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Grips Editora – Ano 18 – Nº 124 – julho/agosto 2017 brasil A revista de negócios do aço A COMPETIÇÃO NA INDÚSTRIA SIDERÚRGICA Conheça os cinco passos fundamentais para a redução de custos Um balanço da indústria siderúrgica brasileira Na economia teremos ainda um longo caminho pela frente

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Centro de Tecnologia Usiminas - Ipatinga (MG) Tecnologia, inovação e qualidade fazem parte do nosso DNA. Líder no mercado nacional de aços planos, a Usiminas acaba de receber a certificação IATF 16949:2016, que atesta a excelência da empresa no controle de processos e no atendimento ao segmento automotivo. Ser a primeira siderúrgica do Brasil a ter essa certificação e outras importantes premiações em 2017 são reconhecimentos da competência técnica de uma equipe apaixonada pelo que faz. Afinal, fazer aço muita gente faz, mas fazer o melhor apenas nós sabemos.

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Expediente Editorial Edição 124 - ano 18 Julho/Agosto 2017 Siderurgia Brasil é uma publicação de propriedade da Grips Marketing e Negócios Ltda. com registro definitivo arquivado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial sob nº 823.755.339. Coordenador Geral: Henrique Isliker Pátria Diretora Executiva: Maria da Glória Bernardo Isliker TI: Vicente Bernardo Consultoria jurídica: Marcia V. Vinci - OAB/SP 132.556 mvvinci@adv.oabsp.org.br Editor e Jornalista Responsável: Henrique Isliker Pátria - MTb-SP 37.567 Repórter Especial: Marcus Frediani MTb:13.953 Projeto Editorial: Grips Editora Projeto Gráfico: Ana Carolina Ermel de Araujo Edição de Arte / DTP: Ana Carolina Ermel de Araujo Capa: Criação: André Siqueira Fotos: Montagens com fotos de André Siqueira Impressão: Ipsis Gráfica e Editora DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA A EMPRESAS DO SETOR E ASSINATURAS A opinião expressada em artigos técnicos ou pelos entrevistados são de sua total responsabilidade e não refletem necessariamente a opinião dos editores. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS Rua Cardeal Arcoverde 1745 – conj. 113 São Paulo/SP – CEP 05407-002 Tel.: +55 11 3811-8822 grips@grips.com.br www.siderurgiabrasil.com.br Proibida a reprodução total ou parcial de qualquer forma ou qualquer meio, sem prévia autorização. Será que caminhamos para a consolidação? HENRIQUE ISLIKER PÁTRIA EDITOR RESPONSÁVEL AAos trancos e barrancos a democracia brasileira avança. Momentos de tensão têm marcado nossas vidas e, nos campos político e econômico, novidades e surpresas aparecem a todo o momento. Nunca o debate e a discussão de temas políticos haviam tomado as ruas e chegado à população como vem acontecendo atualmente, e eis que se tornou impossível ficar alheio ao que está acontecendo. Todo mundo tem sua opinião! No cômputo geral houve avanços, uma vez que em meio ao emaranhado de acontecimentos, medidas importantes foram aprovadas, e já se encontram em execução ou em fase de entrada em operação. O limite para os gastos públicos, a reforma do ensino, a contenção da inflação – ainda que artificializada pela retração da economia – a reforma das leis trabalhistas, a liberação de recursos do FGTS, a repatriação de dólares e a queda de juros são alguns dos acontecimentos que nos fazem vislumbrar um futuro bem mais alvissareiro. Estágio esse, aliás, que preconizamos lá em fevereiro passado, quando afirmamos no Editorial do nosso Anuário Brasileiro da Siderurgia, que os sinais de recuperação ao longo de 2017 seriam tangíveis e bastante expressivos como estamos vendo agora. Alguns números comprovam essa nossa antevisão, entre os quais a retomada da indústria automobilística, que fez a Anfavea apresentar uma revisão de sua previsão de produção para 2017, que passou a 2,6 milhões de unidades. No