Confrades da Poesia87

 

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Poesia Lusófona

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano IX | Boletim Mensal Nº 87 | Agosto 2017 CONFRADES DA POESIA www.confradesdapoesia.pt - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO/UNIVERSAL» Neste ano 2017 vamos iniciar as edições do nosso boletim, na expectativa de que ele progrida em cada ano transformando-se num elo mais forte em prol da poesia. Nesta conformidade esperamos uma colaboração mais empenhada de todos dos nossos poetas membros que nele participem, para que o nosso boletim dignifique cada vez mais a poesia e seja um verdadeiro orgulho para a nossa organização poética. SUMÁRIO EDITORIAL A Voz do Poeta: 2 Ecos Poéticos: 3 / Bocage: 4,5,6,7 / Reflexões: 8 Contos e Poemas: 9 Confrades: 10,11,12 / Tribuna do Vate: 13 / Cantinho Poético: 14 / Links Amigáveis: 15 Rádio Confrades da Poesia: 16 O BOLETIM Mensal Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono e outros países “; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona, no acréscimo da Poesia Universal e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Para nós não existe concorrência. Existem parceiros de actividade! Tribuna do Vate …. página 13 Rádio Confrades da Poesia página 16 Nesta edição colaboraram 68 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Bimestral Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | A Direção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador | Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Mendes | Ana Santos | Anna Paes | António Barroso | António Boavida Pinheiro | António Martins | Arlete Piedade | Arménio Correia | Carla Carvalho | Carlos Alberto S Varela | Carmo Vasconcelos | Catarina Malanho | Clarisse Sanches | Conceição Tomé | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Fitas | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Fredy Ngola | Glória Marreiros | Helena Fragoso | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Ilze Soares | Isidoro Cavaco | Ivanildo Gonçalves | João Coelho dos Santos | João Furtado | Jorge Vicente | José Chilra | José Jacinto | José Maria Gonçalves | Lili Laranjo | Liliana Josué | Luís Filipe | Marco Alvarenga | Maria Alexandre | Maria Brás | Maria Fonseca | Maria Fraqueza | Maria Mamede | Maria Moreira | Maria Petronilho | Maria Vit. Afonso | Mário Nascimento | Natália Vale | Paco Bandeira | Pedro Valdoy | Rita Rocha | Rogério Pires | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Telmo Montenegro | Tito Olívio | Vitalino Pinhal | Vó Fia | Zzcouto | … Ver restantes no site.

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2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 87 - Agosto 2017 «A Voz do Poeta» Evoco Esparta Eu queria viver… Praia da Rainha Por ver tanta ganância neste mundo Eu evoco de Esparta os sóbrios usos Leônidas relembro, rei facundo Que só esbanjou coragem c’os intrusos. Conjuro a educação n’essa urbe antiga Onde o respeito aos velhos era lei E quem malbaratasse era banido Como gente mal querida pela grei. Aos jovens competia a contenção Como princípio mor a respeitar E a conduzir na vida a sua acção, E cedo o seu dever era zelar Plo sossego das gentes e do chão D’amada pátria, o seu cimeiro altar. Eugénio de Sá - Sintra AFETOS Perdi os afetos que tinha no peito, no dia em que as magas fizeram bailado na cinza da noite, calando o meu brado no vinco da colcha que estava em meu leito. Deitei-me na cama, vazia, sem jeito. Olhei para o céu e revi um telhado trazendo lembranças dum grande silvado ferindo-me a face, onde agora me deito. Talvez, amanhã, ao romper da aurora, eu tinja mil noites, sombrias, de outrora, com tinta dos versos que não foram lidos… Depois, entre flores, irei pelo mundo, levando nos braços um cesto bem fundo, Pra pôr os afetos que foram perdidos. Glória Marreiros - Portimão ENCANTO Encanta-me essa fome de ternura, que emana dos teus olhos para os meus, quando, unidos, sentimos a loucura do desfraldar do tule de mil véus! Encanta-me essa pele, essa frescura, a saudade que envolve o nosso adeus. No meu abraço esqueces a amargura, deitado no teu colo... sou um deus! Eu queria viver no sol radioso Perene de energia, sempre a bailar, Ou na lua com seu ar vistoso E com seus raios poder bailar. Quem deslumbra o Litoral Ali à Costa juntinha No mais dourado areal Fica a PRAIA DA RAINHA. Eu queria viver na distante estrela Fulgurante e sempre a cintilar. Eu queria viver em qualquer esfera Ainda que estivesse sempre a brilhar. Suas dunas naturais Quase beijadas plo mar Onde quando há vendavais As gaivotas vão poisar. Eu queria viver num astro ou planeta Em qualquer um objecto voador Meteoro astróide ou num cometa Mas onde existisse a lei do amor. As acácias verdejantes Perfumam o ambiente Convidando os visitantes Pra este espaço atraente. Mas aqui, neste pequeno lugar, Onde só há ódio, só há guerra Aqui não, só se sabe estragar, Só isso faz ser vivente da Terra. Amplo estacionamento Quase todo calcetado E sem grande agitamento De acesso facilitado. Rosélia Maria Guerreiro Martins P.Stº Adrião - Loures Rosas da vida As frágeis rosas da vida, que colhi, Por caminhos talvez irreflectidos, Tinham longos e duros espinhos, Mas, ao colhe-las, também aprendi: Onde nascem espinhos pontiagudos e ferinos, Também nascem pétalas radiosas, aveludadas, Que exalam fragrâncias delicadas, Para inebriar vivamente os meus sentidos! Sua água cristalina Ondas com moderação São na areia limpa e fina Paraíso de Verão. Praia muito procurada Também preferida minha Por muitos considerada Ser das praias a RAINHA !... Euclides Cavaco - Canadá São Tomé - Laranjeiro Desvariado Que a norma só existe nos compêndios Já Elmano provou, poeta-mor, Com mil cheias no peito a par de incêndios, Altares de fúria a revezar amor. Bom livro não encontra um editor Tomam lugar de ganhos os dispêndios, E tanto o justo como o pecador, Um advogado em tom igual defende-os. Em Dezembro visita-nos o sol, Traz-nos o mês de Agosto chuva e frio, É peluda mulher, homem, pelado. De alterações é infinito o rol. Anda tudo em perfeito desvario, E não hei-de eu andar desvariado? Em jeito de homenagem Parabéns aos amigos Aqui em homenagem Aos poetas antigos Em boa camaradagem. Intenção especial Para o amigo Euclides Neste evento anual Pois dele não prescindes. Eis-te com tua alegria Num encontro de poetas Lendo-nos com euforia Tuas obras bem selectas. No nosso jantar de fados Entre amigos e poetas Estamos todos enlevados Com amizades concretas. Tito Olívio - Faro Lauro Portugal - Lisboa in Rio do Desvario Amadeu Afonso Cruz de Pau / Amora

