nos opomos igualmente às tentativas de emendar a crise que só fazem torná-la mais grave, tal como propostas de professor voluntário e outros regimes de trabalho similares que nem encontram previsão legal de acontecer. Mais do que nunca precisamos encher nossas assembleias, fortalecer o calendário nacional de luta contra o governo Temer e ocupar as ruas! Nenhuma concessão a golpistas e traidores! Não à Reforma da Previdência e todo o pacote de maldades de Meirelles! Fora Temer, nenhum direito a menos!

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Mordaça nos Educadores Não nos calaremos: SINASEFE denuncia perseguição aos servidores do Colégio Pedro II 4 | Agosto/2017 | Informativo Sinasefe Perseguição e criminalização dos trabalhadores do CPII, intimados pelo MPF, demonstra necessidade de defender o direito de expressão e desmascarar os defensores do Escola Sem Partido Desde o final de 2016 os trabalhadores do Colégio Pedro II (CPII), sindicalizados no Sindscope-RJ, filiado ao SINASEFE, enfrentam uma situação de duros ataques aos seus direitos básicos de se expressar. Em outubro passado, demonstrações claras disto se deram quando o Ministério Público Federal (MPF) mandou retirar faixas com os dizeres “Fora Temer” (assinadas pelo sindicato), intimou os coordenadores da entidade a prestar depoimento e fornecer uma listagem com nomes de sindicalizados. Como esta tentativa de criminalizar os lutadores falhou, uma nova trama se desenhou, desta vez com requintes mais nítidos de arbitrariedade. Em março de 2017 o procurador Fábio Moraes de Aragão, defensor de projetos como a “cura gay” e o Escola Sem Partido, propôs uma Ação Civil Pública, supostamente em defesa da “probidade administrativa”. Ele acusou o Sindscope-RJ, o PSOL e mais sete trabalhadores do CPII por supostas irregularidades, tais como, por exemplo, ter um adesivo colado na camiseta ou mochila, panfletar do lado de fora da unidade educacional ou mesmo influenciar decisões uns dos outros. Em ambas as ocasiões, o SINASE- FE se solidarizou com os companheiros perseguidos e com o sindicato filiado, reafirmando sua disposição de luta contra este ataque. “É a formação do cidadão crítico e participativo que faz do Pedro II o colégio de qualidade reconhecido em todo país. É a combatividade dos servidores da Rede Federal de Educação e da nossa seção sindical que este procurador está atacando”, destacou a Direção Nacional do SINASEFE. O Informativo SINASEFE entrevistou três dos sete trabalhadores perseguidos, confira a seguir a leitura de cada um deles destes acontecimentos. Magda Furtado é natural de Volta Redonda-RJ e fez mestrado e doutorado na UFRJ. Ela milita há mais de 20 anos no movimento sindical, chegando em seu terceiro mandato na direção do SindscopeRJ. É filiada ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). No CPII é professora titular de Português e Literatura, trabalhando na escola há 22 anos. Há alguns meses você e seus colegas enfrentam uma situação bastante desagradável, na qual a perseguição e o cerceamento de direitos são a ponta do iceberg. Ao longo de seus anos de militância você já havia vivenciado uma situação como esta? Tenho 20 anos de atividade sindical, poucos deles enquanto dirigente, e nunca passei por isso. Fiz muitas greves em governos bastante repressores, com descontos de salário inclusive, mas nunca enfrentei uma perseguição política tão direta quanto esta. Alguns movimentos de greve foram reprimidos, mas não existiu tamanha criminalização. Até agora o

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Mordaça nos Educadores 5 | Agosto/2017 | Informativo Sinasefe que eles reprimiam eram as greves, agora o que eles tentam reprimir é nossa posição política. A grande ofensiva da direita, além de política econômica, tem a ver inclusive com o campo dos costumes, além da retirada de direitos históricos. Como você percebe este movimento conservador nas salas de aula e na escola em geral? Ao abordar personagens históricos com rico conteúdo revolucionário, como Graciliano Ramos, por exemplo, é preciso falar de política. Não de política partidária obviamente, mas falar da grande política. Querem nos impedir de fazer este debate? O movimento de perseguição e intimidação tem o objetivo claro de criar um clima de medo, já que pretende acuar as pessoas para não estimular o pensamento crítico. Entendendo esta criminalização dos trabalhadores, da entidade sindical e do partido num contexto maior, identificamos que esta etapa se soma a outros eventos semelhantes. Você pode contextualizar como e quando começou este processo de perseguição e patrulhamento? Todo o processo de ofensiva da direita que se desencadeou no país, a partir também do golpe institucional (que retirou Dilma e levou Temer à presidência), empoderou estes setores conservadores, que partiram para ofensivas mais intensas. No caso do CPII , tudo se agravou quando o reitor liberou a opção de uniforme. Apesar de existirem uniformes de menino e de menina, as meninas já usavam calças compridas (as mulheres em geral usam calças há mais de um século). O que foi feito foi retirar a antiga formalidade: calças pra homens e saias para mulheres, ambas peças são uniformes e podem ser utilizadas pelos estudantes. Além de modernizar a portaria para toda comunidade, a medida respeitou estudantes transexuais. Foi quando começaram a acusar o reitor de estar em “conluio” com os ativistas e militantes, e quem tem uma militância forte é o sindicato. Este fato coincidiu com a mobilização do Sindscope-RJ contra o golpe e pelo Fora Temer, quando o procurador tentou nos criminalizar pela colocação de faixas, fomos intimados (a coordenação geral da entidade) e prestamos