Jornal Eco da Tradição 192 - Agosto de 2017

 

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ECO DA TRADIÇÃO - ANO XV - Nº 192 - AGOSTO DE 2017 EDITORIAL “ As lições do “Brasil de Bombachas” Foto: Rogério Bastos CHAMA CRIOULA MOSTARDAS PRONTA PARA RECEBER O RIO GRANDE Bruno Alencastro - Agencia ZH TIRO DE LAÇO 65 ANOS - ORIGENS E FUNÇÃO CULTURAL Arquivo Pessoal Página 02 Página 03 Página Centrais Eco entrevista: As novas Prendas Mirins do estado Páginas 08 e 09 Jovens debatem gestão no Diretores Culturais falam Encontro em Querencia-MT sobre Ciranda e Entrevero Página 06 Página 18 Em um gesto de união, coordenadores lançam Nairo à reeleição para 2018 Foto: Rogério Bastos Nairo Callegaro (C), ao lado de sua vice-presidente de Administração e Finanças, Elenir Winck, foi apoiado pelos Coordenadores Regionais que elaboraram um abaixo-assinado pedindo para que ele permaneça na próxima gestão. Congresso que elege o novo Conselho Diretor do MTG será em janeiro, na cidade de São Jerônimo, 2ª RT

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2 Rua Guilherme Schell, 60 Porto Alegre / RS CEP: 90640-040 Email para sugestão de pautas: conselhoeditorialeco@mtg.org.br www.mtg.org.br mtg-rs.blogspot.com Contato: 51. 3223-5194 EXPEDIENTE: SUPERVISÃO E DIREÇÃO: Nairioli Callegaro DIREÇÃO DE REDAÇÃO: Rogério Bastos DIAGRAMAÇÃO E DESIGN: Liliane Pappen CONSELHO EDITORIAL: Elenir Winck, Sandra Veroneze, Odila Savaris, Anijane Varela, José Roberto Fischborn, Vitor Pochmann e Bruno Mendonça. JORNALISTAS RESPONSÁVEIS: Rogério Bastos (16.834) Liliane Pappen (16.835) Fúlvio Lopes (16.200) COLABORAÇÃO: Andressa Motter IMPRESSÃO: Zero Hora TIRAGEM: 3 mil exemplares Atendimento De segunda a quinta-feira 09 às 12h e das 13 às 18h Sexta-feira 09 às 12h e das 13 às 17h Valores da Anuidade Agosto Valor Plena Parcial Especial Estudantis R$ 1.183,19 R$ 1.014,71 R$ 621,59 R$ 172,32 40% do valor retorna às RTs. MTG: PRESIDENTE: Nairioli Antunes Callegaro VICE-PRESIDENTE DE ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS: Elenir Fátima Dill Winck VICE-PRESIDENTE DE CULTURA: Anijane dos Santos Varela VICE-PRESIDENTE ARTÍSTICO: José Roberto Fischborn VICE-PRESIDENTE CAMPEIRO: José A. Araújo VICE-PRESIDENTE ESPORTES: Martim Guterres Damasco Não nos responsabilizamos pelas opiniões publicadas no jornal Ano XV - Edição 192 EDITORIAL Nairo Callegaro - Presidente do MTG As lições do “Brasil de Bombachas” A vida nos coloca diante de mos com menos intensidade muitos desafios e o tamanho e em competições e sim exaltar- a dimensão deles são verda- mos os objetivos do início do deiras surpresas. Algumas são Movimento? Temos que nos positivas e outras tantas são aperceber da grandiosidade do capazes de nos fazerem cres- sentimento que move a todos cer e buscar o entendimento e os Gaúchos que espalharam compreensão de que estamos CTGs por este Brasil, com um no local por algo que a vida vai único objetivo, não para compe- mostrar. tirem, mas sim para alicerçarem Talvez seja a missão de cada estes valores iniciais do nosso um, a nossa missão. O que pode- Movimento e consequentemen- mos dizer é que são sentimentos te não perderem suas origens, que nos movem, incompreendi- suas referências. dos por uma minoria incapaz de Este “Brasil de bombacha” perceber o bem que podemos ainda tem muito a nos ensinar e fazer e a luta que travamos para nós temos a responsabilidade e fazer valer valores nos quais o respeito com todas estas pes- acreditamos, valores que nos soas que amam e respeitam foram passados e que são tão de uma forma muito especial caros e muito verdadeiros. nossa cultura regional. Reforcei Experiências nos trazem a o que já tinha plena convicção: luz destes verda- que nossa respon- deiros compromis- sabilidade, aqui sos estabelecidos com a grande coletividade, nos fazem Este “Brasil de no Rio Grande, é muito grande na preservação dos acreditar mais, fa- bombacha”zem perceber que ainda tem muitotodo o sacrifício é sentimentos mais puros e autênticos de nossa cultura e algo que um dia será reconhecido. a nos ensinar tradição. Neste ano, em Pequenas ações, e nós temos que completamos responsabilidadepequenos movi- mentos demons- 70 anos do acendimento da cha- tram este cami- na preservaçãonhar, fortalecem e dos sentimentosfirmam nossas pe- ma crioula, devemos parar e refletir diante de todos gadas. Digo e faço es- tas considerações mais puros e autênticos de estes movimentos sociais e nos perguntar quais des- nossa cultura eporque fazemos parte de um mo- tes movimentos verdadeiramente vimento organizado que preserva tradição. são comprometidos com os ideais a manutenção e de 1947. Será esta continuidade desta luta inicia- corrida incansável e sem limites da há 70 anos. Quando da rea- por competição? Ou a preserva- lização do Rodeio Nacional de ção e manutenção deste senti- Querência, no Mato Grosso, mento que todos carregamos organizado por nossa confede- em um lugar muito especial de ração, a CBTG, comprovamos nosso peito? Estas perguntas o quanto é compensadora esta merecem uma resposta capaz luta, este sentimento que cada de nos remeter aos verdadei- gaúcho carrega por qualquer ros ideais de setembro de 47. lugar que ande pelo Brasil e o Convido a todos para buscarem Mundo, consolidado em cada esta resposta agora no acendi- ato e ação, o sentimento de per- mento da chama na cidade de tencimento de nossa identidade Mostardas. Vamos lá, juntos, regional. mergulharmos em um profundo Em que momento vamos momento de reflexão e voltar- perceber esta grandiosidade e mos àquele ato mágico, sim- transformá-la em ações efeti- ples, mas de uma consciência vas de construção social e co- social e coletiva incomparáveis. letiva, deixarmos de lado, agir- Até Mostardas. Agosto de 2017 OPINIÃO Por: Aline Jasper - 2ª Prenda da CBTG Mestre em Jornalismo e acadêmica de História A força da tradição gaúcha Brasil a fora Em todos os cantos do Brasil, existe um gaúcho cultivando suas tradições. É no Nacional que esses gaúchos se encontram para compartilhar experiências, mostrar dons e trabalhos em prol da tradição e interagir com novas e antigas amizades. Para além das competições, esse evento traz para perto o que está distante e mostra para todos nós, que batalhamos diariamente pela manutenção da cultura e das tradições, que não estamos sozinhos. O Rodeio Nacional reuniu peões e prendas que mostram sua destreza no laço, nas rédeas, na gineteada, bem como as crianças que, na vaquinha parada, reafirmam que o futuro do tradicionalismo gaúcho é ainda mais bonito que o presente! Difícil era ver algum desses laçadores errar alguma armada: encontro de braços fortes e destreza na lida campeira. Nos Jogos Tradicionalistas, a atmosfera descontraída de quem gosta mesmo é da conversa fácil e do companheirismo de jogar truco, bocha, bolão, tava... Os jogos que são descontração nos momentos de lazer do gaúcho! Ali, embora haja a competição e vontade de ganhar as partidas, era lindo de ver a felicidade a cada lance ou carteada, a comemoração dos pontos e o abraço amigo aos concorrentes. Que coisa linda foi o Festival Nacional de Arte e Tradição! Nas modalidades individuais de música, canção, declamação, danças de salão... Cada peão e cada prenda mostrando os dons que tem e que cultiva para embelezar e engrandecer a tradição. Os grupos de dança fazendo valer as inúmeras horas de ensaio e preparação para fazer bonito no tablado! Impossível não se encantar com a beleza das manifestações artísticas da nossa cultura. Mas, para essa prenda de faixa, um momento em especial foi muito importante: o Encontro de Jovens Gestores. Prendas e peões que trabalham – e muito! – para difundir o tradicionalismo, cumprir os objetivos da Carta de Princípios do Movimento Tradicionalista Gaúcho e bem representar a cultura gaúcha. Em todas as federações ali presentes, dilemas em comum: grandes distâncias, desinteresses, a busca por espaço para se poder trabalhar, a perda de alguns valores que são essenciais... Cada qual com uma forma de superar as dificuldades e mostrar que a juventude (que independe da idade e tem mais a ver com a visão de mundo que se tem) contribui e pode contribuir ainda mais para o tradicionalismo organizado! O Nacional é um evento de integração, acima de tudo. Cada participante traz para casa amigos e conhecimentos novos, muito mais importantes que troféus e medalhas. No fim das contas, gaúchos paranaenses, catarinenses, paulistas, rio-grandenses, sul-mato-grossenses, baianos, goianos, mineiros, mato-grossenses, brasileiros... são todos gaúchos! E como é bonito ver esses gaúchos, do mais novo ao mais velho, do sul ao norte do Brasil, fazendo cultura e mantendo vivas as tradições. E viva o Brasil de bombachas!