mês de julho foram produzidos 224,7 mil veículos, com um crescimento de 17,7% ante o mesmo mês do ano passado. O mercado imobiliário também apresentou um crescimento de 9,6% na venda de imóveis no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado, e o Secovi-SP revisou a meta de crescimento para 10% este ano. Nesta edição da revista Siderurgia Brasil que é muito especial, uma vez que somos um dos media partners do Congresso Aço Brasil, trazemos um balanço geral do setor siderúrgico e apresentamos suas perspectivas na visão dos dirigentes do Instituto Aço Brasil. Fizemos uma entrevista exclusiva com a economista Juliana Inhasz da FECAP, que entre muitas coisas importantes, diz acreditar que, embora possível, ainda vai demorar um bom tempo para reconduzir o Brasil aos trilhos do desenvolvimento. Já no campo da Gestão Empresarial – que tem sido uma das marcas registradas de nossa publicação – falamos das principais medidas para contenção de custos, da Indústria 4.0, e de como as grandes corporações estão fazendo uso da técnica de Constelação Empresarial para redirecionar seus objetivos. E, claro, um artigo objetivo e simples acerca do impacto das alterações na legislação trabalhista nas empresas. E para estimular a interação da revista com nossos leitores, criamos nesta edição também uma novidade super especial: a seção Opinião do Leitor, na qual vocês poderão manifestar suas opiniões, críticas e sugestões.Assim, por favor, enviem suas mensagens pra gente! Boa leitura! JULHO/AGOSTO 2017 SIDERURGIA BRASIL 3

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Índice 4 SIDERURGIA BRASIL JULHO/AGOSTO 2017 Depositphotos.com

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3 EDITORIAL Será que caminhamos para a consolidação? 6 OPINIÃO DO LEITOR 8 CONGRESSO DO AÇO Menos do mesmo 16 ARTIGO TÉCNICO O ladrão da produtividade – O ajuste de máquinas - Parte 2 20 ECONOMIA Um longo caminho ainda pela frente 26 TECNOLOGIA Indústria 4.0: o futuro já chegou 32 GESTÃO Os cinco passos fundamentais para a redução no curto prazo dos custos em sua empresa! 34 ENTIDADES Comércio exterior apresenta bons resultados 36 GESTÃO A técnica da constelação empresarial 38 LEGISLAÇÃO Reforma trabalhista e seus impactos no âmbito empresarial 40 MÁQUINAS Tolerância zero na planicidade de chapas metálicas 44 EVENTOS • Mecânica 2018 • Fimmepe 2017 46 ESTATÍSTICAS 49 VITRINE 50 ANUNCIANTES JULHO/AGOSTO 2017 SIDERURGIA BRASIL 5

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Opinião do leitor Opinião do leitor Estamos inaugurando a seção Opinião do Leitor destinada a reproduzir a expressão de nossos leitores sobre os vários assuntos que se relacionam à nossa publicação. Convidamos a todos a interagirem conosco e seus pontos de vista podem ser manifestados por correspondência ou diretamente para o e-mail: henrique@grips.com.br. A necessidade das reformas O imobilismo na modernização do Brasil que permaneceu nos últimos anos, tornou a profissão de empresário impossível de ser exercida. A cada funcionário novo contratado a empresa está adquirindo uma nova possibilidade de ação trabalhista contra si própria. Na política quando você vota em um candidato não sabe se está trazendo com ele outros candidatos que você não deseja. A previdência é aquele desequilíbrio, pois 25% dos aposentados do poder público, autarquias, empresas mistas etc, consomem 75% do valor gasto com aposentadoria, quando os demais 75% da população comum, ficam com os 25% restantes. A lista de inadimplentes da previdência começa nas grandes corporações, times de futebol etc. É preciso dizer que precisamos urgente de reformas neste país? Eng. Pedro Teixeira – pastei@terra.com.br Artigos na Revista Quero agradecer à revista Siderurgia Brasil por uma vez mais trazer artigos que nos trazem soluções e abrem portas e caminhos em