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 87 - Agosto 2017 «Ecos Poéticos» 3 SESIMBRA Presépio da Natureza À beira mar plantada Entre colina guardada Numa encantada baía Se ergue Sesimbra formosa Que exala como uma rosa Seu perfume e galhardia. Refúgio de pescadores De gerações seguidores Que no mar o pão granjeia Por isso o nosso Camões Fez a Sesimbra alusões Na sua heróica Epopeia. Seu moderno brilhantismo Aqui atrai o turismo P’la praia e gastronomia Ou mil outros pergaminhos Como os seus velhos moinhos Pedaços de nostalgia. Presépio da Natureza De deslumbrante beleza Sesimbra não tem rival. Do alto do seu castelo Vê-se o cenário mais belo Das terras de Portugal. Euclides Cavaco - Canadá Poema ao Tejo Hei-de voltar p'ra me deleitar, expectante, na limpidez do Tejo, reflectindo as luzes multicolores de neons, estrelas, arrebol… Hei-de voltar p'ra viver o encanto etéreo, sedutor... E, apaixonadamente, exaurir esta saudade imensurável... Hei-de voltar p'ra sentir o sol, de Verão, a mordiscar a pele… Sentir o cheiro da maresia… O odor tonificante da bica... E, numa simbiose musical, escutar: - O riso da criançada… - O assobio de quem passa… - O latido da cachorrada… Filomena Camacho - Londres REMORSOS São cinco prás duas, mas andam à solta Duendes, fantasmas e mais bicharocos. Na dança das noites, que não têm trocos, Ideias sem forma partiram, sem volta. Na letra cantada da vida, que passa, Penduram-se as cores escuras, fugazes, Das horas perdidas, vãs, falsas, mordazes. E podem ser úteis, mas falta-lhes graça. Vento Não posso mudar o vento, Mas posso ajustar as velas. Eu ouço no seu lamento, As suas trovas mais belas! São trovas para embalar, Têm melodia mais bela. Com a «musa» a proclamar Junto da minha janela! Interiorização No que restou de mim busco a verdade das quimeras marcantes que plantei Do tudo o que mais quis sinto saudade na ausência de saudade a quem me dei Ah, esta frustração que hoje me prostra numa interiorizada dor sentida que nenhuma alegria de mim mostra e no meu rosto a traços marca a vida Deambulo em pedaços neste mundo de tropeço em tropeço sem mais jeito porque todos os males calam bem fundo e os bens não me merecem qualquer preito E assim em consciência a culpa assumo De tantas culpas minhas e de tantos Pra quê ver dissipado todo o fumo Se é entre fumos que amamos os santos? Eugénio de Sá - Sintra Luz ao fundo do túnel Depois da greve: Íamos muito em breve Ver a luz ao fundo do túnel, Foi o que prometeram, Olhando-nos de esguelha. Cumpriram, na verdade, Quer quanto à luz quer quanto à brevidade, Só não disseram Que a luz era vermelha. Lauro Portugal - Lisboa in Rio do Desvario O que eu gosto... Vai rareando Eu gosto do tempo, que passa moroso, Se toca, se apalpa, se bebe, gostoso, Mas nem o amor serve de abrigo seguro, Pois restos ficaram, no além do que foi, Farrapos e lixo, lembrança que dói E fica connosco durante o futuro. Tito Olívio – Faro Jorge Vicente Friburgo / Suíça Sou como o fogo realmente que arde em velocidade que se apaga de repente sem o combustível da maldade. Agora com esta idade Acaba por ser a verdade Que me ateia a saudade Quem eu fui e quem eu era Hoje parece-me quimera Mantinha a minha postura E quando chegava a altura Fazia uma bonita figura Com os anos que vou somando O que eu gosto... vai rareando Vitalino Pinhal - Sesimbra Zé Albano - Celorico da Beira

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4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 87 - Agosto 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» Vila Real de Santo António Lá no fim de Portugal Como cidade raiana Ressurge Vila Real Na margem do Guadiana. Dum burgo que aqui havia Santo António da Arenilha A cidade nasceria Já cheia de maravilha. Sua praça pombalina É a sala de visitas Tem atraente marina E muitas coisas bonitas. Ruas perpendiculares Com casario ordenado As formas peculiares Dão-lhe aspecto refinado. Tem como característica Um comércio de eleição Cidade muito turística Na época de Verão. Berço de António Aleixo Um poeta genial Este poema aqui deixo Para ti Vila Real !... Euclides Cavaco - Canadá Ensaio Este ensaio promete viajando em tuas trovas nada nos compromete ninguém tem provas! Nestas quadras à fluir tem suave acariciar estimulante é sentir teu insinuante olhar Envolvente atração euforia sinto perto centelhas de explosão ao caminho concreto Amor...chama ardente plasma d´alma paixão é essência do presente intruso entre corações. Efigênia Coutinho Balneário Camboriú Poema sobre o Cante Alentejano (Património da Humanidade) Foi na UNESCO hoje aprovado Na sua Assembleia-geral Com todo o Mundo partilhado Orgulhoso o Alentejo e Portugal. Recebemos honroso galardão Que desde há muito merecido Mas graças à nossa tradição O nosso cante hoje distinguido. As nossas culturas imateriais Costumes e tradições alentejanas Coisas nas nossas vidas reais Dos homens e mulheres veteranas. Os jovens ficam responsáveis Nem mais nem menos alentejanos Todos têm que ser favoráveis Como foram os velhos veteranos. Cante alentejano distinguido Como Património Cultural Que desde há muito era merecido Deste reconhecimento mundial. Foi um grande reconhecimento Foi aceite e aprovada a candidatura Dos alentejanos em sofrimento Na preservação da sua cultura. Houve morosidade na decisão Mas todo o alentejano optimista Agora satisfeito com a valorização Que tornou o cante mais realista. Deodato António Paias – Lagoa Amizade Tudo que de belo tem a vida Temos que aproveitar, numa condição: - Para amizade ser bem vivida; Deve ser com amor no coração. Eu ofereço em cada dia Porque é leal e sincera Sai de dentro sem fantasia E de uma forma bem natural Porque sei que amizade É um sentimento mútuo Correspondente a um elo De afecto e fraternidade Por amor e carinho eu zelo, Para que tudo na vida seja mais belo! … Luis F. N. Fernandes - Amora À FLOR DA PELE Ontem abri aquele livro que ambos lemos, faz muito tempo! Recordei então nossos momentos e como palpitou por ti meu coração. Foi um querer vivido sem ligar aos ventos. Fiquei com a emoção à flor da pele, quando vi cair no chão, o que julgava serem pedaços de papel. Mas eram pétalas de rosa, cor de mel; - Secas, mas ainda perfumadas! Lembro-me como me apaziguaram a alma quando mas colocastes nas mãos ! Como eram aveludadas.... as pétalas que ali ficaram guardadas faz tempo, muito tempo! Virgínia Branco - Oeiras HOJE Hoje !... E sempre hoje... Muitos hojes seguidos Alguém livre !... Que esteja pronto !... Pronto para Amar ... Hoje !... Um hoje em cada dia . E nesse hoje ... De Hoje ... Ser tua cama ... Mas nunca... Cama vazia.... Ser TUA!... Matar desejos ... Como sempre sonhei ! Hoje ... Quero Amar !... Quero partilhar ... Este fogo ... Que é Desejo !... De Amar ... E morrer ... Em teus braços ... Sem pejo !... Meu eterno ... E doce Amor !... MAGUI - Sesimbra Rimo por Rimar Não sou poeta É só a brincar! Rima como esta Para te demonstrar... Vítor Costa Oliveira do Hospital