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Ano XV - Edição 192 EVENTOS OFICIAIS Agosto de 2017 3 Acendimento da Chama Crioula 2017 acontece em Mostardas Nos dias 10, 11 e 12 de agosto, a cidade de Mostardas - 23ª RT, recebe o Acendimento da Chama Crioula 2017. A CIDADE DE MOSTARDAS a Praia do Pai João (a menor da cidade). Programação: História A colonização de Mostardas foi feita por imigrantes açorianos. Em 1738 já existia um Posto Militar de Vigilância chamado “Guarda das Mustardas”. O nome Mustardas permaneceu até o início do século XX, quando passou a ser conhecido como Mostardas. No dia 18 de janeiro de 1773 é criada a Freguesia de Mostardas. Posteriormente, torna-se distrito de São José do Norte. Em 26 de dezembro de 1963, o distrito emancipa-se e, em 11 de abril de 1964, são instalados os Poderes Executivo e Legislativo. Geografia Por ser uma cidade litorânea muito extensa, Mostardas possui quatro praias ao longo do seu balneário. Praia da Solidão (a praia mais ao norte do município e mais distante da cidade. Recebe mais veranistas de outras cidades, como da região metropolitana, do que propriamente de Mostardas), Balneário Mostardense (praia mais próxima da cidade, a apenas 12km), a também conhecida como Praia Nova, Praia de São Simão (a 28km da cidade, a praia possui uma das sociedade mais antigas do município: o Clube de São Simão, fundado em 1948, ainda agita a praia com festas, músicas ao vivo e jantas), e Economia Economicamente, o município destaca-se pela produção de arroz e cebola, e na pecuária, pelo gado bovino – para produção de leite e carne – e ovino – para produção de lã. Os produtos de lã locais são muito apreciados, principalmente para a confecção do famoso “cobertor mostardeiro”, de densa lã cardada e colorida. Recentemente, uma prática que vem crescendo é a do o extrativismo de resina de pinheiros americanos. 10/08 - Quinta-feira 9h - Recepção das Cavalgadas Entrada e montagem das estruturas, feirantes alojamentos, e acampamentos no CTG Tropeiros do Litoral e Parque de Exposições José Terra Machado. Credenciamento e orientações. 20h - Final do Concurso Literário no Auditório Mathias Azambuja Velho. 11/08 - Sexta-feira 10h - Geração da Chama na Pedra de Anita - Local de nascimento de Menotti Garibaldi 11h - Cavalgada de São Simão à cidade de Mostardas 13h - Almoço - Sol Nascente / Recepção da centelha no Palanque Oficial 14h - Apresentações artísticas no Ginásio Municipal 17h - Saída da centelha ao Parque do CTG Tropeiros do Litoral 19h - Apresentações Artísticas no Parque do CTG Tropeiros do Litoral 12/08 - Sábado 8h - Recepção e credenciamento 9h - Abertura oficial da Distribuição da Chama Crioula 2017 10h - Ato solene de Distribuição da Chama Crioula 12h - Almoço

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4 Ano XV - Edição 192 Agosto de 2017 PROSEANDO COM TENÊNCIA Por Rogério Bastos CASOS & ACASOS Um esforço que vale a pena Estivemos visitando algumas regiões este mês e constatamos o esforço, muitas vezes pessoal, de diretores culturais batalhando para que as entidades cresçam, para que as regiões cresçam, mas, fundamentalmente, que as pessoas tomem este mesmo rumo. Assim foi ver o trabalho da Coordenadora da 21ª RT, Silvania Affonso, que tem aproximado as entidades, para que estas trabalhem de forma cooperativada. Que se ajudem. Desta forma, tem levado atividades que mostram que o conhecimento nunca é demais. Que se o treino, para a dança e o laço, são permanentes, os exercícios para o cérebro tem que ser também. Livros de poesias As poetisas, Jurema Chaves e Joseti Gomes estão com seus livros de poesia prontos para serem lançados no mês de agosto. Paralelo ao delas está vindo, também, o livro de Lauro Theodoro, que já foi diretor de manifestações espontâneas do MTG. Declamadores estão só esperando pelas novidades. Nacional 2017 Evento teve a participação de 63 CTG’s, das 7 federações, 50 cidades representadas e um total de 4 mil concorrentes inscritos. Parabéns CBTG e seus afiliados. E, parabéns à seleção da 23ª RT, campeã da FECARS 2017 e do Rodeio Nacional de Campeões. Redes Sociais Tenho dito por onde ando que não adianta jogar o recado no facebook ou no twitter para achar que as pessoas ficarão sabendo do evento ou da atividade no CTG. É necessário conhecer o funcionamento correto e como utilizar de forma otimizada as redes sociais. Dez anos do Anita na Europa A Eurotrip 2007, do GAN Anita Garibaldi, de Encantado/RS, embarcou no dia 13 de julho daquele ano rumo a Colônia, na Alemanha, para que dia 17, estreasse no Festival Internacional do Folclore em Laggenback, juntamente com mais 18 grupos de todo o mundo. Dez anos se passaram de amizades que se formaram e se mantém até hoje. Alma Gaudéria lança seu mais novo CD Fernando Espíndola, da AG Produtora, está lançando, juntamente com seu grupo fandangueiro, o Alma Gaudéria, mais um CD. Desta feita, com músicas gravadas ao vivo, na cidade de São Sepé, 13ª RT. Não deixe de escutar essa obra de arte do Alma e levar para tocar na sua cidade. CTG como formador de cidadãos e de líderes Tenho falado constantemente nos CTGs que palestro que as entidades são escolas informais e centros de preparação de lideranças. A função do líder é conseguir levar o grupo a resultados positivos. Para poder alcançá-los, é preciso que estejam motivados e que tenham muita dedicação. Preste atenção no trabalho realizado dentro de cada CTG. É nossa contribuição para com o estado e a sociedade. 22 de agosto, Dia do Folclore Neste dia, a Comissão Gaúcha de Folclore (CGF), estará realizando um programa especial, via rádios Web – ‘Falando em Folclore’ – gerado aqui na capital e repetido pelo interior para os diferentes públicos de cada emissora. Destacados debatedores estarão tratando de um assunto pujante no dia a dia do gaúcho: nossa diversidade cultural. MOVIMENTO TRADICIONALISTA GAÚCHO Calendário do MTG - 2017 AGOSTO DE 2017 8 SORTEIO DA ORDEM DE APRESENTAÇÃO DAS INTER-REGIONAIS DO ENART 2016 MTG 11 e 12 ACENDIMENTO E DISTRIBUIÇÃO DA CHAMA CRIOULA MTG + 23ª RT 26 e 27 1ª INTER-REGIONAL DO ENART MTG SETEMBRO DE 2017 2 5ª REUNIÃO CONSELHO DIRETOR MTG 14 a 20 SEMANA FARROUPILHA MTG + RTs 30 2ª INTER-REGIONAL DO ENART MTG OUTUBRO DE 2017 1 2ª INTER-REGIONAL DO ENART MTG 7 5ª REUNIÃO DE COORDENADORES REGIONAIS, DIRETORES CULTURAIS MTG 7 E 8 ACAMPAMENTO DA JUVENTUDE E TCHENCONTRO 14 e 15 FEGADAN 21 e 22 3ª INTER-REGIONAL ENART 27 e 28 51º ANIVERSÁRIO DO MTG / ORCAV MTG NOVEMBRO DE 2017 1 SORTEIO DA ORDEM DE APRESENTAÇÃO DA FINAL DO ENART 2017 MTG 04 e 05 ABERTO DE ESPORTES - 2º ENECAMP MTG + ª RT 11 6ª REUNIÃO DO CONSELHO DIRETOR MTG 17 a 19 FINAL ENART 2017 MTG + 5ª RT DEZEMBRO DE 2017 7 PRAZO FINAL - ELEIÇÕES COORDENADORIAS REGIONAIS MTG 9 REUNIÃO DE ENCERRAMENTO - CONFRATERNIZAÇÃO NATALINA 13 PRAZO FINAL - APRESENTAÇÃO PROPOSIÇÕES PARA O 66º CONGRESSO TRADICIONALISTA GAÚCHO MTG PORTO ALEGRE MOSTARDAS SANTO ANGELO PORTO ALEGRE RS URUGUAIANA URUGUAIANA PORTO ALEGRE GIRUÁ ANTONIO PRADO CANOAS PORTO ALEGRE PORTO ALEGRE TRAMANDAI PORTO ALEGRE STA CRUZ DO SUL RTs RTs CURSOS do MTG - 2017 DATA 3 14 13 a 15 24 a 26 2 SETEMBRO DE 2017 EVENTO PROMOÇÃO CFOR BÁSICO MTG + 24ª RT OUTUBRO DE 2017 CFOR BÁSICO MTG+15ª RT CFOR AVANÇADO MTG + 4ª RT NOVEMBRO DE 2017 CFOR AVANÇADO MTG + 3ª RT DEZEMBRO DE 2017 CFOR BÁSICO MTG + 6ª, 21ª e 26ª RT. CIDADE VENANCIO AIRES SÃO SEBASTIÃO DO CAÍ ALEGRETE SANTO ÂNGELO PELOTAS 24º Seminário de Patrões, em Canoas A coordenadoria regional da 12ªRT estará realizando dia 20 de agosto, no DTG Tropeiros do Ouro Negro, em Canoas, o 24º Seminário Regional de Patrões. Programação do evento: Abertura, às 9h, pelo Coordenador Fabiano Vencatto. 09h30min “A economia da cultura na era da comunicação”. Quando a comunicação bem feita contribui na cadeia produtiva da cultura gaúcha. 11h - Lançamento do livro: “O Jardim da Poesia” - Jurema Chaves 13h30 - Campeonato de Bocha entre os Patrões 15h - Sessão solene de entrega dos troféus: Destaque Tradicionalista 2017 “A felicidade reside na harmonia entre o que você pensa, o que você diz e o que você faz” (Mahata Gandhi)

