Revista Conviva 2017 - Colégio Catarinense

 

Embed or link this publication

Description

Revista Conviva 2017 - Colégio Catarinense

Popular Pages


p. 1

Nº 70 / ANO XXI / JUNHO 2017 CIDADANIA GLOBAL O Programa Bilíngue, as novas possibilidades de aprendizagem e os alunos do CC rumo às universidades estrangeiras. PEC Coragem , ousadia e criatividade. MAGIS Inaciano e protagonismo juvenil Ser para os demais.

[close]

p. 2

2

[close]

p. 3

ÍNDICE 3 06 PROJETO “BRINCAR E APRENDER” Preservação de valores importantes na formação do ser humano. 08 ESTUDANTES DO COLÉGIO CATARINENSE RUMO ÀS UNIVERSIDADES ESTRANGEIRAS Realização de sonhos depois de muita dedicação. 10 PROGRAMA BILÍNGUE NO CC A parceria com a International School abriu novas oportunidades no mundo contemporâneo. 13 ESTUDANTES DA LÍNGUA ALEMÃ 06 CONQUISTAM BOLSAS PARA INTERCÂMBIO Alunos do CC são selecionados para intercâmbio na Alemanha. 14 ENTREVISTA COM PE. MÁRIO SÜNDERMANN, SJ PEC: Trilhando o caminho da renovação com coragem, ousadia e criatividade. 18 SGQE E PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO: AMPLIANDO HORIZONTES Projetos que ampliam horizontes. 13 18 20 DIA DAS MÃES: EMOÇÃO À FLOR DA PELE... Trocas de afeto e lembranças eternas. 22 GIRO DO ESPORTE Equipes treinam firme e conquistam excelentes resultados. 24 OS CAMPEÕES DE XADREZ DO COLÉGIO CATARINENSE Os campeões do tabuleiro. 20 26 26 ALUNOS DO CC VIVEM A PAIXÃO PELA EQUITAÇÃO E SALTAM ALTO NAS COMPETIÇÕES PELO PAÍS Uma paixão que cresce a cada dia. 28 TECNOLOGIA COMO ALIADA NA BUSCA POR UM ESTILO DE VIDA SAUDÁVEL A busca pelo caminho ideal. 30 DIA DE INTEGRAÇÃO E AÇÃO SOCIAL Momentos de confraternização e ajuda ao próximo. 32 ENCONTRO “PROJETO DE VIDA” 30 Alunos da terceira série do Ensino Médio vivem momento único da vida escolar.

[close]

p. 4

4 ÍNDICE 34 PROTAGONISMO JUVENIL E MAGIS INACIANO A formação de líderes para o serviço. 36 ESPAÇO SALA MAGIS: ACONCHEGO E INTEGRAÇÃO Espaço de formação humana e espiritual. 38 O QUE É UMA “CONGREGAÇÃO GERAL”? Uma dimensão universal. 40 GIRO DA NOTÍCIA Um semestre recheado de novas aprendizagens. 42 ENCONTRO DE IDEIAS: UM ESPAÇO DE ESCUTA 36 Centralidade do estudante no processo educativo. 43 AÇÃO MOVIMENTO: VIDA SAUDÁVEL! Mudança de rotina na Unidade de Ensino I. 44 MUSEU DO HOMEM DO SAMBAQUI Parcerias e exposição movimentam o semestre. 46 APP Comunidade escolar fortalecendo laços. 40 48 CAPACITAÇÃO DOCENTE Hora de refletir e buscar novas ferramentas para a sala de aula. 49 FOCO NA INOVAÇÃO E NA EXCELÊNCIA ACADÊMICA A sala de aula do futuro na UNISINOS Porto Alegre. 50 PROJETO NUVEM - OFFICE 365 Recursos do Office 365 para o Colégio Catarinense. 43 46 EXPEDIENTE DIRETOR-GERAL Afonso Luiz Silva DIRETOR ACADÊMICO Elton Frias Zanoni DIRETOR ADMINISTRATIVO Fábio Luiz Marian Pedro CONSELHO EDITORIAL Afonso Luiz Silva Danieli Galvani Elton Frias Zanoni Fábio Luiz Marian Pedro Louisa Carla Farina Schröter Luiz Henrique Neves Marcos Lacau da Silveira Márcia Carvalho Rozangela Kons Martendal PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Edson Francisco Schweitzer Rozangela Kons Martendal FOTOGRAFIAS Acervo Colégio Catarinense Edson Francisco Schweitzer José Renato Duarte Yuri Sehnen Mallmann Rossetto REVISÃO DE TEXTOS Danieli Galvani João Júlio Freitas de Oliveira CONTATO Setor de Comunicação - (48)3251-1593 R. Esteves Júnior, 711 – Centro – Florianópolis / SC CEP: 88015-130 – (48)3251-1500 www.colegiocatarinense.g12.br JORNALISTA RESPONSÁVEL Márcia Carvalho – SC – 00469JP /colegiocatarinense /colegiocatarinense