depoimentos. Mas ele não conseguiu nos criminalizar por aí, afinal as consignas “Fora Temer” e “contra o golpe” estavam por todo país. Além disso a Constituição nos garante o direito de manifestação política em qualquer lugar. Sem confundir este direito com a manifestação político-partidária, que não se aplica exatamente pelo caráter amplo da luta, desvinculado de um partido x ou y. Após os depoimentos da coordenação do sindicato, diante da veemente falta de concretude da acusação, o procurador decidiu intimar mais gente. A partir daí ele começou a criar algo que não existe de fato: uma estrutura do PSOL dentro do colégio. A única filiada ao PSOL no sindicato sou eu, alguns dos acusados sequer são simpatizantes do partido. Não existe nenhum núcleo dentro da escola, existem pessoas que trabalham no Pedro II que discutem política sim, fora da escola. Inclusive a fotografia postada em rede social utilizada erroneamente no processo foi publicada com localização de GPS automática, comprovando que estávamos na Lapa. Não tem campus do CPII na Lapa, eu menciono que se tratava do gabinete de Chico Alencar. Na leitura do procurador, o sindicato deve cumprir somente um papel corporativista e lutar por salário apenas, e qualquer outra coisa promovida pelas entidades estaria errada. Quanto a cobertura da mídia burguesa e as manifestações nas redes sociais, como você percebe este aspecto ao longo destes meses em que a perseguição se agravou? Após prestar o primeiro depoimento, na ocasião eu vestia uma camiseta com a frase “Lutar Sempre Temer Jamais”, mostrando que não existia nenhum temor, afinal temos direito de manifestação política. Neste dia gravei um vídeo protestando contra essa perseguição, um vídeo de poucos minutos que viralizou rapidamente atingindo mais de 100 mil visualizações. Alguém colocou este vídeo na página do Escola Sem Partido e a partir daí começaram a

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Mordaça nos Educadores 6 | Agosto/2017 | Informativo Sinasefe invadir minha página pessoal, me ofendendo, ameaçando de morte, dizendo que iam me pegar e me bater na saída da escola, colocaram em xeque o meu profissionalismo. Em 20 anos de serviço (tendo atingindo o topo da carreira de docente do EBTT) nunca foi registrada qualquer queixa quanto ao meu trabalho, e de repente as pessoas diziam que eu não deveria estar na escola, não deveria dar aulas para os filhos deles. Foram milhares de mensagens, realmente uma invasão. Até ligações de números desconhecidos eu recebi. Mesmo com toda experiência de militância, tudo isso me gerou um sofrimento. Dei entrevistas para diversos veículos tradicionais (Veja, Estadão, Carta Capital) e nada foi publicado, nossa versão dos fatos não é divulgada. Enquanto isso o Fábio Aragão (procurador) deu entrevista de mais de 20 minutos na rádio CBN, nos difamando, e ocupa diversos noticiários na grande mídia. Diferente da perseguição que sofrem no CPII, protagonizada por um ente externo ao colégio, sindicalizados em diversas localidades sofrem perseguição de reitores e diretores. Qual seu recado para os trabalhadores e trabalhadoras da Rede Federal que enfrentam problemas com gestores autoritários? No Pedro II hoje não passamos por isso, felizmente, mas na Rede temos realmente muitos relatos. Casos de assédio moral, inclusive com envolvimento da Polícia Federal, como foi no IFRJ, são recorrentes e os sindicatos estão atuando para combater essas práticas. Infelizmente temos casos de reitores já eleitos com a participação do movimento, com aquela mentalidade de “manda quem pode e obedece quem tem juízo”, um retrocesso. Mesmo que este governo esteja acabando com as leis trabalhistas, existem algumas em vigor que ainda nos protegem, então nós temos que lutar e defender nossos direitos. Os trabalhadores não estão sozinhos, o sindicato está com eles, o sindicato é a nossa voz, e precisamos fortalecer estas entidades com a nossa participação. Sozinhos vamos sucumbir às pressões, mas se estivermos juntos com o sindicato local, nacional e com nossa Central Sindical, a CSP-Conlutas, formando uma rede de ativistas e de manifestações coletivas. É na atuação conjunta e na ampliação do alcance das denúncias destas práticas que vencemos. Superar as diferenças políticas existentes nas entidades é um elemento fundamental, devemos estar muito unidos e articulados. É importante ter esta clareza, não podemos nos dividir, e atuarmos unificadamente contra estas perseguições é fundamental. William do Nascimento Carvalho é natural do Rio de JaneiroRJ, trabalha no CPII desde fevereiro de 1985 (como técnicoadministrativo), milita no movimento sindical desde 1987. No SINASEFE, já foi coordenador geral por mais de dois mandatos e também foi diretor das pastas de Comunicação e Jurídica. Já presidiu e foi coordenador geral do Sindscope-RJ. Participou do Fórum Terra, Trabalho e Cidadania da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e também da fundação da CSP-Conlutas. Desde janeiro de 2014 é diretor administrativo e diretor geral substituto do campus São Cristóvão do CPII. Ao longo de sua trajetória militante e profissional é possível que a defesa de suas posições tenha causado situações de perseguição, mas nada tão absurdo quanto este processo movido por Fábio Aragão. Como você percebe este ataque, e quais seriam as motivações dos envolvidos? Entendo que este processo vai muito além de uma relação comigo enquanto figura pública, obviamente que a minha trajetória serve como pretexto para me vincular ao processo, a partir da história que eles criaram. Montaram uma estrutura que tenta vincular as ações de um determinado partido no Rio com um sindicato que teria vínculo com este partido junto a uma escola