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 87 - Agosto 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» 5 Fado do Desencontro De manhã fui prá janela E percorri a viela Com os olhos arregalados Pra ver se ao longe te via Para encheres-me de alegria Com esses teus olhos pardos. Lembrei-me eu do noivado Do anel lindo, dourado Que me puseste no dedo Chamei por ti sem te ver Fiquei louca, de morrer Desfalecendo de medo. O encontro foi marcado Mas não te tive a meu lado Essa manhã enevoada Todo o amor que te tenho É de tal força e tamanho Sem ti estou despedaçada. Todo o amor que te tenho É de tal força e tamanho Sem ti estou despedaçada. Ao nosso encontro faltaste Meu coração desprezaste Pois partiste para a farra Tanto eu que te pedi Que te lembrasses de mim E trouxesses a guitarra. Perdi-te assim nesse dia Foi grande a minha arrelia Por isso desfiz-me em pranto Plo peito senti tal calor Ao faltar-me o teu amor Que se sumiu por encanto. O encontro foi marcado Mas não te tive a meu lado Essa manhã enevoada Todo o amor que te tenho É de tal força e tamanho Sem ti estou desesperada. Todo o amor que te tenho É de tal força e tamanho Sem ti estou desesperada. Mário Matta e Silva - Lisboa É melhor ignorar a ignorância, do que perder o tempo, tentando entender o ignorante... Marco A. Alvarenga Balada da ilha Ó Terceira de fervor De beleza natural Tu és reino de amor Ó ilha de Portugal. Tu que cantas liberdade Em dueto paralelo; És fonte de amizade Por tudo o que é belo. Jardins, torres e altares, Brancura de alfenim, De convivas salutares Que vejo passar por mim. Ó Angra linda e vaidosa, Duma vaidade benquista És a baía mais formosa Do Santo João Batista. Ó terra de amor e luz Em tudo o que a vista alcança Foste e és de Jesus Com coração de criança. Criança se fez mulher De armas e bem-querer Dela fala quem souber O melhor dela dizer. Rosa Silva ("Azoriana") Angra do Heroísmo OLHO ATENTO! Não te fies na aparência, Que de brilho é revestida. Amiúde, a Inteligência C'o Saber é confundida. O Saber tem residência Na cabeça, seu rincão. Já a nobre Inteligência Reside no coração! Hermilo Grave - Paivas Elaborei muitos planos mas, esta vida é chacota. Sou apanhado p’los anos, e morro como um idiota! Jorge Vicente – Suíça Portugal em chamas O País está a arder E o Governo anda à nora!... Será que vão aprender, Com tanto erro, de agora?!... O cerco da Oposição É feito só com burrice No combate, lançam mão A meios, que são pulhice!... Reina a desorientação, No combate aos incêndios, Enquanto na Oposição, De asneiras enchem compêndios!... Há, apenas, um “bombeiro” Que está em toda a parte: - O Marcelo, que é pioneiro, Ao mostrar, nos “fogos”, arte!... Vai um ano muito bom, Para o negócio do fogo, Mesmo que suba de tom A denúncia do seu jogo!... Enquanto o contribuinte Continuar a pagar, Vamos ver, no ano seguinte, O mesmo afã de queimar!... O “diabo” lá chegou!... Veio passar férias cá!... Parece que até gostou… Não quer ir embora já!... Convidado pelo Passos, Já o foi cumprimentar, Condenando os erros crassos, Que ele faz e vai pagar!... Santos Zoio – Lisboa Mente de poeta Na mente de poeta Existem valores Moram ventos suaves Tempestades em alto mar Angústias silenciosas Paixão e dor Na mente de poeta Existe alegrias sumidas De alegoria Esperança Em poder ver-te Cheio de amor Para distribuíres em teu redor Damásia Pestana - Seixal