[close]

p. 5

EDITORIAL 5 FORMAÇÃO INTEGRAL E EXCELÊNCIA NA APRENDIZAGEM O papel fundamental da escola é preparar o aluno para o exercício pleno da vida. ESTIMADOS LEITORES, Em momentos de desafios, crises e dificuldades, devemos deixar-nos mover pelos sentimentos de esperança, superação, solidificação dos bons costumes, respeito à vida, à dignidade, à justiça, à paz e à liberdade, que são direitos inegociáveis em um país que se reconhece democrático. Neste longo cenário de instabilidade política, econômica e social, devemos nos pautar no critério da ética, da cidadania, do trabalho e do que constitucionalmente implica direitos e deveres, com vistas ao sentido pleno do que é público (bem comum) em um Estado Democrático de Direito. O Colégio Catarinense, como obra educativa da Companhia de Jesus, inspira-se pelo Magis Inaciano e pauta suas práticas na busca pelo mais e pelo melhor. Em seu projeto educativo, à luz da Pedagogia Inaciana e do Projeto Educativo Comum da Rede Jesuíta de Educação, nossa escola oferece ensino de qualidade à comunidade florianopolitana e catarinense, pautando-se na formação integral e na excelência da aprendizagem, fomentando a consciência cidadã e o protagonismo de seus alunos, para que sejam pessoas de bem e líderes no serviço. Para nós, é evidente e inquestionável que a escola tenha sua corresponsabilidade social, pois compete a ela promover a inclusão e o respeito, tanto quanto o conhecimento científico e a consciência crítico-social. À família, como instituição primeira em nossas vidas, compete desenvolver a afetividade, a sensibilidade, o respeito e os limites impostos à convivência em sociedade. Sem dúvidas, a instrução escolar é o caminho para o pleno exercício cognitivo da autonomia e da cidadania, ao passo que contribui direta- mente para a construção de uma sociedade mais justa, ética e solidária, mas o princípio fundamental de tudo isso continua sendo a família. Nesse contexto, embasados nos Exercícios Espirituais de Santo Inácio, no carisma e na rica história educativa da Companhia de Jesus, procuramos, com criatividade e espírito empreendedor, educar nossos alunos, para que sejam pessoas competentes, conscientes, compassivas e comprometidas com a vida. Através da imersão em vivências, estudos, pesquisas, reflexões e trabalho voluntário, oferecemos experiências inovadoras de aprendizagens, vivências e formação aos jovens do CC, isso não apenas nos múltiplos e encantadores espaços de aprendizagem da escola, mas em realidades e contextos diversos de formação. Nesta edição da Conviva, algumas matérias apresentam este dinamismo, de aprender a aprender com arte, interação, curiosidade, disciplina e prazer em desenvolver nossos sentidos, aptidões e habilidades. O papel fundamental da escola é preparar o aluno para o exercício pleno da vida, tanto como pessoa quanto como cidadão e profissional. Nessa linha de raciocínio, o papel do educador é instigar a abertura de novos caminhos, possibilitar novas descobertas e formas variadas de aprendizagem. Este é o papel da escola, solidificar valores e vivências, fortalecer a tolerância e o respeito, construir pontes de saberes e conhecimentos, possibilitar descobertas e formas criativas de viver e aprender. Nesse viés, os textos centrais desta edição apresentam o Projeto Educativo Comum e a 36ª Congregação Geral da Companhia de Jesus, com foco na for- mação pautada em valores e na educação cidadã, evidenciando o protagonismo juvenil e a liderança no serviço, para que os jovens respondam aos desafios do contexto de forma crítica, consciente e efetiva. Além disso, esta edição da Conviva apresenta frutos de um semestre marcado por grandes desafios e vivências, além de inúmeras possibilidades de crescimento, reflexão e aprendizagens. Que a leitura destas páginas seja reveladora da nossa ação educativa e nos inspire e encante sempre mais frente aos processos de aprendizagem de nossas crianças e jovens. Boa leitura! Paz e Bem! Afonso Luiz Silva Diretor-geral do Colégio Catarinense