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Ano XV - Edição 192 DEPARTAMENTO JOVEM Por: Kelvyn Krug Diretor Dpto Jovem do MTG Agosto de 2017 5 CEVANDO O MATE Por Sandra Veroneze Parabéns, seu Paixão! Página 5, Departamento Jovem O ano de 2017 é um ano singular para o tradicionalismo gaúcho, pois nele comemoramos os 70 anos do acendimento da primeira Chama Crioula. Além disso, neste ano, um grande tradicionalista completa noventa anos de vida e de muita cultura: Paixão Côrtes. Há 90 invernos, em 12 de julho de 1927, nascia em Santana do Livramento a figura que “reagauchou” nosso estado. Um guri de fronteira e de campo que, no ano de 1947, se encontrava na capital para estudar e, acostumado com as lides campeiras, via a cultura do estado ser esquecida aos poucos e ser substituída pelo modismo americano, que estava invadindo nosso chão. Essa semente germinou forte e, com garra, Paixão Cortes foi um líder nato, criou o grupo dos oito e despertou nossa querência, demonstrando o verdadeiro sentido de preocupação para com a nossa cultura e nossas tradições. Paixão Cortes em seus 90 anos, além de ser um dos pioneiros do tradicionalismo, estudou diversas manifestações folclóricas em nosso estado, serviu de modelo para a estátua do laçador, símbolo de nossa capital e de nosso estado. Paixão é formado em Agronomia pela UFRGS, já recebeu a medalha Assis Brasil graças a seu trabalho junto à agropecuária e governo do Rio Grande do Sul. Também foi o responsável pela abertura de mercado da ovinocultura no Rio Grande do Sul, trazendo da Europa novos métodos e tecnologias de tosquia, desossa e gastronomia, além de incentivar o consumo de carne ovina. Colorado nato, em 2009, Paixão foi nomeado cônsul cultural do Sport Club Internacional. Seu trabalho foi reconhecido pelos gaúchos, o que rendeu sua presença entre os “20 gaúchos que marcaram o século XX”, ao lado de figuras como Getúlio Vargas. No dia 02 de julho, Paixão anunciou que irá se afastar de sua vida pública, para melhor cuidar de sua saúde. Com isso, estamos deixando a nossa enciclopédia descansar um pouco, já que durante sua vida muito contribuiu para toda a nossa organização enquanto movimento tradicionalista organizado. Já afirmou Paixão Cortes: “Gaúcho é um estado de espírito, não é um nascer, nem uma razão de ter nascido, mas sim uma razão de querer ser”. O Departamento Jovem do MTG, em nome da juventude tradicionalista, te parabeniza, seu Paixão, pelos noventa anos da vertente da mais pura cultura, mostrando-nos o caminho e fazendo-nos compreender que para sermos parte viva dos que se foram, devemos manter muito além das aparências, para que sejamos marcas buenas com iniciais de Rio Grande e estampa de querência. MTG lança coletânea de Anais dos Congressos Durante a 84ª Convenção Tradicionalista, na cidade de Lagoa Vermelha, o Movimento Tradicionalista Gaúcho lançou uma coletânea com os Anais de três Congressos: 63º (Uruguaiana), 64º (Bento Gonçalves) e 65º (Bento Gonçalves). A publicação supre uma lacuna, tornando públicas as atas dos conclaves com suas decisões, que servem para pesquisas dos tradicionalistas. Os Congressos definem os rumos para o ano corrente do Movimento, fazem alterações estatutárias e, ainda, elegem o Conselho Diretor. Portanto, a participação das entidades é fundamental, pois as decisões que acontrtoeiacn.epdmf 1lá07r/e03p/2e0r1c7 u2t2e:4m1:25em toda a estrutura organizacional. Da porteira para dentro Curso de Assessoria de Imprensa - Agosto 2017 Uma instituição poderá ter o melhor assessor do mundo, mas se no contato com a imprensa as fontes de informação não tiverem habilidade, um ótimo trabalho pode resultar numa catástrofe. Nesse sentido, sempre que identificar alguma fragilidade, é trabalho do assessor realizar um treinamento com todas as pessoas responsáveis por dar entrevistas. Esse treinamento passa por algumas questões bastante técnicas, como por exemplo em entrevistas para televisão utilizar frases curtas, mas também passa pela postura do entrevistado. Vejamos algumas questões importantes: Postura mental – Muitos tradicionalistas são desconfiados com relação à imprensa. Não tiro a razão. Porém, uma postura na defensiva, ou arredia, não auxiliará em nada nesse relacionamento. O assessor de imprensa, nestes momentos, deve orientar o entrevistado a assumir uma postura mental de colaboração e humildade, o que causará uma imagem positiva no jornalista. Separe a pessoa da entidade – É comum jornalistas procurarem pessoas na comunidade para que expressem sua opinião sobre determinados assuntos. Situações polêmicas e controversas muitas vezes são as preferidas. Nessas ocasiões, é importante separar as pessoas da entidade. Em primeiro lugar, pergunte-se se o que você está dizendo reflete a opinião da instituição ou sua opinião pessoal. E em segundo, se você está autorizado a falar em nome da entidade. No MTG, para inúmeras pautas somente o Presidente está habilitado a falar. Cobre no particular e elogie em público – Para cada assunto existe um fórum adequado. Utilizar o microfone de uma rádio para expor um problema da entidade auxiliará a resolvê-lo? Muitas entidades criam uma imagem negativa junto à comunidade por tratar no público o que é privado. Não se trata aqui de esconder ou maquiar realidades, mas sim de dar a cada uma o devido encaminhamento. Informe sobre o jornalista – O entrevistado conseguirá melhor resultado se conhecer quem o está entrevistando. Ao assessor de imprensa cabe informar qual a postura do jornalista, qual sua linha editorial, qual o objetivo da matéria que está desenvolvendo e também detalhes de publicação, como data, espaço. São informações simples e que raramente algum jornalista negará. Continua no próximo mês. C M Hámaisde 15anosDandovozÀnossa tradição! Y CM MY Entre em contato, temos a estrutura completa para o seu evento. CY CMY K 5499112.1085 troiansonorizacao@gmail.com

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6 NOTÍCIAS Ano XV - Edição 192 ESPAÇO DA CBTG Agosto de 2017 Encontro de Gestores Nacional 2017 reuniu Jovens da CBTG em 60 mil pessoas Querência/MT O MTG/RS marcou presença no 1º Encontro de Gestores Jovens da CBTG, realizado na tarde do dia 21 de julho, durante a programação do Fenart e Rodeio Nacional de Campeões, na cidade de Querência, Mato Grosso. A 1ª Prenda do RS, Renata da Silva, e o Peão Farroupilha, Jhonatã Reis Leindecker estiveram presentes. O presidente do MTG/RS, Nairo Callegaro, acompanhou de perto a apresentação dos representantes estaduais, que falaram, principalmente, da responsabilidade do jovem como militante da causa tradicionalista, a fim de motivar e propagar, de forma abrangente, tudo aquilo que a ideologia do Movimento prega. Com o intuito de debater as dificuldades que os outros estados encontram em propagar a cultura gaúcha, além de valorizar as ações que já são executadas além das fronteiras do Rio Grande, o encontro contou com a participação dos MTG’s do Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Planalto Central (Distrito Federal, oeste da Bahia, Piauí, Tocantins, Goiás e Minas Gerais), além do Rio Grande do Sul. Foto: Macanudo Gaúcho Na foto, os gestores jovens que coordenaram os trabalhos apresentados Depois do sucesso, Macanudo lança novo jogo A cidade de Querência-MT recebeu, no período de 19 a 23 de julho, 60 mil pessoas, entre participantes, familiares e visitantes que prestigiaram o Nacional 2017 promovido pela CBTG e realizado pelo MTG-MT e CTG Pousada do Sul. O 14° Fenart (Festival Nacional de Arte e Tradição Gaúcha), o 8° Jogos Tradicionalistas e o 18° Rodeio Crioulo Nacional de Campeões receberam quatro mil inscritos, oriundos de 63 CTG’s, 50 cidades e sete MTG’s das Federações: RS, SC, PR, MT, MS, SP e PC. “Ficamos muito honrados e felizes com a participação grandiosa nesta integração tradicionalista gaúcha brasileira. E preciso agradecer todos os patrocinadores, apoiadores, colaboradores e voluntários, em especial os tradicionalistas locais e todas as equipes de jurados, além da Prefeitura Municipal, Assembleia Legislativa do Mato Grosso e Governo do Mato Grosso. Sabemos do envolvimento responsável dos tradicionalistas e da preparação intensa para proporcionar este brilhante evento a todos”, ressaltou o Presidente da CBTG, João Ermelino de Mello. De acordo com a comissão organizadora, mais de quatro mil pessoas prestigiaram a abertura do Nacional 2017, ocorrida na manhã de 21 de julho, com o hasteamento das bandeiras e a mostra fotográfica “Pioneiros do CTG, em Mato Grosso”. À noite, aconteceu a cerimônia oficial com a presença de diversas autoridades, entre elas Olimar Luciano Schneider, patrão do CTG Pousada do Sul, acompanhado de sua esposa, Dirce Munaro Schneider; o casal Roberto Basso, presidente do MTG-MT e Maria Inês Senter Basso; João Ermelino Mello, presidente da CBTG; Eduardo Larsen, vice-presidente da CBTG; Carlos Fávaro, vice-governador do Estado do Mato Grosso; Fernando Gorgen, prefeito de Querência e a Primeira Dama, Juliana Bailona; Valdenicio dos Anjos da Silva, presidente da Câmara de Vereadores de Querência; Natal José Marchioro, presidente do MTG-MS e sua esposa, Reni Martins Marchioro; João Francisco Petroceli, presidente do MTG-PC; Rogério Pankievicks, presidente do MTG-PR; Nairioli Callegaro, presidente do MTG-RS; Orides Luiz Pompeo, presidente do MTG-SC; Jorge Franklin Maia, presidente do MTG-SP e sua esposa, Darcilene Franklin Maia; Rosita Maria Hahn, secretária municipal de Educação e Cultura de Querência. Os deputados estaduais do Mato Grosso, Oscar Bezerra, Nininho e Silvano Amaral, e o Deputado Federal, pelo Mato Grosso, Xuxu Dalmolin, prestigiaram a solenidade. Prefeitos e ex-prefeitos da região, vereadores de Querência, autoridades militares, membros do judiciário e religiosos marcaram presença no evento. O local do próximo Nacional será decidido no Congresso Tradicionalista da CBTG, que acontecerá em novembro, na cidade de Foz do Iguaçu/PR. O Macanudo Gaúcho, depois de fazer sucesso com seu “Laço Macanudo” lançou a segunda versão do jogo com objetivo difundir um dos aspectos da cultura do gaúcho campeiro, onde se faz necessário o uso do cavalo e do laço no manejo com o gado. Nesse jogo, o gaúcho deve laçar o boi antes da marcação de 100 metros para obter sua pontuação. Cada laçada cerrada acumula bônus de pontuação, que serão perdidos no caso de laçada julgada. O jogo terminará quando o laçador errar a laçada, então sua pontuação será contabilizada conforme o modo de jogo. Conheça o jogo pelo link: http:// www.lacomacanudo2.com.br/presskit/ SOLICITE SUA PROPOSTA CONOSCO! Rua Demétrio Ribeiro, 990 - CJ 305 Centro Histórico - Porto Alegre/RS (51) 3028.0364 / 3023.2364 (51) 98175.1058 / 98128.9328 executivodecontas2@crmachadoseguros.com.br www.crmachadoseguros.com.br SEGURO DE RODEIO E CAVALGADA SEGURO DE ACIDENTES PESSOAIS Faça seu seguro por muito menos que você imagina, tenha um evento com segurança e tranquilidade conforme regulamenta as Leis Federais 10.220/2001 e 10.519/2002. Os organizadores de rodeio ficam obrigados, ainda, a contratar seguro pessoal de vida das pessoas envolvidas diretamente com as provas campeiras. União Seguradora Fone: 51 3061.9606 www.uniaoseguradora.com.br