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6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 87 - Agosto 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» O MAIS PURO POEMA O que eu li,aplaudi Mergulhei em cada verso Assimilei este universo Iluminado que vi aqui. São linhas que professam Puro lirismo evolvente Único que processam Rica emoção na gente Ouça meu amigo Peço a Deus que ilumine O caminho da inspiração E que a cada dia Mais poemas construa Alegrando o nosso coração. Angélica Gouvea - Luminárias / BR Ecos da Primavera Gosto de escutar os ecos da Primavera Da chuva a tamborilar na minha janela Do calor do sol, do cabelo ao vento De ficar a sós com o meu pensamento Do renascer da vida, nas formas e cores Da exuberância e perfumes das flores. De sentir o pulsar inaudível da Terra De aspirar o ar leve e resinoso da serra De inalar o cheiro da terra molhada E da relva que acabou de ser cortada. Contemplar o infinito, onde o mar se esbateu E se fundiu com o azul anilado do céu De seguir o voo das aves riscando o espaço De sentir o calor amigo de um forte abraço. De perscrutar as cintilantes estrelas, E, saber que tanto eu como elas, (Mesmo que me digam o inverso) Fazemos parte do mesmo universo! São Tomé - Laranjeiro É dia da nossa Santa, Procissão em Chaviães ; Junto me a quem bem canta, Que oiçam até Fiães. Arménio Domingues - Melgaço EU ESPERO, Tantas vezes, sinto dor, Sem nunca, a ouvir falar, Tantas vezes, sinto amor, Sem ter, a quem abraçar, Quando sinto, aquela dor, Tu não vês, o meu sofrer, À muito quero, teu amor, E tu isso, não queres ver, Se eu pudesse,adivinhar, Que tens,no pensamento, Logo deixava,de te amar, Ou fazia:mos casamento, Para eu, não ficar a sofrer, Não me atrevo, perguntar, Porque esta dor, faz doer, E o tempo, custa a passar, Peço, não faças como eu, Deixa:-te pelo amor guiar, Se um dia,, o teu for meu, Então já te posso abraçar, Teremos um amor pateta, Mas ganhei o teu sorriso, Tu o amor, de um poeta, Eu perdi todo,o meu juízo, Há garras nos meus sentidos ( Inspirado no poema de Agustina Bessa-Luís "Garras dos sentidos" ) Há garras nos meus sentidos Pontos de apoio da vida São aduncas, mas devidas São duras, como os gemidos Há garras nos meus sentidos Plasmadas na dor do ser São curvas do padecer São saudade d’entes queridos Há garras nos meus sentidos Cravadas no coração São mágoas, desilusão Plos agravos recebidos Há garras nos meus sentidos Que não as quero quebrar São correntezas de mar São marulhares destemidos Nem quero lembrar d'amores São destinos corrompidos ! Eugénio de Sá - Sintra a.guilhermemartins S.Salvador-Porto AMOR E SENSUALIDADE! Certo dia um singelo elogio eu fiz e tu agradecestes com muito carinho. Meu coração bateu feito relógio e me apaixonei mais que rapidinho... Os versos que tu escreves para mim me deixa louca de amor e sensualidade. Vontade de abraçar e não te soltar para viver em eterna felicidade... MINHA MÃE Ó minha mãe, minha mãe, Só eu sei e mais ninguém O valor dos teus abraços; Foi tão grande o teu amor Que ainda sinto o calor Da ternura dos teus braços. Falta-me a tua amizade E é já tão grande a saudade, Ó minha mãe minha qu’rida, Que ninguém vai ocupar O vazio do teu lugar Na minha alma dolorida. Dia dos Anjos vem chegando e numa oração irei pedir. Que tu não me deixes jamais e que faça o nosso amor progredir... Minha felicidade é a tua felicidade nosso doce amor é a nossa vida. Meu coração vive feliz porque és o homem que me faz querida. ZzCouto - RJ/BR E em horas de solidão Sinto a dor no coração Por não me vires abraçar, Ó minha mãe, minha mãe, O meu peito já só tem Saudades p’ra te mandar. Não te consigo esquecer É um tormento viver Neste constante castigo, Ó minha mãe minha qu’rida Partiste p’ra toda a vida vida Mas estás sempre comigo. Isidoro Cavaco - Loulé

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 87 - Agosto 2017 «Bocage - O Nosso Patrono» 7 Ambas Choram e sorriem Tantas vezes comparei A mãe com a roseira Ambas têm muita alegria E tristeza a vida inteira A roseira pode chorar Em silêncio a amargura A mãe suspira e soluça P’los filhos em qualquer altura A roseira perde a beldade Como a mãe a alegria Mas ambas nunca desejam De ver chegar esse dia É na vida este destino Da comparação que fiz Tanto a mãe como a roseira Qualquer delas é feliz Refrão Não sei se alguém reparou Quando uma rosa cortou A roseira, seiva deitar Tal e qual também Fica aquela pobre mãe Vendo os filhos abalar. Chico Bento - Suíça VELHICE Ser-se velho é muito triste foi uma curta caminhada foi ter tudo e não ter nada é ir deixando o que existe Foi deixar correr os anos nesta vida que nos lacera é deixar quem mais amamos é deixar de ser quem era É deixar nossa existência ao julgamento Divino foi um ganhar de experiência foi caminhar sem destino Ser-se velho é ser criança é ter dores mas também calma mas o que nos mais fere a alma é perder-se toda a esperança A cabeça embranquece e o rosto fica enrugado o nosso sangue arrefece e á bengala encostado Acaba-se a Primavera e o sol já mais aquece deixa-se de ser quem era quando o homem envelhece. Vitalino Pinhal - Sesimbra CHORAR É… Chorar é um extrapolar, De sentimentos Muitas vezes confusos, De dor ou de alegria, Ou apenas de nostalgia. Chorar, pode ser saudade, De alguém que parte, Para uma além tão longínquo, Com ou sem muita idade. Para não mais voltar. Chorar, pode ser um sorriso, No rosto de uma mãe, Que acaba de gerar, A criança que de seu ventre Nasce, para a amar. Chorar, por lembranças Que magoaram, Por sentimentos feridos, Por amores perdidos, E não retornaram. Chorar é dizer que te amo, De uma forma mais expressiva, Que se faz muitas vezes escondida, Por vergonha e receio de demonstrar, Que temos sentimentos, Que podemos, Livremente, demonstrar. DOCE ACORDAR Acordas desejos que me anunciam Sedas que afagam o corpo em flor, Tocando recantos que não deviam Por deverem ser só meus por amor. Momento breve em horas intensas Deixa o olhar a brilhar encantado, Gestos que tu não fazes só pensas Dizem o corpo a querer ser amado. Se os corpos se tocarem ao de leve Irão abrir nos dois livros de lenda Dizendo o que se deve e não deve Sem temerem corrente que prenda. Há mãos e olhos que já despertam Vontades de mais querer ter e dar, Prazeres misturando dor libertam Murmúrios que adoçam o acordar. Joaquim F. Mendes Abreu (Quim d’Abreu) - Almada Mote: Social, em Portugal, Que ao pobre é recusado, Vai todo pró Capital, Que está mais necessitado! (Hermilo Grave) Glosa: Social, em Portugal, Por norma não dá em nada. Tem algo de imoral Cheira a coisa estragada. O apoio que é de lei. Que ao pobre é recusado. Vai direitinho eu sei, Algum prós cofres do estado. Já vai sendo habitual Que o ganho assumido. Vai todo pró capital Num social esquecido. Neste mundo em turbilhão O pobre é cerceado. Tudo se dá ao patrão Que está mais necessitado. Arménio Correia - Seixal Natália Vale - Porto A Terra da Meiguice Sou da terra da meiguice com cânticos de amor leal é essa a terra real aquela que sempre disse sem qualquer esquisitice ser o meu País natal. Do oceano peço o sal pra ir contigo ao mundo do encanto onde abundo Brasil também Portugal. Efigênia Coutinho Balneário/Camboriu SC/BR