[close]

p. 6

6

[close]

p. 7

PROJETO “BRINCAR E APRENDER” DÁ BRILHO À MAGIA DA INFÂNCIA E AO CONVÍVIO FAMILIAR 7 O projeto “Brincar e Aprender”, desenvolvido por alunos da Educação Infantil II neste primeiro semestre de 2017, encantou a todos: professores, alunos e familiares, que participaram ativamente das atividades no Colégio. O “Brincar e Aprender” visa ao desenvolvimento integral da criança, por meio da elaboração de brinquedos e brincadeiras que dizem respeito ao tempo, à cultura e às características da infância. A partir da proposta de desenvolver um trabalho com toda a comunidade escolar, preservando valores importantes na formação do ser humano, pais, mães, avós e familiares foram convidados a participar. A ideia foi conservar os tipos de brinquedos e brincadeiras antigas, possibilitando às crianças o conhecimento de que brincar não é apenas manusear objetos, e sim participar da construção do brinquedo, interagindo com os colegas e familiares durante as brincadeiras. A família teve a oportunidade de estar mais envolvida com o lado afetivo e cognitivo da criança dentro do espaço escolar. “Nesse projeto, reportamo-nos ao tempo em que era mais valorizado o processo de construção e reconstrução de brinquedos e brincadeiras, quando o mais importante não era o produto final, aquele pronto e acabado”, diz a professora Jeanice Schmidt Bulik, coordenadora do Serviço de Orientação Pedagógica da Unidade de Ensino I. Segundo ela, as brincadeiras tradicionais infantis são fontes enriquecedoras porque resgatam a cultura e a prática do lúdico na consti- tuição de grupos. Ela diz, também, que o projeto proporcionou momentos de convivência saudável, ressaltando o parágrafo 41 do PEC, que nos faz refletir sobre a importância de promover o desenvolvimento integral da criança, de modo a capacitá-la a perceber o valor do aprendizado ao longo da vida, possibilitando a continuação dos talentos individuais e coletivos. O grupo participou de situações lúdicas, direcionadas e livres, nas diferentes áreas do conhecimento. Os alunos puderam imaginar e criar, dentro do fantástico universo infantil, interagindo com brinquedos desde os mais antigos até os mais sofisticados, por meio de oficinas que ensinavam a confeccioná-los, nas brincadeiras em roda e nas histórias sobre os brinquedos. A brincadeira de bola de gude, a confecção do cata-vento, da pipa e do telefone de lata transformaram o espaço escolar em um verdadeiro sonho infantil...

[close]

p. 8

8 ESTUDANTES DO COLÉGIO CATARINENSE RUMO ÀS UNIVERSIDADES ESTRANGEIRAS A realização dos sonhos após uma vida escolar intensa e comprometida com a aprendizagem - Globalização de oportunidades e novos horizontes de graduação aos nossos alunos Em apenas dois anos, sete alunos do Colégio Catarinense foram aceitos em universidades fora do país, algumas consideradas as melhores do mundo. Entre 2015 e 2016, a estudante Lúcia Helena Mees foi aceita em sete universidades americanas, sendo que em quatro delas apenas um brasileiro entra a cada ano. Lúcia optou pela Duke University, a vigésima melhor do mundo, localizada na Carolina do Norte, para cursar Electrical and Computer Enginneering, Innovation & Entrepreneurship (Engenharia Elétrica e de Computadores, Inovação e Empreendedorismo). Todo esse resulta- do, evidentemente, foi fruto de muito esforço e dedicação: Lúcia Helena obteve a melhor média final entre todos os alunos do Ensino Médio do Colégio Catarinense, no ano de 2015. “A dica é ir além da sala de aula, mostrar seu potencial e focar no objetivo”, diz Lúcia Helena. Ela lembra que um ponto fundamental é falar bem o inglês, a partir do exercício diário. Em 2016, a estudante Maria Eduarda Buss traçou o mesmo caminho da colega de Colégio e foi aceita em nove universidades americanas. Vai cursar Engenharia Química, na Universidade de Minne- sota. Maria Eduarda foi aluna-destaque no Colégio Catarinense, classificada no segundo lugar entre os melhores alunos do Ensino Médio, no ano de 2016. “Tem que estudar bastante, correr atrás, porque sempre é possível. E o resultado é muito gratificante”, ressalta a aluna. João Victor da Silva, aluno do Catarinense durante todo o Ensino Médio, foi aprovado em seis universidades americanas, entre 2016 e 2017. Optou por cursar Economia, na Boston University, um dos maiores centros acadêmicos na área de economia no mundo. João Victor explica que a experiência de conhe- LDúuckeiaUnHiveerlseityna Mees MMainrneiasotEaduarda Buss João Boston Victor University da Silva Felipe Aranha University Colorado Stat