nossas atividades. Na última edição o artigo sobre Coaching me levou a consultar o mercado e em breve iniciarei o trabalho. Muito obrigado por terem trazido a mim esta oportunidade!” José Paulo Marin – jose.marin@navarro.com.br Anuário da Siderurgia 2017 Este anuário de 2017 foi o melhor de todos já editados. Tenho guardado na gaveta para minhas consultas particulares. Tulio Francisco Jaconi – tulio@sidersul-rs.com.br Entrevista com Almir Pazzianotto Gostaria de comentar a entrevista com o Almir Pazzianotto apresentado na edição 123 de maio/junho. As reformas nunca em tempo algum são tão necessárias como agora, mais ainda importante quando ele afirma que este governo não possui legitimidade, pode ser, mas será o único governo com coragem para que se faça as reformas previdenciária, trabalhista e fiscal. Nem um outro terá condições e vontade para isso. E é isso que querem. A previdenciária é balela que afeta o trabalhador comum, como eu e tantos outros da iniciativa privada, pois quando nos aposentamos recebemos a mísera quantia de R$ 1.000,00 a R$ 2.000,00 enquanto os funcionários públicos, seja Executivo, Judiciário e Legislativo, recebem em média mais de R$ 30.000,00, para não falar nos casos do Judiciário com aposentadoria superior a R$ 200.000,00. Por que há tanta vontade de tirar o atual presidente do cargo de forma tão intensiva? É por que vai tirar regalias? Quanto a trabalhista, não sei se o ex-ministro tem conhecimento, temos hoje 3 milhões de ações trabalhistas e isso corresponde a 40% de todas ações no mundo. Todas as empresas, sem exceção, possuem um passivo trabalhista incalculável e difícil de se prever, uma vez que todo funcionário é uma ação em potencial com valores inimagináveis. Além disso, cada ação corresponde a uma perícia técnica e uma pericia médica, sustentadas pelos empresários. Por tudo isso, acho muito tímido que as entidades que representam as classes empresariais, como Fiesp/Ciesp/Sesc, etc. pouco ou nada fazem para que essas mudanças sejam concretizadas. Enquanto os sindicatos que recebem gordas contribuições fazem pressão no congresso, todas essas entidades ficam olhando de longe, paralisadas. Muitas empresas metalúrgicas fecharam porque somente uma ação trabalhista pode levar o faturamento de um mês e tirar o emprego de dezenas de outros empregados, comprometendo todos os dependentes dessas famílias. É justo? Armando Barbati Filho – barbatifilho@alambre.com.br A opinião aqui expressada é de inteira responsabilidade de seus autores e não reflete necessariamente o ponto de vista dos editores, que se limitam a reproduzi-las de forma adequada aos leitores. 6 SIDERURGIA BRASIL JULHO/AGOSTO 2017

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Menos do mesmo Foto: Depositphotos.com Congresso do Aço 8 SIDERURGIA BRASIL JULHO/AGOSTO 2017

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Instituto Aço Brasil divulga os resultados da indústria brasileira do aço no primeiro semestre e deixa claro para quem quiser ouvir: não haverá mesmo retomada do mercado interno em 2017. Marcus Frediani PPraticamente às vésperas da realização do CONGRESSO AÇOBRASIL 2017, que acontece em Brasília, na segunda quinzena de agosto (Confira a programação do evento no final dessa matéria), o Instituto Aço Brasil (IABr) reuniu a Imprensa no final de julho para dar notícias sobre a atual situação da indústria siderúrgica no Brasil. Mas notícias. Ou melhor, pior impossível. Aliás, mesmo essa última afirmação soa leviana, uma vez que o fundo do poço em que o setor se meteu nos últimos 12 anos parece não ter fundo. Um verdadeiro“tonel das danaides”. Na prática, o encontro com os jornalistas foi dividido em três partes, cada uma, digamos, contemplando um aspecto diferenciado e sinistro plasmado nessa dinâmica. Durante a primeira, o trio de