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8 Confrades da Poesia - Boletim Nr 87 - Agosto 2017 > Bíblia Online < «REFLEXÕES» Atende-me, Senhor! Tu me colocas à prova, Senhor! para testar minha confiança em ti. A minha resistência inabalável mostra-me a dimensão do teu amor! Um novo desafio de ti procede, mais este obstáculo no caminho. Ainda que eu me queira desviar percebo que não queres que me arrede. Também tu, no monte das Oliveiras, pediste que o Pai de ti afastasse o cálice amargo na hora mais dura. E eu busco a ti, de todas as maneiras. Ai, meu Senhor! Estou desalentado! sinto-me impotente neste momento. A minha mente busca-te incessante, não deixa que eu me sinta malogrado. Quero uma nova chance de viver cheio desta alegria que me deste. Quero uma ponte firme ultrapassar segurando em tua mão a dor vencer! Mais JESUS e menos religião. JESUS é a semente da mulher! Madalena o cobriu, com seu manto! Na Montanha, sermão de bem-dizer: - TRINO: Pai! Filho! Espírito Santo Calvário, sangue precioso…flui Vidas despojadas e bens furtados, Mas JESUS p’lo milagre restitui Aos homens de fé mais acreditados! As Escrituras diz-nos claramente Com homens Hipócrates certamente, Interpretam Escrituras em vão… Mensageiro João - Fonte de Luz Ele…que abriu caminho a Jesus DEUS: - Mais JESUS! Menos religião… Pinhal Dias - Amora—PT Benedita Azevedo - Praia do Anil Eutanásia da Alma O maior atentado que fazes à tua vida é não deixares que a tua espiritualidade floresça. Calares a voz da tua alma. Omitires no espelho da mente o reflexo da tua luz. Andares na sombra por medo de ti mesmo. Atirares-te ao poço para fugir da verdadeira vida, a centelha divina que negas por cobardia. Por onde segues de costas voltadas aos outros e a ti mesmo? Respiras e andas, mas tens a certeza de que vives?! Meus Versos Sinto meus versos travessos Talvez até incoerentes Traduzem anseios submersos E ambições bem prementes. São fruto de arremessos De setas incandescentes Que atravessam os processos De sonhos vãos e deiscentes. São filhos da Poesia Que bordejou a vã magia Com que dourei minha vida Ah! Ilusão qual Alegria Redundou em Utopia Mas foi igualmente querida Maria Vitória Afonso C. de Pau/Amora Vai sonho meu Vai sonho meu dizer que existe num sonho, qualquer sonho o som mais triste dum oboé que chora ou dum violoncelo que grita e rói e mói e faz doer e em qualquer noite calma rala, mata, esmaga no coração a dita que um outro sonho semeou... ah, porque será que o amor nem no sonho vingou?! Maria Mamede - Porto Maria Petronilho - Almada E se E se eu fosse rico Um homem muito rico Riquíssimo! Tão rico Tão rico... Tão ganancioso Tão invejoso , O que a outrem visse, De uma agulha se tratasse Logo o invejasse, Valeria a pena ser rico? AP - Amadora AMOR voz da escuridão, deserto mágico… mistério profundo, palavras violadas pelo absurdo a falar, vazio contemplativo, nuvem de luz loucura da terra, barulho ausente, felicidade presente, fantasia real, pedaço de céu, Fredy Ngola - Angola “Se eu pudesse ser o Senhor do Tempo o apressaria, embora ao seu lado, o faria eterno...” (Marco António Alvarenga)

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 87 - Agosto 2017 «Contos / Poemas» 9 Inocência Faco amor com a poesia louca e apaixonada E porque e bela e Faminta Duradoura eloquente Nada me pode viciar Sou eloquente valente Fico aqui contigo Para ser feliz basta realiza-la A não ser se me proíbe De escrever o teu amor Dentro do meu ser transparente Sem fantasia as emoções Da poesia singela. Alice Palmira - Luanda/Angola SE AMANHÃ EU MORRER Se amanhã eu morrer, Peço-vos que não chorem, Porque me cansei de viver… Nesta vida cruel e dura, Que magoa e faz doer. Partirei com a sensação De missão cumprida, E com a emoção De entrar numa outra vida, Onde entes queridos, De braços abertos me virão receber. O que tinha de fazer, Fiz… O que tinha de andar, Andei… O que tinha de ofertar, Ofereci… O que tinha de amar, Amei… Entrarei numa nova vida, Sem guerras nem invejas, Sem hipocrisias nem fantasias, Sem traições nem desilusões, Uma vida serena e calma Em que encontrarei Felicidade, Rodeada de Luz e Amor Num novo plano, o da Eternidade. Natália Vale - Porto Poema Poema é tudo em meio ao nada. Poema é vida. Vida é poema. Tudo é poema. O nada também é poema. A dor é poema. A noite é poema. Poema é amor, paz, felicidade... Na solidão nasce poema. Rima poética, trova poética, prosa poética e tudo poema. Poema sou eu, você, nós, eles, elas, tu, vós, todos... O poeta faz poema. E o poema poetiza a história de um poeta. O que seria da vida sem poema? O poema profetiza conta e descreve a emoção, o amor, a plenitude do delírio ou da razão, o qual se fecunda em meio à poematização de uma existência. Dhiogo Caetano - Uruana / BR Drama Ao princípio ignorado dei-me à obra, E sobre a pedra dura li a escrita, Da massa tempestuosa que recita: - Senhor, Nosso Senhor, foi ela! Cobra!... Que dias frios são esses, meu Senhor? Chorei à sombra do meu ócio casto. Senti!... Eva e Adão mistério vasto! Assim me fosse... Assim fosse o amor... Sim! Confesso, no intento de me crer A Eve do cinzel das mãos de Rizzo, Um sonho a sacudir-me e nada ser. Teria obedecido a ti meu pai Não fosse eu condenar o paraíso Rumar estéril, aportar sem cais. Eliane Triska - Canoas / Brasil O Samba... O samba exige habilidade e sabedoria. Seus passos exigem harmonia e destreza. Os brasileiros, na sua maioria, gostam de sambar; todavia, é nas veias dos cariocas que corre com mais intensidade. Ao som de um tambor, emoções e corações energizam-se e a festa inicia. Samba... Alegria... Vida! Ilda Maria Costa Brasil / Porto Alegre /RS