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Mordaça nos Educadores 7 | Agosto/2017 | Informativo Sinasefe que teria militantes com ligação direta com a sua administração, criando um triângulo entre partido, escola e sindicato para poder sustentar a tese de que no Pedro II a gente doutrinaria as crianças, ou seja, é a tese de quem defende o Projeto Escola Sem Partido. E por que o CPII? Porque o colégio vem implantando medidas progressistas que vêm sendo divulgadas. E a minha trajetória foi usada para tentar dar veracidade a esta fábula por que sou ex-dirigente sindical e hoje participo da gestão de um campus do colégio onde há uma abertura para uma série destes elementos que hoje os defensores do Escola Sem Partido se contrapõem. Ao mesmo tempo, tive uma relação direta com a campanha do Tarcísio para reitor, em 2013. Assim, nesta história mirabolante cometeram alguns erros que acabam desmontando a própria narrativa deles: me filiaram ao PSOL sem eu nunca ter sido filiado, como eu criaria um núcleo de um partido que sequer sou filiado? E ainda ignoram, ao afirmar que eu estaria doutrinando o reitor, o fato de que coordenei a campanha do adversário dele. Então não entendo como algo pessoal ou direcionado a qualquer trabalhador ou militante, e sim uma tentativa de mobilizar o apoio ao Projeto Escola Sem Partido e ao mesmo tempo atacar um determinado partido a serviço de quem está por trás desta disputa. Como você relembra, uma narrativa cheia de controvérsias foi montada para atacar os trabalhadores do CPII, o PSOL e o Sindscope-RJ, onde você seria um elo entre os três entes. Qual sua opinião sobre o teor destas acusações? Na verdade estas acusações não se sustentam, sou acusado de ser, dentro da fábula, o mentor interno vinculado ao PSOL, partido que é o alvo do processo, e do sindicato. Não é possível sustentar o fato de que fundei um núcleo de um partido do qual não faço parte, já me afastei da direção do sindicato há quatro anos e, por fim, não posso doutrinar o reitor quando fui coordenador de uma campanha de oposição a ele. O meu posicionamento nas redes sociais foi distorcido no processo, o que afirmei foi que ao matricular os filhos no CPII, os pais conhecem o projeto da escola, entendem que lá já existe amadurecimento dos debates contra o racismo, machismo e a homofobia. Temos uma escola que prima pela construção democrática, com um conselho superior eleito com representação de pais, estudantes e servidores. Não há nada que se sustente neste processo, são milhares de páginas com “denúncias” repetidas apenas para dar volume. Não existem quaisquer provas. Parece que a Operação Lava Jato está fazendo escola, ou seja, basta as pessoas terem “convicção” para sair acusando a todos. Não se atentam para a velha máxima: aquilo que não se comprova não se pode manter enquanto acusação. Em relação às medidas consideradas progressistas no âmbito do CPII, como você notou a recepção por parte de pais, estudantes, educadores e da comunidade em geral? Eles querem uma Escola Sem Partido, ou uma Escola Sem Mordaça? Na minha avaliação, fico feliz que os estudantes queiram uma escola sem mordaça, e acredito que a maioria dos profissionais aqui entendem que a escola não deve ter partido, e ao mesmo não deve ter mordaça. O que estamos fazendo na escola não é a discussão partidária, nem ideológica, aqui existe um debate amplo em que as pessoas são levadas a pensar, esta é a grande questão. Aqui não se pede para ninguém ser socialista, comunista, capitalista, não se constrói este debate ideológico dentro do colégio. Apresentamos, por exemplo, no campo ideológico, as várias vertentes existentes para que as pessoas saibam o tipo de disputa que está colocada na sociedade. Tentaram nos acusar de doutrinar os estudantes, mas não é possível comprovar o que não existe, não tem nenhum vídeo de aulas, por exemplo, que mostrem alguém defender determinado partido em sala de aula. Eles têm fotos de adesivos colados em bolsas. A escola tem que ser necessariamente o reflexo da sociedade, e se na sociedade há diferenças de pensamento, por que dentro da escola não vai ter? Nosso papel não é inibir as diferenças, é fazer com que as pessoas respeitem a existência destas diferenças. O que estas medidas fazem é permitir que as diferenças se explicitem e não inibir

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Mordaça nos Educadores 8 | Agosto/2017 | Informativo Sinasefe o comportamento da maioria. No campus São Cristóvão nós estamos acabando com as velhas práticas de quem achava que podia ganhar no grito, impor posições machistas, racistas, homofóbicas. Temos o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab), o Laboratório de Estudos em Educação e Diversidade (Ledi), o Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (Napnes), e tudo isso incomoda bastante as pessoas com visão reacionária. Temos uma gestão que propicia o respeito às diferenças, um projeto político pedagógico que estabelece a democratização da escola e a ampliação dos direitos, fomos eleitos para defender esta proposta. Ainda abordando a questão da abertura do colégio para o diálogo e a construção coletiva, quando observamos a composição do Conselho Superior do CPII, percebemos que existe um espaço considerável para participação da comunidade. Você pode explicar um pouco a composição e funcionamento deste órgão? São quatro estudantes, quatro pais/ responsáveis, quatro professores, quatro técnico-administrativos, quatro dirigentes, dois egressos, o reitor e um representante do Ministério da Educação (MEC). Exceto os egressos que são sorteados, o reitor e o membro do MEC, todos são eleitos por seus