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Ano XV - Edição 192 FESTIVAIS Por Vinicius Brum NEGRO DA GAITA Naquele início dezembro de 1977, o palco do antigo Cine Pampa acendia suas luzes para receber a sétima edição da Califórnia da Canção Nativa. O festival consolidava sua trajetória ascendente e seguia consagrando canções que se tornariam antológicas. Os autores da canção vencedora são dois dos maiores revelados naquele palco irradiante: o poeta Gilberto Carvalho e o compositor Airton Pimentel. Gilberto, entusiasta de primeira hora do festival uruguaianense, foi divulgador, apresentador, cenógrafo, assistente de direção e a partir da terceira edição passou a concorrer, conquistando o troféu máximo por duas vezes consecutivas. Airton, um dos mais talentosos cancionistas já surgidos em solo rio-grandense, é autor de, entre tantas, “Rancho da estrada” e “Missal das reses”. A Calhandra de Ouro desta edição coube à canção “Negro da Gaita” imortalizada pelo genial César Passarinho, que se consagraria como uma das vozes mais importantes da história da Califórnia. Pela segunda vez consecutiva interpretava a canção vencedora e também pela se- gunda vez receberia o troféu de melhor intérprete do festival (a primeira foi com a canção Ave Maria Pampiana de Ubirajara Raffo Constant e Francisco Alves na quarta edição). Passarinho até hoje é considerado por muitos como a voz mais marcantes deste evento. Ainda venceria outras vezes o festival, e as canções que interpretou por certo haverão de constar nas melhores antologias da canção regional gaúcha. A gaitinha de botão irrompe solitária subindo e descendo rapidamente a escala. Os violões respondem vivazes na respiração da milonga. O cantor não chega a completar a primeira linha da letra, e já se fazem ouvir efusivas as palmas de uma plateia arrebatada. Assim se pode descrever, resumidamente, pois a excelência do instante não caberia nesta página (e nem em muitas, desconfio), os primeiros segundos da gravação original. As performances do letrista, do musicista, e do intérprete de “Negro da Gaita”, todas marcadas de poeira e pampa, abriram muito mais que um fole: em notas eternamente sentidas, ajudaram a escrever o livro infindável da cultura sul-rio-grandense. 30ª RT inaugura sua nova sede em Novo Hamburgo Na noite de 26 de julho, quarta-feira de inverno, mas com temperatura muito agradável, a coordenadoria da 30ªRT inaugurou a sua sede, em Novo Hamburgo. A data escolhida para a festa também se comemora o 26º aniversário de criação da coordenadoria. Estiveram presentes patrões da 30ª RT, o presidente do MTG, Nairo Callegaro, 1ª Prenda do RS, Renata da Silva, o Peão Farroupilha do RS, Jhonatã Leidecker, conselheiros do MTG, Gerson Ludwig, Alberto Ferreira, Adão Celir Garcia da Motta, ex-presidentes do Movimento, Erival Bertolini e Benoni Jesus dos Santos, a 1ª Prenda da 30ª RT Maiqueli Angeli, membros da coordenadoria regional, prendas e peões regionais e de entidades. Para Carlos Moser, coordenador da 30ª RT, 2017 é um ano muito positivo para premiar o trabalho realizado. “Só posso dizer que em 2017, a trigésima é tri” – comemora. Localizada na Av. 1º de Março, número 2987, sala 3, Bairro Ideal, em Novo Hamburgo, o novo espaço conta com amplas instalações para o melhor atendimento das necessidades das trinta e três entidades tradicionalistas que compõem sua base territorial: Nova Hartz, Araricá, Sapiranga, Campo Bom, Novo Hamburgo, Estância Velha, Ivoti, Dois Irmãos, Morro Reuter, Lindoldo Collor, Presidente Lucena, Santa Maria do Herval. OUTRAS AÇÕES NA 30ª RT No dia 27 de agosto será realizado um almoço com domingueira no CTG Amigos da Tradição, em Santa Maria do Herval. A animação fica por conta de “Os Monarcas”. A ACTG Portal da Serra promove um jantar/baile, com Os 4 Gaudérios e Os Monarcas na cidade de Dois Irmãos, no dia 28 de setembro. Contatos pelo telefone (51)99353-4171. Foto: Divulgação Conselheiros do MTG (Vaqueanos e Beneméritos), prenda e peão do RS estiveram junto com o presidente Nairo Callegaro e o coordenador Carlos Moser na inauguração da nova sede da 30ª Região Tradicionalista Agosto de 2017 7 ESPAÇO CGF/FSH Por: Paula Simon - Folclorista Folclore Mágico do Rio Grande do Sul Ainda revendo as crenças do povo em relação a atos e pensamentos mágicos podemos nos reportar a inúmeras atitudes que a um primeiro momento podem parecer insólitas. As crendices e superstições de modo geral não são vinculadas a alguma religião oficial ou popular. A pessoa que crê, segue um pouco de cada religião de acordo com suas necessidade e/ ou interesses mais imediatos. Popularmente os termos crendice e superstição são usados indistintamente, mas para o Folclore, existe diferença fundamental. Ambos referem-se a crenças ilógicas em coisas ou fatos que não são explicados cientificamente, mas quando trata-se de superstição, estes fatos envolvem algum temor. Nesta classificação estão inseridos os “não presta”...ex. não presta cuspir no fogo, não presta dormir com os pés para a porta da frente...etc Este instinto ou atitude supersticiosa é generalizado, não se encontra apenas nas camadas sociais, econômicas e culturais menos privilegiados. Uma grande parcela da humanidade com maior ou menor intensidade crê em alguma coisa que a logica não explica. Geralmente, o crente faz promessas para os santos da Igreja Católica, faz novenas e acende velas em altar em casa, vai tomar “passes” na Casa Espírita, frequenta Umbanda ou Batuque, acompanha procissões, benze-se ao passar em frente à Igreja, usa guias de Orixás ou “proteções” trabalhadas no peji, não passa embaixo de escadas, usa um breve para proteger-se e um pé de coelho para dar sorte, teme gato preto e vira a vassoura atrás da porta para espantar visita desagradável... Uma das maiores curiosidades do homem em geral reside em saber o futuro, e muitas são as maneiras encontradas para adivinhar o que está para acontecer. Ler as mãos, botar as cartas, jogar búzios, interpretar sinais da natureza, sonhos e premonições, são algumas das formas com as quais o povo tenta satisfazer esta ânsia. Na Roma antiga nenhuma decisão era tomada sem a consulta prévia dos Augures (adivinhos) que através do voo das aves prediziam o que ia acontecer. “Uma guerra, uma sessão do Senado, uma festa pública interrompiam-se imediatamente se o Augur chegasse declarando ter notado um sinal nefasto no voo de certas aves”. (Luís da Câmara Cascudo em Anubis e outros Ensaios). A pitonisa Sibila, de Delfos, fazia suas profecias através da observação de folhas de parreira, que deixava que o vento, hálito de Deus misturasse. Entre as pessoas da zona rural existe a crença de que quem come carne de coruja torna-se adivinho; em algumas regiões do Brasil atribuem-se ao gavião e ao carcará estas mesmas virtudes. Dizem também que mastigar folhas de loureiro, a árvore de Apolo na mitologia greco-romana, produz o dom de adivinhar. Entre os sinais de mau agouro podem ser citados: coruja piando próximo à casa; cachorro cavoucando frente à residência; gato preto passar frente a alguém; sonhar com cobra e outros. Sinal de bom augúrio: achar trevo de quatro folhas; achar ferradura; ver o arco-íris; apanhar o buquê da noiva; sentir comichão na palma da mão. Os amuletos correspondem à materialização da superstição. São representados por objetos que após serem magnetizados, vibrados ou preparados ritualisticamente se supõe adquiram poder de proteger ou imunizar de qualquer maleficio quem os possui. Existem diversos tipos de amuletos, os passivos para conjurar males, os talismãs para trazerem boa sorte, e os fetiches, que possuem um “espírito” morador capaz de ações concretas.

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8 NOTÍCIAS Ano XV - Edição 192 Agosto de 2017 ECO ENTREVISTA ‘Bailar Gaúcho’ – Entre a técnica e o sentir Pra ela, tradição é herança de família O objetivo deste estudo, de Cristiano Barbosa, de Antônio Prado, é auxiliar os leitores a entenderem a classi�icação das Danças Gaúchas de Projeção Folclórica dentro da geração/ciclo coreográ�ico. Este assunto, João Carlos Paixão Cortes e Luis Carlos Barbosa Lessa mostraram em suas obras: Danças e Andanças da Tradição Gaúcha, 1975, Aspectos da Sociabilidade Gaúcha 1982, e só por Paixão Cortes nos livros: O Gaúcho, Danças, Trajes e Artesanato, e mais recentemente Bailes e Gerações dos Bailares Campestres, 2001, e estão sendo tratados nesta obra. “Verificamos a necessidade de um livro que trate do assunto de forma mais aprofundada, que venha esclarecer, orientar e provocar mais interrogações. Este livro vem ao encontro das obras citadas no parágrafo anterior, ou seja, amadrinhada por aquelas. É mais um material didático para que as Instituições Educacionais, Centros Culturais, Bibliotecas e Entidades Tradicionalistas, tenham à disposição e sejam multiplicadores culturais” – conta Cristiano. As danças constituem um importante componente cultural para os brasileiros e, no caso do Rio Grande do Sul, que possui uma cultura tão rica e diversificada, a gama de modalidades é enorme e muito importante para preservação das raízes. A preocupação nesta obra é transmitir conhecimento, procurando mostrar que o ensino e estudo de cada dança é um aprendizado contínuo, que inclui não só o mero ato de dançar em si, mas também o expressivo significado cultural: buscar o esclarecimento do onde, quando e dos porquês das danças gaúchas. “Não nos cabe dizer o que é certo ou errado e como se deve fazer. Nosso desejo é trazer aos leitores mais uma ferramenta que venha auxiliá-los em suas atividades. Algo que possa servir para esclarecer o entendimento como de fonte, onde os escritores vindouros possam colher elementos para enriquecer a gloriosa história da terra Sul Rio-grandense, por intermédio das Danças de Projeção Folclórica” - afirma. Assim como esta obra nasceu de dúvidas, ficamos esperançosos que outras venham estimular o interesse das pessoas sobre o assunto. Os subsídios servirão para enriquecimento. “Devemos pensar que cultuar a tradição e o folclore não é somente viver rodeios, bailes, churrascadas, concursos de danças, concursos de prendas, participar de festivais, mas acima de tudo é preservar a cultura espontânea do povo.” - Paixão Côrtes. “Convidamos o leitor para uma curiosa viagem, começando pela formação do povo gaúcho, até a classificação dos vinte e cinco temas bailáveis que constam no Manual de Danças Gaúchas do MTG-RS (Movimento Tradicionalista Gaúcho)” concluiu. Foto: Divulgação Cristiano Barbosa ao lado de Lisa Lucca e Daniel Dal Molin, do GAN Anita Garibaldi Betina de Faria Hugo, 11 anos, natural de Camaquã, cursa o 6º ano do ensino fundamental. “Comecei minha caminhada tradicionalista na barriga da minha mãe (juntas, participamos de um Enart) e, hoje, represento o CTG Sepé Tiaraju, de São Lourenço do Sul” - relata. Eco – Como foi a tua preparação para esta ciranda? Minha preparação começou no ano de 2015 quando participei da ciranda cultural da minha entidade. De lá ate maio deste ano, foram muitos “anjos” que junto de mim traçaram metas e não mediram esforços para que eu pudesse ter tempo de estudar, participar de eventos e realizar meus projetos, pessoas que sonharam o meu sonho e aceitaram compartilhar comigo seus conhecimentos para que eu pudesse chegar em Bagé com a tranquilidade de que tudo tinha sido feito com muito amor e que resultados não mudariam o que sinto pelas coisas do Rio Grande do Sul. Tenho muito orgulho de ser a quarta geração de uma família que cultiva e preserva as tradições gaúchas e que me ensinam no dia a dia o quanto isto é importante para minha formação como indivíduo e que sozinho não chegamos a lugar algum. Eco – Ao chegar a tua cidade, qual a emoção ao ser recebida como Prenda Mirim do RS? A emoção de trazer um título inédito para minha entidade e município foi muito grande. Mesmo com muita chuva fui recebida em São Lourenço do Sul no meu CTG Sepé Tiaraju pela patronagem e associados com direito a carreata pelas ruas da cidade. Também tive a oportunidade de ser reco- nhecida por esta conquista pelo poder público e as mídias locais. Eco – Qual a tua expectativa para a gestão? Possuímos um grupo de prendas e peões que busca mostrar que a nova geração dos 50 anos do Movimento Tradicionalista Gaúcho sabe da importância de enaltecer os legados que fortalecem o tradicionalismo gaúcho e que como prendas mirins temos o importante papel de incentivar as outras crianças para que desde pequenos tenhamos a consciência que também depende de nós a continuidade deste movimento. Espero que nossa gestão seja bastante unida e que juntos possamos vivenciar muitas alegrias, conquistas e realizações. Livro: História do Rio Grande do Sul para jovens de Roberto Fonseca Comida: sendo gostosa... Filme: Como eu era antes de você Presilha promove baile da prenda jovem Foto: Arquivo Pessoal No dia 26 de agosto, o CTG Presilha do Pago da Vigia, de Santana do Livramento, promove um baile de debutantes à moda gaúcha. O evento será animado por Humberto Machado e grupo. Os ingressos custarão R$ 20,00 individual sendo que a prenda debutante terá a mesa sem custos (pais e prenda não pagam convite). Andrea Cava- lheiro Rodrigues, patroa do CTG define o evento como “Emoção e tradição a passear no salão!”. “É lindo ver o sentimento de alegria e a emo- ção das famílias em apresentar suas filhas para a sociedade tradicionalista, assim foi um dia, que- remos sentir essa emoção, em ver uma lágrima no rosto de um pai...” – Afirma Andrea. Andrea Rodrigues TEMA SEMANA FARROUPILHA 2017: “FARROUPILHAS: IDEALISTAS, REVOLUCIONÁRIOS E FAZEDORES DE HISTÓRIA”