[close]

p. 9

9 cer novas culturas, fazer novas amizades e apostar na formação acadêmica fará toda a diferença na sua vida pessoal e profissional. Já o aluno Felipe Aranha, que foi aceito em seis universidades dos Estados Unidos, optou por cursar Business na University Colorado State. Ele está muito satisfeito com os resultados e animado com a escolha. A Europa foi outro destino escolhido pelos alunos do Catarinense. O aluno Emmanuel Simon passou no Programa Bachelor in Management, em Comércio Internacional, da Toulouse Business School, na França. Marco Antônio Garcia Gava e Jhonatan Festa Soares foram aprovados na Universidade de Coimbra, Marco Antônio para Arquitetura, e Jhonatan, para Psicologia, com Mestrado Integrado. Os resultados foram divulgados neste primeiro semestre de 2017. Os dois aconselham os colegas a não desistirem e encararem de frente os desafios. Em todos os casos, a disciplina, o esforço e a dedicação foram o caminho para a tão sonhada conquista. Para par- ticipar da seleção, eles realizaram testes como o TOEFL, o SAT e o ACT. O histórico escolar impecável e as atividades desenvolvidas no Colégio foram decisivas para o êxito. As inúmeras redações e as cartas de recomendação também fizeram parte do processo, tanto quanto a assessoria especial de empresas como a Daquiprafora (que acompanha todas as etapas), o que também fez a diferença. Diante das novas perspectivas que se abrem, a equipe pedagógica do Colégio Catarinense programou um trabalho específico para 2017, junto ao SOE (Serviço de Orientação Educacional) e à Coordenação da Unidade de Ensino II. A estratégia consiste na aplicação de simulados para o SAT, bem como orientações voltadas aos alunos que desejam alçar voos no exterior, ampliando os horizontes de formação e mercado de trabalho. A formação integral oferecida no Colégio Catarinense é um dos aspectos mais importantes no crivo das universidades, que fazem suas seleções considerando o contexto global do ano, não apenas o su- cesso em uma prova. A formação bilíngue, iniciada agora, em 2017, no Catarinense, também será primordial para a fluência em inglês. “Quando um aluno solicita uma carta de recomendação, em busca do ingresso em universidades no exterior, sentimo-nos felizes com a ousadia e a coragem desses jovens! Alegra-nos muito perceber que a formação desenvolvida no Colégio Catarinense é reconhecida para além de nossas fronteiras”, ressalta o diretor acadêmico do Colégio Catarinense, Elton Frias Zanoni. O diretor explica que a inserção do Programa Bilíngue, em 2017, na Unidade de Ensino I, procura ampliar essa possibilidade acadêmica aos que se formarão nos próximos anos. “A realização dos simulados para o SAT, para os que estão no Ensino Médio, com cronograma já estabelecido para este ano, visa justamente a tornar mais concreta esta possibilidade: de alçar outros voos no exterior aos que assim sonham”, conclui o diretor. te TEomulmouasenBuuesilneSssimScohnool UmnaiverrcsiodadaendteôConimiobragarcia gava UJnhivoernsidaatdae dne CFoeimsbtraa Soares

[close]