pares. Este espaço viabiliza os debates e permite que as decisões que mexem com a vida escolar sejam tomadas com a participação da comunidade de forma abrangente. são perseguidos em seus locais de trabalho? É bom explicar esta diferença. Na Rede em geral o que temos visto são assédios dos gestores sobre os servidores, muitas vezes por causa de suas posições políticas. No Pedro II esta prática vem perdendo espaço por que a escola vem avançando. Algumas direções progressistas foram eleitas e o próprio reitor tem um comportamento bem avançado neste aspecto. Aqui não temos gestores assediando a ponto de ameaçar empregos, de atacar com processos, o principal problema vem de fora. Exatamente por termos avançado, ainda não chegando onde desejamos, mas os pequenos avanços que temos registrado estão incomodando alguns setores. Quanto aos problemas com assédios acontecendo nas instituições, o movimento sindical tem que se impor. Independente das posições políticas variadas que temos no Sindscope-RJ hoje, o sindicato não permite que os trabalhadores fiquem sozinhos neste tipo de embate. Acredito que isto acaba levando a um comportamento na instituição, com algumas exceções, de não ter assédio internamente no colégio, existem debates acirrados, divergências. Isto tem muito a ver com a posição política dos trabalhadores, com o posicionamento mais contundente de forma coletiva e organizada. Apesar de diferente nas personagens causadoras da perseguição, os problemas que os trabalhadores do CPII enfrentam hoje se somam aos diversos casos de perseguição relatados na Rede Federal. Levando em conta esta diferença, e as possíveis semelhanças nas subjetividades de passar por isto, qual seu recado para os trabalhadores que também Maria Elisa Wildhagen Guimarães tem 54 anos e nasceu em NiteróiRJ. Formada em história pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestre em história política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Trabalhou na rede estadual de 1991 a 2005, quando ingressou no CPII. Neste ano deu entrada em seu processo de aposentadoria. Ela começou a militar ainda no movimento estudantil. Em 1982 ingressou na Convergência Socialista (corrente interna do PT), onde permaneceu por 10 anos. Trabalhou e militou como bancária entre 1985 e 1988. Em 1994 participou da formação do PSTU, onde milita até hoje. Desde que ingressou no CPII foi do núcleo de base do campus Humaitá II e atualmente é da diretoria do Sindscope-RJ, na pasta de formação política. Enquanto mulher militante sua trajetória de lutas já soma alguns anos de caminhada. Problemas por defender as ideias em que acredita não são novidades, no entanto, um ataque da dimensão deste processo de perseguição não é tão comum. Como foi pra você receber as intimações, ter acesso ao processo e descobrir que algo tão cerceador de sua liberdade de expressão estava acontecendo? Comecei a militar ainda durante a ditadura militar, no período da abertura política. Não havia repressão na universidade para manifestação política partidária. Fazíamos cartazes, banquinhas para a venda do jornal Convergência e depois Alicerce da juventude socialista. Banquinhas com venda do material do PT. Usávamos bonés, botons, bandeiras, camisetas... Tudo isto era monitorado. Pedi o meu Habeas Data e apareceu o monitoramento das minhas atividades políticas de 1982 até 1988 (já como bancária). Mas isso não impedia as atividades políticas dentro da universidade. Durante a

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Mordaça nos Educadores 9 | Agosto/2017 | Informativo Sinasefe o desenvolvimento do pensamento crítico, suprimindo a liberdade de expressão. É inconstitucional. Como militante organizada há 35 anos em um partido revolucionário, não fui afetada pela intimação. Mas o objetivo da ação não é me intimidar, é constranger o conjunto dos servidores. Intimidar a comunidade escolar, deixá-la na defensiva. E isto não vamos deixar acontecer. Não vamos deixar de usar adesivos do “Fora Temer” porque um procurador estimula o patrulhamento ideológico dentro da escola. Não vamos aceitar que coloquem uma mordaça na nossa escola. campanha das Diretas Já, formamos comitês em todos os lugares. Mesmo o monitoramento que eu tive acesso, falava da minha participação nos congressos estudantis e atividades da Convergência/Alicerce na escola, mas não há referência às banquinhas ou uso de botons, camisetas, bonés e bandeiras. Era visto como normal no período da abertura da ditadura militar. A repressão aparecia em situações específicas. Fui detida algumas vezes, embora não tenha sido fichada. Uma vez, na entrada da fábrica Michellin (no bairro de Campo Grande, no Rio de Janeiro-RJ), quando agitava a palavra de ordem, “Greve Geral pelas Diretas Já” com o jornal da Convergência Socialista, e outras duas vezes em Greves Gerais da década de 80. A repressão policial às manifestações não foi muito diferente no final da ditadura e no período da Nova República. Aparecia em situações de piquetes de greve e em algumas passeatas. No governo FHC, sofri a repressão nas manifestações contra a privatização em frente à Bolsa de Valores. Como professora da rede estadual, por exemplo, sofri repressão policial de vários governos que tentavam impedir que nossas passeatas chegassem ao Palácio Guanabara (Moreira Franco, Brizola, Garotinho, Benedita, Rosinha etc). A criminalização dos movimentos sociais não é novidade. Não é prerrogativa de governos ditatoriais. Sarney, Itamar, FHC, Lula, Dilma e agora Temer, recorreram à repressão ao movimento sindical e popular quando os interesses do capital estavam em jogo. A atuação do procurador Fábio Aragão, apoiado por um grupo de responsáveis reacionários