Desatar o Nó do Luto: Silêncios, Receios e Tabus

 
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Description

Uma obra de apoio ao luto indispensável para quem vivencia a perda de pessoas amadas, para quem com que se sente solidário e e para os profissionais que lidam com enlutados.

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O que é o luto? Porque o fazemos? É o luto uma doença? Eis três das múltiplas questões com que se confronta quem sofre uma perda pessoal profunda. Em virtude de uma dolorosa experiência em que se viu tragicamente privado da mulher e das filhas, o autor, neste livro de afetos, reflete sobre a necessidade de conquistar e preservar a ligação amorosa, sobre o sofrimento que advém da sua perda e o caminho necessário para a superar e convertê-la em doces e suaves memórias. A obra analisa temas como: o percurso da existência (do nascimento à morte); a essência da natureza humana e a necessidade de amar; o processo do luto, os conceitos fundamentais que lhe estão associados e as vivências em que decorre. O defilhar e o apoio ao luto, nomeadamente realizado por Conselheiros do Luto, são igualmente observados, como meio indispensável para o auxílio a quem perdeu alguém ou algo amado, aos que com eles se sentem solidários e aos profissionais que lidam com enlutados.

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José Eduardo Rebelo DESATAR O NÓ DO LUTO Silêncios, Receios e Tabus 5.ª edição revista

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ISBN 978-989-20-7760-4 © José Eduardo Rebelo Edição de autor eletrónica Direitos autorais concedidos a: Espaço do Luto Sítio web: espacodoluto.pt Telef.: 234 047 507 Email: geral@espacodoluto.pt 1ª edição: maio de 2004 5ª edição: julho de 2017

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Índice

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À memória de Ofélia, Rosália e Laurinda que tão precocemente esvoaçaram do meu sorriso. Para a mãe, o Mário e a Mimi.

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Embora saibamos que depois de uma perda dessas o estado agudo do luto abrandará, sabemos também que continuaremos inconsoláveis e não encontraremos nunca um substituto. Não importa o que venha preencher a lacuna e, mesmo que esta seja totalmente preenchida, ainda assim alguma coisa permanecerá. É a única maneira de perpetuar aquele amor que não desejamos abandonar. SIGMUND FREUD (excerto de uma carta enviada a Ludwig Binswanger, que havia perdido um filho)

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PREFÁCIO À 5.ª EDIÇÃO Esgotado após quatro edições sucessivas, Desatar o Nó do Luto: Silêncios, Receios e Tabus, quase uma década e meia após o seu lançamento mantém a sua atualidade como uma obra de apoio ao luto a pessoas, famílias e comunidades que vivenciaram perdas pessoais profundas. Desde o momento em que esta obra pioneira chegou, pela primeira vez, às mãos dos leitores até à atualidade a abordagem sobre o luto em Portugal foi alvo de uma mudança significativa, nomeadamente com a continuidade da escrita de obras sobre tipos específicos do luto, como Amor, Luto e Solidão, que aborda a perda do cônjuge, e Defilhar: Como Viver a Perda de um Filho. A fundação de instituições dedicadas ao luto, indicadas no final deste livro, veio proporcionar um novo alcance ao Apoio ao Luto, formação de especialistas de auxílio a enlutados, particularmente, os Conselheiros do Luto, estudo académico da temática do luto e atenção às políticas sobre o luto implementadas, ou, ainda, não, em Portugal e a criação de uma LUTOTECA, biblioteca online sobre trabalhos de índole diversa que abordam o luto. A perspetiva sobre o desenrolar do luto sadio encontra-se, hoje, mais esclarecida do que foi desenvolvida inicialmente nesta obra e se encontra apresentada no capítulo dedicado à Vivência do 11

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Luto. O Modelo Vivencial do Luto Sadio, divulgado nos primeiros meses de 2017, ilustra com clareza o processo do luto relativo a perdas expectáveis, como a dos pais ou do cônjuge, e não expectáveis, como a dos filhos. O processo decorre com vivências globais de choque face à perda e de descrença, reconhecimento e superação dos detalhes das espectativas emocionais da ligação afetiva que são perdidos com a privação da pessoa amada. Muito embora o Modelo Vivencial permita uma visão mais profunda, abrangente e compreensiva sobre o caminho do luto, podendo ser consultado na LUTOTECA, as explicações expostas neste livro mantêm-se atuais e suficientes para o enlutado numa busca inicial de respostas para o sofrimento que a perda de uma pessoa amada lhe provoca. O Apoio ao Luto é outra temática que se encontra significativamente melhorada no nosso país desde as primeiras edições deste livro e que, por isso, é introduzida no capítulo que lhe é dedicado, enriquecendo-o de forma considerável. O especialista no apoio ao luto sadio, o Conselheiro do Luto, é apresentado e a sua ação junto da comunidade é analisada em detalhe no mesmo capítulo da obra. Desatar o Nó do Luto continua a ser uma ferramenta de suporte indispensável para pessoas que sofrem perdas pessoais profundas mantêm a sua validade nos dias que correm, constituindo uma referência adequada para defilhados, viúvos enlutados, órfãos e outros que se viram privados de entes queridos ou de algo que era um precioso para o seu bem-estar. A presente reedição, revista, dá respostas simples e breves a algumas das incontáveis questões que atormentam quem vivencia um luto. 12

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o luto: três questões obrigatórias

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Como vimos no capítulo anterior, os laços de afeto que mantemos com as pessoas são o essencial da nossa vida emocional. Investimos muita da nossa energia no estabelecimento e manutenção de relações amorosas e de amizade. Mas, o que nos sucede quando essas ligações se quebram? O QUE É O LUTO? Perante a perda de alguém a que nos sentíamos profundamente vinculados, entramos num processo que é denominado por luto. Tentemos perceber melhor o alcance deste processo. Freud considera o luto como uma reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém. Outros autores definem o luto de forma mais abreviada, ora como uma síndroma precipitada pela perda de um ente querido, ora como um processo psicológico pelo qual a tristeza experimentada por perdas significativas vai sendo dissipada. Começamos a ficar um pouco mais esclarecidos sobre como se define o luto. Contudo, muitas questões ainda bailam na nossa cabeça. Fixemo-nos, por ora, nas seguintes: O que pode originar o luto? É obrigatório, para nós, fazê-lo? Tentemos, neste capítulo, encontrar respostas que possam satisfazer a nossa curiosidade em relação a estes temas. 43

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