p. 10

10 PROGRAMA BILÍNGUE NO CC Imersão, domínio do inglês e interdisciplinaridade para atender à demanda do mundo globalizado. O primeiro semestre de aplicação do Programa Bilíngue no Colégio Catarinense, em parceria com a Internacional School, abriu novas possibilidades de aprendizagem. A partir de uma vivência diferenciada, o aluno insere-se no processo de globalização, ultrapassando fronteiras políticas, econômicas e culturais – é a formação de um cidadão em sintonia com o mundo contemporâneo. Além disso, a interdisciplinaridade qualifica a educação de excelência. O Projeto Bilíngue é uma proposta de ensino a partir da qual a aprendizagem se dá por meio da imersão na língua inglesa. Essa proposta quebra os paradigmas tradicionais do ensino de inglês, que se baseia na repetição e memoriza- ção de estruturas gramaticais, bem como na tradução de vocabulário; no Bilíngue, ao contrário, o aluno aprende enquanto está imerso em um ambiente onde o professor fala e responde apenas em inglês, desafiando-o a interagir com os colegas, montar maquetes, utilizar o material didático e participar de todas as atividades, sem a ajuda de dicionário ou tradução do professor. Assim, os alunos adquirem proficiência ao longo da formação básica e de maneira contextualizada e dinâmica, o que determina um desenvolvimento integral, com foco em habilidades e competências para o século XXI. Os alunos da Educação Infantil foram o grupo que mais rapidamente se adaptou, aberto totalmente a essa nova experiência. Os grupos com alunos do Ensino Fundamental tiveram um período de adaptação um pouco maior, mas os resultados já começaram a aparecer. Prova disso são as atividades como o Laboratório de Lego, a aula de confeitar Easter Cakes e a preparação de vídeos do Mother’s Day. De acordo com a professora Ana Carolina Krieger, orientadora pedagógica do Programa Bilíngue, “esse tipo de experiência, ao permitir que os alunos se apropriem de um segundo idioma, é fator essencial na formação do educando, não apenas enquanto preparação para futuras experiências educacionais e profissionais, mas também para a abertura para outras culturas e para o comprome-

[close]

p. 11

11 timento social, enquanto cidadão global”. A professora, que acompanhou as turmas durante todo o semestre, aposta no Programa pela flexibilidade do trabalho e possibilidade de adequação à realidade dos jovens e das transformações do mundo globalizado. “Os resultados foram muito positivos, e a tendência, ago- ra, é partir para a implementação gradativa na grade curricular nos próximos anos”, diz a professora. Outro diferencial importante no trabalho é a participação de um advisor, que acompanha mensalmente o Programa, assistindo às aulas e dando suporte aos professores. O advisor é um espe- cialista em ensino bilíngue, que repassa orientações específicas ao professor sobre as turmas e organiza oficinas, com foco no Active Learning. Este ano, o Programa Bilíngue é oferecido para os alunos do Turno Integral e do Turno Estendido, mas, para 2018, a Direção organiza a sua implementação na matriz curricular.

[close]

p. 12

12 CAMINHANDO JUNTOS Fundada em 2009, a International School é uma empresa de soluções de educação bilíngue que oferece produtos e serviços com os mais elevados padrões de qualidade para diversas escolas em todo o Brasil. Hoje, a International School está presente em quase todo o país e tem crescido a cada dia, graças à sua cultura de caminhar junto com as escolas, prestando um serviço diferenciado e oferecendo materiais didáticos desenvolvidos após anos de pesquisa, que buscam apresentar o segundo idioma de forma inovadora. Para isso, são utilizadas diversas ferramentas que conferem ao Programa o desenvolvimento de atividades voltadas para o trabalho em equipe, a solução de problemas e o pensamento crítico e criativo, de forma a tornar a aprendizagem mais eficaz. Fernanda Serpa Fritsch é a advisor responsável pelo Programa Bilíngue da International School dentro do Colégio Catarinense. Mestre em Linguística desde 2013 pela PUC-RS, Fernanda cursou especialização em Metodologias de Ensino de Língua Estrangeira na Utah Valley University, nos EUA, onde também atuou como professora. Além disso, Fernanda tem experiência com coordenação de escolas de idioma, além de ter lecionado Inglês em escolas de ensino regular públicas e privadas do Rio Grande do Sul. “Enquanto advisors, nossa missão é promover a International School Experience, intermediando e acompanhando o relacionamento com nossos parceiros, a fim de desenvolver os alunos em sua integralidade. Para tanto, todos os meses, o advisor visita a escola, observando aulas e apontando sugestões aos professores. Baseados nessas observações, advisor e Coordenação selecionam a oficina a ser ministrada no mês seguinte. Toda oficina é desenvolvida visando a sanar as dificuldades enfrentadas por aquela escola, buscando sempre aperfeiçoar a prática docente dentro do ensino bilíngue”. Fernanda Serpa Fritsch