seguidores do Bolsonaro, causou indignação, não só da minha parte, mas asseguro que a maioria da comunidade escolar repudia este processo. Repudiamos em assembleia, fizemos já dois atos públicos em frente ao MPF (com a participação de responsáveis e alunos). O Escola Sem Partido é a tentativa de impor um pensamento único na escola que coíbe Uma das acusações colocadas na ação, e que envolve o seu nome, diz respeito a uma panfletagem feita nas proximidades do CPII, atividade que, conforme mostram as “provas” juntadas, foi feita do lado de fora da escola. Estamos diante de uma demonstração bastante clara das incoerências do processo, afinal não existe qualquer proibição sobre panfletagens e este ataque fere frontalmente o direito constitucional de expressão. Outro detalhe contestável teria sido a proibição do uso de adesivos com nome e número de candidato em roupas e mochilas. Qual sua percepção sobre estas acusações? Sempre fiz panfletagens nas portas de fábricas e escolas, seja no período eleitoral ou não. Não há lei que proíba este tipo de manifestação política desde o fim da vigência do AI-5. Não faço proselitismo na sala de aula, mas é impossível ser professora de história, ou de qualquer disciplina e não discutir política na sala de aula. O processo é absurdo e baseado em inverdades. O Sindscope-RJ é totalmente independente da reitoria, e não está atrelado a nenhum partido político. Temos diretores com filiação partidária, apenas um diretor é filiado ao PSOL, a maioria é independente. Mesmo que todos fossem filiados a partidos políticos, não há nenhum

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Mordaça nos Educadores 10 | Agosto/2017 | Informativo Sinasefe problema nisso e, certamente, nenhuma ilegalidade. O sindicato fez a campanha do “Fora Temer” aprovada em assembleia da categoria. O uso de adesivos na escola é comum em todas as eleições, em particular pelos alunos, mas não houve distribuição de panfletos e adesivos dentro da escola, por parte dos servidores. O sindicato não fez campanha eleitoral, não rodou panfletos, nem adesivos. Houve denúncias neste sentido e durante a greve houve visitação do Tribunal Regional Eleitoral (TER) na escola, nas dependências do sindicato, e nada foi encontrado. Da minha parte, distribuí um panfleto do PSTU na porta da escola, fui filmada por uma mãe, conhecida como Sheherazade Médici, e minha imagem e da minha filha (aluna do CPII e também militante do PSTU) foi parar na televisão. Mais grave do que isso foi constar no processo o nome completo de servidores, alguns que sequer foram indiciados, como o de uma professora que estaria ensinando “o ato sexual” no primeiro segmento do ensino básico. O procurador deve saber que não vai ter sucesso com uma peça de ficção tão mal montada. O objetivo não é exonerar os servidores envolvidos, é intimidar. Da minha parte, vou continuar distribuindo os panfletos do PSTU na porta da escola. Sabemos da relação próxima dos que acusam os trabalhadores do Colégio Pedro II com os defensores do Movimento Escola Sem Partido, já reconhecido como inconstitucional por diversas entidades do judiciário e pelo próprio MPF. Como você localiza o processo contra o CPII no contexto da defesa de uma escola sem mordaça? Há uma mudança que está relacionada ao movimento Escola Sem Partido e às manifestações de junho de 2013. Dentro da escola sempre houve manifestação política dos servidores e alunos. Por exemplo, em 2014, no meu campus, Humaitá II, o Laboratório de Humanidades realizou um debate com a presença de Marcelo Freixo (PSOL), Cyro Garcia (PSTU) e Mauro Iasi (PCB) sobre a redução da maioridade penal e não houve nenhum protesto. A mudança está estreitamente relacionada, pelo menos no CPII, à luta contra as opressões, com um forte protagonismo dos estudantes, e a manifestações de resistência de setores minoritários a essas mudanças que foram muito rápidas. Piadinhas machistas e homofóbicas contadas em sala de aula que provocavam risos um ano antes, passaram a ser denunciadas. No meu campus os alunos fizeram atos contra o racismo e contra o assédio moral e sexual. Mas o que mais incomodou os setores conservadores foi a luta contra a heteronormatividade (no Humaitá surgiu o coletivo Prisma) e as manifestações de homoafetividade dentro do campus. A reitoria da escola refletiu estas mudanças e na aula inaugural de 2016 abordou a questão de gênero e depois, através de uma Portaria (o que é a prática comum, num traço autoritário/populista da reitoria) suprimiu a diferenciação por gênero dos uniformes. Setores minoritários de responsáveis, organizados nos movimentos MBL e Endireita CPII, colocaram-se contra a medida. Sempre houve reação de responsáveis em época de greve, assim como responsáveis faziam denúncias ao Ministério Público. A diferença é que passou a existir um incentivo por parte do Movimento Escola Sem Partido, apoiado pelo Procurador Fábio Aragão, que incidiu neste grupo de responsáveis. Responsáveis e alunos foram orientados a fotografar, filmar e gravar servidores no ambiente escolar. Para mim, isto caracteriza um assédio moral sobre os servidores e, com todas as consequências que o assédio moral trás, pode levar professores e técnicoadministrativos a adoecerem, aliás isso já está ocorrendo. Há servidor denunciado que precisou de licença médica. Além das perseguições políticas enfrentadas no Colégio Pedro II, diversos trabalhadores se encontram sob constante ameaça e assédio na Rede Federal. Como seguir na luta e na militância sob estes ataques recorrentes? Denunciar o procurador Fabio Aragão, defensor da “cura gay” e do Escola sem Partido. Denunciar o Escola sem Partido e lutar por uma escola sem mordaça.