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10 Confrades da Poesia - Boletim Nr 87 - Agosto 2017 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ MULHER Suavidade (im)própria à natureza, traz a força da Paz no sentimento, todo o sentido de que, com certeza, tem seu mundo real de encantamento. Mulher, fonte de amor e de beleza, toda vez, de seu rosto cai o pranto, que, ao se ver assim, co'a delicadeza de mil lágrimas, fortalece o canto!… Tendo a alma tão rica em sutileza, da tristeza, um poema em acalanto, que dissipa a tormenta com destreza, toda nuvem escura de seu manto. Sei que você, tão fraca e tão guerreira, neste mundo imperfeito, de incerteza, desfralda enfim a PAZ de uma bandeira que, Mulher, é seu lema de defesa! Rita Rocha - BR Sarasota Sem desgosto ou agonia Quando ela passa na rua apresada. Correndo cansada, Pensando no que tem que fazer. Seu riso se esconde... Mostrando no rosto, O seu grande desgosto. E a sua vontade de desaparecer! *** Pois sua vida outrora tranquila. Sem desgosto ou agonia, Que há viesse perturbar. Hoje, no entanto tudo mudou, Aquele que ela amou a abandonou. *** Desde então sua vida, Teve grande mudança. Aquele sorriso de bela criança... Que expressava alegria, E carinho também. No entanto seu sorriso, Não mais aparece. No seu belo rosto, De outrora. Sobressaem-se às rugas, Que infelizmente crescem. Brincando com o nome! Com os cegos me confundo Tenho nome próprio e, dois de apelido, Podem tratar-me somente – João, Gosto mais, João Belo – preferido. Resta o Pereira, noutra dimensão! João, meu avô paterno (falecido), Pereira, vem da mãe e avô Romão * Fica assim explicado tal ap’lido, Nome completo me dá sat’sfação! Mesmo que “feio”, todos os dias sou Belo! Ao pentear-me falo com o espelho… Entre aparência e real valor – um “duelo”! E, chego mesmo a ficar “sem trambelho”… Se alguém me ignora, ou me desrespeita, O que digo aqui, é puro – singelo! MOTE Com os cegos me confundo, Amor desde que te vi. Nada mais vejo no mundo Quando não te vejo a ti. (António Aleixo) GLOSA “Com os cegos me confundo,” Nem vejo saias de folhos; Mas porquê? Porque no fundo Só me vejo nos teus olhos. Fiquei assim num momento “Amor desde que te vi.” Pra vê-los estou atento, Não fujam eles dai. João Belo - Almada Quimera Se o homem adulto tornasse À pureza e governasse Com a ternura E a candura De uma criança O mundo tornar-se-ia mais belo E mais puro. Sim, fiz juízo profundo Pois quando em mim estão fitos “Nada mais vejo no mundo” Que os teus olhos tão bonitos. Levo comigo essa luz Que depois me traz aqui. Mas fico triste, ai Jesus, “Quando te não vejo a ti.” Clarisse Barata Sanches C.B.S. - Vila de Góis Assim, como adulto Com soberba E arrogância governa Com exacerbada Ganância de um predador. Sem fome Tudo come. Sem dor Sem um ui Nem sequer Um ai Destrói: sua mulher Sua mãe seu irmão e seu pai. TERRA DA MINHA VIDA Recordo aqueles troncos imponentes, na serra onde nasci e fui menina. E nem sequer sonhava com a sina traçada sobre linhas resistentes. Fui ave nas ramadas mais ardentes e encostas maquilhadas de neblina. Ouvi vozes de brisa calma e fina falar-me de saudades já dormentes. Toquei nas rosas bravas das roseiras que trepam por memórias e ladeiras, deixando antigos cheiros no meu rosto. Carmindo Carvalho – Suíça E vejo nesta terra mil peugadas dos beijos que não dei, nas madrugadas suspensas na agonia do sol-posto. Glória Marreiros - Portimão Vivaldo Terres - Itajaí / BR

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 87 - Agosto 2017 11 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ Modos de ver Rosas!!! SINTRA Sim, confesso, sou um romântico. Mas um romântico que não entende Aquela poesia barata Tão pobre, tão reles, tão banal, Tão recheada de nada, tão abstracta, Que apenas passa ou se vende Com rótulo de intelectual, Por entre o clamor de louvores Forjados nos bastidores. É que a verdadeira poesia Alia o real à fantasia, Mas deixa vogar a mente Ao sabor dum sonho, dum impulso. Não alinha, simplesmente, Meras palavras avulso Para que o leitor, desprevenido, Numa obrigação singular, Lhes tente dar um sentido Que não consegue alcançar. À falta de talento, medra a demagogia, E grassa a mediocridade Que, para além de deselegante, É demasiado frustrante Para quem gosta de poesia E a pretende com verdade. Nesta, tenta descrever-se o belo, Aprende-se a apreciar O mais suave tom da melodia, No céu, o esvoaçar mais singelo, A folha que se agita na corrente de ar, O raiar do sol ao nascer do dia E, à noite, o doce encanto do luar Com o seu cortejo de estrelas. Ah! Tantas, tantas coisas belas, Tanta ilusão, tanto desejo, Tanta palavra a definir um beijo Que se manda, em pensamento, Em sonho fugaz, passageiro, Embalado pelo vento Percorrendo o mundo inteiro. Ao longe, já se ouve um cântico De agradecimento e louvor E que se escuta com amor. Na natureza existe realeza E dos jardins as rosas são rainhas Rosas coloridas cheias de beleza As rosas brancas se coroam sozinhas. Entre as flores elas se destacam Com seu perfume e sua beleza algumas são frágeis e precisam estacas São e sempre serão as rainhas da natureza. Rosas brancas imaculadas Enfeitam e perfumam a procissão As crianças com elas são coroadas E coroam a Virgem Maria com devoção. Rosas coloridas adornam as festas Trazendo felicidade brilho e alegria As moças com elas enfeitas as testas E com as rosas vem a magia. A vida toda elas se apresentam E no velório na hora final Seu doce perfume nos acalenta. È verdade pura que as rosas rainhas são Em um pequeno ou grande jardim Elas sempre lá estarão. Maria Aparecida Felicori {Vó Fia } Nepomuceno Minas Gerais Brasil Fidelidade Amigo, hoje é teu dia, me apresso a ver-te, visto asas, e a distância não me impede de, lesta, voar pra ti, pra que se aperte nossa amizade, sem que trama a enrede. Mesmo que adormecida na aparência, ela semelhe ter perdido o enleio (por muito dividida na vivência) descrê do véu que a nubla de permeio. Que eu galgo montes, vales, mesmo oceanos, pra que sintas ao peito o forte abraço deste nó que não lasseia ao vir dos anos… Sintra, De Saloia apelidada Vila Velha tão conhecida Mulher, Rainha e amada Fidalga, nobre, bem querida; Sintra, Palaciana e mourisca Guardando lendas e enredos Tesouro de graça e mística Por esconder tantos segredos; Sintra, De natureza abundante Deslumbrando mil olhares Desde a Serra verdejante Até aos mais belos mares; Sintra, Sabe ser dos namorados Que nas fontes juram amores Deixando também apaixonados Tantos Poetas e Pintores; Sintra, Calçadas gastas nós trilhamos P`los seus becos e escadinhas Com musgos nós murmuramos Quando não espreitam vizinhas; Sintra, Vou descobrindo em seu povo Sinais de força e humildade Que imploram num sorriso novo Um mundo de Paz e verdade; Sintra, Sempre fresca e natural Misto de eterna emoção Património Mundial Que trago em meu coração. Luis da Mota Filipe (Montelavar – Sintra) Sem dúvida, sou um romântico! António Barroso - Parede Que seja maré viva e consentida, por corda firme atada em forte laço, enquanto for em nós, pulsante, a vida! Carmo Vasconcelos - Lisboa Farpas d'Alma Nídia Vargas Potsch – RJ/BR) Não importa o tempo que faça O entardecer sempre chega Com suas nuvens sombrias... Para no dia seguinte, com certeza, O sol brilhar de esperanças Em corações expectantes de amor... Arames cercam, não aprisionam pensamentos. Monte S. Michel No combate entre a luz e as trevas, Sempre foste fiel! Em tua honra ergueram a Abadia, No monte de Saint-Michel. Qual Jerusalém que desce do Céu! Eterna luta entre o Bem e o Mal, Melhor testemunho não há, Da era Medieval. Filipe Papança - Lisboa