interlocutores Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Aço Brasil, Alexandre de Campos Lyra, presidente do Conselho Diretor do IABr, e Sergio Leite de Andrade, vice-presidente do mesmo Conselho, consolidou os dados e evolução (?) do setor em 2016, apresentados originalmente à Imprensa e ao mercado em meados de abril deste ano. Aí, já ficou tristemente claro que apelido dado pelo Instituto ao pior período vivenciado pela indústria brasileira do aço – “uma década perdida”– precisa de uma inglória e urgente atualização. Senão vejamos: o primeiro slide da apresentação mostrou que a produção nacional da liga metálica regrediu ao patamar de 2006, igual ao do nosso consumo interno; já as vendas e as exportações entraram no túnel do tempo, e regrediram um pouco mais, ao patamar de 2005. (Veja na tabela “Situação atual da Indústria do Aço no Brasil”). “Alguns segmentos industriais – e não vou citar quais –, por uma razão ou outra convivem ainda com algum nível de atraso tecnológico ou algum grau de obsolescência. Em contrapartida, o setor de aço, que investiu basicamente US$ 25 bilhões de 2008 a 2016, está, hoje, no ‘estado da arte’ no que diz respeito à sua capacidade e modernidade. Só que, apesar disso, vive o que classificamos de sua pior crise da história. Por quê? Bem, pela convergência dos chamados fatores estruturais e conjuntu- rais adversos”, fez questão de enfatizar Marco Polo. Preocupações na pauta Com o novo governo Temer, a es- perança era de que essa situação fosse revertida. Contudo, ao lado de medidas consideradas na direção certa – entre as quais o estabelecimento de um teto para os gastos públicos, a redução da taxa de juros, a aprovação da Terceirização e da reforma Trabalhista e o encaminhamento das reformas Previdenciária e Tributária –, alguns pontos cruciais permanecem obscuros e/ou intocados no discurso sobre a retomada da economia, em conflito com a realidade, o que causa imensa preocupação ao setor do aço no Brasil. É o caso, por exemplo, da revisão de baixa do PIB, a queda da arrecadação e o aumento de impostos. “Com isso, julgamos que o mercado interno não retomou, não está retomando e não retomará ainda no ano de 2017”, frisou o presidente do IABr. Além disso, há outros movimentos do governo que despriorizam as metas e o papel da indústria, deixando-a num Com isso, julgamos que o mercado interno não retomou, não está retomando e não retomará ainda no ano de 2017. Foto: IABr | Adri Felden/Argosfoto Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Aço Brasil JULHO/AGOSTO 2017 SIDERURGIA BRASIL 9

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Congresso do Aço Foto: IABr | Adri Felden/Argosfoto Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Aço Brasil, Alexandre de Campos Lyra, presidente do Conselho Diretor do IABr, e Sergio Leite de Andrade, vice-presidente do mesmo Conselho desconfortável segundo plano. Entre os fatores que ratificam essa tese está a substituição da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) pela Taxa de Longo Prazo (TLP) nos contratos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que, na prática, retira do banco o único instrumento que poderia trazer o grau de apoio ao desenvolvimento industrial do país. Outro é o discurso, cada vez mais ouvido, sobre a liberalização da defesa comercial, que vai na contramão da tendência mundial. E outro, ainda, são as mudanças das regras do Conteúdo Local, sendo a mais grave delas o recente anúncio da Agência Nacional do Petróleo (ANP) de rever tudo aquilo que já havia sido pactuado nas licitações passadas. Outro ponto controverso é o lançamento do Programa de Parceria de Investimentos (PPI). Criado pelo governo para ampliar e fortalecer a relação entre o Estado e a iniciativa privada, a fim de gerar empregos e crescimento para o país por meio de novos investimentos em projetos de