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31º CONSINASEFE 31º CONSINASEFE: participantes reforçam nas ruas “Fora Temer” e atualizam estatuto da entidade 11 | Agosto/2017 | Informativo Sinasefe Realizado entre os dias 18 e 21 de maio de 2017, o 31º CONSINASEFE alcançou a marca de maior congresso estatuinte do sindicato nacional, em número de participantes. A capital baiana recebeu 599 participantes, sendo 471 delegados e 128 observadores, representando 61 Seções Sindicais do SINASEFE. Além de ir às ruas de Salvador para denunciar o golpista Michel Temer e suas reformas, os congressistas debateram e aprovaram alterações estatutárias previstas em 12 teses. A análise da filiação do sindicato à CSP-Conlutas também foi um dos destaques do fórum. Dedicando-se às atividades de rua e aos debates internos nos dois primeiros dias de evento os congressistas, vindos de todas as regiões brasileiras, modificaram significativamente a programação inicial da atividade. Confira um resumo das atividades realizadas no Consinasefe. 18 de maio – quinta-feira (primeiro dia) A mesa de abertura do evento teve a participação de dirigentes do SINASEFE e Sinasefe IFBA. Rosa Mota (Sinasefe IFBA) destacou a realização da atividade na chamada "terra dos Orixás", Alice Gomes (DN/Sindscope) deu as boas-vindas aos presentes e Micilândia Sousa (DN/Sesisifpi) convidou os demais integrantes da mesa de abertura. Os coordenadores gerais, Cátia Farago, Fabiano Faria e Williamis Vieira, foram taxativos sobre a tarefa dos trabalhadores para o próximo período: ocupar as ruas para derrubar o governo do golpista Michel Temer. Em seguida mesa inicial do congresso teve a presença de Lana Bleicher, representando o Andes-SN e David Lobão, representante do SINASEFE na CSP-Conlutas. Lana destacou a necessidade de, diante do novo patamar de instabilidade, aproveitar as fissuras internas da burguesia. Lobão lembrou a relevância de conscientizar os trabalhadores da real possibilidade de, ao tomarem as ruas, se tornarem protagonistas de seus futuros. Ao som da canção Cordeiro de Nanã, de Thalma de Freitas, teve início a segunda mesa do congresso. Antecipando um item da pauta previsto para domingo (21/05), na programação inicial, o SINASEFE destacou a importância do combate à intolerância religiosa e a defesa do Estado laico. Este momento teve a coordenação do diretor Luís Costa, que destacou a importância do sindicato como espaço de luta pela emancipação dos trabalhadores e contra as opressões e a intolerância. As explanações ficaram por conta de Paulo Rodrigo Soares (advogado e candoblecista) e Vilma Reis (socióloga e ouvidora da Defensoria Pública de Salvador). O ponto se encerrou com a leitura do Manifesto Pela Liberdade e Tolerância Religiosa e em Defesa do Estado Laico, que também foi distribuído aos presentes ao plenário. A terceira mesa realizada no primeiro dia dos trabalhos teve o objetivo de debater o tema central do congresso: Nenhum direito a menos, por uma educação libertadora e emancipadora. Palestraram a professora Luzia Mota (IFBA), do professor Dante Moura (IFRN) e o professor Jonatas Monteiro (Rede Estadual da Bahia). As especulações sobre uma possível renúncia do presidente golpista Michel Temer levaram à interrupção dos debates do evento para acompanhar seu pronunciamento, por volta de 16h20. Após assistir a fala do chefe do executivo, os congressistas vaiaram e entoaram palavras de ordem. Duas propostas foram submetidas ao plenário: suspensão imediata dos trabalhos do dia e suspensão após a finalização das intervenções dos convidados, ambas com a respectiva participação em atos de rua já convocados para as ruas de Salvador. Os delegados e delegadas aprovaram aguardar as palestras restantes e passado este momento se organizaram para a manifestação. Encerrando o primeiro dia de evento, os congressistas foram às ruas, em manifestação, até o ponto onde estava a concentração do ato, na frente do Shopping Bahia (local de trânsito intenso

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31º CONSINASEFE 12 | Agosto/2017 | Informativo Sinasefe na capital) cerca de 2,5 km distante do Hotel Fiesta (bairro Itaigara). Algumas das palavras de ordem entoadas ao longo da caminhada foram: "O Temer vai ganhar, uma passagem pra sair deste lugar, não é de trem, nem de metrô nem de avião, é algemado no camburão", "Fora Temer, eleições gerais!" e "Ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, empurra o Temer que ele cai". Ao se encontrarem com os trabalhadores e estudantes que já estavam nas ruas, os congressistas se somaram ao ato por algum tempo entoando palavras de ordem e falações. 19 de maio – sexta-feira (segundo dia) Segundo dia de trabalhos do 31º CONSINASEFE (19/05) foi marcado pelo retorno dos congressistas às ruas de Salvador, defendendo o Fora Temer e denunciando arbitrariedades, assédios e práticas antissindicais nas reitorias locais (IFBA e IFBaiano). O debate em plenário foi dedicado ao Regimento Interno do evento, ao credenciamento e à reformulação da programação. Diante do momento que o país atravessa, pelo segundo dia consecutivo as plenárias do Congresso foram paralisadas para a participação dos trabalhadores em atos na capital baiana. Foram três os atos da tarde desta sexta. Nos Institutos Federais Baiano e da Bahia ocorreram atos contra as práticas antissindicais dos reitores destes IFs. Entre as práticas estão a perseguição política de dirigentes das seções de base do SINASEFE nestes Institutos, com o uso, por exemplo, de Processos Administrativos internos. Nos dois Institutos os trabalhadores realizaram manifestações nas dependências dos prédios da Reitoria. No IF Baiano o próprio Reitor recebeu uma comitiva de manifestantes em seu gabinete. Já no IFBA o Reitor não foi localizado e o ato foi encerrado após visita ao seu gabinete. De cada IF, as manifestações seguiram ao encontro do ato unificado dos trabalhadores pelo Fora Temer em Salvador. Caminhando pela área central da cidade, docentes e técnico-administrativos em educação da Rede Federal mostraram, pelo segundo dia consecutivo, a disposição para uma nova greve geral e pela queda do interino. O ato foi encerrado na Praça Tomé de Sousa, em frente aos prédios da Prefeitura e da Câmara Municipal e do Elevador Lacerda. 