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12 Confrades da Poesia - Boletim Nr 87 - Agosto 2017 «Confrades» http://www.confradesdapoesia.pt/ ASSIM É A VIDA INQUIETUDE De Noite Ao Luar Sei que tudo passará Até a doce ilusão Sei que não tenho lugar E nada mais restará Dentro de teu coração Aconteceu? ou sonhei Um sincero sentimento Aqui...em meu coração Eu sempre recordarei Meu, teu, nosso momento E quando a noite, chegar No meu mundo de encanto Voltarei a te encontrar Para teus lábios beijar Assim secarás meu pranto Amor não é passageiro Para descer, na paragem E p'ra sempre se perder Quando ele é verdadeiro Se transporta na aragem Viaja, p'ra te encontrar E recordarás com carinho Esta louca sonhadora Que viveu para te amar E cumprir o seu destino Amelia Ferreira - Santarém SER MULHER Ser mulher é ser um universo, Rótulos não cabem. Diante de tanta diversidade e pluralidade, Mulher é sempre ser em mutação, Em caminhada constante e livre, Rompendo grilhões, Gritando com fervor, Lutando por si e por todas, Rompendo paradigmas Orgulhosas de sua missão. Ser mulher é ser múltipla: Mulher, companheira, Esposa, mãe, filha, avó, Profissional de todas as áreas E, que mesmo com tantas tarefas Sua vida é pura doação. Isabel C S Vargas Pelotas, RS, Brasil Rude e sofrida Mas que sorte…mas que vida Que no tempo avança Com pouca ou nenhuma esperança Que o sol a ilumina Para além da ruina De encontrar neste Mundo Quem o ame a fundo!... Da vida são os primores Como nos prados as flores São cantos de feiticeira Donzela, com flor de laranjeira!... Este sonhar de feiticeiro Tem amor lisonjeiro Descobre os encantos D’um sorriso, de seus cantos!... Vida que és formosa De afectos, saudosa Fica falso amante Em quietude delirante!... Carlos Alberto S Varela (CASV) Paços de Brandão Será mito, ou vocação? Dar vida a muitas flores, Dar sorte aos amores: Oh Lua! És inspiração. Poeta em qualquer idade Maduro ou na mocidade Lhe falas ao coração. Hoje digo com verdade; O quanto sinto a saudade Dos tempos que já lá vão. Na lua nova vejo a meninice. Quarto crescente a juventude. Na lua cheia a atitude; Seja homem ou mulher A conseguir o que quer. Marcando a existência. E logo vem a decadência Com o quarto minguante, Eis que chegou a velhice; Passou a vida: num instante. Maria de Jesus Procópio Seixal ÁFRICA Não faz sentido! Nossas vidas folhas de cetim, amareladas, amarrotadas pelo tempo mesmo em desalinho, desacordo total: continua templo! Anna Paes - Brasília Mãe África, Mãe África, nós também somos teus filhos. O pigmento é que não se descolou do Coração. Mas Tu vês. Tu sabes. Tu sentes a nossa falta também. Não quero que chores mais. Ofereço-te a minha coloração esbranquiçada pelos genes antepassados. E “ desobestantemente”, as distâncias, as temperaturas e as políticas, sentirei sempre a Tua Mão na minha, eternamente. Os meus passos, é que ainda não souberam como me tirar daqui, mas ainda não desisti de Ir e Voltar a estar dentro de Ti. José Jacinto "N'Django" Casal do Marco (sobre o Amor) Neste mundo de dor Onde a guerra é constante Pratiquemos o amor Fazendo a vida brilhante. Vítor Costa Oliveira do Hospital Cada poeta é um MUNDO, Cada Leitor um visitante. - A nossa passagem pela Vida é apenas uma fase Mutante! Silvino Potêncio – Natal/BR

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 87 - Agosto 2017 13 «Tribuna do Vate» Caminho de flores Subindo a rua pisando em flores Ninguém sabe porque estão ali São belas e de todas as cores Porque foram jogadas aqui. Uma senhora idosa passa e diz Que bobagem é essa? O jovem passa e pensa: é isso ai Um poeta olha e diz flores? versejar é o que resta. Uma rua florida é linda Mas o jeito de ver varia Para a idosa é uma bobagem infinda O jovem não dá valor...só olharia. Para o poeta sonhador A rua cheia de flores é inspiração O mundo pode não dar valor Mas para ele soa como uma canção. Entre rimas e sonhos ele vive Para o poeta tudo é beleza Seja o que for é um poema ou verso livre Nas flores ele vê o amor e a natureza. Aquela rua de flores enfeitada Pode nada representar Será de alguém que deseja ser amada Ou serve apenas para o poeta sonhar. Maria Aparecida Felicori {Vó Fia } Cai cachoeira!!! A água desce pelas pedras Fazendo barulho ao cair A moça pensa no que a vida leva Olha a água e sonha a sorrir. Ali assentada nas pedras escuras O que pensa a moça de longos cabelos Será que a vida é só desventuras? Também tem alegrias...não tenha medo. E a cachoeira continua caindo Espalhando bolhas pelo ar Refrescando e deixando tudo lindo E ajudando a moça sonhar. Que beleza que é a água caindo Lá do alto molhando as pedras Parece que a natureza está rindo. Enquanto a moça descansa Ali nas pedras sorrindo A água desce com força e não se cansa. Maria Aparecida Felicori {Vó Fia} Nepomuceno Minas Gerais Brasil A LENDA DO ALQUIMISTA Ainda me lembra daquela lenda linda Que minha avó contava no Inverno à lareira... Um ser que fazia de bronze, ouro, à maneira Mexia sempre comigo de fantasia infinda! Minha cabeça, que via em tudo brincadeira, Perguntava:”Avó, minha ideia não deslinda Como pode ser? Existiu? Como? Conte mais ainda Esse ser foi, rico, com essa força, feiticeira! Contudo, aquele conto deixou sempre pista, Transformar bronze em ouro?, Era a maior conquista Que o homem podia fazer pra bem do Universo! Co’os anos, também me tornei digno, alquimista, Meus sonhos d’ouro, transformaram-me, ser egoísta Fiquei sempre bronze, incréu, ver o mundo perverso! Nelson Carvalho - Belverde/Amora/Portugal AMANHÃ. (À Dolores) Amanhã, quando o tempo nos trouxer Do nosso amor a prometida hora, O mundo em que vivemos há-de ter Outra beleza que não tem agora. Há-de haver Sol e Música, há-de haver Voz de sinos pelos campos fora! E a terra Mãe, com risos de mulher, Há-se chamar. Nos de Cupido e Flora... Florirão trepadeiras pelos muros; Haverá frutos doces e maduros; Voarão abelhas sobre o mundo em flor... E, num súbito acesso de bondade, Será rica de amor a humanidade, Na imensa comunhão do nosso amor! Nelson Carvalho- Belverde/Amora/Portugal AMIGO: Este copo foi escolhido, Pra tua data comemorar, Bebe, bebe, toma sentido Quero rir e não chorar Néle vai minha alegria, E tudo mais, néle concentro, Amigo bebe, mas eu qu´ria, Que me visses sempre dentro! Nelson Fontes