infraestrutura e de desestatização, ele pode vir a ser, no entendimento de Alexandre de Campos Lyra, um tiro de misericórdia na indústria nacional, principalmente a siderúrgica. “O governo vai depender de capital externo para projetos de infraestrutura do PPI. Os chineses vão participar, mas o grande risco é que venham também máquinas, equipamentos e estruturas metálicas. Assim, alguns percentuais mínimo de Conteúdo Local precisam ser mantidos”, asseverou o presidente do Conselho Diretor do IABr, lembrando que, no ano passado, 1,88 milhão de toneladas de aço entraram no Brasil por importação direta, mas 3,4 milhões de toneladas ingressaram por importação indireta, por exemplo, em carros e geladeiras. Ato contínuo, não é demais relembrar que os setores responsáveis por 80% do consumo de aço no Brasil registraram queda de 10,7% em 2016 frente a 2015. E, quando comparada com o mesmo período de 2013, a queda se acentua para 31,6%. Nesse intervalo, o de Construção Civil despencou 27,2%, o de Bens de Capital 28,9 e o Automotivo 45,3%. o único setor demandante de aço que tem apresentado desempenho positivo é o Automotivo. Por outro lado, Construção Civil, Bens de Capital e Eletrodomésticos continuam reportando quedas. E, quando a gente conversa com cada um desses setores sobre o que eles preveem para 2017, posso antecipar que eles trabalham com perspectivas de tombos ainda maiores”, pontuou Marco Polo. Ociosidade ainda grande Durante a entrevista coletiva aos jor- nalistas realizada no final de julho, o Instituto Aço Brasil também apresentou os dados fechados do setor siderúrgico no primeiro semestre de 2017. Em síntese, de janeiro a junho deste ano, o consumo aparente de aço no período apresentou crescimento de 2,8% em relação ao mesmo período do ano passado, somando 9,21 milhões de toneladas. Considerando que as vendas internas tiveram nesse mesmo intervalo uma queda de 2% na 10 SIDERURGIA BRASIL JULHO/AGOSTO 2017

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Congresso do Aço comparação anual, para 8,052 milhões de toneladas. A alta verificada no consumo aparente foi suprida pelo aumento das importações, que foi de 64,1%. Já a produção no primeiro semestre de 2017 apresentou um crescimento de 12,4%, canalizado basicamente para as exportações, que subiram 9,2%, para 7,3 milhões de toneladas. Entretanto, é importante destacar que o significativo crescimento das exportações se deve à entrada em operação, no segundo semestre de 2016, da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), focada nas exportações, e ao enorme esforço das demais usinas brasileiras que, por operarem, atualmente, com 40% de ociosidade, aumentaram suas exportações para evitar novos fechamentos de equipamentos e demissões de colaboradores. Malgrado esse esforço e do aumento do faturamento, segundo o IABr, os resultados das exportações não remuneraram minimamente as empresas, devido à não competitividade provocada pelos resíduos tributários, custos financeiros e aumento dos custos de matérias primas para produção de aço. “E se o Brasil não corrigir algumas assimetrias, a situação da indústria siderúrgica deve piorar ainda mais”, ressaltou o presidente da entidade. O Aço Brasil também destacou o excesso de capacidade global de aço em quase 800 milhões de toneladas, que pressiona ainda mais a situação das siderúrgicas. Marco Polo explicou que o aumento médio dos preços da cesta de insumos do aço, composta por minério de ferro e carvão, foi de cerca de 70% no primeiro semestre.