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Ano XV - Edição 192 ECO ENTREVISTA Agosto de 2017 9 Orgulho de suas raízes Conheça Cecília, 1ª Prenda tradicionalistas Mirim do RS Gabriela Cavasin, natural de Rodeio Bonito, onde reside, cursa o 7º ano na Escola Estadual de ensino Fundamental José André Acadroli. “Sempre representei com muito orgulho a minha entidade, o CTG Gaudérios do Rodeio de Rodeio Bonito, da 28ª RT” – conta. Eco – Fale-nos da tua preparação para a ciranda. Desde que comecei minha vida tradicionalista, em 2009, eu sempre admirei muito as prendas de faixa por seu jeito de se expressar e pelo seu amor pelo tradicionalismo. Em 2015, incentivada pela minha professora, eu fiz o concurso interno. Eu estava radiante, era tudo o que eu queria, e a partir deste momento comecei a me preparar para o concurso regional, onde estudei muito e quanto mais eu lia, mais me apaixonava pela tradição e história do RS. Após conquistar a faixa da minha região eu comecei a me preparar para a ciranda estadual. Sempre tive muito incentivo e ajuda da minha família e, sem ela, eu não teria conquistado esta faixa. Li praticamente toda bibliografia (na frente do computador, muitas vezes, para pesquisar o que não entendia). Tudo o que eu lia, eu fazia resumo em post-it e colocava em meu quarto. No final estava todo colorido, até nas portas do roupeiro. Eu também li os artigos no site do MTG e pesquisei as provas anteriores, no blog Cantinho Gaúcho. Ainda assim eu tinha muitas dúvidas e pedia ajuda pra Giovana Rossatto, que era a 1ª Prenda Juvenil do RS até então, e para diretora cultural da 28ª RT, Daiana Tomasi. Após as pesquisas e entrevistas prontas eu e minha mãe montamos a mostra folclórica. Eu ensaiei com a ajuda da minha irmãzinha (com apenas três anos) que cronometrava o tempo e servia de cobaia no benzimento. Por fim, a prova artística, a qual foi feita por mim e pela coordenadora da região. Eco – Ao chegar a tua cidade, qual a emoção ao ser recebida como 2ª Prenda Mirim do RS? Foi um momento mágico. Cheguei a Rodeio Bonito perto do meio dia e fui recepcionada por meus amigos, familiares e tradicionalistas que acompanharam a carreata pela cidade. Em minha frente ia um carro de som com músicas gauchescas, o que aumentava ainda mais a emoção e não dava pra conter o choro. Na segunda-feira eu, a coordenadora e o patrão do CTG demos uma entrevista à rádio local, e na terça-feira recebi uma homenagem da Prefeitura Municipal de minha cidade. Eco – Qual a tua expectativa para a gestão? Nesta gestão vou fazer o meu melhor para representar o meu estado, levar o tradicionalismo gaúcho para todos os cantos de nosso rincão, me propor a ajudar o Movimento Tradiciona- lista Gaúcho, ser um exemplo para todas as prendas, mas, além de tudo, quero aproveitar ao máximo este ano, fazer novos amigos, conhecer novas cidades e mostrar meu orgulho por este chão. Livro: Bolsa Amarela e o Ladrão de Sorrisos. Comida: Lasanha e risoto. Filme: Operação Cupido e Divertidamente. Cecília Scholz, 12 anos, natural de Novo Hamburgo, mas reside em Campo Bom. Cursa o 7º ano do Ensino Fundamental do Colégio Santa Teresinha e sempre representou o CTG M’Bororé, de sua cidade. Eco – Como foi a tua preparação para esta ciranda? Sempre participei do tradicionalismo acompanhando meus pais e meu irmão, mas posso dizer que descobri ser tradicionalista a partir das vivências das Cirandas. Ao longo destes três anos de preparação eu fui descobrindo muita coisa, conhecendo tantas histórias vividas pelas prendas que me fizeram querer viver essas experiências também. Por isso, posso dizer que a minha preparação foi uma grande caminhada percorrida ao lado de pessoas muito especiais que foram chegando aos poucos pra ensinar, aconselhar, compartilhar ideias, incentivar, encorajar, rir e brincar, enfim, pessoas que chegaram pra me ajudar a realizar o sonho de ser Prenda do RS. A etapa final, a de preparação para a fase estadual, não foi fácil. Às vezes ficava sem vontade de estudar, muitas vezes tive que deixar de ir na casa das minhas amigas, deixar de ir a algumas festas porque tinha que estudar, ensaiar, ou porque tinha algum compromisso, evento. Muitas vezes não pude acompanhar o meu CTG porque precisava me dedicar à Região, afinal eu era uma das representantes da 30ª Região Tradicionalista, com muito orgulho! Mas então pensava que, no final de tudo, cada segundo me dedicando ao meu sonho valeria a pena. E também essa dedicação toda tinha suas compensações: final de semana de estudo, com direito à comida especial e doces maravilhosos! Ensaios com lanchinhos! Encontros e reuniões divertidas para planejar os eventos! Oportunidades especiais como a realização do Natal Festchê que sonhei ser mágico, e pra minha alegria ele foi! Olho para esses meses de preparação que passaram e não me arrependo de nada, pois realizei o meu sonho, realizei o sonho da minha família e de todos aqueles que me apoiaram durante a minha caminhada. Poder participar de uma Ciranda e ao término de todas as provas você sentir-se feliz, independentemente do resultado, é o que realmente importa, é a real concretização do sonho. O título é consequência. Eco – Ao chegar a tua cidade, qual a emoção ao ser recebida como Prenda Mirim do RS? Quando cheguei a Campo Bom, eu e a Renata fomos recebidas com uma carreata desde a entrada da cidade até o CTG M’Bororé. Quem nos recepcionou ao descermos do ônibus foi o Prefeito de Campo, o Sr. Luciano Orsi e sua esposa, a Sra. Kátia Palmeiro Orsi. Fomos convidadas, então, a subir no carro de bombeiros e desfilar por Campo Bom. Já anoitecia, mas foi lindo mesmo assim. São Pedro até colaborou e deu uma trégua com a chuva. Chegando ao CTG também teve queima de fogos e quando passamos o portão do CTG nós duas choramos muito, porque sabíamos que tínhamos realizado um sonho não só nosso, mas da nossa entidade e da nossa cidade também: dois títulos em um ano e uma Ciranda em Campo Bom. Todos ficaram muito felizes, e quando entramos no galpão fomos recebidas com uma grande festa, onde comemoramos muito. Fico muito feliz em lembrar de tudo, e sei que realizei um sonho de muitas pessoas, tanto da minha entidade, como da minha região (que comemorou um tri campeonato neste ano), e sei que todas essas pessoas foram muito importantes para esta conquista. Eco – Qual a tua expectativa para a gestão? Se somos a “nova geração dos 50 anos”, te- mos que ser exemplo, e por isso, mesmo sendo criança, espero poder contribuir com o Movimento, trabalhando muito durante o ano, aproveitando cada momento junto aos meus colegas de gestão, fortalecendo as amizades, conhecendo muitas cidades, comparecendo a todos os eventos possíveis, conhecendo as prendas e os peões regionais e de entidades (principalmente as Mirins e Piás). Quero continuar minha caminhada e honrar o cargo que recebi este ano, representando muito bem o Estado que eu amo, O Rio Grande do Sul! Livro: “Harry Potter” (todos os livros) Comida: Bife na chapa (do CTG M’Bororé) Filme: “Animais Fantásticos e Onde Habitam” TEMA QUINQUENAL: “PROJETO SOCIAL MTG - VOLUNTARIADO”

