Joias Hotel

 

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Description

A interação do Setor Joalheiro com a excelência Hoteleira

Popular Pages


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© 2011 Joias Hotel By Gilberto Candido Publicação: 2011 (Editora sob demanda) Capa: Gilberto Candido Diagramação: Gilberto Candido Revisão: Poliana Castelluci polianacasteluci@yahoo.com.br Impressão AlphaGraphics www.alphagraphics.com.br Administração e vendas www.agbook.com.br www.clubedeautores.com.br www.joiashotel.blogspot.com gilbertocandido@globomail.com [B.N. - Reg. sob nº 511575 Lv. 969 Fl. 398]

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Aos amigos... Especialmente aos que apoiam ações sociais e culturais

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APRESENTAÇÃO Dezesseis anos atuando em hotelaria. Isso me rendeu boas e bem-humoradas histórias pra contar, numa dinâmica diagramação em formato de contos/crônicas. Aproveito o tema “hotelaria” para levar mensagens e culturas extraídas da minha convivência com hóspedes e colegas que me acompanharam ao longo de minha jornada, sempre acompanhadas de bom humor. Aproveito o roteiro para transcrever alguns acontecimentos que se assemelham com os micos do nosso cotidiano fora do âmbito hoteleiro, especialmente, destacando a interação da HOTELARIA com a JOALHARIA. Os seis hotéis que convivi trabalhando nesses dezesseis anos — incluindo os demais hotéis onde atuei como freelancer — são distintos: nenhum tem ligação com o outro. A não ser quando notei as evidências de mencionálos como uma alusiva “Rede Hoteleira”, percebendo que os fatos relatados nessa “Rede” estão sujeitos a representarem a maioria dos hotéis, independentemente das atividades dos hóspedes e suas culturas. Algumas das crônicas, aqui publicadas, foram selecionadas da obra não-ficção “Diárias de Hotel”.

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Joias Hotel A FLOR DOS LARANJAIS ... eu pensava que Budapeste fosse cinzenta, mas Budapeste era amarela. Trecho da obra “Budapeste” de Chico Buarque. Ano de publicação: 2003. Esse livro foi-me doado por um hóspede que, contentou-se ao me ver lendo Ernest Hemingway dizendo ser, também, um de seus autores preferidos, além de Chico Buarque. Se alguns anos anteriores, alguém sobrevoasse a então Capital Brasileira da Laranja na entressafra, esse alguém diria: “A cidade é verde”, de acordo com o largo cinturão de lavouras cítricas que por aqui era cultivado. Já na fase temporã aos frutos, diria: “A cidade é branca”, pelo alvo das flores das laranjeiras. E no período sazonal, este mesmo alguém teria outra impressão: “A cidade é dourada”, levando em conta a vasta cor alaranjada destes mesmos pomares. Bem antes de 2003, o Chico não precisaria divagar (na verdade, ele ainda não teria visitado Budapeste), assim, tão distante, lá pelos céus da Hungria, pra ter a conclusão sobre o aspecto multicolorido de uma cidade. Bastava sobrevoar por aqui e certificar que a cidade é dourada o ano todo, devido ao brilho das joias folheadas que se espalham por todo o município. Isso, sem dizer que o verde sempre foi e será eterno aos nossos olhares, perante a eterna vocação que esta terra tem para a agricultura e o meio ambiente.

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Gilberto Candido E você, caro leitor brasileiro, antes de embarcar para Budapeste, sobrevoe Limeira, a Capital dos Folheados. Solte o cinto, relaxe na sua poltrona e leia o Chico. Vale a pena.

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Joias Hotel NADA SE CRIA... Tudo se copia. Ficou quase perfeito o plágio do anel de noivado da futura princesa Kate Middleton, ofertado a ela com o coração do príncipe William. Vendeu que nem arroz com feijão (preto) nas barraquinhas da Saara carioca. Começou cara a brincadeira: cinco reais no varejo. Hoje, estão vendendo à quilos. As “princesas” de plantão enchem todos os dez dedos das mãos, contentando-se em declarar que, muito menos que os dez anéis, apenas um príncipe bastaria pra cada uma delas. Essa novidade (o anel da princesa) não ganhou destaque aqui no principal polo brasileiro de joias e suas afinidades. Mas, viajou e andou passeando por estas bandas, no dedo de uma representante deste ramo que ostentava, orgulhosamente, o seu unitário envolvendo o seu dedo, postada na porta de um hotel local, onde se hospedava. Isso não é um ato de reparar apenas por interesse nas pessoas. É o resultado do meu sétimo sentido que anda aguçado e reparando tais detalhes outrora ignorados. Ah, a dona do anel estava linda!