20 de maio – sábado (terceiro dia) No sábado as atividades se dividiram entre a apresentação das proposições pela manhã e os grupos de trabalho no período vespertino. Ao final da noite, após a suspensão dos trabalhos, uma confraternização entre os congressistas também foi realizada. Os congressistas se dividiram em oito grupos de trabalho para realizar o debate das teses estatuintes. Com definições metodológicas e dinâmicas diversas, os grupos se debruçaram, ao longo de toda tarde sobre 34 teses estatuintes (30 delas já sistematizadas sob este aspecto e quatro incluídas pelo plenário 2, 50, 56 e 57). O debate em alguns grupos ultrapassou em mais de uma hora e meia o prazo pré-estabelecido, o que inviabilizou a sistematização dos resultados em tempo, levando assim à suspensão da plenária deliberativa de teses, transferida para o último dia de congresso. 21 de maio – domingo (último dia) No domingo (21/05) os delegados votaram algumas das modificações sugeridas, aprovando, em votação específica, as teses de nº 10, 12, 27 e 34. O debate sobre a filiação do SINASEFE à CSP-Conlutas também foi um dos destaques do último dia de evento, com a reprovação da tese que propôs a desfiliação (tese 50). Leia as entrevistas com autores de algumas das teses aprovadas nas páginas 16 a 22 desta edição. Instalada logo no início da manhã de domingo, a última plenária do CONSINASEFE foi dedicada à votação das mudanças no estatuto. Mesmo não se tratando de uma questão estatutária, a votação sobre a filiação do SINASEFE à CSP-Conlutas foi o destaque neste período, levando um tempo significativo para ser concluída. A metodologia aplicada foi o recolhimento dos crachás dos delegados, com a seguinte contagem final na votação: 217 pela manutenção, 144 pela desfiliação e 21 abstenções. Seguindo uma ordem de prioridades definida pelo plenário por causa do tempo curto restante, os delegados analisaram teses estatuintes sobre combate às opressões e paridade de gênero, além de eleger o novo Conselho de Ética do SINASEFE (previsto na tese 38). Ficou aprovada a composição paritária (50% mulheres e 50% homens) da Direção Nacional (e suas respectivas comissões), proposta apresentada nas teses 27 e 28, e a criação de duas novas pastas na DN: Coordenação de Políticas Para Mulheres (tese 27) e Coordenação de Combate às Opressões (tese 34). A eleição da primeira composição do Conselho de Ética, nova instância do SINASEFE para apuração de denúncias, criado a partir da aprovação da tese 38, foi realizada com a participação de 19 candidatos. Confira a entrevista com a candidata mais votada do Conselho, Marcela Azeredo, na página 22.

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O Saldo do 31º CONSINASEFE 31º CONSINASEFE 13 | Agosto/2017 | Informativo Sinasefe Omaior fórum estatuinte do SINASEFE teve um grande desafio antes mesmo de começar: debater e votar um caderno com 61 teses, o mais volumoso da história dos CONSINASEFES. Mudanças excepcionais na conjuntura, com as denúncias de Joesley Batista contra o Presidente da República, Michel Temer, que vieram a público em 17 de maio, fizeram o país – naquela altura ainda reverberando os efeitos da greve geral de 28 de abril – entrar em estado de ebulição, com manifestações em praticamente todas as grandes cidades e capitais brasileiras pedindo a renúncia imediata de Temer. O SINASEFE e suas bases não se furtaram de participar deste momento importante de nossa história recente, indo às ruas em atos na capital baiana, nos dias 18 e 19, com suspensão dos debates do Congresso. A programação foi reconstruída por duas vezes, comportando a apresentação de 32 teses em plenário e o debate das mesmas em grupos de discussão segmentados. Na plenária final do 31º CONSINASEFE, 13 teses foram votadas (incluindo as aglutinações entre proposições semelhantes), com três reprovações e 10 aprovações. Foram reprovadas as teses de:  nº 9: qualificação da proporcionalidade dos seis primeiros cargos da nominata da Direção Nacional;  nº 11: proporcionalidade de delegados das Plenárias Nacionais de acordo com o número de sindicalizados por cada seção;  e nº 50: desfiliação do SINASEFE da CSP-Conlutas. As 10 teses aprovadas (em seis votações, por questão de aglutinação das propostas) foram as de:  nº 10: que distribui algumas atribuições da Coordenação Geral entre o colegiado da Direção Nacional;  nº 12: que institui uma nova proposta de regimento para as Plenárias Nacionais, mas ainda devendo esta proposta regimental ser apresen- tada e aprovada em uma PLENA;  nº 14: que moderniza as atribuições do Conselho Fiscal;  nº 27 (aglutinada com a nº 29): que cria a paridade de gênero na composição da Direção Nacional e institui a Coordenação de Política para Mulheres na nominata do SINASEFE;  nº 34: que institui a Coordenação de Combate às Opressões na nominata do SINASEFE;  e nº 38 (aglutinada com as de nº 13, 15 e 32): que extingue as Comissões de Apuração Prévia e de Ética e cria o Conselho de Ética do SINASEFE, devendo o mesmo ter seu regimento aprovado posteriormente em uma PLENA. Apesar da desfavorabilidade numérica (13 teses votadas num conjunto de 61), o saldo do 31º CONSINASEFE pode ser tido como bastante positivo. O fórum estatuinte foi um dos que mais votou e aprovou teses nos últimos anos e modificará bastante nosso estatuto – processo que já está em curso sob a responsabilidade da nossa Assessoria Jurídica Nacional (AJN). O SINASEFE passará por mudanças bastante sensíveis a partir das próximas gestões, por efeito do 31º CONSINASEFE. E a nossa esperança é de que o sindicato nacional mude para melhor, sendo mais representativo, combativo, autônomo, inclusivo e praticante do combate às opressões em todas as suas formas!