[close]

p. 13

ESTUDANTES DA LÍNGUA ALEMÃ CONQUISTAM BOLSAS PARA INTERCÂMBIO 13 Neste semestre, as comemorações da comunidade educativa do Colégio Catarinense não foram apenas para homenagear os estudantes que passaram em seleções para cursar universidades fora do país. Dois alunos do Colégio, Laura Canello Resener (2ª série A) e Vicenzo Albiero Dallazen (1º série A) também foram selecionados para estudar fora do país, mas para intercâmbios na Alemanha. Laura participou do concurso Blichwechselum, promovido pelo Programa PASCH ("Escolas, uma Parceria para o Futuro", coordenado pelo Instituto Goethe, em cooperação com o Youth for Understanding), e ganhou uma bolsa integral para estudar na cidade de Lohn, na Alemanha, por um ano. Ela ficará hospedada na casa de uma família e frequentará a escola regular no país. Para participar, Laura apresentou um trabalho sobre a obra de Padre Vilson Groh, desenvolvido com crianças carentes em Florianópolis. A estudante, que faz aulas de alemão no Catarinense há um ano, confessa que ficou surpresa com o resultado e diz estar realizando um grande sonho: "Eu sempre quis estudar fora, viver novas experiências. Acho que vai ser muito bom", afirma a estudante, entusiasmada. Ela viaja no mês de agosto. Vicenzo Dallazen também está feliz com sua conquista. Ele participou do Programa JUKUs e ganhou uma bolsa para realizar um curso de três semanas na Alemanha. O concurso foi aberto a estudantes do mundo inteiro que estudam em escolas parceiras do PASCH. Para participar, Vicenzo, que estuda alemão desde 2014, enviou documentos escolares para apreciação do Instituto Goethe, como histórico escolar, atividades extraclasse e projetos realizados no colégio. "Eu acho que será uma experiência incrível! Conhecer novas culturas e falar alemão o tempo todo será um grande aprendizado", diz ele. Em sua missão de disseminar o conhecimento da cultura e língua alemã por todo o mundo, um dos principais programas do PASCH é o JUKUs – Jugendkurse in Deutschland, que leva alu- nos para a Alemanha duas vezes por ano: em janeiro e julho. Desde 2008, mais de 300 jovens do Brasil já foram para a Alemanha pelo programa. Lá, além de frequentarem diariamente aulas no Goethe-Institut de sua cidade-destino e programas culturais aos fins de semana, eles têm contato com jovens de todo o mundo. O Goethe-Institut é o instituto cultural de âmbito internacional da República Federal da Alemanha. Promove o conhecimento da língua alemã no exterior e o intercâmbio cultural internacional. Para participar, seguem as dicas da equipe PASCH: ter participação ativa nas aulas de língua alemã, ter boas notas e manter bom relacionamento com colegas e professores.

[close]