“Enquanto isso, o crescimento médio dos preços do aço ficou em aproximadamente 39%”, referenciou. Previsões nada animadoras E os resultados da indústria brasileira do aço no primeiro semestre deste ano reforçam o que já vem sendo alertado pelo Instituto Aço Brasil: não haverá mesmo retomada do mercado interno em 2017. A previsão da entidade é de que a produção brasileira de aço bruto encerre o ano com um crescimento de 3,8% em relação a 2016, totalizando 32,5 milhões de toneladas. Já as vendas internas de produtos siderúrgicos devem ter queda de 1,3%, chegando a 16,3 milhões de toneladas, patamar similar ao de 2005. Em abril, a entidade já havia reduzido a estimativa de aumento do consumo aparente de aço de 3,6% para elevação de 1,3%. Porém, o fraco desempenho da indústria brasileira, que tem comprome- 12 SIDERURGIA BRASIL JULHO/AGOSTO 2017 tido os resultados das siderúrgicas no país, jogou ainda mais para baixo essa projeção, que, em 2017, que não deverá passar de um acréscimo de pífios 1,1% no comparativo com o ano passado, cifra que elevará o volume do consumo aparente para apenas 18,4 milhões de toneladas. “O fraco desempenho do mercado interno leva à conclusão de que o aumento das exportações é a única saída no curto prazo para evitar o agravamento da situação da indústria de aço no país. No entanto, para alavancar o nível das exportações é preciso equalizar minimamente a competitividade das empresas brasileiras com seus concorrentes de outros países”, acentuou Marco Polo. Protecionismo, não. Competitividade, sim Na avaliação do IABr, o Brasil não é protecionista.“Mas precisamos manter a defesa comercial até que as assimetrias competitivas atuais do aço brasileiro sejam resolvidas. Se elas forem eliminadas no comércio exterior, será possível ter tarifas de importação menores. Nesse âmbito, o Conselho Diretor do Aço Brasil está discutindo a ida de delegação brasileira aos Estados Unidos para tratar com congressistas americanos questões relativas ao protecionismo do país. “Nosso maior mercado de exportação sempre foram os Estados Unidos e, agora, estamos fora. Por isso, a entidade vem buscando um alinhamento com o governo para programar a ida a Washington”, destacou Sergio Leite de Andrade, para quem, também, as exportações representam o único caminho para a manutenção do setor siderúrgico brasileiro na atualidade. Acerca do tema, Alexandre Lyra corroborou com essa visão:“Nossas exportações representam apenas 3% do consumo aparente dos Estados Unidos, entretanto, para nós, o mercado norte-americano é de extrema importância, uma vez que 36% das exportações de aço do Brasil são destinadas àquele mercado”, pontuou. Segundo ele, o discurso do presidente Donald Trump de que, de uma maneira geral, as impor-

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tações têm tirado empregos dos trabalhadores estadunidenses não se aplica às exportações feitas pela indústria brasileira, uma vez que o que segue para lá são basicamente produtos semiacabados, como placas e tarugos, que serão laminados ou receberão tratamento em plantas nos EUA. Nesse âmbito, os dirigentes do Instituto Aço Brasil voltaram a destacar a urgente necessidade de aperfeiçoamento do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), que restitui, parcial ou integralmente, o resíduo tributário na cadeia de bens exportados. Atualmente, a alíquota está em 2%, mas a lei permite devolução de até 5% da receita com exportações.“O Reintegra é essencial para a sobrevivência da indústria siderúrgica no curto prazo”, complementa Lyra. “Reintegra não é renúncia fiscal. Pelos nossos cálculos, a alíquota de 5% do Reintegra pode resultar em alta de 10% das exportações e no aumento da competitividade da indústria de transformação”, pontuou por sua vez Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Aço Brasil, reforçando o posicionamento do presidente do Conselho Diretor do IABr. Quando você pensa em... Off-road Perfis Especiais lidade Parceria e Serviços Você pensa Departamento de engenharia Desenvolvimento de produtos em Golin!Serviços Energias Renováveis Estruturas para suportar painéis fotovotaicos Tubos redondos, retangulares e