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Gilberto Candido JUMEU E ROLIETA O casal era sócio no ramo de bijuterias. Ambos usavam aliança no anular direito. Ele só a chamava de “Mô” e, ela chamava-o de “Mozinho”. Já era o terceiro dia de estada deles no hotel e, formalmente, não chamávamos qualquer hóspede pelo pseudônimo; apenas pelo nome. Acho que a mulher estava se arrumando e, pra variar, o marido desceu antes dela. Minutos depois ela apareceu, toda produzida. Olhou para os lados, procurou pelos cantos e não o encontrou. — Você viu o mozinho? — me perguntou. — Quem? — O Jú. — Jú?! — O Juliano, meu marido. — Ah, sim, o seu marido! Não, não vi. Ela foi à porta, olhou lá fora, voltou e continuou a procurá-lo. Nisso, ele que havia descido imperceptível, apareceu estacionando o carro bem na porta do prédio. — Minha muié já desceu? — quis saber. — Sim, estava aqui ainda à pouco. Estava te procurando. Ele foi procurá-la no lobby e ela procurava-o, em desencontros, até que se encontraram. Saíram de mãos dadas e, com um cavalheirismo encantador, o moço abriu a porta do carro pra ela, fechou-a cuidadosamente, rodeou o veículo e assumiu o volante. E lá se foram: a Mô e o Mozinho, exalando

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Joias Hotel aromáticas essências de flores e coraçõezinhos que, apaixonadamente os acompanhavam. Oh, que bonitinho, gente! Que seja eterno enquanto dure...

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Joias Hotel NOITE DE NÚPCIAS ENFIM, SÓS! Uma essência floral se espalha na atmosfera deste ambiente encantador, aconchegante. A suíte deste hotel parece ter sido arquitetada e decorada especialmente para nós. Ou será que qualquer suíte, em qualquer hotel do mundo seria exatamente como esta? Provavelmente que sim. Porque você está aqui. Nós estamos aqui. E a sua presença neste momento, e por todos os momentos de nossa vida, haverá de ser o que mais importará eternamente. Te amo! OS BRINCOS Beijo a tua boca. Acaricio o teu rosto. Nas orelhas, os longos brincos de cores vivas; turmalinas, esmeraldas, topázios, realçam-me na memória a moldura e delineamento do retrato que venho pintando de ti, aprimorando-o mais e mais a cada dia que passa. Olho os teus olhos. Estão exatamente de acordo com o verdor de tuas joias. Você é linda! Despi-me apenas de meu fraque, e você de seu vestido. Beijo mais uma vez teus lábios e... Perdoe-me. São tantos os devaneios que vou me perdendo em meio a tua beleza. Entrego-me aos caprichos desta sedução. Beijo carinhosamente a sua testa, afago teus cabelos e vou além: te imagino uma rainha, com aquela coroa em ouro branco que tu ostentavas. Te imagino uma rainha, agora, e para todo o sempre, durante todo este nosso abençoado e eterno amor, que vem sendo, a tantos e

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Gilberto Candido tantos anos, desde que nos conhecemos, ardentemente, alimentado pela absorção de nossas devotas súplicas. Te amo! O COLAR Minhas mãos deslizam suavemente por debaixo de seus cabelos e, caprichosamente, meus dedos vão resvalando a sua nuca. Beijo levemente o seu pescoço. Ah, o colar! Recordo-me de quando te dei um, há dois anos, meses depois de oficializarmos o nosso romance. Eu tinha certeza de que você iria gostar. Porém, não imaginava a surpreendente dimensão de seu contentamento. Assim como aquele, esse também que tu aparatas agora, dispersa encantos em harmonia no seu busto, ora pelos cristais que fascinam por suas vibrantes energias. Parece magia tanta perfeição. Aliás, em você tudo é perfeito. Tudo é tão perfeito que no átrio de nosso lar vou instaurar uma estátua de minha devoção a ti e... Perdoe-me. Você já tem me dito que não pretende que eu a venere por sua fotogenia. Que não te mitifique em abstratos, mas, sim, com a simetria que representa a pessoa de corpo e alma que você é. Te amo! O BROCHE Um rendado sutiã, com bojo na parte inferior, recobre os seus seios. Sou grato pelo mistério que me propusestes, pela minha ignorância do que suponho haver, ou não haver, no entrelaço deste às suas costas. Pensava eu, que todos os sutiãs tinham fechos exclusivamente na parte de trás. O seu tem um fecho brilhante na frente, entre os seios. Levo-me a precipitar nos descaminhos de pedir-lhe que vire de bruços para que, assim, eu possa saciar a minha curiosidade. Mas me detenho.