p. 14

14 ENTREVISTA Pe. Mário Sündermann,SJ Delegado para Educação Básica Pe. Mário, como foi se construindo a formulação de que, na oferta de Educação Básica no Brasil, a Companhia de Jesus precisava trilhar um caminho de renovação? É importante ressaltar que a construção de um Projeto Educativo Comum (PEC) pode ser entendida como reposta a dois movimentos: o de resposta e o de projeção. Como resposta, o documento escrito é fruto de várias mãos e corações, que juntos colaboraram para que conseguíssemos traduzir em forma de texto o espírito que se movia no ideário de respostas cabíveis à leitura do contexto socioeducacional de nosso tempo. Esse é, portanto, um movimento atrelado ao fortalecimento do sentido de pertença ao Apostolado Educativo da Companhia Universal, que tem sua caminhada recente marcada por uma tríade de eventos muito importantes: o Colóquio Internacional da Educação Secundária Jesuíta – ICJSE, realizado em Boston, em 2012; o Seminário Internacional de Pedagogia e Espiritualidade Inacianas – SIPEI, ocorrido em Manresa, em 2014; e o Congresso Internacional de Jesuítas Delegados para Educação – JESEDU, que terá lugar no Rio de Janeiro, em outubro deste ano. Como projeção, as proposições do PEC são a um tempo reanimadoras de esperanças e construtoras de novos horizontes que tecem sonhos e ações para o fortalecimento da Rede Jesuíta de Educação. De fato, a RJE é um esforço de união nacional dos colégios da Companhia no que concerne ao nosso modo educativo de proceder no tocante à Educação Básica, como resposta ao movimento de unificação das antigas províncias jesuítas em território brasileiro em uma única província, em 2014. O PEC é um catalisador desse belo e importante passo. Tudo isso nos faz perceber que o PEC é muito mais que um livro, é uma intuição profunda de que, se antes acertávamos sozinhos, hoje, juntos, podemos potencializar ainda mais o nosso Magis! Como as escolas da Rede vêm trilhando este caminho de renovação, desde o lançamento do PEC? A ainda jovem Rede Jesuíta de Educação caminha por um processo bonito de renovação da sua proposta pedagógica, visando a oferecer um serviço sempre mais qualificado aos nossos alunos e alunas. Nesse sentido, o itinerário de renovação segue em ritmo seguro, preciso e encantador. Inicialmente, trabalhamos a consciência de Rede, criando meios e estratégias para que todas as unidades educativas da RJE, mais que pertencentes a uma rede, sintam-se Rede. Dentre os processos pensados e postos em movimento para a construção da Rede e o sentimento de constituí-la destaca-se o Projeto Educativo Comum. Ele vai além da sistematização de um grande sonho acalentado por milhares de educadores e desejado por um número ainda maior de alunos. O PEC é a possibilidade de dar vida e sabor aos espaços e tempos escolares, qualificando-os e gerando novas possibilidades de construção do conhecimento e partilha de saberes. Ele permite e provoca respostas criativas a desafios novos que permeiam o nobre espaço da escola. Como foi a acolhida ao documento, de modo geral? O documento foi acolhido com alegria e generosidade por parte das comunidades educativas e vem gerando um movimento contínuo de inovação. A riqueza da proposta formativa, construída a muitas mãos, vem gerando um movimento de renovação na Rede e, certamente, muitos frutos já percebemos e outros tantos estão por vir. Os educadores da RJE, em geral, perceberam no documento uma saudável instigação, a oportunidade de responderem mais criativa e efetivamente aos desafios experimentados no contato direto com os alunos, reconhecendo nele a possibilidade de reinventarem-se como educadores e a necessidade de colocar os alunos no centro do processo educativo, isto é, a necessidade premente de transformar centros de ensino em espaços de aprendizagem. Uma riqueza que se descortina cada vez mais é que a implementação do PEC vai além da Dimensão Curricular (mais voltada ao pedagógico); no documento, são abordadas também outras três dimensões: Organização Estrutura e Recursos – que implica o administrativo e a gestão financeira dos nossos colégios; Clima Institucional – que diz respeito à identidade e ao modo de proceder da obra; Família e Comunidade Local – entendidas como instituições corresponsáveis e parceiras no processo de aprendizagem integral a que nos propomos desenvolver. E nas diversas Unidades da Rede, como se deu a acolhida do PEC? Acompanhei diferentes formas criativas de “lançamento do PEC” nos colégios da Rede. Houve diversidade de abordagens, formas diferentes de apresentar o documento e estratégias distintas de construir os projetos de implementação, considerando o contexto local e atentando para os desafios de uma educação para a cidadania global. Todo o movimento, porém, foi permeado por criatividade, seriedade, profundidade e fidelidade aos princípios e valores da Companhia de Jesus, que, no Campo da Educação Básica, sempre esteve em lugares de fronteira, sendo muitos desses colégios pioneiros em processos de inovação. A construção da Rede é mais um passo relevante na busca do protagonismo

[close]