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14 Confrades da Poesia - Boletim Nr 87 - Agosto 2017 «Cantinho Poético» O Complicado. Fadista do complicado Disfarça tudo no dia Ouve fado a triplicar Esgotado de alegria Deixa tudo amontoado Passeia, de boina ao lado E sempre triste e amuado Embarca no malfadado Ao entrar na desgarrada É desafio que lhe apronta Pela guitarra honrada Vai cantando, sem dar conta Ciúmes plo desafio Vão ao rubro as suas calmas Passarinho perde o pio Por não baterem as palmas… Pinhal Dias (Lahnip) PT (In: “Ondas Poéticas”) Por aqueles que do amor foram escravos!. Por aqueles que do amor foram escravos, Chorarei uma lágrima sentida, Marcada com o meu sangue da vida, Pois em mim tenho presentes tais agravos... Não sei porquê mas faz mágoa!, Nem se espera nem se adivinha... É alimento puro que nos definha, É sentir o naufragar, sem gota d’água!!! Lampejos de vida que aos poucos, Se vai acabando em mil sonhos, Tremendo fico em suores medonhos... Na solidão que nos faz mais loucos!, Pelo muito que a alguém desejamos, A quem só vemos, e a tanto AMAMOS!!!... Silvino Potêncio – ( Luanda – Anos 70) Poema # 016 – Página 68 do Livro “Eu, O Pensamento, A Rima”!... Penso... Paro para pensar, pouco posso, portanto penso, positivamente pleno, porém passivo. Penso pelos poros, pela pele, passeando pelos parques, pelas pacatas planícies, pelos planetas, pela paz... Penso, porque posso pensar! Marco A. Alvarenga Lágrima que teima em cair Vitalino é amigo do seu amigo é frontal e verdadeiro não oferece qualquer perigo para qualquer companheiro. O Vita gosta da verdade doa a quem doer não lida com falsidade íntegro.... julga-se ser. Vitalino Pinhal - Sesimbra Já não sei Já não sei se tuas lágrimas... ...serve-te como defesa! Pois dizes que és certinha, bonitinha... ...uma beleza! E que todas as nossas brigas... ...vem da minha natureza! *** Dizes que sou agressivo, incessível, violento... Dizes que brigo com o sol... Com chuva e até com o vento! Ainda para completar esta infâmia... Consideras-me nojento! *** Tratas-me desta maneira... E eu nem me sinto ofendido! Pois sei que tudo é despeito Por não ser mais teu marido É só eu te dar uma chance... E voltas a viver comigo! Vivaldo Terres – Itajaí / BR O DRAMA COMPLICADO (Dos nossos Combatentes) O problema da memória Um grande esquecimento A doença faz história Com falta de sentimento. São muitas dificuldades Palavra recuperar Idosos realidades Não conseguem superar. As situações presentes Neste quotidiano São antigos combatentes Se agravam ano a ano. A idade avançada De todos os combatentes Agora já complicada Todos os casais presentes. Grande envelhecimento Segurança Social Carece/entendimento Com drama nacional. Fenómeno da idade Da vida consequências Do viver ansiedade Com tantas deficiências. O Stress Pós-Traumático Da guerra complicação Um problema emblemático Na defesa da Nação. Deodato António Paias - Lagoa Adeus Saltam lágrimas de desespero No palco duma vida Insólita talvez ingrata Minha alma estremeceu Joaquim Evónio Velho amigo Deixaste-nos para sempre Em descanso ficarás Mas a minha tristeza Perde-se nos confins De um coração despedaçado Para uma nova solidão Adeus poeta Minhas lágrimas pesadas Ressoam no pesadelo Na minha tristeza.. Pedro Valdoy - Lisboa

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 87 - Agosto 2017 «Links Amigáveis Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida. - (Sócrates) 15 Feitura do Boletim O Boletim Nr 86 e seguintes passarão a mensais para o ano corrente de 2017: Futuramente os Confrades enviarão os seus trabalhos em word até ao dia 5 do início de cada período. A feitura do Boletim será a partir do dia 1 até ao dia 3, que corresponderá à data de saída... Os seus poemas devem vir sempre identificados com o seu nome ou pseudónimo e localidade de onde escreve seu poema. O Tema continua a ser Livre! Para sua orientação sugerimos que consulte as páginas das Efemérides e Normas no site dos Confrades... Durante o ano corrente, é acrescido de mais três Edições Especiais - TRIBUNA DO VATE 5/5 ; 5/11 e ESPECIAL NATAL http://www.confradesdapoesia.pt/normas.htm Amigos que nos apoiam www.fadotv.pt As fotos deste Boletim são dos autores e outras da Internet «A Direcção agradece a todos os que contribuíram para a feitura deste Boletim». ADMINISTRAÇÃO, REDACÇÃO E PUBLICIDADE Rua Seixal Futebol Clube N.º 1—1º D 2840-523 Seixal Telf. 210 991 683 - Tlm. 969 856 802 Voltamos a 5/9/17

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