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Joias Hotel Ainda tenho muito; muito a descobrir no imponderável do teu corpo. Não quero atalhos. Não tenho pressa. Afinal, daqui em diante, somos somente eu e você. Nós dois; igual a um. Te amo! AS PULSEIRAS E O BRACELETE Deixo-te quase imóvel. Você suspira e se mexe leve e lentamente apenas na sujeição dos meus gestos que vão te desvendando, calidamente. Sou brando ao deslizar para o lado e beijar as suas mãos. No teu pulso, as pulseiras e um bracelete exprimem a exuberância nas diversidades de suas formas, com elementos de grandes valias e uma extraordinária riqueza criativa que... Perdoe-me. Por uma fração de segundo me vi com uma dessas pulseiras no meu pulso na forma de um elo preso às suas, como que simbolizando algemas pra que você nunca se distancie de mim. Que maldade, a minha! Pois, é certo que o único elo que nunca nos distanciará é este intenso sentimento comandado pelo meu e pelo seu coração. Te amo! OS ANÉIS Os anéis que reluzem nos teus dedos e a aliança com o meu nome gravado te ornamentam e me entorpeço com todo o êxtase à lembrança daquela primeira vez que segurei estas suas mãos, há tanto tempo! Anos mais tarde, apaixonadamente, selávamos o compromisso do nosso namoro. Um pouco mais adiante, você receberia o seu anel de formatura. Mais tarde, eu era quem lhe pedia para que aceitasse um, do meu pedido de noivado e... finalmente, do casamento, que nos une a partir de agora para a eternidade. Beijo estas tuas mãos, guardando os detalhes de cada safira, de cada quartzo e... Perdoe-me. Penso

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Gilberto Candido em apoderar-me, furtivamente, de um destes seus anéis para, posteriormente, guardá-lo num jardim secreto onde somente eu saberia como encontrá-lo, caso você vier a dar-me motivos para que me sufoque de saudades de ti. Mas me detenho. Que bobagem a minha! Sei o quanto somos fiéis. E essa nossa sagrada fidelidade perpetuará na cumplicidade deste tão nosso amor. Te amo! O ÍNTIMO ACESSÓRIO Na tua calcinha, um lampejo me atrai. Uma pequena e elegante pedra lapidada prende ao centro um minúsculo laço que fixa no cós dianteiro sobressaltando entre os mínimos detalhes que compõem essa íntima peça que sugere ser retirada o mais depressa possível e... Perdoe-me. Penso em despi-la no ato, ignorando as descobertas que, a cada dia e a cada noite, você me propõe. Detenho-me por saber que, somente os insensíveis seriam capazes de tamanha estupidez. Te amo! A TORNOZELEIRA Desço e sinto o macio de suas coxas, de seus joelhos. Beijo-lhe os pés, minha adorável esposa. O dourado precioso que envolve o seu tornozelo brilha insistentemente na íris dos meus olhos e... Perdoe-me. Não contive o pensamento vulgar de tê-la pra mim envolvida, também, numa outra tornozeleira — uma tornozeleira eletrônica, pra poder seguir os seus passos. Saber por onde tu andarás, tu pisarás. Entretanto, me detenho em saber que somente pessoas criminosas são passíveis de perverso monitoramento. O fato de você ter-me roubado o

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Joias Hotel coração, nenhum tribunal no mundo, com júri popular, haveria de te condenar. E eu, desde já, te absolvo. Te amo! ENFIM... Você se levanta e, de uma a uma, retira todas as joias, abranda a maquiagem, e retorna aos meus braços, iluminada, radiante. Você é uma joia mística e maciça. Já andei observando que, toda a sofisticação dos adornos que você nunca dispensa não são capazes de substituir o conjunto de tudo o que te reluz naturalmente por toda a hegemonia do teu corpo. Frente a frente, ajoelhamos sobre a cama, e você, com aquele mesmo brilho pessoal que, por tudo o que há de mais sagrado, este nosso amor eterno saberá tratá-lo com toda a polidez que ambos merecemos. Te amo, te amo, te amo!

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