p. 15

15 educativo. Não queremos fazer mais do mesmo, nem apenas qualificar o que já fazemos bem, queremos trazer novas respostas para um novo discente, queremos dar vida e sabor ao processo formativo. Nosso desejo é ver alunos protagonistas, capazes de transformar a própria vida e a vida dos demais, ou seja, o PEC proporcionou um movimento de inovação e transformação sonhado e desejado por alunos e educadores. O PEC é fruto de uma construção coletiva entre colégios e escolas jesuítas do Brasil. Esse trabalho coletivo continua vivo no processo de implantação? Sem dúvidas, muito vivo. Hoje, é inconcebível pensar em uma rede sem manter abertos os canais de diálogo e construções coletivas. Uma das maiores riquezas da RJE é a sua capacidade de construir e compartilhar saberes, aproximar diferentes unidades educativas em uma sadia troca de experiências. Além disso, desenhamos projetos de capacitação dos educadores em Rede, aproximando os profissionais dos diferentes colégios, do Nordeste ao Sul do Brasil, que vêm de colégios e escolas reconhecidas por sua tradição e inovação pedagógica nas diferentes cidades em que estão inseridos. O que buscamos, em 2020, é ser uma Rede de “Centros de Aprendizagem Integral”. Em um país com tantas diferenças e diferentes formas de vida, o PEC vai ajudar a buscar maior unidade entre os centros educativos? Juntos, somos mais fortes? O processo de transformação de centros de ensino em centros de aprendizagem é complexo, mas possível e, diria, necessário. Ele exige convicção institucional e profissionais abertos, competentes e generosos, dispostos a redesenhar e inovar suas práticas pedagógicas, o que requer disposição para, por exemplo, a formação continuada. Felizmente, encontramos muitos educadores com esse espírito, e isso facilita o trabalho de envolvimento em um plano tão ousado e promissor. É próprio da Companhia de Jesus manter-se aberta ao novo, reinventar-se e reposicionar-se segundo tempo, lugares e pessoas, buscando levar com maior generosidade e eficiência a missão de educar homens e mulheres para os demais. São mais de quatro séculos e meio de inovação e renovação. Certamente, contamos com colégios de referência no Brasil e nos quatro cantos do mundo, pela capacidade de ousarmos e nos reinventarmos como consagrados educadores. Essa experiência faz crer que o caminho traçado, embora desafiador, é possível e viável. Já temos experiências consistentes com foco na aprendizagem distribuídas pela Rede, e elas vêm se multiplicando na medida em que as diferentes escolas da Rede enveredam pelo caminho da renovação e da inovação. E quanto aos próximos anos, que entregas como Rede o senhor destacaria? A experiência do horizonte 2020 das escolas da Companhia de Jesus em Barcelona, na Espanha, são um sinal visível de que uma nova educação é possível e de que, juntos, somos mais, podemos mais e transformamos mais e melhor a sociedade. O PEC nos provoca a educarmos para a cidadania global, por isso, estamos avançando em projetos e serviços que suscitam inquietações e trabalham esse tema, passando a despertar o interesse de que nossas unidades ofertem sistematicamente atividades correlatas em Rede, como, por exemplo, o Simulado da Nações Unidas (SINU), realizado em algumas Unidades há mais tempo e que, para 2018, aproximará alunos dos diferentes colégios na construção do conhecimento a partir de um debate comum sobre temas relevantes. Um serviço que queremos incrementar e que, certamente, em 2020, já contará com um projeto robusto em andamento é o de estudo aprofundado da Língua Inglesa em nossos colégios, ou seja, algo como um programa bilíngue, que dê conta das demandas nesse sentido e assegure aos pais e alunos a confiança em nós depositada no que diz respeito à formação não apenas na Língua Inglesa, mas também no arcabouço e na bagagem cultural que envolve o aprendizado de uma língua estrangeira. Como está a qualificação dos processos educativos conquistados através do Sistema de Gestão de Qualidade da Educação – SQGE? Certamente, os avanços são perceptíveis. Vejo as escolas com maior senso crítico e com expressivo aprofundamento no acompanhamento dos processos formativos. O foco voltou-se para a aprendizagem, para o desejo de não fazer mais do mesmo e, assim, poder transformar vidas. Não se trata de evolução em números, no sentido de que simplesmente se verifica melhor desempenho nas avaliações externas, mas de transformar vidas e verificar, com seriedade e honestidade, os processos formativos, buscando evidências de que almejamos uma formação inclusiva. Já podemos sentir evolução em nossas escolas a partir desse trabalho? Sim. Este é outro aspecto que fica cada vez mais evidente e necessário: a incidência pública das nossas escolas. Não podemos ficar indiferentes àquilo que acontece ao nosso redor, especialmente diante de um país mergulhado em uma profunda crise ética, com as instituições públicas sendo questionadas em larga medida. Há inúmeros sinais de pessoas públicas colocando os interesses individuais acima dos coletivos, de uma sociedade que preza mais pela economia do que pela pessoa; percebemos um descrédito em relação aos órgãos públicos. Nesse contexto, somos chamados a educar para a cidadania, sair da bipolarização (esquerda/direita; a favor/contra) e buscar um diálogo franco e honesto. Necessitamos educar para o diálogo, agora mais do que outrora, e assumir a identidade de escola confessional, que tem uma missão impregnada de princípios e valores e que presta um serviço público, mas não estatal. Preocupa-me quando a Igreja é questionada por manifestar-se diante de uma grave crise política e econômica, ou quando as escolas estão sendo obrigadas a silenciar diante de sérios problemas de

[close]

Comments

no comments yet