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TIRO DE LAÇO Foto:Arquivo 65 ANOS D Tiro de laço, de forma competitiva, completa 65 a O Jornal Eco da Tradição passou dois dias na cidade de Esmeralda conversando com mora Localizada na região nordeste do estado, em uma área conhecida como “Campos de cima da serra”, que dá inveja aos cartões postais por suas belezas e exuberâncias, está Esmeralda, que, quando Vila, denominava-se São João Velho, povoado que nasceu ao redor da igreja São João Batista – 5º Distrito, pertencente à cidade de Vacaria. Estas terras eram de propriedade da família Velho. Mais tarde passou a chamar-se Vila Esmeralda, pois o médico que atendia a localidade (por volta do ano de 1900), Dr. Antônio Dias Fernandes, quando atendia aos doentes sempre dizia: “Quando um dia mudarem o nome de São João Velho, troquem por Esmeralda, devido a beleza de seus campos ondulados, suas matas abundantes e seus pinheiros verdejantes e também porque é esta a pedra preciosa verde, que é a esmeralda de meu anel”. Na sede da vila, existia um estabelecimento comercial, construído em madeira. Ali funcionava uma selaria de propriedade Antônio Oliboní, de apelido “Carlon”, que manejava como ninguém o preparo do couro, para a gauchada utilizar nas fazendas. A casa comercial era ponto de encontro para o mate, para os causos, ou mesmo para o trago. Dizem que, nas tardes de verão ou no frio do inverno, ninguém deixava de frequentar a casa do “Carlon”, pessoa que era tida como muito hospitaleira – descreve assim Luiz Carlos Bossle da Costa, autor do livro que fez um resgate histórico sobre o tiro de laço e defendeu uma proposta sobre o assunto no Congresso Tradicionalista gaúcho, em Caxias do Sul, em 2002. O futebol como arquétipo Foi em um desses encontros na selaria, que um grupo de pessoas apreciadoras do esporte mundial, que era o futebol, sabendo que naquele lugar encontravam-se pessoas que representavam a sociedade nos mais diversos segmentos, querendo homenagear Alfredo José dos Santos, o convidaram para participar da criação de um time, do qual ele seria o “Patrono de Honra”. Alfredo ficou honrado com lembrança, mas como não era do seu gosto aquele tipo de esporte, declinou da honraria, mas mesmo assim deu um jeito de contribuir com a criação do time. Alfredo gostava mesmo era de laçar uma novilha na porteira de uma mangueira, vinda do fundo e com corrida formada. Então, naquele momento nascia a ideia de um desafio para ver quem laçava melhor. Em uma época que existiam poucas vacinas para as doenças dos animais – ao contrário de hoje –, febre aftosa ou bicheiras eram tratadas a campo aberto. Então os peões tinham de laçar o gado e isso exigia muita habilidade. Quando perguntado para alguns senhores, nascidos por aquela época, por que o quadro de laçadores era formado de dez homens, a resposta sempre é a mesma: Por causa dos times de futebol (sem o goleiro, é claro). Pelo que informou Irineu Nery da Luz, o grupo de jovens, liderados por Alfredo José dos Santos, começou a praticar o tiro de laço e, este fato, Na foto, o Parque de Rodeios de Esmeralda (vista aérea) que leva o nome de Alfredo José dos Santos. A O reconhecimento, no 47º Congresso, em Caxias do Sul PROPOSIÇÃO Nº 7 - TIRO DE LAÇO DE FORMA COMPETITIVA ORIGEM E FUNÇÃO CULTURAL DO RODEIO CRIOULO. AUTOR: Luiz Carlos Bossle da Costa (Atual Patrão do CTG Porteira do Rio Grande, de Vacaria/2017) RESUMO: O Autor apresenta urna série de registros históricos da Região dos Campos de Cima da Serra, mais precisamente em Esmeralda, na década de 50, 5º Distrito de Vacaria, quando o campeiro Alfredo José dos Santos, teve a ideia de criar a “Competição Tiro de Laço”. Alfredo era homem conhecedor das lides campeiras e exímio laçador e ao ser convidado para um jogo de futebol, onde seria Patrono de Honra, negou-se justificando que se fosse para laçar uma novilha de encomenda estaria pronto. Desta sentença para a ideia foi um passo. Criou-se a ideia, veio a formação de um Quadro de Laçadores e daí a outro, para a competição. O autor ilustra seu trabalho com as seguintes datas: 14.11.1951, 1º Treino de laço deste primeiro Quadro de Laçadores; 04.02.1952, 1º Rodeio, em função da criação da segunda equipe de laçadores. Complementa o trabalho falando do regulamento da competição naquela época, e a cancha como era formada, comparando com as regras atuais. Ainda sobre a função cultural dos rodeios e o significado econômico dos mesmos. RELATOR: Cyro Dutra Ferreira - que deu PARECER: Favorável MANIFESTAÇÕES FAVORÁVEIS: Sinval Brum, fez a entrega de uma série de documentos sobre a cidade de Esmeralda, aproveitando para colocar a cidade à disposição para sediar a Festa Campeira do Estado; José Oliveira e Silva, ex-Prefeito de Esmeralda disse da tradição da cidade no Tiro de Laço; Paixão Cortes, Conselheiro Benemérito do MTG, que discorreu sobre a história do Tiro de Laço Competitivo. Em votação o parecer foi aprovado por unanimidade. Criado em 10 de janeiro de 1958, o CTG Pelego Preto tinha como orador Irineu da Luz Virgili

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DE CULTURA anos. Conheça a origem e a função cultural do rodeio crioulo adores, pesquisadores, professores, autoridades e pessoas que viveram com os pioneiros do tiro de laço no município. originou os treinos individuais. Eram realizados vários treinos e as atividades campeiras começaram a tomar forma, com o gado largado campo a fora. As atividades despertaram a curiosidade das pessoas que começaram a aparecer para ver o que acontecia. “Dona Aurora, esposa do senhor Ataliba Kuse, começou a fazer bolo frito e mate doce” – conta seu Irineu. Vinham famílias da região e convidados, pois essas lides aconteciam sempre nos finais de semana. Surgiu então a ideia de fazer um treino organizado na Fazenda de Ataliba Kuse, no dia 14 de novembro de 1951. O gado foi emprestado por Valter Oliboni Brehm. Então, no dia 04 de fevereiro de 1952 foi realizado o primeiro torneio de laço de forma competitiva, na Fazenda de Jorge Tigre, com duas invernadas: Rodeio do Alto e Violetas. O primeiro grupo de laçadores se chamava Invernada das Violetas e o líder era Alfredo José dos Santos. O segundo foi a invernada do Guabiju (que mais tarde passou a se chamar de Rodeio do Alto), da localidade de Guabiju, o líder era João Ferreira. João Ferreira dos Santos, campeiro por excelência, domador, exímio laçador, praticamente imbatível, pois as armadas eram livres de tamanho e ele usava-a pequena, não errando um tiro. Foi a partir daí que começou a ser discutido quanto ao tamanho da armada. Era necessário um regramento para as disputas. As festividades de inauguração aconteceram entre 27 e 30 de novembro de 2008. Neste local também é realizado “Um canto à José Mendes” INFOGRÁFICO DO TIRO DE LAÇO 1908 Alfredo José dos Santos Nasceu o pioneiro do Tiro de Laço competitivo no RS 1951 Surge a Chama Crioula - 1947 Paixão Cortes Grupo dos 8 Fazenda de Ataliba Kuse 14 de novembro 1º Treino de Laço 1947 1955 Acontece o 1º Torneio de Laço no RS Fazenda de Jorge Tigre Patrão Dorival Guazzelli 1952 Fundado o CTG Porteira do Rio Grande 15 de fevereiro falece o Pioneiro do Laço 2002 Alfredo José dos Santos 47º Congresso Tradicionalista Reconhecimento de Esmeralda como local do 1º 1968 Tiro de Laço competitivo origem dos Rodeios Em 2017, comemora-se 65 anos da modalidade 65 anos do Tiro de Laço 2017 Os ‘Quadros de Laçadores’ ou ‘Invernadas’ Durante estadia na cidade de Esmeralda, a editoria do Eco da Tradição conversou com três pessoas que fizeram parte dos primórdios das disputas de tiro de laço na cidade, quando ainda era 5º Distrito de Vacaria: Irineu Neri da Luz, José dos Santos Pacheco e Virgílio Lemos (todos citados por Luiz Carlos Bossle da Costa, em seu livro ‘Tiro de Laço – Origem e função cultural do rodeio Crioulo’/2012). Nele, é lembrado que o primeiro grande desafio foi entre a “Invernada de Laçadores Fazenda das Violetas”, de Alfredo José dos Santos e o “Quadro de Laçadores Rodeio Alto”, liderada por João Ferreira dos Santos. Depois, em 1967, já eram oito equipes na segunda festa campeira promovida pelo CTG Pioneiros do Laço, de Esmeralda, mais um torneio intermunicipal com os CTGs Piquete da Querência, de São José do Ouro, Rodando Chimarrão, de Maximiliano de Almeida, Alvorada dos Pampas, de Barracão, Querência do Prata, de Nova Prata, e a invernada campeã do CTG Pioneiros do Laço, de Esmeralda. De atração, ainda, uma penca de petiços, churrasco e fandango. Fotos:Rogério Bastos io Bernardino de Lemos, um dos pioneiros do laço Irineu Nery da Luz foi homenageado na FECARS, no ano de 2012, em Canoas Os pioneiros do Laço Pelo que ficou escrito e é contado pelos moradores e fontes entrevistadas, o Quadro, ou invernada de Laçadores da Fazenda das Violetas, equipe de Alfredo José dos Santos era formada por José de Lemos Pacheco, Bento Teles de Abreu, Sezefredo Bernardino de Lemos, Manoel Eugenio da Mota, José dos Santos Pacheco, Virgilio Lemos, Honório Luz, Gomercindo da Luz, Rui Amarante contando, mais tarde com Irineu Nery da Luz (um dos informantes) e Hugo Lemos que ajudaram com “as escritas e regramentos”. Fonte: Costa, Luiz C.Bossle. Tiro de Laço. Origem e Função Cultural/2012