quadrados erfis C, U, I, W e H Solar envolvimento de produtos de acordo requisitos e normas do cliente. Equipam Caminhões Automóveis mentos Implemento Agrícola Conjuntos Tubulares Tubos para chassi Tubos para eixo fixo Indústria Agrícola Tubos quadrados Tubos Rops Perfilados tubulares especiais Tubos especiais Flecha maior e flecha menor Tratores Automotivo Pesado Conjuntos Tubulares Tubos travessa para chassi Tubos para Cockpit Ônibus Indústria Automotiva Conjuntos Tubulares Tubos para coluna de direção Tubos para pedal de freio indros de direção hidráulica as coxim de câmbio e motor (anti vibratório) para alavanca de câmbio as de suspensão raços de suspensão Automotivo Pesado Conjuntos Tubulares para chassi os para escapamento suporte do paralama tubulação de água para painel Metalúrgica Golin S/A 11 2147 -6500 www.golin.com.br

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Congresso do Aço O futuro da indústria do aço em debate OO mais importante evento da cadeia do aço no Brasil, o CONGRESSO AÇOBRASIL 2017, organizado pelo Instituto Aço Brasil (IABr) será realizado nos dias 22 e 23 de agosto de 2017, no Centro Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília, onde o futuro do país está sendo decidido. O evento terá formato corporativo, com foco exclusivo na discussão dos rumos da indústria do aço e da economia do país feita por renomados palestrantes nacionais e internacionais. Confira a programação do evento! Clóvis de Barros Filho – Pesquisador e Conferencista do Espaço Ética e Professor de Filosofia corporativa da HSM Educação 19h00 COQUETEL DE ABERTURA 23 de agosto (quarta-feira) 9h00 Conferência Magna – Tendências da Economia Brasileira Henrique Meirelles – Ministro da Fazenda 12h00 ALMOÇO 14h00 PAINEL 2 – FATORES LIMITATIVOS À COMPETITIVIDADE NO BRASIL Presidente do painel: Marcos Pereira – Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços Debatedores: Benjamin Mário Baptista Filho – Conselheiro do Aço Brasil / Presidente da ArcelorMittal Brasil / Ricardo Ferraço – Senador Debate CONGRESSO AÇOBRASIL 2017 – PROGRAMAÇÃO 22 de agosto (terça-feira) 18h00 ABERTURA DO 28º CONGRESSO AÇOBRASIL Michel Temer – Presidente da República Marcos Pereira – Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços Alexandre de Campos Lyra – Presidente do Conselho Diretor do Aço Brasil Sergio Leite de Andrade – Vice-Presidente do Conselho Diretor do Aço Brasil Marco Polo de Mello Lopes – Presidente Executivo do Aço Brasil 18h20 CONFERÊNCIA – INOVAÇÃO – CONCEITO, ATITUDE E IDENTIDADE 9h45 CONFERÊNCIA INAUGURAL – A INDÚSTRIA MUNDIAL DO AÇO / SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS Baris Çiftçi- Head do Departamento de Matérias-primas da Worldsteel 10h30 INTERVALO 10h50 PAINEL 1 – A INDÚSTRIA BRASILEIRA DO AÇO / SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS Moderador: Marco Polo de Mello Lopes – Presidente Executivo do Aço Brasil Debatedores: Benjamin Steinbruch – Diretor-Presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) / André B. Gerdau Johannpeter – Conselheiro do Aço Brasil / Diretor-Presidente (CEO) da Gerdau / Frederico Ayres Lima – Conselheiro do Aço Brasil / Diretor Presidente da Aperam South America Debate 15h30 INTERVALO 15h50 PAINEL 3 – CRESCIMENTO ECONÔMICO – DRIVERS DE CONSUMO Presidente do painel: Moreira Franco – Ministro da Secretaria-Geral da Presidência Debatedores: José Carlos Rodrigues Martins – Presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) / Alexandre de Campos Lyra – Presidente do Conselho Diretor do Aço Brasil / Vice-Presidente Sênior do Grupo Vallourec na América do Sul / Armando Monteiro – Senador Debate 17h10 ENCERRAMENTO Eliseu Padilha – Ministro-chefe da Casa Civil *Programação sujeita a alterações 14 SIDERURGIA BRASIL JULHO/AGOSTO 2017

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