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14 | Agosto/2017 | Informativo Sinasefe 31º CONSINASEFE Eleição do Conselho de Ética Instituído com a aprovação das teses nº 13, 15, 32 e 38, o Conselho de Ética do SINASEFE terá ainda seu regimento debatido e aprovado por uma Plenária Nacional. Sua composição terá 10 membros, sendo cinco titulares e cinco suplentes. O resultado da eleição para o Conselho de Ética realizada na plenária final do 31º CONSINASEFE foi o seguinte: Marcela Ferreira Azeredo (SINDSCOPE-RJ) - eleita como titular com 118 votos Jane Miranda Ventura (IFPE-PE) - eleita como titular com 100 votos Priscylla Carla Ferreira Bezerra (IFPE-PE) - eleita como titular com 96 votos Saulo Daniel Campos de Oliveira (IFBA-BA) - eleito como titular com 77 votos Alessander Pery Lopes Thomaz (IFMG-MG) - eleito como titular com 73 votos Jelder Pompeo de Cerqueira (IFMT-MT) - eleito como suplente com 63 votos Maria de Lourdes Cardoso (IFSC-SC) - eleita como suplente com 51 votos Osni da Costa Rodrigues (IF Sul-RS) - eleito como suplente com 45 votos Gabriele Laís Mandler (IF Sul-RS) - eleita como suplente com 40 votos Joana Sara Coelho de Morais (Crato-CE) - eleita como suplente com 40 votos Antônio Carlos Copque Filho (IFBA-BA) - não eleito, recebeu 39 votos Eulálio José do Lago Costa (Sindsifce-CE) - não eleito, recebeu 37 votos Alice Gomes (Sindscope-RJ) - não eleita, recebeu 35 votos Ernesto Charpinel Borges (IFES-ES) - não eleito, recebeu 33 votos Francisco Glauco Gomes Bastos (Sindsifce-CE) - não eleito, recebeu 33 votos Élcio da Riva Moura (IFSP-SP) - não eleito, recebeu 24 votos Manoel Alves de Freitas Neto (Sintef-PB) - não eleito, recebeu 23 votos Roberto José de Araújo (Sindsifce-CE) - não eleito, recebeu 17 votos Dilcileno Santos Ferreira (IFPA, ETRB e Ciaba-PA) - não eleito, recebeu 10 votos Números do 31º CONSINASEFE 4 dias de atividades – 18 a 21 de maio de 2017 599 inscritos:  471 delegados  128 observadores  61 seções sindicais representadas  Foi o maior Congresso Estatuinte da nossa história e o segundo maior Congresso entre todos os que realizamos! 32 teses debatidas – 13 votadas e 10 aprovadas 4 atos públicos:  Fora Temer, em 18/05  Contra o Reitor do IFBA, Renato da Anunciação, em 19/05  Contra o Reitor do IF Baiano, Geovane Barbosa, em 19/05  Fora Temer, em 19/05 Profissionais de imprensa de oito seções sindicais presentes na cobertura do fórum.

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31º CONSINASEFE 15 | Agosto/2017 | Informativo Sinasefe Vínculo com a CSP-Conlutas reafirmado: SINASEFE segue filiado à Central Sindical e Popular! Com a constante modificação da conjuntura política e intensificação das lutas da classe trabalhadora no cenário pós-golpe, nada mais adequado que a principal discussão do 31º CONSINASEFE se desse no âmbito de como o SINASEFE se organizará para as lutas que estão postas. Nesse sentido, houve amplo debate sobre a localização do SINASEFE para integração junto com as outras categorias de trabalhadores e a construção de lutas unitárias. Debate este que consolidou a posição adotada por nosso sindicato desde 2006, no 20º CONSINASEFE, reafirmando a filiação e o vínculo político do SINASEFE com a CSP-Conlutas. Foram duas teses apresentadas e debatidas nos grupos de discussão sobre o tema: as de nº 30 (fortalecimento da CSP-Conlutas) e de nº 50 (desfiliação da CSP-Conlutas). No maior debate da plenária final, que contou com quase 20 inscritos pelos dois lados e 20 minutos de tempo total de defesa das propostas, apenas a tese 50 foi votada e a continuidade do SINASEFE na CSP-Conlutas foi aprovada. Com 144 votos favoráveis e 217 votos contrários (com 21 abstenções e 5 declarações de voto), a desfiliação da CSP-Conlutas foi reprovada e o SINASEFE manterá o vínculo com a Central Sindical e Popular. Passada essa discussão e definido que o lado em que estamos é o da classe trabalhadora, chega o tempo de unidade em nossas bases. O SINASEFE, junto à CSP-Conlutas, vai buscar unificar a classe trabalhadora para derrotar o governo Temer e o projeto neoliberal em curso, que visa demonizar servidores públicos e privatizar o patrimônio estatal, deixando o acesso aos servidores básicos e essenciais apenas ao que podem pagar. A CSP-Conlutas tem sido uma gi- gante na defesa intransigente da classe trabalhadora: em seus 11 anos de existência, jamais se dobrou aos governos e aos patrões, jamais fez parte de esquemas fraudulentos, jamais negociou direitos dos trabalhadores que representa com quem quer que seja. É essa unidade a que queremos: unidade para lutar por nossa emancipação. Nenhum direito a menos: Fora Temer e todos os corruptos do Congresso Nacional! Vivas a CSP-Conlutas e a luta da classe trabalhadora!

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