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12 NOTÍCIAS Ano XV - Edição 192 Colaboração: Jeferson Quadros Subcoordenador do Delta do Jacuí Agosto de 2017 FÓRUM DA DANÇA Por: Madeline Zancanaro Diretora do Dpto de Danças do MTG Ações culturais movimentam o Delta do Jacuí na 1ª RT 2ª Gincana Cultural do CTG Cruzeiro do Sul O final de semana ensolarado e de temperaturas agradáveis dos dias 01 e 2 e julho, colaborou muito para o grande sucesso da 2ª Gincana Cultural do CTG Cruzeiro do Sul, de Guaíba. O evento contou com a participação de muitos jovens das Comissão organizadora acompanhados do Diretor Artístico invernadas da casa do Delta do Jacuí, Jairo Boneberger, e de vários integrantes de entidades coirmãs. Já no dia 22, foi organizada uma palestra sobre o ‘Campeirismo Gaúcho’. O palestrante do evento foi o Diretor Campeiro do Delta do Jacuí, Anderson Oliveira. A gincana foi composta de muitas atividades onde as equipes tinham que ter conhecimento cultural, artísticos e campeiros, todos relacionados à tradição gaúcha. POR QUE DANÇAR? “O primeiro conhecimento do mundo, anterior a palavra, é o conhecimento do movimento, a dança é portando o “ser” no mundo, é a expressão orgânica do homem com o universo. Essa noção da dança como cinesia integrativa é muito antiga e tem através de história numerosas expressões culturais”. (Rolando Toro) Com o pensamento de Toro, e para quem gosta de dançar, as próximas matérias irão abordar os benefícios da dança para todo e qualquer ser humano, com limitações ou não. Dançar faz bem para o corpo, para mente e para o coração e não importa o estilo escolhido para dançar, o que vale é deixar o corpo em- balar-se ao som de algo ou ao ritmo melódico do gosto de cada um. Dançar desenvolve várias habilidades motoras, sensoriais e de cognição, trazendo benefícios para a saúde física e mental de cada indivíduo em qualquer faixa etária, e não há contra indicações, ela se adapta as possibilidades de cada um. A dança melhora a desenvoltura corporal, a flexibilidade, a coordenação motora, a memória, queima calorias, tonifica a musculatura, melhora o sistema cardiovascular, trabalha a auto estima, diminui a ansiedade e melhora a socialização. Entende-se que por todas as razões escritas anteriormente dançar é importante para a vida, então dance, liberte a alma e seja feliz. União e participação foi resultado do evento em Jaguarão Palestra sobre a História de Guaíba No dia 03 de julho, o CTG Darci Fagundes, de Guaíba, promoveu uma palestra: “História de Guaíba”, tendo como mi- nistrante Janaína Bach. A palestrante promoveu através do material didá- tico da sua apresentação e do seu conhecimento de causa sobre o assun- Janaina Bach palestrou sobre história de Guaiba to, um momento de muito aprendizado e de esclare- cimentos sobre muitas dúvidas para os representantes das entidades que tem interesse em participar do concurso municipal de prendas e peões. 1º Seminário de Arte e Cultura no CTG Gomes Jardim No sábado, 01 de julho, o CTG Gomes Jardim através do seu departamento cultural, organizou um grande evento, que se estendeu durante o dia todo e reverenciou a arte da declamação, das danças, artesanato e campeiro. O Seminário ofereceu aos seminaristas um momento de se aproximar e entender o contexto cultural das atividades mencionadas anteriormente, através dos renomados palestrantes do evento. A coordenadoria da 21ª RT colocou a juventude para trabalhar. Muitos dizem que o jovem tem que ocupar espaços, Silvania oportunizou isso. Com apoio da Coordenadora Silvania Affonso, a Apae e os departamentos jovens do CTG Lanceiros da Querência, PTG Pealo Amigo e PTG Raízes da Fronteira, realizaram dia 09 de julho, no auditório do Sindicato Rural da cidade, palestras voltadas à formação e aprendizados para os tradicionalistas. Os temas escolhidos foram: A origem do gaúcho, história do tradicionalismo, Chimarrão uma nova visão e Gestão Cultural – Construindo entidades sólidas. Quase cem pessoas estiveram presentes ao evento, entre jovens e patronagens, de CTGs e Piquetes. Os patrões elogiaram muito a atividade e as palestras em seus pronunciamentos. Os jovens apresentaram uma peça teatral, desenvolvida por eles mesmos, com apoio do departamento cultural. Um jeito jovem de mandar a sua mensagem. “Se hoje estamos aqui reunidos, unidos de alguma forma, aprendendo, é o trabalho desta coordenadora. Estamos contigo Silvania, basta prender o grito.” - esta era a fala repetida dos patrões em suas participações ao final do evento. A atividade também contou com apoio e participação dos departamentos jovens do Piquete Tradicionalista Gaúcho (PTG) Pealo Amigo, CTG Lanceiros da Querência, Invernada Bem Querer, da Apae, PTG Raízes da Fronteira, Coração de Potro, Pealo Amigo, Tiradentes, General Osório, Castelo Branco e PTG Aperreados da Fronteira. Emocionada, Silvania desabafou ao final: “Estou aqui por vocês. Essa energia que vem de vocês nos faz ter mais esperança. Difícil vai ser a hora de parar”. Foto: Rogério Bastos Seminaristas e palestrante Fábio Malcorra durante as atividades realizadas Coordenadora Silvania Affonso (E) chamou e recebeu o apoio das entidades da sua Região TEMA SEMANA FARROUPILHA 2017: “FARROUPILHAS: IDEALISTAS, REVOLUCIONÁRIOS E FAZEDORES DE HISTÓRIA”

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Ano XV - Edição 192 NOTÍCIAS Agosto de 2017 SAÚDE EM FOCO 13 Por: Mauro Gimenez Médico Tradicionalismo é tema de palestra em Caçapava Na tarde do dia 22, sábado, no CTG Sentinela do Forte, em Caçapava do Sul – 18ª RT, o peão do município, Lucas Mota, realizou uma palestra sobre tradicionalismo gaúcho e indumentária para crianças, que compõem os elencos artísticos de entidades tradicionalistas e escolas. “Com intuito de difundir a cultura gaúcha e promover um espaço de discussão e reflexão sobre as atividades artísticas, campeiras e principalmente culturais gaúchas, teve-se a ideia de trazer aos futuros tradicionalistas, noções básicas sobre nossa cultura e tradição”, relata Mota. Esta iniciativa partiu da preocupação na formação de nossas crianças enquanto multiplicadores dos processos de formação cidadã, usando como espaço de apoio tanto os CTG’s e Escolas, que propõe aos seus participantes e alunos atividades culturais. Foram realizadas diversas atividades após a palestra como: dança de salão, chula, oficina de nós de lenço, brincadeiras de recreação e um café coletivo. Essa atividade contou com o apoio da Prenda e Piá Municipal, Jhulien Loreto e Rodrigo Machado, além da Professora Luciane Stefani, do DTG Unidos Pela Tradição, da Escola Nossa Senhora das Graças, do CTG Sentinela do Forte e dos bailarinos Jhony Barbosa e Daniela Paixão. Foto: Divulgação DOAÇÃO DE SANGUE Nesta edição vamos falar sobre uma ação muito importante: a doação de sangue. O sangue funciona como um transportador de substâncias de extrema importância para o funcionamento do corpo. Além disso, quase toda a defesa do organismo está concentrada nele. É um tecido de extrema importância para o funcionamento da máquina humana e não pode ser substituído por nenhum outro líquido. Por este motivo a doação é tão importante. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o percentual ideal de doadores para um país esteja entre 3,5% e 5% de sua população. No Brasil esse número é preocupante, pois não chega a 2%. Esta quantidade, ainda sofre uma queda alarmante durante o inverno e as férias, períodos em quem os hemocentros são praticamente obrigados a operar com menos que o mínimo necessário. Alguns mitos levantados por pessoas sem a devida instrução têm colaborado para que os hemocentros recebam menos doadores. Entre eles estão:” Quem doa sangue uma vez tem que continuar doando pelo resto da vida”; “doação engrossa o sangue, entupindo as veias”; “A doação faz o sangue afinar, virar água, provocando anemia”; “Doar sangue engorda”; “Doar sangue emagrece”; “Doar sangue vicia”; “Mulheres menstruadas não podem doar sangue”; “Posso ficar sem sangue suficiente”; “Os doadores correm risco de contaminação”. Com certeza o doador não corre nenhum dos riscos citados acima. “A reposição do plasma leva 24 horas e os glóbulos vermelhos se reproduzem em quatro semanas. Entretanto, para o organismo atingir o mesmo nível de ferro que apresentava antes da doação, são necessários de 40 a 60 dias para os homens e de 50 a 90 dias para as mulheres. Todas as exigências de higiene são seguidas a risca para que o voluntário, o receptor e a equipe não corram risco de contaminação. O voluntário passa por etapas antes da doação que irão garantir este processo. Portanto a doação de sangue é extremamente segura. E só quem passou por necessidade desta substância vital sabe da importância da doação. Então, gauchada, vamos fazer um mutirão e salvar vidas. É gratificante e não custa nada. Intenção do encontro foi difundir a cultura gaúcha e criar um ambiente para debates Prendado Itinerante na 24ª Região Tradicionalista A gestão de Prendas e Peões, da 24° RT, apresentou o projeto denominado “Prendado Itinerante”, que tem o objetivo de incentivar os integrantes dos Departamentos Culturais das entidades da região a participarem da Ciranda Cultural de Prendas e do Entrevero Cultural de Peões. Disponibilizam a visita às entidades e realizam uma roda de conversa com a patronagem, prendas, peões e os familiares para explicar a respeito dos concursos culturais, bem como demonstrar as provas realizadas. Além disso, falam sobre a experiência deles e a preparação para os concursos. “Estamos a disposição para auxiliar a todos. Portanto, o projeto pode ser feito tanto antes, quanto depois da realização do concurso da gestão de interna das entidades” – Conta Luce Carmen Mayer - Coordenadora Artístico-Cultural da 24° RT – e que faz os agendamentos (51-999737695). O prendado itinerante esteve no dia 15/07 conversando com os candidatos ao prendado do CTG Rincão das Coxilhas, de Teutônia, dia 25, no CTG Tropilha Farrapa e no dia 28, no CTG Bento Gonçalves, ambos de Lajeado. CTG Tiarayu escolhe suas novas prendas e peões Fundado em 20 de setembro de 1962, o CTG Tiarayu, de Porto Alegre, 1ª RT, sagrou-se campeão do Enart, no ano de 2016, mas passou a buscar algo mais. Em sua história, escrita a muitas mãos, nestes 55 anos, diversas vezes ocupou espaços de protagonismo. Um exemplo é que o rodeio artístico e cultural do CTG, na década de 90 dava uma “amostragem” do que seria o concurso regional de prendas, tamanha era a concorrência. Vera Lúcia Menna Barreto, diretora cultural da 1ª RT, mas filha e sobrinha dos fundadores do CTG, ao apresentar o resultado do concurso relembrou momentos desta história Foto: Rogério Bastos que, segundo ela, devem ser reverenciados permanentemente, para evitar que sejam esquecidos, na troca de gerações. “A história do Tiarayu não começa agora. Devemos ensinar para as pessoas que chegam a importância de cada um no processo de construção destes 55 anos e do porvir” – disse Vera Lúcia. 1ª Prenda - Clarissa Lima de Lima 2ª Prenda - Thaís Quinteiro 1ª Prenda Juvenil - Carolina Gehres Moraes 2ª Prenda Juvenil - Anita Matusiak Chies Peão Farroupilha - Gabriel Soares Piá Farroupilha - Henrique Moraes Patronagem do CTG Tiarayu apostando na força da juventude TEMA ANUAL: “RESGATANDO OS LEGADOS DE 47 - 70 ANOS DA CHAMA CRIOULA E DO GRUPO DOS OITO”

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14 Ano XV - Edição 192 TROPEANDOVERSOS Por: Luis Afonso Orvalhe Diretor Departamento de Manifestações Poéticas NOTÍCIAS Agosto de 2017 Luis Afonso assume o departamento de Manifestações Espontâneas Luis Afonso Ovalhe Torres, 38 anos, iniciou no tradicionalismo aos sete anos, no CTG Chimangos, dançando e declamando, levado e incentivado pelos pais. Natural de Porto Alegre, está no Movimento Tradicionalista Gaúcho há 31 anos, e nessa caminhada cresceu declamando pelos palcos do RS. Pai da pequena Luma, casado, Administrador de Empresas, assume a diretoria das Manifestações Individuais e Espontâneas do MTG. Na minha trajetória, obtive muitas conquistas na arte, premiando em diversos rodeios, assim como em festivais de poesias inéditas e no Enart em três edições. Durante essa caminhada, sempre estive muito focado a aprender e compartilhar experiências. E neste ano de 2017, a convite da Diretoria do MTG, surge a oportunidade de assumir um cargo muito importante, de significado ímpar, por envolver uma arte a qual me dedico a tantos anos, de Diretor do Departamento de Manifestações Individuais Espontâneas, tendo o compromisso de resgatar valores, que, “na minha concepção”, foram perdidos ao longo dos anos. Por exemplo: a valorização do declamador e o respeito por suas escolhas poéticas, que muitas vezes foram vistas com certo preconceito, levados pelo gosto pessoal de alguns avaliadores. Trazemos a proposta da seriedade, responsabilidade, ética e principalmente a “credibilidade”, conduta imprescindível para quem se coloca diante da sensibilidade daquele que expõe sua arte. Esta nova equipe possui nomes já consagrados no cenário da declamação, assim como alguns poetas, que, apesar de terem um currículo vasto, não foram escolhidos por esse motivo, mas sim por terem como filosofia resgatar um tempo não muito distante onde se valorizava cada momento, cada obra, cada apresentação. A equipe trabalha com a convicção de que nem tudo é técnica, e sim, entende o conjunto da obra – todos em sintonia e em conformidade com o desejo de bem servir ao propósito a que foram solicitados. É um grande desafio aceito por todos que, em conjunto, farão as mudanças necessárias. Todo o cuidado é pouco para a preservação dessa modalidade tão significativa que envolve o sentimento e a emoção de cada indivíduo. Vamos trabalhar em cima do simples, do natural, do autêntico, do que emociona, do que toca o coração de todos. Não vamos rotular obras, poetas e principalmente declamadores. Todos serão iguais diante da arte. Desejamos muito sucesso e deixem se levar pelo coração, pela alma, pela emoção. Dançarinos, do Vale do Taquari, no Rio de Janeiro Dançarinos de Lajeado e Nova Bréscia realizaram um espetáculo de dança no Iate Clube do Rio de Janeiro, no dia 29 de julho. O convite surgiu através de Gisele Delazeri, que mora na cidade maravilhosa e trabalha no Iate Clube. Caroline Bouvie, do blog “Cantinho Gaúcho”, a mais empolgada com a viagem enviou notícias. “Foi uma bela experiência que levaremos sempre conosco” - afirma. O grupo apresentou danças tradicionais gaúJovens de Lajeado e Nova Brescia fizeram apresentação no RJ chas, danças gaúchas de salão, dança dos facões, chula e encerrou com uma integração, a polonese. Além disso, é claro, aproveitaram para visitar alguns dos pontos turísticos mais tradicionais da Cidade Maravilhosa, como o Pão de Açúcar, Museu do Amanhã, Museu de Arte do Rio, Orla de Copacabana, entre muitos outros. Na volta, o grupo trouxe na mala ainda mais amor pelo Rio Grande e orgulho em representá-lo também fora do Estado. Cultura ganha mais espaço e visibilidade na 5ª RT Por: Alyne Motta Visando oferecer conhecimento cultural, a 5ª Região Tradicionalista (RT), vem elaborando o Circuito Cultural, com eventos itinerantes. O objetivo, segundo a diretora cultural da 5ª RT, Mari Ana Diniz, é qualificar patrões, prendas e peões, seja para a participação em concursos, quanto para melhorar suas entidades. Um dos eventos aconteceu em 17 de junho, no CTG Rincão da Alegria, com o tema “Reconhecendo o departamento cultural”, tendo a participação do historiador Paulo Roberto de Fraga Cirne, o tradicionalista e membro da coordenadoria regional Pedro Oliveira e também a 2ª Prenda do Rio Grande do Sul, Caroline Scariot. Já em julho, no dia 12, no CTG Lanceiros de Santa Cruz, o assunto foi o tema dos Festejos Farroupilhas, “Farroupilhas: idealistas, revolucioná- rios, e fazedores de história”. O pales- trante da vez foi o historiador e editor do Eco da Tradição, Rogério Bastos, que também aproveitou a ocasião para dar ressaltar a importância da união entre os tradicionalistas. Outros eventos devem ser realiza- dos durante o ano. Para o coordena- dor, Luiz Clóvis Vieira, é preciso fortale- cer o departamento cultural dentro das entidades. “A parte campeira é forte e tem andado sozinha. Agora queremos impulsionar a nossa cultura pensando no amanhã, pois é aqui que se formam novos tradicionalistas”. Foto: Alyne Motta Palestrantes e coordenadoria da 5ª RT no evento realizado no CTG Rincão da Alegria Campo Bom domina o FestMirim em Santa Maria Foto: Arquivo Pessoal Um fenômeno toma conta das danças tradicionais categorias de base (mirim e juvenil). Se fizermos um levantamento dos últimos três anos, nos principais rodeios do estado poderemos constatar a presença dos grupos dos CTGs de Campo Bom entre os melhores. Claro que isso tem uma resposta concreta, chamada trabalho. Mas, também, tem um componente que é a tradição gaúcha nas escolas. Os instrutores Thaiane Dutra e Junior Maciel Prates tornaram-se bicampeões do FestMirim, com o grupo mirim, do CTG M’Bororé. O segundo lugar ficou com o Guapos do Itapuí e, o 5º lugar, com o Palanques da Tradição, também da cidade. Ronda Charrua, de Farroupilha ficou em terceiro e o CTG Aldeia dos Anjos ficou em quarto lugar. Thaiane Dutra e Junior Maciel Prates mais um título por Campo Bom TEMA SEMANA FARROUPILHA 2017: “FARROUPILHAS: IDEALISTAS, REVOLUCIONÁRIOS E FAZEDORES DE HISTÓRIA”

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Ano XV - Edição 192 Agosto de 2017 15 84ª Convenção Tradicionalista reúne centenas de pessoas em Lagoa Vermelha O 1º evento o�icial, depois dos concursos regionais, reúne centenas de pessoas ligadas ao tradicionalismo na capital gaúcha do churrasco. Grandes decisões mexeram com regulamentos dos departamentos campeiro, artístico, cultural e de esportes A Convenção Tradicionalista acontece anualmente (de forma ordinária) para aprovar, alterar ou reformar o Regulamento Geral do MTG, códigos e demais regulamentos; fixar os níveis das contribuições dos filiados e seu período de vigência; criar, extinguir ou desmembrar Regiões Tradicionalistas. Este ano, a sede da 84ª edição foi Lagoa Vermelha, no CTG Alexandre Pato, e reuniu centenas de tradicionalistas para debater as propostas que foram enviadas. Além dos debates das propostas que envolviam todos os departamentos (campeiro, artístico, cultural e de esportes) a convenção teve momento cultural no qual foram apresentados causos e contos de João Simões Lopes Neto, além de música. Os jovens, liderados pelas prendas e peões do RS, aproveitaram a grande participação e organizaram três grupos, divididos nas categorias mirim, juvenil e adulta, para fazer atividades. Fotos: Rogério Bastos Nairo lançado presidente para 2018 Em um pronunciamento conjunto, os coordenadores regionais, liderados pela coordenadora da 7ª Região Tradicionalista, Gilda Galeazzi, organizaram uma manifestação de apoio à reeleição do atual presidente do MTG, Nairo Callegaro, para a eleição em janeiro, no Congresso, na cidade de São Jerônimo. Após a manifestação dos coordenadores Nairo disse que não era sua intenção concorrer, pois tem muitos afazeres, pelo fato de não ser aposentado e depender de seu trabalho. “Mas fico feliz em ver que todos se uniram em torno de uma proposta mostrando que estamos indo pelo caminho certo”. Ao usar a palavra, o coordenador Carlos Moser, da 30ªRT, chamou os conselheiros do MTG, que fazem parte da sua região e entregou um quadro com o apoio das entidades locais. Algumas aprovações da Convenção Confira tudo no site: www.mtg.org.br Aprovadas as propostas artísticas Proposta: Referente ao número de compo- nentes de músicos. Alterar para no mínimo dois e no máximo cinco músicos nas forças A e B. Proposta: Refere-se à avaliação da música que compõe a nota final do grupo de danças. Não haverá graduação entre o 0,0 e 1,5 de cada quesito de avaliação, constatada a infração aos quesitos tradicionalidade e originalidade através da voluntária deturpação do ritmo, gênero ou inclusão ou supressão de elementos musicais fundamentais. O desconto será integral. Proposta: Altera o tempo para a finalíssima de declamação (domingo) que será de até 12 (doze) minutos. Proposta: No concurso de declamação, cada participante apresentará um entre três poemas de sua escolha, constantes de listagem apresentada à Comissão Avaliadora e escolhida mediante sorteio, no mínimo 10 (dez) minutos antes da apresentação. Proposta: Alterar o modelo de formação das inter-regionais, seguindo um critério de proximidade geográfica, permanecendo o agrupamento Presidente do MTG, Nairo Callegaro, ao centro da mesa, presidiu a 84ª Convenção Tradicionalista. Prendas e Peões do Rio Grande do Sul trabalharam bastante O registro fotográfico mostra o grande número de jovens Ciro João Winck, de Panambi e Gerson Ludwig, de Novo Hamburgo tornaram-se Conselheiros Beneméritos do MTG Momento cultural teve causo, musica e teatro de fantoche destas regiões. As vagas destinadas para a final será proporcional ao número de entidades participantes das forças A e B, nos últimos três anos. Sugestão de texto: Alteração do artigo 10 do Regulamento do ENART. As 30 regiões serão assim distribuídas: Região FRONTEIRA: 3, 4, 5, 9, 10, 13, 14, 18, 20 e 21 Região LITORAL: 1, 2, 6, 12, 15, 16, 22, 23, 26 e 30 Região SERRA: 7, 8, 11, 17, 19, 24, 25, 27, 28 e 29 Na final, teremos 34 vagas e serão distribuídas pela média dos últimos três anos separadamente força A e B. Ou seja 100% corresponde a 34 vagas. O total dos participantes e o número de vagas serão distribuídos proporcionalmente às inscrições dos últimos anos. Aprovadas as propostas esportivas Proposta: Em relação à Bocha Campeira o autor propõe diminuir a cancha de 40x10 metros para 34x10 metros, estágio no 10 e 20 metros. Continua com os 2 metros para iniciar a partida em cada cabeceira da cancha. Proposta: Na Bocha 48, limitar para o sexo feminino 9 metros de distância da linha de arremesso da bocha até do cepo. O sexo feminino arremessará de uma distância menor, devido as suas características físicas. Proposta: Unificar as bochas campeira e 48, ou seja, quem jogar a bocha campeira poderá jogar a bocha 48. Obs: quando a equipe de bocha campeira terminar sua partida, os atletas terão conforme orientação dos organizadores da modalidade, 15 minutos para se apresentar para comissão organizadora da bocha 48, para participar da modalidade. Proposta: aumentar o número de equipes (participantes) por região, ou seja, bocha campeira 3 equipes, bocha 48 7 equipes, truco cego 7 equipes, truco de amostra 7 equipes, tava 7 equipes, tetarfe 7 equipes e solo 7 equipes. Com o aumento das vagas que já e um pedido de longa data, as regiões com maior disputa em certas modalidades, terão um número maior de vagas, assim abrilhantando mais o evento (2º Enecamp).

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